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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

29
Out14

Outros Olhares - As Feiras dos Santos

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Feira dos Santos 2013

Hoje fica a Feira dos Santos do ano passado, com dez olhares que vão desde os cabeçudos, aos músicos, às castanhas, ao Herbal Silva a salvar doentes porque os ricos vão ao médico, aos bois maroneses e barrosões, aos homens da vara, às diversões de sempre, a momentos da feira. E sem mais palavras, ficam as imagens:

 

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03
Nov13

Chaves - Feira dos Santos 2013 - O rescaldo

Embora o dia de hoje ainda seja de feira, fica já o rescaldo da Feira dos Santos 2013.

 


Os considerandos


“Os Santos” –  como habitualmente nós vamos tratando esta feira anual da cidade de Chaves – são sem dúvida alguma a festa maior de Chaves e da região, a única que,  a par das festas do Natal,  traz propositadamente flavienses emigrados a Chaves.



Não sei  quando foram realizadas as primeiras feiras dos Santos em Chaves mas é centenária e, se olharmos à origem das feiras, se calha, realiza-se mesmo desde quando o 1º de novembro existe dedicado a todos os santos, ou seja, desde o ano 835 dC, quando o Papa Gregório declarou o dia 1 de novembro como uma festa universal.



A própria origem da palavra feira, proveniente da palavra latina feria -  “dia santo ou feriado, folga, descanso” associa diretamente a feira atual à feria latina, o que, partindo  dessa realidade, temos a feira dos santos, porque é de todos os santos, como a maior feira de todas, ligada a um dia feriado, de descanso, onde a festa também acontece, e aqui voltamos outra vez à história e à época medieval…



… pois reza a história que durante as feiras medievais interrompiam-se guerras e a paz era garantida para que as feiras se pudessem realizar e os vendedores (tal como os de hoje itinerantes)  pudessem trabalhar em segurança, enquanto saltimbancos às dezenas, fazendo malabarismos, iam divertindo o povo que se ia movendo de barraca em barraca nas suas compras. Feiras medievais que aconteciam em localidades estratégicas com cruzamentos de vias principais e rotas comerciais nacionais e/ou internacionais, e aqui chegamos de novo a Chaves e à importância/antiguidade desta feira de todos os santos …



… porque de facto, Chaves, desde a ocupação romana sempre de afirmou pela sua localização estratégica importante, tornando-se num centro comercial por excelência de toda a região norte, mas também, pelas mesma razões, numa importante praça militar, sem nunca podermos esquecer a proximidade da Galiza e o acesso que o vale do Rio Tâmega sempre facilitou entre o povo do norte e a Galiza. Recordemos as segundas invasões francesas que tiveram a sua porta de entrada em Portugal precisamente por este vale do Tâmega e pelo facilitar as manobras da entrada das tropas francesas, sem as barreiras naturais de rios e montanhas que desde o Rio Minho foram encontrando.



Mas não é só por estas razões atrás apontadas que a feira dos santos em Chaves é única e tem a sua importância, talvez a razão mais importante seja mesmo outra e que ainda ontem, no post de sexta-feira passada, o José Carlos Barros muito bem lembrava ao dizer que “as feiras pertencem às aldeias”. Pois recordemos que esta feira coincide com o prenúncio dos rigorosos invernos transmontanos, com poucas horas de dia, muito frio e nevões que isolavam durante semanas, senão meses, as aldeias de montanha. Recordemos também que o ganha-pão das aldeias sempre esteve ligado à terra e ao gado tendo nas feiras a sua quase única oportunidade de poder trocar os seus produtos, com a venda dos seus e a compra de outros que não produzia, e esta feira dos santos apresenta-se como a feira principal para poder trocar e abastecer-se para todo o inverno, quer com a compra ou venda do porco para as matanças, quer com a venda das colheitas, sem esquecer a castanha, quer com a compra/venda de agasalhos, onde as (saudosas) mantas de Soutelo defendiam do frio as camas transmontanas e as pessoas que nelas se deitavam.



Claro que a modernização, o melhoramento das vias de transporte e dos respetivos meios de transporte, o despovoamento das aldeias, a “industrialização chinesa” – quer seja chinesa ou não –   veio abanar um bocadinho com a feira tradicional a que antigamente estávamos habituados, e eu até nem sou muito antigo, mas o suficiente para ainda reter na memória o dia da feira da lã (que se realizava a 30 de outubro) e os quase 15 dias de barracas que antecediam os dias principais de 30 e 31 de outubro e 1 de novembro, onde as tais mantas de Soutelo eram rainhas e senhoras, tão afamadas ou mais que o presunto de Chaves. Estamos a falar da história antiga de Chaves pois estes géneros só mesmo e só a história os registam.



Com a modernidade e as modernices a feira dos santos levou um abanão, sobretudo naquilo que diz respeito às tais trocas comerciais entre o povo das aldeias mas também à vida que este mesmo povo da aldeia dava às noites flavienses do 30 e 31 de outubro. Um abanão mas não o suficiente para acabar com uma feira que tem tradição e, a tradição é bem mais forte que qualquer ameaça, mesmo com algum desprezo com que ela sempre foi tratada por quem a deveria tratar bem e fazer dela uma festa, a verdadeira festa flaviense, sem sequer tirar dela  o proveito da  sua tradição para a valorizar e promover Chaves e a região, e vender a marca “CHAVES” que tão apregoada é, sem nunca passar do pregão.  Recordem-se as mantas de Soutelo e o Presunto de Chaves.



A Realidade


Também é tradição da feira dos santos de Chaves, durante o seu decorrer, os flavienses falarem dela, do seu passado, do presente e do seu futuro, quanto à sua localização/itinerância. Pois este falar da feira tem-na mantido também de pé.  É impossível termos Chaves no seu todo sem a feira dos santos. Ela faz parte do seu todo e ano após ano poder-se-ia aprender um bocadinho com as feiras dos anos anteriores, a começar pela sua localização, que ora anda pra cima ora anda pra baixo, ensaia os lados e acaba por voltar ao mesmo. Pois com todos estes ensaios já começava a ser tempo de ter um poiso certo, mas enfim, tal como disse , a sua itinerância de localização também já é uma tradição da feira e para que finalmente chegue ao seu destino, ainda vai ter de dar mais umas voltinhas, pois a meu ver ainda pode ser melhorada.



Penso que já foi definitivamente deixada de parte a ideia de a feira ter uma localização própria, num espeço próprio, nas proximidades da cidade, pois a experiência de a “guetar” em todo, ou em parte, deu ou dá maus resultados, além de milhões de euros que todos estamos a pagar por essas tentativas. Recordemos o espaço criado para a feira – um campo de feira – entre o Forte de S.Neutel e Santa Cruz que foi rejeitado por todos, quer pelos feirantes quer pelo povo e, a insistir-se continuar por lá a feira semanal ou a das diversões dos Santos, nesta altura do campeonato já não haveria nem feira semanal nem diversões. O problema destes novos espaços que se fazem para resolver problemas, só têm criado problemas e despesas, e tudo, porque nas decisões deste novos espaços, as pessoas que usufruem deles nunca são


 

tidas em conta ou ouvidas. E voltando outra vez às palavras do JCB do post de sexta-feira passada, onde afirmava que “as feiras pertencem às aldeias, eu digo que sim senhor, pertencem às aldeias e ao povo,  mas acrescentaria que se faz nos centros das vilas e cidades, no seu coração, junto ao comércio tradicional como complemento ou parceiro deste, juntos aos tascos e cafés, com barracas de montar e desmontar, com confusão, muita de preferência, junto a quem trabalha nas cidades de modo a poderem ir fazer um chichi e na volta trazerem cinco pares de meias por dois euros (ontem mesmo, um dos vendedores daqueles que têm palco montado em cima da camioneta e microfone ao peito, vendia 48 meias e oferecia um pufo e uma toalha de mesa de cozinha por apenas cinco euros), porque a feira dos nossos tempos, também é espetáculo.



Assim e embora eu até já tivesse defendido um espaço próprio para a feira, hoje defendo que a feira se deve concentrar toda dentro do centro histórico de Chaves, à exceção da feira do gado, mas a essa já lá vamos. Dir-me-ão alguns que isso até seria bonito, mas e o trânsito? Se a feira ocupasse as ruas como é que os popós circulavam? – Pois talvez seja por essas e por outras que as ruas e praças do centro histórico não devem ter trânsito ou estacionamentos, mesmo que abusivos e depois as feiras não acontecem todos os dias. 



O programa da feira

 

Ainda estou para saber como é que antigamente a feira se levava a cabo sem qualquer programa… mas isso são contas de um rosário do passado.


Pois sobre o programa da feira, este ano, não digo nada e não é por faltarem os rapazes das concertinas de Venda Nova, mas porque é mais do mesmo e não adianta “bater no ceguinho”, pois este nunca vai admitir que erra e além disso, cego que é cego está mesmo impossibilitado de ver. A solução está mesmo em substituir o ceguinho por alguém que realmente veja ou pelo menos que consiga ouvir – o povo, os jovens, os flavienses e que nos visita.



Amiúde se ouvem uns chavões  sobre Chaves – “Mais chaves”, “Sabores de Chaves”, “Marca Chaves”, etc, etc, etc.. Criam-se associações e até empresas para a promoção de Chaves, ensaiam-se feiras e feirinhas disto e daquilo, pois se em “cascos de rolha” resulta, em Chaves também tem de resultar ou devia, mas vá-se lá saber porque…, nada medra. Entretanto deixámos esquecido aquilo que é mesmo marca de Chaves, e deixo dois exemplos – o Presunto de Chaves e a Feira dos Santos. O primeiro cada vez mais faz parte da história, mas só da história. Alguém por aí viu Presunto de Chaves à venda na feira? – Pois eu vi um barraca de presuntos, mas eram de Lamego…Quanto à Feira dos Santos, existe e vai continuar a existir porque faz parte do calendário do povo e dos flavienses, já quanto à promoção de Chaves e à festa que deveria acontecer em paralelo à feira, nada ou praticamente nada acontece, em suma, temos um bom ambiente de feira mas não o temos de festa (de rua) e muito menos de promoção de Chaves.



Um pequeno exemplo


À feira dos Santos ninguém lhe pode tirar a importância que tem e é MUITO importante para Chaves e para os flavienses, penso que uma prova disso é que até tem uma Sessão Solene, à qual nunca fui mas que pela certa os engravatados do costume nunca faltam. Alguns dos mesmos que sobem ao palanque para entregar os prémios do Concurso Nacional Pecuário e têm lugar reservado no festival gastronómico galego. Sei que há uma grande equipa a trabalhar para a feira, composta por trabalhadores da Câmara Municipal e da ACISAT (a associação dos comerciantes e industriais cá do sítio que como é lógico zela pelos interesses dos seus associados ), além de chamar ao trabalho outras entidades, como a PSP entre outros. Já quanto à logística e ao programar/pensar da feira, não sei a quem cabe a responsabilidade, mas deve andar a meias entre os grandes e as chefias da Câmara e da ACISAT, ou seja, os do



costume e como a feira todos os anos é mais ou menos igual, suponho que logisticamente falando deve ser uma tarefa muito complexa, de meses de trabalho e daí, deixarem de fora até pequenos pormenores (pequenos, porque o pormenor é sempre pequeno) esquecidos, mas que fazem a diferença, principalmente para não termos uma imagem terceiro-mundista   da feira, para não falar dos que verdadeiramente sofrem com a ausência de um pormenor. Há um amigo meu que me diz para eu não dar ideias aqui no blog, senão “eles” aproveitam-se delas e, eu, invariavelmente respondo-lhe sempre na mesma, dizendo-lhe que se a ideia é boa e pode se aproveitada, ótimo, pois todos ficamos a ganhar. Pois a ideia que tenho para colmatar um (porque há tantos) desses pormenores em falha na feira, poder-se-ia dizer que é uma ideia, com vossa licença - de merda - pois é de WC’s que se trata…


  


Segundo a organização da feira esperavam-se cerca de 100.000 visitantes e não sei se a organização sabe mas o ser humano tem necessidades fisiológicas que vão para além do comer e do beber, que estas, embora devam ser satisfeitas a tempo e horas, se não acontecerem à hora marcada até podem esperar, mas há as que não podem.  Ora por muito prevenido que o povo seja ou esteja, há essas necessidades fisiológicas que têm de ser satisfeitas quando batem à porta e, não há volta a dar-lhes, pois elas são mais fortes que qualquer vontade que a possam controlar. Tem de ser e tem de ser e o tem de ser tem muita força. Para os homens a coisa é mais prática, basta uma parede e, embora seja uma imagem pouco agradável e coisa do terceiro mundo, após o ato é só abanar, recolher, e meter-se outra vez no meio da confusão, pois como cometem o ato sempre de costas voltadas para o público, são pessoas sem rosto e ninguém os irá reconhecer. Agora para as mulheres, aí a coisa já é mais complexa..



Não sei se a organização da feira sabe mas já existem WC’s portáteis, de todas as cores, práticas, individualizadas e minimamente higiénicas,  que se podem colocar em qualquer local, ou em locais estratégicos que as pessoas procuram nos momentos de aperto. Ora dos cerca de 100.000 visitantes e pela certa, entre eles, há sempre umas boas centenas de aflitos a todas as horas e, se já em circunstâncias normais da vida diária da cidade há um défice de WC’s públicos, imaginem mais 20 ou 30 mil pessoas que sejam, ao mesmo tempo nas ruas da cidade…Pois, cara organização do evento, esses WC’s portáteis existem, podem ser comprados e suponho que até alugados e basta fazer um pesquisa na internet com a chave “WC portátil” para eles aparecerem ou então, ligam para a Câmara de Montalegre e perguntam-lhes onde é que eles os arranjam para as noites das bruxas… e não devem custar assim tanto, mas podem crer que vão aliviar muita gente, além de ser um caso de higiene e saúde pública, mas com a tendência atual é entregar tudo aos privados, sempre se pode abrir um concurso de concessão de exploração, pois pela certa que vai haver por aí um amigo que vai estar interessado em explorar  esta cena – mais uma ideia e de borla.



A Feira/Concurso do Gado


Até há uns anos atrás a feira e o concurso do gado realizavam-se no mesmo local. É uma feira/concurso interessante não só para quem é comprador/vendedor ou concorrente, mas também para o povo ver e apreciar. Povo, turistas e flavienses, pois há muita boa gente que se desloca lá de propósito só para ver a festa da feira/concurso do gado, o que deverá ser considerado como uma mais-valia ao aumentar a seu interesse. Também o festival gastronómico galego está associado a esta feira/concurso e pouco tenho a dizer para além disto, a não ser o ter saudades de quando a feira e o concurso aconteciam no mesmo espaço. Este é o único senão e queixa de muita gente, pois embora a feira e o concurso não aconteçam à mesma hora, a distância entre os dois locais ainda é considerável para poder ser percorrida a pé e, de automóvel, convenhamos que não é propriamente um dia para ser utilizado, correndo mesmo o risco de só conseguir estacionamento a alguns quilómetros do local do concurso. 


 

 

 

Sei que o novo pavilhão onde se realiza a feira do gado tem todas as condições (ou muitas) para se realizar a feira e os negócios, mas o povo fica a perder, pois a maioria (como eu) tem de optar pela feira ou pelo concurso, e nós queríamos ambos… Então aqui fica mais uma ideia e que é a de se regressar ao antigamente, ao mesmo local onde a feira do gado se fazia e que foi convertida para a feira das barracas, aquela que agora ninguém utiliza. Já sei que os técnicos têm alguns argumentos para que a feira continue no pavilhão, mas um dia não são dias e uma vez por ano poder-se-ia realizar junto ao local do concurso. A festa ficava a ganhar.



Conclusões


A feira dos santos  em Chaves é uma grade feira, uma festa - que ninguém duvide disso, e nós flavienses gostamos dela e gostamos de receber quem vem de propósito à feira e à festa, como gostamos de reencontrar sempre os velhos amigos que andam por esse Portugal fora a lutar pela vida e que nunca perdem a oportunidade de vir à terrinha por altura dos santos.



É por sabermos que a feira é grande e que traz a Chaves muita gente que a queremos melhor para melhor receber e melhor desfrutar dela e não é preciso fazer muito para que isso aconteça, pois basta alguma vontade e saber ouvir as pessoas, todas, sem exceções, pois melhorar é possível e o consenso também, e depois sim, Chaves teria uma grande feira que orgulhosamente poderia dizer a melhor feira nacional do género aliada a uma verdadeira festa da cidade, que Chaves nunca teve.



02
Nov13

Mais santos - do dia de ontem

Isto de andar na rua em recolha de imagens tira-nos o tempo para trazer aqui as imagens e a reportagem, que não está esquecida, mas a feira ainda só vai a meio. Ainda hoje, possivelmente, a reportagem virá por aqui, entretanto ficam três imagens só para entreter, embora ao vivo seja um autêntico espetáculo – São imagens do “escultor da motosserra”, pois só com estas, faz autênticas obras de arte, e ao vivo, para não enganar ninguém. Ontem pasmei por lá um largo tempo. Ficam as imagens que dizem tudo. O local do “espetáculo” é no Jardim do Bacalhau”




Dum simples tronco sai uma obra de arte. O mestre a tirar as medidas à peça…




Público sempre atento aguardava o que dali iria sair …




E em cerca de uma hora o tronco dava lugar a uma águia…


 

 

Algumas peças concluídas. E viva o artista.

01
Nov13

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

 

As feiras pertencem às aldeias

 

José Carlos Barros

 

Gostava que as feiras, aos poucos, se fossem parecendo cada vez mais com as feiras de antigamente. Não é por nostalgia, por melancolia, por saudosismo. É só porque as feiras pertencem às aldeias, à gente das aldeias. É só porque não fazem sentido se a ruralidade não fizer sentido. E à ruralidade, hoje, tirando as preocupações ministeriais com o número de cães por apartamento e o número de peixes por metro cúbico de aquário, ninguém lhe acode: é ir às feiras de hoje, corrê-las de uma ponta a outra, e daí tira-se sem esforço como está o mundo rural e como estão as nossas aldeias: a definhar, na exacta medida em que definham as feiras. É que uma não existe sem a outra, e uma não pode andar por aí a pavonear saúde se a outra está de cama e de carantonha lívida. E quanto mais as entidades e as autoridades, bem-intencionadas, promovem acções de benchmarking e investem a assegurar animação paralela, com artistas de cartaz, com eventos, com colóquios, com exposições mais elas, as feiras, definham. Isto é como nos incêndios: quanto mais se gasta no combate aos fogos mais arde a floresta. Porque as feiras têm uma alma: a animação que tiverem, o colorido que possam ter vem do interior delas mesmas. E se é certo que a alma se pode vender (e amiudadas vezes se tem vendido), ninguém descobriu ainda a fórmula de comprá-la: já que o demo, sempre disponível para lançar uma OPA disso, não se desfaz das que tem a mais. Uma feira, portanto, só existe verdadeiramente se pertencer às aldeias, à gente das aldeias. E ainda está por descobrir como é que uma coisa que depende de outra pode funcionar na ausência dela.

 

Se as feiras, portanto, aos poucos, se fossem parecendo cada vez mais com as feiras de antigamente, isso significava que as nossas preocupações começavam a deixar de estar tão exclusivamente agarradas ao valor dos juros dos empréstimos que financiam os encargos do Estado para piscarem o olho à produção do tomate ou da beterraba e à importância da indústria transformadora da beterraba ou do tomate. Era sinal de que estávamos a regressar às aldeias a regressar de facto e a regressar em sentido figurado. Numa sociedade que galopou em direcção ao terciário o que é preciso é regressar às aldeias e regressar às feiras de antigamente. Quer dizer: regressar um pouco ao sector primário, regressar um pouco ao sector secundário e não sermos todos, quase todos, trabalhadores e desempregados dos sectores não-produtivos.

 

Não estou, este ano, mais uma vez, na Feira dos Santos. É a sina dos emigrantes não regressarem quando lhes apetece…. E não escondo que esta crónica possa ser o reflexo disso: da inveja dos que vão à Feira dos Santos a comerem pulpo, a perguntarem onde é que se vende uma manta de Soutelo, a olharem as samarras ou os tachos de ferro, a abraçarem os amigos e a discutirem quem paga a primeira rodada.

 

Enfim seja uma mistura de vingança e inveja. Mas já que não vou insisto: as feiras, hoje, são um anacronismo. E são um anacronismo a partir do momento em que deixámos de comprar porcos suínos e passámos a comprar presunto fatiado.



29
Out13

Estratos

 

Prendas do Outono


Saem com forma de círculo. Dão-lhe princípio e fim para que ganhem vida. Morrem por um dos sete. (Pela boca morre o peixe.)


Ainda que sem o obrigada, voltam sempre.


O carrossel também completa o círculo. No calendário e nas voltinhas. E tem taças que também rodam. (A roda não gira sempre para o mesmo lado.)


Contou-me a mãe que os Santos chegaram. Ser de Chaves também é isto. Viver os Santos duas vezes num ano.


Sinto cheiro (e saudade) de churros e farturas. Vejo da ponte as cores dos carrosséis. Oiço os pregões e os regateios.

 

 

O Outono leva as folhas, mas traz os Santos. 

 

Rita







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