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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Nov18

Cidade de Chaves e as coisas do tempo!


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Ainda ontem falávamos aqui do tempo das coisas e das coisas do tempo, mas mais em modas de imagem. Hoje vamos ao mesmo, às coisas, e ao tempo, que por um lado está de frio e de chuva com dias acinzentados e por outro é tempo de coisas da época que também vão fazendo parte das iguarias e festas de época, ou seja, do tempo.

 

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Uma das coisas boas do tempo, é a fruta. A castanha é rainha e senhora, já em tempos foi pão nosso de cada dia (enquanto durava), bastava um golpe macio em cada uma, despejá-las num pote com água ao lume (lareira), esperar que cozessem e depois era só descascar e comer, quentes ou frias. Para prato mais rico, acrescentava-se batata cortada a meio, com casca, a cozer juntamente com as castanhas, no final a mesma receita para as castanhas, já as batatas eram temperadas com um bocadinho de alho e um fio de azeite, uns copitos de vinho por cima para abafar e ajudar a digestão e bota regaladinhos para o quentinho da cama, sem televisão. A exceção era para o dia de S. Martinho, tradição que felizmente ainda se vai mantendo por cá, com os magustos, agora com uns acrescentos, mas onde o obrigatório é a castanha assada, a prova do vinho novo e a jeropiga. Atualmente a festa é mais rica e acrescenta-se-lhes umas fevras, a sardinha assada, pão centeio, às vezes umas saladas e pimentos assados, muito vinho branco e tinto, finalizado com a jeropiga para a assossega e mais tarde um caldinho verde para formatar os estômagos.

 

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Voltemos à cidade e à primeira imagem que agora é a terceira, ou seja, a primeira foi para demostrar o tempo de chuva, frio e cinzento, daí ficar a p&b. Mas agora fica a versão do P&B com os vermelhos a escapar à seleção, e porquê!? — Ora para realçar algumas coisas boas do tempo, desde logo a fruta à porta da loja , mas em especial aquela varanda vermelha que é um encanto para o olhar. A única com estas características em Chaves, que resistiu a modernidade e vai continuar a resistir, pois o prédio está a ser reconstruído e a varanda vai manter-se. Mas agrada também ver que aos poucos o casario das ruas principais da cidade histórica está a ser reconstruído, mantendo-se a traça inicial (ou próxima), o que abre a esperança de que nos próximos anos, o Centro Histórico volte a ter vida, com gente dentro das casas e a dar movimento às ruas, com momentos como os que se veem na imagem, com os vizinhos a conversar de um para o outro lado da rua equanto os passantes passam. 

 

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Por último o resto da fruta e coisas da época. Coisas boas, não só para quem as consome, mas também para quem as produz, e principalmente estas duas que deixo em imagem, acrescentando um pouco de azeitona e o vinho, que ainda vão mantendo algumas famílias no mundo rural, principalmente a castanha, isto onde a há, pois é fruta de terras altas. A acrescentar à fruta, temos agora o que nos vem da horta – nabiças, grelos e as couves,  que fazem o acompanhamento de qualquer prato, só falta mesmo o fumeiro que está quase a chegar, depois sim, com estas coisas do tempo (época) que deixo aqui descritas, cozinhadas com os saberes e sabores aprendidos com as nossas avós, é também tempo de dizer – E TÃO BOM VIVER EM CHAVES!

 

 

 

 

 

16
Jan18

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia com coisas do frio


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Eu sei que está frio, que muita gente não gosta, que andam por cá todos encolhidinhos e até há quem proteste, aliás eu sou um deles, não protesto com o frio que até o prefiro aos dias de inferno do verão, é mais um protesto de reivindicação, o de que deveríamos ter um subsídio (ou subsílio) do frio, e era mais que justo (digo era porque já sei que não o vamos avezar), pois além de estarmos para aqui longe de tudo (saúde, educação superior, cultura, etc.) e de contribuirmos como os restantes portugueses com os nossos impostos, ainda temos de mamar com 9 meses de inverno, frio, gelado. Antigamente ainda davam qualquer coisinha para o combustível de aquecimento, agora, nem isso. Havíeis de ver como era se Lisboa mamasse com o nosso frio… mas hoje não quero falar disto, mas antes das coisas boas que o frio também nos dá, ou ajuda a fazer.

 

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Com a variedade de coisas que vos deixo nas imagens de hoje dão para esquecer e aquecer durante umas horas ou uns dias, depende do tempo que durarem. E o que se pode fazer com elas? Ui! Uma variedade de iguarias, não sei qual a melhor. Tudo junto, peça a peça, cozidas, assadas, cruas, às rodelas, aos pedaços, misturadas, etc. Desde a simples rodela crua de uma linguiça ou salpicão ou mesmo em omeleta com ovos caseiros das galinhas poedeiras, pés, orelhas e pernil cortadinhos em saladas ou entradas, bem isto e muito mais, que  marcha sempre, a qualquer hora e sem ser necessário irmos à mesa, que essa, fica reservada para iguarias que demoram muito mais a comer, pois comem-se com calma e sem medo de acabar, pois estas coisas é sempre à fartazana.

 

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Pois vamos então à coisas que vão à mesa, começando talvez pelas mais simples como uns ossinhos da assuã, umas couvinhas, uma batatinha, um pouco de azeite e mais nada, coisa simples, para desenjoar. Ou então podemos ir para uns milhos, nas duas versões, a versão pobre, com milhos, couve e umas coisinhas das que estamos a falar lá pelo meio, os mais gostosos, ou então os mais ricos, com os milhos e um bocadinho de tudo das coisas que estamos a falar. Para mim tanto faz… desde que o vinho seja do bô, venham eles quentinhos para a mesa. Depois há o tradicional cozido ou variantes como a palhada, onde leva de tudo um pouco, que é sempre muito: linguiça, salpicão, pé, orelha e orelheira, uns ossinhos da assuã, pernil, presunto, barriga, sangueira, chouriços de sangue, de cabaça, etc, etc, etc, pois isto varia um pouquinho de casa para casa e de terra para terra, que eu nunca sei bem como é, pois como cresci com cozidos feitos com influências de Chaves, Montalegre e Vila Pouca de Aguiar  tudo no mesmo pote, nunca cheguei a perceber à moda de quem era, mas era à moda de cá, da região… Claro que isto são só as carnes e enchidos, pois há a acrescentar as couves, grelos também marcham, uma batatinha cá da terra que das outras nem os recos gostam delas, azeite também cá da região, incluindo o vinho do bô, aliás, tudo isto tem de ser cá da terra ou da região, pois o tal frio que nos tolhe, tempera estas coisas todas q.b. para nos arregalar os olhos à mesa.

 

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Claro que isto não é manjar para todos os dias, duas a três vezes por semana está bem, nos outros dias podem ser coisas mais simples, como uma alheira com uns grelinhos, uma batatinha, azeite, vinho do bô e chega. Outras vezes pode ser apenas um petisco com linguiça e salpicão assado na brasa, uns grelinhos, se houver um butelo também pode marchar, uma batatinha, azeite e vinho do bô. Ou então um pernilzinho fumado assado no forno, com umas batatinhas ao lado, uns grelinhos e vinho do bô. Aqui pode-se dispensar o azeite, mesmo os grelos marcham bem sem ele e depois o prato tem de estar equilibrado, daí a importância das verduras e do vinho do bô que são para quando estas coisas entrarem todas em reboliço no estomago, o vinho do bô e as verduras estão lá ao lado e cortam as gorduras e outras coisas que fazem mal. Tudo isto só com as coisas das fotografias, pois o resto do requinho, ui, dá para milhentos pratos variados para todas as refeições, como por exemplo um rojões ao pequeno almoço com café e leite ou então umas filhoses de sangue… já sei que estas últimas na maioria não as conhece, só os barrosões, mas era a minha vantagem de ter uma cozinha mista de Chaves, Vila Pouca e Montalegre, pois essas filhoses de sangue eram receita de Montalegre, uma delícia que já há muito não avezo… Acho que vou ficar por aqui e ainda bem que o meu médico não acompanha o blog!

 

Até amanhã!

 

 

 

14
Mai16

Chaves rural, era uma vez...


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Hoje comi favas, é tempo delas, de chegarem à mesa para serem mais uma das nossas iguarias. Uma sopinha de favas ou uma fabada, não há melhor. Ontem quando as vi em cru cresceu-me água na boca, mas hoje quando as comi, fiquei desconsolado… pois ainda me lembro das favadas que a minha avó e a minha mãe faziam quando eu ainda era miúdo, feitas com alguma arte, é certo, mas com outros acrescentos que a(o)s cozinheira(o)s de hoje já não têm, e daí, o discurso de hoje sobre o nosso mundo rural, mais que de saudade é de desilusão.

 

Este discurso de fins-de-samana sobre o nosso mundo rural tende cada vez mais a ser pessimista, a cada vez mais ser deprimente. Todos os sábados farto-me de aldrabar por aqui com imagens e estórias de um mundo que já acabou, que já não existe mais, que não será possível recuperar. Aqui e ali vão restando uns resquícios da cultura do povo transmontano, apenas isso em dois ou três resistentes já meios tolhidos pela idade,  um povo por excelência que se apoiava na sua terra, na sua singularidade e genuinidade, nos seus saberes e no comunitarismo, pois a vida difícil de viver atrás dos montes numa terra ingrata,  a isso obrigava.

 

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Na distância e ausência da coisa fácil das cidades que a troco de dinheiro se compra(vam) sabores, saúde, educação, diversão, sensações e até a própria vida, o mundo rural trabalhava os pequenos vales e montes para deles tirar o sustento da sua sobrevivência e vivia em comunhão com gente, porcos, vacas, ovelhas, cabras, burros, gatos, galinhas, cães, cavalos, patos, perus e demais animais que um dia também eles pudessem ir à mesa das refeições ou pudessem ajudar no árduo trabalho de revirar a terra para todos os anos, por volta do mesmo dia, semearem e colherem os seus frutos.

 

E assim a gente lá ia andando na sua roda viva dos afazeres diários, que eram mesmo diários sem semana à inglesa, pois a bicheza assim o exigia, e todos, os animais, pessoas adultas, crianças e idosos, tolhidos dos membros, maleitas ou até da cabeça, sem exceção, contribuíam para a mesa lá de casa e quando nas colheitas eram necessárias muitas mais mãos e corpos para o trabalho, os vizinhos apareciam sempre para dar uma ajuda. Entretanto os porcos na corte faziam estrume para as terras enquanto engordavam para no inverno irem ao banco, as vacas e bois, quando não tinham de fazer parelha para puxar os carros de trabalho, ou individualmente puxarem ao arado, eram tocadas para os lameiros, a ovelhas e cabras iam para o monte, os cães faziam de companhia, davam alarmes,  marcavam e  guardavam o seu território e os do seu dono, guardavam e protegiam o gado do ataque dos lobos,   galinhas, patos e perus além de um dia servirem de manjar, punham ovos e comiam os restos das refeições, cascas, sementes e fruta rejeitada, os gatos lordes que são, dormiam ao sol mas de olho na casa e nos baixos que mantinham livres da bicheza pequena dos roedores, cavalos e burros serviam para o transporte de mercadorias e pessoas.

 

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Tudo isto era suficiente para se viver e se mais terras houvessem, mais se cultivavam, e mais filhos se faziam para as trabalhar. Vida dura e difícil, feita de sol a sol, onde só as noites, os dias de chuva intensa ou os grandes nevões davam algum descanso, no entanto, à sua maneira, viviam felizes, e com a fé que todos tinham, rezavam e agradeciam o pão que sempre chegava à mesa e que Deus e a natureza os livrasse, a eles, às suas culturas e à bicheza lá da terra das pragas e doenças, preces que ouvidas ou não, eram sempre agradecidos ao santo de devoção ou padroeira da aldeia, acrescidos de festa rija, com missa e procissão, foguete no ar, banda no coreto, cabrito e outros pormenores à mesa.

 

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Mas o que mais surpreendia era a criatividade que este povo, cultura, rural tinha. Nos tempos menos abastados ou de escassez do que a terra dava,  inventava sabores para não ter à mesa, todos os dias, apenas, o pão que o diabo amassou. Do porco, animal sagrado sem direito a devoção, aproveitava-se tudo, sem exceção, e, pelo menos, desde o Natal até à Páscoa garantia ricas iguarias á mesa, qual delas a melhor. Cabritos, cordeiros e leitões, para os dias de festa, embora os últimos dessem sempre algum dinheiro que dava sempre algum jeito e depois havia que guardar alguns para engordar. Frangos e coelhos enquanto os havia, para o dia a dia, as galinhas poedeiras escapavam ao repasto e apenas depois de velhas davam boas canjas,  galo para dias especiais, o peru para o natal e por aí fora… Isto quando havia bicheza para ir à mesa. As invenções aconteciam quando como quase do nada faziam verdadeiras iguarias, que hoje, algumas, são imitadas com mais sustento. Os milhos, fabadas, palhadas, omeletes, tomatadas, castanhas, tortulhos, batatas à espanhola e as punhetas de bacalhau, sopas e caldos, para além daquilo restava na salgadeira ou dos fumados de porco que durante todo o ano, regados ou cozinhados com o azeite, cebola e alhos da colheita iam dando sabor a autênticas iguarias feitas de quase nada, onde até a carne gorda podia ser um petisco, sem esquecer a magia das ervas aromáticas que tinham sempre à mão.   

 

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O engraçado disto tudo é que estes pratos considerados pobres e de pobres, hoje são servidos em bons e finos restaurantes como entradas, ou mesmo como prato principal, que embora não sejam maus, estão a anos luz do sabor e mestria com que eram confecionados com os produtos genuínos que a gente genuína do mundo rural tinha e que saiam das suas hortas e cortes, ao contrário dos de hoje, de estufas, aviários e outros que tais.

 

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Engraçado também, com graça deprimente, é que esses pratos pobres, poulas, hortas, cortes e muito suor deste povo do mundo rural deram de comer e pagaram muitos estudos a doutores e engenheiros que, hoje chegados ou estando no poder (politico ou outro) depressa se esqueceram de como eram bons os milhos comidos à luz da candeia e deixam morrer o mundo rural que lhes permitiu hoje, engravatados,  estarem onde estão.    

 

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De vez em quando, lá de Lisboa e de outros locais onde os poderosos se apoleiram, dizem ser urgente agir contra o despovoamento do interior e do mundo rural. Palavras ditas sem sentir e sem sentido, pois o que lhes vai na mente são outras ambições. Àquilo a que poderíamos e deveríamos apelar, já é muito tarde para o fazer. Já se perdeu, quase toda,  a genuinidade da cultura do povo rural, Já lhes começa faltar-lhe tudo e os pouco resistentes que resistem já não têm tempo ou estão tolhidos para salvar o que resta dessa cultura. Aquilo que supostamente hoje se possa fazer pela cultura deste povo interior, é o que se poderá fazer e oferecer em qualquer parte do mundo, de forma igual, globalizada, cómoda, muito cómoda porque onde quer que formos teremos mais do mesmo, o mesmo sabor, o mesmo saber, sem a singularidade e genuinidade das terras, dos produtos, do modo de fazer e outras singularidades que fazia os seus sabores diferentes, feitos com diferentes saberes e uma cultura, não uma coisa desinteressante, globalizada,  chata  e que se repete em todas as esquinas, sempre desenxabidas e artificiais.

 

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Também por cá, na terrinha, de vez em quando, se vem com a treta de se ter de olhar para o mundo rural, para o presunto de Chaves, para a couve penca, o grelo da veiga e a batata da montanha, para o  pastel de Chaves, o melhor fumeiro e folar de Portugal e arredores, o mesmo que outras terras desse nosso Portugal dizem, mas a realidade é que quando queremos comprar um desses afamados produtos regionais,  o presunto de Chaves nem vê-lo nem cheirá-lo, as couves são da mesma estufa que fornecem Lisboa e o Algarve, as batatas vêm de Espanha, os grelos de genuínos só tem o fio azul com que fazem os molhos, folar já começa a ser igual em qualquer terrinha a que se vá. Quanto ao fumeiro, com as exigências da lei e as preocupações que se tem com o pessoal que o faz e onde se faz, com cozinhas xpto, gorro na cabeça, luvas nas mãos, qualquer dia, em vez do reco do matadouro,  já se faz sem reco e sem fumo, e quer seja aqui ou no Barroso, em Vinhais, nas Beiras ou no Alentejo, o fumeiro certificado começa a ser todo igual e bem longe das chouricinhas e alheiras que a minha avó fazia com o reco da corte, sem luvas e touca na cabeça e fumado com a boa lenha do monte, em lareiros colocados por cima dos escanos a pingar gordura sobre as cabeças de quem o fazia.

 

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Restam os famosos pastéis de Chaves que sobre eles dava para escrever meia dúzia de romances e muitos mais livros de ficção. Pena que a origem dos pastéis de Chaves não fosse um tema obrigatório para os contos que os escritores galegos e outros deste Portugal,  foram convidados há dias pelo Altino para  às custas do município passarem uns dias em Chaves. Seria um bom desafio. Seja como for o pastel está certificado e como diz o nosso amigo do Celeiro que tem lá quatro pastéis dentro duma gaiola – “Não cantam mas são uma delícia” (penso que é isto que diz, se não for é parecido). Pois quanto à sua genuinidade, a acreditar pelo que dizem as dezenas de casas que o fazem em Chaves e não só, cada uma delas diz fazer o verdadeiro pastel de Chaves, quer isto dizer que deve haver por aí muito pastel falso e que os outros que fazem nas outras casas não é o verdadeiro, é parecido, bom, mas não é verdadeiro. Pois eu vou mais longe, e tal como o resto (fumeiro, presunto, etc), todos são pastéis de Chaves e embora, repito,  sejam bons, nenhum é genuíno pela simples razão de os ingredientes não o serem. E fico-me por aqui.

 

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Quanto às imagens de hoje, é um pouco ao calhas, uma foto daqui, outra dali, mas todas de cá,  do nosso mundo rural flaviense, esta sim, genuínas, tal como os nossos resistente e o despovoamento também bem verdadeiro.

 

Resto de um bom fim de semana, hoje com muita festa cá por Chaves e em várias frentes, mas a maior, claro, é a do regresso de Chaves à I Divisão, com reco no espeto, foguete no ar e música nos palcos.  

 

 

 

26
Mar16

Hoje também há folares


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Já em tempos deixei aqui a receita do folar, mas ela não é tão rígida assim, pois pode ter algumas pequenas variantes conforme a casa em que se faça, mas o segredo para um bom folar está mesmo na qualidade dos ingredientes, principalmente na qualidade dos ovos, do azeite e das carnes, de preferência, para um folar de primeira qualidade, quanto mais caseiro melhor, pelo menos no que toca aos ovos e às carnes (presunto, linguiça, salpicão e carne gorda). Quanto ao resto é tudo uma questão de q.b., jeito de amassar, farinha 55, algum sal, fermento, tempo de levedar e forno quente no ponto e alguma paciência. No final, embora todos os folares tenham mais ou menos o mesmo aspeto, é quando se saboreia que se nota a diferença, isto para quem já comeu dos verdadeiros folares caseiros, com os tais ingredientes caseiros e a mestria de os fazer. Que hoje começa a ser coisa rara e pela certa não os encontrará nas feiras e feirinhas da especialidade, mas em muitas casas ainda os há.

 

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Mas tudo o que disse são apreciações para os mais antigos, pois os mais recentes os mais jovens, ou têm a sorte de ter uma avó a altura de fazer um bom folar caseiro ou então nunca os avezaram  ou saborearam, comem dos outros, que na ausência de melhor, também marcham. Mas isto, hoje em dia, não é só coisa dos folares. Passa-se um bocadinho com tudo que levamos à boca, principalmente nas cidades, mas o que mais me preocupa é que com o despovoamento das nossas aldeias estamos a perder também os verdadeiros sabores e saberes que fizeram a delícia gastronómica destas quadras festivas, e ontem mesmo tive a prova disso em duas aldeias do Barroso mais barrosão, onde os fornos do povo, agora, apenas servem para turista ver e fotografar.

 

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 Seja como for, agora com o folar também industrializado e outras iguarias mais comerciais a fazerem-lhe concorrência, a verdade é que por aqui o folar ainda é uma iguaria desta quadra  e no Domingo de Páscoa, manda a tradição que seja o cordeiro ou o cabrito que ocupe o centro das nossas mesas, acabando também assim a presença (época) das carnes de porco e fumeiros à mesa, que desde o Natal, com o seu ponto alto na quadra do Carnaval, eram presença assídua nas mesas transmontanas. E disse bem, eram!, pois também as tradições, com origem no mesmo mal do despovoamento rural, se foram perdendo ao longo dos últimos anos (desde finais do século passado até hoje).

 

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Lamentos mas também palavras para memória futura, para se saber que houve um tempo em que a comida que se punha à mesa era toda caseira, ou quase toda, com grande exceção para o bacalhau que nunca se deu nas hortas, galinheiros, capoeiros ou cortes.

 

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Quanto às imagens de hoje, já não são do folar caseiro como há uns anos atrás vos deixei aqui. Ontem, nas tais aldeias do Barroso,  bem fui à procura delas ontem, mas por incrível que pareça não vi um único forno a deitar fumo, e o aroma do folar cozido também não andava nas ruas. Assim, as imagens de hoje são já de um folar mais industrializado, de forno elétrico, embora confecionados com alguns ingredientes caseiros e alguma arte à moda antiga, que no final ainda faz um bom folar ao gosto atual.     

 

 

 

08
Nov11

Flavienses e Gaúchos


Há dias pediram-me fotos da Feira dos Santos. Como não tinha as fotos ali à mão de semear, disse à pessoa que mas pedia que era fácil aceder a elas, pois bastava fazer uma pesquisa na INTERNET (por imagens) e de certeza que apareceriam algumas. Como ali ao lado tínhamos acesso à NET, acedemos e exemplifiquei. Claro que apareceram muitas imagens da Feira dos Santos, entre as quais algumas minhas a ilustrar posts deste blogue mas também de outros blogues e páginas. Dei uma vista de olhos breve a essas publicações, no entanto houve uma que prendeu a minha atenção, à qual não resisti a uma leitura mais atenta. Achei-a curiosa, logo pelo título, mas depois ainda mais curiosa por ter sido escrita por um antropólogo brasileiro que passou em estágio de mestrado pelo Pólo da UTAD em Chaves e que levou uma ideia do nosso ser flaviense, transmontano e português cuja identidade (de idêntico) colou à sua terra natal no Sul do Brasil, também terra de raia.


E tal como o autor me “roubou” algumas imagens para ilustrar o artigo eu agora pago-lhe com a mesma moeda e “roubo-lhe” as palavras para o post de hoje. Fica o artigo na íntegra, apenas lhe altero as imagens, feitas com imagens de arquivo deste blogue. Vale a pena ler.


Portugal de muitos sabores, ou o que comem gaúchos e transmontanos?

 

 

Written by admin on janeiro 16th, 2011


Convido a conferir o artigo de Maurício Dias Schneider, estudante do Curso de Bacharelado em Antropologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), realizando estágio de mobilidade acadêmica junto à Universidade de Trás-os-Montes e Alto D’Ouro (UTAD), campus de Chaves.


Enviado pela prof. Dra. Renata Menasche/UFPel.


Portugal de muitos sabores, ou o que comem gaúchos e transmontanos?


Para além do bacalhau com batatas e do Manuel da padaria, que muitas vezes povoam o imaginário de nós, brasileiros, Portugal é uma festa de sabores que compõe, juntamente com ritmos, sotaques, tradições e identidades muito diversas, a mágica desta adorável terrinha. Um país pequeno em extensão, mas que abriga uma notável diversidade cultural, com pessoas e grupos que criam distintos modos de viver, fazer, pensar e responder à natureza que os circunda.


No extremo norte do país, dividindo a fronteira com a Espanha, situa-se a região de Trás-os-Montes, montes esses que separam o litoral português do interior do país e da Península Ibérica. Morando por alguns meses nessas bandas, foi-me inevitável traçar comparações com os pampas gaúchos do sul do Brasil, de onde sou oriundo.


Em primeiro lugar, e mais obviamente, destacaram-se as situações fronteiriças com países hispânicos, ou de influência cultural espanhola. Argentina e Uruguai, no caso do Rio Grande do Sul, e a própria Espanha, no caso de Trás-os-Montes.


Em segundo lugar, a imagem de “rudes” e “grosseiros” que deles fazem aqueles ditos “mais civilizados”, de Lisboa ou de São Paulo. Nas duas regiões, é comum o apelo às expressões que remetem à exacerbação da masculinidade, por exemplo. As afirmações, muitas vezes ouvidas, de que os “transmontanos são os melhores” ou que são “homens de verdade” – estão aí geralmente incluídos os vizinhos galegos, que, apesar da barreira política, identificam-se culturalmente. Cabe observar que, historicamente e a despeito da formação dos dois estados nacionais, a zona “galaico-transmontana” se apresenta como uma unidade, desde a formação da província romana da Galécia, com capital em Santiago de Compostela. No que concerne a esse aspecto, as regiões de Portugal e Brasil aqui destacadas foram igualmente cortadas por barreiras políticas que desconsideraram por completo as identificações culturais com os hermanos, relegados ao lado “de lá” das fronteiras – no caso do Rio Grande do Sul, a menção é ao Uruguai e à Argentina, que habitam o mesmo pampa.

A cidade de Chaves, além da rica gastronomia, é um ponto privilegiado de observação da relação de contato e identificação cultural entre a Galiza e Trás-os-Montes. Como zona de fronteira ou raia (barreira porosa, com pontos de passagem, segundo a definição dos nativos), no passado vivia do contrabando e atualmente, juntamente com Verín, cidade vizinha, é uma das primeiras euro-cidades da Comunidade Econômica Européia.



No que diz respeito propriamente à comida, assim como os gaúchos, os transmontanos têm por base de sua alimentação muito mais as carnes vermelhas do que o peixe, distinguindo-se, assim, de outras zonas portuguesas, sobretudo o litoral. Isso não significa que não apreciem os frutos do mar, tais como camarão, polvo ou sardinha, presentes nas festas de São Martinho, quando é celebrada a colheita da castanha.

 

Também o bacalhau não pode faltar, feito de múltiplas formas, como as deliciosas receitas com natas, à Brás, ou à Gomes Sá; no Natal é indispensável, porém aí cozido em postas e acompanhado de couves e batatas, também cozidas.

 

Apesar de não se restringirem a ela, a tradição do consumo de carne em Trás-os-Montes possui uma grande força. Em Miranda do Douro encontra-se uma raça única de gado, o mirandês, e Montalegre organiza periodicamente as chegas de bois. De outubro a janeiro, em toda a região, são produzidas as alheiras ou enchidos (embutidos), feitos com carne de porco – ou, alternativamente, pão, aves ou coelho (opção de judeus para, à época das perseguições da Inquisição, evitar sua identificação a partir da interdição religiosa do consumo de carne de porco) – e postos para secar à fumaça das lareiras, no inverno. (brigas)

 

 

Em Chaves se produz o tradicional Pastel de Chaves, com recheio de carne e o Presunto de Chaves. Além das carnes, ali há também a tradição na produção de pães. Comem-se ótimos pães de Chouriço no João Padeiro, assim como os fulares transmontanos, feitos de uma massa com ovos e recheados de linguiça e chouriço.

 

O consumo e a produção de carnes vermelhas em Portugal, no entanto, não está restrito à região de Trás-os-Montes. Lafões, por exemplo, possui Denominação de Origem Protegida (DOP) de sua vitela, enquanto que o Alentejo é grande produtor de gado, além de berço do cozido à portuguesa (prato composto por variedade de carnes e legumes), apreciado em todo o país.

 

 

Anualmente, Chaves também é palco de uma feira de gado e concurso de pecuária, realizados durante a festa dos santos. Nessa altura, também ocorrem mostras folclóricas, tais como concertinas, arruadas de gaiteiros e ranchos folclóricos e uma enorme feira de comércio de rua – uma das maiores do país – onde se vendem roupas e artesanato, entre outros artigos, e onde se reúnem milhares de pessoas, entre ciganos, equatorianos, africanos e, obviamente, galegos. O hábito das feiras é comum em todo o país: todas as cidades, semanalmente, expõem suas feiras de rua.

 

 

Quanto à produção de vinhos e azeites, é na região de Trás-os-Montes e Alto Douro onde se produzem os melhores azeites de Portugal, além dos renomados vinhos do Porto e do Douro. Todavia, nessa região também se aprecia um bom vinho alentejano, bem como o vinho verde (feito de uva não maturada). Mas não só nas quintas mais famosas e próximas ao Douro se produz vinho. Por toda a região, as famílias do campo realizam as vindimas (colheita da uva), geralmente em forma de mutirão entre os vizinhos, após o que alguns vendem suas uvas para os espanhóis (que possuem tecnologias mais desenvolvidas, porém pior clima e, portanto, uvas de qualidade inferior para o fabrico de vinhos), enquanto que outros produzem mesmo a bebida final – entre esses é ainda comum esmagar as uvas com os pés e usar o maquinário de antigamente.

 

 

Mesmo com todas as curiosas semelhanças entre gaúchos e transmontanos, como o gosto pela carne, a produção de vinhos, a posição nos respectivos países, a situação transfronteiriça de contato e identificação cultural, é impossível fugir às situações de etnocentrismos. Há que se registrar o espanto e curiosidade com que encaravam o chimarrão. Perguntando se era um chá, se servia para fumar, como um cachimbo ou tomando um gole e com uma inegável expressão de amargura, passando adiante a cuia. Também costumavam associar o mate não a uma bebida brasileira, mas sim – nem tão espantosamente – a uma bebida argentina.

 

 

Por fim, como não poderia deixar de ser, a sobremesa. A tradição doceira de Pelotas (RS) deve-se, em parte, também aos transmontanos. Muitos dos doces que vieram a se constituir em uma tradição conventual em Portugal e, muito depois, chegar a Pelotas como doces finos, surgiram nesta região. Destaque para o pastel de santa clara, popularizado em Coimbra, mas que tem por verdadeiro berço a cidade de Vila Real.

 

Portugal é, sem dúvida, uma descoberta gastronômica que mexe com todos os sentidos. Tem-se na comida uma verdadeira conotação de alimento da alma: além da sobrevivência do corpo, cria formas de reciprocidade e estabelece relações sociais. Por tudo, vale a pena conhecer Portugal, suas comidas e sua gente, experimentar o que cada região tem de melhor e saborear essa experiência.

 


Para quem estiver interessado, fica aqui a localização original deste artigo:

 

http://noradar.com/antropologia/?p=1396

 

21
Dez10

Pedra de Toque - Filhós de Jerimum


 

 

 

 

Filhós de Jerimum

 

 

 

Têm o sabor do Natal, a cor das achas crepitando na lareira, a doçura da família reunida.

 

Julgo que são iguaria transmontana.

 

Noutras províncias desconhecem-lhe o sabor delicioso cuja origem assenta na abóbora amarela, amassada com outros condimentos, pelas mãos fadadas das nossas cozinheiras.

 

A minha mãe primava em fazê-las como ninguém.

 

No último ano, antes de nos deixar, como todos os anos, colocou-mas no prato e açucarou-as.

 

Diga-se ainda, que ninguém cuidava meu prato, quando vazio, como Ela.


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Vai ser mais uma noite de Natal com minha mãe fisicamente ausente.

 

A saudade morderá no centro do peito.

 

Esbaguará no canto dos olhos, quiçá.

 

No dia 24, no entanto, do país frio e branco onde se encontra, com muita ternura nas palavras, vai como sempre telefonar directamente para os meus sentimentos e dizer-me:

 

- “Meu filho, estou em paz. O meu pensamento está contigo, com os teus irmãos, com toda a nossa família.

 

Nesta noite não te magoes, ougando.

 

Em minha memória, come filhós de jerimum. O teu prazer torna o meu repouso mais feliz”.

 

Quero sempre, comovido, agradecer-lhe, mas a chamada, inevitavelmente, acaba sempre por cair…

 

 

 

António Roque

 

 

09
Dez09

Em dia de feijoada, Chaves e o Outro.


PRIMEIRA PARTE

Não tarda muito e este blog irá fazer 5 anos que está na NET. Voluntariamente venho aqui todos os dias deixar um bocadinho de Chaves e das nossas aldeias, em imagens e a falar um pouco do passado ou do presente, do que está bem ou está mal, falar dos nossos ilustres, dos erros do passado e do presente, às vezes questionar o futuro, contar estórias da cidade, falar da nossa importância histórica desde a cidade romana, à vila medieval passando pela vila e cidade da raia até aos nossos dias, em suma, por aqui, todos os dias se fala um pouco de Chaves e dos flavienses, ou seja, de nós. Mas que importa isso!? Que importância tem este blog!? Quem liga aquilo que por aqui se diz!?... a não ser  pelo contador de visitas e um ou outro comentário que aqui vai ficando, eu acreditaria mesmo que ninguém visita este blog, como também sei, que se este blog terminasse hoje, pouca gente se iria incomodar com isso, talvez alguns ficassem até felizes, ainda digo mais, poderia, com licença, desatar para aqui às caralhadas, a mandar badamerda a toda a gente,  chamar nomes a todos os flavienses, que tudo continuaria na mesma… num deixa andar diário, num não me incomodes nem me comprometas, num alheamento total à, e da cidade, numa falta de amor de meter dó, num seguidismo cego do pastor e sempre debaixo dos olhares atentos dos lobos que lhe cobiçam a condição.

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Pois é, embora tudo isto não seja mentira, também não é verdade, principalmente no que diz respeito ao amor à cidade e ao orgulho flaviense, porque sei que ele existe e que o há, às vezes até em demasia e, o problema está, em gastá-lo no diz-que-diz de cada esquina, o problema está em medos do passado que ainda são presentes, o problema está no clubismo partidário e cego de seguidores e ajoelhadores à passagem da procissão que dizem ámen!, mas também, (como diria Torga) nas “castas” de Chaves.

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Enfim, como sei que ninguém me liga, continuarei a fazer este blog para mim, com os meus devaneios, a dar as minhas voltinhas pelas aldeias, a fotografar o velho casario e a sonhar com uma cidade melhor, enquanto, claro, amargamente me vou rindo das anedotas e das cabeças pensantes onde, por ausência de ideias, se vão repetindo as palhaçadas na arena do circo.

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INTERVALO

Esta coisa das anedotas é engraçado. Fazem-nos rir com coisas sérias e, embora isso não resolva os nossos problemas, ridiculariza-os, ao ponto, de por momentos nos sentirmos aliviados, bem-dispostos e alegres. Talvez por isso, Portugal seja o país das anedotas, onde com tudo se brinca. O problema é que com tanta anedota que se ouve durante o dia, ao chegar à noite, quanto tentamos arrumar as coisas no nosso disco rígido, já nem sabemos se determinado ficheiro ou documento, é anedota ou verdadeiro, se foi sonhado ou é real.

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SEGUNDA PARTE

Aliados aos mais variados factores, as nossas aldeias foram sendo despovoadas num êxodo constante para as cidades e outros países. O mesmo fenómeno se passa nas pequenas cidades e vilas do interior, pois embora estas tenham aumentado de população, não é um aumento real, mas antes, população das suas aldeias que se deslocou para a cidade, pois a população do concelho, desde os anos 50, continua a decrescer.  Tal como nas questões do ambiente em que já não há retrocesso ao mal que foi feito, também por cá será difícil de contrariar a actual situação, tanto mais que as políticas actuais são centralistas e tudo concentram nos grandes centros e capitais de distrito, principalmente naquilo que é essencial  e diz respeito à saúde, educação, cultura, serviços públicos, etc.,  que tudo arrasta atrás deles, enquanto nós, vamos ficando por cá, apenas com aquilo que é nosso. Há que saber tirar proveito daquilo que nos resta.

 

E o que é nos resta!?

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Resta-nos aquilo que sempre tivemos e que sempre foi nosso. A nossa veiga, montanhas e planaltos, a nossa história, a nossa cultura, as nossas termas, a nossa gente, a nossa localização, a nossa gastronomia, os nossos produtos e o nosso comércio.

 

Se é certo que a nossa história sempre esteve ligada à fronteira, à cidade militar e ao comércio, se é certo que perdemos o contrabando e a importância militar, não perdemos a nossa condição de raia e comercial, que aliada às nossas coisas e produtos, podem fazer o futuro da cidade, livre das miragens dos futebóis e outros ensaios de futuros sem qualquer sustentabilidade. Sejamos nós próprios, com aquilo que é nosso, protegendo, promovendo e vendendo  aquilo que é nosso.

 

E o que é que podemos vender!?

.

.

Tudo, desde que seja nosso.  Podemos vender a saúde nas termas aliadas ao lazer que lhes falta, podemos vender muito turismo aliado as nossas montanhas e planaltos, à nossa história, às nossas tradições, e riqueza de usos e costumes, à caça, à pesca, à gastronomia, ao divertimento, ao desporto, à noite e ao comércio dos produtos da terra, fazendo com que em Chaves, fosse dia de feira todos os dias.

 

Em vez de se andar a copiar feiras que em alguns locais até se fazem com algum sucesso porque têm e fizeram a tradição. Em vez de se levar à praça os sabores e saberes de Chaves com produtos e artesãos que nada têm a ver com o nosso concelho, nem sequer com a nossa região. Em vez de fazer por fazer para marcar pontos na realização de eventos, faça-se qualquer coisa que possa ser útil e dar algum sustento à nossa população, como por exemplo feiras francas semanais, com produtos nossos, genuínos e com a nossa gente da veiga, das aldeias e freguesias, onde possam vender tudo que a terra dá ou que a ela lhe está associada, produtos da época, produtos frescos, secos e conservas, fumeiro, o folar na Páscoa, a castanha no S.Martinho, os nabos e nabiças, os grelos, as couves, as batatas, a lenha, as cebolas, os pimentos, as nozes, o presunto, os pasteis, os niscaros e cogumelos, os medronhos, o pão centeio do forno, a azeitona com ou sem carabunha, a lenha,  as velharias, os barros de Vilar, os cestos, eu sei lá… desde que sejam produtos nossos, genuínos e com a nossa gente, à moda de uma verdadeira feira franca medieval, um pouco espalhada pelas praças do centro da cidade, poderíamos ter aqui uma grande feira franca,  todas as semanas, aos Sábados, por exemplo, que é quando gentes de fora nos visita e nós locais estamos mais disponíveis para comprar. Bastavam os nossos produtos (e só os nossos), alguma animação de rua,  alguma publicidade  inicial e tinha-mos enchente comercial todos os fins-de-semana, uma feira sem dúvida sustentável e que poderia dar também algum sustento aos resistentes das nossas aldeias.

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E ao contrário de outros, não vendo a ideia, ofereço-a. Se quiserem saber como é que se lança uma feira destas (se não houver ideias) sempre podem perguntar ao Padre Fontes, que é vizinho e amigo, pois numa terra onde nunca houve tradições de bruxarias (os nosso(a)s são bem mais afamado(a)s), conseguiu fazer do Congresso da Bruxaria de Vilar de Perdizes e das Sextas-Feiras 13, um acontecimento nacional e que tem sempre honras da imprensa nacional, televisão e enchentes nesses dias, com parque hoteleiro esgotado e restaurantes à pinha e só com reserva.

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FIM DO JOGO

Chaves 1 – o Outro, outro.

 

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