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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

26
Jul19

O direito à diferença, ou talvez não!

1600-(42183)

 

O direito à diferença, sim, porque é um direito, não o de ser diferente por ser idoso ou usar bengala, esses apenas são mais velhotes que os menos idosos, talvez um pouco diferentes porque têm muita mais experiência e sabedoria, e talvez por se  movimentarem mais devagarinho, mas chegam sempre onde os outros chegam.  Também não é o direito à diferença por ir todos para o mesmo lado, sabe-se lá pra onde, também não vamos por aí. O direito à diferença também não é pelos vermelhos da fotografia sobre o restante P&B, não, isso é noia minha, gosto e prontos, passemos à frente… A diferença também não está nas Freiras, embora aqui, nesta imagem de arquivo, estivesse na sua 3ª edição, sem, no entanto, ter sido aumentada e melhorada, antes pelo contrário, vai mantendo as suas dimensões e vai sendo piorada de edição para edição, e aqui nem tido havido direitos, antes imposições, toma lá e cála-te. Freiras de fora. Se tivesse tempo, continuava aqui a gastar o meu português escrito, mas como o soninho já pede cama, vou direto ao assunto, aliás, penso que nem se trata de nenhum direito à diferença, mas apenas, isso sim, o de já estar farto dos dias quentes de verão, porque não gosto do calor, porque me faz transpirar, porque me tolhe os dias… daí ter ido ao arquivo sacar uma imagem com frio, só para contrariar o estado do tempo e nela sentir alguma frescura… Concluindo, até pode fazer a diferença, mas retiro o direito inicial… e com esta me bou até ao meio-dia em ponto com mais um artista fleviense em exposição.

 

 

 

30
Mar18

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM – DIA DE INVERNO II

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— Quem será o primeiro? O mais afoito? Qual dos meus vizinhos e companheiros se atreverá a pôr a cabeça fora do ninho ou do buraco onde se recolhe? Quem terá coragem de convidar-se para um passeio nesta manhã tão fria? – interroga-se o pardal, ainda sonolento, a espreitar, aconchegado, no beirado da casa. — Mas, assim… Brrrrrr! Com este frio! – e acomoda-se de novo no casaco de penas que lhe veste o corpo. 

Comadre lebre, à porta da toca, orelhas levantadas, deita um olhar ao matorral que cerca a sua casa.


— Não há dúvida de que esta alvura fica bem bonita, assim, pousada sobre as casas e os campos, como um manto de lantejoulas brancas! – exclama ela. – O pior é que de beleza ninguém enche a barriga. Enchem-se é os olhos, isso sim. Agora o papinho, era bom, era! Hoje, por exemplo, com tanta beleza, enchia-se a barriguinha até fartar. Mas não. Pobres dos bichos que têm de procurar alimento nas manhãs como esta! Que, por mim, pouco me ralo. Vou continuar a dormir um sono e só pela tardinha tenciono pôr as patas fora da toca. Quanto ao frio, ora, no Inverno já estou habituada. Também, para alguma coisa me há-de servir o fato de pêlo… – e a lebre entra na toca e volta a enroscar-se na cama quente do calor do seu corpo.


O sol começou agora mesmo a levantar-se. Primeiro, a bocejar por entre os lençóis de neblina com que se tapa. No Inverno, levanta-se mais tarde. Ou recusa-se, mesmo, a levantar-se. A debruçar-se, por pouco tempo que seja, lá em cima à janela de sua casa. E a terra fica mais fria sem o calor dos seus raios e menos alegre sem a claridade do seu esplendor. Mas o sol, talvez para se fazer mais desejado, esconde-se atrás do reposteiro cor de cinza que veste a abóbada do céu. E não se mostra, o maroto. Não dá sinal de si. Não se vê rasto dele. Às vezes entretém-se a pregar destas partidas dias e dias a fio – ainda que saiba muito bem a falta que faz!


As aves queixam-se:


— Sem o sol tiritamos de frio!


Os homens dizem:


— Quem dera que o sol desponte!


A terra pede:


— Anda, meu amigo, vem até mim, que morro de saudades. Bem sabes que sem ti não sou ninguém…

 

1600-outono (34)


É nesta altura que o sol não resiste mais e aparece. Feliz por se saber amado mostra-se lá em cima. E retribui à terra a sua prova de amor com o beijo mais dourado dos seus raios.


A manhã alonga os passos pelos campos fora. E não se detém. Na pressa de chegar ao fim do dia nem sequer repara no tapete de azedinha e de trevilho, lado a lado como dois amigos que muito se prezam. Onde está um, está o outro! O trevo-dos-prados no anseio de nascer com quatro folhas para dar sorte à mão que o descobrir. As azedas a enfeitá-lo de amarelo nas pétalas que fecham ao entardecer. Mas o azevinho também marca encontro nesta altura do ano. Num emaranhado de picos e segredos, desponta pelas toiças a mostrar as bagas vermelhas na folha envernizada - que gosta de enfeitar Dezembro quando chega o Natal.

 

1600-chuva (8)

 

A tarde toma agora o lugar da manhã que parte. Instala-se, sacode o algodão das nuvens e põe-se toda de um azul-celeste. Tão azul se põe, que o céu se confunde com o mar, a mostrar-se, lá ao longe, aos olhos do povoado. Parecem um só, de braço dado: o mar e o céu! Mas verde e não azul, fica o mar quando está zangado e cinzento o céu, quando, sem revelar porquê, a tristeza o invade.


As figueiras, despojadas de folhas, erguem, como abraços apontados ao céu, os troncos esguios, num protesto. Ao verem as laranjeiras agasalhadas na copa redonda da rama verde-escura, sentem, com maior nostalgia, a nudez cinzenta que lhes veste o corpo. O Outono cobiça e rouba as suas folhas e o Inverno não lhes devolve o adorno com que se embelezam. Por isso, saudosas do bem que perderam, segredam entre si: «Que sorte a das laranjeiras. Sempre bem vestidas, sempre perfumadas, enfeitadas de frutos no Inverno!» E têm razão. Viajantes de mares longínquos desde a China, lá estão elas, as laranjas, entre a saia rodada das laranjeiras, a lembrar marés e caravelas no primeiro pé de laranja doce. À sua volta, as outras árvores quase pararam por completo a dádiva cíclica dos frutos. Mas as laranjeiras, árvores de folha perene, orgulham-se de oferecer nos ramos os gomos sumarentos durante a estação fria do Inverno. Quanto às figueiras, árvores de folha caduca, terão de esperar um pouco mais. Até à chegada da Primavera, altura em que começam a vestir de novo o aconchego dos seus vestidos verdes. Tão verdes como, por vezes, a cor do mar que banha os países onde, roxos ou brancos, amadurecem os seus frutos.

 

1600-passaro-soledad

 

No céu, a cor azul-celeste deu lugar ao tom azul-escuro. Sinal de que a noite vai chegar. As nuvens, vindas de um sítio que só elas sabem, correm, correm de novo pelo céu fora como se tentassem agarrar o vento. Agarrar o vento? Oh, não! O vento é que as empurra. E elas não protestam. Obedecem. Umas atrás das outras, num galope sem freio à sua frente.


Com o vento, veio a noite, agasalhada na sua capa de breu. É nela que oculta a escuridão que lança sobre a Terra para que esta adormeça. E também as sombras, que num bailar constante, têm por missão velar-lhe o sono, até que a Terra desperte e o dia amanheça.


— Pai! Pai Pinheiro! Onde se esconderam as estrelas do céu, que não as vejo?
— Atrás das nuvens… - responde o pinheiro, pai da pinha que baloiça ao vento entre as agulhas finas.
— Agasalhadas nelas porque têm frio?
— Não, minha filha. As nuvens não podem aquecer as estrelas, porque são elas que trazem a chuva!
— Ah! – diz, simplesmente, a pinha.
— E tu, não dormes? – pergunta o pai.
— Ainda não. Penso que as estrelas fazem falta no céu…
— Sim, as estrelas do céu são as mais bonitas que enfeitam os pinheiros!

 

Recolhido de novo sob o telhado da casa, o pardal, cabecinha enfiada no casaco de penas, dorme. Sonha, talvez, com o fim do Inverno. Com o ninho, que há-de construir, com os ovos, os filhos, o perfume das flores e as searas de trigo… E nem dá pela chuva que começa a cair.

Soledade Martinho Costa

Do livro «Histórias que o Inverno me Contou»
Ed. Publicações Europa-América

 

 

08
Fev18

Histórias de Inverno

1600-barroso (133)

 

Há dias a Soledade pediu-me uma foto para ilustrar um texto seu, hoje fui eu que lhe pedi o texto para ilustrar a foto e o post de hoje. Espero que gostem.

 

*******************************

 

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM - DIA DE INVERNO

 

Já desperto, eis o Sol, nesta manhã de Inverno, curioso como só ele, a espreitar por tudo quanto é canto. Dá os bons-dias e lá começa, num afã, a tornar mais luminosos e menos frios os campos onde a geada de manso se instalou.

 

Entorna-se pelo povoado. Cobre os caminhos e as telhas das casas enfeitadas de musgo. Espreguiça-se nos muros onde trepam como estrelas verdes as folhas da hera. Desce ao rés do mar e cumprimenta as ondas, meninas buliçosas em correrias loucas. Sobe ao monte e deixa-se rolar por ele abaixo a brincar às escondidas pelos moitões de tojo e urze roxa, pelos tufos de rosmaninho e alecrim, pelos maciços de giesta, de cardos e silvados.

No olival, os homens e as mulheres começam a entregar-se à lida de colher das oliveiras a azeitona, que se oferece entre a folha miúda. Estendem ao redor do tronco a serapilheira e varejam os ramos, braços ao alto, até cair o fruto. E como ficam felizes se o ano é de fartura! Em sacos ou poceiros, transportam a azeitona para o lagar, onde é medida na fanga e depositada na tulha, até encher. Verdes umas, negras as outras. Lavadas e depois moídas entre as pedras das mós, lá as temos, então, cantando, a correr das bicas. Na bica de baixo a almofeira, líquido escuro da azeitona em talha. Na bica de cima, a riqueza do fruto transformado em azeite. Convertido no milagre do alimento e da luz. O oiro liquefeito no prato e na candeia – ou na lamparina, que alumia o sono e também a vigília do santo.

 

1600-Vilarinho-seco (128)-3.jpg

 

Mas outras são as tarefas que o Inverno traz para serem cumpridas. Finda a colheita no olival, inicia-se a poda das oliveiras. As noites são longas e os dias curtos e frios. Os rostos e as mãos dos homens e das mulheres tornam-se roxos, ásperos e gretados. Mas o Inverno não os amedronta. Os homens e as mulheres sabem que a terra e os animais necessitam do seu esforço e do seu saber. Que a Natureza, sem a sua ajuda, não poderia ser tão pródiga e tão amiga. Portanto, aí estão eles, a desafiar a invernia no desempenho das tarefas que encontram pela frente. A satisfazerem o pedido da terra e dos animais, porque gostam de retribuir em conhecimento e em cuidados a riqueza que os animais e a terra têm para lhes oferecer.

 

Ei-los a fazer a lavoura, as adubações e as sementeiras. A prosseguir nas vinhas as podas e as arroteias para novas plantações. A colher nos laranjais as laranjas e as tangerinas. A engarrafar os vinhos nas adegas. A abrir covas para semear as amêndoas e as nozes. E valeiras para semear os melões. A abrigar nas hortas as plantas que não resistem ao frio. A semear as cebolas, os espargos, os espinafres, os nabos e as cenouras. E também os alhos e os morangueiros. A podar as roseiras e os arbustos. A resguardar as plantas que vão florir mais cedo – como as azáleas e as camélias. A semear nos alegretes as calêndulas, as lobélias e os amores-perfeitos. E a plantar as ervilhas-de-cheiro, os jacintos, as túlipas e as anémonas.


Com os animais redobram os cuidados. Renovam-lhes as camas para estarem sempre enxutas. Agasalham e dão melhor comida às vacas leiteiras. Reservam verdura às ovelhas que tiveram crias. E tratam das colmeias, dos pombais, das capoeiras… Num trabalho constante, que não acaba nunca.

Soledade Martinho Costa

 

Do livro “Histórias que o Inverno me Contou”
Ed. Publicações Europa-América

 

03
Fev17

Cidade de Chaves, com chuva, vento e algum frio

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Vamos lá a mais uma voltinha pela cidade,  com chuva, vento e algum frio, coisas do inverno às quais estamos habituados e fazem saber melhor o abrigo das casas.

 

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Uma voltinha breve com dois olhares. Um sobre a  Rua dos Gatos, outro desde o Arrabalde a olhar para a Rua de Stº António, sempre com o sonho de lhe conhecer dias melhores, com muita gente dentro, mas sem popós.

 

 

29
Dez15

Imagens com chuva

1600-chuva (2)

 

Ainda há dois dias dizia por aqui que este ano o Inverno ainda não tinha mostrado a sua cara e ontem pregou-nos com um daqueles dias de Inverno a sério, com muita chuva e ventos fortes, mesmo com temperaturas ainda acima dos valores normais para a época, mas já um pouco mais frio.

 

1600-chuva (10)

 

Dia pouco convidativo para a fotografia, principalmente paras as câmaras fotográficas que não gostam muito de chuva, mas estava combinado ser dia de fotografia e foi, com resultados e descobertas que não as teríamos feito se estivesse um dia de sol.

1600-chuva (5)

 

Assim, ficam quatro imagens molhadas, com chuva, quatro momentos da natureza a fazer jus ao Inverno.

 

1600-chuva (15)

 

As imagens das descobertas de ontem, essas ficam para o próximo sábado, dia 2 de janeiro de 2016, por sinal um dia muito especial para o blog.

 

 

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