Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

10
Jan20

Vivências

Banner Vivências - 1024 x 256 (2)

 

2020

 

Os que nascemos na década de 70 estamos agora a chegar aos 50, mais ano menos ano. Já temos cabelos brancos e num ou noutro momento já nos queixamos de uma dor aqui ou ali e, em jeito de brincadeira, vamos dizendo uns para os outros que é da idade (e é mesmo…).

 

Os nossos filhos mais velhos estão a terminar o secundário ou entraram já na Universidade. Vemo-los cada vez mais crescidos, autónomos, e a quererem seguir (e ainda bem) o seu próprio caminho. E, então, finalmente compreendemos algumas coisas (ou quase tudo, mesmo) que os nossos pais nos diziam quando tínhamos a idade deles e por que razão eram tão chatos connosco. O “conflito de gerações”, um conceito que desapareceu subitamente das nossas vidas quando nos tornamos adultos, e que pensávamos que já não nos voltaria a apanhar, apanhou-nos afinal, novamente, mas agora connosco do outro lado. Felizmente, a meu ver, temos hoje melhor preparação e ferramentas diferentes daquelas que tiveram os nossos pais para lidarem connosco.

 

A vida social, que outrora queríamos sempre intensa e agitada, ganha agora um tom mais calmo. Valorizamos coisas diferentes, mais simples e tranquilas: uma boa conversa numa esplanada, um jantar com amigos, um bom livro, um fim-de-semana em família…

 

Nas conversas com os amigos tanto falamos do mau tempo que fez na semana anterior como da situação económica que o país atravessa ou das preocupações com a saúde ou educação dos nossos filhos. Por vezes, recordamos também vivências anteriores, histórias e peripécias com as quais na altura rimos ou chorámos e acabamos, quase inevitavelmente, por estabelecer uma comparação entre os tempos de agora e os de antigamente (seriam melhores?).

 

Nas redes sociais reencontramos velhos amigos, quase sempre com alguns quilos a mais e ainda mais cabelos brancos do que nós. Pedimos-lhes amizade, metemos conversa e vamos sabendo por onde andam e o que fazem.

 

  1. Não estamos velhos, estamos apenas mais vividos, e o que nos preocupa agora é, sobretudo, o futuro dos nossos filhos. Onde estaremos todos em 2050?

 

Luís dos Anjos

 

 

26
Dez19

Flavienses por outras terras - Mário Esteves

cidade de chaves

Banner Flavienses - 1024 x 256 (1)

 

Mário Esteves

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à “Antiga, mui Nobre, sempre Leal e Invicta cidade do Porto”, tal qual a inscrição que consta no brasão da cidade.

 

Porto visto da Serra do Pilar.jpg

Fotografia de Mário Esteves

 

É, pois, no Porto que vamos encontrar o Mário Esteves.

 

Cabeçalho Mário Esteves - 1024 x 380.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Sou do tempo em que ainda havia um Hospital com Maternidade em Chaves. Foi lá que nasci.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Andei na Escola da Estação, na Escola Nadir Afonso, passei pela Secundária Dr. Júlio Martins e fiz o secundário na Fernão de Magalhães (Liceu).

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Em 2013, quando comecei a Faculdade.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Tenho vivido no Porto. Fiz ainda um semestre de Erasmus em Dresden, na Alemanha, no ano passado.

 

Ponte Dom Luís.jpg

Fotografia de Mário Esteves

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

O meu avô é sócio do Desportivo de Chaves há já muitos anos. Quando eu era criança, ia muitas vezes com ele ao estádio porque não precisava de pagar bilhete. Claro que estava mais atento à senhora das pipocas do que ao jogo em si, mas sempre gostei do ambiente.

 

Lembro-me também da alegria que era quando os carroceis começavam a chegar à cidade, na altura dos Santos.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Não deixem de visitar o MACNA – Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Para além de ser um edifício da autoria de Álvaro Siza Vieira, elogiado internacionalmente, tem tido exposições de grande valor.

 

Sugiro também a quem visitar a cidade que vá fazendo refeições leves nos dias antes da visita, para que possa aproveitar a gastronomia da região à vontade.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Sinto sobretudo alguma nostalgia da cidade que tínhamos há 10 ou15 anos, quando se via gente nas ruas.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Costumo ir, no mínimo, uma vez por mês.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Gostava de ver um Hospital com as valências necessárias para servir as pessoas. Gostava de ter um centro histórico requalificado de forma a que os habitantes pudessem usufruir do centro da sua própria cidade. Enquanto as “ruelas" estiverem abandonadas serão sempre um lugar privilegiado para a prostituição e para o consumo de drogas.

 

A questão central aqui é a vontade de ver Chaves com vida, com coisas a acontecer, a apontar para o futuro. É preciso uma política cultural a sério que faça as pessoas sair de casa, que chame a juventude, que dê aos Flavienses a oportunidade de viver a cidade.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Naturalmente que seria do meu agrado viver um dia em Chaves, mas tenho a noção que será muito difícil fazê-lo num futuro próximo, mesmo após concluir o Curso. Veja-se a quantidade de pessoas que saíram de Chaves para estudar e que não voltaram porque se tornaram mão-de-obra qualificada, com perspetivas de vida em relação às quais nesta cidade não há forma de dar resposta.

 

Chaves, assim como quase todo o interior do País, ainda não é para jovens. Temos que encontrar alguma forma de inverter o rumo.

 

Mapa - 1024 x 510 (13).png

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Mário Esteves.png

 

 

 

 

 

 

13
Dez19

Vivências

2000

Banner Vivências - 1024 x 256 (2)

 

2000

 

Parecia-nos um ano longínquo, mas quase sem darmos por isso chegamos lá e encontramos um mundo diferente daquele que imaginávamos – melhor, nalgumas coisas, menos interessante, noutras. Alguns ainda discutem a irrelevante questão de saber se já estamos realmente no novo milénio ou se este ano ainda é o último do milénio anterior, uma vez que a contagem do tempo não teve um ano zero... Certo é que o mundo não acabou, como alguns anunciavam, e os computadores também não ficaram doidos pelo facto de terem sido programados para armazenarem apenas os dois últimos dígitos do ano da data e poderem pensar que estamos no ano 1900 – o chamado “bug do milénio”, que tanta tinta fez correr...

 

Os que crescemos nos anos 80 temos agora 30 anos ou andamos lá perto e a vida de estudante já ficou para trás há alguns anos. Desde então sucederam-se os mais variados acontecimentos - namorámos, casámos, fomos pais, trocámos de carro, mudámos de emprego e de cidade, comprámos uma casa hipotecada até à idade da reforma, celebrámos vitórias e ultrapassámos fracassos, fizemos novos amigos e perdemos o contacto com outros (ainda não o sabemos, mas havemos de os reencontrar daqui a alguns anos no Facebook, já com alguns cabelos brancos…). À nossa volta a evolução tecnológica avançou a um nível sem precedentes e trouxe-nos imensas coisas novas e impensáveis até há poucos anos: Internet, e-mail, telemóveis, televisão por cabo, MP3, GPS… começam a fazer parte do nosso dia a dia e – para o bem e para o mal - não nos irão deixar nunca mais.

 

2000.Afinal, apenas mais um ano nas nossas vidas, sem dramas nem euforias. Estamos inevitavelmente mais velhos e mais experientes mas, lá no fundo, ainda nos sentimos – e ainda bem – uns verdadeiros jovens. De vez em quando olhamos para trás e já sentimos saudades doutros tempos que vivemos… O mundo continua a mudar a um ritmo alucinante e não nos resta outra alternativa senão acompanhá-lo… Não imaginamos onde vamos estar em 2020...

 

Luís dos Anjos

 

 

 

21
Nov19

Flavienses por outras terras

Paulo Carneiro

Banner Flavienses - 1024 x 256 (1)

 

Paulo Carneiro

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos acrescentar mais um ponto no mapa de Portugal, desta vez em pleno Ribatejo.

 

Em Abrantes vamos encontrar o Paulo Carneiro.

 

Cabeçalho - Paulo Carneiro - 1024 x 380.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci no Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Chaves, no dia 4 de junho de 1966, e fui viver para uma casa que ficava numa travessa entre a Rua Direita e a Rua de Santa Maria, por pouco tempo, contam os meus pais. Depois, fomos viver para a Rua de Santa Maria, no edifício da casa dos móveis, que tinha a sua frente na Rua Direita, ali em frente à Sapataria Marco Paulo. Depois, por volta dos meus 5 anos, mais coisa menos coisa, após o nascimento do meu irmão do meio, fomos viver para a Rua das Longras, para a casa onde os meus pais exploravam um estabelecimento comercial. Ali cresci e vivi até sair de Chaves.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a 1ª e a 2ª classe na Escola da Lapa, isto antes do 25 de abril de 1974. Depois, a 3ª e 4ª classe na Escola da Estação, porque na Escola da Lapa ia passar a funcionar o Magistério Primário.

O 1º e 2º anos do Ciclo Preparatório foram frequentados no Forte de São Francisco.

Os anos seguintes, do 7º ano ao 12º, foram na Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí de Chaves por mais que uma vez, tendo sido a primeira no ano de 1984, quando fui para Ermesinde, onde estive cerca de um ano, mais coisa menos coisa. Ali vivi a experiência de Seminarista na Congregação dos Irmãos Maristas.

A saída definitiva foi a de 17 de agosto de 1987, data em que saí para ir para Mafra para a Escola Prática de Infantaria para ser incorporado no dia seguinte no CGM - Curso Geral de Milicianos. Ali estive apenas 3 dias, pois surgiu a oportunidade de ir para mais perto, para o Centro de Instrução de Operações Especiais em Penude - Lamego e foi aí que estive a frequentar o referido CGM e de seguida o Curso de Sargentos Milicianos. Depois, fui colocado no Regimento de Infantaria de Tomar, onde estive até à disponibilidade, em dezembro de 1988.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Para além dos locais acima referidos vivi ainda em:

- Alverca do Ribatejo (1989)

- Tomar (1990 a 1993)

- Abrantes (1993 até aos dias de hoje).

 

02 - Castelo de Abrantes - 02.jpg

Castelo de Abrantes

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

É complicado escolher só duas, pois será de todo injusto para tantas e tantas vivências, isto apesar de não ser uma pessoa muito apegada ao passado, mas há recordações que não se apagam e nem quero.

Recordo os tempos de criança na Rua das Longras, de jogar à bola, às caricas, ao berlinde, ao pião, isto no meio da rua. Recordo os tempos de acólito na Igreja de Santa Maria Maior, assim como de Escuteiro no Agrupamento 198, nos tempos da Ordem Terceira, antes das obras, altura em que o agrupamento foi colocado no 1º andar do edifico central, no Forte de São Francisco.

Recordo os tempos no Grupo de Jovens “Os Pioneiros” e toda a atividade juvenil na qual fui elemento ativo, tanto a nível da paróquia como do movimento juvenil católico da cidade e não só. Recordo os encontros de jovens em Soutelo, na casa dos Irmãos Maristas, assim como os encontros na Escola Agrícola de Artes e Ofícios.

Recordo as festas do XIX centenário da cidade com as diversas festividades centradas no Largo do Arrabalde, que aliás era o centro de quase todas as festas na cidade.

Recordo as festas de verão na aldeia dos meus avós maternos (Bobadela de Monforte), a matança do porco, a Páscoa, a Visita Pascal, entre tantas e tantas ocasiões que serviam para juntar a família e aí todos os primos se juntavam, tanto os que viviam na aldeia como os que eram da cidade.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Mais uma vez o número 2 é demasiado redutor. Aconselho a todo o turista que visite Chaves que se demore pelo menos 4 a 5 dias para poder apreciar devidamente o nosso património (Igrejas, Castelo, Ponte Romana, Fortes, etc.), assim como os Museus, as Termas, entre tantas outras coisas. E aproveite também para saborear a nossa maravilhosa gastronomia.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Como referi atrás não sou um saudosista por assim dizer, gosto sim de relembrar os tempos idos e que não voltam.

 

06 - Capela de São Lourenço.jpg

Capela de São Lourenço - Abrantes

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Menos do que gostaria. No entanto, tento visitar pelo menos uma vez por ano, nem sempre conseguindo, mas tento. E sempre que o faço, além de estar com a família, aproveito para dar a conhecer à minha família ribatejana (esposa e não só) o nosso concelho e os arredores.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Já por demais referido em tantos locais, como o Facebook, blogs e outros, gostaria de voltar a ver o Jardim das Freiras novamente digno do nome Jardim, com flores, árvores e não um espaço vazio de verdura.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Foi ideia que já me passou pela cabeça. Já esteve mais longe, mas também já esteve muito mais perto. Voltar a Chaves em princípio só para visitar a família, amigos e férias, pois profissionalmente estou “preso” ao Ribatejo.

 

Mapa - 1024 x 510 (13).png

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Paulo Carneiro.png

 

 

 

 

 

08
Nov19

Vivências

1996

Banner Vivências - 1024 x 256 (2)

 

1996

 

Estamos no último ano da Universidade. Já se passaram cinco anos desde que gritámos “Entrei” ao ver o nosso nome e o nome de um curso nas listas afixadas naquele minúsculo Gabinete Coordenador do Ingresso no Ensino Superior, em Vila Real.

 

Ao longo destes últimos anos muita coisa mudou na nossa vida. Deixámos a cidade que nos viu nascer, ficámos mais longe dos amigos de sempre, mas ganhámos outros que também nos acompanharão pela vida fora. Alargámos horizontes. Assistimos a centenas de aulas - entusiasmantes, algumas, aborrecidas, outras. Adquirimos conhecimentos que nos ajudarão a ser bons profissionais, e outros que rapidamente iremos esquecer e que nem entenderemos nunca por que razão constavam dos programas. Passámos dias inteiros na biblioteca, fotocopiámos sebentas, apontamentos e livros que depois nem lemos, fizemos dezenas de trabalhos de grupo e discutimos por causa de alguns.

 

Aprendemos também muito fora das salas de aula: uma nova cidade, novas rotinas, novas caras, praxes, Queima das Fitas, festas, bons filmes no cinema e, principalmente, muitas horas de conversas, de desabafos, muitas alegrias e algumas tristezas. Crescemos muito, mas o mundo que conhecíamos cresceu ainda mais do que nós.

 

O fim do ano aproxima-se e já nos sentimos com o “canudo” na mão, mas também já sentimos saudades destes tempos que vamos deixar para trás. A tuna canta “Quero ficar sempre estudante”, mas sabemos que não é possível. Segue-se o mundo do trabalho, uma nova etapa, com as suas responsabilidades e as suas exigências. Percorremos os jornais, falamos com professores, vamos a agências de trabalho temporário, ouvimos rumores de estágios aqui ou ali e vamos à procura de informação… Não temos Internet nem sequer um telemóvel na palma da mão, mas não nos falta o entusiasmo nem a vontade firme de agarrar o futuro.

 

  1. A vida de estudante está a chegar ao fim. Apesar das dúvidas, não temos medo. Todos temos a certeza que vamos conseguir, mas não imaginamos onde vamos estar em 2020...

 

Luís dos Anjos

 

 

 

24
Out19

Flavienses por outras terras - Inês Freitas

Banner Flavienses - 1024 x 256 (1)

 

Inês Freitas

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à zona de Cascais. Em São Domingos de Rana vamos encontrar a Inês Freitas.

 

Cabeçalho - Inês Freitas - 1024 x 380.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves, mesmo na cidade.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

- Infantário - Jardim Infantil de Chaves (Maria Rita)

- 1º Ciclo - Escola Primária da Estação

- 2º Ciclo - Escola E.B. 2,3 Nadir Afonso

- 3º Ciclo - Escola Secundária Dr. Júlio Martins

- Secundário - Escola Secundária Dr. António Granjo

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Foi em 2006, devido ao facto de ter ido para a Faculdade estudar. Apesar de nessa altura ir a casa todos os fins-de-semana, foi a partir daí que deixei literalmente de viver a tempo inteiro em Chaves, visto que após terminar a Faculdade mudei-me para Lisboa.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Nasci e vivi até aos meus 18 anos em Chaves. Depois, fui para Vila do Conde, onde tirei o meu curso. Depois, segui para Lisboa, onde vivi e trabalhei durante 9 anos passando por vários atelier's e agências de design e inclusive criando o meu próprio espaço. Em 2017 comecei a trabalhar numa agência de publicidade em Oeiras e acabei por me mudar passado pouco tempo para Oeiras por causa da logística. Atualmente vivo em São Domingos de Rana - Cascais.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Tenho imensas! Apesar já ter saído há 13 anos de Chaves parece-me tudo muito próximo. Mas posso destacar o tempo, o tempo que tinha para fazer as coisas e para me deslocar para os sítios. Sair para um local qualquer e saber que tinha sempre lá alguém que conhecia, mesmo sem combinar. O grupo de amigos, as rotinas de um sábado à noite, por exemplo, ou as sextas à noite de cinema, onde era todo um evento em que íamos em grupo ao ponto de ocupar uma fila inteira. Ir almoçar a casa dos avós após as aulas e ao final do dia estarmos todos juntos (pais e irmão) à mesa a contar as peripécias do dia de cada um. As tardes na biblioteca com a malta que metia sempre a meio um croissant com chocolate! Onde já vão as duas... acho que ficava aqui imenso tempo a relatar os meus dias. São essencialmente as pessoas e a vida que se levava.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Para começar sugeria um passeio no caminho pedonal que existe à volta do rio Tâmega. Este passeio, para além de ser muito agradável por toda a sua envolvência, permite passar por pontos fulcrais para quem visita a cidade, como por exemplo o MACNA (Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso), a Ponte Romana, que nem precisa de comentários, as Poldras, que são só para os mais corajosos e, claro, para terminar, ir ao Parque Termal beber um copinho de água e relaxar de toda a caminhada. Não posso deixar de referir o centro histórico onde temos uma arquitetura muito característica com as varandas coloridas, o Museu e a Torre de Menagem, onde ficamos a saber mais da nossa história e de onde podemos usufruir de uma bela vista.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Oh... muitas! Mas sem saudosismos, foi uma fase e uma fase incrível que foi crucial no que sou hoje, tenho noção disso. Acho que a esta resposta posso associar o mesmo que disse nas recordações que tenho, está tudo ligado. Mas são essencialmente as pessoas, tenho a minha família toda em Chaves e é acima de tudo por elas que vou com muita frequência e também claro, pela calma que a cidade me transmite.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Estando em Lisboa já consegui ir uma vez por mês, porque tinha mais flexibilidade no trabalho. Hoje em dia estando mais limitada de dias disponíveis, e visto que ir só de fim-de-semana não é muito compensador, vou de 2 em 2 meses, mais ou menos. Faço uma ginástica para ir em épocas festivas e espaçá-las de forma a equilibrar o calendário.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Mais abertura para coisas novas, embora confesso que me tenho surpreendido nas últimas vezes que tenho ido, sinto que de repente tivemos um boom de novidades a surgir e isso deixa-me realmente contente. Ter mais atividades culturais, mais espaços e atividades, mas lá está, a coisa está realmente a mudar. Mais investimento no Pólo Universitário ia ajudar bastante a cidade em muitos sentidos. Percebo que o futebol seja importante para a cidade, mas para mim a cidade é muito mais que isso e convém não ficar esquecido.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Quem sabe, um dia! Neste momento não me faz sentido mas é sem dúvida algo que não coloco de parte, nem que seja daqui a muitos anos. Mas gostava de deixar bem saliente que Chaves é a minha terapia e se fico muito tempo sem ir, isso tem um efeito descomunal em mim. Saber que tenho sempre esse refúgio ali que me vai acolher deixa-me sem dúvida muito mais serena e feliz. É bom voltar!

 

rua_Inês_S.D.Rana_.png

Fotografia de Inês Freitas

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Mapa - 1024 x 510 (12).png

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Inês Freitas.png

 

 

 

11
Out19

Vivências

Banner Vivências - 1024 x 256 (2)

 

1990

 

Estamos no 12º ano, na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, mas que ainda é conhecida como “Técnica”, consequência da sua longa tradição no ensino técnico, como o comprovam as várias oficinas existentes. Estamos a terminar o secundário e é o segundo ano de existência da famosa PGA (Prova Geral de Acesso) que irá contar para a entrada no Ensino Superior e que todos fazemos, mesmo sem termos certezas quanto ao que vamos decidir no futuro. A prova é de cultura geral. Preparamo-nos para temas da atualidade, como a “Perestroika” de  Mikhail Gorbachev, a CEE, os problemas ecológicos, o mundo em mudança, mas sai-nos José Régio com um texto sobre a importância de saber ler para lá das palavras.

 

Em casa temos apenas a RTP e mais alguns canais espanhóis para ver. Ainda não existem a SIC nem a TVI, mas a maioria de nós (pelo menos na cidade) já tem telefone fixo. À sexta-feira à noite e ao fim de semana é hábito sair e ir até à cidade. Ainda não existem telemóveis nem Facebook, mas tudo se combina com uma tremenda simplicidade (às vezes até com dias de antecedência) e, à hora marcada, mais atraso, menos atraso, a malta aparece no “Espelho”, no “Jennifer’s” ou no “Sétima Arte”… Conversa-se, toma-se um café ou bebe-se um copo, sem toques de telemóveis nem ninguém alheio da conversa a olhar para o smartphone… Daqui, alguns seguem para uma noite mais animada numa discoteca, outros regressam a casa, a pé, com as conversas a continuarem pelo caminho (das Caldas até Santa Cruz são cerca de quatro quilómetros que não assustam). De vez em quando arranja-se uma boleia com alguém mais velho que já tem carro ou que conseguiu convencer o pai a emprestar-lhe o dele.

 

1990.Temos 18 ou 19 anos e começamos a sentir o futuro nas nossas mãos. Muitos de nós sonham com a entrada na Universidade, outros pensam na tropa e na possibilidade de por lá ficarem, outros, já fartos dos livros, pensam apenas em começar a trabalhar… Todos acreditamos que ainda vamos mudar o mundo… (e vamos, mas não da forma como pensávamos). Nenhum de nós imagina onde vai estar em 2020...

 

Luís dos Anjos

 

26
Set19

Flavienses por outras terras - Joaquim Queiroga

Banner Flavienses - 1024 x 256 (1)

 

Joaquim Queiroga

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” voltamos à zona de Lisboa, mais concretamente à margem sul. Em Paio Pires, no Seixal, vamos encontrar o Joaquim Queiroga.

 

Cabeçalho - Joaquim Queiroga - 1024 x 380.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nascido e criado na Rua do Tabolado.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei o Externato Infante D. Henrique (Srªs Monteiras) e o Liceu Fernão de Magalhães.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em 1969 fui estudar para Coimbra, de onde regressei em 1974. Em 1981 saí novamente de Chaves e fui viver e trabalhar para Bragança, onde iniciei a minha vida profissional como Oficial de Justiça. Em 1984 fui viver para a Margem Sul, onde ainda resido, trabalhando em diversos Tribunais, em Lisboa, Almada e Moita, até à aposentação. Hoje em dia dedico-me ao associativismo e presido à Associação de Andebol de Setúbal, desde 2013.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os meus tempos de infância no Canto do Rio (vivia ali perto), os banhos na Galinheira e no Canhoto, com os meus muitos amigos Jime, Bibi, Carlos Magalhães, Gusto Serra, Hélder, Rui Carvalho, Tó Kim, e tantos outros. Igualmente recordo os tempos que dediquei aos meus Bombeiros de Cima.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Como não poderia deixar de ser é obrigatório encaminhar os turistas a fazerem visitas aos monumentos históricos da cidade e arredores, e a degustação do Pastéis de Chaves, do folar e do fumeiro. Deveria haver da parte da autarquia um forte investimento na divulgação destes produtos.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Muitas. Da Feira dos Santos, do meu tempo de Escoteiros, de Bombeiros, mas essencialmente dos muitos amigos em geral e dos que já nos deixaram precocemente.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Raramente. Efeitos de uma família pequena e quase toda a viver por outras paragens.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Gostava de ver o movimento comercial que já teve. Porém, infelizmente, os conceitos de comércio tradicional mudaram (pululam centros comerciais), os jovens já não brincam nas ruas, os mais velhos já não frequentam os cafés e as suas tertúlias. Efeitos do progresso? Gostava também de ver resolvido o problema do Museu das Termas de Chaves. Finalmente, mas utópico, gostava de ver a descoberto todas as muralhas de Chaves e o casario edificado sob a Ponte Romana.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sem dúvida. Sinto falta de uma lareira, dos potes, do fumeiro e de um escano.

 

Mapa - 1024 x 510 (11).png

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Joaquim Queiroga.png

 

 

 

13
Set19

Vivências

Banner Vivências - 1024 x 256 (2)

 

1982

 

Estamos no 5º ano, naquela que é hoje a Escola E.B. 2,3 Nadir Afonso, mas que naquela altura era apenas conhecida como “Ciclo”. Ainda somos “putos”, mas já vamos a pé para a escola, e somos muitos, vindos dos lados de Santa Cruz e do Bairro da Quintela. Não há passeios nem estradas alcatroadas, mas sim pó, no verão, e lama e charcos de água, no inverno. Mais ou menos a meio caminho, na zona da oficina do “Joaquim das Molas”, para encurtar distâncias, atalhamos por um carreiro pela berma de um campo de cultivo e nem mesmo a falta de iluminação no regresso a casa, já noite nos dias de inverno, nos faz alterar o caminho. Na zona do estádio passamos por uma estrada que já não existe, entre a muralha do Forte de São Neutel e o campo de treinos do “Chaves”. Demoramos cerca de meia hora a caminhar, mas ninguém se queixa…

 

Na escola, quando um professor falta temos um “furo” - não há aulas de substituição - e, então, jogamos à bola num dos campos ou num qualquer outro espaço improvisado. Alguns, mais destemidos (nos quais me incluí também algumas vezes…), saem da escola, percorrem as redondezas e até vão explorar um terreno de mimosas, junto à muralha do Forte de São Francisco, onde constroem cabanas e inventam aventuras… No quiosque, entre o “Ciclo” e a “Técnica”, um Cornetto custa 30$00 (0,15 €…), mas muitas das vezes não temos dinheiro que chegue e acabamos por comprar um Fizz, que custa 15$00, ou um simples gelado de gelo, que custa 7$50…

 

Em casa, na televisão, temos a RTP 1 e uns dois ou três canais espanhóis. Não temos TV cabo, nem Internet, nem telemóvel, nem qualquer consola de jogos, mas como ainda não sabemos o que isso é, também não sentimos a sua falta… Aliás, precisamente por não termos nada disso, passamos mais tempo na rua do que em casa (ao contrário dos “putos” de hoje) e, por norma, só regressamos quando nos chamam (várias vezes) para almoçar ou jantar.

 

Temos 10 ou 11 anos, somos felizes, não temos ainda planos para a vida e nem imaginamos onde vamos estar em 2020…

 

Luís dos Anjos

 

 

22
Ago19

Flavienses por outras terras - José Paulo Santos

Banner Flavienses - 1024 x 256 (1)

 

José Paulo Santos

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” voltamos a cruzar o Oceano Atlântico e vamos até ao Brasil. No estado de São Paulo, em Atibaia, vive e trabalha o José Paulo Santos, desde janeiro de 2019.

 

 

Cabeçalho - José Paulo - 1024 x 380.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci no Caminho da Veiga, nos Codeçais.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

A Escola Primaria da Madalena, o Ciclo Preparatório, o Liceu Fernão de Magalhães e a Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1991, para estudar.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Aveiro: 1995 a 1998

Viseu: 1998 a 2014

Puebla - México: 2014 a 2018

Atibaia - São Paulo - Brasil: Desde janeiro de 2019

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os dias de verão passados no rio quando era criança e as noites quentes de verão nas Caldas quando era jovem/adulto.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Muitas, mas principalmente, a excelente gastronomia e os monumentos históricos (a Ponte Romana, o Castelo e as muralhas fortificadas).

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Do folar, dos Pastéis de Chaves, das noites quentes passadas nas Caldas.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Anualmente.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

O centro histórico melhor aproveitado e renovado, com mais vida, e que voltassem a colocar o Jardim das Freiras como era. Que saudades de passar as belas tardes de sol de primavera com os amigos, na cavaqueira…

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sim, um dia quem sabe…

 

Mapa - 1024 x 510 (10).png

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até José Paulo.png

 

 

 

 

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

15-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      E com muita emoção que vejo, revejo e volto a ver ...

    • Anónimo

      Li, pela primeira vez, este magnífico texto do Dr....

    • Anónimo

      Ola sou Judeu e vivi em Chaves muito tempoFrequen...

    • Anónimo

      Olá Luís, gostei do que escreveste , em 2050 esper...

    • Anónimo

      Foi por volta de 1977/78,que o moleiro do moinho q...