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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Jan21

De regresso à cidade...

O nevoeiro e o frio

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Hoje o regresso à cidade não é nosso, pois estamos confinados e somos dos que cumprimos, mas há quem, alheios a esta coisa do vírus, regresse sempre á cidade e ao vale, e se deixe estar por lá desde o cair da noite até por volta do meio-dia do dia seguinte, embora às vezes, teimosos que eles são, fiquem por lá a noite e o dia todo, às vezes, semanas a fio…

 

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Esses dois teimosos têm nome, um chama-se nevoeiro, alapa-se no vale e não sai de lá, o outro chama-se frio, não se vê mas sente-se, costumam andar juntos e é uma das duplas mais flaviense que conheço e que todos os flavienses conhecem, comentam ou falam, e como se de chagas se tratassem, não nos largam, invadem-nos o corpo, às vezes até doer e não há roupa que lhe resista, é como o vírus que praí anda, invade-nos o corpo sem saber por onde entram. Mas indiferentes a tudo isto, talvez por hábito ou simples gosto, há que goste dos dias assim, e quem está longe, quiçá até os recorde com saudades, e uma coisa é certa, visto lá de cima, da croa dos montes, tem tanto de mistério como de beleza e quer queiramos oi não, fazem parte do nosso ser flaviense.

 

 

 

12
Jan21

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM – INVERNO

Histórias que o Inverno me Contou

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UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM – INVERNO

 

No olival, os homens e as mulheres entregam-se à lida de colher das oliveiras a azeitona, que se oferece entre a folha miúda. Estendem ao redor do tronco a serapilheira e varejam os ramos, braços ao alto, até cair o fruto. E como ficam felizes se o ano é de fartura! Transportada a azeitona para o lagar, é medida na «fanga» e depositada na «tulha» até encher. Verdes umas, negras as outras. Lavadas e depois moídas entre a pedra das mós, lá as temos, então, cantando, a correr das bicas. Na bica de baixo, a «almofeira», líquido escuro da azeitona em talha, na bica de cima, a riqueza do fruto transformado em azeite. Mas muitas outras são as tarefas que o Inverno traz para serem cumpridas.

 

Finda a colheita no olival, inicia-se a poda das oliveiras. As noites são longas e os dias curtos e frios. Os rostos e as mãos dos homens e das mulheres tornam-se roxos, ásperos e gretados. Mas o Inverno não os amedronta. Os homens e as mulheres sabem que a terra e os animais necessitam do seu esforço e do seu saber. Que a Natureza, sem a sua ajuda, não poderia ser tão pródiga e tão amiga. Portanto, aí estão eles, a desafiar a invernia no desempenho das tarefas que encontram pela frente. A satisfazerem o pedido da terra e dos animais, porque gostam de retribuir em conhecimento e em cuidados a riqueza que os animais e a terra têm para lhes oferecer.

 

Ei-los a fazer a lavoura, as adubações e as sementeiras. A prosseguir nas vinhas as podas e as arroteias para novas plantações. A colher nos laranjais as laranjas e as tangerinas. A engarrafar os vinhos nas adegas. A abrir covas para semear as amêndoas e as nozes. E valeiras para semear os melões. A abrigar nas hortas as plantas que não resistem ao frio. A semear as cebolas, os espargos, os espinafres, os nabos e as cenouras. E também os alhos e os morangueiros. A podar as roseiras e os arbustos. A resguardar as plantas que vão florir mais cedo – como as azáleas e as camélias. A semear nos alegretes as calêndulas, as lobélias e os amores-perfeitos. E a plantar as ervilhas-de-cheiro, os jacintos, as túlipas e as anémonas.

 

Com os animais redobram os cuidados. Renovam-lhes as camas para estarem sempre enxutas. Agasalham e dão melhor comida às vacas leiteiras. Reservam verdura às ovelhas que tiveram crias. E tratam das colmeias, dos pombais, das capoeiras… Num trabalho constante, que não acaba mais.

 

Soledade Martinho Costa

Do livro “Histórias que o Inverno me Contou”

Ed. Publicações Europa-América

 

 

28
Dez20

De regresso à cidade...

Cidade de Chaves com Chuva

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Distraído ou com a rotina dos dias transtornada, entrou o inverno e nem dei por isso, não fosse a chuva e o frio e passaria sem dar por ele, mas já chegou e já cá está.

 

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Um regresso molhado à cidade, e passem por onde passem os meus passos, a mesma coisa, chão molhado, chão molhado e chão molhado, foi assim na rua Direita, desci ao Arrabalde a mesma coisa.

 

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Rua de Santo António, a chuva continua, nem o santo lhe vale, e se calha até tem razão, pois para além dos casamentos da capital dizem que é padroeiro dos pobres… agora já percebi porque é que ele vinha nas notas de 20 escudos, mas adiante, que o Santo António não tem culpa e depois o padroeiro da cuva até é o S. Pedro.

 

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Seja como for e por onde forem os nossos passos de hoje, vão pela chuva, os das secas, hoje, escusam de se queixar…

 

Com ou sem ela, a chuva, uma boa semana para todos, e se possível, desviem-se do bicho que a vacina já chegou a terras de Portugal, agora é só esperar que chegue até nós.

 

 

 

14
Dez20

De regresso à cidade...

Rua Direita - Chaves - Em Dia de Chuva

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De regresso à cidade, mais molhada que fria, e nestes dias de chuva, a cidade fica mais cinzenta, mais triste, dizem, por mim apenas a acho mais escura, mas também mais brilhante. e uma coisa compensa a outra, acho eu, mas mesmo assim não gosto da chuva, apenas porque me molha, apenas isso…

 

Com chuva ou sem ela, uma boa semana!

 

09
Dez20

Um regresso à cidade com fruta da época e passarinhos

Diospiros, pardais, gralhas e outros passarinhos

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Um bocado confuso e desiludido com esta coisa da pandemia me privar de ir à caça de fotografias aos fins-de semana , feriados e dias de prisão domiciliária sem culpa no cartório, leva-nos a outras aventuras. Já farto de inventar e iluminar pinheirinhos de Natal, aliás já recebi ordens de que já chegam…tive que me virar para outras coisas, e fiz mais uma incursão pelo arquivo de fotografias antigas, para lhes dar alguma ordem e desfazer-me do lixo que por lá reinava. Já estava nisto há umas horas quando a insistência do granar de uma gralha (ou pega, nem sei bem) me fez levantar, pela certa estava a chamar pela companheira habitual para me ir aos diospiros, que têm servido de banquete à passarada, mesmo mirradinhos, que este ano não foi bom para a espécie e verdes por falta de geadas a sério, lá vai havendo um ou outro que vai amadurando, mas é só um ai que lhe dá, pois passado algumas horas só fica o toco que o prendia…

 

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Ora graças à insistência do granar da gralha fiz um intervalo e fui ver, lá estava ela no diospireiro. Aproveitei, peguei na máquina fotográfica, mais para desenferrujar as lentes do que propriamente pelas fotos, que aliás já pouca luz tinha para tal, mas mesmo assim, dei ao gosto ao dedo e lá fiquei uns minutos a contemplar tao lauto banquete, e sem convite, só algumas regras, pois enquanto há gralhas não há pardais e enquanto há pardais, estes em bando, não há passarecos mais pequenos, alguns que nunca tinha visto nem sei o nome.

 

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Os pardais demoram-se mais, mas como são poucos os diospiros maduros, vão-se engaliando por uma posição, quase parece a dança da vassoura, ora está um ora está outro com o diospiro, e tal como chegam em bando, assim partem.

 

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Já os melros que às vezes também vêm aos pares, ou então sozinhos, são mais cuidadosos, primeiro pousam, analisam o ambiente, e só quando tudo parece estar calmo e seguro é que atacam o diospiro, eles sabem que há gato por perto, escondido num qualquer lugar e que estão debaixo de mira, talvez por isso, o único melro que poisou enquanto estive de serviço ao diospireiro, poisou mas por pouco tempo, e ainda por cima não se pós a jeito de uma fotografia… fica para a próxima prisão domiciliária…

 

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E é tudo, pois hoje embora já a meio da semana lá temos que fazer outro regresso à cidade, ainda não sei por qual caminho, ou ponte, mas a caminho decidirei, dependerá do trânsito da manhã, que isto é uma cidade pequena mas nas horas de ponta só há popós na estrada, tomarei a alternativa mais calma, pois não gosto muito de confusões… desfrutem dos passarinhos, dos diospiros não, pois embora com boa cor ainda não estão maduros, estão naquele ponto em que deixam a língua grossa.

 

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Esté último foi o diospiro que me permitiu alguns cliques, um dos dois que estavam prontinhos a comer...

 

 

 

31
Dez19

Adeus 2019, com uma geada das boas

Cidade de Chaves - Portugal

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O inverno chegou há dias, o Natal já lá vai, hoje é o último dia do ano de 2019, mais logo, 2020 fará a sua entrada em dia frio e seco, em Chaves, sinónimo de nevoeiros noturnos e matinais acrescidos de geadas das boas, daquelas branquinhas, com o seu que de perigo para quem anda na estrada, principalmente para aqueles que não sabem o que é uma estrada gelada e não conhecem as curvas sombrias onde o gelo se vai acumulando dia após dia, ou seja, com nevoeiro e gelo, na estrada, todo o cuidado é pouco, mas este tempo de frio seco de geadas (fora do vale onde o nevoeiro é residente) também tem coisas boas, que o digam aqueles que lá na aldeia têm o reco cevado para ir ao banco e os lareiros à espera de carga de coisas boas… enfim, para condizer deixou uma fotografia de uma geada das boas…

 

P.S. – Este blog, a partir de amanhã, irá estar sujeito a algumas alterações, principalmente nos conteúdos, mas sem abandonar a sua linha. Sempre que isto acontece, vamos pedindo que façam chegar até nós algumas sugestões, mas raramente nos respondem. Supomos que estarão satisfeitos com aquilo que fazemos, mas sabemos que não é bem assim, que têm opinião e que até gostariam de ver aqui alguns temas tratados, outras imagens, eu sei lá... Têm e sempre tiveram a caixa de comentários do blog à disposição para dar a vossa opinião ou fazer os vossos pedidos, que eu terei em conta. Se o quiserem fazer em privado, estejam à vontade enviando-me um e’mail para (ribeiro.dc@gmail.com) Fico a aguardar algumas sugestões. Entretaqnto, para os que gostam de fotografia, e como este blog é dedicado à cidade de Chaves e região (Alto-Tâmega e Barroso) onde preferencialmente publicamos imagens deste “Reino Maravilhoso”, reativei um antigo blog que agora passou a chamar-se “Fotografia e outros Devaneios” onde estou a publicar diariamente, pelo menos uma foto, de outros temas, em geral fotografias que não são de Chaves nem da Região (embora também as possa haver), fotografias que eu gostei de fazer e tenho todo o gosto em partilhar, estando para já definidos alguns temas prioritários: P&B, CutOut, Devaneios, Arquitetura, Design e Outras Paragens, neste último com fotografias de Portugal, estrangeiro e outras que não caibam nos outros temas. Um pouco de tudo onde apenas a fotografia interessa. Espero que gostem tanto quanto eu gosto de o fazer. Fica aqui o endereço que tem também link na barra lateral do blog Chaves: https://fotosfr.blogs.sapo.pt

 

Até pró ano!

 

 

11
Out19

As coisas que as fotografias nos dizem...

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Quanto em fotografia tomamos uma imagem, há sempre um motivo que nos impele a virar a objetiva para um assunto e fazer o clique em que se congela uma imagem para todo o sempre. Quase sempre sabemos qual é essa razão, ou julgamos saber, mas às vezes, penso que é uma razão do inconsciente que nos leva até à imagem.

 

Quando faço uma ronda pelas imagens de arquivo para selecionar uma para um post neste blog, por inúmeras vezes parei na imagem de hoje e acabei sempre por deixá-la para trás, tudo porque ela merecia um pouco mais de atenção, é uma imagem que implica connosco, que nos transmite e nos quer dizer coisas. Numa primeira análise diremos que é um daqueles dias preciosos de sol de inverno, possivelmente um domingo ou feriado em que as pessoas saíram à rua para apanhar um pouco de sol.  E sim, confirma-se, a imagem é do dia 2 de janeiro de 2011, domingo. No entanto se olharmos atentamente para a fotografia, temos informações preciosas para memória futura, principalmente no campo da geografia humana e sociologia, sobre o estado das coisas em Portugal nessa data. Primeiro em co0mo as pessoas ocupam os seus tempos livres, mas o mais valioso é que nos transmite a realidade demográfica da data, senão vejamos, na imagem podemos ver ao todo 14 pessoas, das quais 2 são crianças e 12 adultas. Das adultas, metades são idosos outra metade de meia idade. A análise rápida destes dados leva-nos logo para uma baixa taxa de natalidade e uma população envelhecida ou a caminhar para lá. Mas centremo-nos apenas nos dois bancos da frente, com 4 idosos num banco, dos quais 3 são mulher e apenas um homem, por sua vez no outro banco estão 5 pessoas, das quais 3 são mulheres e 2 são homens. Pois aqui nota-se que não existe um convívio intergeracional. Os velhos para um lado, os mais jovens para outro, por outro lado, nos idosos, há mais mulheres que homens, no caso 3 mulheres para um homem, já nos mais jovens há igualmente 3 mulheres para dois homens. Mais dados da foto, por exemplo a criança a brincar ao ar livre, mas num espaço vedado de brincadeiras enjauladas, muito diferente daquilo que era há 40 anos atrás e pela certa que daqui a 40 anos já não será assim. Mas daqui a uns 100 anos esta foto dirá de nós muito mais coisas.

 

Esta foi uma análise possível olhando à geografia humana e à sociologia, mas poderíamos ter ido por outro caminho, por exemplo, os homens encaram a vida a olhar para a frente, as mulheres a olhar para o lado… bem, é melhor ficar aqui…

 

 

26
Jul19

O direito à diferença, ou talvez não!

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O direito à diferença, sim, porque é um direito, não o de ser diferente por ser idoso ou usar bengala, esses apenas são mais velhotes que os menos idosos, talvez um pouco diferentes porque têm muita mais experiência e sabedoria, e talvez por se  movimentarem mais devagarinho, mas chegam sempre onde os outros chegam.  Também não é o direito à diferença por ir todos para o mesmo lado, sabe-se lá pra onde, também não vamos por aí. O direito à diferença também não é pelos vermelhos da fotografia sobre o restante P&B, não, isso é noia minha, gosto e prontos, passemos à frente… A diferença também não está nas Freiras, embora aqui, nesta imagem de arquivo, estivesse na sua 3ª edição, sem, no entanto, ter sido aumentada e melhorada, antes pelo contrário, vai mantendo as suas dimensões e vai sendo piorada de edição para edição, e aqui nem tido havido direitos, antes imposições, toma lá e cála-te. Freiras de fora. Se tivesse tempo, continuava aqui a gastar o meu português escrito, mas como o soninho já pede cama, vou direto ao assunto, aliás, penso que nem se trata de nenhum direito à diferença, mas apenas, isso sim, o de já estar farto dos dias quentes de verão, porque não gosto do calor, porque me faz transpirar, porque me tolhe os dias… daí ter ido ao arquivo sacar uma imagem com frio, só para contrariar o estado do tempo e nela sentir alguma frescura… Concluindo, até pode fazer a diferença, mas retiro o direito inicial… e com esta me bou até ao meio-dia em ponto com mais um artista fleviense em exposição.

 

 

 

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