Vivências

Uma primeira lição de flexibilidade
A esta distância, já não consigo precisar o ano de escolaridade, mas sei que foi no “Ciclo”, a atual Escola E.B. 2,3 Nadir Afonso, em Chaves, e como naquela época a escola só tinha turmas de 5º e 6º ano, foi, portanto, num desses anos. E foi na disciplina de História, com um professor cujo nome já não me recordo, que recebi, sem o saber na altura, uma primeira lição de flexibilidade.
A situação ocorreu logo num dos primeiros momentos de avaliação, ainda no primeiro período. Depois de um teste dentro do estilo “normal” dos testes de avaliação de qualquer disciplina, fomos surpreendidos com um teste que tinha uma única pergunta… Questionado o professor, logo ali no momento em que recebemos o teste, fomos brindados com uma resposta que nos dizia que deveríamos estar preparados para qualquer tipo de teste… Não reclamamos, obviamente, mas ficamos talvez um pouco desconfortáveis com aquela forma diferente de avaliação. E ficamos, igualmente, despertos para o que se seguiria ao longo do ano…
E, assim, recordo que nas avaliações seguintes tivemos, entre outros, um teste de escolha múltipla e outro em que podíamos escolher as perguntas a responder de entre um conjunto de opções. E nós, putos com idades entre os 12 ou 13 anos, a nada disto estávamos habituados naquele início dos anos 80… Era, sem dúvida, uma postura disruptiva naquela época.
Passados mais de 40 anos, olhando para trás, para todo o meu percurso de vida pessoal, académica e profissional (e já nem sei sequer o que me levou a recordar este episódio), constato que este foi apenas um primeiro momento de muitos outros em que me apercebi da importância de estar preparado. Preparado para o mais expectável, mas sempre com espírito de flexibilidade e adaptabilidade para enfrentar as mais diversas situações que vão surgindo ao longo da vida.
Luís Filipe M. Anjos
Leiria, janeiro de 2026


