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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

10
Fev19

O Barroso aqui tão perto - Codeçoso da Venda Nova

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Nesta nossa peregrinação pelo Barroso hoje vamos até Codessoso ou talvez Codeçoso ou ainda Codessoso do Arco, ou mesmo Codessoso da Venda Nova, pois sinceramente não sei qual é o topónimo correto, dependendo da fonte onde for beber, o topónimo aparece grafado nestas quatro formas. Para mim é Codessoso da Venda Nova, isto por conveniência e para distinguir a aldeia de outras da proximidade que adotaram o mesmo topónimo, como é o caso de Codessoso da União de freguesias de Meixedo e Padornelos também do concelho de Montalegre, ou Codessoso do concelho de Boticas ou ainda Codessoso de Celorico de Basto. No entanto, no que resta do post, para não estar sempre a escrever Codessoso da Venda Nova, vou ficar-me só por Codessoso.

 

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Também esta aldeia tem direito ao seu merecido post aqui no blog, mas, para ser sincero, esteve para não acontecer assim, pois inicialmente tinha programa que esta aldeia entrasse em conjunto com a Venda Nova e Padrões, pela simples razão que não tinha fotos suficientes da aldeia para justificar uma publicação isolada. Tal como já tive oportunidade de o dizer aqui noutras ocasiões, às vezes o cansaço, as condições meteorológicas e a falta de inspiração, tolhem-nos ou toldam-nos um levantamento fotográfico como deve de ser, sobretudo quando tal acontece durante o período da tarde, que cada vez mais me convenço que as tardes não são amigas da fotografia, exceção para a hora doirada do entardecer.

 

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A primeira vez que fui a Codessoso com intenção de a fotografar, aconteceu em junho de 2017, recordo que foi um dia de muito calor. Dei uma volta pela aldeia que se localiza mais junto à barragem, fiz os registos que me atraíram e depois atravessei a estrada e entrei na restante aldeia, de onde saí sem nenhuma foto. Já depois de ter decidido que Codessoso não estaria aqui sozinha, numa descida para a Venda Nova vindo de Salto,  o meu olhar foi atraído pelo conjunto da aldeia que se via ao longe. Chegado a casa, revi novamente as fotos que tinha em arquivo de Codessoso e verifiquei que talvez estivesse a ser injusto com esta aldeia. Aí ficou decidido que faria nova passagem por lá para ver o que me tinha escapado.

 

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No dia 29 de dezembro passado fui propositadamente a Codessoso, e aí sim, não só tomei alguns registos dentro da aldeia, como subi novamente ao lugar da Venda Nova desde onde a aldeia se poderia ver no seu todo e dei-me conta que seria imperdoável não ter feito estes novos registos, com realce para o conjunto que se vê desde esse local e para a composição que desde aí se conseguia em, numa imagem apenas, dar a conhecer a magia que o Barroso tem. Refiro-me à composição da primeira imagem que abre este post   que mostra algumas das singularidades do Barroso verde e agreste, da água, rios e albufeiras, do endeusamento das suas serras, no caso a Serra do Gerês que se vê em último plano, da pequena península onde mora o tal Codessoso junto à barragem. Uma imagem que mostra bem esta pérola do Reino Maravilhoso.

 

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Como diz Torga, “Reinos Maravilhosos (…) O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração”, vou fazendo o exercício de não esquecer estas palavras de Torga, mas tal como disse no início, às vezes, por cansaço, falta de inspiração ou mesmo até desleixo, perdemos essa tal virgindade original do nosso olhar, e para o Barroso temos que ir sempre puros, virgens, senão corremos o risco de nos passar ao lado e perdemos “a magnificência da dádiva”.

 

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Pintado assim o Barroso como uma pérola do Reino Maravilhoso quase somos levados a crer que é o paraíso, e até poderia ser, mas não o é. É terra difícil de se viver,  de tão ingrata que é, chega a doer, não só viver nela como ainda o é mais ser obrigado deixá-la para trás, pela necessidade que fala mais alto, e tudo poderia ser diferente, se o sol, como dizem, nascesse para todos, mas não!

 

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Sem ignorar o que atrás disse, passemos à frente, pois existe sempre a esperança de que um dia se faça justiça, afinal de contas esta sina já não é de hoje e tal como como os de lá de baixo dizem que nós já estamos habituados ao rigor dos nossos invernos também vamos estando habituados ao resto, que até pode ser mentira, mas pelo menos alimenta o nosso orgulho… e por mim, antes orgulhoso do que conformista.

 

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Vamos então até ao Barroso aqui tão perto, pois vamos esquecendo que este blog é feito a partir da cidade de Chaves e que estas incursões no Barroso, não são mais que um convite a uma visita à descoberta das belezas barrosãs, que essas ninguém lhas tira.

 

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Pois então vamos lá, até Codessoso da Venda Nova e a melhor referência é mesmo a Barragem da Venda Nova, que como já referimos Codessoso em parte, é mesmo uma península que entra pela barragem adentro, mesmo antes de se chegar à Venda Nova.

 

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Quanto ao itinerário a seguir, o mais convidativo para lá chegarmos bem e depressa é mesmo a Estrada Nacional 103 Chaves-Braga, mas como para estes passeios não devemos ir com pressas, eu recomendo mesmo uma das outras alternativas.

 

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Desta vez e de modo a podemos desfrutar da imagem de boas-vindas à aldeia de Codessoso com o postal que se vê desde o alto da Aldeia da Venda Nova, proponho o itinerário via Boticas e Salto. Com saída de Chaves pela EN103 até Sapiãos e aí rumamos em direção a Boticas, tomamos depois a R311 em direção a Salto, sem entrar em Salto, pois antes deveremos tomar a estrada que nos levará à Venda Nova e de regresso à EN103. Chegados à Venda Nova, viramos em direção a Chaves e logo a seguir, quase junta à Venda Nova temos Codessoso. Para o regresso a Chaves, aí, poderá vir sempre pela EN103. Mas fica o nosso habitual mapa para melhor orientação.

 

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E vamos ver o que os documentos, livros e outros dizem sobre Codessoso, começando pelo livro Montalegre que nos leva par “O último enforcado em Montalegre”. Como o texto é longo, se quiser retome o post após a citação, mas recomendo a leitura, pois é história é interessante:

 

O último enforcado em Montalegre

 

Diz-se que quem conta um conto aumenta um ponto. Hoje, o conto não pára por aí. Há quem, ao recontar o conto e até a história, lhe aumente meia dúzia de pontos.

Todavia, o último enforcado em Montalegre constitui um facto histórico graças ao meu inolvidável amigo, José Jorge Álvares Pereira, que em boa hora decidiu resgatar às garras do mito e da lenda, atendo-se aos documentos escritos duma testemunha contemporânia e que assistiu à execução da pena.

O texto que aparece entre aspas é fruto da tradição, o que vai em itálico é do Padre José Adão dos Santos Álvares, que o publica na Revista Universal Lisbonense, tomo II, página 142-144, e que Álvares Pereira consultou.

Há apenas duas coisas que o próprio tribunal não dilucidou e que o pobre criminoso (como em toda a matéria acusatória) não se importou em esclarecer: é o nome oficial do criminoso e a confissão dos crimes de que foi acusado.

Na povoação de Codessoso do Arco (é este o verdadeiro topónimo) “nasceu, em 1815, José Fernandes, filho natural de Senhorinha Fernandes. Tinha uma irmã, igualmente filha de pai incógnito e a que a história não recorda o nome”. Estes Fernandes eram conhecidos pela alcunha de “Gaios de Codessoso” que, entre nós, as famílias também podem ter alcunhas.

Como o rapaz não se dedicasse a nenhum ofício e andasse sempre de vago, puseram-lhe a alcunha de “Bagueiro”. Aliás, é termo muito ofensivo, que se dá também aos burros e que o resto do país mal conhece enquanto tal. Os nossos dicionaristas ignoram-no por completo com tal sentido. Não admira pois que o próprio correspondente da revista, mas não o tribunal, lhe juntasse ao nome a alcunha “Begueiro”, pronunciada (e escrita) à moda do Minho. A verdade é que o homem, de  22 anos, de relações cortadas com o trabalho e sem rendimentos teria de arranjar meio de subsistir. “Roubava”.

Encontrando-se um dia na taberna das Alturas, viu ali entrarem para comer dois viajantes de Braga: a “viúva Inácia Joaquina e o menor Francisco Baptista”.

 “Diz-se que tinham ido a Chaves buscar uns magros tostões que dois canteiros seus familiares ganhavam na reconstrução das muralhas. Comida a bucha, a mulher pagou e disse ao taberneiro: Graças a Deus que ainda aqui levo trinta reis! Saíram mas foram logo seguidos pelo Bagueiro que lhes apareceu, fora do povo, oferecendo-se para lhes indicar o melhor caminho para Braga. Quando chegaram ao descampado enorme, onde mora a Senhora do Monte, o Bagueiro pediu à mulher os trinta mil reis! Quando a viúva lhe ia a dizer que só tinha trinta reis, já caíra morta. O mesmo aconteceu ao rapaz logo a seguir. Foi preso, um mês depois, na taberna de Codessoso. Conduzido à Senhora do Monte, onde ainda estavam os cadáveres, confessou apenas que os tinha acompanhado. Foi julgado, quase quatro anos após o crime e condenado à pena de morte na forca. A execução da pena demorou mais um ano e meio; aconteceu a 17 de Setembro de 1844, devido ao pedido de clemência dirigido à rainha D. Maria II. Pedido rejeitado.

Corre entre nós a versão ridícula de que o condenado, já no patíbulo, terá pedido a presença da mãe para se despedir. Então, em vez do beijo de despedida, ter-lhe-ia cortado o nariz com uma feroz dentada. Episódio inventado e torpe.

A sentença resume-se ao seguinte: É acusado o réu José Fernandes, solteiro, trabalhador… primeiro, de ter num dos dias do mês de Abril de 1838, na serra das Alturas, assassinado e roubado a Inácia Joaquina… e Francisco Baptista…; segundo, havendo-os previamente enganado… e fazendo-lhes crer que havia passagem de tropas nas Alturas (sic) e que deviam evitá-las; terceiro, de ter, na ocasião em que foi preso, em uma taberna do lugar de Codessoso da Venda Nova, no dia 21 de Maio 1838, sido encontrado com um pau de chuço, uma choupa e uma faca de ponta aguda.

Circunstâncias agravantes apontadas no libelo:

 … ao se encontrar junto aos cadáveres dos assassinados um chapéu velho pertencente ao réu;

… se ter visto a este nos últimos dias do mês de Abril um capote velho cor de pinhão que algumas pessoas asseveraram tê-lo visto ao falecido Francisco Baptista;

… sendo conduzido o réu ao lugar em que se achavam os cadáveres… já meios consumidos e devorados, ali confessou ter acompanhado os referidos indivíduos assassinados por caminhos transversais;

… finalmente, … o réu padece notas de opinião de ladrão, salteador e assassino.

Alusão do juiz à defesa do réu:

- Defende-se o réu alegando que é um cidadão bem comportado, que ganha a sua vida honestamente por meio do trabalho e que nunca padeceu notas de ladrão, salteador ou assassino e que nunca usara de armas defesas e que as que foram encontradas na casa em que foi preso não eram suas.

- Portanto, pelo que dos autos consta em vista da decisão do júri e os princípios de direito criminal em que me fundo, condeno o réu José Fernandes, solteiro e jornaleiro do lugar de Codeçoso da Venda Nova, a morrer morte natural para sempre, levantando-se para esse fim uma forca no lugar do Toural desta Vila. Pague o mesmo réu as custas dos autos.

Audiência geral em Montalegre, 21de Janeiro de 1842.

João Carlos de Oliveira Pimentel

O autor do relato desta execução é o padre José Adão dos Santos Álvares que também se assinava José Adão dos Santos Moura. Foi filho do médico José dos Santos Dias, ambos naturais do Cortiço, freguesia de Cervos. O Padre, ao tempo, paroquiava São Vicente da Chã e era correspondente de várias publicações além da Revista Universal Lisbonense. Ao enviar a notícia 3502 à Revista prestou-nos um excelente serviço enquanto barrosões e cidadãos. Contudo, comete pequenos lapsos exclusivamente devidos ao isolamento em que as povoações viviam. E parece que soou a hora de relatarmos apenas o que realmente é, sem ofensa para ninguém, nem receio de dizer a verdade.

O réu chamava-se José Fernandes, por alcunha o Vagueiro, filho de Senhorinha Fernandes, da casa dos Fernandes, por alcunha os Gaios, de Codessoso do Arco, antiga freguesia de São Simão e, agora, lugar da freguesia de São Pedro da Venda Nova. O vocábulo Begueiro foi importado do Minho. Os Barrosões, querendo significar o animal de carga, o burro, dizem vagueiro, ou melhor Bagueiro . E era assim que chamavam ao José, dos Gaios de Codeçoso – o Bagueiro!

Veio o réu da cadeia da Relação, no Porto, (onde alguns anos depois foi cair o célebre romancista Camilo mais a sua paixão). Trazia uma escolta de cinquenta soldados de Infantaria nº2 e foi despedir-se de sua mãe e da irmã a Codeçoso continuando em direcção à Capelinha da Senhora do Monte. “Consta que a sua infeliz mãe, uma desgraçadinha viúva o seguiu longo tempo na mais viva consternação e que obrigada a tornar para trás, caiu de cama onde se conserva”. Assim se rejeita a tradicional cena do beijo uma vez que a mãe não assistiu à execução. 

O Bagueiro chegou a Montalegre, “no dia 13 de Setembro de 1844, pelas 10 horas e entra logo na prisão. Fuma constantemente e bebe água”.

Dia 1, ao meio-dia, chegam os executores; ele vê-os das grades da prisão e deixa a meio a refeição. Prestam-lhe apoio religioso (e psicológico) quatro padres, revezando-se ao longo do dia.

 “No dia 16 ouve três missas e comungou. A seguir deita-se e perde quase todo o alento de que vinha dando mostras. Para o fim do dia revela extremo abatimento; mostra-se compungido mas resignado; recita jaculatórias e beija repetidamente um crucifixo; não come, só bebe água. Enquanto batem as horas, conta-as e faz saber o tempo que lhe resta de vida. Reconcilia-se várias vezes porque quer morrer como cristão”.

“Diz-se que, de madrugada, as sentinelas adormeceram e ele veio ao Toural ver o patíbulo onde seria executado. Regressado à prisão acordou as sentinelas e disse-lhes que não fugira porque queria pagar os seus erros e ser recebido no paraíso”.

No dia 17 voltou a confessar-se. “São onze e meia; chega a irmandade da misericórdia e os executores com alva e corda entram; não desanima; vestem-no, cingem-lhe o baraço; ele se presta com toda a resignação e ajuda a acomodar as voltas da corda na prisão das mãos; saem para a praça do Toural, a pequena distância, a misericórdia com o painel de Nossa Senhora, um minorista com um crucifixo voltado para o padecente; segue-se este caminhando a pé acompanhado dos eclesiásticos… e os dois executores de casaco e calça preta… Chegam à Capela de São Sebastião, na dita praça onde o capelão da misericórdia celebra o santo sacrifício da missa; aqui o padre Manuel Caetano faz uma alocução ao réu e ao povo toda de sentimento e compunção… Dirigem-se para o centro da praça onde se ergue o patíbulo… o padre reza e exorta a uma forte confiança na protecção da Senhora e com breves e patéticas orações o anima a subir. Simões, o executor mais novo, o esperava já no cimo do patíbulo. O padecente pede novamente água, e depois ele próprio, com voz sonora e inteligível pede perdão a todos: dá adeus ao mundo, implora a protecção de Maria Santíssima… cede custosamente o crucifixo; lança-lhe o algoz o capuz.

… num choro geral e extraordinários alaridos dos espectadores anunciaram que tudo estava consumado. A execução diz-se que fora pronta; mas não tanto quanto por ventura o pede a humanidade.

O cadáver foi pela Irmandade da Misericórdia conduzido ao cemitério da Matriz”. A tudo isto assistiu, às carrachuchas de seu pai, uma criança de sete anos que foi meu avô. Dizia ele que a administração concelhia envidava esforços no sentido de que cada família se fizesse representar nas execuções das penas de morte “pela cabeça de casal” e o seu herdeiro mais jovem mas “em idade de razão”. Fica assim justificada uma assistência de cinco mil pessoas, o que constituía um terço da população residente no concelho de Montalegre por esse tempo.

A título de nota marginal, cumpre saber que estiveram presentes dois executores, vulgo carrascos. Um deles era o carrasco oficial e legal, natural de Capeludos de Aguiar, de seu nome Luís Negro. Foi um facínora abominável e soldado dos dragões de Chaves. Condenado à morte na forca viu a sua pena comutada em prisão perpétua ao aceitar, com paga por cabeça, o ofício de carrasco no funcionalismo dos tribunais. Mas, afinal, o Negro não tinha a alma tão negra como o pintavam! O padre José Adão não quis ver a execução toda mas nós sabemos que quem lançou o capuz ao réu foi o Simões (figura sinistra que pensamos ter sido um tal José Ramos Simões, assassino confesso e condenado à pena máxima. Foi-lhe também comutada a pena por ter aceitado ser executor de Alta Justiça. Era ele a quem o Negro pagava para lhe fazer o serviço e, pelos vistos, fazia-o bem por ser de avantajada estatura. Lançou-se, abraçado ao condenado, para que com o seu peso a morte lhe chegasse mais depressa. O Luís Negro, carrasco legal, pagava portanto do seu bolso a quem fizesse tal serviço e desse o fatal abraço ao condenado! É o que diz o Visconde de Ouguela no seu trabalho “O último carrasco”; o Camilo, nas “Noites de Insónia”, o dá a entender e o padre José Adão na sua notícia para a revista e eu aprendi de meu pai e tios.

De todo o modo, o Luís Negro não levou muito trabalho, desse dia em diante, com execuções, a norte do Mondego. Com efeito, só pagou e recebeu estipêndio em mais duas execuções: a do Manuel Pires, natural da Rua, concelho de Sernacelhe, salteador e assassino conhecido por Russo da Rua, enforcado a 8 de Maio de 1845. O último acto rancoroso do comportamento ferino do Russo deu-se “quando já pendente nos ares e cavalgado do verdugo, mordê-lo rijamente na perna esquerda!” Dessa dentada safou-se o Luís Negro! Finalmente, a 19 de Setembro de 1845, no Largo do Tabulado, em Chaves, assistiu à execução de José Maria, o Calças. Andava, por esse tempo, muito acesa a luta contra a pena de morte. Para crimes políticos somos nós os pioneiros pois abolimo-la, em 1852 e para os crimes civis, em 1867.

Todavia, após a Patuleia foram rareando as condenações à pena capital e essas eram comutadas em penas perpétuas ou de degredo para as costas de África.

Mas Luís António Alves, por alcunha o Negro, executor de Alta Justiça, cumpriu integralmente a sua pena pois morreu na cadeia do Limoeiro, na primavera de 1874, vinte anos depois do Vagueiro de Codessoso. Paz às suas almas.

 

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Só a titulo de curiosidade, refere-se no documento que atrás fica transcrito o último enforcamento em Chaves, o de José Maria, o Calças, em 19 de setembro de 1845, que ao que consta por cá (em Chaves), era natural da aldeia de Faiões, que muitas vezes, erradamente, também se diz ter sido o último enforcado em Portugal. Mas não, o último condenado à morte em Portugal e último enforcamento, foi o de José Joaquim Grande e aconteceu em 22 de abril de 1846. A pena de morte para crimes civis só seria abolida em 1 de julho de 1867, no entanto o código de justiça militar em Portugal manteve a pena de morte, que só seria abolida no pós 25 de abril, mais precisamente em 1976.

 

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Por falar em mortes e mesmo sem haver pena de morte para tal, o facto é que o comunitarismo barrosão nas suas várias formas em que existia, também está condenado à morte, esta natural, vítima da modernidade, mas também do despovoamento rural. Boi do povo, por exemplo, penso que já não existe nenhum, fornos do povo ainda vão existindo, alguns ainda utilizados esporadicamente, vezeiras, a única que vi nos últimos tempos foi em Santo André, não sei se existirão mais. O que caiu em desuso quase total foram os tanques e lavadouros coletivos, hoje secos, sem água, apenas servindo para algumas expressões de “arte de rua”, revolta ou denúncias…

 

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Até a natureza parece, ou está mesmo a ser vitima da modernidade, pelo menos em algumas irregularidades relacionadas com o tempo meteorológico, contudo, continua fiel a si própria quando nos surpreende com os seus fenómenos naturais, como os seus arco-íris, as suas auroras boreais, os seus reflexos (como o da última imagem), autênticas obras de arte, mas também aqui, principalmente nestas últimas, para as ver,  também é preciso “que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração”. Pois essas manifestações de arte estão lá, só não as vê quem não quer ou quem não pode.    

 

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Continuemos ainda com a documentação disponível sobre Codessoso, agora com aquilo que diz a “Toponímia de Barroso”:

 

Codessoso do Arco

 

Atenção à grafia do topónimo: As formas intermédias constitutivas não autorizam o uso do ç.

Era e é uma família toponímica abundante, com derivações e flexões e significa um local de codessos, planta semelhante à giesta. Do latino cutissu (originalmente do grego cytissu) > codesso.

Este Codessoso já se chamou do Arco (e foi sede de freguesia, sob o orago de São Simão) devido à célebre Ponte Romana. Com Argote foi elevado à categoria de Praesidium, mansione da via prima, por manifesto erro de contagem das milhas romanas que aquele arqueólogo cometeu no que foi imitado por vários outros que o seguiram de olhos fechados como José Pinheiro e mais uma dúzia deles os tais que não vão às fontes!

 

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Aqui volto de novo à questão da forma como o topónimo desta aldeia é grafado, e eu até sou do que vai às fontes, aos tanques, às minas e até torneira e chego a esta altura do campeonato completamente baralhado. A mim tanto me faz que seja Codessoso como Codeçoso, é-me indiferente, gostaria mesmo de saber é qual deles é o correto  O Autor da “Toponímia de Barroso” é perentório quando a respeito desta aldeia afirma (o sublinhado e realce é meu):  Atenção à grafia do topónimo: As formas intermédias constitutivas não autorizam o uso do ç.

 

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O mesmo autor, no livro Montalegre reforça esta mesma ideia quando a respeito do “O último enforcado em Montalegre”, artigo que neste post transcrevemos atrás na integra, afirma (o sublinhado e realce é meu) : “Na povoação de Codessoso do Arco (é este o verdadeiro topónimo) “ . No entanto a bota não dá com a perdigota, nesse mesmo artigo do enforcado o autor escreve 6 vezes Codessoso com SS e 3 vezes Codeçoso com Ç. Mas no mesmo livro, ao todo, Codessoso com SS aparece 12 vezes, com Ç aparece 6 vezes, duas das quais, quando aborda a freguesia da Venda Nova, onde se afirma Os sublinhados e realces são meus): “ Lugares da freguesia: (4) Codeçoso, Padrões, Venda Nova e Sanguinhedo.” E logo a seguir, no texto:

“A nova sede de freguesia substitui o lugar de S. Simão de Codeçoso de Arco e passou a chamar-se São Pedro de Venda Nova, tendo andado anexa a Santa Marinha de Ferral. A antiga igreja que fora transferida do vale da igreja para Venda Nova acabou por ser afogada, como toda a povoação e o cemitério pelas águas da barragem que foi inaugurada em 1950, com pompa e circunstância e onde, no desfazer da festa, afogaram dez pessoas!”

 

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Ainda o Codeçoso ou Codessoso, se fizermos um exercício e formos diretos à caixa de pesquisa na página oficial do Município de Montalegre, Codessoso com SS aparece-nos 2 vezes enquanto que Codeçoso com Ç aparece-nos mais de uma centena de vezes, sobretudo em documentos oficiais, como atas e outros. Ora, agora que estou a finalizar este post, caio na realidade e dou o dito por não dito, pedindo desculpas pela minha falta de coerência. Assim, no texto que é de minha autoria, onde escrevi Codessoso com SS deveria ter escrito Codeçoso com Ç, e este é definitivo: CODEÇOSO .

 

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 E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

- https://www.cm-montalegre.pt/ (Consultado em 10-02-2019)

 

 

18
Mar18

O Barroso aqui tão perto - Codeçoso ( Meixedo)

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A nossa aldeia de hoje do Barroso aqui tão perto é Codeçoso da Chã (às vezes também grafada como Codeçoso de Meixedo ou Codessoso). Por nós grafamos a aldeia com Codeçoso e o “apelido” da Chã, por de terras da Chã e porque em alguns documentos antigos assim aparecer grafada mas também, talvez a principal razão, para a distinguir de outra aldeia do concelho de Montalegre com o mesmo topónimo – Codeçoso do Arco, esta da freguesia da Venda Nova, enquanto que a nossa aldeia convidada pertence à  freguesia de Meixedo, hoje União de Freguesias de Meixedo e Padornelos. Contudo, ao longo deste post, vai aparecer apenas grafada como Codeçoso, e às vezes como Codessoso se assim estiver no texto original que transcrevermos.

 

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Hoje vamos ser muito breves nas nossas impressões pessoais, isto porque ao contrário daquilo que acontece com a maioria das aldeias do Barroso, em que pouca documentação encontramos sobre elas, sobre Codeçoso da Chã temos muita informação, e mais à frente entenderemos o porquê.

 

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Mas iniciemos pelo habitual itinerário e localização, coordenadas, altitude e o nosso habitual mapa.

 

Pois Codeçoso fica a aproximadamente 3 km da Vila de Montalegre. Indo pelo itinerário que hoje recomendamos, que mais uma vez é o da estrada de S.Caetano – Soutelinho da Raia (como sempre com partida em Chaves), na última aldeia antes de chegar a Montalegre, Meixedo, desviamos à esquerda e apanha-se a estrada para Codeçoso. Mas se em Meixide tomarmos a estrada via Pedrário/Sarraquinhos, aí temos de virar à esquerda antes de chegarmos a Meixedo. Embora o nosso itinerário no mapa esteja assinalado com passagem por Vilar de Perdizes, deverá ir por Pedrário/Sarraquinhos, pois penso que até meados de abril deste ano a estrada via Vilar de Perdizes, por motivos de obras, continua fechada ao trânsito.

 

Quanto às coordenadas de Codeçoso são:

41º 49’ 10.12” N

7º 44’ 41.38” O

Altitude: 980m

 

mapa-codecoso.jpg

 

Pois às 7H34 do dia 14 de agosto de 2016 quando entrámos na aldeia para a nossa recolha fotográfica,  no ar ainda pairavam aromas de ressaca e a aldeia ainda estava engalanada de festa . Tivéssemos nós ido umas horas antes e ainda tínhamos botado um copo e dado um pezinho de dança no arraial das festas de S.António, abrilhantado pelo Grupo Musical «S.A. Sons do Arrasto», interrompido à meia-noite pela «Grande sessão de fogo de artifício». Não sabíamos, pois se soubéssemos, se calha, até éramos meninos para isso.

 

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Não sei se pelos adornos da festa, logo à entrada da aldeia suspeitámos que iriamos ser surpreendidos pela positiva, e em geral, as primeiras impressões são sempre aquelas que valem e prevalecem e Codeçoso não desiludiu, aliás penso que as fotografias são testemunho disso mesmo. Passou assim a ser mais uma das aldeias do Barroso de visita obrigatória. Gostámos do que vimos e gostámos da simpatia dos madrugadores com que conversámos. E como hoje ainda temos muita escrita pela frente, ficamo-nos por aqui quanto às nossas impressões pessoais.

 

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Iniciemos por falar de um filho da terra a que roubámos grande parte das palavras que virão a seguir, pois é ele o autor da “Monografia de Codeçoso” onde quase tudo que interessa dizer sobre a aldeia, está lá. Esse filho da terra é já um Ilustre Barrosão que dá pelo nome de João Barroso da Fonte, com um extenso curriculum, que por falta de espaço deixamos um que encontrámos no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses:

 

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João Barroso da Fonte  
[Codeçoso/Montalegre, 1939]  

 

Frequentou o seminário de Vila Real entre 1952 e 1962. Em 1966 entrou para o Curso de Oficiais Milicianos em Mafra, sendo mobilizado para a guerra colonial, em Angola, em 1965. De volta a Portugal em 1967, fixa-se em Chaves, onde foi professor no Liceu e chefe de redacção do semanário Notícias de Chaves. Em 1975 mudou-se para Guimarães. Matriculou-se na Faculdade de Filosofia de Braga, onde concluiu a licenciatura (1981) e fez o mestrado em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa com a tese O Pensamento e a Obra de Alberto Sampaio (1997). 

Foi director da Comunicação Social na Zona Norte (delegação do Porto), entre 1983 e 1985, vereador e presidente substituto da Câmara Municipal de Guimarães, de 1985 a 1990, e director do Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, de 1990 a 1995, ano em que se aposentou. 

Ligado à informação regional vimaranense e vilarealense, aos referenciais que vão de Chaves a Montalegre e com particular carinho pela região barrosã, tem feito breves surtidas pelo campo etnológico – não só em livro como em Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia – ou por autores nacionais que divulgou em A Tribuna e, com maior assiduidade, na revista Gil Vicente

Jornalista desde os quinze anos, fundou e dirigiu os jornais Além-MarãoG. I. Espaço Novo,Sentinela: Jornal dos Combatentes do UltramarA Voz do Combatente e Voz de Guimarães(1999), dirigiu a revista Gil Vicente e o jornal Comércio de Guimarães e colaborou em diversas revistas e jornais diários e regionais. Em 1999 retomou a publicação de Poetas e Trovadores, mensário de artes e letras. 

Fundou e dirigiu várias associações e é sócio de muitas outras. Criou, organizou e promoveu jogos florais e cursos de iniciação ao jornalismo e participou, com comunicações, em congressos e encontros de escritores. Prefaciou cerca de meia centena de livros, sobretudo poesia, de vários autores. 

Foi condecorado com as Insígnias da Ordem do Rio Branco, com o grau de Oficial, pelo Presidente da República Federal do Brasil (1990), com a Medalha do 1º. Centenário da Abolição da Escravatura Negra do Amazonas (1991) e com as medalhas de Mérito Militar e Comemorativa das Campanhas de Angola (1965-1967).

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999

 

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Espero que o autor não se importe por lhe trazermos aqui as palavras da “ Monografia de Codeçoso”, mas é por uma boa causa e pela sua terra. Pelo meio vamos metendo umas fotos para ir descansando os olhos da leitura. Então começa assim:

 

Monografia de Codeçoso

 

CODEÇOSO - É uma das aldeias mais próximas da vila de Montalegre, sede do concelho. Até à reforma administrativa de 1836 o concelho de Montalegre era mais conhecido por «Montalegre e Terras de Barroso», compreendendo o actual concelho de Boticas e parte dos concelhos de Terras de Bouro, o então concelho de Ruivães e algumas povoações do actual concelho de Chaves. As terras de Barroso já assim eram conhecidas ao tempo dos primórdios da nacionalidade Portuguesa. Nos primeiros documentos medievais é simplesmente conhecido por «Terras de Barroso», confrontando a norte com a Galiza, a Oeste com Terras de Bouro, a sul com Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto e a nascente com o Rio Tâmega, do concelho de Chaves. Estas confrontações colhem-se no «Ensaio Topográfico Estatístico», de J. Santos Dias; em «Portugal Antigo e Moderno» de Pinho Leal e em «Corografia de Portugal» do P. Costa Carvalho.

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Esta ampla região Barrosã tem várias e importantes serras: Larouco (com 1.525 metros, a 2ª mais alta de Portugal continental), o Gerês, a Cabreira, as Alturas, também conhecida pela Serra do Barroso ou «Cornos das Alturas» e Leiranco, para além do Ferronho e do Monte Gordo, que se situam entre Codeçoso, Cepeda e Fírvidas. E tem os seguintes Rios: Cávado que nasce na serra do Larouco e desagua em Esposende; Rabagão que nasce em Codeçoso e dá origem à maior albufeira do país, conhecida por Pisões; Beça que nasce perto de Serraquinhos; Terva que nasce em Ardãos e Assureira que começa em Meixedo, passa perto de Gralhas, Solveira e Vilar de Perdizes e reentra em Espanha para desaguar no Tâmega.

Há diversas povoações no norte do país com o mesmo nome, a saber: Codeçoso do Arco ou Venda Nova que foi uma espécie de cruzamento das antigas derivações da Via Romana; Codeçoso do actual concelho de Boticas; Codeçoso de Canedo, no concelho de Celorico de Basto; Codeçoso no Concelho de Braga e há também outro Codeçoso no concelho de Famalicão. A origem do topónimo é a mesma: deriva de «codesso», um arbusto que pertence à família das leguminosas e que é típico da região nortenha. Inicialmente a palavra escrevia-se com dois «ss». A evolução semântica generalizou o topónimo em «ç».

Por aqui andaram os mais antigos povos que deixaram vestígios, ainda hoje bem visíveis, nos dólmenes, antas, castros, pedaços de via romana, marcos miliários, moedas, etc. Isto confirma que as «Terras de Barroso» foram pertença dos Alanos, dos Vândalos, dos Celtas, dos Romanos, dos Suevos, dos Godos, dos Visigodos, enfim, dos Iberos, nome que melhor traduz todos quantos povoaram a Península Ibérica.

Jerónimo Contador de Argote afirma nas suas «Memórias e Antiguidades», e tantos outros autores que se lhe seguiram, confirmam que Barroso, ao tempo dos Romanos, era atravessado por três vias imperiais:

 

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a) a primeira dessas vias ía de Chaves a Braga, passando por Codeçoso. O trajecto era o seguinte: Chaves, Casas dos Montes, Pastoria, Seara Velha, Castelões, Soutelinho, Solveira, Ciada (também conhecida por Caladuno que seria uma grande cidade, situada perto de Gralhas), Meixedo, Codeçoso, Peirezes, S. Vicente da Chã, Travassos da Chã, Penedones, Pisões, Currais, Codeçoso do Arco, Ruivães, Braga;

 

b) o Bispo de Uranópolis também mandou estudar estas duas ramificações da via romana e concluiu que os itinerários eram diferentes. Um seguia este trajecto que passava em Codeçoso, coincidindo, em grande parte, com o antigo caminho vicinal que ligava a Gorda a Codeçoso pelo Vilarinho, Varja, Gata, Toutarelo, Lamarelhas, atravessando a aldeia e seguindo por Meixedo, rumo a Chaves. Era este pedaço de via romana que atravessava duas antigas povoações que antecederam Codeçoso. Chamavam-se «Pardieiros» e «Portela da Urzeira». Estes lugares ainda hoje existem como terrenos aráveis. Com o aparecimento de Codeçoso, que se situa entre aqueles dois lugares, estes desapareceram, transformando-se em terrenos que pertencem a moradores do actual povoado. A outra derivação separava-se em Codeçoso do Arco, indo para Chaves, por Salto, Carvalhelhos, Curalha, etc.

 

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IMPORTÂNCIA CASTREJA E RELIGIOSA DE CODEÇOSO - Durante muitos anos Codeçoso pertenceu à freguesia de S. Vicente da Chã. É por isso que habitualmente aparece com esse designativo. Como a Chã, desde o tempo de Dinis, pertencia à Comenda do Convento de Santa Clara de Vila Conde, Codeçoso pagava os tributos religiosos a esse Convento, ao contrário da maior parte das restantes freguesias e aldeias de Barroso que pertenciam à Ordem Militar dos Templários. Estes elementos podem ler-se no livro «Montalegre e Terras de Barroso» do Padre João G. da Costa que esclarece muitas das afirmações que aqui tentamos resumir, a propósito de Codeçoso. Aí se diz que somente a freguesia da Chã (à qual Codeçoso pertencia), Morgade e Negrões dependiam do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. E, segundo Duarte Nunes Lião, in «Portugal Económico, Monumental e Artístico» (1935), D. Dinis, em 1291, «por escambo, ou seja, por troca, doava ao Convento de Pombeiro, a freguesia de S. Vicente da Chã. Logo Codeçoso, já nessa recuada data, existia e contribuía, ora para o Convento de Vila do Conde ou para o de Pombeiro». Mais precisamente, seguindo Gonçalves Costa: «a freguesia de S. Vicente pertenceu à Ordem Militar dos Templários (fundada em 1118, em Jerusalém), entre 1291 e 1319. D. Dinis viu essa Ordem aprovada por Bula pontifícia de 14-3-1319, com o nome de «Ordem de Cristo». Lê-se no livro de Gonçalves Costa que «os Templários tiveram efectivamente, na Chã, um Convento, com a respectiva igreja, cuja parte inferior denuncia estilo românico do século X . Em conclusão podemos ter por certo que a Chã, com S. Vicente, Negrões e Morgade, foram pertença dos Templários nos princípios do século XIV». A Igreja paroquial ainda é hoje considerada monumento nacional. Se referimos aqui, com este relevo, a freguesia de S. Vicente é pelo facto de nessa altura Codeçoso lhe pertencer, religiosamente.

 

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Mas Codeçoso valeu e vale, sobretudo, pelos vestígios românicos. Erradamente os vários autores atribuem a Medeiros e a Meixedo castros, dólmenes e antas que lhe pertencem. O Castro que dista, para poente, cerca de 500 metros da E. N. Montalegre - Chaves, inscreve-se no termo de Codeçoso. Chama-se «o Cabeço dos Mouros» e está por escavar. É sempre citado como sendo de Medeiros o que constitui um erro grave. Aí apareceu uma «ara» na veiga de Carigo que actualmente se encontra no Museu Etnográfico com o nº 5.206, escreve João Gonçalves da Costa, páginas 30/31. Na mesma página se diz que existe um dólmen no Monte do Facho que há anos ainda tinha três esteios aos quais o povo chamava «O Casulo do Facho». Mas situa esse espólio no termo de Meixedo. Se for entendido como freguesia compreende-se. Se for entendido como lugar, então deve dizer-se, no termo de Codeçoso.

 

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Já atrás dissemos que houve dois antigos povoados no actual termo de Codeçoso: um nos «Pardieiros» e outro em «Portela da Urzeira». Por ambos passava a via romana. E foi pena que no fim do século XX, já nos nossos dias, com o intuito de arranjar os caminhos para os tractores, fosse entupido esse troço de via romana, por onde, o autor desta pequena nota e toda a sua geração, ainda transitaram, longos e penosos Invernos. Afinal, prova-se que o progresso nem sempre é aliado da arqueologia…

 

Também no lugar das Motas, onde a estrada que serve Codeçoso se cruza com a nacional, ainda é visível uma anta, também conhecida por «cova da moura». Esse relevo orográfico foi vandalizado aquando do arranjo da estrada. Foi pena porque nunca fora estudado.

 

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Em Vale Ferreiro, já dentro do terreno que foi subtraído à aldeia para delimitar o «Posto experimental», existem uns penedos, rasteiros, quase invisíveis com a vegetação, que nos nossos tempos de pastor tinham várias letras e outros símbolos. Valia a pena estudá-los. São vestígios rupestres, possivelmente de grande importância histórica. E ali não é preciso neutralizar barragens para as localizar, como em Foz Côa.

 

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CAPELA DE S. NICOLAU - Embora não seja sede de Freguesia, Codeçoso tem uma das mais sugestivas capelas com Sacrário, onde com alguma frequência se celebram actos religiosos, para além de aí se fazerem todos os funerais. É dedicada a S. Nicolau, padroeiro da aldeia. Quase todos os anos, quando a emigração não a tinha desertificado, se celebrava a festa anual. No começo deste século, a colónia de Codecenses radicados na cidade de Bridgeport, nos Estados Unidos da América, tem-se substituído aos resistentes que pela aldeia ficaram, promovendo a festa religiosa e profana, o que constitui um acontecimento comunitário que tem merecido nalguma imprensa luso-americana, justos aplausos. Também, aqui, os felicitamos pelo bom gosto que têm tido em proclamar uma terra pobre e distante dos grandes palcos, mas berço de ilustres filhos, em cujo historial todos eles merecem estar inscritos. Diga-se que a talha dessa linda e fascinante capelinha é das mais ricas da região. Não se conhece a data da sua construção. Mas sabe-se que já por alturas de 1700 foi alvo de beneficiações que foram retomadas nos nossos dias.

 

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FORNO DO POVO - Codeçoso tem um forno comunitário que tão útil foi, pelos tempos fora, a quantos ali nasceram e cresceram ou que mendigavam, de terra em terra. Para estes sempre foi a hospedaria que nunca se fechou, fosse aos «da volta», fosse a quem fosse. Esse imóvel, a exemplo dos fornos de outras aldeias, deixou de funcionar, porque passaram a existir os fornos particulares e o pão se comercializa, hoje, já prontinho a comer-se.

 

O BOI DO POVO - Também o boi do povo, que era património de toda a aldeia, deixou de existir, praticamente, pelas mesmas razões. As lamas do boi que, como ele, eram comunitárias, deixaram de ter sentido. E também a corte do boi, por desnecessária, foi, em plebiscito comunitário, transaccionada a favor do arranjo urbanístico. A Junta de Freguesia consultou o povo que por esmagadora maioria trocou essa corte por um sobrado junto ao largo da capela, com vista a ser este demolido, para ampliar o largo.

 

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 A ESCOLA FOI DOADA À COMUNIDADE - A mesma decisão implicava a escola primária que fora construída pela população em 1950/1951 e aberta em 1952. Meio século depois deixou de ter alunos. A Junta solicitou a cedência, alegando que ela fora feita pela Gente do Povo. A Câmara foi sensível. E estuda-se uma finalidade comunitária para ela, o que não será difícil por não existir ali nenhuma associação ou centro cultural, desportivo e recreativo. Há que prender ao meio os poucos que ali se aguentam. De outro modo desertam todos…

 

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AQUI NASCE O RIO RABAGÃO. Mesmo que outras razões não houvesse para conferir a importância de Codeçoso bastava o facto indesmentível de ser aos pés da aldeia que nasce o famoso Rio Rabagão. Começa por gerar um fio de água na lama do boi. Logo aí existe uma pequena ponte para permitir a passagem aos carros bois e peões. Banha todo o fecundo vale de cerca de dois quilómetros, lado nascente, regando hortas e lameiros, para além de, por muitos anos, ter dado razão de ser aos moinhos que se construíram no seu leito. Hoje esses moinhos não funcionam, a exemplo de outros que eram pertença da aldeia e que se situavam no leito do Rio Cávado. É uma pena não reaproveitar estes utilitários engenhos artesanais, mesmo que apenas fosse para inscrever num eventual roteiro turístico da região. O Volume 17 da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira escreve: «O rio nasce no lugar de Codeçoso da Chã, freguesia de Meixedo, concelho de Montalegre. Percorrendo um semi-círculo e após atravessar as freguesias de Chã, Vila da Ponte e Pondras e de receber alguns regatos e ribeiros que o avolumam, vai desaguar na margem esquerda do Rio Cávado, um pouco abaixo da lendária Ponte da Mizarela. Esta ponte foi construída no séc. XIX, substituindo outra que se atribui aos romanos. Em 16-V-1809 o exército francês que retirava para Espanha foi atacado nesta ponte pelas ordenanças de Montalegre. Entre 21-XII-1826 e 29-I-1827 e ainda em 7-V-1827, nesta ponte se travaram combates entre as forças realistas e as forças  liberais». O rio tem um curso de 42 km e a sua água foi aproveitada para construir as barragens de Pisões e da Venda Nova, célebres por utilizarem, entre si, o único sistema de bombagem existente em Portugal. A construção destas duas barragens, bem como a do Alto Cávado que abastece a de Pisões, através de um túnel que perfura a serra de Viade, na extensão 4.800 km e ainda a Barragem de Paradela, empobreceram o concelho porque absorveram os mais produtivos vales, obrigando muitas famílias a debandar, preferencialmente para o Minho. O Rabagão é um dos mais importantes rios portugueses não só pela abundante e saborosa truta, como, e sobretudo, pelo facto de no seu leito e no leito do Cávado se terem construído, além das albufeiras já citadas, a de Salamonde e Caniçada. Apesar de ser o sistema CávadoRabagão que mais energia produz em Portugal, os Barrosões pagam a luz ao preço mais elevado no mercado, o que constitui uma tremenda injustiça para com as populações que foram espoliadas, directa ou indirectamente.

 

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CRUZEIRO REMODELADO - A Junta de freguesia mandou rodear o sopé do histórico cruzeiro do mais bonito largo comunitário com um interessante muro de granito, como convinha que fosse. Também colocou do lado oposto um mostruário com vitrinas para colocar os avisos e editais. Do Ferruco deslocou, melhorando, as alminhas que foram aproximadas da aldeia e em frente ao Cemitério. Ali bem perto foi construído um abrigo para segurança dos alunos que em auto-carro, se deslocam para as Escolas Preparatórias e Secundárias da sede de concelho. Entretanto foi alcatroado o ramal que liga o lugar do Cemitério a Lavrateixeira, encurtando o espaço e retirando o movimento desnecessário pelo centro da aldeia, cujas ruas são estreitas. Medidas que se louvam, porque agradam e servem a todos.

 

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DISTRIBUIÇÃO DOMICILIÁRIA DO CORREIO e outras beneficiações. A Junta ordenou a colocação de caixas de correio em cada habitação. E colocou em cada rua o seu nome original, identificando as ruas para que carteiros, cobradores e toda a gente conheça os cantos à aldeia. Também a Junta de Freguesia pretende – e muito bem – reestruturar as “tornas” da água de rega. Não se compreende que há mais de meio século não se tenha actualizado esse processo comunitário que tão importante se torna para quem aí vive e tem terrenos para  rega. Uns regam tudo e outros nada só porque não tem havido coragem de mexer no hereditário sistema. Não há justiça nem se compreende que permaneça como está o processo das “tornas” da água de rega pública. Ficará na História como medida correcta, quem tiver a coragem de ajustá-la aos nossos dias. Também a Junta pretende proteger a piscina do instinto do gado bovino que ali mata a sede, pondo em perigo a saúde de quem ali tome banho. Pretende a Junta construir, ao lado, bebedouros de substituição. Outra medida que se aplaude.

 

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COMPLETAR O SANEAMENTO - A rua principal e a rua do Carvalho já têm saneamento básico. Foi realizado em épocas distintas e foi importante porque há cidades que ainda não o têm em zonas densamente habitadas. A primeira fase foi instalada, há bastantes anos, ao tempo de Carvalho de Moura como Presidente da Câmara. A segunda fase foi feita ao tempo de Fernando Rodrigues. Sucede que a rua que dá para a Seara e também a que dá para a Trigueira têm muitas habitações que precisam de beneficiar desses justos melhoramentos. A Rua do Carvalho, que era das mais exíguas e que somente tinha três famílias, de repente passou a ver em reconstrução mais sete prédios velhos que, quando prontos, vão transformá-la, possivelmente, numa rua modelo. Talvez em 2004 esse projecto esteja concluído e sirva de estimulo a outros Codecenses. É a rua que serve a Escola, desde agora centro comunitário. O reaproveitamento dessas casas em ruínas para habitações de férias e fins de semana dos seus donos serviu de mote a uma comunicação apresentada no III Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Bragança, em Setembro de 2002. Uma dessas casas reaproveitadas, contígua à Escola, foi, por volta de 1700, a estalagem do almocreve. Ainda nos lembramos de aí funcionar uma taberna. Onde pernoitavam os cavalos dormimos hoje nós. É por decisões destas que passa o futuro das nossas aldeias comunitárias.

 

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POPULAÇÃO - Codeçoso foi sempre, desde que há dados estatísticos, uma aldeia média em termos de densidade populacional. Talvez pelo facto de ser a segunda aldeia mais próxima da vila tenha contribuído para isso. Como sucedeu com outras gentes de terras vizinhas, a agricultura e agro-pecuária foram, pelos tempos fora, a única forma de subsistência. Como não havia artistas daqui naturais, muitos dos que vinham de fora, nomeadamente do Minho (trolhas e carpinteiros) por aqui casavam e ficavam. Mas pelos anos cinquenta/sessenta do último século, as coisas mudaram. A emigração levou os mais corajosos para a América, para o Brasil e para os países da Europa Central. Aí por volta de 1950 Codeçoso teria cerca de meio milhar de habitantes. Havia lares com dez e onze filhos. A terra era pouca e a agricultura era posta à prova para dar sustento para todos. O surto emigratório, a guerra e a evolução social e académica foram causas próximas da quase desertificação do povoado. Os Estados Unidos da América, nomeadamente a cidade de Bridgeport, acolheu mais de uma centena dessa geração que pela via da descendência se elevou já para quase três centenas. São esses que transportaram na bagagem a saudade e amor a Codeçoso. Anualmente fazem aí o que deixaram de fazer na terra que lhes serviu de berço. Sempre com os olhos postos no lado de cá, regressando sempre que podem, com a simplicidade que daqui levaram e que constitui a grande virtude deste Povo ao qual pertencemos e que aqui saudamos, fraternalmente.

 

Barroso da Fonte (19/04/2003)

 

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E no livro "Montalegre" encontrámos o seguinte:

 

"A Capela de São Sebastião é um dos poucos sinais vivos da enormíssima devoção a este Santo, depois da peste de 1570, e, sobretudo, após o renascimento do Sebastianismo, com a morte de D. Sebastião, em 4 de Agosto de 1578. Pertence hoje à freguesia a povoação de Codessoso que antigamente pertenceu à freguesia da Chã. Nesta povoação, em 1258, pagavam ao rei a oitava de todos os frutos excepto a herdade de cavaleiros e de Dona Maiorina. E, pelo São Miguel, os de Codessoso (as mais antigas referências deste topónimo não autorizam outra grafia) tinham de entregar simples espáduas com pão e, como todos os da Chã, iam ao apelido e davam a refeição e a cevada ao mordomo do senhor rei. Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).

 

Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travaços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!"

 

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Da Toponímia de Montalegre, hoje ficamos só com a alegre, uma quadra:

 

Se fores a Codessoso

Reza a S.Nicolau;

Mas quem melhor te defende

É a camola ou um pau!

 

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Ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTE, Barroso, (2003), Monografia de Codeçoso.

 

 

WEBGRAFIA

http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=9735

 

 

 

 

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