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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Nov20

Os pormenores e apartes...

com alguns devaneios

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Não sou muito dado a depressões ou coisas parecidas, penso que nunca sofri dessas doenças, aliás costumo dizer que não tenho tempo para ter dessas coisas, e embora seja um animal de rotinas, quando as tenho, gosto de quebrá-las, distrair-me com pormenores, perder-me nos apartes. Contudo, confesso, que tenho andado um bocado baralhado com a situação atual do bicho que anda por aí. Tentei aceitá-lo como uma coisa que apareceu, mas que, como tudo que aparece, também desaparece, ele, também desapareceria um dia, no entanto, a sua insistência em manter-se por cá já começa a chatear, e embora tenha feito tudo para manter as rotinas que tão bem me fazem, às vezes sou obrigado a quebrá-las, obrigado a distrair-me com pormenores e a perder-me constantemente nos apartes, afinal coisas que livremente gosto de fazer, ter liberdade para as fazer, agora ser obrigado a fazê-las, NÃO OBRIGADO!, não gosto, chateiam-me, irritam-me.

 

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Ontem ao olhar para algumas árvores já despidas, e que nas minhas rotinas dos anos anteriores ia acompanhando a magia da mudança de cor da sua folhagem, dei-me conta que perdi a magia do colorido deste outono. Não se iludam com as imagens, pois são do outono do ano passado. Acabadinhos de perdermos a magia da festa de Chaves, a Feira dos Santos, levo com esta em cima. Pensado melhor, dei-me conta de que já tinha perdido o verão e a primavera, e com elas, ao perder estas estações, perdi os seus pormenores e os seus apartes, aqueles que são meus e só eu os vejo e sinto e que gosto de registar em imagem, mas sobretudo, o que perdi foi a liberdade de andar por aí, e com ela a felicidade de viver esses momentos únicos, que embora se repitam todos os anos, são sempre diferentes, por muito semelhantes que sejam.

 

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Felizmente tenho o meu arquivo fotográfico com todos esses momentos de magia dos anos anteriores. Uma manhã passada na feira dos santos, no meio do gado, como o nosso povo das aldeias orgulhoso de mostrar os seus animais de raça, mesmo que não ganhem o prémio, depois o pulpo à galega com uns copos de vinho, e toda a agitação da feira. Certo que tenho tudo isto registado dos anos anteriores, mas falta o sabor e o cheiro do pulpo, e o ahhhhh! Botar um copo de vinho.

 

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Também tenho muito registos da magia dos coloridos dos outonos anteriores, mas falta a brisa fresca a bater-me na face, o ar frio e as neblinas das manhãs, faltou-me a minha peregrinação anual ao Parque do Vidago Palace, os estar com os companheiros de viagem da imagem, termos as nossas teimas e os nossos gozos irónicos, as piadas inteligentes, mas sobretudo, faltam-me os pormenores e apartes nos quais só eu reparo, tal como eles têm, e todos, têm os seus.

 

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Viver assim, sem os nossos pormenores é estranho, mas mais estranho ainda é esta situação começar a transforma-se em rotina enquanto as coisas mais preciosas que tínhamos nos estão vedadas ou a perder-se. Os sítios em que eramos habituais, em que se convivia um pouco, sabíamos as novidades, botava-mos um copo, comia-mos um bom cozido à portuguesa, riamos de coisas ridículas, contava-se uma anedota. Coisas do dia a dia, banais sem importância que agora não acontecem. É um pouco como os nossos anos de juventude, sempre revoltados à espera que o tempo passasse para sermos grandes, adultos, para termos a suposta independência que os grandes pareciam ter, e afinal, hoje temos saudades dessa juventude revoltada em que fomos tão felizes.

 

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Pois hoje ao lançar mão das minhas fotografias de arquivo, já que não tenho andado no terreno à caça delas e deles, dos pormenores, e apartes inventei-os nas três fotografias que vos deixo em seis imagens, tal como dizia Diane Arbus  "Uma fotografia é um segredo sobre um segredo…” e sobretudo vale pelo que vemos nela e não pelo que ela mostra. O resto não interessa.

 

Façam por ser felizes!

 

 

 

 

30
Out20

De(s)vaneios Fotográficos

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“Os Emigrantes” [i]

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Depois de uns bons anitos a carregar a câmara fotográfica, chego aqui cheio de dúvidas. Na realidade não sei se tenho a fotografia como uma paixão que se transformou num passatempo dos meus tempos de lazer, ou se foi um passatempo de lazer que se transformou numa paixão, daí, não saber se na realidade gosto de fazer fotografia ou se gosto mais de andar a fazer fotografia, se calha, até podem ser as duas coisas. Mas de uma coisa tenho a certeza - gosto de ver boas fotografias. Mas o que é uma boa fotografia!? – Pois! Também não sei. Sei o que é má fotografia, agora boa, daquela mesmo boa, não sei, mas tenho como princípio, que se gosto de uma, é porque é boa, o que poderia fazer de mim um especialista de fotografia, mas nada disso, a fotografia só passou a ser boa para mim, apenas porque gostei dela. Assim, se um fotógrafo faz muitas fotografias que eu gosto, então é, para mim, um bom fotógrafo, e nem sequer precisa de ter nome na praça… agora irritar, mesmo irritar a sério, irritam-me os puristas da fotografia, principalmente os catedráticos da imagem que dizem ter de se saber de fotografia, técnica, regras, boas máquinas e sobretudo, irritam por defendem que a fotografia deve ficar tal e qual a máquina a pariu, ou seja, como eles são dos bôs só as fotografias que estão dentro dos seus parâmetros é que são boas…pois que assim seja, que desfrutem com o seu purismo, que eu fico-me por aquilo que gosto e não gosto. Contudo não quero dizer que saber de fotografia e ter uma boa máquina, esteja errado, não senhor, saber um pouco de fotografia e uma boa máquina, não fazem mal a ninguém e em certas circunstâncias, ambas e duas as coisas, são necessárias, mas já não são assim tão necessárias para ser um bom fotógrafo ou fazer uma boa fotografia, e depois, se precisar de um pouco ou mesmo de muito Photoshop, porque não, bendita a hora em que o inventaram, graças a ele já salvei do lixo montes de fotografias…

 

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Tudo isto porque hoje inauguro aqui uma nova rubrica, ou melhor, uma vez por mês, nas últimas sextas-feiras de cada mês, vou trazer aqui uma ou mais imagens daquelas que me deu gozo fazer, das que eu gosto, quer seja apenas fotografia-fotografia ou com Photoshop pelo meio, porque às vezes, na fotografia está tudo aquilo de que gosto, mas também muito lixo que não gosto, e tal como nos desfazemos do lixo comum, também a fotografia pode ficar sem ele, e transformar uma coisa banal numa coisa interessante. Mas esta rubrica, para quem acompanha o meu trabalho, já não vai ser novidade, pois já publicava este tipo de fotografias num outro blog, o “Devaneios”, que por falta de tempo foi ficando esquecido. No entanto, as fotos que irão aqui ficar serão inéditas. Poderá de vez em quando aparecer uma ou outra que já tenha sido publicada no “Devaneios”, mas isso será raro. Daí esta rubrica se chamar também “devaneios” ao qual acrescentei fotográficos e um “s” no meio dos devaneios que nos levam até aos devaneios do desvão aos “desvaneios”, por ser ao meu desvão fotográfico que essas fotografias irão sair, algumas já com uns bons anitos em cima e que a não ser esta rubrica, continuariam a ficar por lá.

 

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Não quero alongar mais este post, pois a ideia é que o protagonista desta rubrica seja a imagem e não as palavras, mas às vezes são necessárias….

 

Hoje excecionalmente ficam três imagens, duas inéditas e uma repescada daquilo que mais gostei de publicar no blog “devaneios”, blog  que irá continuar adormecido por tempo indeterminado.

 

Assim, cá estaremos de novo com mais “DEsVANEIOS FOTOGRÁFICOS” no próximo dia 27 de novembro.

 

 

 

 

[i] Uma explicação exige-se, pois a fotografia tira a escultura do seu contexto. Trata-se de "The Immigrants" uma escultura de Luis Sanguino, excutada em 1973,  em bronze e granito vermelho de Minnesota Rideau, localizada na extremidade sul do Eisenhower Mall, no Battery Park, em Lower Manhattan. A inscrição na base da escultura diz:  "DEDICADO AO POVO DE TODAS AS NAÇÕES  QUE ENTRARAM NA AMÉRICA ATRAVÉS DO JARDIM DO CASTELO  EM MEMÓRIA DE SAMUEL RUDIN  1896-1975  CUJOS PAIS CHEGARAM À AMÉRICA EM 1883"

 

 

 

27
Dez19

Cidade de Chaves

Horas doiradas, de escuridão ou psicadélicas

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A 4 dias e pico de terminar o ano, arranjamos sempre um tempinho para pensar na vida que ficou para trás, e quando chego a esta hora de publicar qualquer coisa no blog, dou uma vista de olhos às imagens que tenho em arquivo e rara é a vez em que não paro numa imagem e fico simplesmente a olhar para ela e também a pensar no que nela se passou ao longo do ano ou mesmo dos anos, na transformação que sofreu, no que poderia ter sido, no que é hoje em dia. São imagens que mexem sempre connosco e que se fosse há uns anos atrás, deixá-la-ia aqui e sobre ela despejaria toda a raiva e/ou revolta que esse tipo de imagens nos chegam ou possam provocar. Mas o blog está também a 4 dias e pico de fazer 15 anos de existência, cresceu, está mais adulto, e também nós estamos 15 anos mais velhos e também mais maduros,  e já não respondemos com facilidade a certas provocações. Quase poderá parecer que nos fomos acomodando, mas não, longe disso, somos é mais realistas, precavidos, passámos a apreciamos mais as coisas boas, todas elas, enfim, as coisas boas da vida, sem deixar de esquecer as más, mas também sem deixar que elas nos incomodem ou tolham os dias, poderão é ter um tratamento mais refinado…

 

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Claro que este tipo de coisas nunca nos deixam indiferentes, e quando chega a hora de finalmente escolhemos uma ou mais imagens para o nosso post diário, há um clique que nos diz – é esta – e será ela que irá comandar as nossas palavras, enquanto a vamos tratando, vamos em simultâneo construindo mentalmente o nosso discurso, aquilo que em suma queremos dizer, mesmo sem o dizer, às vezes basta a imagem ou imagens, tal como hoje acabou de acontecer, em que uma imagens de inverno tomada na hora doirada da fotografia, transforma aparentemente um dia frio azulado ou até mesmo cinzento, num dia quente cheio de cor e vida. E esses momentos existem mesmo, nem sequer é preciso inventá-los. Claro que há sempre quem não os queira ou consiga ver, e veja tudo acinzentado, quando muito a preto e branco, olhando para estas horas doiradas como um momento apenas que antecede a escuridão da noite…

 

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Depois há também o oposto a tudo e a todos, invadidos de puros devaneios, fantasias, divagam nos pensamentos, transformam a realidade, exageram, e tanto lhes dá para colorir exacerbando de cor a escuridão, como lhes dá para a descolorir, pintando tudo de negro, sem nesga de luz, ficando ceguinhos de todo…

 

Por fim, também os há que tanto lhes faz como fez, faça sol ou caia chuva ou trovoada, está, simplesmente – está – e prontos!…   Até amanhã de regresso a uma das nossas aldeias, onde tudo é simples e puro, ou pelo menos assim queremos acreditar que é.    

 

 

 

 

20
Nov18

Inicio de 4 contos que não li e outros devaneios

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Olhou a fauna humana por olhar, já que não lhe restava muita opção. Ou melhor: não lhe restava opção porque, para ele, tudo era igual. Escolheu a mesa central, surpreendentemente vazia. Fora de padrão, menor que as demais. Sábado, naquele bar, a tendência era as mesas engatadas umas às outras, em conversas barulhentas. Fosse em Vitória, fosse em BH.

 

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Entre tantos pela rua andando, vai o pai à frente, desviando suas rugas de preocupação das dos outros que procuram perder as suas nas lojas. Vai à frente, puxando o pequeno. O que puxou a mãe. É mais claro que o pai. Quatro anos ou cinco. Aos passos largos, vão. Ele é sozinho agora, tinha de acostumar...

 

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Acordei inteiramente expatriado do tempo. Sabia que tinha sido atropelado no dia anterior, mas a avalanche de matizes, que se embaralhavam em segredo, tombou-me para fora do mundo calendário.

 

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O destino cruzou-lhes o sorriso. Um toque desses especulares, de tão hipnótico. Ainda que recheado de dúvidas. Não se viam havia mais de dez anos e, apesar disso, era como se o flerte dos olhos fosse o derradeiro arremate da tinta de um esboço que se esculpia há anos.

 

 

12
Jun18

Cem Brincadeiras ComSiso - 1

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Cem Brincadeiras ComSiso - 1

 

Com ou sem siso, irão ser 100 (cem) brincadeiras a acontecer nos próximos 100 (cem) dias. Brincadeiras inocentes!? Não. Há muito que deixei de acreditar na inocência. Pretensiosas!? Também não. Se o pretendessem ser não seria aqui que as traria. Quando muito seria arte digital (digital art) que, como “todos” sabem, “não é arte”, são coisas feitas no computador. Brincadeiras apenas, puros devaneios (talvez) com(paixão) pelas formas e pela geometria, sim, porque gosto (like) da geometria, de a construir a partir do papel branco, com início sempre num simples ponto que depois de reproduzido e unido dá retas, semirretas, curvas, semicuravas para serem fechadas e construir planos, ou dar-lhes liberdade, deixando-as abertas para se projetarem no infinito, sempre com a exatidão da geometria, outras vezes nem tanto, talvez um desafio, talvez um devaneio. Construir todo esse ajuntamento de pontos para serem o que quiserem ou quisermos, mas sem os construir, pois também já há muito que arrumei as canetas. Apenas brincadeiras, 100 no total, a partir do mesmo tema, com outras tantas fotografias (100) e Photoshop q.b.. Se gostarem, ótimo, gostem tanto como eu gostei de as construir. Se não gostarem, paciência, passem à frente, virem a página.

 

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Hoje, por ser a primeira vez, excecionalmente, vão ficar duas brincadeiras e estas palavras explicativas. A partir de hoje apena uma por dia, às 17H00 em ponto e sem palavras.

 

 

15
Mai18

Passar ao lado de uma grande carreira...

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Nestes momentos de introspeção que às vezes nos invadem, dou comigo a pensar como deixei que grandes carreiras me passassem  ao lado, mesmo ali ao alcance da mão. Hoje arrependo-me de não ter lançado mão a algumas delas, de ter desprezado outras, de minimizar algumas… Hoje já é um pouco tarde para algumas, teria gostado de ser, por exemplo, músico, um bom músico de jazz, dominar a música e alguns instrumentos. Mas enfim, no tempo em que me devia ter dedicado a ela, dediquei-me a outras coisas e hoje tenho de me conformar apenas a ouvir música, o que até nem é mau de todo, mas ser músico, isso é que era… outra coisa para a qual penso que teria jeito era ser artista plástico. Sou bom a imaginar e ver coisas, arte, a vê-la onde ninguém a vê, a senti-la, enfim. Deixo-vos o exemplo daquilo que poderia ser uma tela (ver a foto por cima destas palavras), cujo título seria “o homem que estava a coisar, a fugir de uma onda do mar”. Sim, poderia ser, aparentemente um pouco naif, mas com pormenores de elevado recorte, e haveria de enveredar sempre por títulos que rimassem, transformando-se em poesia pintada, sendo cada tela um ou dois versos, para que os títulos das restantes telas,  encadeados uns nos outros,  pudessem dar  num sublime momento de poesia.  Isso sim, é que seria arte. Não sei, a esta carreira de ser pintor poeta, talvez um dia, se conseguir chegar à reforma, ainda me possa dedicar a ela… penso que ainda poderei ser bom nela! Pelo menos bem melhor que muitos que conheço e que presumem… bem, é melhor ficar-me por aqui que a prosa já vai longa.

 

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Entretanto há também que cair na realidade,  e a minha obra de arte, afinal, não é mais que o nº5 de uma porta qualquer, com um buraco para meter cartas e uma campainha que se calha já não toca para ninguém…  É isso que acontece quando se passa ao lado de uma grande carreira, ou serão puros devaneios!? O melhor é ir-me deitar. Boa noite e até amanhã!

 

 

 

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