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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Nov19

Vivências

1996

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1996

 

Estamos no último ano da Universidade. Já se passaram cinco anos desde que gritámos “Entrei” ao ver o nosso nome e o nome de um curso nas listas afixadas naquele minúsculo Gabinete Coordenador do Ingresso no Ensino Superior, em Vila Real.

 

Ao longo destes últimos anos muita coisa mudou na nossa vida. Deixámos a cidade que nos viu nascer, ficámos mais longe dos amigos de sempre, mas ganhámos outros que também nos acompanharão pela vida fora. Alargámos horizontes. Assistimos a centenas de aulas - entusiasmantes, algumas, aborrecidas, outras. Adquirimos conhecimentos que nos ajudarão a ser bons profissionais, e outros que rapidamente iremos esquecer e que nem entenderemos nunca por que razão constavam dos programas. Passámos dias inteiros na biblioteca, fotocopiámos sebentas, apontamentos e livros que depois nem lemos, fizemos dezenas de trabalhos de grupo e discutimos por causa de alguns.

 

Aprendemos também muito fora das salas de aula: uma nova cidade, novas rotinas, novas caras, praxes, Queima das Fitas, festas, bons filmes no cinema e, principalmente, muitas horas de conversas, de desabafos, muitas alegrias e algumas tristezas. Crescemos muito, mas o mundo que conhecíamos cresceu ainda mais do que nós.

 

O fim do ano aproxima-se e já nos sentimos com o “canudo” na mão, mas também já sentimos saudades destes tempos que vamos deixar para trás. A tuna canta “Quero ficar sempre estudante”, mas sabemos que não é possível. Segue-se o mundo do trabalho, uma nova etapa, com as suas responsabilidades e as suas exigências. Percorremos os jornais, falamos com professores, vamos a agências de trabalho temporário, ouvimos rumores de estágios aqui ou ali e vamos à procura de informação… Não temos Internet nem sequer um telemóvel na palma da mão, mas não nos falta o entusiasmo nem a vontade firme de agarrar o futuro.

 

  1. A vida de estudante está a chegar ao fim. Apesar das dúvidas, não temos medo. Todos temos a certeza que vamos conseguir, mas não imaginamos onde vamos estar em 2020...

 

Luís dos Anjos

 

 

 

24
Out19

Flavienses por outras terras - Inês Freitas

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Inês Freitas

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à zona de Cascais. Em São Domingos de Rana vamos encontrar a Inês Freitas.

 

Cabeçalho - Inês Freitas - 1024 x 380.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves, mesmo na cidade.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

- Infantário - Jardim Infantil de Chaves (Maria Rita)

- 1º Ciclo - Escola Primária da Estação

- 2º Ciclo - Escola E.B. 2,3 Nadir Afonso

- 3º Ciclo - Escola Secundária Dr. Júlio Martins

- Secundário - Escola Secundária Dr. António Granjo

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Foi em 2006, devido ao facto de ter ido para a Faculdade estudar. Apesar de nessa altura ir a casa todos os fins-de-semana, foi a partir daí que deixei literalmente de viver a tempo inteiro em Chaves, visto que após terminar a Faculdade mudei-me para Lisboa.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Nasci e vivi até aos meus 18 anos em Chaves. Depois, fui para Vila do Conde, onde tirei o meu curso. Depois, segui para Lisboa, onde vivi e trabalhei durante 9 anos passando por vários atelier's e agências de design e inclusive criando o meu próprio espaço. Em 2017 comecei a trabalhar numa agência de publicidade em Oeiras e acabei por me mudar passado pouco tempo para Oeiras por causa da logística. Atualmente vivo em São Domingos de Rana - Cascais.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Tenho imensas! Apesar já ter saído há 13 anos de Chaves parece-me tudo muito próximo. Mas posso destacar o tempo, o tempo que tinha para fazer as coisas e para me deslocar para os sítios. Sair para um local qualquer e saber que tinha sempre lá alguém que conhecia, mesmo sem combinar. O grupo de amigos, as rotinas de um sábado à noite, por exemplo, ou as sextas à noite de cinema, onde era todo um evento em que íamos em grupo ao ponto de ocupar uma fila inteira. Ir almoçar a casa dos avós após as aulas e ao final do dia estarmos todos juntos (pais e irmão) à mesa a contar as peripécias do dia de cada um. As tardes na biblioteca com a malta que metia sempre a meio um croissant com chocolate! Onde já vão as duas... acho que ficava aqui imenso tempo a relatar os meus dias. São essencialmente as pessoas e a vida que se levava.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Para começar sugeria um passeio no caminho pedonal que existe à volta do rio Tâmega. Este passeio, para além de ser muito agradável por toda a sua envolvência, permite passar por pontos fulcrais para quem visita a cidade, como por exemplo o MACNA (Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso), a Ponte Romana, que nem precisa de comentários, as Poldras, que são só para os mais corajosos e, claro, para terminar, ir ao Parque Termal beber um copinho de água e relaxar de toda a caminhada. Não posso deixar de referir o centro histórico onde temos uma arquitetura muito característica com as varandas coloridas, o Museu e a Torre de Menagem, onde ficamos a saber mais da nossa história e de onde podemos usufruir de uma bela vista.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Oh... muitas! Mas sem saudosismos, foi uma fase e uma fase incrível que foi crucial no que sou hoje, tenho noção disso. Acho que a esta resposta posso associar o mesmo que disse nas recordações que tenho, está tudo ligado. Mas são essencialmente as pessoas, tenho a minha família toda em Chaves e é acima de tudo por elas que vou com muita frequência e também claro, pela calma que a cidade me transmite.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Estando em Lisboa já consegui ir uma vez por mês, porque tinha mais flexibilidade no trabalho. Hoje em dia estando mais limitada de dias disponíveis, e visto que ir só de fim-de-semana não é muito compensador, vou de 2 em 2 meses, mais ou menos. Faço uma ginástica para ir em épocas festivas e espaçá-las de forma a equilibrar o calendário.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Mais abertura para coisas novas, embora confesso que me tenho surpreendido nas últimas vezes que tenho ido, sinto que de repente tivemos um boom de novidades a surgir e isso deixa-me realmente contente. Ter mais atividades culturais, mais espaços e atividades, mas lá está, a coisa está realmente a mudar. Mais investimento no Pólo Universitário ia ajudar bastante a cidade em muitos sentidos. Percebo que o futebol seja importante para a cidade, mas para mim a cidade é muito mais que isso e convém não ficar esquecido.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Quem sabe, um dia! Neste momento não me faz sentido mas é sem dúvida algo que não coloco de parte, nem que seja daqui a muitos anos. Mas gostava de deixar bem saliente que Chaves é a minha terapia e se fico muito tempo sem ir, isso tem um efeito descomunal em mim. Saber que tenho sempre esse refúgio ali que me vai acolher deixa-me sem dúvida muito mais serena e feliz. É bom voltar!

 

rua_Inês_S.D.Rana_.png

Fotografia de Inês Freitas

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Mapa - 1024 x 510 (12).png

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Inês Freitas.png

 

 

 

11
Out19

Vivências

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1990

 

Estamos no 12º ano, na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, mas que ainda é conhecida como “Técnica”, consequência da sua longa tradição no ensino técnico, como o comprovam as várias oficinas existentes. Estamos a terminar o secundário e é o segundo ano de existência da famosa PGA (Prova Geral de Acesso) que irá contar para a entrada no Ensino Superior e que todos fazemos, mesmo sem termos certezas quanto ao que vamos decidir no futuro. A prova é de cultura geral. Preparamo-nos para temas da atualidade, como a “Perestroika” de  Mikhail Gorbachev, a CEE, os problemas ecológicos, o mundo em mudança, mas sai-nos José Régio com um texto sobre a importância de saber ler para lá das palavras.

 

Em casa temos apenas a RTP e mais alguns canais espanhóis para ver. Ainda não existem a SIC nem a TVI, mas a maioria de nós (pelo menos na cidade) já tem telefone fixo. À sexta-feira à noite e ao fim de semana é hábito sair e ir até à cidade. Ainda não existem telemóveis nem Facebook, mas tudo se combina com uma tremenda simplicidade (às vezes até com dias de antecedência) e, à hora marcada, mais atraso, menos atraso, a malta aparece no “Espelho”, no “Jennifer’s” ou no “Sétima Arte”… Conversa-se, toma-se um café ou bebe-se um copo, sem toques de telemóveis nem ninguém alheio da conversa a olhar para o smartphone… Daqui, alguns seguem para uma noite mais animada numa discoteca, outros regressam a casa, a pé, com as conversas a continuarem pelo caminho (das Caldas até Santa Cruz são cerca de quatro quilómetros que não assustam). De vez em quando arranja-se uma boleia com alguém mais velho que já tem carro ou que conseguiu convencer o pai a emprestar-lhe o dele.

 

1990.Temos 18 ou 19 anos e começamos a sentir o futuro nas nossas mãos. Muitos de nós sonham com a entrada na Universidade, outros pensam na tropa e na possibilidade de por lá ficarem, outros, já fartos dos livros, pensam apenas em começar a trabalhar… Todos acreditamos que ainda vamos mudar o mundo… (e vamos, mas não da forma como pensávamos). Nenhum de nós imagina onde vai estar em 2020...

 

Luís dos Anjos

 

26
Set19

Flavienses por outras terras - Joaquim Queiroga

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Joaquim Queiroga

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” voltamos à zona de Lisboa, mais concretamente à margem sul. Em Paio Pires, no Seixal, vamos encontrar o Joaquim Queiroga.

 

Cabeçalho - Joaquim Queiroga - 1024 x 380.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nascido e criado na Rua do Tabolado.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei o Externato Infante D. Henrique (Srªs Monteiras) e o Liceu Fernão de Magalhães.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em 1969 fui estudar para Coimbra, de onde regressei em 1974. Em 1981 saí novamente de Chaves e fui viver e trabalhar para Bragança, onde iniciei a minha vida profissional como Oficial de Justiça. Em 1984 fui viver para a Margem Sul, onde ainda resido, trabalhando em diversos Tribunais, em Lisboa, Almada e Moita, até à aposentação. Hoje em dia dedico-me ao associativismo e presido à Associação de Andebol de Setúbal, desde 2013.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os meus tempos de infância no Canto do Rio (vivia ali perto), os banhos na Galinheira e no Canhoto, com os meus muitos amigos Jime, Bibi, Carlos Magalhães, Gusto Serra, Hélder, Rui Carvalho, Tó Kim, e tantos outros. Igualmente recordo os tempos que dediquei aos meus Bombeiros de Cima.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Como não poderia deixar de ser é obrigatório encaminhar os turistas a fazerem visitas aos monumentos históricos da cidade e arredores, e a degustação do Pastéis de Chaves, do folar e do fumeiro. Deveria haver da parte da autarquia um forte investimento na divulgação destes produtos.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Muitas. Da Feira dos Santos, do meu tempo de Escoteiros, de Bombeiros, mas essencialmente dos muitos amigos em geral e dos que já nos deixaram precocemente.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Raramente. Efeitos de uma família pequena e quase toda a viver por outras paragens.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Gostava de ver o movimento comercial que já teve. Porém, infelizmente, os conceitos de comércio tradicional mudaram (pululam centros comerciais), os jovens já não brincam nas ruas, os mais velhos já não frequentam os cafés e as suas tertúlias. Efeitos do progresso? Gostava também de ver resolvido o problema do Museu das Termas de Chaves. Finalmente, mas utópico, gostava de ver a descoberto todas as muralhas de Chaves e o casario edificado sob a Ponte Romana.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sem dúvida. Sinto falta de uma lareira, dos potes, do fumeiro e de um escano.

 

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O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Joaquim Queiroga.png

 

 

 

13
Set19

Vivências

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1982

 

Estamos no 5º ano, naquela que é hoje a Escola E.B. 2,3 Nadir Afonso, mas que naquela altura era apenas conhecida como “Ciclo”. Ainda somos “putos”, mas já vamos a pé para a escola, e somos muitos, vindos dos lados de Santa Cruz e do Bairro da Quintela. Não há passeios nem estradas alcatroadas, mas sim pó, no verão, e lama e charcos de água, no inverno. Mais ou menos a meio caminho, na zona da oficina do “Joaquim das Molas”, para encurtar distâncias, atalhamos por um carreiro pela berma de um campo de cultivo e nem mesmo a falta de iluminação no regresso a casa, já noite nos dias de inverno, nos faz alterar o caminho. Na zona do estádio passamos por uma estrada que já não existe, entre a muralha do Forte de São Neutel e o campo de treinos do “Chaves”. Demoramos cerca de meia hora a caminhar, mas ninguém se queixa…

 

Na escola, quando um professor falta temos um “furo” - não há aulas de substituição - e, então, jogamos à bola num dos campos ou num qualquer outro espaço improvisado. Alguns, mais destemidos (nos quais me incluí também algumas vezes…), saem da escola, percorrem as redondezas e até vão explorar um terreno de mimosas, junto à muralha do Forte de São Francisco, onde constroem cabanas e inventam aventuras… No quiosque, entre o “Ciclo” e a “Técnica”, um Cornetto custa 30$00 (0,15 €…), mas muitas das vezes não temos dinheiro que chegue e acabamos por comprar um Fizz, que custa 15$00, ou um simples gelado de gelo, que custa 7$50…

 

Em casa, na televisão, temos a RTP 1 e uns dois ou três canais espanhóis. Não temos TV cabo, nem Internet, nem telemóvel, nem qualquer consola de jogos, mas como ainda não sabemos o que isso é, também não sentimos a sua falta… Aliás, precisamente por não termos nada disso, passamos mais tempo na rua do que em casa (ao contrário dos “putos” de hoje) e, por norma, só regressamos quando nos chamam (várias vezes) para almoçar ou jantar.

 

Temos 10 ou 11 anos, somos felizes, não temos ainda planos para a vida e nem imaginamos onde vamos estar em 2020…

 

Luís dos Anjos

 

 

22
Ago19

Flavienses por outras terras - José Paulo Santos

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José Paulo Santos

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” voltamos a cruzar o Oceano Atlântico e vamos até ao Brasil. No estado de São Paulo, em Atibaia, vive e trabalha o José Paulo Santos, desde janeiro de 2019.

 

 

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Onde nasceu, concretamente?

Nasci no Caminho da Veiga, nos Codeçais.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

A Escola Primaria da Madalena, o Ciclo Preparatório, o Liceu Fernão de Magalhães e a Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1991, para estudar.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Aveiro: 1995 a 1998

Viseu: 1998 a 2014

Puebla - México: 2014 a 2018

Atibaia - São Paulo - Brasil: Desde janeiro de 2019

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os dias de verão passados no rio quando era criança e as noites quentes de verão nas Caldas quando era jovem/adulto.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Muitas, mas principalmente, a excelente gastronomia e os monumentos históricos (a Ponte Romana, o Castelo e as muralhas fortificadas).

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Do folar, dos Pastéis de Chaves, das noites quentes passadas nas Caldas.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Anualmente.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

O centro histórico melhor aproveitado e renovado, com mais vida, e que voltassem a colocar o Jardim das Freiras como era. Que saudades de passar as belas tardes de sol de primavera com os amigos, na cavaqueira…

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sim, um dia quem sabe…

 

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O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até José Paulo.png

 

 

 

 

09
Ago19

Vivências

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"Salam alaykum"

 

Agosto de 2018. Aterrámos em Oujda, após pouco mais de uma hora de viagem, e seguimos agora de autocarro em direção à costa do Mediterrâneo, no extremo nordeste de Marrocos. A viagem demora cerca de uma hora e o nosso guia, simpático e muito prestável, vai-nos transmitindo algumas informações sobre o que nos espera nos próximos dias e também sobre o país que escolhemos como destino de férias. Não fala nem Português nem Espanhol, antes uma mistura das duas línguas, mas entendemo-lo perfeitamente.

 

Marrocos é a nossa primeira viagem para fora da Europa. Comparativamente, estamos pouco mais longe do que Madrid - e bem mais perto do que Paris, por exemplo - mas as diferenças são muito mais notórias, a todos os níveis. Por aqui fala-se Árabe, mas também Francês, e logo que saímos do aeroporto surpreendem-nos as inscrições por toda a parte nestas duas línguas em simultâneo, desde as placas de sinalização rodoviária até aos placards publicitários, o que se explica pela influência da presença francesa nesta região até à década de 50 do século passado.

 

"Salam alaykum" – é assim que o nosso guia nos ensina como se deve cumprimentar em Árabe. Traduzindo para Português significa “Que a paz esteja contigo”. Na resposta, a outra pessoa deve dizer "Alaykum salam", ou seja, “Que a paz esteja contigo, também”. Entre amigos e familiares mais próximos a saudação pode ser apenas “Salam”, que significa “Paz”. Em qualquer uma das formas temos a referência à paz, um bem que os Marroquinos muito prezam.

 

Nos dias seguintes não aprendemos muitas mais palavras árabes, mas surpreendemo-nos com os mercados e a forma como se compra e vende de tudo, em todo o lado; deliciamo-nos com os sabores requintados das tajines e do couscous; percebemos o porquê de as mulheres usarem burka, inclusive na praia, e mesmo dentro de água… No fim, no regresso a casa, sentimos que voltamos um pouco mais ricos por tudo aquilo que vivenciamos. Por isso, só nos resta dizer “Shukran!” (obrigado!).

 

Luís Filipe M. Anjos

Leiria, agosto de 2018

 

12
Jul19

Vivências

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O meu Facebook

 

Em junho de 2010 escrevi um texto intitulado “Um dia destes ainda adiro ao Facebook…”. E acabei mesmo por aderir algum tempo depois, tranquilamente e sem exageradas euforias, muito mais tarde do que outros da minha geração, que se apressaram a entrar nesta era das redes sociais com medo de perder sabe-se lá o quê, mas ainda muito a tempo... Dizia eu nessa altura que quando aderisse ao Facebook seria para cultivar as amizades que tenho - e que muito prezo - e nunca para substituir o que de melhor temos na vida: as relações humanas, cara a cara, olhos nos olhos, porque nenhuma rede social, por mais fantástica que seja, substituirá jamais uma boa conversa numa mesa de café ou um almoço lá em casa, com amigos reais…

 

Hoje, passados quase 10 anos, mantenho a mesma ideia. Utilizo o Facebook para contactar com quem está longe, para reencontrar alguns amigos que a vida levou para outras paragens, para divulgar as minhas publicações e nada mais… Não publico fotografias minhas nem das festas de fim de ano da escola das minhas filhas, nem das férias que fizemos no verão, nem tão-pouco dos sítios onde estou a cada instante, seja no restaurante mais chique da zona ou na sala de espera do dentista… Também não atualizo a minha foto de perfil todas as semanas como alguns fazem (já agora, com que frequência se deve atualizar?) nem ligo à irritante pergunta “Em que estás a pensar, Luís?” que insiste em surgir quando entro na aplicação e que fica ali à espera de uma resposta minha…

 

Por vezes, alguns amigos meus mais ativos nestas andanças estranham e perguntam-me por que não faço mais publicações ou não procuro adicionar mais amigos (isto de adicionar amigos só porque sim é do mais fácil que há). Na verdade, por uma única razão: não sinto essa necessidade, pelo menos por agora… E como me sinto bem assim, este vai continuar a ser “o meu Facebook”…

 

Luís Filipe M.Anjos

Leiria, junho de 2019



 

28
Jun19

Flavienses por outras terras - José Manuel Costa

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José Manuel Costa

 

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à zona de Lisboa. Do outro lado do Tejo, no Seixal, encontramos o José Manuel Costa.

 

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Onde nasceu, concretamente?

Nasci na Rua da Longras, em Chaves.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

A Escola Primária da Estação e a Escola Industrial e Comercial (atual Escola Secundária Dr. Júlio

Martins).

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

  1. Entrada no mercado de trabalho.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Vivi em Almada e Amora, trabalhei na Lisnave, na Gestnave, na Escola Profissional de Almada, no I.E.F.P de Setúbal e atualmente no INETE.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

O Rio Tâmega (a banheira da minha infância).

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

As Termas, a Ponte Roma, o Castelo.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Muitas.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Anualmente.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

O Jardim das Freiras, o Jardim Público, o Rio Tâmega.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

O meu sonho…

 

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O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

 

Rostos até José Manuel Costa - 1024.png

 

14
Jun19

Vivências

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Conseguiríamos hoje?

 

 

Estamos a 1000 metros de altitude, algures entre as serras da Arada e de São Macário, no limite dos distritos de Aveiro e Viseu. Nos últimos quilómetros da nossa viagem percorremos a A25, a EN 16, a EN 227, a R326 e agora o CM1123, uma estrada que já não é nem nacional nem regional… Deixamos para trás o país das autoestradas, percorrido a grande velocidade, como quem tem sempre pressa em chegar a algum lado, e estamos agora em pleno país rural, onde a estrada, estreita, sinuosa e com mau piso, nos obriga a ir devagar e a apreciar a paisagem. E a paisagem, aqui no topo destas serras, é deslumbrante!

 

A estrada segue em direção ao Santuário de São Macário, e por aqui também se pode chegar até aos Passadiços do Paiva - certamente um dos caminhos mais improváveis para lá chegar… Entretanto, deixamos a estrada num corte à esquerda e o alcatrão termina logo ali para dar lugar a um estradão de terra e pedras. Seguimos mais alguns metros de carro e depois estacionamos e continuamos a pé por uma descida acentuada que se estende por quase três quilómetros.

 

Gourim 3.JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

Chegamos, então, a Gourim, uma aldeia abandonada, perdida no fundo dum vale, mas que em tempos teve vida, graças à agricultura, à pastorícia e, sobretudo, à exploração de volfrâmio. Hoje, a única atividade que por aqui existe é a de um pequeno espaço de turismo rural que promove diversas atividades na área do desenvolvimento pessoal, tais como yoga ou meditação, para quem procura, por umas horas ou uns dias, fugir à azáfama da cidade…

 

Gourim 5.JPG

Fotografia de Luís dos Anjos

O silêncio e a beleza da paisagem imperam para onde quer que olhemos e inspiram-nos. Estamos longe de tudo e de todos e sentimos que aqui teríamos tempo para tudo: passear, ler um livro, escrever, meditar, ouvir música... Mas, se tivesse mesmo de ser… Se tivéssemos mesmo de viver hoje aqui, como viveram as sucessivas gerações desta aldeia, sem água canalizada, eletricidade, transportes, televisão ou Internet, apenas com a natureza e a nossa vontade… Conseguiríamos?

 

Luís Filipe M. Anjos

Setembro de 2017

 

 

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