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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Out19

O Barroso aqui tão perto - Bagulhão (vídeo)

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Bagulhão - Salto - Montalegre

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que não tiveram o resumo fotográfico em vídeo aquando do seu post, trazemos hoje aqui o vídeo da aldeia de Bagulhão, freguesia de Salto, concelho de Montalegre do Barroso verde.

 

 

 

Link para partilha ou ver diretamente no youtube:

https://youtu.be/Mfn_kGgIQEo

 

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Bagulhão:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

 

 

 

06
Out19

O Barroso aqui tão perto - Azevedo (Vídeo)

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montalegre (549)

 

 

Azevedo – Montalegre - Barroso

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que não tiveram o resumo fotográfico em vídeo aquando do seu post, trazemos hoje aqui o vídeo da aldeia de Azevedo – Montalegre – Barroso.

 

 

Link para partilha ou ver diretamente no youtube:

https://youtu.be/HYQDOYIBt8g

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Azevedo:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

 

29
Set19

O Barroso aqui tão perto - Arcos (vídeo)

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que não tiveram o resumo fotográfico em vídeo aquando do seu post na rubrica "O Barroso aqui tão perto", trazemos hoje aqui o vídeo da aldeia de Arcos – Montalegre – Barroso.

 

 

Link para partilha ou ver diretamente no youtube:

https://youtu.be/4BwPWu-ZBns

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Arcos:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

 

22
Set19

O Barroso aqui tão perto - Antigo de Viade (vídeo)

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Em 11 de março deste ano de 2019 trouxemos aqui ao blog a aldeia do Antigo de Viade. Na altura ainda não fazíamos o vídeo final com todas as fotos publicadas, e como não queremos descriminar nenhuma das aldeias do Barroso, aqui fica o devido vídeo em falta.

 

Para partilhar ou ver o vídeo diretamente no YouTube siga este link:

 

https://youtu.be/VQWV-s8Qo1g

 

 

 

 

Se quiser ver a publicação completa que dedicámos ao Antigo de Viade em março, siga este link:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/1837285.html

 

 

15
Set19

O Barroso aqui tão perto - Antigo de Serraquinhos (vídeo)

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Em 11 de setembro de 2017 trouxemos aqui ao blog a aldeia do Antigo de Serraquinhos. Na altura ainda não fazíamos o vídeo final com todas as fotos publicadas, e como não queremos descriminar nenhuma das aldeias do Barroso, aqui fica o devido vídeo em falta.

 

Para partilhar ou ver o vídeo diretamente no YouTube siga este link:

 

https://youtu.be/SCiD1Mr7nsc

 

 

 

Se quiser ver a publicação completa que dedicámos ao Antigo de Serraquinhos em 2017, siga este link:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

 

 

 

 

 

01
Set19

O Barroso aqui tão perto - Amial

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Ainda antes de terminarmos todas as aldeias do Barroso pertencentes ao concelho de Montalegre, somos obrigados a fazer um ligeira alteração naquilo que é habitual fazermos, ou seja, um post completo para as aldeias em falta, para além das vilas. Assim e enquanto essas localidades não passarem por aqui, vamos fazer uma nova ronda por todas as aldeias que já tiveram aqui o seu post,  mas para as quais não fizemos o vídeo final com todas as fotografias publicadas, tal como tem sido habitual nas últimas aldeias aqui abordadas. Esta nova ronda será feita por ordem alfabética e apenas terá uma foto da aldeia e o respetivo vídeo, iniciando hoje com a aldeia de AMIAL.

 

Fazendo o ponto da situação, faltam ainda passar por aqui, com um post completo,  as aldeias:

 

  • Borralha (Minas)
  • Lama da Missa
  • Peireses
  • Pisões
  • Vilar de perdizes
  • as 7 aldeias dos colonos
  • a Vila de Montalegre
  • a Vila de Salto.



Ficamos então com o Vídeo de Amial:



 

 

Link do vídeo para partilha ou ser visto diretamente no youtube:

 

https://youtu.be/dv5F8djDIYE

 

Link para o post completo de Amial (sem vídeo):

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

 

 

25
Ago19

O Barroso aqui tão perto - Tourém

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Já várias vezes o disse aqui no blog que as minhas idas a Montalegre sempre foram frequentes, quase desde que nasci, principalmente por altura das festas (Natal, Páscoa e Sr. da Piedade), tudo, porque toda a minha família materna é de Montalegre, inclusive, até os meus irmãos nasceram lá.

 

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Durante o meu tempo de criança e adolescente, para mim, o Barroso era Montalegre e todo o território entre Chaves e Montalegre, e pouco mais, a não ser as descidas que fazia anualmente até ao Sr. da Piedade por altura das festas, a partir de aí, o território barrosão era para mim desconhecido, exceção para uma ida a Tourém, deveria ter eu os meus 12 ou 13 anos, não mais.

 

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Dessa primeira ida a Tourém, apenas recordo um episódio. De vez em quando o meu tio de Montalegre, acho que conhecendo a minha curiosidade por conhecer novas terras, convidava-me para lhe fazer companhia nas idas a algumas aldeias, geralmente próximas. “Oh rapaz, querer ir a Stº André!?” E claro, cá o rapaz queria sempre. Até que chegou esse dia de ir a Tourém. Então, depois de uma longa viagem, que hoje sei ser apenas de 28 km, mas que, com as estradas e viaturas de então parecia alongar as distâncias, lá cheguei a Tourém.

 

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Chagados a Tourém, o meu tio foi tratar dos assuntos que tinha a tratar enquanto que eu fiquei por ali, dentro e fora do carro, na rua principal, mas sem me distanciar muito, quando nisto, ao fundo da rua começa a aparecer uma manada bem volumosa de vacas. Recolhi ao carro, não fosse uma vaca tresloucada marrar em mim, e pus-me a apreciar a sua passagem. Espanto meu, que ao longo da rua umas vacas iam ficando à porta das casas, umas tantas ali, outras em frente, algumas mais além, assim ao longo de toda a rua, até que as portas se abriam e elas iam desaparecendo da rua que acabou por ficar de novo limpa de vacas. Estava ansioso pela chegada do meu tio para lhe contar aquilo que tinha visto, se calha nem ia acreditar em mim. Chegou, contei-lhe o sucedido e riu-se. Explicou-me depois que nas aldeias era assim, em vez de irem todos os donos das vacas com elas para o monte e pastagens, ia só um com elas todas, e nos dias seguintes, à vez, iam outros donos. Em suma, explicou-me o que era essa coisa tão tradicional do comunitarismo do Barroso que se chama vezeira, mas houve ainda uma pergunta minha que ficou sem resposta, pelo menos satisfatória - Oh tio,  e como é que as vacas sabem qual é a casa delas para pararem lá !? – A resposta foi pronta: - Elas lá sabem!

 

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Mas se Tourém, fisicamente, era para mim desconhecida, já não o era no seu nome, pois que em todas as conversas e estórias sobre o Barroso, mais sedo ou mais tarde lá vinha Tourém à baila, e ainda continua a ser assim. Quer em vizinhas e amigos de casa dos meus pais que eram de lá, em colegas, nas estórias, uma delas bem macabra e que tenho registada desde os meus 7 ou 8 anos de idade, a estória de um louco que mata uma jovem mãe com o bebé ao colo, estória que me foi contada pelo próprio bebé (quando já tinha os seus 7 ou 8 anos, aquando nos conhecemos). Estória que é também contada por Bento da Cruz no “Lobo Guerrilheiro”. Mas para além deste triste episódio, Tourém é falada por causas e coisas mais nobres, por exemplo na literatura, para Além de Bento da Cruz, também por Miguel Torga, com referências no seu diário, pela sua História, pelo Couto Misto (Mixto) dada a proximidade e o caminho privilegiado entre Tourém e o Couto Misto, pela Casa dos Braganças, e pela sua fama de aldeia típica barrosã, entre outras referências.

 

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Assim, da afamada aldeia de Tourém saiam convites constantes para ir até lá conhecê-la, tendo em conta que na minha primeira ida aos 12 anos não contou para a conhecer, pois para além do episódio da vezeira, mais nada recordava. Aconteceu ir por lá já nos anos 90, inícios, uma noite e um dia lá passados com amigos pescadores, no dia de abertura de pesca, ainda na altura da fotografia analógica em que gastei o rolo todo com imagens dos amigos pescadores e da pescaria, apenas duas trutas, mas grandes, que embora só um as tivesse pescado, todos os pescadores fizeram questão de tirar uma foto com elas, até eu que nem sequer peguei numa cana.

 

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Das restantes vezes que fui por lá, mais recentemente, já foi mesmo para visitar Tourém e para a registar em imagem. Segundo o registo do meu arquivo fotográfico, fui lá num passeio de fotógrafos da Associação de Fotografia  Lumbudus, em junho de 2014, depois em setembro de 2016, nesta data já para recolha de imagens para esta rubrica de “O Barroso aqui tão perto”.

 

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Em novembro de 2017 fui por lá de novo, mas desta vez sem intenção, fui levado por acaso numa estória também caricata. Acontece que tinha um Congresso de Animação Sociocultural em Paredes de Coura. Como sempre, nestes congressos de animação tenho por companhia o Padre Lourenço Fontes. Previamente fiz o meu roteiro para Paredes de Coura, que tendo em conta que tinha de apanhar o Padre Fontes em Vilar de Perdizes, se mostrava mais vantajoso ir até Paredes de Coura, via Galiza, Xinzo de Lima, Cela Nova, Lindoso, etc. Ou mesmo, uma vez que já partimos com certo atraso, havia a opção da autovia galega Via Ourense até Valença, mais distante, mas mais rápido. Ora chegado a Vilar de Perdizes, o Padre Fontes disse-me que conhecia uns atalhos, muito mais perto e quase metade do caminho. E lá fomos pelos atalhos quase sempre junto á fronteira, por estradas bem secundárias. Pouco depois, sempre a seguir as indicações do P.Fontes, vira aqui, vai por ali, cruza acolá, dou comigo numa aldeia, primeiro estranha, mas que logo se tornou familiar. – Oh Padre, estamos em Tourém! É por aqui!?. - Anda lá, diz-me ele, tenho que ir dar um recado à minha irmã. Recado que meteu merenda porque já era a hora dela e um recado/visita breve à Casa dos Braganças. Desvio que nos valeu quase 3 horas de atraso, mas que, acabou por me levar mais uma vez a Tourém a agendar outra ida, pois nesse desvio vi a igreja do cemitério que acabaria por me levar até Tourém mais tarde, em março deste ano de 2019. Aí sim, embora não concluído porque um levantamento fotográfico de uma aldeia nunca se dá por concluído, mas com material suficiente para este post.   

 

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Mas entremos em Tourém, agora com as palavras de Miguel Torga, que tal como eu não chegou ir por lá uma vez:

 

 

Tourém, 7 de Abril de 1968

 

A intensidade de certos sentimentos mede-se pelo pudor de que os rodeamos. Quanto menos se exibem, mais fundo latejam. Mas, ao contrário, só na denúncia clamorosa de todos os atentados contra o objecto dos nossos afectos preservamos a sua pureza. A indignação publicamente manifestada é, nesse caso, a única prova de fidelidade do coração.

Azoeirado diariamente pelos papagaios do amor acrisolado à pátria, que açaimam, prendem ou liquidam os que duvidam da cantilena e erguem, ofendidos, a voz acusadora, é com inveja que olho os habitantes felizes deste pequenino enclave barrosão, que a grandeza espanhola nunca conseguiu deslumbrar nem devorar. Sempre que atravesso o istmo que o liga ao corpo nação, percorro as ruas da aldeia pavimentadas de cagalhetas, e entro na igreja onde o escudo real é uma ara de pedra de fervorosa celebração lusitana, apetece-me assentar arraiais e ficar a ser português assim o resto da vida. Unido visceralmente à matriz por um cordão umbilical de ternura, e ao mesmo tempo desterrado, esquecido, analfabeto, civicamente impedido de ouvir, e culturalmente desobrigado a responder.

Miguel Torga, In Diário X

 

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Tourém, Barroso, 2 de Setembro de 1990

 

LIMITE

 

Pátria até que os meus pés

Se magoem no chão.

Até que o coração

Bata descompassado.

Até que eu não entenda

A voz livre do vento

E o silêncio tolhido

Das penedias.

Até que a minha sede

Não reconheça fontes.

Até que seja outro

E para outros

O aceno ancestral dos horizontes.

 

Miguel Torga, In Diário XVI

 

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Quanto às minhas impressões pessoais sobre Tourém, que dizer!? Com a noção de que me ficarei sempre aquém das impressões e do sentimento, talvez me fique só pelos realces. Primeiro o do caminho até Tourém, desde que se deixámos para trás Covelães, pareceu-me estar a entrar num outro espaço, numa outra dimensão, numa outra realidade. Já era fim da tarde,  com o sol já descaído a começar a doirar o céu. Uma paisagem espantosa, surpreendente que tinha tanto de belo como de misteriosa, parecia estarmos num outro planeta, só faltou mesmo ouvir as canções de embalar da lenda da Serra da Mourela, a serra que tem todos estes encantos e ainda me falta ver toda aquela paisagem coberta de neve. Já em Tourém destaco as capelas, a igreja do cemitério, a via sacra, o forno do povo, as ruas e ruelas, a Casa dos Braganças, o “Museu etnográfico” da irmã do Padre Fontes, largo principal, as ruas e ruelas, a vista geral da aldeia e o por do sol sobre a barragem que faz fronteira com a Galiza e por último a simpatia da sua gente.

 

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E já que atrás mencionámos a Lenda da Serra da Mourela, aqui fica ela, para quem não conhece:

 

“A Lenda da Serra da Mourela (Pedra da Moura)”

«Conta-se que, quando os mouros foram expulsos pelos cristãos das terras do norte, havia uma mulher moura que estava grávida e que teve as dores de parto no momento da fuga. Escondeu-se, por isso, numa gruta para puder ter o filho. Todos os mouros foram embora, mas ela ficou naquela gruta para criar o filho, e o povo diz que durante muito tempo se ouviu a moura a entoar bonitas canções de embalar. A gruta ficou assim conhecida como a “Pedra da Moura” e a serra onde ela está situada é a Serra da Mourela. Fica entre as aldeias de Pitões das Júnias e Tourém, no concelho de Montalegre.»

 

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E agora vamos às nossas pesquisas sobre o que encontrámos nos escritos sobre Tourém. Assim na monografia Montalegre encontrámos:

 

“Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis. A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo; o trajecto de Paradela do Rio a Outeiro e Parada; a travessia da Mourela com visita ao Mosteiro de Pitões e à extinta freguesia de São Vicente do Gerês ou ao São João da Fraga; a visita a Tourém que tanta importância teve durante a Idade Média no seu relacionamento com o castelo da Piconha e o Couto Misto através do caminho neutral; uma viagem a Cervos, Arcos e ao célebre e celebrado Pindo – mau passo do inevitável acesso à ribeira-tâmega que foi valhacouto de ladrões e malfeitores; uma passagem, ainda que breve, por capelinhas carregadas de história e lenda, do sagrado e do profano, de mistério

 e dogma, de misticismo e magia: “Alvas ermidinhas sob azuis magoados, vejo-vos de longe numa adoração, como ninhos brancos de ideal pousados Lá nesses fragosos montes escalvados, onde não há água nem germina o pão.

“Lá nos altos montes sem trigais nem vinhas, Sem o bafo impuro que dos homens vem, É que a Mãe de Cristo com as andorinhas e as estrelas d´oiro mesmo ali vizinhas, Num casebre térreo se acomoda bem.””

 

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E continua:

 

“Os achados de conjuntos monetários mais importantes são os de Penedones (doze denários de prata que se perderam), da Vila da Ponte (cinco excelentes denários de prata e alguns bronzes médios), Minas da Borralha com mais de 3 mil médios bronzes e Montalegre, com mais de novecentas peças, quase todas denários com magro banho de prata. As moedas destes achados não ultrapassam o século III. Da mesma altura são as aras votivas a várias divindades, que os romanos acolheram, como o Deus Larouco (Vilar de Perdizes); outras dedicadas ao deus Júpiter (Vilar de Perdizes e Chã); e outras mais, anepígrafas, em Pitões e Tourém.”

 

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E ainda:

 

“Há muitas sepulturas líticas móveis, talvez os monumentos mais antigos, e sepulturas fi xas. Das móveis temos exemplos em Bobadela, Sapiãos, Bustelo (Vila da Ponte), Tourém, Pitões, Santo Adrião (Montalegre) e, sobretudo, os enigmáticos arcões graníticos de Salto, a merecerem um estudo mais atento.”

 

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E mais esta:

 

“Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram.”

 

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E esta:

 

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).”

 

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E continua:

 

“Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.”

 

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E esta:

 

“Um bispo no exílio” - século XIX Um bispo de Ourense, da importante família galega dos Quevedos, foi ameaçado de morte no advento do liberalismo (princípios do séc. XIX). Abandonou o Reino de Galiza e a sua catedral e exilou-se na povoação de Tourém. Aí viveu em paz muitos anos porque, residindo nos limites da sua diocese, estva contudo em país estranho, onde o não podiam prender nem condenar.

 

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Ainda na monografia “Montalegre” num capítulo mais alargado dedicado à freguesia, além dos dados respeitante à mesma temos:

 

TOURÉM

Área: 17 km²

Densidade Populacional: 10.9 hab/ km²

População Presente: 162

Orago: São Pedro

Pontos Turísticos: Castelo da Piconha; Castro; Forno; Igreja; Vestígios da Sala do Bispo Galego; Capela de Santa Ana; Casas dos Braganças e do Prof. Barros.

Lugares da Freguesia: (1) Tourém

 

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E ainda:

 

Ao refazermos a nossa história regional é justo colocar no primeiro capítulo a freguesia de Tourém. Recebeu foral de D. Sancho I para manutenção da vigilância fronteiriça a partir do Castelo da Piconha e da sua ligação, num caminho neutral, ao coração do Couto Misto formado pelas povoações de Santiago, Rubiás e Meaus.

 

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E continua:

 

Há mesmo notícia certa de que o Sancho Povoador por ali passou, antes, obviamente, de 1211: “…quando ibat rex domino Sanchio pro a Sancte Pelagio de Piconia…” Mesmo após o estabelecimento definitivo da capitalidade das terras de Barroso em Montalegre, as prerrogativas e privilégios de Tourém foram mantidos: basta dizer que as chamadas “honras” ficaram oneradas em fornecer homens para a guarnição da Piconha. Aliás, a defesa do sítio era questão primordial para toda a população de Tourém como se verifica pelos orifícios abertos nas testadas das casas, sobre as portas das habitações, de modo a evitarem assaltos, cercos e esperas ou emboscadas.

 

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E continua:

 

Dado de inusitada curiosidade é o facto da igreja muito antiga de São Pedro (com vestígios românicos) não aparecer no catálogo de 1320. Pois não aparece porque pertencia, no espiritual, à Diocese de Ourense. Por esse motivo (é da tradição e tido como certo) que, a dada altura, no florescimento do Liberalismo Galego, um bispo de Ourense, da família Quevedo, se refugiou em Tourém, por razões políticas. O bispo, estando em país estranho, estava em terra própria, porque Tourém integrava a Diocese de Ourense.

 

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Para terminar:

 

Tourém, muito antes do foral, foi honrada numa escritura de doação de bens ao Mosteiro de Celanova, pelos anos de Cristo de 1065!

 

É talvez a freguesia mais cosmopolita da zona com visitas diárias dos “labregos” e “turistas” da Galiza Irmã! Estes forasteiros podem desfrutar, com toda a comodidade das instalações legadas pela Casa dos Braganças, reconstruída para turismo de habitação. Nesta aldeia a corte do boi do povo foi transformada em pólo do Ecomuseu onde está retratada a questão do contrabando, do couto misto, dos exilados políticos e da relação transfronteiriça.

 

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Quanto à Toponímia de Barroso, temos:

 

TOURÉM

É o genitivo do nome pessoal de origem germânica Teodoredus; é, por conseguinte, uma “villa”  Teodoredi >Teorey > Toerey > Toorei > Tourém.

O Facto de Tourém ter andado dependente da diocese de Ourense constitui uma boa razão para a flata de documentos sobre essa povoação barrosã. De todo o modo, sobre este território da Piconha os “historiadores” que vamos tendo continuam a passar erros grosseiros a papel químico, uns sobre outros. A fronteira nunca “desceu” para cá da fronteira actual! Pelo contrário, diz-se em

- 1258 “nos vestri inquisitores non ivimos ad villam de Requiaes, de qua vestra est, ut didiscimus a Johanne Lupi et Martino Martini, judice de Barroso, tercia pars ipsius ville et casal do Loba quod integrum debet esse de Portugal et ville de Toerey, de qua abet duas partes tocius ville et est patronus ecclesie, et de Paradela debet habere meditatem vocis et calumpnie si moratus fuerit ibi unus homo vestri. Item, de Meyanos ets tercia tocius ville Domini Regis et de Sancho Plagio de tota prole que exierit pro ad dominum debet inde habere Dominus Rex terciam partem…Item de Ruvyaes (Rubiás!) est tercia pars tocius ville Domini Regis.»

E por aí se vê que é fácil apanhar sapos e néscios. Decidi colocar aí o texto para satisfação do meu amigo Luís Mañá e de todo o povo do Couto Misto… Não se deixem cair em cantigas bacocas: leiam os documentos coevos.

Em 1258 o rei de Portugal deveria receber os foros de Casal da Loba (Requiás) de Paradela (Calvos e Randin), a terça parte de Meaus, a terça do pessoal de São Paio que trabalhasse fora do Couto (Misto) e a terça de Rubiás.

 

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E continua a Toponímia de Barroso:

 

Casal da Loba

 

Do nome latino casale de casa, significando a habitação como elemento fundamental da unidade agrária que sempre existia e sobre que recaíam os encargos fiscais. Mesmo depois de repartido o casal ou casar o seu “cabeça de casal” ou “cabeceiro” era responsável pelo foro nos limites originários do mesmo. Loba é o nome feminino (de mulher)  Lupa, nome de condessa ou rainha “usurário e prepotente” que tanto move o imaginário dos Galegos da fronteira!

Sobre este casal lançou mão D.Afonso III e deu-lhe carta de foro:

-1268 «in meo regalengo de Requianes (Requiás, na Galiza, perto de Randim e Tourém) in loco qui vocatur Casal da Loba in Barroso»

 

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Toponímia Alegre:

 

Em Tourém

Não dá quem tem

Senão quem quer bem!

 

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Ao fundo, numa placa colocada na casa está incrito “ A D.Manuel Barros e pobo de Tourém, polo seu apoio ós republicanos galegos – Xullo / 2000”

 

E continua a Toponímia Alegre:

 

Os de Tourém sobre os de Montalegre:

 

Baixas casas e altas torres

Algumas árvores, poucas flores;

Juízes, delegados e escribões

De pais a filhos todos são ladrões;

Olvide, se levardes bolsa

Vende lá onde a pões!

 

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Átrio interior da Casa dos Braganças

E remata a Toponímia Alegre:

 

Sinal da cruz do cabaneiro

Pelo sinal dos maus amos

Que tão fartos estejam

Como nós nos levantamos.

Deus os faça a eles criados

E a nós amos;

Para saberem o trabalho

E a fome e o frio

Que nós rapamos.

Sinal da cruz do patrão

Quatro coisas quer o amo

Do criado que o serve;

Deitar tarde e erguer cedo.

Comer pouco e andar alegre!

 

1600-barroso XXI (356).jpg

 

E começamos a chegar ao final deste já longo post sobre Tourém, mas antes, quero ainda aqui deixar dois links que devem consultar pela informação interessante que neles contém, uma para um sítio no Facebook que dá pelo nome de:

 

I Love Tourém

 

O outro é para o site da Casa dos Braganças, convertida em Turismo Rural:

 

Casa dos Braganças

 

1600-barroso XXI (484)

 

E para finalizar um pequeno vídeo com todas as imagens de Tourém publicadas até hoje neste blog:

 

Link para ver diretamente no youtube ou partilhar: https://youtu.be/9xlVqMLf2dk

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1977.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

http://www.lendarium.org/narrative/lenda-da-serra-da-mourela/?tag=421

 

 

 

 

24
Jun19

O Barroso aqui tão perto - Paradela do Rio

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No “Barroso aqui tão perto” de hoje, vamos até Paradela, ou melhor, até Paradela do Rio,  embora o rio, Cávado, estacione lá para se transformar em barragem.

 

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Pois Paradela do Rio tem calhado inúmeras vezes nos nossos itinerários para outros destinos, no entanto, para se conhecer Paradela do Rio, não basta passar por lá, é necessário pararmos, entrar pela aldeia dentro, aquela que não se vê das estradas que atravessam, aí sim, está a alma desta aldeia, um pouco alheia até à barragem que lhe tira algum protagonismo ao absorver nela os olhares de quem passa.

 

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E quando digo parar, é parar mesmo, sem pressas, sem relógios a incomodar, os pormenores assim o exigem e as pessoas da aldeia também, pois nunca ficamos verdadeiramente a conhecer uma aldeia se não conhecermos as pessoas que as habitam, pois são elas que fazem os lugares.

 

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E embora já tivesse passado por lá muitas vezes e parado algumas, parar-parar verdadeiramente só o fizemos uma vez, em dia de Chuva, por sinal não muito boa companhia, isto porque molha e atrapalha os nossos movimentos, contudo, compensa no brilho e momentos que dá à fotografia.

 

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Paradela do Rio que fica numa das fases de transição entre os tais Barrosos que existem dentro do Barroso. Aliás se passarmos o paredão da Barragem para a margem direita do Cávado, onde o Rio deixa de ser barragem para de novo ser rio, parece que entramos num outro mundo, um mundo mais despido, mas nem por isso menos interessante e ainda o poderia ser mais, se as barragens não roubassem ou desviassem a água do seu leito natural.

 

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Coisas da modernidade, felizmente não tanto como Torga chegou a “profetizar”, mas que deixou marcas de um Barroso antes e depois das barragens, principalmente para as aldeias mais próximas, como é o caso de Paradela do Rio.

 

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Mas deixemos então aqui aquilo que Miguel Torga disse no seu diário, isto em 1956:

 

Paradela do Rio, 1 de Junho de 1956

 

Estes tempos de barragens são uma verdadeira era nova do mundo. Qualquer dia, na escola, o mestre aponta o mapa e diz:

- Antes do período albufeirozóico, aqui era o Barroso.

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

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Ainda antes de entramos na aldeia e nos seus pormenores, vamos saber onde fica Paradela do Rio e como chegar até lá. Já sabem que o nosso ponto de partida é sempre a partir da cidade de Chaves.

 

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Pois Paradela do Rio fica a 57Km de Chaves e tal como o apelido do topónimo indica, “do rio” é porque há um rio próximo e esse, é o Rio Cávado, rio que entra no topónimo da maior parte das povoações que estão próximas dele, e Paradela não é exceção.

 

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Esse mesmo Rio Cávado, pode-nos  servir de orientação para lá chegar, basta seguir pela estrada que vai seguindo nas suas margens, primeiro pela margem esquerda e depois pela margem direita e finalmente outra vez pela margem esquerda, mas como o rio nasce na Serra do Larouco, por aqui ainda o caudal é pequeno e a vegetação nem sempre o deixa ver, assim, o melhor é mesmo seguir as placas indicativas da estrada.

 

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Pois para o nosso itinerário, partimos de Chaves pela estrada municipal do São Caetano/Soutelinho da Raia até Montalegre. Ao chegar a Montalegre temos de optar em passar pelo centro da vila para tomar um café e dar uma vista de olhos, ou então seguimos pela variante à vila, esta sim sempre ao lado do Rio Cávado ali mesmo ao lado e bem visível, pelo menos inicialmente.

 

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Se seguiu pela variante é seguir sempre em frente até chegar a Sezelhe. Aí há um cruzamento que no nosso itinerário é para ignorar e seguir em frente, via Travassos do Rio, Covelães, Paredes do Rio e Outeiro, sempre pela Estrada Municipal 308. Em Outeiro começa a avistar a Barragem de Paradela, no final da qual será Paradela do Rio.

 

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Vai dar conta que está em Paradela do Rio quando chegar a uma rotunda com um cruzeiro no meio, aí, para conhecer a aldeia mais antiga, deverá tomar a segunda ou terceira saída da rotunda e o casario mais antigo começará a aparecer, depois é deixar-se caminhar pelas suas ruas à descoberta da Paradela do Rio.

 

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Claro que recomendamos ver tudo, mas nunca esquecer de ver o casario mais típico, as fontanários, a igreja com duas torres sineiras, uma na própria igreja (sem sino) e outra separada, entrando no átrio, todo em cubos e lajes de granito, reparará que está a caminhar sobre as campas do antigo cemitério, aliás as lajes de granito não são mais que as tampas das sepulturas, a maioria com inscrições fúnebres.

 

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Em vários pontos do seu itinerário pelo interior da aldeia, terá oportunidade de ver algumas vistas parciais da aldeia, todas elas interessantes e quer vá por lá de Inverno ou Verão , reparará que as cores dominantes são o verde dos campos e o vermelho alaranjado dos telhados.

 

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Quanto à aldeia, embora sempre com gente e com movimento nas estradas, também não é alheia ao despovoamento e ao envelhecimento da população.

 

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Passemos agora àquela parte daquilo que os documentos e a história diz sobre Paradela do Rio. Como sempre é obrigatório deitar uma vista de olhos à monografia de Montalegre onde por exemplo se refere:

 

Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis.

A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo; o trajecto de Paradela do Rio a Outeiro e Parada; a travessia da Mourela com visita ao Mosteiro de Pitões e à extinta freguesia de São Vicente do Gerês ou ao São João da Fraga; a visita a Tourém que tanta importância teve durante a Idade Média no seu relacionamento com o castelo da Piconha e o Couto Misto através do caminho neutral; uma viagem a Cervos, Arcos e ao célebre e celebrado Pindo – mau passo do inevitável acesso à ribeira-tâmega que foi valhacouto de ladrões e malfeitores; uma passagem, ainda que breve, por capelinhas carregadas de história e lenda, do sagrado e do profano, de mistério  e dogma, de misticismo e magia:

 

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E continua:

“Alvas ermidinhas sob azuis magoados,

vejo-vos de longe numa adoração,

 como ninhos brancos de ideal pousados

Lá nesses fragosos montes escalvados,

onde não há água nem germina o pão.

 

“Lá nos altos montes sem trigais nem vinhas,

Sem o bafo impuro que dos homens vem,

É que a Mãe de Cristo com as andorinhas

e as estrelas d´oiro mesmo ali vizinhas,

Num casebre térreo se acomoda bem.”

 

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Ainda na Monografia de Montalegre:

 

Talvez nenhuma outra região europeia tenha tão perto e tão diferentes seis barragens à sua espera: Salamonde, Venda Nova, Paradela, Salas (Tourém), Seselhe e Pisões

 

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Ainda na monografia quanto aos ilustres do Barroso:

 

Justiniano da Silva Fidalgo (séc. XIX), filho de um almocreve, nasceu a 5 de Outubro de 1882, na típica aldeia de Ponteira, freguesia de Paradela do Rio. Entregaria bem longe a alma ao Criador: faleceu na cidade de Ludlow ( Massachussets, EUA) ,em 23 de Novembro de 1942. Homem possante, ganhou fama na aldeia e nas terras em redor, graças a proezas atléticas que o levariam até Lisboa, onde continuou a exibir-se em façanhas de grande exigência física. O atlético barrosão embarcaria, então, para os Estados Unidos da América, país em que a sua vocação ganhou asas, a ponto de se tornar campeão de luta livre (catch-as-catchcan), passeando a sua classe de lutador indomável pelas três Américas.

In “Montalegre terras de Barroso” de Manuel Dias.

 

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E continua quanto à riqueza paisagística:

Riqueza paisagística

É absolutamente única e lamenta – se que há milhares de pessoas que nos visitam e não tomam conhecimento destas riquezas ! Locais a visitar: - Margem esquerda do Alto Cávado ( entre S. Pedro e Paradela) – o carvalhal espontâneo; - O Ourigo (entre Castanheira, Montalegre e Cambezes ) – mancha de folhosas exóticas; - Serras do Larouco, Barroso e Mourela – matos de carqueja e urze! - As piscinas naturais da Abelheira – a oeste de Paradela, no Gerês! - As turfeiras – em áreas lagunares de montanha – Mourela e Gerês! - A rota dos lameiros de regadio: da Pedreira de Pisões, Vila da Ponte até ao Santuário de N.S. de Fátima e ribeiras de  Travaços – Covelães. - A rota das barragens.

 

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E claro, também a referência às barragens e ao PNPG:

As barragens do Parque Nacional da Peneda Gerês

Está-se assim na periferia do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), cuja entrada acontece um pouco mais à frente, junto à central hidroeléctrica de Vila Nova de onde  se pode contemplar o majestoso panorama da barragem de Salamonde. Curva após curva, ao longo da EN 308, surgem vistas de sonho. Cabril, Santo Ane e Fafião são nomes de aldeias a não esquecer. Em Fafião visite o Fojo do Lobo, os lagares de azeite, aprecie a gastronomia de montanha (o javali), contemple os penhascos da majestática Serra do Gerês, delicie-se com a panorâmica do Vale do Cávado e repouse à sombra dos pinheirais. De Cabril subimos pelo Miradouro da surreira do meio-dia, passamos na terra do navegador Cabrilho – Lapela. Se estiver calor dê um mergulho nas cascatas de Cela de cavalos e siga até Sirvozelo, aldeia integrada na “ rocha”. Em Paradela, sobressai o espantoso dique da barragem erguido entre dois morros graníticos com mais de 100 metros de altura. Ao longo da estrada vêem-se bem vivos os sinais da terra do Barroso, na capucha das mulheres, nos cornos do gado barrosão ( hastes em lira) e no ambiente intensamente verde e fresco que há - de acompanhar este circuito turístico até final.

 

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Quanto a Paradela (freguesia) temos:

Área: 12.7 Km²

Densidade Populacional: 17.3 hab/km²

População Presente: 222

Orago: São João

Pontos Turísticos: Barragem; Bolideira, Castro e Capela da Senhora de Fátima. Lugares da freguesia: (2) Paradela e Ponteira

 

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E ainda:

Antigamente era lugar da freguesia de São João da Poenteira, (é este o topónimo correcto) hoje invertem-se os termos, sendo sede da dita freguesia Paradela. Porém, como Outeiro, Venda Nova, Ferral, Paredes e Travaços do Rio mantém-se o anterior padroeiro que era e é São João. É uma freguesia de largos horizontes e panorâmicas paisagens, variadas e de grande profundidade para sul e ocidente. Na sede da freguesia demora uma barragem que assume uma grande novidade em termos de construção: o dique enorme foi erguido com pedregulho a granel, betonado a montante e com um sistema inovador de descarga num funil gigante associado ao túnel de profundidade. Tal como as da barragem da Venda Nova, as suas águas vão em tubarias gigantes fazer mover as turbinas da Central de Vila Nova produzindo energia hídrica. Merecem uma visita cultural as armas dos Carvalhos, na Casa do Ramada, e os exímios ceramistas locais José Pereira e esposa.

 

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Quanto à Toponímia de Barroso, temos o seguinte:

 

PARADELA DO RIO

Desde 2013 – União das freguesias de Paradela, Contim e Fiães

 

De “PARADA + ELLA”. Casos haverá em que o topónimo se origine no facto de algumas populações  serem oneradas em fazer refeições aos senhores da Igreja. Chamava-se a isso pagar a pensão:

- 1116 «parada vel jantar» (D.P.-4, nº20). Opino que as nossas Paradelas (como deduzo das muitas pensões e foros de que as INQUIRIÇÕES dão testemunho) são coisa muito outra pois não consta dos documentos que tivéssemos  mais esses encargos fiscais.

 

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E continua a toponímia:

Opto por “parada” do latino > parata, topónimo  topográfico, isto é, significa um “alto” ou paragem para descanso nas suas árduas viagens das gentes medievais, romanas, célticas, pré-históricas e até actuais. Estes topónimos relacionam-se obviamente  com o tempo de “paragem”. Na Paradela o tempo de paragem é curto, daí o diminutivo, e dá para seguir viagem. Na Parada já pode obrigar à pernoita; na Pousa, Pousada, Estalagem, Hospedaria, Albergaria ou Albergue havia lugar à permanência e até à aposentadoria por vários dias, paragem quase sempre prejudicial para as populações onde estavam activas tais pousadas. Tema de longas histórias…

 

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Ainda a toponímia:

Também a nossa Paradela recebeu carta de foro de D.Afonso III:

- 1258 « de uno meo casali in loco qui dicitur Paradela quod vocatur Regalwengum<« <ch. D.Afonso III f.30.

E, no século treze, o topónimo já estava estabelecido definitivamente.

 

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E agora a Toponímia alegre:

 

 Fui a Paradela

Davam-me caldo e não tinham tigela.

 

Eu casei-me na Ponteira

Recebi-me em Paradela

Deram-me a mulher já prenhe

Diz que era uso da terra

 

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Em allaboutportugal.pt encontrámos esta referência à igreja de Paradela:

 

É uma Igreja relativamente recente, data do século XVIII. Antes de ser Igreja era uma Capelania de São João da Ponteira, que era a Freguesia. No século XVII, devido ao crescimento populacional, a freguesia passou a ser Paradela do Rio. A aldeia da Ponteira é muito mais antiga do que a aldeia de Paradela do Rio, sendo que um dos mais antigos documentos que a ela faz referência é o testamento de São Rosendo, que data do século X. Tem o nome de Igreja de São João, embora o único São João que existisse na época fosse na Ponteira.

 

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Fomos espreitar ao Facebook o que existe sobre Paradela e encontrámos estes três sítios:

 

https://www.facebook.com/pages/category/Community/Paradela-Montalegre-134391786618232/

 

https://www.facebook.com/Paradela-700099733337523/

 

https://www.facebook.com/pages/Paradela-Montalegre/112599485421858

 

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A Barragem

 

Barragem de Paradela, localiza-se no concelho de Montalegre distrito de Vila Real tem 110m de altura acima do terreno e está localizada na bacia hidrográfica do rio Cávado, foi concluída no ano de 1956, sendo uma barragem do tipo aterro subtipo enroncamento.

Uma barragem de enrocamento é um maciço formado por fragmentos de rocha compactados em camadas cujo peso e imbricação colocaram entre si a estabilidade do corpo submetido ao impulso hidrostático.
A sua albufeira tem uma capacidade de 164,5 hm3, com uma área de 380 hectares e um desnível de 72 m.

Possui uma capacidade de descarga máxima de 720 m³/s. O comprimento do coroamento é cerca de 540 m, com um volume aterro é de 2.700.000 m³.[1]

A central hidroeléctrica é composta por um grupo Francis do tipo eixo vertical, com uma potência total instalada de 54 MW, capazes de produzir em ano médio cerca de 256,7 GWh.

 

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Fotografia da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

Num livro comemorativo dos 50 anos ao serviço da hidroelectricidade que a EDP lançou sobre a barragem de Paradela – Vila Nova, de onde tirámos algumas imagens do tempo da construção da barragem e alguns dados, onde tal como na barragem dos Pisões e outras barragens, foi construída uma autêntica “cidade” de apoio.

 

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Fotografia da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

Nessa “cidade” foram alojadas cerca de 5000 pessoas, com habitações unifamiliares e coletivas, cantinas, pousadas, cinema, escolas, postos médicos, hospital, arruamentos, redes de abastecimento de água e esgotos, etc.

aos trabalhadores da construção da barragens e respetivos técnicos, entre dormitórios, posto de socorro, escola, salas de convívio, etc.

 

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Fotografias da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

 

A construção da Barragem de Paradela iniciou-se em 1953 e foi concluída em abril de 1958, tendo sido inaugurada em 26 de junho de 1959 com a presença do Presidente da República Marechal Américo Tomás. Embora concluída em 1958 e inaugurada em 1959 a barragem entrou em serviço em 1956.

 

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Fotografia da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

 

Algumas características técnicas:

Área da bacia hidrográfica (Km²) - 168

Capacidade útil da albufeira (hm3) - 158.2

Potência total instalada (MW) - 54

Número de grupos - 1

Altura da barragem (m) - 110

Tipo – Enrocamento

Fundações – Granito

Comprimento do coroamento (m) – 540

Tipo de descarregador – Controlado

Capacidade de descarga max. (m3/s) – 748

Altura de queda bruta máxima (m) 463.5

Produtividade média anual (GWh) – 256.7

Tipo de turbina – Francis (vertical)

Caudal máximo turbinável (m3/s) – 16.4

Projeto – Hidro Elétrica do Cávado

Construção - SEOP

 

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E vamos ficar por aqui neste já longo post, mas tal como tem acontecido ultimamente, ainda com tempo para apresentar um pequeno vídeo com todas as imagens sobre Paradela do Rio publicadas neste blog.

 

Se preferir pode vê-lo diretamente no YouTube, seguindo este link:

Link direto para o YouTube: https://youtu.be/eQ9DN76VJ-I

 

 

Como habitualmente ficam as referência às nossas consultas:

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

EDP, Paradela – 50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país. Santa Maria da Feira: GCM – Gabinete de Comunicação – EDP Produção, 2006

 

 

WEBGRAFIA (Consultas em 22 e 23-06-2019)

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barragem_da_Paradela

https://www.allaboutportugal.pt/pt/montalegre/monumentos/igreja-de-paradela-do-rio

 

 

 

13
Mai19

O Barroso aqui tão perto - Vila da Ponte

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No Barroso aqui tão perto de hoje vamos até à aldeia e freguesia de Vila da Ponte. Ao contrário do que temos feito até aqui, iniciando com as nossas impressões pessoais sobre aquilo que vimos e sentimos nas nossas visitas a Vila da Ponte, vamos já para aquilo que oficialmente se diz sobre a localidade ou aquilo que encontrámos nas nossas pesquisas em documentos e outra bibliografia, com as nossas anotações, quando necessário ou acharmos oportuno. Iniciamos então pelo seu brasão da freguesia e logo de seguida o que se diz na página oficial do Município de Montalegre.

 

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Escudo prata, três feixes de três espigas de trigo de verde, atadas de vermelho; em campanha, ponte de três arcos irregulares de negro, lavrada de prata, movente dos flancos e nascente de um pé ondado de azul e prata de três tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «Vila da Ponte - Montalegre».

 

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Ná página oficial do Município de Montalegre temos o seguinte:

 

Vila da Ponte

Sendo uma das freguesias barrosãs com menos área distribuída é, porém a mais produtiva por metro quadrado de terreno.

Por outro lado, a povoação sede ainda é uma das mais populosas, pois aparece em oitavo lugar (ao lado de Solveira) no conjunto dos 135 povoados do concelho. Tal indicação (ao lado de outros indicadores bem significativos) deve servir como aviso aos poderes vigentes no sentido de providenciarem uma distribuição mais equitativa dos benefícios às populações. É a única freguesia que não tem acesso à outra povoação!

 

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Das glórias de que sempre gozou (sem que alguma vez tivesse pretendido obstruir as legítimas capitalidades – honras, coutos e sede concelhia) todas lhe vão sendo injustamente sonegadas com evidentes malefícios para uma população ordeira e esclarecida! Orgulha-se das suas villae, disseminadas ao longo do ubérrimo vale e várzeas e bem testemunhadas em documentos medievais e na toponímia vigorante; dos seus castros estrategicamente colocados sobre linhas de água que entram no Regavão; dos seus monumentos funerários (tipo/cistas, achados em dois outeiros, Donim e Gorgolão, sobre os quais corriam lendas cheias de encanto; do seu outeiro (altarium) onde os mais remotos indígenas ergueram altar para adorar os seus deuses e sobre o qual, ao lado do Paço (que hoje é o cemitério local) edificaram o seu oratório ou basílica, que é agora a igreja; da sua velhíssima ponte que unia os vales marginais e que, durante séculos, foi a única passagem invernal para as povoações de entre-os-rios. Por falarmos do rio lembramos que devemos continuar a dizer Regavão.

 

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Com v ou com b, não importa visto que não tratamos de modismos. Mas era assim sempre que o povo dizia! E dizia bem como sempre! Ora, o mais antigo documento conhecido até hoje chama-lhe Regavam (1258)! Que nós saibamos é o único rio transmontano que se pode gabar de ter uma monografia publicada em letra de forma, da autoria do Prof. da Universidade de Coimbra, Raul Miranda, em 1938.

 

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Área: 10.7 km2

Densidade Populacional: 16.4 hab/km2

População Presente: 176

Orago: Santa Maria Madalena

Pontos Turísticos: As Cistas; Moinhos; Igreja e Museu Paroquial; Canastros; Castros e Via Romana ( Vila da Ponte).

Lugares da Freguesia(2): Bustelo e Vila da Ponte.

Morada: Junta de Freguesia de Vila da Ponte, Rua do Outeiro da Costa n.º 2

5470-543 Vila da Ponte - Montalegre.

 

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Aqui talvez seja interessante referirmos o comportamento do número de população residente ao longo dos anos, desde que há registos de censos (a partir de 1864).

Pois então é assim, nesse mesmo primeiro ano de registos, a freguesia tinha 379 habitantes residentes. A população esteve sempre a crescer até ao CENSOS de 1930, em que atingiu os 466 habitantes, descendo nos CENSOS de 1940 para 421 habitantes e subindo novamente em 1950 para os 570 habitantes.  Este último acréscimo de 149 habitantes, pela certa que se deveu à construção da Barragem da Venda Nova em que a freguesia atingiu o máximo da sua população até aos dias de hoje, pois a partir de 1950 a população tem vindo sempre a descer, atingindo nos últimos CENSOS apenas 178 habitantes residentes. Se a matemática funcionar, segundo a linha de tendência do comportamento da população, em 2050 a freguesia da Vila da Ponte não terá habitantes.

 

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Os números do último parágrafo, à primeira vista, são preocupantes, isto se forem analisados isoladamente. Já não o são tanto porque o que se passa na Vila da Ponte passa-se em quase todo o interior de Portugal. São números do despovoamento rural em que os senhores de Lisboa já deveriam estar a trabalhar seriamente neles para os contrariar, isto antes que se atinja o ponto de não retorno, isto é, em que vai ser impossível contrariar o despovoamento total. Aí, lá teríamos que dar razão àquela velha máxima de “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem!”. Mas vamos acreditar que não, vamos ser otimistas e acreditar em soluções para contrariar este problema.

 

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Passemos à monografia de Montalegre, cujo autor, ao que sei, é um vila-pontense.

 

Castros “Celtizados e Romanizados”

Apesar de não existir uma Carta Arqueológica do Concelho, cumpre deixar dito que há inúmeros monumentos que merecem referência. O nosso território foi habitado desde o Megalítico como fazem prova os muitíssimos monumentos desse período e que a nossa toponímia preserva: antas, mamoas, motas, forninhos, dólmenes, etc. Estas construções estão disseminadas por todo o concelho. Da mesma época, mas muito mais raros (e denotando já um avanço importante nas técnicas de produção de cerâmica) são as Cistas de que temos exemplares conhecidos e únicos, em Trás-osMontes, na Vila da Ponte.

 

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Ao nível artístico e artesanal os Celtas não têm paralelo. Os seus objectos de adorno, em oiro, prata, cobre, ferro e bronze são fruto de uma perícia manual imbatível. Vejam-se, a título de mera referência, os torques de oiro do castro de Outeiro ou os objectos de bronze de Solveira e Vila da Ponte, aqueles expostos no Salão Nobre da Câmara Municipal e este no Museu Dr. Mendes Correia, na faculdade de Ciências do Porto, onde se encontram também os três vasos da 1ª Cista da Vila da Ponte, dita de Donim, achada em 1931.

 

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Achados - Moedas

Os achados de conjuntos monetários mais importantes são os de Penedones (doze denários de prata que se perderam), da Vila da Ponte (cinco excelentes denários de prata e alguns bronzes médios), Minas da Borralha com mais de 3 mil médios bronzes e Montalegre, com mais de novecentas peças, quase todas denários com magro banho de prata. As moedas destes achados não ultrapassam o século III. Da mesma altura são as aras votivas a várias divindades, que os romanos acolheram, como o Deus Larouco (Vilar de Perdizes); outras dedicadas ao deus Júpiter (Vilar de Perdizes e Chã); e outras mais, anepígrafas, em Pitões e Tourém. Ainda desses recuados tempos são as estelas funerárias cujo exemplar mais conhecido, segundo Hübner, relatava a morte de um tal “Camalo Mibois, falecido na idade de 46 anos” à descida para o rio Cambela, entre Vila da Ponte e Friães, junto da via romana.

 

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As Igrejas, Capelas, Alminhas e Cruzeiros

Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram. A última grande febre dos arranjos deu-se nos princípios do século XVIII e, por isso, os edifícios exibem datas dessa altura. Por exemplo: Pondras -17; Santo André- 1813; Vila da Ponte – 1710, etc. Contudo, a maior riqueza das nossas igrejas encontrase no interior: tanto em muitos dos seus santos que escaparam à usura de sacristães, padres e “homensbons”, como na talha que as orna, sendo que uma boa parte dela se deve a ignorados artistas autóctones. Merecem algum realce certos exemplares como Salto, Santa Marinha, Covelo, Vila da Ponte, Viade, S. Vicente, e sobretudo, pelo ruralíssimo e humílimo conjunto de talha de S. Miguel de Vilaça.

 

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Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!

 

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Os Penedos

São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes), O Penedo dos Sinais (Viveiro-Ferral), o Penedo do Sinal, o Penedo da Ferradura e a Pedra Pinta (Vila da Ponte), o Penedo de Letra (Gralhas), o Penedo de Pegada (Ferral). São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos) A Casa dos Mouros ( Morgade), o Penedo Sagrado (Salto) A Mesa do Galo (Borralha-Salto), o Penedo da Caldeira (Vila da Ponte), o Castelo (Fervidelas), A Fraga, os Cornos da Fonte Fria, Altar de Cabrões (Pitões), o Altar da Moura (Frades-Cambezes) A Pedra Bolideira (Ponteira – Paradela), o Penedo do Touro (Chãos-Cabril) “ ao abrigo dele se podem defender das inclemências do tempo mais de duzentas cabras”, os Pedralhos (Vila da Ponte) onde escreviam o nome os emigrantes para o Brasil, alguns dos quais nunca regressaram à terra, a Pedra da Gola Furada e a Pedra que Tine (Seselhe), o Penedo Buraco da Serpe (São Ane - Cabril) e uma infinidade de outros mais ao longo do concelho de Montalegre.

 

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A Aldeia

Moram em casas de granito, algumas muito bonitas, mas a falta de educação estética e de outras educações, leva alguns a substituir os seus materiais por outros mais brilhantes e coloridos mas menos duradoiros e eficazes. Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.

 

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Embora a monografia de Montalegre apresente a imagem de um canastro de Vila da Ponte, não lhe são dedicadas nenhumas palavras em particular. Assim sendo, deixo eu aqui algumas palavras sobre o mesmo, pois é o maior canastro que eu vi até hoje, mesmo os maiores que vi, estão bem longe de atingir as dimensões deste, parece um comboio de 8 carruagens com os seus 8 módulos. Também os restantes canastros de Vila da Ponte, quer em número quer em tamanho são de considerar, demonstrando bem a riqueza das terras da freguesia.

 

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Por falar na riqueza das terras de Vila da Ponte fica mais um apontamento nosso. Numa das tardes em que fomos por Vila da Ponte, no café junto ao cruzeiro, em conversa com alguns habitantes, entre os quais estavam dois emigrantes em férias, um vindo do Brasil e outro da Inglaterra, este o Sr. Manuel Miranda, 74 anos,  com o qual conversámos mais, dizia-me ele a certa altura da conversa:

De Braga a Chaves não há outra aldeia como esta. Estou na Inglaterra há 44 anos, passo o verão aqui na Vila da Ponte, mas já fui à força, para Moçambique, 3 anos, para a tropa, com uma filha feita, depois vim e fui a salto para França, em 1968, estive lá  4 anos a trabalhar na construção civil… só quem conhece a vida antiga é que pode dizer alguma coisa. Havia aqui agricultores que quando chegava a arranca da batata, era o mês inteirinho e todos os dias havia aqui camiões a carregar batata para o Porto e Lisboa.

 

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Continuemos com a monografia de Montalegre:

 

Artesãos e Artesãs

Talvez seja preferível falar de artesãos do que de artesanato. Afinal, a par do Padre - Nosso e do Responso a Santo António, uma das primeiras coisas que a criança de Barroso aprendia, se rapariga, era bordar e fazer meia. Uma boa parte aprendia a tecer (há ainda grande quantidade de teares por essas aldeias) e a fazer tecidos, alguns dos quais lhes iriam servir de vestuário. Então as nossas igrejas e capelas mostravam à saciedade que afinal as mãos das mulheres de Barroso embelezavam como nenhumas outras os seus altares de devoção. Lindas toalhas de linho laboriosamente rendadas, com motivos locais e de simbologia caracterizadamente cristã. Desde sempre tivemos artesãos entre os melhores!

É ver a obra de Pedro Gonçalves “carpinteiro de Cambeses que depois casou em Salto” em cuja Igreja deixou “o taburno onde estão os Cristos na Capela do Senhor e o andor…”

É ver o que resta da obra do João Gonçalves Pintor, de Vila da Ponte (que fez a sua própria casa e cujas proporções deliciam ainda hoje os modernos arquitectos que a conhecem) pintor de nomeada que o distinguia dos mais e passou a apelido de família. Artista emérito que fazia as tintas de óleo com que pintava as suas obras sobre madeira de castanho. São conhecidos apenas dois quadros seus: um das Almas do Purgatório e outro de Santo António de Lisboa.

 

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Figuras

Há criaturas que pelas suas qualidades únicas servem de modelo aos comuns mortais e servem de título às diferentes páginas da História dos povos. Barroso também as tem. Dentre umas boas dezenas sobressaem os que aqui elencamos:

(…)

- Padre Gonçalo Barroso Pereira (séc. XVII) – Num manuscrito, pela maior parte de sua autoria, se apresenta desta forma: “Eu, o Padre Gonçalo Barroso Pereira, Reitor… de Salto, nasci no lugar de Seara desta freguesia, a meu pai chamavam André Pires e a minha mãe Inês Gonçalves, em Agosto de 1628.”… “Fui para a Vila da Ponte de 7 anos (1635) onde estudei com o Reverendo Giraldo Pereira aí vigário, primo direito de meu pai e não tive outro mestre.” Este manuscrito, em mau estado, as primeiras sete folhas quase ilegíveis e sem as últimas vinte, constituía-se, ao tempo, de noventa folhas e foi-me entregue para ser lido pelo seu possuidor, o meu grande e saudoso amigo José Jorge Álvares Pereira, de Pomar de Rainha. Foi-me penoso tomar apontamentos, dia e noite, em duas semanas, dos dados que então me pareceram mais curiosos, numa altura em que ainda não havia fotocopiadoras. Devolvi-o em tempo ao seu legítimo dono com quem passei muitas horas de alegria a interpretar os textos, alguns dos quais com imensa graça, arte e realismo. Julgo que o dito manuscrito já desapareceu, infelizmente. As notícias aí relatadas vão até 1703, já tinha o autor 75 anos de idade.

 

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Outra figura:

- Padre Manuel José Afonso Baptista (séc. XIX), natural de Vila da Ponte e o melhor aluno de um curso de teólogos que deu brado no seu tempo e dos quais se destacam: os Monsenhores Antas da Gama e Garcia de Oliveira, os Padres Domingos Barroso (Vilar de Perdizes), José Estrela (Esposende), Teixeira Martins (Faiões), João Afonso (Vila da Ponte) e o Cardeal Patriarca – Manuel Gonçalves Cerejeira. Foi um ilustre orador sagrado a quem os colegas chamavam o “Leão de Barroso” e deixou alguns sermões manuscritos. Em letra de forma existe o conhecido “Elogio fúnebre” do Monsenhor José Fernandes que os colegas do falecido decidiram publicar. O seu espírito solidário levou-o a acolher alguns galegos perseguidos pelas falanges de Franco, durante a guerra civil espanhola.

 

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Na rota das barragens também há uma referência à Vila da Ponte, uma referência natural pois Vila da Ponte fica mesmo ao lado do Rio Rabagão, entre as barragens dos Pisões e da Venda Nova:

Passando o dique da barragem de Pisões, continue pelo vale do Alto Rabagão até Vila da Ponte, assim chamada pela sua ponte medieval, de origem pós - romana, sobre o rio Rabagão, e a cista funerária, com 4.000 anos. Em S. Fins, começam os panoramas da albufeira da Venda Nova . A estrada acompanha a linha de água até à Venda Nova, ao longo das margens suaves, rodeadas de lameiros e pinhais.

 

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Sobre o que a monografia Montalegre diz sobre a freguesia de Vila da Ponte, não o vamos deixar aqui porque já ficou atrás transcrita, pois é precisamente o mesmo que a página oficial do município diz. Assim, passemos para a toponímia de Barroso, curiosamente do mesmo autor da monografia e portanto do mesmo vila-pontense José  Dias Batista.

 

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Entremos então na Toponímia de Barroso:

 

VILA DA PONTE

Esta “Vila” teve a sua parte urbana, no Outeiro da Vila, que terá sido um remotíssimo OPPIDUM onde o romano invasor fez erguer residência. Hoje, chama-se Outeiro, por antonomásia, mas há poucos anos atrás chamavam-lhe o Outeiro da Vila e até Outeiro de Fundevila (porque existem outros outeiros) e, ali bem próximo, corre o Regueiro da Vila! A nascente, o Paço < Paacio < Palatiuu – onde agora está a Igreja, o cemitério, a casa, eira e canastro do lavrador Barroso e outras casitas a nascente.

 

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Em 1753, foi por ali construída (de novo) a residência paroquial e na verga superior da porta inscreveram o letreiro: « Pontis Villae, Paroquialis sedes.1731» — o que, evidentemente, significa Vilas da Ponte E, se consultarmos as INQUIRIÇÕES de 1258, parece ser mesmo de diversas “vilas” que se trata conquanto os tabeliões do tempo lho não chamem: à roda das veigas e várzeas, junto das linhas de água, resistem os topónimos e vestígios arqueológicos que o atestam. Como podemos constatar, sem ultrapassar os próprios limites actuais da pequena freguesia, temos na margem direita do Rio Regavão:

 

1 -  O Castro Valongo;

2 -  Os Cortelhos;

3 – Guiães;

4 – Belela / Vilela;

5 – O Castelo;

 

Na margem direita do Rio Regavão temos:

6 -  Castro de Andelle

7 -  As Cistas do Gorgolão e de Donim

8 – Outros topónimos

9 – A Cidade de Sabaraz

10 – O Castro de Armada

 

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Por falta de espaço aqui no blog, somo obrigados a abortar aqui a descrição destes topónimos atrás enumerados bem como as restantes páginas da Topónimia de Barroso dedicadas à Vila da Ponte, num total de oito páginas, no entanto o essencial já ficou. Mas há ainda espaço para a Toponímia Alegre:

 

A Maria Madalena

Não quis ermida no monte

Quis morar entre os vizinhos

Lugar de Vila da Ponte

 

Vila da Ponte foi vila,

Chaves foi nobre cidade,

Montalegre, bandalheira

Como toda a gente sabe!

Canto no rio e no monte

Inda não sei o bastante;

Eu sou da Vila da Ponte

Arre burro! P’ra diante

 

Olhai que Vila da Ponte

Tem um cruzeiro de pedra:

Tira o chapéu da cabeça

Quem passa naquela terra.

 

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Já sei que as chamadas FAKE NEWS (notícias falsas) são populares pela internet, mas espera-se que de um organismo oficial, no mínimo, o que relatam seja verdadeiro. Sobre a Ponte de Vila da Ponte vejam o que se escreve no SITE oficial da Turismo do Porto e Norte de Portugal:

 

PONTE ROMANA DE VILA DA PONTE

Vila da Ponte tem uma longa história, retratada nos vestígios arqueológicos e património que vai encontrando no Percurso Pedestre da Via Romana. A ponte que dá nome à terra, em granito, terá sido a primeira ponte a ser construída sobre a ribeira de Cabril. Apresenta um tabuleiro em cavalete, com a rampa ao lado esquerdo maior que o do direito e o pavimento em lajeado, assente em três arcos de diferentes tamanhos, os quais crescem da esquerda para a direita. Os dois mais pequenos são de arcos perfeitos, enquanto o terceiro é levemente apontado. Na margem direita, à entrada da povoação, existe um cruzeiro com moldura e inscrição frontal.

Atravesse-a e demore-se pela via romana, um percurso pedestre que proporciona um passeio prolongado e tranquilo pela história e património da aldeia, como os diversos monumentos funerários, entre castros e cistas, que atestam a presença de população há muitos séculos.

Local: Montalegre

 

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Aparentemente tudo está bem, mas no mínimo é vergonhoso que uma instituição pública que pretende promover o turismo o faça assim, sem o mínimo de rigor,  pois comentem-se dois erros crassos, primeiro a ponte NÃO é romana, mas sim, MEDIEVAL e depois a ponte não é sobre a ribeira de Cabril, mas sim sobre o Rio Rabagão.

 

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Vamos acreditar antes no que diz a página oficial da Direção-Geral do Património Cultural, onde aí sim, parece estar correto:

 

Ponte Velha e Cruzeiro de Vila da Ponte

(IPA.00003649)

Portugal, Vila Real, Montalegre, Vila da Ponte

 

Ponte medieval, de arco e tabuleiro em cavalete sobre arcos desiguais, talha-mares agudos e guardas laterais de cantaria, com cruzeiro simples. O tabuleiro forma cavalete desigual devido assentar sobre dois arcos plenos, de tamanho crescente, e um terceiro quebrado, maior.

Descrição

Ponte de tabuleiro em cavalete, com a rampa da margem esquerda de maior comprimento, assente em três arcos de desigual tamanho, aumentando da margem esquerda para a direita. Entre os arcos, a montante, talha-mares agudos altos. Os dois arcos mais pequenos são de volta perfeita, sendo o maior levemente apontado. Parapeitos laterais constituídos por uma única fiada de cantaria. Pavimento lajeado. Cruzeiro: situado à entrada da ponte, na margem direita, integrado no parapeito lateral. Plinto cúbico com moldura e inscrição frontal. Cruz latina de secção rectangular com inscrição nos braços horizontais: "AGRADECIDO. AO. SENHOR. A. D. P.". No plinto, defronte da cruz, entalhe e encaixe para a caixa de esmolas.

Cronologia

Época medieval - provável construção da ponte; 1626 - reconstrução do arco quebrado; 1886 - construção dos dois arcos de volta perfeita.

 

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Na mesma página do património cultura, temos também a referência à:

 

Igreja Paroquial de Vila da Ponte / Igreja de Santa Maria Madalena

 

Cronologia

Séc. 17 - provável constituição da freguesia, pertencendo ao concelho de Ruivães; foi curato anexo à abadia de Santa Marinha do Ferral e da apresentação do abade, passando mais tarde a reitoria independente; 1853, 31 Dezembro - extinção do concelho de Ruivães; 1860 - data do primeiro registo de baptismos documentado.

 

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Ainda no SITE dos Monumentos Nacionais aparecem sobre a freguesia de Vila da Ponte registos de outro património de interesse, mas, infelizmente, ainda sem dados, apenas a referência, a saber:

Capela de Nossa Senhora das Necessidades

Capela de Nossa Senhora de Fátima

Casa da Retorna              

Cruzeiro de Bustelo

Igreja Paroquial de Vila da Ponte / Igreja de Santa Maria Madalena

Ponte Velha e Cruzeiro de Vila da Ponte

 

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No início avisei que este post iria ser feito ao contrário daquilo que é habitual, ou seja, que as nossas impressões pessoais sobre aquilo que vimos e sentimos nas nossas visitas ficariam para o fim do post, e estamos chegados a essa fase. Iniciemos com o itinerário para chegar a Vila da Ponte, como sempre a partir de Chaves.

 

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Pois destas vez vou optar pelo caminho mais direto, sempre pela mesma estrada desde Chaves até à entrada de Vila da Ponte, por aquela estrada que atravessa o Barroso de lés-a-lés, pela EN 103. Nada que enganar, é só tomar a EN103 em Chaves, nas calmas, passar toda a barragem dos Pisões, e cerca de 3.7km à frente verá o desvio para Vila da Ponte.

 

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Embora indique este itinerário, a minha primeira abordagem a Vila da Ponte foi mais rural, pois foi feita pelo interior a partir da aldeia de Bustelo, a outra aldeia da freguesia. E em boa hora o fiz, pois além desse pequeno trajeto ser bem interessante e cheio de verdura, faz-se a entrada pela ponte medieval, para mim o motivo de mais interesse na Vila da Ponte.

 

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Ponte essa que serviu de cenário ao filme “Je m'appelle Bernadette (Soubirous) - 2011” sobre a vida da vidente da virgem de Lourdes em frança. O filme é falado em francês mas está legendando em espanhol, com muitas cenas filmadas ao redor da ponte de Vila da Ponte mas também com algumas filmagens no concelho de Boticas e no de Chaves, nomeadamente em Vilarinho Seco e nos moinhos de Curalha em Chaves. Se quiser ver o filme, fica aqui o link:

 

https://gloria.tv/video/ZSj1w2TzxHxG3FZrYi1oQksGp

 

Desde já um agradecimento ao Humberto Ferreira, um companheiro de viagem na descoberta do Barroso,  por me alertar para este filme e me disponibilizar o link. Para já ficam duas imagens que roubei ao filme da Bernadette.

 

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Quanto ao resto de Vila da Ponte, perguntando-me a mim próprio do que mais gostei!? Pois gostei da ponte, muito interessante e com um enquadramento perfeito, não me estranha nada que tivesse sido escolhida para o tal filme. Depois gostei do espantoso canastro de oito módulos, das sombras das ramadas lançadas sobre as ruas, principalmente de uma que fica junta ao tal canastro de 8 módulos e a uma casa com capela onde descansámos e nos refrescamos um pouco com uma agradável conversa com duas senhores que por lá também se abrigavam do calor. Suponho que é junto a esta ramada que é a Casa da Retorna (mas não tenho a certeza do que afirmo), isto por causa da capela.

 

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Claro que também gostei da envolvência de Vila da Ponte, com os seus campos verdejantes, e também do casario no seu conjunto, sem esquecer o pormenor dos canastros e da Igreja Paroquial.

 

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Por último o fator humano, sempre bem recebidos por todos quantos abordámos das três vezes que por lá passámos, numa delas,  com um pouco de tarde bem passado na esplanada do café junto ao cruzeiro na companhia dos vila-pontenses que lá estavam.

 

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Também uma palavra de apreço para o Presidente da Junta Paulo Pinto pela forma como sempre nos recebeu, mas também por algumas dicas que nos deu para este post, para além de algumas dúvidas que ajudou a esclarecer.

 

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E ainda antes de terminarmos, inauguramos hoje aqui, tal como temos vindo a fazer ultimamente com as aldeias de Chaves, a feitura de um vídeo com todas as imagens do post. Assim quando quiserem matar saudades de Vila da Ponte, basta ver o vídeo sem as palavras pelo meio a atrapalhar. Espero que gostem e podem partilhar o filme, fica também link para ele.

 

 

 

Link para o vídeo: https://youtu.be/4F2q3S5ogr8

 

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E agora sim, terminamos mesmo (este longo post) com as habituais referências às nossas consultas

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA (Consultas em 11 e 12-04-2019)

 

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes

https://www.cm-montalegre.pt/pages/476

http://www.portoenorte.pt/pt/o-que-fazer/ponte-romana-de-vila-da-ponte/

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPASearch.aspx?id=0c69a68c-2a18-4788-9300-11ff2619a4d2

 

 

15
Abr19

O Barroso aqui tão perto - Cabril

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Nesta rubrica do Barroso aqui tão perto,  estamos a chegar à reta final das abordagens às localidades do Barroso do Concelho de Montalegre. Das 136 localidades do Concelho de Montalegre, apenas nos falta abordar 18 localidades. Começámos as abordagens sem qualquer tipo de critério de seleção, recorríamos a uma espécie de sorteio e a que calhava, era a localidade que abordávamos. Mas havia sempre uma ou outra que embora calhasse em sortes, nós fomos adiando a abordagem, nesta reta final estamos a entrar nessas aldeias.

 

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À exceção da Portela da Vila de Montalegre à qual temos ligações sentimentais por parte da família materna,  às restantes localidades não temos qualquer ligação e a grande maioria nem sequer as conhecíamos, daí termos feito sempre uma abordagem isenta de qualquer sentimento que fosse além daqueles que sentimos quando fizemos a nossa visita e levantamento fotográfico.

 

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Sendo filho de mãe barrosã é natural que as estórias de lareira que me habituei a ouvir em criança estivessem ligadas a algumas localidades do Barroso, ainda para mais eram estórias contadas por uma geração que passou por períodos críticos da vida portuguesa, como a guerra civil espanhola e posteriormente a guerrilha, a 2ª grande guerra e os tempos de ditadura.

 

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Assim, embora eu nunca tivesse vivido no Barroso havia nomes de pessoas e localidades que sempre me foram familiares, isto para além daquelas localidades por onde amiúde tinha de passar nas minhas também frequentes deslocações a Montalegre, primeiro quando eram feitas  pela EN 103, localidades tais como o Alto Fontão, o Barracão, Gralhós e Gorda , depois via S.Vicente e mais tarde via Meixide, já pela ou depois pela M508, ou seja, todas as aldeias desses trajetos já eram minhas conhecidas.

 

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Mas ia eu dizendo que embora algumas aldeias me tivessem calhado em sorte para publicação, eu fui adiando para o final, tudo porque essas aldeias tinham qualquer coisa de especial que mereciam uma abordagem mais cuidada e mais aprofundada, uma dessas aldeias era Cabril, e digo era, porque a partir de hoje deixa de ser, pois é a nossa aldeia convidade.

 

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E qual a razão porque Cabril foi ficando para o final!?. Pois se há localidades que sei bem qual é a razão, para Cabril não tinha nenhuma razão em especial, a não ser um topónimo que me era sonante e que calhava ser mencionado em muitas das estórias que ia ouvindo em criança. Assim, a primeira vez que fui a Cabril, fui mesmo à descoberta de Cabril e desse porquê.

 

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Ora, vou ser sincero, da primeira vez que lá fui estava à espera que Cabril fosse de maiores dimensões, mas desde logo me marcou a sua localização e a presença da imponência do enorme rochedo da Serra do Gerês, da água, do verde e do calor, aliás este último tenho-o associado a todas as minhas passagens por Cabril, o que também não é de admirar por calhou passar por lá sempre nos meses de julho e agosto.

 

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Mas depois dessa primeira vez, passei por umas tantas vezes e comecei a dar-me conta que para além da marcante presença da Serra do Gerês, da água do verde e do calor, Cabril era também o centro de uma pequena região (dentro do Barroso)  com características muito singulares e que fazem da aldeia um ponto de passagem obrigatório e uma espécie de entroncamento, não só de estradas, mas também de rios e montanhas e com ponte, na apenas a de hoje, mas a de “sempre” a antiga ponte romana sobre o Rio Cabril, lindíssima, por sinal e que tive a sorte de a ver quase por completo logo na minha primeira visita a Cabril, isto em julho de 2014.

 

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Pois Cabril é o centro dessa pequena região muito singular do Barroso, não só pelas razões que já atrás deixei mas também pelos seus contrastes, senão vejamos, tal como dizia atrás é notória uma forte presença da Serra do Gerês, que atinge os 1575 metros de altitude, o que nos levará a pensar que as terras e freguesia de Cabril é território de terras altas, mas longe disso, são as terras mais baixas do Barroso, como veremos já a seguir.

 

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Cabril é sede de Freguesia constituída por 15 aldeias, a saber: Azevedo, Bostochão, Cabril, Cavalos, Chãos, Chelo, Fafião, Fontaínho, Lapela, Pincães, São Ane, São Lourenço Vila Boa, Xertelo e Chã de Moínho. Entre elas apenas Xertelo fica acima dos 700 metros de altitude, seguida por Lapela e Pincães acima dos 600m, depois São Lourenço, Chewlo Fafioão e Azevedo acimas dos 500m, Bostochão e Vila Boa acima dos 400 metros e as restantes não vão além dos 300m.

 

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E foi preciso chegar aqui a Cabril para verificar que afinal ainda me falta descobrir uma aldeia do Barroso, pois Chã do Moinho não consta dos meus levantamentos e sinceramente só hoje é que dei pela sua existência, e não constava da minha listagem de localidades do Concelho de Montalegre. La terei que ir mais uma vez por terras de Cabril, o que não será nenhum sacrifício, antes pelo contrário.

 

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Cascatas e Minas

Embora não propriamente na localidade de Cabril, mas sim no território da freguesia de Cabril, temos pelo menos três das cascatas mais interessantes do Barroso, as cascatas das 7 Lagoas, as Cascatas de Pincães e as de Cela Cavalos, estas mesmo no limite da freguesia. Também de interesse no território da freguesia temos as Minas de Carris, ou o que resta delas, mas atenção que as minas estão em território de proteção parcial tipo I e proteção total do PNPG-Parque Nacional da Peneda-Gerês que impõe limites ao número de pessoas e para as zonas de proteção total é necessária autorização do PNPG. Atenção que as cascatas das 7 lagoas estão em zona de proteção parcial (limitada a 10 pessoas). No entanto como as regras estão sempre a mudar, se for para um destes locais convém primeiro informa-se junto do PNPG (consulte a brochura do parque no final do post).

 

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Ainda antes de entrar naquilo que encontrámos nas nossas pesquisas e itinerário para lá chegar, queríamos deixar aqui ainda uma nota sobre a igreja de Cabril, que sem lhe tirar o interesse que tem, em beleza, também é contrastante, quando de perto não se confunde um pouco com o resto do casario mas ao longe ganha grande visibilidade.

 

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Passemos então ao nosso itinerário para se chegar até Cabril, por sinal um dos itinerários mais interessantes e que atravessa quase todo o Barroso de lés a lés, basta dizer que quase metade do percurso faz-se dentro do Parque Nacional da Peneda Gerês, no qual Cabril também está inserida. Pois para o nosso Itinerário optamos mais uma vez pela estrada do São Caetano até Montalegre, depois seguimos sempre junto ao Cávado até à Barragem de Paradela a qual devemos atravessar o paredão para depois continuarmos até Cabril. Fica o nosso habitual mapa para melhor localização.

 

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Então passemos às nossas pesquisas, hoje facilitadas pelo conteúdo da página na internet da Junta de freguesia de onde transcrevemos:

 

Cabril no passado e no presente...

A Freguesia de Cabril é actualmente constituída por 15 aldeias, de povoamento concentrado onde habitam aproximadamente 900 habitantes. É uma das mais belas inserida no parque nacional do Gerês. Fica situada nas margens do cávado, albufeira de verde azul de Salamonde e no sopé das fragosas penedias da serra do Gerês. Freguesia  antiga, mediaval, com pequenas aldeias de uma vida pastoril sossegada, tem também uma riqueza multifacetada. A paisagem oferece aos olhos os mais belos quadros...

Aqui também se verificou, inevitavelmente, o êxodo rural, umbilicalmente ligado à procura de melhores condições de vida.

No início desta freguesia, permanece o rasto histórico da existência de povoamentos pré-romanos como os Turodos, Esquesos e Nemetanos, povos que se dedicavam quase exclusivamente à pastorícia com a criação de cabras, o que daria o nome a Cabril.

 

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Assim sendo, e segundo os historiadores, era o gado que abastecia toda esta região, continuando ainda nos dias de hoje a existir.


Com a derrota dos Lusitanos (povos que habitavam a Península Ibérica sob o comando do pastor Viriato), Roma conseguiu o domínio total da Península Ibérica e de todos os povos e povoados Os habitantes das "tribos" derrotadas, foram escravizados e integrados no Império Romano, apesar de terem tentado resistir aos senhores do Universo. Cabril não foi excepção e podemos ainda encontrar um dos vestígios mais visíveis dessa data, "a ponte velha" agora de difícil visibilidade visto que se encontra a maior parte do tempo submersa pela barragem de Salamonde.A ponte foi construída com o intuito de permitir a passagem entre as duas margens que se encontravam separadas por um riacho, mas que em dias de Inverno chegava a não permitir a passagem dado o caudal gerado. Importa pois, realçar o facto de que foram os Romanos os primeiros a unir a Freguesia de Cabril, povo este que era exímio na construção de vias terrestres, ligando assim todo o seu império.

 

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A 8 Km de Cabril podemos encontrar um vestígio de grande importância, a "Ponte da Misarela", onde as tropas francesas de Napoleão em 1809, tiveram inúmeros problemas com os Barrosões. Encontra-se também neste local a estrada que ligava em tempos, Bracara Augusta a Áqua Flávia.


Com o fim do Império em 476 D.C., Cabril continuou a ser ocupado, pois existem marcos dessa ocupação, a "cilha dos ursos". Construção circular em pedra que servia para pôr a salvo as colmeias de abelhas do ataque dos ursos. Esta construção tem muitos séculos, pois os ursos foram extinguidos do Gerês há quase 800 anos.


Mais recentemente no século XVI, Cabril lançou para o mundo uma figura notável, João Rodrigues Cabrilho, natural do lugar de Lapela da casa do Americano que em 1542 ao serviço da armada Espanhola, comandou os navios "San Salvador" e "Victória", saindo do porto de Navidade em Espanha e descobrindo então a costa da Califórnia.


Presentemente a vida rural ainda permanece bem enraizada, as vezeiras e as manadas de vacas, a vegetação sempre verde dos medronhos, azevinhos e teixos, fetos, lírios do Gerês, as suas fragas enormes de figuras ciclópicas, desafiando aventuras de águias, os corços, javalis e os garranos, saltando e correndo, disputam o território sagrado de uma serra que jura perpétuar a sua pureza ecológica…


Cabril oferece-nos tudo isto, horas de regalar e comer com os olhos este misto de humano, animal e divinal da mãe natureza.

 

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Já na monografia “Montalegre” encontrámos várias referências a Cabril, algumas já mencionadas atrás nos conteúdos da página da Junta de Freguesia, assim ficámo-nos apenas por uma referência que tem a ver com o pastoreio:

 

O Pastoreio

A actividade pastoril e ganadeira, obrigatoriamente subsidiária da agricultura, é a base da economia local e deve-se a conceitos próprios de antiquíssimos regimes comunitários. A existência de ‘‘vezeiras’’ – gados apascentados sob regras democráticas próprias – indica como foi excelente a nossa coesão social, fruto duma organização jurídica específica e da qual, entre nós, restam documentos manuscritos, ainda que rudimentares, do Padre Diogo Martins Pereira, nascido em Pincães, em 1681. Esclarece-nos o reverendo sobre as fórmulas comunitárias adoptadas pelas populações cabrilenses no sentido de enriquecerem as suas casas e de melhorarem os seus termos territoriais, nomeadamente, os baldios. Entre outras coisas, descreve detidamente os diferentes lugares da freguesia de Cabril e o funcionamento das assembleias: o modo como resistiam a inimigos de fora parte, como apascentavam as suas vezeiras, como perseguiam os animais selvagens que consideravam prejudiciais, como faziam queimadas controladas para melhorar os pastos e como decidiram inçar alguns montes e corgas de outras árvores nobres e também de medronheiros com que evitavam os malefícios da erosão e de cujos frutos alimentavam os bichos e faziam aguardente.

 

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Quanto à “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

CABRIL VILA, agora, Cabril

 

Refira-se primeiro que Cabril nunca foi topónimo como agora o entendemos: não serviu de nome a qualquer lugar. Hoje começa a sê-lo, mas era o simples nome que indicava uma pequena região (de 76.6 há de extensão) através do geotopónimo “Cabril” de “Cabra+il” — região de muitas cabras, do nome latino capra, - que se compõe ainda de 15 pequenas localidades. Nos tempos que correm a “VILA” ou “ BAIXA”, como também lhe chamaram – centro cívico, administrativo e religioso da freguesia – já se vai chamando apenas Cabril!

Cabril é um corónimo (nome de região) como Chã, Vilar de Vacas ou Barroso.

 

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Quanto à “Toponímia Alegre”, parte integrante da “Toponímia de Barroso” temos:

 

Se fores a Cabril leva pão

Que vinho lá to darão

 

Vou-me Casar a Cabril,

O sítio do meu degredo:

É terra de muito padre

Canta lá o cuco cedo!

 

- Cabril (Memórias Paroquiais de 1758):

Colhem alguns frutos, “porém, como de tudo é pouco pela aspereza da terra para passarem a miserável vida a maior parte deles vivem de fazer carvão”.

Abade Domingos dos Santos

 

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E muito mais haveria para dizer sobre Cabril, a sua freguesia e região. Já o fomos dizendo nos vários posts dedicados a cada uma das aldeias da freguesia (exceção de Chã do Moinho que desconhecíamos a sua existência) e que poderá consultar na barra lateral deste blog ou no menu na parte superior do blog. Mas também a ideia destes post são deixar a nossa experiência pessoal na descoberta desta aldeias do Barroso e deixar um convite para visitar estas localidades onde poderão fazer outras descobertas, pois também estamos conscientes que houve coisas que nos passaram ao lado.

 

Só nos resta mesmo fazer a referência às nossas consultas.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA (Consultas em 14-04-2019)

- https://www.cm-montalegre.pt/

- http://www.jf-cabril.pt/

- Brochura do PNPG: https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=PNPG+zonas+de+prote%C3%A7%C3%A3o

 

 

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