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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Set18

Uma de eheheh! ou será ohhhhhhhhhhh!?

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A respeito da foto de ontem que ficou por aqui no blog, do rio, ponte e uma nesga de cidade, da qual fica atrás uma miniatura, caiu um comentário que diz:

 

Não me admiraria se esta fotografia fosse «roubada» para chamariz de um qualquer Sítio «em moda»!....

Luís da Granginha

 

Penso que ninguém atingiu a mensagem deste comentário, mas eu cheguei logo lá, e passo a explicar:

 

O Luís da Granjinha é um amigo nosso, pessoal, do blog e da cidade, que embora viva em Mozelos, está sempre atento à vida diária da cidade de Chaves, quer no que se passa cá, quer lá fora, no que a Chaves diga respeito. Pois acontece que em 23 de julho passado recebo um mail do Luís da Granjinha a dizer: “Amanhã esteja atento ao Correio: nada de especial, apenas uma curiosidade de propaganda.”.  Passados uns dias, penso que foram três (pois já lá vai o bom tempo em que demoraria 1 dia), lá estava a “encomenda” na caixa do correio. Abri e na missiva/pedido que acompanhava a "encomenda" dizia:

Caro Fernando

Numa vidraça dedicada a cartazes e anúncios, aqui em MOZELOS, topei com este cartaz.

Apelo à sua perspicácia para me dizer se esta PONTE é mesmo o ex-libris de FORNOS de ALGODRES.

 

Talvez eu , tão doente de saudade da NOSSA TERRA, ande a ver pedacinhos de CHAVES por todos os cantos e esquinas!

 

Que lhe parece isto?

 

Um abraço

Mozelos, vinte e três de Julho de 2018

 

A acompanhar esta missiva vinha um cartaz com duas dobras, faces brancas viradas para fora. Abri e dei com isto:

 

mozelos-algodres.jpg

 

A minha primeira reação foi: “Eia lá! Também quero ir a este passeio a Fornos de Algodres” mas azar o meu, o passeio já tinha acontecido em 7 de julho. Mas para o próximo ano vou!

 

E meu Caro Luís da Granjinha, nunca cheguei a ter tempo de lhe responder para lhe dizer se esta ponte é mesmo o ex-libris de Fornos de Algodres, mas também não ia adiantar, pois não sei se o é ou não, acontece que nunca lá fui. Mas como conto ir no próximo passeio, depois digo-lhe. Quanto ao andar a ver pedacinhos de Chaves por todos os cantos e esquinas, isso, são mesmo saudades da terrinha, pois embora a imagem de fundo do cartaz seja um pouco parecida com o nosso rio, a nossa ponte e um bocadinho da Madalena, vê-se logo que não é, pois a nossa ponte não é azul, tem tons amarelados/sépia, com grades verdes e os telhados das nossas construções são alaranjados. Pode ficar descansado, que não está doente de saudades, quando muito terá de fazer uma visita ao seu médico dos olhos para lhe rever as lentes dos óculos. Fique descansado que a nossa ponte continua por cá, até lhe deixo uma imagem recente, dela, para ver que é verdade.

 

1600-(49900).jpg

 

Mas com isto tudo, fiquei curioso e estou mortinho para ir a Fornos de Algodres ver a ponte romana azul. Como o meu caro amigo  Luís Fernandes vive em Mozelos, meta aí uma cunha ao Presidente da Junta a ver se me deixa ir de passeio com o pessoal da freguesia. Fico a aguardar uma resposta. Caso positivo, inscreva-me já, não vão os lugares esgotar! Para o efeito envio por correio (esteja atento amanhã à sua caixa de correio, que daqui por 3 ou 4 dias estará aí) uma fotocópia do Cartão de Cidadão.

 

Deixando a conversa séria para trás, vamos agora ao que importa. Se quiser mesmo ir a Fornos de Algodres e pernoitar por lá, nem há com fazer uma pesquisa na net e podemos chegar a este site: http://www.hotelroomsearch.net/city/fornos-portugal onde poderá fazer uma reserva online. Para convencer o pessoal interessado, este site deixa 12 imagens de Fornos de Algodres, uma delas, com a localização no mapa de Portugal, outra um conjunto de um rio, uma ponte e um casario, e as restantes imagens, suponho, serão os quartos que têm lá para alugar… fica um “print” do referido site.

 

fornos de algodres.JPG

 

 

Bem, acho que o melhor é acabar por aqui… E com esta me bou! Com um pedido de desculpas a Fornos de Algodres, pois nada tem a ver com estas estórias…

 

 

25
Mai18

Ocasionais - Cachopas de Chaves

ocasionais

 

                     

CACHOPAS de CHAVES

 

 

“Foi-se o tempo das baladas,

E os Romeus dos nossos dias,

Não sabem das alvoradas,

Nem da voz das cotovias”.

*João Penha*

 

 

Que contente fico quando vejo e leio reportagens, crónicas, versos, contos e cantigas acerca das NOSSAS RAPARIGAS   -   das CACHOPAS de CHAVES!

 

As violetas do Jardim do Bacalhau, as rosas do Jardim das Freiras, as glicínias do caramanchão das Caldas, as hidrângias do Jardim Público ganhavam sempre mais cor quando junto delas passavam e passeavam as « CACHOPAS de CHAVES », muito especialmente quando estas iam «bem acompanhadas»!

 

E as muralhas do Castelo ou dos “Fortes” abalavam enternecidas sempre que, junto delas, CACHOPAS de CHAVES deixavam apaixonados “Alas de Namorados”!

 

O Tabulado, feito Jardim, multiplicava sombras que disfarçavam as tentações do andar e do olhar das NOSSAS CACHOPAS.

 

O Tâmega era mais limpo! E, do brilho das suas águas, podia recolher-se o reflexo dos beijos desejados e o das promessas juradas pelo olhar.

 

“Raios de luz celeste”, até mesmo sem querer, prenderam de amores e de saudade tantos dos “Caçadores” que, em lacrimosas despedidas na “Estação”, deixando para trás a sua Beatriz, seguiam a Linha do Corgo, a Linha do Douro, a Linha do Norte até à Rocha do Conde de Óbidos, para embarcar numa viagem (no Vera Cruz, o Niassa, o Lima, o  Império e o Uíje), sem garantia de regresso, ao Cruzeiro do Sul.

 

Na “Fonte Nova”, numa semínima paragem do comboio para um último adeus, um coro militar fez ecoar na Muralha e na Torre de Menagem:

 

“...

A ti! Ai, a ti só os meus sentidos,

Todos num confundidos,

Sentem, ouvem, respiram; Em ti, por ti deliram,

Em ti a minha sorte,

        A minha vida em ti;

        E quando venha a morte,

        Será morrer por ti!”[i]

 

CACHOPAS de CHAVES: ramo florido de doces Castelãs para “toda a espécie de índoles, de espíritos e de gostos»;  um milagre para cada incredulidade; para cada infortúnio, um bálsamo; para cada idade, seu ramalhete”; e em quem “a fraqueza é graça, e a graça, omnipotência”.

 

E aqueles a  quem coube o dom de as tomar, novos “Galahad” se sentiram, e do céu se tronaram senhores!

 

Minhas lindas CACHOPAS de CHAVES!

 

M., vinte e quatro de Maio de 2018

Luís da Granginha

 

[i]  Para os menos lembrados: da composição “Cinco Sentidos”, in “Folhas Caídas” – A. Garrett.

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23
Jan18

Ocasionais

ocasionais

 

“Três milhões de visitações

 

Poucos, raros, como FERNANDO DC RIBEIRO têm feito tão dedicado e notável esforço em servir os Flavienses, CHAVES, a NOSSA TERRA!

 

Este flaviense de excepção é merecedor de agradecimento, de reconhecimento, não só pelo carinho que tem dado às Gentes da NOSSA TERRA, mas também pela desinteressada generosidade com que tem relevado cada particularidade dos nossos costumes, das nossas tradições, e a atenção que merece o nosso património histórico, artístico, cultural, bem como o respeito e os cuidados  de qualquer outro aspecto do nosso Território.

 

O Blogue “CHAVES” foi, e tem sido, o maior embaixador da nossa «Cidade»!

 

Ele foi inspirador e apoiante de muitos outros Blogues, que, caprichando encantadoramente, revelaram por esse mundo fora aprazíveis recantinhos  e deliciosos segredinhos de tantos rincões flavienses e normando-tameganos.

 

De FERNANDO DC RIBEIRO partiu a ideia da criação da Associação de fotógrafos “LUMBUDUS”.

 

E em torno de ambos, Blogue “CHAVES” e Associação “LUMBUDUS”, cresceu uma pequena, mas dinâmica e valiosa, tertúlia de apaixonados por CHAVES  e pelo que ela representa no contexto regional.

 

Graças a estas  duas instituições, CHAVES apreceu com um significado bem ecuménico. E os laços com os territórios vizinhos mais se estreitaram: Convívios cheios de afecto e de interesse cultural foram sendo realizados por VALPAÇOS, BOTICAS, MONTALEGRE e OURENSE, e, mesmo até, por outras «Unidades Territoriais”!

 

À frente de todos esses pioneiros acontecimentos esteve sempre  FERNANDO DC RIBEIRO.

 

Neles têm participado não só os «residentes –resistentes» como também «resistentes –ausentes» e outras personalidades, de lugares distantes, mas entusiasmadas com as descobertas, as tentações  e a informação que o Blogue “CHAVES” e  a Associação “LUMBUDUS” iam oferecendo.

 

FERNANDO DC RIBEIRO é um homem, um Flaviense de enorme generosidade!

 

Agradecer-lhe o bem que tem feito por CHAVES, pelo Concelho, pela REGIÃO NORMANDO – TAMEGANA (Chaves, Valpaços, Montalegre, Boticas, Ourense) não  é o pagamento de uma dívida, mas, sim, reconhecer a generosidade com que tem abençoada a NOSSA TERRA!

 

Só os invejosos é que sentem insuportável o reconhecimento que devem a alguém!

 

Se as almas dos mortos se regozijam com as missas, os enfeites das suas campas e as homenagens públicas ou circulares, também os corações dos vivos se consolam quando se lhes toca com o reconhecimento, com a gratidão.

 

E por que não havemos de pôr uma gota de alegria num copo que verteu sobre nós flocos de ânimo, de estima, de orgulho, e de vaidade, até?

 

Na realidade, praticar o bem para com o próximo é correr o risco de se oferecer mais do que aquilo que o OUTRO merece, e, como a gratidão e o reconhecimento vão sendo das mais ignoradas virtudes do nosso tempo, a inveja refloresce e o sentimento de justiça mais arrumado é na sombra do esquecimento: “Os homens costumam, se recebem um mal, escrevê-lo no mármore; se um bem, no pó” – lembra-nos Thomas Moore.

 

Poetas e escritores, como, entre outros, Isabel Seixas, António Roque, Gil dos Santos e Carlos Barros, recebem mais, e justos, aplausos sempre e quando na companhia de FERNANDO DC RIBEIRO.

 

Nas galerias do palácio das suas iniciativas   -   Blogues, Associações, Convívios, Exposições, etc.   -   a Crónica, a História, a Geografia (natural e humana), a Fotografia, as Artes são divulgadas com brilho.

 

A amizade, a gratidão, o respeito são, hoje, avaliados por equações cujo resultado seja ZERO no DEVER e infinito no HAVER!

 

 

O NANDO realiza sua tarefa e não pede gratidão, e é «precisamente porque não se apega que o mérito jamais o abandona e suas obras meritórias subsistem».

 

O NANDO é demasiado grande numa Cidade que está a ser tornada tão pequena.

 

“A todos os meus amigos desejo a recompensa das suas virtudes; e a todos os meus inimigos, a taça da expiação” – falou Rei LEAR.

Não venho aqui pela minha gratidão pessoal.

 

Venho aqui, para dar público testemunho da existência de um FLAVIENSE, de um Normando-Tamegano, de um trans-visimontano, de um TRANSMONTANO com uma invulgar dedicação à sua terra natal, aos seus conterrâneos e comprovincianos   -   à NOSSA TERRA   -    de sua graça FERNANDO DORES COUTO RIBEIRO!

 

O reconhecimento do valor não desejo vê-lo, nem deve ficar, dependente do talento de oratória  de admiradores de História do Passado.

 

Às Gentes da NOSSA TERRA e aos meus amigos empenhados, sérios e patriotas não desejo êxitos póstumos!

 

Temos de reconhecer: o trabalho de FERNANDO RIBEIRO tornou mais significativa a condição dos homens e das mulheres, da Natureza e da História da sua identidade flaviense e Normando-Tamegana e, ou,  Trans-Visimontana.

 

Estou com Péricles quando diz, no seu “Discurso”:

 

- “A mim, parece-me que quem com obras demonstrou o seu valor, também com obras deve receber as honras  daqueles que lhe reconhecem os méritos!”.

 

M., vinte e dois de Janeiro de 2018

Luís da Tia São, da Granginha

 

 

02
Jan18

Ocasionais

ocasionais

 

*.*PARABÉNS ao BLOGUE “CHAVES”, pelo “13º Aniversário”!*.*

 

Se a “D. Lumbuda” fosse viva diria:

ora tomaide lá e fazeide uma festa

com esta dúzia de sardinhas  

-  e contava 13 (treze),

 porque o gato também é «gente»

{já sei, já sei, alguns de vós refilam

e dizem «pessoa»!...}!

 

Em Dia de Aniversário, ‘inda por cima 13º [eih! Não sou dos que gritam: pra longe vá o agoiro! O 13 (treze), para mim, é símbolo de grandeza, de relevo, de brilho! O meu amigo ZEUS, como 13º, distinguiu-se  no desfile dos Doze deuses. Só os medricas supersticiosos crendeiros   -  triscaidecafóbicos   -    é que negam e renegam o número verdadeiro de Apóstolos (13)], o que eu esperava era ver, desta vez, um Post(al) a relatar , com minúcia, o monte de prendinhas de felicitação pela celebração de uma vida «Bloguisteira» tão longa e tão prendada!

 

Afinal, o aniversariante é que oferece um Post(al) que, desde as «entradas» à sobremesa é uma real e retinta delícia!

 

Assim, não a admirar que o número de visitantes deste Blogue “CHAVES” consinta serem chamados de «lambareiros» aos que aqui vêm regalar-se!

 

Pois é!

 

Sabemo-lo bem: este Blogue, o Blogue “CHAVES”, da autoria de Fernando DC  Ribeiro, «é feito a pensar nos flavienses que estão fora de Chaves, ............ porque também eu em tempos provei o sabor de estar fora da terrinha e conheci o verdadeiro valor da palavra saudade, a tal que para ser confortada às vezes basta o tal aroma ou imagem”  -  Post(al) do Bogue, in 2 de Janº de 2015).

Quanta consolação me (nos) tem feito chegar, diariamente e ao longo de tantos anos, com os textos e fotografias do autor, e as crónicas, os contos, os contarelos, os romances e os poemas dos seus colaboradores!

 

Por mais que procurasse, não consegui encontrar Aldeia, Vila ou Cidade que se possa gabar de ter um Blogue com a magnificência do Blogue “CHAVES”!

 

Ter um conterrâneo que, de alma e coração, dedica «todos os dias» e ao longo de mais de uma dúzia de anos, faz-me sentir um flaviense privilegiado, vaidoso e orgulhoso da NOSSA TERRA!

 

Serei o único?!

 

Cá pra mim, não faltam por aí, pelos cinco Continentes, pelos Quatro Cantos do Mundo, punhados de flavienses e mancheias de Normando-Tameganos que se regalem com este Blogue. E só não o confessam na Caixa de Comentários porque arreceiam que o seu entusiasmo agite a ambição e a inveja de conhecidos bigorilhas, fajutos politicastras, e estes lhes interceptem os Post(ai)s que diariamente «petiscam» no Blogue “CHAVES.

 

Com o seu Blogue, Fernando DC  Ribeiro tem estado a desenhar um mapa-mundo com os continentes e a História da Normandia Tamegana   -   CHAVES e MONTALEGRE são continentes (Municípios) quase prontos.

 

Oxalá Fernando DC  Ribeiro tenha vida e saúde para preencher todos os hemisférios com os continentes de BOTICAS, RIBEIRA de PENA, VALPASSOS, VILA POUCA de AGUIAR e VERIN!

 

Que o derrube da “Pavoínia” não dê lugar à “Pinguínia”!

 

M., dois de Janeiro de 2018

Luís da Granginha

 

19
Mai15

Ocasionais - Era o que mais me faltava!...

ocasionais

 

ERA O QUE MAIS ME FALTAVA!...

 

Recebi uma carta [não, não é de condução, de caçador ... ou de chamada], bem, tenho de ser mais claro, não foi e-mail ou sms, como se chama agora a correspondência que veio substituir telegramas, telexes, faxes, postais, cartas, o “Código Morse” e o “Código Navajo”.

 

O Inverno está a empurrar com força a Primavera para o Verão.

 

Já há muita gente com férias marcadas e pronta a partir para elas.

 

Tinha recomendado a um casal amigo que fossem conhecer a NOSSA TERRA, CHAVES.

 

Surgiu-lhes a oportunidade e, ala morena, lá foram pela CREP-A41 até encontrarem o Casino de VALDANTA, segunda pista para saberem entrar na cidade.

 

Só quando sentiram o vento de Espanha é que deram conta do sinal de “Chaves”.

 

“OS de CURALHA” já não são o que eram doutro tempo.

 

Deixaram que lhe roubassem o comboio e a Estação.

 

Consentem nos maus tratos ao “CASTRO”.

 

Perderam o gosto na marginal do Tâmega até à cidade   - “a Estrada de Braga”.

 

Parecem mais envergonhados da sua linda terra que os presidentes de Câmara que tem havido desde o aparecimento da Auto-Estrada   -   nesta não existe uma placa a indicar «SAÍDA» para CURALHA nem para CHAVES! Parece quererem empontar os viajantes para Boticas e Carvalhelhos, como se CURALHA ficasse “no cu de Judas” ou entrada em CHAVES, pela “FONTE NOVA” fosse uma vergonha!

 

Realmente, os meus amigos, depois de Vidago, nunca mais encontraram «seta» para a cidade.

 

Assustaram-se na rotunda, julgando que a avenida para o Casino é que era o portão de entrada.

 

Deram meia volta e lá viraram pela ruela que os levou à porta do “Quartel”.

 

Rolaram por uma avenida com o chão coberto de folhas e pararam em frente aos portões de um cemitério, a pensar se seria para a frente, para o lado ou para trás que deveriam ir.

 

Estranharam ainda não ter encontrado um polícia, fosse ele de ronda, de trânsito ou de folga.

 

Desceram os vidros da janela do carro e perguntaram, a uma senhora que lhes pareceu simpática, onde ficavam as CALDAS.

 

Na ponte do Ribelas, em Santo Amaro, apeteceu-lhes mesmo parar: o casario e os quintais, de um lado e doutro da ponte mostraram-se-lhe sugestivos.

 

Na rotunda pareceu-lhes mais acertado seguir para a esquerda.

 

Junto ao Posto de Abastecimento perguntaram a um automobilista que ia entrar no carro estacionado onde ficava o Hotel de Chaves e onde podiam desougar-se dos “Pastéis de Chaves”, que um amigo lhes recomendou para o pequeno-almoço do meio da manhã e a que ele chama pomposamente «a hora do pingo».

 

- Logo à frente encontrarão uma esplanada, mesmo em frente à Farmácia. Os pastéis aí são quentinhos e bons. O Hotel é logo na grande rotunda, à frente,   - informou

 

O casal meu amigo entrou no “Carbela”. E, seguindo a minha recomendação, pediu um pastel (não disseram «de Chaves» de propósito, para ver a reacção da servente, perdão, da «auxiliar-técnica-de-engenharia-de-restauração-e-concomitantemente-afins-e-correlativos».

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Só que as “Meninas de Chaves” são «guichas». E, com a meia de leite para ela e o café para ele, trouxeram dois “Pastéis de Chaves” douradinhos e quentinhos. Mas, topando que eram visita noviça (mas não «nabiça», ó marotões!), a “Menina de Chaves” avisou para terem cuidado porque por dentro estavam muito quentes.

 

Eles. Os do parzinho meu amigo, já iam avisados. Mas a “Menina de Chaves” salvou-os do se terem esquecido.

 

A minha amiga e o meu amigo, levantando um pouco a sobrancelha a esquerda, ela, a direita, ele, olharam um para o outro, como a querem avisar-se para se porem finos.

 

Confessaram-me que os Pastéis (de Chaves) lhes meteram logo muita cobiça.

 

Trincaram.

 

Provaram.

 

Beberam um gole de café e de café-com-leite.

 

Trincaram.

 

Comeram.

 

E entre duas dentadas, enquanto de derretiam de prazer com a massa e a carne (de vitela) picada, acenaram para uma das “Meninas de Chaves” e pediram mais dois “Pastéis”.

 

Fizeram não ter dado conta, mas bem viram que as «Meninas de Chaves», ali estavam para os atender (bem, a moda é: «em que posso ajudar», porque pronunciar um «posso ajudar» transmite ao ego um ar de «poderosidade» (poder e superioridade) que não contém o «atender».

 

Garantido o alojamento, no Hotel, pediram à recepcionista a indicação do “Leonel”. Iam almoçar um «pernil fumado», por recomendação, disseram.

 

No Campo da Roda ficaram de barriga cheia e contentes.

 

No meu roteiro, mandei-os subir até ao Miradouro de S. Lourenço.

 

O dia estava bonito. Aí chegados, tiveram de inventar uma «táctica» (um método) de se “consolar com o que os seus olhos viam”, disseram-me.

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Olharam tudo à sua volta depressa, logo à primeira vez. Depois outra vez, mais devagar. Depois, ainda outra vez, mais devagarinho. Então combinaram dividir todo aquele horizonte em fatias. Nem deram conta do tempo passar. Queriam ir merendar mais uns “Pastéis de Chaves” e estava mais na hora do desejo e do apetite do que na hora da tarde. Mas ainda tinham de ir à “Ribeira de Sampaio” ver o destino que estão a dar à ponte e às margens do ribeiro.

 

Colhido o desgosto e desencanto com o desprezo dado àquele encanto, voltaram à estrada, e meteram pelo estradão do “Castelo”, em busca do «Cruzeirinho» das Eiras.

 

Já lhes crescia água na boca, só de se lembrarem dos Pastéis.

 

Voltaram em direcção à cidade. Procuraram o “Catonho Tonho”. Estacionaram e saíram para entrar noa “Loja do Bom Paladar”. Conforme lhes recomendei, perguntaram pela “Alice da Granginha” (era para causar «suspense»).

 

Aí, pegaram no telemóvel, ligaram-me e ralharam comigo, ameaçando que «tens de dizer à Luisinha para trazer remédios para o «colesterol» e o «emagrecimento»!).

 

Iam aos Pastéis e ficaram perdidos com a doçaria!

 

Não tiveram outro remédio senão alternar “Pastéis de Chaves” com os bolos da Alice da Granginha, acusaram-me!

 

Refastelados, foram para o Hotel, preparar-se para o jantar e a noite.

 

Tinham de descobrir o carreiro que dá para o adro de Santo Amaro, o sítio onde se faz uma boa, que não a última, ceia - O “Aprígio”!

 

E nessa primeira noite lá foram até ao Casino.

 

Bem dormidos, e com sonhos de fazer inveja a serafins e querubins, disseram-me, passaram pelas CALDAS, beberam um copo daquela água bem-fadada.

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Decoraram o sítio do “João Padeiro”, contornaram a Muralha e, vá lá, conseguiram lugar para o carro, no “Largo do Anjo”.

 

Procuraram a portinha dos “Prazeres na Loja”.

 

O cheirinho a Pastéis fresquinhos e quentinhos (que bem lhes fica este contraste!) logo orientou os meus amigos para o nº 14.

 

A “Suzy” recebeu-os com aquele lindo sorriso das retintas “Meninas de Chaves”.

 

- “Estamos aqui mandados…”

 

D.Helena do Jorge, da Abobeleira, juntou o seu sorriso de “Menina retinta de Chaves” ao da “Suzy” e atalhou-os:

 

- “Já sei quem são e ao que vêm. A encomenda do fumeiro está prontinha”.

 

A “Suzy”, ao ouvir isto, foi logo buscar dois “Pastéis de Chaves”. Par «prorβarem», disse.

 

Pois! «Proβar”!

 

Lá se vai a dieta, o colesterol e a elegância!

 

Meteu-nos numa boa, o Luís! - disseram um para o outro.

 

Virando-se para a Lena (D. Helena) do Jorge, da Abobeleira, o meu amigo (para admirar, mais guloso que a cara-metade), disse:

 

- Este foi apenas uma amostra. Faça o favor de me trazer outro, que é para provar.

 

Perdida de riso, (e que lindo o tem!), a “Suzy” trouxe mais dois “Pastéis de Chaves”.

 

-Ai a nossa vida! – exclamou a minha amiga cara-metade do meu amigo.

 

E o almoço?!

 

Vou segredar-vos: Eu já tinha telefonado para VILELA do TÂMEGA, à sucessora da D. Helena, a D. Maria do Céu, para ter preparado um «Arroz de Cabidela», para almoço destes meus amigos. Pior (melhor) ainda: recomendei-lhe para sobremesa uma (Uma! Duas ou três!) das suas compotas!

 

Imaginai!...

 

Almoçados, de VILELA foram fazer uma sesta no Hotel.

 

A meio da tarde, já tanto a Alice da Granginha, do “Bom Paladar”, como a Lena, dos “Prazeres na Loja”, lhes haviam falado da Freguesia de VALDANTA   -   da Barragem Romana d’Abobeleira, de “Outeiro Machado” e da CAPELA da GRANGINHA   -   meteram-se pelos Aregos acima e chegaram à Abobeleira. Com alguma perícia, deram com o monumento dos romanos. Em Valdanta, tiram um retrato ao “Forno do Povo”, junto à estrada, e seguiram as indicações que a minha afilhada Alice lhes deu para acertarem com “OUTEIRO MACHADO”.

 

Espreitaram a “Barragem”, atravessaram o CANDO e chegados ao “Largo do Carvalho”, na GRANGINHA, perguntaram ao XICO, da Srª Prazeres, onde ficava a CAPELA da GRANGINHA.

 

A zeladora mostrou-lhes aquela relíquia histórica e monumental.

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Claro que tiveram de entrar na casa da D. Nídia (bem, da Nídia, minha amiga e comadre - somos ambos padrinhos da Alice que indicou o “OUTEIRO MACHADO”).

 

E os que tiveram a sorte de visitar a GRANGINHA já sabem o que acontece naquela casa: - Uma boa merenda (almoço ou ceia) e… uma boa pinga.

 

O sol já estava pra lá da Serra d’Ardãos e o casal turista desceu pela «Barje» (Várzea).

 

Antes da chegada ao Hotel ainda pararam para olhar a “Azenha do Agapito”.

 

Aperaltaram-se para o Jantar e noitada, e foram comer ao “Faustino”.

 

Provaram uma linguiça assada, petiscaram um arroz de tomate e comeram um prato de orelha.

 

Na sobremesa, ela ficou-se pelo «Toucinho do céu», e ele, pelo “leite–creme”.

 

O meu amigo, disse-me, rematou com uma (não vale mentir: DUAS) «Geropiga”!

 

Desceram, a pé, Stº António, foram até meio da Ponte Romana, voltaram, meteram pela Rua do Tabulado, em direcção às CALDAS.

 

Havia por ali animação. Antes da «deita», frequentaram três dos Bares.

 

O Hotel ficava a dois passos. Amanhã era novo dia.

 

E remataram a missiva (palavrinha que se usava «intigamente» para significar «carta») com a promessa de me contarem as aventuras dos dias seguintes, no próximo correio.

 

- “É pra não te fazermos mais «imbeija», como dizeis aqui por CHAVES, ou julgas que não estamos a aprender?!” – terminava.

 

Uma carta destas!

 

E mandei eu estes dois marmanjos à NOSSA TERRA!

 

Era o que mais me faltava!....

M., 16 de Maio de 2015

Luís da Granginha

 

 

25
Set13

Ocasionais - "A Árvore da Saudade"

 

“A ÁRVORE da SAUDADE”

 

Agora é o Setembro a roubar o calor de Agosto.


Os tempos andam mudados.


Depressa ficarão trocados.


Mas o luar de Agosto, na MINHA ALDEIA, ainda é o mais lindo do mundo!


Igual, igual, só o de Janeiro, em noites claras a prometerem frio e frio de geadas fortes e tremulentas.


No “Largo do Carvalho”, em Agostos já tão distantes, depois da ceia, juntavam-se algumas das poucas pessoas da MINHA ALDEIA para apanhar o fresco enquanto conversavam sobre a vida.


 A meia dúzia mal contada de jovenzitos que por lá havia por ali se reunia. Inventavam inocentes e amigas brincadeiras. Mas dedicavam bastante tempo a cantar, deitados num tufo de erva ou numa pera ainda quente do calor do dia.


Olhos postos no céu, encantava-os o brilho das estrelas. E entusiasmava-os quando delas havia uma chuva,


E cantavam.


O «rouxinol da Granginha» trinava os seus enlevos e as peregrinações dos seus sonhos pelas rotas românticas com que mapeava o seu dia de amanhã.


Naqueles luares de Agosto (e de Janeiro) pensava nela.


E, fechando os olhos, enviava-lhe rosários de beijos.


Ao abri-los lá estavam eles caídos do céu feitos estrelas a brilhar com tanta ternura!


A Requeta, a Amélia  e a Tia Maria do Campo, a Tia Aurora, a Tia Augusta e a Laurinda, a Alice do Treno, a Tia Olinda, a Teresa do João Carteiro enchiam o Luís da Tia São de vaidade.


Diziam, umas para as outras, mas olhando de soslaio e certificando-se de que o recado chegava ao destino:


-“Quem bem canta este rapaz!”.


E, claro, clarinho, as cerejas, os melões e melancias, as maçãs, os figos; uma chouriça e outra linguiça, e mais uma abada de chícharros do quintal ou do Vale da Cabra ou do Vale Coelho ficavam garantidinhos cá para o rapaz!


Como foram, e ainda são, minhas amigas as pessoas da MINHA ALDEIA!




Até, mais tarde, a srª Prazeres e o sr. Manuel, habitantes tardios, me enchiam de mimos   -  um saco de batatas, um cabo de cebolas, um molho de chícharros, outros de vagens, uma abada de pimentos, melancias do Pedrete, uma saca de feijão, uns cachos de uvas docinhas!…


E na Páscoa calhava-me sempre o folar da minha perdição!


Então feito pela Laurinda, no forno da Nídia!....


Porém, hoje, a MINHA ALDEIA está vestida de saudade!


Trataram-na mal : os ingratos, os moinantes e os politicastras!


A MINHA ALDEIA era linda!


Foi o altar onde os Povos mais antigos celebravam as suas divindades.


Nela, até os Cristãos quiseram vincar a sua supremacia sobre os Mouros!


E, hoje, os cristãos-pagãos, sem-vergonha e sem respeito pela História e pelos símbolos sagrados de um Povo e de um Povoado, além de votarem ao abandono e manterem enterradas as relíquias de um Passado digno, honrado e ilustre ainda têm o atrevimento de lhe causar intencionais danos!


Falo-vos da GRANGINHA, uma das pérolas da NORMANDIA TAMEGANA.


Não perdoo a bandoleiros e ningres-ningres políticos, como Alexandre Chaves e João Baptista, ex-presidentes de Câmara, nem ao reles «pavão de Castelões» o desdém com que atenderam o lamento de jovens estudantes e o seu contributo, e o desinteresse e intencional esquecimento, de uns e outros, em relação à importância do testemunho histórico que é a GRANGINHA e os necessários e urgentes cuidados que merece a CAPELA!


Hoje, lá só já é minha a árvore da saudade,


À sombra dela, celebro a chorar o bem, o amor e a amizade que lá colhi em abundância.

 

E se, no Alto do Campo ou no Alto do Cando, lá fizerem, um dia, um cemitério, que os meus restos mortais mereçam aí um cantinho!
 

M., 14 de Setembro de 2013

 

Luís da Granginha

 

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