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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Jul16

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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Viúvas de vivos.

 

Por vezes a angustia invade o dia de um homem! Uma lembrança, um acontecimento furtuito, pequenos nadas, transportam-nos para outros tempos.

 

Acontece que também esses tempos se assemelham aos que vivemos agora. Parece até que a natureza da história humana não muda no essencial.

 

Digo-o porque para mim o essencial não é o telemóvel nem o facebook. Pois é!

 

Não são o essencial porque não me permitem viver como gosto, no contacto quotidiano com o outro. Com o meu semelhante!

 

Mas esta opinião está a mudar.  Não tanto por agora estar mais sentado em casa que a passear pela rua, mas porque muitos dos meus familiares e amigos partiram da terra e a tecnologia sempre me permite vê-los e ouvi-los.

 

Também fiz viagens para longe da terra, mas pude regressar. Havia antes fronteiras! Muitas, diversas, mais que políticas! Foram desaparecendo, já não nos prendem.  O desígnio da região, das gentes, cumpria-se além Atlântico, na França, na Alemanha e na Suíça. Na gesta da emigração.

 

Hoje a emigração já não é o tempo das “viúvas de vivos”, da poetisa Rosalía de Castro.

 

Deixo-vos o poema:

 

Este parte, aquele parte

e todos, todos se vão

Galiza ficas sem homens

que possam cortar teu pão

 

Tens em troca

órfãos e órfãs

tens campos de solidão

tens mães que não têm filhos

filhos que não têm pai

 

Coração

que tens e sofre

longas ausências mortais

viúvas de vivos mortos

que ninguém consolará

 

Hoje partem todos, homens, mulheres, jovens e menos jovens. Os que têm crianças levam-nas com a família.

 

Existe o sentimento generalizado de que o futuro está lá fora!

 

Eu ainda não me resigno! Acredito que é um mal passageiro, que podemos aqui construir o nosso futuro.

 

Temos de mudar!

 

Francisco Chaves de Melo

 

13
Mai16

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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O dia

 

O tempo quente tarda a chegar este ano.

 

Chegou, para alegria coletiva, a subida do Grupo Desportivo de Chaves à primeira divisão. Também nos animou a abertura à circulação do túnel do Marão que, após anos de espera,  lá abriu.

 

Parece que são sinais de um tempo novo!

 

De um tempo que a cidade e o concelho há muito necessitam.

 

O centro histórico precisa de comércio e residentes. O parque de atividades precisa de empresas. Os flavienses necessitam de empregos para ganharem a vida.

 

Os automobilistas necessitam de estradas bem pavimentadas. Os residentes precisam de água e saneamento a valor mais comportável com o que ganham ao final do mês.

 

Este tempo novo exige novos protagonistas, novas vontades e nova energia.

 

Um tempo em que as Termas não voltem a fechar por mais de um ano, em que uma obra para museu da Termas Romanas demore uma eternidade e fique mal feita. Esse tempo deve constituir uma lição para que não volte a repetir-se.

 

Podemos voltar a acreditar, deixando o velho costume do deixa andar, do amanhã logo se vê.

 

Os que gostamos da nossa terra não vamos deixar escapar estes sinais de esperança num novo ciclo de desenvolvimento. Num novo ciclo de retoma populacional e de emprego. Talvez muitos não acreditem. Talvez muitos, mesmo muitos, perguntem: mas como?

 

A esses respondo que essa resposta não será dada por aqueles que levaram o concelho à perda demográfica, à diminuição do comércio e dos serviços, culminando tudo na perda de importância da nossa terra no contexto nacional e regional.

 

Os sinais são muito promissores.

 

Basta de perder tempo com conversa!

 

O tempo urge e devemos deitar mão à obra de engrandecer Chaves.

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

08
Abr16

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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Exportar Vs Emigrar.

 

É pouco conhecido do público em geral o volume de exportações que realizam as empresas a laborar no nosso concelho. Também não são conhecidos desse público os principais setores exportadores.

 

Podemos considerar que esse conhecimento não é almejado pela maioria das pessoas  mas, sem dúvida, que lhes pode interessar individualmente.

 

O interesse prende-se com a criação de riqueza e com a consequente recolha fiscal de recursos financeiros e emprego. Recursos que podem depois ser aplicados em favor da melhoria dos serviços municipais prestados aos residentes.

 

Em contrates com a exportação de bens e serviços, ou em consequência da sua debilidade, vemos sair do concelho um grande numero de residentes.

 

É por esse motivo, que quando ouço que não sabemos exportar e projetar o concelho e região no exterior, me sinto perplexo. Como pode isso ser verdade se nos debatemos com um êxodo rural crescente. Como dizer que se bens e serviços não se exteriorizam, o mesmo não ocorre com as pessoas?

 

Como entender a facilidade com que de Chaves se parta quotidianamente para os quatro cantos do mundo e exista enorme dificuldade em exportar?

 

Um amigo próximo disse-me que é muito fácil de entender. Para ele o problema não está na dificuldade em exportar os bens e serviços produzidos no concelho. O problema, para ele, está na produção em si. E tem razão! Pois, se não se produz, nada há que se possa exportar.

 

Assim, que interesse pode haver para a maioria dos empresários do concelho nas medidas de incentivo às exportações? Porque se dá tanta importância a essas medidas e menor aos incentivos fiscais, à redução dos custos das portagens, à redução da fatura energética, à diminuição dos encargos com a recolha de resíduos e fornecimento de água, à demora em obter uma consulta ou exame médico para um trabalhador de baixa médica ou à resolução de um contencioso nos tribunais?

 

Para mim também tenho como certo, em jeito de brincadeira, que também a emigração vai parar. Também menos pessoas vão sair do concelho para outros locais, pois já nascem muito poucas crianças e, se não nascem, não haverá quem parta no futuro.

 

Novas políticas, diferentes políticas, terão de ser implementadas. Políticas de estímulo às famílias e aos empresários que levem à criação de emprego e à qualificação dos trabalhadores, combinadas com apoios sociais que reduzam o custo de vida e com amenidades adequadas às empresas. Ou, não reduzindo o custo de vida, que se aumentem os salários aos trabalhadores e se reduzamos custos operacionais às empresas para lá dos salários.

 

Francisco Chaves Melo

 

 

11
Mar16

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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A discussão recorrente!

 

Existem grandes assimetrias entre o litoral e o interior do país, pelo que se mostra necessário adotar medidas que as diminuam.

 

Quantas ocasiões já se declarou isto?

 

Para iniciar, normalmente, considera-se importante a localização de unidades industriais nos territórios marcados pela interioridade, com o objetivo de criar empregos e fixar população.

 

Diga-se que não seria um mau começo!

 

Mas, e há sempre um mas, facilmente se depreende que os atuais custos da interioridade devem ser atenuados antecipadamente, sob pena de as regiões do interior se mostrarem repulsivas à produção industrial e, em consequência, às pessoas que procura emprego.

 

Também no que respeita à estrutura etária da população do interior (agrupamento de pessoas por idades), se verificam distorções que dificultam a localização de indústrias por cá. Mais concretamente, o elevado peso dos idosos na população residente do interior, obriga a pensar na escassez de mão-de-obra jovem adulta. Obriga ainda a pensar nas qualificações e na sua adequação às necessidades laborais da indústria atual (com incorporação de novas tecnologias). Assim, a atuação pública, municipal, regional ou central, deve criar como alavanca à localização de indústrias no interior, incentivos à manutenção dos residentes (por exemplo, água e saneamentos ou IMI a preços reduzidos) e cursos que requalifiquem a mão-de-obra existente e, bem ainda, um quadro de apoio à fixação de novos residentes em idade ativa.

 

É ainda necessário apoiar a localização de novas unidades industriais com recurso a incentivos fiscais e a um quadro ainda mais alargado de amenidades positivas à laboração, ao mesmo tempo que se deve também apoiar as famílias com a redução dos custo de vida, seja pela via de subsídios, seja pela redução de despesa familiares com recurso á oferta pública gratuita de serviços de educação e saúde a residentes no interior, entre outros.

 

Mas, e há sempre um mas, tudo isto custa dinheiro.

 

Deve ainda considerar-se que a indústria atual pende para projetos de capital intensivo (por exemplo, recorrendo à automatização e equipamento com tecnologia de ponta). Neste entendimento, só uma entidade financeira especializada, pode acolher os projetos que desenvolvam de forma inovadora as potencialidades do interior, desenvolvendo, concomitantemente, oportunidades de criação de postos de trabalho. Refiro-me a capital de risco ou a banca de fomento.

 

Dirão, a banca já não faz o que fazia!

 

Por fim refira-se que para atrair população ativa e atividades se revela importante a correta promoção das potencialidades destes territórios. Precisamente os nossos territórios, por estarem protegidos da alteração brutal do ambiente natural, em resultado do relativo abandono a que estiveram subordinados ao longo do tempo. A divulgação dos seus produtos autóctones pode chamar a atenção dos investidores e assim atrair investimentos. Não são raros os casos, em que um empresário se apaixonou por uma terra e nela decide investir.

 

Esta estratégia concertada de atuações diversas permitirá a criação de novos postos de trabalho, criando meios de subsistência e levando a população a permanecer no interior, evitando o êxodo rural e a concentração de habitantes no Litoral.

 

Reduzir as assimetrias permitirá novas oportunidades para todos aqueles que queiram manter as suas origens ou criar novas raízes de modo a sentirem-se realizados tanto a nível profissional como pessoal.

 

(o texto atual é totalmente devedor dos alunos da nossa terra, que defenderam estas ideias recentemente no âmbito do programa “Parlamento dos Jovens”. Só estou a divulgar o pensamento que eles próprios construíram.)

 

Francisco Melo

 

 

22
Jan16

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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O Inverno do nosso descontentamento!

 

A nossa cidade foi maior! É difícil fugir, nos dias de hoje, ao sentimento de perda. Já fomos vaidosamente orgulhosos por nos considerem a cidade mais dinâmica para cá do Marão.

 

Tal como Ethan temos a consciência que já perdemos a fortuna, restando agora apenas o arrastar penoso na contenção de dívidas, para não sucumbirmos aos credores do município. A gestão da cidade ressente-se do atual estado das finanças municipais. O estatuto do município na região e no país é agora mais limitado.

 

Este estado psicológico, levou a gestão anterior (e a atual), a cometer os erros que cavaram ainda mais fudo o futuro da capacidade municipal em servir bem os flavienses nas suas necessidades quotidianas. Padrões normais de responsabilidade foram quebrados! Foram quebrados quando o Presidente utilizou o montante dos pagamentos que todos efetuamos à Câmara pelo abastecimento de água e saneamento às nossas casas para financiar obras a exalçar o ego. Milhões foram utilizados sem se acautelar as autorizações da Assembleia Municipal no respeitante aos encargos futuros. Basicamente, o Presidente da Câmara, efetuou sem autorização de ninguém, um empréstimo de longo prazo, de montante livre, sem negociar as taxas de juro, nem os prazos de pagamento. Se isto não é completa desresponsabilização dos deveres públicos não sei o que o poderá ser.

 

Agora, os credores obrigaram a Câmara a pagar esse empréstimo, pois de um empréstimo se tratou, com um prazo de pagamento de mais de 15 anos e taxas de juro que se vieram afixar à volta dos 4%, no final.

 

Isto deveu-se, na minha opinião, à incapacidade que a gestão municipal demostrou para obter recursos do governo central. Optou-se sempre pelo facilitismo. Agora temos as dívidas! Até tentou vender as ações da empresa hidroelétrica. Em desespero de causa surge sempre o disparate! A vontade de utilizar recursos sem maior esforço para os captar.

 

Gabou-se uma gestão que chegou ao cúmulo de gastar 10 milhões (ou sabe-se lá quanto) a construir a Fundação Nadir Afonso, agora “a Funda” o erário municipal.

 

Não afirmou que tamanha obra era de interesses nacional?

 

Se o era, por que motivo o Governo PPD/CDS não a agraciou com investimento nacional? Não o fez com outros museus? Porque abandonou o financiamento da obra e deixou a Câmara sozinha a endividar-se para além das posses?

 

É por isto que todos aqueles que querem continuar a viver em Chaves, devem prestar a maior atenção à gestão municipal. Não podemos baixar a guarda! É a nossa cidade e concelho que estão em causa.

 

O nosso estatuto como terra próspera e dinâmica não se conquista com vaidade vã, mas com trabalho e sem ceder a pressões que não valorizem a retidão e a responsabilidade na aplicação dos agora reduzidos recursos municipais. Só com muito discernimento poderemos recuperar a riqueza que a nossa terra usufruiu em tempos.

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

11
Dez15

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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É URGENTE fazer crescer a nossa cidade!

 

O número de casas devolutas em Chaves aumenta de mês para mês. Não é uma realidade nova, já que muitos dos flavienses que emigraram entre as décadas de 60 e 70 do século passado, acabaram por construir casas nas suas terras e só as habitavam um mês por ano. Não é dessas casa que quero falar.

 

Hoje, nas aldeias mais que devolutas, muitas casas estão é em ruinas, pese embora essas casas correspondam a antigas construções sem condições de utilização atual. Já começa também a notar-se que as casas construídas com os dinheiros da primeira emigração começam a ficar devolutas. Realidade que se fica a dever por um lado ao facto de os filhos desses emigrantes nunca terem regressado, levando agora os seus pais idosos para junto deles e, por outro lado, porque a emigração na nossa terra, nestes últimos anos, voltou a aumentar fortemente.

 

Tudo ponderado terá levado a que a cidade e o concelho tenham perdido residentes a um ritmo elevado. A um ritmo tal que arriscaria afirmar que já teremos perdido mais de 5.000 residentes. Pelo que posso averiguar terão mesmo saído famílias inteiras, tal foi a perda de empregos com o fecho de agências bancárias, serviços do estado, pequenos comércios de rua, diminuição de pessoal nas escolas públicas, fecho de cuidados de saúde, etc…

 

Atualmente, se a face visível de espaços devolutos está patente ao nível da rua, já não é tão visível nos andares superiores, embora estejam pejados de placas a anunciar a venda. Estas placas são tão abundantes no centro da cidade como nos prédios da periferia, sendo a imagem da debandada populacional. A este respeito já uma vez afirmei que atualmente se “vota mais com os pés” nas políticas municipais do que com a esferográfica, e não me refiro aos votos que ficam em branco e que são cada vez mais.

 

Neste município o custo de vida tem aumentado! A água camarária, os impostos municipais, as portagens, as deslocações ao hospital que está mais longe, a eletricidade. Até se uma citação para o tribunal nos sai do bolso. Uma ida ao tribunal a Vila Real ou a Mirandela obriga-nos a gastar um bom dinheiro.

 

Muitos amigos de longa data têm saído do concelho. Vão para Braga, para o Porto, para Aveiro, até para Faro. Cá é que não ficam.

 

Pessoalmente nem quero pensar em sair mas, por este andar, até quando resistiremos?

 

Bem sabem a quem pedir responsabilidades!

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

06
Nov15

Discursos Sobre a Cidade

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Beba Água! Olhe por si!

 

Numa das Assembleias Municipais do nosso concelho, já neste mandato autárquico, foi afirmado que “sempre os flavienses trataram a água como um bem comum, um recurso natural regenerável que não conhece fronteiras nem limites de propriedades, cujo acesso é, para todos nós, um direito humano inalienável.”

 

Como se propõe a Câmara defender este direito? O que pode fazer a autarquia, e não faz, para o garantir?

 

Na minha opinião, em primeiro lugar, em vez de enterrar a cabeça na areia como a avestruz, a câmara deve conhecer o nível de deterioração da rede e, para isso, torna-se necessário conhecer a atual extensão, severidade e natureza da mesma.

 

É aceitável que a entidade responsável pela construção de uma rede (a própria câmara) não a conheça? Não sei! Não deveria ser possível.

 

É aceitável que a Câmara nem cartografia tenha para registar por onde passa a rede? Essa é que é a verdade.

 

Bem sei que a Fundação Nadir Afonso (ou renomeada Museu Nadir Afonso) e muito mais importante! A dezena de milhões aplicados para se estar agora a encher de mofo é outra fonte de glória que não a água potável, é uma medalha de boa gestão municipal. Mais, mesmo que a água se perca e o prejuízo nos seja surripiado à força dos bolsos, a Fundação é assunto mais “Fino”, assunto de elegância e civilização! Ora, ora! Upa, Upa! Caso sem dúvida para afirmar que o supérfluo supera, pela vaidade, o essencial.

 

Não deixa de ser interessante registar que a nossa rede de água é ainda constituída muita por tubaria dos anos 80 (ou mais velha) e, como não se sabe bem como é, resta-nos pensar que é adequada a transportar água para consumo humano pois todos sabemos que nessa altura se usava tubaria de uma espécie de porcelana que, não raras vezes, possuía amianto na sua composição.

 

O que fazer nestas circunstâncias?

 

Parece-me razoável que se proponham ações concretas que reduzam a taxa de deterioração e, caso já não seja possível sustê-la, efetuar a substituição das seções deterioradas. Lógico?

 

Durante algum tempo o que pareceu lógico foi usar o dinheiro da venda da água aos flavienses para fazer a Fundação Nadir Afonso sem assim pedir autorização para efetuar empréstimos. O lógico foi não pagar ao fornecedor de água, para que a dívida acumulada venha agora a constituir-se como pretexto para que este se venha a apossar do que é nosso desde o tempo em que o nosso primeiro rei expulsou os mouros e os espanhóis. Sim, porque a água é um bem comum!

 

Lamentavelmente a atual gestão não assume erros crassos e à vista de todos. Não assume que uma parte da questão das perdas, que geram o diferencial de valor entre o que se compra e o que se vende, está relacionada com falta de investimento na exploração e manutenção da estrutura de distribuição de água e saneamento da cidade nos últimos 15 anos.

 

Esta gestão, como a anterior, não quer abandonar a estratégia que atribui (tacitamente) o controlo da distribuição ao consumidor. Assim, tem-se pedido que este se ocupe de identificar as faltas de água e as ocorrências de má qualidade da água, os vazamentos etc. Esta função não compete antes à câmara municipal?

 

Ora, se é competência da autarquia, esta não deve continuar, nesta matéria, a agir com passividade e algo tardiamente, sob pena de continuar pouco eficaz e dependente dos alertas que cheguem ou não.

 

É urgente iniciar uma nova fase centrada no controle operacional do serviço, tendo em vista a redução de perdas já que a fase dos projetos e investimentos concentrados na ampliação da capacidade de produção e distribuição, não fazem sentido. A aposta em projetos megalómanos, que desviam recursos para o que não é essencial levam à redução da população residente, pelo que os atuais sistemas são já suficientemente capazes de garantir o abastecimento e o tratamento dos afluentes líquidos. A rede é que está uma miséria!

 

O estado de ineficiência atual do abastecimento de água já não decorre de problemas relacionados com a satisfação das necessidades dos consumidores em termos de quantidade ou mesmo de qualidade da água, mas do preço cobrado às pessoas pelos serviços de fornecimento de água e saneamento.

 

Já agora! A autarquia não deveria explicar aos flavienses as razões para não baixar o preço de venda da água às famílias, quando hoje a compra mais barata do que no passado? É legítimo perguntar para onde vai o ganho?

 

Está a fazer o mesmo que as empresas de venda de combustível pois, estas, mesmo baixando o preço do barril do petróleo, recusam baixar o preço da gasolina e, no final do ano, apresentam sempre lucros maiores.

 

Não há crise que lhes pegue!

 

Para terminar, gostaria de me inquietar convosco, pois não sei quando é que as perdas de água na rede de abastecimento vão ser enfrentadas.

 

Ficam algumas interrogações:

 

Quando se vai saber a dimensão dos erros de medição ou fazer a manutenção de contadores de água, por forma a melhorar a sensibilidade dos medidores a vazões muito pequenas? Nada sabemos da precisão dos contadores, métodos de medição escolhidos e registo;

 

Quando se esclarece a dimensão dos fornecimentos não-faturados por uso clandestino ou viciado ou ainda por consumidores sem contador de água.

 

Qual a dimensão dos vazamentos em ramais e adutoras sem manutenção?

 

Como se justifica que uma questão tão importante como a do controle de pressão na rede, que permitiria reduzir de imediato o volume de água perdido, reduzindo não só a frequência de rebentamentos de tubagens e consequentes custos de reparação como também os perigos causados aos automobilistas em ruas e estradas, não tenha ainda um plano de ação elaborado?

 

Mais poderia dizer, mas penso que já compreenderam que temos motivos para andar preocupados com a nossa cidade.

 

É possível fazer melhor, trabalhando a pensar no bem comum!

 

Francisco Melo

 

 

25
Set15

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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“Impulsos secretos da vida”

 

Chega o Outono! Por cá deve ser tempo farto, tempo de colheitas. Também deve ser tempo de prazeres ancestrais.

 

Ao contrário do Verão, que pertence ao litoral, ao mar, o Outono é do interior, da montanha!

 

Assim, porque me falta o engenho para expressar o profundo apego ao Outono, partilho uma leitura que, essa sim, o enaltece. Que exuma o prazer e o sentir próprio desta estação na nossa terra.

 

1600-miradouro (80)

(…) Na caça também cumprimos certas regras cava­lheirescas e práticas, respeitamos os animais selvagens, na medida em que as condições o exigem numa determinada região, mas a caça ainda representa um sacrifício, um vestígio deformado e ritual dum acto reli­gioso ancestral que é dos tempos do nascimento do homem. Porque não é verdade que o caçador mata para obter a presa. Nunca tinha matado só por isso, nem sequer nos tempos primitivos, quando isso fora uma das poucas possibilidades de se alimentar. A caça era sempre acompanhada por um ritual, ritual tribal e religioso. O bom caçador era sempre o primeiro homem da tribo, uma espécie de sacerdote. Naturalmente, tudo isso se desvaneceu com o passar do tempo. Mas os rituais, numa forma mais enfraquecida, permaneceram. Talvez nunca na minha vida gostasse tanto de nada, como dessas madrugadas, das manhãs de caça. Uma pessoa acorda quando ainda é noite, veste-se de uma maneira especial, de maneira diferente dos dias restantes, põe rou­pas práticas e cuidadosamente escolhidas, toma o pequeno-almoço de outra forma, fortalece o seu coração com aguardente e come um pouco de carne fria no quarto iluminado por uma lanterna. Gostava do cheiro das roupas de caça, o pano estava impregnado do aroma da floresta, da folhagem, do ar e do sangue derramado, porque se levavam as aves abatidas atadas à cintura e o sangue sujava a jaqueta de caça. Mas o sangue é sujidade?... Não creio. É a substância mais nobre que existe no mundo e quando o homem queria dizer ao seu Deus algo importante, algo inexprimível, fazia-o sempre oferecendo um sacrifício de sangue. Também gostava do cheiro a metal e a óleo da espingarda, o cheiro a ranço e a cru das peças do couro. Gostava disso tudo - diz quase com vergonha, como um velho que confessa uma fraqueza. - E depois sais da casa para o pátio, os teus companheiros de caça já estão à tua espera, o sol ainda não nasceu, o guarda-caça segura os cães pela trela e relata em voz baixa os acontecimentos da noite. Sobes para a carruagem e partes. A paisagem começa a despertar, a floresta estica-se, como se esfregasse os olhos com movimentos sonolentos. Tudo exala um aroma tão puro, como se regressasses a uma outra pátria que foi a tua pátria no início da vida e das coisas. Depois a carruagem pára à beira da floresta, desces, o teu guarda-caça e o cão acompanham-te em silêncio. O ruído da folhagem húmida é perceptível apenas debaixo da sola das tuas botas. As trilhas estão cheias de pegadas de animais. E tudo começa a viver à tua volta: a luz percorre o céu sobre a floresta como se um engenho secreto, o mecanismo misterioso do teatro do mundo, entrasse em funcionamento. Os pássaros também se põem cantar, um veado atravessa o atalho, longe, a trezentos passos de distância, e tu escondes-te entre a folhagem densa e ficas atento. Vieste com o cão, hoje não vais à espreita de veado... O animal pára, não vê, não cheira nada, porque o vento sopra de frente, porém sabe que o seu destino é iminente; ergue a cabeça, vira o pescoço tenro, o seu corpo fica tenso, durante alguns instantes mantém-se diante de ti, numa postura magnífica, imóvel, como um homem que estaca desamparado perante o seu destino, impotente, porque sabe que o destino não é fortuito, nem um acidente, mas a consequência natural de circunstância correlacionadas, imprevisíveis e dificilmente inteligíveis. E nesse momento lamentas não ter trazido a tua arma de fogo. Tu também te deténs, no meio da folhagem densa, estás dependente nesse instante, tu, o caçador. E sentes na mão o tremor que é tão antigo como o homem, a disposição para matar, essa atracção proibida, a paixão que é mais forte que tudo o resto, o impulso que não é bom, nem é mau mas é um dos impulsos secretos da vida: ser mais forte que o outro, mais hábil, ser um mestre, não falhar. É isso que sente o leopardo quando se prepara para saltar, a serpente quando se ergue entre as rochas, o abutre quando se lança de mil metros de altura, e o homem quando contempla a sua vítima. (…) in Sándor Márai – As Velas ardem até ao fim.

 

Francisco Chaves de Melo

28
Ago15

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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Os treze anos que puseram a cidade a perder!

 

O verbo perder entrou nas conversas do dia-a-dia em Chaves!

 

Perdemos o Tribunal, perdemos população, perdemos serviços no hospital, perdemos a PJ, perdemos a isenção de portagens, perdemos no final de cada mês porque a Câmara aumentou a água e a recolha de lixo, perdemos no fim do ano porque o imposto sobre as casas (IMI) também foi aumentado pelo governo e pela Câmara, perdemos no IRS, porque a Câmara fica com todo o valor dos 5% disponíveis que podia descontar a favor dos que cá vivemos.

 

Perdemos o comércio tradicional, principalmente no centro histórico, perdemos o Polo da UTAD, perdemos os aquistas nas termas, por terem estado incompreensivelmente fechadas um ano inteiro, e sei lá mais o quê! Até perdemos a subida do Chaves à 1 divisão.

 

O que ganhamos em troca foi uma dívida de dezenas de milhões de euros na Câmara, o abandono do mercado e feira, o poço sem fundo da Fundação Nadir Afonso, as obras sem fim nem proveito do Museu Romano, um parque de estacionamento desocupado, uma avenida do Casino ao Bairro do Telhado, com estacionamentos para ninguém, que custou milhões por megalomania e desmesura.

 

Assim não admira que as instituições da cidade estejam agora confrontadas com o garrote da dívida e sem ninguém que lhe possa dar uma mão. São as instituições de solidariedade social continuamente esganadas financeiramente, são as instituições educativas que andam em sobressalto por falta de alunos, são as instituições de apoio à atividade produtiva que se deparam com os credores aflitos em recuperar o seu dinheiro, são as empresas comerciais sem clientes, as de construção sem obras, e sei lá mais o quê!

 

O PSD local nada teve a ver com este estado de situação. Para esse partido nem tal situação existe. O que foi dito é pura ficção! Os do PSD estão bem!

 

Só é pena não estarmos todos bem!

 

Nem a hecatombe que tiveram no número de votos nas últimas eleições os demoveu do caminho que nos conduziu ao garrote da dívida. Inventaram uma dissidência interna e fomentaram o MAI, para apanharem incautos (que sempre os há) e assim, mantiveram o poder. Tudo sacrificaram para isso. Cada voto foi angariado com dívidas acumuladas, dívidas geradas para se vangloriarem e apresentarem obra aos flavienses. Agora sabemos que os terrenos do Pólis ainda não foram pagos, que os terrenos da fundação Nadir Afonso também não tinham sido pagos, que não pagavam a água aos fornecedor e que utilizavam o dinheiro que nos cobravam a nós pela água para lançar obra que não faz falta. Tramaram-nos a todos. Vamos ficar décadas a pagar tudo mais caro por causa deste modo inconsciente de gerir os destinos municipais.

 

Agora sabemos que a obra não foi paga. Agora pesa-nos no bolso a todos. A mim só me custa ter de pagar também!

 

Eu não votei neles!

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

31
Jul15

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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Sentir orgulho na cidade faz bem à alma!

 

Muitas vezes nos dizem que o sentido mais profundo do pensamento humano radica em tempos recuados e, todo o devir, parece nada acrescentar ao que sabemos ser bom.

 

Hoje, quando ouvimos aqueles que nos governam, aqui ou em Lisboa, somos levados a considerar que mais depressa nos desejam confundir, do que esclarecer. Assim pensamos por nos garantirem que tudo está melhor, que hoje já se respira confiança mas, nós, o povo, sofremos maior penúria de emprego, de salários, de saúde, de justiça e de educação.

 

Que bom seria ouvir hoje, 25 séculos depois, a oração fúnebre aos mortos do primeiro ano da Guerra do Peloponeso que Péricles fez no ano 430 a.C. Podem achar estranho ter escolhido uma oração fúnebre mas, o momento da nossa vida pública no concelho, no país e na União Europeia outras orações não inspira.

 

O que se pode dizer sobre o “in conseguimento” de quem atualmente nos governa pode e deve ser feito por contraponto. É isso que o discurso de Péricles nos permite. Pode o discurso ser utilizado como um aferidor, um aferidor com 25 séculos, que já inspirou William Pitt, no seu agradecimento público pela vitória de Trafalgar, por Abraham Lincoln, no seu discurso em Gettysburg e por John Kennedy no seu discurso em Berlim Ocidental, entre outros.

 

Oração fúnebre aos mortos do primeiro ano da Guerra, Péricles, 430 a.C.

 

(discurso de Péricles que Túcidides escreveu para a sua História da Guerra do Peloponeso, partes aleatórias)

(…)

Começarei, pois, a elogiar os nossos antepassados. Pois é justo e equitativo render homenagem à recordação.

 

Esta região, habitada sem interrupção por gente da mesma raça, passou de mão em mão até hoje, guardando sempre a sua liberdade, graças ao seu esforço. E se aqueles antepassados merecem o nosso elogio, muito mais o merecem os nossos pais. À herança que receberam juntaram, ao preço do seu trabalho e dos seus desvelos, o poder que possuímos, que nos legaram. Nós o aumentamos. E no vigor da idade ainda alargamos esse domínio, abastecendo a cidade de todas as coisas necessárias, tanto na paz como na guerra. (…)

 

A nossa constituição política não segue as leis de outras cidades, antes lhes serve de exemplo. O nosso governo chama-se democracia, porque a administração serve aos interesses da maioria e não de uma minoria.

 

De acordo com as nossas leis, somos todos iguais no que se refere aos negócios privados. Quanto à participação na sua vida pública, porém, cada qual obtém a consideração de acordo com os seus méritos e mais importante é o valor pessoal que a classe a que se pertence; isto quer dizer que ninguém sente o obstáculo da sua pobreza ou da condição social inferior, quando o seu valor o capacite a prestar serviços à cidade. (…)

 

Para amenizar o trabalho, procuramos muitos recreios para a alma; instituímos jogos e festas que se sucedem a cada ano; e diversões que diariamente nos proporcionam deleite e diminuem a tristeza. A grandeza e a importância da nossa cidade atraem os tesouros de outras terras, de modo que não só desfrutamos dos nossos produtos como daqueles do universo inteiro. (…)

 

Temos a vantagem de não nos preocupar com as contrariedades futuras. Quando chegam estas, enfrentamo-las com boa têmpera, como os que sempre estiveram acostumados com elas.

 

Por estas razões e muitas mais ainda, a nossa cidade é digna de admiração. Ao mesmo tempo em que amamos simplesmente a beleza, temos uma forte predileção pelo estudo. Usamos a riqueza para a ação, mais que como motivo de orgulho, e não nos importa confessar a pobreza, somente considerando vergonhoso não tratar de evitá-la. (…)

 

Nós consideramos o cidadão que se mostra estranho ou indiferente à política como um inútil à sociedade e à República. (…)

 

Se vos antojar ler todo o discurso, sem cortes, consultar Adriano Moreira, 1986, O ideal democrático – o discurso de Péricles in O legado político do Ocidente – o Homem e o Estado, Estudos Sociais e Políticos, nº14, ISCSPU.

 

Boas férias!

 

Francisco Chaves de Melo

 

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