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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Out21

António Granjo

Chaves, 27-12-1881 — Lisboa, 19-10-1921

5outubro

 

António Joaquim Granjo

Chaves, 27 de dezembro de 1881 — Lisboa, 19 de outubro de 1921

 

Lembramos que faz hoje 100 anos que o ilustre flaviense António Granjo foi assassinado em Lisboa, naquela que ficou conhecida como “noite sangrenta”, quando tinha 39 anos de idade e desempenhava o cargo de Presidente do Conselho (atual Primeiro Ministro).

 

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Para não nos estarmos a repetir, deixamos aqui, em reposição, o post que lhe dedicámos em 27 de outubro de 2008:

 

 

In Ilustração Portuguesa nº337, de 5 de Agosto de 1912, Pag.162

 

 

António Joaquim Granjo

(1881 – 1921)

 

António Joaquim Granjo é o ilustre flaviense que hoje vai ficar aqui no blog, e se sobre alguns ilustres flavienses irei ter algumas dificuldades em arranjar imagens e biografia, sobre António Granjo há muita documentação escrita e também algumas imagens, a dificuldade será mesmo resumir o que há por aí em livro, artigos, estudos e na net, tudo isto, porque o Ilustre António Joaquim Granjo não é um nome que limita a sua ligação a Chaves, pois é um nome da República e de Portugal.

 

António Joaquim Granjo nasceu em Chaves em 27 de Dezembro de 1881 e faleceu assassinado em Lisboa em 19 de Outubro de 1921, quando desempenhava as funções de Presidente do Ministério, ou seja, presidente do governo português e que equivale hoje ao Primeiro-ministro. O dia da sua morte ficou para sempre registada na história de Portugal como “A Noite Sangrenta” à qual esteve associada a “Camioneta Fantasma”, acontecimentos e morte que viria a ditar o fim da 1ª República de Portugal.

 

 

“Era franco, rude, generoso e exagerado. Tinha todas as virtudes e todos os defeitos do montanhês e quem atentasse no seu tórax herculeo, julgaria admirar um pedaço de granito arrancado lá de cima, das serranias de Trás-os-Montes e afeiçoado pelo cinzel de qualquer escultor amigo de fortes plásticas.”

Consiglieri Sá Pereira

in A Noite Sangrenta,

Aillaud & Bertrand, Lisboa,1924

 

Casa onde nasceu António Granjo, junto à ponte do Ribelas nas Caldas,

demolida nos finais dos anos 80 para construção do Hotel Aquae Flaviae

.


António Joaquim Granjo nasceu em Chaves, em 27 de Dezembro de 1881. Era filho de Domingos Pires Granjo, um curtidor e vendedor de peles e de Maria Joaquina Granjo.

 

Obteve, em 1907, o bacharelato em Direito pela Universidade de Coimbra, para onde se deslocou em 1899, tivera formação religiosa, frequentando o Seminário de Braga, entre 1893 e 1898, e cursando Teologia no Porto, no ano seguinte. Quanto à frequência do Seminário de Braga, não há contudo consenso nos escritos a que tive acesso, pois Júlio Augusto Montalvão Machado, num documento publicado no nº6 da Revista Aquae Flaviae, referia-se a este assunto da seguinte forma:

 

Por 1899-1900 frequentava o Colégio de S. JOAQUIM e conseguiu agrupar bons companheiros, a quem iniciou magistralmente no seu credo republicano! Devido a iniciativa sua, se começou então a publicar em Chaves o semanário republicano «A Alvorada», que foi querelado e punido (devido a artigo do Granjo), passando seguidamente a publicar-se com o título «Aurora». Colaboradores principais: Antonio Granjo, João Amorim, António Castilho, Maximiano Seixas Martins (Vila Pouca de Aguiar) e João Sarmento, de Soutelinho do Monte. 0 Granjo sentia-se cada vez mais revoltado contra a profissão eclesiástica que lhe escolhiam, não tinha feitio; mas também não queria desgostar a família, que muito sinceramente o estimava. Então no seu jornal, que logo conquistou público, conseguindo impor-se pelo seu valor literário, começou a satirizar certas criaturas, inclusive António Carneiro, secretário do Vigário Geral, e ainda outros elementos clericais, - havendo (e desta feita, ainda bem!) quem de tudo desse completo conhecimento para o Ver.º Arcebispo de Braga. Sucedeu porém que, terminados os estudos da latinidade, e por obediência aos pais, viu-se obrigado a requerer sua admissão para 0 Seminário de Braga, - onde muito desejava não chegar a entrar. A pobre mãe, ainda iludida, lá conseguiu arranjar o enxoval para a frequência do caloiro nos estudos canónicos, e foi ela própria acompanhar 0 filho a Braga, onde com outros estudantes amigos e da região nortenha, todos foram almoçar à Hospedaria Igo; por lá se acantonaram até à manhã seguinte, em que foi a pauta de inscrição afixada à porta, no gradeamento do Seminário dos Apóstolos, ou Seminário Conciliar, (espécie de Porta-Férrea, de Coimbra), e onde constavam os nomes dos requerentes admitidos. Na longa coluna dos A-A-A ..., não aparecia 0 nome de António Granjo! Produzira efeito o plano urdido na gazeta flaviense, mas o excluído (intimamente radiante) por necessidade e respeito, acompanhava sentidamente as lágrimas da mãe, - e para a contentar ficou logo ali assente que seguiria a continuar os seus estudos na Universidade de Coimbra, onde iria matricular-se na Faculdade de Teologia.”

 


Tivesse ou não frequentado o seminário o facto é que assentou praça em 1899 no Regimento de Cavalaria nº 6, mas a 15 de Outubro desse mesmo ano pediu baixa da vida militar, experiência a que dará continuidade mais tarde, quando liderar um grupo de voluntários contra as invasões monárquicas de 1911 e 1912 e integrar o Corpo Expedicionário Português na qualidade de alferes miliciano. Depois de concluir os estudos superiores em Coimbra, regressa à sua terra natal, onde se dedicará à advocacia até se fixar em Lisboa, no ano de 1919.

Quando estudante em Coimbra convive com Cândido Guerreiro, José Lobo de Ávila Lima, Fernando Emídio da Silva, António Abranches Ferrão, sendo António Granjo um dos alunos melhor classificados do seu curso. Casou ainda estudante, em 8 de Outubro de 1906, com Cândida Lamelas. Funda o Centro Republicano de Chaves, que se torna uma verdadeira "sociedade revolucionária" (Rocha Martins, Vermelhos, Brancos e Azuis, vol. II).

A sua actividade política começa no contexto das greves estudantis em Coimbra - quando, em 1907, integra o Comité Revolucionário Académico – e consolida-se, logo a seguir, por via da organização de um núcleo revolucionário em Chaves e da participação no Comité Revolucionário de Trás-os-Montes, onde tem um importante papel na propaganda republicana.

 

Desenho em gafite e tinta da china, 14x14cm (1918?) de autoria de Leal da Camara


Participou na tentativa revolucionária de 28 de Janeiro de 1908, tendo desenvolvido contactos na cidade do Porto, onde vivia o irmão Manuel Augusto Granjo. A sua acção, durante esta tentativa revolucionária republicana que fracassou, seria tomar o forte S. Neutel, em Chaves, para apoderar-se das munições e armas ali existentes.

A 8 de Outubro de 1910, foi proclamada a República em Chaves, com a sua presença na Câmara Municipal. Faziam parte do núcleo revolucionário de Chaves, além de António Granjo o Antão Fernandes de Carvalho, Vitor Macedo Pinto, Adelino Samardã (jornalista e organizador da Carbonária na região transmontana), José Mendes Guerra e António da Silva Correia.

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Na segunda fila (esq.-dir) António Granjo, Nicolau Mesquita e António Vilhena,

numa foto do casamento de Artur Maria Afonso e Palmira Rodrigues

(pais do ilustre flaviense Nadir Afonso) também na segunda fila abraçados.

Foto gentilmente cedida por Laura Afonso.

 


A 6 de Outubro de 1911 partiu para Vinhais, para enfrentar as invasões monárquicas comandadas por Paiva Couceiro, levando com ele António Cachapuz, Joaquim Monteiro, Vitorino Vidago e António Luis Pereira. Nesse mesmo ano, dá início à sua carreira de deputado, eleito e reeleito por Chaves até 1921, em que se destaca, logo em 1912, por defender a amnistia para os inimigos do novo regime.

 

(1)

Em 1912, trava-se de razões contra os denominados jovens turcos: Álvaro de Castro, Sá Cardoso, Álvaro Pope, Américo Olavo, que defendiam as opiniões de Afonso Costa, enquanto António Granjo se perfilava ao lado de António José de Almeida.

Em Maio de 1917, ingressa como alferes miliciano no Regimento de Infantaria nº 19, de Chaves, após ter concluído o curso de alferes no Regimento de Infantaria nº18, no Porto. Antes de partir manda elaborar o seu testamento antes de partir incorporado no Corpo Expedicionário Português em direcção à Flandres.

Quando regressa envolve-se nas conspirações e revoltas de 12 de Outubro de 1918 e de 10 de Janeiro de 1919, contra Sidónio Pais. A primeira das tentativas restringiu-se às cidades de Coimbra, Évora e Vila Real. A segunda, deflagrou somente em Santarém.

 

Um Duelo entre António Granjo e Álvaro de Castro retratado na Ilustração portuguesa

nº354 de 2 de Dezembro de 1912 pág.. 720



Proclamada a República, torna-se administrador do concelho de Chaves e, em 1911, é iniciado na Maçonaria, no triângulo 187, de Santa Marta de Penaguião, adoptando o nome simbólico deBuffon. Pertenceu depois à Loja Cavalheiros da Paz e Concórdia, em Lisboa. Manteve ligações a esta sociedade até ao final da sua vida, quando pertencendo à Loja Liberdade e Justiça, nº 373, de Lisboa, foi alertado por uma prancha datada de 15 de Outubro de 1921, que referia os problemas causados pela "questão dos eléctricos" e a necessidade de "meter na ordem obrigando a cumprir as leis nacionais e estrangeiras" (Rocha Martins, ob. cit.).

Depois de deixar o Partido Republicano Português e de se tornar membro do Partido Evolucionista, integra ainda o Partido Liberal, de que foi líder entre 1919 e a cujo directório pertenceu até 1921. Estreia-se como ministro entre 30 de Março e 28 de Junho de 1919, à frente da pasta da Justiça num governo liderado por Domingos Pereira.

 

Fotografia de António Granjo (Ao centro) quando era Presidente do Conselho de Ministros

Acompanhado dos seus ministros - 1921


Em 15 de Janeiro de 1920, sendo já membro do Partido Liberal, a cujo Directório pertenceu desde os finais de 1919 a 1921, é nomeado ministro do Interior, mas não chega a tomar posse. Quando voltou a ser nomeado para cargos governativos, assumiu a pasta da Agricultura e chefiou o próprio Executivo, ambas as funções decorrendo entre 19 de Junho e 20 de Novembro de 1920, além de se ter encarregado da pasta das Finanças, a título interino, entre 14 de Setembro e 18 de Outubro de 1920. Será, ainda, ministro do Comércio, de 24 de Maio a Agosto de 1921, até acumular, pela última vez, a chefia do Executivo com uma pasta ministerial, desta feita, a do Interior, no período de 30 de Agosto até à Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, que ditou a queda do Governo e a sua própria morte.

Da sua participação na Grande Guerra, escreveu um livro de impressões, que intitulou A Grande Aventura (Cenas de Guerra), além de ter publicado poesia e dirigido o jornal A República a partir de 9 de Março a 19 de Julho de 1920, em virtude de António José de Almeida ter sido eleito presidente da República. Volta a assumir esta função entre 20 de Novembro de 1920 e 9 de Junho de 1921. Colaborou ainda na revista Livre Pensamento de Coimbra, em 1905. Foi ainda colaborador de O Norte, Porto, 1918-1920.

Escreveu: Carta à Rainha D. Amélia (1909) e Águas obras em verso; Vitória de Uma Mocidade, 1907; A Grande Aventura (cenas de Guerra), 1919, dedicado ao Regimento de Infantaria nº 19(prosa).

 

Visita do Chefe do Governo (António Granjo) a Bucelas - 1921

 

A Camioneta Fantasma e a Noite Sangrenta

 

Em 19 de Outubro de 1921 a barbárie sai com toda a ferocidade para a rua: uma camioneta fantasma, conduzida por verdadeiros facínoras, vai buscar às suas casas António Granjo, Machado Santos, José Carlos da Maia, e o coronel Botelho de Vasconcelos. Assassinam-nos com uma violência e brutalidade inauditas.

 

O empobrecimento e o embrutecimento do país é geral. Ninguém sabe o que quer. Ninguém se entende. A fome grassa por todo o lado. Por falta de azeite fecham as fábricas de conservas do Algarve.

 

Era o começo do fim da Primeira República que tinha sido um somatório de idealismo, instabilidade, ignorância, revoluções, caos e crimes hediondos.

 

Para melhor se entender o conturbada que foi a primeira república fiquemos com alguns acontecimentos dos dois meses que antecederam a noite sangrenta:

 

 

 

António Granjo e o Presidente da República Bernardino Machado e outras individualidades em 1917

.

 

Setembro de 1921

 

- Deputado António Luís Gomes, em 1 de Setembro, considera que o sistema parlamentar está condenado por causa do regime de mentira, ao mesmo tempo que os ministros são uns verdadeiros criminosos que estão a arrancar o sangue do povo português. Conclui salientando: cada vez enjoo mais a política. Nunca entrei para partido algum, porque os partidos da República têm colocado os homens acima dos partidos … Por isso é que os homens de bem se retraem, afastando-se da política.

 

- Artigo em O Século, em 1 de Setembro, sobre a crise das subsistências considera que a classe média ficou entre o martelo e a bigorna.

 

- Confirmada a burla do empréstimo dos 50 milhões de contos através de comunicação diplomática do visconde de Alte em 4 de Setembro. O gabinete de Barros Queirós já conhecia a trama desde 28 de Agosto.

 

- Em 5 de Setembro, comício em Loures, com violentos discursos anti-católicos. Declarações de António Granjo no Senado, em 2 de Setembro são desvirtuadas pelo relato parlamentar do Diário de Notícias, quando se refere que Granjo reconhecia a religião católica como a única do país.

 

- Em 8 de Setembro, Cunha Leal interpela o ministro das finanças sobre a matéria. Sobre os boatos que correm, Vicente Ferreira apenas diz fumo. Na Câmara dos Deputados, intensos ataques aos banqueiros portugueses que serviram de intermediários no processo.

 

- Em 16 de Setembro, o deputado Carvalho da Silva denuncia o facto do governo ter indemnizado com 4 500 contos indivíduos e empresas consideradas vítimas da última revolução. Jornais O Mundo e O Portugal, afectos aos democráticos, são contemplados com 260 e 330 contos, respectivamente.

 

- Em 17 de Setembro, os trabalhos parlamentares são suspensos até 7 de Novembro.

- Aborta golpe de Estado em 30 de Setembro. O chefe da conjura é o tenente-coronel Manuel Maria Coelho, com o capitão-de-fragata Procópio de Freitas e os oficiais da GNR Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos. Presos alguns desses cabecilhas, eles são depois libertados por António Granjo. Entre os presos, o coronel Xavier Ferreira, Orlando Marçal, Sebastião Correia e Procópio de Freitas.

- Surge um esboço de movimento de salvação pública, subscrito por José de Castro, António Luís Gomes, Jaime Cortesão, João de Deus Ramos, Francisco António Correia, Ramada Curto, Cunha leal, Leonardo Coimbra e Sá Cardoso.

 

Visita do Chefe do Governo (António Granjo) a Bucelas - 1921

- Fausto de Figueiredo, um dos financiadores da Imprensa da Manhã, promove encontro de António Granjo e Cunha Leal no Estoril em 5 de Outubro. Nas cerimónias do cemitério do Alto de S. João, na romagem aos túmulos de Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, há insultos a Granjo, com morras à reacção e aos jesuítas. Mas o presidente do ministério manda libertar os implicados no 30 de Setembro que se encontravam detidos. Considera que só pela brandura se consegue governar.

 

Outubro de 1921

O 19 de Outubro de 1921 pode-se considerar como a data do fim da 1ª República, embora formalmente ela continuasse até 28 de Maio de 1926.

 

Entre o assassinato de Sidónio Pais e os massacres de 19 de Outubro de 1921, Portugal, teoricamente um regime parlamentar, viveu sob uma ditadura tutelada pelos arruaceiros e rufias dos cafés e tabernas de Lisboa e pela Guarda Nacional Republicana, uma Guarda Pretoriana do regime, bem municiada de artilharia e armamento pesado, concentrada na zona de Lisboa e cujos efectivos passaram de 4575 homens em 1919 para 14341 em 1921, chefiados por oficiais «de confiança», com vencimentos superiores aos do exército. A queda do governo de Liberato Pinto, o principal mentor da GNR, em Fevereiro de 1921, colocou as instituições democráticas na mira dos arruaceiros e pretorianos do regime a que se juntaram sindicalistas, anarquistas, efectivos do corpo de marinheiros, etc.. O governo de António Granjo, formado a 30 de Agosto, era o alvo.

 

Funeral de António Granjo em Lisboa

 

O nó górdio foi o caso Liberato Pinto, entretanto julgado e condenado em Conselho de Guerra por causa das suas actividades conspirativas. Juntamente com o Mundo, a Imprensa da Manhã, jornal sob a tutela de Liberato Pinto, atacavam diariamente o governo, tentando provar, através de documentos falsos, que o Governo projectava o cerco de Lisboa por forças do Exército, para desarmar a Guarda Nacional Republicana. No Diário de Lisboa apareceram, entretanto, algumas notas relativas ao futuro movimento. Em 18 de Agosto, um informador anónimo dizia da futura revolta: «Mot d'ordre: a revolução é a última. Depois, liquidar-se-ão várias pessoas».

 

O coronel Manuel Maria Coelho era o chefe da conjura. Acompanhavam-no, na Junta, Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, oficiais da G. N. R., e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas. O republicanismo histórico do primeiro aliava-se às forças armadas, que seriam o pilar da revolução. Depois de uma primeira tentativa falhada, em que alguns dos seus chefes foram presos e libertos logo a seguir, o movimento de 19 de Outubro de 1921 desenrolou-se num dia apenas, entre a manhã e a noite. Três tiros de canhão disparados da Rotunda pela artilharia pesada da GNR tiveram a sua resposta no Vasco da Gama. Passavam à acção as duas grandes forças da revolta. A Guarda concentrou os seus elementos na Rotunda; o Arsenal foi ocupado pelos marinheiros sublevados, que não encontraram qualquer resistência; núcleos de civis armados percorreram a cidade em serviço de vigilância e propaganda. Os edifícios públicos, os centros de comunicações, os postos de comando oficiais caíram rapidamente em poder dos sublevados. Às 9, uma multidão de soldados, marinheiros e civis subiu a Avenida para saudar a Junta vitoriosa. Instalado num anexo do hospital militar de Campolide, o seu chefe, o coronel Manuel Maria Coelho, presidia àquela vitória sem luta.

 

Cunha Leal no uso da palavra no funeral de António Granjo

 

Em face da incapacidade de resistir, às dez da manhã, António Granjo escreveu ao Presidente da República:

«Nestes termos, o governo encontra-se sem meios de resistência e defesa em Lisboa. Deponho, por isso, nas mãos de V. Ex.a a sorte do Governo...»

 

António José de Almeida respondeu-lhe, aceitando a demissão:

«Julgo cumprir honradamente o meu dever de português e de republicano, declarando a V. Ex.a que, desde este momento, considero finda a missão do seu governo...»

Recebida a resposta, António Granjo retirou-se para sua casa. Eram duas da tarde.

 

O PR recusou-se a ceder aos sublevados. Afiançou que preferiria demitir-se a indigitar um governo imposto pelas armas. Às onze da noite, ainda sem haver solução institucional, Agatão Lança avisou António José de Almeida que algo de grave se estava a passar. Perante tal, conforme descreveu depois o PR,

«Corri ao telefone e investi o cidadão Manuel Maria Coelho na Presidência do Ministério, concedendo-lhe os poderes mais amplos e discricionários para que, sob a minha inteira responsabilidade, a ordem fosse, a todo o transe, mantida».

 

Passando a palavra a Raul Brandão (Vale de Josafat, págs. 106-107),

«Depois veio a noite infame. Veio depois a noite e eu tenho a impressão nítida de que a mesma figura de ódio, o mesmo fantasma para o qual todos concorremos, passou nas ruas e apagou todos os candeeiros. Os seres medíocres desapareceram na treva, os bonifrates desapareceram, só ficaram bonecos monstruosos, com aspectos imprevistos de loucura e sonho...».

 

 

Sentindo as ameaças que se abatiam sobre ele, António Granjo buscou refúgio na casa de Cunha Leal. Cunha Leal tinha simpatias entre os revoltosos (tinha aliás sido sondado para ser um dos chefes do movimento, mas recusara) e Granjo considerou-se a salvo. Todavia, a denúncia de uma porteira guiou os seus perseguidores que tentaram entrar na casa de Cunha Leal para deter António Granjo. Cunha Leal impediu-os, mas a partir desse momento ficaram sem possibilidades de fuga porque, pouco a pouco, o cerco apertara-se e grupos armados vigiavam a casa. Apelos telefónicos junto de figuras próximas dos chefes da sublevação, que pudessem dar-lhes auxílio, não surtiram efeito.

 

Perto das nove da noite compareceu um oficial da marinha, conhecido de ambos, que afirmou que levaria Granjo para bordo do Vasco da Gama, um lugar seguro. Cunha Leal vacilou. Granjo mostrou-se disposto a partir. Cunha Leal acompanhou-o, exigindo ao oficial da marinha que desse a palavra de honra de que não seriam separados. Meteram-se na camioneta que afinal não os levaria ao refúgio do Vasco de Gama, mas ao centro da sublevação.

 

A camioneta chegou ao Terreiro do Paço onde os marinheiros e os soldados da Guarda apuparam e tentaram matar António Granjo. Cunha Leal conseguiu então salvá-lo. A camioneta entrou, por fim, no Arsenal e os dois políticos passaram ao pavilhão dos oficiais. Um grupo rodeou Cunha Leal e separou-o de Granjo, apesar dos seus protestos. Os seus brados levaram a que um dos sublevados disparasse sobre ele, atingindo-o três vezes, um dos tiros, gravemente, no pescoço. Foi conduzido ao posto médico do Arsenal.

 

Entretanto, vencida a débil resistência de alguns oficiais, marinheiros e soldados da GNR invadiram o quarto onde estava António Granjo e descarregaram as suas armas sobre ele. Caiu crivado. Um corneteiro da Guarda Nacional Republicana cravou-lhe um sabre no ventre. Depois, apoiando o pé no peito do assassinado, puxou a lâmina e gritou: «Venham ver de que cor é o sangue do porco!»

 

A camioneta continuou a sua marcha sangrenta, agora em busca de Carlos da Maia, o herói republicano do 5 de Outubro e ministro de Sidónio Pais. Carlos da Maia inicialmente não percebeu as intenções do grupo de marinheiros armados. Tinha de ir ao Arsenal por ordem da Junta Revolucionária. Na discussão que se seguiu só conseguiu o tempo necessário para se vestir. Então, o cabo Abel Olímpio, o Dente de Ouro, agarrou-o pelo braço e arrastou-o para a camioneta que se dirigiu ao Arsenal. Carlos da Maia apeou-se. Um gesto instintivo de defesa valeu-lhe uma coronhada brutal. Atordoado pelo golpe, vacilou, e um tiro na nuca acabou com a sua vida.

 

A camioneta, com o Dente de Ouro por chefe, prosseguiu na sua missão macabra. Era seguida por uma moto com sidecar, com repórteres do jornal Imprensa da Manhã. Bem informados como sempre, foram os próprios repórteres que denunciaram: «Rapazes, vocês por aí vão enganados... Se querem prender Machado Santos venham por aqui...». Acometido pela soldadesca, Machado Santos procurou impor a sua autoridade: «Esqueceis que sou vosso superior, que sou Almirante!». Dente de Ouro foi seco: «Acabemos com isto. Vamos». Machado Santos sentou-se junto do motorista, com Abel Olímpio, o Dente de Ouro, a seu lado. Na Avenida Almirante Reis, a camioneta imobiliza-se devido a avaria no motor. Dente de Ouro e os camaradas não perdem tempo. Abatem ali mesmo Machado Santos, o herói da Rotunda.

 

Não encontraram Pais Gomes, ministro da Marinha. Prenderam o seu secretário, o comandante Freitas da Silva, que caiu, crivado de balas, à porta do Arsenal. O velho coronel Botelho de Vasconcelos, um apoiante de Sidónio, foi igualmente fuzilado. Outros, como Barros Queirós, Cândido Sotomayor, Alfredo da Silva, Fausto Figueiredo, Tamagnini Barbosa, Pinto Bessa, etc., salvaram a vida por acaso.

 

Os assassinos foram marinheiros e soldados da Guarda. Estavam tão orgulhosos dos seus actos que pensaram publicar os seus nomes na Imprensa da Manhã, como executores de Machado Santos. Não o chegaram a fazer devido ao rápido movimento de horror que percorreu toda a sociedade portuguesa face àquele massacre monstruoso. Mas quem os mandou matar?

 

Estátua de António Granjo em Chaves

 

O horror daqueles dias deu lugar a uma explicação imediata, simples e porventura correcta: os assassínios de 19 de Outubro tinham sido a explosão das paixões criadas e acumuladas pelo regime. Determinados homens mataram; a propaganda revolucionária impeliu-os e a explosão da revolução permitiu-lhes matar. No enterro de António Granjo, Cunha Leal proclamou essa verdade:

«O sangue correu pela inconsciência da turba — a fera que todos nós, e eu, açulámos, que anda solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos a culpa! É esta maldita política que nos envergonha e me salpica de lama».

 

No mesmo acto, afirmaria Jaime Cortesão:

«Sim, diga-se a verdade toda. Os crimes, que se praticaram, não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa».

 

É esta a história do ilustre flaviense António Granjo, que dá nome a Uma Escola em Chaves, a uma Avenida e que tem hoje o seu devido monumento, com a sua estátua no antigo largo da Estação. Os acompanhantes deste blog e que desconheciam a história de António Granjo, já ficam a saber quem é o Homem da estátua do largo que aponta para a cidade como quem aponta para Portugal.

 

Bibliografia e fotos:

http://arepublicano.blogspot.com

http://semiramis.weblog.com.pt

http://www.iscsp.utl.pt

Revista Aquae Flaviae nº 6 de Dezembro de 1991

Arquivo Municipal de Lisboa

 

(1) - Publicado neste blog em episódios de 3 de fevereiro de 2021 a 30 de julho de 2021 - (pesquisar por "Grande Aventura").

 

24
Mar21

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

1024-antonio granjo

 

 

António Granjo

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

6

 

1-Aire-sur-la-lys.jpg

 

 

Na catedral de Aire-sûr-la-Lys

 

Aire-sûr-la-Lys é a cidade franceza que mais anda na memoria dos portuguezes. Pelas suas ruas estreitas, pelos seus pequenos largos, onde um ou outro palacio dos tempos de Filipe II põe uma nota d'arte, curtiram-se tristes horas de saudade, dolorosas horas de revolta, febris horas de anciedade, pesadas horas de desalento.

 

Essas longas horas de França, quem as descreverá algum dia?...

 

...Os que marchávamos para a frente, nesse primeiro dia que passavamos em Aire, demorámo-nos a ver a cidade. Ao dobrar para a Grande Place, junto de uma casa renascença, encontrámos um conhecido —um capitão de artilharia que estacionava em Therouanne, com o seu grupo, à espera de ir para a frente, com a 2.ª divisão.

 

— Que ha por ahi que ver?

 

— V.V. ainda não foram ao quartel general?

 

Olhámos uns para os outros. Ninguém tinha conhecimento de que o quartel generalse houvesse instalado em Aire-sûr-la-Lys.

 

O artilheiro endireitou para a Grande Place, e, parando em frente duma livraria:

 

— Et voila!

 

Os portuguezes haviam feito dessa livraria ponto de reunião e por isso lhe davam a designação de quartel general.

 

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Alguns soldados compravam postaes ilustrados. Uma rapariga loira, dos seus 14 ou 15 anos, trocava confidencias com um alferes. Dentro do balcão, uma senhora de luto dizia preços a uma outra rapariga, palida e elegante, de olhos escuros, desse escuro-castanho que é uma transição para o verde sujo.

 

O artilheiro fez a continência à ingleza e apresentou solenemente:

 

— Madame, le sous-lientenant Granjo, ancien deputé...

 

Tive ocasião de constatar que não é apenas em Portugal que as instituições parlamentares estão em franca decadência. A grande frase só despertou na madama um leve sorriso atencioso.

 

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Era umas dessas famílias que se encontravam por acaso na zona de guerra e exploravam a retaguarda. Quando a guerra se resumia à marcha e à manobra, os exércitos levavam consigo as vivandeiras. Na atual guerra as vivandeiras foram substituídas por esta gente.

 

A senhora de luto ostenta umas ancas desmedidas e dá à boca pintada, quando fala, um geito pretencioso que lhe oculta as comissuras dos lábios. A rapariga loira, que tem o o ar desagradável das precoces, é sua filha. A rapariga de olhos escuros, que parece estar sempre representando uma pequena comedia, é sua sobrinha.

 

A mãe perdeu o marido na guerra, a filha é uma pobre inocente que geme na orfandade as desgraças do destino inclemente, a sobrinha é uma refugiada vitima da brutalidade alemã, violentada por um monstro boche, numa das aldeias das regiões invadidas, entre o estrondo dos desabamentos e a crepitação dos incêndios.

 

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A filha continua a confidenciar com o alferes. Nos seus olhos azuis, desmezuradamente grandes, os vidros, as estantes, os vultos pareciam refletir-se como sobre duas pequenas poças d'agua choca. No rosto flácido, como num fruto pisado, parece começar a surgir essa sombra vaga, subcelular, que precede a corrução. Em todo o seu corpo havia essas linhas disformes das coisas feitas pelo artificio e pela força.

 

— Au revoir, madame...

 

— Au revoir, monsieur...

 

Vagabundeámos pela cidade, examinando as gárgulas ou os frisos duma antiga casa espanhola, vendo os souvenirs de guerra que enchem as montras, ou ouvindo narrar casos das trincheiras, em que tem sempre a palavra a Morte, ou casos da retaguarda, em que tem sempre a palavra o Amor.

 

Depois do almoço, e antes que chegasse o caminhão que nos havia de conduzir ao Q. G. B., fomos visitar a catedral. E' uma enorme mole de tijolo, obra ainda da dominação espanhola, dedicada a S. Pedro.

 

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Quando entramos, viam-se filas de gennflectorios no transepto, alguns já ocupados por senhoras, envoltas em crepes, com os rostos metidos em mantilhas pretas. Estatuas de Joana d'Arc, por todos os lados, interpretando-a como pastora, como guerreira ou como santa, e uma grande estatua, em mármore, de S. Pedro, faziam pensar vagamente num museu. No primeiro altar, do lado do Evangelho, havia uma imagem de Nossa Senhora, com um desses meninos-jesus, de faces rubicundas, côr de maçã camoeza, dos nossos santeiros.

 

Pendendo para o transepto, dependurada do coro, uma grande bandeira franceza, com esta inscrição bordada a oiro: Dieu sauve Ia France!

 

Os genuflectorios povoaram-se de vultos negros. Dois oficiaes inglezes acordaram os ecos das naves com os tacões ferrados. Alguns homens, velhos, de luto, olhando o altar-mór, de joelhos e com as mãos postas, rezavam recolhidamente.

 

Sobe ao púlpito um padre. Persigna-se, murmura uma oração. Os dois oficiaes inglezes observam a tela dum retábulo. A voz do padre mal se ouve a principio. Em frente de nós, um vitral, representando um episodio bíblico, refulge numa orgia de côr. Pouco a pouco a figura do padre anima-se e a sua voz vae-se elevando, lentamente, como uma nuvem que se vae erguendo. Canta um hino à Patria, à grande e eterna França, filha dileta da Igreja, que os pecados dos homens puzeram em tamanho perigo e em tão escura turbação. A sua voz eleva-se mais e mais, sem exaltação, sem artificio, como um bronze tangido mais forte; e, pondo os olhos nas sagradas cores da bandeira, apertando o coração com as mãos ambas, o padre concita todos os francezes à defeza da Patria, num tom firme, imperativo, metálico, como uma voz de comando ou como um toque de clarim. Fez-se um silencio. O padre descreve a invasão, a derrota, o milagre do Marue. A sua palavra acende-se como um facho, quando se refere à retirada alemã, à corrida para o mar. Os seus lábios tremem, as suas faces tornam-se extremamente palidas, quando se refere aos mortos. Mas a palavra continua a sahir-lhe lentamente da garganta, com um acento que penetra as almas como um estilete. Dirige-se às mães, para que tenham o orgulho dos seus filhos mortos nas linhas de fogo; dirige-se às irmãs, para que peçam a Deus que nunca faleça a coragem a seus irmãos; dirige-se às noivas, para que tragam sempre no seio, junto da imagem do filho da Virgem, o retrato dos que se batem com elas no coração. Os mortos sentar-se-hão à mão direita de Deus Padre, todo o poderoso, gosando da plenitude da gloria e da bemaventurança; os vivos verão os grandes dias da Vitoria, entre hinos e apoteoses.

 

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Uma ou outra mulher soluça. Os olhos dos velhos que rezam prégam-se à bandeira com uma fixidez que tem alguma coisa de ferocidade. E na penumbra das naves as palavras do padre cahem como pingos ardentes, como centelhas de sangue, como gotas d'alma.

 

Os dois oficiaes inglezes fizeram estremecer novamente o silencio com os seus sapatões. 0 padre desapareceu. As vozes dum órgão resoaram pelas abobadas, como a refrigerar e consolar aquelas almas aflitas que a eloquência do padre havia sobreexcitado.

 

Algumas senhoras tinham-se já levantado e as suas faces, onde havia ainda vestígios das lagrimas, brilhavam duma serena formusura. Mas duas continuavam soluçando, as cabeças enterradas no veludo do jenuflectorio.

 

Esperei que estas também se levantassem. Havia alguma coisa de extranho, de violento e de grande na dor dessas duas mulheres.

 

Quando descobriram o rosto, reconheci que eram as creaturas da livraria da Grande Place.

 

 

 

Continua na próxima quarta-feira…

 

 

03
Fev21

A Grande Aventura

Scenas da Guerra, por António Granjo

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António Granjo

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

 

 

Nota de Abertura

Pegando na ideia de publicar aqui as crónicas que António Granjo escreveu nos inícios do séc. passado que o Luís de Boticas se encarregou de transcrever e publicar na sua rubrica das “Crónicas Estrambólicas”, que por sinal falta publicar a última (que possivelmente ainda será publicada esta semana) vamos até um livrinho que eu considero precioso das vivências da I Grande Guerra, que António Granjo viveu na primeira pessoa e publicou. Num onde se vai fazendo também alguma história da nossa cidade e que Granjo felizmente publica ainda antes da sua trágica morte na intitulada “noite sangrenta” da I República.

 

Vamos assim durante as próximas semanas publicar aqui por episódios toda essa vivência deste nosso ilustre flaviense António Granjo. Espero que apreciem.

 

Quanto à imagens são da nossa responsabilidade, imagens que vamos encontrando por aí em arquivos antigos ou imagens antigas das localidades que Granjo refere e, claro, da época, ou seja, imagens da guerra para as “scenas  da guerra” dadas em palavras por António Granjo. Também são de nossa autoria as notas de rodapé, hoje sobre outros dois ilustres flavienses que Granjo refere no primeiro capítulo de “A Grande Aventura”

 

António Granjo

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

 

Ao 1.° Batalhão de infantaria 19

 

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O comboio que levava tropas para Lisboa

 

Parti de Chaves, com o 1.° Batalhão de infantaria 19, na noite de 20 para 21 de maio de 1917, com destino a Lisboa, onde embarquei, em direção a Brest, no dia 27 do mesmo mez. Cheguei a Brest no dia 1 de junho, desembarcando no dia seguinte para tomar imediatamente o comboio militar que me levou ao acampamento de Etaples. No dia 9 do mesmo mez recebia guia, com outros oficiaes e alguns sargentos e graduados, para me apresentar no Q. G. do C. E. P., deixando o batalhão acampado.

 

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Acampamento de Etaples – França

 

O batalhão do 19 constituía uma unidade de deposito. Cada um seguiu para seu lado, conforme o exigiam as conveniências do serviço e as necessidades da campanha.

 

O 19 foi, porém, de todos os batalhões da Flandres, aquele que contribuiu com um maior contingente de heroísmo. Ás nossas mais belas paginas da guerra está ligado imperecivelmente algum nome do 1.° Batalhão de infantaria 19.

 

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Cena da Batalha de Neuve-Chapelle

 

A primeira vitoria sobre os alemães, em Neuve-Chapelle, foi obtida pelo alferes do 19, Antonio Teixeira, miliciano, que conseguiu repelir com o seu pelotão duas companhias alemãs, fazendo alguns prisioneiros, e por esse feito foi promovido por distinção a tenente (aos 18 anos!) e condecorado com a Cruz de Guerra e a Military Cross.

 

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Military Cross

 

O unico golpe ofensivo vibrado ao inimigo foi o raid comandado pelo capitão Ribeiro de Carvalho, do 19. Foi por isso (aos 28 anos!) promovido a major e condecorado com a Cruz de Guerra, a Military Cross e a Torre e Espada.

 

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Major Ribeiro de Carvalho[i]

 

Na ofensiva alemã de abril, os cento e tantos soldados do 19 encorporados no 15 por tal forma se houveram que foram todos louvados individualmente.

 

O Capitão Bento Roma, o maior portuguez do nosso tempo, o novo Duarte Pacheco que em Lacouture restabeleceu a nossa tradição heróica e legendaria, fôra transferido do 19 nas vesperas de partir para França e no 19 fez a sua carreira.

 

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Capitão Bento Roma[ii]

 

É por isso que as minhas primeiras palavras são para o meu glorioso batalhão. Se o destino lhe foi descaroavel, se a Historia nem sequer o encontrará como uma unidade combatente e precisará de ir buscar aos outros batalhões a noticia dos feitos dos seus oficiaes e soldados, que ao menos fique esse glorioso numero 19, que desde o Bussaco vem ilustrando os nossos fastos militares, na primeira pagina deste livro de recordações.

 

É possível que alguns olhos caíam sobre estas linhas. Desejaria que no coração do portuguez que as lesse, esse numero 19 ficasse gritando e ardendo como a propria voz da Patria.

 

 

Ao 1.º Batalhão de infantaria 22

 

Apeei-me do comboio militar na base do sector portuguez, em Aire-sur-la-Lys, a 11 do referido mez de junho. Tive ordem para me apresentar na 1ª Brigada, a fim de ...

 

Continua na próxíma quarta-feira

 

 

 

[i] António Germano Guedes Ribeiro de Carvalho, nasceu em Chaves em 30 de outubro de 1889 e faleceu em Lisboa em 17 de fevereiro de 1967, com o posto de Coronel. Era filho do General Augusto Cesar Ribeiro de Carvalho, também flaviense e neto do Coronel António Manuel Ribeiro de Carvalho. A.Germano Ribeiro de Carvalho, foi ministro de guerra do 39º Governo da República (1923-1924) e destacou-se posteriormente como um opositor do Estado Novo. Major, a 26 de Abril de 1919, foi feito Comendador da Ordem Militar de São Bento de Avis, a 28 de Junho de 1919 foi feito Comendador da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, a 5 de Outubro de 1919 foi feito Cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito e a 5 de Fevereiro de 1922 foi elevado a Oficial da mesma Ordem.

 

[ii]  Bento Esteves Roma , nasceu em Chaves, 2 de Janeiro de 1884 e faleceu em Lisboa, 23 de Dezembro de 1953). Militar português, assentou praça, como voluntário, no Regimento de Cavalaria N.º 6, a 5 de Agosto de 1903 e, até 1906, tirou as preparatórias na Universidade de Coimbra e nas Escolas Politécnicas de Lisboa e do Porto. Frequentou a Escola do Exército, entre 1906 e 1909. Foi promovido a alferes, em 1909, atingindo o posto de coronel, em 1933.

 

Depois de prestar serviço em várias unidades no continente, participou no combate às incursões monárquicas. Foi mobilizado para Angola em 1912, onde permaneceu até ao ano seguinte, tendo comandado o posto de Binde, no distrito de Benguela e posteriormente o de São João do Pocolo. Em 1915, participou nas campanhas militares do sul de Angola. Regressou em 1916, sendo enviado a França para preparar a participação portuguesa na frente ocidental, junto das forças inglesas. Por ocasião da 1ª Grande Guerra Mundial e no posto de Capitão, foi para a Flandres integrado no CEP, no qual se destacou por atos de bravura, comandando a 1ª Companhia do Batalhão de Infantaria nº 13, originário de Vila Real, e chegando a ser interinamente o Comandante e por mais vezes o 2º Comandante do Batalhão. Nesta situação e na Batalha de La Lys a 9 de Abril de 1918, foi feito prisioneiro e libertado depois do Armistício. Comandou a Companhia portuguesa na Parada da vitória em Paris a 14 de Julho de 1919. No pós-guerra, organizou e instalou, em Tancos, a Escola de Instrutores de Infantaria, com o objetivo de preparar grupos de instrutores para as escolas de recrutas. Entre 1920 e 1923, sendo governador dos distritos de Cubango, Luanda, que acumulou o com o de governador interino de Moxico. Foi neste período que consolidou a ocupação de todo o território, em operações militares, numa das quais foi ferido. A 5 de Fevereiro de 1922 foi feito Comendador da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito. A 5 de Outubro de 1932 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Império Colonial. É, então, nomeado sub-director do Instituto Feminino de Educação e Trabalho, actual Instituto de Odivelas, tendo ocupado o cargo até 1938. Em 1949, apoiou a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República, fazendo parte da sua Comissão Central.

 

Consultas:

https://www.ordens.presidencia.pt/

https://pt.wikipedia.org/

 

 

07
Mai20

Crónicas Estrambólicas

Crónica de um Primeiro-Ministro sobre Barroso - 2

estrambolicas

 

Crónica de um Primeiro-Ministro sobre Barroso 2

 

Mais uma crónica do antigo Primeiro-Ministro António Granjo, um ilustre flaviense. É a segunda de quatro crónicas sobre Barroso, publicadas no jornal A Capital em 22, 26, 27, e 30, de Agosto de 1915. Reproduzi as crónicas exactamente como saíram, no português de 1915, incluindo gralhas tipográficas. A cópia digital encontra-se aqui . Esta segunda crónica descreve a geografia de Barroso. Há mais duas crónicas que descrevem visitas a Montalegre e a Boticas, que acho serem as mais interessantes.

Luís de Boticas

 

 

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António Joaquim Granjo (1881 – 1921)

 

PORTUGAL DESCONHECIDO

 

0 que são as terras de Barrozo?

 

N'ellas vivem trinta mil creaturas humunas dispondo liberrimamente dos braços e das almas

 

0 planalto barrozão pertence ás formações arogenicas da Galliza. O massiço Galaico-duriense, destacando-se da Meseta Iberica, estende-se em forma amphitheatrica irregular, de degraos curtos e descidas rapidas, até ao Vouga e ao alto Mondego. As altitudes maximas do massico são o Gerez (1:561) metros) e o Larouco (1:525 metros). Além do pico do Larouco, Barroso offerece ainda altitudes subalpinas nas serras das Alturas, da Cabreira e do Leiranco.

 

Na massa chistosa de Traz-os-Montes, Barroso, embora participando d'esse affloramento predominante, é que contém a mais imponente formação granitica. 0 Cavado e os affluentes do Tamega, o Terva e o Beça, e alguns riachos insignificantes escoam-se pelos seus estreitos e profundos valles, tenues sêdes d'agua no verão, sustidos aqui a ali pelas reprezas, onde procriam as saborosas trutas, e no inverno torrentes caudalosas, enchendo de estrondo os concavos e levando para os valles inferiores o producto da erosão dos cumes e das encostas.

 

0 solo é rico sob o ponto de vista mineralogico. Argote faz-se echo da tradição que se refere á existencia de minas de ouro que os romanos exploraram. No Ensaio topographico e estatistico do julgado do Montalegre, que publicou em 1836 o bacharel José dos Santos Dias, affirma-se que se fizeram adereços com amethistas apparecidas na Roca da Ponteira e que as aguas do rio Cobriel arrastavam pepitas de ouro. Constatam-se jazigos de manganez e são em numero avultado as concessões de minas do volframio. D'estas, apenas estão em exploração as minas da Borralha.

 

A já pequena percentagem de terra arável é inferior. Nos raros valles em que se constituiram fundas provenientes do desaggregamento granítico e em que a camada productiva, embora pouco profunda, é bastante permeavel e de facil lavoura, as condições agrologicas são soffriveis. Mas em regra, os relevos são desnudados. Só as arvores e os arbustos são susceptiveis de aclimatação. E nas baixas e chão, onde os magros detrictos dos schistos archaicos cristallinos se não combinaram com outros provenientes de extensões graniticas e que dessem ás terras a argilla, a potassa, o oxido de ferro, a areia, a cal e o acido phosphorico, a cultura demanda trabalhos herculeos para beneficios insignificantes.

 

Estas infelizes condições agrologicas são aggravadas pelos caracteres climaticos. A temperatura oscilla entre 10,0 em janeiro e 34,2 em agosto; as variações da tensão do vapor de agua, expressas em millimetros, metros, e em Montalegre, sao 9,49 em agosto a 4,74 em fevereiro; a nebulosidade passa de 7,8 em dezembro e 2,9 em fevereiro; a pluviosidade foi em 1902, data que temos mais á mão, expressa em millimetros, de 258,5 em dezembro e 15,8 em agosto; os ventos predominantes são os do oeste. D’aqui resulta que a area inculta é enormemente desproporcional á area cultivada; e n'esta, a cultura principal é o milho. A altitudicidade indica a existencia de pastagens, e portanto uma pastoricia desenvolvida. E’, effectivamente, o gado, e em especial o gado bovino, que fornece a esta gente, além do leite com que se sustenta, as crias e a manteiga com que fazem algum dinheiro.

 

As fortunas são expressas em vacas. Quando se quer dizer que alguem tem razoaveis bens de fortuna, diz-se que sustenta tantas ou quantas vacas.

 

N’esta região, isolada do Minho pelas serras da Cabreira e do Gerez, isolados dos vales de Chaves e Villa Pouca pelas serras do Leiranco e das Alturas, isolada das limias de Galliza pela serra do Larouco, se recalcaram successivamento os povos que invadiram o noroeste da peninsula e successivamente se viram vencidos. Derrotados, refugiavam-se nas moitas barrozãs e lá passaram uma vida de animaes selvagens, ao abrigo da inacessibilidade dos picos e dos cerros, até se fundirem. N'esta região, recalcados e expulsos pela onda da civilização, refugiaram-se tambem, e sobrevivem, algumas instituições e costumes primitivos, que deram logar a alguns estudos parcelares do malogrado Rocha Peixoto.

 

Vivem ahi algumas trinta mil creaturas humanas, agarradas á terra como raizes, erguendo as cabeças altivas para o ceu, e dispondo liberrimamente dos braços e das almas. Nas suas gargantas parece vibrarem os sinos das suas aldeias, e, alegremente, cantando e rindo, com os seus pastos e as suas vaccas, os seus largos horizontes e os seus ribeiros familiares,  os seus caminhos de cabras e as suas amigas arvores, entendem que não valle a pena apoquentarem-se com pedidos de estradas ou de escolas, e que para serem enterrados no mesmo cemiterio em que dormem para  sempre seus paes e avós nao vale a pena affligirem-se demasiadamente.

 

Definida a terra, iremos dizendo dos homens e dos logares, conforme a velha expressão classica.

 

Antonio Granjo

 

23
Jan20

Entardecer em Chaves com um Ilustre Flaviense

António Granjo

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Hoje fica uma imagem de um entardecer em Chaves, tendo como motivo a estátua de um ilustre flaviense que dá pelo nome de António Granjo.

 

Os mais atentos e interessados pela história de Chaves, sabem quem foi António Granjo, mas palpita-me que muitos flavienses pouco ou nada sabem ao respeito deste Ilustre Flaviense. Em tempos, 27 de outubro de 2008, deixei no blog uma abordagem aos momentos mais importantes da sua vida e obra, incluindo o da sua trágica morte que foi o início do fim da Primeira República de Portugal. Não vou republicar esse post, mas quem tiver curiosidade e quiser ficar a saber um pouco da vida e obra de António Granjo, faça o favor de seguir este link:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/322119.html

 

Até amanhã.

 

 

16
Dez16

Exposição Retrospetiva de António Vilanova

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Há muito que o post de hoje deveria ter sido publicado aqui neste blog, mas, sem nunca ter sido esquecido,  foi sendo adiado até uma oportunidade ou um pretexto que lhe desse luz. Em boa hora esse pretexto surgiu e vamos tentar fazer a devida homenagem a um artista flaviense, também ele ilustre, que não o foi mais porque o destino lhe roubou  o tempo de ele subir ao patamar dos mestres, se é que não foi alcançado.

 

António José Rua Vilanova

Chaves, 29 de abril de 1958  -  Chaves, 16 de dezembro de 1997

 

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É verão.

 

O dia apresenta-se magnífico de luz e côr.

 

Num repente, o infinito sol espalha a sua luz, exaltando o recorte dinâmico da agreste paisagem que me rodeia.

 

Quase que me sinto renascer, num ambiente misto de violência e poesia.

 

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Ao mesmo tempo que as cores se multiplicam numa volúpia aparentemente sem fim, os diferentes cheiro emergem do nada, inundando este ambiente carregado de sentimento mágico.

 

O ar revigorante penetra-nos, provocando um clímax indescritível.

 

O olhar, perde-se no pacífico horizonte, fazendo-nos fruir com o silêncio e o esplendor da terra.

 

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Não creio que haja algo tão gratificante, do que observar esta paisagem bela, na qual só interfere do voo de uma ave, o vento, o suave oscilar das plantas ao ritmo de uma reconfortante brisa, os milimétricos reflexos nas calmas águas de uma albufeira, o longínquo som do chocalho de um boi possante e sereno, que aparece entre a floresta de pinheiros. O sol já erecto e dominador, oferece a melhor moldura à majestosidade da paisagem que nos rodeia.

 

O artista, funciona aqui como elo de ligação entre este conjunto dos símbolos visuais e os seus códigos cromáticos, criando uma harmonia de conjunto, através do ritmo das linhas e da sua sonoridade inerente, e a realidade do observador.

 

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Os desenhos que estão presentes neste livro, são memórias, pequenos reflexos, instantâneos dessas paisagens maravilhosas, às quais eu não consegui resistir e que sempre adorarei. São trabalhos do dia a dia, que sob a forma de exercício ou simplesmente de esboço rápido, formam um desenvolvimento diário, sujeito a emoções próprias, a estímulos únicos e concisos, encontrados no mais íntimo do nosso pensar, exaltando toda a essência interior do momento

 

António Vilanova, Chaves, Agosto de 1994

In “ 40 Desenhos do Agreste Transmontano”

 

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Para quem não o conheceu ficam as suas palavras na introdução ao seu livro de 40 gravuras publicadas em 1994, com alguns desenhos ou momentos do Agreste Transmontano ou do Barroso, a jugar pelos três locais que menciona no livro: Pitões das Júnias, Alturas do Barroso e Pisões.

 

Pois dizia eu no início do post que este não tinha acontecido, talvez, por faaltto. Pois o pretexto está agora aí, com uma exposição retrospetiva de António Vilanova  na sala Multiusos do Centro Cultural de Chaves, que abriu no início deste mês e continuará patente ao público até ao final deste mês de dezembro.

 

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E enquanto se vamos  deixando aqui alguns das obras em exposição, vamos dando também a conhecer o seu percurso de vida e artístico ao longo de pouco mais de dez anos.

 

António José Rua Vilanova  frequentou a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e, em 1986, ingressou no Curso de Pintura da ESAP.

 

Em finais dos anos 80 torna-se professor de desenho e de fotografia no ensino básico e profissional.

 

Realizou dezenas exposições individuais e coletivas. Obteve alguns prémios em concursos de arte, entre os quais se destaca o Prémio de aquisição na 2ª bienal de Chaves. Está também representado em várias coleções( privadas e públicas) , nacionais e internacionais.

 

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Fica também o registo de alguma da sua obra:

 

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS

 

Galeria do Posto de Turismo de Chaves – 1984/85/88/91

Secretaria de Estado da Comunicação Social – Porto – 1985

Casa de Trás-os-Montes - Porto – 1985/86

Biblioteca municipal de Montalegre – 1985

“VER A BRANCO E PRETO” – Bragança – 1990

“DA CÔR” Instalação – Fin de Siglo – Espanha – 1991

Galeria A Musaraña  - Pontevedra – Espanha – 1991

Pórticos de Noche – “RETRATOS DE UM SOLO LUSO” – Arousa – Espanha – 1992

Galeria do Posto de Turismo – Póvoa de Varzim - 1983

Galeria Galeão – Paredes – 1993

Galeria Labirinto – Porto – 1993

 

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PRINCIPAIS COLECTIVAS

 

Ferreira  Borges – Porto – 1984

Colectiva Internacional de Cartazes – Bagdad .- Rep. Do Irake – 1985

Segunda Bienal  Jovem de Arte Portuguesa – Chaves – 1985

Galeria da Cooperativa Árvore / 24 NOVOS ARTISTAS – Porto – 1989

Fora D’Horas – S.João da Madeira – 1989

Português Suave – Porto – 1989

Espaço Tualca/Novos Artistas da ESAP – Porto – 1989

Museu da Região Flaviense / Arte e Meio – 1990

Intertâmega 91 – Verin – Espanha – 1991

Colectiva Internacional de pintura – A MUSARA^NA – Espanha – 1991

GALAÉCIA 91 – Orense - 1991

Celanova – Espanha – 1991

9  Pintores – Saint Nicholas – Bélgica – 1991

Acervo do Museu da Região Flaviense – Chaves – 1993

Galeria Galeão – Paredes – 1993

 

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TRABALHOS EM VÍDEO

 

“Perfil” – Porto – 1986

“Nada… direcção infinito” – Porto – 1987

“País Real” – Chaves – 1993

“Festa no Barroso” – Chaves - 1993

 

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PERFORMANCES

 

“ UB – GÀ, FOLIE”  - Porto – 1987

Fanzine “DEMOLIR, construir” – Porto 1987

“… VIA ABSINTO” – Juntamente com o Pintor Abel Silva – Ruas do Porto – 1988

 

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PRÉMIOS

 

Prémio de Aquisição – Pintura, na 2ª Bienal Jovem Arte Portuguesa – 1986

Menção Honrosa, C.T.M. – Porto – 1986

 

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REPRESENTAÇÕES

 

Secção de Artes Moderna do Museu da Região Flaviense

A.D.R.A.T. – Chaves

C.T.M. – Porto

GATAT – Gabinete de Apoio ao Alto Tâmega

Município de Sint Nicklas – Bélgica

Ministério da Cultura – Bagdad – Rep. Do Irake

Comissão Regional de Turismo do Alto-Tâmega

Associação Comercial e Industrial de Chaves

Além Portugal, também está representado em Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha e Brasil.

 

 

 

11
Dez13

Adeus Mestre Nadir Afonso!

 

As notícias da manhã de hoje surpreenderam-nos com a morte do Mestre Nadir Afonso. Um momento de pesar para a família e para a cidade de Chaves, que o Mestre Nadir sempre honrou com o seu ser flaviense, e honrará para todo o sempre com a obra que nos deixa. O corpo de Nadir Afonso está de partida mas o seu ser, a sua obra e arte,  estarão sempre presentes entre nós.

 

Em jeito de repositório deixo aqui o post publicado neste blog em 13.Out.2008, em mais uma singela homenagem ao mestre, com um pouco da sua vida e obra. 

 

 


 

 

 

Inicio aqui no blog uma nova rubrica que será dedicada aos nossos ilustres flavienses e, se para começar esta rubrica a escolha do ilustre foi fácil, pois é sem dúvida alguma um dos maiores ilustres flavienses de sempre, um artista cuja arte lhe é reconhecida nacional e internacionalmente, mas também um flaviense desde o seu nascimento e que, tenho a certeza disso, sempre teve Chaves no coração. Um nome maior que Chaves se orgulha de ter entre os seus flavienses. Escolha fácil de ilustre para abrir esta rubrica, mas um nome difícil para começar, pois tudo que eu disser por aqui a seu respeito, pela certa que ficará muito aquém de tudo que há para dizer do ilustre flaviense Nadir Afonso Rodrigues, será apenas um resumo da vida e arte do Mestre Nadir, um pouco do que consta em tudo que foi dito ao seu respeito, de alguns artigos escritos em jornais nacionais, em revistas da especialidade mas também em muitos sítios onde o Mestre consta na Internet e nas suas páginas e blogues, em especial no blog espacillimité de autoria do Mestre e da sua mulher Laura Afonso.

 

 

 

Vou então tentar deixar por aqui um pouco desse grande ilustre flaviense, o Mestre Nadir Afonso.

 

Segundo filho do poeta Artur Maria Afonso e de sua mulher, Palmira Rodrigues Afonso, Nadir nasce na Rua dos Codeçais, em Chaves, a 4 de Dezembro de 1920. O nome, pouco vulgar, deve-o a um encontro acidental. «O meu pai pega em mim e leva-me ao Registo Civil, no centro da cidade. No caminho, encontra um cigano amigo dele. ‘Então Artur, onde vais?’. ‘Vou ali registar o meu filho’. ‘E que nome vais pôr ao rapaz?’. ‘Orlando’. ‘Orlando?! Muito Orlando há-de ser ele! Põe-lhe antes Nadir’. O meu pai lá pensou que o homem tinha razão, chegou ao registo e pôs-me ‘Nadir Afonso Rodrigues’».

 

Nadir Afonso com 1 ano de idade

 

Quando Nadir tinha um ano de idade a família mudou-se para a Rua Cândido Sotto Mayor (em tempos Rua da Madalena). O palco das brincadeiras de infância de Nadir estendia-se da Galinheira ao Jardim Público. Aos 12 anos, a família instala-se na antiga Rua da Cadeia, (actual Rua do Bispo Idácio) bem no coração da cidade, onde faria os seus estudos Liceais.

 

Nadir Afonso (de pé) com irmão Lereno

 

Entre a infância e a adolescência, aplicou-se em «copiar» o mais fielmente que conseguia as formas da natureza, até tomar consciência de que «a obra de arte não estava na representação dos objectos». «Por volta dos 17 ou 18 anos, pus-me a pensar que tinha de haver mais alguma coisa. E pensei, na minha ingénua idade, que a alma, o espírito do artista, também era expresso». Mais tarde, chegou à conclusão contrária. «Como fui sempre muito coca-bichinhos, comecei a magicar que não era a alma, que tinha de haver leis. Depois de muito trabalhar e ‘cocar’, percebi que as leis eram as da geometria: as do quadrado, do círculo, do triângulo».

 

Nadir Afonso - O estudante do Liceu de Chaves

 

Despertava já nos seus primeiros anos de idade a arte que trazia no seu interior. Depois de concluir o liceu em Chaves, Nadir ruma à Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Tem 18 anos e está decidido a fazer-se pintor, mas falta-lhe aprender que o caminho para a realização pessoal não se percorre em linha recta. Nesse tempo, embora os cursos de arquitectura e de pintura sejam ministrados no mesmo estabelecimento, há entre eles uma diferença abissal: para ingressar no primeiro, é necessário o curso dos liceus; para frequentar o segundo, a instrução primária é quanto basta.

 

Escadas do Antigo Hotel Flávia (Junto ao Jardim Público)

Esq./Dir

Em primeiro Plano Lereno, Nadir Afonso e filho do Dr. José Lino

Em segundo plano Artur Maria Afonso (Pai de Nadir), Pão Alvo (Propr. do Hotel) e Dr. José Lino

em 3º plano - hóspedes do Hotel 

 

Alheio a tudo isso, o candidato apresenta-se na escola, num dia de Setembro, para fazer a inscrição. «Levava na mão o requerimento dirigido ao director: ‘Eu, fulano de tal, venho respeitosamente requerer a V. Exa. que se digne a aceitar-me como aluno de pintura’. À entrada estava um funcionário sentado a dormitar. Perguntei-lhe onde era a secretaria e ele puxa-me do requerimento, lê-o e diz-me: ‘Ó homem, então você tem o curso dos liceus e vem inscrever-se em pintura? A pintura não alimenta o seu homem. Inscreva-se em arquitectura’. Aquilo meteu-se em mim e eu, cobardemente, porque o funcionário me tinha assustado, vim cá fora, rasguei o requerimento, e fiz outro: ‘Eu, fulano de tal, venho respeitosamente requerer a V. Exa. que se digne e aceitar-me como aluno de arquitectura’».

 

Nadir Afonso - Cerâmica de Chaves - 1939

 

Mesmo depois de trocado o cavalete pelo estirador, Nadir não deixa nunca de pintar. Em Abril de 1946, na ressaca da Segunda Guerra Mundial e quando lhe falta ainda defender a tese de fim de curso (só o fará dois anos mais tarde), parte para Paris. À chegada, instala-se no Quartier Latin, consegue uma bolsa de estudo do Governo francês, inscreve-se no curso de pintura da École des Beaux-Arts e mergulha de cabeça na vertigem da arte mas também da vida. Eram tempos difíceis de um pós guerra que deixou toda a Europa destruída e Nadir sozinho em Paris com alma de artista, um principiante com umas telas debaixo do braço que os velhos pintores de Paris viam sem olhar.

 

 

Desmoralizado, a arquitectura volta a impor-se e Nadir começa a pensar em formas de «ganhar uns dinheiros» e de artista, passa a arquitecto, eu diria mesmo arquitecto-emigrante «A ideia que me veio à cabeça foi trabalhar com Le Corbusier, uma vez que já tinha tido contacto com a obra dele nas Belas_artes do Porto. Procurei o endereço dele, 35, Rue de Sèvres, e lá fui eu». Mesmo sem diploma, consegue ser recebido pelo arquitecto-chefe do ateliê, André Wogenscky, de quem viria a tornar-se amigo para vida. Começa a trabalhar no dia seguinte. Foi um dos primeiros colaboradores de Corbusier, o Mestre, também ele artista, permite que Nadir dedique as manhãs à pintura sem lhe descontar no ordenado. Durante algum tempo, serve-se do ateliê do célebre pintor cubista francês Fernand Léger (1881-1955). Mas «o afastamento em que se vive nos grandes meios de arte» levam-no a uma encruzilhada.

 

Nadir Afonso - Finalista de Liceu

De pé (Esq./Dir) Augusto Russel, Luís Adão Aguiar, Amílcar Nunes, Acácio Sílvio

Sentados (Esq./Dir) Nadir Afonso, António Mariz e David Ferreira

 

 

Ao receber a visita de um grupo de brasileiros luso-descendentes, é incentivado por Manuel Machado, colaborador de Oscar Niemeyer, a partir para o Rio de Janeiro.

 

A 14 de Dezembro de 1951, embarca para o Brasil e inicia uma colaboração de três anos com o criador de Brasília. «Niemeyer é, como Corbusier, um génio, mas, ao contrário deste, tinha um trato menos polido para com os colaboradores. Tinha bom carácter, mas exaltava-se facilmente e era bastante espirra-canivetes, muito impulsivo» desabafava assim o Mestre Nadir para uma estrevista no semanário SOL.

 

Nadir Afonso - O Arquitecto

 

O sufoco de uma vida dupla, dividida entre os constrangimentos da arquitectura e a obsessão da pintura, há-de durar até 1965. Só então abandona de vez o estirador para se dedicar em exclusivo à sua obra plástica e teórica (escreve mais de uma dezena de livros).

 

Nadir Afonso - No Brasil

 

Mesmo assim ficou o registo na colaboração com alguns nomes grandes da arquitectura mundial e ainda a sua assinatura em algumas obras de arquitectura de sua autoria, algumas em Chaves, como é o caso da Panificadora.

 

Nadir Afonso - O Filósofo e Pensador

 

Mas como dizia Vladimiro Nunes, “A Quadratura do Círculo”, num texto publicado no SOL : « Arquitecto acidental, trabalhou com Le Corbusier e Niemeyer, mas o nome de Nadir Afonso fez-se nas telas »

 

 

Com 87 anos, Nadir Afonso conquistou há muito um estatuto especial na arte portuguesa.

 

Ao abstraccionismo geométrico tem dedicado toda a sua obra. A casa espaçosa onde vive e trabalha, em Cascais, está repleta de telas, guaches e escritos teóricos. Os muitos livros que escreveu, resume-osnesta frase: «A perfeição, a originalidade, a evocação, todas essas qualidades naturais nos emocionam, mas são subjectivas. A quarta qualidade, a ‘morfometria’, a matemática, a pura harmonia das formas, é imutável e realça as outras qualidades. Aí é que está a arte». Ao contrário do que se possa pensar, afirma Nadir, o rigor não exclui o sentimento. «A geometria é um espectáculo de exactidão, mas também é muito emocionante. Quando estou triste, não vejo televisão. Pego num círculo e começo a olhar-lhe para o centro. Ou a harmonizar um quadrado com um círculo. Isso consola-me e acalma-me».

 

 

Telas pintadas pelo Mestre Nadir Afonso ao longo da sua vida de artista, não lhe conheço o número, são pela certa umas largas centenas delas, mas a sua arte não se resume à tela, pois é também artista de grande murais como no caso do metropolitano de Lisboa, autor do logótipo da cidade de Chaves e de muita obra Teórica e Filosófica que bem debitando em livro desde 1958 até aos dias de hoje:

 

Teoria e Filosofia;

  • 1958 La Sensibilité Plastique (Fr), Presses du Temps Présent, Paris
  • 1970 Les Mécanismes de la Création Artistique (Fr/En/Ge), Éditions du Griffon, Neuchâtel, Switzerland
  • 1974 Aesthetic Synthesis (En), Ed. Galeria Alvarez, Porto, Collab. Selected Artists Galleries, New York. No ISBN
  • 1983 Le Sens de l´Art (Fr), Imprensa Nacional, Lisbon. Print run: 2,750 + 250 with a numbered and signed serigraph. No ISBN. Translated in 1999 as O Sentido da Arte, Livros Horizonte, Lisbon. ISBN 9789722410547
  • 2000 Universo e o Pensamento, Colecção Obras Clássicas da Literatura Portuguesa, Livros Horizonte, Lisbon. ISBN 9789722410946
  • 2002 Sobre a Vida e Sobre a Obra de Van Gogh, Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. Print run: 980, numbered and signed. Best art book of the 2003 Frankfurt Book Fair. ISBN 9789729402814
  • 2003 O Fascínio das Cidades, Câmara Municipal de Cascais, Cascais. ISBN 9789729815356
  • 2003 Da Intuição Artística ao Raciocínio Estético, Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. Print run: 980, numbered and signed by the author. ISBN 9789729402920
  • 2005 As Artes: Erradas Crenças e Falsas Críticas/The Arts: Erroneous Beliefs and False Criticisms (Po/En), Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. Numbered and signed by the author. ISBN 9789729402999
  • 2008 Nadir Face a Face com Einstein/ Nadir Face to Face with Einstein,Chaves Ferreira Publicações, Lisbon. ISBN 9789728987114

 

 

Monografias;

  • 1968 Guedes, Fernando. Nadir Afonso, Editorial Verbo, Lisbon
  • 1986 Nadir Afonso (Po/En/Fr), Colecção Arte Contemporânea, Livraria Bertrand, Lisbon. Print run included 200 numbered and signed copies, with a serigraph. ISBN 9789722500623
  • 1990 Da Vida à Obra de Nadir Afonso, Livraria Bertrand, Lisbon. Print run included 250 numbered and signed copies, with a serigraph. ISBN 9789722505416
  • 1994 Nadir Afonso, Bial, Porto. No ISBN
  • 1998 Nadir Afonso, Livros Horizonte, Lisbon. ISBN 9789722410415
  • 1999 Obra Gravada, Edições Coelho Dias. ISBN 9789729744416
  • 2000 O Porto de Nadir, Edições Coelho Dias, Porto. ISBN 9789729744440
  • 2008 Nadir Afonso: O Futuro Renascimento, Dinalivro, Lisboa. ISBN 9789725765012
  • 1958 - La Sensibilité Plastique, Press du Temps Present, Paris
  • 1970 - Les Mecanismes de la CréationArtistique, Editions du Griffon, Neuchatel, Suíça
  • 1974 - Aesthetic Synthesis, Ed- Alvarez-Colab- Selected Artists Galleries de Nova Iorque
  • 1983 - Le Sens de l´Art, Imprensa Nacional
  • 1986 - Monografia Nadir Afonso, Bertrand,Lisboa
  • 1990 - Da Vida à Obra de Nadir Afonso, Bertrand
  • 1994 - Monografia Nadir Afonso, Bial, Porto-
  • 1998 - Monografia Nadir Afonso, Livros Horizonte
  • 1999 - O Sentido da Arte, Livros Horizonte
  • 2000 - Universo e o Pensamento, Livros Horizonte
  • 2002 - Nadir Afonso - Sobre a vida e sobre a obra de Van Gogh, Chaves Ferreira Publicações, Lisboa
  • 2003 - O Fascínio das cidades, Câmara Municipal de Cascais
  • 2003 - Da intuição artística ao raciocínio estético, Chaves Ferreira Publicações, Lisboa
  • 2005 - Erradas Crenças e Falsas Críticas, Chaves Ferreira Publicações, Lisboa.

 

 

E sobre o Mestre Nadir Afonso, teria aqui tema para encher páginas e páginas deste blog, mas vamos em jeito de resumo deixar por aqui o essencial sobre o Mestre:

 

 

O Essencial sobre o Mestre Nadir Afonso

 

Uma vivência cosmopolita associada a uma grande capacidade de reflexão levou Nadir Afonso a encontrar, através da geometria, o caminho que o conduziu à compreensão da obra de Arte. Segundo a estética de Nadir, são as leis da natureza que, na sua essência, informam a obra de Arte: leis de perfeição, evocação, originalidade e harmonia.

 

A obra pictórica de Nadir Afonso prima pela pessoalidade: a obra identifica o artista. A sua produção teórica comporta temas tratados de forma inédita, que visam elevar a arte ao nível do raciocínio. Na prática, a obra estética poderá lançar as bases que conduzam ao melhor entendimento e à racionalização da obra de arte.

 

.

 

Após a conclusão dos estudos no Porto, a ânsia de mais conhecimento levou Nadir a partir para Paris. Aí, no pós-guerra, viveu um ambiente de euforia, tendo colaborado com o arquitecto Le Corbusier, frequentado a École des Beaux-Arts, o atelier de Fernand Léger e estabelecido amizade com os pintores Herbin e Vasarely. A colaboração com o arquitecto Óscar Niemeyer verificou-se durante a estadia no Rio de Janeiro e S. Paulo, onde participou na execução do projecto do IV Centenário da Cidade de S. Paulo.

 

Regressado a Paris, alternou períodos de trabalho de arquitectura, com períodos dedicados à investigação estética, estando a pintura sempre presente. A sua primeira grande exposição realizou-se na Maison des Beaux-Arts,  em Paris. 

       

 

Uma situação económica menos adversa trouxe-lhe então a estabilidade necessária para se dedicar completamente à obra. No isolamento, longe das convenções sociais, Nadir Afonso leva uma vida simples, desenvolvendo nesse recolhimento o seu trabalho com apaixonada dedicação, o que lhe proporcionou a formulação de uma teoria estético-filosófica muito própria. O filósofo e professor Nassin Nicholas Taleb afirma que, actualmente, o homem não tem tempo para pensar. Ora, a fim de ter tempo para pensar, Nadir enveredou pelo isolamento. Como diria Henry Ford, pensar é o trabalho mais difícil que existe.

               

Nadir, apesar de não se sentir arquitecto, não renega nem tão pouco se envergonha da sua obra de arquitecto. A tese de Nadir, intitulada «A Arquitectura não é uma Arte», foi realizada a partir do projecto de uma indústria têxtil, em Saint-Dié, França, elaborado no atelier de Le Corbusier. A necessidade de a arquitectura responder a uma função, aliada à necessidade de trabalhar em equipa, não se coadunou com o seu temperamento de artista solitário. A consciência da sua incapacidade de lidar com organismos oficiais, clientes, engenheiros, construtores e outras restrições, a insatisfação criativa que a arquitectura exige, levaram-no a abandonar uma actividade que funcionou como meio de sustentação económica até 1965.

 

 

Nadir Afonso encara a pintura como uma necessidade interior de criação, sendo todos os seus esforços direccionados para a compreensão e explicação racional da arte dos mecanismos da criação artística. O longo caminho estético percorrido desde a sua infância e juventude, onde predominava a representação do real, passando pelo surrealismo, geometrismo e pelos diversos períodos que atravessou até à actualidade, conduziu o artista à convicção da existência de uma lei na arte, a que deu o nome de morfometria.  

               

Ao procurar a compreensão da criação artística, Nadir Afonso definiu as qualidades que o conduziram ao princípio de que a obra de arte é regida por leis de natureza geométrica. Partindo de exemplos palpáveis, foi progressivamente elaborando uma filosofia estética. Ao seu primeiro estudo, La Sensibilité Plastique, outros mais elaborados se seguiram.

 

 

Em Les Mécanismes de la Création Artístique, Nadir alicerçou os fundamentos teóricos da sua estética. EmO Sentido da Arte estabeleceu a preexistência das leis através das condições de existência, analisando nesse estudo os erros da percepção e tratando o objecto geométrico como fonte de harmonia que concede especificidade à obra de Arte. 

               

Considerando que as leis da geometria estão presentes em todo o Universo e partindo do princípio que as leis que regem a obra de arte são as mesmas que regem o Universo, Nadir deu corpo à concretização desta teoria, expressa nos livros Universo e o Pensamento e Nadir Face a Face com Einstein. Por outro lado, contestou normas da física relativista, como a velocidade da luz, propondo o entendimento do tempo como uma relação matemática entre espaço e movimento.

 

 

 No ensaio Sobre a Vida e sobre a Obra de Van Gogh, Nadir analisa a obra de Van Gogh, apontando a sua condição de artista com carências económicas e a indiferença do público como factores condicionantes da sua obra.

        

Para Nadir Afonso, a realização da obra de Arte não é encarada como fruto de um rasgo espontâneo de génio criador, nem como expressão da alma do artista, sendo vista como consequência de um trabalho árduo e perseverante em que só a contemplação aturada da obra é indiciadora da natureza geométrica da Arte e reveladora de possíveis erros de composição.

               

A originalidade da obra pictórica de Nadir, as suas composições inconfundíveis, a forma reflectida como as suas ideias são expostas e a independência de espírito são as características mais marcantes do trabalho de Nadir Afonso, às quais se aliam uma grande capacidade de pensar e desenvolver raciocínios.  Com Nadir Afonso estamos perante uma teoria estética que refuta a subjectividade, a linguagem da alma, e proclama a racionalização da Arte, pretendendo demonstrar que atributos como o conceito de "belo" e "beleza" são vagos e nada definem.

         

Nadir Afonso - Logótipo da Cidade de Chaves

 

A investigação estética de Nadir Afonso mostra-nos como, a partir de composições simples com formas elementares da geometria, se criam tensões matemáticas que chamam a si outras formas, as quais funcionam por sua vez como pedra de fecho da composição.

       

Aos 87 anos, apesar de o seu estado de saúde estar debilitado, Nadir Afonso continua a trabalhar com perseverança.

 

Não há qualquer dúvida que o Mestre Nadir Afonso é um dos maiores ilustres flavienses de todos os tempos da nossa milenar história flaviense. Um nome maior no campo da arte nacional e internacional.

 

Nacionalmente a sua arte já desde há muito é reconhecida e prova disso mesmo é uma recente edição de selos com algumas das suas obras, os murais em estações do metropolitano e as inúmeras e importantes exposições nacionais e internacionais para que é convidado.

 

Nadir Afonso - Metropolitano

 

Também a cidade de Chaves lhe dedicado algumas homenagens de reconhecimento quer com o nome de uma rua, o nome de um agrupamento de escolas e de uma escola, com uma sala com o seu nome no Museu da Região Flaviense onde estão expostas permanentemente algumas das suas obras.

 

 

Também Boticas recentemente se associou a esta homenagem, com uma exposição de telas suas em grande formato e com o anúncio de um Centro de Artes com o nome do Mestre onde suponho também constará alguma da sua obra e da sua história, mas falta fazer-lhe a homenagem maior, que este nome maior merece: A construção da Fundação Nadir Afonso em Chaves. Já existe o local, a maqueta já é conhecida de todos, falta mesmo é a sua construção e esse local de reunião de toda a arte e história do Mestre, a sua abertura à cidade de Chaves e a quem nos visita. A cidade de Chaves deve isso ao Mestre Nadir Afonso.

 

Nadir Afonso - Com a cidade de Chaves aos seus pés

 

Páginas e blogues de visita obrigatória do Mestre Nadir Afonso:

 

http://espacillimite.blogs.sapo.pt

http://nadirdechaves.blogs.sapo.pt/

http://www.nadirafonso.com/

http://www.nadirafonso.pt/

http://en.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

http://en.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso_artworks

http://pt.wikipedia.org/wiki/Nadir_Afonso

 

entre muitos outros…

 

 

 

 

 

 

08
Mai13

Edgar Carneiro - Uma Lembrança com 100 anos

 

“Lembrança”

 

 

Faz hoje CEM anos que nasceu em CHAVES, na Rua Direita, nº 104, o poeta EDGAR CARNEIRO.

 

Nas ESCOLAS onde ensinou e nas Cidades onde viveu deixou saudades entre Alunos, Colegas e Amigos.

 

FAIÕES foi o seu berço.

 

A Região Flaviense, a NORMANDIA TAMEGANA, levava-a no coração, fosse para onde fosse, estivesse onde estivesse.

 

EDGAR CARNEIRO foi um Flaviense que ilustrou a NOSSA TERRA.

 

Em Espinho, onde leccionou e viveu muitos anos, a Autarquia reconheceu-lhe os seus méritos de poeta, de professor e de cidadão. Atribuiu-lhe as mais altas condecorações da Cidade.

 

Porque sou flaviense, nado e criado, e me orgulho de ter EDGAR CARNEIRO como conterrâneo e Amigo, lembro hoje a data do seu nascimento.

 

Deixai que vos “deixe”:

 

 

IDENTIDADE

 

 

Sou de longe além dos montes

 

Onde meu amor gerou

 

Alguém que há-de sonhar

 

O mesmo sonho que eu tive

 

Pois que lá também amou

 

E bebeu das mesmas fontes.

 

 

Sou de longe e não esqueço

 

O «Reino» maravilhoso»

 

Onde a urze tem conluio

 

Com a vinha que dá sangue

 

E o centeio que dá pão.

 

 

Sou de longe mas fiquei

 

Onde o mar é meu irmão.

 

 

- em “Mar Amar”-1992

 

 

 

Luís Fernandes



26
Jun12

Dr. Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado

Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado

(27 de julho de 1928 – 25 de junho de 2012)

 


 

Desde ontem à noite nas edições online dos jornais nacionais,e hoje nas edições dos Jornais nacionais e televisões davam a conhecer a morte de Júlio Montalvão Machado e a seguinte notícia:

 

“O fundador do PS Júlio Montalvão Machado morreu hoje, aos 83 anos, informou o secretário-geral do PS, António José Seguro, que lamentou, numa nota de pesar, a morte de "um dos mais ilustres democratas".

 

Para António José Seguro, o falecimento de Júlio Montalvão Machado,  republicano e antifascista, deixa ao país "uma personalidade única, a quem  a República e a democracia muito devem". 

 

Oftalmologista de profissão, Montalvão Machado foi um dos fundadores  da Ação Socialista Portuguesa e, depois, do Partido Socialista. 

 

Fez parte da Comissão Nacional e da Comissão Diretiva do PS, tendo exercido  todas as funções partidárias em Vila Real, distrito de onde era natural.

 

Foi presidente honorário da Federação Distrital do PS de Vila Real,  governador civil de Vila Real (1974-1975), deputado (1979-1980) e presidente  da Assembleia Municipal de Chaves (1993-2001). 

 

Perseguido pelo regime do Estado Novo, Júlio Montalvão Machado só viria  a ser autorizado a exercer funções profissionais no Serviço Nacional de  Saúde após o 25 de Abril de 1974. 

 

Durante vários anos, Montalvão dedicou-se à investigação da História  política portuguesa, em especial o pós-Invasões Francesas e o período da  Implantação da República.  

 

A história dos Defensores de Chaves (1912) e a vida de António Granjo,  primeiro-ministro em 1920-1921 e seu familiar, serviram de base a muitas  das suas publicações.”

 

Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado, embora nascido em Vila Real, viveu e dedicou quase toda a sua vida à cidade de Chaves.

 

Em 1952, na Universidade do Porto,  concluiu a sua formação em Medicina vindo a especializar-se em oftalmologia em 1957, ano a partir do qual começa a exercer a sua atividade profissional na cidade de Chaves.

Embora médico de profissão, os seus amores eram repartidos pela política e pela história de Chaves e da República.

Militante da Acção Socialista Portuguesa viria a ser fundador do Partido Socialista em 19 de abril de 1973, conjuntamente com António Macedo,  Mário Soares, Tito de Morais, António Arnaut,  Jaime Gama, Francisco Salgado Zenha, Raul Rego, Teófilo dos Santos, Arons de Carvalho, Coimbra Martins e mais umas dezenas de nomes sonantes da vida política portuguesa.

 

Foi o primeiro Governador Civil do Distrito de Vila Real no pós 25 de abril de 1974, fez parte da Mesa do 1º Congresso Nacional do Partido Socialista e foi eleito sucessivamente para  a Comissão Nacional do Partido Socialista. Foi eleito deputado pelo circulo de Vila Real em 1979.

 

A nível local e distrital ocupou vários cargos na estrutura do Partido Socialista bem como no poder autárquico como Presidente da Assembleia Municipal.

 

 

Como homem político e Socialista era estimado e respeitado por todos os quadrantes políticos.

 

Era também um estudioso e investigador de história, principalmente da República e da Vila e Cidade de Chaves, temas sobre os quais publicou vários trabalhos em colaborações, entre as quais com o Grupo Cultural Aquae Flaviae do qual também é fundaor,  e em duas obras de referência para Chaves – “ A Crónica da Vila Velha de Chaves”  e a “República em Chaves”

 

 

Em 10 de Julho de 1995, Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado foi agraciado pelo Presidente da República Portuguesa com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, condecoração que é atribuida para distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação da Pessoa Humana e à causa da Liberdade.

 

Chaves, desde ontem, está mais pobre.

 

O Funeral do Dr. Júlio Augusto Morais de Montalvão Machado realizou-se hoje, às 16 horas em Chaves.

 

 

16
Jan11

Um Adeus ao Dr. Edgar Carneiro

Tento ter o meu computador arrumadinho. Nele, entre muitas pastas,  tenho uma que dá pelo nome de Chaves. Dentro desta tenho uma que se chama “Flavienses Ilustres” e dentro desta uma que se chama “Edgar Carneiro”. Ontem, mais uma vez, tive que abrir a pasta “Edgar Carneiro” para nela acrescentar a data de 15 de Janeiro de 2011, uma data que Edgar Carneiro terá na sua lápide como o dia da sua morte.

 

Foto de Albano Nascimento

 

.

 

O Momento

 

É do momento incerto

Que se fala

Não movido por horas

Ou por dias

Mas apenas e só

Do abrir e fechar

Das asas e das flores,

Do som, do tom, das cores

De tudo que se move

Neste mundo

E como um círio

Ou súbito relâmpago

Se ilumina e desfaz

Em menos dum segundo.

 

Edgar Carneiro “In Périplo”

 

E em segundos o seu novo caminho foi iluminado, não sei se chegou a dizer, ou não, adeus. Pela certa, desprevenido, o seu corpo partiu sem a chave do regresso, mas entre nós ficaram para toda a eternidade as palavras do poeta, que essas, tal como o sol ou as estrelas, nascem todos os dias e, do alto dos seus anos, pela certa que esta noite recolherá todas as pérolas soltas  da concha do dia.

 

Nunca digas adeus

Sem ver se tens contigo

A chave do regresso

 

 

Não creias na lua;

O céu acende estrelas

Para ti.

 

 

A noite recolhe

As pérolas soltas

Da concha do dia.

 

Edgar Carneiro, "Tríptico - In Périplo"

 

 

 

 

 

 

Edgar Carneiro

 

 

Nasceu em Chaves no dia 8 (12) de Maio de 1913, faleceu em V.Nova de Gaia em 15 de Janeiro de 2011

 

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, foi professor dos ensinos secundários e técnico-profissional em Chaves, Lisboa, Porto, Vila Real, Fiães e Espinho, cidade onde vivia desde 1967 e pela qual foi agraciado com a medalha de mérito da edilidade e condecorado com a medalha de honra da cidade e o título de cidadão de Espinho. Fez parte do Orfeão Académico de Coimbra e foi um dos fundadores e sócio honorário do TEP - Teatro Experimental do Porto.

 

Pai do poeta, já falecido, Eduardo Guerra Carneiro. Foi um dos poetas mais assíduos na tertúlia Onda Poética do Casino de Espinho, coordenada pelo poeta Anthero Monteiro.

 

 

Publicou mais de uma dezena de títulos, que mereceram da crítica referências muito elogiosas. João Gaspar Simões declara que o autor «atinge alturas consideráveis no nosso lirismo». Luís Miranda Rocha encontra na sua poesia duas características fundamentais: «o rigor da escrita» e «a dependência no referencial em relação à realidade social, regional». Ernesto Rodrigues reputa-o como «o nosso melhor artista em verso curto». Anthero Monteiro acha a sua poesia «eminentemente solar, diurna, luminar, simultaneamente telúrica, quase vulcânica», característica que remete para o Amor, para a Liberdade e para o Sonho, sempre presentes nos seus versos, a par de uma linguagem concisa e rigorosa, mas enriquecida, não raramente, por uma temática sensitiva e plena de erotismo.

 

Nunca tive o prazer de conhecer pessoalmente o Dr. Edgar Carneiro, não conheci a grandeza do homem que todos me dizem que era, apenas lhe conheço as palavras publicadas e conheci alguma da sua vida por amigos comuns,  que viveram próximo dele nestes últimos anos, e que todos me garantem também, que era Chaves a cidade que tinha no coração e na qual teve tempo ainda de fazer o lançamento do seu último livro, o «PÉRIPLO», no dia em que fazia 97 anos de idade, cidade que tantas vezes também cantou na sua poesia.

 

 

 

 

 

Dr. Edgar Carneiro, irmão do saudoso Dr. Mário Carneiro (Dr. Carneirinho) que dedicou parte da sua vida às caldas de Chaves e avô do Arqueólogo Sérgio Carneiro que tanto tem contribuído para a redescoberta de Chaves romana ou Aquae Flaviae.

Partiu o Homem Edgar Carneiro mas dele, para toda a eternidade, ficam as palavras da sua poesia e as suas obras:

 

1978 - Poemas Transmontanos

1980 - Tempo de Guerra

1981 - A faca no Pão

1983 - Jogos de Amar

1986 - Rosa Pedra

1989 - O Signo e a Sina

1991 - Vida Plena

1992 - Mar Amar

1998 - Antologia Poética

1999 – A Boba na Fonte

2000 - Lúdica

2003 - Depois de Amanhã

2009 - "Périplo"

 

Existe a promessa de que por aqui, aos fins-de-semana são as aldeias que têm lugar. Hoje compreenderão que este dia seja dedicado a esse ilustre flaviense e poeta que acaba de nos deixar, mas para não faltar à promessa de trazer aqui uma aldeia, deixo-vos também uma referência a Faiões, com as palavras que um amigo comum, Tupamaro, deixou neste blog por altura do seu 96º aniversário:

 

 

“Chaves, 8 de Maio de 1913.

 

Um casal, abastado, morava em FAIÕES, aquela Aldeia lá na Veiga, já a encostar-se ao Brunheiro e onde o pão continua a ser sempre bem cozido e bem saboroso.

 

Chegada a altura de ser mãe, a esposa «fez questão» que os seus filhos «tinham de nascer» na Vila.

 

O marido fez-lhe a vontade.

 

Havia uma casa devoluta, que ainda era de família, ali para a Rua Direita.

 

O futuro pai comprou-a. Arranjou-a a preceito. E, chegada a hora, foi lá, no Nº 104 da Rua Direita, que nasceram os filhos desse casal de FAIÕES.

 

 

Faiões

 

 

 

E todos saíram ilustres.

 

Desse «ranchito» temos a sorte de ainda estar entre nós o EDGAR.

 

Professor e Poeta, o Dr. EDGAR CARNEIRO foi um Mestre que deixou reconhecimento e saudades aos seus alunos. E ainda hoje continua a fazer amigos.

 

A Cidade de Espinho, onde leccionou e onde reside desde há muitos anos, adoptou-o como seu cidadão e celebrou-o condecorando-o.

 

Mas o Dr. EDGAR CARNEIRO continua apegado ao torrão que o viu nascer e crescer.

Sabemo-lo e testemunhamo-lo.

 

Sempre que chegamos ao «Mon Chèri», para tomar o nosso «pingo» e fazer-lhe companhia ao lanche, solta-se-lhe logo:

 

- “Então que novidades nos traz da “NOSSA TERRA”?!

 

E, acompanhados pela flaviense de provecta idade, D. ARMANDINA SERRA RAMOS, lá falamos de algumas «novidades de CHAVES» e de muitas recordações de todos.”

 

Chaves, Rua Direita

 

 

Foi também pelas mãos deste amigo comum que no último Natal foi publicado neste blog um poema inédito de Edgar Carneiro e que tanto abrilhantou a noite de consoada:

 

 

N A T A L

 

Todos os dias nascem

Neste mundo

Meninos e meninas

Que passados os tempos

Nunca serão lembrados

Salvo rara excepção

De génio humano.

Mas no santo Natal

É outra a natureza,

Pois trata-se de Alguém

Que morre em cada ano

E renasce mais próximo

Em Belém.

 

Edgar Carneiro – Dezembro de 2010

 

Da nossa parte, dizemos adeus a este Homem, ilustre flaviense poeta, mas, não vamos esquecer as chaves do regresso, pois Edgar Carneiro vai continuar neste blog sempre que as suas palavras sirvam para abrilhantar a prosa e poesia da cidade de Chaves.

 

 

 

 

 

 

Adeus, com pena e já com saudades mas também com a honra de dizer adeus a quem cumpriu a sua vida durante tão longos anos e parte com a bonita idade de 98 anos. Adeus, já tenho as chaves no bolso.

 

Foto de Albano Nascimento

 

 

Sobre Edgar Carneiro, alguns posts neste blog:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/445461.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/499096.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/576685.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/385654.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/572701.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/429696.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/398303.html

 

 

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