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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

30
Jan19

Ocasionais

ocasionais

 

“FUMEIRO de MUNTALEGRE”!

 

 

Este ano fui à FEIRA DO FUMEIRO, de MONTALEGRE.

 

Fui numa «excursão».

 

Na caminete, ao sairmos de Braga, uma senhorita, experiente em viagens excursionistas, foi ao microfone dizer que nunca tinha falhado um FEIRA DO FUMEIRO, DE MONTALEGRE -   já ia nas «vint’óito»  -  e chamou a atenção dos viajadores para as paisagens do Gerês.

 

Pedi licença para lhe lembrar que, a partir de certa fronteira, as paisagens também eram barrosãs!

 

 Alguém ouviu as minhas observações, dirigidas à companhia do assento, em relação às povoações, aos montes, às cortinhas, aos desfiladeiros, às barragens, e a outras particularidades (algumas com sabor a segredo), e insistiu para eu «ir ao microfone».

 

Não fui.

 

Pelos comentários acerca dos mosaicos da paisagem que se iam vendo desde a caminete, percebi que toda a gente sabia mais do Gerês e do Barroso do que eu.

 

Além desta grande diferença entre mim e os companheiros de viagem, havia aquela diferença insignificante da minha condição de, aí, no Barroso, ter frequentado o meu «jardim infantil» e a “Escola Primária», e regado as minhas raízes com as  águas do Rabagão, do ribeiro de Sanguinhedo, do Cávado, do Noro (Terva), do Bessa e do Covas, e do Tâmega, e das poças de uns rigueiros; temperadas com nevadas, que até faziam parar a «carreira do Marinho», ali por Penedones; por geadas, que me deixavam imitar,  a mim e aos meus companheiros de aventura, o Fângio, na descida desde a Misericórdia até às portas da Portela, a conduzir um «ferrari» feito com uma caixa do sabão, que «Casa Morais» ou o «Enes» m’arranjava;  e benzidas pela Festa do Sr. da Piedade; e enrijecidas em campeonatos de futebol, ora no adro da igreja, ora no relvado do castelo, ora no campo do Rolo, ou no da Srª da Livração, e ….

 

A guia, que escutou algumas vezes o que eu ía dizendo conforme o lugar por onde passávamos, comentava o brilho do meu olhar e a emoção que apanhava nas minhas palavras.

 

E eu nem sabia bem se era eu que estava a matar saudades ou se eram as saudades que me estavam a matar a mim!

 

Mas, adiante!

 

Paragem na coroa da Barragem da VENDA NOVA, para fotografias.

 

Afinal, nas conversas avulsas, vi que ninguém sabia como ir à Ponte da Misarela; ninguém conhecia a “Ponteira”, nem o Outeiro, nem a Barragem de Sezelhe. Todos tinham ouvido falar de Pitões das Júnias. Nenhum conhecia o Forno do Povo de TOURÉM.

 

Todos conheciam a fama de bruxo, do Padre Fontes. Alguns já tinha ido a Vilar de Perdizes, ouvi-lhes.

 

Nenhum conhecia Bento da Cruz.

 

Pedi à guia para referir, pelo microfone, este insigne Normando-Tamegano barrosão.

 

Alguns tinham sido «funcionários da EDP», na construção da “Barragem dos Pisões”.

 

Isso deu-lhes o direito de conhecer melhor do que este humilde peregrino (que, em cada aventura em que se metia, em cada viagem que fazia ou ainda faça, fica sempre surpreendido e admirado com novas descobertas barrosãs!) «O BARROSO»!

 

No “Sol e Chuva”, atirámo-nos ao «cozido»!

 

Pelo «andamento», receei já «não chegar a horas do horário da Feira do Fumeiro»!

 

Para os que me acompanharam na excursão, se não para todos, pelo menos para a maioria, o ponto alto da visita à Feira tinha sido atingido!

 

Realmente, “o Renato e Família” serviram um cozido que foi um regalo de fartura e de paladar!

 

E, fosse lá por que bruxedo fosse, a mim, mesmo em frente ao meu prato, vieram pôr três ossos (ó «inbejôsos», tam’ém tem de me calhar alguma sorte, carago!), daqueles que eu, noutros tempos, ia por aí, pela Normandia Tamegana, comer numa ceia muito especial,  acompanhados com umas batatas e umas couves espigadas das «nossas» ou uns grelos dos «nossos», bem regadinhos com um azeite do «», e tudo benzido e abençoado com uma pinga, da adega de uns ou da adega de outros!

 

pró meio da tarde, sempre se conseguiu (mos) chegar a MUNTALEGRE.

 

Como era sexta-feira, não andava lá muita gente.

 

Melhor.

 

Deu para ser surpreendido por um amigo dos tempos das juvenis escaladas aos Penedos de Santa Catarina e de se matar a sede na “Mijareta”, e por outros amigos de CASTELÕES. Estes deram-me a boa notícia que o estradão, desde a ALDEIA até à Srª do Engaranho está alcatroado. “São mil e cinquenta e cinco metros de alcatrão”, disse-me e repetiu «repetidas vezes» o meu amigo Júlio de Castelões.

 

O entusiasmo, a dedicação e o carinho que os Castelamunenses votam à sua ALDEIA e ao seu Santuário, e a hospitalidade com que recebem quem os visita, merece bem este apontamento.

 

Mesmo nem que seja só para desfrutar do sossego e das paisagens e horizontes que dali, de CASTELÕES, se alcançam, mais do que valer a pena é uma sorte ir até lá!

 

De fumeiro, abasteci-me nalguns dos expositores. Mas também trouxe, para me consolar cá em baixo, folar, pão centeio e mel de Pitões da Júnias.

 

Este ano, não vi ninguém a vender batatas (Na minha anterior visita ainda arranjei um saco)!

 

No Bar dos Bombeiros de SALTO, «molhei a palabra» na companhia de novos amigos barrosões, e tive uma amena conversa com os bombeiros que me atenderam (fiquei contente por saber que o Grupo de Cantares de SALTO continua).

 

Valeu-me ter levado um saco para transportar as compras e a caminete da excursão estar paradinha ali mesmo em frente à porta do “Multiusos” de MONTALEGRE!

 

Claro que tive de fazer algumas «reviangas» pelas escaleiras abaixo, porque outros «fumeiristas», quer-se dizer, visitantes da FEIRA DO FUMEIRO, DE MONTALEGRE, em vez de trazerem, nas mãos ou aos ombros, saquinhos com chouriças, salpicões e linguiças, transportavam uns quartilhos bem medidos, talvez até umas canadas, de tintol … ou de cerveja!

 

Atão, com as concertinas «a rasgar»!...

 

M., vinte e sete de Janeiro de 2019

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

27
Jan19

O Barroso aqui tão perto - Montalegre e a Feira do Fumeiro

1600-barroso XXI (58)

montalegre (549)

 

Vamos lá até ao Barroso aqui tão perto, num dos dias em que todos os caminhos vão dar a Montalegre, desta vez para a Feira do Fumeiro, a 27ª edição. Assim sendo, hoje não há aldeias, pois também elas estão em Montalegre, e também não há itinerários recomendados, pois qualquer um serve desde que se chegue até à Vila de Montalegre e à feira do fumeiro.

 

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Embora o nosso destino seja a feira, há tempo ainda para umas recomendações, pois a feira hoje no seu 4º dia, abrirá as portas pelas 10h da manhã e só encerrará às 20h. Há, portanto, muito tempo para feirar e para muito mais. Assim não vale a pena irmos cegos pela feira e até à feira, quero eu dizer, que pelo caminho também podemos ir em maré de apreciação, se lhes apetecer, têm tempo para passar e até parar algumas aldeias que nos vão ficar pelo caminho. Digo passar pelas aldeias, pois se formos simplesmente pela estrada que dá acesso a Montalegre, e suponho que desta vez todos irão via São Caetano, a estrada passa ao lado das aldeias. Se as quiser visitar, terá mesmo de sair da estrada principal, depois é só passar e parar se assim o entenderem, sem ser necessário voltar para trás, pois todas elas têm entrada e saída para a estrada principal.

 

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Chegados a Montalegre há também algumas visitas obrigatórias, que tanto poderão ser feitas de manhã como de tarde. Claro que o castelo é uma dessas visitas obrigatórias e a caminho dele o Espaço Padre Fontes do Eco-Museu do Barroso. Castelo que na sua intimidade tem uma leitura, mas à distância tem outro encanto, nem melhor nem pior, simplesmente diferente. Um dos pontos de apreciação obrigatória é logo imediatamente antes de entrarmos em Montalegre, após passarmos Meixedo. Vale a pena parar para uma foto, que esteja sol ou chuva, com neve ou sem ela, pois, a não ser que esteja nevoeiro cerrado, dá sempre uma boa foto. Tal como desde o miradouro da Corujeira, se não souber onde é, pergunte, pois também é um dos locais de visita obrigatória e desde onde se podem lançar olhares para muito mais além de Montalegre.

 

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Com isto tudo já devemos estar na hora do almoço, onde neste dia é obrigatório comer o cozido à barrosã, que até poderá ser parecido ao cozido à portuguesa, mas que fica a léguas de distância. E perguntarão em que é o cozido à barrosã é diferente do cozido à portuguesa? - Pois em nada, mas em tudo. Começando pela qualidade do fumeiro, das batatas e das couves, e porque não, da água que vai cozer tudo. É que há fumeiro e fumeiro, batatas e batatas, e couve e couves. E no Barroso não se brinca com os sabores, têm de ser genuínos, com batata barrosã, couve barrosã e fumeiro barrosão. E nisto do fumeiro, quem é apreciador, sabe que de terra para terra (local para local ou região para região) o fumeiro é diferente, é assim um bocado como o vinho, é todo bom, mas diferente. Por falar em vinho, o Barroso não produz vinho, mas nos restaurantes e nas casas dos barrosões, em geral, bebe-se do melhor vinho que vai à mesa. Eles sabem sempre onde há para se abastecerem.

 

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Mas mesmo sendo parecido, o fumeiro é sempre diferente e de terra para terra os gostos também diferem. Claro que os produtos alimentares de cada região vão fazendo parte da nossa dieta alimentar desde que nascemos, pois começámo-los logo a comer, ou melhor, a mamá-los da teta das nossas mães. Eles irão ser responsáveis pelos nossos sabores e gostos.

 

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Pessoalmente, na minha dieta, sempre esteve o fumeiro de Chaves e o do Barroso, ambos de excelência, mas com pormenores que faziam toda a diferença e que só mais tarde comecei a entender. Um deles, são por exemplo as filhoses de sangue, que no Barroso fazem a delícia dos pequenos almoços e vão enganando o estomago durante todo o dia, e que em Chaves não se fazem e, a grande maioria do pessoal, nem sequer sabem que existem ou como são. Sorte a minha, que com mãe de Montalegre, pai de Vila Pouca e descobertos os sabores de Chaves, lá em casa fazia-se uma mistura de fumeiro com os sabores que mais gostávamos, onde as filhoses de sangue nunca faltavam. Quanto à batata e a couve, nestas três regiões aqui faladas (Barroso, Chaves e Vila Pouca) são de qualidade, e são estes produtos, em geral, que também fazem a diferença à mesa.

 

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Há ainda outras iguarias que fazem a diferença nestas coisas do fumeiro da região, algumas delas ligadas e nascidas nas necessidades das barriguinhas de tempos felizmente passados, em que era preciso inventar um pouco para levar comida com sabor à mesa, com o pouco que havia para comer. Hoje, algumas delas,  são consideradas iguarias, como por exemplo os milhos, mas outros há, que ainda hoje fazem parte da dieta, sabores e gostos de alguns, que ainda não chegaram às mesas dos restaurantes…  

 

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E ficamos por aqui, já com água na boca. Fica também o destaque do programa da feira para hoje, pois a qualquer hora, estando cá na terrinha ou na proximidade do Barroso, ainda lá podem dar um pulo.

 

 

 

 

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