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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Mar19

De poldra em poldra...

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Não quero acreditar no sobrenatural e quando às vezes, as circunstâncias da vida, me podem levar a pôr a hipótese de poder acreditar, depressa desmonto a teia de pensamentos que me levam a tal. Hoje, por exemplo, passei parte da noite a pular de pensamento em pensamento como se estivesse a pular de poldra em poldra as poldras do rio, num vai em vem de quem chega à outra margem e regressa de poldra em poldra à margem de origem, assim continuamente… Entre mãos tinha a publicação dos posts de hoje, o responder ao mail de um amigo, aparentemente coisas de rotina, em que só custa começar, depois é só navegar por aí fora até chegar a bom porto. O problema é quando o nosso barco encalha num banco de areia e por mais que se insista em sair de lá, mais se enterra… mas num de repente, zás, abrimos o arquivo de fotografias e logo a primeira que vemos, dizemos, é mesmo esta. Instintivamente e sem qualquer razão,  levantamo-nos, vamos à estante dos nossos livros de companhia, mandamos mão a um livro qualquer, abrimos ao acaso numa qualquer página, começamos a ler a partir de um ponto qualquer e quando chegamos ao fim, vemos que eram mesmo aquelas as palavras que nos faltavam, que queríamos, que procurávamos para desencalhar e para parar de vez com o vai e vem da travessia das poldras. Foi assim que encontrei a imagem de hoje e as palavras para a ilustrar,  que agora vos deixo:

 

Coisa limitadora, a amizade!! Sobretudo negativa, no ponto de vista intelectual. Ou é uma contínua transigência, ou uma fonte de arrelias. Só a oposição anónima — inimiga, no fundo — estimula e faz criar. Diante dela, o espírito voa como entende. Nem há direcções proibidas, nem poços de ar pessoais, onde se cai com o coração na boca.

 

Parece à primeira vista  que seria justamente de um convívio pacífico, diário, fraterno, que sairia o tónico ideal de que todo o artista necessita. Mas não. Sem falar no cansaço a que somos atreitos, e que ao cabo de certo tempo deseroíza tudo — poemas e virtudes —, criando à volta de cada obra ou de cada atitude um vácuo de aceitação amorfa, neutra, habitual, por temperamento e por motivos de vária ordem a nossa vida individual e social, passados os breves dias da mocidade, entra num túnel crepuscular de anedotas e digestões. E, naturalmente, uma presença ou consciência de que possa perturbar esse nirvana é olhada com enfado. Daí que instintivamente cada qual vá limando, até sem dar por isso, as arestas do seu espírito, para não levantar atritos. A guerra perpétua é impossível, tanto nas relações dos povos, como nas das criaturas. E surge insensivelmente o compromisso: nem se medem as irregularidades do caudal criador, para não ofender, nem se agitam as águas estagnadas do afecto, para não perturbar. Ora um artista não pode limar as arestas de maneira nenhuma. Pelo contrário. Se os outros envelhecem, desistem, e por cansaço ou piedade o poupam a críticas e a desilusões, ele é que precisa de estar sempre vivo e alerta. E eis a mortificação. Sedento de calor humano e agrilhoado ao seu destino de inquietador, o desgraçado vê-se entre a espada e a parede. Para ser fiel aos sentimentos, tem de parar; para não trair a sua estrela, tem de prosseguir. E nessa incómoda carroça de duas rodas, que caminham em direcções opostas, lá vai ele, umas vezes a esconder o que faz, outras a ler uma página como quem espeta um punhal ou arrisca a própria vida.

Miguel Torga, In Diário VI

 

08
Jan19

Momentos do Tabolado (Uma Espécie de Canção)

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Acompanhe-se a leitura do texto e imagem com a música de Pedro Abrunhosa, da canção “ Momento (Uma Espécie de Céu)".

 

 

Momentos do Tabolado (Uma Espécie de Canção)

 

Um cão que se vai

Um homem que vem

A folha que cai

À beira do rio

O chapéu que sustém

Na cabeça com frio

Cachecol ao pescoço

A olhar para o lado

Num andar de moço

O Tâmega segue o seu fado

Num passear discreto

A rapariga debita

Sentimentos com os dedos

Quiçá de um amor secreto

Que nela habita

Ou serão outros enredos

Mais uma árvore despida

Dois bancos que esperam alguém

Com o azul do céu ainda acordado

A caminho da despedida

Com um sol já do dia cansado

E umas escadas que não sobem ninguém

Mais ao lado dois corações

Se as crianças atinarem no feitio

Em vez de dois serão três

E a mãe a fotografar as emoções

Da inocência a caminhar para o Estio

E assim foi um momento, uma vez

Ao fim da tarde, no Tabolado

De um domingo qualquer

Onde entram um Homem e um cão

Uma rapariga, duas crianças e uma mulher

Onde nem sequer falta o amor amarrado

Num cadeado e um

E com esta me bou

Tal como o cão, logo no início se foi

Nesta espécie de poema ou canção

Ou…

 

Até amanhã!

 

Mas antes, fiquem com o “Momento” de Pedro Abrunhosa

 

 

 

29
Nov18

Coisas do baú e do photo xó

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Este blog vai a caminho dos 14 anos de existência, ou seja, caminhamos para mais de cinco mil dias de publicações onde nunca faltou pelo menos uma fotografia, o que se fosse apenas uma por dia, teria aqui cinco mil e tal fotos, mas como não nos contentamos com apenas uma, já vamos a caminho das 15000 fotografias aqui publicadas. Bem, este paleio é apenas para vos dizer que às vezes já não sei o que publicar, isto no início da feitura do post, mas logo surge uma ideia qualquer para nos salvar o dia, às vezes até inventamos, mas tem de ser.

 

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Farto do outono quando já tudo sabe a inverno, que, tirando os nevoeiros, as nevadas, o gelo e outros que tais, pouco mais há para despertar interesse à fotografia, a não ser que seja para entramos numa de melancolismos e aí tudo serve, mas são caminhos por onde não costumo andar, lá teremos que ser um pouco criativos e rebuscar um pouco no baú à procura de coisas novas. Sorte que as novas tecnologias ajudam um pouco neste processo, principalmente o Photo Xó, desde que o entusiasmo não seja em demasia, daí o xó, tal-qual se usa para fazer parar as cavalgaduras de quatro patas (para as outras não há remédio, quando mais xós lhes atiras mais elas puxam para trás).

 

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Tudo isto, que até nem é muito, para vos dizer que hoje fui mesmo ao photo xó para brincar um bocadinho e ao baú para descobrir uns pormenores com interesse, pois a nossa cidade pode ser pequena e andarmos (fotograficamente falando) sempre à volta do mesmo, mas tem uma riqueza em pormenores quase inesgotável, nós é que andamos distraídos e não reparamos neles. Claro que as coisas que para mim são interessantes, poderão não o ser para vós, mas também como por aí (desse lado) não costumam protestar, parto do princípio que com o esse silêncio faz parte do vosso consentimento. Mas se quiserem deixar umas palavrinhas nos comentários, estejam à vontade, façam de conta que é o Facebook. Engraçado que há uma (sem graça) que costumo ver no Facebook (pois eu também vou lá espreitar um bocadinho)   que acontece quando alguém morre e dão lá a noticia, pois ou sou eu que entendo as coisas ao contrário ou esta gente é mesmo má, refiro-me aos likes no rodapé da notícia… E com esta me bou! O post de hoje já está. Amanhã há mais. Inté!

 

 

 

28
Ago18

Apenas um momento...

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Hoje fica apenas isto, um recorte de imagem, o resto fica para amanhã, com algumas palavras, na certeza, porém, que nada será aquilo que possa parecer,  e muito do que se poderia dizer, continuará no silêncio recatado da memória, mas haverá algumas estórias,  onde até as de amor serão possíveis, esperas, tardes longas, porto de abrigo, velhos do restelo, intelectuais do burgo e outros que tais. Hoje, o de agora mesmo, deste momento e não um hoje de hoje em dia,  não tenho mais tempo senão este…

 

Até amanhã, com o resto!

 

 

07
Jun18

Esperas!

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A melhor maneira de congelar um momento é, sem haver lugar para dúvidas, a fotografia. Mas não só, a fotografia vai muito para além de congelar momentos, principalmente no momento de a vermos. Por exemplo na foto que vos deixo consegui congelar o momento de 14 pessoas, que  na foto estão tão congeladas como a estátua do Padre Fontoura que o escultor mais que esculpir, também congelou para todo o sempre de enquanto ela durar. Mas voltando à foto, ao vê-la, surgem-nos uma série de questões. Quem são aquelas pessoas? De onde serão? O quê vieram cá fazer? O quê estão ali a fazer? — Para uma ou outra questão temos respostas, para outras não, mas também não interessa muito saber as respostas. Notoriamente estão cansados, e estão à espera. É, sem qualquer dúvida estão à espera. Todos estão à espera. Aliás, a maior parte da vida daquelas pessoas é feita de esperas, e esperam tanto que até esperam enquanto esperam. Aparentemente estas pessoas esperam por alguém e possivelmente pelo autocarro que as irá recolher, mas enquanto esperam pelo autocarro, uns esperam que alguém se levante para eles se poderem sentar, outros, esperam que uns se calem para eles poderem falar,  e quase todos esperam que aquele momento de repouso lhes dê algum descanso e conforto. Afinal de contas passamos a maior parte das nossas vidas à espera…à espera que chegue a hora de comer, de dormir, de acordar, de chegar a casa, à espera que deixe de chover, à espera que o dia nasça, à espera de ter oportunidade de… à espera que chegue o dia tal… à espera de alguém, à espera que nos paguem o que nos devem, e sempre à espera do fim do mês para receber, ou à espera que o nosso clube ganhe, e todos estamos à espera que Portugal ganhe este campeonato do Mundo de Futebol. Enfim, não fazemos mais que esperar, esperar, esperar e esperar, mas também tudo isto é uma ilusão. Afinal de contas todas estas pessoas não esperam por nada,  nem por ninguém, elas já nem sequer ali estão, exceção para a estátua que ainda lá deve estar, de resto já abalaram todos há muito tempo para o resto das suas vidas, pelo menos há oito anos que já não estão ali, pois esta foto não fez mais que congelar um momento, o preciso momento em que eram 15 horas, 57 minutos e 40 segundo do dia 27 de maio de 2010. 

 

E é chegado o momento de vos pedir desculpa, pois pela certa continuaram a vossa leitura até aqui, porque estavam à espera que eu dissesse qualquer coisa de jeito, mas não, lamento, mas apenas estiveram à espera que o texto acabasse para passarem a fazer outra coisa qualquer. Lamento, mas não deixa de ser verdade que a nossas vidas é feita de esperas e que uma fotografia apenas congela um momento que já não existe.

 

 

23
Mai18

Em Chaves também há ideias felizes com momentos felizes...

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Hoje em dia, com as novas tecnologias, andamos sempre com uma máquina fotográfica no bolso ou à mão. Uma delas acompanha-nos com o telemóvel, e ainda bem, pois assim conseguimos registar sempre momentos felizes de ideias felizes como o que está a acontecer na Praça do Duque, em Chaves.  Por mim, o jardim ficaria lá para sempre.

 

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Mas de vez em quando convém descarregar essas fotografias do telemóvel, ocupam a memória do cartão e vão ficando por lá outros momentos felizes ou não, e outras ideias, também felizes ou não, para além de outras imagens que já nem nos lembramos onde foram tomadas ou até se fomos nós que as tomámos, como esta que vem a seguir, com as moçoilas que nem sequer conheço e para que conste, eu nem sequer vou à praia…

 

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Ideia feliz foi a de aguardar por melhor ideia e projeto para aquilo que se vai fazer no Jardim do Bacalhau, tal como foi feliz tapar aquele pequeno mamarracho que não pode ser demolido por se tratar de um Posto de Transformação.

 

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Mas ideia mais feliz seria se em vez de o terem tapado com painéis pintados de branco, se tivesse aproveitado o espaço para publicitar o que temos de melhor. Era um dois em um – seria mais agradável à vista e fazíamos da coisa um painel turístico, ou outra coisa qualquer que fosse agradável à vista e de utilidade pública. Fica um exemplo com uma brincadeira de Photoshop.

 

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Isto, porque prevejo que aquela coisa não sairá de lá tão cedo…

 

Bom dia de feira!

 

 

 

07
Fev18

Rua do Poço - Chaves - Portugal

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Por mais fotografias que tenha desta cidade de Chaves, sempre que me faz falta alguma de um determinado local ou pormenor, dou-me conta que essa nunca a fiz. Claro que mais dia, menos dia, acabo por fazê-la, mas então já não faz falta. É por essa razão, que de vez em quando, dou umas voltas pelo nosso centro histórico, repito passos que já antes dei, registo novos momentos de que já registei, e às vezes lá vai acontecendo um ou outro que foi falhando nas minhas anteriores passagens. Claro que são olhares seletivos, pois há pelo nosso centro histórico muitos atentados cometidos que não interessam a ninguém.

 

Nestas voltas há ruas e pormenores que são mais fotografados que outros. Uma das ruas da qual tenho menos motivos registados é da Rua do Poço e sempre que passo por lá compreendo o porquê. Parece uma rua com duas faces, que na realidade tem, uma com construções assentes sobre a muralha medieval com os seus alçados principais virados para a rua e mantendo a sua traça antiga. A outra face parece feita de alçados posteriores e maioritariamente com reconstruções descuidadas, varandas de betão que não condizem com a rua.

 

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Mas mesmo assim nesta mescla em que os sentires ficam divididos, há momentos únicos na rua, às vezes feitos pela magia da luz e da cor, outras vezes num quadro antigo de um gato à espera que a porta se abra ou de um mini à espera que lhe abram a porta. Vale a pena insistir, os momentos sucedem-se uns aos outros e por muito semelhantes que sejam, nunca são iguais.

 

 

 

31
Mai17

Momentos com ou sem poesia...

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No meu mundo as imagens pedem-me palavras que possam transmitir a sensação do momento em que as vivo, sem muitas palavras, apenas algumas, poucas, às vezes basta  mesmo só uma. É assim como uma espécie de um momento poético ou um poema em que o título diz tudo, mas que nós vestimos de versos como se houvesse a necessidade de taparmos a nudez  do poema. Os momentos hoje vividos também me pedem essas palavras. Poderia  muito bem ir bebê-las a um poeta “Não sei nunca o que me trazem as palavras, elas gostam tanto de me surpreender. Hoje ao levantar da névoa trouxeram-me a casa sobre o rio…” ou então desenhá-las sobre o rio, pendurá-las nos ramos das árvores, pô-las a escorregar pelos telhados abaixo ou misturá-las entre os passos das pessoas, assim ao jeito  Ana Hatherly , como ela tão bem fazia. Mas as minhas relações com a poesia sempre foram complicada e depois, como sempre, nela seria lido o que cada um quisesse ler e não o sentir de um momento que de tão íntimo se torna quase intransmissível. Assim, fica a liberdade para que cada um veja o que quiser e sinta o que lhe der na gana.

 

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Palavras, palavras e mais palavras, apenas palavras que não se conjugam lá muito bem com os silêncios das melodias ou o estar só no meio da multidão, transparentes,  sem sequer sermos sombras, apenas momentos, muitos momentos que depois de isolados e congelados vamos saboreando no entender do momento,  sem palavras a atrapalhar ou a conduzir-nos, assim como se nos  desenhassem e quisessem impingir  uma circunferência quando nós preferimos o circulo ou até, e apenas, paradinhos num ponto qualquer  de uma reta por não nos apetecer outra coisa, como se fôssemos um catavento enferrujado por estar farto de virar ao sabor do vento.

 

 

 

26
Mai17

Momentos traídos pela memória...

1600-(47144)

 

As margens dos rios sempre têm uma dose de magia, mas esta entrada para o rio, além da sua dose de magia é acrescida de um bucolismo ao qual não se fica indiferente. Podia muito bem  inspirar um poema, estórias de amor, muitas brincadeiras de criança, ser um cais de chegada, lugar de encontros ou partidas, inspirar um tela, eu sei lá, podia ser tudo que a nossa imaginação permitisse se o passado não fizesse parte da memória.

 

 

 

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