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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

14
Out20

Pereira de Veiga - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves

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PEREIRA DE VEIGA

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Pereira de Veiga.

 

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Como vem sendo hábito, aproveitamos esta oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções para os posts que dedicámos à aldeia, e para os quais fica link no final deste post.

 

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Pereira de Veiga que, como o topónimo indica, fica na veiga, de Chaves, ou melhor, a aldeia começa onde a veiga termina, e o contrário também é verdade, tudo depende da perspetiva ou local onde estejamos. É portanto uma das aldeias da periferia da cidade, a apenas a 3Km do centro da cidade ou a menos de 1km da entrada na cidade via E.N.2, embora não seja este o seu acesso principal, pois esse, faz-se via Campo da Roda.

 

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Embora a proximidade da cidade, a aldeia mais antiga tem todas as características de uma aldeia rural, com o seu aglomerado de casas rodeado de campos agrícolas, e na sua ruralidade, a única modernidade que destoa, é mesmo a central elétrica, que abastece de eletricidade grande parte da cidade de Chaves.Mas hoje não estamos aqui para falarmos das Pereira de Veiga, pois isso, já o fomos fazendo ao longo dos vários posts que lhe dedicamos, hoje estamos aqui pelo seu vídeo resumo.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Pereira de Veiga que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e não esqueçam que agora também podem ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607.

 

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pereira de Veiga:

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-veiga-chaves-portugal-1730125

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-veiga-chaves-portugal-1260972

https://chaves.blogs.sapo.pt/290767.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Pereiro de Agrações.

 

 

 

08
Fev20

Valverde - Chaves - Portugal

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Valverde

 

Hoje vamos até à aldeia de Valverde com imagens (fotografias) que são recentes demais para serem antigas, e antigas demais para serem recentes, ou seja, são todas de duas passagens que fiz pela aldeia em 2006 e 2008. Não é nada, mas já lá vão 14 e 12 anos, respetivamente. Quero com isto dizer que todas as imagens são de arquivo, não atuais. Talvez seja tempo de voltar por lá, e lá iremos, mas para já, ficam estas, de uma aldeia que, também, apenas aqui teve um post nos últimos 15 anos. Imperdoável, mas penso redimir-me dessa falha, iniciando hoje mesmo, trazendo aqui fotos que não foram publicadas no seu post.

 

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E claro também iremos deixar aqui o seu devido vídeo, com todas as imagens publicadas, mas antes, uns apontamentos para quem quiser visitar a aldeia.

 

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Há várias formas de chegar à aldeia, mas tirando as mais complicadas e pouco recomendadas, deixo duas, uma mais fácil e outra mais complicada, mas também mais interessante.

 

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A forma mais fácil, é via Vidago, pela EN2, abandonando esta já dentro de Vidago em direção à escola secundária e aí terá indicações (placas) a indicar o caminho de Valverde. Menos de 2km separam Vidago de Valverde.

 

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A forma mais complicada, mas não muito, é muito mais interessante e para muitos, pela certa, que será uma agradável descoberta. Esta é via E314 (estrada de Carrazedo de Montenegro) até ao Peto de Lagarelhos, aí devemos abandonar a E314 em direção a Loivos, mas só por uns metros, pois devemos (ainda no Peto) virar à direita em direção a Ventuzelos, onde logo na entrada desta aldeia, onde existe uma rotunda em forma de lágrima, ou se preferirem, uma lágrima com sinalização de rotunda, devem virar tudo a direita, numa curva com 90º. Depois é seguir sempre pelo asfalto, mas à saída da aldeia não deixe de subir até à capela de Stª Bárbara.

 

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Seguindo pela estrada de asfalto, com atenção, pois embora com bom piso a estrada é estreita e com muita curva, chegaremos a Vila Boas (também para visitar) e depois, é sair em direção a Vidago e Valverde, a meia dúzia de quilómetros.  

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens de Valverde  publicadas no blog até à presente data.

 

 

Link para posts neste blog dedicados à aldeia:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/266468.html

 

22
Jan20

Bustelo - Chaves - Portugal

Aldeias do Concelho de Chaves (Com Vídeo)

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Bustelo

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias do concelho de Chaves que, aquando do seu post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Bustelo.

 

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O vídeo, mas antes também mais algumas imagens que não calharam na seleção para os posts anteriores dedicado a Bustelo.

 

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Imagens que mostram a ruralidade de uma aldeia que já está fisicamente ligada à cidade (grande) de Chaves.

 

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Podemos dizer que a única “barreira” que de facto existe e separa Bustelo da cidade de Chaves, é autoestrada, contudo deixou o seu principal acesso intacto, a estrada municipal 507, também conhecida por estrada do São Caetano.

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Bustelo:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/bustelo-chaves-portugal-1547751

https://chaves.blogs.sapo.pt/285549.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/365205.html

 

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E é tudo por hoje, para a próxima quarta-feira teremos aqui a aldeia de Calvão, mas entretanto, no próximo sábado teremos também a aldeia de Vale do Galo, mas este com um post alargado.

 

08
Jan20

Bóbeda - Chaves - Portugal

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Bóbeda

 

Até hoje o Blog Chaves dedicava os fins-de-semana às nossas aldeias, e vai continuar a fazê-lo, com um post completo, mas a partir de hoje, teremos também aqui as aldeias do concelho de Chaves neste dia, quarta-feira, com um post onde publicamos um pequeno vídeo com todas as fotografias da aldeia publicadas no blog até à presente data, isto para aquelas aldeias que não tiveram vídeo quando publicámos o seu post completo.

 

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Um vídeo mas também algumas fotografias que temos em arquivo e que escaparam nas anteriores seleções.

 

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Fica então o vídeo de hoje, dedicado à aldeia de Bóbeda, ou seja, continuamos a seguir a ordem alfabética, tal como já vinha sendo habitual aos sábados.

 

 

Link para partilha ou ver diretamente o vídeo no youtube:

 

https://youtu.be/JTeiQQNDz3U

 

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Posts anteriores publicados no blog Chaves, dedicados à aldeia de Bóbeda:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/bobeda-chaves-portugal-1542483

https://chaves.blogs.sapo.pt/444426.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/197932.html

 

 

 

 

07
Dez19

As Três Assureiras de Chaves

ou portelas das tês vilas - (vídeo)

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Assureiras de Cima com Castelo de Monforte ao fundo

 

As Três Assureiras ou Portela das Três Vilas

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que não tiveram o seu resumo fotográfico em vídeo, aquando do seu post, trazemos hoje aqui o vídeo das aldeias das três Assureiras: Assureira de Baixo, Assureira do Meio e Assureiras de Cima .

 

 

 

 

Link para ver diretamente no youtube no tamanho original ou para partilhar:

https://youtu.be/Z99ztEqBNDw

 

 

23
Nov19

Arcossó

Chaves - Portugal (com vídeo)

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Arcossó

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que não tiveram o resumo fotográfico em vídeo aquando do seu post, trazemos hoje aqui o vídeo da aldeia de Arcossó.

 

 

 

Link para partilha ou ver original diretamente no youtube:

https://youtu.be/xZBM0EuF5as

 

Posts do blog Chaves dedicado à aldeia de Arcosso:

https://chaves.blogs.sapo.pt/arcosso-chaves-portugal-1519871

https://chaves.blogs.sapo.pt/arcosso-e-um-pouco-da-sua-historia-1294435

https://chaves.blogs.sapo.pt/360821.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/759312.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/617011.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/617011.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/271080.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/45607.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/85081.html

 

24
Ago19

Torre de Moreiras - Chaves - Portugal

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Depois da Torre de Ervededo, vamos até à segunda Torre do concelho de Chaves, vamos até Torre de Moreiras, pertencente à freguesia de Moreiras, conjuntamente com a própria aldeia de Moreiras, France e Almorfe.

 

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É uma das aldeias de montanha cujo acesso se faz pela estrada municipal 314. Aldeia de montanha, aparentemente lá para os confins da serra e embora a freguesia até faça fronteira com o concelho de Valpaços (apenas num niquinho) está também, apenas, a 16 km da cidade de Chaves.

 

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Aldeia de montanha que para se visitar temos forçosamente que ir propositadamente até ela, quero com isto dizer que é uma aldeia de fim de estrada, pela qual não se passa para ir até outras aldeias. Aliás, à exceção de  France, por onde todos têm de passar para ir para vários destinos, pois é atravessada pela M 314, as restantes aldeias da freguesia são de fim de estrada.

 

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O mesmo se passando com a sede de freguesia, Moreiras, que embora dê passagem para a Torre de Moreiras, apenas distam 200m uma da outra. Contudo estamos a falar de distâncias muito pequenas, pois de Almorfe à M314 são cerca de 600m e de Moreiras à mesma M314 são cerca de 1,1km. Seja como for, temos de sair da estrada principal para as conhecermos, e vale a pena sair da estrada, principalmente por este conjunto de Moreiras e Torre de Moreiras.

 

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Torre de Moreiras e restante freguesia toda ela localizada nas terras altas da Serra do Brunheiro, entre os 800 e 900 metros de altitude, com invernos rigorosos e sempre num completo contraste climatérico com a veiga de Chaves, principalmente em termos de nevoeiros, ou seja, quando a veiga está mergulhada em nevoeiro, estas terras altas gozam de um sol de fazer inveja, já o contrário também é verdade, pois quando o nevoeiro deixa o vale e sobe as encostas da Serra do Brunheiro, estaciona no seu planalto e fica por lá até que desce novamente ao vale. Um fenómeno engraçado de observar, mas que tem menos graça quando estamos mergulhados nesse nevoeiro, principalmente pelo frio húmido que se entranha nos corpos até aos ossos, daquele frio mesmo frio que se sente mais frio do que aquilo que na realidade é. Quem costuma andar mergulhado neste nevoeiro, sabe do que estou a falar.

 

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Nevoeiro frio que chega a doer, mas que tem tanto de rigor como de mistério e encanto, aliás, eu costumo dizer que parte do sangue que corre nas veias dos flavienses é feito de nevoeiro.   

 

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Quanto à Torre de Moreiras, embora tenha todas as características de uma aldeia, por tão próxima que está de Moreiras, mais parece um bairro da sede de freguesia, e afinal de contas é a Torre de Moreiras. Mas o contrário também poderia ser verdade, pois as dimensões da aldeia da Torre de Moreiras é idêntica ou até maior que Moreiras, embora historicamente falando, principalmente em termos de Igreja (instituição) e época medieval, Moreiras marque mais pontos.

 

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De facto, e segundo reza a história e Arquivo Distrital de Vila Real:

 

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A freguesia de Moreiras foi reitoria da apresentação da Casa de Bragança, e comenda da Ordem de Cristo, da Casa de Cadaval, no termo de Chaves. 

Pertenceu à arquidiocese de Braga até à criação da diocese de Vila Real. 

Encontra-se eclesiasticamente anexa à freguesia de Santa Leocádia. A paróquia de Anelhe foi anexa à de Moreiras. 

 

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E continua:


Vilarinho das Paranheiras surge como paróquia independente a partir da desagregação da vasta paróquia medieval de Santa Maria de Moreiras. 

Freguesia do concelho de Chaves composta pelos lugares de Almorfe, France, Moreiras e Torre. 

A paróquia de Moreiras pertence ao arciprestado de Chaves e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santa Maria 

 

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Quanto às imagens que hoje vos deixo são as resultantes das 3 visitas que fiz à aldeia, a primeira em 2006, a segunda em 2007  e a última vez em 2013, sendo 2006 a primeira vez que fui à aldeia, embora já a conhecesse as suas vistas desde Moreiras, pois a esta última a primeira vez que lá fui já foi há mais de trinta anos, mas só mesmo em 2006 é que fiquei a saber que a Torre de Moreiras era uma aldeia à parte de Moreiras.

 

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Assim, é natural que as fotografias já não estejam muito atualizadas, pois a maioria já têm pelo menos 12 ou 13 anos, já pode haver algumas diferenças, é que o tempo não é igual em todas as épocas, principalmente o desta nova época que atravessamos em que o despovoamento rural foi acelerado tragicamente. Daqui a 20 ou menos anos, veremos como estará a nosso mundo rural.

 

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E vai sendo tudo. Ficam algumas imagens que escaparam às anteriores seleções de publicações neste blog e aquele que já vai sendo habitual nos posts das aldeias, um pequeno vídeo com todas as imagens que até hoje foram publicadas sobre a aldeia.

 

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Para a próxima semana, se tudo correr bem, cá estarei de novo com mais uma adeia do concelho de Chaves, que pela ordem alfabética que temos seguido nesta ronda, será a aldeia de  Travancas, ou seja, continuaremos a andar por terras altas da montanha, terras da melhor batata que acompanha sempre as melhores iguarias que chegam às nossas mesas.

 

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Fica então o vídeo e o link direto para o youtube ou partilhas

 

https://youtu.be/SPe8tQrfs-I

 

 

 

Consultas:

https://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1043896 em 24-08-2019

 

12
Mai19

Segirei - Chaves - Portugal

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Vamos até Segirei, mas por partes, com calma! A primeira:

 

DE CIDADELLA A SEGIREI – A ROTA DO CONTRABANDO

Ainda nas aldeias cujo topónimo começa por S , hoje toca a vez a Segirei. Pois para Segirei podemos propor dois tipos de visita, uma light, que consta em ir até Segirei, dar uma vista de olhos à aldeia e regressar a Chaves sem ver nada. A outra proposta é uma visita como deve ser, e para ela, terá de reservar todo um dia para ficar com uns ares do todo que é a aldeia de Segirei.

 

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Pois a proposta consta em ir de popó até à entrada de Segirei sem entrar na aldeia, há de haver por lá uma placa que nos manda para a Galiza, é para aí que devemos ir, pois a visita a Segirei começa em Cidadella, território galego, na Rota do Contrabando que será para fazer a pé até Segirei.

 

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O itinerário da Rota do Contrabando tem cerca de 2.500 m, quase sempre a descer, mas para chegar a Segirei, pela certa demorará toda a manhã, pois ninguém resistirá a fazer montes de paragens pelo caminho, para apreciar a natureza, as cascatas, os rápidos, os moinhos, as zonas de estar, os abrigos, os miradouros, etc., etc., etc.

 

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Dizia eu que é um percurso que se faz perfeitamente nas calmas, claro que isto é para quem não tiver mobilidade reduzida, infelizmente para essas pessoas o itinerário não é mesmo nada recomendável, pois embora o percurso se faça maioritariamente por um descida não muito acentuada, pelo caminho há dois ou três desníveis consideráveis para vencer por escadas, há passagens estreitas, entre outros. Isto na parte galega em que o itinerário foi preparado para passeio, com algumas proteções e pontes de madeira. Do lado português do itinerário, entre a linha de fronteira e Segirei aquilo é ao natural, maioritariamente por um carreiro pelo meio do monte e bota para Segirei. Do mal o menos,  é sempre a descer até à entrada na aldeia. Mas tal como eu disse, não havendo limitações, faz-se bem. Eu próprio que não sou de caminhas a pé, já fiz o percurso completo três vezes.

 

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Agora as recomendações, ou melhor, as opções para fazer o percurso, que são no mínimo três:

 

1ª Opção, com dois popós – Então é assim, o percurso tem cerca de 2,5Km,  os dois popós levam a gente toda até ao início do percurso em Cidadella, descarregam o pessoal e os condutores dos ditos, dão a volta e descem (os dois popós) até Segirei, aí deixam um popó e sobem com o outro até ao ponto de partida. Fazem o percurso todo e no final, com o popó que está em Segirei, vão buscar ou outro. Para já, não se preocupem em saber onde são estes locais, pois estão bem indicados em placas de informação.

 

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2ª opção, com um popó – Aqui as coisas complicam-se, pois para fazer o percurso terá que deixar o carro, fazer o percurso  e depois regressar a pé até ao ponto de partida (não conte com boleias, pois por lá não há muitos popós a circular) e com a agravante que o regresso são na mesma 2.5Km a subir.

 

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3ª opção, com um popó — O condutor deixa os passageiros em Cidadella e não faz o percurso, mas sempre pode fazer uma parte dele, pelo menos visita o que é mais interessante (Cascatas, rápidos e miradouros). Então é assim, o condutor deixa o pessoal todo no início do percurso e regressa até meio do mesmo (na zona dos miradouros). Deixa aí o carro e faz sozinho o percurso desde os miradouros até encontrar o seu pessoal que vem a descer. Como estes vão parando aqui e ali pasmados com o que veem, o condutor vai subindo e apreciando nas calmas as várias cascatas, os rápidos, etc. Quando encontrar o resto do pessoal, junta-se a eles e como já conhece o percurso que acabou de fazer, daí para baixo, até pode servir de guia. Tem de se aproveitar sempre o lado positivo da experiência. Quando chegar à zona dos miradouros, deixa continuar os outros a pé até Segirei, mete-se no popó e espera por eles na aldeia. Entretanto, lá, na aldeia, deve haver alguém, há sempre, com que pode dar uns dedos de conversa. São residentes nativos que gostam de conversar e contar estórias, de contrabando por exemplo, pois nestas aldeias da raia nos tempos em que existia a fronteira, das duas uma, ou eram contrabandistas ou guardas fiscais, e às vezes até ambas as duas…

 

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Quanto ao percurso da rota do contrabando, em palavras, é impossível descreve-lo, quer seja de inverno, primavera, outono ou verão, é sempre interessante. mas diferente. De verão e primavera pode gozar da frescura do percurso, do lado galego é sempre feito debaixo da frescura das sombras das árvores e a paisagem mais contrastada, o sol e sombras a isso obrigam. No outono e inverno é tudo mais igual, com menos colorido. Fica tudo mais acastanhado e verdes azulados esbatidos, mas o riacho corre com mais água e torna as cascatas mais imponentes, principalmente a cascata principal que tem a particularidade de ser descer por umas escadas metálicas acompanhando toda a queda da sua água.

 

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Durante o percurso vá recordando que está numa rota que foi utilizada para contrabando, vá imaginando o que era fazer por aí contrabando, a pé ou de burro, passando tudo que havia para passar, incluindo rebanhos, manadas de gado ou varas de porcos, tudo em silêncio, geralmente de noite. Ser contrabandista não era fácil, dava umas croas para sustentar a família, mas era vida complicada, tanto mais que de quando em vez lhes saía a guarda fiscal ao caminho e  tinha de dar às de vila Diogo e ficar sem o contrabando. Guarda fiscal que na aldeia era vizinho e amigo mas que no trelo, era obrigado a cumprir, cada um andava ao seu.

 

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Contaram-me por lá, que, por exemplo, para passarem varas de porcos em silêncio e direitinhos pelo carreirão fora, era pegar nos porcos esfomeados ir à frente deles deixando cair bolota ou castanhas, os coitados (porcos) com o cheiro na bolota nem viam por onde andavam e lá iam carreiro fora.

 

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 Chegados à zona dos miradouros, para um lado as cascatas e a paisagem galega, para o outro é Portugal, e lá ao fundo num pequeno aglomerado de casas, é Segirei. E para lá que vamos de seguida.

 

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ALDEIA DE SEGIREI

Se iniciou a visita onde deve iniciar, em Cidadella, estará a chegar a Segirei por volta das 11 da manhã, isto se iniciar a visita por volta da 9 horas. Por esta altura a barriguinha também já deve estar a começar a dar horas, mas ainda é cedo para almoçar. Um copinho de água fresca ou até uma mini, chegará para enganar o estômago, entretanto poderá fazer uma visita à aldeia.

     

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A aldeia é pequena, mas já foi muito concorrida, principalmente na era das fronteiras até aos anos oitenta, pois como Segirei tinha quartel da guarda fiscal, pelo menos estariam por lá 4 a 7 guardas, com as respetivas mulheres e filhos, já era quase meia aldeia, com os naturais, que eram mais, a aldeia compunha-se. Durante o dia o gado e as poulas davam e chegavam para trabalhar, à noite o contrabando, e assim,  havia vida na aldeia quase durante as 24 horas do dia.

 

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Esta zona, já em pleno Parque Natural de Montesinho, caracteriza-se pelas construções de xisto, ou caracterizava-se, pois como o contrabando dava algum dinheiro extra e o trabalhar a pedra não era tarefa fácil, o tijolo, blocos e cimento depressa começaram a substituir a pedra de xisto. Estes novos materiais mais leves e fáceis de trabalhar, acabavam também por ficar mais baratos e permitir novas soluções construtivas. Daí, pelas características das construções atuais, penso que a partir dos anos 50 do século passado começaram a surgir novas construções de tijolo ou acrescentos e remendos nas de xisto.

 

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Tenho pena de não ter conhecido a aldeia no seu pleno construída em xisto, deveria ter uma beleza singular, mesmo porque o xisto presta-se a isso, quer pela sua cor acastanhada/avermelhada/amarelada, quer pela suas dimensões e forma (em lascas), tornando as construções interessantes à vista, já não tanto à resistência e penso que no isolamento térmico e acústico também não.

 

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Hoje em dia ainda restam por lá algumas construções em xisto, não propriamente habitações, mas destinadas a arrumos, adegas e cortes do gado. Uma ou outra vai conciliando o xisto com novos materiais, o que torna a aldeia numa mistura de arquiteturas no que respeita ao uso de materiais.

 

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Já no que toca ao seu aglomerado, é uma daquelas aldeias que se mantém juntinha e que se desenvolve a partir de um pequeno largo central da aldeia pela encosta fora, não se desenvolve à volta da Capela ou Igreja como soe acontecer, mas à volta de uma antiga fonte de mergulho, hoje modernizada com a colocação de uma torneira, mas de pouco uso, pois falta gente para a utilizar, mas também porque, suponho, que a aldeia tem rede de abastecimento de água.

 

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Uma aldeia que sofre portanto da maleita que mais aflige as aldeias interiores de montanha, esta com a agravante de ser da raia e a aldeia mais distante da sede do concelho, tal como se costuma dizer, fica em cascos de rolha, hoje sem contrabando e com pouca terra cultivável para além de agora não render sequer para sobreviver, não admira que a sua gente, principalmente os mais novos, tenham procurado o seu destino noutras paragens . É um bom exemplo de uma aldeia de resistentes onde o despovoamento se faz sentir.

 

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Mas há sempre exceções, e para além dos resistentes idosos, tenho conhecimento de que pelo menos um ou dois casais, ainda novos com filhos crianças, vivem em Segirei, pois graças à proximidade da Galiza têm lá trabalho, com o sacrifício de viagens diárias de dezenas, às vezes centenas de  quilómetros, é certo, mas vai dando para ganharem algum e manterem-se por Segirei.

 

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De resto, as pessoas (resistentes) que compõem a população, vão-se apoiando, uns aos outros, com alguns contactos à cidade para as necessidades, uns regressos esporádicos aos fins de semana e alguma vida vinda de fora para a pesca ou para umas passagens de fins-de-semana de gente ligada à aldeia que vive noutras paragens. Em agosto é diferente. E isto é Segirei que, enquanto o casal está vivo e em condições de fazerem a sua vida diária de viver com a reforma, vão-se mantendo por lá, mas quando lhe faltar o parceiro ou o apoio familiar,  lá terão que rumar até um lar de 3ª idade…

 

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E de Segirei, aldeia, é tudo ou quase tudo, uma aldeia aconchegadinha no fundo de vertentes de montanhas, ela mesma numa vertente, sem grandes pormenores para assinalar ou realçar, com uma pequena e simples capela, um moinho e pouco mais. Talvez seja a sua simplicidade o que mais cativa, que a torna interessante e que faça com que o fator humano se realce mais.

 

RESISTENTES

E é precisamente para o fator humano que vamos de seguida, com imagens de alguns resistentes que ao longo destes 13 últimos anos fomos registando nas nossas idas a Segirei, sem palavras, apenas com imagem.

 

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Já fizemos a rota do contrabando, já andámos um pouco pela aldeia de Segirei, e deixámos aqui alguns dos seus resistentes, mas as aldeias também se fazem com a sua paisagem e envolvência, é para lá que vamos agora.

 

A ENVOLVÊNCIA PAISAGISTICA

 

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Já sabemos que as paisagens têm o dom de se irem transformando conforme a época do ano. Felizmente por estas terras já fomos umas dezenas de vezes em várias estações do ano onde fomos fazendo alguns registos, com sol, frio, chuva, etc. Penso que só mesmo com neve é que nunca arriscámos chegar até lá, aliás não penso, tenho a certeza, pois com neve nunca fui além de Argemil, e já foi uma aventura.

 

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Na primavera já sabemos que contamos sempre com a exuberância dos vários matizes de verdes, com os amarelos a sobressair e aqui e ali, pontualmente outro colorido das flores co campo, como o lilás da urze e por lá também o da alfazema.

 

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Os outonos e invernos também tem a sua graça na magia de cor, sobretudo no outono onde os vermelhos e amarelos torrados fazem combinações perfeitas, mas também e ainda com os verdes a marcarem presença. Por vezes à flora silvestre também se junta a fauna, mesmo que não seja selvagem, e também o homem, em harmonia, ajudam a compor o ambiente.

 

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Mas também há momentos que pela luz ou falta dela, pela complexidade dos céus nublados, combinados com montanhas despidas, chuvas e ventos, transformam a paisagem, dando-lhe um certo mistério, criando momentos sombrios, às vezes até aterradores e ameaçadores. Eh, a natureza também tem os seus dias, não diria maus, mas diferentes e mais bravios.  

 

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PRAIA FLUVIAL

Com o fator humano e as paisagens pelo meio, perdemo-nos nas horas, mas se bem se lembram, nesta nossa visita/proposta e imaginária,  chegámos a Segirei por volta das 11 da manhã, depois de termos descido a rota do contrabando. Pois para a visita à aldeia e para algumas conversas breves com os resistentes, chega cerca de 1 hora, e já estamos chegados ao meio dia, hora de pensar nas nossas barriguinhas. A nossa proposta é que o almoço se faça no parque de merendas da praia fluvial de Segirei, com o Rio Mente por companhia.

 

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Da aldeia até à praia fluvial pode ir a pé ou de carro, ou ainda de ambas as maneiras, pois uns podem ir a pé e outros de carro. Não é longe mas também não é perto, são cerca de 1.250m de caminho, bom caminho para ambas as hipóteses. Embora o itinerário a pé e de carro seja feito quase em paralelo e muito próximos, quase juntos, para a nossa visita ficar completa e como deve ser,  o trajeto até à praia deverá se feito também a pé. Pelo caminho encontrará as famosas águas de Segirei, ferrosas e levemente gaseificadas, muito idêntica às águas de Vidago. Tem torneira na captação onde poderá beber um copo, que nesta altura da jornada cai sempre bem.

 

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Chegados à praia fluvial, se for de verão, sempre pode dar uma banhoca no Rio Mente. Pouca profundidade, bom para crianças, mas dá para refrescar, pois por ali, mesmo estando boa,  a água é sempre fresca. Quanto à paparoca, de Verão (agosto) o bar da praia costuma estar aberto e prepara umas coisas rápidas, mas bom mesmo é que a paparoca do piquenique já venha meia feita de casa para aqui não ter surpresas de bar fechado e não perder muito tempo em preparativos, mas tem grelhadores de apoio onde, se chegar cedo, poderá confecionar por lá alguns dos alimentos.

 

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E temos a nossa visita concluída, pois na praia fluvial o resto do dia é para descansar e desfrutar. Convém ter umas bejecas frescas para ajudar a passar a tarde.

 

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Penso que se irá tornar hábito aqui no blog o de terminarmos os post’s às aldeias com um vídeo com todas as imagens que já publicámos até hoje. Fizemo-lo com Seara Velha e pela certa vamos continuar, pois aqui fica o de Segirei, com as imagens de hoje e mais algumas dos post’s anteriormente dedicados à aldeia. Espero que gostem e até amanhã, com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

Filme, link:

 

 

Link para o vídeo no youtub:

https://youtu.be/P_W0xVyYc2o

 

 

01
Mar19

Alminhas e Cruzeiros

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Cruzeiro das Eiras

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Nesta rubrica das alminhas …. Hoje deixo-vos três cruzeiros, poderiam ser outros, mas são estes, apenas pelas suas características e singularidades. O cruzeiro das Eiras, pela sua singularidade e por ser apontado como um dos mais antigos, o de Castelões pelo seu colorido e toda a arte naif a sobressair e por último o de Oura, um dos mais elaborados do concelho de Chaves. Fica também um pouco da história dos Cruzeiros de Portugal.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os Cruzeiros surgem ligados à cruz dos cristãos. São símbolos da crença de um povo, marcos apontados à fé dos caminheiros e de todos aqueles que os veneram, marcando a fé dos que os erigiram como promessa.

 

São padrões da cristandade, e em terra cristã é símbolo de crença e respeito para as povoações. Estes reduzem-se à maior simplicidade, ou  aprimoram a feição artística de granito rude, ao mármore fino, imagem de Cristo pintada ou esculpida, em alto-relevo ou em pleno corpo.

 

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Cruzeiro de Castelões

Com a Contra Reforma religiosa valorizou-se ainda mais a existência do purgatório, assim como o uso de indulgências para redimir a pena por pecados cometidos. Isto originou a que fossem edificados muitos cruzeiros para obterem em vida alguns méritos para o momento da morte.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os cruzeiros têm aquela rara e única beleza que a alma lhes dá e os olhos não conseguem vislumbrar e que só a fé faz ver. Estão colocados nas bermas dos caminhos, nas praças, no alto dos montes, perto das povoações ou isoladas, no adro de igrejas, ou em encruzilhadas, praças, cemitérios.

 

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Cruzeiro de Castelões

Os cruzeiros representam o espírito popular da devoção religiosa. Contudo, nem sempre esta causa foi determinante para a sua construção, pois muitos serviram para marcar acontecimentos de pendores variados e para proteger contra influências maléficas e feitiçarias, os caminhos, as encruzilhadas e os largos das aldeias, significando proteção para a população.

 

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Cruzeiro de Oura

Por trás de cada cruzeiro existe uma história relacionada com uma situação triste ou dramática, assim como uma profunda devoção.

 

Os cruzeiros que se encontram nos adros das igrejas tinham e têm como fim santificar esses espaços. Para esta santificação são determinantes as procissões que percorrem o perímetro da igreja.

 

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Cruzeiro de Oura

Os que se localizam nas encruzilhadas tinham como função cristianizar um local entendido como maléfico pelo povo, pois aí pensa-se que se realizavam rituais pagãos.

Os cruzeiros dominam e protegem os campos. Recordam epidemias, assinalam momentos históricos, pedem orações e sufrágios e servem de padrões paroquiais nos adros das igrejas e capelas.

 

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Cruzeiro de Oura

Normalmente não têm grande valor histórico e artístico, contudo há alguns que são bons exemplares, bem desenhados e esculpidos. Há inscrições comemorativas que distinguem muitos deles.

 

Constituem ótimos elementos para o estudo das crenças, dos costumes, qualidades e tendências artísticas de um povo, nas várias épocas da sua história.

 

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O cruzeiro é uma forma de oração, um convite à reflexão, como um catecismo de pedra que nos introduz nos permanentes mistérios que movem filósofos, artistas e poetas: o enigma da origem da vida, a morte e o mundo.

 

Cada cruzeiro tem uma história muito particular que, em muitos casos, deveria ser inserida nos conjuntos paroquiais, tão pouco estudados: igreja, adro, cemitério, ossário e casa paroquial.

 

 

 

Webgrafia

http://museuvirtual.activa-manteigas.com/index.php/places/cruzeiros-3/cruzeiros-historia-e-sua-origem/

 

 

 

05
Jan19

São Caetano - Chaves - Portugal

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Como há anos vem sendo hábito neste blog, os sábados e domingos são para as nossas aldeias, ou melhor, para o nosso mundo rural, tudo aquilo que vai além da cidade, pois as nossas montanhas, rios, paisagens, etc, também têm aqui lugar, mas também os nossos santuários, lugares de culto, que embora pertença de uma freguesia, não são aglomerados populacionais, tal como acontece com o Santuário do São Caetano que hoje vamos ter aqui.

 

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São Caetano que, rara é a semana em que neste blog não é referido, pois é por lá que passamos para a maioria dos nossos itinerários do Barroso. Talvez pela frequência das nossas passagens e das vezes que aqui o mencionamos, o desprezamos tanto sem o desprezar. Eu explico melhor não vá ser mal-entendido. Então é assim, o nosso desprezo está em não fazermos do S. Caetano uma paragem obrigatória quando por lá temos de passar, mas talvez isso sejam ordens do nosso subconsciente, pois quando nos dá para lá parar, há qualquer coisa naquele santuário que nos prende a ele e vamos fincando. Não que haja qualquer mal nisso, apenas, quando por lá passamos vamos com o tino noutro destino e daí o nosso subconsciente sussurrar baixinho ao nosso consciente a dizer: “não pares, não pares!” – Só pode ser assim.

 

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Pois prometo que amanhã, dia de termos por aqui mais uma aldeia do Barroso, vou fazer passar por lá o nosso itinerário e recomendar uma paragem no São Caetano. Claro que terá de ser breve, senão não poderemos cumprir o nosso itinerário pelo Barroso. E eu próprio prometo que na próxima passagem por lá, vou desativar o meu subconsciente e deixar que o meu consciente me permita lá parar, isto, nem que seja e só porque quando hoje abri o meu arquivo de fotografias do São Caetano, corei de vergonha, pois a passar por lá amiúde, a saber que me faltam registar ainda alguns dos seus motivos e verifiquei que a última vez que fiz registo já foi em 2013. Imperdoável.

 

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No nosso concelho de Chaves existem alguns santuários, como o da Nossa Senhora da Saúde em S.Pedro de Agostém, o da Nossa Senhora da Aparecida em Calvão, onde reza a história religiosa apareceu Nossa Senhora, ainda antes dos aparecimentos de Fátima, e temos ainda o Santuário da Senhora do Engaranho em Castelões, no entanto dos quatro mencionados, os que apelam mais a devoção dos crentes, são o Santuário de Nossa Senhora da Saúde e o do S.Caetano, mais este último, pelo menos para a população flaviense, para onde parece ser também o santo preferido para encaminhar as suas promessas, incluindo as promessas de cera que são guardadas em local próprio no santuário.

 

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As caminhadas a pé dos flavienses ao S.Caetano costumam ser habituais durante todo o ano, mas com maior significado na altura da celebração da festa do Santo, aí são aos milhares as pessoas que durante o dia e toda a noite se dirigem ao santuário, por promessa ou meramente por tradição. Festa que se realiza no domingo 7 de agosto ou, quando o 7 de agosto não coincide com o domingo, no primeiro domingo a seguir ao 7 de agosto.

 

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A data da festa do São Caetano coincide com a morte deste Santo italiano, natural de Vicenza.

Caetano de Thiene (Gaetano di Thiene) nasceu em Vicenza, em outubro de 1480 e morreu em Nápoles, a 7 de agosto de 1547 . Foi um sacerdote católico italiano, beatificado em 8 de outubro de 1629 pelo papa Urbano VIII e canonizado em 1671 pelo papa Clemente X.  Formado em Direito, São Caetano ficou responsável pela fundação da Ordem dos Clérigos Regulares da Divina Providência, chamados de "teatinos", uma ordem religiosa católica masculina sob a qual os sacerdotes nada deviam possuir ou pedir. Fundou ainda um hospital para os incuráveis, entre outros atos de ajuda aos mais pobres . É conhecido como o Santo da Providência, Patrono do pão e do trabalho. É ainda padroeiro dos gestores administrativos, das pessoas que procuram trabalho e dos desempregados.

 

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O São Caetano,  lugar de devoção, de culto, de peregrinação e de tradições era um dos lugares que o grande poeta e escritor português Miguel Torga visitava aquando das suas estadias na cidade de Chaves, fazendo nessas visitas alguns registos que constam nos seus diários:

 

São Caetano, Chaves, 12 de Setembro de 1988

Padroeiros da nossa devoção! São tantos, e não chegam para os milagres de que necessitamos.

 

Miguel Torga, in Diário XV 

 

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Chaves, 26 de Agosto de 1990

Visita sacramental a S. Caetano, um santo fronteiriço que tem na terra os serviços administrativos modelarmente organizados. «Meta as esmolas nos petos» — avisam os letreiros. E lá estão as tulhas para os cereais, a grade para os galináceos, e o orifício aberto na parede granítica da capela para encarreirar a pecúnia. Peregrino anual e céptico, não peço ao orago graças que sei que não pode conceder a um mau romeiro. Bebo-lhe a água gelada da fonte de três bicas, regalo os olhos na paisagem aberta e larga, espreito o cemitério visigótico precariamente preservado e fico satisfeito. Mas volto sempre, e sempre com a mesma curiosidade e disponibilidade emotiva. A minha bem-aventurança começou quando abri os olhos no mundo e há-de acabar assim, quando, já cansado de tanto o ver e surpreender, os fechar.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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O cemitério visigótico que Torga atrás refere, segundo o Portal do Arqueólogo, trata-se de uma Necrópole, localizada sob o Santuário de São Caetano, uma importante estação arqueológica romana e medieval. A primeira referência à estação arqueológica é feita pelo Coronel Mário Cardozo que interveio em 1942 quando as obras no santuário puseram a descoberto várias estruturas e sepulturas pertencentes a uma necrópole romana assim como um templo alti-medievo e uma necrópole alto-medieval com 27 sepulturas.

 

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Sem qualquer sombra de dúvidas que o São Caetano é um lugar de atração religiosa, devoção e culto mas que poderia muito bem ser também de atração turística, tanto mais que num raio de 2 quilómetros temos 3 santuários, o do São Caetano, da Srª do Engaranho (Castelões) e da Nossa Senhora da Aparecida (Calvão). Estes dois últimos localizados junto a aldeias bem interessantes, e o São Caetano também bem próximo, além destas últimas duas aldeias, num raio de 3 a 4 quilómetros tem igualmente aldeias interessantes e tipicamente transmontanas, barrosãs e galegas, a saber: Soutelinho da Raia, Couto de Ervededo, Agrela, Torre de Ervededo e Videferre, Espiño e Bousés, estas três últimas galegas. Poderão ver algumas destas aldeias num post que em tempos lhe dediquei neste blog, fica o link:

https://chaves.blogs.sapo.pt/a-galiza-aqui-ao-lado-aldeias-da-raia-1428927

 

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Claro que quando digo que estes locais poderiam ser pontos turísticos por excelência, não bastará indicá-los e localizá-los como tal, longe disso, pois primeiro há que fazer o trabalho de casa. Um trabalho conjunto que teria de envolver municípios e outras entidades, nomeadamente as responsáveis pelo turismo. Digamos que temos assim como um diamante em bruto que precisa de especialistas para o lapidar

 

 

E por hoje é tudo, ficam as referências às consultas:

 

BIBLIOGRAFIA

TORGA, Miguel - Miguel Torga Obra Completa, Diário (Volumes XIII a XVI), Circulo de Leitores, Rio de Mouro, 2001.

 

WEBGRAFIA

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios.resultados&subsid=55983

 

 

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