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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Fev19

Ocasionais

ocasionais

 

BACKMONTANOS!

 

O vício e a petulância no recurso a frases feitas, a fórmulas e frases pré-formatadas; a «adverbialices» rebidas, a modismos descartáveis e a estrangeirismos envernizados só não tornam os textos, as reportagens, os comentários, os noticiários monótonos porque cobrem de pinceladas de ridículo garrido quem deles se serve por estúpida imitação corporativista, como biombo para disfarçar a ignorância ou má preparação acerca do assunto sobre o qual abrem a boca, e… porque, afinal, mostram muito pouco respeito pela capacidade intelectual dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores.

 

E como se já não bastasse a colonização económica a que os Portugueses estão submetidos, medra por cá demasiada gentinha a colaborar na colonização linguística, especialmente por parte dos “filhos de Drake”!

 

Tenho para mim como comportamento grave a demissão dos Jornalistas em contribuírem, como lhes compete, dar esplendor à nossa Língua   -   o Português!

 

Nas Rádios, nos Jornais, nas TV’s, a praga de disparates linguísticos e gramaticais está a ser mais incomodativa e impertinente do que um ataque de sarna, de sarampo ou … de vespas asiáticas!

 

Os enfermeiros, liderados pelos especialistas em Cirurgia, fazem uma greve, e logo jornalistas, locutores, apresentadores, opinantes «tugueses» tratam o feito como «greve cirúrgica»!

 

 Ora lá temos nós que, nem que seja um «traque» dado por um enfermeiro, ou enfermeira, qualquer coisa ou coisinha feita por gente da enfermagem passa a ser uma coisa ou coisinha «cirúrgica»!

 

A ambição de serem originais, de conseguirem um discurso, ou mesmo até uma frase, que lhes faça ganhar (Ah! Como eles se derretem a dizer «vencer»!) um premiozito qualquer, nem que seja um “Razzies” do sindicato da sua estimação, nlouquece-os, e, vendo-se tão incapazes e incompetentes, deitam a mão … e a boca a quanto modismo descartável, chavão e bordão de linguagem exista; a toda e qualquer «adverbialice». E, qual rebanho de medíocres, procuram conforto e apoio na amacacada imitação uns dos outros!

 

O “Louçã”, num plenário da Assembleia da República, fala do acordo com este e do acordo com aquele, e declara que os “acôrdos” são «acÓrdos»: e imediatamente todo aquele bando de ilustres e iluminados começa a grasnar «acÓrdos», em tom épico e tenórico, como se acabassem de ter uma revelação na Cova da Iria, na da Piedade ou na da Moura …. ou na da onça!...

 

Depois, mortinhos para darem nas vistas da camareira - mor do hotel de Buckingham, e convencidos que marcam pontos para a nomeação de «lord», até franzem a «brancelha» sempre que têm oportunidade de dizer e, ou, escrever «mídia»!

 

Só lhes falta mesmo apertar as ligas ao «jarreta» grego que renegou ser príncipe danês para aceder a duque escocês!

 

Ai não é?!

 

O «papa-mosquitismo» pelo Inglês, cedo ou tarde, vai levar os «tugaleses» a passarem a vida a fazer salamaleques a «quingues» e a «cuínes»!

 

A moda pegou: toda a lagartixa quer, à viva força, ser jacaré!

 

E como não têm cabecinha para mais, e já que as lagartixas que conseguiram açambarcar o sol … e a sombra da politiquice ficaram com o sebo todo para dar graxa ao Zé pagode, «os «papa-moscas e mosquitos» «tugaleses» valem-se dos arrebiques que lhes proporcionam uns palavrõezitos repimpados de Inglês grão-bretão, californiano e … do Cais do Sodré para se fazerem ver, ouvir e falar inventando um novo idioma:

 

-   o  “PORTUGENGLISH”!

 

Numa actividade, ali para as bandas da “baía dos porcos”, fruto do neo-«empreendodorismo»  «tugalisca» do séc. XXI, onde se emborcam umas bejecas, e se realizam umas outras actividades sucedâneas, a pedra de toque da inovação do brilhante «empreendodor tugalês» está bem à vista de quem passa ali na rua:

 

- “ENTRADA pela BACKDOOR”!

 

O que lamento e me enfada é ver tanta gentinha deslumbrada pelo «oxfordês» de Yorkshire ou de Finsbury Park e conheça tão mal o seu idioma  - o Português!

 

Vão pró rai que os parta!

 

Não falta nada para que nas Antologias e Enciclopédias; conferências, entrevistas, discursos; «lançamentos» de livros, de pedras, de discos … voadores ou de música «pimba»; de campanhas políticas; tomadas de posse; libelos acusatórios, e de concursos para botar figura em Telenovelas da Malveira; para sublinhar as supremas qualidades e os doutos conhecimentos de oradores e candidatos, estes se refiram, por exemplo,  a Bento da Cruz, a Domingos Monteiro, a Araújo Correia, a Rogério Ribeiro Gomes, ao soldado Milhões, a Edgar Carneiro, a Adérito Freitas, a Alexandre Parafita, a Graça Morais, a António Pires Cabral, a Gil dos Santos,  a Fernando DC Ribeiro, a Miguel Torga,  e até ao Padre Fontes como ilustres «BACKmontanos!

 

A Inglaterra perdeu a «jóia da Coroa»! Mas encontrou aqui, no “Jardim das Berlengas” um novo rebanho de sipaios!

 

Porra!

 

Isto deixa-me mesmo pouco católico!

 

Para além do mau uso do léxico da nossa Língua, o Português, os cultos, os eruditos, os sábios, os líderes (de quê?!...), os iluminados, os «cheios de importância» «tugaleses» desviaram do Trent e do Tamisa, do Ohio, do Colorado, do S. Joaquim e do Mississípi enxurradas de termos que contaminam uma Língua que lhes merece mais respeito que qualquer outra   -   o PORTUGUÊS!

 

E, para facilitar o engano que aos políticos lhes permite a sobrevivência e aos jornalistas a aparência, a Rádio, a Televisão e os Jornais oferecem catadupas de trivialidades e de compensações emocionais.

 

Não me venham com a treta de ser este um processo de aumentar, ou afirmar, a auto-estima dos «tugaleses»!

 

Porque se confunde auto-estima e orgulho com fanfarronice, e a propaganda política e os políticos espalham profusamente o vírus da bazófia e da estupidez mascarada de arrogância, não admira que os vícios de linguagem, os erros gramaticais, os disparates de pretensas metáforas, os estrangeirismos despropositados sejam usados por tanto sapateiro que quer subir acima da chinela, por impostores politiconeiros, que não pretendem mais do que confundir a mente de uma população  transformada em massa ou em chusma.

 

O eufemismo, a metáfora, e os estrangeirismos cosméticos são conveniente e abusivamente utilizados por aqueles que mais preocupados estão em esconder a realidade, em mentir como se jurassem verdades sagradas, em confundir o espírito e a razão de quem pretendem dominar e controlar.

 

Os jornalistas e os jornalistas-escritores demitiram-se, uns por incompetência, outros por conveniência, da responsabilidade que lhes cabe na crítica à perversão da linguagem e da Língua.

 

A ânsia de manipular os cidadãos; os eleitores; os consumidores, os adeptos, enfim, as populações, leva a trupe de medíocres e impostores, que abunda na política e nos media, a empregar palavras e expressões que não se usam para traduzir o que realmente expressam.

 

Atrasos de vida” na Língua Portuguesa, julgam-se «modernos» ao usar e abusar de certos termos e feias asneiras!

O «também», o «claramente», o «aprofundamento», o «justamente», o «seguramente», o «transversal», o «fragilizar», o «agressivo»; e «democracia» pràqui e «liberdade» pràcola usadas a torto e a direito, de uma forma inflacionária, acabam por perder o seu significado.

 

E de tanto repetirem os disparates, essa trupe vulgar a querer fazer-se passar por erudita!

 

Salvaguardando o respeito que alguns (poucos e raros) jornalistas merecem, alguém dizia (António Guerreiro):

 

- “Jornalistas e políticos, ou melhor, políticos e pessoas que escrevem em Jornais (e falam na Rádio e na Televisão, acrescento) pertencem à mesma classe, funcionam segundo a mesma lógica e falam a mesma linguagem”.

 

Camões virá um dia na onda de nevoeiro do D. Sebastião, e reescreverá “OS LUSÍADAS” em “PORTUGENGLISH”!

 

M., sete de Fevereiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

06
Fev19

Ocasionais

ocasionais

 

 “Lançamento”

 

A escrita é para os escritores, especialmente para os que escrevem à mão, à máquina ou ao computador com aquela certeza absoluta da sua patente, elevada, de melhores, não, únicos, pintores e testemunhas da SUA TERRA!

 

Para os curiosos e veneradores como eu, os que gostam de escrever, só lhes resta reconhecer a divindade intelectual dessa estirpe, aliás, muito na moda aqui pelos meus lados (e mais na moda lá para baixo!...) onde, quase semanalmente, se «lançam» uns aos outros, em festivaizinhos de coca-cola e pastéis de nata, nos salões da moda, com as palmas da dúzia e meia de acólitos reproduzidas pelos altifalantes (ou alto-falantes, como queiram!) dando a entender que é uma multidão de leitores e de admiradores, ou de leitores-admiradores, que está presente, faminta, empolgada, quase a engaliar-se para obter um livrinho com dedicatória do artista que tem o nome na capa do livro «lançado»!

 

E é tal a abundância e a especialização do «lançamento» de livros que nem me admira se dentro em breve fizer parte das modalidades olímpicas, onde os mínimos serão obtidos pela aparição dos seus autores e das suas capas em alguns dos Programas mais «foleiros» das Televisões; ouvidos soberbos elogios, nas Rádios «líderes de audiência» (como tanto gostam de se citar a si mesmas, todas elas!); ter-se saído da boca desses escritores, e pela milésima vez, a palavra «desafio»!

 

E como «desafio» e «lançamento» andam pegados, não há radialista que se prese, impante com a «carteira de jornalista», como se isso fosse um atestado de exuberante gordura de conhecimento e de sabedoria, nem comentador avençado de qualquer meio de comunicação, a que os mais «eruditos», com ares de sumo-sacerdotes da Cultura, da Língua e da Gramática tratam (imbecil, idiótica e teimosamente, tal como com a mesma estupidez boçal atiram com o «réiguebi».Vá lá! Que o presidencial «inconseguimento», de uma serigaita de Valpassos, não pegou!...) por «MÍDIA», babando-se todos com a petulância de servilismo anglófilo e sem se darem conta da sua imbecil e inaceitável ignorância de uma Língua dita  (cá para mim, falsamente) morta, mas a quem devem três das Línguas mais faladas no mundo, que não substituam as considerações dos treinadores de Futebol, acerca do jogo que vai realizar-se hoje ou amanhã, por «lançamento» do Jogo X!

 

Agora, existem academias e professores para todas as artes, ciências e ofícios.

 

Até para a «escrita criativa»!

 

Ah! Mas ainda não vi nem li que houvesse professores, «trainers», «coaches» de poetas!

 

Os escritores são uma espécie em vias de extensão!

 

Antes, alguns escritores eram jornalistas.

 

Agora, todos os jornalistas são escritores.

 

E a estes há que ajuntar todos os «pimbas», «bimbos» e «figurões e figuronas públicos» que sarrabiscam umas folhas de papel em branco ou tamborilam as teclas de um computador, e, sob a protecção de «capos» politiconeiros têm garantido o «lançamento» da sua «obra»!...

 

Depois, organizam espectaculares «lançamentos» do seu «mais recente trabalho», numa chula de insinuadas cumplicidades e num vira de «ora agora gabas-me tu, ora agora gabo-te eu»  -  «e lá ficamos babados de gabados ora tu mais eu»!

 

E os candidatos ao “Prémio Camões” ou ao de Circo ou “Círculo” de Leitores, na forja, ou em banho-maria, treinam a sua arquitectura sintática, na Rádio, na Televisão, nos Jornais, Revistas e panfletos, numa competição entre si feroz, a ver qual aquele que mais vezes usa a praga das “adverbialices”; os estrangeirismos mais balofos; o aportuguesamento mais repenicado de um termo hispano, franco, ou anglo-saxónico; ou a palavrita rapiouqueira de um idiota erudito brasilense, convencidos de serem originais! Para alimentar a bacoca pedantice corporativista e disfarçar a ignorância e incompetência gramatical, servem-se (mal) de línguas estrangeiras, insinuando uma originalidade de discurso que não possuem (então os nossos «paineleiros» televisivos, tão preocupados em fazer figura sonora com palavras que pareçam raras ou chiques, seja qual for o significado!)!

 

Mal começo a ouvir, ou a ler, nas Televisões e nas Rádios, ou nos livros e nos Jornais, a praga dos modismos «na moda», mudo logo de canal, de frequência, ou, mesmo até, desligo a TV ou a Rádio, e, ou, abandono o livro, o jornal, a revista   -   nestes, chego mesmo a riscar a palavra ou a expressão de bolorenta pedantice!

 

(Ah! E o prazer de usar e abusar do «lançamento » é tão tentador, por até se derreter no céu da boca e provocar desmaios de intelectual gozo aos nossos jornalistas, repórteres e tantinhos escrivetas e alguns escritores, que até a ida de um Primeiro-Ministro a Trás-os-Montes é relevada com o grande feito, não de um «lançamento», mas da “assinatura do «lançamento» de um «projecto»! 

Vejam só: para além do «lançamento» da linha lateral, CLARAMENTE, pelo jogador da equipa do técnico que, CLARAMENTE, comanda o emblema da segunda circular, aliás, deixou, CLARAMENTE, para o colega da camisa trinta e três, que, CLARAMENTE, VAI FAZER um «lançamento» longo»; agora até uma assinatura é dita como «lançamento»! Como devem andar inchados os «chefes de Redacção» dos nossos media  - o mesmo que meios de comunicação!).

 

Num século (XX, e prolongado para o século XXI) de confusas e frágeis ideologias e de revoluções tão pantomineiras e sempre hipocritamente ditas «populares» e «democráticas», os escritores engajados são dados a conhecer, quer em abundantes publicações patrocinadas pelos órgãos do poder instituído, quer pelos comités partidários, quer com publicitados prémios do cardápio propagandístico  do poder e dos poderosos do «arco da governação», quer, ainda, por «lobbies» de qualquer género ou seita, ou até mesmo com a inclusão das suas biografias  e escritos nos programas escolares, sejam estes de que nível forem!

 

E, como se esta calamidade não bastasse para ir dando cabo da Língua Portuguesa, outra maleita anda por aí espalhada: tradutores, que mal conhecem o “Português”, a usar e a abusar desses modismos descartáveis e a atropelarem o significado das palavras!  

 

Merkel e Macron «enterraram» o eixo Paris-Berlim no ano passado, escreviam os nossos jornalistas.

 

Agora, os nossos jornalistas escrevem que “Merkel e Macron querem «reLANÇAR»”, que é como quem diz fazer o re-lançamento, do “eixo Paris-Berlim”!

 

Ora cá está mais uma vantagem do «lançamento»: um significado mais sonante para «desenterrar»!

 

Assim, a economia não se activa   -   relança-se; os livros não se apresentam   -  lançam-se; os mortos não se enterram   -  lançam-se ao buraco!

 

E só me falta ver o «lançamento» substituído pelos tiques  de pseudo-intelectuais  que, esgadunhando-se todo para se fazerem notados, sabendo que nada têm de notável, metem, a torto e a direito, a palavrita ou a expressão que apanharam nas lixeiras do estuário do Tamisa, e vêm para cá exibi-las como pérolas apanhadas por grandes pescadores, lá para os lados das Ilhas Afortunadas: o «Fest»; o «chococooking»; o «workshop»; o «stalking»; o «Scouting»; o “Politics of Survival” (na Canelha das Longras, ou na Betesga do Olho, p. ex.), e outras que tais, desde que lhes provoquem uma torrente de baba de esverdeada pedantice, pela beiça abaixo!

 

E já nem falo da enxurrada de «adverbialices» e dos «bordões da linguagem» em que aflitivamente se amparam os presunçosos jornalistas a quem o certificado de matrícula bastou para que lhe fosse passado cartão e carta de jornalisteiros!

 

Contrariando a vontade ao meu gosto de juntar umas letras, construir umas frases, combinar sujeitos e predicados, sem vírgulas, e ajuntar-lhes alguns complementos directos, indirectos e circunstanciais, como cobertura de algumas proposições e notas, não tanto musicais, mas ainda assim «breves» de ironia ou bom humor e semi-fusas de saudades da NOSSA TERRA, vou dar ouvidos ao canto de Kant, quando ele me critica a Razão, e ficar por aqui no meu canto, tocando harpa ou flauta de Pã adormecendo as minhas emoções!

 

Não me apetece, nem tenho pachorra para tirar um “curso de lançamento dos meus livros!

 

M., dois de Fevereiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

16
Jan19

Ocasionais

ocasionais

 

“A vida tem destas coisas!”

 

 

*Nunca somos tão infelizes como cremos,

nem tão felizes como ansiávamos*.

- La Rochefoucauld

 

 

Em criança, nos dias que vivi lá pelas minhas Aldeias Trans-visimontanas, ouvia com frequência esta expressão: - A vida tem destas coisas!

 

Uma geada , que queimasse o renovo; uma queda de granizo (de «pedra», usava-se), que rachasse as uvas e as videiras, lá pelo Santiago; o coice de uma mula, que mandasse alguém para o hospital; a turra de um carneiro, que partisse o braço de uma criança (mesmo que ela estivesse a tocar uma «corneta de S. Caetano»!), para dar trabalho ao Garcia; a notícia do decesso de um parente de um vizinho, lá no Brasil; o par de namorados que, contrariando a vontade da mãe de um e do pai de outro, fugia de casa, para fazer o ninho; tudo isto, e tanto outro, parecido ou semelhante, interpretado, transmitido, contado, meditado, fazia sair do peito e da boca das mulheres desse tempo um «amén», de final de discurso … ou de secreta oração: - “A vida tem destas coisas!”.

 

Era a confissão de uma resignação, com se a vida tivesse de ser vivida no seio de um vendaval de fatalidades, de desgostos, de tragédias.

 

Como se até apanhar sol fosse crime ou pecado!

 

Os sinos só serviam para tocar a rebate, para um incêndio, para um sermão, para ladainhas a santos e virgens, para preces choramingas a filhos legítimos e a filhos zorros de um «pai do céu» que nem sabe onde os filhos da Terra penduram o pote! E para dar ao coveiro o sinal de partida para ir comprar um garrafão de vinho à taberna da Aldeia!

 

Modernamente, os sinos fazem tocar o badalo para «dar horas»: inteiras, meias e os «quartos»!

 

Mas Auschwitz e Hiroshima transformaram o mundo.

 

O “Maio de 68” e “Woodstock” roubaram o mel à Lua e inundaram a Terra com leite … da cabra que amamentou Zeus!

 

E o tema de um filme, ainda a preto-e-branco, que vi na minha juventude, também me recorda a dimensão, a surpresa e o despertar que o homem pode ter: “Um homem tem três metros de altura”  -  tradução à portuguesa de “Edge of the City”.

 

Três naipes do jogo da nossa vida, da minha e da vossa, a dizer-nos como um quarto naipe   -     um terno, uma dama, uma quadra   -   poderia ditar-nos uma sorte diferente nas relações com o Outro    -   familiares, profissionais, de amizade, de amor.

 

Não vai há muito, cinquenta anos depois da promessa de um sacho no ar ter deitado por terra a promessa de um amor mais lindo que o luar de Agosto das Aldeias flavienses, o pretendente e o ascendente da cachopa flor de carqueja encontraram-se numa pequenina festa, lá na freguesia.

 

Na sombra e no segredo da barulheira e da distracção da gente reinadora, os dois abraçaram-se com discrição. O tempo, o trato de um e as notícias de outro fizeram ver ao ascendente que ao escolher a sena de paus perdeu o valete de ouros como trunfo   -   o pretendente segredou-lhe:

- Eu gostava mesmo da sua filha!

- O ascendente, sorrindo com amargura, puxou, do bolso, por um lenço; enxugou as lágrimas. E, pegando no braço do pretendente, com a força que os anos acima dos noventa e a fraqueza da doença lhe permitiu, murmurou:

            - Eu sei! Eu sei! Eu soube! Eu soube!

                         A vida tem destas coisas!

 

M., catorze de Janeiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

05
Jan19

Ocasionais

ocasionais

 

“14º Aniversário do Blogue CHAVES”

 

 

“Qui touisiours prent et rien ne donne

L’amour de l’ami abandone”

- provérbio francês do séc. XVIII-

               

 

Está mais que visto: os visitantes e os leitores do Blogue “CHAVES”, não gostam mesmo nada do que eu nele escreva, seja contos, seja crónicas, seja comentários, seja loas a amigos e à NOSSA TERRA, seja ao BLOGUE.

 

Há já muito deveria ter ficado «manso e quéto» aqui no meu cantinho.

Mas….

 

Por mais que queira não querer meter o bedelho neste Blogue (pelo que me anda a constar, ele até, feito por quem é, não pertence a quem o faz e o ajuda a fazer, mas, isso sim, a quem dele se serve para  alimentar os seus odiozinhos, frustrações, sentimentos de culpa e de inferioridade, as suas torrentes de imbecilidade e, principalmente,  o seu mar de mal de inveja!), acabo sempre por me deixar levar pelas vagas das emoções e pelas ondas dos sentimentos que, mal “aibro” a porta do Blogue, tomam conta de mim.

 

Em Dia de Aniversário, não posso faltar com a minha palavra. E assim vos confesso que  na descoberta e no usufruto do Blogue “CHAVES”, encontrei uma nova “identificação como fraternização”, um novo laço com conterrâneos e flavienses, naturais ou por adoção, um gosto especial  -   uma afeição é o que o «gôsto» significa   -  por um punhado de rapaziada da MINHA (NOSSA) TERRA que, especialmente com o Blogue “CHAVES” e seu autor, Fernando DC Ribeiro,  «descobri» (e continuo a descobrir).

 

São homens e mulheres, rapazes e raparigas a fazerem-me acreditar na libertação da MINHA (NOSSA) TERRA, na recuperação e alargamento da sua Autonomia.

 

Tem-me faltado jeito e forças para ser mais demolidor no combate contra o exército de cretinos, incompetentes, pedantes, imbecis e idiotas que têm administrado a NORMANDIA TAMEGANA, e substituí-los, DE VEZ, por gente honrada, competente, leal e justa, íntegra  e empenhada, entre a qual conto o «punhado de rapaziada» referido.

 

Na NET, e com os sinais do Blogue “CHAVES”, os caminhos que encontrei não foram os «caminhos do bosque», caminhos sem saída.

 

Bem sabemos (bem sei eu, e mais e  melhor sabeis vós!) que os Blogues nascem como cogumelos em dias de chuva outonais.

 

Mas, por mais «noβidade» que sejam e nos atraiam a atenção, há sempre uns que vão passados, ficam mais habituais, para a coluna de «Favoritos».

 

Estranho (até nem estranho!) a gosmice de muitos visitantes (a gosmice de habituais, normando–tameganos, diferenciando aqueles visitantes que até, provavelmente, nunca atravessaram fronteiras para entrar em Portugal ou em Trás-os-Montes!) deste  e de outros Blogues «patriotas» (isto é, empenhados em «falar» do torrão natal) nunca «abrirem a boca», permanecerem «de bico calado» toda a vida, desfrutando do bom que um Blogue desses lhes dá, diária ou periodicamente, e se mantêm calados «que nem um rato», sem a coragem ou a nobreza de deixar um comentário ou até só um «Obrigado» a quem lhes dá um gosto na vida!

 

Alguém me disse, um dia: - “Os flavienses desconfiam de quem os estima e são uns crédulos, uns «patos-bravos», para aqueles que os engrampam!”.

 

Sempre, e quando, colaboradores do Blogue “CHAVES”, e mesmo até autores de outros Blogues da NOSSA TERRA, louvam as belezas e grandezas das NOSSAS ALDEIAS, não o fazem por estar contra o Progresso. Insurgem-se, isso sim, contra as carências, o abandono e a desconsideração a que, em nome do dito Progresso, figuras e figurões responsáveis pela administração pública as condenam. A perda do quinhão que cada homem tem de ruralidade (quem não tem dela raízes?!) condu-lo à desumanização.

 

Hoje, primeiro quartel do século XXI, quando a maioria dos naturais de qualquer um das nossas ALDEIAS é gente estudada, viajada, cosmopolita, que até fala «lulo-dilmês brasileiroca», «fracês e franciú», inglês  «oxfordbridgês» e «lusês», e outras «linguices» cheiinhas de modismos descartáveis, adverbialices de enjoativa pedantice a insinuarem uma  soberba sapiência mesmo assim a disfarçar tão mal a sua vergonhosa ignorância e suprema mediocridade, raros, raríssimos ou nenhuns, mesmo consolados por encontrar neste Blogue a generosa e gratuita oferta de um respeito histórico e de um louvor público pela terra onde nasceram, muito estranho que, assinaladas as suas visitas aos Post(ai)s aqui editados, não deixem nunca uma palavra a traduzir o que lhes vai na alma, de lembrança, de recordação, de gosto ou de desgosto, de saudade ou de voto: - “Temos pressa na vingança, ao passo que mandriamos a pagar outros tipos de dívida  -   e principalmente as dívidas de gratidão”!

 

“Fado, Futebol e Fátima” era a sina dos portugueses, de há cinquenta anos para trás!

 

Futebol, Fátima e «ph»ulhiticonice é o fado a quem entregam o destino!

 

A Memória, o Respeito, a Veneração, a Identidade, a Saudade, hoje, não contam para os cavaleiros do efémero.

 

Claro que muitos dos visitantes, deste e de outros Blogues, são «inimigos» do(s) autore(s). E, por aqui, ou por lá, aparecem «à coca» de um erro acidental ou de uma notícia que não lhes agrade, ou convenha, para se mostrarem assombradamente escandalizados e ir para as suas tertúlias «dar à língua», com aquele ar de fanfarrão cobardola.

 

Está visto: - “A mediocridade não tolera excepções ilustres”.

 

As velas [14] para o BOLO de Aniversário ofereço-as eu, e por mim abençoadas para que protejam o BLOGUE “CHAVES” e o seu autor, de todos os maus espíritos, durante todo o ano.

 

E invocarei a Zeus e aos deuses egípcios que concedam ao autor do Blogue o poder muito especial do número catorze!

 

Do discurso aspasiano, seja-me permitido derivar o meu: - no Blogue “CHAVES” e nos Blogues DE CHAVES «combateremos contra flavienses para a defesa dos Flavienses, e contra os politicastras, e “Bárbarospoliticoneiros partidocratas ou apalancados no “Paço do Duque”, em Belém e S. Bento, para defesa da NORMANDIA TAMEGANA inteira»!

M., dois de Janeiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

defensor de CHAVES

 

 

06
Dez18

Ocasionais

ocasionais

 

Maryprosa”

 

 

“Dêem-me mandrágora a beber

para que possa dormir

 durante todo este tempo

em que ....

«a minha Tera natal»

estã ausente”.

-paráfrase- LF

 

 

**Lá fui por aí acima com a minha cara-metade.

 

Conheço a Régua, Pinhão, Alijó e Favaios do Moscatel, Moncorvo, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro, Bragança, Mirandela, Macedo de Cavaleiros (e até o Vale da Porca!) e Vila Real.

 

Ainda não tinha visitado CHAVES.

 

Estive perto quando fui a uma Feira do Fumeiro a Montalegre. Valente Feira!

 

Por outra vez, num Dia de “Volta a Portugal”, estive nesta Vila Barrosã, e, com outros amigos, aproveitei para regressar por Sezelhe (Barragem), Paradela do Rio (Barragem), ficar ainda mais deslumbrado com uma Aldeia chamada PONTEIRA, descer até à Ponte da Misarela, virar para trás para a croa da Barragem da Venda Nova e seguir para a de Caniçada, tendo pernoitado no S. Bentinho de Porta Aberta.

 

Já tinha conhecido um OUTEIRO em Bragança; neste roteiro conheci o OUTEIRO de Paradela do Rio.

 

E, «agôra» em CHAVES, topei com três Outeiros: Outeiro Seco, Outeiro Jusão e Outeiro Machado. Falo neles porque, quando no passeio de carro pela margem direita do Tâmega, para montante, além de ter apreciado a veiga numa certa perspectiva, ter dado com os olhos em três ou quatro coisas de que nem quero falar, cheguei a um ponto em que tive de fazer um ângulo recto, à esquerda, para não seguir por um carreiro que já era «terras de Espanha»  - e quando cheguei outra vez a Outeiro Seco tinha passado por uma Vila, um Vilarinho, um Vilarelho e uma Vilela; o segundo, entendi-o melhor quando visitei o “Castro de Curalha” (que coisa maravilhosa! Até coelhos bravos nos vieram saudar! Ou seriam mouras encantadas?!...) – e achei o nome de «Jusão» muito bonito, em vez de «a jusante»; o terceiro, procurei-o por o meu amigo já me ter falado dele: afinal fica num rico vale, no Vale de Anta!

 

Não procurei um quarto Outeiro, o Outeiro Ladrão, com medo de nele ser roubado (bem, isto não é bem verdade: é que me disseram que o ladrão estava morto há muito tempo e que o Outeiro foi arrasado há pouco tempo).

 

Mas, como estava a dizer, fui por aí acima com a minha mulher   -   ó dianho! Tenho de ser moderno, estar na moda e dizer «minha namorada» (bem namorámos desde o 4º ano de Liceu e estamos casados há .... uma «porrada» de anos), que é para dar ares de «prà-frentex»!

 

Uma auto-estrada que podia muito bem ser um lindo miradouro   -  os pedaços de paisagem que se apanham assim o prometem   -   esconde mais do que aquilo que devia deixar ver!

 

Estacionei no “Jardim das Caldas”.

 

Subi a “Rua do Sol” pela sombra que me dava o passeio do lado esquerdo (o dia estava quente). Logo dei com o seu recomendado “João Padeiro”: encomendei-lhe os folares para o dia e hora do regresso.

 

Achei interessante aquele correr de casinhas baixinhas encostadas ao que julgo ser um pano de muralha. Uma viela a começar junto a um quiosque deu-me o palpite de ser entrada para a zona histórica da cidade. Meia dúzia de passadas e um cruzamento com uma rua estreita, breve para a esquerda e mais comprida para a direita. Segui por este lado, e fui dar a um parapeito.

 

Virei à esquerda e cheguei ao fundo da rua que soube ser a Rua Direita.

 

Aí, olhei para perto. Gostei do Lugar, a que disseram chamar-se “O ARRABALDE”. Veio-me à lembrança o seu “Os bearnesbaques do Arrabalde”.

 

Aí, olhei para longe. E vi uma linda cúpula de uma Igreja, uma montanha com lindos matizes a desenhar uma fronteira com o céu. À distância, pareceu-me ver espreitar a Torre de um Castelo.

 

Subi a Rua Direita. Umas Escadinhas, à esquerda, despertaram-me curiosidade. Mais acima deparei com um pequeno Largo onde está a Igreja Matriz e um edifício com interessante arquitectura.

 

Segui ao Rua Direita até ao cimo. Deu para uma descida a começar com um Largo ou pequena praceta. Disseram-me ser  “O Largo do Anjo”. Mas a estátua era a de um padreco!

 

Procurei a “Casa dos Pastéis”.

 

Afinal, ali, à mão de semear, ou seja, de dar ao dente, havia quatro Pastelarias de “Pastéis de CHAVES”!

 

Antes de almoço (a hora aproximava-se) provar quatro “Pastéis de CHAVES” pareceu-me demasiado.

 

Fui à “Loja dos Prazeres”.

 

Provei um. Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Desci uma rampita de zinco, e, ao balcão, pedi um “Pastel de Chaves”. Quentinho, avisaram-me para ter cuidado com a dentada.

 

Soprei-lhe de mansinho, convencido que ninguém daria conta. Pelo canto do olho reparei que alguém, na mesa da entrada, sorria.

 

Fiquei com vontade de outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Atravessei o Largo e segui pela Rua “1º de Dezembro”, larga, bonita, ao fundo da qual se adivinha um Jardim.

 

Entrei na alcova da “Princesa” e pedi-Lhe um “Pastel de Chaves”.

 

Não é todos os dias que se vê e se fala com uma princesa. E quando tal acontece, quem é que não fica derretido?!

 

Dei um primeiro beijinho, alto!, estou a sonhar, uma primeira dentadinha no “Pastel de Chaves” e fiquei derretido: tive a impressão que a princesa,  alto!, estou a sonhar, o Pastel se me derreteu na boca.

 

Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Voltei para trás e fui à procura da “Tia Maria”.

 

Meti pela Rua do “Cândido dos Caçadores e da Feijoada”, virei à esquerda, admirei-me com o Jardim do Castelo e a Torre de Menagem.

 

Não foi preciso muito para acertar com a casa da “Tia Maria”: um cheirinho especial levou-me lá direitinho.

 

Duas senhoritas cheiinhas de simpatia facilitaram-me,  com um daqueles sorrisos que até nos fazem tropeçar, a descida dos degraus de entrada.

 

- Venho conhecer e provar “O Pastel de CHAVES”.

 

Lourinho, quentinho (e nisto eu já estava avisado), foi-me servido com toda a delicadeza.

 

- Cuidado não se lhe queime a língua, disse uma das senhoritas.

 

Estive mesmo para soltar uma gargalhada: encontrei no aviso uma cúmplice duplicidade de intenção.

 

Ainda não o tinha acabado, e já me estava a apetecer logo outro!

 

Até cheguei a julgar que era o primeiro “Pastel de Chaves” que estava a provar!

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Como o Almoço estava aprazado para um Restaurante demasiado longe para ir a pé, voltei à esquina da “Rua do Cândido”, desci umas compridas escaleiras, atravessei um parque de estacionamento, apanhei a sombra das árvores de uma Rua, e, em frente ao “João dos Folares”, bolas!, “João Padeiro”, desci para o “Jardim das Caldas”.

 

Com o meu amigo me tinha falado nas virtudes milagrosas, especialmente digestivas, das Águas de CHAVES, já andava comigo um daqueles copinhos de encaixar, e fui à fonte «proβar», como por lá se «questuma» dizer, as águas.

 

Ai! Que bem me caíram!

 

Meti-me no carro e, graças às novas tecnologias, foi fácil subir até à croa de Stº Amaro e tratar do almoço.

 

O «agente-técnico-de-restauração-e-afins», com toda a cortesia, indicou a mesa. Depois, ao apresentar a carta do Menu, sugeriu que, hoje, tinha um  prato de «vitela guizada com cabaçotes”.

 

Soou-me uma campainha cá no toutiço: “Cabaça”, “Vitela”. “Batatas”!

 

’Stouque” foi ao meu amigo que «ouβi» falar de uma receita assim como muito especial, gulosamente saborosa, deliciosamente gulosa.

 

- Ora isso mesmo!  - disse eu, com certa euforia.

 

Nem lhe digo, nem lhe conto: foi cá um dos petiscos! E a «pinga» estava a matar! E a sobremesa,  também recomendada pelo «patrão»....!

 

Almoçadinho tão bem e tão regalado como estava, voltei com o carro para o “Jardim das Caldas”.

 

Apanhei uma sombra. E fui beber mais um gole de milagre digestivo.

 

Metendo conversa com um peregrino, comentando o milagre com que eu já tinha sido abençoado antes de almoço, e as belezas deste “Jardim das Caldas”, corrigiu-me, num galego-transmontano, que, sendo ele um frequente visitante desta cidade, sabia que o Jardim se chamava “Jardim do Tabulado” e não “das Caldas”!

 

E recomendou-me, se por acaso eu quisesse ter mais um motivo de diversão nesta visita, que reparasse no nome das Ruas, vielas, avenidas ... e canelhas!

 

Aqui, fiquei como numa “estrada sem saída” (é o que dá ter nascido e crescido uma floresta de cimento armado!).

 

Fui para o Hotel esconder-me da caloraça, dormir uma sesta.

 

Depois da sesta, e para abrir apetite para o Jantar, fui de carro pela ponte de S. Roque, estacionei perto da antiga Estação e dei uma volta por aquelas redondezas. Vi o Estádio do “Depor”, apreciei as muralhas que protegiam a “Srª das Brotas”, descobri a “Panificadora do Nadir” e o «cañon» por onde outrora circulava o comboio.

 

O Monumento aos Mortos da I G.G.  achei-o com muita dignidade   -   um importante e significativo testemunho de reconhecimento dos Flavienses.

 

Chegada a «hora da janta», fui regalar-me, mais a minha namorada, ‘stá claro, a um dos mais famosos Restaurantes da cidade. Antes de sair para um passeio pela Ponte de Trajano e pela margem do Tâmega, compus-me com um  traguinho abonadinho (repetido) de geropiga!...

 

Caro amigo, assim foi o nosso, o meu e o da minha (faço por não me esquecer da modernicice, claro!) namorada, primeiro dia da conquista de CHAVES.

 

E, com este balanço, fizemos as expedições dos curtos dias de férias que fomos passar à sua «terrinha natal», e, no final, quem acabou por ficar conquistado foram estes dois, bem levados na sua cantiga!

 

Já lhe deixei umas referências a algumas expedições dos dias seguintes. Para a próxima, conto-lhe o resto.

 

Mas lá que CHAVES é um verdadeiro campo minado de tentações, de surpresas e de admirações, ai lá isso é! **

 

Num dos passeios pela fresca, na avenida junto ao mar de uma praia da Costa Verde, dei de frente com este casal, com que tinha feito amizade há ainda pouco tempo.

 

Como não podia deixar de ser, falara-lhe da NOSSA TERRA.

 

Hoje, depois das protocolares cortesias, convidaram-me para um refresco numa das esplanadas à beira-mar.

 

A dado momento, o meu amigo, a quem notei um entusiasmo de quem vai fazer uma surpresa agradável ou dar uma boa notícia, perguntou-me se eu tenho ido «à terrinha». E antes de eu lhe responder, atirou:

 

- Sabe....

 

E começou e acabou o discurso que acabo de vos dar a ler.

 

M., nove de Setembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

29
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

“Jogadas!”

 

 

Acabei de ouvir que  «inBejosos» das façanhas de «outros», que deram cabo da nossa «cidade», «estes» se desdunham raivosamente para estourar uma “pipa de massa” ao «dar cabo» do “Jardim do Bacalhau”!

 

Como se CHAVES, o Concelho, não tivesse muitas mais prioridades a justificarem a parangona da «requalificação»: as estradas e caminhos municipais estão desgraçadamente  desconsiderados com a falta de manutenção e de adequada sinalização vertical e horizontal; o Ribelas, onde outrora  brincavam escalos e bogas,  continua a ser um nojento e fedorento canal de esgoto, a contribuir para as náuseas que a fonte pública das “CALDAS” provoca logo à mais pequena cheia do Tâmega; o Castro de Curalha a reclamar a dignidade a que tem direito, com acessos, cuidados, adornos e protecção que a História e o orgulho da ALDEIA, da FREGUESIA, da Região merecem; o acesso, cómodo e seguro, à SRª DO ENGARANHO; a celebração tradicional e prestigiada da Srª das BROTAS; a restauração, o asseio e a protecção de “OUTEIRO MACHADO; o respeito pelo Solar dos Montalvões; o fim das vergonhosas lixeiras e poluição de OUTEIRO SECO; e a «requalificação» (como me delicio quando valdevinos se saem com esta para encobrir certas «jogadas»!) desta RIBEIRA de SAMPAIO, e de todas as Ribeiras de CHAVES!

 

CHAVES só tem tido homens pequeninos e superficiais a administrá-la! Cuidaram e realizaram (e continuam a cuidar e a realizar) somente simples fantasias, e descuidaram (e continam a descuidar), e, ou, foram (e são) incapazes de realizar aquilo que era, e é, mais adequado e correspondente com as necessidades da época!

 

Tal como os anteriores, os administradores de hoje demitiram-se de lutar pela instalação, aumento e melhoramento de Instituições de ingente importância para os Flavienses.

 

OS de agora enchem a boca com as «requalificações».

 

E sublinham essa nova cruzada de obras pantomineiras, salientando a «Requalificação» do “Jardim do Bacalhau”!

 

Os marmanjolas da politiquice de CHAVES preparam-se para as Eleições autárquicas distribuindo uns panfletos com arrumadinhos itens, a que chamam Programa eleitoral.

 

Apanhados lá no lugarzito da sua suprema e besuntada vaidade, apressam-se, mesmo aos tropeções, a adaptar as suas «promessas eleiçoeiras» a poucos legítimos proveitos  e a demasiados e incontáveis interesses íntimos, secretos, inconfessados e, ou, inconfessáveis.

 

E, com essa jogada magistral, conseguem manter a lorpice dos sempiternamente distraídos e convencidos flavienses.

 

Esses políticos «da Veiga e da Montanha ….  e do rai’que os parta», que têm andado por aí a estragar a “cidade”, entendem o mundo flaviense como um mecanismo.

 

Contesto-os porque entendo esse mundo   -   e todo o mundo de homens   -   como um organismo.

 

Diferencia-me dessa gente a sensibilidade e a contemplação, e o esforço de compreensão.

 

Àbaris nos acuda, e, tal como o fez com Esparta, nos liberte da peste política que tomou conta de CHAVES!

 

A vitória numas eleições autárquicas está longe de se assemelhar a uma vitótia nas Batalhas de Cannas ou de Zama; de Alesia ou de Farsalia; de  Austerlitz ou de Waterloo; de Berlim; de Ðiện Biên Phủ;  de Ourique, de Aljubarrota, de Alcácer-Quibir, ou de Montes Claros.

 

Porém, a exclamação que ficaria bem, e realmente honraria esses cabotinos polichinelos políticos, de CHAVES, e se com ela significassem um juramento sagrado, bem poderia ser, inspirada em Goethe, na Batalha de Valmy:

- “Aqui e hoje, inicia-se uma nova época  da História de CHAVES, e vós, FLAVIENSES, podereis dizer que estivestes presentes”!!!

 

Os novos gurus da política flaviense tomaram assento no Paço do Duque por terem peregrinado por todos os lugares santos da NOSSA TERRA, proclamando decretos do novo destino Flaviense com mais santidade e muito mais certeza do que os proclamados» pelas pitonisas de Pito.

 

A sua eleição depressa a comemoraram bebendo àgua do Rio do Esquecimento!

 

Os «Heróis de CHAVES” estão, ora, a ser substituídos por «heróis de penacho»!

 

E se a essa gentinha, disposta a estourar com uma pipa de massa em caprichozinhos de quem faz de umas «merdices» o ponto «h» (ou ponto «g») dos seus orgasmos políticos ou bestiais, nada lhes fizer arrepiar caminho, o responso pode prolongar-se por tanto tempo quanto o necessário para lhes dar na tromba com um «gato morto até este miar»!

 

M., três de Novembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

24
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

*Telélés, popós e sol-e-dós*

 

Houve tempo em que os Telefones só eram usados para actividades profissionais e casos de urgência.

 

Agora, são pretexto para entretenimento, para intrusão, atrevida e, ou, abusiva, na vida alheia, e como pressuposto adereço de um estrato social com que se sonha e nunca se alcança!

 

O Telefone   -   que diabo! Hoje até já é raro  dizer, ou ouvir dizer, telefone: o telemóvel passou-lhe a perna ao primitivo significado!    -   o telefone, perdão, o telemóvel transformou-nos a todos num alvo fácil, demasiado fácil, de atingir, estejamos nós a dormir ou acordados; na rua, no Café; no automóvel, no comboio, no barco, no avião; no escritório, no armazém, na oficina; no consultório médico ou no do advogado; no Parlamento ou na Biblioteca Municipal; num funeral ou numa missa campal; no quarto de banho, no quarto de dormir  ou --- no quarto de sentinela, em prisão ou em liberdade, enfim!

 

O «telélé» veio aumentar a promiscuidade (então as auto-estradas digitais!...).

 

Apetrechado cada vez mais com inimagináveis funções, o «telélé» tem crescido tanto na sua aceitação e multiplicando-se tanto nas soluções e vantagens da sua aplicação que nele se pode ver, ouvir e apalpar (tocar) o cumprimento da ordem divina do «crescei e multiplicai-vos»! Já se lhe contam quantas gerações?!......

 

Depressa os gramáticos farão um congresso mundial para decretarem o nome «telemóvel» (claro, os «brasucas», e outros anglófobos, vão reivindicar «celular») como substantivo colectivo, eh! eh! eh!

 

O automóvel, o «pópó», por cá, pelo «Puto», ainda funciona como uma expressão cultural. Mas o «telélé»já o ultrapassou no peso e na importância desse desiderato!

 

O telemóvel; o «pópó», o direito à greve, à liberdade de expressão, à «Igualdade»; a “profissão e a gravidez de risco”; o «salário mínimo» com rendimento máximo; os «direitos», agarrados ao peito com ambas as mãos, e os «deveres» deitados ao calhas para trás das costas acabaram de vez com o viver modesto de um viver a sério uma vida séria e com pensamentos elevados!

 

Há dias, Luís dos Anjos, na simplicidade das suas “Vivências”, deu aqui um ligeiro retrato do impacto do telélé no modelo de convivência familiar.

 

Quando, há umas boas dezenas de anos atrás, víamos fotografias de cantores-pimba, rapazotes enfatuados, ou candidatos a intelectuais de qualquer burgo, ou «parvalheira», em que faziam há-de conta estar a falar com alguém ao telefone preto, como se isso mostrasse a elevado grau da sua importância (sem fundamento definido) e, ou, a transcendência das suas invisíveis, mas insinuadas, virtudes, mas apenas importância, toda a gente estava longe de imaginar o vício desse tique de estar constantemente agarrado ao telefone, agora móvel (e, por isso, se dizer «telemóvel») ficarà mão, às falanges, falanginhas e falangetas; ao olhar, com o pescoço curvado para baixo, de uma maioria que mal deixa vislumbrar a excepção que confirme a regra!

 

Perturba-me ver muitidões heterogéneas de turistas, no PORTO ou em CHAVES e noutras cidades e lugares de visita cheios de interesse histórico, arquitectónico, paisagístico, apreciarem essas belezas através da câmara fotográfica do seu «telélé» em vez de admirarem esses encantos com os próprios olhos!

 

Para a ansiedade provocada pela falta do telemóvel (esquecido algures), menos do que espear pelo ««triim» do sinal de chamada e mais pela oportunidade de usar as multi-aplicações, tão queridas aos paladares emocionais tão consoladores de um ego viciado, até já foi inventado um nome: “nomofobia”   -  medo irracional de estar (andar) sem telemóvel   -  termo resultante do  acrónimo do termo em inglês  «No Mobile Phone Phobia».

 

Hoje, até parece que a companhia física de um amigo é bem dispensável: o calor humano está a baixar de temperatura. Mas quando num momento deveras difícil acontecer, dar-se-á conta da desvantagem no investimento errado de não se ter um ombro amigo em que se apoiar, um peito amigo onde chorar, uma abraço amigo de conforto e protecção.

 

A voz metálica que chegará pelo microfone do telélé não conterá o estímulo e o consolo que a voz do amigo presente tanto vale; o sms do telélé não terá o efeito tonificante das palavras que são ditas olhos nos olhos e com o palpitar dos corações a corresponderem-se tão sublimemente.

 

Afinal, tão preocupados em ter muita companhia através da marcação das teclas do telélé, convencidos de estarmos a mostrar a quem está, a quem passa, ou a quem nos possa ver que temos o mundo a nossos pés a prestar-nos uma inevitável atenção, não damos conta de que, na realidade, estamos sozinhos, numa triste solidão!

 

Está-se a viver a vida mais por uma tela de cristal do que pelo ar que se respira, pela paisagem que nos rodeia, pela palavra que nos é dirigida e pelo gesto com que nos acenam!

 

A necessidade do reconhecimento não é inevitavelmente satisfeita com as ligações, as mensagens, as fotos e os comentários ocos e fúteis trocados com a vulgaridade, a sofreguidão e o empanturramento com que realizam com o «smartphone»!

 

Não será de admirar que de tanta depressão resultem tantas tempestades!...

 

M., dezasseis de Novembro de 201

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

02
Out18

Ocasionais - Flavistéis

 

 

ocasionais

 

 

 

“FLAVISTÉIS”

 

“Que temos nós de comum

com o botão de rosa que estremece

porque uma gota de água

lhe cai em cima”?

Fred.N.

 

 

Ontem passei numa Rua onde reparei num reclame que dizia “Pasteis de CHAVES”.

 

Já nem fui à passadeira: atravessei direitinho para a porta com o dito reclame.

 

 Casa asseada. Bem mobiliada e com ar condicionado: era hora de calor num dia quente deste Verão aldrabado.

 

Ao “Que desejam” (eu ia acompanhado por dois meus convidados) respondi:

 

- PASTÉIS DE CHAVES e cerveja.

 

- O agente-técnico-de-restauração-e-similares, solícito, perguntou se queria OS «pastéis de chocolate, de alheira, de bacalhau, de frango, de outras mixórdias, ou de «vitela».

 

Fui aos arames!

Nem dei conta que, de um salto, me levantei da cadeira.

 

- Ouça, amigo! Pedi “PASTÉIS DE CHAVES”!

 

Uma catraia, também agente-técnica-de-restauração–e-similares disse, penso que para o «colega de profissão»:

 

- São «pastéis de vitela»!

 

Apeteceu-me mesmo esganar «ambos os dois».

 

- Meus caros, eu quero “PASTÉIS DE CHAVES”   -  não gritei, mas quase!

 

Os “PASTÉIS DE CHAVES” são mesmo «de» vitela! Não «levam» outras tretas de pedante «inovação», nem de aldrabices, como carne de reco, de boi, de vaca, ou de burro, ou de cachorro nureongi, ou de  carneiro neozelandês!

 

A catraia pediu desculpa com o argumento de ser «nova, no emprego».

 

O agente-técnico-de-restauração-e-similares desculpou-se garantindo que não quis ofender-me.

 

Bem, lá vieram para a mesa os “PASTÉIS DE CHAVES”, depois de eu ter recomendado para virem mais morninhos.

 

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 Pastéis de Chaves (*)

 

AgÔra, os leitores e os flavienses imaginem se alguém pede, por exemplo, «pastéis de Tentúgal» e lhe perguntam se OS querem com carne de gato; se alguém pede, por exemplo, “Pastéis de Vouzela” e lhe perguntam se OS querem de «ovos de ornitorrinco»; se alguém pede, por exemplo, «covilhetes» (dos da “Bila”, os «Vilarrealetes», clarinho!) e lhe perguntam se OS querem de carne de rato; se alguém pede «Ovos Moles» (de Aveiro, claro!) e lhe perguntam se OS querem de Jacaré ou de mamba negra!.....

 

Estou mesmo a ver que, como se não bastasse já Santo Tirso ter-se envergonhado dos seus «Jesuítas» andarem aldrabados por todo o sítio e lado, CHAVES terá de mudar o nome aos seus ricos, deliciosos e retintos “PASTÉIS” para “FLAVISTÉIS”!.....

 

À pala da fama dos “NOSSOS Pastéis”, anda muita gentinha a governar-se servindo uma molengada qualquer a turistas pategos ou inocentes, e estes a sentirem-se regalados com a ilusão de terem papado um (ou mais) “Pastéis de Chaves”!

 

            E ‘inda dizem que “os milhores Pastéis do mundo”, os “PASTÉIS DE CHAVES”,  Já estão “CERTIFICADOS”!!!....

 

Bem mou Finto!!!...

Litoral, dezoito de Julho de 2018

Luís da Granginha

 

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(*) - Não foram estes pastéis (da imagem) que o Luís da Granjinha comeu com os seus amigos. Estes eram (já foram comidos) genuínos, mesmo de Chaves.

12
Set18

Uma de eheheh! ou será ohhhhhhhhhhh!?

1600-(39020)

 

A respeito da foto de ontem que ficou por aqui no blog, do rio, ponte e uma nesga de cidade, da qual fica atrás uma miniatura, caiu um comentário que diz:

 

Não me admiraria se esta fotografia fosse «roubada» para chamariz de um qualquer Sítio «em moda»!....

Luís da Granginha

 

Penso que ninguém atingiu a mensagem deste comentário, mas eu cheguei logo lá, e passo a explicar:

 

O Luís da Granjinha é um amigo nosso, pessoal, do blog e da cidade, que embora viva em Mozelos, está sempre atento à vida diária da cidade de Chaves, quer no que se passa cá, quer lá fora, no que a Chaves diga respeito. Pois acontece que em 23 de julho passado recebo um mail do Luís da Granjinha a dizer: “Amanhã esteja atento ao Correio: nada de especial, apenas uma curiosidade de propaganda.”.  Passados uns dias, penso que foram três (pois já lá vai o bom tempo em que demoraria 1 dia), lá estava a “encomenda” na caixa do correio. Abri e na missiva/pedido que acompanhava a "encomenda" dizia:

Caro Fernando

Numa vidraça dedicada a cartazes e anúncios, aqui em MOZELOS, topei com este cartaz.

Apelo à sua perspicácia para me dizer se esta PONTE é mesmo o ex-libris de FORNOS de ALGODRES.

 

Talvez eu , tão doente de saudade da NOSSA TERRA, ande a ver pedacinhos de CHAVES por todos os cantos e esquinas!

 

Que lhe parece isto?

 

Um abraço

Mozelos, vinte e três de Julho de 2018

 

A acompanhar esta missiva vinha um cartaz com duas dobras, faces brancas viradas para fora. Abri e dei com isto:

 

mozelos-algodres.jpg

 

A minha primeira reação foi: “Eia lá! Também quero ir a este passeio a Fornos de Algodres” mas azar o meu, o passeio já tinha acontecido em 7 de julho. Mas para o próximo ano vou!

 

E meu Caro Luís da Granjinha, nunca cheguei a ter tempo de lhe responder para lhe dizer se esta ponte é mesmo o ex-libris de Fornos de Algodres, mas também não ia adiantar, pois não sei se o é ou não, acontece que nunca lá fui. Mas como conto ir no próximo passeio, depois digo-lhe. Quanto ao andar a ver pedacinhos de Chaves por todos os cantos e esquinas, isso, são mesmo saudades da terrinha, pois embora a imagem de fundo do cartaz seja um pouco parecida com o nosso rio, a nossa ponte e um bocadinho da Madalena, vê-se logo que não é, pois a nossa ponte não é azul, tem tons amarelados/sépia, com grades verdes e os telhados das nossas construções são alaranjados. Pode ficar descansado, que não está doente de saudades, quando muito terá de fazer uma visita ao seu médico dos olhos para lhe rever as lentes dos óculos. Fique descansado que a nossa ponte continua por cá, até lhe deixo uma imagem recente, dela, para ver que é verdade.

 

1600-(49900).jpg

 

Mas com isto tudo, fiquei curioso e estou mortinho para ir a Fornos de Algodres ver a ponte romana azul. Como o meu caro amigo  Luís Fernandes vive em Mozelos, meta aí uma cunha ao Presidente da Junta a ver se me deixa ir de passeio com o pessoal da freguesia. Fico a aguardar uma resposta. Caso positivo, inscreva-me já, não vão os lugares esgotar! Para o efeito envio por correio (esteja atento amanhã à sua caixa de correio, que daqui por 3 ou 4 dias estará aí) uma fotocópia do Cartão de Cidadão.

 

Deixando a conversa séria para trás, vamos agora ao que importa. Se quiser mesmo ir a Fornos de Algodres e pernoitar por lá, nem há com fazer uma pesquisa na net e podemos chegar a este site: http://www.hotelroomsearch.net/city/fornos-portugal onde poderá fazer uma reserva online. Para convencer o pessoal interessado, este site deixa 12 imagens de Fornos de Algodres, uma delas, com a localização no mapa de Portugal, outra um conjunto de um rio, uma ponte e um casario, e as restantes imagens, suponho, serão os quartos que têm lá para alugar… fica um “print” do referido site.

 

fornos de algodres.JPG

 

 

Bem, acho que o melhor é acabar por aqui… E com esta me bou! Com um pedido de desculpas a Fornos de Algodres, pois nada tem a ver com estas estórias…

 

 

25
Mai18

Ocasionais - Cachopas de Chaves

ocasionais

 

                     

CACHOPAS de CHAVES

 

 

“Foi-se o tempo das baladas,

E os Romeus dos nossos dias,

Não sabem das alvoradas,

Nem da voz das cotovias”.

*João Penha*

 

 

Que contente fico quando vejo e leio reportagens, crónicas, versos, contos e cantigas acerca das NOSSAS RAPARIGAS   -   das CACHOPAS de CHAVES!

 

As violetas do Jardim do Bacalhau, as rosas do Jardim das Freiras, as glicínias do caramanchão das Caldas, as hidrângias do Jardim Público ganhavam sempre mais cor quando junto delas passavam e passeavam as « CACHOPAS de CHAVES », muito especialmente quando estas iam «bem acompanhadas»!

 

E as muralhas do Castelo ou dos “Fortes” abalavam enternecidas sempre que, junto delas, CACHOPAS de CHAVES deixavam apaixonados “Alas de Namorados”!

 

O Tabulado, feito Jardim, multiplicava sombras que disfarçavam as tentações do andar e do olhar das NOSSAS CACHOPAS.

 

O Tâmega era mais limpo! E, do brilho das suas águas, podia recolher-se o reflexo dos beijos desejados e o das promessas juradas pelo olhar.

 

“Raios de luz celeste”, até mesmo sem querer, prenderam de amores e de saudade tantos dos “Caçadores” que, em lacrimosas despedidas na “Estação”, deixando para trás a sua Beatriz, seguiam a Linha do Corgo, a Linha do Douro, a Linha do Norte até à Rocha do Conde de Óbidos, para embarcar numa viagem (no Vera Cruz, o Niassa, o Lima, o  Império e o Uíje), sem garantia de regresso, ao Cruzeiro do Sul.

 

Na “Fonte Nova”, numa semínima paragem do comboio para um último adeus, um coro militar fez ecoar na Muralha e na Torre de Menagem:

 

“...

A ti! Ai, a ti só os meus sentidos,

Todos num confundidos,

Sentem, ouvem, respiram; Em ti, por ti deliram,

Em ti a minha sorte,

        A minha vida em ti;

        E quando venha a morte,

        Será morrer por ti!”[i]

 

CACHOPAS de CHAVES: ramo florido de doces Castelãs para “toda a espécie de índoles, de espíritos e de gostos»;  um milagre para cada incredulidade; para cada infortúnio, um bálsamo; para cada idade, seu ramalhete”; e em quem “a fraqueza é graça, e a graça, omnipotência”.

 

E aqueles a  quem coube o dom de as tomar, novos “Galahad” se sentiram, e do céu se tronaram senhores!

 

Minhas lindas CACHOPAS de CHAVES!

 

M., vinte e quatro de Maio de 2018

Luís da Granginha

 

[i]  Para os menos lembrados: da composição “Cinco Sentidos”, in “Folhas Caídas” – A. Garrett.

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