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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Mai21

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

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António Granjo

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

 

13

 

Nota: A GRANDE AVENTURA - (SCENAS DA GUERRA) é um pequeno livro que resultou da participação do ilustre flaviense António Granjo na I Guerra Mundial de 1914-1918, que deixamos aqui em episódios, escritos no português da altura, incluindo erros e gralhas tipográficas.

 

 

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Crianças na guerra (autor desconhecido)

 

 

Acantonamento de Penin-Mariage

 

 

Os inglezes puzeram a esta herdade o nome elegante de Skipton-Castle. E' o tipo comum da «ferme». Um terreiro com uma depressão quadrada ao meio, revestida de tijolo, para a nitreira; a casa da residência do «fermier» ao fundo, em frente da entrada; as dependências á roda.

 

A herdade foi abandonada nos primeiros dias da invasão, e como o refluxo da enorme vaga alemã parasse á distancia de alguns dois kilometros, os donos ou os rendeiros preferiram deixar-se ficar para o interior, ganhando a vida tranquilamente, a arriscarem-se á existência de inferno que levam os poucos civis que por aqui continuam agarrados ao seu torrão.

 

A casa da residência foi aproveitada para a messe e instalação de alguns oficiais, e por cima, num largo sobrado destinado á arrumação dos utensílios de lavoura, acomodou-se um pelotão. Numa das dependências, aquela que corre sobre a estrada, funcionava, quando estavam aqui os ingleses, um cinematógrafo. Meteu-se aí outro pelotão.

 

A' entrada vê-se ainda uma taboleta, tendo a letras vermelhas: «Grenad's School». Nas terras de semeadura, que se estendem para além do pomar, e onde se vêem ainda bocados de trincheira, exercitaram-se os melhores granadeiros ingleses. Os ingleses teem ainda nesse campo de instrução um posto de telegrafia sem fios e um posto de observação aerea.

 

Os telhados da herdade são de colmo, em pendente vertical, dando ao conjunto o aspecto amaneirado e pretencioso dum «chalet».

 

As cozinhas rodadas, onde se está fazendo o rancho dos soldados, fumegam sob as copas do pomar. As peras e as maçãs, cujas películas verdes reluzem ao sol, entre as folhas, como dorsos de reptis, aguçam já a gula dos soldados. Um soldado nu, com uma esponja que mergulha num balde, delicia-se com a frescura da agua e sorri para cima, para o sol.

 

Durmo, num pequeno quarto, com mais dois oficiais. As camas são as mesmas da primeira linha. Somente a rede de arame está menos esticada, mais bamba, porque, havendo mais tempo para dormir, desforram- se nestes dias de apoio as longas horas, os infindáveis dias de vigília em frente do inimigo.

 

A minha companhia está hoje de prevenção, e por isso, depois de almoçar umas lascas de presunto e umas fatias de queijo, deitei-me e consegui dormir regaladamente.

 

Acordei tarde, jantei, e dei um passeio pela estrada, a que os ingleses deram o nome duma das suas rainhas. Uma criança que encontrei junto duma casa meia arruinada, fazendo um ramo, emquanto uma bataria anti-aerea cercava um aeroplano alemão de «schrapnells», fez-me parar um pouco e lembrar-me dessas coisas tenras, as crianças e as flores, que havia alguns dias tinham desaparecido da minha vista. O que será esta geração, criada sob o fragor do canhoneio, presenciando continuamente o horror, vendo espadanar por todos os lados o sangue, e vendo cair do ceu, em vez das bênçãos de Deus, os torpedos e as granadas incendiarias?

 

Seriam 10 horas quando entrei no acantonamento. Os foguetes subiam de extremo a extremo do horizonte; e de vez em quando, dos lados da Bélgica, chegava aos ouvidos o trovão rolante.

 

Os meus dois camaradas estavam já deitados. Como a minha companhia estava de prevenção, tirei apenas as botas, pus o equipamento no chão, á cabeceira, e deitei-me de costas por cima das mantas.

 

Os meus camaradas dormem, inteiramente entregues ao sono, como as sombras se entregam inteiramente á noite. Pela janela, donde as vidraças e os caixilhos desapareceram, entra, por entre as cortinas de lona, o luar. No compartimento onde está o Posto de Socorros um maqueiro ressona. Ouve-se um leve murmúrio de vozes no pequeno quarto onde dormem os medicos do batalhão, o dr. Fradique e o dr. Ruivo. Um feixe de raios luminosos brinca nas colunas de madeira do fogão, sobre cujo abaco luzem ainda os restos duma «garniture». Um dos oficiais é um alferes miliciano do Porto, estudante de direito, e que leva a guerra um pouco como leva o seu curso—sorrindo. E' o alferes Araujo. Pequenino, pálido, olhos de azeitona, dilatando as narinas sensuais á aproximação de uma mulher, e repregando energicamente os musculos da face á aproximação duma granada, foi o meu companheiro ideal dessas longas horas de prova. O outro oficial é um meu patrício, do quadro permanente, o alferes Videira, eternamente indignado contra a falta de disciplina e organização dos nossos e patrioticamente clamando pela adopção dos ferreos métodos da Germania.

 

Ambos dormem um sôno bem merecido.

 

O alferes Araujo meteu a cabeça debaixo das mantas e engrunhou-se como uma criança cheia de frio. O alferes Videira dorme com os lábios abertos e uma respiração quase imperceptível. De cima, do sobrado, onde está instalado um pelotão, vem de vez em quando o rumor de corpos que se mexem sobre a palha.

 

Quanta gente já passou por aqui? Parece-me ver no tecto, onde algumas teias de aranha, aos cantos, me dão a impressão de cabeleiras dependuradas, as sombras dos heróis de Vieille Chapelle e Neuve Chapelle, cujos corpos juncam por aí fóra esses campos e que também dormiram sobre estas mesmas camas um sôno bem merecido.

 

Pela meia noite um rouxinol começou a cantar. Levanto-me e chego á janela. Debruço-me sobre as duas tabuas que a tapam até meio. Uma linha de agua corre paralelamente á parede. Num sitio em que a agua empoça, a lua retrata-se vaidosamente. Um bocadinho á direita vêem-se as cruzes dum pequeno cemitério. Os galhos dum amieiro pendem sobre as cruzes. E' neste amieiro que o rouxinol canta.

 

Na noite silente não passa um rumor. Apenas a grande voz murmurante da terra adormecida nos chega aos ouvidos da alma, e um ou outro foguete sobe silenciosamente, denunciando a primeira linha. Uma estrela mais brilhante parece deslocar-se no ceu, como o farol dum aeroplano.

 

O rouxinol canta. Ponho-me a escutá-lo. Uma briza fresca, quase molhada, acaricia a face e produz na folhagem dos amieiros um sussurro de pequeninos lábios que falam baixo para não acordarem os heróis que dormem.

 

As notas elevam-se na atmosfera luminosa, graves e solenes, como uma prece. Dir-se-ia um padre resando um salmo pelos mortos. O luar parece iluminar melhor o pequeno cemitério. Quase distingo as inscrições fúnebres. Os amieiros parecem acompanhar, pianissimo, a oração do rouxinol.

 

Uma bataria pesada rompeu bruscamente fogo, fazendo um teste. Os clarões das quatro peças rasgaram através do luar violáceo rastos sanguíneos, e a sua voz portentosa fez estremecer a terra. Depois, tudo recaiu no mesmo silencio religioso.

 

O rouxinol soltou, neste silencio religioso, algumas notas baixas, como os ecos dum cântico perdendo-se numa nave. Em seguida houve uma pausa. O côro dos amieiros subiu um pouco mais forte.

 

O rouxinol continuou a cantar, noutro tom. Já não era a elegia, era qualquer coisa de uma narração heróica, em que as notas metálicas vibravam entre estrofes sonoras. Ora o cântico era uma vaga frase bemolada, como o passo duma patrulha distante ou como o bater opresso do coração duma sentinela sentindo na sombra o bafo do inimigo; ora, de repente, parecia o choque de duas baionetas que se disputam. Uma pequena pausa parecia o minuto eterno que separa um encontro decisivo; e uma onda de notas mais altas, enchendo todo o espaço, parecia a voz heróica de toda uma fila que avança ao assalto.

 

Por fim, o cântico gradou-se num gemido débil, qualquer coisa como um fio que se parte ou como uma bala que se espeta na terra. Dir-se-ia a voz flebil dum coração moribundo que se extingue na noite como o suspiro duma folha ou como a palpebra duma estrela.

 

E toda a noite o rouxinol cantou, desfolhando as suas notas, como pétalas sonoras, sobre as cruzes brancas do pequeno cemiterio, ora como um responso piedoso, ora como um hino de gloria.

 

Merecerei eu, se morrer nesta terra estranha, ao menos, os cânticos de algum desses rouxinóis, a quem a natureza deu uma voz mais formosa que a voz humana e que são os sumos sacerdotes da noite e do mistério?

 

(Continua na próxima quarta-feira.)

24
Mar21

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

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António Granjo

A GRANDE AVENTURA

(SCENAS DA GUERRA)

6

 

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Na catedral de Aire-sûr-la-Lys

 

Aire-sûr-la-Lys é a cidade franceza que mais anda na memoria dos portuguezes. Pelas suas ruas estreitas, pelos seus pequenos largos, onde um ou outro palacio dos tempos de Filipe II põe uma nota d'arte, curtiram-se tristes horas de saudade, dolorosas horas de revolta, febris horas de anciedade, pesadas horas de desalento.

 

Essas longas horas de França, quem as descreverá algum dia?...

 

...Os que marchávamos para a frente, nesse primeiro dia que passavamos em Aire, demorámo-nos a ver a cidade. Ao dobrar para a Grande Place, junto de uma casa renascença, encontrámos um conhecido —um capitão de artilharia que estacionava em Therouanne, com o seu grupo, à espera de ir para a frente, com a 2.ª divisão.

 

— Que ha por ahi que ver?

 

— V.V. ainda não foram ao quartel general?

 

Olhámos uns para os outros. Ninguém tinha conhecimento de que o quartel generalse houvesse instalado em Aire-sûr-la-Lys.

 

O artilheiro endireitou para a Grande Place, e, parando em frente duma livraria:

 

— Et voila!

 

Os portuguezes haviam feito dessa livraria ponto de reunião e por isso lhe davam a designação de quartel general.

 

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Alguns soldados compravam postaes ilustrados. Uma rapariga loira, dos seus 14 ou 15 anos, trocava confidencias com um alferes. Dentro do balcão, uma senhora de luto dizia preços a uma outra rapariga, palida e elegante, de olhos escuros, desse escuro-castanho que é uma transição para o verde sujo.

 

O artilheiro fez a continência à ingleza e apresentou solenemente:

 

— Madame, le sous-lientenant Granjo, ancien deputé...

 

Tive ocasião de constatar que não é apenas em Portugal que as instituições parlamentares estão em franca decadência. A grande frase só despertou na madama um leve sorriso atencioso.

 

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Era umas dessas famílias que se encontravam por acaso na zona de guerra e exploravam a retaguarda. Quando a guerra se resumia à marcha e à manobra, os exércitos levavam consigo as vivandeiras. Na atual guerra as vivandeiras foram substituídas por esta gente.

 

A senhora de luto ostenta umas ancas desmedidas e dá à boca pintada, quando fala, um geito pretencioso que lhe oculta as comissuras dos lábios. A rapariga loira, que tem o o ar desagradável das precoces, é sua filha. A rapariga de olhos escuros, que parece estar sempre representando uma pequena comedia, é sua sobrinha.

 

A mãe perdeu o marido na guerra, a filha é uma pobre inocente que geme na orfandade as desgraças do destino inclemente, a sobrinha é uma refugiada vitima da brutalidade alemã, violentada por um monstro boche, numa das aldeias das regiões invadidas, entre o estrondo dos desabamentos e a crepitação dos incêndios.

 

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A filha continua a confidenciar com o alferes. Nos seus olhos azuis, desmezuradamente grandes, os vidros, as estantes, os vultos pareciam refletir-se como sobre duas pequenas poças d'agua choca. No rosto flácido, como num fruto pisado, parece começar a surgir essa sombra vaga, subcelular, que precede a corrução. Em todo o seu corpo havia essas linhas disformes das coisas feitas pelo artificio e pela força.

 

— Au revoir, madame...

 

— Au revoir, monsieur...

 

Vagabundeámos pela cidade, examinando as gárgulas ou os frisos duma antiga casa espanhola, vendo os souvenirs de guerra que enchem as montras, ou ouvindo narrar casos das trincheiras, em que tem sempre a palavra a Morte, ou casos da retaguarda, em que tem sempre a palavra o Amor.

 

Depois do almoço, e antes que chegasse o caminhão que nos havia de conduzir ao Q. G. B., fomos visitar a catedral. E' uma enorme mole de tijolo, obra ainda da dominação espanhola, dedicada a S. Pedro.

 

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Quando entramos, viam-se filas de gennflectorios no transepto, alguns já ocupados por senhoras, envoltas em crepes, com os rostos metidos em mantilhas pretas. Estatuas de Joana d'Arc, por todos os lados, interpretando-a como pastora, como guerreira ou como santa, e uma grande estatua, em mármore, de S. Pedro, faziam pensar vagamente num museu. No primeiro altar, do lado do Evangelho, havia uma imagem de Nossa Senhora, com um desses meninos-jesus, de faces rubicundas, côr de maçã camoeza, dos nossos santeiros.

 

Pendendo para o transepto, dependurada do coro, uma grande bandeira franceza, com esta inscrição bordada a oiro: Dieu sauve Ia France!

 

Os genuflectorios povoaram-se de vultos negros. Dois oficiaes inglezes acordaram os ecos das naves com os tacões ferrados. Alguns homens, velhos, de luto, olhando o altar-mór, de joelhos e com as mãos postas, rezavam recolhidamente.

 

Sobe ao púlpito um padre. Persigna-se, murmura uma oração. Os dois oficiaes inglezes observam a tela dum retábulo. A voz do padre mal se ouve a principio. Em frente de nós, um vitral, representando um episodio bíblico, refulge numa orgia de côr. Pouco a pouco a figura do padre anima-se e a sua voz vae-se elevando, lentamente, como uma nuvem que se vae erguendo. Canta um hino à Patria, à grande e eterna França, filha dileta da Igreja, que os pecados dos homens puzeram em tamanho perigo e em tão escura turbação. A sua voz eleva-se mais e mais, sem exaltação, sem artificio, como um bronze tangido mais forte; e, pondo os olhos nas sagradas cores da bandeira, apertando o coração com as mãos ambas, o padre concita todos os francezes à defeza da Patria, num tom firme, imperativo, metálico, como uma voz de comando ou como um toque de clarim. Fez-se um silencio. O padre descreve a invasão, a derrota, o milagre do Marue. A sua palavra acende-se como um facho, quando se refere à retirada alemã, à corrida para o mar. Os seus lábios tremem, as suas faces tornam-se extremamente palidas, quando se refere aos mortos. Mas a palavra continua a sahir-lhe lentamente da garganta, com um acento que penetra as almas como um estilete. Dirige-se às mães, para que tenham o orgulho dos seus filhos mortos nas linhas de fogo; dirige-se às irmãs, para que peçam a Deus que nunca faleça a coragem a seus irmãos; dirige-se às noivas, para que tragam sempre no seio, junto da imagem do filho da Virgem, o retrato dos que se batem com elas no coração. Os mortos sentar-se-hão à mão direita de Deus Padre, todo o poderoso, gosando da plenitude da gloria e da bemaventurança; os vivos verão os grandes dias da Vitoria, entre hinos e apoteoses.

 

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Uma ou outra mulher soluça. Os olhos dos velhos que rezam prégam-se à bandeira com uma fixidez que tem alguma coisa de ferocidade. E na penumbra das naves as palavras do padre cahem como pingos ardentes, como centelhas de sangue, como gotas d'alma.

 

Os dois oficiaes inglezes fizeram estremecer novamente o silencio com os seus sapatões. 0 padre desapareceu. As vozes dum órgão resoaram pelas abobadas, como a refrigerar e consolar aquelas almas aflitas que a eloquência do padre havia sobreexcitado.

 

Algumas senhoras tinham-se já levantado e as suas faces, onde havia ainda vestígios das lagrimas, brilhavam duma serena formusura. Mas duas continuavam soluçando, as cabeças enterradas no veludo do jenuflectorio.

 

Esperei que estas também se levantassem. Havia alguma coisa de extranho, de violento e de grande na dor dessas duas mulheres.

 

Quando descobriram o rosto, reconheci que eram as creaturas da livraria da Grande Place.

 

 

 

Continua na próxima quarta-feira…

 

 

17
Fev21

Crónicas de Assim Dizer...em Livro

Crónicas de Assim Dizer - Cristina Pizarro

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Ainda antes de deixarmos aqui as “Crónicas de assim dizer”  da Cristina Pizarro, anunciamos as “Crónicas de assim dizer” da Cristina Pizarro, mas em livro, acabadinho de ser lançado e já está à venda na Chiado Books (https://www.chiadobooks.com/livraria/cronicas-de-assim-dizer ).

 

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Mais um livro que sai das crónicas publicadas neste blog e que ganha luz e leitura no formato tradicional de papel, em livro.

 

Cristina Pizarro, natural de Chaves, que há muito anda nestas lides da escrita, sendo este o seu terceiro livro a ser publicado, aliás demos nota de um dos seus livros anteriores num post que lhe dedicámos, no tempo em que ainda não era colaboradora deste blog (https://chaves.blogs.sapo.pt/357186.html).

 

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E mais uma das autoras da minha geração  do Liceu de Chaves de onde saíram outros autores já com nome na praça da literatura portuguesa, como Francisco José Viegas, José Carlos Barros, Otília Monteiro Fernandes, João Madureira, Isabel Seixas, Manuel António Araújo, Gil Santos, entre outros, que agora não me lembro ou desconheço as suas publicações, mas que os há, há.

 

Já a seguir, Cristina Pizarro com “Crónicas de Assim dizer”.

 

 

 

05
Dez19

Cidade de Chaves e Nadir Afonso

semana do preto&branco

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Continuamos com a nossa semana do preto & branco com um olhar lançado sobre um pormenor da igreja da Madalena e, mais uma vez, com uma renúncia, pois queremos dar aqui conta, a cores, do lançamento do livro “NADIR AFONSO – A Geometria como Universo”, de autoria de António Augusto Joel, com edição do MACNA (Câmara Municipal de Chaves), que aconteceu ontem, ao fim da tarde, no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso.

 

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A cerimónia iniciou-se com um momento musical da Cinquentuna, interpretando três temas do seu reportório, sendo o último, a marcha de Chaves.

 

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De seguida o Sr. Presidente da Câmara, Nuno Vaz, numa breve intervenção, falou da importância deste livro editado em jeito de homenagem ao Mestre Nadir Afonso no seu dia de aniversário, dando à luz as obras que o mestre ofereceu ao Município de Chaves nos anos oitenta e que atualmente fazem parte do acervo do MACNA, deixando a apresentação do livro para o seu autor, António Augusto Joel. Apresentação que o autor fez, algumas vezes de forma emotiva, recordando algumas passagens do mestre Nadir por Chaves e a sua forte ligação que sempre teve à cidade.

 

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Aproveitando o lançamento do livro estar a ser feito numa das salas de exposição de MACNA, com uma obra de Nadir Afonso de fundo, integrada na exposição “Registos de Luz” que o Museu Nacional de Arte Contemporânea trouxe até Chaves, realçou a visão do Mestre Nadir de, já em meados do século passado, ser um dos primeiros pintores a abandonar a corrente artística até aí dominante e entrar na atual corrente de arte contemporânea com a suas formas geométricas que muitas vezes nos levam além da segunda dimensão, estilo que manteve até à sua morte.

 

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No final da cerimónia, o autor do livro pediu uma salva de palmas para o Mestre, a sua obra e o sempre e orgulhoso Flaviense Nadir Afonso .   Foi uma cerimónia/homenagem, breve, bonita e merecida que dominou o espaço, com todos os presentes a aplaudir de pé, homenagem essa também espelhada no livro que foi lançado “NADIR AFONSO – A Geometria com Universo”. Uma boa prenda de Natal, à venda na loja do MACNA.

 

 

 

04
Dez19

Nadir Afonso

NADIR AFONSO – A Geometria como Universo

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Continuamos com o preto & branco, com uma imagem de um olhar sobre um pormenor do MACNA-Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, uma imagem pensada para aqui podermos cometer uma renúncia ou pecado de colorir um pouco este post, com imagem de cor.

 

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Pecado ou renúncia para anunciar que hoje, precisamente no MACNA, às 18 horas, será lançado mais um livro sobre a obra de Nadir Afonso, neste dia 4 de dezembro, dia do aniversário do nascimento de Nadir que, a ser vivo, faria hoje 99 anos. Um livro/catálogo intitulado “NADIR AFONSO – A Geometria como Universo”, de autoria de António Augusto Joel, com edição do MACNA (Câmara Municipal de Chaves).

 

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Fica também o nome de NADIR, estilizado pelo escultor e designer João Machado, responsável pelo design gráfico do livro (incluindo capa e caixa), aliás imagem que é reproduzida no referido livro. A entrada para o lançamento do livro é livre e gratuita, podendo ainda usufruir de deitar um olho (melhor será os dois) a obras de arte dos nomes mais sonantes da arte portuguesa do Sec.XX e XXI, tais como: Amadeu de Sousa Cardozo; Columbano Bordalo Pinheiro; Armando Basto; Carlos Reis; José Malhoa, Eduardo Viana; Dordio Gomes; Abel Manta; Dominguez Alvarez; Jorge Barradas; Carlos Botelho; Almada Negreiros; Mário Cesariny; Fernando Lemos; António Dacosta; Cândido Costa Pinto; Marcelino Vespeira; Jorge Oliveira; João Hogan; Manuel Filipe; Júlio Pomar; Fernando Lanhas; Arlindo Rocha; Nadir Afonso; Jorge Vieira; Adriano de Sousa Lopes; Carlos Barreira; Carlos Pinheiro; Maria Helena Vieira da Silva; Paulo Quintas; Jorge Pinheiro e Ângelo de Sousa. O negrito e sublinhado é para os artistas flavienses.

 

 

01
Jan18

Livros e Doc's da História Flaviense

Eis a nossa biblioteca de livros e documentos sobre a História de Chaves, que partilhamos para todos terem a possibilidade de conhecer o nosso passado. Espaço que pode ser enriquecido com a vossa ajuda. Qualquer livro ou documento que queiram partilhar, p.f., façam-no chegar até nós, em formato digital, para blogchavesolhares@gmail.com

 

ÍNDICE

1 – Chaves e as suas Fortificações – Evolução Urbana e Arquitetónica – Paulo Dórdio

2 – Brazão de Chaves – Imagem e descrição

3 – Memórias para a história eclesiástica – Contador de Argote

4 - Arqueologia em Portugal, 150 Anos - As Termas Medicinais Romanas de Chaves
       Sérgio Carneiro / Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Chaves

 

1

Chaves e as suas Fortificações

Evolução Urbana e Arquitetónica

Paulo Dórdio

 

Faça clique na imagem para abrir:

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2

Brasão de Chaves

 

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3

Memórias para a história eclesiástica

Contador de Argote

 

Faça clique na imagem para abrir:

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4

Arqueologia em Portugal - 150 anos

As Termas Medicinais Romanas de Chaves

 

Sérgio Carneiro - Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Chaves

 

Faça clique na imagem para abrir:

x-arqeol-portug.JPG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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11
Dez17

SINCELOS - ESTÓRIAS DE CHAVES

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SINCELOS

estórias em Chaves

 

Sincelos – estórias em Chaves, mais que estórias é um presente de Natal com estórias nossas, da nossa terra,  que o Gil Santos, também ele flaviense do planalto do Brunheiro e que também faz parte da família deste blog,  nos oferece, partilhando-as connosco. Estórias de vidas de montanha, de Chaves, de leitura obrigatória, de contar à lareira, de partilhar, de oferecer como quem oferece um pouco de nós. Sem dúvida um bom presente par oferecer neste Natal.

 

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Roubámos a sinopse e as notas de abertura de SINCELOS para partilhar aqui:

 

SINOPSE

«Sincelos» oferece-nos estórias simples, retalhos humildes, tal como as hortas da minha terra que se fazem de singelos talhões de renovo.


Mal ou bem ditas, estas estórias pretendem emprestar voz aos modos de vida, mas sobretudo às falas que o turbilhão do devir força ao olvido.


Que sejam o que eu quero ser, simples e ingénuas, «cortando o real com a faca da língua»!


Desabridamente destemperadas, as estórias radicam na «franqueza absoluta de uma oralidade recolectora dos sentimentos» de um povo modesto e sofrido.


Um tributo da escrita à nostalgia do Planalto!

 

 

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NOTAS DE ABERTURA

Sincelos hão de ser preitos ao linguajar das gentes do Planalto. As palavras, navalhas amoladas pelo suão, os sentimentos tributos a um povo simples e sofrido que ama e odeia como os demais.

 

Sincelos hão de ser memoriais aos jeitos de dizer da minha terra, um lugar livre e descomprometido.

 

Sincelos serão a evocação de um passado remoto, fragilmente registado, que o resgatará do turbilhão do devir.

 

Sincelos serão asas que rasgam os ventos da imaginação em pedaços tangíveis.

 

Sincelos serão testemunhos que nos acertam a vida.

Sincelos serão viagens a um tempo outro. O saldo das contas com a

simplicidade que lhe marcará a diferença.

Sincelos serão pontes para a nostalgia.

Sincelos serão a alma gémea de um homem do povo, que assuca o torrão

com a relha da caneta. Um lavrador de courelas que não renega o berço que o pariu.

 

Aproveitem, mas botem samarra que o vento corta!

 

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Para quem estiver interessado em comprar o livro, o preço de capa é de 15€ e está à venda na FNAC, em Chaves na Rua do Olival (Livraria da papelaria Flávia Douro) ou pode ser pedido por mail ao autor para enviar à cobrança, com pedidos enviados para o seu mail pessoal: gilmmsantos@gmail.com.

 

Da minha parte um agradecimento ao Gil Santos por ter escolhido duas das minhas fotografias para compor a capa e contra-capa do livro. Obrigado Gil pelas fotos e principalmente pelas estórias.

 

06
Jun17

O Homem Sem Memória em livro

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No dia 19 de agosto de 2010, quando as “Crónicas Segundárias” do Luís de Boticas se despediam deste blog, anunciava a entrada de uma nova crónica de autoria de João Madureira, intitulada «O Homem Sem Memória». Dizia então eu na altura: “(…) crónica que acontecerá aqui todos os inícios das quintas-feiras (…) que em jeito de folhetim, caminhará (pela certa) para mais um romance deste autor.” E assim foi, religiosamente até inícios de 2014, todas as quintas-feiras o “Homem Sem Memória”, não se esquecia, e cá estava ele com mais um capítulo do, agora, livro que no passado domingo foi lançado em Montalegre na Feira do Livro a decorrer naquela vila,  e que dia 16 deste mês, será lançado aqui em Chaves, na Biblioteca Municipal.

 

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 João Madureira com Luis Martìnez-Risco da Fundación Vicente Risco e a Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Montalegre

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Lançamento do livro que se iniciou em Montalegre, e muito bem, pois também é em Montalegre que o “Homem Sem Memória” começa a contar as suas memórias e estórias de criança com muitos adultos à mistura,  vividas nessa vila, ainda antes de passar para a cidade e concelho de Chaves, de se tornar homem, de atravessar uma revolução e muita coisa se passar na República Democrática do Norte, muito antes de acabar os seus dias na República Popular do Sul.

 

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Mas tudo isto é ficção ou talvez não, tal como dizia António Aleixo “P`ra a mentira ser segura/e atingir profundidade,/tem de trazer à mistura/ qualquer coisa de verdade.” Ou como se diz na contracapa do livro “É, sem sombra de dúvida, um espaço de ficção onde cada leitor vai por certo encontrar um ou outro momento que por si poderia ter sido vivido”. Pela minha parte, confesso, que revivi muitos desses momentos como se fossem meus e outros, revivi-os porque fui testemunha deles, ou de outros bem parecidos, que muito bem poderiam ser os mesmos. Foi isto, continuo em maré de confissão, que desde início me ligou ao “Homem Sem Memória” e que criava em mim a ansiedade da espera pelo próximo capítulo, que então no blog só acontecia na semana seguinte. É sem qualquer dúvida um livro que fala de nós e que vão gostar de ler ou reler, pensando naqueles que acompanharam as publicações do “Homem sem memoria” blog.

 

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Em imagens ficam alguns momentos do lançamento de “O Homem Sem Memória” em Montalegre, e não esqueça que no próximo dia 16 deste mês de junho, o livro será apresentado na Biblioteca Municipal de Chaves.

 

 

 

19
Mai17

Discursos sobre a cidade

SOUZA

 

CENTENÁRIO DA PARTIDA DO 1º BATALHÃO DO RI 19

PARA A FLANDRES-GRANDE GUERRA

 

 

Numa publicação, saída na Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae, dávamos conta não só do contexto nacional deste conflito como referíamos a participação dos militares do Regimento de Infantaria 19 (RI 19) na Grande Guerra.

 

No próximo dia 23, por ocasião dos 100 anos da partida do 1º Batalhão do RI 19 para a Flandres/grande Guerra, será lançado, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal de Chaves, o livro da nossa autoria Grande Guerra - Enquadramento Internacional.

 

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Deixamos aqui aos nossos(as) leitores(as) as singelas palavras do Prefácio que, em 2015, escrevíamos:

 

“Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.

 

Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.

 

À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a sua Belle Époque.

 

Tudo isto simplesmente se passava à superfície.

 

As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo, e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um fin de siècle em que tudo poderia deixar de ser como dantes.

 

A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.

 

Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.

 

E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!

 

Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.

 

Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.

 

Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos”.

 

O Mundo e a Europa em que hoje vivemos foi moldado pela Grande Guerra (I e II Guerra Mundial).

 

Cremos que as palavras por nós escritas há dois anos têm pleno cabimento nos tempos por que passamos, exigindo de todos nós, numa sociedade tão outra que criámos, mas com os mesmos velhos problemas, melhores mecanismos de controlo, muita mais clarividência e lucidez, não só para evitar as calamidades que por várias áreas do Planeta proliferam, como para vivermos numa sociedade sem hegemonias e na aceitação igual e plena das diversas diferenças, do outro diferente.

 

Só assim é que o sacrifício e as vidas perdidas dos nossos antanhos de há 100 anos terão algum sentido e valido a pena.

 

António de Souza e Silva

 

 

31
Out16

Professor José Henrique - “Reconhecer o Génio de Nadir Afonso – Diálogo(s) Sobre a Obra”

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Eu sei que hoje deveria trazer aqui um pouco da Feira dos Santos do dia 30 de outubro, mas ontem, nem todos os caminhos se dirigiam à feira. Assim, optei por outro caminho que me levou até ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, onde Nuno Dias ia fazer o lançamento do livro “Reconhecer o Génio de Nadir Afonso – Diálogo(s) Sobre a Obra” , e a opção deste caminho foi pela autoria dos diálogos serem de José Henrique e fui lá em jeito de homenagem a esse autor que um dia, felizmente, se atravessou no meu caminho como professor de português no Liceu de Chaves.

 

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Eu sei que nestas coisas há sempre quem apareça porque é “politicamente correto” aparecer, porque parece bem… principalmente para quem quer fazer nome na praça intelectual, mas acredito que a maioria dos que lá estiveram presentes, estiveram lá em jeito de homenagem, porque conheceram o Professor José Henrique.  Não é que eu seja um prosador, mas na minha modesta e sincera prosa, com aquela que sei e à qual às vezes, despretensiosamente, recorro, gosto de reconhecer e agradecer àqueles a quem estou reconhecido e agradecido. Para o provar deixo-vos aqui as referências que este blog fez ao Professor José Henrique:

 

 

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

 

Duas imagens e um poema

 

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No meu percurso estudantil tive a sorte de ter um professor que me despertou para a poesia. Nunca até então tinha lido verdadeiramente um poema. Até aí a poesia era uma sucessão de palavras com algum sentido, outras vezes sem sentido nenhum e que tanto rimavam, como não, onde se brincava com as palavras que se apresentavam sempre de uma forma esguia que saíam fora do formato normal de um texto de prosa. Com esse professor aprendi que a poesia não deveria ser olhada e muito menos lida com essa leviandade. Com ele, aprendi que a poesia é a verdadeira arte da palavra e do dizer, que pode até ter o poder e mais força que a de um verdadeiro exército, ou, como diria o José Carlos Ari dos Santos – a palavra é uma arma – e eu até aí não sabia.

Gosto sempre de deixar os créditos das fontes, dos despertares e daqueles que verdadeiramente me ensinaram. O professor a que me refiro chamava-se José Henrique e tenho-o como uma referência do Liceu de Chaves.

 

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Tudo isto a respeito das duas imagens de hoje, que são a mesma, mas não o são. Numa há a tal poesia colorida, cheia de música e rima que encanta pela forma e pela luz doirada. É um cliché feito com um olhar leviano sobre um entardecer, apenas isso, mas, se apurarmos o olhar veremos que há muito mais que entardeceres doirados, que há muitas imagens, sentimentos e até um porto de partida ou chegada onde alguém espera ou se despede de um momento que nunca mais irá acontecer.

 

 

 

Mais tarde, a propósito da Linha do Corgo, a Associação de Fotografia Lumbudus publicou um livro onde contribuímos com um texto que trouxemos ao blog em:

 

Terça-feira, de de fevereiro de 2016

(…)

a Linha do Corgo, da Régua a Chaves, depois da regueifa e dos rebuçados de açúcar torrado, era feita na varanda do comboio, mas há uma viagem, a última, que nunca mais esquecerei, não por saber que era a última, pois não sabia então que passado pouco tempo, traiçoeira e irrefletidamente a linha iria ser encerrada, mas porque nessa viagem tive uma companhia inesperada à varanda, uma companhia que a família (mulher e filhos) tinha deixado na estação da Régua para apanhar o comboio para Chaves, uma companhia que eu há anos já admirava e da qual tinha saudades, sobretudo da sua sabedoria, do seu amor à poesia e do seu conversar. Era o meu antigo professor de português do Liceu, o Dr. José Henriques, que ainda antes do 25 de abril de 74, através da poesia e dentro das quatro paredes da sala de aulas nos falava da liberdade. Foi a minha última viagem na Linha do Corgo e a última conversa com o meu antigo professor, espaçada de silêncios, explicados pelo êxtase da apreciação da paisagem ou pela apanha e descarga de passageiros nas estações e apeadeiros.

(…)

 

Fica agora a notícia do lançamento do livro “Reconhecer o Génio de Nadir Afonso – Diálogo(s) Sobre a Obra”, apenas isso, pois ainda não o lemos, mas pela certa que futuramente teremos oportunidade de trazer aqui algumas coisas deste livro.

 

 

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