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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Set19

O Barroso aqui tão perto - Amiar (vídeo)

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Amiar

 

Em 5 de junho de 2016 trouxemos aqui Amiar pela primeira vez, mas então ainda não fazíamos um vídeo final com todas as imagens publicadas, tal como ultimamente tem acontecido, assim,  para colmatar essa falta (em relação às outras aldeias do Barroso), fica aqui hoje esse vídeo. Entretanto se quiser ver o post inicial, ele está aqui:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

 

 

 

 

Para partilhar ou ver o vídeo diretamente no youtube, faça-o com este link:

https://youtu.be/JQHMOKbMatE

 

 

 

01
Set19

O Barroso aqui tão perto - Amial

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Ainda antes de terminarmos todas as aldeias do Barroso pertencentes ao concelho de Montalegre, somos obrigados a fazer um ligeira alteração naquilo que é habitual fazermos, ou seja, um post completo para as aldeias em falta, para além das vilas. Assim e enquanto essas localidades não passarem por aqui, vamos fazer uma nova ronda por todas as aldeias que já tiveram aqui o seu post,  mas para as quais não fizemos o vídeo final com todas as fotografias publicadas, tal como tem sido habitual nas últimas aldeias aqui abordadas. Esta nova ronda será feita por ordem alfabética e apenas terá uma foto da aldeia e o respetivo vídeo, iniciando hoje com a aldeia de AMIAL.

 

Fazendo o ponto da situação, faltam ainda passar por aqui, com um post completo,  as aldeias:

 

  • Borralha (Minas)
  • Lama da Missa
  • Peireses
  • Pisões
  • Vilar de perdizes
  • as 7 aldeias dos colonos
  • a Vila de Montalegre
  • a Vila de Salto.



Ficamos então com o Vídeo de Amial:



 

 

Link do vídeo para partilha ou ser visto diretamente no youtube:

 

https://youtu.be/dv5F8djDIYE

 

Link para o post completo de Amial (sem vídeo):

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

 

 

18
Nov18

O Barroso aqui tão perto - Lodeiro Darque

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Continuando as nossas visitas ao Barroso aqui tão perto, hoje vamos mais uma vez até à freguesia de Salto, para uma aldeia que fica simultaneamente no limite da freguesia, no limite do concelho de Montalegre, no limite do Barroso e no limite de Trás-os-Montes, dá pelo nome de Lodeiro de Arque, às vezes também grafado como Lodeiro d’Arque, Lodeiro Darque, Lordeiro Darque e Lodeiro de Arca. Por aqui quase parece ser uma aldeia em tudo plural, mas não, é até muito singular nas suas características.  Da nossa parte para não estarmos a utilizar todos os topónimos conhecidos, de futuro, passaremos a referir a aldeia como Lodeiro Darque.

 

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Só fomos a esta aldeia uma única vez, decorria o dia 27 de maio de 2016, já depois das 17 horas, debaixo de uma valente trovoada em que chovia a potes, céu carregado e “baixo”, com muito pouca luz. Ainda pusemos a hipótese de lhe passar ao lado e ficar para uma próxima visita, que teria de ser propositada, pois sendo uma aldeia de limites não calha na passagem dos nossos itinerários pelo Barroso. Era um daqueles momentos em que sair do carro não era mesmo recomendável, nem com guarda chuva, mesmo assim decidimos dar uma volta pela aldeia.

 

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Entrámos e fomos logo brindados com um conjunto que nos agradou. Cruzeiro, alminhas e um pequeno chafariz compunham o largo de entrada. Não dava para sair do carro, mas com o vidro aberto sempre dava para fazer umas fotos rápidas. Muito escuras, por sinal, mas antes escuras que queimadas com luz a mais.

 

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As técnicas recomendam que o trabalho de campo seja precedido do devido trabalho de casa. Antes de avançarmos para o terreno deveríamos saber e recolher o máximo de informação daquilo que há por lá, no terreno. Mas digamos que sempre fui um pouco rebelde quando a normas estipuladas e que gosto de ser surpreendido. A única coisa que defino com antecedência são os itinerários de ida e volta a casa. Sei que com esta atitude às vezes deixámos coisas importantes para trás, mas também descobrimos outras, pormenores, que não vêm nos livros ou na informação disponível. Depois há também outra razão para esta atitude, é que ficando o Barroso aqui tão perto, a qualquer altura podemos lá chegar para completar o nosso levantamento, ou seja, arranjamos um pretexto para ir por lá outra vez. Não sei se será o caso, pois ainda estou na introdução do post sem saber o que os livros e outros documentos para pesquisa me reservam, mas prevejo que não sejam muitos.

 

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Em suma já tenho desculpas, talvez, para coisas que fossem de abordagem obrigatória e que tenham escapado ao levantamento, em imagem, pois quanto as conversas, na maioria das aldeias, vai sendo cada vez mais difícil, é que ao contrário do que acontecia há coisa de 30 e tal anos atrás, em que ao entrarmos numa aldeia apareciam logo os cães, os gatos, as crianças e as ruas tinham uma correria viva de pessoas e animais domésticos, hoje entramos e saímos, às vezes, sem ver vivalma. Pois em Lodeiro Darque, mesmo que habitualmente tenha uma vida social de rua, nesse dia não era mesmo recomendável andar nela. E assim foi, entramos e saímos sem ver vivalma.

 

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Já em casa, no pós-levantamento da aldeia, uma das primeiras coisas que geralmente faço é consultar as cartas, mapas e fotografia aérea. Às vezes lá dou conta de algumas falhas, de pequenos núcleos separados da aldeia que parecem merecer uma visita. No caso de Lodeiro Darque, a aldeia resume-se mesmo ao que vi. Pareceu-me então uma pequena aldeia que deveria ter mais qualquer coisa, mas não. Na realidade deve tratar-se de uma aldeia antiga que vivia à volta de duas grandes casas agrícolas, isto a julgar pelo casario existente em que duas construções se destacam como tal, e outras tantas com menos opulência, parecendo-me o restante serem armazéns agrícolas. Num total de cerca de vinte de casas, incluindo a capela e os armazéns e arrumos agrícolas.

 

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Pequena, sim, mas nem por isso deixa de ser interessante, com destaque para a sua entrada com o cruzeiro, alminhas e pequeno chafariz encostado às alminhas, as duas grandes casas agrícolas com pátio interior, a capela, o restante casario tipicamente transmontano e barrosão e a paisagem chegam para lhe recomendarmos uma visita.

 

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Vamos então à sua localização e itinerário para lá chegar a partir (como sempre) da cidade de Chaves. Pois desta vez, quanto a itinerário, partimos desde a estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, onde abandonamos esta estrada para nos dirigirmos a Boticas. Depois tomamos a Nacional 311 em direção a Salto, nada que enganar, pois é sempre pela estrada principal, mesmo assim, a estrada está bem sinalizada para qualquer dúvida que possa surgir. Tem de se atravessar Salto e no final tem duas opções, sensivelmente de igual distância, numa segue-se pela N311 , passando ao lado de Reboreda e de Póvoa, a outra é via CM 1033, passando por Corva, Amial e Bagulhão, logo a seguir entra de novo na N311 e 400 metros à frente tem Lodeiro Darque. No nosso mapa que fica a seguir, recomendámos o CM1033 para ir (com passagem por 3 aldeias). No regresso, sempre poderá fazê-lo pela Póvoa e Reboreda, até Salto. Quanto ao restante itinerário de regresso a Chaves, desta vez, recomendo o mesmo de ida, mas sempre podem, chegado a Salto, descer à EN 103 e seguir sempre por ela até Chaves. Pelo itinerário recomendado, de Chaves a Lodeiro Darque são 60km (Via EN103 são mais 16Km).

 

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Retomemos agora com aquilo que encontrámos na documentação disponível, à qual tive acesso, sobre Lodeiro Darque, começando pela Toponímia de Barroso:

 

Lordeiro Darque, ou melhor, Lodeiro de “Arca”

 

É  mais um caso de eruditismo bacoco que até rima com idiotismo. Derivado de LODO (do latino LUTEU, que quer significar terreno enlameado) chegamos a lodeiro. No determinativo reside a dificuldade. Arque não é nada mas por dissimilação chegamos a Arque, corruptela de Arca. E essa arca teria de entrar no domínio arqueológico: ou “arca” > do latino arca como sepultura rupestre; ou como construção dolménica (que representa o mesmo); ou como marco divisório predial.

Como se trata de “lodeiro” onde a água e a terra se misturam, e condiz com parte da envolvência topográfica do sítio em causa, opto pela existência de algum marco que dividisse duas “vilinhas”, talvez Lodeiro de Arque e Lamachã, ali perto.

A confirmar quanto digo estão as INQUIRIÇÕES de

-1258 «in Lodeiro de Archa». A que propósito virá cá o Arque? Que tolice tamanha!

“Mais vale dinheiro na arca que fiador na praça”.

 

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Tolices quem não as comete… mas pelo menos já fiquei a compreender porque chovia tanto quando fui a Lodeiro … E agora apetecia-me dizer: “e com esta me bou!”, mas ainda vou ficar mais um bocadinho.

 

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Esperávamos que na “Toponímia Alegre” houvesse uma referência a Lodeiro Darque, mas não há, no entanto, bem mais antiga, há uma referência (do género) na Etnografia Transmontana I:

 

Alcunhas da Freguesia de Salto

(…)

Fome lazeira de Pereira,

Fome de rachar de Amiar, ou Manilhas

Tripas de Coelhos de Linharelhos,

Secos de pó de Caniçó,

Corvanitos de Corva,

Toucinheiros de Seara,

Pouco pão e muitas arcas de Lodeiro d’Arque

Peles de coelho em Paredes,

Sacos de palhas da Borralha.

(Informou Domingos Pereira Fernandes de Amial e José Frutuoso de Salto)

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

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03
Jul18

O Barroso aqui tão perto - Seara

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Vamos lá então até ao “Barroso aqui tão perto”, com dois dias de atraso. Hoje toca a vez a mais uma aldeia da freguesia de Salto, dá pelo nome de SEARA. Mas antes de lá chegarmos (em palavras, pois as imagens já vão entrando), vamos ter por aqui alguns andamentos, o primeiro – a confissão.

 

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A confissão, ou um introito para dizer uma coisa…

 

Já o disse aqui, mas volto a repetir. Andei enganado com o Barroso durante anos a fio, para mim o Barroso conhecido era aquele que existia entre Chaves e Montalegre, umas idas a Pitões das Júnias e Tourém, e durante alguns anos de adolescente, aquando das idas para aquela que era a praia dos flavienses (Póvoa de Varzim), fui descobrindo o Barroso das barragens, ou seja, o Barroso da Estrada Nacional 103, na ligação de Chaves a Braga.

 

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O Barroso era para mim o da “Terra Fria”, agreste, dominado pelo Larouco. Vá-se lá saber porquê, convenci-me de que conhecia o Barroso, muitas aldeias de passagem, e em algumas até entrei e ia apreciando o que via. Recordo por volta dos meus 14 anos ter ido a Tourém, onde fui com o meu tio de origem minhota, mas barrosão residente por via do casamento. Em Tourém,  enquanto o meu tio foi tratar dos assuntos que tinha a tratar, eu fiquei à espera dele junto ao carro. Nisto começa a aparecer no fundo da rua uma manada pachorrenta de vacas, muitas vacas, nunca até aí tinha visto tanta vaca junta. Espanto meu quando algumas vacas começam a parar em frente às portas. 3 ali, 6 acolá, 4 ou cinco mais ao fundo, e por aí fora. Uma a uma as portas iam-se abrindo para as vacas entrarem e nas que não se abriam, as vacas permaneciam paradas, bem serenas à espera, enquanto as restantes continuavam os seus destinos.  Não acreditei no que estava a ver, Quando o meu tio chegou, eu ainda com o espanto estampado no rosto, comentei o que tinha visto. Explicou-me que nas aldeias era assim, que tal e coisa… em suma, estava-me a explicar o que era uma vezeira. O que me intrigou e ainda hoje me intriga, é como o raio das vacas paravam de livre iniciativa à porta do dono.

 

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Sendo eu flaviense de nascença, o único na família mais direta até eu ter nascido, tinha em Montalegre, terra da minha mãe, dos meus irmãos e de toda a família materna, uma das minhas outras duas terras. Era lá que tinha os meus tios, e primos e restante família e amigos da família, era por isso, também a minha terra, onde passava algumas férias, quase todos os natais e sempre o primeiro domingo de agosto, da festa do Sr. da Piedade, onde despertava com a alvorada dos foguetes,  acompanhava a grande e penosa procissão desde a igreja da Vila até à longínqua igreja do Sr. da Piedade, a volta atrás para o almoço à sombra  do arvoredo do Serrado, e de novo a descida até ao campo de futebol para ver a chega de bois. À noite a fiel presença no arraial e feito palula ia olhando o foguete no ar. Foi assim durante anos a fio. Sentia-me orgulhoso, conhecedor de todo o Barroso. Conhecia o Larouco e o seu planalto, as barragens, a Portela e a Vila como a palma das minhas mãos, a vezeira de Tourém, O mosteiro e cascatas de Pitões, o rio Cávado (bem gelado que era), o Sr. da Piedade e todas as estórias que Bento da Cruz contava no “Lobo Guerrilheiro”, mesmo antes de ele as contar em livro, já eu as conhecia de terem sido contadas à lareira, só que sem a mestria delas fazer um romance como o fez Bento da Cruz, mas com a mesma intensidade de as sentir.    

 

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Foi por estas e por outras que, depois de ter percorrido todas as aldeias do concelho de Chaves e de as trazer aqui ao blog por várias vezes, me lembrei de fazer o mesmo com o Barroso. Ainda antes de partir para todas as suas aldeias, desse Barroso que eu tão bem conhecia, presumia eu, comecei por algumas imagens da vila, depois algumas aldeias entre Chaves e Montalegre que conhecia quase todas, pelo menos de passagem. Surpreenderam-me alguns pormenores e algumas descobertas, mas nada com o qual eu não fosse a contar. E tudo foi assim, indo, até que comecei a ir para as aldeias além do planalto do Larouco, além de Pitões e Tourém, além da EN103 e das barragens dos Pisões, Venda Nova e Salamonde.

 

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Com o tempo fui dando conta que estava a entrar num novo Barroso e em novos Barrosos desconhecidos. Em vez de ir de excursão, mais me parecia ir de incursão, envergonhado só de pensar que me dizia conhecedor do Barroso quando, afinal,  até aí, não tinha passado além do seu hall de entrada e da sala de estar. Faltava-me descobrir o resto da casa, os quartos, a cozinha, os anexos, as cortes, os pátios, os seus animais de estimação, os seus jardins, as suas hortas, as suas serras e montes e até muitos residentes e vizinhos que eu desconhecia por completo. E quanto mais me adentrava por esse Barroso, mais surpreendido ia ficando, ora com o azul das serras espelhado nas albufeiras, ou com os matizes dos verdes só quebrado pelo azul do céu, com o dispersar e salpicar de vermelho dos telhados das casas, com a quantidade, formas e gigantesco penedio como nunca tinha visto, as cascatas, a água cristalina, a raça do boi barrosão, os moinhos e pisões, os canastros e ramadas que pensava não existirem no Barroso, as alminhas, a riqueza e quantidades de capelas e igrejas, os fojos dos lobos e paisagens, muita paisagem que nunca imaginei existirem. Da gastronomia, nem quero falar…só coisas boas, do melhor, mas tenho de pensar na brevidade que um post de blog deve ter, e recordemos que o nosso destino de hoje é Seara, e ainda só vamos a caminho…

 

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Ando nisto de descobrir o Barroso vai para 7 anos, primeiro um pouco aleatoriamente, já com o sentir de “O Barroso aqui tão perto” e tão desconhecido por nós flavienses (a pensar nos outros, pois eu supunha já o conhecer), primeiro com as tais imagens da vila e alumas aldeias e as estórias da vermelhinha de Bento da Cruz, depois com os diários de Torga,  com alguns roteiros para um dia, mas só em 2015 é que comecei a pensar a abordagem criteriosa de todas as aldeias o que implicava percorrê-las a todas, uma a uma, com o tempo que fosse necessário. Hoje, do Barroso de Montalegre apenas nos faltam uns pormenores, umas repetições, em suma, pretextos para ir indo por lá. Entretanto andamos na igualmente agradável e não menos surpreendente descoberta do Barroso de Boticas.

 

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A freguesia de Salto – as primeiras impressões

 

Não quero, outra vez, fazer a abordagem dos vários barrosos. O que já disse, está dito, está dito. Abordemos antes os vários matizes do Barroso, tal como os matizes do verde com que a freguesia de Salto me surpreendeu, mas não foi à primeira...

 

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As primeiras abordagens às aldeias de Salto foram feitas depois de já bem entrados nas terras da Chã, nas terras do Rio, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, depois descobertas todas as barragens, etc. Pensávamos que já não havia mais nada que nos pudesse surpreender, embora houvessem ainda alguns lugares emblemáticos por descobrir, como as Minas da Borralha (da freguesia de Salto) e algumas cascatas, por exemplo.

 

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Ao entrarmos pela primeira vez em terras de Salto, fizemo-lo via Boticas. Recordo ter sido um dia confuso. Primeiro fizemos a aldeia de Pomar da Raínha, atraídos pelo curioso topónimo, fotografamos o que tínhamos a fotografar, achámos a aldeia interessante e regressámos à estrada. Recordo ter sido um dia parecido com estes que estamos a atravessar, um dia, meteorologicamente falando, incerto, de trovoada, que não demorou a abater-se sobre nós. Na noite anterior não deu para fazer o trabalho de casa completo, ou seja, estudar bem, ao pormenor, o itinerário. Também costumo presumir de ter boa orientação, e até vou tendo, mas com trovoadas, a minha bússola interna fica meia desorientada, ou desorientada de todo, tal como aconteceu nesse dia, e às tantas, andávamos perdidos, já não sei bem aonde.   Reconhecia o nome das aldeias, mas pelas minhas contas não deveriam estar lá. Mas também de pouco adiantava, pois a trovoada e a intensa chuva não nos deu tréguas. Quando à noite cheguei a casa, botei-me aos mapas e cartas e verifiquei que antes de termos chegado a Salto entrei na estrada em sentido contrário, daí, quando me dirigia para Norte, eu pensava que me dirigia para Sul. Com um pouco de sol eu tinha resolvido o assunto, mas a tal trovoada, escureceu o dia, chovia que Deus a dava, confundiu-nos e estragou-nos o dia. A única coisa que recordo ter corrido bem, foi o almoço.

 

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Nesse tal primeiro dia por terras de Salto, nem por isso trouxe boas impressões e como se costuma dizer que as primeiras impressões são as que valem, quando fui por lá da segunda vez, sem trovoada, entrei na estrada em sentido certo, mas de pé atrás, ainda recordava a vez anterior... Mas logo na primeira aldeia comecei a dar-me conta que,  se calha,  estava a ser injusto com as aldeias de Salto. À segunda aldeia confirmei que sim, a partir de aí rendi-me. Não era hábito todas as aldeias nos surpreenderem tanto e por igual. Era difícil dizer qual delas a mais interessante, a mais bonita, a mais verde… Tínhamos deixado para trás algumas aldeias, as últimas Reboreda e Tabuadela, íamos a caminho de Seara. Seria esta o patinho feio da família? Pois tudo indicava que sim. A paisagem começou a mudar. Atravessávamos uma montanha despida, à nossa esquerda, noutra encosta de outra montanha, uma densa floresta de pinheiros, enquanto a nossa que iamos calcorreando em curva, contra-curva, se apresentava  bem despida, com alguma urze rasteira, talvez alguma carqueja, e a seguir mais uma curva, depois outra curva, mais outra e por aí em diante,  e sempre a mesma paisagem, até que finalmente avista-se a primeira construção de Seara, nada surpreendente, prometia mesmo ser o patinho feio das aldeias de Salto…

 

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E finalmente SEARA

 

E de repente, záz, a placa da estrada anuncia a aldeia de Seara, e lá ao fundo, depois de uma lomba da estrada, tudo parece mudar, um intenso e luminoso verde atinge-nos como um raio. Seria possível!? Era mesmo, aquilo não era real, era a miragem de um oásis.

 

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Era por volta do meio-dia, calor intenso, a barriguinha já pedia alimento… era uma miragem de certeza, estávamos tolos da cabeça, pela certa enganei-me no caminho e em vez de irmos para SEARA fomos até ao deserto do SAARA…Parámos o carro, pareceu-nos ter visto uma pessoa, um homem à porta de casa, lancei-lhe um cumprimento, respondeu. Os meus camaradas de viagem e descoberta do Barroso também cumprimentaram, o homem respondeu novamente. Era real, estava numa casa real, SEARA era real, era verde, um oásis cheio de verdura e mais além, ao longe, um surpreendente mar de montanhas. Como estávamos num dia de calor de inferno, tínhamos acabado de passar pelas montanhas do purgatório, aquilo só podia ser o paraíso…

 

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Pensava eu que o Barroso já não me podia surpreender mais, pois surpreendeu-me novamente, continua a surpreender e tenho a certeza que no Barroso que ainda me falta descobrir, agora já no concelho de Boticas, continuarei a ser surpreendido.

 

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Pois Seara, parece mesmo perdida lá pro meio das montanhas e de certa maneira até está. É pelo menos uma terra no limite ou de limites, pois incrivelmente, ou calhou,  está no limite da freguesia de Salto, mas também no limite do concelho de Montalegre e a apenas 1200 metros do concelho de Boticas e a outros tantos do concelho de Cabeceiras de Basto, está também no limite do Barroso, no limite do Distrito de Vila Real e no limite da província de Trás-os-Montes. O topónimo bem poderia ser Seara dos Limites, mas sem limites em interesse e beleza. Fiquei fã de Seara, LIKE! e ainda só entrámos...

 

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Já que andamos pelos limites de Seara, vamos ao nosso habitual itinerário para se chegar à aldeia a partir da cidade de Chaves. Desta vez recomendamos apenas um, embora haja outro possível que sai dos itinerários habituais, e até se poderá fazer um bom troço por autoestrada, mas como também queremos desfrutar a viagem até Seara, vamos deixar essa hipótese também de fora, principalmente a desinteressante e dispendiosa  autoestrada que só serve para galgar quilómetros.

 

mapa-seara.jpg

 

Pois como podem ver no nosso mapa, o itinerário recomendado, costuma ser a nossa terceira opção, no entanto é sempre o primeiro para terras da freguesia de Salto mas também para todo o Barroso de Boticas, e não tem nada que saber, pois é só apanhar a estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, aqui vira-se para Boticas, atravessa-se a Vila e segue-se em direção a Salto, que temos também de atravessar sempre pela rua principal até à saída para Reboreda, depois só temos Tabuadela e logo a seguir, ou quase, é Seara.

 

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As pessoas e as casas

 

Ora cá temos um capítulo que nos é tão querido mas que nem sempre acontece. Refiro-me às pessoas e às conversas que vamos tendo com elas, mas também às casas, não só pela sua arquitetura tradicional exterior mas também pela sua intimidade.

 

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E desde já peço desculpas por alguma gralha que aqui possa meter, principalmente nos nomes, nos acontecimentos que venha a relatar e outros, pois quando andamos na recolha de imagens e vamos em simultâneo falando com as pessoas, não podemos tomar apontamentos de alguns relatos e dada a distância temporal desde que estivemos em Seara, pois já lá vão dois anos, não nos lembramos ao pormenor das nossas conversas, mas o essencial ficou.

 

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A primeira pessoa que vimos, já ficou numa foto atrás, à porta de casa. Foi-nos falando de Seara, do que era e do que é, e outras coisas que já não recordo, mas nos meus apontamentos registei o seu nome, Manuel, a sua idade, 80 anos e o facto de nunca ter ido a um médico e só ter dentes de origem. É um feito, sim senhor, principalmente para nós os da cidade que ainda a dor nos está a bater à porta e já estamos a correr para o hospital, e depois vai-se a ver e eram apenas gases entalados que não tiveram permissão de sair... 

 

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Recordo que após esta conversa, demos a nossa voltinha de recolha de imagens. Entrámos por uma rua que até nem parecia ter muito interesse para a fotografia, mas havia pessoas na rua, e chamou-me a atenção aquilo que parecia ser uma casa em obras de restauro que aparentemente preservava tudo que era original e no que estava feito imperava o bom gosto. Entrámos à conversa com um senhor, se bem recordo o Sr. José Fernandes, que era o proprietário da casa, que se fazia acompanhar de um outro homem, mais jovem, o seu “ajudante” no restauro da casa, que segundo apurámos, foi sendo feito com o trabalho de ambos. Casa que segundo nos informou o Sr. José é para se destinar ao turismo rural, preparando a casa, já nos acabamentos e pormenores, com tudo que a casa tinha de original, privilegiando os móveis antigos, da época da casa, que segundo um registo fotográfico que fiz, data do ano de 1709. Aliás é notório que em toda aldeia existem algumas construções centenárias.  

 

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Teve a amabilidade de nos mostrar com orgulho a casa e o seu trabalho. E se até aí já nos tínhamos rendido à aldeia e às suas vistas, acabámos por nos render mais uma vez, agora à casa, ao seu restauro e aos pormenores. Um deles, coisa que nunca tinha visto e de uma técnica simples mas surpreendente. Então não é que num dos compartimentos íntimos (suponho que um quarto no original) tinha um pequeno buraco na parede que dava para um pátio exterior, por onde se podia espreitar desde o interior e ver todo o pátio. Já desde o pátio, espreitando, apenas se via um pequenissímo troço de parede, quase nada. Uma espécie de monóculo que se utiliza atualmente nas portas dos apartamentos para ver as pessoas que nos batem à porta, mas este era apenas um buraco, sem qualquer lente ou mesmo vidro. O facto de não se ver nada para o interior, está na inclinação do buraco em relação à parede interior e na forma de cone do próprio buraco.  

 

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Dentro da casa tudo foi mantido e conservado, na cozinha os escanos, o lar de pedra no chão, na antiga adega, agora um compartimento de estar, manteve-se o lagar incluindo o seu singular sistema de espremer o bagaço, fora do lagar, sobre uma laje de pedra com uma caleira circular esculpida e saída do vinho por gravidade por uma outra caleira. Parece-me que para acondicionar o bagaço, poderia ser utilizada a estrutura de uma pipa sem os tampos. Curioso e nunca tinha visto um semelhante.

 

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As vistas que se alcançam desde a casa também são surpreendentes, pois são lançadas para o verde dos campos com o mar de montanhas de fundo. Tudo janelas com as tradicionais e antigas namoradeiras onde as pessoas se sentavam para namorar, nem que fosse e só um pouco de sol nos dias frios ou alguma frescura e uma corrente de ar nos dias mais quentes.

 

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Mas para além de nos mostrar a casa e todo o seu trabalho, o Sr. José deu-nos uma lição completa de história. Pena não ter registado tudo que me disse. Já no post de Reboreda falámos da ligação que D. Nuno Álvares Pereira tinha à freguesia de Salto, a Reboreda e outras aldeias. Pois o S. José contou-nos toda a História de D. Nuno, sua mulher Beatriz Pereira de Alvim e a sua filha Leonor de Alvim, que viveu em Seara e acabou por casar em segundas núpcias com o Duque D. Afonso ( o nosso, flaviense,  que tem estátua em frente à Câmara). Um desterro para Cristelo, aldeia que hoje já não existe, mesmo ao lado de Seara, segundo li nos meus apontamentos, terminou numa história de amor entre o desterrado Gil Pereira de Alcassus e Sofia, a mulher de Pereira de Alvim. É aqui que nos meus apontamento entra a Santa Sofia, mas esqueci apontar o porquê. Fica assim incompleta a nossa reportagem histórica, mas pode ser que tenhamos oportunidade de a completar, não só porque queremos conhecer o que resta de Cristelo como queremos conhecer a versão final da casa de turismo de Seara.

 

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Os Animais

 

Onde há gente há animais, de estimação ou “contribuintes” para a economia caseira. Vimos por lá um belo exemplar da raça barrosã, uma vaca e bem vaidosa, chamámo-la para a foto, parou e posou sem se mexer, não fosse a foto sair tremida.

 

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O burro soube e também pediu uma, mas de perfil, com ar sério, de intelectual a procurar inspiração no mar de montanhas que fingia ver ao longe, apenas com a floresta de fundo. De perfil porque fica melhor.

 

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Mas o burro não se ficou pela fotografia de perfil, quis também tirar uma foto de família, com a mulher e o filho mais novo. E o seu a seu dono. Os burros são do Sr. José. Quanto à vaca que atrás deixei, não sei de quem era, andava sozinha, solta e mais feliz como as vacas açorianas, suponho, embora todos os animais aparentarem ter um olhar triste. Já agora, porque é que os animais não sorriem!?

 

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E desta vez não tivemos tempo para pesquisas, apenas fomos espreitar o que diz o livro Montalegre, onde nos fala principalmente do “clero” de Seara:

 

  1. Vasco Gonçalves Barroso (séc. XIV) foi tetraneto de D. Egas, viveu no reinado de D. Fernando que o designou ou confirmou como alcaide do Castelo de Montalegre, em 1372. É mais conhecido por ter sido o primeiro marido de D. Leonor de Alvim – Senhora da Casa de Bragança enquanto esposa de D. Nuno Álvares Pereira. Diz o manuscrito do Padre da Seara que este D. Vasco morreu a jogar a barra com o morgado da Taipa, depois de render, isto é, a jogar o malhão, contraiu uma hérnia fatal e morreu, em 1376.

 

  1. Padre Gonçalo Barroso Pereira (séc. XVII) – Num manuscrito, pela maior parte de sua autoria, se apresenta desta forma: “Eu, o Padre Gonçalo Barroso Pereira, Reitor… de Salto, nasci no lugar de Seara desta freguesia, a meu pai chamavam André Pires e a minha mãe Inês Gonçalves, em Agosto de 1628.”… “Fui para a Vila da Ponte de 7 anos (1635) onde estudei com o Reverendo Giraldo Pereira aí vigário, primo direito de meu pai e não tive outro mestre.” Este manuscrito, em mau estado, as primeiras sete folhas quase ilegíveis e sem as últimas vinte, constituía-se, ao tempo, de noventa folhas e foi-me entregue para ser lido pelo seu possuidor, o meu grande e saudoso amigo José Jorge Álvares Pereira, de Pomar de Rainha. Foi-me penoso tomar apontamentos, dia e noite, em duas semanas, dos dados que então me pareceram mais curiosos, numa altura em que ainda não havia fotocopiadoras. Devolvi-o em tempo ao seu legítimo dono com quem passei muitas horas de alegria a interpretar os textos, alguns dos quais com imensa graça, arte e realismo. Julgo que o dito manuscrito já desapareceu, infelizmente. As notícias aí relatadas vão até 1703, já tinha o autor 75 anos de idade.

 

  1. Padre João Barroso Pereira (séc. XVII), sendo também conhecido por Padre da Seara, por aí ter nascido, freguesia de Salto – deixou-nos um manuscrito datado de 1720 de bastante valor para a freguesia e respectivos habitantes que, ao longo do século dezanove foi muito mal copiado e adulterado. Contém, apesar de tudo, muitas informações e notícias de interesse local.

 

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Quanto à Toponímia de Barroso, temos:

 

Seara

Vem do nome comum latino (exdrúxulo) Senara > Seara. Como se trata de nome formado com raíz pré-romana Sen acresceram dúvidas de acentuação e pronúncia. Talvez devido a isso se originaram casos de deslocamento do acento tónico e daí SENARA > Senra e serva ( por evidente hipérteses) que tudo são campos de cultura de cereais ou vinhas.

 

- 1258 «de Bezoo set de villa de Seara que omnes sunt monasterii de Palumbario» INQ 1512.

 

Seara era efectivamente a seara de dos habitantes de oppidum vizinho – “Crastelo” — ainda habitado nessa data como veremos — e cujos vestígios são evidentíssimos. Por tais restos se vê ainda hoje a evolução sofrida, ao nível das mentalidades e das condições materiais de vida, pelo homem primitivo, ou melhor, proto-histórico. O topónimo estav estabelecido em 1258 é, porém, a forma mais recente dos três nomes formados a partir de Senara! Deste mesmo étimo saíram também Senra e Serna e destes as Sernadas e Senradelas.

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso ao vosso mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

 

30
Jul17

O Barroso aqui tão perto - Reboreda

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As opiniões que vou deixando por aqui, na maioria das vezes, são pessoais, fruto de alguma experiência e da  observação que vou fazendo das coisas e dos locais por onde vou passando ou estando. Claro que antes de opinar sobre o que quer que seja, tento encontrar informação sobre esses assuntos que abordo, validando alguma dessa informação e rejeitando outra, porque nem tudo que está escrito, quando a informação é escrita, corresponde à realidade ou verdade, que quase nunca, raramente ou mesmo nunca nos é transmitida, mesmo na História.

 

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“A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo” – Este é um “pensamento”/definição atribuído a Napoleão Bonaparte que não andará muito longe da verdade, embora pessoalmente e citando o poeta popular  A.Aleixo, “para a mentira ser segura/ e  atigir profundidade/tem de trazer à mistura/ qualquer coisa de verdade. Por sua vez, como aluno interessado de História que fui no meu tempo de Liceu, no último ano que frequentei esta disciplina (12º ano), dessas aulas, apenas retive para sempre  um apontamento dado em jeito de desabafo pela minha professora da disciplina – “Lembre-se que os acontecimentos da História têm sempre mais que uma versão”. Resumindo, Tanto Napoleão, como António Aleixo como a minha prof. De História, por palavras diferentes, dizem a mesma coisa – A História não é uma ciência exata e daí não podermos acreditar em tudo que nela se diz, aliás se olharmos as definições de ciência e história, podermos tirar daí as nossas conclusões, senão vejamos:     

 

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Vejamos então uma definição Ciência – “conjunto sistematizado de conhecimentos obtidos mediante observação e pesquisa metódica e racional, a partir dos quais é possível deduzir fórmulas gerais passíveis de aplicação universal e de verificação experimental. “

 

Daqui podemos com justiça perguntar — Será a História uma ciência !? Poderemos dela  deduzir fórmulas gerais passíveis de aplicação universal e de verificação experimental!?

 

Vejamos uma definição de História — “História (do grego antigo ἱστορία, transl.: historía, que significa "pesquisa", "conhecimento advindo da investigação")  é a ciência que estuda o ser humano e sua ação no tempo e no espaço concomitantemente à análise de processos e eventos ocorridos no passado.”

 

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Todo este paleio, conceitos e opiniões, tratados até com uma certa leviandade, valem o que valem e só os trouxe aqui por causa do Barroso e das definições do Barroso, que embora administrativamente não exista, se assume como uma região. E afinal o que é uma região?

 

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Pois para região não existe uma definição concreta. No conceito original a geografia definia região como uma certa porção da superfície terrestre, uma identidade espacial homogénea fundamentada na análise dos elementos naturais e humanos. Assim poderemos entender por região, uma grande extensão de terreno ou território que, pelo clima, solo, vegetação, produção económica e outras características próprias, se diferenciam dos territórios próximos. É uma área delimitada, demarcada, estabelecida, como por exemplo as nossas províncias onde todos entendemos, por exemplo, que dentro da grande região que é Portugal,  Trás-os-Montes é o Alentejo têm características que as diferenciam.   

 

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Pois voltemos ao Barroso, à região do Barroso onde hoje em dia  também não há consensos quanto aos seus limites, procurando e apoiando-se na História para fazer os limites atuais, que saem um pouco da  definição geográfica do conceito. Aliás os de Montalegre costumam dividir o Barroso em Alto Barroso e Baixo Barroso, precisamente por terem características diferentes, por sua vez, dos de Boticas, já ouvi de gente que pelo cargo que ocupavam se poderá considera gente idónea, afirmar que o verdadeiro Barroso é o de Boticas. Aqui pelo concelho de Chaves, os mais antigos das povoações da margem esquerda do Rio Tâmega, dizem que para lá do Tâmega é tudo Barroso.

 

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Na “Etnografia Transmontana – II O Comunitarismo de Barroso” de António Lourenço Fontes, ao respeito do Barroso diz o seguinte: “ O Baixo Barroso está localizado entre os 300 e os 700m, de clima doce, e elevadas precipitações. As aldeias do Alto Barroso situadas entre os 800 e os 1200m, têm um clima áspero. O Baixo Barroso oriental da zona de Boticas, situado entre os 300 e os 600m tem já um clima quente e é abrigado dos ventos de oeste.” . Embora esta descrição caracterize e diferencie apenas pela elevação do terreno e clima, António Lourenço Fonte descreve três Barrosos.

 

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Pois sem querer entrar em polémicas ou em guerrinhas de vizinhos, aceito perfeitamente as fronteiras estabelecidas para o Barroso atual, que inclui  todo o concelho de Montalegre, todo o concelho de Boticas e ainda algumas freguesias e povoações dos concelhos de Ribeira de Pena e de Vieira do Minho. Algumas referências incluem também Soutelinho da Raia do concelho de Chaves em terras barrosas.

 

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Mas toda esta prosa porque hoje vamos andar por Reboreda da freguesia de Salto e depois de tantas definições sobre o Barroso fiquei na dúvida se pertence ao Alto ou Baixo Barroso, pois por umas características integra-se perfeitamente no baixo Barroso, mas por outras, por exemplo altitude, enquadra-se perfeitamente no alto Barroso. Pois por mim, deito mais uma acha para a fogueira, aliás já o disse aqui anteriormente e já não é novidade, ou seja a de haver mais Barrosos para além do Alto e Baixo Barroso e este, a freguesia de Salto é um Barroso bem diferente do Barrosos do Gerês, do Barroso da Chã, do Barroso das Terras do Rio, do Barroso do Larouco e seu planalto e de outros pequenos Barrosos dentro do Barroso. Basta adentrarmos pelo Barroso adentro para nos apercebermos destas diferenças que no entanto não poem em causa o todo do território Barroso consagrado pela História.

 

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Mas entremos em Reboreda e para lá entrarmos deveríamos fazê-lo com a dignidade que a aldeia merece, não só pela sua beleza mas também pela sua História e pela sua gente, e desde já lamento de não conseguir toda essa dignidade, não só pela brevidade a que o blog obriga mas também porque teria de aprofundar os estudos, sobretudo os que têm a ver com a História e a passagem/estadia de D.Nuno Alvares Pereira nesta terra e terras vizinhas.

 

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Pois nem sempre temos a sorte que tivemos em Reboreda com a simpatia e acolhimento da receção que deu direito a visita guiada e visita a uma casa antiga, daquelas que quase já não existem e já não se usam, mantendo toda a sua integridade, incluindo no mobiliário e outras peças da época, incluindo uma gravura de um casal real que na altura não consegui identificar mas que nas minhas pesquisas consegui chegar ao nome de D.Adelaide Sofia Amélia Luísa Joana Leopoldina de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg casada com D.Miguel I, o que nos leva até ao primeiro quartel do século XIX.

 

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Pensava eu que essa gravura teria algo a ver com D.Nuno Alvares Pereira, mas embora possa haver uma ligação real, os acontecimentos e a ligação d D.Nuno à Reboreda  são muito anteriores pois pelo menos remontam ao ano de 1376 quando D.Nuno Alvares Pereira casa com Leonor Alvim, natural da Reboreda.

 

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Leonor de Alvim (c. 1356 – 1388) foi uma nobre portuguesa. Pertencia a uma família nobre de Entre Douro e Minho, sendo filha de João Pires de Alvim e de sua mulher Branca Pires Coelho,  tornando-se herdeira de seu pai pela inexistência de filhos varões.

 

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Leonor de Alvim, natural de Reboreda, casou em primeiras núpcias com Vasco Gonçalves Barroso do qual enviuvou sem descendência. Posteriormente casou com o condestável em 15 de Agosto de 1376, do qual teve três filhos, sendo Beatriz Pereira de Alvim a única dos três filhos que chegou à idade adulta e que veio a casar com D.Afonso, filho ilegítimo do Rei D.João I.

 

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Sim, o D.Afonso é o nosso D.Afonso, aquele que tem estátua em frente ao edifício da Câmara Municipal de Chaves, pois foi para Chaves que ele veio viver com Beatriz Pereira de Alvim.

 

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Em 1385, no cerco de Chaves, D.Nuno Alvares Pereira junta-se ao Rei D.João I para libertar a Vila de Chaves que tinha sido ocupada por Martim Gonçalves de Ataíde.  Toda esta história do cerco à vila de Chaves foi contada neste blog na passada sexta-feira, por Gil Santos, nos “Discursos sobre a cidade”. Fica aqui o link para essa história: http://chaves.blogs.sapo.pt/discursos-sobre-a-cidade-por-gil-1565309

 

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Pois como reza a História que chegou até nós, o Rei D.João I com a ajuda de D.Nuno Alvares Pereira recuperou a Vila de Chaves e o seu castelo. Como recompensa pelo serviços prestados, o Rei D.João I  doou a Vila de Chaves e o Barroso a D.Nuno Alvares Pereira, ou seja, O Contestável tornou-se dono disto tudo, pelo menos durante uma temporada, mais precisamente até 8 de novembro de 1401, aquando do casamento de D.Afonso (filho de D,João I) com a sua filha, em que  D,Nuno doa todas as terras a Norte do Rio Douro como prenda de casamento (a história de D.Afonso está aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/342269.html )

 

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Regressemos ao casamento do condestável Nuno Álvares Pereira com Leonor de Alvim, após o qual o casal foi viver para Pedraça, para o solar conhecido como Casa da Torre. Quando em 1387 D. João I convocou cortes para Braga, D. Nuno esteve nas mesmas na condição de procurador dos fidalgos do Reino. Foi durante essa sua estadia em cortes que D. Nuno recebeu a notícia de que D. Leonor se encontrava muito doente. Quando chegou ao Porto, onde estava D. Leonor, já aquela teria falecido. Foi sepultada no Convento de Corpus Christi, das freiras dominicanas, em Vila Nova de Gaia.

 

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Depois de contada a História dos mais ilustres portugueses que passaram e foram donos de Reboreda avancemos no tempo, até ao Censo da população de 1530, ordenado por D. João III, que indica moradores ou fogos nas seguintes povoações da atual freguesia de Salto: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14. A julgar pelo Censo Reboreda seria então a maior aldeia da atual freguesia de Salto.

 

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E sobre Robereda encontrámos  uma referência na Etnografia Transmontana de A.Lourenço Fontes, a respeito do Pisão da Tabuadela onde se pisoava o burel, faz uma alusão a Reboreda: “ O burel depois de sair do pisoeiro, o interessado leva-o ao alfaiate das capas. Na Reboreda (Salto) é Domingos do Elias e família que faz capaz de saragoça e burel, há 50 anos”. Saliente-se que a Etnografia Transmontana foi publicada em 1977, ou seja, já lá vão 40 anos e daí para cá muita coisa se alterou, pois tanto quanto sei o Pisão já não funciona e que me conste na Reboreda também já não se fazem as capas de Burel, tão tradicionais que eram e ainda vão existindo em todo o Barroso.

 

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E nestas coisas da história e estórias das aldeias temos de recorrer a quem as sabe. Tivemos também a sorte de o Vítor Bruno, um vizinho da Reboreda (da Póvoa)  fez chegar até nós mais uma informação, que também nos tinha sido contada em Reboreda:  “Outra curiosidade, numa região de monte entre a Póvoa e Reboreda chamada de 'Brangadoiro' foi onde D. Nuno reuniu e treinou as suas tropas recrutadas nestas terras, para depois partirem para Aljubarrota.”, Na Reboreda falaram-nos também numa zona a que chamavam o “corredouro” onde exercitavam os cavalos e no “alto da corneta” junto à atual capela de Nª Senhora de Fátima.

 

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Na toponímia de Barroso a respeito de Reboreda diz-se o seguinte: “ Do nome latino robureta, de róbur + eta >Robureda > Revoreda > Reboreda.

- 1258 «…dixit quod villa de Revoreda» INQ 1512.

- 1258 « de casali de Revoreda» INQ 1526 – referido a um casal de Vilar de Perdizes;

- 1288 » Revoreda he Andorra he Afadoam que fizeram ambas em termo de Revoreda tragia-as por onrra Martinm Soares que nom entrava hi porteiro nem mordomo he tragia hi seu juiz he seu chegador».

 

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E continua a toponímia de Barroso : “Claro que esta citação última respeita à nossa povoação da freguesia de Salto e dá-nos a interessante notícia de que, no termo da Reboreda, se criaram duas herdades (com seu topónimos pomposos) e que um tal Martim Soares trazia por honra: ao mesmo tempo que, como se diria agora, fugia ao fisco impedindo a entrada nas propriedades do mordomo e do oficial da justiça e, para cúmulo, nomeara localmente seu juiz e seu administrador principal!

 

Quanto aos topónimos – Andorra faz-se pensar naquilo que Andorra é, um sítio dificilmente acessível como convinha, um andurrial com muitos animais e poucas pessoas. “

 

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Ainda na Toponímia de Barroso na Toponímia Alegre, temos os apelidos de Salto, a saber: “ Pomar da Rainha nem pão nem farinha , Pereira fome lazeira, Amiar fome de rachar, Borralha saco de palha, Linharelhos tripas de coelhos, Caniçó arca de pó, Paredes armadores de redes, corveirinhos são de Corva, lagarteiros do Amial, Bagulhão muita água pouco grão, Lodeiro de Arque arcas vazias sem pão, Tontinhos da Póvoa, sarilhotas do Carvalho, dobadouras de Beçós, toucinheiros da Seara, cavalos de Tabuadela, tornadores de água da Reboreda, demandistas da Cerdeira e escorricha-odres de Salto.

 

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E hoje para variar só temos a localização da aldeia cá pro fim. Então quanto a coordenadas temos 41º 37’ 33.93” N e 7º 55’ 34.80” O. Já tínhamos dito que pertence à freguesia de Salto que fica a 1800m de distância, no entanto as aldeias mais próximas são Cerdeira a 960m e a Póvoa a 1300m, avistam-se umas às outras lá no alto planalto a 973m de altitude. Mas fica o nosso habitual mapa para melhor localizarem Reboreda.

 

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E que mais há para dizer sobre a Reboreda!? Claro que haveria muito mais para dizer mas penso que as imagens de hoje dizem o resto e nos dão Reboreda vista ao longe, dentro da aldeia, na intimidade de uma das suas casas e as vistas que desde Reboreda se avistam. Se isto não bastar para vos abrir o apetite a uma visita a esta aldeia, então este post não cumpriu a sua missão, mas só ficam a perder.

 

Só resta mesmo fazer a referência às nossas consultas e aos links para as anteriores abordagens ao Barroso e um obrigado ao Vitor Bruno da Póvoa com a velha promessa de que um dia destes entraremos também pela sua aldeia adentro.  

 

 

Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

FONTE, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II O Comunitarismo de Barroso. Montalegre: Edição de Autor

 

Sítios na WEB

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogueiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

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[i]   Joseph, Brian (Ed.); Janda, Richard (Ed.) (2008). The Handbook of Historical Linguistics. [S.l.]: Blackwell Publishing (publicado em 30 de Dezembro de 2004).

 

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