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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Jan20

Crónicas de assim dizer

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Ser e parecer

 

 

Às vezes as coisas não são o que parecem e às vezes quanto mais parecem, mais não são.

 

É factor determinante o quê? A crença. A partir do momento em que acreditamos, está tudo estragado! Nunca mais encontramos argumentos que contrariem o que queremos ver. A nossa mente seleciona, a partir daí e de forma autónoma - como se alguma vez lhe tivéssemos dado essa liberdade! - os pensamentos e raciocínios que traz até nós, ou seja, reprime o inconsciente e apresenta-nos o consciente como sendo a verdade! Nesta fase estamos perdidos! Ou somos muito lúcidos, inteligentes e temos espírito aberto ou passamos a viver reféns, enclausurados numa prisão cujas paredes foram construídas de forma aleatória e, pior do que isso, gratuitamente. Não houve critério algum na sua edificação; nem na construção do edifício, nem na colocação das janelas, nem no local onde foi aberta a porta. No telhado foi inventada uma claraboia com vitrais para distorcer a realidade. Perguntamos qual o propósito, mas a resposta é ridícula: “dessa forma há vezes em que a luz da lua cheia é verde, outras vezes amarela, outras vezes laranja...” Mas quem foi que pediu isso? Nós queremo-la branca, tal qual ela é! Essa mistura de cores na zona do visível que podemos, se quisermos, decompor à luz do nosso prisma, compete-nos a nós decidir! Então não somos donos e senhores? Queremos ser, mas falta-nos o poder. Temos o querer, mas temos a mão de deus sempre em cima de nós! "Mas isso é bom", dizem alguns! Não era desse que falava, valha-me Deus, era deste caramba!

 

Voltemos ao princípio que daqui já não saímos. Então e se o nosso querer for muito grande? Pois é esse o caminho, antes das bifurcações! Só que depois aparecem vários e, mais do que eles, as vozinhas cá dentro: vai por ali, vai por acolá... Quando José Régio nos apresentou o poema, nós até concordámos com ele, quando são os de fora a pedir ou a dar a ordem, até nos conseguimos impor!

 

Quem de nós não tem clarividência para dizer: "Não vou por aí!"? Mas quando as vozes vêm de dentro, a quem desobedecemos? É que essa escolha e decisão têm consequências em nós e a seguir vem o outro papão que anda sempre ao lado deste: a responsabilidade da decisão tomada e a de saber gerir aonde ela nos levou.

 

É verdade, não somos obrigados a pensar nisto! São 5 da manhã, vamos dormir mais um bocadinho. Com sorte, de manhã, ao acordar, não nos lembramos do sonho!

 

O inconsciente não dorme e trabalha a noite inteira para nos infernizar o dia. Multinacionais gigantescas registaram patentes, por décadas, com princípios activos para pôr o consciente a dormir, quando o que precisávamos era de qualquer coisita para pôr a dormir o inconsciente. De preferência um produto natural, mas eu que não sou fundamentalista e porque a gravidade do caso o justifica, não me importava nada de tomar uma porcaria sintética para pôr o tipo a dormir. Compensava depois. Nesse dia, pronto, não comia peixe com mercúrio; no dia seguinte não comia carne com hormonas e no dia depois evitava a fruta com pesticidas!

 

Não sei se está clara a ideia, mas despendemos uma quantidade enorme de energia a elaborar estratégias que mais não fazem do que distrair-nos do fundamental. Ocupam-nos o tempo, mantêm-nos entretidos, não sei se era a isto que Saramago se referia quando falava da "cegueira branca" ou se era também a isto que se referia o outro que falava do "ópio do povo"! Se calhar sou só eu a forjar argumentos ou pressupostos! A parte boa é que é consciente. 

 

Ainda não vos disse, mas hoje quando acordei ás 5 da manhã, virei-me para o inconsciente e dei-lhe um ultimato: ouve lá meu grandessíssimo estafermo, só tens duas hipóteses: ou vais dormir para o quarto ao lado ou, se quiseres ficar aqui podes, mas ficas caladinho! E não é que o gajo obedeceu?! Uma pessoa tem é de se impor e de se fazer respeitar e entender isto como uma obrigação, sem nunca a pôr a discussão! 

 

Tendo determinação, até uma criança mimada, como é este o caso, entra na linha e se consegue educar! E, lá no fundo, o inconsciente não deixa de ser um filho que criámos e a quem deixámos, tempo demais, fazer o que lhe dava na real gana, convencidos, nós, que um dia haveria de crescer e atingir a maturidade! Nah, nunca lá chegará sozinho, de forma que, quando descobri isto comecei a acordá-lo todas as noites a horas várias e dar-lhe umas aulitas de "saber estar".

 

Funciona.

 

 

Cristina Pizarro

 

10
Jan20

Vivências

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2020

 

Os que nascemos na década de 70 estamos agora a chegar aos 50, mais ano menos ano. Já temos cabelos brancos e num ou noutro momento já nos queixamos de uma dor aqui ou ali e, em jeito de brincadeira, vamos dizendo uns para os outros que é da idade (e é mesmo…).

 

Os nossos filhos mais velhos estão a terminar o secundário ou entraram já na Universidade. Vemo-los cada vez mais crescidos, autónomos, e a quererem seguir (e ainda bem) o seu próprio caminho. E, então, finalmente compreendemos algumas coisas (ou quase tudo, mesmo) que os nossos pais nos diziam quando tínhamos a idade deles e por que razão eram tão chatos connosco. O “conflito de gerações”, um conceito que desapareceu subitamente das nossas vidas quando nos tornamos adultos, e que pensávamos que já não nos voltaria a apanhar, apanhou-nos afinal, novamente, mas agora connosco do outro lado. Felizmente, a meu ver, temos hoje melhor preparação e ferramentas diferentes daquelas que tiveram os nossos pais para lidarem connosco.

 

A vida social, que outrora queríamos sempre intensa e agitada, ganha agora um tom mais calmo. Valorizamos coisas diferentes, mais simples e tranquilas: uma boa conversa numa esplanada, um jantar com amigos, um bom livro, um fim-de-semana em família…

 

Nas conversas com os amigos tanto falamos do mau tempo que fez na semana anterior como da situação económica que o país atravessa ou das preocupações com a saúde ou educação dos nossos filhos. Por vezes, recordamos também vivências anteriores, histórias e peripécias com as quais na altura rimos ou chorámos e acabamos, quase inevitavelmente, por estabelecer uma comparação entre os tempos de agora e os de antigamente (seriam melhores?).

 

Nas redes sociais reencontramos velhos amigos, quase sempre com alguns quilos a mais e ainda mais cabelos brancos do que nós. Pedimos-lhes amizade, metemos conversa e vamos sabendo por onde andam e o que fazem.

 

  1. Não estamos velhos, estamos apenas mais vividos, e o que nos preocupa agora é, sobretudo, o futuro dos nossos filhos. Onde estaremos todos em 2050?

 

Luís dos Anjos

 

 

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