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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Abr18

crónicas estrambólicas

estrambolicas

 

Ficção Científica Economista

 

Depois de 20 anos de crescimento económico exponencial, Portugal era em 2048 o país com o maior PIB per capita do mundo, mas com desigualdades de rendimentos aberrantes, que quase provocaram uma guerra civil em 2047. Para solucionar o problema, o governo implementou-se uma solução radical: inverteu os rendimentos das classes. Aqueles com ordenados mais baixos passaram a ser os mais bem pagos, e vice-versa. Seria uma experiência social programada para durar 10 anos e que tinha como objectivo apagar os genes da desigualdade que se transmitiam através das gerações. Logo que foi anunciada, a lei foi recebida com grande festa dos pobres e desespero dos milionários. Pouco tempo depois, a festa e o desespero mudaram de lados. A lei forçou os pobres a levar vida de milionários, apesar de continuarem a manter exactamente os mesmos cargos. O inverso acontecia com os milionários, que não tinham outra escolha senão levar vida de pobre mas continuando em altos cargos e donos das grandes empresas. As funcionárias das fábricas de têxtil, por exemplo, apareciam na fábrica de ferrari, saltos altos e vestido de noite. Os trolhas trabalhavam de smoking enquanto os patrões apareciam em fato de treino e sapatilhas nas reuniões das empresas. Isto era causado pelos pagamentos serem feitos de maneira a que os pobres recebessem ordenados milionários e só pudessem usar as notas maiores, ao passo que os antigos ricos tinham a exclusividade das moedas e notas pequenas. Cedo começaram a aparecer problemas de insatisfação e a situação começou a tornar-se insustentável, motivada pela inveja do povo, como sempre... Nas ruas do Porto, por exemplo, cheias de ferraris, bentleys e outras máquinas milionárias, podiam observar-se cenas do tipo: um opel corsa com 30 anos e a cair de podre (uma raridade e um luxo), preso no trânsito, com o bisneto do Azevedo ao volante. Ao lado, viam-se pessoas a abrir os vidros dos ferraris e gritar “Capitalista de merda, andas aí a comer-nos os pastéis de bacalhau e a beber-nos o vinho de Murça! Baixa-nos mas é os ordenados, ó urso do carago!”. No início, o povo achou muita graça a refastelar-se com luxos, mas a dieta diária de lagosta, trufas, caviar e outras coisas que tais, não demoraram muito a provocar enjoos. As saudades que algumas pessoas tinham dumas sardinhas em cima dum bocado de broa eram tão graves que obrigavam a visitas aos psiquiatras. Porém, não havia alternativa, os pobres recebiam em notas tão grandes que só tinham acesso ao mais caro e mais exótico. Não havia maneira de arranjar moedas para ir a uma tasca comer um bolo de bacalhau em pão e botar abaixo um bom copo de vinho carrascão, isso era uma frugalidade luxosa inacessível aos pobres. Por outro lado, os ricos passaram a viver em casas modestas e a fazer almoços de negócios nas tascas, falando de tostões, enquanto aviavam uma massa à lavrador CEO e uns campaneros de tintol. Numa dessas tascas mais porcas (mas cotadas na bolsa), uma tarde, o bisneto Azevedo e o bisneto Amorim, conversavam, enquanto mamavam umas pataniscas em pão e botavam abaixo uma litrada de maduro. Pergunta o Amorim “Ó Azevedo, qual é a sua opinião sobre esta mudança radical que nos aconteceu?”. Responde o outro “Amorim, se quer que lhe diga, não me estou a dar mal. As casas são pequenas mas as outras eram demasiado grandes, os carros não fazem diferença, têm todos 4 rodas e pouca gente tem tão pouco dinheiro para ter um carro tão podre como o meu, que me dá o status que um banal ferrari não dá. A comida surpreendeu-me. Nunca tinha provado sardinhas, por exemplo, e estou viciado. Se quer que lhe diga, nunca gostei muito de lagosta ou caviar, comia porque era a dieta oficial. A gravata era um sufoco, o fato de treino é muito mais confortável e agora até é roupa de gala, apenas se trocou a convenção. Também estava farto de ter que comparecer na ópera para gramar aquelas mulherzinhas aos berros, antes o bisneto Carreira! Ando a pensar que quando voltarmos ao estilo de vida que tínhamos, vou pagar mais aos funcionários, eles que fiquem lá com as lagostas! Nem sequer me falem em voltar a andar de sapatos de sola o dia todo, que aquela merda rebenta-me com os pés!”.

 

Luís de Boticas

 

 

22
Set17

Crónicas estrambólicas

estrambolicas

 

Um Burro Para As Autárquicas

 

Ao chegar o tempo de campanha eleitoral, aumenta o volume das críticas a quem está no poder. Nas autárquicas é assim e é-o em todos os concelhos. Porém, como diz o dito popular “Criticar é fácil, fazer melhor é que é difícil”. Claro que para se fazer, melhor ou pior, é preciso chegar ao poder. No entanto, antes disso, parece-me essencial que os candidatos tenham ideias e saibam o que se querem fazer. Ter ideias é indispensável, embora se saiba que depois é preciso o trabalho de as pôr em prática. É aqui que queria chegar. Uma coisa que me aborrece bastante é ouvir (ler) muitas críticas e muito maldizer mas não ouvir, de quem critica, sugestões alternativas ou ideias novas. Normalmente, as oposições que ambicionam chegar ao poder mas que são de fraca qualidade, têm essa característica: limitam-se a criticar (sem qualidade e sem profundidade) e não apresentam ideias ou um programa interessante que convença as pessoas a mudar de rumo. E as pessoas não mudam de rumo...

 

Sabendo que o blogue de chaves não é um partido político e que a maioria dos leitores não são candidatos a nada, apresento um desafio (que acho interessante e que poderá resultar nalguma futura iniciativa) aos leitores e colegas de blogue: gostava que as pessoas comentassem e apresentassem ideias para o concelho de Chaves. Podem ser as ideias mais variadas, o que quiserem. Podem ser coisas simples como meter fibra óptica seja onde for que falte, arranjar uma estrada, fazer obras nalgum edifício interessante, etc. Também podem ser ideias mais gerais como soluções para combater a desertificação, o que fazer ao centro histórico da cidade, etc. Eu começo por dar o exemplo e apresento um pedido ao Sr. Presidente da Câmara: Sr. Presidente, venho por este meio blogosférico pedir-lhe que ponha o jardim das freiras exactamente como era antes. Você bem sabe que não há uma única pessoa em Chaves que tenha gostado da obra do seu antecessor. Já agora, quanto é que custou desfazer aquilo tudo só para arreliar o povo? Foram 1 ou 2 ou 3 milhões de euros, quanto é que foi? Se não for possível pôr o jardim como era antes, seja porque não há dinheiro ou porque agora não dá jeito ou é melhor esperar mais um bocado até o povo se esquecer e já não ser preciso fazer nada, então faça-me uma coisa mais fácil e barata. Faça o favor de mandar fazer uma estátua ao seu antecessor e coloque-a no actual empedrado das freiras. Desejo uma coisa de requinte, artística, grandiosa, com inspirações na antiga mitologia grega. Quero o corpo dum burro mas com a cabeça do seu antecessor (de preferência com orelhas de burro). Remate a estátua com a placa e o seguinte dizer: “Em honra ao presidente da câmara mais burro que esta cidade já teve, quiçá Portugal. Para que a burrada das freiras não caia em esquecimento (tão cedo não vai cair de certeza) e que outras que tais não venham mais”. Sei que é uma ideia estrambólica mas pelo menos é original, importante e educativa. Estão a ver? Venham lá essas ideias, não interessa se parecem estapafúrdias.

 

Luís de Boticas

 

 

15
Mar17

Crónicas Estrambólicas

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O Melhor Do Mundo (Interior) São As Crianças

 

Já disse por aqui que a desertificação do interior não me perturba. Provavelmente havia gente a mais nas aldeias durante os anos sessenta, o que a terra dava não chegava para tanta gente, tinham mesmo que sair muitos. No entanto, parece-me que a este ritmo iremos ficar exageradamente desertificados nas próximas décadas. Leio as postas do Fernando e percebo o que o preocupa a falta de crianças nas aldeias, uma preocupação de quase todos nós. Não parecem haver muitas soluções à vista para este problema, tirando o criar-se mais empregos para jovens ou o estimular do nascimento de mais bebés, como faz a câmara de Boticas com incentivos em dinheiro. Contudo, a promoção do nascimento de bebés não surtirá efeito sem a criação de empregos, sem ganha-pão a malta continuará a sair. Apesar disso, o esforço posto na criação de empregos e bebés não parece estar a resultar. Sendo assim, se os bebés continuam a nascer cada vez menos e os empregos não aparecem, eu sugiro uma solução que mata dois coelhinhos com a mesma cajadada: vamos importar bebés. No meu concelho, Boticas, nascem pouco mais de 30 bebés por ano, o que brevemente porá em risco alguns empregos. É fácil de ver que sem alunos será insustentável manter o agrupamento de escolas do ensino básico. O fechar da escola, num concelho tão pobre como Boticas, levará a que imediatamente feche a única livraria/papelaria do concelho, 2 ou 3 cafés vão atrás, mais alguma mercearia, etc. Mas se aos 3 ou 4 lares de idosos que existem se acrescentasse um lar para acolher crianças abandonadas (sírias ou portuguesas, não interessa), esse poderia ser um remédio para a falta de bebés e ajudaria a criar empregos. Bastaria acolher 30 crianças por ano para dobrar o número de crianças no concelho, até umas 10 bastariam para fazer bastante diferença. Porque não pensar nisto? Parece-me uma ideia que facilmente se podia pôr em prática e que poderia ajudar um bocadinho a travar a desertificação do interior. Quem diz em Boticas, diz em Chaves, Montalegre, etc. Fica mais barato ao estado construir lares para crianças no interior e as crianças também beneficiariam, teriam uma alimentação melhor (boas batatas, boa vitela, boas couves e bom presunto) e os nossos ares puros da montanha, bem melhores do que aqueles lá para as bandas do Parque Eduardo VII.

 

[Estava a ver que ia acabar a crónica sem mandar nenhuma caralhada, sem dizer nenhuma estupidez ou meter-me com os lesvoetas. Ah, isto é um PS mas eu não uso PS’s, e não é por antipatias políticas, tem a ver com o nojo que me mete essa coisa de usar erudições finas para mostrar cultura, foda-se! Eu não estudei latim por isso não tenho nada que andar por aí a pôr PS’s e outros que tais. A César o que é de César (perdão!). Ninguém me apanha a fazer as figuras daqueles parolos que passam 50 anos nas américas e que conseguem vir de lá sem saber dizer um “What’s your name?”!, mas estão sempre com um “Yes” e um “Camone” na boca só para disfarçar! Levais com um itálico e um parêntesis reto que bem vos chega. E não andais para aí a ler este PS e a comentar para o lado em tom de voz enjoada “Ah, afinal isto é um PS, que chatice, que coisa chata, ele podia ter posto um PS logo no início, assim não se percebe nada, mas pronto, isto é o blogue de chaves e este rapazote é de Boticas, que se há de fazer...”. Fica-vos mal tanta burrice!]

 

Luís de Boticas

 

 

23
Fev17

Crónicas Estrambólicas

estrambolicas

 

A Estadia da Rainha em Chaves

 

O deslumbramento com que a maior parte das pessoas fala duma estadia num hotel é uma coisa que me deixa parvo. Ao ouvir as longas conversas sobre os muitos e variados detalhes das hotelarias, nunca percebo a excitação com a coisa de passar umas noites fora do ninho, fico sempre a pensar “Será que esta malta ainda dorme em casa nuns colchões de palha com uns liteiros por cima?!”. É que a mim ninguém me tira o meu quartinho com os meus livrinhos e as minhas coisinhas, só por muita necessidade durmo num quarto onde já dormiram milhares de pessoas e, segundo estudos recentes, cujos lençóis nem sequer são mudados entre hóspedes (se é gente chique que vai lavadinha para a cama, nem se dá conta…). A excitação da malta é tanta que às vezes chego a pensar que a própria Isabel II de Inglaterra se põe a magicar em coisas, lá para os lados do palácio de Buckingham onde tem um criado para lhe pôr pasta dentífrica na escova e outro para lhe limpar o cu, e imagino-a nos seus pensamentos “Ah, que farta estou de andar de palácio em palácio, já não posso ver palácios à minha frente, o que eu gostava mesmo era de passar uma semaninha num hotel chique, até podia ser o Aqua Flaviae, em Chaves na rotunda ao pé das termas. Depois disso é que ia ser conversar com as minhas amigas rainhas sobre os colchões, os pequenos-almoços e os SPA’s, ia ser óptimo para variar desta chiqueza bafienta!”. Um dos temas das típicas conversas sobre a chiqueza dos hotéis é o pequeno-almoço. Mas isso só me faz desconfiar que a malta come em casa uma malga de leite rançoso com pão de 3 dias, tal é o deslumbre com a fruta e o fiambre hoteleiro. Eu, pela minha parte, fico sempre desiludido com os cereais ensopados em iogurte ou com as insípidas tostas. Nunca nos hotéis chiques me serviram pequenos-almoços de eleição, como um carolo de folar com uma malga de café, uns rojões em cima dum bom pão centeio ou mesmo um mata-bicho a sério, um bom bagaço com umas nozes. Fico sempre desiludido. Outra coisa que me impressiona na gente chique, frequentadora dos hotéis mais exclusivos, é o pouco apetite que eles parecem ter por refeições fora dos hotéis. Ouço sempre o mesmo “O pequeno-almoço era tão bom que nem precisávamos de almoçar!”. Desconfio que nem almoçam nem sequer jantam fora do hotel, pois pelo que vejo por aí, há gente a fazer tantas sandes e a enfiar para o bolso, que certamente passam o dia a digeri-las. O que a gente desta seita também gosta é do mini-bar ao lado da cama. Julgo que gostam do frigorífico anão pelo aparato, porque quem não tem 5 euros para gastar numa diária não me parece que se metam a desbundar água a 2 euros, especialmente sem espectadores para impressionar. Também dispenso bem essa coisa do mini-bar, preferia ser surpreendido com algum livro interessante ou talvez mesmo um penico, que seria mais útil. Se calhar o mini-bar é mas é útil para guardar as sandes do pequeno-almoço até ao jantar, e talvez mais algumas coisas. Não me admirava nada que algumas pessoas levassem para casa alguns quilos de queijo e fiambre que vão acumulando no mini-bar.  Juntando o queijo e o fiambre a mais duas ou três toalhas, um robe, uns litros de gel de banho e de champô, se calhar uma estadia num hotel de luxo acaba por ser mais interessante do que uma ida ao Continente para compras, que deve ser a explicação para tanta excitação.

 

Luís de Boticas

 

 

18
Jan17

Crónicas Estrambólicas - Champanhe e Rojões

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Champanhe e Rojões

 


Já ouviu dizer que os rojões do soventre só acompanham bem um bom champanhe? Não? Eu também não mas apetece-me pensar que sim, que seria um hábito que ajudaria a dar estatuto a uma iguaria que é incrivelmente boa.

 

Porque não começar com a tradição?

 

Vêm-me estas ideias à cabeça porque estamos na altura das feiras dos fumeiros. Sempre achei que essas feiras deveriam tentar atrair clientela da alta classe, endinheirada. Uma feira dirigida só para o povo, que aparece na feira de boina e a tocar concertina, parece-me uma feira com pouca ambição. Claro que o povo é essencial para se fazerem as feiras, mas nos dias que correm, com as modas da gastronomia gourmet, dos wine bars e dos tapas bars, frequentados pelas classes média e alta das grandes cidades, é uma asneira não tentar atrair esse tipo de clientes com muito poder de compra e influência nas modas. Uma apresentação mais cuidada, com boa música (uma boa orquestra ou um bom grupo de música tradicional), uma zona VIP, ou outras coisas no género, iriam aumentar o interesse pelas feiras dos fumeiros e por outro tipo de freguesia. Também me parece que os anúncios publicitários deveriam ser mais variados, até porque a imagem do aldeão e do porco está sempre a ser repetida e é redutora.

 

Sugiro exemplos de anúncios publicitários que julgo poderem vir a ajudar bastante o afamar dos fumeiros da nossa região.

 

1- [A ser filmado no Palace de Vidago, por exemplo] Entra o chefe Rui Paula (o do Masterchef) a alombar com um cesto enorme de rachas de carvalho para a lareira. Depois vê-se o chefe a mexer os rojões que rojem dentro dum pote ao lume duma lareira imponente. À mesa, um cliente, um senhor muito bem vestido, com classe (Pode ser o Maestro Vitorino de Almeida, por exemplo) recebe os rojões, dá uma trinca, apanha um copo e diz “Estes fabulosos rojões do soventre, de Barroso, só mesmo com um esplêndido Moët et Chandon!”.

 

2 - [Tentar usar o truque simples e eficaz da Ferrero Rocher] Aparece uma senhora muito chique, dentro dum rolls royce, a dizer ao condutor "Ambrósio, apetecia-me tomar algo... Salgado!". O condutor responde "Tomei a liberdade de pensar nisso, senhora" e carrega num botão que faz abrir uma prateleira, no banco traseiro do rolls, onde aparece uma alheira grelhada, ainda a fumegar, em cima duma fatia de pão centeio (Vocês não sabiam que os rolls já têm grelhas que cozinham alheiras ao toque dum botão?). A senhora exclama “Que maravilhosa alheira de Boticas! Obrigado, Ambrósio!”, ao que o Ambrósio replica “Senhora, uma sopinha de feijão no pote para assentar? Também se arranja!" e pisca o olho malandro aos espectadores.

 

3 - [Filmado em NY] Um personagem ao estilo dos grandes chefes de negócios da bolsa de NY (na onda do chefe mau do filme Wall Street), com um daqueles fatos de 10 mil euros, aspira fortemente 4 ou 5 linhas de coca sobre uma mesa, beija uma loiraça em topless e dá um berro ao criado "Traz-me o meu antepasto e uma garrafa de Château Lafite de 59!". Aparece o criado com a garrafa e uma pratada de salpicão, presunto e pão centeio. O chefão dá umas trincas e diz qualquer coisa do estilo "I love the antipasto from Barroso, the best around the world! Greed is good, get’s you the best grease!".


Já se sabe que os lesvoetas ao verem isto mandavam-se por aí acima como flechas. Com um bocado de jeito e paciência ainda transformamos os rojões no caviar do Séc. XXI.

 

Luís de Boticas

20
Jul16

Crónicas Estrambólicas - Portugal, o maioral!

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Portugal, o maioral!

 

Para mim, Portugal é o melhor país do mundo, nem que seja por sentimental reasons (como diriam os panascas dos meus amigos da cidade, que passam a vida no caralho das lounges a comer tapas, sushis e essas merdas, mas que nem imaginam o que é um rojão do soventre. Se calhar é por isso mesmo que são uns palermas deslumbrados com a merda do sushi e do caralho que os foda...). Tirando as razões sentimentais, é muito fácil de ver que Portugal não é o melhor mas é dos melhores países do mundo. Basta ir consultar as tabelas daquilo que verdadeiramente interessa. Na esperança média de vida, estamos em 21º, à frente da Alemanha ou dos EUA. Há 200 países no mundo. A esperança de vida diz muito da qualidade de vida das pessoas. Na lista do Social Progress, estamos em 18º, à frente da Espanha ou da França. Na mortalidade infantil estamos entre os 10 melhores. Podia ir buscar mais um ou dois índices, dos que importam, mas não vale a pena, sei que estamos sempre, mais ou menos coisa, entre os 20 melhores dos 200, ou seja, de 0 a 10 temos 10. Pensando nestas merdas, não achais que é uma seca do caralho ter que estar sempre a aturar os discípulos do Eça, sempre a botar abaixo, a dizer mal de tudo, que eles estavam bem era em Paris ou em Londres? Ainda por cima só nos comparam com 2 ou 3 países de top e em coisas específicas, o que é absurdo, porque assim não havia países que dormissem descansados. Coitados dos austríacos se andassem por aí deprimidos por não terem nenhuma universidade nas 100 melhores ou por nunca terem ganho um campeonato mundial de hóquei em patins. Também não estamos numa altura tipo camoniana em que se podia mandar calar os gregos e os troianos ou Trajano e Alexandre (O Camões esticava-se p´ra caralho, é como estes tarados que acham que somos os maiores do mundo porque houve uma das 500 revistas espanholas disse que temos uma praia que é a melhor do mundo, baseada em comentários de sabe-se lá bem quem...). Tirando os exageros para um lado e para o outro, o que eu sei é que esta merda é muito fixe, tenho perfeita consciência que nunca vamos ter uma NASA e em vez disso teremos algumas aberturas de telejornal onde se conta que se descobriu que uma das 5000 mulheres da limpeza da NASA é tuga, talvez até consigamos meter lá um engenheiro, mas a verdade é que eu estou-me a cagar para essa merda. O que eu sei é que as naves e os satélites não me ajudam em nada a afumar a chouriçada, e em chouriçada, nem que eles se fodam todos, todos os anos somos campeões do mundo por larga margem. A mim, para me mudar para as finesses das Noruegas ou das Finlândias ou de NY ou de Londres, tinham que me pagar e não era pouco, ide-vos lá foder vós e a burrice! Aliás, um gajo vai a NY e nas montras é só merdas do estilo "European Food", "European Hair Style", etc. Concluindo: parolos e complexados há-os em todo o mundo, mas comedores de bom fumeiro só aqui em Barroso. Emigrai todos lá para as NY's que mais sobra, fodei-vos!

 

Luís de Boticas

 

 

15
Jun16

Crónicas Estrambólicas - Ciderado

estrambolicas

 

Ciderado

 

Ainda aquela coisa que o Cid disse sobre os transmontanos, que diz que são uns feios e desdentados que vão em excursões ao pavilhão atlântico e que nunca viram o mar... É um bocado estranha, não bate certo! Gajos que vão a Lisboa ao pavilhão atlântico e que nunca viram o mar?! Como é?! É como ele vir a Chaves e dizer que não viu um pinheiro! Também não percebo a grande importância que tem ver o mar... Se eu fosse numa excursão ao pavilhão atlântico e o condutor me perguntasse “Vamos dar um voltinha e passar na praia para ver o mar?”, eu era gajo para lhe dizer “Não vale a pena, é melhor virar para trás, já estou cheio disto, já tenho saudades dos montes e das chouriças e não estou para aturar mais lesvoetas, já me chega!”.

 

1600-furadouro (204)

 

É que o mar não tem nada que ver, ao fim duns segundos um gajo já viu tudo, é sempre a mesma coisa, pode-se estar horas a olhar para aquilo que o tal mar não passa de muita água azul e umas ondas, mais nada, um gajo não aprende nada a olhar para o mar, posso-vos garantir, já lá fui ver essa coisa! Aprende-se tanto como a olhar para a barragem dos Pisões, que é quase um mar! Aquilo serve para dar uns mergulhos e pescar umas trutas, agora para ver, para aprender?! Imagino que em Lisboa, lá na universidade do Relvas, um gajo inscreve-se em Geografia e durante a matrícula perguntam "Já viu o Mar?", se um gajo responde "Sim", tem logo equivalência a 6 ou 7 cadeiras. Será isso?! Se um gajo até tiver molhado os pés no mar, são gajos para dar a carta de capitão de navio, sei lá, aquela malta não regula bem! Tenho pena é que a capital não seja Madrid, era gajo para não me chatear tanto a aturar estes cromos, convencidos que já viram o mar... Vá lá foda-se!

 

Luís de Boticas

16
Fev16

Crónicas Estrambólicas - Desordenamento do Território

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Desordenamento do Território

 

Acho interessantes alguns dos factos que revelam o desordenamento do território português. Nalgumas coisas, o desenvolvimento dum país pode ver-se por coisas simples do dia-a-dia. Se chegamos a um país e vemos carros a cair de podres e trânsito caótico, percebemos logo que o país não funciona. Há outras coisas que não estão à vista, como as diferenças enormes que há entre as autarquias portuguesas.

 

Se formos ver como é que a população está distribuída pelas autarquias, ficamos a saber que Lisboa é o concelho com mais população, cerca de 550.000 pessoas, e que o Corvo é o concelho com menos gente, com apenas 430 pessoas, ou seja, tem cerca de mil vezes menos pessoas do que Lisboa, ou algumas centenas de vezes menos do que em certas freguesias, como a freguesia de Algueirão-Mem Martins com 62.557 habitantes. Mas não é só o Corvo que é pequeno, há vários concelhos com apenas mil, duas mil ou três mil pessoas. Há 37 concelhos com menos de 5.000 pessoas e 114 concelhos com menos de 10.000 habitantes. Aliás, o concelho de Lisboa tem tantos habitantes como os 100 concelhos menos populosos do país.

 

Não percebo porque é que em concelhos pequenos temos que ter estruturas pesadas, com presidentes de câmara e vários vereadores, mais os telefonistas e os motoristas e o resto da malta toda atrás, para tomar conta de mil pessoas! Parece-me escandaloso e é um indicador de que os desperdícios começam logo no nível mais baixo da estrutura, é um mau exemplo e mostra que quem está mais acima não está a fazer bom trabalho.

 

Claro que há pessoas que acham que os concelhos pequenos devem ser mantidos, porque é uma maneira de empregar pessoas e tentar manter gente no interior. Eu também acho que o interior deve ser ajudado, mas não é desta maneira. Este tipo de concelhos pequenos gasta cerca de 2000 euros per capita por ano, alguns gastam mesmo 4000. Há concelhos com 5000 habitantes a gastar 10 ou 15 milhões por ano, que é dinheiro que tem que se ir buscar à população através dos impostos (só metade da população é que trabalha e desconta para o IRS, por isso serão mais de 2000 euros por pessoa...). Se me perguntassem a mim, se preferia pagar 3000 euros de impostos por ano para ter uma câmara a tratar de 2000 habitantes ou se preferia pagar apenas 500 e ser governado pelo presidente da câmara ao lado que tem outras 4000 almas para dirigir, eu preferia ficar com o dinheiro no bolso para comprar mais umas vacas ou ir de férias para Cuba (na vez do presidente da câmara e dos amigos!). Parece-me que pelo menos uns 100 concelhos podiam desaparecer facilmente do mapa autárquico.

 

Pouparíamos uns mil milhões por ano e ainda tínhamos a vantagem de ter esses presidentes todos, mais os vereadores, fora do sistema burocrático (normalmente são gente dinâmica e empreendedora que estão ali desaproveitados) a formar empresas e a fazer crescer a economia. Porque nós bem sabemos que eles antes de irem para as câmaras eram pessoas empreendedoras, cheias de dinheiro, que até se sacrificam a ir ganhar menos só para nos ir ajudar. Eles iam à vida deles de empreendedores e nós com o dinheiro que sobrava íamos para Cuba passar férias à grande. Parece-me um bom negócio. Além de que não custava nada mudar esta divisão em concelhos do nosso país que foi feita já no longínquo ano de 1836...

 

Luís de Boticas

 

 

22
Jan16

Crónicas estrambólicas - O meio porco escondido

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O Meio Porco Escondido

 

A gastronomia é um dos temas que mais interessam às pessoas. Toda a gente gosta de visitar, conhecer e discutir restaurantes, fala-se das estrelas da Michelin, há vários programas de culinária na TV, cozinha-se de maneira elaborada em casa, conversa-se sobre ervas aromáticas exóticas, sobre reduções e confitados, há restaurantes de todo mundo nas cidades grandes, desde os italianos aos de sushi, há variadas taperias (uma palavra que não existe em Espanha, onde as tapas se costuma servir em bodegas...), nas pastelarias bebe-se chá com scones ou muffins (não acredito que seja por snobismo, são hábitos...), e há filas enormes nas grandes cadeias internacionais, como no McDonalds ou no KFC.

 

O que me parece irónico é que no meio desta forte cultura de experimentação, da avidez de provar e saber de tudo, alguns dos melhores pratos da culinária portuguesa continuam completamente desconhecidos de grande parte dos portugueses, incluindo aquela malta com a mania que sabe tudo, que já correu os melhores restaurantes, incluindo os estrelados Michelin. Julgo que os meus fiéis leitores do Porto e de Lisboa, gente finíssima e viajada, muito abocada dos bons bocados, estão já a pensar “lá está este parolo, é um gajo que às vezes até escreve umas coisas, mas hoje está a exagerar. Deve ter alguma dor de cotovelo por ter que andar a pastar na tasca da esquina sabendo que nós nos divertimos nos michelins”. A verdade é que os comeres de que falo nem sequer são servidos em restaurantes. Os lesvoetas continuam a sorrir e pensam “Este pascácio acha que por viver em Boticas e poder comer, diariamente, ovos caseiros das pitas do capoeiro privativo ou alguma orelha mal lavada de porco caseiro, já se acha um expert em culinária! Valha-lhe Deus!”. Não se trata nada disso, o que queria dizer é que acho que os rojões do soventre (por exemplo) são um dos melhores petiscos que comi na vida, mas que quase ninguém conhece. Uma busca no Google por “rojões do soventre” dá apenas uns 200 resultados, quase todos vindos de blogues de gente saudosa da vida da aldeia. Procure-se “cozido à portuguesa”e aparecem mais de 300 mil resultados. Os rojões do soventre, por vezes, comem-se sobre o nome de torresmos em restaurantes brasileiros, já que são populares no Brasil, mas a receita não é a mesma... Cá, nem nas taperias! Há algumas raras tascas que os servem, claro. Continuando com os rojões, outro prato excelente é o que se serve tradicionalmente no almoço da matança do reco, os rojões da costela, completamente diferentes dos rojões do soventre ou das tripas. Onde é que se come isso?! Em lado nenhum! Imagino que os leitores de Lisboa pensam “Nessas feiritas do fumeiro de Boticas e Montalegre, devem servir essas coisas, basta ir lá para ver se este parolo tem razão, pode até ser que os rojões sejam interessantes barrados com foie gras ou trufas, pode mesmo ser que até sejam crocantes!...”, mas estão enganados, não se vê disto nas feiras, nem nos restaurantes típicos e especializados em coisas típicas, só mesmo em matanças privadas. Os rojões da costela nunca são muitos e os lavradores nem se dão ao trabalho de os levar para as feiras. Outro prato que acho do melhor, estrondoso (eu sei que os adjectivos politicamente correctos seriam fantástico ou maravilhoso, mas eu ainda sou daqueles que não come comida porque está crocante e recordo-vos que isto é uma crónica estrambólica), são os ossos da suã, especialmente os caseiros, que mais uma vez vos asseguro que não são servidos nas feiras nem em restaurantes que servem material caseiro. Há um ou outro restaurante que serve os ossos, mas o sabor é diferente, embora na falta dos verdadeiros sejam bons. Há um restaurante em Coimbra que vive de servir os ossos e é bastante popular, não percebo é porque não há mais, poderia ser um prato popular. Podia continuar a falar doutros petiscos deliciosos e pouco conhecidos mas fico-me por aqui. O texto já vai longo e nunca se pode contar tudo senão os lesvoetas pensam que já sabem tanto como os parolos.

 

Luís do Boticas

 

 

08
Jan16

Crónicas estrambólicas - Internet in Interior

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Internet in Interior

 

A internet é uma maravilha para espalhar informação, que se torna ainda mais importante no interior, onde os habitantes dalgumas aldeias têm que se deslocar mais de 30 km para ir comprar um jornal ou um livro.

 

Parece-me também que a internet poderia ser muito útil para travar a desertificação do interior, não apenas por informar as pessoas mas por poder ser usada para criar empregos.

 

Creio que os Call Centers e os Contact Centers, localizados nas grandes cidades, poderiam ser facilmente deslocados para as regiões do interior, que é uma coisa que já está a ser feita nalgumas cidades como a Guarda, Beja, e outras, mas não em Chaves. São negócios que têm a vantagem de serem fáceis de montar e de baixo investimento. Basta uma sala, algumas dezenas de secretárias, um computador por secretária, e não muito mais. Um Call Center situado em Chaves teria a vantagem de poder servir empresas de Portugal e também de Espanha, derivado à localização fronteiriça e ao facto dos flavienses falarem castelhano ou de se poder contratar espanhóis sem dificuldades.


Outro tipo de negócios que poderiam ser montados em Chaves são a venda de roupas e acessórios online. Parece-me que as empresas do tipo La Redoute (esta empresa tem o seu armazém em Leiria, que distribui a roupa trazida em camiões desde França) poderiam ser facilmente instaladas em Chaves, até porque as encomendas são entregues através dos correios, não sendo muito importante a localização do ponto de distribuição. Talvez haja até vantagens na distribuição poder ser feita a partir de Chaves, ao lado de Espanha e da fronteira.

 

De certeza que haverá outro tipo de negócios que envolvem a internet e que poderiam funcionar no interior, sem a necessidade da conveniência da proximidade de portos de mar ou de grandes cidades. Parece-me que faltam apenas pessoas com iniciativa e vontade de fazer coisas, porque o investimento nalgumas destas empresas não é dos mais elevados.

 

Luís de Boticas

 

 

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