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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Out19

Cidade de Chaves

A semana do turista - 3

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A semana do turista – 3

 

Vamos continuar na Praça do Duque de Bragança, hoje com a Igreja da Misericórdia, a Igreja Matriz, o antigo Hospital da Misericórdia (atual centro de dia e lar da 3ª idade)  e o Museu de Arte Sacra. Iniciemos pela Igreja da Misericórdia e o Antigo Hospital pois historicamente falando sempre estiveram juntos.

 

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Mas como tempo e o espaço não dão para tudo, vamos debruçarmo-nos essencialmente sobre a Igreja da Misericórdia e a Igreja Matriz, e depois, não podemos dizer tudo, alguma coisa há de descobrir quem anda à descoberta. Como o nosso turista vai a descer a praça, a que calha primeiro é a Igreja da Misericórdia. Vamos então entrar dentro dela.

 

Igreja da Misericórdia, alguns dados

 

De arquitectura religiosa, barroca, aponta-se o início da sua construção para 1532 e ainda neste século, a pintura da tela a óleo representando a visitação. Mais datas importantes na história desta igreja:

 

1601 - data inscrita em coluna do átrio da Provedoria assinalando a sua provável conclusão;

Séc. 18, fim do 1º quartel - provável execução dos painéis de azulejos, atribuídos a Oliveira Bernardes;

Séc 18 - execução do retábulo-mor;

1743 - execução da pintura do tecto da igreja pelo pintor Jerónimo da Rocha Braga;

1739 - execução dos nichos laterais do retábulo-mor;

1921 - arranjo do largo frontal e da escadaria actual, perdendo-se o anterior átrio que serviu de cemitério.

 

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Quanto aos painéis de azulejos, são no total 22 painéis, separados entre si por cercaduras de temática arquitetónica, consolas volutadas, acantos, cartelas e querubins, dispõem-se em dois registos sobre um lambrim de querubins segurando grinaldas.

 

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Os temas estão representados em paisagens profundas dominadas pela monumentalidade de elementos arquitetónicos de inspiração clássica. Na parede do Evangelho estão representadas: A cura do paralítico; Bodas de Canã; Ressurreição de Lázaro; Incêndio de Sodoma; Jesus profetiza a destruição de Jerusalém; Jesus e a Samaritana; A prisão de Jesus; Jesus cura a sogra de Pedro; Maria, refúgio dos pecadores; Oração por intermédio de Maria. Na parede da Epístola figuram-se: O calvário; Maria, Mãe de Misericórdia; Jesus aplaca a tempestade; Multiplicação dos pães; Maria, saúde dos enfermos; Jesus cura um hidrópico; A morte do Justo; A adúltera; A visitação de Nossa Senhora a Santa Isabel. Sob a balaustrada do coro-alto: A ceia do Senhor; Glorificação da Virgem; O lava-pés.

 

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Digno ainda de registo e realce toda a fachada da igreja, mas em especial o pormenor do coroamento por frontão com nicho, albergando escultura da Mater Omnium, com manto aberto protegendo desventurados.

 

 

Igreja Matriz / Igreja de Santa Maria Maior / Igraja Grande

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Tanto quanto se sabe, não se sabe com exatidão qual o início da construção desta igreja, no entanto é de raiz medieval, mas com vestígios que marcam fases importantes na sua estrutura cronológica. Da construção medieval conservou a imponente torre, rasgada por duas sineiras por face, com molduras e frisos de interligação decorados com boleados, motivos vegetalista e em ziguezague, apresentando frontalmente portal românico, precedido por nártex, com arquivoltas e molduras decoradas, assentes em colunelos com capitéis esculpidos, e nas paredes frestas, siglas, mísulas antropomórficos, bem como fragmento de friso com enxaquetado integrado na parede sobre a porta travessa.

 

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Ao longo dos tempos (séculos) a igreja foi-se transformando, sendo principalmente visíveis as transformações ocorridas no séc. 16, sendo particularmente visíveis nos portais, o da fachada lateral esquerda mais rico do que o principal, e na abóbada estrelada da capela-mor. Mas demos uma vista de olhos à cronologia da paróquia de Chaves e desta igreja para melhor ser entendida:

 

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Séc. 05 - É bispo em Chaves, Idácio de Limia;

742 - a cidade de Chaves é reconquistada aos Árabes por D. Afonso I;

872 - D. Adoário, capitão de D. Afonso III, reconstrói a cidade;

séc. 12 - primeira referência à paróquia de Chaves;

1258 / 1259 - restauro da Igreja ao mesmo tempo que o castelo;

1259 - nas Inquirições de D. Afonso III, refere-se o rendimento de um casal pertencente à Igreja;

1259 / 1262 - instituição da Colegiada de Santa Maria de Chaves; devido ao grande número de habitantes e à crescente importância do novo centro populacional, um páraco tornara-se insuficiente para atender às necessidades espirituais dos moradores da vila;

 

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1307 - composição entre D. Dinis e a vila de Chaves em que se determina que pertencem à coroa as rendas que até aí pertenciam ao concelho entre as quais "a terça da igreja de Santa Maria";

1386 - D. João I e D. Nuno Álvares Pereira, ouviram missa na Igreja depois da rendição da praça;

1415 - por intercessão de D. João I, foi criada a Colegiada de Santa Maria de Chaves, sendo Arcebispo em Braga D. Fernando da Guerra; tinha prior, prioste, quatro beneficiados, dois curas, dois sacristães e um obrigado;

1434 - a partir desta data, a Colegiada passa a ser constituída por um prior e quatro cónegos, contando-se entre as colegiadas mais importantes do arcebispado de Braga;

1462 - falecimento de D. Afonso, Duque de Bragança, que foi enterrado numa campa rasa na Igreja;

1506 - celebra-se a procissão do Anjo Custódio no terceiro domingo de Agosto, instituída por D. Manuel;

 

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1561 - o licenciado Domingos Gonçalves, prior da Igreja mandou ampliar e beneficiar o edifício e procedeu à construção da capela-mor à sua custa;

séc. 16 - construção da fachada renascença com uma larga porta sob rosácea que iluminava a nave central; reconstrução da fachada lateral N. com um portal maneirista encimado por dois medalhões com as efígies de São Pedro e São Paulo; desenho do castelo de Duarte d'Armas, em que se vê o edifício e a torre do relógio;

séc. 17 - D. Filipe III, criou um imposto sobre o azeite e o peixe vendidos no concelho, para cobrir as despesas com a pintura de um retábulo da igreja; colocação do órgão;

 

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1614, 19 outubro - tendo ganho uma empreitada de obra, o mestre escultor Afonso Martinez, encomenda um retábulo colateral da igreja ao entalhador e escultor Cornélio Guilhermo, por setenta ducados;

1640 - depois desta data foi substituído o retábulo intervencionado durante o reinado de D. Filipe III pelo de Nossa Senhora da Conceição, ladeada por São Sebastião e Santa Luzia;

1688 - era organista da igreja, Pedro Magalhães;

1755, 14 fevereiro - emissão da licença episcopal para a obra da reconstrução da Capela do Santíssimo, incluindo o retábulo;

1756 - reconstrução "a fundamentis" da capela do Santíssimo, sendo a obra de pedraria atribuída ao mestre pedreiro Silvestre Garcia, morador no arrabalde do Anjo, que arrematou a obra por 540 mil reis; cobrou mais 4$800 reis por fazer um arco no fundo da capela destinado a colocar um armário; arrematação da obra de talha pelo mestre entalhador João Correia Ferreira por 144$000; colocação de dois anjos grandes;

 

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1757, 30 maio - o Arcebispo através do seu governador Frei Aleixo de Miranda Henriques, expediu autorização para se colocar o Santíssimo e celebrar os ofícios divinos;

1758 - a Igreja era colegiada e tinha três naves, separadas por cinco arcos; tinha 7 altares: o altar-mor, o do Santíssimo Sacramento, o das Almas, o de Santa Justa e Rufina, o de São Sebastião, o do Santo Cristo e o de São Pedro; o primeiro altar tinha uma cruz de prata, a relíquia do Santo Lenho que se que manifestava ao povo, no dia da Exaltação; os santos dos altares tinham confraria ou Irmandades, exceto o de São Sebastião; o pároco é prior encomendado apresentado pelo Arcebispo de Braga e tinha 8$000 de rendimento por mês;

1780 - abertura das janelas e arcos dos três altares laterais da parede da nave direita, obras arrematadas pelos mestres de pedraria Manuel da Silva e Diogo da Silva, então assistentes na vila, por 331$000; execução das mesmas obras na parede da outra nave, por iniciativa da Ordem Terceira; séc. 19, 1º quartel - reposição da cobertura do coro após ter ruído;

1819 / 1824 - a Confraria do Senhor mandou reconstruir a cobertura sobre o primeiro arco, a Confraria das Almas mandou reconstruir a cobertura do segundo arco e a população de Chaves manda reconstruir o terceiro e quarto arcos;

 

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1824 - a Santa Igreja Patriarcal mandou decorar a capela-mor e as Confrarias do Senhor e das Almas mandaram o mestre carpinteiro de Loivos, Manuel Luís, concluir o forro do tecto da nave; faltavam ainda dois arcos, devendo ficar uma claraboia no último arco para dar luz à capela-mor; o teto dos últimos dois arcos orçou em 400$000; 1830, 29 Setembro - celebrou-se pela última vez com grande solenidade na Igreja de Santa Maria Maior a procissão do Anjo, facto que foi comunicado por escrito ao rei;

1839 - provável reparação, conforme data pintada nas traseiras do retábulo da capela-mor;

1865 - na sequência da demolição da torre dos Paços do Concelho, colocou-se o relógio e outros elementos na torre da igreja;

1874 - retificação das paredes laterais da nave para execução de um telhado de duas águas;

1880 - obras de nivelamento do largo fronteiro à fachada principal da igreja;

 

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1893, janeiro - provável reparação, de acordo com inscrição pintada nas traseiras do retábulo da capela-mor; mudança do arco triunfal de quebrado para volta perfeita;

1906 - provável intervenção conforme data pintada nas traseiras do retábulo da capela-mor;

1950 - artigo no jornal "Ecos de Chaves", da autoria de Francisco Gonçalves Carneiro, chama a atenção para o estado lastimável da frontaria da Igreja Matriz; duas semanas mais tarde, publica-se um segundo artigo do mesmo autor;

1965, 17 março - visita de técnicos da DREMN a Chaves para apreciação do projeto de recuperação da Igreja Matriz;

1966 / 1968 - realização de grandes obras na Igreja Matriz, onde participou o mestre carpinteiro Albano dos Santos;

1989, agosto - Despacho do Secretário de Estado da Cultura determinando a sua classificação como Imóvel de Interesse Público.

 

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Particularmente falando, eu próprio sou turista nas visitas que vou fazendo a esta igreja e sempre que lá entro não deixo de entrar numa de admiração e espanto. O silêncio ajuda a perdermo-nos em contemplações das enormes colunas estruturais, os arcos, a capela mor, os altares, o colorido e luminosidade dos vitrais e o órgão tardo-barroco, de influência alemã, de disposição simétrica, com castelos intercalados por nichos, e assente em duas mísulas. Em criança tremia de medo com a carantonha central e as duas figuras laterais por baixo do órgão, “anjos carecas de testa enrugada” a fixar o seu olhar no meu… ainda hoje, quando fixamos os olhares, os acho esquisitos… mas isso são coisas minhas.

 

E por fim, toda esta longa prosa só deixa aqui um pouco da realidade destes espaços, que sem dúvida merecem a nossa visita repetida.

 

Quanto ao antigo Hospital, dele, só já resta a fachada principal, e quanto ao Museu de Arte Sacra, depois de visitar a Igreja da Misericórdia e a Igreja Matriz, o melhor mesmo, e não perdermos tempo com ele e passearmos diretamente à Praça da República e ao restante da visita à cidade de Chaves, mas só amanhã continuaremos, pois por hoje já chega.

 

Consultas:

http://www.monumentos.gov.pt

 

 

 

13
Ago19

Pedradas e Tesouros

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Muitas vezes, inconformados com outras coisas, revoltamo-nos com as coisas da nossa cidade e com a própria, com o que nela não acontece (de bem) ou no que nela acontece (de mal), que deveria ser assim, ou assado, saudades daquilo que já não existe, etc.  e que venha daí um que atire com a primeira pedra se nunca o fez… é muito fácil, e então agora com o Facebook, é só pedradas, contra isto, contra aquilo, etc, coisa e tal, e fazem-no com a mesma facilidade e leviandade como aquela em que esquecem a nossa história milenar e os nosso preciosos tesouros, que poucas cidades do país têm, quer em quantidade, quer em qualidade, e que nós vamos esquecendo e até desprezando.

 

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Poder-vos-ia enunciar aqui todos os nossos tesouros, como a ponte romana, as nossas fortalezas militares (medievais, seiscentistas e até as atuais, os fortes, as muralhas e castelos), as termas romanas e as atuais, todo o nosso centro histórico, as nossas praças monumentais, entre outros, mas também a hospitalidade da nossa gente, a nossa gastronomia, o nosso mundo rural, e por fim, os nossos museus, como o Museu Militar, e um dos que já é considerado dos melhores de Portugal, como é o Museu de Arte Contemporânea  Nadir Afonso, quer pela arquitetura do edifício do Mestre Álvaro Siza Vieira, quer pelo seu conteúdo, mas também um outro que não deixa de poder ser considerado um museu, que é o da arte sacra, quer nos edifícios religiosos que temos, quer na riqueza dos seus interiores e conteúdos, refiro-me às nossa igrejas medievais rurais (Outeiro Seco, Graginha, Santa Leocádia, São Julião, Moreiras, etc), aos nossos santuários (São Caetano, Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora da Aparecida, Nossa Senhora do Engaranho, etc.) quer pela quantidade de capelas e igrejas um pouco espalhadas por todas as aldeias do concelho, mas também dentro da cidade, com destaque para a Igreja Matriz, da qual hoje deixo imagens, a Igreja de Misericórdia, a Igreja de São João de Deus na Madalena mas também a Igreja de Santa Cruz Trindade,  que se destaca pela sua arquitetura contemporânea e por ser diferente daquilo que é habitual, mas também sem esquecer as nossas capelas da cidade, como a da Stª Cabeça e a de Stª Catarina (exterior e interior), e a capela da Lapa, entre outras. Mas hoje, ficaria só com o destaque para a Igreja Matriz, que para além da sua história ( desde a época medieval até hoje) e destaco-a principalmente pela riqueza do seu interior, um autêntico museu de arte sacra e de uma beleza impar, quer da própria estrutura em pedra (colunas e tetos das capelas), pela riqueza e arte dos vitrais, altares e do seu monumental órgão, etc.. E fico-me por aqui.

 

 

 

 

12
Mar19

Cidade de Chaves - Um olhar sobre um cantinho

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Hoje fica a imagem de um cantinho da nossa cidade que dá pelo nome de Largo Caetano Ferreira, ali onde se entra para a Rua da Ordem Terceira tendo a um lado a Igreja Matriz (Igreja Grande ou de Santa Maria Maior)  e o  Museu de Arte Sacra, e do outro lado da rua,  algum casario abandonado ou em ruinas e ao fundo da rua, o edifício que foi sede da Ordem Terceira dos Franciscanos Leigos que dá origem ao topónimo. Curiosidades deste cantinho/largo, uma, a do próprio Caetano Ferreira que não se sabe bem quem foi a não ser ter vindo do Brasil, ter adquirido algumas casas então ali existentes e tê-las demolido para dar lugar a este pequeno largo, mas segundo consta, era um homem de bem, de grandes virtudes e muito dado a obras de caridade, diz-se ter morrido em cheiro de santidade. A outra curiosidade é a do Museu de Arte Sacra, que pouca arte tem, coitadinho. mas se for por lá enganado, não dê o tempo como perdido, pois no mesmo edifício, no seu interior, ou atravessando o largo, num outro edifício,  tem muita arte sacra com que se deliciar, refiro-me, claro, à Igreja Matriz e à Igreja da Misericórdia, que sem serem museus, têm muita arte, começando pelos próprios edifícios.

 

25
Jun18

De regresso à cidade, com o cão, o gato e a gárgula!

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De regresso à cidade, com o cão, o gato e a gárgula!

 

No regresso à cidade de hoje, vamos voltar uma semana atrás, ao post cujo título era “ De regresso à cidade, com o cão que vai comer o gato!?”

 

Como todas as estórias, esta também começa no início. Então foi assim: Há um semana e pico, já ao fim da tarde, resolvi ir cortar o cabelo, já andava a incomodar e fazer muito calor. Já há uns anos que esta rotina de cortar cabelo é feita na Rua Direita. Cortei o cabelo e já que estava na Rua Direita e naquele dia estava verdadeiramente sem trânsito, motivo de obras, aproveitei para descer a rua e quem sabe tomar umas fotos para o blog.

 

Claro que na descida, na Praça da República, como sempre o vamos fazendo, deitamos um olho às fotografias que estão na porta de entrada das agências funerárias para ver quais os últimos flavienses que partiram. Quase sempre o Esteves sai à porta para o cumprimento, e não é para vender nada, é mesmo um cumprimento antigo e amigo que vamos repetindo desde que fomos vizinhos e desfrutávamos das horas de lazer que a ACREOS nos proporcionava.

 

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O cão e o gato

 

Pois durante os dois dedos de conversa que vamos trocando, os meus olhares de caçador de fotografias não param. Com ouvidos na conversa e olhares no que se vai passando à volta. Estavam os meus olhares entretidos com dois gatos que estavam deitados debaixo de um carro a ver que passava. Ao que parecia, seria lugar habitual para eles verem quem passa, coisa que o Esteves confirmou. Nisto, pachorrentamente um cão vindo do fundo da Rua Direita começa a aproximar-se de nós, mas também dos gatos, pois estes estava à nossa frente. Pensei eu para com os meus botões: — “Agora é que vai ser, vai começar a confusão entre as espécies”. Mas não, o cão já velhote, passou a meio, entre nós e os gatos, um metro e pico para cada lado, sem ligar nenhuma a ninguém. Deu mais três passos com as patas dianteiras, outros tantos com as patas traseiras e zás, deixa-se cair no meio da rua, notoriamente cansado. Pois a estória terminaria aqui e passaria já àquilo que vos quero trazer hoje, mas o raio de um dos gatos resolveu aproximar-se do cão. — “Provocador!” pensei eu, e quando o gato está a dois palmos do cão, este abre bem os seus queixos e foi aí que eu pensei que ele ia comer o gato, mas para espanto meu, ele só estava a bocejar enquanto que o gato lhe dá uma volta completa roçando-se nele, o cão, que se manteve serenamente a gozar do seu descanso. O Esteves dando conta do meu espanto, disse-me: “São amigos!” …

 

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A gárgula

 

Desviei o olhar e lancei-o para o telhado da Igreja Matriz, mais propriamente para aquela obra de arte em que termina no lanternim da Capela do Santíssimo, mas o que me intrigava mesmo era um espécie de figura esculpida que me parecia avistar, parecia-me uma gárgula, mas veio-me à memória que tinha lido em algum lado que a Matriz tinha duas gárgulas, e pensava eu que seriam as duas que se avistam no seu alçado posterior…

 

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mas ao que parece há mais. Ao aproximar-me da matriz para recolher uma foto dessa figura, verifiquei que se tratava mesmo de uma gárgula que eu até então nunca tinha visto, ou aliás, que vi centenas de vezes sem nunca a ver. Fica a foto possível, pois na altura não tinha objetiva na máquina para chegar lá como deve ser.

 

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Fiquei (comigo mesmo)  de passar mais tarde, uns dias depois,  para verificar se na cornija do cunhal oposto se repetiam as gárgulas, mas ainda não deu para ir lá. Num próximo regresso à cidade talvez aprofundemos o assunto. Até lá fica a história do cão, do gato amigo e da gárgula.   

 

 

13
Mar18

Esperas

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No largo da misericórdia, aproveitando um pouco de calor do sol de inverno, esperam pelo passar das horas para um dos poucos confortos que lhes restam — alimentar os corpos, pois as almas já não há quem lhas conforte. Preferem o silêncio, mas se tiverem quem os oiça, eles falam, contam as suas estórias de vida, estórias que às vezes nos fazem ficar pequeninos, reduzidos à nossa insignificância. Tivessem eles nascido noutro berço e em vez de estórias, teriam história para contar.    

 

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