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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

12
Fev19

Chaves, Casa Azul e a ausência do parpalhaço

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De vez em quando dou comigo a regressar a casa por outros caminhos. Felizmente hoje todos andamos com um instrumento no bolso que além de nos manter contactáveis a todo o momento, também nos permite fazer registos por onde passamos. Refiro-me ao telemóvel. Pois numa desses regressos a casa tomei os meus caminhos de infância e primeira juventude, caminhos que calcorreei desde que nasci até finais dos meus 14 anos de idade, caminhos do meu bairro da Casa Azul. Curioso que desde essa altura já passei por outros bairros e moradas, bem mais tempo que os 14 anos da Casa Azul, mas este, continua a ser o meu único bairro, e não o é só por ter nascido lá… Mas continuando, ia eu dizendo que numa das vezes que por lá passei, fiz três registos de imagem, apenas três, sem qualquer razão aparente, mas que hoje, revendo essas imagens, vejo que foi o meu inconsciente (o da psicologia) que deu impulso ao  meu acto, pois nele registei as três casas que mais me marcaram e trago sempre comigo na memória viva do consciente. Primeiro, esta casa que ficou atrás na primeira imagem do post, é a casa dos braguinhas (foi assim que a conheci), a casa principal de um conjunto de casas que se desenvolviam de um e do outro lado da estrada, casa que para mim sempre foi a construção mais bonita da cidade de Chaves, cheia de pormenores de encantar, com jardins lindíssimos e uma pérgula que de verão irradiava os aromas de perfume das glicínias. Sempre me encantou e continua a encantar, mas o registo que tenho desta casa, é um registo estranho e talvez seja por isso que a mantive para sempre na memória, ou seja, não tenho memória de alguma vez ter visto esta casa habitada, pessoas na varanda, à janela, a usufruir da pérgula, e a pergunta que sempre me pus sem a fazer é: Porquê uma casa de encanto, a mais bonita, de contos de fadas, príncipes e princesas, nunca teve gente dentro para dela poder usufruir e nela ser feliz?

 

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A segunda casa que aqui fica é a casa onde nasci, vivi nela apenas 14 anos mas conheço de memória todos os seus cantinhos. 14 degraus de escadas, virar á direita, 4 passos e a entrada, e fico-me por aqui, pois lá dentro há toda uma imensidão de recordações, boas recordações, mesmo aquelas em que chorei de dor ou de revolta, hoje são boas recordações, recordadas como momentos felizes. Curiosamente hoje refleti um pouco sobre a felicidade, em como ela se conjuga no passado e em todos os pretéritos, e ao que parece, quanto mais distante é esse passado mais felizes fomos, mesmo que então o não tivéssemos sido.  Passar hoje por esta rua, pela “minha” casa, é reviver acontecimentos em cada palmo de casa, em cada palmo de rua, sempre cheia de gente, muita rapaziada de todas as idades. Daquela varanda do meu quarto, dominava toda a rua e todo o mundo, mas apenas servia para espreitar se era o momento certo de descer para a viver, a rua. Ultimamente tenho passado por lá mais vezes do que era habitual e há uma razão, desta vez conhecida e consciente. Lembro-me de tudo nesta rua, dos rostos de toda a gente, onde moravam, os nomes e alcunhas, o que faziam, onde trabalhavam, sei indicar com precisão onde malhei a primeira vez de bicicleta, depois de motorizada, quando fiz as cicatrizes que ainda hoje tenho nos joelhos, etc, etc, etc. Mas há dias um rapaz do meu bairro, em conversa, referiu-se a um acontecimento que ocorreu ao pé da casa do “parpalhaço”, e desde aí a minha cabeça não tem tido descanso. Ao ouvir “parpalhaço” uma luz acendeu-se  e trouxe-me à vida o nome, alcunha que durante anos a fio esteve escondido em qualquer canto da memória, mas não há raio de me lembrar onde o homem morava, quem era, como era, a minha memória trouxe-me o nome do “parpalhaço”, apenas isso. Porquê esqueci o resto!? Porquê!? Não tenho insónias com o caso porque sou de bom dormir e não entro em depressão porque não tenho tempo, senão andava praí todo deprimido e a morrer de sono. É inadmissível que  toda a rapaziada do meu bairro se lembre do parpalhaço e eu não.

 

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Mas passemos à frente, à casota do pastor. Desde que tenho memória, sempre me lembro dela, ali estacionada, no mesmo sítio ao lado da oliveira, às vezes com ovelhas espalhadas à volta pelo campo, outras vezes sem elas, é uma das três casas que guardo comigo para todo o sempre, vejo-a na perfeição de olhos fechados mas tal como a primeira, há uma coisa que sempre me intrigou e continua a intrigar, nunca vi a casota habitada, mais ainda, nunca vi ou conheci o pastor. Imperdoável talvez, mas desta vez sei que não há esquecimentos, apenas nunca calhou ter visto o pastor.

 

Bom, e para terminar num momento feliz, o engraçado era se o pastor fosse o parpalhaço, mas não, isso sei que não é verdade, pois o pastor tenho a certeza que nunca o vi, já quanto ao parpalhaço, tenho  também a certeza de que o conheci… daí, lá terei que continua a passar pela minha rua para ver se me vem à lembrança.

 

 

22
Jan19

Apontamento sobre a cidade... de Chaves

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De vez em quando o pessoal cá da terra insurge-se contra alguns atentados arquitetónicos que se vão cometendo por aí, no entanto há locais que são mais sujeitos a críticas do que outros. Por exemplo na Madalena, ao longo dos tempos, ou melhor, de há cento e poucos anos para cá tem-se cometido por lá os maiores atentados da cidade e nem por isso têm dado ou deram muito que falar, refiro-me a atentados como a destruição quase total das muralhas seiscentistas e respetivo fosso, à demolição da casa dos arcos com o pretexto de posteriormente, com a demolição do edifício da farmácia, dar lugar a um largo, no entanto o edifício da farmácia acabou por ser demolido há coisa de trinta e tal anos mas para no seu espaço ser construído um novo edifício sem o mínimo de respeito pela arquitetura das construções existentes. Mas o post de hoje vai de encontro a duas escolhas de mau gosto para o pequeno largo que se vê nas imagens. A primeira escolha de mau gosto, que se repete noutros sítios da cidade, tem a ver com a localização escolhida para os contentores e ecopontos de recolha ou armazenamento de lixo, mesmo no cento do largo como se de uma escultura ou monumento se tratasse.

 

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A segunda escolha de mau gosto foi a alteração das cores originais de um pequeno prédio do largo (amarelo, azul e branco), por uma só cor. Cores essas que com um pouco de Photoshop recuperei e reproduzo na segunda imagem, com recurso à memória, graças a tantas vezes ter passado por lá e esse pequeno prédio fazer a diferença no largo, daí tornar-se inesquecível. Pintado de uma só cor,  ficou sem a graça que possuía e perdeu todo o interesse arquitetónico, tanto mais, que o projeto desse pequeno prédio é de autoria de Nadir Afonso e um dos poucos que o arquiteto pintor fez para esta cidade de Chaves. Posso estar errado, mas vejam a diferença e tirem as vossas conclusões.

 

 

27
Dez18

MADALENA - Chaves - Portugal

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Quem acompanha este blog, pela certa já deu conta que a Madalena tem um lugar privilegiado neste blog e as razões são várias e simples, mas ainda antes das razões, vamos à história da Madalena, que existe desde que Chaves existe, ou melhor, existe desde que Chaves foi povoada pelos romanos e construíram a ponte, ainda hoje existente, sobre o Rio Tâmega. Assim teve de ser, nem que fosse e só, pela defesa da ponte, que durante séculos, pelo menos até aos anos 50 do Século passado, era a única ponte que existia nas proximidades da cidade, exceção para a ponte ferroviária de Curalha que foi construída nos anos 20 do Séc. passado, mas essa era para o comboio no tempo em que ele existiu. A importância da defesa da ponte foi tanta que na Madalena até há pouco tempo atrás foi ocupada por várias unidades militares, tendo mesmo lá existido um hospital militar. Aliás nas gravuras de Duarte de Armas (Séc. XV) já era bem notório o casario da Madalena, e daí também,  mais tarde, a necessidade de as muralhas seiscentistas abrangerem também o povoado da Madalena. Mas há registos documentais  bem anteriores esta que demonstram a importância militar da Madalena, mas não só, há um que refere que a pedido  do Conde de Barcelos D.Afonso, filho de D.João I, foi criada a feira franca em Chaves, por carta régia de 10 de Setembro de 1410. Talvez daí, ainda hoje o por vias travessas, parte dos negócios da feira semanal de Chaves se fazerem ainda na Madalena. Falo em negócios sem barracas e banca montada, mas antes concertados em palavra de homem para homem.

 

Embora na periferia do centro histórico da Madalena a importância comercial e de alguns serviços ainda se mantenha e por lá se tenham instalado nos últimos tempos (Bombeiros, Serviços Agrícolas, quatro grandes superfícies comercias entre outras) a verdade é que o  centro histórico da Madalena abre às 9 e fecha às 19 horas, tendo perdido a sua importância residencial, e é pena, pois a Madalena tem excelentes condições para que tal continuasse a ser possível.

 

Pois estamos chegados às razões pelas quais a Madalena passar por aqui amiúde, nem que seja e só para ter a oportunidade de mandar uns palpites e de lançar umas ideias para uma Madalena melhor, mais atrativa de modo a que se sinta que verdadeiramente faz parte da cidade de Chaves, sobretudo hoje em dia em que perdeu a sua importância militar onde nem sequer houve o bom senso de preservar as muralhas seiscentistas. Contudo esses palpites e ideias não passam de sonhos meus, bem possíveis de realizar e de fácil execução, isto enquanto ainda houver espaços disponíveis para que possam acontecer, um deles, que há poucos anos atrás tive algumas esperanças de que vingasse, era a da realização da Feira dos Santos (divertimentos) serem lá instalados e nesse mesmo espaço, realizar-se a feira semanal. Claro que seriam necessárias algumas obras, poucas, mas, enfim, não passam de sonhos que por aqui vou deixando. Se os benefícios de investimentos sociais (no bem que se faz às pessoas) pudessem ser contabilizados em folhas de excel, aí até o galo cantaria, sem necessidade de se recorrer a aves mais raras e vistosas…

 

20
Set18

Cidade de Chaves e a Madalena, os cães, gatos e enfins!

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Apetecia-me dizer umas palavrinhas sobre os cães e gatos se darem mal, o que até nem é verdade, pois entre eles apenas há uma questão de defesa do território de cada um, já com outras raças mais civilizadas… mas como ia dizendo, apetecia-me dizer umas palavrinhas, mas continuo sem tempo para elas. Assim, fica a imagem da Madalena, do cão e do gato, da rua do Sotto Mayor que era Cândido, de duas pessoas a andar, do pipo, e do Km 0 que está na moda, enfim,  fiquem assim, até amanhã, na paz das vossas companhias…

 

07
Ago18

Simplesmente Madalena...

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Hoje ficamos com um pedacinho da Madalena, fora dos olhares e da visibilidade que as fachadas de primeira linha têm, um recantinho bucólico q.b., degrada é certo, aparentemente sem gente dentro, mas nem por isso deixa de ter a sua beleza, só é pena estar assim, sem vida, onde nada acontece.

 

Embora e sem qualquer sombra de dúvidas a Madalena seja um dos nossos locais do centro histórico de Chaves mais interessantes da cidade, embora tenha a sua dinâmica durante o dia, não percebo como à noite recolhe a uma penumbra humana, quando tem tanto para oferecer.

 

Ainda estão na memória de muitos as noites deslumbrantes das verbenas do Jardim Público. Já eram tradição da cidade. Chegava o verão, não era necessária qualquer publicidade, as verbenas lá estavam no dia e hora do costume. Era o pouco que havia na altura, mas já era muito para a Madalena e a cidade entrar em movimento. Pessoalmente, sou da opinião que,  adaptada aos tempos atuais em que não basta a banda no coreto e o conjunto musical ao lado, as verbenas continuam a ser possíveis e podem de novo fazer tradição. Mas talvez este sentir seja apenas saudosismo!

 

 

 

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