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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Mai21

Reino Maravilhoso - O Rexo (Allariz)

Douro e Entre os Montes

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O Rexo – Allariz

 

O nosso destino de hoje neste Reino Maravilhoso é entre os montes galegos, próximos de Allariz,  a caminho de Orense.  Allariz que é também um destino bem conhecido por muitos flavienses, mas que passam ao lado, ou desconhecem o Centro de Educação Ambiental – O Rexo, onde se promovem várias atividades em pleno ambiente rural na companhia de um autêntico museu de arte contemporânea ao ar livre.

 

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Para que não haja dúvidas onde fica o nosso destino, fica o mapa com o itinerário, mas podemos adiantar que O Rexo, fica a pouco mais de 3Km de Allariz, junto à povoação de Requeixo de Valverde, a 78 km de Chaves, e quase todos podem ser feitos em autoestrada e autovia grátis.

 

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Sobre o que lá existe, fica o que se diz na página oficial do Rexo, com link no final.

 

O texto está em galego, mas compreende-se bem, é assim como se fosse em português, mas com alguns erros pelo meio.

 

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O Centro de Educación Ambiental O Rexo está situado na Reserva da Biosfera Área de Allariz xestionada pola Fundación Ramón González Ferreiro.

 

Este espazo preséntase como un recurso, medio de apoio e complemento aos programas escolares, asociacións e familias. Conta cunhas instalacións (aula, granxa e queixería) acomodadas para desenvolver un proxecto educativo, que ten como fin e obxectivo xeral pór en coñecemento e valorización, iniciativas de desenvolvemento rural que axuden a preservar o medio natural.

 

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A través de xogos, dinámicas grupais, cancións e sobre todo da participación dos visitantes, os monitores achegan ós visitantes á flora e a fauna da Reserva da Biosfera, as tarefas e coidados na granxa, sensibilización ambiental, o traballo nunha queixería…

 

A edificación do centro levouse a cabo seguindo criterios bioclimáticos e coa instalación de enerxías renovables para un mellor aproveitamento dos recursos naturais na busca da coherencia co proxecto educativo. Así mesmo o edificio é unha ferramenta educativa máis a través das que traballamos a eficiencia enerxética, bioconstrucción, enerxías alternativas…

 

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INSTALACIÓNS

  • Aula, con capacidade para 50 persoas aproximadamente
  • Granxa de ovellas
  • Queixería
  • Casa de Palla
  • Charca con vida

 

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CONTIDOS

Desenvolvemento rural; Construcción sostible; Enerxía e cambio climático; Coñecemento do medio; Arte na natureza; Sensibilización e conservación ambiental…

 

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GRUPO DE VOLUNTARIADO

Dende o 2012 creamos o noso grupo de voluntariado a través do cal tentamos axudar a mellorar o noso entorno natural con saídas de limpeza e charlas divulgativas.

 

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ACTIVIDADES

As propostas do Centro de Educación Ambiental do Rexo personalízanse pensando nas características concretas dos participantes, idades, procedencia, nº de participantes… e sempre estamos abertos a suxerencias e aportacións.

 

Para os que dispoñen de pouco tempo está a Visita Básica, para aqueles que queiran gozar máis con nós están os obradoiros, xogos, roteiros e demáis visitas que vos darán a oportunidade de pasar no Rexo unha xornada enteira ou varias.

 

Fica o link para saber mais sobre O Rexo: https://fundacionrgf.org/cea-orexo/

 

 

 

 

25
Fev21

Reino Maravilhoso - Castelo de Monterrei - Galiza

Douro e Entre os Montes

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Em duas pequenas colinas que nascem no mesmo vale ergueram-se dois castelos, o de Chaves no então Reino de Portugal e o de Monterrei, mesmo ao lado de Verin, no Reino de Espanha, ambos com vistas privilegiadas para o mesmo ponto do vale onde ele estreita, precisamente onde se encontra a raia entre Portugal e a Galiza.

 

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Do nosso castelo flaviense apenas resta a Torre de Menagem e parte das muralhas que o protegiam, por seu lado, o de Monterrei mantém-se na íntegra com a sua Torre de Menagem, o Paço dos Condes (hoje convertido em museu), a Torre das Damas e a Igreja de Santa Maria Gracia.

 

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Destacado deste conjunto temos ainda o Hospital do Peregrinos e a Atalaia, no estremo oeste, esta em ruinas e tinha como objetivo defender a acrópole das investidas vindas de oeste.

 

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Pois a nossa proposta desta semana é uma visita a todo este conjunto, mas para ver exterior e interior, sem perder a belíssima igreja de Santa Maria Gracia, erguida na primeira metade do século XIV, e toda a arte sacra nela existente, também digna de ser apreciada.

 

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E desta vez não deixamos o roteiro para lá chegar, pois basta atravessar a raia de VilaVerde da Raia/Feces de Abajo para o Castelo de Monterrei se mostrar, depois basta segui-lo com o olhar até lá chegar, ou seja, terá de ir até Verin e na avenida principal que atravessa Verin, vira à esquerda em direção a Orense e no sentido contrário a Madrid e logo a seguir a Verin tem o desvio para o Castelo. Também pode ir a pé a partir de Verin. Se gosta de caminhadas, deixe o popó em Verin, atravesse o Tâmega e junto à Casa do Escudo há um caminho pedonal que nos leva direitinhos ao Castelo, que fica a apenas 600m de distância (mas sempre a subir).   

 

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Para ficar a saber mais sobre este castelo e conjunto, dê uma vista de olhos ao que está na wikipédia, pois lá conta-se quase toda a história deste conjunto. Ah!, falta referir apenas, que a partir da cidade de Chaves, basta uma manhã ou tarde para conhecer todo o conjunto, ainda fica com o resto do dia para as tapas e copas…

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Castelo_de_Monterrei

 

 

25
Fev20

Entrudo, Entróido e Carnaval

Verín, Laza e Podence

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Careto de Podence

Entrudo ou Carnaval está aí, nas ruas das aldeias, vilas e cidades, um pouco por todo o mundo, e é coisa muito antiga com origens para todos os gostos. Em miúdo, lá em casa falava-se no entrudo e pouco em carnaval. Embora o primeiro termo esteja mais ligado ao mundo rural e o segundo, mais globalizado. Entrudo para nós, entróido aqui para os nossos vizinhos galegos ou para a nossa Eurocidade Chaves-Verin, já que em Chaves, não há tradição do que quer que seja (entrudo ou carnaval), ou melhor, até havia, em manifestações espontâneas de pequenos grupos, não organizados,  de um entrudo porco, sujo, feio e barulhento, era mesmo assim, com farinha e carvão, rabichas e bombas a estourarem por todo o lado, “peidos chocos” e serem largados em lugares público e salas de aula, seringas de água de todas as formas e feitios, e serpentinas para os mais betinhos,  etc.

 

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Cigarrón de Verín - Galiza

Coisas que até eram proíbas de serem utilizadas (como as bombas e petardos) mas que se compravam por aí em qualquer sítio, inclusive eram vendidas a crianças. Mas a diversão principal da cidade (Chaves) era mesmo aproveitar essa proibição na presença da polícia, fazendo rebentar as bombas nos seus pés, o que os deixava zonzos na procura dos atiradores, pois no meio da confusão era quase impossível saber quês as lançou, sendo mesmo, às vezes, lançadas a certa distância, principalmente quando a polícia abandonava o local e as bombas continuavam a rebentar-lhe junto aos pés, pois a tática da rapaziada era furar uma batata, meter-lhe a bomba dentro e lança-la a rolar para distâncias maiores. Meia dúzia de atiradores e o resto era assistência, estas, até iam tendo alguma graça, agora chegar a casa todo molhado, enfarinhado e sujo de carvão, já não tinha tanta graça. Assim, se é que isto era entrudo, era o que ia havendo nas ruas de Chaves e não era coisa de um dia, mas de vários… mas isto eram outros tempos, em que televisões poucas havia, internet nem em sonhos, té certo que tínhamos cinema, mas não era todos os dias.

 

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O Homem Líquen (Carnaval de Verín - Galiza)

Mas voltemos ao Entrudo e Carnaval, às suas origens bem antigas. Pois olhando ao seu significado e origem, o Entrudo talvez seja o termo mais correto, ou melhor, o mais correto seria mesmo entrudo carnavalesco, porque os nossos, têm as duas vertentes, isto olhando à sua origem e ao significado dos termos na sua origem, em que o entrudo tem origem no latim introitus (intróito), com o significado de introduzir, dar entrada, começo ou anunciar a aproximação da quadra quaresmal, por sua vez o Carnaval, mais antigo, remonta ao tempo dos deuses, estava ligado a vários rituais do final de inverno e início da primavera, com festividades e cerimónias aos deuses, destacando-se uma,  a de lançar ao mar uma barcaça – o carrus navalis (carro naval) – repleta de oferendas, após ter sido abençoada por um sacerdote, tendo o ritual por objectivo a purificação e a fecundidade das terras, onde a  multidão assistia mascarada à partida da barca, prosseguindo depois em procissão pelas ruas. Mas há outra versão, esta já da era cristã, a explicação etimológica para o termo «Carnaval» aponta para a palavra carnisvalerium (carnis de carne, valerium, de adeus), o que designaria o adeus à carne durante a quaresma, hoje, nos dias de jejum.

 

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Cigarrón de Verín - Galiza

Chegados aqui, continuo a pensar que o entrudo carnavalesco é mesmo o termo próprio, pois por um lado temos o Entrudo como a introdução à quaresma com o adeus à carna, é a a parte religiosa da coisa e por outro, o carnaval entra com sua parte pagã da coisa, com os desfiles, máscaras, brincadeiras, matrafonas, bailes, bombas e serpentinas.

 

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Os Peliqueiros de Laza (Galiza) - Invasão das casas

Para entrudo deste post, há a dizer que as imagens de hoje são de dois entróidos, o de Verin com os seus cigarróns e o de Laza com os seus peliqueiros e os caretos de Podence. Estres três sim, com tradição e mais qualquer coisa de significado, e embora os três tenham em comum os chocalhos nas costas dos caretos, são completamente diferentes. Os mais genuínos, sem dúvida que são o de Podence e o de Laza, o de Verin é o de maior sucesso, pois modernizou-se, adaptou-se aos novos tempos, mantém algumas tradições, mas explorou a folia no sentido da farra, da borga, dos copos, das noitadas, da festa… e tem sido um sucesso a chamar a Verin milhares de pessoas para as suas celebrações, com a noite das comadres, dos compadres, o domingo corredoiro e os desfiles de domingo e terça-feira (hoje) onde tudo termina.

 

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Cigarróns de Verin - Galiza

E por hoje é tudo, com imagens dos nossos carnavais transmontanos ou galegos, bem diferentes daqueles mais afamados de Portugal.  E é tudo, da nossa parte também cumprimos esta quadra, curiosamente, este ano, se termos ido a nenhum deles, as imagens são de arquivo, mas continuam atuais.

 

 

 

20
Set19

O Factor Humano

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  As águas e os rios

 

Às vezes a escrita é como a chuva, torna-se escassa e desaparece nos longos estios, aqui e ali, interrompido por catadupas de palavras. Nem sempre essas palavras são as mais adequadas ou a mais necessárias, no entanto podem significar a sobrevivência.

 

Há poucos dias a Inês levou-me a percorrer a Ecovia do Vez, desde os Arcos de Valdevez até Sistelo. O rio Vez corre ainda com alegria nas suas águas límpidas. Nos vinte quilómetros da Ecovia há espaço para tudo, até para a solidão. Há represas, gralheiras, poços fundos onde pudemos banhar-nos. A região do Minho tem uma riqueza de águas, de nascentes, de pequenos ribeiros cheios de rãs verdes. Águas que parecem brotar de um mistério. Nem todo o Portugal tem estas características. A forma de aproveitamento da Ecovia do Vez resulta bem, porque se trata de um rio despoluído. Como é aliás o Tâmega de Verin para montante.

 

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Troço do Rio Tâmega entre a nascente e Verin

Era tão importante que a Eurocidade Chaves-Verin tivesse um projecto sério de identificação dos pontos de poluição do nosso Tâmega, na Galiza e em Portugal, de forma a eliminá-los ou ao menos mitigá-los.

 

Toda a área de laser do Açude merece uma requalificação para poder ser utilizada por todos, sendo para tal necessário, antes de tudo, uma boa qualidade da água.

 

É inquestionável que ao passear de verão pelo nosso Polis, somos afectados pela degradação do leito do rio e das suas águas.

 

Até agora os sucessivos executivos invocaram falta de autonomia para resolverem este problema. Até agora os sucessivos governos e os seus Ministérios do Ambiente nada fizeram.

 

Perdemos já demasiados anos, que dificilmente são recuperáveis.

 

Manuel Cunha (pité)

 

 

04
Jun19

Da Nascente do Rio Tâmega até aos Lagos de Stº Estêvão

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É aqui nesta paisagem que ele nasce, aparentemente seca, mas é terra alagadiça, lá na croa da serra, tão alagadiça é que dá origem a três rios, seguindo cada um a sua vertente da montanha, o nosso Tâmega, o Rio Lima e o Rio Arnoia.

 

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Durante umas largas centenas de metros é apenas um carreiro de água, pouco mais que um rego.

 

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Nos primeiros passos, conhece também as suas pequenas, mas primeiras grandes aventuras. Acontece a sua primeira cascata. Cabe na palma de umas mãos, mas não interessa, dá para lhe agitar a jovem adrenalina sem perder a compostura.

 

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Mais à frente espraia-se, e à sua escala forma um grande lago, talvez com três metros de largura, afinal o Rio Tâmega é apenas uma criança acabada de nascer,  e quando ainda se é bebé, há coisas pequenas que parecem enormes.

 

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Depois lá vai seguindo a sua marcha, sempre a descer, às vezes mais rápido outras vezes mais lento, depende, não dele, mas das terras floridas que atravessa e que o vão perfumando, com um perfume selvagem, certo, flores que misturadas com as suas águas cristalinas podem ser remédios para muitas maleitas, é assim que o povo vai curando as suas, e por fim, sempre por entre paisagens mais ou menos floridas, mais ou menos verdes, atinge o vale, de Laza.

 

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Mas deixa também para trás outras paisagens, à primeira vista até se poderia pensar ser uma pintura de arte contemporânea, mas infelizmente é apenas o que resta de um incêndio que em vez da verdura do pinhal que outrora teve, deixa a nu o ziguezaguear de caminhos por entre terra queimada.

 

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E finalmente o Tâmega encontra a companhia de catraios mais crescidos mas que não lhe roubam o seu nome. O que manda é o que vem de mais longe, mesmo que mais pequenino em tamanho. Em Tamicelas no mesmo ponto, é entalado entre dois afluentes que depois de misturados dão lugar a um Tâmega já mais bem compostinho.

 

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E como se dois não bastassem, mais à frente recebe outro bem maior, mas igualmente nascido ali por perto, mas tudo bem, passará a ser água da sua água, agora já um Tâmega ainda jovem mas muito mais adulto, ainda transparente e cristalino. É aqui que o deixamos para trás, perdemo-lo de vista para mais tarde o atravessarmos em Verin, mas com olhares a darem prioridade à estrada sem reparamos nele.

 

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Chegados já a Portugal, ali pelo cruzamento de Stº Estêvão, saímos da estrada em direção aos seus grandes lagos, aqui já é o Sr. Rio Tâmega, bem adulto. Espreitámos para o grande lago, mas depois de o termos visto e acompanhado tão límpido, puro,  transparente e cristalino, a objetiva da máquina recusou-se a fotografá-lo mais e  focou-se apenas nas papoilas e malmequeres da sua margem. Para não estragar a prosa, não a contrariei!

 

Até amanhã!

 

 

29
Mai19

A Galiza aqui ao lado... Mosteiro do Poio

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Hoje retomamos aqui uma rubrica que tem estado adormecida, não por falta de conteúdos, mais por falta de oportunidade, por falta de uma metodologia a seguir e por outras prioridades. Mas as oportunidades também se criam, idem para as prioridades e a metodologia, se há de ser mais elaborada, que o seja menos, ficando-se por exemplo por locais interessantes para visitar, tendo em conta que a Galiza fica aqui ao lado.

 

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O porquê desta rubrica já foi em tempo explicado, mas relembro. O território que este blog pretende abranger em especial, é o da região de Chaves, ou seja, o concelho de Chaves e todos os concelhos vizinhos sem esquecer, claro, que ao longo de 50 km o concelho de Chaves confronta com a Galiza, muito para além da Eurocidade Chaves-Verin . Nem que fosse apenas por esta razão, esta rubrica já tinha razão de ser aqui no blog, mas em geral, este blog também, ocasionalmente, faz abordagens a outras localidades transmontanas deste Reino Maravilhoso, e um pouco a Norte de todo o Rio Douro, ou seja, das regiões que culturalmente falando mais próximas estão de nós, e aqui, entra de novo a Galiza, pois tem mais traços históricos e culturais comuns connosco do que com a própria Espanha à qual pertence administrativamente, mas não culturalmente, começando pela língua, o galego,  que não é mais que o nosso português antigo. Tudo isto faz do povo galego um povo irmão e um povo amigo. E nem sequer vamos falar da antiga Gallaecia e do povo galaico, embora seja esse o território deste blog.

 

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Por sinal todo este território é feito de belezas impares que vai além da nossa região de Chaves e do nosso Reino Maravilhoso, belezas naturais, culturais mas também religiosas, principalmente no que toca à riqueza arquitetónica dos seus templos, desde as simples aminhas e nichos, às capelas, igrejas, catedrais e mosteiros.

 

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Mas entremos então na Galiza aqui ao lado, precisamente com a visita a um mosteiro que fica na Galiza um bocadinho mais distante, a 200 km, 2H30 de viagem, numa localidade que fica junto à Ria de Pontevedra e que dá pelo curioso nome de Poio. Um mosteiro que descobri por mero acaso mas que me encantou por tudo o que vi, conjunto e pormenores, incluindo o seu museu de obras de arte e a decoração dos claustros feita por artistas (pedreiros) portugueses. Fica um bocadinho da história deste mosteiro:

 

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O Monasterio de San Xoán de Poio (Mosteiro de São João de Poio) foi Fundado por São Frutuoso no século VII. Durante a Idade Média reuniu o poder feudal nesta parte da Ria de Pontevedra. Os monges beneditinos deixaram o mosteiro em 1835, como causa esteve a “Ley de Desamortización” , e em 1890 instalou-se nele a Ordem Mercedária . O claustro data do século XVI, obra do arquiteto Ruíz de Pamames e do mestre Mateo López. A igreja é renascentista, com elementos barrocos nas balaustradas do coro. Se quiser aprofundar mais sobre este mosteiro nem há como seguir este link: https://es.wikipedia.org/wiki/Monasterio_de_San_Juan_de_Poyo

E hoje ficamos por aqui, com a certeza de que esta rubrica passará a ter alguma regularidade, que poderá também servir de convite a um passeio um dia ou fim-de-semana.

 

13
Fev18

O Entroido da Eurocidade Chaves-Verín

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Como hoje é dia de Carnaval, ninguém leva a mal – diz o povo – e se o povo o diz, então é porque é mesmo assim. É  uma espécie de dia 1 de abril, dia das mentiras, só que aqui, no carnaval,  é a verdade que se disfarça com a mentira, quer com máscaras, quer vestindo-se a verdade de careto, de matrafona, de peliqueiro ou cigarón, estes últimos os mais próximos de nós, pois são da nossa Eurocidade Chaves-Verín. Assim sendo, as imagens de hoje são dos nossos cigarróns de Verín, e entendam esta última frase também como uma frase carnavalesca, ou seja, uma verdade também ela vestida com uma mentira.

 

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Em tempos achei piada a uma frase que tentava explicar o que era a Eurocidade Chaves-Verín em que dizia “aqui somos todos galegos que vivem na mesma cidade mas em dois bairros, uns vivem no bairro do Norte e outros no bairro do Sul.”. Eu próprio acho que adotei algumas vezes, isso aconteceu quando achei também piada à ideia de Verín e Chaves serem uma só cidade, com um mesmo povo que culturalmente somos, e que cheguei a acreditar que essa cidade seria possível, tanto mais que até os senhores da Europa, que são assim uma espécie de senhores de Lisboa mas à escala europeia, numa das suas páginas oficiais da WEB diziam o seguinte: “O projeto Eurocidades procurou encontrar formas de promover os serviços e as políticas comuns em áreas como a cultura, turismo, comércio, educação, investigação e política social. Este projeto pretendeu fomentar uma colaboração territorial mais profunda e edificar uma coesão social entre as duas comunidades, ao mesmo tempo que procurou melhorar a qualidade de vida em geral das pessoas.” (in: http://ec.europa.eu/regional_policy/pt/projects/spain/eurocity-bringing-cultures-together-to-forge-lasting-bonds )

Palavras encantadoras “ políticas comuns em áreas como a cultura, turismo, comércio, educação…” . Fiquei convencido, mas tudo isto foi antes de cair em mim.

 

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Com o tempo essa dos “galegos do Norte e dos galegos do Sul” fez-me lembrar aquela anedota que pretendia demonstrar a xenofobia e racismo do apartheid  na África do Sul,  quando a professora branca que entrou pela primeira vez numa turma mista, disse: aqui não há brancos nem pretos, somos todos azuis. Uma vez que assim é, o azuis-claros sentam-se à frente e os azuis-escuros sentam-se atrás.

Pois por aqui também é tudo galego, mas cada um no seu cantinho e cada um brinca com os seus brinquedos, festas, culturas, educações, etc.  incluindo no Carnaval.

Vejamos por exemplo uma sondagem que está na página da Eurocidade Chaves-Verín:

 

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Não seria mais correto o texto dizer assim:

 

Concorda com um único hospital na Eurocidade Chaves-Verín com todas as valências médicas e especialidades?

Com apenas duas respostas: sim ou não

 

Mas para evitar guerrilhices até deveria ser assim:

Concorda com um único hospital na Eurocidade Chaves-Verín a construir na antiga fronteira, com todas as valências médicas e especialidades?

 

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Os mais atentos dirão que não, que as coisas não são assim, que até já existe um cartão de eurocidadão para mostrar aos amigos, e uma agenda cultural comum onde cada um (galegos do Norte e galegos do Sul) deixam as suas atividades individuais (que não são comuns porque não existem).

 

Tudo isto porque, ao contrário de Verín,  Chaves não tem tradição de festejar o Carnaval, e quando apareceu essa coisa da Eurocidade Chaves-Verín, cheguei a sonhar que seria possível fazer qualquer coisa em conjunto, onde Chaves também passasse a ter alguma da festa do Entroido de Verín.

 

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Eurocidade Chaves- Verín que agora também já se autointitula “Eurocidade da Água”. Para esta e para quem conhece o nosso Rio Tâmega entre Chaves e Verín,  deixo aqui um texto que há dias se cruzou comigo na internet, num grupo do Facebook “Tâmega Internacional – Natureza e Mundo Rural”  de autoria de Marco António Fachada:

 

"Durante anos sonhamos: com uma área protegida, com bosques ribeirinhos onde pudéssemos ensinar como se sabe, pelas árvores e líquenes, onde está o Norte, com moinhos reconstruídos e transformados em centro de interpretação da natureza, com o silêncio do canto das aves e o ruído das águas a bater nas pedras.


Um espaço onde pudéssemos mostrar que uma árvore morta é ainda uma fonte para a vida.


Vieram estudantes e turistas, nacionais e estrangeiros. Fomos à televisão e a congressos, cá dentro e lá fora.

Acreditámos.


Houve uma petição, assinada por (quase) todos nós. O tempo foi passando, desacreditando.


Hoje os caminhos onde víamos o sardão ou a cobra-de-escada a aquecer no cascalho, são estradas movimentadas em alcatrão.


Vieram outros, puseram novos observatórios e sinalética, mas a vegetação continua a ser destruída, a extração de areias voltou, à luz do dia, encoberta pela neblina, à luz do sol depois do nevoeiro levantar...


Parece que resta um sofá...largado, à beira da tal estrada de alcatrão, de frente para uma lagoa, sem árvores, sem aves...


Chamam-lhe desenvolvimento, eu acho que é apenas desilusão. 


Eu assumo a minha."

 

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E eu a minha!

 

 

Claro que tudo isto vem porque hoje é Carnaval e ninguém leva a mal… E com esta me bou!

 

Desculpem lá, mas gosto mais da versão barrosã de “me bou” do que da flaviense “bou-me”. Continua a ser Carnaval…. ou Entroido na Eurocidade.

 

 

 

16
Jul17

A Galiza aqui ao lado - A Rapa das Bestas VII (último)

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cabecalho

 

Para já vamos até à Galiza aqui ao lado, mas mais logo ainda vamos até ao Barroso aqui tão perto.

 

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E hoje terminamos esta espécie de homenagem a uma tradição secular que dá pelo nome de rapa das bestas, uma tradição associada a uma lenda que conta com mais de 400 anos de existência e que tal como dissemos com uma “luta” entre o homem e as bestas que não são mais que cavalos e éguas selvagens a quem o homem presta o serviço de rapar e vacinar as “bestas” para viverem mais um ano de vida selvagem.  Há dias num comentário algures aí pela net alguém perguntava – quem eram as bestas? Pois a pergunta fica sem resposta, tanto mais que no post em causa se dava a conhecer a lenda, a tradição e o respeito que havia pelos animais selvagens (cavalos e éguas), aliados a um espetáculo que no caso até era solidário em que os intervenientes humanos eram ou tinham a supervisão de veterinários, daí , a haver bestas nesta história, essa, só poderá ser a ignorância de quem não sabe do que se trata na “rapa das bestas”.  Pela nossa parte ficámos fãs do evento e sempre que pudermos lá estaremos nem que seja, e só, para dar continuidade à tradição que faz sempre a alma de um povo, neste caso de um povo irmão. E, tenho dito!

 

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Até mais logo com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

 

 

 

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