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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Mai21

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

Postais Antigos

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ontem-hoje

 

Na semana passada deixámos aqui o postal nº14 de uma edição de postais antigos, edição da “Sociedade de Defeza e propaganda de Chaves”, impressa por Lévy et Neurdein Réunis, 44, Rue Letellier, Paris.  Hoje deixamos aqui os postais nº12 e 13, com clichés da Fotografia Alves, respetivamente com uma vista da fachada principal da igreja da Madalena, não a totalidade da fachada, mas grande parte, e não é de estranhar, pois uma imagem frontal da mesma, é quase ou mesmo impossível de obter, a não ser com alguns truques e montagens, tudo porque dada a altura da igreja e os prédios do outro lado da rua,  impedem uma vista limpa sobre a fachada, no entanto, existe pelo menos uma imagem, também em postal, onde a fachada se vê na totalidade, tendo o fotógrafo (que desconheço) aproveitado o feliz momento em que o prédio em frente da igreja foi demolido para reconstrução. Um destes dias deixaremos aqui essa imagem.

 

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A segunda imagem, postal nº13, é do jardim público, que foi construído no início do século passado. Aparentemente pelo porte do arvoredo que se vê na foto, que foi plantado com a construção do jardim, as árvores já têm uma certa idade, mas não mais que vinte e poucos anos, e digo isto porque nesta série de postais, num deles, ainda aparece em legenda “Vila de Chaves”, ou seja, como Chaves só passou a cidade em 1929, e na falta de documentação em que possa dizer qual a data de edição desta coleção, das duas, uma, ou estas vistas são anteriores a essa data, ou então são uma edição posterior com imagens antigas.

 

 

 

24
Nov20

Cidade de Chaves

Jardim Público e Rosalía de Castro

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Ao cruzar aquela porta eu já sabia que qualquer coisa ia acontecer, pois acontece sempre qualquer coisa dentro daqueles muros, quase sempre regressos, alguns, tão longínquos quanto a infância, felizes quase todos, mas às vezes, os meus passos levam-me para outros caminhos e outros regressos sem infâncias, para caminhos só nossos, difíceis de explicar… desta vez, talvez pela neblina, levaram-me até duas quadras de um poema de uma poetisa que também é nossa – “ Miñaterra, miña terra/ terra donde eu me criei,/ hotiña que quero tanto,/ figueirñas que pratei,//prados, ríos, arboredas/ pinares que move o vento,/paxariños piadores, casiña do meu contento,” – Rosalía de Castro. Pois já que as portas desta vez se abriram para a poesia, ficam mais três poemas de Rosalía.

 

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¿Que pasa ò redor de min?

¿Que me pasa qu'eu non sei?

Teño medo d'un-ha cousa

Que vive e que non se vé.

Teño medo á desgracia traidora

Que ven, e que nunca se sabe onde ven.

 

 

Alguns din, ¡miña terra!

Din outros, ¡meu cariño!

Y este, ¡miñas lembranzas!

Y aquel, ¡os meus amigos!

Todos sospiran, todos,

Por algún ben perdido.

Eu sô non digo nada,

Eu sô nunca sospiro,

Qu'ó meu corpo de terra

Y ó meu cansado esprito,

Adonde quer qu'eu vaya

 Van conmigo.

 

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Ala, pó-la alta nòite,

A luz d'a triste e morimunda lámpara,

Ou antr'á negra escuridad medosa,

O vello ve pantasmas.

Uns son árbores muchos, e sin follas,

Outros, fontes sin auguas,

Montes qu'a neve eternamente crube,

Ermos que nunca acaban.

 Y ó amañecer d'o dia

Cando c'á ultima estrela aqueles marchan

Outros veñen mais tristes e sañudos,

Pois a verdade amarga,

Escrita trân n'os apagados ollos

E n'as asienes calvas.

Non digás nunca, os mozos, que perdeches

A risoña esperanza,

D'o qu'a vivir começa sempr'é amiga:

¡Sô enemiga mortal de quen acaba!...

 

Rosalía de Castro Murguía, in VAGUEDÁS – FOLLAS NOVAS

 

21
Jul20

No calor da cidade

Cidade de Chaves - Portugal

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Em Chaves é assim, quando está calor, está mesmo calor a valer, entre os 35 e 40ºC, no mínimo, e de inverno, é a mesma coisa, mas ao contrário, ou seja, não há meios termos, daqueles do está-se bem… já dizia o poeta, nove meses de inverno e três de inferno, mas em julho, é quando lá no inferno mais atiçam as chamas. Mas isto é tudo psicológico, basta uma imagem com a frescura das águas do rio e as sombras do Jardim Público, e a temperatura desce a pique, pelo menos na nossa mente, pois o calor fora dela, é igual. Pois, é assim, o calor também tem este efeito de nos pôr a dizer disparates… até amanhã!

 

 

 

17
Out19

Cidade de Chaves

A semana do turista - 4

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A semana do turista – 4

 

Da praça da República até à Madalena

Praça da República

 

Ontem os nossos turistas ficaram na Igreja Matriz, que se for visitada durante a semana, ter-se-á que fazer uso da porta lateral virada a Norte. Pois ao sair estará na Praça da República, o nosso ponto de partida de hoje. Nesta praça o ator principal é o Pelourinho, a ocupar o centro da praça. Vamos então a um pouco da sua história, curiosa por sinal, pois este pelourinho que hoje vemos na praça não é tão antigo quanto se pensa, pois embora o original seja de 1515,  que andou durante séculos aos trambolhões pela cidade,  versão é já do Século XX (1910)  e pouco ou nada terá a ver com a versão original. Mas leia-se a seguir a cronologia de alguns acontecimentos com ele relacionados para se saber um pouco da sua verdade.

 

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Cronologia

1080 - no tempo de D. Afonso VI a povoação passou a chamar-se Clavis;

1258, 15 Maio - foral concedido por D. Afonso III;

1350 - D. Afonso IV confirma todos os antigos privilégios por carta de foral;

1514, 07 Dezembro - D. Manuel concede-lhe foral novo;

1515 - construção do pelourinho  frente aos Paços do Concelho, atual Praça da República;

1706 - povoação dos Duques de Bragança, da comarca de Bragança e com 400 vizinhos;

1758, 27 Março - segundo o prior encomendado da Matriz de Chaves, António Manuel de Novais Mendonça, nas Memórias Paroquiais, a freguesia era da Casa de Bragança e da comarca da ouvidoria da cidade de Bragança; tinha juiz de fora, provido pelo rei, como administrador da Casa de Bragança, 6 escrivães, 1 meirinho, 1 juiz dos órfãos leigo, 2 escrivães, juiz almoxarife da Casa de Bragança, juiz da alfândega, escrivão, meirinho e guardas; tinha ainda vedoria geral, com vedor, oficiais e meirinho e câmara, que constava de vereadores, procurador e um tesoureiro;

Praça da república/pelourinho

1864, finais - demolição dos velhos Paços do Concelho, vendidos à Sociedade Civilisadora Flaviense, para no seu terreno se construir a nova sede daquela sociedade;

1870 - a vereação manda nivelar a praça, construindo-se um lageado de granito, conhecido como "eira", mandando-se apear o pelourinho, por prejudicar a regularidade do lageado e ali já não existirem os Paços do Concelho; em vez de o transferirem para frente do novo edifício, ergueram-no no pequeno lg. da Madalena, colocando-se um catavento de ferro cravado no capitel; anos depois - foi novamente apeado para a construção de um fontanário no local; o seu fuste e capitel estiveram arrumados muitos anos no quintal do Tenente-Coronel Sousa Machado, no Largo da Madalena;

1910 - depois de proclamada a República, houve a ideia de o reerguer frente à Câmara; Pe. António José Serimónias propôs em sessão camarária a reconstrução do pelourinho e do cruzeiro; 27 Outubro - aprovado em sessão de câmara, devendo colocá-los no lugar onde antigamente se erguiam - o Largo de Camões e do Anjo, respetivamente; os largos deviam ser devidamente calcetados e embelezados; para a base, foi-se buscar os elementos de um cruzeiro que em tempos houve quase à entrada do caminho para a Capela do Pópulo; para o remate, introduziram-se outras pedras de granito, pôs-se a meio do capitel um pequeno plinto, cravou-se-lhe em cima uma esfera armilar, que em tempos servira de ornato a um chafariz, e pôs-se-lhe à volta 4 pináculos;

 

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1911, 19 Janeiro - pagamento de 15$660 a Francisco Moreiras, morador na vila, para a colocação e aformoseamento do Pelourinho no Largo Camões; 16 Fevereiro - por promoção do Senhor Administrador do Concelho, foi deliberado mandar concluir a reconstrução do Pelourinho no Largo Camões;

1919 - a vereação eleita neste ano mandou apear o pelourinho aquando do arranjo do Largo Camões;

1920 - apeamento do pelourinho;

1934 - novamente erguido na Praça da República, onde ainda hoje se encontra.

 

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Ainda na praça há que lançar um olhar ao seu redor, a Sul a fachada da Igreja Matriz onde podemos demorar um pouco o olhar nos ornamentos das ombreiras e padieira da porta de entrada. A poente o edifício da sociedade também merece ser observado. A Norte o casario habitacional, com destque para a fachada do edifício central, principalmente pelo trabalho de cantaria e carpintaria/marcenaria colocados nos seus vãos. A Nascente a “Casa da Palmeira” a ocupar todo um quarteirão que vai desde a Praça da República, passa pela Rua Direita, Vira prá Travessa das Caldas e termina da Rua de Santa Maria. Um belíssimo edifício que todos esperámos que apanhe a recente onda de reconstrução do nosso Centro Histórico.

 

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Então estamos ainda na Praça da República que agora vamos abandonar para nos dirigirmos até à Ponte Romana, pela Rua Direita abaixo, onde poderemos apreciar algum do nosso casario mais típico, com as nossas populares varandas lançadas para a rua ao nível do 3º piso. Acabada a Rua Direita desaguamos no Largo do Arrabalde onde podemos encontrar uma mistura de arquiteturas, com o tradicional no casario particular, e um misto de português suave e modernista nos edifícios públicos e bancos (Tribunal, e Antigos Bancos Ultramarino e BPSM), onde não falta também a onda mais recente da arquitetura, em b€tão e popularmente conhecida por mamarrachos, e aqui reservo-vos o direito de adivinharem qual é (são) os mamarrachos.

 

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Mas entremos na Ponte Roma de Trajano, construída no I Século D.C., quase 2000 anos, parte integrante de uma das principais vias romanas, a Via Augusta XVII, inicialmente construída com 18 ou 19 arcos à vista, dos quais 12 ainda são visíveis, é sem qualquer dúvida o nosso ex-libris, uma das maravilhas flavienses e a nossa Top Model. Para apreciá-la, na basta passar-lhe por cima, há que descer até à margem do rio e apreciá-la nos seus vários ângulos, mas há quatro que são obrigatórios, dois a montante da ponte de ambas as margens e dois a jusante da ponte de ambas as margens, onde a Rainha e senhora é sempre a Ponte Romana, mas a composição é sempre diferente e não sei qual delas a mais interessante.

 

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Que toma a Ponte Roma e atravessa o rio (Tâmega) para a outra margem vindo do lado da cidade, do outro lado vê-se um velho casario onde se destaca a Igreja de S.João de Deus e do lado oposto um alto arvoredo que termina num gradeamento sobre o rio, trata-se do Jardim Público. Todo o casario que se vê esteve em tempos dentro das muralhas seiscentistas que faziam a defesa da cidade na margem esquerda do Rio. A nossa proposta turística é mesmo adentrar pela Madalena adentro e visitar todos os seus cantinhos, ainda cheios de vida durante o dia, com visita obrigatória a Igreja S. João de Deus e edifício adjacente, Antigo Hospital Militar, Visita demorada ao Jardim Público, apreciar todos os seus cantinhos, coreto e vistas sobre as pontes pedonal metálica e Romana, se a visita for de Verão tem bar aberto ao público para um café, chá ou cerveja, o que preferir, a sobra é garantida. Toda a Madalena se dedica a um tipo de comércio mais rural, no entanto há lá de tudo, incluindo meia dúzia de tascas onde no seu interior ainda há petiscos à moda antiga.

 

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E hoje ficamos por aqui, na Madalena, de preferência num dos seus tascos com uma caneca de vinho de lavrador ou se preferir uma cerveja, pão centeio e uma das iguarias que tenham no momento.

   

Consultas:

http://www.monumentos.gov.pt

 

 

04
Ago19

Cidade de Chaves – Festival EN2 – Último dia

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Era bom mas acabou-se, ontem à noite, os últimos três concertos com música para todos os gostos. Cansados de andar lá e cá, hoje vou ser mais parco nas palavras, apenas estas e os nomes dos grupos, mas ainda hoje, teremos aqui no blog, mais uma aldeia do nosso concelho de Chaves. Até lá, fiquem com algumas imagens dos três concertos da noite.

 

D’Alva

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Capicua

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1600-capicua (30)

 

Cais do Sodré Funk Connection

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1600-cais-do-sodre (21)

 

 

 

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