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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

15
Abr19

O Barroso aqui tão perto - Cabril

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Nesta rubrica do Barroso aqui tão perto,  estamos a chegar à reta final das abordagens às localidades do Barroso do Concelho de Montalegre. Das 136 localidades do Concelho de Montalegre, apenas nos falta abordar 18 localidades. Começámos as abordagens sem qualquer tipo de critério de seleção, recorríamos a uma espécie de sorteio e a que calhava, era a localidade que abordávamos. Mas havia sempre uma ou outra que embora calhasse em sortes, nós fomos adiando a abordagem, nesta reta final estamos a entrar nessas aldeias.

 

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À exceção da Portela da Vila de Montalegre à qual temos ligações sentimentais por parte da família materna,  às restantes localidades não temos qualquer ligação e a grande maioria nem sequer as conhecíamos, daí termos feito sempre uma abordagem isenta de qualquer sentimento que fosse além daqueles que sentimos quando fizemos a nossa visita e levantamento fotográfico.

 

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Sendo filho de mãe barrosã é natural que as estórias de lareira que me habituei a ouvir em criança estivessem ligadas a algumas localidades do Barroso, ainda para mais eram estórias contadas por uma geração que passou por períodos críticos da vida portuguesa, como a guerra civil espanhola e posteriormente a guerrilha, a 2ª grande guerra e os tempos de ditadura.

 

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Assim, embora eu nunca tivesse vivido no Barroso havia nomes de pessoas e localidades que sempre me foram familiares, isto para além daquelas localidades por onde amiúde tinha de passar nas minhas também frequentes deslocações a Montalegre, primeiro quando eram feitas  pela EN 103, localidades tais como o Alto Fontão, o Barracão, Gralhós e Gorda , depois via S.Vicente e mais tarde via Meixide, já pela ou depois pela M508, ou seja, todas as aldeias desses trajetos já eram minhas conhecidas.

 

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Mas ia eu dizendo que embora algumas aldeias me tivessem calhado em sorte para publicação, eu fui adiando para o final, tudo porque essas aldeias tinham qualquer coisa de especial que mereciam uma abordagem mais cuidada e mais aprofundada, uma dessas aldeias era Cabril, e digo era, porque a partir de hoje deixa de ser, pois é a nossa aldeia convidade.

 

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E qual a razão porque Cabril foi ficando para o final!?. Pois se há localidades que sei bem qual é a razão, para Cabril não tinha nenhuma razão em especial, a não ser um topónimo que me era sonante e que calhava ser mencionado em muitas das estórias que ia ouvindo em criança. Assim, a primeira vez que fui a Cabril, fui mesmo à descoberta de Cabril e desse porquê.

 

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Ora, vou ser sincero, da primeira vez que lá fui estava à espera que Cabril fosse de maiores dimensões, mas desde logo me marcou a sua localização e a presença da imponência do enorme rochedo da Serra do Gerês, da água, do verde e do calor, aliás este último tenho-o associado a todas as minhas passagens por Cabril, o que também não é de admirar por calhou passar por lá sempre nos meses de julho e agosto.

 

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Mas depois dessa primeira vez, passei por umas tantas vezes e comecei a dar-me conta que para além da marcante presença da Serra do Gerês, da água do verde e do calor, Cabril era também o centro de uma pequena região (dentro do Barroso)  com características muito singulares e que fazem da aldeia um ponto de passagem obrigatório e uma espécie de entroncamento, não só de estradas, mas também de rios e montanhas e com ponte, na apenas a de hoje, mas a de “sempre” a antiga ponte romana sobre o Rio Cabril, lindíssima, por sinal e que tive a sorte de a ver quase por completo logo na minha primeira visita a Cabril, isto em julho de 2014.

 

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Pois Cabril é o centro dessa pequena região muito singular do Barroso, não só pelas razões que já atrás deixei mas também pelos seus contrastes, senão vejamos, tal como dizia atrás é notória uma forte presença da Serra do Gerês, que atinge os 1575 metros de altitude, o que nos levará a pensar que as terras e freguesia de Cabril é território de terras altas, mas longe disso, são as terras mais baixas do Barroso, como veremos já a seguir.

 

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Cabril é sede de Freguesia constituída por 15 aldeias, a saber: Azevedo, Bostochão, Cabril, Cavalos, Chãos, Chelo, Fafião, Fontaínho, Lapela, Pincães, São Ane, São Lourenço Vila Boa, Xertelo e Chã de Moínho. Entre elas apenas Xertelo fica acima dos 700 metros de altitude, seguida por Lapela e Pincães acima dos 600m, depois São Lourenço, Chewlo Fafioão e Azevedo acimas dos 500m, Bostochão e Vila Boa acima dos 400 metros e as restantes não vão além dos 300m.

 

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E foi preciso chegar aqui a Cabril para verificar que afinal ainda me falta descobrir uma aldeia do Barroso, pois Chã do Moinho não consta dos meus levantamentos e sinceramente só hoje é que dei pela sua existência, e não constava da minha listagem de localidades do Concelho de Montalegre. La terei que ir mais uma vez por terras de Cabril, o que não será nenhum sacrifício, antes pelo contrário.

 

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Cascatas e Minas

Embora não propriamente na localidade de Cabril, mas sim no território da freguesia de Cabril, temos pelo menos três das cascatas mais interessantes do Barroso, as cascatas das 7 Lagoas, as Cascatas de Pincães e as de Cela Cavalos, estas mesmo no limite da freguesia. Também de interesse no território da freguesia temos as Minas de Carris, ou o que resta delas, mas atenção que as minas estão em território de proteção parcial tipo I e proteção total do PNPG-Parque Nacional da Peneda-Gerês que impõe limites ao número de pessoas e para as zonas de proteção total é necessária autorização do PNPG. Atenção que as cascatas das 7 lagoas estão em zona de proteção parcial (limitada a 10 pessoas). No entanto como as regras estão sempre a mudar, se for para um destes locais convém primeiro informa-se junto do PNPG (consulte a brochura do parque no final do post).

 

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Ainda antes de entrar naquilo que encontrámos nas nossas pesquisas e itinerário para lá chegar, queríamos deixar aqui ainda uma nota sobre a igreja de Cabril, que sem lhe tirar o interesse que tem, em beleza, também é contrastante, quando de perto não se confunde um pouco com o resto do casario mas ao longe ganha grande visibilidade.

 

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Passemos então ao nosso itinerário para se chegar até Cabril, por sinal um dos itinerários mais interessantes e que atravessa quase todo o Barroso de lés a lés, basta dizer que quase metade do percurso faz-se dentro do Parque Nacional da Peneda Gerês, no qual Cabril também está inserida. Pois para o nosso Itinerário optamos mais uma vez pela estrada do São Caetano até Montalegre, depois seguimos sempre junto ao Cávado até à Barragem de Paradela a qual devemos atravessar o paredão para depois continuarmos até Cabril. Fica o nosso habitual mapa para melhor localização.

 

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Então passemos às nossas pesquisas, hoje facilitadas pelo conteúdo da página na internet da Junta de freguesia de onde transcrevemos:

 

Cabril no passado e no presente...

A Freguesia de Cabril é actualmente constituída por 15 aldeias, de povoamento concentrado onde habitam aproximadamente 900 habitantes. É uma das mais belas inserida no parque nacional do Gerês. Fica situada nas margens do cávado, albufeira de verde azul de Salamonde e no sopé das fragosas penedias da serra do Gerês. Freguesia  antiga, mediaval, com pequenas aldeias de uma vida pastoril sossegada, tem também uma riqueza multifacetada. A paisagem oferece aos olhos os mais belos quadros...

Aqui também se verificou, inevitavelmente, o êxodo rural, umbilicalmente ligado à procura de melhores condições de vida.

No início desta freguesia, permanece o rasto histórico da existência de povoamentos pré-romanos como os Turodos, Esquesos e Nemetanos, povos que se dedicavam quase exclusivamente à pastorícia com a criação de cabras, o que daria o nome a Cabril.

 

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Assim sendo, e segundo os historiadores, era o gado que abastecia toda esta região, continuando ainda nos dias de hoje a existir.


Com a derrota dos Lusitanos (povos que habitavam a Península Ibérica sob o comando do pastor Viriato), Roma conseguiu o domínio total da Península Ibérica e de todos os povos e povoados Os habitantes das "tribos" derrotadas, foram escravizados e integrados no Império Romano, apesar de terem tentado resistir aos senhores do Universo. Cabril não foi excepção e podemos ainda encontrar um dos vestígios mais visíveis dessa data, "a ponte velha" agora de difícil visibilidade visto que se encontra a maior parte do tempo submersa pela barragem de Salamonde.A ponte foi construída com o intuito de permitir a passagem entre as duas margens que se encontravam separadas por um riacho, mas que em dias de Inverno chegava a não permitir a passagem dado o caudal gerado. Importa pois, realçar o facto de que foram os Romanos os primeiros a unir a Freguesia de Cabril, povo este que era exímio na construção de vias terrestres, ligando assim todo o seu império.

 

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A 8 Km de Cabril podemos encontrar um vestígio de grande importância, a "Ponte da Misarela", onde as tropas francesas de Napoleão em 1809, tiveram inúmeros problemas com os Barrosões. Encontra-se também neste local a estrada que ligava em tempos, Bracara Augusta a Áqua Flávia.


Com o fim do Império em 476 D.C., Cabril continuou a ser ocupado, pois existem marcos dessa ocupação, a "cilha dos ursos". Construção circular em pedra que servia para pôr a salvo as colmeias de abelhas do ataque dos ursos. Esta construção tem muitos séculos, pois os ursos foram extinguidos do Gerês há quase 800 anos.


Mais recentemente no século XVI, Cabril lançou para o mundo uma figura notável, João Rodrigues Cabrilho, natural do lugar de Lapela da casa do Americano que em 1542 ao serviço da armada Espanhola, comandou os navios "San Salvador" e "Victória", saindo do porto de Navidade em Espanha e descobrindo então a costa da Califórnia.


Presentemente a vida rural ainda permanece bem enraizada, as vezeiras e as manadas de vacas, a vegetação sempre verde dos medronhos, azevinhos e teixos, fetos, lírios do Gerês, as suas fragas enormes de figuras ciclópicas, desafiando aventuras de águias, os corços, javalis e os garranos, saltando e correndo, disputam o território sagrado de uma serra que jura perpétuar a sua pureza ecológica…


Cabril oferece-nos tudo isto, horas de regalar e comer com os olhos este misto de humano, animal e divinal da mãe natureza.

 

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Já na monografia “Montalegre” encontrámos várias referências a Cabril, algumas já mencionadas atrás nos conteúdos da página da Junta de Freguesia, assim ficámo-nos apenas por uma referência que tem a ver com o pastoreio:

 

O Pastoreio

A actividade pastoril e ganadeira, obrigatoriamente subsidiária da agricultura, é a base da economia local e deve-se a conceitos próprios de antiquíssimos regimes comunitários. A existência de ‘‘vezeiras’’ – gados apascentados sob regras democráticas próprias – indica como foi excelente a nossa coesão social, fruto duma organização jurídica específica e da qual, entre nós, restam documentos manuscritos, ainda que rudimentares, do Padre Diogo Martins Pereira, nascido em Pincães, em 1681. Esclarece-nos o reverendo sobre as fórmulas comunitárias adoptadas pelas populações cabrilenses no sentido de enriquecerem as suas casas e de melhorarem os seus termos territoriais, nomeadamente, os baldios. Entre outras coisas, descreve detidamente os diferentes lugares da freguesia de Cabril e o funcionamento das assembleias: o modo como resistiam a inimigos de fora parte, como apascentavam as suas vezeiras, como perseguiam os animais selvagens que consideravam prejudiciais, como faziam queimadas controladas para melhorar os pastos e como decidiram inçar alguns montes e corgas de outras árvores nobres e também de medronheiros com que evitavam os malefícios da erosão e de cujos frutos alimentavam os bichos e faziam aguardente.

 

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Quanto à “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

CABRIL VILA, agora, Cabril

 

Refira-se primeiro que Cabril nunca foi topónimo como agora o entendemos: não serviu de nome a qualquer lugar. Hoje começa a sê-lo, mas era o simples nome que indicava uma pequena região (de 76.6 há de extensão) através do geotopónimo “Cabril” de “Cabra+il” — região de muitas cabras, do nome latino capra, - que se compõe ainda de 15 pequenas localidades. Nos tempos que correm a “VILA” ou “ BAIXA”, como também lhe chamaram – centro cívico, administrativo e religioso da freguesia – já se vai chamando apenas Cabril!

Cabril é um corónimo (nome de região) como Chã, Vilar de Vacas ou Barroso.

 

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Quanto à “Toponímia Alegre”, parte integrante da “Toponímia de Barroso” temos:

 

Se fores a Cabril leva pão

Que vinho lá to darão

 

Vou-me Casar a Cabril,

O sítio do meu degredo:

É terra de muito padre

Canta lá o cuco cedo!

 

- Cabril (Memórias Paroquiais de 1758):

Colhem alguns frutos, “porém, como de tudo é pouco pela aspereza da terra para passarem a miserável vida a maior parte deles vivem de fazer carvão”.

Abade Domingos dos Santos

 

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E muito mais haveria para dizer sobre Cabril, a sua freguesia e região. Já o fomos dizendo nos vários posts dedicados a cada uma das aldeias da freguesia (exceção de Chã do Moinho que desconhecíamos a sua existência) e que poderá consultar na barra lateral deste blog ou no menu na parte superior do blog. Mas também a ideia destes post são deixar a nossa experiência pessoal na descoberta desta aldeias do Barroso e deixar um convite para visitar estas localidades onde poderão fazer outras descobertas, pois também estamos conscientes que houve coisas que nos passaram ao lado.

 

Só nos resta mesmo fazer a referência às nossas consultas.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA (Consultas em 14-04-2019)

- https://www.cm-montalegre.pt/

- http://www.jf-cabril.pt/

- Brochura do PNPG: https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=PNPG+zonas+de+prote%C3%A7%C3%A3o

 

 

07
Abr19

O Barroso aqui tão perto - Viva a neve!

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Serra do Larouco

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O mau tempo para este fim de semana estava anunciado para todo o país, alerta laranja aqui para os nossos lados, frio, muita chuva, vento e neve acima dos 800 metros de altitude, ou seja, para nós que “estamos habituados”, são dias normais de Inverno, pois já sabemos que por cá só há duas estações no ano, os tais 9 meses de Inverno e os 3 de Inferno (julho, agosto e setembro). Não quer isto dizer que temos todos os dias chuva, neve e tempestades, não senhor, mas acontece com frequência e nos dias em que não acontece até vai havendo sol mas o frio, esse, não aquece ao sol…

 

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Montalegre - Pormenor do Castelo

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Serra do Larouco vista desde Soutelinho da Raia

Pois devido ao mau tempo, à última hora, tive um compromisso cancelado o que me deixava a tarde livre. Como ainda não tinha saído de casa, abri um bocadinho a porta de saída para a rua, espreitei e deitei o nariz de fora, não para cheirar, mas antes para sentir o ar para saber como íamos de tempo (meteorológico).  O ar era de neve. Subi ao andar de cima e espreitei para o Brunheiro, estava limpo de neve, fui espreitar para Norte e a ponta da Cota de Mairos estava com neve, mas não o suficiente para chegar aqui ao vale o seu ar, para Sul não valia a pena espreitar, pois aí só há neve quando ela chega até ao vale de Chaves, só podia ser a Poente, ou seja, no Barroso, e lá estava ela a cobrir o Leiranco e um bocadinho ao lado, via-se a serra de Castelões também com neve, ou seja, pelo menos o Larouco e terras altas até Montalegre a neve era garantida.

 

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Serra do Larouco

 

Há uns anos atrás, agarrava nos putos e dizia-lhes – Vamos ver a neve! Com os putos já crescidos e temporariamente fora de casa a estudar, agarrei nas máquinas fotográficas e disse-lhes na mesma — Vamos ver a neve! E lá fomos, felizes e contentes como se fosse a primeira vez…

 

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Serra do Larouco

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Montalegre - Rotunda da Corujeira

 

Claro que poderia inventar uma desculpa qualquer, mais séria e científica, como a de ir observar e registar se com esta coisa do aquecimento global a neve mantinha o seu grau reduzido de temperatura, se a sua brancura se mantinha, se continua sem ter sabor, etc. Mas não, a verdade é que eu sou mesmo um puto que gosta de ir para a neve, e prontos!

 

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Vista geral de Montalegre (Vila)

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Rio Cávado e Moinho - Donões

 

E havia neve, e nevou pelo caminho, e fez sol, e choveu, e nevou novamente, e de novo fez sol, sempre de pouca dura, uns minutos, apenas pequenas abertas, mas lá fomos indo, não era um daqueles nevões-nevões, mas havia neve, com a estrada limpa. Primeira paragem no sítio do costume de contemplação da Serra do Larouco. Segunda paragem no Miradouro Corujeira, pois das várias vezes que fui por Montalegre à neve, nunca tinha conseguido ir à Corujeira, mas desta vez cheguei lá. É um cliché dos dias de neve em Montalegre, faltava-me para a coleção. Outro cliché é o do moinho de Donões, ali sobre o Cávado com o Castelo de Montalegre de fundo, também ainda não o tinha com neve, que embora pouca (terras mais baixas) ainda havia uma amostra.

 

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Vista geral de Montalegre (Portela)

Depois havia que fazer os outros clichés, o Larouco, Padornelos, ir ao lado à aldeia mais alta de Portugal (Sendim), etc. Eu fui a todos, ou quase, pelo menos até onde pude, pois no Larouco, mais uma vez fui enganado, embora lá tivesse ido, com a estrada limpinha, muitos pais a brincar (ainda naquela fase dos filhos putos), carros parados aqui e ali para fotos do pessoal na neve, incluindo selfies, etc., e eu lá ia galgando estrada até chegar ao cimo do Larouco e de repente, a seguir a uma curva, ZAZ! a estrada desapareceu, andaria ali pelo meio do Larouco, impossível continuar, mesmo para um tt.  

 

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Serra do Larouco (o fim da estrada...)

 

Não me voltam a enganar… pois a solução num caso destes é mesmo só uma, meter o rabinho entre as pernas e voltar para trás desiludido…Mas já que andava por lá,  entrei na aldeia de Padornelos, fiz o mesmo em Sendim e ainda deu tempo para entrar na Galiza só para dizer que entrei, pois dei logo a volta, tomei um cafezinho nas bombas de gasolina da fronteira e comprei umas garrafas de vinho verde branco e, ala para Chaves que se faz tarde.

 

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Padornelos

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Padornelos

E tudo teria corrido bem se não fosse um palerma com umas 4 lata velhas todas Kitadas que ia dois carros à minha frente e que ao entrar no concelho de Chaves resolveu fazer todo o trajeto ao esses a desvia-se de todas as protuberâncias e pequenas depressões que a estrada tinha, sempre a 30 ou 40 km/h, primeiro ainda pensei que também tinha ido ao vinho nas bombas de gasolina, mas depois apercebi-me que era mesmo uma paixão assolapada pelas suas 4 latas kitadas. Pelo menos foi uma forma, embora obrigatória, de vir de vagar. Quando chegámos a Chaves, parecia uma procissão de carros a vir da neve, mas curiosamente ninguém tentou ultrapassar nem protestar, eu penso mesmo que o pessoal de trás estava a pensar que o mariola da frente ia com os copos!

 

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Sendim - a aldeia mais alta de Portugal

E terminamos com uma imagem da aldeia mais alta de Portugal – Sendim. Hoje, calhou assim, em vez de uma aldeia trouxemos neve, fresquinha, de ontem à tarde, mas tivemos ainda tempo de ir a Padornelos, a Sendim e ao moinho de Donões, três aldeias que já aqui tiveram o seu devido post mas que, se quiserem rever, basta procurar na barra lateral do blog, estão lá todas as que por aqui passaram, por ordem alfabética.

 

E é tudo. Até amanhã!

 

 

 

31
Mar19

O Barroso aqui tão perto - Pitões das Júnias

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PITÕES DAS JÚNIAS

 

PREÂMBULO

A primeira vez que fui a Pitões das Júnias andávamos por finais dos anos 70, talvez 1978, e recordo essa ida por ter sido a primeira vez, mas também por uma estória que lhe está associada. Acontece que uns dias antes 3 jovens holandeses pararam à entrada de Chaves, ali pelo Campo da Fonte, com uma avaria na sua viatura. Por mero acaso, eu e uma amiga íamos a passar quando tal aconteceu. Perguntaram-nos se havia uma oficina perto, que por acaso havia, a então garagem da VW de Mário Emílio, a uns escassos 100 ou 200 metros do local da avaria.

 

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Fomos com os jovens holandeses  até a oficina e após verificarem qual era a avaria,  disseram-lhes que a reparação deveria demorar 3 a 4 dias, pois precisava de uma peça que não tinham e que teria de vir de fora.  Como bons hospitaleiros que somos,  oferecemo-nos para lhes indicar onde ficava o Parque de Campismo onde iriam ficar enquanto esperavam pelo carro, e pra à noite, disponibilizámo-nos para lhes mostrar a cidade.

 

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Era no tempo em que o Jardim das Freiras ainda tinha as suas noites de verão áureas, sempre a abarrotar de gente, com as esplanadas do sport e aurora também sempre cheias . Os holandeses ficaram encantados com a cidade e a sua vida noturna. Nos dias seguintes o nosso grupo de amigos adotou os holandeses e andámos a servir de guias turísticos para lhes mostrar aquilo que de melhor tínhamos.

 

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A intenção dos holandeses era conhecer Portugal de lés a lés, iniciando em Chaves e terminando no Algarve, com a avaria do carro e os nossos planos turísticos que iam além de Chaves, a estadia turística deles estava garantida. Como nós tínhamos alargado as visitas turísticas para além de Chaves,  tinham que continuar para além do carro arranjado, e continuaram.

 

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Encantados que os holandeses estavam com a região e com a hospitalidade do nosso pessoal, decidiram ficar por Chaves no que lhes restava em dias de férias e o resto de Portugal ficaria para o ano seguinte. Pois uma das visitas agendadas era a visita a Pitões das Júnias que embora no nosso grupo de amigos ninguém conhecesse, foi-nos recomendada por alguém que a conhecia como a aldeia mais bonita do Barroso,  para além de elevados elogios ao mosteiro e à cascata.

 

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UMA VIAGEM DE OUTRO TEMPO

Claro que rumámos até lá. A viagem para vencer os cerca de 60 km de então, parecia muito mais longa que hoje, talvez devidos aos carros que não eram tão confortáveis como os de hoje, mas também às estradas de então, mais apertadas e com pior piso. Seja como tivesse sido, lá chegámos são e salvos, tendo como primeiro destino o mosteiro e as cascatas, percurso que então se tinha de fazer a pé desde o cemitério até ao mosteiro e depois do mosteiro até à cascata, que embora também parecesse mais caminho, ida e volta, rondaria os 3km.

 

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Claro que a viagem desde Chaves até Pitões encantou, pois contava com uma travessia ainda pelo Barroso mais profundo, com muita gente nas aldeias, animais e gado à solta nas ruas e ainda com muitas coberturas dos telhados em colmo. Mas o mosteiro e as cascatas encantaram muito mais, mesmo com as cascatas sem o visual de hoje, pois na altura apenas tínhamos acesso à parte superior da cascata que pouco se via dela, mas encantavam na mesma, nem que fosse pelo precipício que tínhamos mesmo ali aos nossos pés e pelas vistas que desde lá se alcançavam.

 

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Visto o mosteiro e a cascata era tempo de regressar. Desde o cemitério pudemos ainda apreciar o conjunto da aldeia, bem juntinha, acolhida numa pequena encosta,  com todo o enorme fraguedo da Serra do Gerês a servi-lhes de fundo,  num misto de mistério e simultaneamente de protetor da aldeia. Era meio da tarde, de uma tarde quente do mês de agosto, com vontade para beber um copo, descemos a pé até à aldeia e pelo caminho ia-mos lhe descrevendo o que eram as tabernas de aldeia, então num misto de mercearia por um lado, a conviver com um balcão onde se serviam uns copos, enfim, a descrição da taberna típica.

 

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VERY TIPICAL

Pelo caminho fomos perguntando onde se podia beber um copo e indicaram-nos uma das casas à meio da rua, que de taberna já nada tinha, já com características mais próximas do bar atual. Mal entrámos o falar língua estrageira fez despertar, como se de um automático se tratasse, a música e as luzes psicadélicas coloridas um pouco espalhadas pelo teto do estabelecimento, que por sinal tinha pouca luz natural o que fez realçar ainda mais o psicadélico da coisa. Sei que foi gargalhada geral quase em uníssono. Recordo que um dos holandeses ainda teve tempo de exclamar — oh! very typical ­— Meios encaralhados com a situação, lá fomos explicando como podíamos…ia decorrendo o ano de 1978. 

 

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PITÕES DE HOJE

Depois dessa ida a Pitões, já lhe perdi a conta de quantas vezes lá fui, não muitas mas já devem andar próximas das duas dezenas, quase sempre para mostrar o mosteiro e as cascatas, às vezes com descida à aldeia, onde aproveito sempre para contar a estória que deixei atrás, isto, mais com a intenção de as pessoas que não conhecem a aldeia não se surpreendam muito com alguns rasgos de modernidade com que a aldeia foi sendo dotada ao longo destes últimos 30 a 40 anos, felizmente com algum gosto nas recuperações e reconstruções que foram feitas um pouco por toda a aldeia, embora com alguns pecados pelo meio. Em suma, vou avisando quem me acompanha que Pitões das Júnias não é bem uma aldeia igual às restantes, modernizou-se.

 

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Contudo, Pitões das Júnias continua a ter a sua vida de aldeia e é uma das que tem o rótulo de visita obrigatória, dotada de interesse e de uma beleza impar onde se destacam o mosteiro, as cascatas e o conjunto da aldeia, então vista desde o cemitério, esta sim, uma das vistas mais preciosas de todo o Barroso, quando muito só igualada pela sua singularidade e beleza pelas vistas que se podem lançar sobre Vilarinho de Negrões (com a barragem cheia). Ir ao Barroso e não ficar a conhecer estas duas vistas é como ir ao Vaticano e não ver o Pápa. 

 

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IGREJA E RUINAS DO MOSTEIRO DE SANTA MARIA DAS JÚNIAS e CASCATAS  

 

A igreja e o Mosteiro 

Nestas coisas do nosso património cultural não gosto muito de inventar e há que dar a palavra aos especialistas ou a quem tutela a coisa. Assim vamos ver o que diz a DGPC- Direção-Geral do Património Cultural ao respeito da Igreja e ruinas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias:

 

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Igreja e Ruínas do Mosteiro de Santa Maria das Júnias

 

Nota Histórico-Artística

Nos últimos anos foi possível chegar a conclusões mais precisas a respeito da fundação do mosteiro. A tendência actual é para rejeitar as opiniões que situam a instituição da comunidade pelo século IX, em benefício de uma cronologia a rondar a década de 40 do século XII. "Efectivamente, a primeira referência segura de que dispomos (...) é uma inscrição gravada na face exterior da parede Norte da Nave, (...) onde se pode ler: Era Mª Cª 2 XXXVª", data que, pelo calendário gregoriano, corresponde ao ano de 1147. "Pela sua cronologia e implantação", este letreiro deve estar relacionado com "algum evento de particular relevância para a comunidade", eventualmente a "Sagração ou Dedicação do templo de Santa Maria das Júnias" (BARROCA, 1994, pp.419-420).

 

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Ainda na Nota Histórico-Artística da DGPC:

 

Desse primeiro período conservam-se importantes vestígios românicos, em particular na nave rectangular, que é decorada interiormente por frisos com figurações em pontas de lança. No exterior, as peças mais importantes desta fase são os dois portais (axial e laterais), cuja ornamentação obedece às determinantes artísticas experimentadas em torno da Sé de Braga ainda na primeira metade do século XII. O portal ocidental é de arco de volta perfeita, de duas arquivoltas (a exterior ornamentada com o tema das pontas de lança e realçada por moldura) que repousam em impostas decoradas com motivos geométricos, do tipo de corações invertidos. O tímpano é vazado, ao centro, por cruz de braços iguais, inserida em círculo, sobre lintel de decoração vegetalista estilizada. Os portais laterais, apesar de parcialmente mutilados na zona do lintel, ainda conservam importantes parcelas românicas, como o tímpano, de cruz vazada.

 

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Ainda na Nota Histórico-Artística da DGPC:


Algum tempo depois de terminada a igreja, deve-se ter edificado o claustro. Este revela já "tendências góticas, embora socorrendo-se ainda de arcos de volta perfeita" (IDEM, p.427). O que resta do conjunto claustral (apenas o ângulo Nordeste) é insuficiente para uma mais rigorosa catalogação desta parcela, mas é de supor que tenha sido edificado na primeira metade do século XIII, recorrendo a uma decoração já essencialmente vegetalista.

 

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Ainda na Nota Histórico-Artística da DGPC:


Pelos meados dessa centúria, a comunidade beneditina abraçou outra regra monástica, a de Cister. Apesar das evidentes diferenças, não consta que se tenham realizado grandes obras de adaptação, pelo menos no espaço religioso. A implantação do mosteiro respondia, de igual modo, aos anseios dos cistercienses, com extremo isolamento da comunidade e um aro rural para trabalhar, onde a água era um valor determinante. É de presumir que as dependências monásticas, localizadas a Norte da igreja, tenham sido intervencionadas, mas pouco mais podemos adiantar, até porque toda esta zona foi reconstruída na época moderna. A capela-mor original foi alteada no final da Idade Média, em virtude de o local onde o mosteiro havia sido construído apresentar um forte assoreamento. O arco triunfal foi também mexido nessa altura, datando presumivelmente do século XV a decoração de esferas que ornamenta as suas impostas.

 

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Ainda na Nota Histórico-Artística da DGPC:


Nos inícios de Quinhentos, o conjunto deve ter atravessado um período de acentuada crise, cujo resultado foi o abandono da comunidade. Em 1533, porém, com a visita do abade de Claraval, D. Edme de Saulieu, o mosteiro foi reactivado, realizando-se, então, as dependências a Norte da igreja, algumas das quais com dois andares, que ainda hoje se conservam. A edificação deste complexo deve ter sido lenta, uma vez que ainda se documentam obras no século XVIII.


O isolamento e a escassez de recursos económicos, todavia, nunca terão permitido grande desafogo por parte dos monges. Em 1834, o mosteiro foi extinto e as suas dependências foram aproveitadas pelos habitantes de Pitões para os mais diversos fins, convertendo-se a sua igreja em paroquial. Parcialmente intervencionado pela DGEMN, em 1981, não foi, até agora, possível definir um plano coerente de valorização e reconversão funcional, apesar dos vários estudos já consagrados ao edifício.
PAF

 

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A Cascata

Vamos agora até à Cascata. Depois do Ribeiro de Pitões (Rio Campesino) passar pelo Mosteiro, umas centenas de metros à frente o acentuado e abrupto desnível de terreno faz com que a água do ribeiro caia em cascata. Das cascatas que conheço do Barroso/Serra do Gerês, são das mais interessantes de ver, mas também as menos acessíveis, só de longe e graças a um passadiço que foi construído é que elas hoje têm alguma visibilidade, pois antes, como já atrás referi, só tinham acesso pela parte de cima de onde não se conseguia ver a queda de água. Hoje com acesso facilitado às vistas da queda de água, mas mesmo assim ainda há que percorrer cerca de 550m, metade em caminho e outra metade em passadiços com muitas escadas. Impróprio para quem tem dificuldade de locomoção, mobilidade reduzida ou condicionada.

 

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 A ALDEIA

 

Até aqui ainda só andámos nas estórias, paisagens, considerandos, mosteiro e cascata. É tempo de entrarmos na intimidade da aldeia, nas suas ruas, em algumas das suas características e história, bem como lá chegar. Iniciemos por aqui, pelo itinerário a seguir para chegar até Pitões das Júnias:

 

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O Nosso ponto de partida, como sempre, é a partir da cidade de Chaves. Desta vez optamos mais uma vez pela EM507 (estrada de São Caetano), Soutelinho da Raia, Meixide, Vilar de Perdizes, Montalegre. Depois continuamos em direção ao Campo de Futebol de Montalegre. Não tem nada que enganar, é seguir sempre por essa estrada, sem sair dela, até Covelães (depois de passar por Frades, Sezelhe e Travassos do Rio). Em Covelães, logo no inicio da aldeia, abandona a estrada e vira à direita. Há placas a assinalar. A partir de aqui é sempre a andar até Pitões ou Tourem, pois a estrada serve estas duas aldeias. Já próximo de Pitões terá de abandonar a estrada e virar à esquerda. A estrada está bem sinalizada, e neste último desvio tem umas alminhas no meio  do entroncamento. Ao todo são 59,1 Km. Mas fica o nosso habitual mapa para uma melhor localização. O Regresso, se quiser, pode-o fazer via Tourém, depois entra na Galiza, passa pelo antigo Couto Misto e entre de novo em Portugal junto à Serra do Larouco.

 

pitoes-mapa.gif

 

Sobre a aldeia de Pitões das Júnias, vamos ver o que nos diz a monografia “Montalegre”: 

A aldeia de Pitões, situa-se na parte Ocidental do Planalto da Mourela, em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês, virada a Sul, a mais de 1130 metros de altitude e com uma extensão de 36,890 km de área, fazendo fronteira de vários quilómetros com a Galiza. Este pólo[i] está situado na corte do Boi do Povo e funciona em rede com o Centro Interpretativo, em Montalegre, dando corpo às seguintes temáticas: “O Boi do Povo, o pastoreio em regime extensivo, a vezeira, a tecelagem, os abrigos de pastores, a agricultura de Montanha, os modos de produção local/alfaias agrícolas, o património etnográfico, o fumeiro, a aldeia velha de o Gerês, o mosteiro de Pitões, o Parque Nacional da Peneda-Gerês e o património Natural.” 

 

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E continua a monografia:Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis. A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo; o trajecto de Paradela do Rio a Outeiro e Parada; a travessia da Mourela com visita ao Mosteiro de Pitões e à extinta freguesia de São Vicente do Gerês ou ao São João da Fraga; a visita a Tourém que tanta importância teve durante a Idade Média no seu relacionamento com o castelo da Piconha e o Couto Misto através do caminho neutral;(…) 

 

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Ainda na monografia: 

De todo o conjunto[ii] sobressai também o moinho, extremamente rústico, o claustro – restos de impressionante elegância – a entrada do cemitério e a cozinha, de feição utilitária e onde se ergue uma extraordinária chaminé bem digna de curar os salpicões de suas reverendíssimas. É verdadeiramente estranhável que uma igreja de glórias sofra assim, indiferentemente, este afrontoso estiolar. Ora, sabendo-se que o Mosteiro de Nossa Senhora das Unhas, em Pitões, é uma das raríssimas jóias da arqueologia religiosa românica de Barroso, parece legítimo e urgente exigir um remédio eficaz para a poética construção de nobres crónicas e linhas… Deveria ser-lhe feita uma operação de envergadura (a reconstrução inteligente e fiel) e eliminar as mal serzidas remendices que desfeiam o venerando convento de a par Mourela. E o Mosteiro de Pitões poderá voltar a ser o paradigma dos monumentos cuja primeira característica é a sobriedade explícita, é a fidelidade perfeitíssima de adaptação às asprezas recatadas da serra inóspita onde tomou assento. A desatendida natureza da construção serrana e fronteiriça, lá vem resistindo às injúrias do tempo e das várias espécies de selvagens. 

 

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Quanto a ilustres, continua a monografia: 

10. Frei Gonçalo Coelho (séc. XVI), nascido em Chaves e morreu como Abade do Mosteiro de Pitões, na Calendária de 101, em plena Serra do Gerês, enregelado pela neve. Diz-se que os sinos do mosteiro “bateram os sinais,” anunciaram a sua morte, no mesmo instante. Foi santificado pelo povo que lhe chama São Gonçalinho 

 

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Ainda na monografia:

Assossiativismo: Parques de Campismo do Trote-Gerês (Cabril) e do Inatel em Penedones; no domínio da animação artística há o rancho folclórico da Venda Nova, o grupo coral de Montalegre, o grupo de Cantares de Salto, os Gaiteiros de Pitões e, sobretudo, a impagável banda de música de Parafita.

 

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E conclui a monografia:

Área: 33.5 Km²

Densidade Populacional: 6 hab/km²

População Presente: 173  

Orago: Santa Maria

Pontos Turísticos: Capela de S. João da Fraga; Cascata; Mosteiro de Santa Maria das Unhas; Vestígios da Aldeia de São Vicente do Gerês;

Lugares da freguesia: (1) Pitões  

 

Herdeira natural da velhíssima freguesia de São Vicente do Gerês, nas profundezas do rio Beredo, que recebe águas de vários ribeirinhos na montanha, Pitões é a povoação mais alta de Barroso, na cota dos 1100 metros. Este facto contribuiu em grande medida para a elevada qualidade do presunto e fumeiro desta localidade. Sempre foi conhecida por ser terra de gente lutadora e mesmo guerreira: não resistiu à destruição do Castelo, nem do Mosteiro, nem da sua “república ancestral” (conjunto de normas comunitárias e democráticas dos seus habitantes) mas resistiu aos Menezes, condes da Ponte da Barca, a quem um rapaz de casa do Alferes foi raptar uma filha com a qual casou; e resistiu à pilhagem e assaltos sistemáticos que os Castelhanos organizavam durante a guerra da Restauração. Em 166, “um grande troço de infantaria e cavalaria, sob comando de D. Hieronymo de Quiñones atacou Pitões mas não só não conseguiram queimar o povo como este lutou bravamente pondo em fuga o inimigo e sem perdas”. Alguns dias após (com os pitonenses a ajudar, em represália) o capitão de couraças João Piçarro, com 800 infantes, atacaram Baltar, Niño d’Águia, Godin, Trijedo e Grabelos “donde trouxeram 400 bois, 100 ovelhas e 0 cavalos”. E resistiu ao florestamento da Mourela, com pinheiros, o que levaria à perda das suas vezeiras. Resistiram sempre e ainda bem resistem! Nesta aldeia pode visitar a corte do boi do povo, agora reconstruída como pólo do ecomuseu. 

 

1600-pitoes (166)

 

Vamos agora ver o que diz a Toponímia de Barroso: 

PITÕES

Topónimo de raiz muito antiga, pré-latina – PITT – que significa aguçado, pontiagudo. É, portanto, um topónimo topográfico, o que se confirma pelas características orográficas das redondezas, em que ressaltam os chamados “Cornos da Fonte Fria”, “Pala de Vaca”, “As Fisgas”, “São João da Fraga”, “Penedo Grande”, “Fraga de Paul”, “Lamas da Portela”, “Castelo Pé de Moega”, “Cascata”, etc. — Tudo isto com significados de locais de altura e aguçados, aliás, chamadouros de extrema propriedade.

O topónimo antigo parece que era Pitonha, ou ante, Vilar de Vacas de Pitonha, em que entra o étimo citado pitt + o sufixo arcaico onha que indica quantidade ou grandeza. Documenta-se o que dissemos pelas INQUIRIÇÕES DE D: AFONSOIII, em 1258. Pelo século XIV ou XV já aparece a forma Pitões que julgo ser simples e lógica abreviatura de Pitonha, pois, de Pitonia , diriam Pitonis e daí para o nasalado Pitões. No século XVII ou XVI começa a ser designada por Vilar de Vacas, Vacariça ou Vacaresse de Pitões, o que se comprova com documentos manuscritos (e de inisutado valor histórico-toponímico) da autoria do Padre Diogo Martins Pereira, em «Epítone Familiar e Árvore de Geração de Algumas Casas…».

Já no século XVIII, alguns dos recentes Lousadas (que ainda os há aos trambolhões) fizeram o milagre de despertar-lhes as Júnias, nome erudito com que se pretende eliminar o popular Unhas.Dizem agora Pitões das Júnias… Mas não há documentos de prova. Há, sim, Santa Maria das Júnias… Ora o topónimo é Pitões, as Júnias são de Santa Maria!

Mas tal forma, Júnias, é duvidoso…Existia, sim, Juynas ou Iuynas — desconhecido palavrão de que não deveremos fazer o latinório Júnias. Com efeito Júnia foi nome de mulher latina mas não consta que deixasse rasto toponímico em nenhuma parte do império. Quem tal diz, está a fazer ao topónimo Pitões o que Júnio Bruto fez a Júlio César. Este tratava o Bruto por filho e, no entanto, o Bruto encabeçou a conjura e apunhalou o imperador na mais repugnante cobardia e traição.

O topónimo do Mosteiro  dedicado a Santa Maria (Nossa Senhora das Neves) era JUYNAS e nada mais. E, escrito assim, é topónimo desconhecido, sem significado, tal como Juriz. Estes nomes Júnias e Juriz não existem! Existe, e já existia em 1258, uma povoação que até era freguesia e pagava idêntica pensão, ao rei, qual pagava Pitões, Vila da Ponte, e outras. Essa povoação chamava-se O Gerês e o seu orago era São Vicente. Nunca ninguém encontrou um só documento que falasse de Juriz. Mas há-os de São Vicente d’O Gerês!

Quanto às Juynas, Iuynas ou Juyas há-de ser fórmula errónea de Unhas, importantíssimo elemento da lenda da fundação do Mosteiro. Que este se chamava Mosteiro da Senhora das Unhas (Mosteiro de Nossa Senhora das Unhas) está bem explícito nos documentos do P.e Diogo Martins Pereira e que acima aludimos e que abaixo se apresentam. Não ponho as mãos no fogo por Júnias! Antes vejo no termo a tentativa de alguns eclesiásticos acharem sujo o nome de Nossa Senhora das Unhas e tudo fizeram para o irradicarem.  

 

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Já estava a ficar baralhado, ainda bem que a prosa terminou, senão às tantas a coisa ainda ia descambar para um Pisões das Unhas… Eu sei lá! Seja como for, atualmente o que consta em todo o lado e julgo ser oficial, pelo menos na página do município de Montalegre e em outros documentos esta aldeia aparece sempre grafada como PITÕES DAS JÚNIAS

 

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O QUE FICOU POR VISITAR

Desde há muito que um pontinho branco num dos picos da Serra do Gerês despertou a nossa atenção. No início o nosso equipamento fotográfico não nos permitia o longo alcance, mas com o tempo lá arranjámos umas objetivas que chegam até lá e nos dizem que aquele pontino branco é uma capela que depois de perguntar à quem sabe me dizem ser a Capela de São João da Fraga, com direito a festa anual. Fomo-nos informando e disseram-nos que o acesso à mesma é feito via Pitões das Júnias. Temos andado a estudar o itinerário para lá chegar e parece-nos ser também acessível pelo lado oposto, ou seja a partir da Barragem de Paradela, mas não temos a certeza. Teremos de perguntar se assim será. 

 

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Vista desde a barragem de Paradela

 

Certo é que hoje ficam aqui duas imagens tomadas à distância, a primeira desde Pitões das Júnias e a segunda desde Paradela. Também certo é que está nos nossos planos subir até lá, só ainda não sabemos quando, mas lá iremos. Assim vamos ficar por aqui com a certeza de que continuaremos a ir por Pitões das Júnias de vez em quando e que uma delas será para subir até ao São João da Fraga, se possível em dia de festa.

 

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Vista desde o largo do cemitério de Pitões das Júnias (com objetiva de 500mm)

Muito mais haveria para dizer sobre Pitões das Júnias, mas este post já vai longo e nós queremos deixar ainda imagens e matéria para podermos aqui trazer esta aldeia mais vezes. Para já vos deixo o endereço de dois sítios no Facebook onde poderão encontrar mais informação sobre Pitões:

 

Página da Junta de Freguesia - https://www.facebook.com/jfpitoesdasjunias/

Fascínio de: Pitões das Júnias -  https://www.facebook.com/groups/1475835412735085/

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA (Consultas em 31-03-2019)

 

- https://www.cm-montalegre.pt/

- http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70493/

 

 

[i] Polo do Ecomuseu do Barroso

[ii] Mosteiro e Igreja

 

18
Mar19

O Barroso aqui tão perto - Barracão

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Neste “andar” por todo o Barroso, um dia tínhamos de parar aqui, numa das suas “estações de serviço”, por sinal uma das mais antigas que conheço e penso que durante muitos anos foi a única da EN103 entre Chaves e Braga. Refiro-me ao Barracão, mais uma localidade do Barroso de Montalegre. É para lá que vamos hoje.

 

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O Barracão é uma das localidades que há mais tempo conheço, para além de Montalegre, e por sinal um lugar simpático que durante muitos anos era de paragem obrigatória e, ainda vai continuando a ser. Acontece que as minhas primeiras grandes viagens de carreira eram para Montalegre ou Braga e que eu recorde, no Barracão era o único sítio onde se fazia uma paragem mais prolongada, de 15 a 20 minutos, onde se podia sair da carreira para ir ao bar botar um copo,  fazer um chichi, esticar as penas, apanhar ar, o que fosse, mesmo para fumar um cigarro ao ar livre, sempre sabia melhor que dentro da carreira. Recordemos que antes se podia fumar dentro dos transportes públicos, até havia cinzeiro nas costas dos assentos e curioso é que era um acto que parecia não incomodar ninguém, pelo menos ninguém reclamava.

 

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Gosto de chamar “Estação de Serviço” ao Barracão, e de facto assim era quando a carreira Chaves-Braga ou Braga- Chaves lá fazia escala, não só paras as coisas que atrás enunciei, mas também porque era lá que se fazia escala e tinha de mudar de carreira para ir para Montalegre. Uma “Estação de serviço” que fazia serviço público, pois o bar servia as pessoas naquilo que necessitavam, mesmo como sala de espera, mas para além disso, sempre recordo por lá as bombas de gasolina e penso que pro lá sempre se fizeram negócios ou vendiam coisas, sobretudo ligados com a agricultura, pelo menos ainda por lá existe um testemunho de tal acontecer expresso num portão “foskamónio”, um adubo de fundo para todas as culturas, segundo a publicidade.

 

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Pois além destas recordações de outros tempos, pelo menos das viagens nas carreiras cinzentas do Tio Magalhães e depois as da Rodoviária Nacional (mais coloridas), penso que hoje nenhuma carreira faz este trajeto direto, no entanto, a verdade é que o Barracão mantém as suas funções de Estação de Serviço, continua por lá o bar e restaurante, as bombas de gasolina e pela certa que ainda algum negócio, pelo menos é lá que está instalado o Matadouro Regional do Barroso e Alto Tâmega, S.A. .

 

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De resto, para além da “Estação de Serviço” e espaço de armazéns, mais ou menos tantos como casas de habitação, o Barracão não tem características de uma aldeia tradicional. Penso que nunca teve escola, também não lhe conheço igreja ou capela, e ao todo, entre armazéns, construções de habitação e instalações do matadouro, serão umas vinte construções, repartidas de um e outro lado da EN103. Não se se entre a sua população haverá gente que chegue para fazer uma equipa de futebol, mas o Barracão tem campo de futebol, que por estes lados não são apenas para se jogar futebol, pois é(ra) também campo para as chegas de bois, que penso também têm um significado especial no Barracão.

 

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Quanto às imagens que hoje ficam por aqui, foram sendo recolhidas ao longo das nossas passagens pelo Barracão. Apenas a última recolha foi mais pensada e demorada, que deu para subir à croa de uma pequena elevação cuja cruz (cruzeiro) nos apelava a uma visita. E em boa hora lá fomos.  Pelo que pude ler numa placa colocada na base da cruz, foi mandada construir por Fernando de Moura em 1970 e foi erguida em honra do Senhor dos Perdões, que pela certa terá o poder de a todos perdoar…

 

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E hoje respondo a um amigo e companheiro em muitas destas descobertas do Barroso que subiu comigo ao cruzeiro do Senhor dos Perdões. Claro que mesmo lá se tivesse dado o milagre da iluminação dos passos, não foi para a joelhar e rezar que lá subi, nem para captar a nudez crua das terras de um Barroso que eu vejo coberto de belíssimos tapetes verdes ou dos mais nobres carvalhais, onde mesmo nas terras mais altas de Portugal há sempre espaço para um belíssimo tapete, que mesmo não subindo em altura se eleva em beleza que quando em flor se enche de matizes,  parecendo espelhar nele as cores arco-íris desde o lilás-roxo-violeta da urze-erica-torga ao amarelo da giesta ou da carqueja, e outras espécies de flora e fauna que a virgindade do olhar sempre nos mostra, mas é na croa dos montes e elevações que nos purificamos, sim, porque por lá o ar é outro, estamos mais perto do Céu e vê-se o mundo todo, sem ser necessário ajoelhar, rezar ou ter cruzeiros, com todo o respeito que por eles tenho e acreditar que tem a sua nobre missão de guiarem quem anda perdido e é perdoado pelo Senhor dos Perdoes de quem tem fé, muito para além dos momentos zen que lá se desfrutam.

Mas gosto da foto, do milagre da iluminação e do poema :

(https://andanhos.blogs.sapo.pt/palavras-soltas-o-cruzeiro-do-senhor-60660)

 

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E com esta passemos à forma de chegar ao Barracão, ou melhor, ao itinerário que nós recomendamos, pois todos os caminhos vão dar ao Barracão. Pois, com o ponto de partida sempre desde a cidade de Chaves,  nós recomendamos mais uma vez o trajeto via S.Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, Pedrário, Serraquinhos, Zebral, Vidoeiro, Cortiço (ao lado) e finalmente o Barracão. Mas se é daqueles que quer ir mesmo direto, apanhe a EN103 e direção a Braga, deixe-se ir sempre por ela e quando aparecer a placa Barracão, está lá.  Que seja por um lado ou pelo outro, a distância é semelhante, trinta e poucos quilómetros no total.

 

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Passemos às nossas consultas sobre o Barracão, como sempre no livro Montalegre, onde apenas se refere ao Barracão como um lugar da freguesia de Cervos e à Toponímia de Barroso que pouco mais diz:

 

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Barracão

É um topónimo (o lugarejo do Barracão) relativamente novo, mas não o vocábulo. Provém de “barraca” = “barra + aca” e significa edifício. Barra, por sua vez, tem raízes pré-romana, tal como Barroso – barr – a que podem juntar os mais variados sufixos criando uma família toponímica enorme que já estudámos no topónimo Barroso.

 

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E pouco mais haveria para dizer sobre o Barracão se lá não tivesse nascido um Senhor que foi batizado com o nome de Fernando Gonçalves de Moura, ou Fernando do Barracão que pela sua vida e obra é mais um dos ícones do Barroso, com três livros publicados e uma vida inteira dedicada às chegas de bois do Barroso.

 

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Fica um pouco da sua biografia que não está completa, mas que completaremos logo que possível.

 

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Fernando Moura

Fernando Gonçalves de Moura, nasceu no lugar do Barracão, concelho de Montalegre, em 14 de Novembro de 1930, de um lar de 6 irmãos. Fez a quarta classe, para o que teve de andar de escola em escola, porque nem todas as aldeias tinham professora. Mais tarde completou o sexto ano no ensino recorrente. Foi quase tudo na vida em que um Barrosão se pode envolver: Começou como pastor de ovelhas e de cabras. Seguiu-se um período em que teve de trabalhar ao balcão do comércio do Pai – o Abel Moura – que era a estação de serviço da época, no cruzamento do Barracão, onde se fazia o transbordo dos passageiros das camionetas para Braga, Chaves e Montalegre. Entretanto envolveu-se nas mais diversas modalidades do desporto. Foi ciclista, atirador de malhão, apaixonado (até hoje) pelas «chegas de bois», caçador, um acérrimo adepto do F. C. do Porto…

 

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Em 1951, Fernando Moura prestou serviço militar no Bat. Caç. 1, sendo «impedido» do então capitão António de Spínola, durante seis meses. Ao fim de 32 meses regressou ao Barracão, onde arregaça as mangas. Comprou uma camioneta comercial, distribuindo todo o tipo de produtos regionais: batata, vinho, presunto, hortaliças, enfim, tudo o que a terra dava. Em 1959 casa com Ana Lima de Moura, de Vila Verde da Raia, professora em várias escolas de Barroso. Dela teve três filhos: A Cacilda Moura, hoje professora catedrática da Universidade do Minho, o Fernando Abel e a Dina Paula. Ao filho cedeu a distribuição do gás e a parte agrícola, mantendo ele a gestão do posto de combustíveis e a representação de seguros, em que se profissionalizou.

 

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Vistas desde o Cruzeiro do Senhor dos Perdões

Em 1995, Fernando Moura publicou o seu primeiro livro: «Barroso e as chegas de bois», onde relata 167 «chegas». Na Rádio Montalegre mantém, desde há anos, o programa «Espaço Público – chegas de Bois» de que recentemente a RTP fez uma reportagem, ao vivo, para todo o espaço onde ela chega. No associativismo tem uma acção notável: social, cultural, desportiva, recreativa, profissional e até genealógica, uma vez que se lembrou de realizar anualmente a festa dos «Mouras».

 

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Vistas desde o Cruzeiro do Senhor dos Perdões

Fernando Moura fundou o Clube de Caça e Pesca, a Associação etnográfica «O Boi do Povo», a Associativa de Caça do Leiranco etc. «A Vida de um Barrosão», livro que ora aparece, é o corolário de toda esta vivência que o honra e honra todos os Barrosões, vivam eles onde viverem.

Em agosto de 2008 lança o seu terceiro livro, “Cruzeiros e Alminhas”.

Em 2016 foi homenageado pela Câmara Municipal de Montalegre e agraciado com a Medalha de Mérito Municipal.

 

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Vistas desde o Cruzeiro do Senhor dos Perdões

 E é tudo por hoje, no próximo fim-de-semana teremos aqui mais uma aldeia do Barroso.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

 

https://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

 

11
Mar19

O Barroso aqui tão perto - Antigo de Viade

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montalegre (549)

 

Geralmente às segundas-feiras fazemos o regresso à cidade, mas hoje, para ser diferente, apenas vamos passar pela cidade, seguimos em direção ao São Caetano, paramos lá, não para cumprir promessa, rezar ou meditar, mas para encher a garrafa de água fresca para o resto da viagem, depois seguimos em direção a Soutelinho da Raia sem entrar na aldeia, pois logo no início vamos virar à esquerda e, umas centenas de metros à frente,  entramos no concelho de Montalegre, mas antes, imediatamente antes de entrarmos em Montalegre, paramos no alto,  junto ao grande penedo, para deitar um olhar sobre a Serra do Larouco, é dali, que a serra mostra toda a sua imponência e se transforma no Deus Larouco, daí, ser paragem obrigatória.

 

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Bem, poderia continuar a descrever o resto da viagem e o que iria acontecer, mas na realidade esta viagem já foi feita, e o que vai ficar por aqui é aquilo que vimos na aldeia barrosã convidada de hoje, Antigo de Viade, a última da trilogia de aldeias com o topónimo de Viade. Se calha, esta, Antigo de Viade, até deveria ter sido a primeira, mas calhou para o fim, pois primeiro fomos até Viade de Baixo, depois a Viade de Cima e hoje, sim, fica Antigo de Viade.

 

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Pois regressemos ao trajeto que fizemos até lá, um dos nossos preferidos para entrar no Barroso, e recordemos que o nosso ponte de partida é sempre a cidade de Chaves. Pois preferencialmente vamos via São Caetano, passamos por Soutelinho da Raia, entramos no concelho de Montalegre e logo na primeira aldeia, Meixide, deixamos a estrada principal que nos levaria até Montalegre, via Vilar de Perdizes, e viramos em direção a Pedrário e logo a seguir entramos em Sarraquinhos onde de novo abandonamos a estrada que também nos levaria até Montalegre para apanharmos uma outra que nos levará até Zebral, Vidoeiro e o Barracão, onde apanhamos a EN103 em direção a Braga, logo a seguir vai-nos aparecer a barragem dos Pisões (à esquerda) e depois de passarmos pela Aldeia Nova do Barroso, São Vicente, Travassos da Chã, Penedones e Parafita, ainda tendo a barragem dos Pisões por companhia, saímos da EN103 (à direita) para finalmente entrarmos em Antigo de Viade.

 

1600-antigodeviade (7)

 

Viramos à direita mas também à esquerda, entre a EN103 e a Barragem já há casario que pertence à aldeia, mas trata-se de casario mais recente e de certeza que não me engano, trata-se de casario que só foi construído depois da construção da barragem em meados do século passado. Mas o nosso destino é mesmo a antiga aldeia de Antigo de Viade, embora depois de a termos visitado também fomos deitar uns olhares à barragem e ao viveiro das trutas. Para melhor esclarecer este trajeto, fica o nosso habitual mapa.

 

antigo-viade-mapa.jpg

 

Quanto ao regresso a Chaves, como de costume, propomos um itinerário diferente e que poderá ser a EN103, ou seja, voltamos para trás e no Barracão em vez de tomarmos o trajeto de ida, continuamos pela EN103 até Chaves.

 

1600-antigodeviade (5)

 

Entremos em Antigo de Viade, que sem ter qualquer documento (para já) em que me apoiar, suponho que será a mais antiga das três aldeias que adotaram o topónimo de Viade. Pois, em geral, costumámos surpreende-nos pela positiva quando entramos pela primeira vez numa aldeia, mas desta vez, tal não aconteceu, tudo porque depois de termos passado por Viade de Baixo e Viade de Cima, só ficaríamos surpreendidos se Antigo de Viade, no que respeita a aldeia típica barrosã,  ao casaria e à envolvência não estivesse a par ou à altura das outras duas. Claro que tem as suas singularidades e é diferente das outras, mas igualmente interessante, pelo que recomendamos e merece ser visitada.

 

1600-antigodeviade (31)

 

Do que mais gostámos de ver em Antigo de Viade, para além do conjunto como aldeia, da verdura da sua envolvência e do espaço junto à barragem, podemos destacar a sua igreja com a torre sineira separada do edifício e localizada em frente à entrada principal, tal como vai acontecendo em outras igrejas do Barroso. Gostámos também de ter visto algumas recuperações de casario respeitando a traça original e do conjunto escola/recreio e a sua localização, já não gostámos tanto de a ver abandonada.

 

1600-antigodeviade (1)

 

Claro que para além do abandono da escola, também há outros pormenores que gostámos menos, tal como algumas ruínas, algumas casas abandonadas, o envelhecimento da população e, claro, a tendência ao despovoamento, ou seja, o costume nas aldeias mais pequenas e mais distantes da sede de concelho.

 

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Quanto às nossas pesquisas, no livro “Montalegre” ficámos um pouco baralhados, pois há muitas referências a Viade, simplesmente Viade, sem referir se é Viade de Cima, Viade de Baixo ou antigo de Viade. Aliás o Antigo de Viade não é referido nenhuma vez, pois a aldeia apenas aparece como Antigo, a única referência e apenas para dizer que faz parte da freguesia de Viade de Baixo, atualmente Viade de Baixo e Fervidelas.

 

1600-antigodeviade (2)

 

No resto das pesquisas também pouco mais encontrámos. Há no entanto no Facebook dos sítios com referências da Antigo de Viade, uma página e um grupo, ficam os links:

 

https://www.facebook.com/antigo.deviade

https://www.facebook.com/groups/156309271139920/

 

1600-antigodeviade (27)

 

Quanto a “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

Antigo de Viade

 

Nasce do adjectivo latino ANTIQUU > ANTICO > ANTIGO, mas com idêntica significação. Sendo adjectivo há que subentender o substantivo perdido. É natural que fosse algum casal, vilar ou construção arqueológica que se desconhece qual fosse. Mantém-se o topónimo que recorda o facto.

 

1600-antigodeviade (10)

 

Ora assim sendo, vamos ao topónimo de Viade, que Antigo de Viade também tem:

 

VIADE

 

Desde 2013 – União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas

 

É o genitivo do nome pessoal Beatus; “villa” BEATI>BIADE>VIADE.

Podia ser escrito Biade pois o topónimo já em:

-1258 «Sancte Marie Biadi» INQ 1514 estava sedimentado. De igual modo a forma encontrada em

-1288 « de Sancta Maria de Biady» (Com o y dos ditos amigos sdo pedantesco arcaísmo) INQ N.A. – 492. Nas inquirições de

- 1282 «…isto he en termyo de Biadi». Aqui voltamos à forma final/inicial – onde apenas faltava o e mudo terminal cujo i já assim devia soar.

 

1600-antigodeviade (26)-1

 

Quanto à “Toponimia Alegre” integrada na “Toponímia de Barroso” temos em relação a Antigo de Viade:

 

Justiça do céu te caia,

De Deus te venha o castigo,

Porque te foste casar

No deserto do Antigo.

 

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 E mais esta:

 

Adeus lugar do Antigo

Tens um chafariz no meio

Onde os homens vão beber

Com a cabeçada e freio.

 

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A mais esta ainda:

 

Dizem os do Antigo:

Ao clérigo-frade

Nem por amigo

Nem por compadre

 

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Também aqui:

 

Cávado – Regavão:

 

Leirões de Lamas,

Lagartos de Fervidelas,

Conhadeiros de Bustelo,

Boleteiros de Friães,

Ladrugães, esfola-gatos mata-cães,

Manta-moura de Reigoso,

Chinos de Currais,

Porcos de Sacoselo,

Ovelhas de Pondras,

Fanhos de Travaços de Chã,

Penedos de Penedones,

Tomba-malgas de Parafita

Ó derrim pó-pó

Cabra velha arroz pró pote!

Corta-matos do Antigo,

Esfola-cabras de Viade

Arribadas de Viade de Cima,

Machuchos da Vila

Cambados de Cambeses

(…)

 

1600-antigodeviade (9)

 

E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade ou mail.

 

1600-antigodeviade (54)

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

 

 

17
Fev19

O Barroso aqui tão perto - Fiães do Rio

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montalegre (549)

Com o domingo quase a terminar mas ainda a tempo de cumprir a promessa de trazer aqui mais uma aldeia do Barroso, hoje fica Fiães do Rio, com apenas uma imagem, pois Fiães já aqui teve o seu post completo. E o porquê de a trazer aqui hoje Fiães?  A resposta é simples, mas tem estória. Acontece que esta imagem foi tomada há cinco anos, mais precisamente no dia 7 de junho de 2014, às 14H48, e sei isto pelo EXIF[i] da foto e porque a imagem foi tomada num passeio que a Associação de Fotografia Lumbudus fez ao Barroso, e também sei que a imagem foi tomada em andamento,  desde o autocarro que nos transportava e pela hora a que foi tomada iriamos a caminho de Pitões das Júnias. Sabia isto tudo, mas como a minha máquina não tem GPS, não consegui identificar qual a aldeia que tinha fotografado.  Mas não desisti de descobrir e durante estes cinco anos, de vez em quando, lá ia planando com o Google Earth por cima das aldeias que tínhamos passado. A imagem estava entre duas outras imagens, uma da Barragem dos Pisões e outra já de Pitões das Júnias. Daí tinha no trajeto (visível à fotografia)  as aldeias de Brandim, Contim, São Pedro, Sezelhe, Travassos do Rio e Covelães, no entanto nenhuma delas se enquadrava na imagem, principalmente porque na triangulação que fazia da imagem, faltavam-me sempre duas aldeias que aparecem em segundo plano na fotografia. Hoje teimei mais que nas últimas tentativas de descoberta e lembrei-me que o condutor do autocarro poderia não ter feito o trajeto que eu faria se fosse a conduzir, tanto mais que nessa altura não conhecia tão bem o Barroso como hoje conheço e na viagem do autocarro, nesse troço da viagem, fui distraído com a animação do interior do autocarro. Dai estudei um itinerário alternativo que o condutor pudesse ter tomado, e de facto em São Pedro poderia ter optado por ir para Pitões das Júnias via Barragem de Paradela, o que me alargava o leque de aldeias. Assim, a seguir a São Pedro, teria as aldeias de Vilaça, Fiães do Rio, Loivos, Paradela,  Outeiro, Parada de Outeiro, Paredes do Rio, Covelães e Travassos do Rio. E lá fui de novo planando com o Google Earth. Vilaça não era, Fiães do Rio, ora bem se a imagem tivesse sido tirada desde … as aldeias ao fundo poderiam ser… o recorte das montanhas também, e comparando em pormenor a fotografia e o Google Earth tudo encaixava. Não havia dúvidas, a imagem era de Fiães do Rio.  Feliz pela vitória alcançada e porque esta semana passada não tive tempo de preparar o post completo para mais uma aldeia, fica então esta imagem de Fiães do Rio que, por sinal, sempre gostei, desde que a vi.

 

E é tudo, mas se é amante de fotografia e ainda está na fase de aprender umas coisas, não deixe de ler a nota de rodapé, pois ficam lá umas dicas para poder aprender umas coisas.

 

Fica também o link para a abordagem completa anteriormente feita à aldeia de Fiães do Rio:

( https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619)

 

*******************************************

 

[i] Para quem não sabe, o EXIF (iniciais de Exchangeable Image File Format) de uma fotografia digital, comummente falando, poderemos dizer que são uma série de informações que ficam registadas no ficheiro da fotografia e que poderão ser vistas através de vários programas, como por exemplo no photoshop ou mesmo em locais onde aloja a fotografia, como no nosso caso acontece no FLICKR. Pois essas informações vão desde a marca da máquina fotográfica e lente que utilizou para a tirar, bem como a velocidade, abertura, iso, etc , data e hora em que foi tirada, software com que foi tratada e data de tratamento, ect.etc.etc, mais uma série de outras informações, ao todo são mais de 100 as informações que ficam registadas, incluindo o local onde foi tomada e o autor da fotografia, mas aqui, apenas se a máquina tiver GPS incorporado e se o autor registou o seu nome na máquina. O EXIF é muito útil para quem gosta de fotografia e quer aprender ou aprofundar conhecimentos sobre fotografia, pois nele estão todas as informações sobre como o fotógrafo regulou a máquina para tomar determinada imagem. Claro que há fotógrafos que não gostam de partilhar essa informação e escondem-na, não permitindo que se veja, mas há sempre formas de lá chegar.  Só para terem uma ideia da informação do EXIF, deixo aqui o EXIF da imagem deste post:

 

Nikon D2X

Nikon AF-S DX Nikkor 18.0-200.0 mm  f/3.5-5.6

  • Abertura ƒ/7.6
  • 18.0 mm
  • Velocidade 1/250
  • ISO 250
  • Flash (desligado, não disparado)
  • Make - NIKON CORPORATION
  • Orientation - Horizontal (normal)
  • X-Resolution - 300 dpi
  • Y-Resolution - 300 dpi
  • Software - Adobe Photoshop CC 2015 (Windows)
  • Date and Time (Modified) - 2019:02:18 00:31:33
  • Artist – Fernando DC Ribeiro
  • Copyright – Fernando DC Ribeiro
  • ISO Speed - 250
  • Exif Version - 0221
  • Date and Time (Original) - 2014:06:07 14:48:10
  • Date and Time (Digitized) - 2014:06:07 14:48:10
  • Exposure Bias - 0 EV
  • Max Aperture Value - 3.5
  • Metering Mode - Spot
  • Light Source - Unknown
  • Sub Sec Time - 37
  • Sub Sec Time Original - 37
  • Sub Sec Time Digitized - 37
  • Color Space - Uncalibrated
  • Sensing Method - One-chip color area
  • File Source - Digital Camera
  • Scene Type - Directly photographed
  • CFAPattern - [Red,Green][Green,Blue]
  • Custom Rendered - Normal
  • Exposure Mode - Auto
  • White Balance - Auto
  • Digital Zoom Ratio - 1
  • Focal Length (35mm format) - 27 mm
  • Scene Capture Type - Standard
  • Gain Control - None
  • Contrast - Normal
  • Saturation - Normal
  • Sharpness - Normal
  • Subject Distance Range - Unknown
  • Lens Info - 18-200mm f/3.5-5.6
  • Lens Model - 18.0-200.0 mm f/3.5-5.6
  • Compression - JPEG (old-style)
  • Thumbnail Offset - 978
  • Thumbnail Length - 5036
  • Coded Character Set - UTF8
  • Application Record Version - 65242
  • Date Created - 2014:06:07
  • Time Created - 14:48:10+00:00
  • IPTCDigest - 0f21698ef38e431377808326400d168f
  • Displayed Units X - inches
  • Displayed Units Y - inches
  • Global Angle - 30
  • Global Altitude - 30
  • Photoshop Thumbnail - (Binary data 5036 bytes, use -b option to extract)
  • Photoshop Quality - 8
  • Photoshop Format - Progressive
  • Progressive Scans - 5 Scans
  • XMPToolkit - Adobe XMP Core 5.6-c067 79.157747, 2015/03/30-23:40:42
  • Creator Tool - Ver.2.00
  • Rating - 0
  • Metadata Date - 2019:02:18 00:31:33Z
  • Lens ID - 139
  • Image Number - 154212
  • Approximate Focus Distance - 7.94
  • Distortion Correction Already Applied - True
  • Lateral Chromatic Aberration Correction Already Applied - True
  • Vignette Correction Already Applied - True
  • Color Mode - RGB
  • ICCProfile Name - Adobe RGB (1998)
  • Document ID - adobe:docid:photoshop:807f9259-3314-11e9-ae4e-b1f09143f087
  • Original Document ID - C579EEB82AF310B3EF6076CC1A9C21D6
  • Instance ID - xmp.iid:528f0a1a-3447-724e-83fe-550e4b3660f2
  • History Action - derived
  • History Parameters - converted from image/x-nikon-nef to image/tiff
  • History Instance ID - xmp.iid:e072b6dc-d020-dd41-a7b8-3fcbaaea65f9
  • History When - 2019:02:18 00:11:49Z
  • History Software Agent - Adobe Photoshop Camera Raw 11.0 (Windows)
  • History Changed - /
  • Derived From Instance ID - xmp.iid:213c266e-df5b-c94e-b8fa-dfa0307c01de
  • Derived From Document ID - xmp.did:64cbe2d0-c5fe-9542-ac15-5c917ec2be6e
  • Derived From Original Document ID - C579EEB82AF310B3EF6076CC1A9C21D6
  • Format - image/jpeg
  • DCTEncode Version - 100
  • APP14 Flags0 - (none)
  • APP14 Flags1 - (none)
  • Color Transform - YCbCr
  • Camera ID - 82
  • Camera Type - Digital SLR  

 

10
Fev19

O Barroso aqui tão perto - Codeçoso da Venda Nova

1600-codessoso-vn (117)

 

Nesta nossa peregrinação pelo Barroso hoje vamos até Codessoso ou talvez Codeçoso ou ainda Codessoso do Arco, ou mesmo Codessoso da Venda Nova, pois sinceramente não sei qual é o topónimo correto, dependendo da fonte onde for beber, o topónimo aparece grafado nestas quatro formas. Para mim é Codessoso da Venda Nova, isto por conveniência e para distinguir a aldeia de outras da proximidade que adotaram o mesmo topónimo, como é o caso de Codessoso da União de freguesias de Meixedo e Padornelos também do concelho de Montalegre, ou Codessoso do concelho de Boticas ou ainda Codessoso de Celorico de Basto. No entanto, no que resta do post, para não estar sempre a escrever Codessoso da Venda Nova, vou ficar-me só por Codessoso.

 

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Também esta aldeia tem direito ao seu merecido post aqui no blog, mas, para ser sincero, esteve para não acontecer assim, pois inicialmente tinha programa que esta aldeia entrasse em conjunto com a Venda Nova e Padrões, pela simples razão que não tinha fotos suficientes da aldeia para justificar uma publicação isolada. Tal como já tive oportunidade de o dizer aqui noutras ocasiões, às vezes o cansaço, as condições meteorológicas e a falta de inspiração, tolhem-nos ou toldam-nos um levantamento fotográfico como deve de ser, sobretudo quando tal acontece durante o período da tarde, que cada vez mais me convenço que as tardes não são amigas da fotografia, exceção para a hora doirada do entardecer.

 

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A primeira vez que fui a Codessoso com intenção de a fotografar, aconteceu em junho de 2017, recordo que foi um dia de muito calor. Dei uma volta pela aldeia que se localiza mais junto à barragem, fiz os registos que me atraíram e depois atravessei a estrada e entrei na restante aldeia, de onde saí sem nenhuma foto. Já depois de ter decidido que Codessoso não estaria aqui sozinha, numa descida para a Venda Nova vindo de Salto,  o meu olhar foi atraído pelo conjunto da aldeia que se via ao longe. Chegado a casa, revi novamente as fotos que tinha em arquivo de Codessoso e verifiquei que talvez estivesse a ser injusto com esta aldeia. Aí ficou decidido que faria nova passagem por lá para ver o que me tinha escapado.

 

1600-codessoso-vn (103)

 

No dia 29 de dezembro passado fui propositadamente a Codessoso, e aí sim, não só tomei alguns registos dentro da aldeia, como subi novamente ao lugar da Venda Nova desde onde a aldeia se poderia ver no seu todo e dei-me conta que seria imperdoável não ter feito estes novos registos, com realce para o conjunto que se vê desde esse local e para a composição que desde aí se conseguia em, numa imagem apenas, dar a conhecer a magia que o Barroso tem. Refiro-me à composição da primeira imagem que abre este post   que mostra algumas das singularidades do Barroso verde e agreste, da água, rios e albufeiras, do endeusamento das suas serras, no caso a Serra do Gerês que se vê em último plano, da pequena península onde mora o tal Codessoso junto à barragem. Uma imagem que mostra bem esta pérola do Reino Maravilhoso.

 

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Como diz Torga, “Reinos Maravilhosos (…) O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração”, vou fazendo o exercício de não esquecer estas palavras de Torga, mas tal como disse no início, às vezes, por cansaço, falta de inspiração ou mesmo até desleixo, perdemos essa tal virgindade original do nosso olhar, e para o Barroso temos que ir sempre puros, virgens, senão corremos o risco de nos passar ao lado e perdemos “a magnificência da dádiva”.

 

1600-codessoso-vn (99-100)

 

Pintado assim o Barroso como uma pérola do Reino Maravilhoso quase somos levados a crer que é o paraíso, e até poderia ser, mas não o é. É terra difícil de se viver,  de tão ingrata que é, chega a doer, não só viver nela como ainda o é mais ser obrigado deixá-la para trás, pela necessidade que fala mais alto, e tudo poderia ser diferente, se o sol, como dizem, nascesse para todos, mas não!

 

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Sem ignorar o que atrás disse, passemos à frente, pois existe sempre a esperança de que um dia se faça justiça, afinal de contas esta sina já não é de hoje e tal como como os de lá de baixo dizem que nós já estamos habituados ao rigor dos nossos invernos também vamos estando habituados ao resto, que até pode ser mentira, mas pelo menos alimenta o nosso orgulho… e por mim, antes orgulhoso do que conformista.

 

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Vamos então até ao Barroso aqui tão perto, pois vamos esquecendo que este blog é feito a partir da cidade de Chaves e que estas incursões no Barroso, não são mais que um convite a uma visita à descoberta das belezas barrosãs, que essas ninguém lhas tira.

 

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Pois então vamos lá, até Codessoso da Venda Nova e a melhor referência é mesmo a Barragem da Venda Nova, que como já referimos Codessoso em parte, é mesmo uma península que entra pela barragem adentro, mesmo antes de se chegar à Venda Nova.

 

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Quanto ao itinerário a seguir, o mais convidativo para lá chegarmos bem e depressa é mesmo a Estrada Nacional 103 Chaves-Braga, mas como para estes passeios não devemos ir com pressas, eu recomendo mesmo uma das outras alternativas.

 

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Desta vez e de modo a podemos desfrutar da imagem de boas-vindas à aldeia de Codessoso com o postal que se vê desde o alto da Aldeia da Venda Nova, proponho o itinerário via Boticas e Salto. Com saída de Chaves pela EN103 até Sapiãos e aí rumamos em direção a Boticas, tomamos depois a R311 em direção a Salto, sem entrar em Salto, pois antes deveremos tomar a estrada que nos levará à Venda Nova e de regresso à EN103. Chegados à Venda Nova, viramos em direção a Chaves e logo a seguir, quase junta à Venda Nova temos Codessoso. Para o regresso a Chaves, aí, poderá vir sempre pela EN103. Mas fica o nosso habitual mapa para melhor orientação.

 

CODECOSO-mapa.jpg

 

E vamos ver o que os documentos, livros e outros dizem sobre Codessoso, começando pelo livro Montalegre que nos leva par “O último enforcado em Montalegre”. Como o texto é longo, se quiser retome o post após a citação, mas recomendo a leitura, pois é história é interessante:

 

O último enforcado em Montalegre

 

Diz-se que quem conta um conto aumenta um ponto. Hoje, o conto não pára por aí. Há quem, ao recontar o conto e até a história, lhe aumente meia dúzia de pontos.

Todavia, o último enforcado em Montalegre constitui um facto histórico graças ao meu inolvidável amigo, José Jorge Álvares Pereira, que em boa hora decidiu resgatar às garras do mito e da lenda, atendo-se aos documentos escritos duma testemunha contemporânia e que assistiu à execução da pena.

O texto que aparece entre aspas é fruto da tradição, o que vai em itálico é do Padre José Adão dos Santos Álvares, que o publica na Revista Universal Lisbonense, tomo II, página 142-144, e que Álvares Pereira consultou.

Há apenas duas coisas que o próprio tribunal não dilucidou e que o pobre criminoso (como em toda a matéria acusatória) não se importou em esclarecer: é o nome oficial do criminoso e a confissão dos crimes de que foi acusado.

Na povoação de Codessoso do Arco (é este o verdadeiro topónimo) “nasceu, em 1815, José Fernandes, filho natural de Senhorinha Fernandes. Tinha uma irmã, igualmente filha de pai incógnito e a que a história não recorda o nome”. Estes Fernandes eram conhecidos pela alcunha de “Gaios de Codessoso” que, entre nós, as famílias também podem ter alcunhas.

Como o rapaz não se dedicasse a nenhum ofício e andasse sempre de vago, puseram-lhe a alcunha de “Bagueiro”. Aliás, é termo muito ofensivo, que se dá também aos burros e que o resto do país mal conhece enquanto tal. Os nossos dicionaristas ignoram-no por completo com tal sentido. Não admira pois que o próprio correspondente da revista, mas não o tribunal, lhe juntasse ao nome a alcunha “Begueiro”, pronunciada (e escrita) à moda do Minho. A verdade é que o homem, de  22 anos, de relações cortadas com o trabalho e sem rendimentos teria de arranjar meio de subsistir. “Roubava”.

Encontrando-se um dia na taberna das Alturas, viu ali entrarem para comer dois viajantes de Braga: a “viúva Inácia Joaquina e o menor Francisco Baptista”.

 “Diz-se que tinham ido a Chaves buscar uns magros tostões que dois canteiros seus familiares ganhavam na reconstrução das muralhas. Comida a bucha, a mulher pagou e disse ao taberneiro: Graças a Deus que ainda aqui levo trinta reis! Saíram mas foram logo seguidos pelo Bagueiro que lhes apareceu, fora do povo, oferecendo-se para lhes indicar o melhor caminho para Braga. Quando chegaram ao descampado enorme, onde mora a Senhora do Monte, o Bagueiro pediu à mulher os trinta mil reis! Quando a viúva lhe ia a dizer que só tinha trinta reis, já caíra morta. O mesmo aconteceu ao rapaz logo a seguir. Foi preso, um mês depois, na taberna de Codessoso. Conduzido à Senhora do Monte, onde ainda estavam os cadáveres, confessou apenas que os tinha acompanhado. Foi julgado, quase quatro anos após o crime e condenado à pena de morte na forca. A execução da pena demorou mais um ano e meio; aconteceu a 17 de Setembro de 1844, devido ao pedido de clemência dirigido à rainha D. Maria II. Pedido rejeitado.

Corre entre nós a versão ridícula de que o condenado, já no patíbulo, terá pedido a presença da mãe para se despedir. Então, em vez do beijo de despedida, ter-lhe-ia cortado o nariz com uma feroz dentada. Episódio inventado e torpe.

A sentença resume-se ao seguinte: É acusado o réu José Fernandes, solteiro, trabalhador… primeiro, de ter num dos dias do mês de Abril de 1838, na serra das Alturas, assassinado e roubado a Inácia Joaquina… e Francisco Baptista…; segundo, havendo-os previamente enganado… e fazendo-lhes crer que havia passagem de tropas nas Alturas (sic) e que deviam evitá-las; terceiro, de ter, na ocasião em que foi preso, em uma taberna do lugar de Codessoso da Venda Nova, no dia 21 de Maio 1838, sido encontrado com um pau de chuço, uma choupa e uma faca de ponta aguda.

Circunstâncias agravantes apontadas no libelo:

 … ao se encontrar junto aos cadáveres dos assassinados um chapéu velho pertencente ao réu;

… se ter visto a este nos últimos dias do mês de Abril um capote velho cor de pinhão que algumas pessoas asseveraram tê-lo visto ao falecido Francisco Baptista;

… sendo conduzido o réu ao lugar em que se achavam os cadáveres… já meios consumidos e devorados, ali confessou ter acompanhado os referidos indivíduos assassinados por caminhos transversais;

… finalmente, … o réu padece notas de opinião de ladrão, salteador e assassino.

Alusão do juiz à defesa do réu:

- Defende-se o réu alegando que é um cidadão bem comportado, que ganha a sua vida honestamente por meio do trabalho e que nunca padeceu notas de ladrão, salteador ou assassino e que nunca usara de armas defesas e que as que foram encontradas na casa em que foi preso não eram suas.

- Portanto, pelo que dos autos consta em vista da decisão do júri e os princípios de direito criminal em que me fundo, condeno o réu José Fernandes, solteiro e jornaleiro do lugar de Codeçoso da Venda Nova, a morrer morte natural para sempre, levantando-se para esse fim uma forca no lugar do Toural desta Vila. Pague o mesmo réu as custas dos autos.

Audiência geral em Montalegre, 21de Janeiro de 1842.

João Carlos de Oliveira Pimentel

O autor do relato desta execução é o padre José Adão dos Santos Álvares que também se assinava José Adão dos Santos Moura. Foi filho do médico José dos Santos Dias, ambos naturais do Cortiço, freguesia de Cervos. O Padre, ao tempo, paroquiava São Vicente da Chã e era correspondente de várias publicações além da Revista Universal Lisbonense. Ao enviar a notícia 3502 à Revista prestou-nos um excelente serviço enquanto barrosões e cidadãos. Contudo, comete pequenos lapsos exclusivamente devidos ao isolamento em que as povoações viviam. E parece que soou a hora de relatarmos apenas o que realmente é, sem ofensa para ninguém, nem receio de dizer a verdade.

O réu chamava-se José Fernandes, por alcunha o Vagueiro, filho de Senhorinha Fernandes, da casa dos Fernandes, por alcunha os Gaios, de Codessoso do Arco, antiga freguesia de São Simão e, agora, lugar da freguesia de São Pedro da Venda Nova. O vocábulo Begueiro foi importado do Minho. Os Barrosões, querendo significar o animal de carga, o burro, dizem vagueiro, ou melhor Bagueiro . E era assim que chamavam ao José, dos Gaios de Codeçoso – o Bagueiro!

Veio o réu da cadeia da Relação, no Porto, (onde alguns anos depois foi cair o célebre romancista Camilo mais a sua paixão). Trazia uma escolta de cinquenta soldados de Infantaria nº2 e foi despedir-se de sua mãe e da irmã a Codeçoso continuando em direcção à Capelinha da Senhora do Monte. “Consta que a sua infeliz mãe, uma desgraçadinha viúva o seguiu longo tempo na mais viva consternação e que obrigada a tornar para trás, caiu de cama onde se conserva”. Assim se rejeita a tradicional cena do beijo uma vez que a mãe não assistiu à execução. 

O Bagueiro chegou a Montalegre, “no dia 13 de Setembro de 1844, pelas 10 horas e entra logo na prisão. Fuma constantemente e bebe água”.

Dia 1, ao meio-dia, chegam os executores; ele vê-os das grades da prisão e deixa a meio a refeição. Prestam-lhe apoio religioso (e psicológico) quatro padres, revezando-se ao longo do dia.

 “No dia 16 ouve três missas e comungou. A seguir deita-se e perde quase todo o alento de que vinha dando mostras. Para o fim do dia revela extremo abatimento; mostra-se compungido mas resignado; recita jaculatórias e beija repetidamente um crucifixo; não come, só bebe água. Enquanto batem as horas, conta-as e faz saber o tempo que lhe resta de vida. Reconcilia-se várias vezes porque quer morrer como cristão”.

“Diz-se que, de madrugada, as sentinelas adormeceram e ele veio ao Toural ver o patíbulo onde seria executado. Regressado à prisão acordou as sentinelas e disse-lhes que não fugira porque queria pagar os seus erros e ser recebido no paraíso”.

No dia 17 voltou a confessar-se. “São onze e meia; chega a irmandade da misericórdia e os executores com alva e corda entram; não desanima; vestem-no, cingem-lhe o baraço; ele se presta com toda a resignação e ajuda a acomodar as voltas da corda na prisão das mãos; saem para a praça do Toural, a pequena distância, a misericórdia com o painel de Nossa Senhora, um minorista com um crucifixo voltado para o padecente; segue-se este caminhando a pé acompanhado dos eclesiásticos… e os dois executores de casaco e calça preta… Chegam à Capela de São Sebastião, na dita praça onde o capelão da misericórdia celebra o santo sacrifício da missa; aqui o padre Manuel Caetano faz uma alocução ao réu e ao povo toda de sentimento e compunção… Dirigem-se para o centro da praça onde se ergue o patíbulo… o padre reza e exorta a uma forte confiança na protecção da Senhora e com breves e patéticas orações o anima a subir. Simões, o executor mais novo, o esperava já no cimo do patíbulo. O padecente pede novamente água, e depois ele próprio, com voz sonora e inteligível pede perdão a todos: dá adeus ao mundo, implora a protecção de Maria Santíssima… cede custosamente o crucifixo; lança-lhe o algoz o capuz.

… num choro geral e extraordinários alaridos dos espectadores anunciaram que tudo estava consumado. A execução diz-se que fora pronta; mas não tanto quanto por ventura o pede a humanidade.

O cadáver foi pela Irmandade da Misericórdia conduzido ao cemitério da Matriz”. A tudo isto assistiu, às carrachuchas de seu pai, uma criança de sete anos que foi meu avô. Dizia ele que a administração concelhia envidava esforços no sentido de que cada família se fizesse representar nas execuções das penas de morte “pela cabeça de casal” e o seu herdeiro mais jovem mas “em idade de razão”. Fica assim justificada uma assistência de cinco mil pessoas, o que constituía um terço da população residente no concelho de Montalegre por esse tempo.

A título de nota marginal, cumpre saber que estiveram presentes dois executores, vulgo carrascos. Um deles era o carrasco oficial e legal, natural de Capeludos de Aguiar, de seu nome Luís Negro. Foi um facínora abominável e soldado dos dragões de Chaves. Condenado à morte na forca viu a sua pena comutada em prisão perpétua ao aceitar, com paga por cabeça, o ofício de carrasco no funcionalismo dos tribunais. Mas, afinal, o Negro não tinha a alma tão negra como o pintavam! O padre José Adão não quis ver a execução toda mas nós sabemos que quem lançou o capuz ao réu foi o Simões (figura sinistra que pensamos ter sido um tal José Ramos Simões, assassino confesso e condenado à pena máxima. Foi-lhe também comutada a pena por ter aceitado ser executor de Alta Justiça. Era ele a quem o Negro pagava para lhe fazer o serviço e, pelos vistos, fazia-o bem por ser de avantajada estatura. Lançou-se, abraçado ao condenado, para que com o seu peso a morte lhe chegasse mais depressa. O Luís Negro, carrasco legal, pagava portanto do seu bolso a quem fizesse tal serviço e desse o fatal abraço ao condenado! É o que diz o Visconde de Ouguela no seu trabalho “O último carrasco”; o Camilo, nas “Noites de Insónia”, o dá a entender e o padre José Adão na sua notícia para a revista e eu aprendi de meu pai e tios.

De todo o modo, o Luís Negro não levou muito trabalho, desse dia em diante, com execuções, a norte do Mondego. Com efeito, só pagou e recebeu estipêndio em mais duas execuções: a do Manuel Pires, natural da Rua, concelho de Sernacelhe, salteador e assassino conhecido por Russo da Rua, enforcado a 8 de Maio de 1845. O último acto rancoroso do comportamento ferino do Russo deu-se “quando já pendente nos ares e cavalgado do verdugo, mordê-lo rijamente na perna esquerda!” Dessa dentada safou-se o Luís Negro! Finalmente, a 19 de Setembro de 1845, no Largo do Tabulado, em Chaves, assistiu à execução de José Maria, o Calças. Andava, por esse tempo, muito acesa a luta contra a pena de morte. Para crimes políticos somos nós os pioneiros pois abolimo-la, em 1852 e para os crimes civis, em 1867.

Todavia, após a Patuleia foram rareando as condenações à pena capital e essas eram comutadas em penas perpétuas ou de degredo para as costas de África.

Mas Luís António Alves, por alcunha o Negro, executor de Alta Justiça, cumpriu integralmente a sua pena pois morreu na cadeia do Limoeiro, na primavera de 1874, vinte anos depois do Vagueiro de Codessoso. Paz às suas almas.

 

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Só a titulo de curiosidade, refere-se no documento que atrás fica transcrito o último enforcamento em Chaves, o de José Maria, o Calças, em 19 de setembro de 1845, que ao que consta por cá (em Chaves), era natural da aldeia de Faiões, que muitas vezes, erradamente, também se diz ter sido o último enforcado em Portugal. Mas não, o último condenado à morte em Portugal e último enforcamento, foi o de José Joaquim Grande e aconteceu em 22 de abril de 1846. A pena de morte para crimes civis só seria abolida em 1 de julho de 1867, no entanto o código de justiça militar em Portugal manteve a pena de morte, que só seria abolida no pós 25 de abril, mais precisamente em 1976.

 

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Por falar em mortes e mesmo sem haver pena de morte para tal, o facto é que o comunitarismo barrosão nas suas várias formas em que existia, também está condenado à morte, esta natural, vítima da modernidade, mas também do despovoamento rural. Boi do povo, por exemplo, penso que já não existe nenhum, fornos do povo ainda vão existindo, alguns ainda utilizados esporadicamente, vezeiras, a única que vi nos últimos tempos foi em Santo André, não sei se existirão mais. O que caiu em desuso quase total foram os tanques e lavadouros coletivos, hoje secos, sem água, apenas servindo para algumas expressões de “arte de rua”, revolta ou denúncias…

 

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Até a natureza parece, ou está mesmo a ser vitima da modernidade, pelo menos em algumas irregularidades relacionadas com o tempo meteorológico, contudo, continua fiel a si própria quando nos surpreende com os seus fenómenos naturais, como os seus arco-íris, as suas auroras boreais, os seus reflexos (como o da última imagem), autênticas obras de arte, mas também aqui, principalmente nestas últimas, para as ver,  também é preciso “que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração”. Pois essas manifestações de arte estão lá, só não as vê quem não quer ou quem não pode.    

 

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Continuemos ainda com a documentação disponível sobre Codessoso, agora com aquilo que diz a “Toponímia de Barroso”:

 

Codessoso do Arco

 

Atenção à grafia do topónimo: As formas intermédias constitutivas não autorizam o uso do ç.

Era e é uma família toponímica abundante, com derivações e flexões e significa um local de codessos, planta semelhante à giesta. Do latino cutissu (originalmente do grego cytissu) > codesso.

Este Codessoso já se chamou do Arco (e foi sede de freguesia, sob o orago de São Simão) devido à célebre Ponte Romana. Com Argote foi elevado à categoria de Praesidium, mansione da via prima, por manifesto erro de contagem das milhas romanas que aquele arqueólogo cometeu no que foi imitado por vários outros que o seguiram de olhos fechados como José Pinheiro e mais uma dúzia deles os tais que não vão às fontes!

 

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Aqui volto de novo à questão da forma como o topónimo desta aldeia é grafado, e eu até sou do que vai às fontes, aos tanques, às minas e até torneira e chego a esta altura do campeonato completamente baralhado. A mim tanto me faz que seja Codessoso como Codeçoso, é-me indiferente, gostaria mesmo de saber é qual deles é o correto  O Autor da “Toponímia de Barroso” é perentório quando a respeito desta aldeia afirma (o sublinhado e realce é meu):  Atenção à grafia do topónimo: As formas intermédias constitutivas não autorizam o uso do ç.

 

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O mesmo autor, no livro Montalegre reforça esta mesma ideia quando a respeito do “O último enforcado em Montalegre”, artigo que neste post transcrevemos atrás na integra, afirma (o sublinhado e realce é meu) : “Na povoação de Codessoso do Arco (é este o verdadeiro topónimo) “ . No entanto a bota não dá com a perdigota, nesse mesmo artigo do enforcado o autor escreve 6 vezes Codessoso com SS e 3 vezes Codeçoso com Ç. Mas no mesmo livro, ao todo, Codessoso com SS aparece 12 vezes, com Ç aparece 6 vezes, duas das quais, quando aborda a freguesia da Venda Nova, onde se afirma Os sublinhados e realces são meus): “ Lugares da freguesia: (4) Codeçoso, Padrões, Venda Nova e Sanguinhedo.” E logo a seguir, no texto:

“A nova sede de freguesia substitui o lugar de S. Simão de Codeçoso de Arco e passou a chamar-se São Pedro de Venda Nova, tendo andado anexa a Santa Marinha de Ferral. A antiga igreja que fora transferida do vale da igreja para Venda Nova acabou por ser afogada, como toda a povoação e o cemitério pelas águas da barragem que foi inaugurada em 1950, com pompa e circunstância e onde, no desfazer da festa, afogaram dez pessoas!”

 

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Ainda o Codeçoso ou Codessoso, se fizermos um exercício e formos diretos à caixa de pesquisa na página oficial do Município de Montalegre, Codessoso com SS aparece-nos 2 vezes enquanto que Codeçoso com Ç aparece-nos mais de uma centena de vezes, sobretudo em documentos oficiais, como atas e outros. Ora, agora que estou a finalizar este post, caio na realidade e dou o dito por não dito, pedindo desculpas pela minha falta de coerência. Assim, no texto que é de minha autoria, onde escrevi Codessoso com SS deveria ter escrito Codeçoso com Ç, e este é definitivo: CODEÇOSO .

 

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 E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

- https://www.cm-montalegre.pt/ (Consultado em 10-02-2019)

 

 

27
Jan19

O Barroso aqui tão perto - Montalegre e a Feira do Fumeiro

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Vamos lá até ao Barroso aqui tão perto, num dos dias em que todos os caminhos vão dar a Montalegre, desta vez para a Feira do Fumeiro, a 27ª edição. Assim sendo, hoje não há aldeias, pois também elas estão em Montalegre, e também não há itinerários recomendados, pois qualquer um serve desde que se chegue até à Vila de Montalegre e à feira do fumeiro.

 

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Embora o nosso destino seja a feira, há tempo ainda para umas recomendações, pois a feira hoje no seu 4º dia, abrirá as portas pelas 10h da manhã e só encerrará às 20h. Há, portanto, muito tempo para feirar e para muito mais. Assim não vale a pena irmos cegos pela feira e até à feira, quero eu dizer, que pelo caminho também podemos ir em maré de apreciação, se lhes apetecer, têm tempo para passar e até parar algumas aldeias que nos vão ficar pelo caminho. Digo passar pelas aldeias, pois se formos simplesmente pela estrada que dá acesso a Montalegre, e suponho que desta vez todos irão via São Caetano, a estrada passa ao lado das aldeias. Se as quiser visitar, terá mesmo de sair da estrada principal, depois é só passar e parar se assim o entenderem, sem ser necessário voltar para trás, pois todas elas têm entrada e saída para a estrada principal.

 

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Chegados a Montalegre há também algumas visitas obrigatórias, que tanto poderão ser feitas de manhã como de tarde. Claro que o castelo é uma dessas visitas obrigatórias e a caminho dele o Espaço Padre Fontes do Eco-Museu do Barroso. Castelo que na sua intimidade tem uma leitura, mas à distância tem outro encanto, nem melhor nem pior, simplesmente diferente. Um dos pontos de apreciação obrigatória é logo imediatamente antes de entrarmos em Montalegre, após passarmos Meixedo. Vale a pena parar para uma foto, que esteja sol ou chuva, com neve ou sem ela, pois, a não ser que esteja nevoeiro cerrado, dá sempre uma boa foto. Tal como desde o miradouro da Corujeira, se não souber onde é, pergunte, pois também é um dos locais de visita obrigatória e desde onde se podem lançar olhares para muito mais além de Montalegre.

 

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Com isto tudo já devemos estar na hora do almoço, onde neste dia é obrigatório comer o cozido à barrosã, que até poderá ser parecido ao cozido à portuguesa, mas que fica a léguas de distância. E perguntarão em que é o cozido à barrosã é diferente do cozido à portuguesa? - Pois em nada, mas em tudo. Começando pela qualidade do fumeiro, das batatas e das couves, e porque não, da água que vai cozer tudo. É que há fumeiro e fumeiro, batatas e batatas, e couve e couves. E no Barroso não se brinca com os sabores, têm de ser genuínos, com batata barrosã, couve barrosã e fumeiro barrosão. E nisto do fumeiro, quem é apreciador, sabe que de terra para terra (local para local ou região para região) o fumeiro é diferente, é assim um bocado como o vinho, é todo bom, mas diferente. Por falar em vinho, o Barroso não produz vinho, mas nos restaurantes e nas casas dos barrosões, em geral, bebe-se do melhor vinho que vai à mesa. Eles sabem sempre onde há para se abastecerem.

 

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Mas mesmo sendo parecido, o fumeiro é sempre diferente e de terra para terra os gostos também diferem. Claro que os produtos alimentares de cada região vão fazendo parte da nossa dieta alimentar desde que nascemos, pois começámo-los logo a comer, ou melhor, a mamá-los da teta das nossas mães. Eles irão ser responsáveis pelos nossos sabores e gostos.

 

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Pessoalmente, na minha dieta, sempre esteve o fumeiro de Chaves e o do Barroso, ambos de excelência, mas com pormenores que faziam toda a diferença e que só mais tarde comecei a entender. Um deles, são por exemplo as filhoses de sangue, que no Barroso fazem a delícia dos pequenos almoços e vão enganando o estomago durante todo o dia, e que em Chaves não se fazem e, a grande maioria do pessoal, nem sequer sabem que existem ou como são. Sorte a minha, que com mãe de Montalegre, pai de Vila Pouca e descobertos os sabores de Chaves, lá em casa fazia-se uma mistura de fumeiro com os sabores que mais gostávamos, onde as filhoses de sangue nunca faltavam. Quanto à batata e a couve, nestas três regiões aqui faladas (Barroso, Chaves e Vila Pouca) são de qualidade, e são estes produtos, em geral, que também fazem a diferença à mesa.

 

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Há ainda outras iguarias que fazem a diferença nestas coisas do fumeiro da região, algumas delas ligadas e nascidas nas necessidades das barriguinhas de tempos felizmente passados, em que era preciso inventar um pouco para levar comida com sabor à mesa, com o pouco que havia para comer. Hoje, algumas delas,  são consideradas iguarias, como por exemplo os milhos, mas outros há, que ainda hoje fazem parte da dieta, sabores e gostos de alguns, que ainda não chegaram às mesas dos restaurantes…  

 

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E ficamos por aqui, já com água na boca. Fica também o destaque do programa da feira para hoje, pois a qualquer hora, estando cá na terrinha ou na proximidade do Barroso, ainda lá podem dar um pulo.

 

 

 

 

13
Jan19

O Barroso aqui tão perto - Chã e São Vicente da Chã

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No “Barroso aqui tão perto” de hoje vamos até à Chã, ou melhor, até São Vicente da Chã, ou ambas, penso eu.

 

A passagem das aldeias do Barroso aqui pelo blog tem-se feito de maneira aleatória, isto porque alguma metodologia teria de seguir para as trazer aqui. Pensei inicialmente fazê-lo por ordem alfabética, mas para isso, na altura em que iniciámos esta rubrica, teríamos de ter o levantamento de todas as aldeias, o que não era o caso. Como sempre gostamos de ser surpreendidos, optámos por sortear a aldeia a estar aqui todos os domingos. Com alguma batota pelo meio, assim foi sendo. Acontece que a Chã calhou-nos em sorteio algumas vezes, mas tivemos de passar à frente e fazer novo sorteio, tudo isto porque desde início tive a dúvida de se a Chã e  São Vicente seriam duas aldeias, ou apena uma. Estudando a geografia do local e a proximidade daquilo que eu pensava ser São Vicente e a Chã, a distância entre ambas era tão pouca que me convenci ser apenas uma aldeia.

 

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Pois sendo então uma única aldeia, outra dúvida surgiu. Qual era afinal o topónimo da aldeia? Apenas Chã, apenas São Vicente ou São Vicente da Chã?  

 

Na verdade a Chã é toda uma pequena região que em termos toponímicos, vai aparecendo colada como apelido ao topónimo principal, tal como Travassos da Chã ou Castanheira da Chã, além de a Chã ser a freguesia de uma série de aldeia. Foi talvez por isso, o ser freguesia, que me induziu em erro ou dúvida, pois em princípio, sendo freguesia, seria também aldeia, mas não é obrigatório que assim seja. Aliás no concelho de Chaves acontecem alguns casos idênticos em que a freguesia não é aldeia, como é o caso da freguesia de Stº António de Monforte  à qual pertencem as aldeias de Curral de Vacas e Nogueirinhas.

 

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Assim, teremos mesmo de chegar à conclusão que aqui se passa o mesmo, ou seja, o topónimo da nossa aldeia de hoje será São Vicente da Chã, em que a Chã é também freguesia e região. Pois é por aí que vamos hoje, com fotografias de São Vicente da Chã mas aproveitando para falar um pouco de toda a freguesia e desta pequena região dentro do Barroso que dá pelo nome de Chã.

 

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São Vicente da Chã é uma velha conhecida minha que vem do tempo em que aí me apeava da carreira Chaves-Braga para apanhar a ligação para Montalegre. Se bem recordo penso que assim passou a ser a partir de meados dos anos 70, pois antes recordo também que o apeadeiro e ligação a Montalegre se fazia a partir do Barracão para depois seguir via Gralhós.

 

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Mas vamos então à Chã (região e freguesia) para depois ficarmos nos pormenores de São Vicente da Chã.

 

Ora a Chã, como o seu significado indica:

 

chã 
(latim plana, feminino de planus-a-um, plano, liso, uniforme, chato, fácil)

- Chão

 - plano ou extensão plana de terra.

- planície; planura; chapada; chada

- planalto

 

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E de facto assim é, todas as aldeias que pertencem à freguesia da Chã estão em terras pouco acidentadas, em planalto a rondar a cota dos 900 metros de altitude. Conhecendo a região, penso mesmo que a Chã (região) vai muito além dos limites da freguesia e bem se poderia estender para todo o planalto do Larouco e outras freguesias vizinhas que estão todas em terra de planalto na cota aproximada dos 900m de altitude

 

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Quanto à freguesia da Chã e segundo consta na página oficial do Município de Montalegre, temos o seguinte:

 

Ainda ostenta evidentes vestígios da sua importância constante nos tempos medievais e clássicos.

Cinco das suas doze povoações receberam a visita da estrada Romana – a XVII do Itinerário de Antonino: Penedones (Santo Aleixo), Travaços, São Vicente, Peireses e Gralhós. Pouco mais jovem que a via Romana é a ara que recentemente se achou em São Vicente – sinal inequívoco de que no outeiro (altarium) onde o cristianismo ergueu o templo românico, séculos antes, os povos que nos antecederam, aí adoravam o seu “Deus Óptimo Máximo”.

O mesmo lugar foi também do interesse dos reis de Portugal que o ofereceram como comenda às freiras de Santa Clara com mais duas freguesias anexas, num total de dezasseis povoações. O actual templo da freguesia é bem digno da mais atenta visita devido à obra patente dos Pintos de Donões, exímios artistas de Barroso.

 

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Outros dados da freguesia:

- Área: 51 km2

- Densidade Populacional: 14.7 hab/km2

- População Presente: 752

- Orago: S. Vicente

- Pontos Turísticos: Igreja Românica e Inscrição votiva a Júpiter (S.Vicente); Ponte Velha (Peireses); Sepulturas Antropomórficas e Ara (Penedones); Via Romana (Gralhós); Cascata de Fírvidasl; Parque de lazer de Penedones.

- Lugares da Freguesia (12): Aldeia Nova, Castanheira, Fírvidas, Gorda, Gralhós, Medeiros, Peireses, Penedones, São Mateus, São Vicente, Torgueda e Travaços da Chã.

 

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Pois aqui nos pontos turísticos, penso que são muito modestos e bem lhe poderiam acrescentar outros tantos, mas há pelo menos mais três pontos turísticos ou de interesse que seria obrigatório mencionar, deixando a paisagem natural de parte. Pois esses três pontos são: a Barragem dos Pisões; a gastronomia (restaurantes);  e as duas aldeias dos colonos (Aldeia Nova e S. Mateus), sem esquecer, claro, a arquitetura tradicional transmontana/barrosã das restantes aldeias.

 

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São Vicente da Chã

Ainda antes de entrarmos nos pormenores, fica um conselho ou alerta – Não se deixe levar a crer que São Vicente da Chã é aquilo que vê desde a Estrada Nacional 103 ou da estrada que liga esta a Montalegre, pois não é assim, aí apenas verá o que é mais recente. As suas preciosidades, estão mesmo na e à volta da sua Igreja Românica, mas para isso, terá de sair da estrada nacional, tomar a estrada secundária (M509-1) e 250m à frente, abandonar esta última, virando à esquerda até chegar à Igreja Românica a apenas 150m. Aí sim, temos tudo, a cereja e o bolo.

 

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Quanto à igreja Românica, para mim, é uma das mais interessantes que o Barroso tem, e nem sequer vimos o seu interior. Principalmente o enquadramento, mesmo com a torre sineira separada da igreja a esconder a sua fachada principal, ou será antes, com a torre sineira separada, mas a fazer parte da fachada principal da igreja.

 

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Como dissemos não é só a igreja Românica, mas também o seu enquadramento e casario à sua volta logo seguido da exuberância do verde barrosão, que quando é verde é mesmo verde, cheio de frescura que as terras com água lhe dão. Neste conjunto, mais uma pérola do Barroso, apenas um reparo. Tal como diz o povo, no melhor pano cai a nódoa, e esta lá está, em forma de telhado em fibrocimento na construção mesmo em frente à igreja (15m). Não é por nada, mas destoa do conjunto, no entanto é de fácil reparo e ouro sobre azul, no reparo, era o telhado retomar a sua cobertura original, o colmo, nem que fosse e só para memória futura ou para a história das coberturas de colmo. Claro, eu sei que se trata de uma construção particular e que (talvez) não se possa exigir tal ao seu proprietário, mas aqui, como o interesse até é público e turístico, as pessoas são sensíveis a alterações e o Município, através ou com a Junta de Freguesia, poderiam e deveriam contribuir para a substituição e preservação do espaço envolvente da igreja.   

 

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Depois deste pequeno conjunto que não é mais que o centro histórico de São Vicente da Chã, temos a paisagem, com muito verde, sobretudo de lameiros limitados por estremas de arvoredo autóctone, principalmente na baixa que liga à aldeia de Torgueda da Chã. Mais além, já na estrada que liga a Montalegre, outro tipo de cultivo, menos verde. Também nesse trajeto, um monumento religioso chama a atenção de quem passa.

 

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O tal monumento, de construção recente, de um lado, no canteiro relvado, numa placa tem inscrito “Grande Jubileu – Ano 2000” e do outro lado, noutra placa, uma mensagem religiosa: “Mistério da fé para a salvação do mundo! / Glória a vós que morrestes na cruz e agora viveis para sempre. Salvador do mundo, salvai-nos, vinde Senhor Jesus”

 

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Vamos agora ao itinerário para chegar até São Vicente da Chã, como sempre a partir da cidade de Chaves e que não tem nada que enganar, pois fica mesmo junto à Estrada Nacional 102 que liga Chaves a Braga. Por curiosidade o nosso itinerário de hoje é idêntico ao do último fim de semana onde mais uma vez optamos pelas estradas secundárias em vez da estrada nacional, ou seja, via São Caetano/Soutelinho da Raia, Meixide após a aldeia outra pela estrada da esquerda até Serraquinhos, passar ao lado de Viade tomar a direção do Barracão e estramos na EN103 em direção a Braga, logo a seguir temo a Aldeia Nova do Barroso e um pouco mais à frente São Vicente da Chã. Mas fica o nosso mapa para melhor orientação.

 

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Vamos agora ao que dizem os livros e documentos.  Iniciando pelo livro “Montalegre”:

 

“Sinais dos tempos”

Vários outros monumentos da romanização se descobriram e permanecem cá testemunhando a sua origem e finalidade: marcos miliários em (Padrões, Currais, Travaços e Arcos) aras romanas em (Vilar de Perdizes, Pitões e São Vicente da Chã) estelas funerárias (Vila da Ponte/ Friães), o célebre Penedo de Rameseiros (Vilar de Perdizes) e outros.

 

Padre José Adão dos Santos Álvares (séc. XIX) nasceu no Cortiço, filho do anterior, em 1814. Foi correspondente muito conceituado de vários jornais e revistas do Porto, Braga e Lisboa. Foi pároco de São Vicente da Chã, onde jaz, e arcipreste de Montalegre. Descreveu com realismo os últimos momentos de vida de José Fernandes, o Bagueiro, último condenado à morte em Barroso, que subiu ao cadafalso em 17 de Setembro de 1844.

 

O vale do Regavão, que bordeja a freguesia pelo sul e nascente, dá passagem à via prima, aqui assinalada por um miliário gigante que depois se transformou na cruz de Leiranque. Não longe desse local houve um pisão – que passou a topónimo da barragem e mais acima a antiquíssima Vila de Mel, provavelmente a primeira “statio” (São Vicente da Chã seria a segunda ) entre as cidades de “Praesidium” e “Caladunum” – “mansiones” da dita via imperial.

 

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Quanto à “Toponímia de Barroso” temos o seguinte:

 

CHÃ

É um corónimo: nome de uma região!

Chã, como já se disse (veja Cabril) vem do adjectivo latino PLANA > CHÃ, o que implica subentender  um substantivo terra ou seara: terra chã!

 

Quanto a S.Vicente na mesma obra temos:

 

SÃO VICENTE teve culto remoto. O célebre mártir de Saragoça já gozava honras de templo importante e antiquíssimo na própria cidade de Braga. Diz o ignorado mas interessante sabedor, Almeida Fernandes, em “Cadernos Vianenses” TV (1980) pp.285, que os cultos antigos (como S. Vicente) vieram substituir cultos pagãos.

-1258, «in collatione Sancti Vicencii de Chaa» INQ 1517.

Em S. Vicente da Chã foi encontrada uma ara dedicada ao deus olimpo Júptiter Óptimo Máximo, em 2004, o que vem confirmar o que Almeida Fernandes afirma. São Vicente é o orago da extensa freguesia da Chã que, com suas anexas de Morgade e Negrões, constitui Comenda das Clarissa de Vila do Conde. Também é orago de Contim e de Campos (esta, depois de desmembrada de São Martinho de Ruivães) e foi-o  da antiquíssima freguesia extinta que teve o nome de São Vicente d’ O Gêres, junto de Pitões e a que estupidamente vão chamado Juríz.

 

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Na “Toponímia Alegre” incluída na “Toponímia de Barroso”, temos o seguinte:

 

Chã – São Vicente

Ruim sítio, ruim gente,

Coelheiros de Medeiros,

Ciganos os de Peireses,

Pretinhos de Travaços de Chã,

Cruz-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhas e

Arranca-torgos de Codessoso da Chã.

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui, num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que o SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

- "chã", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/ch%C3%A3 [consultado em 13-01-2019].

-   https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/ch%C3%A3 (Consultado em 13-01-2019)

- https://www.cm-montalegre.pt/pages/451 (Consultado em 13-01-2019)

 

06
Jan19

O Barroso aqui tão perto - Viade de Cima

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Em 10 de setembro passado (2018) iniciávamos esta rubrica assim: “Vamos lá a mais uma voltinha pelo Barroso, que fica aqui tão perto e que é sempre um encanto andar por ele em constante descoberta. Hoje vamos até uma das 3 aldeias que têm como topónimo Viade, neste caso, Viade de Baixo.”. Isto foi em 10/09/18, em 06/01/19, hoje, mantemos o texto, só trocamos a sua última palavra para “Cima”, ou seja, em vez de irmos até Viade de Baixo, vamos até Viade de Cima.

 

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É de prever que as três aldeias com o topónimo de Viade fiquem próximas umas das outras, e de facto assim é. Viade de Cima fica a apenas 300m de Viade de Baixo, só que um pouco mais acima, mais alta, poucos metros mais alta, talvez o “de cima” se deva ao ser “a seguir”, pois para se chegar até Viade de Baixo temos que passar obrigatoriamente por Viade de Baixo, isto por estrada normal, pois a monte, as coisas podem ser diferentes.

 

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Estou agora a iniciar a escrita deste post e parto sempre para este trabalho em branco, ou seja, inicio o post e depois é que vou à procura de informação sobre a aldeia. Não foi assim que aprendi que as coisa se deveria fazer, pois academicamente falando deveria previamente reunir toda a informação disponível, analisá-la, selecioná-la e depois sim, partir para o texto final, mas como este não é um trabalho académico, tenho alguma liberdade de escrita, e gosto de ir descobrindo as coisas, surpreender-me com elas e partilhar a emoção do momento, contudo, neste caso, prevejo que o discurso não será muito diferente daquele que tive com Viade de Baixo, à exceção de nesta última aldeia ter tido a ajuda preciosa de uma “filha” da terra.

 

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Voltando ao Viade, topónimo comum às três aldeias, suponho que aquele Viade que ainda nos falta abordar seja o mais antigo, aquele que dá pelo topónimo de Antigo de Viade, e que a seguir tivesse surgido ao lado, a pouco mais de 800 metros a aldeia de Viade de Baixo e depois a de Viade de Cima. Mas esta afirmação não tem qualquer base de apoio, sou apenas eu a supor. Dadas as distâncias que separam as três aldeias, bem poderia ser apenas Viade, com o bairro do lado e o bairro de cima, mas não é assim, e se elas estão separadas, por alguma razão será, ou seria, pois a coisa já não é de hoje.

 

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Mas tal como dizia no post de Viade de Baixo, isto de um topónimo principal se repetir em aldeias vizinhas é muito comum em Portugal, aliás no concelho de Montalegre não é caso único, pois nas Penedas (de baixo, do meio e de cima) repete-se o mesmo, também no concelho de Chaves acontece nas Assureiras (de baixo do meio ou de cima). E outras há que adotam o mesmo topónimo principal e acrescentam “Vila” a um deles, que pela lógica a “Vila” será acrescentada à mais recente. Em Chaves, por exemplo, acontece em Nantes e Vilar de Nantes ou Oura e Vila Verde de Oura, acrescentando aqui, que as três Assureiras atrás referidas (de baixo, do meio e de cima), em tempos idos, eram a Vila de Baixo, do meio e de Cima. Curiosidades que pretendem apenas ir ao encontro da origem dos lugares.



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Mas neste caso de Viade, embora exista o Viade de Baixo e o Viade de Cima, a outra aldeia dá pelo topónimo de Antigo de Viade. Quanto ao significado (origem) do topónimo principal “Viade”, é comum às três aldeias, daí repetirmos o texto que deixámos para Viade de Baixo e que rezava assim, conforme consta na “Toponímia de Barroso”  :

 

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VIADE

Desde 2013 – União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas

 

É o genitivo do nome pessoal Beatus; “villa” BEATI>BIADE>VIADE.

Podia ser escrito Biade pois o topónimo já em:

-1258 «Sancte Marie Biadi» INQ 1514 estava sedimentado. De igual modo a forma encontrada em

-1288 « de Sancta Maria de Biady» (Com o y dos ditos amigos sdo pedantesco arcaísmo) INQ N.A. – 492. Nas inquirições de

- 1282 «…isto he en termyo de Biadi». Aqui voltamos à forma final/inicial – onde apenas faltava o e mudo terminal cujo i já assim devia soar.

 

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Quanto a Viade de Cima, na “Toponímia de Barroso” , consta o seguinte:

 

Viade de Cima

A raiz é a mesma de Viade de Baixo, contudo esta localidade não está documentada a não ser no A.H.P. como “Byade de Cima”.

 

E perguntarão, o que é o A.H.P.? - Pois não sei, confesso a minha ignorância, mas como sou curioso fiz uma pesquisa rápida na NET e só me apareceram duas entidades com estas iniciais, o AHP de Associação Hoteleira de Portugal e o AHP de Analytic Hierarchy Process, contudo, puxando pela mioleira, penso que será o AHP do Arquivo Histórico Português, também poderá ser o AHP de Arquivo Histórico do Porto, com a certeza que não é do Arquivo Histórico de Vila Real, porque se assim fosse,  seria AHVR. Seja como for, no H.H.P. está lá “ Byade de Cima”...

 

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Falta a “Toponímia Alegre” da qual não vamos transcrever todo o texto, apenas referir as partes em que Viade é referida, exceto uma que fora do contexto é forte e injusta para a aldeia, tanto mais que não sabemos a que Viade de refere (antigo, de baixo ou de cima). Então diz assim:

 

Uma mulher de Viade:

Mandei fazer uma capa

Ao pisoeiro d’ Ablenda:

Ninguém se finte nos homes

Que os homes são má fazenda!

 

As outras referência, são alcunhas dos de Viade:

 

(…)

Esfola-cabras de Viade

Arribadas de Viade de Cima

(…)

Pica-sinos de Viade

 

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Como sabem fazemos estes posts/convites de visita ao Barroso a partir da cidade de Chaves, daí traçarmos sempre os nossos itinerários para chegar até ao nosso destino. Pois desta vez para o nosso itinerário de ida, vou recomendar-vos a estrada do S. Caetano, mas hoje recomendo que a primeira paragem se faça aqui, no Santuário deste Santo, para uns momentos de estar, de reflexão se quiser  ou nem que seja para encher uma garrafa de água fresca (ontem prometi parar no S.Caetano e a promessa está cumprida). Pois a seguir temos de Soutelinho da Raia, sem entrar na aldeia, imediatamente antes de aparecer a placa a anunciar o concelho de Montalegre, há um enorme rochedo junto à estrada, que é de paragem obrigatória, pois é desde aí que se vê todo o planalto do Larouco a rematar na serra. É desde este ponto que a Serra do Larouco mostra todo o seu endeusamento. Eu não fiz promessa de lá parar, mas a grande maioria das vezes paro por lá para tomar a minha dose de contemplação, mas desta vez como já parámos no S.Caetano, aqui seguimos em frente até Meixide.

 

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Em Meixide, no final da aldeia a estrada bifurca-se, com ambos os destinos dirigidos a Montalegre. Devemos optar pela estrada da esquerda em direção a Pedrário e Sarraquinhos, nesta, logo na entrada devemos entrar dentro da aldeia, atravessá-la e sair em direção a Zebral. Todas esta aldeias são interessantes, assim, se algum motivo o convidar a parar, pare, pois temos tempo para chegar a Viade de Baixo. Depois de deixarmos Zebral de lado sem entrar nela, seguimos em direção a Vidoeiro, uma das aldeias dos colonos de Salazar, deve ignorar as placas para o Cortiço, mas se passar por lá também fica a caminho, e a pouco mais de 1 km está na “estação de serviço” do Barracão, já na EN103 (estrada Chaves-Braga).    

 

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Aqui começa a segunda parte do nosso itinerário que servirá para ir e mais tarde regressar. Estando no Barracão é só seguir pela EN103 em direção a Braga. Vai passar pela Aldeia Nova do Barroso (outra das aldeias dos colonos de Salazar), por S. Vicente da Chã, por Travassos da Chã (ao lado), por Penedones e Parafita e logo a seguir aparecem as placas a indicar a entrada para Antigo de Viade, mas não é este o Viade do nosso destino de hoje, assim, continue pela EN103 e oitocentos metros mais à frente, aí sim, terá a indicação da entrada em Viade de Baixo e de Cima, à direita. Logo após Viade de Baixo já estamos no nosso destino. Mas fica o mapa por via das dúvidas.

 

mapa-viade cima.jpg

 

E agora as nossas impressões sobre Viade de Cima. Fomos lá pela primeira vez em 25 de maio de 2016, já a meio da tarde, num dia muito quente e já depois de termos feito uma paragem em Viade de Baixo. Sabíamos que das três aldeias de Viade esta era a mais pequena e que o levantamento fotográfico seria breve, e embora o levantamento até fosse breve, a nossa estadia prolongou-se mais que o previsto, tudo porque logo à entrada da aldeia o manejo de um fuso e uma roca nos fez parar, coisa que eu já não via desde puto, quando em casa da minha avó a via, pasmado, a manejar com mestria uma nuvem de lã a ser transformada num fio de lã.

 

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Parámos. Quem manejava, também com mestria, a roca e o fuso era a D. Maria Pires, então com 86 anos e que hoje, espero que continue com a sua simpatia e arte de bem receber à barrosã, terá 88 anos, vivia com o seu marido então com 93 anos. Ficámos encantados a ver o fio de lã a nascer e a enrolar-se no fuso, igualmente com o fio a formar-se a partir de uma nuvem de lã apegada à roca. Claro que entre a contemplação e apreciação a conversa ia rolando. Gente nova na aldeia , não havia, agora só velhos, os filhos todos para fora. Já não recordo quantos disse ter, mas recordo que um, tinha restaurante em Lisboa, lá onde param os artistas e o teatros, presumi ser o Parque Mayer, mas para o caso nem interessa.   Nem que fosse só por esta conversa e pela mestria do manejo da roca e o fuso a fazer fio de lã, a ida a Viade de Cima já tinha valido a pena.

 

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Mas tinha mais, primeiro a paisagem com vistas lançadas para a barragem dos Pisões e para a Serra do Barroso, com os cornos do Barroso quase no alinhamento da aldeia. Mas também a verdura dos seus campos chamavam a atenção da objetiva, idem para o casario tradicional de granito à vista, pena os abandonos e as ameaças ou mesmo ruinas, mas no geral, é mais uma aldeia barrosão que não deixa ficar mal o Barroso e que merece uma visita.

 

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Como aldeia pequena que é Viade de Cima, era de prever não haver muita literatura sobre a povoação e de facto assim é. Nos nossos locais habituais de pesquisa, nada consta, nem no livro “Montalegre”, ou aliás, aí consta a nome da aldeia mas apenas para mencionar que é um dos lugares da freguesia de Viade de Baixo. Informação que hoje em dia já não é correta, pois hoje, após a reforma administrativa das freguesias, passou a ser União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas. Fora esta referência, apenas encontrámos um texto do Padre Lourenço Fontes, intitulado “ O Reino das 7 maravilhas é Barroso” onde entre as mil e uma maravilhas do Barroso, apresenta os  “7 Canastros: Vila da Ponte, Outeiro, Cervos, Viade de Cima, Paredes do Rio, Mourilhe”

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas, hoje apenas uma,  e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

 

 

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