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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Mai19

Ocasionais

ocasionais

 

 

*«TUGUESES», OS SUPERLATIVOS*

 

 

Portugal é um país formidável!

E os portugueses são formidáveis!

Os «tugas», «tugueses», «tugaleses», «portugaleses», «portugalenses» são formidáveis!

E Portugal é um país formidável!

E os portugueses são formidáveis!

E os «tugas», «tugueses», «tugaleses», «portugaleses», «portugalenses» são formidáveis na sua superlativa mediocridade!

E Portugal é um país onde abunda a mediocridade!

E os portugueses, na sua maioria, vivem refastelados com a mediocridade!

 

Essa maioria vive, pensa e morre numa superlativa inferioridade! Mas funga, clama, berra, proclama possuir uma superlativa superioridade: lagartixas em todas as dimensões humanas, falam, roncam, reclamam, apresentam-se, intitulam-se jacarés!

 

Qualquer pentelho encaracolado de novidade, de tique ou de toque convertido em moda, de exotismo  ridículo, de traço colorido, de asneira ou disparate, dito ou produzido na Televisão, na Rádio ou nos Jornais é imediatamente apropriado como sinal de brilhante distinção, de superlativa superioridade intelectual, de superlativa fortuna de atributos de encanto e beleza, de superlativo e fatal imperativo das suas incontáveis virtudes, das suas absolutas certezas, das suas puríssimas verdades   -  da sua divindade!

 

Realmente, aos «tugueses» ninguém os vence em soberba nem em tamanha arrogância de ignorante!

 

Os «tugueses» são o supra-sumo de tudo e mais alguma coisa!

 

E nenhum admite não ser o melhor e «o maior», seja lá no que for!

 

Chefe, comandante, presidente, líder, ai que não! Os «tugueses» são, e têm de ser, fatal, diabólica ou divinamente uma ou todas estas coisas!

 

Entrei numa loja de artigos de pesca para comprar «medalhas» (amostras) e fio para pesca à truta. Um dos sócios gritava com o outro (eram irmãos) proclamando que «a minha filha é a melhor aluna da Escola». O outro berrava que a filha dele é que era a melhor aluna da escola.

 

Um terceiro sócio veio atender-me. Conduziu-me para uma divisão da loja onde havia maior abundância de material de pesca. E disse-me, baixinho:

 

 - As filhas deles tiram «quatros» (4) e «cincos» (5), é verdade. São colegas da minha filha, no mesmo ano. A de um tirou «três» (3) em Educação Física; a de outro tirou «três» (3) a Educação Visual. A minha filha tirou «cinco» (5) em todas as disciplinas: as filhas deles é que são as melhores alunas, eh! eh! eh! Deixe-os p’ra lá! 

 

E ser o número «UM»   -   mesmo que seja a usar o «7» e o nome de outro, nas costas, pintado numa camisete, ah!, não há nada que mais «encha a barriga» ou emborrache o Ego dos «tugueses»!

 

 Alto! Agora, há que dizer «tugueses» … e «tuguesas», carago! O (e)terno feminino agora é mais do que trunfo: é “Joker”!

 

E, assim, sendo «UM», o «tuguês», alto! e a «tuguesa»   -  são líderes por excelência!

 

Mas esta igualdade exige uma diferença! Uma substancial e distinta diferença, não estivéssemos nós no momento, na época das «questões fracturantes»! Os «tugueses» e as «tuguesas» (ai de mim se não vier com este «sublinhanço», carago!) andam preocupadíssimos e preocupadíssimas com o «aprofundamento» do conceito de «género», e, para aprimoramento de tal «aprofundamento», o conceito de líder e de liderança é fundamental e prioritário para a consolidação do reconhecimento da superlativa e inquestionável superioridade feminina no exercício da Liderança!

 

A mim, para me convencer e aceitar como o mais sagrado dos dogmas, a absoluta, a inegável, a inquestionável, a indiscutível, a fatal superlativa superioridade do «género feminino» na liderança, basta-me a prova provada de uma só superlativa qualidade   -   a de persuasão-sedução   - da feminina “Helena, de Tróia” descendo a alça da túnica, que adornava os seus encantos e formusura, deixando à espreita o biquinho do seu seio   -   os homens, alto! o «género masculino» cai fulminado aos pés do (e)terno «género feminino»”!

 

Assim, dispenso o cardápio de todas as outras qualidades do «género feminino» que possam enquadrar toda e qualquer teoria   -   ressonante ou dissonante; transformacional e transacional; a Laissez-Faire, organizacional, ou Primal   -    cerca da sua superioridade inata como líder [ou como escrevo no meu “Pitigrama“ “O (e) terno feminino”) ou Lideresa]1, ou na liderança.

 

E, claro, «o género masculino tuguês» e «a génera feminina tuguesa»   -   distinção sublinhada para deixar mais contentes «os» e «as» “feminazi”   -   até arrebanham umas palavritas em Inglês, para adornar o seu «pensamento», o seu «conceito» e a sua «causa»!

 

Abrangência, empatia, liderança, conceito, género são palavras-chave da relação divina da superlativa superioridade do «género feminino»  -  carago galego!, da «génera feminina»    -    na liderança!

 

As “Lourderias” acabaram!

 

As “Fatimarias” que se cuidem: estão prestes a entrar em vias de extinção!

 

O altar do (e)terno «género feminino»” está a ser erguido …. na “Cova da Onça” … e no Palácio de S. Bento!

 

Mozelos, sete de Abril de 2019

Luís  Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

  • Lideresas Era para chamar-lhes «liderinas». Mas soava-me a diminutivo, assim como… “tangerinas”. Em Lideresas, o «esas» dá mais gabarito à palavra: lembra «alteza», «nobreza», «realeza», «marquesa», «duquesa», «princesa». E como a esquerdalhada (e - Oh! Espanto! … a moderníssima direitalha) feminina tanto ambiciona, se-cre-ta-men-te, ter mordomias e vénias de «princesa», entendo que Lideresa lhes fica a matar!....

 

 

10
Abr19

Ocasionais

ocasionais

 

A banalidade da política

 

 “De tanto ver triunfar as nulidades;

de tanto ver prosperar a desonra,

de tanto ver crescer a injustiça,

de tanto ver agigantarem-se

os poderes nas mãos dos maus,

o homem chega a desanimar-se da virtude,

a rir-se da honra

e a ter vergonha de ser honesto.”
                                                           (Rui Barbosa)

 

 

A tragédia do fracasso do nosso desenvolvimento, do desenvolvimento civilizacional e cultural de CHAVES, da NOSSA TERRA, tem a sua causa mais na resignação dos flavienses do que na incompetência, na mediocridade, na cretinice e na maldade de quem a tem governado.

 

Os flavienses ainda não atingiram o ponto de indignação que os leve à revolta contra aqueles que os têm ludibriado com promessas não cumpridas, sejam eles administradores municipais, regionais ou nacionais: continuam a deixar-se amansar por sebentos elogios e falsas esperanças!

 

Encharcados pelos meios de comunicação com constantes caudais de notícias e imagens de catástrofes, de violência, de miséria, de morte, e distraídos com caleidoscópios de telenovelas alcoviteiras, festins de curiosidades sádicas, de «voyeurismo», e de circo futebolístico, os flavienses (Ai! E os «tugas», carago!) são bem levados a considerar o seu modo de vida um privilégio que os faz sentir envergonhados!

 

E, porque ciclicamente são chamados a pôr uma cruzinha num Boletim de voto, com a qual julgam afirmar e confirmar a sua soberania, continuam na ilusão de serem senhores do seu destino.

O povo “tuga” ainda não entendeu e aceita que as campanhas eleitorais são a dourada oportunidade de impostores, oportunistas, medíocres e macanjos a badalarem fantasias com que o que querem governar governando-se!

 

Depois, em nome da «democrática tolerância», alimentam fanatismos partidários!

 

 “Um homem não é menos escravo porque lhe é permitido eleger um novo amo” de quatro em quatro (ou cinco) anos!

 

Entre esses ciclos eleiçoeiros, gemem e lamentam o seu descontentamento com a pouca sorte que lhes calha, com tantas esperanças perdidas!

 

Mais de quarenta anos depois do seu alvor, a distância entre o sonho e a realidade da «jovem (?!) Democracia Portuguesa», em vez de diminuir, tem vindo a aumentar!

 

O princípio, para mim, mais fundamental da Democracia   -   a Justiça   -   que expressão de universalidade e de nobreza se lhe está a reconhecer?! Pouco falta para vê-la «pelas ruas da amargura»!

 

E até parece que a palavra «prosperidade» foi banida da nossa Língua … e do propósito de quem tem o dever de governar e a obrigação de saber governar   -   uma Freguesia, um Município, um País   -   Portugal!

 

Diverte-me contemplar o triste espectáculo de pretensos democratas, soberbos falsos arautos de bons ventos e bem-aventuranças políticas para a NOSSA TERRA a empenharem-se, cretinamente, em dissimular   -    com jactância de isenção, de honestidade, e de independência, e com uma pirotecnia de falsos propósitos, de aldrabices, de disparates, de palavreado oco   -      o compromisso da sua submissão aos mais altos, secretos, discretos e indiscretos interesses pessoais e partidários!

 

Mal entram no Paço do Duque, os «faroleiros» políticos de CHAVES ficam logo mais inspirados e apressados para destruir do que para criar. (Bem, nem políticos são, embora pretendam ser admitidos e admirados como tal: apenas conseguem tomar de outros uns «tiques» e uns «toques» pantomineiros!).

 

Esses pingentes aprenderam a falar sem que alguém os perceba e aperfeiçoaram-se no hábito de não servirem para nada!

 

Gosto da NOSSA TERRA!

 

Das parcelas que compõem e integram Portugal, ninguém se atreverá a pôr em dúvida como CHAVES, a NOSSA TERRA sempre foi das mais generosas e das mais sacrificadas.

 

E custa-me a ingratidão, o desleixo e a insolência, até, com que tem sido tratada, particularmente, na nossa época.

 

O grande obstáculo ao desenvolvimento de CHAVES, da NOSSA CIDADE, reside muito menos nos seus recursos naturais e muito mais nos vícios e caprichos ideológicos de quem a tem administrado! Por aí, anda espalhado demasiado dinheiro tão mal acompanhado e tão mal aplicado por tão poucas e tão pobres ideias!

 

Na verdade, nas décadas mais recentes tem sido aviltada, e mais ainda com as cínicas pantominas de uma Auto-estrada que a diminui para Vila Real e um Casino que nada diz à cidade e à Região. Este é um enclave da estratégia gananciosa dos «reis de qualquer coisa»; aquela assemelha-se ao atalho de Efialtes e que ajudou à «sangria» de importantes estruturas de apoio e desenvolvimento da Região.

 

E a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) é uma treta: é a Universidade de Vila Real (Parabéns aos da «Bila»! Que têm sabido muito bem aproveitar esse mimo, e desfrutar de uma Instituição de crescente prestígio que os deixa cada vez mais babadinhos!...)!

 

E para que se note ainda mais a usurpação que tem sido feita, e continua a fazer-se, aos legítimos merecimentos da NOSSA TERRA,  aponto-vos a desfaçatez, porque constante, de um autarca metropolitano a reclamar tudo e mais alguma coisa para a sua autarquia, como se só ela fosse o Norte de Portugal!

 

E o que mais me custa ainda, repetindo-o, é termos por aí, e daí, uma caterva de solertes traidores, uns merdosos que envergonham a honra e o brio das ancestrais qualidades dos Transmontanos.

 

Videirinhos, têm sorte em que os da capital, sendo da mesma cepa, lhe aparam    -   e dão cobertura   -    o jogo.

 

Obrigam a população em idade activa a procurar a sobrevivência noutras paragens, ficando por aí um punhado de «resistentes» e os mais indefesos e menos capazes de os enfrentar   - idosos, jovenzitos e crianças.

 

Claro, para apoio, arregimentam sempre um punhado de rendidos e uma mancheia dos da mesma laia.

 

Como se tem verificado ao longo dos anos, a gente gentalha que tem sido eleita tem governado mesmo de acordo com os interesses dos eleitores?

 

Aquilo que a maioria dos flavienses, e dos portugueses, tem feito com o seu voto é contribuir para a eleição de pronósticos impostores, que, na realidade, vão representar os que lhes financiaram as boémias eleiçoeiras e lhes facilitam e concedem as maiores mordomias.

 

E os governos   - nacional, regionais e autárquicos   -     com o que é que se mostram mais preocupados?

 

Está à vista, não está?!

 

Para onde caminha a nossa Democracia, quando nela se notam assustadores sintomas ora de oligarquia, ora de plutocracia, ora de cleptocracia, mentitocracia, e que outros, menos suaves nas palavras, classificam como «bandidocracia»?!

 

Por mim, encontro melhor propriedade em chamar-lhe “mediocrecracia”!

 

Veja-se a quantidade de dirigentes e dirigentezinhos políticos que, na realidade, nunca exerceram uma profissão (ou se a exerceram, nela nunca passaram da cepa-torta e ou se o fizeram foi por um período que mal deu para aquecer o lugar!) e que encontraram na politiquice o mais importante modo de vida! 

 

Infelizmente, cá nesta terra do “Jardim das Berlengas”, não é exigido «exame de aptidão» para se entrar na política!

 

A falta de competência, de estudo, de talento é disfarçada com o chavão de «progressistas»!

 

A subida na vida, para eles, não está no «pulso», mas, sim, no obedecer e aplaudir o «chefe» …de «gabinete», da «concelhia», da «distrital», da «nacional», e na colheita de vantagens e benefícios que a impunidade consente!

 

Os flavienses, os portugueses, têm de se tornar mais conscientes do ambiente político e histórico que os envolve, darem-se conta da carga e do bombardeio de manipulação a que estão submetidos, e fugir do delírio com que são infectados!

 

Aos flavienses, aos portugueses, urge acabar com a indiferença à verdade e com o aplauso aos pantomineiros vestidos, ou travestidos, de políticos!

 

Quantas vezes me vem à lembrança, por laivos de comparação, ditados pela decadência da nossa cidade, a fraqueza dos «Judenrats»!

 

E, tal como a minha amiga Johanna Arendt, também eu me espanto: “Os nossos inimigos sabemos de sobra quem são; surpreende-nos a reacção dos nossos conterrâneos (amigos)”!

 

Por que há tanta gente a quem lhe custa mudar o seu voto, e tente aceitar os erros do seu Partido político ainda que tenha estado e continue vítima das suas injustiças e asneiras?!

 

Também eu, suspirando e lutando “por um mundo melhor”, tenho por convicção não devermos «esperar por uma deusa da História ou por uma deusa da Revolução para introduzir melhores condições nos assuntos humanos»: devemos, sim, “produzir e experimentar, de modo crítico, as nossas ideias quanto ao que podemos e devemos fazer agora   -   e fazê-lo agora”!

 

Aos mais descuidados, esclareço não estar empenhado no restauro do Passado, mas, sim, comprometido com o respeito ao Passado e em contribuir para um Futuro diferente!

 

Este, o Futuro, nunca é a continuidade, tampouco uma versão alargada do Presente.

 

Não abdico, não renuncio, não denuncio o meu compromisso com a História.

 

Não sou Sócrates nem Aristipo, mas flaviense de todo o coração, para poder insurgir-me contra os desmandos e desleixos de quem administra, e tem administrado, a “cidade”!

 

Sou um português, um normando-tamegano e um flaviense que deseja conservar do Passado aquilo que me parece bem!

 

A minha agenda cultural e social não coincide com a agenda política de Partidos políticos decadentes, com cheiro a mofo, cartelizados.

 

Deixo-vos com Hanna Arendt: - “O mal pode destruir o mundo, porém, profundo e radical só pode ser o bem”!

 

M., quatro de Abril de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

03
Abr19

Ocasionais

ocasionais

 

VISTOSIDADE

Olhares sobre o “Reino Maravilhoso”

 

 ……-Igreja Românica de Santa Leocádia, para mim a mais bonita e

interessante das igrejas românicas que temos no nosso concelho,

 por várias razões, e uma delas tem a ver

 precisamente com a sua vistosidade [i]

 

[i]Pelos vistos este termo não existe em português,

e temos pena, mas fui buscá-lo aqui ao lado,

aos nossos irmãos galegos que ainda falam

 parte do nosso português antigo,

e aí sim, a vistosidade existe e

 tem o significado que tem de ter, pois tem

o significado de: “qualidade de ser vistoso”

*Fernando DC Ribeiro*

 

 

O Post(al) de hoje[i], não foge à regra, nem à fatalidade, de encantamento e satisfação que causa imensos flavienses, normando-tameganos, trans-visimontanos, transmontanos e tantos outros que vêm a este Blogue deliciar-se com os Post(ais) do Fernando DC Ribeiro.

 

Já sei, já sei, que há alguns Blogues de outras províncias (ou NUT’s) que fazem QUASE o mesmo. Mas, quer «ustedes» queiram, quer não, ‘inda não se viu por aí um que «chegasse para este”!

 

Uma grande «porra» a desfavor do impacto que este Blogue poderia causar em fazer com houvesse gabelas de gente, procissões de popós e caminetes a visitar os «buraquitos» feiticeiros e enfeitiçados da NOSSA TERRA [ah! Carag galego! «sabinde» que a NOSSA TERRA é, para além de CHAVES: é Valpassos, é Boticas, é MUntalegra, é Verin, é (são)  as Terras de PENA (Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena!)] é a cegueira, a «burrice», as «vistas curtas», a ruindade, a  estupidez da cambada que tem estado à frente da Autarquia Flaviense!

 

A escopeta não está nem deve estar apontada só para os palermóides dos «presidentes»! Já se sabe que estes, para sustentarem a sua mediocridade, rodeiam-se de medíocres superlativos. Mas, para além dos «cretinos militantes», há sempre uns cachopos e umas cachopas, pertencentes à seita, com dois dedinhos de testa, e que podiam, muito bem, dar umas caneladas ou uns beliscões que chamassem à razão os irracionais que estivessem no comando disto, daquilo e daqueloutro!

 

Mas, os politiconeirinhos do “Arrabalde”, do “Aurora”, do “Faustino”, do “Clerc”, do “Mc Donald’s” e doutras tocas só têm «coraije» para o que «num debem»!

 

Mas, adiante!

 

O Post(al) de hoje, para além de um convincente convite e de uma fatal tentação para uma visita a SANTA LEOCÁDIA, ao (A)Brunheiro, a CHAVES, à Normandia Tamegana, acrescentou um { … como hei-de dizer … hum! … ia pra escrever «raminho d’hortelã», mas dada a “Quaresma”, fica a hortelã até aos “Lázaros” e, para os «Ramos», vou escrever … } um raminho de alecrim: VISTOSIDADE!

 

Já se deram conta do encantamento desta palavra?!

 

Pois eu vou acrescentá-la a todos os Dicionários que tenho!

 

Quero-a portuguesa!

 

Ai, se não quero!

 

Ai, isso quero!

 

Vistosidade é mais linda, mais expressiva, mais brilhante, mais real do que visualidade, ou visibilidade!

 

O acento afectivo com que o autor escreveu e nós (só eu?!) lemos a palavra diz bem da emoção que a leitura do texto fez, e faz, nascer em nós.

 

E a definição que o autor do Post(al), Fernando DC Ribeiro, lhe dá é tão categórica que até me faz lembrar Dale Carnegie: - “O que é evidente não se discute!”.

 

Não é por acaso que, por aí, quando alguma rapariga bonita [desculpem lá o pleonasmo; já se sabe que «elas» (‘inda pra mais as da NOSSA TERRA!) são sempre e todas bonitas, omessa!] vestia uma blusa «a modos que», uma saia plissada, uns soquetes primaveris, um vestido de chita , de seda ou de organdim (organdi) uma meia de seda , fazia «permanente», tranças ou um «puxo»  e adornava com uma ou duas travessas de marfim ou de madrepérola (tempo em que o plástico era raro),  a vizinhança (e os mirones, e os pasmados, e  … , da «esquina do Lopes», do Arrabalde, do Largo da Capela ou da porta da Taberna) exclama - “Que vistosa vais”!

 

E até os rapazolas, ou o «homem» («o meu», Eles diziam «a minha») ao ir para a Missa, a um casamento, pagar a «décima», ao «doutor», à «Cambra» ou ao «Civil» e se aperaltavam com camisa branca,, calça passada e vincada a ferro, barba aparada, a vizinhança e, ou a mulher declaravam: “Que vistosa vais”!

 

É por estas e por outras que se diz só os poetas podem mudar o mundo   -    os filósofos interpretam-no; os cientistas explicam-no; os artistas representam-no; os escritores traduzem-no; os deuses castigam-no; o diabo abençoa-o; e os anjos dançam em seu redor!

 

M., trinta de Março de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

 

 

[i] Esta nota abusiva, porque não é do autor do texto mas sim nossa, do blog, é só para dizer que este texto tem data de sábado passado e  o  “ O Post(al) de hoje” refere-se à publicação dess sábado, sobre Santa Leocádia ( https://chaves.blogs.sapo.pt/santa-leocadia-chaves-portugal-1843843 ).

 

13
Fev19

Ocasionais

ocasionais

 

BACKMONTANOS!

 

O vício e a petulância no recurso a frases feitas, a fórmulas e frases pré-formatadas; a «adverbialices» rebidas, a modismos descartáveis e a estrangeirismos envernizados só não tornam os textos, as reportagens, os comentários, os noticiários monótonos porque cobrem de pinceladas de ridículo garrido quem deles se serve por estúpida imitação corporativista, como biombo para disfarçar a ignorância ou má preparação acerca do assunto sobre o qual abrem a boca, e… porque, afinal, mostram muito pouco respeito pela capacidade intelectual dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores.

 

E como se já não bastasse a colonização económica a que os Portugueses estão submetidos, medra por cá demasiada gentinha a colaborar na colonização linguística, especialmente por parte dos “filhos de Drake”!

 

Tenho para mim como comportamento grave a demissão dos Jornalistas em contribuírem, como lhes compete, dar esplendor à nossa Língua   -   o Português!

 

Nas Rádios, nos Jornais, nas TV’s, a praga de disparates linguísticos e gramaticais está a ser mais incomodativa e impertinente do que um ataque de sarna, de sarampo ou … de vespas asiáticas!

 

Os enfermeiros, liderados pelos especialistas em Cirurgia, fazem uma greve, e logo jornalistas, locutores, apresentadores, opinantes «tugueses» tratam o feito como «greve cirúrgica»!

 

 Ora lá temos nós que, nem que seja um «traque» dado por um enfermeiro, ou enfermeira, qualquer coisa ou coisinha feita por gente da enfermagem passa a ser uma coisa ou coisinha «cirúrgica»!

 

A ambição de serem originais, de conseguirem um discurso, ou mesmo até uma frase, que lhes faça ganhar (Ah! Como eles se derretem a dizer «vencer»!) um premiozito qualquer, nem que seja um “Razzies” do sindicato da sua estimação, nlouquece-os, e, vendo-se tão incapazes e incompetentes, deitam a mão … e a boca a quanto modismo descartável, chavão e bordão de linguagem exista; a toda e qualquer «adverbialice». E, qual rebanho de medíocres, procuram conforto e apoio na amacacada imitação uns dos outros!

 

O “Louçã”, num plenário da Assembleia da República, fala do acordo com este e do acordo com aquele, e declara que os “acôrdos” são «acÓrdos»: e imediatamente todo aquele bando de ilustres e iluminados começa a grasnar «acÓrdos», em tom épico e tenórico, como se acabassem de ter uma revelação na Cova da Iria, na da Piedade ou na da Moura …. ou na da onça!...

 

Depois, mortinhos para darem nas vistas da camareira - mor do hotel de Buckingham, e convencidos que marcam pontos para a nomeação de «lord», até franzem a «brancelha» sempre que têm oportunidade de dizer e, ou, escrever «mídia»!

 

Só lhes falta mesmo apertar as ligas ao «jarreta» grego que renegou ser príncipe danês para aceder a duque escocês!

 

Ai não é?!

 

O «papa-mosquitismo» pelo Inglês, cedo ou tarde, vai levar os «tugaleses» a passarem a vida a fazer salamaleques a «quingues» e a «cuínes»!

 

A moda pegou: toda a lagartixa quer, à viva força, ser jacaré!

 

E como não têm cabecinha para mais, e já que as lagartixas que conseguiram açambarcar o sol … e a sombra da politiquice ficaram com o sebo todo para dar graxa ao Zé pagode, «os «papa-moscas e mosquitos» «tugaleses» valem-se dos arrebiques que lhes proporcionam uns palavrõezitos repimpados de Inglês grão-bretão, californiano e … do Cais do Sodré para se fazerem ver, ouvir e falar inventando um novo idioma:

 

-   o  “PORTUGENGLISH”!

 

Numa actividade, ali para as bandas da “baía dos porcos”, fruto do neo-«empreendodorismo»  «tugalisca» do séc. XXI, onde se emborcam umas bejecas, e se realizam umas outras actividades sucedâneas, a pedra de toque da inovação do brilhante «empreendodor tugalês» está bem à vista de quem passa ali na rua:

 

- “ENTRADA pela BACKDOOR”!

 

O que lamento e me enfada é ver tanta gentinha deslumbrada pelo «oxfordês» de Yorkshire ou de Finsbury Park e conheça tão mal o seu idioma  - o Português!

 

Vão pró rai que os parta!

 

Não falta nada para que nas Antologias e Enciclopédias; conferências, entrevistas, discursos; «lançamentos» de livros, de pedras, de discos … voadores ou de música «pimba»; de campanhas políticas; tomadas de posse; libelos acusatórios, e de concursos para botar figura em Telenovelas da Malveira; para sublinhar as supremas qualidades e os doutos conhecimentos de oradores e candidatos, estes se refiram, por exemplo,  a Bento da Cruz, a Domingos Monteiro, a Araújo Correia, a Rogério Ribeiro Gomes, ao soldado Milhões, a Edgar Carneiro, a Adérito Freitas, a Alexandre Parafita, a Graça Morais, a António Pires Cabral, a Gil dos Santos,  a Fernando DC Ribeiro, a Miguel Torga,  e até ao Padre Fontes como ilustres «BACKmontanos!

 

A Inglaterra perdeu a «jóia da Coroa»! Mas encontrou aqui, no “Jardim das Berlengas” um novo rebanho de sipaios!

 

Porra!

 

Isto deixa-me mesmo pouco católico!

 

Para além do mau uso do léxico da nossa Língua, o Português, os cultos, os eruditos, os sábios, os líderes (de quê?!...), os iluminados, os «cheios de importância» «tugaleses» desviaram do Trent e do Tamisa, do Ohio, do Colorado, do S. Joaquim e do Mississípi enxurradas de termos que contaminam uma Língua que lhes merece mais respeito que qualquer outra   -   o PORTUGUÊS!

 

E, para facilitar o engano que aos políticos lhes permite a sobrevivência e aos jornalistas a aparência, a Rádio, a Televisão e os Jornais oferecem catadupas de trivialidades e de compensações emocionais.

 

Não me venham com a treta de ser este um processo de aumentar, ou afirmar, a auto-estima dos «tugaleses»!

 

Porque se confunde auto-estima e orgulho com fanfarronice, e a propaganda política e os políticos espalham profusamente o vírus da bazófia e da estupidez mascarada de arrogância, não admira que os vícios de linguagem, os erros gramaticais, os disparates de pretensas metáforas, os estrangeirismos despropositados sejam usados por tanto sapateiro que quer subir acima da chinela, por impostores politiconeiros, que não pretendem mais do que confundir a mente de uma população  transformada em massa ou em chusma.

 

O eufemismo, a metáfora, e os estrangeirismos cosméticos são conveniente e abusivamente utilizados por aqueles que mais preocupados estão em esconder a realidade, em mentir como se jurassem verdades sagradas, em confundir o espírito e a razão de quem pretendem dominar e controlar.

 

Os jornalistas e os jornalistas-escritores demitiram-se, uns por incompetência, outros por conveniência, da responsabilidade que lhes cabe na crítica à perversão da linguagem e da Língua.

 

A ânsia de manipular os cidadãos; os eleitores; os consumidores, os adeptos, enfim, as populações, leva a trupe de medíocres e impostores, que abunda na política e nos media, a empregar palavras e expressões que não se usam para traduzir o que realmente expressam.

 

Atrasos de vida” na Língua Portuguesa, julgam-se «modernos» ao usar e abusar de certos termos e feias asneiras!

O «também», o «claramente», o «aprofundamento», o «justamente», o «seguramente», o «transversal», o «fragilizar», o «agressivo»; e «democracia» pràqui e «liberdade» pràcola usadas a torto e a direito, de uma forma inflacionária, acabam por perder o seu significado.

 

E de tanto repetirem os disparates, essa trupe vulgar a querer fazer-se passar por erudita!

 

Salvaguardando o respeito que alguns (poucos e raros) jornalistas merecem, alguém dizia (António Guerreiro):

 

- “Jornalistas e políticos, ou melhor, políticos e pessoas que escrevem em Jornais (e falam na Rádio e na Televisão, acrescento) pertencem à mesma classe, funcionam segundo a mesma lógica e falam a mesma linguagem”.

 

Camões virá um dia na onda de nevoeiro do D. Sebastião, e reescreverá “OS LUSÍADAS” em “PORTUGENGLISH”!

 

M., sete de Fevereiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

30
Jan19

Ocasionais

ocasionais

 

“FUMEIRO de MUNTALEGRE”!

 

 

Este ano fui à FEIRA DO FUMEIRO, de MONTALEGRE.

 

Fui numa «excursão».

 

Na caminete, ao sairmos de Braga, uma senhorita, experiente em viagens excursionistas, foi ao microfone dizer que nunca tinha falhado um FEIRA DO FUMEIRO, DE MONTALEGRE -   já ia nas «vint’óito»  -  e chamou a atenção dos viajadores para as paisagens do Gerês.

 

Pedi licença para lhe lembrar que, a partir de certa fronteira, as paisagens também eram barrosãs!

 

 Alguém ouviu as minhas observações, dirigidas à companhia do assento, em relação às povoações, aos montes, às cortinhas, aos desfiladeiros, às barragens, e a outras particularidades (algumas com sabor a segredo), e insistiu para eu «ir ao microfone».

 

Não fui.

 

Pelos comentários acerca dos mosaicos da paisagem que se iam vendo desde a caminete, percebi que toda a gente sabia mais do Gerês e do Barroso do que eu.

 

Além desta grande diferença entre mim e os companheiros de viagem, havia aquela diferença insignificante da minha condição de, aí, no Barroso, ter frequentado o meu «jardim infantil» e a “Escola Primária», e regado as minhas raízes com as  águas do Rabagão, do ribeiro de Sanguinhedo, do Cávado, do Noro (Terva), do Bessa e do Covas, e do Tâmega, e das poças de uns rigueiros; temperadas com nevadas, que até faziam parar a «carreira do Marinho», ali por Penedones; por geadas, que me deixavam imitar,  a mim e aos meus companheiros de aventura, o Fângio, na descida desde a Misericórdia até às portas da Portela, a conduzir um «ferrari» feito com uma caixa do sabão, que «Casa Morais» ou o «Enes» m’arranjava;  e benzidas pela Festa do Sr. da Piedade; e enrijecidas em campeonatos de futebol, ora no adro da igreja, ora no relvado do castelo, ora no campo do Rolo, ou no da Srª da Livração, e ….

 

A guia, que escutou algumas vezes o que eu ía dizendo conforme o lugar por onde passávamos, comentava o brilho do meu olhar e a emoção que apanhava nas minhas palavras.

 

E eu nem sabia bem se era eu que estava a matar saudades ou se eram as saudades que me estavam a matar a mim!

 

Mas, adiante!

 

Paragem na coroa da Barragem da VENDA NOVA, para fotografias.

 

Afinal, nas conversas avulsas, vi que ninguém sabia como ir à Ponte da Misarela; ninguém conhecia a “Ponteira”, nem o Outeiro, nem a Barragem de Sezelhe. Todos tinham ouvido falar de Pitões das Júnias. Nenhum conhecia o Forno do Povo de TOURÉM.

 

Todos conheciam a fama de bruxo, do Padre Fontes. Alguns já tinha ido a Vilar de Perdizes, ouvi-lhes.

 

Nenhum conhecia Bento da Cruz.

 

Pedi à guia para referir, pelo microfone, este insigne Normando-Tamegano barrosão.

 

Alguns tinham sido «funcionários da EDP», na construção da “Barragem dos Pisões”.

 

Isso deu-lhes o direito de conhecer melhor do que este humilde peregrino (que, em cada aventura em que se metia, em cada viagem que fazia ou ainda faça, fica sempre surpreendido e admirado com novas descobertas barrosãs!) «O BARROSO»!

 

No “Sol e Chuva”, atirámo-nos ao «cozido»!

 

Pelo «andamento», receei já «não chegar a horas do horário da Feira do Fumeiro»!

 

Para os que me acompanharam na excursão, se não para todos, pelo menos para a maioria, o ponto alto da visita à Feira tinha sido atingido!

 

Realmente, “o Renato e Família” serviram um cozido que foi um regalo de fartura e de paladar!

 

E, fosse lá por que bruxedo fosse, a mim, mesmo em frente ao meu prato, vieram pôr três ossos (ó «inbejôsos», tam’ém tem de me calhar alguma sorte, carago!), daqueles que eu, noutros tempos, ia por aí, pela Normandia Tamegana, comer numa ceia muito especial,  acompanhados com umas batatas e umas couves espigadas das «nossas» ou uns grelos dos «nossos», bem regadinhos com um azeite do «», e tudo benzido e abençoado com uma pinga, da adega de uns ou da adega de outros!

 

pró meio da tarde, sempre se conseguiu (mos) chegar a MUNTALEGRE.

 

Como era sexta-feira, não andava lá muita gente.

 

Melhor.

 

Deu para ser surpreendido por um amigo dos tempos das juvenis escaladas aos Penedos de Santa Catarina e de se matar a sede na “Mijareta”, e por outros amigos de CASTELÕES. Estes deram-me a boa notícia que o estradão, desde a ALDEIA até à Srª do Engaranho está alcatroado. “São mil e cinquenta e cinco metros de alcatrão”, disse-me e repetiu «repetidas vezes» o meu amigo Júlio de Castelões.

 

O entusiasmo, a dedicação e o carinho que os Castelamunenses votam à sua ALDEIA e ao seu Santuário, e a hospitalidade com que recebem quem os visita, merece bem este apontamento.

 

Mesmo nem que seja só para desfrutar do sossego e das paisagens e horizontes que dali, de CASTELÕES, se alcançam, mais do que valer a pena é uma sorte ir até lá!

 

De fumeiro, abasteci-me nalguns dos expositores. Mas também trouxe, para me consolar cá em baixo, folar, pão centeio e mel de Pitões da Júnias.

 

Este ano, não vi ninguém a vender batatas (Na minha anterior visita ainda arranjei um saco)!

 

No Bar dos Bombeiros de SALTO, «molhei a palabra» na companhia de novos amigos barrosões, e tive uma amena conversa com os bombeiros que me atenderam (fiquei contente por saber que o Grupo de Cantares de SALTO continua).

 

Valeu-me ter levado um saco para transportar as compras e a caminete da excursão estar paradinha ali mesmo em frente à porta do “Multiusos” de MONTALEGRE!

 

Claro que tive de fazer algumas «reviangas» pelas escaleiras abaixo, porque outros «fumeiristas», quer-se dizer, visitantes da FEIRA DO FUMEIRO, DE MONTALEGRE, em vez de trazerem, nas mãos ou aos ombros, saquinhos com chouriças, salpicões e linguiças, transportavam uns quartilhos bem medidos, talvez até umas canadas, de tintol … ou de cerveja!

 

Atão, com as concertinas «a rasgar»!...

 

M., vinte e sete de Janeiro de 2019

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

16
Jan19

Ocasionais

ocasionais

 

“A vida tem destas coisas!”

 

 

*Nunca somos tão infelizes como cremos,

nem tão felizes como ansiávamos*.

- La Rochefoucauld

 

 

Em criança, nos dias que vivi lá pelas minhas Aldeias Trans-visimontanas, ouvia com frequência esta expressão: - A vida tem destas coisas!

 

Uma geada , que queimasse o renovo; uma queda de granizo (de «pedra», usava-se), que rachasse as uvas e as videiras, lá pelo Santiago; o coice de uma mula, que mandasse alguém para o hospital; a turra de um carneiro, que partisse o braço de uma criança (mesmo que ela estivesse a tocar uma «corneta de S. Caetano»!), para dar trabalho ao Garcia; a notícia do decesso de um parente de um vizinho, lá no Brasil; o par de namorados que, contrariando a vontade da mãe de um e do pai de outro, fugia de casa, para fazer o ninho; tudo isto, e tanto outro, parecido ou semelhante, interpretado, transmitido, contado, meditado, fazia sair do peito e da boca das mulheres desse tempo um «amén», de final de discurso … ou de secreta oração: - “A vida tem destas coisas!”.

 

Era a confissão de uma resignação, com se a vida tivesse de ser vivida no seio de um vendaval de fatalidades, de desgostos, de tragédias.

 

Como se até apanhar sol fosse crime ou pecado!

 

Os sinos só serviam para tocar a rebate, para um incêndio, para um sermão, para ladainhas a santos e virgens, para preces choramingas a filhos legítimos e a filhos zorros de um «pai do céu» que nem sabe onde os filhos da Terra penduram o pote! E para dar ao coveiro o sinal de partida para ir comprar um garrafão de vinho à taberna da Aldeia!

 

Modernamente, os sinos fazem tocar o badalo para «dar horas»: inteiras, meias e os «quartos»!

 

Mas Auschwitz e Hiroshima transformaram o mundo.

 

O “Maio de 68” e “Woodstock” roubaram o mel à Lua e inundaram a Terra com leite … da cabra que amamentou Zeus!

 

E o tema de um filme, ainda a preto-e-branco, que vi na minha juventude, também me recorda a dimensão, a surpresa e o despertar que o homem pode ter: “Um homem tem três metros de altura”  -  tradução à portuguesa de “Edge of the City”.

 

Três naipes do jogo da nossa vida, da minha e da vossa, a dizer-nos como um quarto naipe   -     um terno, uma dama, uma quadra   -   poderia ditar-nos uma sorte diferente nas relações com o Outro    -   familiares, profissionais, de amizade, de amor.

 

Não vai há muito, cinquenta anos depois da promessa de um sacho no ar ter deitado por terra a promessa de um amor mais lindo que o luar de Agosto das Aldeias flavienses, o pretendente e o ascendente da cachopa flor de carqueja encontraram-se numa pequenina festa, lá na freguesia.

 

Na sombra e no segredo da barulheira e da distracção da gente reinadora, os dois abraçaram-se com discrição. O tempo, o trato de um e as notícias de outro fizeram ver ao ascendente que ao escolher a sena de paus perdeu o valete de ouros como trunfo   -   o pretendente segredou-lhe:

- Eu gostava mesmo da sua filha!

- O ascendente, sorrindo com amargura, puxou, do bolso, por um lenço; enxugou as lágrimas. E, pegando no braço do pretendente, com a força que os anos acima dos noventa e a fraqueza da doença lhe permitiu, murmurou:

            - Eu sei! Eu sei! Eu soube! Eu soube!

                         A vida tem destas coisas!

 

M., catorze de Janeiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

05
Jan19

Ocasionais

ocasionais

 

“14º Aniversário do Blogue CHAVES”

 

 

“Qui touisiours prent et rien ne donne

L’amour de l’ami abandone”

- provérbio francês do séc. XVIII-

               

 

Está mais que visto: os visitantes e os leitores do Blogue “CHAVES”, não gostam mesmo nada do que eu nele escreva, seja contos, seja crónicas, seja comentários, seja loas a amigos e à NOSSA TERRA, seja ao BLOGUE.

 

Há já muito deveria ter ficado «manso e quéto» aqui no meu cantinho.

Mas….

 

Por mais que queira não querer meter o bedelho neste Blogue (pelo que me anda a constar, ele até, feito por quem é, não pertence a quem o faz e o ajuda a fazer, mas, isso sim, a quem dele se serve para  alimentar os seus odiozinhos, frustrações, sentimentos de culpa e de inferioridade, as suas torrentes de imbecilidade e, principalmente,  o seu mar de mal de inveja!), acabo sempre por me deixar levar pelas vagas das emoções e pelas ondas dos sentimentos que, mal “aibro” a porta do Blogue, tomam conta de mim.

 

Em Dia de Aniversário, não posso faltar com a minha palavra. E assim vos confesso que  na descoberta e no usufruto do Blogue “CHAVES”, encontrei uma nova “identificação como fraternização”, um novo laço com conterrâneos e flavienses, naturais ou por adoção, um gosto especial  -   uma afeição é o que o «gôsto» significa   -  por um punhado de rapaziada da MINHA (NOSSA) TERRA que, especialmente com o Blogue “CHAVES” e seu autor, Fernando DC Ribeiro,  «descobri» (e continuo a descobrir).

 

São homens e mulheres, rapazes e raparigas a fazerem-me acreditar na libertação da MINHA (NOSSA) TERRA, na recuperação e alargamento da sua Autonomia.

 

Tem-me faltado jeito e forças para ser mais demolidor no combate contra o exército de cretinos, incompetentes, pedantes, imbecis e idiotas que têm administrado a NORMANDIA TAMEGANA, e substituí-los, DE VEZ, por gente honrada, competente, leal e justa, íntegra  e empenhada, entre a qual conto o «punhado de rapaziada» referido.

 

Na NET, e com os sinais do Blogue “CHAVES”, os caminhos que encontrei não foram os «caminhos do bosque», caminhos sem saída.

 

Bem sabemos (bem sei eu, e mais e  melhor sabeis vós!) que os Blogues nascem como cogumelos em dias de chuva outonais.

 

Mas, por mais «noβidade» que sejam e nos atraiam a atenção, há sempre uns que vão passados, ficam mais habituais, para a coluna de «Favoritos».

 

Estranho (até nem estranho!) a gosmice de muitos visitantes (a gosmice de habituais, normando–tameganos, diferenciando aqueles visitantes que até, provavelmente, nunca atravessaram fronteiras para entrar em Portugal ou em Trás-os-Montes!) deste  e de outros Blogues «patriotas» (isto é, empenhados em «falar» do torrão natal) nunca «abrirem a boca», permanecerem «de bico calado» toda a vida, desfrutando do bom que um Blogue desses lhes dá, diária ou periodicamente, e se mantêm calados «que nem um rato», sem a coragem ou a nobreza de deixar um comentário ou até só um «Obrigado» a quem lhes dá um gosto na vida!

 

Alguém me disse, um dia: - “Os flavienses desconfiam de quem os estima e são uns crédulos, uns «patos-bravos», para aqueles que os engrampam!”.

 

Sempre, e quando, colaboradores do Blogue “CHAVES”, e mesmo até autores de outros Blogues da NOSSA TERRA, louvam as belezas e grandezas das NOSSAS ALDEIAS, não o fazem por estar contra o Progresso. Insurgem-se, isso sim, contra as carências, o abandono e a desconsideração a que, em nome do dito Progresso, figuras e figurões responsáveis pela administração pública as condenam. A perda do quinhão que cada homem tem de ruralidade (quem não tem dela raízes?!) condu-lo à desumanização.

 

Hoje, primeiro quartel do século XXI, quando a maioria dos naturais de qualquer um das nossas ALDEIAS é gente estudada, viajada, cosmopolita, que até fala «lulo-dilmês brasileiroca», «fracês e franciú», inglês  «oxfordbridgês» e «lusês», e outras «linguices» cheiinhas de modismos descartáveis, adverbialices de enjoativa pedantice a insinuarem uma  soberba sapiência mesmo assim a disfarçar tão mal a sua vergonhosa ignorância e suprema mediocridade, raros, raríssimos ou nenhuns, mesmo consolados por encontrar neste Blogue a generosa e gratuita oferta de um respeito histórico e de um louvor público pela terra onde nasceram, muito estranho que, assinaladas as suas visitas aos Post(ai)s aqui editados, não deixem nunca uma palavra a traduzir o que lhes vai na alma, de lembrança, de recordação, de gosto ou de desgosto, de saudade ou de voto: - “Temos pressa na vingança, ao passo que mandriamos a pagar outros tipos de dívida  -   e principalmente as dívidas de gratidão”!

 

“Fado, Futebol e Fátima” era a sina dos portugueses, de há cinquenta anos para trás!

 

Futebol, Fátima e «ph»ulhiticonice é o fado a quem entregam o destino!

 

A Memória, o Respeito, a Veneração, a Identidade, a Saudade, hoje, não contam para os cavaleiros do efémero.

 

Claro que muitos dos visitantes, deste e de outros Blogues, são «inimigos» do(s) autore(s). E, por aqui, ou por lá, aparecem «à coca» de um erro acidental ou de uma notícia que não lhes agrade, ou convenha, para se mostrarem assombradamente escandalizados e ir para as suas tertúlias «dar à língua», com aquele ar de fanfarrão cobardola.

 

Está visto: - “A mediocridade não tolera excepções ilustres”.

 

As velas [14] para o BOLO de Aniversário ofereço-as eu, e por mim abençoadas para que protejam o BLOGUE “CHAVES” e o seu autor, de todos os maus espíritos, durante todo o ano.

 

E invocarei a Zeus e aos deuses egípcios que concedam ao autor do Blogue o poder muito especial do número catorze!

 

Do discurso aspasiano, seja-me permitido derivar o meu: - no Blogue “CHAVES” e nos Blogues DE CHAVES «combateremos contra flavienses para a defesa dos Flavienses, e contra os politicastras, e “Bárbarospoliticoneiros partidocratas ou apalancados no “Paço do Duque”, em Belém e S. Bento, para defesa da NORMANDIA TAMEGANA inteira»!

M., dois de Janeiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

defensor de CHAVES

 

 

06
Dez18

Ocasionais

ocasionais

 

Maryprosa”

 

 

“Dêem-me mandrágora a beber

para que possa dormir

 durante todo este tempo

em que ....

«a minha Tera natal»

estã ausente”.

-paráfrase- LF

 

 

**Lá fui por aí acima com a minha cara-metade.

 

Conheço a Régua, Pinhão, Alijó e Favaios do Moscatel, Moncorvo, Alfândega da Fé, Miranda do Douro, Mogadouro, Bragança, Mirandela, Macedo de Cavaleiros (e até o Vale da Porca!) e Vila Real.

 

Ainda não tinha visitado CHAVES.

 

Estive perto quando fui a uma Feira do Fumeiro a Montalegre. Valente Feira!

 

Por outra vez, num Dia de “Volta a Portugal”, estive nesta Vila Barrosã, e, com outros amigos, aproveitei para regressar por Sezelhe (Barragem), Paradela do Rio (Barragem), ficar ainda mais deslumbrado com uma Aldeia chamada PONTEIRA, descer até à Ponte da Misarela, virar para trás para a croa da Barragem da Venda Nova e seguir para a de Caniçada, tendo pernoitado no S. Bentinho de Porta Aberta.

 

Já tinha conhecido um OUTEIRO em Bragança; neste roteiro conheci o OUTEIRO de Paradela do Rio.

 

E, «agôra» em CHAVES, topei com três Outeiros: Outeiro Seco, Outeiro Jusão e Outeiro Machado. Falo neles porque, quando no passeio de carro pela margem direita do Tâmega, para montante, além de ter apreciado a veiga numa certa perspectiva, ter dado com os olhos em três ou quatro coisas de que nem quero falar, cheguei a um ponto em que tive de fazer um ângulo recto, à esquerda, para não seguir por um carreiro que já era «terras de Espanha»  - e quando cheguei outra vez a Outeiro Seco tinha passado por uma Vila, um Vilarinho, um Vilarelho e uma Vilela; o segundo, entendi-o melhor quando visitei o “Castro de Curalha” (que coisa maravilhosa! Até coelhos bravos nos vieram saudar! Ou seriam mouras encantadas?!...) – e achei o nome de «Jusão» muito bonito, em vez de «a jusante»; o terceiro, procurei-o por o meu amigo já me ter falado dele: afinal fica num rico vale, no Vale de Anta!

 

Não procurei um quarto Outeiro, o Outeiro Ladrão, com medo de nele ser roubado (bem, isto não é bem verdade: é que me disseram que o ladrão estava morto há muito tempo e que o Outeiro foi arrasado há pouco tempo).

 

Mas, como estava a dizer, fui por aí acima com a minha mulher   -   ó dianho! Tenho de ser moderno, estar na moda e dizer «minha namorada» (bem namorámos desde o 4º ano de Liceu e estamos casados há .... uma «porrada» de anos), que é para dar ares de «prà-frentex»!

 

Uma auto-estrada que podia muito bem ser um lindo miradouro   -  os pedaços de paisagem que se apanham assim o prometem   -   esconde mais do que aquilo que devia deixar ver!

 

Estacionei no “Jardim das Caldas”.

 

Subi a “Rua do Sol” pela sombra que me dava o passeio do lado esquerdo (o dia estava quente). Logo dei com o seu recomendado “João Padeiro”: encomendei-lhe os folares para o dia e hora do regresso.

 

Achei interessante aquele correr de casinhas baixinhas encostadas ao que julgo ser um pano de muralha. Uma viela a começar junto a um quiosque deu-me o palpite de ser entrada para a zona histórica da cidade. Meia dúzia de passadas e um cruzamento com uma rua estreita, breve para a esquerda e mais comprida para a direita. Segui por este lado, e fui dar a um parapeito.

 

Virei à esquerda e cheguei ao fundo da rua que soube ser a Rua Direita.

 

Aí, olhei para perto. Gostei do Lugar, a que disseram chamar-se “O ARRABALDE”. Veio-me à lembrança o seu “Os bearnesbaques do Arrabalde”.

 

Aí, olhei para longe. E vi uma linda cúpula de uma Igreja, uma montanha com lindos matizes a desenhar uma fronteira com o céu. À distância, pareceu-me ver espreitar a Torre de um Castelo.

 

Subi a Rua Direita. Umas Escadinhas, à esquerda, despertaram-me curiosidade. Mais acima deparei com um pequeno Largo onde está a Igreja Matriz e um edifício com interessante arquitectura.

 

Segui ao Rua Direita até ao cimo. Deu para uma descida a começar com um Largo ou pequena praceta. Disseram-me ser  “O Largo do Anjo”. Mas a estátua era a de um padreco!

 

Procurei a “Casa dos Pastéis”.

 

Afinal, ali, à mão de semear, ou seja, de dar ao dente, havia quatro Pastelarias de “Pastéis de CHAVES”!

 

Antes de almoço (a hora aproximava-se) provar quatro “Pastéis de CHAVES” pareceu-me demasiado.

 

Fui à “Loja dos Prazeres”.

 

Provei um. Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Desci uma rampita de zinco, e, ao balcão, pedi um “Pastel de Chaves”. Quentinho, avisaram-me para ter cuidado com a dentada.

 

Soprei-lhe de mansinho, convencido que ninguém daria conta. Pelo canto do olho reparei que alguém, na mesa da entrada, sorria.

 

Fiquei com vontade de outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Atravessei o Largo e segui pela Rua “1º de Dezembro”, larga, bonita, ao fundo da qual se adivinha um Jardim.

 

Entrei na alcova da “Princesa” e pedi-Lhe um “Pastel de Chaves”.

 

Não é todos os dias que se vê e se fala com uma princesa. E quando tal acontece, quem é que não fica derretido?!

 

Dei um primeiro beijinho, alto!, estou a sonhar, uma primeira dentadinha no “Pastel de Chaves” e fiquei derretido: tive a impressão que a princesa,  alto!, estou a sonhar, o Pastel se me derreteu na boca.

 

Apeteceu-me logo outro.

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Voltei para trás e fui à procura da “Tia Maria”.

 

Meti pela Rua do “Cândido dos Caçadores e da Feijoada”, virei à esquerda, admirei-me com o Jardim do Castelo e a Torre de Menagem.

 

Não foi preciso muito para acertar com a casa da “Tia Maria”: um cheirinho especial levou-me lá direitinho.

 

Duas senhoritas cheiinhas de simpatia facilitaram-me,  com um daqueles sorrisos que até nos fazem tropeçar, a descida dos degraus de entrada.

 

- Venho conhecer e provar “O Pastel de CHAVES”.

 

Lourinho, quentinho (e nisto eu já estava avisado), foi-me servido com toda a delicadeza.

 

- Cuidado não se lhe queime a língua, disse uma das senhoritas.

 

Estive mesmo para soltar uma gargalhada: encontrei no aviso uma cúmplice duplicidade de intenção.

 

Ainda não o tinha acabado, e já me estava a apetecer logo outro!

 

Até cheguei a julgar que era o primeiro “Pastel de Chaves” que estava a provar!

 

Mas saí, para não fazer a vontade ao diabo que me estava a tentar.

 

Como o Almoço estava aprazado para um Restaurante demasiado longe para ir a pé, voltei à esquina da “Rua do Cândido”, desci umas compridas escaleiras, atravessei um parque de estacionamento, apanhei a sombra das árvores de uma Rua, e, em frente ao “João dos Folares”, bolas!, “João Padeiro”, desci para o “Jardim das Caldas”.

 

Com o meu amigo me tinha falado nas virtudes milagrosas, especialmente digestivas, das Águas de CHAVES, já andava comigo um daqueles copinhos de encaixar, e fui à fonte «proβar», como por lá se «questuma» dizer, as águas.

 

Ai! Que bem me caíram!

 

Meti-me no carro e, graças às novas tecnologias, foi fácil subir até à croa de Stº Amaro e tratar do almoço.

 

O «agente-técnico-de-restauração-e-afins», com toda a cortesia, indicou a mesa. Depois, ao apresentar a carta do Menu, sugeriu que, hoje, tinha um  prato de «vitela guizada com cabaçotes”.

 

Soou-me uma campainha cá no toutiço: “Cabaça”, “Vitela”. “Batatas”!

 

’Stouque” foi ao meu amigo que «ouβi» falar de uma receita assim como muito especial, gulosamente saborosa, deliciosamente gulosa.

 

- Ora isso mesmo!  - disse eu, com certa euforia.

 

Nem lhe digo, nem lhe conto: foi cá um dos petiscos! E a «pinga» estava a matar! E a sobremesa,  também recomendada pelo «patrão»....!

 

Almoçadinho tão bem e tão regalado como estava, voltei com o carro para o “Jardim das Caldas”.

 

Apanhei uma sombra. E fui beber mais um gole de milagre digestivo.

 

Metendo conversa com um peregrino, comentando o milagre com que eu já tinha sido abençoado antes de almoço, e as belezas deste “Jardim das Caldas”, corrigiu-me, num galego-transmontano, que, sendo ele um frequente visitante desta cidade, sabia que o Jardim se chamava “Jardim do Tabulado” e não “das Caldas”!

 

E recomendou-me, se por acaso eu quisesse ter mais um motivo de diversão nesta visita, que reparasse no nome das Ruas, vielas, avenidas ... e canelhas!

 

Aqui, fiquei como numa “estrada sem saída” (é o que dá ter nascido e crescido uma floresta de cimento armado!).

 

Fui para o Hotel esconder-me da caloraça, dormir uma sesta.

 

Depois da sesta, e para abrir apetite para o Jantar, fui de carro pela ponte de S. Roque, estacionei perto da antiga Estação e dei uma volta por aquelas redondezas. Vi o Estádio do “Depor”, apreciei as muralhas que protegiam a “Srª das Brotas”, descobri a “Panificadora do Nadir” e o «cañon» por onde outrora circulava o comboio.

 

O Monumento aos Mortos da I G.G.  achei-o com muita dignidade   -   um importante e significativo testemunho de reconhecimento dos Flavienses.

 

Chegada a «hora da janta», fui regalar-me, mais a minha namorada, ‘stá claro, a um dos mais famosos Restaurantes da cidade. Antes de sair para um passeio pela Ponte de Trajano e pela margem do Tâmega, compus-me com um  traguinho abonadinho (repetido) de geropiga!...

 

Caro amigo, assim foi o nosso, o meu e o da minha (faço por não me esquecer da modernicice, claro!) namorada, primeiro dia da conquista de CHAVES.

 

E, com este balanço, fizemos as expedições dos curtos dias de férias que fomos passar à sua «terrinha natal», e, no final, quem acabou por ficar conquistado foram estes dois, bem levados na sua cantiga!

 

Já lhe deixei umas referências a algumas expedições dos dias seguintes. Para a próxima, conto-lhe o resto.

 

Mas lá que CHAVES é um verdadeiro campo minado de tentações, de surpresas e de admirações, ai lá isso é! **

 

Num dos passeios pela fresca, na avenida junto ao mar de uma praia da Costa Verde, dei de frente com este casal, com que tinha feito amizade há ainda pouco tempo.

 

Como não podia deixar de ser, falara-lhe da NOSSA TERRA.

 

Hoje, depois das protocolares cortesias, convidaram-me para um refresco numa das esplanadas à beira-mar.

 

A dado momento, o meu amigo, a quem notei um entusiasmo de quem vai fazer uma surpresa agradável ou dar uma boa notícia, perguntou-me se eu tenho ido «à terrinha». E antes de eu lhe responder, atirou:

 

- Sabe....

 

E começou e acabou o discurso que acabo de vos dar a ler.

 

M., nove de Setembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

29
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

“Jogadas!”

 

 

Acabei de ouvir que  «inBejosos» das façanhas de «outros», que deram cabo da nossa «cidade», «estes» se desdunham raivosamente para estourar uma “pipa de massa” ao «dar cabo» do “Jardim do Bacalhau”!

 

Como se CHAVES, o Concelho, não tivesse muitas mais prioridades a justificarem a parangona da «requalificação»: as estradas e caminhos municipais estão desgraçadamente  desconsiderados com a falta de manutenção e de adequada sinalização vertical e horizontal; o Ribelas, onde outrora  brincavam escalos e bogas,  continua a ser um nojento e fedorento canal de esgoto, a contribuir para as náuseas que a fonte pública das “CALDAS” provoca logo à mais pequena cheia do Tâmega; o Castro de Curalha a reclamar a dignidade a que tem direito, com acessos, cuidados, adornos e protecção que a História e o orgulho da ALDEIA, da FREGUESIA, da Região merecem; o acesso, cómodo e seguro, à SRª DO ENGARANHO; a celebração tradicional e prestigiada da Srª das BROTAS; a restauração, o asseio e a protecção de “OUTEIRO MACHADO; o respeito pelo Solar dos Montalvões; o fim das vergonhosas lixeiras e poluição de OUTEIRO SECO; e a «requalificação» (como me delicio quando valdevinos se saem com esta para encobrir certas «jogadas»!) desta RIBEIRA de SAMPAIO, e de todas as Ribeiras de CHAVES!

 

CHAVES só tem tido homens pequeninos e superficiais a administrá-la! Cuidaram e realizaram (e continuam a cuidar e a realizar) somente simples fantasias, e descuidaram (e continam a descuidar), e, ou, foram (e são) incapazes de realizar aquilo que era, e é, mais adequado e correspondente com as necessidades da época!

 

Tal como os anteriores, os administradores de hoje demitiram-se de lutar pela instalação, aumento e melhoramento de Instituições de ingente importância para os Flavienses.

 

OS de agora enchem a boca com as «requalificações».

 

E sublinham essa nova cruzada de obras pantomineiras, salientando a «Requalificação» do “Jardim do Bacalhau”!

 

Os marmanjolas da politiquice de CHAVES preparam-se para as Eleições autárquicas distribuindo uns panfletos com arrumadinhos itens, a que chamam Programa eleitoral.

 

Apanhados lá no lugarzito da sua suprema e besuntada vaidade, apressam-se, mesmo aos tropeções, a adaptar as suas «promessas eleiçoeiras» a poucos legítimos proveitos  e a demasiados e incontáveis interesses íntimos, secretos, inconfessados e, ou, inconfessáveis.

 

E, com essa jogada magistral, conseguem manter a lorpice dos sempiternamente distraídos e convencidos flavienses.

 

Esses políticos «da Veiga e da Montanha ….  e do rai’que os parta», que têm andado por aí a estragar a “cidade”, entendem o mundo flaviense como um mecanismo.

 

Contesto-os porque entendo esse mundo   -   e todo o mundo de homens   -   como um organismo.

 

Diferencia-me dessa gente a sensibilidade e a contemplação, e o esforço de compreensão.

 

Àbaris nos acuda, e, tal como o fez com Esparta, nos liberte da peste política que tomou conta de CHAVES!

 

A vitória numas eleições autárquicas está longe de se assemelhar a uma vitótia nas Batalhas de Cannas ou de Zama; de Alesia ou de Farsalia; de  Austerlitz ou de Waterloo; de Berlim; de Ðiện Biên Phủ;  de Ourique, de Aljubarrota, de Alcácer-Quibir, ou de Montes Claros.

 

Porém, a exclamação que ficaria bem, e realmente honraria esses cabotinos polichinelos políticos, de CHAVES, e se com ela significassem um juramento sagrado, bem poderia ser, inspirada em Goethe, na Batalha de Valmy:

- “Aqui e hoje, inicia-se uma nova época  da História de CHAVES, e vós, FLAVIENSES, podereis dizer que estivestes presentes”!!!

 

Os novos gurus da política flaviense tomaram assento no Paço do Duque por terem peregrinado por todos os lugares santos da NOSSA TERRA, proclamando decretos do novo destino Flaviense com mais santidade e muito mais certeza do que os proclamados» pelas pitonisas de Pito.

 

A sua eleição depressa a comemoraram bebendo àgua do Rio do Esquecimento!

 

Os «Heróis de CHAVES” estão, ora, a ser substituídos por «heróis de penacho»!

 

E se a essa gentinha, disposta a estourar com uma pipa de massa em caprichozinhos de quem faz de umas «merdices» o ponto «h» (ou ponto «g») dos seus orgasmos políticos ou bestiais, nada lhes fizer arrepiar caminho, o responso pode prolongar-se por tanto tempo quanto o necessário para lhes dar na tromba com um «gato morto até este miar»!

 

M., três de Novembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

24
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

*Telélés, popós e sol-e-dós*

 

Houve tempo em que os Telefones só eram usados para actividades profissionais e casos de urgência.

 

Agora, são pretexto para entretenimento, para intrusão, atrevida e, ou, abusiva, na vida alheia, e como pressuposto adereço de um estrato social com que se sonha e nunca se alcança!

 

O Telefone   -   que diabo! Hoje até já é raro  dizer, ou ouvir dizer, telefone: o telemóvel passou-lhe a perna ao primitivo significado!    -   o telefone, perdão, o telemóvel transformou-nos a todos num alvo fácil, demasiado fácil, de atingir, estejamos nós a dormir ou acordados; na rua, no Café; no automóvel, no comboio, no barco, no avião; no escritório, no armazém, na oficina; no consultório médico ou no do advogado; no Parlamento ou na Biblioteca Municipal; num funeral ou numa missa campal; no quarto de banho, no quarto de dormir  ou --- no quarto de sentinela, em prisão ou em liberdade, enfim!

 

O «telélé» veio aumentar a promiscuidade (então as auto-estradas digitais!...).

 

Apetrechado cada vez mais com inimagináveis funções, o «telélé» tem crescido tanto na sua aceitação e multiplicando-se tanto nas soluções e vantagens da sua aplicação que nele se pode ver, ouvir e apalpar (tocar) o cumprimento da ordem divina do «crescei e multiplicai-vos»! Já se lhe contam quantas gerações?!......

 

Depressa os gramáticos farão um congresso mundial para decretarem o nome «telemóvel» (claro, os «brasucas», e outros anglófobos, vão reivindicar «celular») como substantivo colectivo, eh! eh! eh!

 

O automóvel, o «pópó», por cá, pelo «Puto», ainda funciona como uma expressão cultural. Mas o «telélé»já o ultrapassou no peso e na importância desse desiderato!

 

O telemóvel; o «pópó», o direito à greve, à liberdade de expressão, à «Igualdade»; a “profissão e a gravidez de risco”; o «salário mínimo» com rendimento máximo; os «direitos», agarrados ao peito com ambas as mãos, e os «deveres» deitados ao calhas para trás das costas acabaram de vez com o viver modesto de um viver a sério uma vida séria e com pensamentos elevados!

 

Há dias, Luís dos Anjos, na simplicidade das suas “Vivências”, deu aqui um ligeiro retrato do impacto do telélé no modelo de convivência familiar.

 

Quando, há umas boas dezenas de anos atrás, víamos fotografias de cantores-pimba, rapazotes enfatuados, ou candidatos a intelectuais de qualquer burgo, ou «parvalheira», em que faziam há-de conta estar a falar com alguém ao telefone preto, como se isso mostrasse a elevado grau da sua importância (sem fundamento definido) e, ou, a transcendência das suas invisíveis, mas insinuadas, virtudes, mas apenas importância, toda a gente estava longe de imaginar o vício desse tique de estar constantemente agarrado ao telefone, agora móvel (e, por isso, se dizer «telemóvel») ficarà mão, às falanges, falanginhas e falangetas; ao olhar, com o pescoço curvado para baixo, de uma maioria que mal deixa vislumbrar a excepção que confirme a regra!

 

Perturba-me ver muitidões heterogéneas de turistas, no PORTO ou em CHAVES e noutras cidades e lugares de visita cheios de interesse histórico, arquitectónico, paisagístico, apreciarem essas belezas através da câmara fotográfica do seu «telélé» em vez de admirarem esses encantos com os próprios olhos!

 

Para a ansiedade provocada pela falta do telemóvel (esquecido algures), menos do que espear pelo ««triim» do sinal de chamada e mais pela oportunidade de usar as multi-aplicações, tão queridas aos paladares emocionais tão consoladores de um ego viciado, até já foi inventado um nome: “nomofobia”   -  medo irracional de estar (andar) sem telemóvel   -  termo resultante do  acrónimo do termo em inglês  «No Mobile Phone Phobia».

 

Hoje, até parece que a companhia física de um amigo é bem dispensável: o calor humano está a baixar de temperatura. Mas quando num momento deveras difícil acontecer, dar-se-á conta da desvantagem no investimento errado de não se ter um ombro amigo em que se apoiar, um peito amigo onde chorar, uma abraço amigo de conforto e protecção.

 

A voz metálica que chegará pelo microfone do telélé não conterá o estímulo e o consolo que a voz do amigo presente tanto vale; o sms do telélé não terá o efeito tonificante das palavras que são ditas olhos nos olhos e com o palpitar dos corações a corresponderem-se tão sublimemente.

 

Afinal, tão preocupados em ter muita companhia através da marcação das teclas do telélé, convencidos de estarmos a mostrar a quem está, a quem passa, ou a quem nos possa ver que temos o mundo a nossos pés a prestar-nos uma inevitável atenção, não damos conta de que, na realidade, estamos sozinhos, numa triste solidão!

 

Está-se a viver a vida mais por uma tela de cristal do que pelo ar que se respira, pela paisagem que nos rodeia, pela palavra que nos é dirigida e pelo gesto com que nos acenam!

 

A necessidade do reconhecimento não é inevitavelmente satisfeita com as ligações, as mensagens, as fotos e os comentários ocos e fúteis trocados com a vulgaridade, a sofreguidão e o empanturramento com que realizam com o «smartphone»!

 

Não será de admirar que de tanta depressão resultem tantas tempestades!...

 

M., dezasseis de Novembro de 201

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

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