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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Fev14

Chá de Urze com Flores de Torga - 24

 

 

Já sei que os leitores de blogues e de coisas na Net não são dados a textos longos, mas de vez em quando tem de ser. Hoje é um desses dias, em que o blog foi buscar um texto sobre Torga, de autoria de José Carlos Vasconcelos, publicado em 6 de Junho de 1989 no JL Jornal de Letras, Artes e Ideias, aquando Torga foi galardoado com o Prémio Camões, o primeiro, com Torga a inaugurar um prémio instituído pelos governos do Brasil e Portugal  para atribuir aos autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da Língua Portuguesa.

 


 

 

A profissão de médico

e o destino de escritor...

 

Por causa

de uma vírgula...

 

Miguel Torga mostra-me algumas folhas, já passadas à máquina do original em que está a trabalhar, uma espécie de "puzzle" de papéis recortados e colados uns sobre os outros. É que mesmo já após a fase inicial, de escrita à mão, emenda constantemente, as operações de "trabalhos manuais", corte e cola, vão-se sucedendo. E quando manda as laudas para a tipografia, elas chegam a ter sete e oito colagens, ficam quase com dois milímetros de espessura. - dir-me-á mais tarde o padre Valentim.

 

“Todos os dias Torga se levanta cedo e faz dez a quinze minutos de ginástica. Depois de um pequeno-almoço frugal toma o autocarro para ir para a Baixa, para o concultório, onde escreve.”

 

O escritor, porém, não se fica por aí. Quando chega a altura de rever as provas, continuam as emendas. Passa, então, muito tempo na tipografia. Chega, conta-me, "a ver umas vinte provas e pagar mais de emendas do que da composição inicial". Isto apesar da tolerância amiga da Gráfica, onde o escritor vai diariamente cheirar as tintas, e do "preço cristão" do padre Valentim: "Quando o livro entra na tipografia é um autêntico parto. O Torga, por causa de uma vírgula, é capaz de passar uma noite sem dormir".

 

O que sua filha, Clara Rocha confirma também, salientando, além do lado fantasmático do escritor, a sua "perspectiva romântica do acto de escrever", a sua "concepção da arte e da escrita como uma Graça". Clara confirma também que Torga é, em larga medida, um ser dividido, dividido entre o poeta, o médico e o cidadão, o instintivo e o cerebral, o camponês de raiz e o intelectual que de qualquer forma não deixa de ser.

 

Mais, quem é ao mesmo tempo filha e estudante da sua obra confirma igualmente o que o padre, João Fernandes, e outros seus companheiros do dia a dia, me exprimiram assim: "O que em Torga é, aparentemente, um grande orgulho, não passa às vezes de uma grande timidez"... E ele próprio escreveu já: "As pessoas confundiam no meu temperamento modéstia com orgulho, pudor com egoísmo, franqueza com agressividade, desinteresse com estratégia".

 

Outras ideias feitas sobre o escritor são-nos também desmentidas ou explicadas pelos que lhe são mais próximos, os quais, onde outros falam de um homem intratável, lhe assinalam antes simpatia, lealdade, uma grande capacidade de comunicação com as pessoas simples - ou uma simplicidade grandiosa, como a classificou um deles -, o saber ser amigo como poucos, como salienta Fernando Vale. Difícil é negar que Torga tem um feitio difícil e é bastante possessivo...

 

Quanto à sua alegada e proverbial "sovinice", também a negam, falam antes em ser poupado. "Nunca o vi cortar uma despesa numa viagem" - diz o padre Valentim. "Torga sabe, com sangue e suor, o que vale um tostão - refere Manuel Alegre e que, além de seu admirador, foi seu companheiro dos comícios do PS quando, nos tempos quentes de 75, o escritor aceitou intervir (intervenções publicadas em "Preso", sem abdicar nunca da sua feroz independência.

 

S. Martinho, as termas

As viagens

 

Se é este o quotidiano habitual de Miguel Torga em Coimbra, a sua vida tem, porém, outras constantes. Há meia dúzia de anos ainda as idas a S. Martinho de Anta eram uma delas. Pelo menos no Natal, na Páscoa e no Verão, o poeta lá ia até à sua mítica Agarez, reavivar a seiva e fortalecer as raízes: "Sempre que, prestes a sucumbir ao mobro do desalento, toco uma destas fragas, todas as energias perdidas começam de novo a correr-me nas veias. É como se recebesse instantaneamente uma transfusão de seiva". Lá ia reavivar "a lição que soletrara na dureza das fragas", apostrofando que "apenas os que cavam estão certos em Portugal".

 

Porém, mortos já os pais, quando lhe morreu também a irmã, no início de Abril de 83, tudo foi mudando - e, agora, certo, certo, em S. Martinho, só na segunda quinzena de Setembro, onde, a 22, do ano de 84, escreve no seu "Diário": "Este meu apego ao berço já não é tanto um mistério de raízes como um refrigério de cicatrizes". Torga vai passar a primeira quinzena do mês nas termas, em Chaves, com o seu amigo padre Valentim, e de seguida parte para a sua terra, onde já o esperam a mulher e a filha.

 

Nas termas, como em tudo na vida, Torga leva o tratamento muito a sério: ocorre-me lembrar que, quando o Manuel Alegre lhe apresentou Ramalho Eanes, que ficaria seu amigo, Torga deu-lhe um conselho que o anterior Presidente da República às vezes recordava. Mais ou menos assim: "Seja sério, mas não se leve a sério".

 

O poeta vai diariamente beber as suas águas e fazer os respectivos tratamentos, enquanto pelos arredores "esquadrinha" tudo que é terra, que é pedra, que é povo, pois não haverá muita gente, e se calhar nem pouca, que conheça tão bem como ele esta pátria - o Portugal de todos os seus livros - que ama de uma forma muito sua e de que, naturalmente com muitos gritos e imprecações à mistura, é um dos grandes cantores de sempre.

 

Às vezes, porém, reúne-se com alguns velhos amigos e lá quebra a dieta. O mesmo acontece, aliás, em Coimbra, quando, de tempos a tempos, agora mais raramente, vai com os seus já referidos amigos e outros, o Dr. Fernando Vale, o Fausto Correia, o António Campos, o António Arnaut, até ao restaurante do Pompeu da Malaposta, (antes de Bustos), também seu amigo e admirador. Então lá come os seus petiscos e bebe um vinho especial da casa, que o autor da "Praça da Canção" também aprecia particularmente, pelo que o seu produtor lhe chama o Vinho dos Poetas, - vinho cujos "méritos", de resto, o redactor desta prosa também já teve ocasião de comprovar…

 

Viagens, cadeia e caça

 

Outra constante da vida do poeta são as viagens. Além de viajar sem parança por dentro de si, como a sua obra bem documenta, também viaja sem detença por este país - às vezes num "pânico fervor" - e um pouco por esse mundo além. Sobretudo pelo mundo da nossa língua e da nossa história, pelo mundo da Espanha (Ibéria: "Terra nua e tamanha/Que nela coube o Velho Mundo e o Novo.../Que nela cabem Portugal e Espanha/E a loucura com asas do seu povo"), pela velha Europa ou pelo México, mais recentemente pelo Oriente, sua última jornada, quando, há dois anos apenas, foi a Macau.

 

Para o escritor estas viagens são também uma necessidade vital e um precioso estímulo para reflexão criadora sobre a vida, sobre os homens, sobre as terras, sobre a beleza e a natureza, e sempre sobre si próprio insisto, de que a sua obra é, designadamente na longa série de "Diários", documento raro na nossa literatura. Aliás, o quarto dia da "Criação do Mundo" é, fundamentalmente, a narrativa da sua primeira viagem ao estrangeiro através, de uma Espanha martirizada pela guerra civil, com a ditadura fascista - franquista a começar a impor a sua lei desumana, a caminho de uma França em que a democracia não bastou para a solidariedade mínima que se lhe impunha para com o povo vizinho. E foi a publicação desse livro, entretanto apreendido (como aconteceria a outros do autor), que, por ordem directa de Salazar - e, ao que se diz, por sugestão ou solicitação do próprio Franco -, levou Miguel Torça à cadeia do Aljube, preso pela polícia política durante meses. Aí escreveu aliás, como se sabe, alguns admiráveis poemas. E, mais tarde, quando foi ao tribunal Plenário testemunhar a favor de outros presos políticos, notaria com rigor: "Nenhum português deste século ficou a conhecer a realidade social da pátria se não passou pelos calabouços da PIDE ou por um tribunal político, mesmo só a testemunhar. Se nunca encarnou a liberdade fechado num curro, ou teve de defender o pensamento sentado no banco dos réus".

 

Constante ainda a paixão pela caça, que há quatro ou cinco anos teve de abandonar, após uma lesão no joelho de que não conseguiu recuperar totalmente. "Foi dois dias à caça, andou brutalmente, uns 40 ou 50 km, e depois..." Em vão frequentou o "Mão de Pilinha", da Académica, e veio regularmente a Lisboa para tratamentos no Kobayashi - não pôde voltar a caçar, e esse foi, garantem-no todos os amigos, um grande desgosto.

 

“ Quando o livro entra na tipografia é um autêntico parto. O Torga, por causa de uma vírgula é capaz de passar uma noite sem dormir”

 

Durante dezenas de anos Torga foi caçador inveterado, batia os montes e vales de Trás-os-Montes, com o seu amigo padre Avelino da Silva, ou ia para o Centro com o Pereira da Silva, ou para o Alentejo com o António Campos, que fora das suas andanças no PS também é caçador... E não faltam as suas histórias de caça, como as histórias que a outros contam a seu respeito. Um dia, por exemplo - já se contou aqui no JL-andava o autor de "Rua", à caça com o padre Avelino e este, face a um insucesso do seu companheiro. perguntou-lhe: "Como é que falhou o tiro, doutor?"

- "Estava-se-me a desenrolar um poema", respondeu.

 

Uma história do tempo dos "abaixo-assinados"…

 

Continuamos à conversa, uma longa conversa que não pôde ser uma entrevista Torga recusa entrevistas, com uma ou duas raríssimas excepções para O "estrangeiro", embora eu não desista de ainda lhe vir a fazer alguma - já é uma "concessão" o deixar que o fotografe, coisa a que também é avesso. Falamos da sua obra, de livros, de política, de muitas mais coisas, vêm à baila as traduções de livros seus, cada vez mais numerosas e com mais êxito, designadamente em França e Espanha, e fico a saber que o próprio poeta as acompanha, nas línguas que conhece, no caso do francês ajudado por sua mulher. A sua tradutora francesa, Claire Cayron, aliás, não só é uma excelente tradutora como uma profunda conhecedora da sua obra - e os telefonemas de Paris para Coimbra são mais do que muitos e, por vezes, longos. longos... [ à (actual) tradutora em espanhol, de que publicamos um texto nesta edição, tudo é mais fácil porque vive em Coimbra, ao pé da porta].

 

O telefone, aliás, toca bastante no consultório. E se não aparece nenhum doente, enquanto aqui estou, são várias as perguntas ou as consultas feitas por aquela via. Torga põe-se a pé, encosta-se à janela, dobra-se mais sobre o aparelho e sobre si próprio, a luz da tarde ilumina-o de perfil. Há agora uma súbita e nova humanidade, que só lhe conhecia dos livros, quando o ouço dizer e repetir, Insistentemente, quase numa súplica: "Oh rapariga não penses nisso, faz-me é o favor de ficar boa…"

 

Percebo que é uma jovem que suspeita ter uma doença incurável e grave, e que sugere talvez a possibilidade de se suicidar. E, enquanto o médico tenta convencê-la que não é isso, o poeta encoraja-a, inventa palavras para lhe dar esperança. A cena traz-me irresistivelmente à lembrança o elogio da vida feito por Chaplin nas "Luzes da Ribalta", e o que Torga escreveu algures sobre o Charlot dos "Tempos Modernos": "O génio é aquilo. É prever o futuro eternamente."

 

O poeta ouve - sabe ouvir, o que nem sempre acontece com os seus pares... -, sente-se que está preocupado ou perturbado, procura novas razões para dar alento a quem o escuta do outro lado do fio, parece que em Lisboa. E eu recordo como me parece agora diferente este homem, em relação à altura em que entrei aqui neste consultório pela primeira vez, exactamente há 24 anos. A PIDE tinha assaltado e destruído a Sociedade Portuguesa de Escritores e eu, recém-casado, voltara às pressas para Coimbra, onde fazia parte da sua delegação. Havia um abaixo-assinado (mais um...) de protesto e era importante, claro, que Torga assinasse, Os outros elementos da delegação - Paulo Quintela. Joaquim Namorado, já não sei bem se Luís de Albuquerque ou Vítor Matos e Sá - estavam todos de relações cortadas ou de candeias às avessas com o autor dos "Contos da Montanha". De forma que teria de ser eu a pedir-lhe a assinatura - eu que não o conhecia, pois a "fama" de ser insuportável e se zangar com todos que não o consideravam um génio, afastava dele a generalidade dos jovens, mesmo aqueles mais ligados às letras e que mais combatiam a ditadura, de que ele era um corajoso opositor através dos seus livros.

 

 

Cheguei ao consultório, disse que queria falar "com o sr. Dr.". a empregada mandou-me esperar, o que eu fiz, até o bem afreguesado otorrinolaringologista Adolfo Rocha acabar de ver os doentes. Enfim, ele saiu do gabinete e perguntou-me, um pouco desabridamente, o que é que eu queria. Eu lá lhe disse ao que vinha e passei-lhe para as mãos o papel. Torga leu, atentamente, julgo que releu, e após um silêncio pesado, disse só mais ou menos isto: "Parece impossível como é que um documento de escritores é tão mal escrito...". - Mas assinou. Grande escritor e grande poeta, homem de liberdade, poeta do ar livre e da liberdade, aqui e em toda a parte ("liberdade do homem sobre a terra,/ou debaixo da terra./Liberdade!/O não inconformado que se diz/A Deus, à tirania, à eternidade/(...) E é essa flor que nunca desespera/no jardim da perpétua primavera"), "irmão" de Lorca e bardo do "rosto de Cristo guerrilheiro" de Guevara, tinha de assinar…

 

Livros antiquados,

mas baratos

 

Passeamos agora no Parque da cidade, o sol vai descendo por trás do Choupal, e é exactamente dos seus livros que lhe falo - ainda edições do autor, com uma apresentação gráfica e um formato antiquados (só na Antologia Poética o padre Valentim o convenceu a utilizar outro formato em papel melhor, um verger), distribuídos, praticamente só a quem os solicita, pela Coimbra Editora, que também cobra uma verba inferior à normal do mercado, 45% sobre o preço de capa. O que tudo prejudica naturalmente a difusão das suas obras, que aliás não têm, nem nunca tiveram. qualquer forma de publicidade. Mais, o escritor, além de não autografar livros e não os dar sequer aos amigos, salvo qualquer caríssima excepção, também não os manda para os órgãos da Comunicação Social...

 

A explicação de Torga é simples, diria mesmo demasiado simples - não quer entrar nesses comércios. Sobretudo, salienta: "Quero que os meus livros sejam baratos. E nunca nenhum, excepto a Antologia, custou mais de 500$00". De resto quando. há dois ou três anos, por incumbência do meu amigo Sérgio Lacerda, lhe falei no desejo da Nova Aguillar publicar a sua Obra Completa, na sua célebre colecção em papel bíblia - em que salvo erro, é Fernando Pessoa o único escritor português contemporâneo já editado-, Torga recusou com o mesmo fundamento.

 

Apesar de tudo isto, porém, as suas obras vendem-se como raras em Portugal. E alguns dos seus livros, muito lidos nas escolas, devem ser mesmo, e de longe, recordes absolutos de venda, como é o caso dos "Bichos" e dos "Novos Cantos da Montanha", que já terão ultrapassado os 400 mil exemplares! As edições sucedem-se, ultimamente quase ao ritmo de uma por ano, e as últimas foram de 50 mil exemplares cada uma...

 

Ganhamos...

 

Estas são, pois, algumas das facetas da personalidade, demasiado rica e complexa para caber nas páginas de um jornal, do homem a que no próximo dia 10 será entregue, nos Açores, o primeiro Prémio Camões, destinado a galardoar escritores da língua portuguesa, com uma simbologia e um valor (dez mil contos) que ultrapassam largamente qualquer outra distinção até agora atribuída, não só em Portugal como em todos os outros países de língua comum.

 

"Que insondável mistério é um ser humano! (...) Por mim falo. Converso, escrevo páginas maciças de confissão, actuo, pareço transparente. E quem um dia quiser saber o que fui, terá de me adivinhar…" escreveu ele no "Diário". E assim é.

 

Assim é este homem que recebeu ao mesmo tempo com satisfação, mas também com alguma preocupação, a notícia do prémio. A ruim diz-me que considera que a distinção é sobretudo para os seus leitores fiéis. E que a alegria maior foi a de dois telegramas que recebeu de leitores desconhecidos, num dos quais se escrevia apenas: "Ganhámos"…

 

Assim é este homem que Presidentes e grandes figuras "cortejam", mas não se deixa adular, trata sempre o Poder e os poderes pelo menos com distanciamento, e entende que a arte é que tem sempre razão. Este homem a que num jantar restrito de amigos, para festejar os seus oitenta anos, apareceu de surpresa Mário Soares: este homem que me consta não responde, sequer, a certos convites de titulares de outras instâncias do Poder, recusando a simples hipótese de uns almoço: este homem que, porém, não esconde a impressão que lhe causou Samora Machel ("houve uma grande simpatia recíproca", garantem-me) o qual, a pedido de Eanes, então PR, acompanhou numa visita a Trás-os-Montes.

 

Na cerimónia em que lhe entregaram um dos vários galardões com que já foi distinguido - entre os quais se destaca o Prémio Montaigne - Miguel Torça, ao usar da palavra, contou uma parábola:

 

"Quando fiz exame da quarta classe e fiquei distinto, meu Pai, um pobre cavador sensível, chorou de alegria e comprou-me um cavaquinho no Bazar dos Três Vinténs. Foi a primeira prenda que recebi, mas, apesar de merecida, deixou-me tristes recordações. Tanto dedilhei na zanguizarra, que lhe rebentei as cordas. E, já desanimado de arranjar outras, lembrei-me de recorrer ao Xaronda, dono de uma guitarra a valer. Com restos dos bordões que por lá tivesse, poderia eu refazer a minha lira. Mas o homem não gostava de crianças. E, farto de ser importunado, numa hora de impaciência tirou-me a viola das mãos e escaqueirou-a contra uma parede. Decorridos cinquenta anos de sucessivas ilusões desfeitas, fui surpreendido pela notícia de que me queriam oferecer um novo bandolim."

 

Foi isto há duas décadas. Agora Miguel Torga, Orfeu rebelde em que a lira continua a vibrar, vai ter outro cavaquinho!...

 

José Carlos de Vasconcelos, In JL Jornal de Letras, Artes e Ideias (6 de Junho de 1989)

 

 

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