Domingo, 15 de Abril de 2018

O Barroso aqui tão perto - Lamas

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Vamos lá então mais uma vez até ao Barroso aqui tão perto, hoje até à aldeia de Lamas que pertencia à freguesia de Fervidelas, mas que hoje pertence a União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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Iniciemos pela sua localização e itinerário para lá chegarmos, sempre com partida da cidade de Chaves.  Quanto ao itinerário temos sempre várias opções, dependendo a nossa escolha de vários fatores, como a distância mais favorável, a melhor estrada, o tempo disponível, o percurso mais interessante ou outros locais a visitar. Mas como nestas abordagens apenas nos interessa a aldeia convidada, vamos dar prioridade à melhor estrada e distância.

 

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Pois então vamos mais uma vez pela estrada de Braga, a EN103, 57 quilómetros. Não há nada que enganar, é seguir pela EN103 até à barragem dos Pisões, continuar ao lado da barragem até aparecer o desvio à direita para Fervidelas, mas primeiro tem de se passar por Penedones, Parafita, ao lado de Viade de Baixo e pelo desvio para Brandim e Contim, tudo isto ao lado da barragem. Depois de tomar o desvio para Fervidelas, passa-se ao lado desta aldeia e continua-se para Bustelo, imediatamente ante de ser entrar nesta aldeia temos o desvio para Lamas. Atenção que desde a saída da EN103 até Lamas são só 5 quilómetros. Fica o nosso mapa com o itinerário.

 

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Em alternativa a este itinerário temos o da estrada de S. Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, Sarraquinhos, Zebral e mais à frente, no Barracão apanha-se a EN103 e continua-se pelo itinerário por nós recomendado. Por aqui são mais 200 metros, mas demora-se mais tempo, pois são sempre estradas secundárias. Há ainda uma terceira alternativa, também com partida pela EN103 até Sapiãos, aí desvia-se para Boticas, Carvalhelhos, Atilhó, Alturas do Barroso, sobe-se até aos Cornos do Barroso, desce-se até à barragem dos Pisões, atravessa-se o paredão e estamos de novo na EN103, apanha-se a direção de Chaves e logo a seguir é o desvio para Fervidelas. Por aqui são 55 quilómetros, menos 2 que pelo nosso itinerário, mas com estradas mais complicadas, no entanto com paisagens interessantes. Fica à vossa escolha, pois todos os caminhos vão dar a Lamas.

 

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Quanto à localização, podemos dizer que fica entre o Rio Cávado e o Rio Rabagão, mas como ambos os rios são o alimento de barragens, Lamas fica entre a barragem de Paradela (a 3 km em linha reta) e a barragem dos Pisões (a 3.9km em linha reta). Podemos dizer também que se localiza entre as Serra do Gerês e a Serra do Barroso, pois logo a seguir às duas barragens encontra-se estas duas serras.

 

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Como já deu para perceber estamos em terras altas do Barroso, já numa cota acima dos 1000 metros de altitude, mais precisamente entre os 1020 e os 1060 metros. Ficam as coordenadas de Lamas para sermos mais exatos:

41º 42’ 08.44” N

07º 55’ 00.62” O

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Mas entremos na intimidade de Lamas. Fomos por lá nos finais do mês de julho de 2016, recordo ser um daqueles dias quentes, já a caminho do meio-dia e também da hora de almoço. Era a última aldeia programada para o período da manhã, para trás já tínhamos deixado a aldeia de Fervidelas e Bustelo. Tudo corria como previsto, nas duas aldeias anteriores fotografámos o que tínhamos a fotografar, demos dois dedos de conversa com as pessoas que encontrámos e propúnhamo-nos fazer o mesmo em Lamas, mas nesta aldeia tudo foi diferente…

 

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Nestas andanças do blog a caminho dos 14 anos, já percorri todas as 150 aldeias do concelho de Chaves e as 136 localidades do concelho de Montalegre. Sou transmontano flaviense de nascença, mas com toda a família materna natural de Montalegre e a paterna de Vila Pouca de Aguiar. Profissionalmente há mais de trinta anos que vou lidando também com o nosso mundo rural. Tudo isto para vos dizer que conheço muito bem todas as nossas aldeias e a gente deste “Reino Maravilhoso” que Torga descrevia assim:

 

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“Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança. (…)”

 

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E quando Torga chega às pessoas desse reino maravilhoso, descreve-o assim:

“ (…) Homens de uma só peça, inteiriços, altos e espadaúdos, que olham de frente e têm no rosto as mesmas rugas do chão. Castiços nos usos e costumes, cobrem-se com varinos, croças, capuchas e mais roupas de serrobeco ou de colmo, e nas grandes ocasiões ostentam uma capa de honras, que nenhum rei! Usam todos bigode e alguns suíças. E põem naqueles pêlos da cara uma dignidade tal, um sentido tão profundo da pessoa humana, que é de a gente se maravilhar. Às vezes agridem-se uns aos outros com tamanha violência que parecem feras. Mas olhados de perto esses nefandos crimes, vê- se que os motiva apenas uma exacerbação de puras e cristalinas virtudes, que só não são teologais porque Deus não quer. Fiéis à palavra dada, amigos do seu amigo, valentes e leais, é movidos por altos sentimentos que matam ou morrem. Ufanos da alma que herdaram, querem-na sempre lavada, nem que seja com sangue. A lendária franqueza que vem nos livros é deles, realmente. Mas radica na mesma força interior que, levada à cegueira da exaltação, pode chegar ao assassínio. Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:

— Entre quem é!

Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.

Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.(…)”

 

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Era por conhecer tão bem este povo do “Reino Maravilhoso” que Torga dizia:

 

“Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.”

 

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E por eu conhecer tão bem este nosso povo, também entro na sua intimidade sagrada a tremer de vergonha e com todo o respeito e diga-se a verdade, em geral têm-nos recebido bem. Claro que dizemos sempre quem somos, de onde somos e ao que vamos, quase sempre o suficiente para as pessoas nos dizerem “entre quem é” e nos mostrarem o que aldeia tem de melhor, conversar um bocadinho e às vezes até descobrimos que não somos assim tão desconhecidos. Mas também já houve duas ou três vezes em que a empatia não se verificou, justificada nalguns casos, pois entrámos na aldeia após burlas recentes com desconhecidos ou em período quente de eleições, confundindo-nos com jornalistas sensacionalistas à procura de “sangue” ou achas para a fogueira. Em Lamas qualquer coisa do género se deveria ter passado por lá, pois tivemos a sensação que as máquinas fotográficas incomodavam, aliás chegámos a ser avisados para não tirar fotografias. Mas tudo bem, como gente de bem acatámos as recomendações, tanto mais que quando os avisos surgiram já nós tínhamos feito a maioria dos registos, mais que suficientes para a feitura deste post, e depois temos a promessa de trazer aqui todas as aldeias de Barroso, que sem Lamas não cumpriríamos a nossa missão.

 

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E seria imperdoável deixar Lamas de fora, pois gostámos do que vimos e até vimos por lá preciosidades que já julgávamos completamente extintas no Barroso, refiro-me às coberturas de colmo, genuínas, autênticas resistentes.

 

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Também gostámos daquilo que envolve a aldeia, principalmente pelos matizes dos verdes das pastagens a contrastar com os verdes menos vivos das manchas de floresta autóctone dos carvalhos a conviver a par com os castanheiros. É sempre bom vermos aquilo que é nosso a crescer majestosamente nas nossas florestas.

 

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Quanto ao casario, também nos agradou, com o granito à vista na sua forma mais tradicional de ser aplicado nas nossas construções rurais, numa aldeia de casario concentrado e disposto à volta da capela localizada no largo do centro da aldeia, que ainda mantém a sua integridade sem grandes atentados pelo meio.

 

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Quanto ao topónimo “Lamas”, na toponímia lusitana José Cunha-Oliveira refere que o topónimo está

“presentíssimo na toponímia galego-portuguesa, lama é um vocábulo pré-romano, provavelmente pré-céltico, cujo significado é "pradaria em terreno húmido", "lameiro". o topónimo "Lama" e derivados surge em terrenos onde a pluviosidade abundante favorece a manutenção da humidade do terreno. Nas Astúrias e em León surge sob a forma palatalizada Llamas, o que cria um curioso triplo sentido entre "Lamas", "chamas" (do verbo chamar) e "chamas" (labaredas de fogo).
É um topónimo frequente em Itália, onde tem a mesma etimologia e o mesmo significado. e também aparece na Córsega (Co). Na Baviera, Alemanha (De), há uma Lam. esta distribuição geográfica parece querer apontar para uma origem lígure do topónimo. há quem ligue o topónimo às construções megalíticas (ver Comentº de Manuel Anastácio). e, mais curioso ainda, também se costuma associar o povo lígure ao megalitismo.”

 

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Mas vamos ver o que diz a Toponímia de Barroso:

Lamas

“A partir da raíz pré-romana  LAM de significação ligada a lodo e água. É sinónimo (em Barroso) de lameiro, portanto, associamo-lo à ideia de propriedade: as lamas do boi do povo, por exemplo. Com o topónimo já formado e escorreito existe documento de:

- 1099 D.C. 540 «hereditate mea própria que abeo in villa lamas subtus mons fuste». É uma refrência sobre terra minhota.

- 960,t.c.i, pp. 239: “facio ego Ygo de lama nostra própria” doação de São Rosendo”

 

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Na Toponímia Alegre temos:

 

A rua de Fervidelas

É calcetada ai invés;

Quando os mancos já namoram

Que fará quem tem dois pés!

 

De Lamas nem bom vento

Nem bom casamento;

Mas quando Deus queria

Até do norte chovia!

 

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O Padre Lourenço Fontes, na sua obra “Etnografia Transmontana – I”, também fez recolha de algumas alcunhas ou nomeadas com que umas aldeias apodavam outras suas vizinhas. Ao respeito Lourenço Fontes diz o seguinte:

“ O nosso povo sabe caracterizar muito bem os seus vizinhos. Um defeito comum, um erro conhecido, um hábito generalizado, um facto histórico ou lendário é capaz de ser motivo suficiente para apodar todos os do mesmo povo, com o mesmo nome.

Seria valioso e importante descrever e raciocinar sobre as alcunhas de cada terra. Ajudavam-nos a conhecer o feitio, o valor, os podres e as qualidades de cada aldeia de Barroso. O povo sabe muito bem a razão de tais nomeadas, pois foi ele, com veia de poeta, que baptizou assim os seus vizinhos. Muitas aldeias já esqueceram a sua alcunha e se aqui se registam, não é para espezinhar alguém, mas apenas para dar um subsídio para a história de Barroso, suas terras e gentes.”

 

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E continua Lourenço Fontes:

"Algumas aldeias têm mais que um nome, ou alcunha. Conforme o gosto de quem os nomeia e a tradição de cada um. Os de uma terra são capazes de chamar aos de Solveira escorna cruzes e outros já lhes chamam tarouqueiros. O da Vila da Ponte gostam de se chamar fidalguinhos mas os vizinhos já lhes chamam Chavelheiros. Não está esgotado este capítulo. Muitos mais nomes se poderiam recolher do povo, fiel depositário destas velhas tradições. Servem estas de amostra. Estas nomeadas , ou lengalenga como outros lhe chamam, usam-se quando se quer espezinhar uma pessoa. Então aplica-se-lhe o nome que lhe compete. Raramente se leva a mal.”

 

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Pois Lamas também tem mais que uma alcunha. Uma já a deixámos atrás na Toponímia Alegre, a outra segue agora e está na “Etnografia Transmontana”, e para os das aldeias vizinhas não se ficarem a rir, levam também com a alcunha deles:

 

Leirões de Lamas,

Largarteiros de Fervidelas,

Chavelheiros de Brandim,

Boloteiros de Friães,

Alamões do Telhado,

Machos de Pisão,

Esfola cabres de Viade,

Arrebita o gacho  de Viade de Cima,

Corta Matos do Antigo,

Ladrões de Parafita.

                                    (Informa João Afonso do Antigo)

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA


BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso. Edição do autor, Montalegre, 1974.

TORGA, Miguel, Miguel Torga – Obra Completa - Ensaios e Discursos. Rio de Mouro: Circulo de Leitores, 2002.

TORGA, Miguel, Miguel Torga – Obra Completa – Diário (Volumes V a VIII). Rio de Mouro: Circulo de Leitores, 2001.

 

 

WEBGRAFIA

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt

 

 

 

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Domingo, 8 de Abril de 2018

O Barroso aqui tão perto - Linharelhos

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Hoje abrimos a porta a Linharelhos, o nosso destino de hoje para o Barroso aqui tão perto, onde fomos encontrar um velho amigo nosso, que em tempos tinha honras aqui no blog, por ser sempre fiel, resistente, popular, o melhor. Refiro-me ao fio azul que em Linharelhos encontrámos numa das suas funções mais conhecidas — o de fechar portas — que neste caso até nem estava em destaque, pois este ia mesmo para a porta da entrada nº22 com o seu amarelo forte, uma delícia para o olhar.

 

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Embora já tivéssemos deixado duas imagens para trás, a verdade é que não foram os primeiros olhares que lançámos. O primeiro olhar que registamos sempre é o da placa da estrada a anunciar a entrada da aldeia. é um velho truque nosso que nos serve de separador na hora de arquivar as fotografias, pois já sabemos que a partir desse olhar as imagens são todas dessa aldeia até que nos apareça a próxima placa com outra aldeia. Funciona sempre.

 

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Mas a imagem que vale mesmo como a nossa primeira recolha é mesma a segunda imagem de arquivo, que hoje aqui deixamos (foto anterior) e que nos leva ao engano, pois na placa toponímica está inscrito “Rua dos Penedos” e na realidade a construção está mesmo construída em cima de penedos, aliás um deles faz mesmo parte da parede da construção. Pensávamos nós então que lá iríamos ter mais uma aldeia tipo Ponteira, tanto mais que estávamos em território de minas, mas não, afinal os penedos ficavam-se por ali, e entrávamos  no verde característico da freguesia de Salto, à qual pertence a nossa aldeia de hoje.

 

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Antes ainda de entrármos na intimidade da aldeia, vamos à sua localização e ao nosso itinerário para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Hoje começamos pelas coordenadas da aldeia e pela altitude:

41º 49’ 43.37” N

7º 59’ 33.60” O

Altitude: entre os 850 e 860 metros.

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Quanto ao itinerário optámos pela estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, aí virámos para Boticas, a partir da qual tomámos a N311 até Salto, ou quase, pois mal se deixa a N311 tem de se apanhar o CM1025 em direção às minas da Borralha, passando-se ao lado destas, continuando pela estrada que entretanto passa a M623 para logo a seguir termos Linharelhos, a aproximadamente 1,5km.  Mas fica o nosso mapa com o traçado do itinerário.

 

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Chegados a Linharelhos, chegamos também ao limite do concelho de Montalegre, pois Linharelhos queima mesmo o limite do concelho, penso que inclusive algumas das suas terras e construções estão mesmo já em concelho de Vieira do Minho, tendo como aldeia vizinha e bem próxima (a apenas 500m) a aldeia de Lamalonga, de Vieira do Minho.

 

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Como alternativa ao nosso itinerário, pode apanhar na mesma a EN103 e continuar por ela até passar a Venda Nova, onde antes de chegar a Padrões terá uma saída da EN103, à esquerda, em direção à Borralha, onde a partir desta deverá seguir pelo nosso itinerário inicial.

 

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Linharelhos é constituída por dois núcleos de aglomerados de construções perfeitamente bem definidos, ambos rodeados por pastos e terras de cultivo que se prolongam por terras de Vieira do Minho. Em sentido contrário a realidade é bem diferente, ou era, pois a apenas 500 metros já se entrava em território das minas da Borralha onde a paisagem, sem deixar de ser interessante, ganha outros contrastes.

 

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Quanto à intimidade dos núcleos de Linharelhos, um deles parece-nos ser mais antigo que o outro, sendo o mais antigo o que tem a capela, onde as construções assumem a tipicidade da zona, maioritariamente com granito amarelo à vista, que no dia em que visitámos a aldeia estava exacerbado pela água das chuvas, pois o granito molhado ganha sempre um brilho e cores mais vivas, que na minha opinião resulta na perfeição em fotografia.

 

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O segundo núcleo, além de me parecer mais recente, tem construções mais nobres, também com granito à vista, mas em perpianho onde se destacam algumas obras de arte de cantaria, como um relógio de sol onde está inscrito o ano de 1871, parece-me, pois o último número não garanto que seja o 1. Também chamou a nossa atenção uma construção com pátio interior rodeado por uma varanda coberta apoiada em colunas de granito, embora esta nos tivesse parecido abandonada.

 

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Também é terra de canastros, alguns deles com dimensões maiores que os canastros habituais ou mais comuns. Quase todos em bom estado ou estado aceitável de conservação o que pela certa significa que ainda são utilizados paras as funções que foram construídos.

 

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Resumindo, gostámos daquilo que vimos, embora seja notório que a aldeia já conheceu melhores dias.  Pena mesmo ver abandonadas e/ou deterioradas algumas daquelas que foram as suas melhores construções, o que daria uma outra vida à aldeia.

 

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Quanto às nossas pesquisas, encontrámos umas coisinhas na wikipédia, que vamos considerar como válidas:

“ Fica situada no sopé da Serra da Cabreira, com vista para a Serra do Gerês e para a Barragem da Venda Nova.

Linharelos foi em tempos, uma aldeia muito movimentada e procurada pela riqueza da região em volfrâmio (nas minas da Borralha, especialmente).

Tem como padroeira Santa Comba, festejada a 31 de Dezembro.”

 

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Também ficámos a saber da existência de uma associação a ARECAMLIN - ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL AMIGOS DE LINHARELHOS, que pensamos ainda existir, isto a julgar por uma proposta da C.M.de Montalegre para ceder o edifício onde funcionou a escola da aldeia. Mas mais nada sabemos a respeito desta associação.

 

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Encontrámos também um blog — http://linharelhoscity.blogspot.pt/ — que teve início em setembro de 2004, mas que conta com a sua última publicação em setembro de 2013. Mas há por lá alguns vídeos da vida da aldeia que vale a pena ver para se ficar a conhecer mais um pouco da aldeia.

 

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Num outro blog — http://norteportugues.blogspot.pt/ — encontrámos também alguma informação (o sublinhado e negrito é nosso):

 “O censo da população de 1530, ordenado por D. João III, indica moradores ou fogos nas seguintes povoações: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14. (…) Em 1768(?) Salto e Cerdeira (…) constam ambos de trinta vizinhos; Linharelhos consta de doze fogos; Caniçó, treze; Paredes, quatro; Corva, dezoito; Ameal, cinco; Bagulham, dez; Ludeirodarque, seis; Póvoa, nove; Carvalho, onze; Beçós, dez; Reboreda, vinte; Taboadella, seis; Seara, cinco; Pereira, nove; Amear, vinte e Pomar da Rainha, seis.(…) Um ensaio estatístico de 1836 fornece indicações dos seguintes lugares e habitantes: Ameal, 36; Armiar, 73; Bagulhão, 67; Caniçó, 93; Corva, 73; Linharelhos, 48; Paredes, 27; Pereira, 53; Pomar de Rainha, 48; Póvoa, 34; Reboreda, 91; Salto, 113; Cerdeira, 34; Tabuadela, 59.”

 

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No livro Montalegre, apenas a referência de que Linharelhos pertence à freguesia de Salto. Já no Toponímia de Barroso temos:

Linharelhos

“Deriva do arcaico LINHAR+ELHOS. É a toponímia do linho, pelo latino < LINU.

Em 1258 «dixit quod Canisoo et Linarelios et Soutelo viderunt eas tenere Domno Egídio Vadasci».

Parecendo estar ainda numa forma tão primitiva, a verdade é que no século XVII já estava completamente estabelecido o topónimo como documenta o Arq. Hist. De Portugal, em 1531.

O povo pronuncia muitas vezes Ninarelhos na troca corrente do n e do l, o que sucede com diferentes vocábulos: por exemplo o nome latino glovellu < novelo, em vez de Lovelo.”

 

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Na Toponímia Alegre temos:

 

Apelidos de Salto

Pomar da Rainha nem pão nem farinha,

Pereira fome lazeira,

Amiar fome de rachar,

Borralha saco de palha,

Linharelhos tripas de coelhos,

Caniçó arca de pó

Paredes armadores de redes.

(…)”

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA


BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Linharelhos

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:20
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Domingo, 25 de Março de 2018

O Barroso aqui tão perto - Viveiro

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Apetecia-me divagar outra vez sobre os vários Barrosos que há dentro do Barroso, mas para não estar a bater outra vez na mesma tecla, não o vou fazer, mesmo porque afinal de contas o Barroso é mesmo assim, cheio de singularidades e contrates, onde os múltiplos matizes fazem do Barroso uma autêntica obra de arte.

 

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E foi aqui neste Barroso que encontrámos em terra um Viveiro verdejante com os azuis do céu e das montanhas a servir de fundo a esta tela … e eu!? Interrompe-nos a marela — não entro!? — Claro que sim.

 

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Ainda antes de entrarmos na intimidade da aldeia de Viveiro, já estávamos em estado de satisfação, embriagados com o verde, mesmo sem ser de absinto, e perdidos no ondular do mar de montanhas, mas ir tão longe não era possível e Viveiros estava ali aos nossos pés. Entrámos.

 

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Mas para chegar à entrada e à intimidade de Viveiro tivemos de percorrer 74 quilómetros, desde Chaves, o nosso ponto de partida.

 

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A escolha do itinerário caiu mais uma vez pela estrada do S.Caetano, Soutelinho da Raia, Montalegre e Barragem de Sezelhe, aqui como a estrada bifurca, seguimos em frente em direção a Covelães/Parque Nacional da Peneda Gerês, depois vem a Barragem de Paradela e aí, no cruzamento/largo, devemos continuar por onde indica Ferral,  passamos ao lado da capital dos penedos (Ponteira), logo a seguir São Bento de Sexta Freita e 2 quilómetros à frente começa a aparecer algum casario, é aí, que devemos abandonar a estrada principal (M308-4) e virar à direita para Stª Marinha, depois desta aldeia uma nova estrada onde devemos virar à esquerda e pouco mais de 1 quilómetro à frente aparece a placa a indicar Viveiro e Pardieiros. Et voilà, estamos lá.  

 

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Claro que há um outro itinerário, mais longo mas em apenas 1,5 quilómetros, é o itinerário da estrada de Braga (EN103). Nada que enganar, é entrar em Chaves na EN103 e deixarmo-nos ir sempre por ela até passarmos a totalidade da Barragem da Venda Nova, no seu final ( no Cambedo) deixamos a EN103, passamos o paredão da Barragem e bota para Ferral, logo a seguir (500m) é Viveiro. Mas em Ferral é melhor perguntar a alguém o melhor caminho. Mas mesmo com estas duas indicações, deixamos o nosso mapa seguido das coordenadas da aldeia e altitude.

 

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Ficam então as coordenadas de Viveiro:

41º 41’ 56.93” N

7º 59’ 43.68” O

Altitude: 600 metros

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Voltando ainda à localização e itinerários, podemos ter ainda outra orientação que nos pode dar muito jeito quando andarmos meios perdidos. Pois essas orientações são os rios e por sua vez as Barragens que esses rios alimentam que, tanto a EN103 ou o itinerário interior das estradas municipais de Montalegre vão acompanhando. Os rios são o Rabagão que alimenta a barragem dos Pisões e logo a seguir a da Venda Nova. O Rio Cávado alimenta a Barragem de Sezelhe e logo a seguir a de Paradela. A seguir a estas aparece a Barragem de Salamonde que é alimentada por ambos os rios. Ou seja, se estivermos próximos destes rios ou barragens, estamos próximos da freguesia de Ferral e por sua vez de Viveiro, pois a aldeia fica a 800 metros do Rio Cávado, a 2 quilómetros da Barragem da Venda Nova, a outros 2 Km da barragem de Salamonde e a 8 Km da Barragem de Paradela.

 

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Ainda antes de entrarmos nas nossas pesquisas sobre a aldeia de Viveiro, vamos às nossas impressões pessoais. Quase todas as aldeias da freguesia de Ferral, incluindo esta, são constituídas por um povoamento disperso, com o casario a surgir mais como pontos de apoio aos campos de cultivo. Pois Viveiro sai fora destas características com um povoamento concentrado ao longo da Rua principal e uma segunda rua que corta a primeira transversalmente dispondo-se a aldeia numa espécie de cruz, sendo esse cruzamento o centro da aldeia.

 

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Trata-se de uma aldeia pequena  que se dedica à agricultura e pecuária com os terrenos a desenvolverem em patamares que vão descendo numa espécie de anfiteatro até ao Rio Cávado, principalmente nos terrenos mais próximos da aldeia, notoriamente  muito repartidos, conforme o testemunham os inúmero muros, sebes ou mesmo arvoredo, que separam sobretudo pastagens, embora também seja notório que outras culturas seriam possíveis, onde até a vinha já é possível, bem à moda minhota, e as glicínias perfumam algumas das ruas em pequenas latadas de entrada nos quintais.

 

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Alguns canastros tradicionais contrastam com o casario de pedra solta à vista onde se usa um misto de paredes em xisto com parades em granito. Igualmente de granito à vista com juntas tomadas a argamassa erguem-se as paredes da pequena capela encimada nos topos da cumieira do telhado de duas águas por duas cruzes em granito. Lateralmente na continuação do cunhal direito do alçado principal, uma pequena e simples torre sineira terminando em arco perfeito, tudo numa só peça, de fabrico recente aparentemente em granito serrado.

 

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Vamos então àquilo que dizem os livros e documentos. No livro Montalegre encontrámos o seguinte:

“São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes), O Penedo dos Sinais (Viveiro-Ferral), o Penedo do Sinal, o Penedo da Ferradura e a Pedra Pinta (Vila da Ponte), o Penedo de Letra (Gralhas), o Penedo de Pegada (Ferral).”

 

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Não vimos o penedo atrás mencionado, isto pela nossa noia de partirmos à descoberta das aldeias sem nos documentarmos previamente, gostamos de ser surpreendidos  e deixarmos ao seus habitantes as indicações daquilo que eles acham importante. Às vezes ficamos a perder, como talvez seja o caso, mas fica a referência e desculpa para uma próxima visita.

 

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E como no livro Montalegre há apenas mais uma referência a Viveiro, a de que faz parte da freguesia de Ferral, passamos à Toponímia de Barroso.

 

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(a nota de rodapé é nossa)

“Viveiro de Ferral

O quarto topónimo desta freguesia[i] com referência escrita é Viveiro — IPSIS VERVIS — Não mudou uma letra desde 1258 INQ 1523! Como tal o mínimo que podemos dizer deste topónimo é que, além de viveiro, é muitíssimo vivedeiro! E não admirará tanto que assim seja visto que o seu campo semântico é enorme: vai da avicultura (aviário) à piscicultura (aquário) da agricultura à arboricultura, horticultura (com etapas em seminários e plantórios — primeiro as sementes e, depois, a replantação) etc. Os viveiros vão desde o cebolinho aos soutos, desde o arroz ais pinhais e dos deuses aos santos. Restaria saber de que era o nosso: do nome comum latino VIVARIU > VIVEIRO como tudo indica, de plantas ou animais ou tudo junto.”

 

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E continua a Toponímia de Barroso:

“ Temo-lo contudo, documentado pelo casal de Pigarzos  (sic):

- 1258 « in villa de Viveiro casale de Pigarzos» — o que não deixa de ser um achado. Bem assim a referência das INQUIRIÇÕES de 1282 «Item Viveiro e ende per barreira a verea e ende pela carreira»."

 

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Quanto à Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Nomes do “Rio” intermédio:

 

Carabunhas de Vila Nova,

Conspiradores de Covelo

Rabinos de Loivos,

Peixeiros de Sidrós,

Papa-ventos de Ferral,

De Viveiro não sai graeiro,

Carrapatos de Pardieiros,

Borra-ladeiras de Santa Marinha,

Carvoeiros de Nogueiró.

Dizem os da Ponteira:

Fomos a Paradela

Davam-nos caldo

E não tinham tigela!

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

  

 

  

 

[i] Freguesia de Ferral

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:56
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Domingo, 18 de Março de 2018

O Barroso aqui tão perto - Codeçoso ( Meixedo)

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A nossa aldeia de hoje do Barroso aqui tão perto é Codeçoso da Chã (às vezes também grafada como Codeçoso de Meixedo ou Codessoso). Por nós grafamos a aldeia com Codeçoso e o “apelido” da Chã, por de terras da Chã e porque em alguns documentos antigos assim aparecer grafada mas também, talvez a principal razão, para a distinguir de outra aldeia do concelho de Montalegre com o mesmo topónimo – Codeçoso do Arco, esta da freguesia da Venda Nova, enquanto que a nossa aldeia convidada pertence à  freguesia de Meixedo, hoje União de Freguesias de Meixedo e Padornelos. Contudo, ao longo deste post, vai aparecer apenas grafada como Codeçoso, e às vezes como Codessoso se assim estiver no texto original que transcrevermos.

 

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Hoje vamos ser muito breves nas nossas impressões pessoais, isto porque ao contrário daquilo que acontece com a maioria das aldeias do Barroso, em que pouca documentação encontramos sobre elas, sobre Codeçoso da Chã temos muita informação, e mais à frente entenderemos o porquê.

 

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Mas iniciemos pelo habitual itinerário e localização, coordenadas, altitude e o nosso habitual mapa.

 

Pois Codeçoso fica a aproximadamente 3 km da Vila de Montalegre. Indo pelo itinerário que hoje recomendamos, que mais uma vez é o da estrada de S.Caetano – Soutelinho da Raia (como sempre com partida em Chaves), na última aldeia antes de chegar a Montalegre, Meixedo, desviamos à esquerda e apanha-se a estrada para Codeçoso. Mas se em Meixide tomarmos a estrada via Pedrário/Sarraquinhos, aí temos de virar à esquerda antes de chegarmos a Meixedo. Embora o nosso itinerário no mapa esteja assinalado com passagem por Vilar de Perdizes, deverá ir por Pedrário/Sarraquinhos, pois penso que até meados de abril deste ano a estrada via Vilar de Perdizes, por motivos de obras, continua fechada ao trânsito.

 

Quanto às coordenadas de Codeçoso são:

41º 49’ 10.12” N

7º 44’ 41.38” O

Altitude: 980m

 

mapa-codecoso.jpg

 

Pois às 7H34 do dia 14 de agosto de 2016 quando entrámos na aldeia para a nossa recolha fotográfica,  no ar ainda pairavam aromas de ressaca e a aldeia ainda estava engalanada de festa . Tivéssemos nós ido umas horas antes e ainda tínhamos botado um copo e dado um pezinho de dança no arraial das festas de S.António, abrilhantado pelo Grupo Musical «S.A. Sons do Arrasto», interrompido à meia-noite pela «Grande sessão de fogo de artifício». Não sabíamos, pois se soubéssemos, se calha, até éramos meninos para isso.

 

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Não sei se pelos adornos da festa, logo à entrada da aldeia suspeitámos que iriamos ser surpreendidos pela positiva, e em geral, as primeiras impressões são sempre aquelas que valem e prevalecem e Codeçoso não desiludiu, aliás penso que as fotografias são testemunho disso mesmo. Passou assim a ser mais uma das aldeias do Barroso de visita obrigatória. Gostámos do que vimos e gostámos da simpatia dos madrugadores com que conversámos. E como hoje ainda temos muita escrita pela frente, ficamo-nos por aqui quanto às nossas impressões pessoais.

 

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Iniciemos por falar de um filho da terra a que roubámos grande parte das palavras que virão a seguir, pois é ele o autor da “Monografia de Codeçoso” onde quase tudo que interessa dizer sobre a aldeia, está lá. Esse filho da terra é já um Ilustre Barrosão que dá pelo nome de João Barroso da Fonte, com um extenso curriculum, que por falta de espaço deixamos um que encontrámos no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses:

 

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João Barroso da Fonte  
[Codeçoso/Montalegre, 1939]  

 

Frequentou o seminário de Vila Real entre 1952 e 1962. Em 1966 entrou para o Curso de Oficiais Milicianos em Mafra, sendo mobilizado para a guerra colonial, em Angola, em 1965. De volta a Portugal em 1967, fixa-se em Chaves, onde foi professor no Liceu e chefe de redacção do semanário Notícias de Chaves. Em 1975 mudou-se para Guimarães. Matriculou-se na Faculdade de Filosofia de Braga, onde concluiu a licenciatura (1981) e fez o mestrado em Filosofia em Portugal e Cultura Portuguesa com a tese O Pensamento e a Obra de Alberto Sampaio (1997). 

Foi director da Comunicação Social na Zona Norte (delegação do Porto), entre 1983 e 1985, vereador e presidente substituto da Câmara Municipal de Guimarães, de 1985 a 1990, e director do Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães, de 1990 a 1995, ano em que se aposentou. 

Ligado à informação regional vimaranense e vilarealense, aos referenciais que vão de Chaves a Montalegre e com particular carinho pela região barrosã, tem feito breves surtidas pelo campo etnológico – não só em livro como em Trabalhos da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia – ou por autores nacionais que divulgou em A Tribuna e, com maior assiduidade, na revista Gil Vicente

Jornalista desde os quinze anos, fundou e dirigiu os jornais Além-MarãoG. I. Espaço Novo,Sentinela: Jornal dos Combatentes do UltramarA Voz do Combatente e Voz de Guimarães(1999), dirigiu a revista Gil Vicente e o jornal Comércio de Guimarães e colaborou em diversas revistas e jornais diários e regionais. Em 1999 retomou a publicação de Poetas e Trovadores, mensário de artes e letras. 

Fundou e dirigiu várias associações e é sócio de muitas outras. Criou, organizou e promoveu jogos florais e cursos de iniciação ao jornalismo e participou, com comunicações, em congressos e encontros de escritores. Prefaciou cerca de meia centena de livros, sobretudo poesia, de vários autores. 

Foi condecorado com as Insígnias da Ordem do Rio Branco, com o grau de Oficial, pelo Presidente da República Federal do Brasil (1990), com a Medalha do 1º. Centenário da Abolição da Escravatura Negra do Amazonas (1991) e com as medalhas de Mérito Militar e Comemorativa das Campanhas de Angola (1965-1967).

in Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. VI, Lisboa, 1999

 

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Espero que o autor não se importe por lhe trazermos aqui as palavras da “ Monografia de Codeçoso”, mas é por uma boa causa e pela sua terra. Pelo meio vamos metendo umas fotos para ir descansando os olhos da leitura. Então começa assim:

 

Monografia de Codeçoso

 

CODEÇOSO - É uma das aldeias mais próximas da vila de Montalegre, sede do concelho. Até à reforma administrativa de 1836 o concelho de Montalegre era mais conhecido por «Montalegre e Terras de Barroso», compreendendo o actual concelho de Boticas e parte dos concelhos de Terras de Bouro, o então concelho de Ruivães e algumas povoações do actual concelho de Chaves. As terras de Barroso já assim eram conhecidas ao tempo dos primórdios da nacionalidade Portuguesa. Nos primeiros documentos medievais é simplesmente conhecido por «Terras de Barroso», confrontando a norte com a Galiza, a Oeste com Terras de Bouro, a sul com Vieira do Minho e Cabeceiras de Basto e a nascente com o Rio Tâmega, do concelho de Chaves. Estas confrontações colhem-se no «Ensaio Topográfico Estatístico», de J. Santos Dias; em «Portugal Antigo e Moderno» de Pinho Leal e em «Corografia de Portugal» do P. Costa Carvalho.

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Esta ampla região Barrosã tem várias e importantes serras: Larouco (com 1.525 metros, a 2ª mais alta de Portugal continental), o Gerês, a Cabreira, as Alturas, também conhecida pela Serra do Barroso ou «Cornos das Alturas» e Leiranco, para além do Ferronho e do Monte Gordo, que se situam entre Codeçoso, Cepeda e Fírvidas. E tem os seguintes Rios: Cávado que nasce na serra do Larouco e desagua em Esposende; Rabagão que nasce em Codeçoso e dá origem à maior albufeira do país, conhecida por Pisões; Beça que nasce perto de Serraquinhos; Terva que nasce em Ardãos e Assureira que começa em Meixedo, passa perto de Gralhas, Solveira e Vilar de Perdizes e reentra em Espanha para desaguar no Tâmega.

Há diversas povoações no norte do país com o mesmo nome, a saber: Codeçoso do Arco ou Venda Nova que foi uma espécie de cruzamento das antigas derivações da Via Romana; Codeçoso do actual concelho de Boticas; Codeçoso de Canedo, no concelho de Celorico de Basto; Codeçoso no Concelho de Braga e há também outro Codeçoso no concelho de Famalicão. A origem do topónimo é a mesma: deriva de «codesso», um arbusto que pertence à família das leguminosas e que é típico da região nortenha. Inicialmente a palavra escrevia-se com dois «ss». A evolução semântica generalizou o topónimo em «ç».

Por aqui andaram os mais antigos povos que deixaram vestígios, ainda hoje bem visíveis, nos dólmenes, antas, castros, pedaços de via romana, marcos miliários, moedas, etc. Isto confirma que as «Terras de Barroso» foram pertença dos Alanos, dos Vândalos, dos Celtas, dos Romanos, dos Suevos, dos Godos, dos Visigodos, enfim, dos Iberos, nome que melhor traduz todos quantos povoaram a Península Ibérica.

Jerónimo Contador de Argote afirma nas suas «Memórias e Antiguidades», e tantos outros autores que se lhe seguiram, confirmam que Barroso, ao tempo dos Romanos, era atravessado por três vias imperiais:

 

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a) a primeira dessas vias ía de Chaves a Braga, passando por Codeçoso. O trajecto era o seguinte: Chaves, Casas dos Montes, Pastoria, Seara Velha, Castelões, Soutelinho, Solveira, Ciada (também conhecida por Caladuno que seria uma grande cidade, situada perto de Gralhas), Meixedo, Codeçoso, Peirezes, S. Vicente da Chã, Travassos da Chã, Penedones, Pisões, Currais, Codeçoso do Arco, Ruivães, Braga;

 

b) o Bispo de Uranópolis também mandou estudar estas duas ramificações da via romana e concluiu que os itinerários eram diferentes. Um seguia este trajecto que passava em Codeçoso, coincidindo, em grande parte, com o antigo caminho vicinal que ligava a Gorda a Codeçoso pelo Vilarinho, Varja, Gata, Toutarelo, Lamarelhas, atravessando a aldeia e seguindo por Meixedo, rumo a Chaves. Era este pedaço de via romana que atravessava duas antigas povoações que antecederam Codeçoso. Chamavam-se «Pardieiros» e «Portela da Urzeira». Estes lugares ainda hoje existem como terrenos aráveis. Com o aparecimento de Codeçoso, que se situa entre aqueles dois lugares, estes desapareceram, transformando-se em terrenos que pertencem a moradores do actual povoado. A outra derivação separava-se em Codeçoso do Arco, indo para Chaves, por Salto, Carvalhelhos, Curalha, etc.

 

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IMPORTÂNCIA CASTREJA E RELIGIOSA DE CODEÇOSO - Durante muitos anos Codeçoso pertenceu à freguesia de S. Vicente da Chã. É por isso que habitualmente aparece com esse designativo. Como a Chã, desde o tempo de Dinis, pertencia à Comenda do Convento de Santa Clara de Vila Conde, Codeçoso pagava os tributos religiosos a esse Convento, ao contrário da maior parte das restantes freguesias e aldeias de Barroso que pertenciam à Ordem Militar dos Templários. Estes elementos podem ler-se no livro «Montalegre e Terras de Barroso» do Padre João G. da Costa que esclarece muitas das afirmações que aqui tentamos resumir, a propósito de Codeçoso. Aí se diz que somente a freguesia da Chã (à qual Codeçoso pertencia), Morgade e Negrões dependiam do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. E, segundo Duarte Nunes Lião, in «Portugal Económico, Monumental e Artístico» (1935), D. Dinis, em 1291, «por escambo, ou seja, por troca, doava ao Convento de Pombeiro, a freguesia de S. Vicente da Chã. Logo Codeçoso, já nessa recuada data, existia e contribuía, ora para o Convento de Vila do Conde ou para o de Pombeiro». Mais precisamente, seguindo Gonçalves Costa: «a freguesia de S. Vicente pertenceu à Ordem Militar dos Templários (fundada em 1118, em Jerusalém), entre 1291 e 1319. D. Dinis viu essa Ordem aprovada por Bula pontifícia de 14-3-1319, com o nome de «Ordem de Cristo». Lê-se no livro de Gonçalves Costa que «os Templários tiveram efectivamente, na Chã, um Convento, com a respectiva igreja, cuja parte inferior denuncia estilo românico do século X . Em conclusão podemos ter por certo que a Chã, com S. Vicente, Negrões e Morgade, foram pertença dos Templários nos princípios do século XIV». A Igreja paroquial ainda é hoje considerada monumento nacional. Se referimos aqui, com este relevo, a freguesia de S. Vicente é pelo facto de nessa altura Codeçoso lhe pertencer, religiosamente.

 

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Mas Codeçoso valeu e vale, sobretudo, pelos vestígios românicos. Erradamente os vários autores atribuem a Medeiros e a Meixedo castros, dólmenes e antas que lhe pertencem. O Castro que dista, para poente, cerca de 500 metros da E. N. Montalegre - Chaves, inscreve-se no termo de Codeçoso. Chama-se «o Cabeço dos Mouros» e está por escavar. É sempre citado como sendo de Medeiros o que constitui um erro grave. Aí apareceu uma «ara» na veiga de Carigo que actualmente se encontra no Museu Etnográfico com o nº 5.206, escreve João Gonçalves da Costa, páginas 30/31. Na mesma página se diz que existe um dólmen no Monte do Facho que há anos ainda tinha três esteios aos quais o povo chamava «O Casulo do Facho». Mas situa esse espólio no termo de Meixedo. Se for entendido como freguesia compreende-se. Se for entendido como lugar, então deve dizer-se, no termo de Codeçoso.

 

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Já atrás dissemos que houve dois antigos povoados no actual termo de Codeçoso: um nos «Pardieiros» e outro em «Portela da Urzeira». Por ambos passava a via romana. E foi pena que no fim do século XX, já nos nossos dias, com o intuito de arranjar os caminhos para os tractores, fosse entupido esse troço de via romana, por onde, o autor desta pequena nota e toda a sua geração, ainda transitaram, longos e penosos Invernos. Afinal, prova-se que o progresso nem sempre é aliado da arqueologia…

 

Também no lugar das Motas, onde a estrada que serve Codeçoso se cruza com a nacional, ainda é visível uma anta, também conhecida por «cova da moura». Esse relevo orográfico foi vandalizado aquando do arranjo da estrada. Foi pena porque nunca fora estudado.

 

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Em Vale Ferreiro, já dentro do terreno que foi subtraído à aldeia para delimitar o «Posto experimental», existem uns penedos, rasteiros, quase invisíveis com a vegetação, que nos nossos tempos de pastor tinham várias letras e outros símbolos. Valia a pena estudá-los. São vestígios rupestres, possivelmente de grande importância histórica. E ali não é preciso neutralizar barragens para as localizar, como em Foz Côa.

 

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CAPELA DE S. NICOLAU - Embora não seja sede de Freguesia, Codeçoso tem uma das mais sugestivas capelas com Sacrário, onde com alguma frequência se celebram actos religiosos, para além de aí se fazerem todos os funerais. É dedicada a S. Nicolau, padroeiro da aldeia. Quase todos os anos, quando a emigração não a tinha desertificado, se celebrava a festa anual. No começo deste século, a colónia de Codecenses radicados na cidade de Bridgeport, nos Estados Unidos da América, tem-se substituído aos resistentes que pela aldeia ficaram, promovendo a festa religiosa e profana, o que constitui um acontecimento comunitário que tem merecido nalguma imprensa luso-americana, justos aplausos. Também, aqui, os felicitamos pelo bom gosto que têm tido em proclamar uma terra pobre e distante dos grandes palcos, mas berço de ilustres filhos, em cujo historial todos eles merecem estar inscritos. Diga-se que a talha dessa linda e fascinante capelinha é das mais ricas da região. Não se conhece a data da sua construção. Mas sabe-se que já por alturas de 1700 foi alvo de beneficiações que foram retomadas nos nossos dias.

 

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FORNO DO POVO - Codeçoso tem um forno comunitário que tão útil foi, pelos tempos fora, a quantos ali nasceram e cresceram ou que mendigavam, de terra em terra. Para estes sempre foi a hospedaria que nunca se fechou, fosse aos «da volta», fosse a quem fosse. Esse imóvel, a exemplo dos fornos de outras aldeias, deixou de funcionar, porque passaram a existir os fornos particulares e o pão se comercializa, hoje, já prontinho a comer-se.

 

O BOI DO POVO - Também o boi do povo, que era património de toda a aldeia, deixou de existir, praticamente, pelas mesmas razões. As lamas do boi que, como ele, eram comunitárias, deixaram de ter sentido. E também a corte do boi, por desnecessária, foi, em plebiscito comunitário, transaccionada a favor do arranjo urbanístico. A Junta de Freguesia consultou o povo que por esmagadora maioria trocou essa corte por um sobrado junto ao largo da capela, com vista a ser este demolido, para ampliar o largo.

 

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 A ESCOLA FOI DOADA À COMUNIDADE - A mesma decisão implicava a escola primária que fora construída pela população em 1950/1951 e aberta em 1952. Meio século depois deixou de ter alunos. A Junta solicitou a cedência, alegando que ela fora feita pela Gente do Povo. A Câmara foi sensível. E estuda-se uma finalidade comunitária para ela, o que não será difícil por não existir ali nenhuma associação ou centro cultural, desportivo e recreativo. Há que prender ao meio os poucos que ali se aguentam. De outro modo desertam todos…

 

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AQUI NASCE O RIO RABAGÃO. Mesmo que outras razões não houvesse para conferir a importância de Codeçoso bastava o facto indesmentível de ser aos pés da aldeia que nasce o famoso Rio Rabagão. Começa por gerar um fio de água na lama do boi. Logo aí existe uma pequena ponte para permitir a passagem aos carros bois e peões. Banha todo o fecundo vale de cerca de dois quilómetros, lado nascente, regando hortas e lameiros, para além de, por muitos anos, ter dado razão de ser aos moinhos que se construíram no seu leito. Hoje esses moinhos não funcionam, a exemplo de outros que eram pertença da aldeia e que se situavam no leito do Rio Cávado. É uma pena não reaproveitar estes utilitários engenhos artesanais, mesmo que apenas fosse para inscrever num eventual roteiro turístico da região. O Volume 17 da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira escreve: «O rio nasce no lugar de Codeçoso da Chã, freguesia de Meixedo, concelho de Montalegre. Percorrendo um semi-círculo e após atravessar as freguesias de Chã, Vila da Ponte e Pondras e de receber alguns regatos e ribeiros que o avolumam, vai desaguar na margem esquerda do Rio Cávado, um pouco abaixo da lendária Ponte da Mizarela. Esta ponte foi construída no séc. XIX, substituindo outra que se atribui aos romanos. Em 16-V-1809 o exército francês que retirava para Espanha foi atacado nesta ponte pelas ordenanças de Montalegre. Entre 21-XII-1826 e 29-I-1827 e ainda em 7-V-1827, nesta ponte se travaram combates entre as forças realistas e as forças  liberais». O rio tem um curso de 42 km e a sua água foi aproveitada para construir as barragens de Pisões e da Venda Nova, célebres por utilizarem, entre si, o único sistema de bombagem existente em Portugal. A construção destas duas barragens, bem como a do Alto Cávado que abastece a de Pisões, através de um túnel que perfura a serra de Viade, na extensão 4.800 km e ainda a Barragem de Paradela, empobreceram o concelho porque absorveram os mais produtivos vales, obrigando muitas famílias a debandar, preferencialmente para o Minho. O Rabagão é um dos mais importantes rios portugueses não só pela abundante e saborosa truta, como, e sobretudo, pelo facto de no seu leito e no leito do Cávado se terem construído, além das albufeiras já citadas, a de Salamonde e Caniçada. Apesar de ser o sistema CávadoRabagão que mais energia produz em Portugal, os Barrosões pagam a luz ao preço mais elevado no mercado, o que constitui uma tremenda injustiça para com as populações que foram espoliadas, directa ou indirectamente.

 

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CRUZEIRO REMODELADO - A Junta de freguesia mandou rodear o sopé do histórico cruzeiro do mais bonito largo comunitário com um interessante muro de granito, como convinha que fosse. Também colocou do lado oposto um mostruário com vitrinas para colocar os avisos e editais. Do Ferruco deslocou, melhorando, as alminhas que foram aproximadas da aldeia e em frente ao Cemitério. Ali bem perto foi construído um abrigo para segurança dos alunos que em auto-carro, se deslocam para as Escolas Preparatórias e Secundárias da sede de concelho. Entretanto foi alcatroado o ramal que liga o lugar do Cemitério a Lavrateixeira, encurtando o espaço e retirando o movimento desnecessário pelo centro da aldeia, cujas ruas são estreitas. Medidas que se louvam, porque agradam e servem a todos.

 

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DISTRIBUIÇÃO DOMICILIÁRIA DO CORREIO e outras beneficiações. A Junta ordenou a colocação de caixas de correio em cada habitação. E colocou em cada rua o seu nome original, identificando as ruas para que carteiros, cobradores e toda a gente conheça os cantos à aldeia. Também a Junta de Freguesia pretende – e muito bem – reestruturar as “tornas” da água de rega. Não se compreende que há mais de meio século não se tenha actualizado esse processo comunitário que tão importante se torna para quem aí vive e tem terrenos para  rega. Uns regam tudo e outros nada só porque não tem havido coragem de mexer no hereditário sistema. Não há justiça nem se compreende que permaneça como está o processo das “tornas” da água de rega pública. Ficará na História como medida correcta, quem tiver a coragem de ajustá-la aos nossos dias. Também a Junta pretende proteger a piscina do instinto do gado bovino que ali mata a sede, pondo em perigo a saúde de quem ali tome banho. Pretende a Junta construir, ao lado, bebedouros de substituição. Outra medida que se aplaude.

 

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COMPLETAR O SANEAMENTO - A rua principal e a rua do Carvalho já têm saneamento básico. Foi realizado em épocas distintas e foi importante porque há cidades que ainda não o têm em zonas densamente habitadas. A primeira fase foi instalada, há bastantes anos, ao tempo de Carvalho de Moura como Presidente da Câmara. A segunda fase foi feita ao tempo de Fernando Rodrigues. Sucede que a rua que dá para a Seara e também a que dá para a Trigueira têm muitas habitações que precisam de beneficiar desses justos melhoramentos. A Rua do Carvalho, que era das mais exíguas e que somente tinha três famílias, de repente passou a ver em reconstrução mais sete prédios velhos que, quando prontos, vão transformá-la, possivelmente, numa rua modelo. Talvez em 2004 esse projecto esteja concluído e sirva de estimulo a outros Codecenses. É a rua que serve a Escola, desde agora centro comunitário. O reaproveitamento dessas casas em ruínas para habitações de férias e fins de semana dos seus donos serviu de mote a uma comunicação apresentada no III Congresso de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Bragança, em Setembro de 2002. Uma dessas casas reaproveitadas, contígua à Escola, foi, por volta de 1700, a estalagem do almocreve. Ainda nos lembramos de aí funcionar uma taberna. Onde pernoitavam os cavalos dormimos hoje nós. É por decisões destas que passa o futuro das nossas aldeias comunitárias.

 

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POPULAÇÃO - Codeçoso foi sempre, desde que há dados estatísticos, uma aldeia média em termos de densidade populacional. Talvez pelo facto de ser a segunda aldeia mais próxima da vila tenha contribuído para isso. Como sucedeu com outras gentes de terras vizinhas, a agricultura e agro-pecuária foram, pelos tempos fora, a única forma de subsistência. Como não havia artistas daqui naturais, muitos dos que vinham de fora, nomeadamente do Minho (trolhas e carpinteiros) por aqui casavam e ficavam. Mas pelos anos cinquenta/sessenta do último século, as coisas mudaram. A emigração levou os mais corajosos para a América, para o Brasil e para os países da Europa Central. Aí por volta de 1950 Codeçoso teria cerca de meio milhar de habitantes. Havia lares com dez e onze filhos. A terra era pouca e a agricultura era posta à prova para dar sustento para todos. O surto emigratório, a guerra e a evolução social e académica foram causas próximas da quase desertificação do povoado. Os Estados Unidos da América, nomeadamente a cidade de Bridgeport, acolheu mais de uma centena dessa geração que pela via da descendência se elevou já para quase três centenas. São esses que transportaram na bagagem a saudade e amor a Codeçoso. Anualmente fazem aí o que deixaram de fazer na terra que lhes serviu de berço. Sempre com os olhos postos no lado de cá, regressando sempre que podem, com a simplicidade que daqui levaram e que constitui a grande virtude deste Povo ao qual pertencemos e que aqui saudamos, fraternalmente.

 

Barroso da Fonte (19/04/2003)

 

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E no livro "Montalegre" encontrámos o seguinte:

 

"A Capela de São Sebastião é um dos poucos sinais vivos da enormíssima devoção a este Santo, depois da peste de 1570, e, sobretudo, após o renascimento do Sebastianismo, com a morte de D. Sebastião, em 4 de Agosto de 1578. Pertence hoje à freguesia a povoação de Codessoso que antigamente pertenceu à freguesia da Chã. Nesta povoação, em 1258, pagavam ao rei a oitava de todos os frutos excepto a herdade de cavaleiros e de Dona Maiorina. E, pelo São Miguel, os de Codessoso (as mais antigas referências deste topónimo não autorizam outra grafia) tinham de entregar simples espáduas com pão e, como todos os da Chã, iam ao apelido e davam a refeição e a cevada ao mordomo do senhor rei. Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).

 

Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travaços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!"

 

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Da Toponímia de Montalegre, hoje ficamos só com a alegre, uma quadra:

 

Se fores a Codessoso

Reza a S.Nicolau;

Mas quem melhor te defende

É a camola ou um pau!

 

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Ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTE, Barroso, (2003), Monografia de Codeçoso.

 

 

WEBGRAFIA

http://www.dglb.pt/sites/DGLB/Portugues/autores/Paginas/PesquisaAutores1.aspx?AutorId=9735

 

 

 

 

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Domingo, 11 de Março de 2018

O Barroso aqui tão perto - Sabuzedo

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As nossas partidas para o Barroso, em geral, fazem-se sempre ao nascer do dia. Depois de recolher os parceiros de viagem e dependendo do roteiro previamente elaborado, viramos para a estrada de Braga (EN103) ou para a estrada do S. Caetano (EM507). Vá-se por onde se for, há sempre paragens obrigatórias. Para a nossa aldeia de hoje, Sabuzedo, recordo que tomámos a estrada de S. Caetano, com duas paragens obrigatórias, uma à entrada do concelho de Montalegre para lançar olhares e fazer mais uns registos da Serra do Larouco e outro na Vila de Montalegre para tomar café e finalmente despertar para o dia.

 

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Em Montalegre a paragem/pausa para o café de despertar é sempre na esplanada da padaria do Largo do Pelourinho. É aí que se vai fazendo o ponto da situação, ou seja, como os parceiros de viagem confiam nas minhas escolhas, arrancam sempre às cegas, vão para onde eu os levar e é aí, que lhes participo o roteiro e aquilo que nos espera, combinamos o local para almoço, etc.

 

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Pois para esse dia o roteiro era longo. Começava em Donões e terminaria em Outeiro, com passagem por Sabuzedo, Mourilhe, Cambezes do Rio, Frades do Rio, Sezelhe, Travassos e Covelães para a parte da manhã. Para a tarde ficaria Pitões das Júnias, Tourém, Paredes, Parada de Outeiro e Outeiro. Geralmente as manhãs cumprem-se sempre, depois de almoço é mais complicado, mesmo assim ainda fomos até Pitões e Tourém.

 

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É certo que regressamos destas descobertas do Barroso sempre com espírito e alma renovadas, mas também sempre com o corpinho a pedir umas boas horas de repouso, mas sempre com o espírito de missão cumprida, principalmente quando pensamos que no Barroso já não temos mais descobertas a fazer e ele acaba sempre por nos surpreender, e nesse dia 2 de setembro de 2016, surpreendeu-nos mais uma vez, com as aldeias de Donões e Sabuzedo, que até aí não conhecíamos, pois as restantes já eram nossas conhecidas.

 

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Entremos então em Sabuzedo que começa logo a surpreender antes de se entrar na sua intimidade, pois nem todas as aldeias gozam de uma localização tão privilegiada que enche logo o olhar ainda antes de se entrar nela, dispondo-se em anfiteatro na encosta da montanha a receber o sol da manhã, a pedir logo uma fotografia mal se começa a avistar ao longe.

 

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E aquilo que se vê ao longe promete, uma aldeia de aglomerado concentrado, com a escola lá no alto, a encosta da montanha a terminar num biquinho, muito verde envolvente e arvoredo, daquele que gostamos de ver por condizer com a região, os carvalhais. Apenas um pouco reticentes quanto à brancura das casas que sobressai no conjunto, pois geralmente é sinónimo de novas construções que ferem a integridade das aldeias tradicionais. Mas só entrando na aldeia é que poderíamos tirar conclusões.

 

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 E tal como se costuma dizer, as aparências iludem. Ao entramos na aldeia, quase parece que por magia, o tal branco das casas desapareceu, e a cada passo que dávamos no adentramento da aldeia, mais surpreendidos íamos ficando. Como era possível existir assim uma aldeia a apenas 4.8km Montalegre e nunca termos dado por ela. Pois estávamos perante uma das aldeias tipicamente barrosãs do Alto Barroso onde o granito a vista é rei e senhor com uma aldeia que vai mantendo a sua integridade. Os tais pontos brancos do casario que ao longe se avistam, dentro da aldeia não são assim tão percetíveis e depois de uma leitura mais atenta sobre a localização das mesmas, acabam por estar na periferia do núcleo histórico da aldeia, ou seja, onde devem estar.

 

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Quanto aos traços da arquitetura típica das aldeias barrosãs, estão lá todos, os tanques, bebedouros e fontes públicas, o casario de pedra à vista com meios lances de escaleiras sem proteções encimado por patamares de entrada cobertos com estrutura de madeira, testemunhos no telhado das antigas coberturas de colmo, alminhas, a capela, gado nas ruas, um cruzeiro, etc.

 

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Quanto ao meu destaque, vai mesmo para o conjunto do casario tradicional, e para as alminhas, não só pela sua singularidade com a particularidade do relógio de sol, mas também pelo seu enquadramento onde até o fontanário com bancos de repouso, embora mais recente, acaba por ficar bem, ou como se costuma dizer na moda, acaba por fazer pandã. Na inscrição das alminhas está bem visível a data de 1858, no entanto não me parece que todos os elementos existentes sejam da mesma data.

 

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Já fomos adiantando a localização de Sabuzedo e o itinerário para chegar lá, mas vamos ser mais precisos. Pois quanto ao itinerário já dissemos que é o da estrada de S. Caetano, EM507, que até Montalegre não há que enganar. No entanto a estrada no concelho de Montalegre entre Vilar de Perdizes e Meixide tem estado em obras e por vezes cortada ao trânsito. Assim sendo, a melhor opção é após passar Meixide virar à esquerda em direção a Pedrário/Sarraquinhos, que por aí também se chega até Montalegre e a paisagem até é interessante.

 

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Chegado a Montalegre, Sabuzedo fica a Noroeste da Vila, a apenas 4,8km. Há que atravessar a vila e apanhar a M305, ou seja a estrada que nos leva até ao campo de futebol de Montalegre, passa-se este e quase logo a seguir vira-se à direita em direção a Donões, passa-se ao lado desta e a seguir é Sabuzedo. Mas ficam as coordenadas e o nosso habitual mapa.

41º 50’ 34.79” N

7º 49’ 57.04” O

Altitude: entre os 950 e 1000 metros

Saliente-se que Sabuzedo esta implantada na encosta de uma das serras mais altas do concelho, logo a seguir à Serra do Larouco, do Gerês e do Pisco de Tourém, ou seja no Cabeço do Alto  com 1.322 m.

 

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Administrativamente Sabuzedo pertencia à freguesia de Mourilhe. Com aquela coisa da reorganização administrativa de 2013,  a aldeia passou a pertencer à União de Freguesias de Cambezes do Rio, Donões e Mourilhe.

 

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E o que dizem os livros e documentos sobre Sabuzedo. Pois não dizem muito, mas fica aqui aquilo que encontrámos nas nossas pesquisas, iniciando pelo  Livro “Montalegre” (os realces e sublinhados são nossos):

 

"Só o concelho de Montalegre tem mais de cento e cinquenta capelas com quase outros tantos oragos. Não há praticamente povoação que não tenha ao menos uma, mesmo tendo a sede de freguesia.

As alminhas são o dobro, mais ou menos, das capelas e algumas de singular aspecto. Destacam-se as alminhas de Sabuzedo. Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!"

 

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Na página da freguesia de Mourilhe (suponho que seja anterior à união de freguesias), encontrámos mais alguns dados sobre a aldeia:      

Alminhas e Capelas

 Capela de Na. Sra. do Carmo, a sua construção foi dedicada a S. Miguel Arcanjo. Alminha em homenagem a Na. Sra. do Carmo e Alminha com relógio de Sol.

Forno Comunitário 

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO

Tem lugar no último Domingo de Julho. Festa religiosa com missa e procissão em volta da aldeia.
A parte profana consta de arraial e fogo de artificio.

 

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Vamos à “Toponímia de Barroso”

 

Sabuzedo

“ É um nome comum “sabugo” cujo étimo latino é SA(M)BUCU. Dá origem a numerosos topónimos dos quais, os mais raros, são o nosso e Sabugueses. Claro que uma planta (que antigamente se chamava sabugo e hoje é sabugueiro – trata-se de situação muito parecida com o pinho e pinheiro) não tinha poder para toponomizar! Acontece que com a aglomeração dessas plantas já tal pode acontecer como, aliás, especifica o seu sufixo ETU — EDO, que sugere quantidade.”

 

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E continua a Toponímia:

“ O nosso topónimo ter-se-á erguido a partir de Sabucu + edo — sabucedo e, por abrandamento do c intervocálico, Sabuzedo, lugar de sabugueiros. A forma intermédia  Sabucedo (facto claríssimo da lógica evolutiva dos vocábulos) aparece na localidade próxima, do outro lado da fronteira."

 

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E ainda na Toponímia:

"— 1258 “Item, de Savozedo cum toto suo termino, quod est divisum et demarcatum faciunt de pane quinque quiniones  et de duobus quinionibus dant Domino Regi octavam partem panis et eiradigam”. Isto é: De Sabuzedo com todo o seu termo que está dividido e demarcado fazem cinco quinhões de pão e de dois quinhões dão ao rei a oitava parte do pão e a eirádiga."

 

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Ainda na “Toponímia de Barroso”, na  Toponímia alegre temos:

 

Carvoeiros de Cambeses,

Calça-marela de Contim,

Ferros-velhos de São Pedro,

Formigotos de Vilaça,

Salta-Sebes de Paredes,

Chibinhas de Parada,

Paus mandados de Seselhe,

Carraceiros de Travaços do Rio,

Verguinhas de Fiães,

Aluados de Loivos,

Arreguicha Covelães!

Anjolas de Frades,

Nabiços de Mourilhe,

Trombalazanas de Sabuzedo,

(ou Tarouqueiros de Sabuzedo)

Couveiros de Paradela.

 

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Bem queria deixar aqui mais um pouco sobre Sabuzedo, mas mais nada encontrei. Assim sendo e como ainda me restam umas fotos para meter no post, deixo-vos com uma “História da Vermelhinha” de um Ilustre Barrosão, que infelizmente há pouco nos deixou — Bento da Cruz.

 

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A Colheita do Sal

 

Num passado ainda recente, os barrosões viam-se em palpos de aranha para arranjarem sal para o governo da casa. A estrada só chegava a Ruivães. Daqui para cima, o sal, vindo do mar, tinha de ser transportado em burros e por caminhos de cabras. Trabalho duro!

Por isso não admira que um dia o ti Pedro, de Cima, se saísse com esta para o ti João, de Baixo:

— Ó compadre! Tenho andado cá a matutar numa coisa.

— Diga, compadre.

— E se nós, em vez de andarmos todos os anos a correr para Ruivães atrás do sal, semeássemos umas rasas dele para nosso governo?

— Tem razão, compadre. Mãos à obra. Sempre ouvi dizer que o sal se dá bem onde houver muita água. Ora a minha Lameira, como o compadre sabe, é um atoleiro. Se estiver de acordo, semeamo-la de sal, a ameias.

— Por mim, é para já.

Espalharam o sal, embeberam o terreno de água e aguardaram o tempo quente para a colheita.

 

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Chegada a Primavera, o terreno enxugou e os dois compadres foram ver o resultado.

Encontraram a Lameira viçosa, mas, de sal, nem pitada.

— Homessa! Aqui há mistério! — disse o ti Pedro.

— Já sei o que é, compadre! — atalha o ti João.

— O quê?

— Os saltões que devoram o sal à nascença. Temos de correr com eles…

— É capaz de ter razão, compadre. Vamos a isso.

Muniram-se cada um com seu estadulho e foram, descalços, guardar o sal. Era cada saltão uma estadulhada.

Nisto, ti Pedro dá no rasto dum gafanhoto do tamanho dum gaio. Manda-lhe uma cacetada. O bicho furta-se. Ti Pedro, segunda. Saltão salta. Ti Pedro, tau! Saltão, traz! Ti Pedro enfia o pé num atoleiro, desequilibra-se, rodopia sobre si mesmo e tomba desamparado de costas num silvedo.

 

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— Ó compadre! Ó compadre, acuda! — grita ti Pedro de pernas para o ar e cu a arder nas silvas, — Compadre! Ó compadre!

Como o compadre não acudisse nem respondesse, ti Pedro tanto estrebuchou que lá conseguiu desenvencilhar-se das silvas. Limpa o sangue dos olhos e que vê ele? Ti João de costas, especado a meio da Lameira.

— Compadre! — grita de novo ti Pedro.

E ti João mudo e quedo.

Vem de volta e planta-se-lhe de frente.

— Compadre!

Compadre, nada.

 

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Atónito, ti Pedro olha pelo compadre abaixo. E foi então que reparou no dedo grande do pé direito do compadre a apontar para o céu. Olha compadre acima, e vê a sobrancelha direita a apontar para a cabeça. Segue na direção indicada, dá com o gafanhoto comodamente refastelado na careca do ti João. Manda-lhe uma cachaporrada, bum! Ti João, baque!

— Lá o matei, com seiscentos diabos! — exclama ti Pedro. — Ou será apenas desmaiado?

Após breves momentos de hesitação, deita unhas a um caldeiro velho de carrar cinza, que para ali estava abandonado, corre à mina, enche-o de água, volta a toda a pressa, espeta uma grande zapada nas ventas do compadre. Ti João sacode as orelhas, abre os olhos e pergunta:

— Matou, compadre?

— Matei! — responde ti Pedro, todo contente.

— Então valeu a pena, catano! — diz ti João, acariciando um galarispo do tamanho dum ovo a meio da careca…

Bento da Cruz, In Histórias da Vermelhinha

 

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Agora sim, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

http://www.terralusa.net/?site=116& sec=part1  

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:58
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Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Brandim

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Vamos lá até mais uma aldeia do Barroso do Concelho de Montalegre, desse Barroso aqui tão perto de nós e que muita da nossa gentinha lhe passa ao lado sem dar por ele, sem conhecer e descobrir as suas maravilhas, onde há do melhor no que respeita à nossa gastronomia, acompanhada de bons vinhos que não produzem mas sabem escolher, com rios e ribeiros de águas cristalinas, cascatas e paisagens de encantar, fauna e flora para explorar, parques naturais, etc, tudo aqui ao lado a partir dos vinte e poucos quilómetros, a meia hora de caminho ou pouco mais.

 

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Hoje vamos até Brandim, a 52 quilómetros de Chaves a menos de uma hora de viagem, seja qual for o itinerário que escolhermos até lá chegar, mas como sempre recomendamos um deles e deixamos alternativa para um segundo itinerário.

 

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O itinerário recomendado cai mais uma vez pela opção da estrada de Braga, EN103 até à Barragem dos Pisões, passando por S.Vicente da Chã, Travassos da Chã. Penedones, Parafita e Viade, pois logo a seguir, ainda antes de chegar à aldeia dos Pisões, viramos à direita (CM1011) e dois quilómetros e pico à frente temos Brandim. Esta estrada CM1011 é uma das secundárias mais interessantes do Barroso, mas mais à frente falaremos dela. Fica o nosso habitual mapa e de seguida o itinerário alternativo.

 

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A opção pelo itinerário que deixámos atrás foi tomada apenas por ser o mais rápido e de melhor estrada.

 

O itinerário alternativo, em termos de distância, é quase idêntico ao itinerário recomendado, é mais curto em apenas 100m (51.9Km), mas demora mais tempo a percorrer e é maioritariamente feito em estradas secundárias, no entanto, pessoalmente, acho-o mais interessante. Trata-se o itinerário via estrada do S.Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, aqui no final da aldeia, na bifurcação da estrada optamos pelo lado esquerdo em direção a Pedrário e Sarraquinhos, nova viragem à esquerda em direção a Zebral, com passagem pelo Cortiço e logo a seguir o Barracão, ou seja, entramos no itinerário por nós recomendado, pois a partir do Barracão até Brandim o itinerário é comum.

 

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Para sermos mais precisos, e também como vai sendo habitual, ficam as coordenadas e altitude da aldeia:

41º 45’ 39.01” N

7º 53’ 18.91” O

Altitude média: 950 m (sempre acima dos 900 e abaixo do 1000m)

 

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Pois entremos em Brandim, coisa que na realidade nós fizemos pela primeira vez há coisa de um ano, mais propriamente no dia 21 de abril, já a meio da tarde, num dia nublado e com alguma chuva e para sermos sinceros, não tomámos nenhum dos itinerários que aqui recomendámos, pois foi num outro itinerário em que Brandim calhava no regresso a casa, já vindos de outras aldeias barrosãs. Penso que tínhamos deixado para trás já meia dúzia de aldeias, fazendo a nossa abordagem a Brandim a partir da aldeia vizinha de Fervidelas. Ou seja, entrámos na aldeia pela seu “parque industrial” de grandes armazéns e construções mais novas e só depois é que entramos no seu centro histórico.

 

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É, as aldeias também são um pouco como as cidades, com o seu zonamento à sua escala. Coisas novas, a nós, passam-nos ao lado, pois também a arquitetura se globalizou e aparecem cópias de tudo por todo o lado. Nós gostamos mais daquilo que se fez no passado, com as mãos dos filhos das aldeias em que a arquitetura que mandava era a da necessidade daquilo que precisavam, com aquilo que tinham à mão, ou seja, a pedra que a terra dava, a madeira que tinham nas poulas e a arte dos artistas locais (pedreiros, carpinteiros) além da gente da casa. E podem crer que dessa arquitetura caseira, local e simples, nasceram muitas relíquias dignas de serem apreciadas, não só pelos pormenores, mas também pelas soluções encontradas, mas o mais impressionante é que nunca havia duas construções iguais. Todas seguiam mais ou menos a mesma identidade mas sempre diferentes.

 

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Claro que esta riqueza arquitetónica sente-se mais nas aldeias de maiores dimensões do que nas de menores dimensões. Brandim é uma aldeia pequena, daí a variedade também não ser grande, mesmo assim tem pormenores interessantes e pelo meio algumas intervenções mais recentes, mas continua a manter-se a integridade da aldeia.

 

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Construções típicas barrosãs também as há, ainda com o testemunho do murete de amparo do colmo em alguns telhados, alguns canastros, a capela pequena, de pedra à vista com uma característica que muitas capelas e igrejas hoje não “cumprem” ou seja a da preocupação da sua orientação em que os fieis ficam virados para Oriente “ad orientem”. Alminhas também vimos e o restante, à volta da aldeia, o verde das pastagens, algumas com gado dentro. Gado que a nossa teleobjetiva também conseguiu captar já em pleno monte, um pouco entregue a si próprio como vai ainda acontecendo um pouco pelo Barroso fora.

 

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E neste andar por meios rurais vamos tendo a sorte de às vezes “tropeçarmos” com a fauna local. Em Brandim tivemos a sorte de uma Poupa posar para nós. Não é que por cá não as veja com alguma regularidade, pois já são um pouco urbanas, mas muito esquivas à fotografia. Esta não, esperou pelo clique e só depois partiu. Poupa que eu conheço como Boubela mas cujo nome científico é Upupa Epops . Bonitas são, mas quem já as teve por perto, dizem que cheiram mal. Como nunca estive perto de uma, não sei se é mito ou verdade.

 

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Se forem pelo itinerário que recomendámos no inicio, vão ter as vistas gerais da aldeia à vossa disposição para fotografarem. Se como nós entraram vindo de Fervidelas, só dão conta da aldeia quando entrarem dentro dela. Seja como for, se regressarmos a estrada CM1011, recomendo que façam o regresso a Chaves via Montalegre, isto para poderem apreciar as vistas e aldeias que esta estrada atravessa, pois é raro elas calharem nos itinerários principais dentro do Barroso.

 

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Esta estrada CM1011 liga a EN103 à M514 e M308. Saindo da simbologia das estradas, na prática liga a Barragem dos Pisões à Barragem de Sezelhe, ou seja, faz a ligação entre o Rio Rabagão e o Rio Cávado e pelo caminho além de Brandim, passa ainda por Contim,  São Pedro, ao lado da Srª de Vila Abril, passa por cima do paredão da albufeira de Sezelhe  e termina no cruzamento da aldeia com o mesmo nome.

 

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Administrativamente falando, Brandim pertencia à freguesia de Viade de Baixo mas com aquela coisa da união de freguesias, passou a pertencer à União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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Nas nossas pesquisas encontrámos algumas referências a um “Povoado romano localizado num monte sobranceiro à aldeia de Brandim, do lado Noroeste, denominado Vale do Antigo ou Monte do Grito. São ainda visíveis fragmentos de cerâmica de construções de tipologia romana. 

Segundo a população local, aquando de trabalhos agrícolas encontraram-se aqui vários fragmentos cerâmicos e restos de mós. Junto a um muro de propriedade destacam-se umas escadas bem talhadas na rocha.”

 

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Esta informação do povoado romano encontrámo-la em dois sites da internet, no entanto não encontrámos nenhuma referência ao mesmo nas páginas oficiais do município ou livro “Montalegre”, nem tão pouco noutros livros e documentos que costumamos consultar, daí esta pequena justificação. Contudo no “Archeologo Português”  há uma referência a Brandim: “No aro de Brandim, segundo nos informaram, têm aparecido algumas mós manuárias.” O texto é de Fernando Braga Barreiros, Montalegre, Junho de 1914.

 

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Só nos falta abordar a “Toponímia de Barroso”, pois no restante, sobre Brandim, nada, nem no livro “Montalegre” onde há apenas uma referência, a de que a aldeia faz parte da freguesia de Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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Vamos então à “Toponímia de Barroso”:

 

Brandim

“A raiz deste vocábulo é o nome pessoal germânico Branda pelo genitivo (indicativo da posse de terras e outros bens) de forma alótropa  Branda+inus, portanto, (villa) Brandini, > Brandim.

Foram possessões de um tal Brandino.

Não aparece nas Inquirições mas sim no Arq.Hist.Port. e já com 11 fogos o que deixa supor que já existia sob outro nome, bem como Telhado.”

 

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Na “Toponímia Alegre” não há nada para Brandim, o que não é mau de todo, pois mais vale nada do que ser apelidado com um impropério, que faz rir os vizinhos mas  não deve agradar muito aos apelidados, suponho!.

 

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Bem queria deixar por aqui mais qualquer coisinha sobre Brandim, mas nada mais encontrei e inventar não está muito nos nossos hábitos. Mas numa última tentativa encontrei dois lugares no facebook que vão parar direitinhos a Brandim:

 

https://www.facebook.com/brandim.aldeia

https://www.facebook.com/groups/110814602938121/about/

 

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E ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, desde o último fim de semana, passaram a estar na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

1600-barroso XXI (172)

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

https://www.allaboutportugal.pt/pt/montalegre/monumentos/povoado-de-brandim-vale-do-antigo

https://www.igogo.pt/povoado-de-brandim-vale-do-antigo/

 

 

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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Morgade

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A nossa aldeia de hoje no “Barroso aqui tão perto” é Morgade, aldeia e sede de freguesia no limite de terras da chã, do Barroso da Chã, e entenda-se esta chã por aquilo que o termo significa, ou seja, o de chão plano ou extensão plana de terra, porque de facto, as terras de Morgade assim eram até à chegada da Barragem do Alto Rabagão ou dos Pisões, que lhes invadiu com água os seus chãos mais baixos e planos, ainda hoje bem visíveis quando a cota de água desce na Barragem.

 

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Para quem não sabe onde fica Morgade, já ficou a dica de ficar em terras da Chã, mesmo à beirinha da barragem dos Pisões, mas vamos ser mais precisos e traçar o nosso habitual itinerário a partir da cidade de Chaves.

 

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Pois para ir até Morgade, como quase sempre, temos várias opções. Vamos ficar por duas, com a mesma distância, 37Km,  e aconselhar uma. A opção que aconselhamos, por ser mais rápida e melhor estrada é a da estrada de Braga, a EN103, com partida de Chaves e depois é só seguir por ela até ao Barracão. Aqui podemos abandonar a EN103 e tomar a EM525 que nos levará até Morgade, no entanto recomendo continuar pela EN103 até à Aldeia Nova do Barroso, e aí sim, abandona-se a EN103, ficamos com a Barragem dos Pisões à vista e logo a seguir é Morgade. Fica o mapa com o itinerário.

 

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Em opção ao anterior trajeto, temos a estrada do S. Caetano (EM507), via Soutelinho da Raia, depois Meixide e aqui, no final da aldeia a estrada bifurca, uma via Vilar de Perdizes e outra via Pedrário e Sarraquinhos. Opta-se por esta segunda via, mesmo porque a outra, atualmente está cortada por motivo de obras. Seguimos então para Pedrário e Sarraquinhos. Aqui vira-se em direção a Zebral, passa-se ao lado de Cortiço e logo a seguir temos o Barracão. A partir de aqui entramos na parte final do itinerário que aconselhamos, traçado no mapa. A distância em ambos os itinerários é de 37Km, como atrás referido, mas o primeiro, embora menos interessante, é mais rápido e com melhor estrada.

 

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Morgade é assim uma das aldeias ribeirinhas da Barragem dos Pisões, ou quase, pois entre a aldeia de Morgade mais antiga e a Barragem, existe a Aldeia Nova de Morgade que adotou o topónimo de Criande. A placa à entrada da aldeia está pintada de branco, escondendo-lhe o nome lá inscrito, mas nota-se que é Criande o que por lá está gravado. É notório que há ali uma questão mal resolvida entre Morgade e Criande, polémica na qual não quero entrar e nem sequer tenho esse direito. Aliás Criande, além desta referência, não será hoje aqui abordada. Está reservada para um futuro post mais alargado onde irão entrar todas as aldeias novas do Barroso, fazendo-se um pouco da sua história.

 

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Mas seja qual for o conflito existente entre Morgade e Criande, se é que existe, a verdade é que oficialmente Morgade é a sede de freguesia de 4 localidades, onde se conta a própria aldeia de Morgade, a de Carvalhais, Criande e Rebordelo.

 

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Embora Morgade calhe com frequência no nosso itinerário de visitas ao Barroso, a verdade é que para fazemos a recolha fotográfica da aldeia, só lá parámos 2 vezes, ou vez e meia, pois na primeira abordagem (em 2014), estávamos nós no largo da igreja e alguém da aldeia nos falou da capela de S. Domingos e das vistas que desde lá se alcançavam. Não resistimos à provocação/tentação e depois de termos feito duas ou três fotos da igreja, encartámos as máquinas e bota para o alto de S. Domingos, onde confirmámos as tais vistas anunciadas.

 

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CAPELA E ALTO DE S. DOMINGOS – IMPERDÍVEL E IMPERDOÁVEL

Desde já o Alto de S. Domingos é mesmo imperdível, ou melhor, é de visita obrigatória pois as vistas desde lá se podem lançar são mesmo imperdíveis. Vistas sobre toda a barragem, mas também sobre os mares de montanhas de onde se avistam as serras mais importantes do Barroso, como as Serras do Larouco, do Gerês, do Barroso da Mourela e outras das quais não sei o nome. No livro “Montalegre” no capítulo “Festas”, a de São Domingos é uma das que destaca, precisamente pela sua envolvência paisagística.

 

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Nas Memórias Paroquiais de 1758 também Morgade já era referida pela Capela de S. Domingos e o 4 de agosto, onde o povo ia em romagem e no seu dia se celebra a festa com romeiros de várias partes. É aqui que entra o IMPERDOÁVEL, por dois motivos. O primeiro é por mea-culpa por ter lá estado e não ter registado em fotografia a capela. O segundo motivo do IMPERDOÁVEL tem a ver com a razão porque não fiz a tal fotografia. Geralmente nunca fotografo aquilo que não gosto, foi o que lá aconteceu, não pela capela, que embora simples e pequena, tem toda a dignidade de uma capela e a beleza da sua simplicidade, mas pelo seu enquadramento em que é impossível não vermos o mamarracho que construíram junto a ela. Sei com quase toda a certeza que aquele mamarracho foi construído com todo o amor e carinho, possivelmente a expensas do povo de Morgade e dos romeiros, provavelmente até com o suor do povo de Morgade, e que terá uma finalidade nobre ou necessária, mas tudo isso não desculpa nem perdoa o mamarracho que lá está, inestético e a roubar o brilho que capela e o alto mereciam ter.

 

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MORGADE - POPULAÇÃO

Olhando para a evolução da população da freguesia de Morgade ao longo dos tempos, pelo menos desde que existem dados dos CENSOS, verifica-se um comportamento dentro do normal mas um pouco atípico, ou seja, demonstra o mesmo comportamento que as restantes freguesias do interior Norte de Portugal, com a população a aumentar até ao ano de 1960, e a diminuir a partir de aí. No entanto quase todas as freguesias verificam uma descida mais ou menos considerável nos CENSOS de 1920, explicada e justificada por um conjunto de fatores, como o foi a mortandade provocada pela gripe espanhola (a pneumónica) de 1918/1919 (60 mil mortos em Portugal), a I Grande Guerra com 10 mil mortos e um pequeno boom de emigração para o Brasil e Estados Unidos. Pois acontece que na freguesia de Morgade, no CENSOS de 1920 apenas perde 30 pessoas em relação ao CENSOS anterior de 1911.

 

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Desde 1864 a 1930 a população da freguesia de Morgade variou entre os 279 e os 386 habitantes, verificando-se uma linha de tendência de subida uniforme.  A diferença em relação às restantes freguesias dá-se a partir de 1930 e vai até 1960 em que a população subiu vertiginosamente, passando de 386 habitantes em 1930, para 811 em 1960. Inicialmente fui levado a pensar que este acréscimo de população se deveria à construção da Barragem dos Pisões, onde chegou a concentrar 15.000 pessoas na sua construção, no entanto descartei essa hipótese porque a barragem só começou a ser construída em 1958. Ao que se deve este fenómeno de uma subida tão vertiginosa da população? – Pois não o sei, mas mais difícil de explicar é ainda a descida de população, quase a pique, entre os anos de 1960 e 1970 em que a população desce dos 811 habitantes de 1960 para os 451 habitantes de 1970. Embora a descida de população entre 1960 e 1970 também tenha uma explicação em geral, com o primeiro boom de emigração para a europa e a guerra nas colónias, não justifica no entanto uma descida tão acentuada. Alguma coisa me escapa, pois, deve haver uma justificação. Já nos CENSOS seguintes, entre 1970 e 2011, nada a assinalar, pois verifica-se a tendência do decréscimo da população como nas restantes freguesias, com Morgade a atingir o seu mínimo de sempre (desde que há CENSOS), no ano de 2011 com apenas 228 habitantes. Saliente-se que são números da freguesia, ou seja, é toda a população de 4 localidades - Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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Quanto às nossas impressões pessoais sobre Morgade, verificámos ser uma aldeia que se desenvolve ao longo de um arruamento principal, tendo neste, dois largos de alguma importância e ambos ligados a um “serviço” comunitário da aldeia, o primeiro largo, logo à entrada da aldeia é onde se localiza a igreja, bem interessante por sinal, seguindo a arquitetura de outras da época com torre sineira dupla separada da igreja (em frente à entrada principal.

 

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O segundo largo da aldeia, é onde estão localizados um fontanário, tanque e bebedouro públicos, onde é notória a intervenção nova do tanque e bebedouro. Ainda neste largo existem umas alminhas que com a colocação (mais recente) de uma cruz no seu topo passou a alminhas/cruzeiro. Quanto ao casario é o típico nesta parte mais a Norte do Barroso, maioritariamente construções simples, com alguns abandonos e ruinas pelo meio.

 

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Quanto às nossas pesquisas encontrámos na página oficial do Município de Montalegre na internet algumas informações sobre a freguesia de Morgade:

  

"Andou muitos anos anexada, bem como Negrões, à; freguesia da Chã; as três constituíam uma Comenda do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. O fortalecimento das regras primitivas e da reforma contra a lassidão em que haviam caído os frades, levados a peito, ao longo do século XVI, originou um grande movimento de apoio das populações, no plano espiritual e no plano material, que as levaram a construir mosteiros e capelas. Vem daí a devoção dos morgadenses a São Domingos de Gusmão, revelada na edificação da sua capela e dos vilapontenses que lhe dão lugar de honra no altar-mor da sua Igreja. Era o comungar desta gente barrosã com os princípios da pobreza voluntária dos monges pregadores, também chamados mendicantes, os frades dominicanos (e os franciscanos) cuja glória mais significativa foi São Tomás de Aquino. E já que falamos de Santos não ficava nada mal – era até um acto de justiça – que os de Carvalhais devolvessem à sua Capela o orago primeiro que foi São Tiago, conforme muito bem expressa a nossa variante barrosã da belíssima lenda dos Sete Varões Apostólicos."

 

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 Onde tem também outras informações sobre a freguesia:

  • Área: 21.2 km2
  • Densidade Populacional: 10.8 hab/km2
  • População Presente: 230
  • Orago: São Pedro
  • Pontos Turísticos: Capela de São Domingos(Morgade) e Casas (Carvalhais).
  • Lugares da Freguesia(4): Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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No livro Montalegre também há algumas referências à aldeia de Morgade e freguesia:

 

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).”

 

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E continua:

“São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos) A Casa dos Mouros (Morgade), o Penedo Sagrado (Salto) A Mesa do Galo (Borralha-Salto),(…)”

 

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E ainda com:

 

"A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”.”

 

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E com:

 

“As Festas

Por falarmos em festas, algumas ocorrem cada ano por toda a região. As de mais nomeada e tradição são as festas concelhias ao Senhor da Piedade, que se realizam na capital, durante a primeira quinzena de Agosto; a de Salto, à Senhora do Pranto, em 1de Agosto; a de Vilar de Perdizes, à Senhora da Saúde, a meados de Junho; as das sete Senhoras, todas elas Nossa Senhora dos Remédios, em sete localidades diferentes de Barroso, no dia 8 de Setembro, etc. Muitas delas apresentam um programa de carácter etnográfico e recreativo e realizam-se em locais de impressionante envolvência paisagística. Entre estas destacam-se: a Senhora da Vila de Abril, na freguesia de Contim; a Senhora das Neves, na freguesia de Cabril; São João da Fraga, em Pitões; a Senhora de Galegos, na freguesia de Cervos (Cortiço); o São Domingos, em Morgade e o Santo António, em Viade.”

 

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“Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).”

 

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Na Etnografia Transmontana (II – O Comunitarismo de Barroso) de António Lourenço Fonte encontrámos as seguintes referências:

 

“Hoje na freguesia de Cervos e os de Gralhós e Morgade juntam muito o gado vacum. A partir do mês dos Santos a fins de Fevereiro, antes de entrarem nos Outonos (lameiros) cada pastor junta o seu gado com o de todos os vizinhos e todos guardam o rebanho, recolhendo à noite ao curral, na aldeia. Por todo o Barroso as ruas da aldeia ficam assim estercadas com a passagem diária de tanta fazenda (gado). Alguns estrumam as suas testadas, são as estrumeiras, para estercar as terras.(…)”

 

1600-morgade (1)

 

Saliente-se que o “hoje” do início da citação anterior se refere a 1977, ano de publicação do livro, que, e ainda no mesmo, noutra referência que transcrevemos a seguir, o “este século” é o século XX:

“Verdadeiramente só no princípio deste século, mais concretamente na 1ª grande guerra, aí por 1914 é que as riquezas mineiras de Barroso começaram a ter interesse mundial.

 

Assim na Borralha freguesia de Salto foram os belgas, mais tarde os franceses, que vieram explorar o volfrâmio, estanho, pirite, ouro, etc. No Bessa, na zona de Morgade, Rebordelo e Carvalho tem sido explorado em maior quantidade o estanho e menos o volfrâmio. (…)

 

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Ainda do mesmo autor (Padre Fontes) na Etnografia Transmontana, I – Crenças e Tradições do Barroso, encontrámos as seguintes referências:

 

NOMEADAS DAS TERRAS E GENTES

(…)

Pernas tortas de Vilar,

Tarouqueiros de Solveira,

Escorna cruzes de Solveira,

Da amarela de S. André,

Arreda que sou de Gralhas,

Largateiros de Pedrário,

Leites quentes do Antigo,

Ovelhas de Zebral,

Formigueiros de Serraquinhos,

Carvoeiros de Cepeda,

Financeiros de Fírvidas,

Fidalgos de Cervos,

Lobos de Negrões,

Largateiros de Morgade,

Troquistas de Torgueda

(Informou P. Domingos Barroso).

 

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E continua com as alcunhas das aldeias:

 

Travassos, terra dos abraços

Castanheira, terra da madeira

Penedones, terra dos homes

São Vicente, terra da gente

Torgueda, terra da merda

Peireses, terra dos reses

Gralhós, terra dos avós

Medeiros, terra dos peidos,

Negrões, terra dos Ladrões,

Frades, terra dos padres,

Cambezes, terra dos homens portugueses,

Montalegre, povo cigano, que muito pede,

Morgade, roubam muito e ninguém o sabe,

Meixedo, inda que vejam a morte, não têm medo.

(Informou Bento Joaquim, A. Alves de Travassos, 68 anos)

 

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E vamos agora espreitar o que se diz na “Toponímia de Barroso” a respeito da nossa aldeia de hoje:

 

"MORGADE

É o genitivo do nome pessoal germânico Mauregatus. Assim, uma “VILLA” Mauregati > Mourgade > Moorgade > Morgade, em:

- 1258 « de villa de Morgadi est» INQ 1518 donde se vê que no século XIII já só faltava “abrandar” o i em e — o que acontecia já na pronúncia."

 

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Na “Toponímia Alegre” mais duas achegas:

 

“Quem andou sempre topou:

Um cão de caça na Vila da Ponte,

Um ladrão em Morgade,

Uma lebre em Covelo do Monte

E uma puta em Viade.

Toda a vida se ouviu dizer

Quem sempre terá de haver:

Um cão de caça nas Alturas,

Uma lebre em Morgade,

Um puta em Parafita

E um ladrão em Viade."

 

1600-morgade (13).jpg

 

E ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, passaram a estar na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, António Lourenço, (1974), Etnografia Transmontana, I — Crenças e Tradições de Barroso. Coimbra: Edição do Autor.

FONTES, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II — O Comunitarismo de Barroso. Minerva Transmontana – Vila Real: Edição de Autor.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Sacoselo

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Sacoselo é a nossa aldeia barrosã de hoje, bem próxima da aldeia que deixámos aqui há 15 dias, a aldeia de Reigoso, embora Sacoselo já pertença à freguesia de Ferral. Assim, o nosso  itinerário para chegar a esta aldeia, como sempre a partir da cidade de Chaves, será uma cópia do itinerário até Reigoso.

 

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Tal como a aldeia de Reigoso, Sacoselo fica na transição entre o Barroso da Chã, o Barroso do Gerês, o Barroso do Rio e o Barroso de Salto e das Alturas. Fica mais ou menos ao centro das três Barragens (dos Pisões, Venda Nova e Padrela) a mais distante a dos Pisões a 9 km e a mais próxima a da Venda Nova a apenas 600 metros. E fica também entre dois dos rios mais importantes do concelho, o Cávado e o Rabagão, rios que alimentam as barragens atrás citadas.

 

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Vamos ao nosso itinerário com partida da cidade de Chaves que tal como aconteceu com a aldeia de Reigoso optámos por ir pela EN103 (Estrada da Braga), com a aldeia de Sacoselo a 63 km. Não há nada que enganar, é seguir sempre a EN103, passa-se a Barragem dos Pisões, logo a seguir passa-se ao lado de Vila da Ponte e logo a seguir, coisa de 2 Km, vira-se à direita para Ladrugães, passa-se ao lado desta e a seguir vem a aldeia de Reigoso que temos de atravessar, já na saída a estrada bifurca à esquerda para a aldeia de Currais e à direita para Sacoselo, que fica 3 quilómetros mais à frente.

 

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Para sermos mais exatos e para quem se guia pelas coordenadas, aqui ficam elas, mas também fica a seguir o nosso habitual mapa com o itinerário:

41º 42’ 22.36” N

7º 57’ 36.56” O

A aldeia fica implantada na vertente da montanha que descai para a barragem da Venda Nova e implanta-se entre os 797 e os 846 metros de altitude.

 

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Embora este seja o nosso itinerário para o post de hoje, quando abordámos pela primeira vez Sacoselo,  levávamos na agenda a visita às aldeias de Ladrugães, de Reigoso, de Currais e mais algumas após Sacoselo. Isto para vos dizer que já não ficámos surpreendidos com o que vimos em Sacoselo, pois as três aldeias que tínhamos visto antes já não deixavam margem para mais surpresas, em Sacoselo repetia-se a exuberância do verde das pastagens, as vistas lançadas mais além para o mar de montanhas, etc. Só não sentimos a presença da barragem  da Venda Nova, como aconteceu em Currais, que embora a 600 metros de distância, as encostas das pequenas montanhas não a deixam ver .

 

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Assim é natural que aldeias tão próximas partilhem das mesmas paisagens e do mesmo verde, no entanto têm sempre as suas singularidades que acabam por caracterizá-las, dando-lhes uma identidade própria, tal como acontece com os irmãos de uma família.

 

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Já atrás salientámos o verde que rodeia a aldeia, hoje pintado maioritariamente pelas pastagens e algum arvoredo, carvalhos, na maioria, mas a quantidade de canastros que existem na aldeia são um testemunho que outrora o verde era resultante do cultivo da terra, do milho, talvez do linho e mais recentemente também da batata. Não sei quais seriam as culturas, mas milho havia de certeza, e ainda deve haver, isto a julgar pelo estado de conservação de alguns canastros e do novo canastro que por aqui começa a aparecer já com recurso ao tijolo furado à vista e estrutura de betão armado, embora ainda apoiados nas antigas estruturas e fundações de granito.  Não são tão interessantes como os mais antigos, mas serão pela certa mais duradoiros.

 

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No restante chamou-nos a atenção algumas soluções construtivas interessantes, sobretudo as mais antigas, que embora hoje degradadas e abandonados, o costume, não deixam de ter ainda autênticos exemplares da nossa arquitetura rural. Casario simples, maioritariamente. Ficou-nos o olhares numas escaleiras redondas em semicírculos quase perfeitos, uma outra já muito degradada mas deixou à vista às várias camadas “arqueológicas” da sua arquitetura e construção, com o granito na base, a estrutura ripada de madeira de suporte do estuque ou aglomerados de argila, a chapa zincada, o tapamento posterior de uma porta com pedra miúda, etc. 

 

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Ao nível das construções é também notória a utilização daquilo que o solo tem, neste caso o xisto vai aparecendo com alguma frequência, ou melhor, uma mistura de xisto com granito, este último sempre de maiores dimensões e em componentes estruturantes da construção. Nota-se também a ausência de muretes de suporte nas coberturas que era utilizado para remate e acomodar do colmo, tão habitual nas aldeias do planalto do Larouco e um pouco por todo o restante Barroso.

 

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Intervenções novas com traços de modernidade também se fazem sentir e são bem visíveis, um no acrescento da capela em que o perpianho serrado de fabrico e perfeito, contrasta com o granito mais antigo da capela, de pedra mais irregular a pico de pedreiro, mas pelo menos a cor do granito é idêntica.

 

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No mesmo largo da Igreja, ao lado também é notória uma intervenção recente na construção de uma fonte/bebedouro de animais e um tanque coberto/lavadouro público e muro de suporte, tudo em granito azul, serrado e amaciado, à exceção do muro de suporte. Dá-lhe um ar limpinho e até higiénico, mas perde a rusticidade do mais antigo. No entanto, nada a dizer sobre esta intervenção, sempre é mais interessante que os antigos lavadouros público “tipo” de tijolo rebocado. Dá-me é a impressão que este lavadouro já chegou tarde, pois é também notório que tem pouca utilização, ao contrário de outros tempos, em que era mesmo uma necessidade. Mas se calha até estou errado, pois não sei se este novo lavadouro veio substituir um aí existente ou se existia outro lavadouro antigo. Para rematar, tem traços de modernidade mas até embeleza o largo.

 

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Ainda no mesmo largo há também uma nova construção/habitação seguindo os mesmos traços de modernidade, que se repetem numa ou outra reconstrução ou intervenção nova, mas na grande maioria a aldeia mantém a sua integridade de aldeia típica transmontana, embora já não tanto quanto a aldeia típica barrosã. Mas claro, que tudo isto vale o que vale, pois é apenas a minha opinião.

 

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Quanto às dimensões da aldeia, não é grande mas também não é das mais pequenas. A entrada na aldeia (para quem vai de Reigoso ou Currais) faz-se pelo largo principal da aldeia, onde se encontra a capela e a fonte/bebedouro/lavadouro, desenvolvendo-se a aldeia à volta de um aglomerado concentrado.

 

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Deixando as nossas observações pessoais, passemos àquilo que os livros e documentos dizem sobre a aldeia, pois na WEB nada encontrámos quanto à sua história ou outros que aqui possam interessar.

 

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Pois no livro Montalegre, para além da referência à aldeia pertencer à freguesia de Ferral, nada mais consta. Reparei, no entanto, que no livro é grafada com Z, ou seja, Sacozelo, e não Sacoselo, como aparece nas placas, e mapa turístico de Montalegre e em alguns documentos de Montalegre, incluindo na página oficial do município e da Junta de Freguesia na WEB, embora na primeira apareça a aldeia grafada das duas formas, com S e com Z, quase parece que é conforme lhes dá na gana. Não é que esta questão, à primeira vista, seja importante, mas agora em plena era digital até já faz alguma diferença, principalmente em catalogações e pesquisas, tal como me aconteceu hoje, pois na WEB tive de pesquisar nas duas formas do topónimo, o dobro do trabalho. E também não fica bem na página oficial estar grafada de ambas as formas. Decidam-se por uma, “e prontos”!

 

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Seja como for aqui no post é Sacoselo, pois foi assim que a vi nos mapas, embora se não a tivesse visto escrita e a tivesse de escrever pela primeira vez, escreveria Sacozelo, mas vamos à Toponímia de Barroso, que sendo do mesmo autor que o livro Montalegre, aposto que a aldeia está grafada com Z, ora vejamos:

 

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Pois é, perdia a aposta… Sacoselo, na Toponímia de Barroso está grafada com S:

 

Sacoselo

É também (só pode ser) o adjetivo secoso (de seco+oso) por sua vez do latino SICCU, “seco”. Portanto, terreno seco. Tão secoso era o terreno que ainda mais seco ficou no diminutivo ELO = SECOSELO. E como já vimos , o E surdo e mudo deu lugar ao A um pouco mais fácil de pronunciar. Não temos o topónimo documentado, infelizmente.

  

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Ora cá está, na toponímia foi-se à origem da palavra Sacoselo a partir da palavra secoso, que nos leva a terra seca. Pois eu estive por lá e não achei a terra assim tão seca, aliás a água até corria livremente por algumas valetas nas ruas da aldeia e os campos estão bem verdinhos. Pois se “selo” final de Sacoselo fosse “zelo” de Sacozelo, aí outro galo cantaria, pois, o zelo de zelar já tem outro significado que até seria bem mais nobre para a aldeia, atendendo ao que significa (empenho, cuidado, interesse, dedicação, desvelo…) Mas mais uma vez esta é a minha opinião e vale o que vale.

 

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Ainda na Toponímia de Barroso, mas agora na “Alegre” há ainda duas referências a Sacoselo:

 

Muito vagar teve Deus

Quando fez Cela e Sirvozelo

São Pedro e Contim

Nogueiró e Sacoselo.

 

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E ainda mais esta:

 

De Cabril são carvoeiros

Pata mansa de Sertelo;

Pica-burros em Pardieiros

E saca-bolsas de Sacoselo!

 

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E como nas nossas pesquisas nada mais encontrámos e já deixámos por aqui as nossas impressões e observações, se calha até em demasia, pois há coisas que seria politicamente mais correto aceitá-las tal qual nos as servem, mas, como não me está no feitio comer tudo que me dão e já tenho uma idade em que já escolho aquilo que como, também já me são permitidos alguns devaneios, e depois, quando não há documentos e escritos sobre as aldeias e tenho que meter alguma coisa entre cada fotografia para elas não ficarem aqui a monte, estes devaneios até dão jeito. Sinceridade acima de tudo!

 

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Pois finalizamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, desde o último fim-de-semana, passaram a estar na barra lateral deste blog, tudo porque no último fim-de-semana não consegui publicar o post com os links. Só depois de os retirar é que consegui. Mas há males que vêm por bem ou para bem, e assim passamos a ter os links para o Barroso sempre visíveis no blog e não apenas uma vez por semana. Tal como já disse, se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.jf-ferral.pt/

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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Domingo, 4 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Fafião

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No Barroso aqui tão próximo, vamos até à aldeia mais distante do nosso ponto de partida, vamos até Fafião, que dependendo do nosso itinerário a partir da cidade de Chaves, pode ficar a 80 ou 90 quilómetros de distância, mas às vezes vale a pena fazer mais 10 quilómetros e, se forem como nós que não gostamos de regressar pelo mesmo caminho, sempre pode tomar um itinerário na ida e outro na vinda. Mas como sempre recomendamos um, e para Fafião recomendo o itinerário via estrada de S.Caetano, com passagem por Montalegre, Paradela, Cabril, Pincães e finalmente Fafião.

 

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E se for até lá, não faça como nós fizemos na primeira vez que agendámos uma visita a esta aldeia, pois agendámos mais meia dúzia de aldeias que fomos vendo pelo caminho e quando lá chegámos já era tarde, estávamos cansados e a pensar mais no regresso a casa do que propriamente em descobrir a aldeia, mesmo assim, demos a nossa voltinha e depressa concluímos que teríamos que ir por lá outra vez, com tempo, muito tempo, ,mesmo que tivéssemos de passar por lá o dia, pois Fafião tem todas as condições para receber quem a visita, para a cativar e demorar a visita, e de verão, até “praia” pode fazer, não tem areal, é certo, mas pela certa que tem um penedo e uma poça de água cristalina à espera de si, e embora esses locais até sejam concorridos, há sempre lugar para mais um. Não experimentámos os penedos nem as poças, mas desfrutámos de umas minis fresquinhas à beira da “praia”. Claro que isto é só para a época de verão, pois de inverno há outros atrativos.

 

mapa fafiao.jpg

 

Já entenderam que fomos lá a segunda vez, onde chegámos logo pela manhã, fizemos a devida visita à aldeia, almoçámos lá e fomos fazer a assossega à beira do Rio Toco, que, sem ter a certeza, parece dar também pelo nome de Rio Fafião. Seja ele qual for, foi lá que fizemos a assossega enquanto outros desfrutavam do sol, dos penedos e da tal água cristalina. As cascatas ficaram para depois, em tempo oportuno.

 

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E quando já dávamos a visita por concluída, no regresso pelo outro itinerário pela qual poderíamos ter ido, ou seja, descer à barragem de Salamonde e daí apanhar a EN103 até Chaves, ou então, chegado à Venda Nova, subir às Minas da Borralha, Salto, Boticas e de novo a EN103 até Chaves. Mas ia dizendo que já tínhamos dado a visita por concluída quando somos de novo surpreendidos com o lobo e a paisagem sobre a barragem de Salamonde e mais além. Apeteceu mesmo esperar pela noite para ver o lobo a uivar à lua, mas como ainda não foi desta, lá tivemos que arranjar a coisa no Photoshop… uma pequena mentira construída com verdades.

 

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Embora já tivesse abordado o regresso, só agora é que vamos entrar em Fafião. A caminho de Fafião, veio-me á memória uma estória contada aqui no blog pelo Gil Santos em que falava do 101 de Fafião e do Rio Toco. Recordava a estória, mas não os pormenores. Assim fui ao mapa turístico de Montalegre à procura do Rio Toco e, em Fafião aparecem quatro pontos de interesse assinalados no mapa com os números, 2, 4, 101, e 104. Quando vi os números, disse para com os meus botões, - “queres ver que o 101 de Fafião já virou a ponto de interesse!?” Fui logo ver do que se tratava, mas afinal não era o nosso 101. Não estão a perceber nada do que estou para aqui a dizer, mas já a seguir, quando chegarmos à estória do 101 de Fafião, vós ides perceber. Para já o 101 do mapa refere-se às piscinas naturais no rio Fafião. O 102, esse sim, refere-se ao Toco – cascata, piscinas naturais, lagos, penedos, paisagem do Parque Nacional da Peneda – PNPG, mas também nada tem a ver com a estória do 101 de Fafião. Já agora o nº 2 refere-se ao fojo do lobo de Fafião e o nº 4 ao Ecomuseu do Barroso – Vezeira e a Serra.

 

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Vamos lá então ao 101 de Fafião, à estória. Nem sempre temos a felicidade de ter estórias das aldeias que trazemos aqui, mas com Fafião até essa sorte temos, pois existe pelo menos uma estória que até já passou aqui pelo blog, que é de autoria de um nosso colaborador e escritor, Gil Santos, estória que já há muito está em livro[i] e que até já foi contada numa das rádios nacionais. Claro que temos de a deixar aqui outra vez, mesmo porque se calha muitos de Fafião ainda não a conhecerão, e esta é a estória de um dos seus (pelo meio da estória vamos deixando umas imagens de Fafião que nada têm a ver com a estória, mas como temos muitas imagens, temos que as ir metendo onde calha melhor):

 

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O 101 de fafião

Fernando Calvão, militar de carreira hoje reformado, é pai da mulher que amo há três dezenas de anos. Às refeições domingueiras, mais demoradas, gostava de contar algumas das estórias mais significativas da sua larga experiência pelos quatro cantos do mundo. No início da sua carreira, anos cinquenta, o furriel Calvão cruzou-se, no dezanove de Chaves, com o cabo Santos, meu falecido pai, que cumpria o seu serviço militar obrigatório. Ao cabo Santos cabia a tarefa de quarteleiro, ao furriel o acompanhamento da instrução dos recrutas.

 

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Na altura, era exceção saber ler e escrever. Os analfabetos tinham oportunidade de aprender as primeiras letras na chamada Escola Regimental, entregue, neste quartel, ao alferes Ceroulas. Tendo este que se ausentar por uns tempos, foi o furriel incumbido de dar continuação às suas lições. Eram públicas as dificuldades do soldado 101 para aprender a juntar as letras. O alferes vivia angustiado! O furriel, aproveitando a oportunidade, quis surpreender o oficial com o 101 a ler no seu regresso. A estratégia era simples: utilizando a Cartilha Maternal João de Deus, explicava ao soldado que deveria olhar primeiro para o desenho e só depois para a respetiva palavra. Ensaiou-o, ensaiou-o e parecia tudo aprumado. O alferes regressou. O furriel Calvão acorreu a dar-lhe a novidade:

— Meu alferes, o 101 já sabe ler!

— Não me diga Calvão! Como é que você conseguiu? Chame-o lá.

E lá veio o 101 todo pimpão. Abriu-se o livro e vai de ler. O furriel apontou para a tigela e o 101 leu maurga; apontou para o pato e o 101 leu parreco; apontou para a caixa e o 101 leu caixote. O alferes não aguentou, agarrou-se à barriga e rindo a bandeiras despregadas só parou no empedrado da parada.

 

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Doutra vez, o furriel ministrava instrução de armamento ao pelotão do 101 que se encontrava num terreiro à sua volta. Explicava o funcionamento de uma metralhadora ligeira, cuja manga se apresentava cheia de furos laterais para arrefecimento do cano. O furriel explicava a comutação entre o tiro-a-tiro e o tiro de rajada:

— Quando se quer que a arma dispare tiro-a-tiro, põe-se o comutador nesta posição, quando se pretende que dispare muitos tiros de cada vez, põe-se na outra posição. — Depois continuou, brincando:

— Mas cuidado, porque se eu puser agora o comutador na posição de rajada e disparar, as balas saem todas por estes buracos laterais e vocês morrem todos. O 101, pasmado e, mais do que isso, assustado, gritou:

— Ai rapazes fuginde que o furriel é maluco e fode-nos a todos!

 

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No início dos anos cinquenta o Estado Novo estava na pujança e a palavra de ordem era amealhar. A poupança era quase uma religião! Nesta senda, o equipamento distribuído aos soldados era rigorosamente controlado em termos de duração. Um dos maiores problemas era fazer com que as botas durassem mais de um ano a cada militar. O nosso herói morava em Fafião, aldeia alcandorada nos picos da serra do Gerês e a uma centena de quilómetros de Chaves. Como na altura não havia transportes e o dinheiro escasseava, o 101 saía para fim-de-semana na sexta-feira, a pé, chegava à aldeia à noitinha de sábado, botava um copito, um cibo de boroa e uma racha de bacalhau, dava a volta ao lugar e regressava, nessa mesma noite, à cidade de Chaves. Porém, as botas é que pagavam a fatura de tal distância, daí que o comandante decretasse que todos os que morassem a mais de cinco léguas da cidade estavam proibidos de gozar o fim-de-semana. Foi um desconsolo para o 101, que doravante ficou a conhecer melhor os cantos à cidade.

 

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E muitas e muitas outras estórias, curiosas, eram contadas. E como eu gostava de as ouvir!

Como amante da pesca desportiva à truta e como trabalhei e morei, na segunda metade os anos oitenta, na Vila do Gerês, ia muitas vezes pescar para o rio de Fafião, também conhecido por Toco.

Um dia de abril encontrava-me sobre a ponte da Pigarreira, na altura ainda de pranchas de madeira maciça, cogitando sobre o que faria as trutas estarem de férias naquele dia. Do monte sobranceiro descia um rebanho de cabras acompanhadas pelo pastor de regresso a casa. Ávido de conversa com gente, por passar os dias a conversar com o gado, o pastor parou ao pé de mim. Dei-lhe corda, porque também eu queria conhecer melhor a zona e os seus hábitos. Depois de vários minutos de conversa de circunstância, lá veio a inevitável pergunta:

Antão vocemecê donde é?

— Sou de muito longe, uma terra que certamente não conhece. Sou de Chaves.

Notei um brilhozinho estranho nos olhos daquele homem simples.

 

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Num me diga! Eu fiz lá tropa em 1952. — Dizia o pastor.

— Então conheceu o cabo Santos? E o furriel Calvão?

Antão não conheci! O cabo Santos era muito meu amigo, matou-me a fome muitas vezes e o furriel Calvão enxinou-me a ler!

— Então diga-me lá quem é, para ver se o meu pai ou o meu sogro se lembram de si.

— Eu era conhecido pelo 101 de Fafião!...

Caí das nuvens!...

Então não acabava de conhecer o herói de tantas estórias?!

A vida sempre nos reserva cada uma!

 

Estória de Gil Santos

 

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Tal como atrás tinha dito, esta estória foi contada numa rádio nacional (RFM), no final do post há um vídeo com a gravação da estória. Mesmo que a tivesse lido, não deixe de a ouvir, pois faço-a acompanhar de todas as imagens que hoje vos deixo aqui. Está no final deste post.

 

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Dos pontos de interesse assinalados no mapa turístico do concelho de Montalegre, apenas visitámos o Rio Toco, junto à ponte que liga o Distrito de Vila Real ao Distrito de Braga e o posto do Ecomuseu, Não houve tempo para explorar o rio Toco, as cascatas, as piscinas naturais nem o fojo do lobo. Primeiro demos prioridade à aldeia, o Rio, as cascatas, etc., vão ter de ficar para uma próxima visita, mas lá iremos…

 

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Mas vamos ao que se diz sobre Fafião. Por exemplo no Livro “Montalegre”

 

A primeira referência no livro leva-nos até uma das “portas” do concelho de Montalegre e acesso à Vila de Montalegre, a “porta” de Fafião:

 

“Acessos

Na vila actual podemos entrar por várias portas. Quem circula pela Nacional 103, entre Braga (a 90 km) e Chaves (a 3 km), chega às Terras de Barroso desde Salamonde- Fafião, atravessando a zona ribeirinha de Cabril, do Gerês e do Rio; desde Vilarinho dos Padrões pela Barragem da Venda Nova e terras de Covêlo do Gerês e Paradela do Rio; desde a Chã – o acesso mais comum e fácil, pelo Alto da Corujeira; desde o Barracão – a porta do Rei D. Carlos, em 1907, que nos permite entrar por nascente; desde Chaves – pela linha da fronteira galega, a deslado das terras de Ervededo, de Meixide, Vilar de Perdizes, Solveira, Gralhas e Meixedo. E, antigamente, a esmagadora maioria visitante chegava a Montalegre pelo romântico Ourigo e Carvalhais do Avelar.”

 

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Na segunda referência a Fafião, curiosamente, faz alusão ao troço final do itinerário que nós recomendamos para chegar à aldeia:

“Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis. A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo;”

 

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Continuando no livro Montalegre:

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril;”

 

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Mais uma referência a Fafião, à boleia do Parque Nacional da Peneda Gerês no qual a aldeia está integrada;

“Uma das atracções do concelho de Montalegre é que, uma quarta parte do seu território, mais de 200 quilómetros quadrados, integram o único Parque Nacional do País, o da Peneda-Gerês. Dele fazem parte seis freguesias num total de dois mil habitantes distribuídos por vinte e seis povoados. Serve-lhe parcialmente de fronteira o rio Cávado que recebe águas de vários ribeiros do Parque e fazem, em cada recanto, a sedução dos visitantes: o Rio Mau que une as freguesias de Seselhe e Covelães; o rio Campesinho que, depois de lavar os pés ao Mosteiro de Pitões, se despenha em rumorosa cascata; o rio Cabril que desce das brenhas infernais entre as Minas dos Carris e a Garganta das Negras e nos brinda com as mais belas piscinas naturais do mundo, escavadas no granito; e, por fim, o rio Fafião ou Toco que corre abruptamente entre penedais e arvoredo e lança as águas na barragem de Caniçada.”

 

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Mais uma referência no livro Montalegre onde, a meu ver, o autor na lista que deixa de aldeias, peca por defeito, pois há muitas mais aldeias no Barroso que bem poderia integrar essa lista:

“Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.”

 

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E mais uma referência no mesmo livro, que, naquilo que conhecemos, subscrevemos:

“Curva após curva, ao longo da EN 308, surgem vistas de sonho. Cabril, Santo Ane e Fafião são nomes de aldeias a não esquecer. Em Fafião visite o Fojo do Lobo, os lagares de azeite, aprecie a gastronomia de montanha (o javali), contemple os penhascos da majestática Serra do Gerês, delicie-se com a panorâmica do Vale do Cávado e repouse à sombra dos pinheirais.”

 

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E agora passemos ao topónimo Fafião, recorrendo à “Toponímia de Barroso”:

 

Fafião

Radica em Fafila, nome pessoal já documentado em:

-915 Fafila, D.C.21, pelo genitivo Fafilani < Fafiani > Fafião. Ao contrário do que por vezes se afirma não são os nomes terminados em ane, na antroponímia, que resultam em ão; chegam ao ão os que terminam em ani.

Não queria deixar de referir um casal existente na freguesia de Salto que se chama Fáfia. Creio tratar-se da mesma raiz, Fafila, com uma evolução de sentido normal. Aqui se reproduz a afirmação da tónica Fá por influência tardia de Fafes e Fafe. Não me admiraria que o nome se devesse ao fidalgo Fafila Luci (Fafes Luz) por ser ascendente de outro nobre da mesma linhagem que aí se aposentava e ao qual os saltenses chegaram fogo ao paço onde dormia, talvez por estarem cansados de p aturar e dos gastos que com ele e com a comitiva faziam. Falam desse facto as INQUIRIÇÕES:

-1258 «…dixit quod Dominus Rex est patronus (de Salto) et habet ibi palatia et arsserunt quando pausavit ibi Godinus Fafiz».

 

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Em quase todas as pesquisas que fiz, aparecem várias vezes a referência ao comunitarismo da aldeia, nomeadamente as vezeiras, o fojo do lobo, o rio Toco (lagoas, penedos e cascatas) e também os lagares de azeite. Referências também a uma associação que dá pelo nome de Vezeira – Associação de Desenvolvimento de Fafião, que na sua página na net diz o seguinte: “ É uma Associação sem fins lucrativos, reflete a vontade é o dinamismo da comunidade da aldeia de Fafião da Freguesia de Cabril. O Principal objetivos é não acabar com o comunitarismo e manter as tradições e costumes de esta aldeia do Parque Nacional da Peneda Gerês.” . Pelas preocupações da associação, poder-se-á concluir que o comunitarismo da aldeia está em perigo. Não sei se ainda existem vezeiras, os lagares de azeite comunitários, o forno do povo. Se existem e se funcionam, na minha visita à aldeia não dei por eles nem nos foi apontado com lugares a visitar (forno e lagares).

 

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É notório que Fafião é uma aldeia turisticamente muito procurada, pelo menos de verão, nas nossas duas visitas notava-se algum movimento turístico. Nota-se na aldeia, em termos de casario recuperado, ter havido alguma preocupação em manter a integridade da aldeia e que para além da aldeia há outros atrativos que chamam gente interessada neste tipo de turismo rural, como o rio Toco e suas lagoas e cascatas, as barragens, a montanha, a paisagem, trilhos que sem dúvida alguma devem ser interessantes para quem gosta de caminhar e a atração do lobo possivelmente ainda andar na serra. Tem onde se pode comer, restaurantes e onde pernoitar, isto pelo que pude ver na net e em alguns panfletos turísticos, mas também lá, pessoalmente o pude verificar. Pelo que conheço e já percorri todas as aldeias do concelho de Montalegre, sem dúvida alguma que é a aldeia mais turística do concelho, sente-se isso estando lá, já o mencionado comunitarismo e ruralidade da aldeia não é sentido.

 

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Uma das obras que consultámos foi a Etnografia Transmontana – II – O Comunitarismo de Barroso, de António Lourenço Fonte (Padre Fontes). Uma edição já com algum tempo ( de 1977), em que aborda também Cabril, nomeadamente o lagar de azeite e o comunitarismo:

 

“Faião é a última aldeia, da freguesia de Cabril, nas faldas do Gerês, da região de Barroso. Como em toda a freguesia de Cabril o comunitarismo está em patente e vivo. Moinhos, lagares de azeite, alambiques comuns, vezeira da rês, boi do povo, trabalhos do povo, fojo, este em bom estado, tudo aqui devemos visitar”

 

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E continua:

Desde tempos imemoráveis se colhe azeite. Hoje, vemos dispersas muitas oliveiras, velhinhas, descuidadas, sem dono, infrutíferas. Há dois lagares do povo: o de baixo, mais antigo e em funcionamento e o de cima, ou do Muro, em ruínas, parado há cerca de 11 anos, devido à questão das águas. Este fica junto à aldeia, perto do fojo. O de baixo, dista meia hora a pé, cinco minutos de carro, no rio Toco, no porto das ovelhas, junto à estrada que vai para a Ermida do Gerês.

 

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E continua:

Descrevo o de cima, pois o de baixo ainda se pode ver a funcionar. Contudo hoje ambos estão condenados à ruína, devido à facilidade de levar azeitona a lagares mecânicos, em Vieira di Minho (1) — { A nota (1) diz o seguinte: Em Pincães há um lagar de azeite, em Cabril outro e 2 na Peneda (Covelo do Gerês) todos parados}.

 

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E continua com a descrição do lagar de azeite, o abandonado:

“ Está situado, junto a uma série de alambiques de herdeiros, alguns também em ruínas. É movido a água de nascente. Devido a questões com água e com os herdeiros o lagar deixou de funcionar.”

(…)

 

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Mais à frente interroga:

Qual a origem destas ou outras manifestações de vivo comunitarismo?

 

Neste caso Fafião e os seus lagares e alambiques de herdeiros, apenas podemos remontar a antiguidade desta prática comunitária à cultura do azeite e do vinho, que não é das mais antigas no Barroso. Mas o que acontece com estas culturas aconteceu com todas as outras. Conforme vão surgindo no contexto económico desta região, logo o povo as enquadra no seu sistema centenário, para não adiantarmos milenário. O porquê deste enquadramento, a raiz funda deste hábito donde virá? Da nossa origem germano-celta, dirão uns, pela influência mediterrânica. Mas esta parcela do Noroeste português terá mais uma influência atlântica, que marca este substrato humano.

 

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E António Lourenço Fonte continua:

“ Jorge Dias em Rio de Onor diz ser pré-romano o comunitarismo na península. Mendes Correia, vincula-o à forte organização colectivista da cultura dolménica.

 

A cultura árabe não destruiu a maioria dos costumes agrários da vida comunitária.

 

A dificuldade da exploração da terra, a sua pobreza, a grande variabilidade climatérica, a pouca densidade e pequeno aumento de população, a emigração, as grandes extensões de baldios, a tendência para o pastoreio, a forte coesão familiar, favorecem a vida comunitária, a entreajuda, o afolhamento, a luta contra a apropriação particular ou estatal dos baldios, preferindo o bem da propriedade comum, seguindo suas leis ou posturas mais que as leis dum Governo estranho e distante.

 

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E continua com o tema:

Há pois três grandes factores que vincaram esta tradição de vida comum. A nossa história, mesmo a dos povos mais remotos, a nossa situação geográfica e todas as suas consequências telúricas, e o substracto humano que aqui vive com suas tradições que seguem de pais a filhos e chegam até nós.

 

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E remata o tema assim:

Já morreu em muitos dos seus aspectos e em muitas regiões onde o havia. Morrerá em breve “noutras. Porquê? O Individualismo, a tendência para a propriedade particular, o açambarcamento pelos mais ricos, a divisão dos baldios, em meras, borrajos, cavadas, lamas do povo vendidas, floresta pública, etc. “

 

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Estávamos em 1977 e o comunitarismo já estava então ameaçado com estas questões mais locais, mas nestes últimos 40 anos muita coisa se modificou. A taxa de natalidade diminuiu drasticamente, o despovoamento rural agravou-se, a população rural envelheceu e o nível de vida melhorou. Tudo isto levou ao abandono de muitos trabalhos rurais que por sua vez esvazia de sentido o comunitarismo, deixou de haver necessidade da sua existência. Sem gado não pode haver vezeiras, o boi do povo é coisa do passado, os fornos do povo já não cozem o pão de todos os dias…

E tal como prometemos atrás, de seguida fica a estória “ O 101 de Fafião” contada em programa da RFM e ilustrada com fotografias de Fafíão, em vídeo, as mesmas fotos que estão publicadas neste post e que nada têm a ver com a estória, a não ser o de serem imagens da terra do personagem da estória. Não deixe de ouvir a estória, tem outro sabor…

 

 

 

Só nos resta deixar aqui as referências às nossas consultas e a lista de links para anteriores abordagens a aldeias ou temas de Barroso

 

Links

 

Os links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso passam a estar na barra lateral deste blog. Estão por ordem alfabética. Se a sua aldeia ou a aldeia que pretende ver ainda não está na listagem é porque ainda não passou por aqui, mas num próximo domingo chegará a sua vez.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

Webgrafia

 

www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

[i] «Ecos do Planalto» - Estórias, de Gil Santos, Edições Ecopy – Porto – 2007.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:18
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Domingo, 28 de Janeiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Reigoso

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Depois de no último fim-de-semana termos andado pelas festas comunitárias do S.Sebastião no Barroso de Boticas, é tempo de regressarmos às nossas voltinhas pelo Barroso de Montalegre, por sinal num dia grande para o concelho e também para o Barroso,  onde está a decorrer a 27ª Feira do Fumeiro, que tal como anuncia a página oficial do município, a “rainha do fumeiro” é toda sedução.

 

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Sedução são também as suas pequenas pérolas espalhadas por todo o concelho. A sedução de hoje dá pelo nome de Reigoso, uma das aldeias cujo topónimo que desde criança calhava às vezes em conversas de família, mas à qual só em abril passado tive a honra de visitar pela primeira vez, e diga-se desde já que foi um dia de agradáveis surpresas, pois quando pensamos que o Barroso já não nos pode surpreender mais, somos de novo surpreendidos e recordo que nesse dia as surpresas aconteceram em todas as aldeias que visitámos, mas bem poderíamos ter ficado apenas pelo Reigoso, que já tínhamos o dia ganho.

 

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Passemos à sua localização e ao itinerário para chegar a Reigoso. Como muitas vezes temos dito por aqui, o Barroso é comummente dividido em Alto e Baixo Barroso. Uma falsa divisão no meu entender, pois há terras baixas no Alto Barroso tal como existem terras altas no Baixo Barroso.  Também há quem atribua o Alto Barroso ao concelho de Montalegre e o Baixo Barroso ao concelho de Boticas. Pois da minha parte e não querendo entrar em polémicas, Barroso há só um, mas deitando algumas achas para a fogueira, ou não, o Barroso é constituído por pequenas pérolas com características bem diferentes.

 

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Também já o disse aqui que andei enganado durante mais de 20 anos em relação ao Barroso. Embora eu seja flaviense de nascença, toda a minha família materna e os meus irmãos, são barrosões de Montalegre. Assim desde criança que Montalegre era um destino habitual, principalmente no Natal e na festa do Sr. da Piedade que eram obrigatórios, mas também nas minhas férias grandes de verão, em adolescente, passava por lá uns dias. Ora acontece que então o que eu conhecia do Barroso era aquele que eu apanhava no itinerário entre Chaves e Montalegre, inicialmente feito pela EN103 (Estrada de Braga) ou pela Estrada Municipal, via Meixide, Vilar de Perdizes, Solveira, Gralhas e Meixedo.

 

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Para além dos itinerários até Montalegre, recordo algumas idas até à Barragem dos Pisões e às aldeias mais próximas de Montalegre, como Stº André, Padornelos e Padroso. As mais distantes, tiveram como destinos Pitões da Júnias e Tourém. Isto era o Barroso físico que eu conhecia, depois havia o Barroso dos romances/literatura que encaixava na perfeição no Barroso que eu conhecia. Refiro-me à delicia do romance de Ferreira de Castro “Terra Fria”, tendo como base da sua ação a aldeia de Padornelos, e o outro romance igualmente delicioso “Lobo Guerrilheiro” de Bento da Cruz, este cheio de estórias e realidades que algumas já conhecia por serem contadas à lareira nas noites frias de inverno.

 

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Mas resumindo, o Barroso que eu conhecia e que em parte foi popularizado pelo romance “Terra Fria” de Ferreira de Castro, era precisamente esse Barroso de terra fria e agreste com muita influência do Larouco e terras vizinhas da Galiza. Daí que quando parti à descoberta de todo o Barroso me ir surpreendendo com o que ia encontrando enquanto me ia dando conta que havia muito mais Barroso para além daquele Barroso que até então conhecia.

 

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Continuando ainda no tema, mas já para rematar, independentemente de aceitar ou não a divisão de Alto e Baixo Barroso, pessoalmente, e é por aí que me guio, existe o tal Barroso do meu imaginário de infância que cabe todo numa linha traçada a Norte da Vila de Montalegre e que vai desde Pitões/Tourém até Meixide, passando por Sarraquinhos e terminando em Meixide/Soutelinho da Raia com fortes influências da Serra e Planalto do Larouco e da raia galega. Depois, com identidades bem definidas, podemos guiar-nos pelos “apelidos” dos topónimos, como as terras da Chã (Castanheira da Chã, por exemplo) constituído pelo grande planalto entre as Serras do Larouco e do Barroso. Temos também o “apelido” do Gerês (Covelo do Gerês), o do Rio (Travassos do Rio). Pequenas regiões que são influenciados pela geografia natural dos rios e das serras, como o é outro Barroso, o das Alturas do Barroso. Depois há as terras verdes com cheiro a Minho, como o é toda a freguesia de Salto, etc. São pequenas pérolas do Barroso onde é possível encontrar traços comuns que fazem a sua identidade, um deles, por exemplo no “Barroso do Larouco”, são os típicos fornos do povo com coberturas em lajes de granito que seguem todos a mesma arquitetura.

 

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Tudo isto para vos dizer que hoje vamos até Reigoso que curiosamente fica em terras de transição entre o Barroso da Chã, o Barroso do Gerês, o Barroso do Rio e Barroso de Salto e das Alturas. Fica mais ou menos ao centro das três Barragens (dos Pisões, Venda Nova e Padrela) a mais distante a dos Pisões a 6 km e a mais próxima a da Venda Nova a cerca menos de 1,5 Km. E fica também entre dois dos rios mais importantes do Concelho, o Cávado (a 5Km) e o Rabagão (a 1,6 Km).

 

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Vamos ao nosso itinerário, como sempre traçado com partida da cidade de Chaves. Pois para o Reigoso optámos por ir pela EN103 (Estrada da Braga), 60 km entre Chaves e o Reigoso. Não há nada que enganar, é seguir sempre a EN103, passa-se a Barragem dos Pisões, logo a seguir passa-se ao lado de Vila da Ponte e logo a seguir, coisa de 2 Km, vira-se à direita para Ladrugães, passa-se ao lado desta e a seguir estamos no nosso destino. Desde EN103 até Reigoso são apenas 3,5 Km, com Ladrugães a meio do percurso  Fica o nosso mapa:

 

mapa-reigoso.jpg

 

Como sempre, ficam também as coordenadas da aldeia, bem como a altitude:

41º  42´ 55.42” N

7º  56’  09.47” O

 

Altitude: Entre os 816 e os 880m

 

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Quanto às nossas impressões pessoais sobre a aldeia, tal como é muito característico um pouco por todo o Trás-os-Montes, os campos envolventes da aldeia são uma espécie de manta de retalhos em tons verdes, com a terra repartida e murada com muros de pedra solta, não só para delimitar a propriedade, mas também para a proteger da saída de animais em pastagem ou da entrada de outros animais em terrenos cultivados. E se em tempos não muito distantes o tom dos campos era maioritariamente verde na primavera e preto no inverno, composto pelo verde da rama da batateira e pelo preto da terra em pousio, agora durante todo o ano é maioritariamente coberto com o verde das pastagens ou milho, o que dá um ar ajardinado a toda a envolvência da aldeia, quebrado aqui e ali por enormes carvalhos individuais ou em pequenos carvalhais.

 

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Quanto à aldeia o destaque vai para a Igreja paroquial que segundo apurámos data de 1614 e tem como orago o São Martinho. Sem dúvida alguma um belo exemplar da arquitetura religiosa com torre sineira dupla e separada do corpo da igreja, penso que posteriormente unida por um alpendre que serve de cobertura à entrada principal da igreja. Não tivemos oportunidade de ver o seu interior, mas adivinha-se igualmente interessante.

 

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Os restantes destaques vão para os canastros (espigueiros), com diferentes dimensões (desde um módulo simples a 4 módulos), uns com apoios em granito e restante construção em madeira e outros com estrutura de apoio, frontarias e apoios da cobertura em granito, o típico canastro transmontano. Pena, principalmente os de estrutura de madeira, alguns estarem em mau estado de conservação.

 

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O casario em geral também merece um destaque, com belíssimos exemplares da construção típica transmontana-barrosã com o granito à vista e muitas delas ainda com o testemunho dos muretes de cobertura, colocados nos frontais das construções para rematar a acomodação das antigas coberturas de colmo. Pena, como acontece em quase todas as aldeias, não existir pelo menos uma construção em que se mantivesse a cobertura de colmo para testemunho da história das coberturas de colmo.

 

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Algumas fontes com o habitual tanque frontal para bebedouro do gado, um cruzeiro e algumas alminhas, uma delas fazendo parte de um conjunto de uma intervenção recente, composta por fonte e tanque seguido das referidas alminhas, tendo ao lado um conjunto de mesas e bancos numa espécie de esplanada virada para um dos largos da aldeia, tudo em granito (muros, vedações, mesas e bancos. Embora de construção nova e já sem conhecer o pico manual da arte da cantaria, segue as características tradicionais das construções rurais em granito. Nada a dizer, integra-se perfeitamente no ambiente da aldeia.

 

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Continuando nas intervenções recentes e nas questões de integração ou não no conjunto da aldeia, destacamos a “estação dos CTT” que não sei bem qual será o seu destino para além da caixa de correio dos CTT. Parece-me ser apenas um lugar para se estar e que de verão deve ser bem agradável.   Sai um pouco do tradicional, mesmo com pilares em granito, mas que também não conheceram o pico do canteiro, são de “fábrica” serrados e amaciados, mas tudo bem, condiz com a construção que tem em frente e outra ao lado, pelo menos e que eu recorde. Estas novas intervenções nas nossas aldeias eram inevitáveis, principalmente porque nunca houve planos de pormenor de salvaguarda e valorização dos centros históricos das nossas aldeias, nem planos de sensibilização da população. Dolorosos politicamente falando, foram deixados de lado, ignorados, ou melhor, nunca se fizeram, salvo em raras exceções e na grande maioria já demasiado tarde. Mas mesmo assim, Reigoso até nem é um mau exemplo, pois mantém a sua integridade, embora com uma ou outra exceção, mas nada de grave que lhe retire o interesse como uma das aldeias à qual eu recomendo uma visita.

 

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Quanto ao pessoal da aldeia, talvez pela nossa visita ter sido entre as 8 e as 9 da manhã, só vimos duas ou três pessoas, já idosas. Ainda chegámos à fala com uma delas que nos perguntou se andávamos à procura de chouriças ou presuntos para comprar… bem que os comprava, pois ali era garantido que se falava de coisa boa e genuína, mas desprevenidos além de os “ouros” escassearem para estas iguarias, que hoje já são quase um luxo. Mas a nossa missão também não era essa, era antes a da descoberta e registo de Reigoso.

 

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Dissemos atrás que só vimos duas ou três pessoas, mas sabemos que há mais. Pelos dados dos últimos CENSOS sabemos que na freguesia a população presente era de 171 pessoas. Relativamente bem longe da população do ano de 1950 que era de 654 pessoas ou mais distante ainda, da população de 1878 que era de 706 pessoas. Embora a partir de 1950 a população tenha vindo sempre a decrescer, conseguiu manter-se acima das 500 pessoas até 1970. Atenção que isto são números para toda a freguesia, ou seja, são número da população total das 3 aldeias da freguesia (Reigoso, Currais e Ladrugães).

 

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Quanto às nossas pesquisas, desta vez encontrámos umas coisinhas, mesmo porque Reigoso é sede de freguesia e assim existe mais informação disponível, começando pela página oficial da autarquia na NET, da qual retirámos a seguinte informação:     

Dados da Freguesia

 

Área: 17.2 km2

Densidade Populacional: 9.9 hab/km2

População Presente: 171

Orago: São Martinho

Pontos Turísticos: Via Romana ; Igreja, Casa do Baía; Capela de S. Lourenço.

Lugares da Freguesia (3): Currais, Ladrugães e Reigoso.

 

São tudo dados da freguesia, mas com as três aldeias tão próximas, os pontos turísticos de interesse estão a dois passos ou na própria aldeia de Reigoso.

 

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Onde também consta:

"Com a freguesia de Reigoso sucedeu o mesmo que sucedeu a Contim: antes de independente esteve anexa à de São Pedro de Covelo. Ao ganhar carta de alforria levou consigo Currais e Ladrugães. Mas Currais (exemplo único no Barroso) nasceu de quatro casais de Dona Maior Gomes e que D. Afonso II honrou. Com o decorrer dos tempos esses “lavradores” organizaram-se em catorze casais, sob a forma de beetria, isto é, os habitantes escolhiam o senhor que mais garantias lhe desse: “um de seu linhagem qual quiserem!” Democracia quando ainda se não pensava nela! Talvez por isso o melhor troço de via romana existente no concelho foi tão bem preservado, em Currais. Na freguesia há uma irmandade muito antiga mas igualmente muito fechada e reduzida de “irmãos”."

 

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No arquivo da Torre do Tombo encontrámos:

 

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR

 

Reigoso foi abadia da apresentação ad Nutum do abade de S. Pedro de Covelo do Gerês. 

A igreja paroquial data de 1614. 

Pertenceu ao concelho de Ruivães até à sua extinção em 31 de Dezembro de 1853, altura em que passou a integrar o concelho de Montalegre. 

A freguesia é composta pelos lugares de Currais, Labrugães e Reigoso. 

A paróquia de Reigoso pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é São Martinho.

 

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Quanto ao topónimo Reigoso, vamos ver o que nos diz a “Toponímia de Barroso”.

 

REIGOSO

Radica (poucas vezes se aplica esta forma verbal com tanta propriedade) em RADICOSU > RAIGOSO > REIGOSO, que significa “ter muitas raízes“, pois RADICOSU, vem do latino RADICA ( de RADIX) + OSU.

-1258 « Item villa de Reigoso cum suo termino» INQ 1516.

Esta citação respeita à povoação e topónimo de Reigoso, ele mesmo, com topónimo perfeitamente estabilizado.

Já pela mesma altura, os testemunhos de homens de Donões para topónimo idêntico, e que respeitam a uma rua da villa de Montalegre, disseram Raigoso:

-1258 «de covelo et de Sancto Adriano et de Sancto  Veriximo et de Raigoso et de Magrou dant Domino Regi de xij quinionibus unun».

Estes locais integravam a pequena freguesia de Donões porém, vinte e poucos anos depois já pertencia a Montalegre que manteve o topónimo, agora nome de rua!

Nas chang. de D.Dinis, temos novamente:

-1288 «em Reigoso huum casal de Gil Martinz».

 

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E como sempre vamos à “Toponímia Alegre” incluída na atrás citada “Toponímia de Barroso”

 

Os de Reigoso

Grande Cabeça

Pouco miolo.

 

Tenho um amor em Reigoso,

Tenho outro em Currais;

Mas o de Ladrugães

É o que gosto mais.

 

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E como a prosa já vai longa, vamos ficar por aqui, no entanto sabemos que haveria muito mais para dizer sobre esta aldeia, e pela certa também muitas estórias para contar, mas não encontrámos mais dados e estórias também não nos as contaram para aqui deixar. Assim deixamos pelo menos alguns olhares que registámos em imagem para apreciarem agora, mas também para memória futura.

 

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Só nos resta deixar aqui as referências às nossas consultas e a lista de links para anteriores abordagens a aldeias ou temas de Barroso

 

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

www.cm-montalegre.pt/

https://tombo.pt/f/mtr25

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Carvalho - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalho-1623928

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Chelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-chelo-1627025

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:36
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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Chelo

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O nosso passeio de hoje pelo Barroso aqui tão perto vai ser até a aldeia de Chelo, na freguesia de Cabril, concelho de Montalegre. Aldeia com vistas lançadas para a imponência da Serra do Gerês, a sua vizinha da frente, aldeia que está estrategicamente colocada entre os rios Cabril e Cávado, sensivelmente a meio de ambos e a uma distância de aproximadamente 1 km de cada um deles. Rios que se encontram a cerca de 2 Km de distância da nossa aldeia de hoje, mas que nem por isso se dá por eles desde a aldeia.

 

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Estamos no Barroso verde do Parque Nacional da Peneda Gerês, não tão verde como o verde da freguesia de Salto, mas igualmente verde, que se desfaz em penedio mal toca nas encostas mais elevadas da Serra do Gerês.

 

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O povoamento desta zona não deixa de ser curioso. Junto a terras férteis e de altitude menos elevada, na ordem dos 500 m, é formado por pequenas aldeias. Para termos uma ideia, se no centro delas traçamos uma circunferência com 700 m de raio, podemos meter nesse círculo 9 aldeias, a saber: Chelo, Fontainho, Vila Boa, Chãos, Cavalos, São Lourenço, Bostochão,  São Ane e Cabril. Quase parece uma só aldeia com 9 bairros, tendo cada um uma grande quinta de cultivo. Exceção para São Lourenço e Cabril que sem serem grandes aldeias, são maiores que as restantes.

 

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Mas este tipo de povoamento, com o verde ao seu redor e a imponência da Serra do Gerês ali ao lado, da um ar pitoresco a estas aldeias, tanto mais que a grande maioria estão todas na mesma encosta da montanha, colocadas tipo anfiteatro, a várias altitudes, todas com vistas lançadas para a Serra do Gerês. A exceção continua a ser para Cabril, que já está junto ao Rio Cabril e São Lourenço que está na croa da montanha.

 

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E para terminar esta do povoamento conjunto destas pequenas aldeias, só queria referir que quando digo pequenas, são aldeias que têm até 20 construções cada uma. Estou a dizer construções e não habitações, pois estas são bem menos, para a contagem também entraram os armazéns e anexos. A exceção continua a ir para Cabril e São Lourenço onde atingem entre as 50 e 60 construções.

 

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Pelo que aqui deixei já se aperceberam onde fica esta aldeia. Para irmos até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves, desta vez optámos pela Estrada do S.Caetano até Montalegre, daí rumamos até Sezelhe e depois Paradela. Entre Sezelhe e Paradela temos duas opções, uma via Covelães  (M308-5) a outra via S.Pedro (M514). Atenção que nesta segunda opção em S.Pedro temos que mudar de estrada, ou seja, se a seguir a S.Pedro encontrar Contim, vai enganado. Chegados a Paradela (ao lado da barragem com o mesmo nome) temos de atravessar o paredão da barragem e seguir essa estrada (M308) até ao nosso destino. Antes de lá chegar ainda passa (ao lado) por Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo, e Xertelo. Ao todo, entre Chaves e Chelo são perto de 80 Km.

 

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Mas como sempre deixamos por aqui as coordenadas da aldeia:

41º 43’ 19,322 N 

08º  01’  09,88” O

Altitude: entre os 540 e os 580m

 

Fica também o nosso mapa com o itinerário assinalado.

 

mapa-chelo.jpg

 

Ainda antes de entramos na toponímia só mais duas palavrinhas, uma para dizer que as vistas para a Serra do Gerês impressionam, são de uma beleza impar. Quanto à aldeia, como é pequena, não tem muito que ver e o que tem, está disperso em pequenos núcleos de meia dúzia de casas ou então estão mesmo isoladas. Contudo não deixa de ser interessante, com muito verde pelo meio, quer dos campos cultivados quer do arvoredo. Ao ver as fotos da recolha reparei que da capela apenas tenho imagens com ela lá no alto. Ainda estou para saber o porquê de não ter subido até lá, pois não recordo ou então pensei que cá de baixo seria mais visível, mas dada a hora em que as fotos foram tomadas, por volta das 12H30, o mais provável é que a barriguinha já mandasse mais que a cabeça. Não é por nada, mas por estas terras, com as iguarias que por lá há,  o comer é sagrado e quentinho é que ele é bom.  Mas peço desculpas pela capela não aparecer completa, pois penso que merecia uma foto.

 

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Vamos então à toponímia, como sempre recorremos à “Toponímia de Barroso”:

 

CHELO

É apenas um simples diminutivo de chão. Vem de PLANU+ELLLU = PLANELU > CHÃELLO > CHELO. Ainda na muito velha forma Chaelo documenta-se:

- 1258 « et in Chaelo ij leyras» INQ 1513,

Integra uma família toponímica muito representativa: Chã, Chão, Chelinho, Chada, Achada, Cheda, Chelas, Chainça, Chaíça, Cheira, Chaira, Plaina, Choso, Chainho e, talvez, o muitíssimo arcaico Char.

 

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Sem querer duvidar daquilo que se diz na Toponímia de Barroso, deixo a outra fonte onde vamos espreitar o significado dos topónimos (ver endereço do blog na webgrafia deste post), que acaba por chegar à mesma conclusão:

 

Chelas – tem sido dito que vem do lat. “cella”: armazéns de grão. porém, ver “Chelo” e “Chenlo”. sgnific. mais provável: diminutivo de “Chãs”

Cheleiros – gente vinda de “Chelas” ou de “Chelo”?
Chelinho - pronunc. “chèlinho” : diminutivo de “Chelo”

Chelo – pronunc. “chèlo”. diz-se que é do lat.“cella”, com influência moç.: armazém de grão (?), santuário pagão (?), recinto religioso. porém, a existência de “Chenlo” na Galiza aponta para “plannelum” – pequeno plano ou chão. seria, pois, diminut. de “Chão”. a topografia dos lugares parece confirmar esta hipótese

Chenlo (Gz.) – o mesmo que “Chelo”. o “n” dá indicações preciosas sobre a etimologia de “Chelo” e de “Chelas”. ver “Chelo” e “Chelas”

 

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No portal do Arqueólogo, encontram-se algumas referências a um sítio arqueológico com o nome de Chelo, na freguesia de Cabril, Montalegre. Teria sido um povoado fortificado da Idade Média e Moderno com a seguinte descrição: Observam-se restos de várias construções rectangulares de pedra irregular bem como muros definindo recintos dispondo-se segundo um padrão de distribuição disperso.

Em Vias de Classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público).

 

Penso que será nas proximidades da aldeia de Chelo, mas não sabemos, pois a única informação sobre este sítio arqueológico é mesmo apenas esta do Portal do Arqueólogo.

 

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Quanto ao livro Montalegre, Chelo apenas aparece no contexto da freguesia de Cabril, onde consta:

 

“É um mosaico de pequeninas povoações ao longo das encostas abrigadas que descem sobre os rios. Sertelo (trata-se do diminutivo de deserto – Deserto+elo > Desertelo, como ermo deu Ermelo, (após a aférese do de inicial resulta Sertelo) que fica acima dos 700 metros, Lapela e Pincães, acima dos 600 metros, São Lourenço, Chelo, Fafião e Azevedo, acima dos 500 metros, Bustochão e Vila Boa, acima dos 400 metros, e todas as restantes, Cabril (que já se chamou a Vila ou a Baixa), Cavalos, Chãos, Fontaínho, São Ane e Chã do Moinho não sobem para lá dos 300 metros de altitude. Não admira por isso que, nestas funduras quentes e húmidas, Barroso se orgulhe de colher boa fruta, vinho e azeite na freguesia de Cabril."

 

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E vai sendo tudo, pois mais nada encontrei sobre esta aldeia de Chelo, aldeia pequenina e dispersa em pequenos núcleos, mas com motivos interessantes para merecerem uma visita e até estar por lá um pouco em apreciação das vistas que desde lá se alcançam.

 

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No próximo domingo cá estaremos outra vez com mais uma aldeia do Barroso, que está aqui tão perto, com a proposta de mais uma aldeia para visitar, que sempre poderá juntar a outras no itinerário que traçamos entre Chaves e a nossa aldeia de destino. Fica perto, quase sempre a menos de uma hora de distância e sempre com paisagens de encantar, sem preocupações com a barriguinha, pois se não for dos que leva o farnel atrás de si, terá sempre um restaurante perto do local onde estiver. Um bom programa para um sábado ou domingo.

 

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Só faltam mesmo as referências às nossas consultas e os links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

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Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt/2007/02/o-carvalho-um-samelo.html

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios.resultados&subsid=49527

 

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Carvalho - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalho-1623928

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:41
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Domingo, 7 de Janeiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Carvalho

1600-carvalho

montalegre (549)

 

Como sempre por aqui, aos domingos, vamos até ao Barroso que está aqui tão perto. Claro que esta ida ao Barroso, aqui no blog, fica-se pelas imagens e algumas palavras que podemos dizer sobre os sítios e localidades que visitámos, não é uma ida real, mas, se como eu conseguirem entrar dentro da imagem, esta pequena viagem virtual pode-se tornar bem real e reviver de novo momentos lá passados. Claro que lhe podem faltar os aromas dos sítios, o sol a bater-nos na pinha, os sons e a aragem a passar-nos nas faces, mas, ao entrarmos na imagem acabamos por descobrir pormenores que in loco, de tão preocupados que estávamos com a composição nos passaram despercebidos, e podem crer que são pormenores preciosos.

 

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Também aqui perante as imagens, a vivência de sensações é bem diferente. Recordo que quando entrei na nossa aldeia de hoje, que dá pelo nome de Carvalho, vínhamos de visitar aldeias que nos impressionaram pela sua beleza, mas também pela receção que tivemos nelas. Refiro-me às aldeias de Reboreda, Tabuadela e Seara. As duas primeiras já passaram por aqui, Seara estará num domingo próximo.

 

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Mas ia eu dizendo que vínhamos de aldeias que nos tinham impressionaram pela positiva, quando entrámos em Carvalho o relógio marcava as 12H30, a barriguinha já pedia qualquer coisinha, mas como queríamos cumprir o itinerário previamente traçado, o almoço ficaria para depois, e para além desta aldeia, antes de almoço ainda estava prevista a aldeia seguinte, Beçós, á qual também fomos. Talvez pela hora, pelo apetite e por ainda termos mais uma aldeia na agenda, a visita a Carvalho previa ser breve, tanto mais que a entrada da aldeia não impressionou com as primeiras vistas, onde não tínhamos uma visão da totalidade da aldeia (a primeira foto com uma vista geral da aldeia só se tornou visível à vinda de Beçós).

 

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E estávamos então nós na entrada da aldeia, sem alma viva por perto, a apreciar com algum espanto a pequena, mas bonita capela. O espanto, porém, não muito, tinha a ver com a localização da capela, implantada no meio da rua, que neste caso até é estrada de acesso a mais uma aldeia. Uma curiosidade engraçada que faz a diferença e torna estas aldeias singulares. Pela certa a sua implantação terá uma história qualquer que tornará a sua localização mais compreensível, mas isso até nem interessa, pois até passa a ser uma referência para a aldeia. E estávamos nesta de apreciação quando de uma pequena e estreita rua ao nosso lado, saía de lá a primeira das duas pessoas que vimos na aldeia. Claro que aproveitamos sempre estes momentos para uma troca de palavras, a querer saber coisas da aldeia, ainda por cima era toda uma personagem, de bigode farfalhudo, chapéu de rede na cabeça que o intenso sol recomendava, casaco e colete, camisa aberta e barba de três dias, parecia uma personagem vestida para um filme de época.

 

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Conversámos um bocadinho, e embora simpático, foi-nos dizendo que estava com alguma pressa, tinha consulta marcada no médico em Salto, sede de freguesia, e ainda tinha uma caminhada para fazer. Mas mesmo assim ainda nos deu uns minutos, deu para saber que na aldeia ainda havia 19 pessoas, segundo as suas contas de cabeça feitas ali na hora, e houve tempo ainda para posar para a fotografia. Pena a pressa, pois pela certa tinha estórias interessantes para contar. Mas lá foi, estrada acima em direção a Salto.

 

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Ontem, que já tinha as imagens selecionadas e tratadas, ao ver as notícias na televisão com os protestos em Lisboa por causa do fecho de uma estação ou posto dos CTT lá numa rua qualquer, as pessoas protestavam e lamentavam-se por esse encerramento. Uma das pessoas entrevistadas, lamentava porque com esse fecho, o posto mais próximo ficava a 3 quilómetros de distância… Tal como esta, outras notícias se foram sucedendo, como a do frio extremo que nos está a invadir e a abertura dos Centros de Saúde para os engripados. Medos e lamentos dos de Lisboa que vivem numa realidade que não é a nossa e que me levou a pensar naquilo que disse na última aldeia do Barroso que passou aqui, Azevedo, e na ida deste homem ao médico de Salto, ou aliás, a tudo que lhe é necessário, só em Salto, pois estas aldeias para além dos vizinhos nada mais têm. Exceção para o pão, pois o Padaria de Pitões faz um verdadeiro serviço público a estas populações, e dizemos isto porque nos vamos cruzando com ele nas nossas andanças pelo Barroso.

 

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Só faltou dizer que Salto fica a 4,5 km da aldeia de Carvalho, bem perto por sinal para pequenas coisas, pois em caso de uma urgência médica, por exemplo, aí as coisas complicam-se. Penso que o Centro de Saúde com urgências mais próximo é Montalegre a 42 km para coisas mais ligeiras, mas o mais provável é que a coisa não seja ligeira e aí lá vai urgência para o Hospital de Chaves a 80 km, mas se a coisa é mesmo complicada, aí só em Vila Real a 150 km, e há que rezar para que não seja um ataque cardíaco… E estamos a falar da aldeia de Carvalho, pois há aldeias com acessos bem mais complicados e mais distantes. Mas estas coisas não interessam aos de Lisboa, nem às televisões, mesmo em casos de morte por andarem às voltas daqui para ali até chegarem a Vila Real passadas umas horas, isso não interessa, agora se for um aloucado que puxa da caçadeira e mata um familiar, um amigo ou vizinho, aí as televisões vêm logo como vampiros à procura de sangue.

 

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E já não quero falar dos alertas das vagas de frio e de calor, pois esses, a nós que convivemos naturalmente com temperaturas mínimas negativas durante quase todo o outono e inverno e que no verão temos semanas consecutivas com temperaturas máximas a 40º, esses alertas, fazem-nos rir. Claro que em Lisboa, a temperatura desce abaixo dos 10º e já é uma desgraça. Pois é, mas nós já estamos habituados aos 9 meses de inverno e aos 3 de inferno, e pelos vistos não temos frio nem calor, por aqui é tudo normal, qual alertas ou preocupações, qual … como diria o outro: -  siga para a aldeia de Carvalho, Sr. Ramboia!

 

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E voltamos ao Carvalho precisamente com uma imagem daquilo que o povo vai fazendo, e tendo sempre em conta o ditado popular de “mais vale prevenir do que remediar” e é assim, um pouco como a formiga, que aos poucos, durante o verão se vai prevenindo para os invernos que já sabemos serem sempre rigorosos, onde quase toda a vida diária se faz à volta da lareira.

 

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Pois a aldeia de Carvalho, tal como já dissemos, fica no Barroso verde da freguesia de Salto. Para o nosso itinerário para Salto/Carvalho, como sempre a partir de Chaves, optamos pela estrada de Braga (N103) até Sapiãos e depois viramos para Boticas e apanhamos a N311 a partir de Boticas e após 60 Km estamos em Carvalho. Este é um dos itinerários possíveis, o outro, é continuar sempre pela N103 até à Venda Nova e aí viramos para Salto. Mas recomendar, recomendo mesmo o primeiro, tem menos trânsito e vistas mais interessantes, além de serem menos quase 20 Km. Mas fica o nosso mapa para uma vista de olhos.

 

carvalho-mapa.jpg

 

Mas para termos uma localização mais exata, ficam as coordenadas da aldeia e outros dados.

41º 36’ 41.43” N

7º 55’ 24.36” O

Altitude, a aldeia implanta-se entre os 950 e os 1000m. Terras altas mas mesmo assim com pequenos vales entre elevações mais altas. Pequenos vales que como se pode ver em algumas fotografias estão vestidas de verde, maioritariamente das pastagens.

 

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Para sermos ainda mais precisos, basta atravessar Salto e continuar pela N311, seguindo as placas que digam Reboreda e Póvoa, nesta última aldeia (a 3 km de Salto) deixa a N331 e toma uma estrada secundária à esquerda, onde esteja indicado: Carvalho e Beçós.  Do desvio da N331 até Carvalho são menos de 3,5 km. Depois de estar em Carvalho, desfrute da aldeia e no final dê um pulinho à aldeia seguinte, Beçós, que também vale a pena passar por lá.

 

1600-carvalho (38)

 

E vamos agora àquilo que se diz desta aldeia, como por exemplo quanto ao seu topónimo, que com sempre recorremos à “Toponímia de Barroso” onde por acaso pouco ou nada consta para além da evolução da palavra do latim até aos nossos dias:

 

CARVALHO

Do latino CARBACULO > CARBAGULO > CARBAGLO > CARVALHO

 

Merecia mais qualquer coisinha, mas como na “Toponímia de Barroso” nada mais acrescenta, fomos nós à procura de mais achas para a fogueira, e encontrámos umas coisas, curiosamente num blog.

 

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Aqui fica mais qualquer coisa sobre o topónimo Carvalho:

“ Em Toponomástica, "Carvalho" provém da raiz kar-, que para Rostaing (1965) é de origem pré-indo-europeia e significa "rochedo". há topónimos em "Car-" por esta Europa fora que, de facto, se referem a "pedras". é o caso de Carrara (It.), a terra do mármore. este "Car-", ou "Car-b-", está também na origem de topónimos em "Cabr...".
Mas Amaral e Amaral (2000) acham que cara- deriva do antigo europeu e significa "alto", dizendo, por outro lado, que karregg- é celta e significa "pedra".

 

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E continua:

"A verdade é que o topónimo "Carvalho" ou "Carbalho" já se escreveu Carbalio, Karualio, Karuallo ou Carualio.
E também é verdade que os "Carvalhos" que eu conheço se colocam, em geral, em ponto alto e dão nome a um ou outro pino pedregoso de importância menor. são parentes do "Caramulo" e da "Carapinha".
Quanto ao celta karregg- , aparece em Carregal, Carregosa, Carregosela e afins, designando locais mais pedregosos do que altos."

 

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E diz mais:


"Machado (2003) aceita que "Carvalho" seja a árvore "carvalho", no que eu não creio, porque, tratando-se de uma estirpe vulgar no tempo em se dava o nome às terras, não tinha relevância que chegasse para tantos topónimos. seria como chamar "Coqueiro" a tantas outras terras no Brasil.
Mas é como a história de "Pinheiro", "Figueira", "Aboboreira", etc, de que já tratei: não dão nome às coisas, absorbem o nome de outras coisas. nem fitónimos são.
A coisa muda de figura se se tratar de mais que um carvalho. um grupo de carvalhos de bom porte já pode ser suficientemente distintivo para dar nome a uma terra. talvez "Carvalheda", que tem conotação colectiva, signifique um "bosque de carvalhos"."


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E remata assim:

"A verdadeira, velha e digna árvore carvalho é outra coisa: era a morada de Bellenos, a manifestação da divindade celta que reunia as características do Apollon dos gregos. que, para Chevalier e Gheerbrant (1969), "sintetiza em si inúmeros opostos que sabe dominar, perfazendo um ideal de sabedoria. realiza o equilíbrio e a harmonia dos desejos sem suprimir as pulsões humanas, orientando-as, antes, para uma espiritualização progressiva, graças ao desenvolvimento da consciência". esse Bellenos pode estar na origem de topónimos como "Beleño" (Esp.) , "Belém" de Lisboa e talvez "Bèlinho" ou Beliño"."

 

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No livro “Montalegre”, para além da referência de Carvalho pertencer à freguesia de Salto, há mais uma que diz (o sublinhado é nosso):

“A freguesia de Salto é, quer em área, quer em população, a maior freguesia do concelho. Como espaço habitado e evangelizado, Salto é já referido no Paroquial Suévico como uma das trinta paróquias já existentes, no último terço do século VI e pertencentes à catedral de Braga. Ao longo da sua vida teve muitos momentos de glória, daí a riquíssima história desta freguesia. Enquanto os cruzados do norte da Europa atravessavam o Atlântico e o Mediterrâneo, para combater nos lugares santos, o povo portugalense trepava descalço os caminhos das suas peregrinações que atravessavam a freguesia. De tal modo que D. Afonso Henriques autorizou e apoiou a construção da Albergaria de São Bento das Gavieiras, ao monge Benedito, em 1136.

Alguns nobres olharam com cobiça para esse território onde adquiriram casais ou mesmo povoações como Carvalho, Póvoa e Revoreda que eram do fidalgo-trovador D. João Soares Coelho e de suas irmãs.”

 

livro-montal.JPG

 

Não resistimos e além das palavras do livro “Montalegre” roubámos também uma fotografia com o cruzeiro de Carvalho, que por acaso não o vimos na nossa visita à aldeia, mas a preciosidade desta foto até nem é o cruzeiro, pois esses vão abundando por aí, a preciosidade está em segundo plano na construção de granito ainda com a cobertura em colmo. Isto sim é uma raridade que era tão comum há umas dezenas de anos. Pena que para memória futura não se tivessem preservado algumas destas coberturas, principalmente nas aldeias mais típicas, tal como acontece (um bom exemplo) na aldeia de Paredes do Rio.

 

1600-carvalho (3)

 

E é tudo, ficamos por aqui. Pela certa mais coisas haveria para dizer sobre esta aldeia, mais não encontrámos mais nada nas nossas pesquisas e sobre a nossa breve passagem por lá, dissemos o possível.

 

Ficam as referências às nossas consultas e os links para anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt/2007/02/o-carvalho-um-samelo.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:42
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Domingo, 31 de Dezembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Azevedo

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No último dia deste ano de 2017 vamos até mais uma aldeia do Barroso, mais propriamente até Azevedo. E os que não são de lá ou de perto, pela certa perguntarão onde fica Azevedo. Pois já sabemos que é no Barroso de Montalegre e fica junto à estrada municipal M308, entre Xertelo e Lapela, com Chelo também por perto e com vistas lançadas paras as três Penedas, perto do Rio Cávado e já em pleno Parque Nacional da Peneda/Gerês.

 

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Os dados atrás deixados já eram suficientes para chegarmos até Azevedo, mas como sempre, vamos ser mais precisos, traçando o habitual itinerário com partida da cidade de Chaves. Embora tenhamos várias alternativas de itinerários para irmos até ao Barroso, há duas que são as mais utilizadas. Uma é a Estrada Nacional 103 (estrada de Braga) e outra é a Estrada Municipal 507, para nós comummente conhecida por estrada do S.Caetano ou de Soutelinho Da Raia. A que nós mais apreciamos é esta última, assim, vamos optar por esta para ir até Azevedo.

 

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O itinerário é de aproximadamente 75 km. Com partida de Chaves, Soutelinho da Raia, Montalegre. A partir de Montalegre basta seguir a corrente do Rio Cávado, mas como ele nem sempre é visível desde a estrada, saímos de Montalegre em direção ao Sr. da Piedade ou campo de futebol, seguindo sempre pela estrada principal até Sezelhe. Em Sezelhe, no cruzamento atenção à placas indicativas. Devemos tomar as que nos mandam para Travassos, Covelães e Parque Nacional da Peneda Gerês, ou seja a N308 pela qual devemos seguir até à Barragem de Paradela e aldeia do mesmo nome. No cruzamento da aldeia de Paradela, viramos à direita e descemos até ao paredão da barragem, o qual devemos atravessar.

 

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A Partir do paredão da barragem de Paradela até Azevedo, só temos mais três aldeias (Sirvozelo, Cela e Lapela). Atenção que nenhuma destas aldeias fica junto à estrada, tal como Azevedo, Assim é preciso ir com atenção para ver a placa de desvio.  Mas como sempre deixamos também o nosso mapa e as coordenadas do local, que são:

41º 44’ 22.00” N

7º 59’ 58.11” O

 

azevedo-mapa.jpg

 

Tal como já tivemos oportunidade de dizer a aldeia de Azevedo não é atravessada pela estrada principal e tão pouco é visível a partir dela. A entrada na aldeia faz-se por uma rua bem  ingreme, tal como a montanha onde está implantada. Afinal já estamos na Serra do Gerês, não é de estranhar. Inclinação que se prolonga ao longo da rua principal que acaba por ter continuação até ao Rio Cávado com passagem para a Peneda de Baixo, embora todas próximas e implantadas na outra margem do Rio Cávado, numa encosta igualmente ingreme, a mais próxima é mesmo a Peneda do Meio, de onde se tem uma vista privilegiada para a aldeia de Azevedo. Fica a foto de Azevedo vista desde a Peneda do Meio:

 

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A entrada da aldeia surpreende-nos com um cruzeiro de fabrico recente colocado num largo à beira da rua. Depois um conjunto de casas de construção mais recente acabando num pequeno núcleo mais antigo. A partir de aqui e depois de uma curva com quase 360º, igualmente ingreme, entra-se na parte mais interessante da aldeia com passagem pela antiga escola primária e a terminar na pequenina capela cujo átrio é um autêntico miradouro.

 

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Mas o mais interessante é mesmo toda a rua e o casario mais disperso. Rua que se faz quase toda por debaixo de latadas de videiras, que no dia em que lá fomos, dia 15 de julho deste ano que termina, por volta do meio-dia, bem agradecemos a sombra onde dava mesmo vontade de ficar. Latadas que ainda se vão vendo em algumas aldeias da região, algumas poucas no Barroso mas também nos concelhos vizinhos, mas que com o tempo e com falta de quem as mantenha, vão morrendo ou são desmontadas. Pena, pois davam um ar interessante às aldeias além de alguma frescura às ruas e casas próximas, que nos nossos verões de inferno, bem se agradecem.

 

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Claro que se das Penedas se têm vista privilegiadas para Azevedo, também o contrário é verdade. No post das 3 Penedas já tivemos oportunidade de deixar essas vistas. Hoje deixamos aqui algumas vistas tomadas desde Azevedo paara as encostas de Covelo do Gerês e de Ferral, onde ao longe apenas se veem duas cores, o verde das encostas das montanha e o azul do céu.

 

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Quanto ao verde entre o qual se implanta a aldeia de Azevedo bem como o que a partir da aldeia se avista, não é de admirar, ou melhor, admiramos-lhe a beleza, mas não nos surpreende a sua existência, pois embora se tenha a Serra do Gerês por companhia, estamos nas terras mais baixas do Barroso, e embora Azevedo esteja implantada entre os 657 e os 579 metros, o Cávado nesta zona já está a uma cota de 400m. No entanto, Cabril (sede de freguesia) que fica a apenas 4 quilómetros de Azevedo já tem cotas de 270 metros de altura. Claro que as fotografias não mostram o que está nas nossas costas, pois mesmo ali atrás delas iniciam-se as inclinações da Serra do Gerês despida de qualquer vegetação, ou quase, pois só mesmo aquela rasteirinha é que lhe resistem.

 

1600-azevedo (37)

 

Por estas inclinações e a proximidade dos rios adivinham-se por perto muitas cascatas, e de facto existem, mas são quase todas de acessos difíceis, onde não se pode ir de popó, que tem sido o nosso meio de transporte. As cascatas da proximidade ficarão para um post futuro, mas primeiro ainda temos a agradável tarefa que no entanto se adivinha árdua, de ir fotografá-las, e claro, também vai ser preciso alguma chuva para que as cascatas se deixem ver. Não sei para quando, mas ficam prometidas.

 

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Vamos agora ao topónimo de Azevedo, que comummente é apelido de gente. Vamos ver o que nos diz a “Toponímia de Barroso”:

 

Azevedo

Topónimo  referido a “azevo”, com o sufixo ETU EDO. É possível explicar-se a viagem até azevo desde o longínquo AQUIFOLIU. Trata-se de nome de lugar referido a plantas com parentesco ao azevinho. Enquanto tal o topónimo aparece já em:

-1258 « et in Azevedo dixit quod habentur ibi» INQ 519 – mas não referido à villa barrosã, que não aparece nas INQUIRIÇÕES. De qualquer modo ficamos a saber que o topónimo já vigorava nessa data e na forma que ainda se mantém.

1600-azevedo (28)

 

Na “Toponímia Alegre” parte integrante da “Toponímia de Barroso” podemos ainda ficar a saber os “apelidos de Cabril, onde consta também o de Azevedo:

 

“Apelidos” de Cabril

 

Moeda falsa de Lapela,

Vinho-azedo de Azevedo,

Cava-touças de Sertelo,

Escorricha-picheis de S.Lourenço,

Rabões de Chelo,

Bufos de Vila Boa,

Lagartos de Fontaínho,

Cinzentos de Chãos,

Carrapatas de Cavalos,

Paparoteiros da Vila,

Dente-Grande da Ponte,

Pousa-fois na Chã de Moinho,

Raposas de Busto.Chão,

Esfola-vacas de São Ane,

Ferra-bestas de Pincães,

Putaria de Fafião.

 

1600-azevedo (34)

 

E na “Toponímia Alegre” ainda temos mais estas:

 

Se fores a Cabril leva pão

Que vinho lá to darão.

 

Vou-me casar a Cabril,

O Sítio do meu degredo:

É terras de muito padre

Canta lá o cuco cedo!

 

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Para além destas referências da “Tponímia de Barroso” encontrámos na NET um perfil no facebook que dá pelo nome de Lugar de Azevedo – Cabril – Montalegre: Fica o link para uma visita:

https://www.facebook.com/lugardeazevedo.cabrilmontalegre

 

1600-azevedo

 

Bem queria deixar por aqui mais qualquer coisa sobre a aldeia de Azevedo, mas nas minhas pesquisas mais nada encontrei sobre a aldeia, aliás apenas encontrei duas referências ao topónimo da aldeia no livro “Montalegre”, mas apenas a dizer que fazia parte da freguesia de Cabril.

 

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Dizer que é uma aldeia que também sofre de despovoamento e do envelhecimento da população, também já não é novidade, pois vai sendo uma constante em todas as aldeias, principalmente as mais pequenas, como é o caso, e as mais distantes dos grandes centros, vilas ou cidades sede de concelho. Mas uma coisa posso acrescentar e que quase nunca o referi aqui. Estas aldeias, além de despovoamento e envelhecimento têm também outros sofreres – o isolamento, não só o de já por si estarem isoladas, mas o isolamento que é provocado e agravado pela dificuldade de meios e acessos/ligações a apoios sociais, acesso à saúde, à educação e muito mais. Por muito agradável que seja uma aldeia e que por aí se diga que nelas existe qualidade de vida, as coisas não são bem assim, e às vezes, não sei se é o caso, até o acesso a coisas que hoje são tão comuns nas nossas vidas lhes são negadas, como a televisão ou o telemóvel, pois muitas destas aldeias não são servidas por falta de rede, e que qualidade de vida poderá nestas aldeias existir se nada têm para além da sua gente, de contarem uns com os outros e do trabalho das terras. Tudo que nós precisamos, necessidades primárias, também nas aldeias precisam, mas nós aqui na cidade ou nas vilas podemos encontrar o que queremos no dobrar de uma ou outra esquina, na maioria das aldeias,  nada existe para além da gente e das suas casas. O que necessitam só na Vila mais próxima ou cidade, e estamos a falar de gente que na grande maioria não tem viatura própria nem transportes públicos a passarem-lhe à porta ou na aldeia. São resistentes que, por amor ao berço, à terra onde nasceram, onde sempre viveram e criaram os seus filhos, querem por lá ficar até morrer, com todo o direito. Certo que não são exigentes, cada vez são menos e cada vez menos contam em termos estatísticos e políticos processados em folhas de Excel, mas, não me canso de mencionar Torga quando dizia:  “ Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhes dá a simples proteção de as respeitar”.

 

E com esta me vou… com votos de um bom ano de 2018 para todos.

 

1600-azevedo (5)

 

Só faltam mesmo as referências às consultas e os links para os post anteriores dedicados ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:07
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Domingo, 17 de Dezembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Torgueda

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Durante o meu tempo de criança/adolescência, a ligação “oficial “  à Vila de Montalegre fazia-se via EN103 nas carreiras de cor cinza de Braga do “Tio Magalhães”, com paragem obrigatória em todas as aldeias do percurso. Obrigatória porque havia sempre gente para deixar ou recolher em todas as paragens, o que, aliada à ansiedade de chegar a Montalegre, fazia que esta pequena viagem de quatro dezenas de quilómetros demorasse uma eternidade.

 

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Num itinerário em que a seguir a uma curva havia sempre outra curva, com o ram-ram lento da carreira, os inevitáveis enjoos e o para-arranca das paragens, aumentavam sempre a ansiedade e o desejo de chegar ao destino. Ia somando e deixando para trás as minhas referências. Primeiro Curalha, depois a passagem (ponte) sobre o Rio Terva, a seguir a paragem de ligação a Boticas em Sapiãos, mesmo antes da longa subida até ao Alto Fontão e depois as três pontes, uma delas sobre Rio Beça para logo a seguir, aí sim, um pequeno respiro de alívio com dez minutos de paragem numa espécie de estação de serviço que se chamava (e chama) Barracão.

 

1600-torgueda (46)

 

No Barracão o pessoal que ia para Montalegre tinha de apanhar outra carreira, pois a nossa até então seguia para Braga. Daí a Montalegre era um tiro, só mais duas aldeias (Gralhós e a Gorda) e duas paragens. Isto no início, pois com o tempo a mudança de carreira passou a fazer-se em S.Vicente, com uma viagem um pouco mais longa mas com a vantagem de se poder apreciar a imponência da Barragem dos Pisões. Entre S.Vicente e Montalegre, apenas uma aldeia – Medeiros, pois a Chã (S.Vicente da Chã) vem a ser o mesmo que S.Vicente.

 

1600-torgueda (27)

 

Todo este introito para chegarmos à nossa aldeia de hoje – Torgueda. Isto porque Torgueda fica a uns escassos 800m de S.Vicente, no entanto, as viagens de carreira não passavam por lá nem nos permitiam a liberdade de fazer alguns desvios, como hoje o fazemos quando a viatura em que nos deslocamos é nossa e nos apetece fazer esses desvios. Pois por essa razão, da carreira não fazer desvios, só mesmo em maio do ano passado é que conheci Torgueda, indo pela estrada interior entre a Chã e Torgueda.

 

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Na receção, surpreendeu-nos um caminho transformado em rio. Coisa que já não nos espanta nestas terras com esta riqueza de água, principalmente por correr ainda assim livremente pelos caminhos e valetas, sempre limpinha, transparente, cristalina, sempre a convidar ser bebida, prazer que guardámos sempre até a fonte mais próxima que nunca tarda a aparecer.

 

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Vamos então até Torgueda, com partida a partir da cidade de Chaves. Para Torgueda a opção é a EN103, a recordar as tais antigas viagens nas carreiras de Braga, ainda hoje com as antigas referências atrás mencionadas e quase sempre com uma paragem no Barracão. Pois de Chaves até Torgueda não há nada que enganar, é seguir mesmo a EN103 até S.Vicente da Chã, aí deixa-se a estrada de Braga e vira-se em direção a Montalegre, aqui tem duas opções, uma no próprio cruzamento com a estrada de Braga tem a estrada que liga a Montalegre e uma outra que vai para Torgueda, no entanto penso ser mais interessante entrar mesmo na estrada que liga a Montalegre e 200m à frente entrar na aldeia da Chã, nem que seja e só para visitar a Igreja, pois não se vai arrepender, e a partir de aí tomar o caminho interior para Torgueda. A distância para as duas opções é igual, mas pela segunda opção tem, como bónus, a aldeia da Chã.

 

1600-torgueda (69)

 

A distância entre Chaves e Torgueda é de aproximadamente 41 km, trajeto para demorar menos de uma hora, mesmo com a paragem no Barracão.

As coordenadas de Torgueda são:

41º  47’ 15.93” N

7º  47’ 38.10” O

 

mapa-torgueda.jpg

 

Vamos agora as nossas pesquisas e a primeira ligação que encontrámos a Torgueda é o de uma jovem de 17 anos, chamada Carina Luís, numa notícia que encontrei no site Desportivo Transmontano, que passo a transcrever:

 

“ É mais um emblema de orgulho barrosão. Carina Luís, natural de Torgueda, concelho de Montalegre, atleta de futsal, atingiu o pico da modalidade: representar a Seleção Nacional (Sub-17). A jogar atualmente no Grupo Desportivo de Chaves, a jogadora não esquece o início do percurso (ADC Colmeia) ao mesmo tempo que vaticina fé para o seu futuro. Por estes dias realizou um estágio de preparação com a equipa das “quinas”, em Rio Maior, Santarém.”

 

1600-torgueda (47)

 

Ainda na mesma notícia pode-se ler:

 

“Depois de ter sido convocada para representar Portugal, pela primeira vez, em 2016, para o Torneio de Desenvolvimento da UEFA, a jovem atleta Carina Luís, voltou a ser lembrada pelo selecionador nacional, Luís Conceição, para vestir a camisola da Seleção Nacional de Futsal Sub-17 Feminina. A UEFA está a organizar estes torneios de desenvolvimento na sequência da decisão da FIFA de integrar esta modalidade em vez do futebol nos Jogos Olímpicos da Juventude que terão lugar em 2018, em Buenos Aires (Argentina).” E continua… a notícia completa está aqui.”

 

1600-torgueda (61)

 

Outra das referências que encontrámos é a de Torgueda a fazer parte do trilho de percurso perdeste do Ourigo, com partida de Montalegre e chegada a Montalegre, com passagem por Torgueda, Castanheira da Chã, Cambezes do Rio, entre outros locais e sítios singulares, como o fojo do lobo no Avelar. Sem dúvida que para quem gosta dos trilhos e percursos perdestres, o Trilho do Ourigo é para não perder.

 

1600-torgueda (68)

 

No Livro Montalegre encontrámos duas referências a Torgueda, a primeira onde é mencionado um natural da aldeia, num acontecimento ocorrido no ano de 1846 em Montalegre, durante a revolução de Maria da Fonte, que passamos a citar:

“Aclamação de D. Miguel I, rei absoluto de Portugal” - ano 1846

Fez há dias 160 anos (18 de Junho de 1846) que a Ponte Medieval da vila assistiu ao espectáculo mais triste, ocorrido em Barroso, durante a Guerra Civil da Maria da Fonte que passou à história com o nome de ‘’Guerra da Patuleia’’.

Desde vários anos antes que se sucediam os pronunciamentos militares, as insurreições e os motins de agitadores e criminosos. Em Barroso também germinavam bigorrilhas e morgados lorpas, amanuenses corruptos e curas estúpidos.

 

1600-torgueda (50)

 

E continua o livro “Montalegre”:

Apareceram em Montalegre 150 homens (1/3 com armas de fogo e os restantes com gadanhas e fouces roçadouras) comandados pelo Padre António Teixeira das Quintas, o  ex alferes ‘’picador de cavalaria’’, natural das Lavradas, Manuel Joaquim Teixeira e Bento Gonçalves dos Santos Moura, natural de Medeiros. Sobem aos Paços do concelho, proclamam Rei de Portugal D. Miguel I e lavram Auto de Aclamação nomeando Nova Câmara:

João Manuel, de Medeiros – Presidente

José Martins, do Cortiço – Vogal

António Alves, de Firvidas – Vogal

José Martins, de Medeiros – Procurador do Concelho.

 

1600-torgueda (22)

 

E ainda no livro “Montalegre”:

Assinam o Auto Bento dos Santos Moura, de Medeiros, o abade João Batista Rosa, de Codessoso da Chã, o Padre António Teixeira, das Quintas, Manuel Joaquim Teixeira, das Lavradas, o Padre António Alves, de Cepeda, João Alves Dias, de Torgueda e António Monteiro, de Pinho.

Logo no dia 18 uma força de cavalaria comandada pelo Major António Teixeira Sarmento marcha sobre Montalegre. Aliciados pelos acima nomeados conspiradores uns ‘’trinta ou quarenta paisanos que ali se achavam dispararam alguns tiros contra a guarda avançada e dispersaram precipitadamente’’ quando o pelotão de cavalaria entrava na Portela. Perseguidos os agressores que fugiam pelos juncais junto à ponte ‘’lograram alcançar 6’’ que pagaram com a vida o seu louco atrevimento.

Pobres tolos de quem nem se sabem os nomes!”

 

1600-torgueda (72)

 

A segunda referência do livro Montalegre é apenas à aldeia Torgueda fazer parte da freguesia da Chã. E com esta, passamos já para a Toponímia de Barroso para sabermos o que por lá se diz a respeito do topónimo da aldeia. Começa assim:

 

Torgueda

Nome da família toponímia radicada no latino TORICA > TORGA ou –mesmo TORICANA > TORGA(N)A + EDA (sem a preocupação de apresentar todos os passos evolutivos. Tal hipótese de trabalho justifica-se porque em:

- 1258 INQ 1518, este mesmo topónimo aparece grafado “Torgaeda” pelo que nos aforma ter nas suas metamorfoses. Torcaneta > Torganeda > Torgaeda > e, por fim Torgueda.

Muitas pessoas pronunciam Trogueda – apenas uma anormal metátese.

 

1600-torgueda (12)

 

E como sempre, a “Toponímia Alegre” também incluída na “Toponímia de Barroso”, onde consta:

 

Chã –São Vicente

Ruim sítio, ruim gente,

Coelheiros de Medeiros,

Ciganos de Peireses,

Pretinhos de Travaços de Chã,

Cruza-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhos e

Arranca-torgos de Codessoso da Chã.

 

(…)

 

Montalegre está no alto,

Sarraquinhos na portela;

Quem quer ver as moças lindas

Vai ao lugar de Torgueda.

 

1600-torgueda (81)

 

 E por hoje vai sendo tudo. Resto-nos dizer que ficámos agradados com Torgueda, o conjunto da aldeia com os seus traços de aldeia transmontana e barrosã, com vida nas ruas e gente nos campos, hospitaleiros e gosto de conversar. Claro que também é notório o despovoamento e envelhecimento da população, mas também da modernidade, bem visível no abandono das infraestruturas e tarefas mais comunitárias e que tanta vida e alegria davam às aldeias, como os lavadouros públicos.

 

1600-torgueda (51)

 

E por fim só faltam mesmo as referências às nossas consultas e os links para as anteriores abordagens a aldeias e temas do Barroso.

 

Sítios da Internet

 

http://www.desportivotransmontano.com/barrosa-na-selecao-nacional-de-futsal/

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:57
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Domingo, 10 de Dezembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - São Bento de Sexta Freita

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montalegre (549)

 

Antes ainda de entramos em mais uma aldeia do Barroso, deixo um pedido de desculpas a quem veio aqui nas últimas semanas a procura de mais uma aldeia barrosã. Embora não tivesse sido por falta de conteúdos, mesmo porque já recolhemos imagens de todas as aldeias do Concelho de Montalegre, nem tão pouco por falta de vontade ou de tempo, pois tempo sem fazer nada não tem faltado. A verdade é que por motivos de saúde estivemos impedidos de nos sentarmos ao computador e mesmo a feitura deste post, foi feito aos pouquinhos durante toda a semana. Mas como tudo começa a regressar à normalidade das habituais rotinas dos dias, também esta rúbrica de “ O Barroso aqui tão perto” voltará a sua normalidade de estar por aqui todos os domingos ou com algum atraso, às segundas-feiras. Assim o espero.

 

1600-sexta-freita (27)

 

Vamos então até à nossa aldeia barrosã de hoje e à primeira vez que a avistei,  embora sem tempo para entrar nela, mas quis ir até lá, avistá-la desde a estrada, tudo pelo seu curioso topónimo que então tinha visto num mapa qualquer (já não recordo qual) onde aparecia como Sexta-Feira. Mas isto foi há cinco anos, que deu para satisfazer a curiosidade e ficar a saber que afinal o seu topónimo não era Sexta-Feira, mas sim Sexta-Freita antecedida ainda pelo nome de um santo – São Bento, ou seja – São Bento de Sexta Freita.

 

1600-sexta-freita (15)

 

Iniciemos então pelo seu topónimo que não sendo Sexta-Feira também não deixa de ser curioso ser Sexta Freita, com uma abordagem àquilo que se diz na “Toponímia de Barroso”

 

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Sexta Freita ou São Bento de Sexta Freita

Topónimo de grande beleza e raridade. Trata-se do adjectivo latino FRACTA > FRAITA > FREITA que significa partida “quebrada”. Uma quebrada aqui relacionada com a orografia ou com a terra e teria o sentido de lavrada, arroteada. Julgo que no caso vertente é evidente o sentido orográfico, ou seja, é a sexta “quebrada” ou corga da lomba onde a povoação demora; Sexta Quebrada (nesse sentido,  existia e até está documentada em:

- 1258 « in leyras et quebradas (sis) divisas» INQ 1442) provavelmente a partir da Igreja de S. Pedro de Covelo.

 

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E a “Toponímia de Barroso” continua com:

Tendo-se perdido o sentido de fracta, sentido de terreno adequado à cultura, houve que juntar-lhe o numeral Sexta > sexta para especificar o local — é a sexta quebrada, a sexta lomba arroteada daquela encosta fronteira ao Gerês começando a contar desde o Rio, por alturas da Misarela. A localidade não foi arrolada (salvo se tiver havido mudança de topónimo – o que não creio) nas inquirições seguintes à de 1258. Ao invés do que geralmente se pensa o culto a São Bento é bastante tardio. Deve-se sobretudo aos muitos sermões dos monges beneditinos dos quais o Santinho foi Patriarca e cuja apologia, milagres e sabedoria propalaram.

1600-ponteira 1-(85).jpg

 

Ainda na “Toponímia de Barroso”:

Em 1530 tinha apenas um casal. Nesse documento o hagiotopónimo foi substituído pelo ridículo nome de Cestafrita, em vez de Sexta Freita!

 

1600-sexta-freita (16)

 

E como sempre a “Toponímia Alegre” também parte integrante da “Toponímia de Barroso”:

 

Se fores ao São Bentinho

Não vades ao de Gerês;

Ide ao de Sexta Freita

Que tantos milagres fez!

 

Ó passantes de Covêlo

Não me comais as cerejas

Que o meu patrão vai à feira

Pode-me botar as queixas.

 

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Quanto à nossa recolha fotográfica foi feita há quase um ano, após o Natal e ainda antes do ano novo, num itinerário que tínhamos marcado para algumas aldeias na proximidade da Barragem de Paradela, como passagem por Ponteira, Sexta Freita e as três Penedas.

 

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Para sair do itinerário já nosso conhecido da M308-4, que liga Paradela a Ferral, optámos pela estrada secundária entre Paradela e Ponteira, e a partir desta última, pelo estradão em terra batida que liga à Sexta Freita. As vistas para a Serra do Gerês compensam alguma aspereza do piso do estradão.

 

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Chegados a São Bento de Sexta Freita o que mais surpreende e atrai, em primeiro lugar, são mesmo as vistas que se podem lançar sobre Ponteira e sobre a Serra do Gerês, logo de seguida é o conjunto da Igreja, largo e Cruzeiro, instalados num dos pintos mais altos da aldeia e desde onde se podem lançar os tais olhares paras as redondezas não muito distantes, como para a imponência, recortes e penedio da Serra do Gerês.

 

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Quanto à orografia do terreno, S.Bento de Sexta Freita encontra-se no topo de uma elevação entre muitas elevações, algumas com declives bem acentuados com vertentes para pequenos vales ou linhas de água.  Quando por aqui digo que não existe um Barroso, nem apenas o Alto e Baixo Barroso, podemos dizer que esta aldeia está no limite de dois Barrosos bem distintos. Um que deixa os planaltos das terras do “Rio” e da “Chã” para se entrar num outro, mais cultivado, mais verde com aldeias com aglomerados mais dispersos, em terras inclinadas com um misto de influência de terras e cores do Minho, a usufruir das vertentes dos montes para os Rios Cávado e Cabril onde a Barragem de Salamonde se começa a formar e desenvolver, mas sempre com as aspereza dos azuis refletidos no penedio da Serra do Gerês.

 

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Durante trinta e muitos anos andei a apreciar o Barroso que ia desde Chaves até Montalegre, onde o Larouco, ainda antes de ser “deus” era rei e senhor daquela região. Para além do planalto, ia conhecendo e apreciando também as terras do Rio e as Terras da Chã, sem esquecer a grande Barragem dos Pisões. Para além disso, algumas incursões pela Mourela, Pitões e Tourém, ainda no tempo em que o verdadeiro comunitarismo se comungava nesta região, com as vezeiras e os fornos do povo a funcionar na sua labuta diária de fazer pão e outras iguarias em dias de festa. Para mim, esse, era todo o Barroso que eu conhecia, e bem interessante por sinal.  

 

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Espanto meu foi conhecer os outros Barrosos, e para já não vamos falar do Barroso do Concelho de Boticas. Os Barrosos ao longo da Serra do Gerês, desde Paradela, Sirvozelo e por aí fora, passando por Cabril e terminando em Fafião, um outro Barroso entre as três barragens (Pisões, Paradela e Venda Nova, um outro que tem como centro a freguesia de Salto e envolvência e por último o de influência da Serra do Barroso, este repartido pelo concelho de Montalegre e Boticas. Em tom de jocoso poderia dizer que são os Barrosinhos que fazem o todo do Barroso, esse todo que no conjunto com os seus contrastes, fazem dele uma pérola do Reino Maravilhoso que Torga tão bem cantou e deixou registado nos seus escritos, diários e poemas.

 

1600-sexta-freita (1)

 

Mas vamos à localização de S.Bento de Sexta Freita e o itinerário que nós recomendamos para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Já sabem que o meu itinerário preferido é mesmo o da Estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia, até Montalegre. A partir de Montalegre nem há como seguir o Rio Cávado, não pelo Rio, mas pela Estrada N308, primeiro a acompanhar a margem esquerda do Cávado, depois, antes de Frades passa-se para a margem direita e em Sezelhe passa-se outra vez para a margem esquerda, passando para a EM514, mas só até S.Pedro, pois aí há que abandonar esta estrada, passar por S.Pedro e tomar a Rua da Estrada que passa por Vilaça, Fiães do Rio, Loivos e Paradela (aldeia e barragem). Aqui toma-se a N308-4 em direção a Ponteira (passando-se ao lado mas com lindíssimas vistas sobre Ponteira onde os penedos são mais e maiores que as casas), logo a seguir é S.Bento de Sexta Freita. No total são perto de 70 km e 1H30 a 2 H de viagem, isto contando com as paragens de apreciação e a obrigatória toma de café em Montalegre.

 

1600-sexta-freita (6)

 

Claro que o itinerário que deixei é o meu preferido e aquele que acho mais interessante. Em alternativa tem sempre a EN103, por onde até são menos 5km de distância, mas para mim menos interessante.

Quanto às coordenadas da aldeia são:

41º 43’ 55.45”N

7º 58’ 37.17”E

Altitude de Sexta Freita entre os 820 e 853m

 

sexta freita.jpg

 

E pouco mais a a dizer sobre S.Bento de Sexta Freita, mesmo porque nas nossas pesquisas não encontrámos mais nada, nem no livro “Montalegre” onde apenas se refere que a aldeia pertence à freguesia de Covêlo do Gerês.

 

E por hoje é tudo e “O Barroso aqui tão perto” estará por aqui no próximo domingo, pelo menos assim esperamos que aconteça.

 

1600-sexta-freita (45)

 

Como sempre ficam as habituais referências às nossas consultas e links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

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Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

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Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

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