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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

07
Nov19

Ocasionais

ocasionais

 

TAMBÉMNISMO

 

“… a mim faz-me tristeza contemplar a ribaldaria

com que os belfurinheiros e lantejoulas

adornam a Língua de Camões,

despojando-a dos seus adereços diamantinos”.

Camilo- A queda de um anjo

 

Não querendo ficar atrás de corrente filosófica, literária ou artística, figuras públicas e figurões, e candidatos a figurões e a figuras públicas, com a saturação de tantas pantominas em todos os palcos; com o cansaço de tantas pincha-carneiras nos campos e lameiros da política; com infindáveis macacadas e macaquices em todos os galhos (ramos) de qualquer modo de vida, imensos (eles são cada vez mais!) «tugaleses» do “Tugaquistão” desunham-se raivosamente para fazer a «burrice» valer como sabedoria; o disparate, como subtileza; o erro, como exactidão; o absurdo, como sensatez; a palermice oratória, como soberba eloquência.

 

Tardiamente, e ao acaso, passaram os olhos por um livrito traduzido por um traduzidor, daqueles que encontra a folgança da sua glória intelectual em aplicar incansavelmente, e à trouxe-mouxe, advérbios, e toca a copiá-los!

 

Dá-lhes jeito para disfarçar a gaguez do pensamento; a tremideira do juízo; a insegurança da palavra; a traição do gesto, do jeito e do trejeito; a falta de sinceridade e de honestidade no que prometem ou afirmam.

 

Ligo a Televisão, e julgo assistir à «guerra da Cochinchina»: não há canal que se preze que não apresente um batalhão de «rangers», «comandos», «fuzileiros», «especialistas em minas e armadilhas», «paraquedistas», «caçadores especiais», «correspondentes de guerra»  a dispararem «mísseis» e «petardos» em «transições rápidas» de «transacções lentas»; garantindo «entre linhas» os «desequilíbrios» entre as «janelas de oportunidade» e as «zonas de conforto», numa «filosofia de jogo» de palavras assinalado tal como no da «delambida» , com sinais verbais onde pontificam o o «obviamente», o «seguramente«, o «também» como certificados  da infalibilidade papal com que conquistam as posições estratégicas, de «importância capital»  para a «entrada de capital» nos cofres dos seus ministérios!

 

Os realizadores dos programas, sabidolas, combinando o movimento da câmara com o plano, até nos apresentam cada um desses especialistas, tão parecidos com «jumentos nunca ferrados em condições», como autênticos ministros da Cultura.

 

Deleito-me com a «feroz competição» entre eles a ver qual o que usa com mais frequência, e «intensidade», numa das suas «transições rápidas», os bordões de linguagem que, entre si, estipularam estar mais na moda!

 

Eles dizem **pensar «claramente» que «de certeza absoluta» «talvez» o jogador ”A” é «claramente» «TAMBÉM» um «reforço» «claramente» nesta «janela de transferências» «claramente»  para este clube «TAMBÉM» jogando «claramente» nas «costas do ponta de lança» «TAMBÉM» «claramente» «flectindo para dentro» podendo «TAMBÉM» «claramente» «jogar a oito» «TAMBÉM» «obviamente» com «claramente» «grande margem de progressão» «TAMBÉM» «claramente»**.

 

Diamantino Viseu, Chibanga, Paquirri, El Cordobés ou Roca Rey «claramente» perdem «seguramente» com os empáfios figurões públicos e pindéricas figuras públicas, «obviamente», «nesta altura», «TAMBÉM», no sábio uso da muleta!

 

É manifestamente degradante a demissão de jornalistas e de «tudólogos» da sua responsabilidade no melhor uso da Língua Portuguesa.

 

O respeito pela POTUGUÊS (e o respeito por quem por ele tem respeito) deve ser manifestado a todo o momento e em qualquer circunstância. 

 

“A Língua é monumento que se deve amparar, embora admita uma riqueza nova ou um enfeite que a não destrua”.

 

É pena que alguns idiotas apenas tenham inspiração para larachas fúteis, convencidos de que são uns grandes «reguilas», não demonstrando mais do que a tentativa frustrada de disfarçar a sua mediocridade!

 

Se a Língua é mesmo essencial para a formação e continuação da Cultura, por este andar … bem que depressa passaremos a falar «berlenguês»!....

 

Tornando-se todos mais iguais uns aos outros, patenteiam as suas asneiras e disparates, e assim os exibem com supremas virtudes!

 

Afinal, são mesmo idiotas!

 

M., dezanove de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

25
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

 “PIROLITO e BOLAS-DE-UNTO!”

 

 

*A Democracia não pode ser

 a arte do mal menor,

só pode ser

a arte do melhor possível*.

- Claude Julien

 

 

O voto é o grande pirolito que dá ao «Zé Pagode» a ilusão de estar associado ao poder.

 

A trupe de governantes eleitos bem aldraba os governados, atirando-lhes com a «complexidade técnica» das suas opções ditas políticas.

 

Os deputados-membros da Assembleia da República, os membros (abusiva e pedantemente auto-intitulados «deputados») das Assembleias Municipais e os membros das Assembleias de Freguesia (de caminho também serão titulados «deputados freguesiais») apenas servem, e têm servido, para salvaguardar a fachada democrática: fazem que fazem que debatem competindo entre si a ver qual deles consegue a melhor piada, e, no final, deixam pra lá ou apoiam as politiquices dos governantes e governadores.

 

A frase que faz rir tem mais alcance do que aquela que compromete!

 

A preocupação dos candidatos está em exacerbar as paixões dominantes em vez de esclarecer a opinião.

 

Os padrões morais da «nossa» democracia são demasiados baixos.

 

Como lembra Freud, as multidões jamais têm sede da verdade: procuram ilusões às quais não são capazes de renunciar.

 

Os portugueses continuam a contentar-se serem cidadãos apenas nos dias de Eleições. Nesse entretempo, rendem-se à condição de trabalhadores, de consumidores e de pagadores de impostos.

 

“Os tugaleses” (Ai! E os «tugas» e «tugazinhos»! Ai, os flavienses!) contentam-se com o boletim de voto e o direito à greve! Contentam-se com pouco! Não dão conta que a sua liberdade é, e está, afinal, apertadíssima pela, cada vez maior, burocracia!

 

Uns, «Zé Pagode», e outros, governantes, enchem a boca de futuro, mas abarrotam o toutiço com desejos, preocupações e anseios imediatos!

 

É grande a incapacidade de uns e outros verem mais longe do que a oportunidade a que deitar a mão e meter p’rò saco!

 

“A Democracia entra em decadência no espírito dos cidadãos quando estes vêem na competição eleitoral não um meio de preparar o mundo que consideram melhor, mas o meio de evitar o que eles julgam pior”.

 

A democracia entra em decadência quando o único poder reconhecido é o de depositar, de quatro em quatro anos, um boletim numa urna”.

 

Que adianta votar?

 

Os «lobbies» decidem por nós!

 

Nós, eleitores, somos apenas um número, um código!

 

O Estado serve apenas para criar, aumentar e manter os privilégios de moinantes, cretinos e parasitas e fazerem estes passar por elites!

 

As eleições são divertimentos pré-fabricados para distrair o povoléu.

 

Por cá, pelo “Jardim das Berlengas”, as Eleições são um desgarrado leilão para cargos públicos, destinados a lucros privados e a despesas públicas!

 

São um ritual.

 

Deveriam ser uma escolha!

 

Os eleitores, na sua maioria, são apenas fiéis servidores de um poder de quem esperam favores, o tal «jeito», o cúmplice «mexer dos cordelinhos»! Mal se dão conta de que elegem desmancha-prazeres!

 

O rebanho tem medo da reflexão, pois esta determinaria um certo afastamento entre os seus membros e uma exposição da idiotice e da mediocridade de cada um.

 

O Povo português, a maioria dos portugueses, continua ensopada por preconceitos, superstições e irracionalidade da religião.

 

Quanto vale um Boletim de voto?

 

“Numa DEMOCRACIA, o único direito que o Povo reserva é o privilégio ridículo de eleger periodicamente um grupo de amos” – dizia V. Considerant.

 

Por cá, as campanhas eleitorais são realizadas com pinceladas à «Fest» (escrevo assim porque a modernice pimbeira proibiu e excomungou a palavra portuguesa «Festival»), à «Woodstock” ou à «Isle of Wight» (bem, com um cheiretezinho do «Fest» de «Vilar de Mouros!,…); os candidatos, em vez de convencerem os eleitores explicando os temas dos seus programas, preocupam-se em deslumbrá-los com pantomina, cantilenas e fantasias. E entremeiam todo esse espalhafato com promessas ridículas e falsas, e outras jaculatórias políticas!

 

Nos comícios, nas passeatas, nas mesas redondas, ovais ou poliédricas, não se discutem ideias nem projectos: - discutem-se bandeiras e propaganda!

 

A democracia terá o seu fato de cerimónia no corte e na fazenda como são feitas as campanhas eleitorais?!

 

Tendo por bem também entender-se a democracia em assíduo diálogo entre eleitores e candidatos e eleitores e eleitos, a que conversa se assiste, por cá, entre uns e outros?

 

Os candidatos, cobertos com o chapéu da virtude, visitam Aldeias e freguesias; creches, escolas e refúgios sociais, passeiam pelas feiras e entram em tabernas certificadas   -   mas só lhes toca o coração as vezes que emprenham pelos ouvidos!

 

Coitados! Fazem-me pena!

 

Imensa pena!

 

De «bimbos» e cretinos militantes está Portugal cheio!

 

Andasse, hoje, por aí Platão e mais firmemente ficaria convencido de que os discursos, as decisões e acções dos nossos políticos   -   e dos que fazem há-de conta sê-lo!...   -   são «movimentos de títeres accionados por mão invisível oculta nos bastidores» [Numa Democracia autêntica, a diferença entre o poder político e o poder económico (e financeiro) terá de ser nítida e evidente. A aldrabada «sempre jovem» democracia portuguesa está cheia, cheiinha, de rugas de promiscuidade e poucas-vergonhas que, mesmo até, descaradamente faz questão em alardear]!

 

Ambicionando por uma reputação falsamente importante   - «presidentes» da …  Junta, da Câmara, ou de comissões; vereadores, chefes de gabinete, vices-de-qualquer-coisa; deputados anónimos ou ignorados; delegados a Convenções ou a Congressos partidários (com o glorioso proveito de uma passeata e de manjedouras de «tit-bits»   - para ser mais fino!)   -   fora desse mundo de sórdida politiquice, viveriam «tristes e sós», pois não saberiam suportar-se mutuamente nem manter a auto-sobrevivência!

 

E por aí, por CHAVES, medra o culto da adulação!

 

Na realidade, esses aduladores, que têm levado na bebida e no paleio, engrampado, os flavienses, afinal de contas têm conseguido atingir o seu objectivo de ocupar o Executivo Camarário sem se importarem com os Flavienses!

 

Está mais que visto que esses pingentes pendurados nas seitas partidárias não têm mesmo nenhuma afeição à Cidade, a CHAVES, aos Flavienses!

 

Eles têm sido os arquiduques da destruição da NOSSA TERRA, da NOSSA Cidade!

 

Têm todos muita conversa, mas não têm palavra!

 

A seriedade das suas apregoadas intenções, dos seus propósitos, das suas promessas, dos seus compromissos, das suas juras, mal apanhados no poleiro, logo se desvanece: foi um ar que lhes deu!

 

Pudera! Os passos que diziam ir dar são bem maiores do que as pernas que têm!

 

Só têm gola!

 

É verdade, sim, senhor, eles ficam sempre a ganhar! Mas a Cidade, CHAVES, os Flavienses estão sempre a perder!

 

[Um dia destes ainda peço a uma beata e a dois beatos que, numa das missas cantadas da sua maior devoção, entre a elevação da hóstia e do cálice   -  a maldição fervorosamente implorada neste ocasião nunca deixa de se cumprir   -   roguem uma valente praga a esses aldrabões, impostores, gosmistas e embaucadores de gente simples, sincera!].

 

Aquilo que nos simples cidadãos é pecado, nos militantes da política partidária passa a ser um mérito moral.

 

Os Partidos políticos, raramente democráticos nas suas estruturas internas, constituem mais aparelhos de recolha de votos do que propriamente instrumentos de um diálogo permanente com o público.

 

Os Partidos políticos estão transformados em tribos de gente medíocre!

 

Lembrando um autor «gringo»   -    E. Fromm conclui que “ O homem ordinário com poder extraordinário é o principal perigo para a Humanidade, e não o malvado ou o sádico” -   direi que a Democracia «tuga» produz muitas coisas inúteis e, ao mesmo tempo, muita gente inútil!

 

Já em 1972, outro autor (C. Julien) escrevia: - “As sociedades modernas conseguiram o milagre de aperfeiçoar extraordinariamente os meios de comunicação, e ao mesmo tempo intensificar o anonimato que tornou a comunicação quase impossível”!

 

Na administração da nossa «Causa Pública» anda demasiada gente que, incompetente para conduzir e realizar a sua própria vida, se arvora competente para governar a vida dos outros; gente que assoma a poderes sobre causas e ministérios que não conhece e para os quais nem para corneteiro ou recoveiro presta!

 

Os governantes, de cima a baixo, entendem que a sua missão é preocuparem-se com o saldo do Deve e Haver na luta pelos compromissos e interesses partidários e nas suas vantagens pessoais!

 

Como cegos e supremos egoístas que são nada mais os preocupa senão tratar da sua vidinha!

 

Exercem o mandato com indecente mediocridade, mas com óptimos resultados para si próprios! Querem lá eles saber que o Futuro seja determinado, construído, com o Presente!...

 

Não se olham ao espelho: sabem que se o fizessem veriam a cara de um hipócrita e impostor.

 

A maioria dos «portugas» que tomam e têm tomado assento na política usa a mentira e a falsidade como método e o gamanço como propósito. Elevaram-se a aristocratas da mentira, da manha e da fraude.

 

A ruindade dessa gente é o seu meio de sobrevivência.

 

Para essa gentinha gentalha, o cargo público é a grande oportunidade para levar a vida sem canseiras!

 

As Escolas «Jotinhas» e as «Universidades de Verão» aquilo a que melhor se prestam e que melhor fazem é converter estudantes e «bacharelizados-à-pressa» em «cretinos militantes»    -    na entrega do diploma, os  padrinhos lembram-lhes: “O fanatismo é a única forma de vontade que pode ser incutida nos fracos e nos tímidos”!

 

A casa dos Partidos políticos «tugas» está transformada numa central de tráfego de favores.

 

Os Partidos políticos estão a esvaziar-se, já quase vazios, de ideologia; os seus régulos nacionais e regionais vivem para ocupar e manter a gamela que os resultados eleitorais lhes servem!

 

Mefistofelicamente, no reino da portugalândia, persiste o credo e a crença em que o sucesso, a fortuna, a fama e a riqueza resultam mais da capacidade de engrampar os outros do que pelos benefícios da cooperação e entreajuda.

 

Os tugaleses, hoje mais que nunca, precisam (olhe-se o panorama e espectáculo que os media diariamente exibem, com as «habilidades» as cumplicidades e a desfaçatez dos mais ilustres, ilustrados e (en)comendados da vida pública, partidária e política; de chefes, chefezinhos; presidentes, presidentezinhos; comandantes, comandantezinhos; deputados, deputadozinhos, deputadinhos; ministros, ministrozinhos, ministrinhos) de líderes verdadeiramente dignos de confiança e de respeito!

 

Por aí, por CHAVES, é pena que a desbotada cor política    -   desbotada, sim, porque a cor política da maior parte dos flavienses é mesmo muito pálida, têm-na como se sofressem de icterícia   -    separe tão levianamente quem reunido devia estar à volta de tantos objectivos e interesses comuns.

 

Sabemos que os seres humanos tendem para uma predisposição pelas alternativas que não implicam uma ruptura, isto é, estão mais inclinados a perpetuar o «in statu quo ante», a situação de um menor risco psicológico: é o conformismo!

 

Sair, deixar esta situação é assumir uma responsabilidade, ficar sujeito a críticas e arrependimentos. Então, aparecem as desculpas «esfarrapadas», como: - “Oh! Os políticos são todos iguais!”. E o «Zé Pagode» agarra-se (por preguiça mental, também) a informações e acontecimentos que o confirmam, desinteressando-se das informações e actos que o refutam.

 

“Marretas”, insistem em decisões anteriores mesmo que provadas como erradas!

 

Os «tugas» apreciam muito as (más) imitações. Cheios de papo «militarista» (veja-se a paixão assolapada que mostram por uma farda!), quais generais «cabeçudos», protagonistas das mais pesadas derrotas, optam por «estratégias» que lhe trazem sempre maus resultados.

 

É de assustar a invasão de tanta incompetência e de tanta mediocridade na Administração da Nação Portuguesa.

 

Não admira que, dentro em pouco, Portugal esteja conquistado e maioritariamente habitado por gosmistas, mendigos e incapazes!

 

“A primeira razão da servidão voluntária é o hábito” – já, em 1549, avisava Étienne de La Boétie.

 

Nem tudo se passa na cabina onde o eleitor escolhe uma lista.

 

A maioria dos portugueses parece estar a viver ainda no tempo, no clima e no contexto do velho Estado Novo, talvez porque à Democracia Portuguesa se diga dela, abusiva e exaustivamente, ser sempre jovem!

 

A igualdade política ainda nem vai a meio!....

 

Quem os ouve, aos nossos (ditos) políticos   -   lá no púlpito do Parlamento; sentados nas cadeiras dos (seus) Gabinetes ou … das mesas das Televisões e das Rádios; ou dos palanques das suas bazófias eleiçoeiras   -   é levado, cheio de espanto e admiração, a exclamar:

 

- Que gente de tão nobres ideais!

 

Cedo ou tarde, as notícias, a justiça, e, ou, ….. as rasteiras que nos são passadas ou as maldades que nos são feitas por essa trupe de melquetrefes, trazem-nos a surpresa de revelações de condutas imorais desses mesmos políticos que nos haviam deslumbrado!

 

O fundador do Liceuum tal Aristóteles de Estagira, não concebia a Política afastada da Ética: Na sua “Política”, exigia, aos que exercem as magistraturas superiores, afeição ao regime, grande competência no desempenho das suas funções, sentido de justiça e uma conduta virtuosa. Mal ele imaginava que, vinte e cinco séculos depois, aqui, num palmito de terra da Europa, uma caterva de cretinos resolve criar Universidades a torto e a direito, onde, contrariando-o e afrontando-o, só diplomam e honorificam os seus pupilos quando estes juram solenemente a separação daquelas.

 

E não é que andam por aí convencidos que vão poder olhar o mundo … a cidade, com os olhos de uma figura de bronze montada num cavalo lusitano ou Clydesdale?!

 

Só têm gola!

 

M., treze de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

17
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

“No silêncio da MINHA ALDEIA”

 

 

Ninguém perde por dar amor;

perde quem não sabe recebê-lo”.

-popular-

 

 

Vim à GRANGINHA felicitar uma boa amiga, pela passagem do seu aniversário.

 

É um domingo de meados de um Setembro com temperaturas de um Verão de Agosto.

 

O silêncio que a esta hora perto do almoço estou a desfrutar é uma bênção.

 

Sentei-me à sombra, debaixo da varanda do Tio Quim.

 

Com tanto calor, a brisa fresquinha que corre pela rua acima, e talvez por ter apanhado pelo caminho alguma frescura da água da fonte, junta-se muito bem ao consolo do silêncio.

 

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Julgo ver a minha Avó SÃO, ali, na minha «Casa do Pobo», a saricotar para que o almoço fique um regalo para mim.

 

Julgo ouvir o meu primo TÓ, além, na nossa «Casa do Campo», a falar para o burreco e a enxotar as pitas para o pátio.

 

A passarada está calada que nem pio. Somente uma andorinha   -   que surpresa, neste tempo!  -   somente uma andorinha e o seu namorado (modernamente fica feio dizer «par»!...) é  que passaram agora por mim. Têm o ninho no beiral da casa da D. Nídia, lá dentro do pátio.

 

Pelo som macio que me chega do céu por cima do Bunheiro, adivinho a rota de um avião a seguir para muito longe.

 

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Espreito o “Alto do Campo” e vejo-o seco.

 

Há que tempos não me delicio como manto de «merendeiras» que a Primavera estendia por todo ele! Não lhe ouço o cantar de legiões de grilos, nem me dou conta das renhidas competições olímpicas de saltos dos gafanhotos!

 

Há figos nas figueiras: a passarada perdeu-lhes o apetite.

 

A «pipa» já não deixa colher água, nem mata a sede: o fontanário destronou-a. Talvez fosse por isso que os rouxinóis debandaram!

 

Um delicado estalido de folhas secas fez-me olhar para a «sorreira»: lembrei-me que alguma fuinha viesse ali espreitar este visitante «cuja cara não lhe era estranha»!

 

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E recordei as alturas em que as trovoadas de Maio faziam da «sorreira» uma competidora assanhada das “Cataratas do Niagara” e a transformar o adro da CAPELA, e mesmo até a CAPELA, num arremedo famoso de um afamado lago suíço!

 

Aqui, na minha GRANGINHA natal, o barulho e o silêncio eram prendas para o meu sossego e para os meus sonhos.

 

Hoje, o silêncio cobre-me de saudade!

 

Granginha, quinze de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

10
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

“Intelectualóides”

 

 

-O maior obstáculo no caminho do autêntico saber

não é a ignorância consciente da sua fraqueza,

mas a auto-suficiência de um saber aparente-

  1. Heinemann

 

 

Orwell atribui a decadência de uma Língua a causas políticas e económicas, para além da má influência de alguns escritores. E afirmava ser a linguagem política uma forma de fazer com que as mentiras pareçam verdades.

 

Atropelados pela presença de todo e qualquer bicho careto que se meteu na política, com mais atrevimento e descompostura que o «emplastro» frente às câmaras da Televisão, os ingénuos, os pategos, os descuidados, os comodistas e os preguiçosos mentais «tugaleses» deixam-se levar pelo mau gosto e fácil imitação do ridículo da nudez do rei: a vacuidade e a incompetência dos seus políticos, exibida nos discursos, nas mesas redondas das TV’s, nas páginas dos jornais e revistas; os eufemismos e o fraseado obscuro dos falantes na Rádio e na Televisão, com o estatuto de «figuras públicas», e… os cartazes e panfletos publicitários, mal e porcamente escritos!

 

Os «eleitos pelo povo»; os jornalistas independentes, mas com tamanha fidelidade canina às ordens de patrões sectários e gananciosos; e os escritores engajados não falam nem escrevem com sinceridade, sempre e quando há uma enorme distância entre o que realmente pensam e professam e aquilo que declaram, na fala ou na escrita.

 

Não se trata somente do uso literário da linguagem. Trata-se de usar a linguagem como instrumento acertado para expressar, e não ocultar, o pensamento.

 

A trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide movimenta-se constantemente à procura de novas modas.

 

Nas «adverbialices», nas frases feitas e ditas sem nexo, só porque lhe soa bem aos ouvidos, já metem nojo!

 

Depois, a trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide resolve pegar numa palavra que caia no goto dos seus militantes, ou tenha lido repetidamente em livros traduzidos por alguém mais pedante do que eles, e toca a atribuir-lhe o significado, impressionante e bem-sonante, de outras palavras que se lhe assemelham.

 

Veja-se o exemplo: Daniel Goleman (em 1955) usou a expressão «windpw of opportunity -janela de oportunidade» na sua “INTELIGÊNCIA EMOCIONAL”.

 

O livro foi um sucesso de vendas.

 

Bastante gente aproveitou para aprender alguma coisa de préstimo.

 

Demasiada gente que o leu dele só soube aproveitar a «janela de oportunidade».

 

E, passados estes anos do aparecimento do livro, embora continue a ser procurado por quem se interessa por aprender, uma caterva da trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide usa e abusa da «janela de oportunidade», deitando-a pela boca fora, a torto e a direito, como se fosse uma fantástica criação sua, somo se fosse um fantástico rasgo de sublime linguagem diante dos microfones da Rádio e das câmaras da Televisão!

 

Quando assisto a um jogo de futebol, pela Televisão, desligo o som: os comentadores, tão ciosos da sua «classe», da sua importância como parte complementar do evento, da sua «incontornável» condição de «lançadores» de sapiência futebolística, tão comodamente instalados em «zonas de conforto», de onde desfrutam «janelas de oportunidade» para verem o possível segundo golo de uma «formação» “matar o jogo”, depois de um «pontapé NA frente» que permitiu a «assistência» para o «perigoso remate» de um jovem, com 1 metro e oitenta e dois de altura, setenta e sete kilos de peso, ainda com muito espaço de progressão, formado no clube de Futebol “F”, e que marcou quatro golos na época passada ao serviço do Clube “K” , em vez de comentarem as incidências do jogo e ajudarem os telespectadores a compreender as tácticas em curso; em vez de  salientarem as técnicas individuais; os acertos e desacertos dos jogadores; a justeza ou o erro da equipa de arbitragem, lançam enxurradas de fofoquices, informações rebuscadas em velhas crónicas, curiosidades com sabor a alcovitice, tudo sem propósito que o valha, assemelhando-se imenso o seu palrar a uma leitura de folhetins natalícios, de supermercados!

 

Antes ou depois dos Jogos, treinadores, políticos, jornalistas, «figuras públicas», amigos da onça, «amigos de Peniche», «convidados especiais», recoveiros de clubes, de empresários, de donos e senhores das Televisões metralham os telespectadores com acrobáticas «leituras de jogo» e violam as regras gramaticais e, especialmente, a Sintaxe, com ares pomposos e melífluos como estando a dar lições de bom Português a quem os ouve!

 

Agora começaram a dizer «fôco», e, por tudo e por nada, continua com maior abundância e insistência o «TAMBÉM», só porque se convenceram de que, com o disparate, brilham mais do que o sol ou estrelas de primeira grandeza!

 

O Benfica e o Sporting vão defrontar-se num jogo de futebol   -   e logo dizem «vão jogar o Benfica E TAMBÉM o Sporting», como se o Benfica fosse jogar contra outro Benfica e o Sporting contra outro Sporting!

 

O Porto vence o Marítimo, na Madeira, em 29-04-2018, e o «figurão público» da TV declara «o cumprimento de mão entre o Sérgio Conceição E TAMBÉM J.N. Pinto da Costa   - ora o Sérgio C. deu um aperto de mão A SI MESMO E TAMBÉM ao Pinto da Costa, “tá-se mesmo a ver”!

 

Outro proclama sonoramente: - “amanhã estão frente a frente o Benfica E TAMBÉM o V. de Setúbal”! – 16-08-2019., isto é, o Benfica joga contra si mesmo e o Vitória de Setúbal joga contra si mesmo!

 

Quanto ao «TAMBÉM», só não levo tão a mal o enjoativo do coitado do Marco Chagas a comentar o “TOUR” e dizer, num só fôlego:  - “O Yates vai isolado em fuga TAMBÉM»; cá atrás o Pinot queixa-se de dores TAMBÉM, o nosso Rui Costa segue no grupo TAMBÉM, e TAMBÉM o Berbal segue TAMBÉM junto do TÓmas TAMBÉM” (e a chaga continuou naVolta a Portugal”)!

 

E que tal se esses «pronósticos intelectuais» fossem TAMBÉM, “claramente“, … abaixo de Braga?!

 

Claramente!

 

“Claramente” é, «nesta altura», «de certa forma» o «mais recente» (como está na moda a ser usadas, a torto e a direito, por repórteres e comentadores desportivos) «design» da moderna «escrita criativa» e a mais brilhante pérola a fazer resplandecer a corrente de paleio inócuo de quase toda a gentinha que se vê com um microfone à frente do nariz: ««ali, o homem que Claramente está  a vestir a camisola de árbitro»»- (Jogo de Voleibol-sport TV).

 

Um sportingebo Pina da TV, em 2018-04-02, na hora dos papagaios futeboleiros, a bracejar e com cara de enjoado de xico-‘sperto e de super-sumo de sapiência e certezas absolutas, bracejando qual regateira a berrar com outra regateira, garante que ....«aqueles «encÓstos» nas áreas».....!

 

A saída de um jogador ....... está COBRiDA por uma cláusula....”, garante o comentador especialista Tvi 24 e Canal 11, Pedro Sousa, em 30-04-2018.

 

E já nem refiro a «filosofia de jogo» do Clube A, B ou C (os outros não entram no abecedário!...)!

 

Pobre Sócrates! Pobre Kant! Pobre Deleuze! Pobre Lao-Tsé! Quanto se sentiriam tão insignificantes diante destes filósofos portugaleses!

 

Nos EE. UU., durante um Concerto, um homem disparou sobre a multidão causando um elevado número de vítimas.

 

E, nas nossas televisões, os jornalistas de serviço, informam meio mundo que «Tiroteio nos Estados Unidos faz mais de 40 mortos». Dar uns tiros é «tiroteio». Dar e receber (uma troca de tiros) será «tirotório»!...

 

E cá continuam os nossos modernos jornalistas licenciados a inventar uma nova Língua Portuguesa: como lhes bastaram os «Serviços Mínimos» de ir de vez em quando dar graxa aos «prófes» do Curso de Ciências de Comunicação e Jornalismo ou vice-versa, conforme a “Escola”, e fazer uma «festança» no dia de receber o fabuloso diploma, ei-los «garbosos e contentes» a sentarem-se diante de umas câmaras de televisão ou, de pé ou sentados, diante de um microfone ou com ele agarrado com duas mãos a debitarem repetidamente catervas de disparates, convencidos que dar uma notícia, ou fazer um comentário, ou escrever uma coluna num jornaleco, numa revista ou num pasquim é usar um qualquer palavreado à trouxe-mouxe, imitando-se uns aos outros  no dizer e no escrever de asneiras e disparates, como se, com essa solidariedade, a sua estupidez aliada à sua incompetência e à sua reles mediocridade os vestisse com roupagem de grandeza e superioridade intelectuais e culturais mais divina e brilhante do que aquele com que se convenceu estar deslumbrantemente vestido o célebre rei da historieta!

 

Ele é tal a ânsia de se porem em bicos de pés e dar nas vistas, ele é tal a maluqueira de quererem ser «figuras públicas» que não passam de tristes «cromos» ou alegretes «bimbos»!

 

Um louco dispara uma arma de fogo  - é dizem logo «tiroteio».

 

Um «gaijo» é apanhado com uma pistola na mão   -  e dizem logo …«com uma arma pronta a disparar» (estavam a ver a pistola com a bala na câmara e destravada)!

 

Um automóvel esborracha-se contra um muro   -  e soltam … «uma colisão»! Se este automóvel se esborrachou contra outro, afirmam «os dois veículos chocaram violentamente».

 

ITEM, tal como a MEDIA (meios de comunicação), é uma palavra latina.

 

Que parvoíce tão ridícula e lamentável ver e ouvir figuras e figurinhas públicas, professores e doutores, «políticos» importantes e cheios, e todos cheios, cheiinhos, a rebentarem de vaidade e a teimarem em afirmar-se ainda «maiores» do que aquilo que realmente são, dizerem, como quem faz uma revelação sagradamente divina ou divinamente sagrada, «ÁITEMES», «MÍDIA» e …. «ACÓRDOS»!

Fico mais escandalizado e indignado quando ouço o «fracturado» professor universitário Louçã a encher a boca e a soltar perdigotos quando usa com tanto gosto os «ACÓRDOS» e mais ainda indignado e escandalizado quando apanho um tal  Lobo Xavier a torcer-se a beiça, em ridículo floreado,  para dizer «MÍDIA» do que ouvir a um padre, tio deste, um «CARALHO» tão sonoro que até fizesse cair a “Torre dos Clérigos”!

 

Nem só Adorno sentia saudades pelo seus «alemão».

 

A esta distância, e, provavelmente, a outras maiores, eu, e assim tantos outros, sinto a saudade do meu «visimontês», da Língua onde se ouve «côngaro», «agôra», «oubrejadinho de frio», «nenhures», «canté», «arraul», «bem m‘ou finto», «entre quem é!».

 

A poeticidade do nosso provincianismo ainda é um encanto!

 

Alguém me disse que os «paineleiros televisivos» estão ali para falar “futebolês”, “politiquês” e «lisVoês», e NÂO PORTUGUÊS!

 

M., quatro de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

03
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

“Encher a mula”

 

 

**Não há nada que possa crescer e perecer

 tão profundamente como o homem**.

- Hölderlin-

 

A nossa vida emocional está uma calamidade.

 

Como se não bastasse a réplica das Cruzadas e da Inquisição   -   a propaganda política, os «critérios jornalísticos», as «ajudas à produção» televisiva, o campeonato de vendas de tinta, papel e disparates   -  temos a abundante exploração de maldades e tragédias a encharcar o tempo e o pensamento das massas populares, criando, assim, um clima, um meio-ambiente para as tornar neuróticas, amarguradas, aflitas, emocionalmente perturbadas e desequilibradas.

 

Por este andar, não vejo como será possível os nossos filhos terem uma vida mais feliz (ou menos infeliz) que a nossa ou até a dos nossos avós!

 

Já em meados dos anos noventa do séc. XX, Daniel Goleman nos avisava de estarmos a viver «tempos em que o tecido da Sociedade parece romper-se a uma velocidade cada vez maior, em que o egoísmo, a violência e a mesquinhez de espírito parecem querer desalojar o Bem das nossas vidas em comunidade».

 

Hoje, não há Educação. E até o Ensino está despromovido!

 

“No nosso tempo”, assiste-se a um descuido de afastamento entre a educação escolar   -   que nem científica chega a ser (tão preocupada com o encaixar, ou encaixotar, mais informação, até, do que conhecimento)   -   e a educação social, humana!

 

“No nosso tempo”, pratica-se, ensina-se, uma cultura «científica» de retalho e descuida-se o ensino de uma cultura humanística; dá-se preferência aos «factos» e pratica-se o distanciamento das «virtudes».

 

As paixões são alimentadas a fogo!

 

A razão dá-se bem como perdida!

 

Há, escreveu-se, consagrou-se, uma “Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

 

Não há, não se escreveu, e menos se consagrou, uma “Declaração Universal dos Deveres do Homem (Humanos)!

 

A realidade ultrapassa-nos. O nosso tempo de vida não é suficiente para a consecução dos nossos desejos e aspirações subjacentes numa secreta e íntima ânsia de imortalidade.

 

Tudo se faz para tudo servir fazer-nos sentir «ter o rei na barriga»!

 

Até parece que já nem o “coração” nem a “razão” têm interesse, ou que para nada servem!

 

Encher a pança, «encher a mula»; matar desejos; «cagar postas de pescada»; «armar aos cágados»; «ser o maior», mesmo não passando de minorca insignificante, é, afinal de contas, a razão de ser dos «filhos de Deus»   -   aí se encontra o significado e o sentido das suas vidas!

 

Afinal, no entender dessa gente, o Homem não «nasceu para começar», para criar, para viver: o Homem nasceu para destruir, para matar   -   para morrer!

 

Erasmo bem dizia que a Razão fora relegada para um canto «acanhadinho» da cabeça: Júpiter dera-nos uma porção de paixões mais abundantes do que da porção da Razão!

 

Heidegger sinalizou o Homem como «um Ser para a morte»!

 

Ainda bem que a sua amada amante, Hannah Arendt, o corrigiu, e garantiu:

 

- “O Homem é um ser para a vida”!

 

M., dezassete de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

12
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“SORTEIO ELEITORAL”

 

 

“Para ser popular

é indispensável ser medíocre”

- E. Arthur Blair-

 

 

Por aqui, a pandilha de medíocres organizados em partidos políticos já está em alvoroço efervescente.

 

A essa pandilha, a ambição pelo poder ["A ambição de poder é uma erva ruim que só cresce no solar abandonado de uma mente vaziaAYN RAND - "] -,  a ambição pelo buraco que lhe permite meter a mão no mealheiro do país … e nos bolsos de quem se lhes aproxime [Quando um carteirista encontra um santo, só vê os seus bolsos»!-ditado indiano], à medida que se aproxima o sorteio eleitoral, tira-lhe o sono e o sossego!

 

E as suas falanges empurram-se e digladiam-se para ver quem mais se chega à frente, quem mais dá nas vistas!

 

Na falta de ideias próprias, na falta de atributos, de competência, de projectos para com os eleitores e os portugueses, apontam, quer nas fanfarronices comicieiras; quer nos «falatórios microfonados e, ou, televisionados»; quer nos painéis com que estragam as rotundas, as estradas e a paisagem, hipotéticos ou reais problemas e prejuízos nacionais, regionais ou locais que se têm prolongado ao longo dos anos democráticos, como se fosse maldade ou crime praticados pelo Governo em funções!

 

Apontam!

Apontar, apontam!

Mas não dizem qual a fórmula resolvente!

Mas não dizem qual o remédio que receitam!

 

Quem os ouve, aos nossos (ditos) políticos   -  de  lá no púlpito do Parlamento; sentados nas cadeiras dos (seus) Gabinetes ou … das mesas das Televisões e das Rádios; ou dos palanques das suas bazófias eleiçoeiras   -   é levado, cheio de espanto e admiração, a exclamar:

 

- Que gente de tão nobres ideais!

 

Cedo ou tarde, as notícias, a justiça, e …, ou, as rasteiras que nos são passadas ou as maldades que nos são feitas por essa gente gentinha e gentalha, trazem-nos a surpresa de revelações de condutas imorais desses mesmos políticos que nos haviam deslumbrado!

 

E a cretinice e a pouca-vergonha é tão mais escandalosa quanto, e quando, essa gentalha fala como se não tivesse culpas   -   e, oh! Que culpas!  -    no cartório!

 

Os eleitores, o povo, não se preocupam com a competência (os medíocres, os oportunistas, os cretinos sabem-no muito bem!).

 

As eleições, em Portugal, continuam a valer o mesmo que uma comandita de analfabetos conceder o diploma de “Doutor em Física Nuclear” ao mais reguila ou ao menos escrupuloso, de dentro ou de fora do seu rebanho.

 

Essa comandita, se confrontada, gritará que é «analfabeta, mas ficou bem impressionada» com o(s) candidato(s) a Doutor(es)!

 

Conta-nos Aristóteles que «nalguns povos, os artistas não eram admitidos a nenhuma magistratura (antes dos excessos da democracia), e que «só as democracias caídas na corrupção é que concediam aos artistas os direitos de cidadão».

 

E Platão foi mais longe (até anteviu a «jovem democracia à beira-atlântico espalhada»): “… e dificilmente se acreditaria sem que se visse, quão livres são (em Portugal) os próprios animais ao serviço dos homens. Cadelinhas (cachorrinhos e cãozarrões) estão em perfeito plano de igualdade com as donas, e os cavalos e os burros, habituados a marchar de cabeça erguida e sem se preocuparem com quem quer que seja, atropelam quem quer que seja que não lhes ceda a passagem”.

 

(Não admira que haja cada vez menos camas para deitar um doente, um casulo para acolher um velho, um lar para cuidar de uma criança, e, cada vez mais, hotéis para gatos e cães. Até o Serviço Nacional de Saúde para humanos pretendem substituir pelo serviço nacional de saúde para animais!

Alguém escreveu: - “A DEMOCRACIA COLOCOU DEFINITIVAMENTE VELHO (O IDOSO) NO MAIS BAIXO GRAU DE CONSIDERAÇÃO”, embora não fosse isso o que o democrata Montesquieu recomendava no “Espírito das Leia”.

 

Humanizem-se os bichos: Ah! George Orwell!

Animalizem-se as pessoas: Ah! Esquerdalha PANimalesca!).

 

Por cá, e agora, continuam os «tugaleses» contentes e «sisfeitos» por viverem numa democracia definida pelo «mais tolerável dos governos degenerados».

 

Portugal é um país de artistas!

 

E que artistas!!!

 

Os (estes) Partidos políticos   -   e as vias rápidas da Internet   -   são entradas e estradas francas para as manhas e patranhas; gosmices e vigarices; ganâncias e fortunas prósperas de moinantes sem-vergonha!

 

As multidões não pensam: sentem!

 

“A multidão confunde o valor moral dos candidatos com o fingimento que estes mostram em possuírem os mesmos sentimentos que ela sente”, lembrou Faguet.

 

Num dos painéis propagandísticos, situado numa das mais famosas rotundas do País, com a fronha do principal bimbo candidato, um Partido político proclama: - “Portugal não pode esperar mais”!

 

Ora aqui está um louvor divino à inteligência dos «tugaleses»: “D. Sebas chega!

 

Outro reclama: “ADSE para todos”! Este não engana! A profecia de Orwel será cumprida: os «bichos» (os «tugaleses) trabalharão todos na “Quinta” e os «porcos», em reunião permanente, andarão pelos salões da mansão a governar(-se)!

 

Oh! Igualdade das igualdades! Assim se cumprirá «a igualdade entre os iguais e os que o não são»!!!

 

Na democracia «tugalesa», as eleições são a cerimónia de baptismo a beatificar uma maioria de estupores, de diabos em figura de gente!

 

M., dois de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

 

 

05
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“Valores Selados”

 

*O Valor fundamental,

 condição de afirmação dos outros valores,

é o compromisso*

-E.Mounier

 

 

Uma carta, no século XXI das auto-estradas e das vias rápidas tecnológicas, onde o infinitamente pequeno do quark e do neutrino substituem imperialmente o infinitamente grande da palavra falada e do calor de uma mãozada, de uma palmada nas costas, de um abraço ou de um beijo, uma carta, dizia eu, é um  corpo estranho que pode perturbar tanto as teorias de campo, da Física, quanto a da Psicologia (de Kurt Lewin).

 

Na caligrafia, o significado da palavra vai muito mais para além do que nas letras formatadas: à grafologia ainda não sucedeu a tipologia dos caracteres modernos das «fontes» computacionais (ou seja, a interpretação psicológica de palavras ou textos escritos no ordenador, tais como em «Times New Roman»; Lucida Calligraphy; Tahoma, etc. etc.).

 

Em 16 de Julho de 2012, escrevi, no meu Livro “ELE e ELA”, o “pitigrama”:

 

*-*

 “CARTAS”

 

As Caixas de Correio, agora, só se encontram cheias com publicidade dos supermercados, mesmo que minis; dos grupelhos auto - proclamados políticos (partidos, movimentos, associações, sindicatos); clubes de (pouca, ou nenhuma) caridade;  videntes e astrólogos que dizem saber tudo da nossa vida   -   passada, presente e futura    -  mas que só sabem da vida deles e contar «a massa» que nos mamam); e facturas e avisos dos tribunais e das finanças para pagarmos contas disto, daquilo e daqueloutro.

 

O mal até já chegou ao telefone que antes nos dava direito a receber duas listas com os nomes e moradas das pessoas que o tinham, e onde se incluía o nosso.

 

O computador faz agora de papel de carta, envelope e carteiro.

 

Mas até mesmo este está a ser substituído muitas vezes pelo «telélé», o Telemóvel!

 

Já não há mais cartas, postais, telegramas …nem aerogramas!

 

Hoje, nem os «e-mails», nem os «sms’s», por «chics» e requintados que apareçam a brilhar nos ecrãs dos computadores e dos telemóveis, transportam  o aconchego de alma  que o carteiro nos entregava, batendo à porta, chamando ou procurando por nós   -   às vezes substituído pelo regedor ou pelo proprietário da Lo(i)ja  onde se comprava um quarto de quilo de açúcar, meio quilo de arroz, uma barra de sabão, um quarteirão  de azeite, meio litro de petróleo, um quartilho de vinho e uma caixa de palitos … pr’àcender o lume!

 

Pegar na carta, ou no postal (ou no aerograma!) já era, cá dentro, uma tremura dos diabos!

 

Olhar o remetente, abrir com todo o cuidado o envelope, com uma tesoura (parecia mais solene) ou com uma faca de cozinha, então já se sentia uns tremeliques … «que Deus nos livre»!

 

Desdobrado o papel, até nos parecia adivinharmos o que lá nos vinha escrito.

 

O começo era, quase, sempre igual em todas as cartas, de toda a gente: …. «….espero que estejam todos de boa saúde. Nós por cá vamos andando e indo na forma do costume».

 

Falava-se do tempo, de duas ou três noβidades da Aldeia, dos trabalhos que se faziam por casa, e dos que faziam os vizinhos, como se fossem nossos.

 

Depois choravam-se as saudades e rezava-se a esperança de o remetente e o Exmº(ª) Sr.(ª) se verem e abraçarem em breve   -   nem que fosse dali a anos!

 

Cartas de pais para filhos, de avós para netos (com uma notita de vinte mil réis, a dar para a ida ao cinema, por cinco croas; cear um prego com um ovo a cavalo, por sete e quinhentos; comprar um pacote de lâminas de barbear; meia dúzia de selos, a garantir as cartas para a namorada; e….); e cartas para o(s) «rico(s) coraç(ão)ões de torrão de açúcar», conforme a técnico-táctica amorosa de cada um.

 

Ou de cada uma?!...

 

Verdade verdadinha é que aquela emoção de receber, ou enviar, uma carta jamais poderá ser igualada pelos novos processos de comunicação.

 

No e-mail e no sms não pode cair, e deixar marca, a lágrima da saudade, do amor ou da gratidão.

 

Nas cartas, até a caligrafia conferia a identidade e certificava o estado de alma de quem as escrevia!

 

Os e-mail’s e os sms’s não se podem apertar contra o coração, nem pôr debaixo do travesseiro   … nem sequer dar-lhes um (mil!) beijinho(s).

 

E, em situações especiais, algumas cartas levavam a morada da “Posta Restante”, onde seriam levantadas sob o pagamento de uma franquia, tantas vezes perdoada pela generosa cumplicidade das «meninas dos Correios»!

 

Não é por acaso que estes, em CHAVES, fica(va)m mesmo no Jardim das Freiras!

 

M., 16 de Julho de 2012

Luís Fernandes

*-*

 

Aqui, nas páginas do Blogue “CHAVES” e de outros Blogues, e ali, nas páginas dos livros, as palavras que se vêem e se lêem tão ordenadamente não são vistas nem lembradas na folha de papel onde o seu autor as escreveu com uma mão e um olhar carregados de emoção.

 

Enfim, sou daqueles que ainda dão valor a antigos gestos que traduzem simpatia, estima, consideração, reconhecimento, amizade: a VALORES antigos!

 

As cartas eram valores selados!

 

Diz-se, por aí, à boca cheia, que «hoje não há valores».

 

Não creio.

 

Os VALORES permanecem, estão por aí escondidos, sequestrados: em degredo!

 

O seu descrédito e o seu desaparecimento começam pela alteração do significado das palavras: por exemplo, o de «amor» e «democracia».

 

O espírito de missão, de «serviço», evaporou-se: agora, «serviço» quer dizer «emprego», esfuma-se a relação humana para dar lugar à funcionalidade ou função.

 

Arendt, na “Condição Humana”, escreve: - “As coisas, as ideias ou os ideais morais «só se tornam VALORES na sua relação social».

 

Apesar de o século XX ser a época em que mais profusamente houve uma dedicação à Filosofia dos Valores, criando o conceito (ou disciplina) de Axiologia, e dos avanços civilizacionais, humanistas (abolição da pena de morte, em muitos Estados ou Países, Declaração Universal dos Direitos Humanos e correlativas Convenções das Nações Unidas, Directivas Comunitárias e leis nacionais),  a maioria das sociedades continua mais apegada ao poder do que ao dever: o vício continua a ganhar vantagem à virtude (valores morais e políticos).

 

Tenho para mim os VALORES como algo objectivo e real em simultâneo com algo subjectivo e ideal.

 

Num catorze de Março de 2007, Manuel Pina escrevia na sua coluna do JN: - ”Diz Stº Agostinho que sem VALORES morais, os reinos não se distinguem de bandos de ladrões”.

 

A subversão de VALORES que dignificavam o sentido de vida está espelhada no Desporto, que deixou de ser um jogo e uma festa para se «converter numa indústria, onde só a vitória é rentável».

 

Estranho se me afigura que, sendo tão manifesta quanto universal a preocupação de todos os metidos e metediços na politica, e os «fazedores de opinião», figuras, figurinhas e figurões  ditos «públicos», a palavra e o conceito de «cidadania» ainda não tenha provocado uma congestão em quem se empanturra tanto com o falar nela, e nunca, ou raramente, indicam ou lembram a importância dos VALORES morais sem os quais o cidadão não atinge a sua verdadeira identidade, a cidadania: os direitos políticos, quanto a mim, não são suficientes para definir, de corpo inteiro, um cidadão!

 

Toda a gente anda envergonhada para falar de civismo!

 

Não alinho pela escola da cidadania quando esta visa a substituição do civismo.

 

A cidadania apela aos direitos políticos. Consolida-se com as virtudes cívicas e com a cultura.

 

A civilidade lembra-nos o direito e o dever das boas maneiras   -   tratarmo-nos mutuamente com consideração.

 

Dou prioridade ao civismo -   aos Direitos Humanos   -    em relação à cidadania   -   direitos políticos, embora suspire por ambos.

 

Tecnologia, Informação e conhecimento chegam em catadupa aos balcões de recepção de quem quer que seja, de quem calha, de toda a gente: sem aviso prévio, por encomenda, por recomendação, pelo privilégio de se ser «selecionado»   -   isto é civilização, e   o «zé pagode» sente-se e diz-se «muito civilizado»!

 

A cultura que fique para aí ao deus dará: a Filosofia e a Arte são coisas de um passado que deixou de interessar!

 

Às vezes, até parece que a Liberdade chega e sobra para encontrar o significado da vida!

 

E como a Democracia tivesse na Liberdade a sua única e exclusiva identificação!

 

A Justiça está cada vez mais desacreditada.

 

A Honestidade … credo, cruzes, canhoto! É uma raridade!

 

A Integridade, feita em pó pela corrupção!

 

A Responsabilidade?! Já nem dos ouros é   -   não é de ninguém!

 

A Tolerância passou a deus desconhecido.

 

O Respeito …… anda sumido: perdeu-se!

 

Afinal, esta democracia portuguesa não é mais que a consagração do culto da incompetência, o aplauso da vilania, o elogio da falsidade!

 

M., vinte e sete de Agosto de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

28
Ago19

Ocasionais

ocasionais

 

“HOMENAGEM aos COMBATENTES”

(CHAVES, 8 de Julho, 2019)

 

 

Os que passámos por esta guerra, ao lembrá-la e celebrá-la, não o fazemos animados por nostalgias imperiais e muito menos imperialistas. Respeitamos os que nos combateram de armas na mão em nome dos seus Estados nascentes; e, sabendo que os que então nos combateram nos respeitam, queremos ser também ser aqui respeitados e não tratados como marionetas de regimes ou serventuários de causas suspeitas.

-Jaime N.Pinto-

 

No Programa das Comemorações (2019) do DIA do MUNICÍPIO, de CHAVES, constava….  “SEGUNDA 08 JUL | DIA DA CIDADE E DO MUNICÍPIO   -    … 11h30 ROMAGEM AO CEMITÉRIO – “Homenagem aos Combatentes”.

 

Tenho de me penitenciar por há já muito tempo não visitar o Cemitério (velho) da Cidade, e de não saber se as Campas de flavienses «Mortos no Ultramar» ou falecidos ex-combatentes no Ultramar estão identificadas como tal.

 

Este item do Programa deixou-me um tanto intrigado: dizer “Homenagem aos Combatentes” até me leva a acreditar que flavienses vivos e ex-combatentes (ou poderei acrescentar os que andam por aqui, por ali, por além a combater seja lá o que e por que for, nem que seja só pela sobrevivência) iam ser «homenageados, esperando eu que com meia dúzia de discursos e alguns ramitos de flores!

 

Esta minha incerteza ou dúvida resulta de um comportamento diferenciado que «as forças vivas da nação» manifestam, com tanta pompa, por um lado e para um lado, e tamanha indiferença (até desdém) por outro e para outro lado [puxem pela memória, consultem registos e vejam a tal pompa na (sempre justa) homenagem aos “MORTOS na GRANDE GUERRA” (embora nunca digam se da I ou da II), e na tamanha indiferença (até desdém) pelos “MORTOS na GUERRA do ULTRAMAR”!].

 

Até parece que para «suas excrescências, porra, eiscelênsias», depois de 1945, só houve «COMBATENTES» Portugueses após 1990, e estes, sabe-se lá bem, em nome de que tão claros, confusos, escuros ou obscuros ideais ou interesses, alianças ou acôrdos!

 

Pois é! Os portugueses que, desde 1961 andaram de Mauser, Vigneron, FN, G3 (não sou do tempo da HK-21), Dreyse, Breda, bazuca; morteiros; a conduzir Unimogs, GMC’s e Berliet’s; a patrulhar as «picadas» e a fazer tiro ao alvo sobre mosquitos e a tsé-tsé; ou saltavam de pára-quedas, ou «passeavam de barco», ou …  etc., etc,, e por lá «deixaram o coiro» (dizer «a vida» será menos comovente para «suas excrescências, porra, eiscelênsias») não merecem ser lembrados pelas eminências deste Regime: vale-lhes, ao menos, uns monumentozecos (fora o da foz do Tejo) que umas «almas penadas» vão pondo, aqui e além, mais modestos, mas mais sentidos, que «alminhas»!

 

Não estou de luto por familiares «MORTOS na GUERRA do ULTRAMAR»: estou de luto pelos COMBATENTESMORTOS na GUERRA do ULTRAMAR”.

 

M., sete de Julho de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

 

 

16
Ago19

Ocasionais

ocasionais

 

*A REVOLTA dos PARDAIS*

 

 

"Todos os pardais são iguais,

só que alguns pardais

são mais iguais do que os outros."

 

 

Viajando por meio mundo, combatendo nas florestas da Indochina e nas serranias de Espanha, Eric Blair não deu conta de que ali ao lado, havia um «jardim à beira-mar plantado».

 

Nem teria de dar conta: o jardim não passava de uma minúscula franja dos horizontes por onde vagueara.

 

Assim, Eric Blair contou a história de uma revolução de porcos, sem lhe passar pela mona que alguma vez eclodisse uma revolta de pardais!

 

No «jardim à beira-mar plantado», deixou de haver porcos revolucionários   -    só passarada de vistosa plumagem democrática.

 

De quatro em quatro anos aumentava o número de poleiros. E todas as aves, mesmo as de rapina, voavam felizes e contentes pelos «diversos» ramos do jardim.

 

As águias, os abutres, os falcões e os milhafres estavam a ficar com o papo cada vez mais cheio.

 

Os galos, as galinhas, os frangos e os garnisés; os pombos, as pombas e os pombinhos; os melros, os cucos e as cotovias; os periquitos, os pavões e os gansos; os gaios, os papagaios, os mochos e as corujas a verem-se cada vez mais depenados.

 

Um «major» do bando dos pardais topou a marosca dos milhafres, dos falcões, dos abutres e das águias.

 

E, vendo as penas dos vizinhos a cair, convocou uma assembleia de pardais para os alertar da «oportuna» oportunidade de estarem marcadas eleições para feitores do «jardim à beira-mar plantado» e, assim, fazerem notar às aves de rapina que eles, pardais, também eram de bico fino e de papo cheio queriam ficar!

 

Vai daí, enviaram um ultimato aos rapaces, exigindo uma promoção a oficiais do corpo de tropas do “do Napoleão, do Bola de Neve e do Garganta», que é com quem diz, do «pai, filho e espírito santo pardais»!

 

E os pardais resolveram fechar a sete chaves os canastros cheios de milho: quiseram que faltasse o pão para a boca!

 

Organizaram pelotões de segurança para manter as portas dos canastros encerradas.

 

 De manhã, à tarde e à noite, mal os repórteres de Televisão lhe aprontavam o microfone, o «major» dos pardais lançava raios e faíscas de acusações contra os malvados dos milhafres, falcões, águias e abutres que teimavam em não lhe fazer as vontades.

 

Os repórteres de televisão gostavam muito de palrar com os pardais vigilantes.

 

Perguntaram a um qual o motivo da sua revolta.

 

Empertigado, o pardal vigilante aproveitou para tratar abaixo de cão os galos, as galinhas, os frangos e os garnisés; os pombos, as pombas e os pombinhos; os melros, os cucos e as cotovias; os periquitos, os pavões e os gansos; os gaios, os papagaios, os mochos e as corujas acusando-os de,  estando cada vez mais depenados, andarem com os olhos fechados, entretidos com futebol e Fátima (esquecendo, estranhamente, o Fado!), pois   não sentia a solidariedade destes!

 

Outro pardal vigilante, perante o microfone, com voz imponente, só soube dizer: «o meu ordenado não é compatível com o nível de vida»! Tal e qual! Ficou tão empanturrado com a importância de ter um microfone ao pé da boca que até se lhe sumiu a fala: um curto circuito de estupidez paralisou-lhe os neurónios!

 

E, mais certeiro do que escolhidos a dedo, os «senhores e senhoras jornalistas» junto dos «chiens de garde» da REVOLTA dos PARDAIS preparam a conveniente oportunidade de todo e qualquer pardal ou pardaleco abrir o bico e (… daninho aos campos, Não aprendeu a cantar; Como os ratos e as doninhas Apenas sabe) chiar … umas tretas mal decoradas. E alguns, de tão deslumbrados com a oportunidade de estar na berlinda, ter direito de antena e «ser visto  na televisão», deixavam que a boca lhes fugisse para a verdade e, assim, até deles próprios diziam mal!

 

"Retire-se da cena o Pardal «major» e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre."

 

Cá pra mim, esta pardalada - mimosa o que quer é chegar a 17 de Agosto e recordar e comemorar o 74 com o aniversário da obra de Orwell!

 

 “Bem m’ou finto!

 

M., treze de Agosto de 2019

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

08
Mai19

Ocasionais

ocasionais

 

 

*«TUGUESES», OS SUPERLATIVOS*

 

 

Portugal é um país formidável!

E os portugueses são formidáveis!

Os «tugas», «tugueses», «tugaleses», «portugaleses», «portugalenses» são formidáveis!

E Portugal é um país formidável!

E os portugueses são formidáveis!

E os «tugas», «tugueses», «tugaleses», «portugaleses», «portugalenses» são formidáveis na sua superlativa mediocridade!

E Portugal é um país onde abunda a mediocridade!

E os portugueses, na sua maioria, vivem refastelados com a mediocridade!

 

Essa maioria vive, pensa e morre numa superlativa inferioridade! Mas funga, clama, berra, proclama possuir uma superlativa superioridade: lagartixas em todas as dimensões humanas, falam, roncam, reclamam, apresentam-se, intitulam-se jacarés!

 

Qualquer pentelho encaracolado de novidade, de tique ou de toque convertido em moda, de exotismo  ridículo, de traço colorido, de asneira ou disparate, dito ou produzido na Televisão, na Rádio ou nos Jornais é imediatamente apropriado como sinal de brilhante distinção, de superlativa superioridade intelectual, de superlativa fortuna de atributos de encanto e beleza, de superlativo e fatal imperativo das suas incontáveis virtudes, das suas absolutas certezas, das suas puríssimas verdades   -  da sua divindade!

 

Realmente, aos «tugueses» ninguém os vence em soberba nem em tamanha arrogância de ignorante!

 

Os «tugueses» são o supra-sumo de tudo e mais alguma coisa!

 

E nenhum admite não ser o melhor e «o maior», seja lá no que for!

 

Chefe, comandante, presidente, líder, ai que não! Os «tugueses» são, e têm de ser, fatal, diabólica ou divinamente uma ou todas estas coisas!

 

Entrei numa loja de artigos de pesca para comprar «medalhas» (amostras) e fio para pesca à truta. Um dos sócios gritava com o outro (eram irmãos) proclamando que «a minha filha é a melhor aluna da Escola». O outro berrava que a filha dele é que era a melhor aluna da escola.

 

Um terceiro sócio veio atender-me. Conduziu-me para uma divisão da loja onde havia maior abundância de material de pesca. E disse-me, baixinho:

 

 - As filhas deles tiram «quatros» (4) e «cincos» (5), é verdade. São colegas da minha filha, no mesmo ano. A de um tirou «três» (3) em Educação Física; a de outro tirou «três» (3) a Educação Visual. A minha filha tirou «cinco» (5) em todas as disciplinas: as filhas deles é que são as melhores alunas, eh! eh! eh! Deixe-os p’ra lá! 

 

E ser o número «UM»   -   mesmo que seja a usar o «7» e o nome de outro, nas costas, pintado numa camisete, ah!, não há nada que mais «encha a barriga» ou emborrache o Ego dos «tugueses»!

 

 Alto! Agora, há que dizer «tugueses» … e «tuguesas», carago! O (e)terno feminino agora é mais do que trunfo: é “Joker”!

 

E, assim, sendo «UM», o «tuguês», alto! e a «tuguesa»   -  são líderes por excelência!

 

Mas esta igualdade exige uma diferença! Uma substancial e distinta diferença, não estivéssemos nós no momento, na época das «questões fracturantes»! Os «tugueses» e as «tuguesas» (ai de mim se não vier com este «sublinhanço», carago!) andam preocupadíssimos e preocupadíssimas com o «aprofundamento» do conceito de «género», e, para aprimoramento de tal «aprofundamento», o conceito de líder e de liderança é fundamental e prioritário para a consolidação do reconhecimento da superlativa e inquestionável superioridade feminina no exercício da Liderança!

 

A mim, para me convencer e aceitar como o mais sagrado dos dogmas, a absoluta, a inegável, a inquestionável, a indiscutível, a fatal superlativa superioridade do «género feminino» na liderança, basta-me a prova provada de uma só superlativa qualidade   -   a de persuasão-sedução   - da feminina “Helena, de Tróia” descendo a alça da túnica, que adornava os seus encantos e formusura, deixando à espreita o biquinho do seu seio   -   os homens, alto! o «género masculino» cai fulminado aos pés do (e)terno «género feminino»”!

 

Assim, dispenso o cardápio de todas as outras qualidades do «género feminino» que possam enquadrar toda e qualquer teoria   -   ressonante ou dissonante; transformacional e transacional; a Laissez-Faire, organizacional, ou Primal   -    cerca da sua superioridade inata como líder [ou como escrevo no meu “Pitigrama“ “O (e) terno feminino”) ou Lideresa]1, ou na liderança.

 

E, claro, «o género masculino tuguês» e «a génera feminina tuguesa»   -   distinção sublinhada para deixar mais contentes «os» e «as» “feminazi”   -   até arrebanham umas palavritas em Inglês, para adornar o seu «pensamento», o seu «conceito» e a sua «causa»!

 

Abrangência, empatia, liderança, conceito, género são palavras-chave da relação divina da superlativa superioridade do «género feminino»  -  carago galego!, da «génera feminina»    -    na liderança!

 

As “Lourderias” acabaram!

 

As “Fatimarias” que se cuidem: estão prestes a entrar em vias de extinção!

 

O altar do (e)terno «género feminino»” está a ser erguido …. na “Cova da Onça” … e no Palácio de S. Bento!

 

Mozelos, sete de Abril de 2019

Luís  Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

  • Lideresas Era para chamar-lhes «liderinas». Mas soava-me a diminutivo, assim como… “tangerinas”. Em Lideresas, o «esas» dá mais gabarito à palavra: lembra «alteza», «nobreza», «realeza», «marquesa», «duquesa», «princesa». E como a esquerdalhada (e - Oh! Espanto! … a moderníssima direitalha) feminina tanto ambiciona, se-cre-ta-men-te, ter mordomias e vénias de «princesa», entendo que Lideresa lhes fica a matar!....

 

 

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