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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Out20

Chaves D´Aurora

Crónicas

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As aldeias de Trás-os-Montes

           

            Encantaram-me, sempre,  as aldeias de Trás-os-Montes. Especialmente as que, mesmo a lhes chegarem as benesses (algumas polémicas)  da modernidade, conservam ainda, quando menos aos sítios centrais,  uma bucólica e multissecular disposição arquitetónica, com suas ruas, casas, igrejas e mercados de pedras, por cujas fendas nos muros ou às  janelas coloridas, plantas e flores brotam, como que trazidas pelas mãos do vento. À viagem de retorno que fiz por autocarro, de Chaves ao Porto, em 2002, os meus olhos perseguiam, até desaparecerem ao longe, muitas dessas aldeias petrificadas no tempo, embora ladeadas, agora, por ricas e hodiernas mansões.

 

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            Além dos vários bens imobiliários na (então) vila flaviense, meu avô possuía duas  quintas em aldeias serranas. No processo de escritura de meu romance Chaves D’ Aurora, queria muito conhecer alguns desses vilarejos, mormente porque, nos capítulos que tratam da Pneumónica, imaginei, com grandes possibilidades de certeza, que meu avô, para resguardar a família daquela pandemia virulenta,  haveria de transferir a família para uma de suas propriedades rurais. Eis que, como a adivinhar meu desejo, Fernando DC Ribeiro, acompanhado de outro amigo, Dinis Ponteira,  dedicado como ele a uma excelente  arte fotográfica, levou-me a conhecer várias aldeias no entorno de Chaves.

 

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            Algumas, conheci-as de passagem. A que mais me encantou foi a de São Lourenço, onde nos detivemos por algum tempo e fomos muito bem recebidos pelo Senhor Amável – de cujo nome jamais vi tanta correspondência ao nomeado  –  e que obsequiou-nos com um delicioso vinho caseiro, tão quão saborosos e domésticos eram o pão, o queijo e o famoso presunto de Chaves que o acompanhavam. Ali estavam, nessa aldeia, em largo número feita de pedras, casas com janelas de treliças, a igreja, pequenos estábulos com o feno e animais à vista, ruelas ora floridas, ora com muros entregues ao limo e às erosões do tempo.

 

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            Esse passeio campestre, além de outro a que me levaram os amigos Dona Maria da Luz e o Senhor António Miranda Chaves, serviram-me às fartas para compor, no romance, a minha fictícia Sant’Aninha de Monforte, onde os personagens da quinta Grão Pará, inspirados em meus familiares, passaram tantos dias,  agradáveis, uns, tristonhos, outros,  durante a propagação do vírus letal que, erroneamente, foi também conhecido  como Gripe Espanhola. Lá em Sant’Aninha, onde passaram o Natal e os Reis, puderam apreciar manifestações folclóricas como a dos Ramos e a Festa dos Moços, e vivenciaram uma consoada e festa de Reis imersos em melancolia.

 

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            Hoje, os aldeãos têm acesso à Televisão, à Internet, a carros modernos, mas, nas minhas viagens  –  as outras, as do sonho e da imaginação  –  fico a pensar nas carroças, nas ceias à luz das velas, nas historietas que se contavam antes de dormir e que (risos) algumas causavam pesadelos aos miúdos...

 

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            Trás-os-Montes de ontem e de hoje! Encantadora, sempre!  Sobretudo para mim, suspeito em meu amor genético por toda essa região de meu pai e ancestrais.

 

Raimundo Alberto

 

19
Out20

O Barroso aqui tão perto - Freguesia de Ardãos e Bobadela

Freguesias de Boticas

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Vale superior do Rio Terva

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Freguesia de Ardãos e Bobadela

 

Tal como vem acontecendo com as anteriores freguesias, após abordarmos todas as aldeias da freguesia, que no caso são Ardãos, Bobadela e Nogueira, fazemos aqui o resumo da freguesia, no entanto, no caso das freguesias que foram unificadas com a última reorganização administrativa do território (Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro), como é o caso, esse resumo torna-se mais complicado, ou mais confuso, porque os dados que possuímos são ainda das antigas freguesias.

 

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Contudo, como já estávamos a contar com este post resumo da freguesia, e o que tínhamos a dizer sobre cada uma das freguesias, já o fomos dizendo nos posts que fizemos de cada aldeia, para hoje reservamos apenas aquilo que é mais ou menos comum a todas as aldeias, em suma, à atual freguesia, como seja a história do vale superior do Terva e a Serra do Leiranco,  deixando antes, em termos de população e dados do território, os das antigas freguesias de Ardãos e Bodadela

 

 

Ardãos (Antiga freguesia)

 

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Ardãos foi uma freguesia portuguesa do concelho de Boticas, com 22,43 km² de área e 249 habitantes (2011). Densidade: 11,1 hab/km².

 

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Ardãos era a única aldeia da freguesia.

 

Bobadela (Antiga freguesia)

 

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Bobadela foi uma freguesia portuguesa do concelho de Boticas, com 14,7 km² de área e 330 habitantes (2011). Densidade: 22,4 hab/km².

 

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A freguesia era constituída pelos lugares de Bobadela e Nogueira.

 

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Freguesia de Ardãos e Paradela

 

A freguesia de Ardãos e Bobadela é constituída pelas localidades de Ardãos, Bobadela e Nogueira, com 37,13 Km² de área e 579 habitantes (2011). Densidade: 15,59 hab/Km².

 

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A atual freguesia de Ardãos e Bobadela confronta com os concelhos de Montalegre (a norte e poente) e concelho de Chaves (a norte e nascente), e o seu território grande parte do vale superior do Rio Terva e a Serra do Leiranco, e como as aldeias da freguesia já tiveram aqui o seu post, neste capítulo dedicado à freguesia vamos abordar mais em pormenor aquilo que o seu território tem de interesse, quer na Serra do Leiranco, quer no vale do Rio Terva.

 

Serra do Leiranco

 

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Embora o concelho de Boticas seja rico em miradouros naturais, cada um tem as suas particularidades. Penso que conheço todos os seus miradouros naturais mais importantes, mas estes, da Serra do Leiranco são os mais surpreendentes e dos quais podemos alcançar muito mais além num raio de 360º. Desde os seus miradouros podemos lançar olhares sobre a Galiza, quase todo o concelho de Chaves, incluindo a sua veiga e cidade, Concelho de Vinhais, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena e Montalegre. Deles alcançam-se as serras mais altas da região, como a Serra do Larouco, Serra de Mairos, Serra do Brunheiro, Serra da Padrela, Serra do Marão, Serra do Alvão, Serra da Cabreira, Serra do Gerês e Serra do Larouco.

 

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Também é do cimo do Leiranco que melhor se pode observar o todo da nossa freguesia de hoje, principalmente o vale superior do rio Terva. Já o mesmo não acontece para as aldeias da freguesia, exceção para Ardãos sobre a qual se lançam excelentes vistas, mas já o mesmo não acontece para Nogueira e Bobadela, porque de tão encostadas que estão à Serra do Leiranco, delas, apenas se conseguem ver pequenos trechos das duas aldeias.

 

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Excelentes vistas também para a cidade de Chaves, a olho nu, mas bem melhor com binóculos ou teleobjetiva da câmara fotográfica, como na foto seguinte onde se todo o centro histórico da cidade, quase toda a freguesia da Madalena, vendo-se em primeiro plano a barragem de Valdanta/Curalha, a aldeia de Valdanta e Cando e ao fundo, em último plano, do lado esquerdo a aldeia de Faiões e do lado direito as localidades de Campo de Cima, Eiras e Castelo.

 

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Para o lado oposto da cidade de Chaves, pode-se ver grande parte do Alto-Barroso de Montalegre, desde a Barragem dos Pisões até à serra do Larouco (e Larouquinho), tendo vistas privilegiadas para as aldeias mais próximas do Leiranco, como Cervos e Arcos.

 

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Para além dos miradouros e das vistas, há ainda que abordar a biodiversidade da serra do Leiranco, mas como nós nessa matéria apenas sabemos apreciar, vamos ver o que se diz sobre o assunto na página de visitboticas:

 

Na cumeada do Leiranco, para além do deslumbramento da paisagem com horizontes a perder de vista, poderá observar espécies florísticas raras e protegidas, alguns endemismos ibéricos, com interesse para a conservação em Portugal, como a gramínea Festuca elegans e a caldoneira (Echinospartum ibericum), a Eryngium duriaei subsp. juresianumFestuca summilusitana e cravinhos-bravos (Dianthus langeanus).

Relativamente à fauna, o cume do Leiranco constitui um biótopo de montanha, tendo-se registado várias espécies residentes, como o coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus) e a cia (Emberiza cia), e estivais, como o chasco-cinzento (Oenanthe oenanthe) e o melro-das-rochas (Monticola saxatilis), este referenciado como espécie “Em Perigo” no LVVP.

 

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Por último, ainda na serra, fica também uma das suas preciosidades, embora haja pouca informação sobre o mesmo, trata-se do Castelo da Contenda, mas fica uma imagem do mesmo e uma referência que dá nome a uma das rotas das vias antigas proposta pelo Parque Arqueológico do Vale Superior do Rio Terva, que tem gabinete de apoio e informações na aldeia de Bobadela.

 

Via Medieval do Castelo da Contenda

Com a nova estruturação de povoamento na Idade Média, organiza-se uma nova rede viária regional, passando a ligação de Chaves ao Minho a fazer-se preferencialmente pelos eixos meridionais de Alturas do Barroso-Ruivães e de Salto–Rossas, em detrimento da antiga ligação pela zona de Montalegre, provavelmente por ainda não estar bem estabelecida a apropriação deste espaço por parte da coroa portuguesa, como parece denunciar a tardia construção do castelo de Montalegre, já no século XIV.

Na bacia inicial do rio Terva, para além da desaparecida ponte de cantaria que fazia a passagem do rio entre Sapelos e Sapiãos, na via que seguia para sul pela ponte de Carvalhelhos, apenas se conserva uma importante via local de época medieval, ainda com longos troços de pavimento lajeado.

Trata-se da via Arcos-Bobadela, já referenciada nas Inquirições de Afonso III, de 1258. Ligando as povoações de Cervos e Arcos (em Montalegre), a Bobadela e Sapiãos (em Boticas), esta via servia igualmente, a meio do seu percurso, o castelo medieval das Fragas da Contenda, o qual testemunha os primeiros esforços de organização do território ao tempo do Condado Portucalense.

 

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Vale Superior do Rio Terva

 

Falar do Vale Superior do Rio Terva é sinónimo de falar em OURO, mais precisamente do povoamento romano e das minas de ouro que aí exploraram. Este complexo mineiro antigo do vale superior do rio Terva tem sido desde 2006 sistematicamente investigado pela Unidade de Arqueologia Universidade do Minho (UAUM) através do “Programa para a Conservação, Estudo, Valorização e Divulgação do Complexo Mineiro Antigo do Vale Superior do Rio Terva”, resultante de um protocolo entre a referida instituição e a Câmara Municipal de Boticas, daí, já muita coisa ter sido descoberta e muita por descobrir, não propriamente as minas cujos testemunhos são ainda bem visíveis, mas mais precisamente no que respeita aos povoados romanos que nasceram como apoio a estes complexos mineiros, nomeadamente a cidade romana de Batocas e Carregal.

 

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Sobre o assunto, vejamos o que se regista na pagina oficial do IGESPAR sobre o Património Cultural:

 

Entre os ribeiros do Vidoeiro e do Calvão, e na confluência de ambos com o rio Terva, este notável conjunto mineiro localiza-se junto da estrada romana que ligava Chaves a Braga. Nesta área relativamente ampla, estimada em cerca de 40 hectares, identificaram-se diversas cortas de extracção do ouro a céu aberto, assim como algumas galerias que auxiliavam aos trabalhos de remeximento dos solos. Na origem, foi uma exploração romana de grande impacto, densidade ainda hoje bem visível na radical transformação da paisagem e da topografia então operada.

São vários os pontos essenciais de extracção antiga do ouro. O Poço das Freitas, no limite Sul do conjunto, é o mais importante, por ser a maior das cortas deixadas pelos romanos, cuja cratera, frequentemente inundada, tem cerca de 100 metros de comprimento. Fazem ainda parte deste complexo as minas de Batocas e do Brejo. O trabalho de exploração do ouro implicou a definição de habitats relativamente perto, razão da existência do de Carregal, imediatamente abaixo do Poço das Freitas e que constitui uma mancha de ocupação dificilmente detectável pela grande densidade vegetal que cobre a zona e da qual não se detectaram quaisquer estruturas, apenas espólio de superfície.

Na actualidade, decorrendo em paralelo com o processo de classificação do complexo, uma empresa canadiana promoveu novas análises dos solos, concluindo pela viabilidade de exploração de ouro no local, tendo-se estimado o potencial mineiro em aproximadamente 7,1 toneladas de minério. A autarquia de Boticas concedeu o apoio possível ao projecto, consolidando o investimento privado de reactivação das minas com um eixo turístico-cultural que ligue o passado romano ao presente, através de um centro de interpretação, percursos pedonais e uma valorização dos sítios proto-históricos e romanos já identificados na área.

Paulo Fernandes | DIDA | IGESPAR, I. P. - 22.08.2007

 

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Numa tese de doutoramento apresentada por João Fonte na Facultade de Xeografía e Historia, de Santiago de Compostela, encontramos o seguinte:

 

Para época romana esta relação entre povoamento e mineração encontra-se já devidamente atestada, pois existe um conjunto de povoados romanos directamente associados às frentes mineiras, nomeadamente o de Batocas e o do Carregal. As recentes intervenções arqueológicas levadas a cabo no povoado de Batocas revelaram a existência de um importante complexo edificado de época romana, inequivocamente associado às diversas frentes de exploração mineira que o rodeiam, com uma ocupação genericamente datada entre meados do século I d.C. e inícios do II d.C. (Lemos & Martins, 2014: 342), onde apareceram vestígios evidentes da fundição de ouro, nomeadamente um cadinho que revelou a presença de pingos de ouro (Fontes et al., 2013b, 2014; Fontes, Martins, et al., 2011; Martins, 2015).

 

Tanto no povoado mineiro de Batocas, como no do Carregal, este último associado à zona mineira do Poço das Freitas/Limarinho, refere-se a presença de cerâmica de tradição indígena (Fontes, Alves, et al., 2011: 212-214), algo também constatado no povoado da Veiga da Samardã na zona mineira de Tresminas (Batata, 2009) (5.3.2.), o que, por si só, não implica uma ocupação da Idade do Ferro e, sobretudo, uma exploração mineira préromana, pois sabemos que a cerâmica indígena perdura até pelo menos meados do século I d.C., tando mais que quem seguramente habitaria nestes povoados seriam as populações locais que trabalhariam nas minas, embora enquadradas já no novo contexto imperial romano.

 

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E vamos dar por terminado este post, contudo, será uma freguesia que vai continuar debaixo de olho, nomeadamente no que respeita à Serra do Leiranco, mas principalmente ao Vale Superior do Rio Terva e aquilo que ainda há por descobrir ou revelar sobre o povoamento romano.

 

Ainda antes de terminar fica link para os posts dedicados às aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela:

 

Ardãos

Bobadela

Nogueira

 

E sobre o Barroso de Boticas, estaremos aqui no próximo domingo com os posts dedicados às aldeias da freguesia que se segue, que, segundo a ordem alfabética será a freguesia de Beça, com a aldeia de Beça.

 

 

Bibliografia

FONTE, João -  TESE DE DOUTORAMENTO PAISAGENS EM MUDANÇA NA TRANSIÇÃO ENTRE A IDADE DO FERRO E A ÉPOCA ROMANA NO ALTO TÂMEGA E CÁVADO Departamento de Historia I Facultade de Xeografía e Historia, SANTIAGO DE COMPOSTELA, 2015

 

Webgrafia

https://visitboticas.pt/2017/02/rota-natura/ (consultado dia18-10-2020)

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/9990054/ (consultado dia18-10-2020)

17
Out20

Pereiro de Agrações - Chaves - Portugal

Aldeias do Concelho de Chaves - Com Vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Pereiro de Agrações.

 

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A aldeia de Pereiro de Agrações é já uma aldeia da Serra da Padrela, no entanto digo isto sem muita certeza, pois a passagem da serra do Brunheiro para a serra da Padrela não é muito clara, ou seja estas duas serras entram uma na outra sem haver uma fronteira clara, como um rio, um vale ou coisa do género. Daí, eu nessa zona de transição nunca saber se ainda estou na serra do Brunheiro ou serra da Padrela, seja como for, Pereiro de Agrações é uma aldeia da serra e também da terra da castanha.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falar da aldeia de Pereiro de Agrações, pois isso já o fizemos nos posts que lhe dedicámos, hoje estamos aqui pelo vídeo resumo que não teve nos posts anteriores e também aproveitamos como é habitual para trazer aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções. E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Pereiro de Agrações que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pereiro de Agrações:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereiro-de-agracoes-chaves-portugal-1735169

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereiro-de-agracoes-chaves-portugal-1196752

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereiro-de-agracoes-em-tempo-de-1445657

https://chaves.blogs.sapo.pt/247571.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até à próxima quarta-feira em que teremos aqui o Peto de Lagarelhos.

 

16
Out20

O Barroso aqui tão perto - Nogueiró c/vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Nogueiró, do Barroso de Montalegre.

 

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Como vem sendo habitual aproveitamos também esta oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam à seleção que fizemos para o post que dedicámos à aldeia, para o qual fica link no final deste post.

 

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Nogueiró fica na encosta da Serra do Facho, mesmo lá em cima onde a montanha deixa a vertente virada a nascente para descair para poente, ou seja deixa as vistas lançadas para a Serra do Barroso e vira-se para a serra do Gerês.

 

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É graças a esta localização que desde a estrada e ponto mais alto de Nogueiró é um autêntico miradouro, quer para a Serra do Gerês, quer mais até terras do concelho de Vieira do Minho, cujas primeiras aldeias confrontantes com o concelho de Montalegre são ainda pertença do Barroso.

 

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Já para Norte, as vistas são mais contidas, chegam até Xertelo e não vai mais além por causa da imponência da Serra do Gerês, que vista assim tão rochosa e escarpada chega a assustar, embora depois entrando nela, onde ela deixa, até se torna simpática e acolhedora, isto se por cima tiver o céu azul com o sol a brilhar… Mas hoje estamos aqui pelo vídeo, pois tudo que tínhamos a dizer sobre a aldeia, já o dissemos no post que em tempo lhe dedicámos.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia das Nogueiró que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e agora também o podem ver no MEO KANAL nº 895 607, este e outros vídeos do Barroso e não só.

 

Aqui fica:

 

 

 

Link para o post do blog Chaves dedicado à aldeia de Nogueiró:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Ormeche.

 

 

15
Out20

REINO MARAVILHOSO

Douro e entre os montes

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Cidade de Chaves- Arrabalde

Este blog vai a caminho dos 16 anos e, sem me queixar, pois faço-o com gosto, confesso que às vezes não é fácil marcar aqui a presença diária, sobretudo tendo como ponto de chegada e de partida, e como centro de atenção ou de convergência, a cidade de Chaves, pelo menos com alguma originalidade. Sei que essa originalidade seria possível, mas embora até tenha a vontade, disponibilidade e abertura para ela, falta-me aquilo  que é essencial para que possa acontecer – tempo. Ideias não faltam e matéria também não, o tempo para recolha e tratamento de conteúdos, esse sim, é sempre pouco.

 

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Vidago Palace

Eu sei que este blog tem como base a imagem, a fotografia. Até à presente data foram aqui publicadas 15.426 imagens, das quais 3.896 são da cidade de Chaves, 5.083 das aldeias de Chaves, 3.444 são do Barroso e as restantes são temáticas (arquitetura, arte, incêndios, pormenores, eventos,  etc.). Dentro das de Chaves, por exemplo do Arrabalde estão aqui publicadas 234 fotografias, da madalena 230, da ponte romana 189, da rua Direita 135, isto por defeito, pois os números são os do flickr, mas para eles ficarem disponíveis têm de ter a “tag” Chaves, ou Arrabalde, etc, e algumas vezes esqueço-me de as meter, peloo que os números apresentados são inferiores à realidade. Quero com isto dizer que trazer aqui a ponte romana 189 vezes e mesmo sendo a imagem sempre diferente, é sempre a mesma ponte romana, isto só para vos dizer, que muitas vezes a falta de tempo me obriga a trazer aqui tantas vezes a ponte, ou Arrabalde ou outros locais repetidamente.

 

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Chaves - Ponte Romana

Claro que com o tempo vi-me obrigado a que o blog saísse fora da moldura de Chaves e do seu mundo rural. Apareceram as rubricas temáticas, os colaboradores com as suas crónicas pessoais e os horizontes em imagem foram além da moldura, e até o nome do blog, sem ser alterado, pois continua a ser CHAVES, passou de CHAVES – Olhares sobre a cidade a CHAVES – Olhares sobre o «Reino Maravilhoso», isto também porque pessoalmente entendo que Chaves tem condições para ser o centro de uma grande região, contando com a Galiza mais próxima. Assim os olhares do blog foram além fronteiras do concelho de Chaves, entrou no Barroso, tem todo o Alto-Tâmega debaixo de mira, para já com trabalho de campo na recolha de imagens nos concelhos de Vieira do Minho (freguesias dos Barroso), Ribeira de Pena, Vila Pouca, Valpaços, Vinhais e toda aldeias de toda a raia galega confrontante com Chaves e, ocasionalmente, um pouco mais além. É nessa que estamos agora e por onde vamos continuar, mas sempre com uma certeza, a de que Chaves, cidade e suas aldeias, continuarão a marcar aqui presença diária, pois já há algum tempo que o blog tem duas publicações diárias, uma com Chaves e suas aldeias e a outras com as restantes temáticas.

 

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Ruivães - Vieira do Minho - Barroso

Hoje criamos uma nova rubrica que ira ser regular, uma vez por semana, para já com dia marcado para as quintas-feiras e que irá ter este cabeçalho:

 

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REINO MARAVILHOSO – Douro e entre os montes. Claro que o Reino Maravilhoso é o que Miguel Torga nos descreve:

 

Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.

Vê-se primeiro um mar de pedras. Vagas e vagas sideradas hirtas e hostis, contidas na sua força desmedida…

 

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Fisgas do Ermelo e Srª das Graças ao fundo

Um  “ …berço que oficialmente vai de Vila Real a Montalegre, de Montalegre a Chaves, de Chaves a Vinhais, de Vinhais a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Freixo, de Freixo à Barca de Alva, da Barca à Régua e da Régua novamente a Vila Real, mas a que pertencem Foz-Côa, Mêda, Moimenta e Lamego — toda a vertente esquerda do Doiro até aos contrafortes do Montemuro, carne administrativamente enxertada num corpo alheio, que através do Côa, do Távora, do Torto, do Varosa e do Balsemão desagua na grande veia cava materna as lágrimas do exílio.

Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição."

 

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Douro

Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas.

Nos intervalos, apertados entre os lapedos, rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta aridez. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Veigas que alegram Chaves, Vila Pouca, Vilariça, Mirandela, Bragança e Vinhais.

 

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Freixo de Espada à Cinta

Vai ser por este “Mundo Maravilhoso” que o blog vai andar às quintas-feiras, partilhando as nossas imagens que fomos colhendo ao longo do tempo e demostrando que esta do Reino Maravilhoso, não é uma invenção do poeta, ele é mesmo uma maravilha, tendo em conta, claro que é preciso que “os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e do coração…”

 

Fica então combinado, a partir de hoje, às quintas-feiras, vou mostrar-lhes um Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não…

 

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Caretos de Podence

Já agora posso adiantar que além desta rubrica, o blog vais ter mais três novas, todas à volta da imagem e da fotografia, uma apenas de fotografia a preto e branco, outra de arte digital com base na fotografia e uma outra também de fotografia, intitulada devaneios fotográficos, em suma, poderemos dizer que é a abertura deste blog a um outro blog que temos mas que o tempo não nos deixa tratar como deveria ser suposto tratar, dai convidamo-lo a fazer aqui umas presenças, pelo menos 3 presenças mensais, a primeira fica já marcada para o final da próxima semana.

 

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Srª das Graças

Quanto a esta nova rubrica do « REINO MARAVILHOSO – Douro e entre os montes», não ira ser tão longa como a de hoje, pois terá como base apenas a imagem, nunca além das três imagens e algumas palavras.

 

 

14
Out20

Pereira de Veiga - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves

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PEREIRA DE VEIGA

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Pereira de Veiga.

 

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Como vem sendo hábito, aproveitamos esta oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções para os posts que dedicámos à aldeia, e para os quais fica link no final deste post.

 

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Pereira de Veiga que, como o topónimo indica, fica na veiga, de Chaves, ou melhor, a aldeia começa onde a veiga termina, e o contrário também é verdade, tudo depende da perspetiva ou local onde estejamos. É portanto uma das aldeias da periferia da cidade, a apenas a 3Km do centro da cidade ou a menos de 1km da entrada na cidade via E.N.2, embora não seja este o seu acesso principal, pois esse, faz-se via Campo da Roda.

 

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Embora a proximidade da cidade, a aldeia mais antiga tem todas as características de uma aldeia rural, com o seu aglomerado de casas rodeado de campos agrícolas, e na sua ruralidade, a única modernidade que destoa, é mesmo a central elétrica, que abastece de eletricidade grande parte da cidade de Chaves.Mas hoje não estamos aqui para falarmos das Pereira de Veiga, pois isso, já o fomos fazendo ao longo dos vários posts que lhe dedicamos, hoje estamos aqui pelo seu vídeo resumo.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Pereira de Veiga que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e não esqueçam que agora também podem ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607.

 

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pereira de Veiga:

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-veiga-chaves-portugal-1730125

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-veiga-chaves-portugal-1260972

https://chaves.blogs.sapo.pt/290767.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Pereiro de Agrações.

 

 

 

11
Out20

O Barroso aqui tão perto - Nogueira

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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NOGUEIRA

 

Hoje no Barroso aqui tão perto, vamos até a aldeia de Nogueira, a terceira e última aldeia da freguesia de Ardãos e Bobadela, aqui bem pertinho de nós (cidade de Chaves), a apenas 18.3Km. Não queremos ser repetitivos, mas aquilo que dissemos sobre Ardãos e Bobadela, dada a proximidade das três aldeias, também se aplica a Nogueira, principalmente o seu enquadramento e relacionamento que tem com a Serra do Leiranco e com o vale do Alto Terva, daí os próximos capítulos são um bocadinho daquilo que já dissemos para as outras aldeias da freguesia.

 

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Nogueira fica precisamente entre as duas aldeias que dão nome à freguesia, Ardãos e Bobadela, ficando a 1.800m de Ardãos e a 700m de Bobadela.  é a freguesia localizada mais a norte do concelho de Boticas e faz uma “incursão”, como se tivesse ficada entalada, entre o concelho de Montalegre e o concelho de Chaves, ficando o limite da freguesia bem próximo das aldeias de Meixide (Montalegre) e de Castelões, Calvão, Seara Velha, Soutelo, Noval, Pastoria, Casas Novas e Redondelo, estas todas do concelho de Chaves e a menos de 2Km do limite desta freguesia barrosã, com a Pastoria a menos de 500m de distância.

 

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A par da aldeia de Sapelos, da freguesia de Sapiãos, é também a freguesia que se abre para o vale do Alto Terva, a acompanhar o rio Terva que, em termos de peixe só “dá bogas e às vezes trutas” e só nalguns troços do rio, mas que, desde a ocupação romana,  é conhecida pela riqueza em ouro do seu subsolo, pelo menos os romanos exploram neste vale algumas minas deste metal precioso, construíram uma cidade (Batocas) e fizeram passar por ela importantes vias romanas e/ou importantes ligações à Via Romana XVII, que ligava Bracara (Braga) a Asturica (Astorga), com passagem por Aquae Flaviae (Chaves).

 

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Vale do Alto Terva onde existe um parque arqueológico, com alguns passadiços, miradouros, vestígios das antigas minas de ouro, como o poço das Freitas, ou vestígio da antiga cidade de Batocas, gravuras, castros, etc. Mas desde já fica um conselho, se não conhece o vale do Terva, não se aventures a ir para lá às cegas, que o mais provável é não encontrar nada ou mesmo perder-se. Na aldeia vizinha de Nogueira, Bobadela, junto à Igreja/cruzeiro, há um posto de informações com muita documentação, mapas, rotas (natura, das vias antigas, das gravuras, das minas, dos castros e das aldeias) e demais informações. Penso mesmo que fazem visitas guiadas ao Parque Arqueológico. Antes de se aventurar por lá sozinho, vá com alguém que conheça ou passe por este posto de informações.

 

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Como já perceberam esta aldeia de Nogueira é uma aldeia bem próxima da cidade de Chaves mas nada tem a ver com a Nogueira da Montanha de Chaves. Para se ir até lá, Nogueira de Boticas, temos dois acesso possíveis, mas, curiosamente,  ambos mais ou menos à mesma distância. Um dos acessos é via EN103, estrada de Braga, passando por Curalha, Casas Novas, S. Domingos, Sapelos (já de Boticas) e a seguir a esta aldeia irá atravessar uma ponte sobre o rio Terva onde logo a seguir terá uma saída à direita (M507), por onde terá de percorrer 1,7Km para chegar a Nogueira. A outra alternativa, é com saída por Casas dos Montes, Valdanta, Soutelo, Seara Velha, Ardãos (já em Boticas), e logo a seguir temos Nogueira. Nós recomendamos este último itinerário, mas o melhor mesmo, é ir por um itinerário e regressar pelo outro, e aí tanto faz. Fica o nosso mapa para melhor poderem localizar a aldeia e ver como é mesmo perto da cidade de Chaves.

 

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Nogueira fica implantada já em plena Serra do Leiranco, logo no início da sua encosta vira da nascente, a uma altitude a rondar os 600m, uma serra que embora muitas vezes fique vestida de branco no inverno, protege a aldeia dos ares frios vindos do grande planalto do Larouco e do restante Barroso. É uma aldeia que há muito conhecíamos das nossas inúmeras passagens, mas como sempre vamos dizendo, só passar, não nos dá a conhecer a aldeia. É preciso parar, entrar na sua intimidade, demorarmo-nos por lá o tempo que tiver de ser, e se possível, conversar com os seus residentes, só assim poderemos ficar com algum conhecimento dela, e esta aldeia, tal como as outras duas da freguesia,  surpreendeu-nos pela positiva. Sinceramente gostámos daquilo que vimos e que vamos deixando aqui um pouco em imagem. Uma aldeia com gente simpática, com que tivemos oportunidade de conversar e desfrutar das conversas e que nos levaram à descoberta de alguns pontos de interesse que sem a dica e indicação dos residentes, talvez não tivéssemos descoberto ou ficar a saber do que se tratava e da importância para a aldeia.

 

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Então vamos lá entrar em Nogueira, recordando um pouco o dia 19 de julho de 2018, eram 8H00 (da manhã) quando lá chegámos, num dia coberto de nuvens que na serra do Leiranco era nevoeiro espesso, mas mesmo assim, convém recordar que estávamos numa aldeia, onde as pessoas têm por hábito levantarem-se cedo, daí já haver muita gente nas ruas, que ao saber ao que íamos, nos iam indicando as coisas bonitas para ver, a igreja, as capelas, o calvário, o cruzeiro, etc.

 

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E lá fomos andando e descobrindo, mas como sempre, há pessoas mais dadas às conversas, que gostam de nos mostrar e levar até aquilo que eles acham ser do nosso interesse. Ao longo das ruas não precisamos de nos anunciar, os cães, à nossa aproximação, como estranhos que somos, dão sempre o aviso, tem aquele ladrar de dizer “anda aqui gente”, cumprem a sua missão, mas depois vêm ter connosco e dentro do seu território, até nos fazem companhia.

 

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Já junto ao calvário encontrámos o Sr. Amaro, mas ao qual todos chamam Mário, perguntámos-lhes pelo que era feito do sol… “ele lá vem, hoje vem mais tarde…” por acaso até nem veio, e acrescentou “mas entra hoje o quarto-crescente e é capaz de mudar o tempo”. Pois sinceramente, para a fotografia dentro das aldeias, prefiro os dias encobertos aos dias de sol intenso, desde que haja luz. E a luz também se vai fazendo nestas conversas, como por exemplo a do Sr. dos Aflitos, que estava mesmo à nossa frente e não dávamos por ele. “Tem muita visita, gente de fora e emigrantes, quando estão aflitos, lembram-se dele…”, dizia-nos o Sr. Amaro a quem todos chamam Mário.

 

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Nestas nossas andanças pelas aldeias do Barroso, sem conversas, despachamos a coisa em menos de uma hora, e em Nogueira estivemos quase a cumprir. Depois da conversa com o Sr. Amaro ao qual todos chamam Mário, demos a missão como cumprida, já estávamos de partida quando passamos por uma casa cuja decoração e pintura da fachada nos chamou a atenção. Claro que tivemos de parar para fazer o registo e, continuaríamos para Bobadela se não tivéssemos encontrado a Dona Natividade com a qual estivemos mais de uma hora na conversa.

 

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A Dona Natividade que nos contou montes de estórias, alguma a envolver o seu nome, “o meu nome é fraco”, isto por não ser muito vulgar, era o único nas redondezas e só encontrou uma vez em Chaves um senhora com o mesmo nome. Com 88 anos, pedi-lhe para repetir a idade, pois parecia ter muito menos, e confirmou, 88 anos, e acrescentou “aqui o sossego da terra vale muito”. Pela certa que sim, bem mais sossegados que os anos que passou em França como emigrante, isto nos anos 60/70 do século passado, mas onde ainda tem filhos, netos e bisnetos. Contou-nos muitas estórias, sobretudo estórias que a sua “Vó” lhe contava, e ia-nos dizendo, “Quando eu era garota pequena os velhinhos diziam tantas coisas… a minha Vó dizia-nos: Olhai meus filhos, nada entra aqui no nosso povo, e porque Vó, perguntava eu, e ela dizia-me, olha, porque o diabo já andou para entrar na nossa aldeia, mas dizem que não conseguiu entrar, porque na “estaca do argueiro” está a N. Sr.ª do Alívio, no fundo do povo está o S. Caetano, lá em cima tem o Sr. dos Aflitos, ao pé da serra, ali em cima, tem a capela da Senhora das Graças”.

 

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É o diabo não se deve dar muito bem por estas bandas, pois aqui, só nas redondezas desta aldeia, num circulo de 5km de raio, há pelo menos 5 santuários (S.Caetano, Srª do Engaranho (Castelões), Srª da Aparecida (Calvão) Srª das Neves (Ardãos), Sr. dos Milagres (Sapelos), então igrejas, capelas, nichos e alminhas, nem se fala...  “Já dizia a minha Vó”, continuava a Dona Natividade “Olhai meus filhos quando os homens andarem feitos pássaros a voar lá pelo ar e em cavalos cegos pela estrada fora, preparai-vos para o fim do mundo que está próximo… homens que matam filhos, pais que derrotam as filhas, eu às vezes até fecho a televisão…” . Aproveitámos a chegada do padeiro de Faiões, o padeiro do trigo de quatro cantos, para nos despedirmos da Dona Natividade.

 

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E agora passemos ao que dizem os documentos, mais precisamente ao que encontrámos sobre Nogueira na monografia “Preservação dos Hábitos Comunitários das Aldeias do Concelho de Boticas”.

 

Castro de Nogueira

Designação: Castro de Nogueira

Localização: Nogueira (Bobadela)

Descrição: o Castro de Nogueira fica no topo dum alto cabeço cónico por cima e a NO da aldeia de Nogueira, freguesia de Bobadela.

O acesso a este castro pode fazer-se pelo estradão até à Casa Florestal, dali aos lameiros da Serra, à Salgueira, e uns 200 m acima encontra-se um caminho e carro de bois que leva ao alto, junto das muralhas do castro, quase todas alagadas, embora haja algumas porções que ainda têm 1 m de altura.

No topo do castro existem indícios de aí terem existido casas. No que se refere às muralhas, estas encontram-se muito derruídas e quase imperceptíveis, não sendo possível aferir a sua dimensão. Foram encontrados vários pedaços de cerâmica neste espaço.

Perto do castro, do lado Nascente, encontra-se um ribeiro

 

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Festas e Romarias

Santa Cruz,* 03 de Maio,

São Caetano,* 1º Domingo de Agosto,

 

Património Arqueológico

Castro de Nogueira

 

Património Edificado

Calvário

Capela de S. Mamede

Cruzeiro

Forno do Povo de Nogueira

 

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As Lamas / Lameiras do Povo ou do Boi

(...)

Em algumas aldeias existem lamas/lameiras do povo ou do boi, propriedade comum da aldeia. Nas aldeias onde existiu boi do povo, estas propriedades garantiam parte da sua alimentação, sendo utilizadas como pastagem e para a produção de forragens (feno). Actualmente, estas propriedades, geridas pelas Juntas de Freguesias ou pelos Conselhos Directivos dos Baldios, são arrendadas aos lavradores que delas precisem. Anualmente, ou de cinco em cinco anos, como acontece em Nogueira (Bobadela), são postas a leilão e arrematadas por quem fizer melhor oferta, pois como costumam dizer “quem mais dá, mais amigo é do Santo”.

 

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A água

(…)

As aldeias de Bobadela e Fiães do Tâmega, que partilhavam água com as aldeias vizinhas (Nogueira e Veral), recorrendo a determinadas estratégias, conseguiram ficar na posse dela. Na freguesia de Bobadela, ficou na memória dos aldeãos a história do “Santo Ladrão”. Conta a história que, há muitos anos atrás, no tempo dos antigos, Bobadela e Nogueira dividiam entre si uma água que vinha da Serra do Leiranco. Os de Bobadela achavam que aquela água lhes pertencia por direito e que não tinham que partilhá-la com os de Nogueira, pois estes já tinham muita água, doutras nascentes dessa Serra. Assim, arranjaram um estratagema para ficarem com a água toda, sem que os de Nogueira pudessem contestar tal apropriação. Um dia, juntaram-se as pessoas de ambas as aldeias, dirigiram-se à Serra, ao tornadouro de divisão das águas e combinaram deitar metade da água para Bobadela e a outra metade para Nogueira. A aldeia onde a água chegasse primeiro, ficava com ela. O sinal da chegada da água era o toque do sino da capela, em Nogueira, ou da capela de S. Lourenço, em Bobadela. Ora, os moradores de Bobadela, já com ela fisgada, ainda a água vinha longe, já eles estavam a tocar o sino. Os de Nogueira aceitaram a sentença, mas, convencidos que tinha havido batota, passaram a chamar-lhe o Santo Ladrão.

 

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(…)

Todos os regantes, para poderem usufruir dos seus direitos de água, estão obrigados a participar nos ajuntamentos dos regos, sob pena de não poderem regar. Na prática, isso não acontece. O faltoso, nalgumas situações, apenas se arrisca a uma reprimenda verbal; noutras aldeias, como por exemplo Nogueira, quem, por algum motivo, não possa participar nestes ajuntos pode “compensar” os regantes que o fizeram, fazendo outro trabalho a favor da comunidade, como por exemplo limpar uma fonte ou um tanque.

 

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Há ainda, como acontece em Nogueira (Bobadela) aqueles que têm água e não têm terrenos para regar. Então, dão a água a um vizinho que precise e este, em troca, dá-lhe batatas, dinheiro, etc. Há alguns anos atrás, tentaram alterar o sistema de atribuição da água de rega, de forma a dividirem-na apenas entre os que tivessem terras. Todavia, os que não tinham terras não abdicaram do seu direito à água e depressa se voltou ao sistema dos antigos.

 

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O Gado

(...)

Acontecia, por vezes, em algumas aldeias, como por exemplo em Valdegas (Pinho) e em Nogueira (Bobadela), as pessoas mobilizarem diferentes recursos para poderem criar gado. Existia um sistema, o chamado gado a meias, em que um era dono dos animais e o outro detinha os recursos para a sua alimentação, ou garantia o seu pastoreio. Os lucros obtidos, por exemplo com a venda de crias, eram divididos pelos dois.

 

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E ficamos por aqui, neste tão longo post, mas muito mais haveria para dizer e imagens para mostrar. Fica para uma próxima oportunidade. Agora fica o vídeo, com um resumo apenas em imagem deste post. Espero que gostem

 

 

 

Agora este e outros vídeos do Barroso e região, também podem ser vistos no MEO Kanal nº 895 607

 

Quanto a aldeias do Barroso de Boticas, no próximo domingo teremos aqui o post da freguesia de Ardãos e Bobadela, à qual também pertence a aldeia de Nogueira.

 

 

10
Out20

Pereira de Selão - Chaves - Portugal

Aldeias do Concelho de Chaves

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PEREIRA DE SELÃO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Pereira de Selão.

 

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Aldeia de Pereira de Selão que fica localizada dentro do grande triângulo que tem como vértices a cidade de Chaves, Vidago e Peto de Lagarelhos e como lados a EN2, EM311 e a M314.

 

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Tem como aldeias mais próximas a aldeia de Vilas Boas, Fornos, Valverde e Redial, no entanto, quem prende os seus olhares, é mesmo a Capela do santuário de Stª Bárbara, junto a Ventuzelos, santuário desde o qual, logo no sopé da montanha, se avista o todo da aldeia de Pereira de Selão. A nossa primeira foto de hoje é tomada desde Stª Bárbara.

 

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Mas como todas as aldeias, para a ficarmos a conhecer minimamente, temos mesmo que entrar na sua intimidade, percorrer as suas ruas e se possível conversar um bocadinho com os seus residentes que às vezes nos levam até outras descobertas preciosas. A partida da cidade de Chaves, o melhor acesso para esta aldeia é via EN2 até Bóbeda, logo a seguir encontrará o desvio para Redial, e após esta aldeia terá Pereira de Selão, a menos de 12 km de Chaves. Se for por lá, à vinda, não volte para trás, saia junto à lagoa das antigas minas em direção a Vilas Boas, suba em direção a Ventuzelos e antes de entrar nesta última aldeia, suba até Stª Bárbara e demore-se por lá o que tiver a demorar-se, pois as vistas entram dentro de quase todos os concelhos vizinhos de Chaves, incluindo os galegos.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falar da aldeia, isso já o fomos fazendo ao longo da existência deste blog, em vários posts para os quais fica link no final. Hoje estamos aqui pelo vídeo resumo com todas as imagens da aldeia de Pereira de Selão que foram publicadas até neste blog. Espero que gostem .

 

Aqui fica:

Agora, este e outros vídeos de Chaves e da região, também pode ser visto no MEO KANAL nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pereira de Selão:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-selao-chaves-portugal-1725437

https://chaves.blogs.sapo.pt/pereira-de-selao-1426074

https://chaves.blogs.sapo.pt/276194.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/52953.html

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Pereira de Veiga.

 

 

 

09
Out20

O Barroso aqui tão perto - Negrões

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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Negrões

 

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Negrões, Montalegre.

 

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Como habitual aproveitamos a oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção, aquando do seu post.

 

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Negrões, uma das aldeias que esta na margem da barragem do Alto Rabagão, ou Pisões se preferirem, com o seu casario quase a entrar pela água adentro, sendo o contrário também verdade.

 

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Mas sobre Negrões já dissemos tudo que tínhamos para dizer no post que lhe dedicámos e para o qual fica link no final deste post. Hoje estamos aqui pelo vídeo que faltou nesse mesmo post.

 

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Vídeo que vai já ficar de seguida e que reúne todas as imagens de Negrões publicadas neste blog até hoje, incluindo as deste post. Aqui fica, espero que gostem:

 

 

Este e outros vídeos do Barroso e região de Chaves, também pode ser vistos no MEO KANAL Nº 895607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Negrões:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Nogueiró.

 

 

04
Out20

O Barroso aqui tão perto - Bobadela

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BOBADELA – BOTICAS

 

E porque hoje é domingo, como vem sendo habitual, com algumas exceções, vamos até ao Barroso aqui tão perto. Ultimamente e até concluirmos, temos andado pelo concelho de Boticas, de freguesia em freguesia, com as suas respetivas aldeias. No último domingo andámos pela freguesia de Ardãos e Bobadela, mais precisamente na aldeia de Ardãos. Hoje vamos até Bobadela, e para o próximo domingo, para concluirmos a freguesia, iremos até Nogueira.

 

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Ardãos e Bobadela é a freguesia localizada mais a norte do concelho de Boticas e faz uma “incursão”, como se tivesse ficada entalada, entre o concelho de Montalegre e o concelho de Chaves, ficando o limite da freguesia bem próximo das aldeias de Meixide (Montalegre) e de Castelões, Calvão, Seara Velha, Soutelo, Noval, Pastoria, Casas Novas e Redondelo, estas todas do concelho de Chaves e a menos de 2Km do limite desta freguesia barrosã, com a Pastoria a menos de 500m de distância.

 

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A par da aldeia de Sapelos, da freguesia de Sapiãos, é também a freguesia que se abre para o vale do Alto Terva, a acompanhar o rio Terva que, em termos de peixe só “dá bogas e às vezes trutas” e só nalguns troços do rio, mas que, desde a ocupação romana,  é conhecida pela riqueza em ouro do seu subsolo, pelo menos os romanos exploram neste vale algumas minas deste metal precisos, construíram uma cidade (Batocas) e fizeram passar por ela importantes vias romanas e/ou importantes ligações à Via Romana XVII, que ligava Bracara (Braga) a Asturica (Astorga), com passagem por Aquae Flaviae (Chaves).

 

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Vista parcial de Bobadela desde a Serra do Leiranco

Vale do Alto Terva onde existe um parque arqueológico, com alguns passadiços, miradouros, vestígios das antigas minas de ouro, como o poço das Freitas, ou vestígio da antiga cidade de Batocas, gravuras, castros, etc. Mas desde já fica um conselho, se não conhece o vale do Terva, não se aventures a ir para lá às cegas, que o mais provável é não encontrar nada ou mesmo perder-se. Em Bobadela, junto à Igreja/cruzeiro, há um posto de informações com muita documentação, mapas, rotas (natura, das vias antigas, das gravuras, das minas, dos castros e das aldeias) e demais informações. Penso mesmo que fazem visitas guiadas ao Parque Arqueológico. Antes de se aventurar por lá sozinho, vá com alguém que conheça ou passe por este posto de informações.

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Como já perceberam esta aldeia de Bobadela é uma aldeia bem próxima da cidade de Chaves mas nada tem a ver com a Bobadela de Monforte de Chaves. Daí que em tempos e ainda hoje, às vezes se referem a ela como Bobadela do Barroso que, para se ir até lá, basta percorrer 19.6 Km, isto a partir da cidade de Chaves, com dois acesso possíveis, mas, curiosamente,  ambos à mesma distância. Um dos acessos é via EN103, estrada de Braga, passando por Curalha, Casas Novas, S.Domingos, Sapelos (já de Boticas) e a seguir a esta aldeia irá atravessar uma ponte sobre o rio Terva onde logo a seguir terá uma saída à direita (M507), por onde terá de percorrer pouco mais de 1Km para chegar a Bobadela (do Barroso). A outra alternativa, é com saída por Casas dos Montes, Valdanta, Soutelo, Seara Velha, Ardãos (já em Boticas), Nogueira e finalmente Bobadela. Nós recomendamos este último itinerário, mas o melhor mesmo, é ir por um itinerário e regressar pelo outro, e aí tanto faz. Fica o nosso mapa.

 

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Bobadela fica encostadinha à Serra do Leiranco, mesmo nas suas faldas, a uma altitude a rondar os 600m, uma serra que embora muitas vezes fique vestida de branco do inverno, protege a aldeia dos ares frios vindos do grande planalto do Larouco e do restante Barroso. É uma aldeia que há muito conhecíamos das nossas inúmeras passagens, mas como sempre vamos dizer, só passar, não nos dá a conhecer a aldeia. É preciso parar, entrar na intimidade da aldeia, demorarmo-nos por lá o tempo que tiver de ser, só assim poderemos ficar com algum conhecimento dela, e esta aldeia, na sua intimidade, surpreendeu-nos pela positiva. Sinceramente gostámos daquilo que vimos e que vamos deixando aqui um pouco em imagem. Uma aldeia limpinha e mesmo sem jardins, é uma aldeia ajardinada, cheia de ruas floridas e gente simpática, com que tivemos oportunidade de conversar e desfrutar das conversas. Penso que nas imagens que hoje vos deixo, são bem ilustrativas destas palavras.

 

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E agora passemos ao que dizem os documentos, aproveitando para a agradecer à Câmara Municipal de Boticas, na pessoa da sua Vereadora da Cultura, o ter-nos disponibilizado os mapas do concelho e muita da informação que vamos deixando por aqui, nomeadamente a que vem nos cadernos de cada freguesia, integrados na monografia “Preservação dos Hábitos Comunitários das Aldeias do Concelho de Boticas”, de onde retirámos toda a informação que deixaremos a seguir.

 

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Ainda antes de passarmos ao que se diz nos documentos, fica o aviso que as informações neles contidos poderá não estar atualizada, nomeadamente no que diz respeito ao número de população residentes e alguns estabelecimentos comerciais e outros nele referidos, pois este documento que vamos transcrever de seguida, é datado de maio de 2006.

 

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A FREGUESIA DE BOBADELA: GEOGRAFIA E PERPECTIVA HISTÓRICA

 

A freguesia de Bobadela situa-se na parte Nordeste do concelho de Boticas. Confronta com várias freguesias: a Norte Ardãos, a Este e a Sul com Sapiãos e a Oeste Cervos, do concelho de Montalegre. Ocupa uma área total de 14,7 Km2, sendo constituída por duas povoações, Bobadela, sede da freguesia, e Nogueira. Dista da sede do concelho aproximadamente 7 km. O acesso viário faz-se se-  guindo pela EN 312 até Sapiãos. Apanha-se, depois, a EN 103 na direcção de Chaves, virando-se onde surge a placa com a indicação de Bobadela e percorrendo a EM 527.

 

As aldeias de Bobadela e Nogueira encontram-se separadas entre si 1 km, aninhadas na base da encosta Este da Serra do Leiranco e protegidas a Oeste pela montanha. Os campos de cultivo estendem-se à sua volta ao longo do vale do Terva, uma zona plana e fértil.

 

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População, Economia e Sociedade

O desenvolvimento da população desta freguesia de Bobadela acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipificada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária invertida, onde os grupos etários mais baixos são diminutos e a população envelhecida aumenta.

 

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Actualmente, tem aproximadamente 354 residentes. Esta freguesia, que à semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho perdeu muita da sua população residente nos últimos 40 anos, é uma das freguesias em que este fenómeno atingiu proporções mais alarmantes, atingindo o valor de 73,5%, sendo que na década de 60 a 70 perdeu mais de metade da sua população. Estes valores são em parte explicados pela intensificação dos fluxos migratórios que se registaram a partir da década de 60, nomeadamente para França, Estados Unidos da América, Suíça e Alemanha.

 

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Esta é também uma das freguesias que apresenta uma maior tendência para envelhecimento da sua população residente, sendo que 72 % dos 311 residentes têm idade superior a 25 anos.

 

Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, sendo que 20% da população residente não tem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional é suportada pelo elevado número de idosos, alguns deles regressados da emigração, em situação de aposentados.

 

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A área de actividade económica dominante entre a população local é a agricultura e a pecuária, seguindo os caminhos ancestrais da freguesia e visando apenas a subsistência.

 

Algumas famílias continuam a actividade tradicional de criação de gado e produção de batata e centeio, os produtos que melhor se desenvolvem e produzem nesta região de Barroso, com elevados níveis de qualidade e sabor. Também a produção artesanal de mel e fumeiro está em vias de desenvolvimento, funcionando como complementaridade no rendimento das famílias. Parte da população trabalha na construção civil, no pequeno comércio local (cafés e mercearias), em empreendimentos locais como oficinas de mecânica ou a fábrica do fumeiro (Fumeinor) e outros ainda na área dos serviços e indústria em instituições do concelho (Município de Boticas, Santa Casa de Misericórdia de Boticas, Euronete, etc).

 

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No que se refere à sociedade, esta comunidade é caracterizada pela existência de famílias de lavradores, pequenos proprietários de terras onde se desenvolve a actividade agrícola e pecuária e por pequenos empresários e comerciantes. É uma sociedade homogénea com alguns quadros médios que se dedicam à actividade comercial e desenvolvem actividade no ensino e na vida administrativa nas terras vizinhas, designadamente na sede do concelho.

 

Em termos associativos existe na freguesia a Associação Recreativa e Cultural de Bobadela.

 

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Marcas do seu Passado

Não é fácil conhecer a data da origem da maioria das paróquias e freguesias, sendo a sua origem desconhecida no tempo por não haver provas documentais. Umas mais antigas, outras de origem mais recente, sabe-se que a maioria destas aldeias foram formadas a partir do agrupamento de famílias unidas por laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade. Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal, em 1143, e posterior fixação de uma ou mais famílias de povoadores. Teve particular desenvolvimento a partir do século XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento cujos termos do contrato lhes eram favoráveis e se traduziam em pagamentos pouco relevantes. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos.

 

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São conhecidos alguns contratos de aforamento para as terras de Barroso que nos permitem pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento[i]. Alguns contratos de aforamento são disso testemunho, como é o caso do aforamento da "Póvoa" de Lavradas, feito no inicio do segundo quartel do século XIV, no tempo do Rei D. Dinis, e que, tudo o indica, está na origem da actual aldeia de Lavradas.

 

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De facto, por este documento fundador de Lavradas verifica-se que foi terra ocupada a partir de uma carta de aforamento passada pelo Rei de Portugal a um conjunto de povoadores que, com suas mulheres, receberam autorização de Sua Majestade para formarem 11 casais (propriedades agrícolas) que deveriam povoar, lavrar e frutificar a troco de um foro (renda), traduzido em dois maravedis e dois alqueires de pão (um de milho outro de centeio) por casal, que deveriam pagar pelo S. Martinho.

 

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Bobadela ou Bobadela de Barroso, como também era conhecida, tem, porém, vestígios que informam a presença de habitantes de época pré-romana. A paróquia de Bobadela já existiria no século XIII, altura em que foi instituída pelo arcebispo de Braga. Foi comenda da ordem de Cristo.

 

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Nos inícios do século XVI, em 1527, aparece já como terra consolidada na sua organização comunitária. No "Numeramento" mandado fazer por D. João III, Bobadela é habitada por 21 moradores e Nogueira 28 moradores, o que dá uma população aproximada de 200 habitantes[ii].

 

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Os Castros de Bobadela

No território da actual freguesia de Bobadela estão identificados dois castros que testemunham a presença humana muito antes da independência de Portugal. O castro de Nogueira, situado entre a serra de Bobadela e Nogueira, perto da ribeira das Lameiras da Serra. Este monumento, embora reduzido a um aglomerado de pedra, restos de suas construções e muralha, é uma marca da antiguidade do povoamento desta freguesia. Outra marca do passado antigo de Bobadela é o castro de Bobadela ou do Brejo. Os vestígios deste são ainda menos expressivos que os de Nogueira.

 

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O Poço das Freitas

O Poço das Freitas, também denominado pelos habitantes locais por Poço do Limarinho, constitui um local de interesse turístico da freguesia de Bobadela. Pela sua peculiaridade e raridade, constitui a maior obra produzida pelo Homem no concelho de Boticas na conquista da exploração do ouro nas minas e no aluvião, da qual resultaram admiráveis cortas e lagoas.

 

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Um Documento de 1758

No ano de 1758 o Rei D. José, através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IAN/TT.

 

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Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes: a primeira respeitante à paróquia, onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e cape-las com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas características, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores; a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas, represas, moinhos, pisões e culturas nas suas margens. É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa de como era a freguesia de Bobadela nos meados do século XVIII, como abaixo se pode ver. Esta memória paroquial é particularmente rica de informação, o que nos permite até imaginar como seria a vida desta comunidade paroquial.

 

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É a resposta dada pelo pároco da freguesia de Bobadela, nesse ano o Reitor António Alvares Monteiro, que adiante apresentamos. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuação e parágrafos.

 

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  1. Fica dentro da província de Trás-os-Montes, arcebispado de Braga, comarca de Guimarães, termo da vila de Montalegre, freguesia de São Miguel de Bobadela.
  2. Pertence esta igreja à collação do ordinário deste Arcebispado de Braga.
  3. Tem cento e trinta e nove vizinhos e trezentas e setenta e oito pessoas.
  4. Está situada em campo, dela apenas se avistam a freguesia de Sapiãos e a de Ardãos, com quem parte. Dista de cada uma delas uma meia légua.
  5. O [seu] termo é somente uma légua que parte com as referidas duas freguesias.
  6. A igreja paroquial está no fim deste lugar de Bobadela. Tem somente outro lugar chamado Nogueira.
  7. O orago é São Miguel. [A igreja] tem três altares: o maior de São Miguel; os colaterais, um da Senhora do Rosário e o outro da imagem do Santo Cristo. Não há irmandades.
  8. O pároco é reitor da collação do Ordinário Braga, que renderá cento e quarenta mil reis.
  9. Apresenta a igreja de Ardãos e a de Soutelo, cada uma delas renderá uns cem mil réis. A de São Jorge renderá sessenta mil réis.

 

1600-bobadela (21)

 

  1. Não há conventos.
  2. Não tem hospitais.
  3. Não tem casa de Misericórdia.
  4. Tem três ermidas: uma de São Lourenço que fica por cima deste lugar de Bobadela, a de Santo António que fica dentro do lugar de Nogueira e a de Santa Cruz que fica por baixo do dito lugar de Nogueira; pertencem aos vizinhos que as fabricam.
  5. Não acodem a elas romagens a não ser no dia em que celebram as suas imagens.
  6. Os frutos desta terra são: centeio, milho, vinho, legumes e castanhas.
  7. Tem juiz espadaneo subordinado ao juiz de fora da vila de Montalegre.
  8. Não é couto, nem cabeça de conselho, nem honra ou behtria.
  9. Não há memória que desta terra saíssem alguns homens ilustres, em virtudes, letras ou armas.
  10. Não tem feiras.

 

1600-bobadela (20)

 

  1. Não tem correio, serve-se do correio da vila de Chaves que dista [deste lugar] duas léguas e um quarto.
  2. Dista da cidade de Braga, capital deste Arcebispado, treze léguas, e de Lisboa, capital do Reino, perto de oitenta léguas.
  3. Não tem privilégios, nem antiguidades.
  4. Não há fonte nem lagoa célebre.
  5. Fica distante do mar mais de vinte léguas.
  6. Não é murada.
  7. No terramoto de 1755, caiu apenas uma [costa] da capela mor da igreja que logo se reparou.
  8. Não há coisa alguma digna de memória.

 

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  1. Tem esta freguesia uma serra chamada Leiranco.
  2. Terá uma légua de comprimento e quase outra de largura, principia no Termo de Ardãos e finda no de Sapiãos.
  3. Não tem braços.
  4. Nasce nela um regato e algumas fontes que correm para o nascente.
  5. Não tem povoações de vilas ou lugares.
  6. Não tem fontes de propriedades raras.
  7. Não tem minas de metais, nem canteiras de pedra ou materiais de estimação.
  8. Não tem plantas ou ervas medicinais. Não é cultivada. Só tem lenha de urze e carcheijão.
  9. Não tem mosteiro, nem igreja, romagem nem imagens.
  10. É muito fria por ficar alta e quando neva fica coberta.
  11. Só cria coelhos e algumas perdizes.
  12. Não tem lagoa nem fojo.
  13. Não tem mais nada que seja digno de registo.

 

1600-bobadela (12)

 

  1. Tem um rio chamado Terva que nasce na serra da freguesia de Ardãos e de Calvão.
  2. Nasce com pequena corrente e corre todo o ano.
  3. Não desagua nele nenhum rio.
  4. É rio que não tem barca, só uma ponte que se chama Pedrinha.
  5. Só quando há tempestades é que não se pode passar a vau, o resto do tempo passa-se por ser pequeno.
  6. Corre de norte para sul.
  7. Como é de pouca água só cria algumas bogas.
  8. Não tem pescarias.
  9. Como não as há nele não podem ter senhorio.
  10. Como é pequeno, cultivam-se as terras junto ás margens. Não tem arvoredos.
  11. As suas águas não têm virtudes especiais.
  12. Sempre conserva o mesmo nome.
  13. Desagua no rio Tâmega por baixo da freguesia de Pinho.
  14. Não tem presas nem açudes.
  15. Só tem a ponte de Pedrinha de cantaria no termo deste lugar de Bobadela.
  16. Só tem alguns moinhos.
  17. Não consta que se tirasse ouro das suas áreas.
  18. Os povos usam as suas águas livremente para cultura dos campos.
  19. Terá três léguas donde nasce até onde desagua no rio Tâmega. Passa pela freguesia de Sapiãos, Granja, Eiró e Pinho.
  20. Perto da corrente deste rio, no termo do lugar de Nogueira desta freguesia, onde se chamam as Freitas há uma lagoa e [catas] ao pé dela, dizem que foram minas que os romanos tiraram delas ouro ou prata. E não há mais nada digno de memória nesta freguesia.

 

E por passar na verdade fiz esta que juro in verbo sacerdotis, Bobadela, 10 de Março de 1758, que assinei com os Reverendos párocos mais próximos.

O Reitor António Alvares Monteiro

O Pároco de Santo André de Ardãos Álvares

O Reitor de S. Pedro de Sapiãos Domingos Gonçalves.

 

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E por hoje vai sendo tudo. Hoje não deixamos por aqui algumas imagens de alguns pontos importantes fora da aldeia, como o Poço das Freitas, mas Bobadela e Ardãos ainda virão aqui de novo com o post resumo dedicado à freguesia de Ardãos e Bobadela, e nessa altura teremos aqui mais imagens. Por hoje só nos resta deixar o vídeo resumo com todas as imagens aqui publicadas, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

 

 

Agora também poderá ver este, e outros vídeos,  no MEO KANAL.

320-meokanal 895607.jpg

 

E quanto a aldeias do Barroso do concelho de Boticas, estaremos aqui de novo no próximo domingo com a aldeia de NOGUEIRA, com a qual encerraremos as aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela.

 

[i] BORRALHEIRO, Rogério, 2005, Montalegre, Memórias e História. Ed. Câmara Municipal de Montalegre. Pp. 80-70.

[ii] Tendo por base o índice de 4 a 5 habitantes por fogo. Arquivo Histórico Português, Vol. VII, nº7, Julho de 1909, p. 272.

 

 

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