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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Jan21

O Barroso aqui tão perto - Paredes - Salto

Aldeias do Barroso

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PAREDES - SALTO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Paredes, freguesia de Salto, Montalegre.

 

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Esta aldeia é uma das Paredes do concelho de Montalegre, mais precisamente da freguesia de Salto. A outra Paredes é do Rio, ou seja, é uma das aldeias implantada na proximidade do rio Cávado, e daí, tal como outras aldeias que lhe são próximas, adotarem o apelido de Rio, ou seja, Paredes do Rio, que será a próxima aldeia a ter aqui o seu vídeo. Mas hoje ficamo-nos pela Paredes, simplesmente Paredes.

 

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Paredes que tem como aldeia mais próxima Caniçó e a Borralha, onde se localizavam as antigas minas da Borralha e em sentido contrário a sede de freguesia – Salto, todas a menos de 2Km de distância.

 

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Paredes que foi para nós uma das aldeias mais agradável de descobrir, não só pela sua beleza e exuberância do verde que a rodeia, mas também pelas pessoas que lá conhecemos e com quem tivemos o prazer de estar e conversar, curiosamente uma aldeia quase sem população, mas onde conseguimos encontrar 3 gerações de uma só família, neto, pai e avó, aos quais mais uma vez agradeço a receção e hospitalidade à boa maneira barrosã. O único lamento que de lá trouxemos foi mesmo e só o de algumas ruinas e o despovoamento da aldeia.

 

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Curiosa foi a nossa entrada na aldeia, pois o primeiro ser vivo que vimos foi uma vaca a aparecer ao fundo de uma rua, depois outra, depois mais umas tantas que ao nos verem ao longe, pararam e ficaram a olhar para nós, aparentemente com receio ou medo, o que se veio a confirmar, pois segundo o dono, não estavam habituadas a ver outras pessoas estranhas e nós estávamos em pleno largo por onde elas tinham de passar. Mas lá foram vindo e passando, uma a uma, desconfiadas na abordagem à passagem mas após isso, apressavam o passo e lá foram, sozinhas, para o monte mais próximo.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falarmos de Paredes, isso, já o fomos fazendo no post que em tempos lhe dedicámos (com link no final). Hoje é mesmo pelo vídeo, mas também, aproveitando esta ocasião, para deixarmos aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções. Vídeo ao qual passaremos de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Paredes, Salto:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a outra aldeia com o mesmo topónimo, mas do rio – Paredes do Rio.

 

 

 

16
Jan21

O Barroso aqui tão perto - Pardieiros

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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PARDIEIROS

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Pardieiros, concelho de Montalegre.

 

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Iniciemos já por aquilo que nos poderá levar a pensar o topónimo Pardieiros, que pelo significado comum do termo nos levaria até casas velhas, em ruinas e toscas, mas não, embora tenha algumas construções em ruínas, mas qual é a aldeia que não as tem!?  A única diferença entre esta aldeia e a maioria das aldeias do Barroso ou até de Trás-os-Montes, está apenas na sua dimensão, uma aldeia pequena em que as casas se contam pelos dedos das mãos e habitantes, se calha, são outros tantos ou menos, mas isso não o podemos confirmar porque não temos dados para tal, agora no que não temos dúvidas é que Pardieiros,  é a mais pequena aldeia do Barroso, mas mesmo assim, tem o seu núcleo de casas, arrumadinhas na croa de uma pequeno monte e o seu ser de aldeia.

 

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Só a título de curiosidade, este topónimo de Pardieiros não é assim tão invulgar, pois em Portugal existem pelo menos mais seis aldeias com este topónimo e em Espanha, pelo menos duas localidades e em Terras de Bouro também existe uma aldeia com o topónimo de Pardieiro (no singular). E já que estamos em maré de curiosidades, há um topónimo, também em Terras de Bouro, que até há um ano atrás talvez passasse despercebido, mas que hoje chama a atenção: Covide.

 

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Deixamos a fotografia que se segue propositadamente para o fim porque esta imagem está repleta de informações. Este é já aquele Barroso ao qual eu apelido de Barroso minhoto. Aliás as últimas montanhas e as montanhas azuladas do lado esquerdo já pertencem ao Minho, mas o Barroso ainda continua pelas primeiras montanhas azuladas, embora o Rio Cávado que nessa zona agora é barragem de Salamonde, separe o Barroso minhoto (do lado esquerdo da imagem com as primeiras freguesias de Vieira do Minho) e o Barroso transmontano do concelho de Montalegre que se prolonga até ao final da barragem de Salamonde, onde ainda existem as aldeias de Pincães e de Fafião. Na imagem, ao centro e ao fundo, ainda se vê um nico da barragem de Salamonde.

 

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Continuando a analisar a mesma imagem (a imagem anterior) a aldeia que vemos em primeiro plano à direita é Santa Marinha, também localizada na croa de uma montanha a serra do Facho, que se prolonga até Ferral e um pouco mais além, cuja pendente após a aldeia, desce para o Rio Cávado que vai descendo entre montanhas até encontrar o Rio Cabril que corre entre a segunda montanha (que já é serra do Gerês) do lado direito (ainda esverdeada) e a montanha seguinte (azulada – continuação da serra do Gerês). Um último apontamento, que nos leva até à ponte da Misarela (também conhecida por ponte do diabo) que fica sobre um pequeno ribeiro que desagua no Cávado imediatamente antes deste se unir com o rio Cabril. Ou seja, uma imagem cheia de ofertas turísticas, principalmente de natureza, para descobrir

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Pardieiros que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre esta aldeia, a seguir ao vídeo, ficam um link para o post que há tempos lhe dedicámos.

 

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Pardieiros:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até ao próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Paredes do Rio.

 

 

10
Jan21

O Barroso aqui tão perto - Parafita

Aldeias de Montalegre - C/Vìdeo

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PARAFITA - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Parafita, do concelho de Montalegre.

 

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Hoje, excecionalmente, mais que um post-vídeo (em imagens e vídeo) é também um post dedicado a Banda de Música de Parafita e às histórias dos seus músicos, histórias essas que fazem a abertura do livro de Bento da Cruz – “Histórias de Lana-Caprina”, sendo elas as que abrem o livro com o capítulo 1, intitulado “Os de Parafita”. Apenas algumas, pois não há espaço para todas.

 

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E uma vez que dedicamos este post à Banda de Música de Parafita, a música do vídeo que poderão ver no final do post é de sua autoria, música e três imagens que retirámos da sua página na net, à qual recomendo uma visita. Fica link no final do post. Vamos então a algumas estórias de “Os de Parafita”

 

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1

OS DE PARAFITA

 

Todas as grandes terras têm o seu ex libris. Atenas tem a Acrópole; Jerusalém o Templo; Roma o Coliseu; Meca a Pedra; Paris a Torre; Londres o Relógio; Nova Iorque a Estátua; Nápoles o Vulcão; Rio de Janeiro o Carnaval; Madrid a Tourada; Viena a Valsa; Barcelos o Galo; Coimbra a Universidade; Parafita a Música.

 

Melhor dizendo: Parafita tinha a Música. A Música e muitos outros predicados que dão excelência às terras. A situação geográfica, por exemplo. Reclinada numa encosta fronteira à Serra das Alturas de Barroso, dir-se-ia repousar de cabeça na montanha e pés no rio.

 

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Outrora. Hoje continua de cabeça na montanha. Mas a água subiu-lhe até à cintura.

 

É, portanto, uma terra amputada. Amputada no corpo e na alma, se entendermos por corpo a paisagem, e por alma os habitantes.

 

A História Universal está cheia de histórias de terras que foram cabeças de reino e que, de repente, entraram em declínio e desapareceram: Cartago, Tróia, Palmira.

 

Na origem dessas catástrofes está sempre uma calamidade do género da fome, da peste e da guerra, três faces distintas dum só monstro verdadeiro.

 

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A desgraça de Parafita foi a albufeira.

 

Antes da construção da barragem dos Pisões, Parafita era uma das aldeias mais florescentes e conhecidas de Barroso.

 

Florescente, pela densidade populacional, largueza de terrenos baldios e de cultivo, abundância de gado vacum, cápreo, de ceva e de capoeira, de caça e pesca, de lenha, de sol, de artesãos: carpinteiros, alfaiates, tecedeiras, alveitares, dentistas, endireitas, capadores, correeiros de albardas, molhelhas, butes e tamancos, tudo do melhor que entre nós se fazia.

 

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Conhecida, pela Música, alma e glória de Parafita e, por que não dizê-lo?, de todo o Barroso.

 

As páginas seguintes são um repositório, forçosamente incompleto, do anedotário da Música de Parafita. Mas que ninguém fique a julgar que a Música de Parafita era algum bando de estarolas. Credo! A Música de Parafita era uma escola de civismo, de cultura, de fraternidade — de treino para a vida. Dizia-se mesmo: Vale mais um ano em Parafita do que cinco em Coimbra.

 

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A Música dava aos de Parafita aquele ar de artistas que os tornava simpáticos aos olhos de todo o mundo. Simplesmente encantador ver as crianças a solfejar as primeiras notas e os velhos a discutirem as vantagens da clave de sol sobre a de fá. Todo o Barroso se orgulhava deles. Pena foi que a praga da albufeira os haja dispersado pelas sete partidas.

 

Inteligentes e laboriosos como são, os filhos de Parafita depressa grangearam nome e fortuna nas terras adoptivas. Mas não esquecem a terra-mãe. Onde quer que dois desterrados de Parafita se juntem em Babilónia, é para carpir lembranças de Sião, saudosos da qual vivem e morrem.

 

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No último inverno, quatro deles passaram um fim-de-semana numa casa de férias situada na vertente marítima da Serra de Arga, donde se abarca todo o panorama da Foz do Minho, cuja beleza é um hino de permanente louvor ao Grande Arquitecto do Universo: o rio a espraiar-se entre margens edénicas e Ilhas de Amores, a silhueta grega do Monte de Santa Tecla do outro lado, à direita, o galeão de pedra que é a Fortaleza, em frente, ao fundo, a aguarela de areia, barcos e pinheiros, à esquerda, e, a toda a largura dos olhos, o luminoso estuário, verdadeiro milagre de cor e luz em constante movimento.

 

No sábado os quatro expatriados confecionaram urna taina com iguarias trazidas expressamente de Barroso, terra bendita, onde, no dizer de Camilo Castelo Branco, uma simples batata cozida com a tona e rolada numa escudela de sal sabe que nem manjar de anjos.

 

Passaram a noite a petiscar e a carpir lembranças de Parafita.

 

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Casualmente, um deles trazia no bolso um gravador de fabrico japonês, pouco maior do que um maço de tabaco, e ligou-o. Tive acesso à gravação. É dela que vou transcrever um naco da conversa dos alegres carpidores de lembranças. Só lamento não encontrar na escrita sinais gráficos correspondentes às saborosas gargalhadas da cassete. Paciência. Vai mesmo assim.

 

 

*

*        *

 

— Parafit-atrás Parafi-tá-trás ! Arroz p'r'ó-pote ! Arroz p'r'ó-pote! Cabra velha p'r'á caldeira! Cabra velha p'r'á caldeira! Vinho ! Vinho !

 

— Para vinho eram eles uns barras! Um ano foram tocar a S. Bento de Sexta-Freita, ali para as bandas da Roca da Ponteira. Em pleno Agosto. Um calor de amolecer pedras e tirar o fôlego a qualquer um. Com receio de que a fanfarra desfalecesse nos vivaces dos metais e nos rufos dos tambores, tão do agrado das multidões, o mordomo fez seguir na procissão, bem à vista dos músicos, uma guapa rapariga com um cântaro de vinho à cabeça. Tinha boa perna, a moça. Mas nenhum dos músicos lhe olhava para elas. Iam todos de olhos no cântaro do vinho, ansiosos por molhar a palheta. Entram capela dentro a passo acelerado, a dar as últimas. Ora enquanto assim estavam, os músicos nos acordes finais e a cachopa de cântaro à cabeça, o coto duma vela pegou fogo às saiolas do altar. Num gesto instintivo, a moça despeja o vinho nas chamas. Noutro, o Barral espeta-lhe uma bofetada e atira com ela de cangalhas e de cara à banda, desmaiada. Acode o mordomo, a família do mordomo, os vizinhos do mordomo: «Grandes malandros! Olha como puseram a criança! É fazer-lhes o mesmo...» «Vamos embora, rapazes!» ordenou o Mestre, vendo as coisas mal paradas. Ninguém foi manco. A pé, costa arriba, sob a torreira, mortos de fome, curtidos de sede... O Barral até chorava: «Ó companheiros, desculpai! Mas eu estava com um secão... Quando vi o vinho entornado, não me contive... Foi sem querer...»

 

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—        Coitados. No Verão, atiravam-se ao vinho para refrescar; no Inverno, à aguardente para aquecer.

 

—        Os ensaios eram à noite, no sobrado do Pinto, depois da ceia. Chegavam todos a tremer de frio, às escuras. «Acendei lá o petromax.» Mas ninguém se entendia com aquilo. Muitas vezes, quando chegavam a acender o candeeiro, era madrugada. Acabara a aula.

 

E o garrafão? «Oh, rapazes, que frio está! E se fôssemos buscar um garrafão de aguardente para aquecer?» Como não havia copo, bebiam pelo gargalo, cada um seu gole. Vigiavam-se uns aos outros. Ai daquele que se alargasse... Um dia um deles botou dois tragos...Pegaram-se... Espatifaram tudo...

 

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—        O busílis é que passavam o tempo frio a beber fiado e o quente a tocar para o calote.

—        E sempre empenhados.

—        Apesar de não dispenderem um tostão na farda ou no transporte.

—        Farda não usavam; transporte era o burro: cada qual o seu.

—        Daí o dito: dez músicos, vinte figuras...

—        O que trazia problemas de aboletamento nas aldeias a cujas festividades iam tocar: «Ai eu quero ir para casa de fulano, que é bom tratador...»

 

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—        O boleto dos músicos trazia sempre problemas. Um dos mais bicudos advinha do sestro que os hospedeiros tinham de, no fim dos banquetes, pedirem aos hóspedes filarmónicas para tocarem qualquer coisa: «Agora, que estão de papo cheio, botem lá uma peça para a gente apreciar.» Mas que alguns não tocavam a ponta dum corno... Esses tinham de ir sempre acompanhados por alguém que salvasse a honra do convento.

—        O que nem sempre acontecia. Uma ocasião, um foi parar a casa de certa cerimónia, com talheres individuais à mesa. Puseram-lhe uma travessa de cozido à frente, para ele se servir. Mas o indígena, que não estava habituado àquilo? Começou a comer directamente da travessa... «O senhor não se serve?» — acudiu a dona da casa. «Ai eu bem servido estou...» — respondeu o alarve, puxando a gamela para debaixo dos queixos...

 

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— Lembrais-vos de quando mestre Angelino tentou pô-los a marchar direitos e alinhados, ao som da caixa?

 

— Moeu tardes inteiras a treiná-los na eira. Escusado. Se um ia para a direita, outro cambava para a esquerda. Desistiu.

 

— Esse mestre Angelino, reformado não sei de quê, vindo de Braga, era um atadinho do caraças. Tudo lhe metia medo. E montar um jumento? Um espectáculo. Entrava por um lado da albarda, saía pelo outro. Agenciaram-lhe um burro grande, desses da Ribeira, ajaezado com selim e acessórios correlativos. Foram tocar a Pitões. Ao subir a Mourela, com a vereda quase a pique e o burro muito traseiro, mestre Angelina escorrega pela rabeira da montada, vai parar ao chão a cavalo no selim e ali fica, atarantado, sem atinar com uma saída para tamanha desgraça. Nisto chega o Manuel do Pinto, o Capador, montado num bom cavalo. Diz-lhe o Angelino: «Ó senhor Manuel! Foi por Deus o senhor aparecer... Acabou-se-me o burro...»

 

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—        O Manuel do Pinto era tangedor de pratos substituto. Um dia, durante uma exibição de muita responsabilidade, adormeceu e atrasou-se no compasso. O do bombo chincou-o. Ele sacudiu o sono e disparou sozinho por ali fora: Changla! Changla! Changla!: lá se foi o êxito da audição p'ró galheiro.

 

—        Os da pancada (bombo, pratos e caixa) eram os do couce. Ora o titular dos pratos, o Manuel do Cabra, tinha a mania de empiscar às moças. Um ano, nas Alturas, durante a procissão, as de Atilhó, que passavam o Inverno na pedincha, por terras de Espanha, umas sabidonas, vinham por trás e apalpavam-no... Era um pratinho ver o velho Manuel do Cabra a bater pratos e a furtar-se às apalpadelas, aos saltinhos dum lado para o outro, ante a risota das moças e o espanto do mestre, que não percebia o que se estava a passar.

 

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Imagens retiradas da página da Internet da Banda de Música de Parafita

 

—        Esse Manuel do Cabra não era o do revólver de madre-pérola?

 

—        Não. O do revólver chamava-se Manuel da Porta e tocava bombo. Um dia, ao rebaixar o salão duma corte, encontrou um revólver antigo, com a fecharia e o cano desfeitos, mas a coronha, de madre-pérola, intacta. Limpou aquilo muito bem limpinho e apareceu na festa de Veade de coronha a sobressair ostensivamente do bolso de trás das calças. As aldeias andavam despicadas por causa duma chega de bois, os de Veade viram aquilo, ficaram de cabelos em pé e foram avisar a guarda, antes que fosse tarde. E o Manuel da Porta, um pantomineiro de marca maior, a bater no bombo e a olhar para o outro lado, a fingir que não via nada... Um dos guardas aproxima-se por trás, deita a mão à coronha de madre-pérola, puxa, vê aquela porcaria a desfazer-se em ferrugem, mas não se dá por achado. Recua e diz para os delatores, que o aguardavam atónitos: «Eu nunca vi objecto assim! Mas que perigo... Nem me atrevo a tocar-lhe... Lixe-se lá o homem!»

 

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—        Para mim, uma das melhores é a do foguete...

—        Na Senhora da Saúde? Ai eu vi. Estava lá.

—        Iam a tocar na procissão, a caminho da capela da Senhora da Saúde. A calhelha é estreita e funda e os devotos formavam alas dum lado e doutro, de palanque nos campos. Nisto vem a cana dum foguete, viumvê...vvv..., espeta-se no carrulo ao Amadeu da Marcolina e ali fica ao alto, erecta e vibrátil como antena de extraterrestre. Vai o Serafim da Benta, que o seguia na forma, deita-lhe a unha, zás!, arranca-lhe a farpa. Poucos se aperceberam da manobra e a procissão continuou, na boa compostura. O melhor veio depois: o assombro do povo que não compreendia porque é que os músicos, sempre que estoirava um foguete, empinavam os trombones para o céu, pó, pó, pó-ró, girando ângulos de trezentos e sessenta graus sobre os calcanhares, atentos ao trajecto da cana... Porra!

(…)

In “História de Lan-Caprina” de Bento da Cruz, Editorial Notícias, Lisboa, Maio de 1998

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Ficamo-nos por aqui, na página 15 das “História de Lana-Caprina” de Bento da Cruz, no 1º capítulo do livro - “Os de Parafita”, que dedica aos músicos de Parafita, e ficamos por aqui não por se acabarem as histórias sobre os de Parafita, pois essas continuam livro adentro até à página 60, mas porque são em demasia para este espaço do blog, mas pela certa que de futuro teremos por aqui mais algumas destas histórias.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Parafita que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre as Parafita ao longo do tempo de existência deste blog, a seguir ao vídeo, ficam link para esses post, onde por sinal contém mais histórias sobre os de Parafita, mas de um outro livro, “ Histórias da Vermelhinha”, também de autoria de Bento da Cruz.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Parafita:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

 

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Imagem retirada da página da Internet da Banda de Música de Parafita

 

Link para a página da Banda de Música de Parafita (de visita obrigatória):

 

https://www.bandaparafita.net/cms/

 

 

E quanto a aldeias do Barroso, despedimo-nos até amanhã, desta vez calhou assim, em que teremos aqui a aldeia de Torneiros, do concelho de Boticas.

 

11
Dez20

O Barroso aqui tão perto - Paio Afonso C/ Vídeo

Aldeias do Barroso de Montalegre

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PAIO AFONSO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Paio Afonso.

 

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Tanto o post que anteriormente dedicámos a esta aldeia, como o post de hoje estão muito aquém de ser um post completo sobre a aldeia, pois da aldeia propriamente dita, temos poucas imagens, temos mais daquilo que se vê a partir da aldeia.

 

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Tudo tem uma explicação, e a desculpa bem poderia ser que Paio Afonso é uma aldeia pequena, que não tem muito para mostrar, mas isso não é verdade, pois por mais pequena que seja, com certeza que tem sempre motivos para mostrar, aqui a desculpa somos nós, ou seja, a culpa é mesmo nossa.

 

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A verdade é que só fomos a esta aldeia uma vez, em final de julho de 2017, já ao fim da tarde e ainda no início do levantamento fotográfico das aldeias do Barroso. Quero com isto dizer que já em hora imprópria para a fotografia, não pela falta de luz mas pelo cansaço de um dia inteiro a fotografar desde madrugada, ou seja, já em hora de pouca disposição para… seja lá o que for, o que influencia também a inspiração, mas o problema até nem foi esse, o problema foi que antes de abordarmos a aldeia, subimos ao cimo da montanha onde está a capela, um autêntico miradouro sobre o Barroso, com vistas de encantar, e ficámo-nos por lá em maré de contemplação, ia dizer demasiado tempo, mas não, pois quando se aprecia aquilo que se vê, o tempo nunca é em demasia…o facto é que saímos de lá já sem tempo para abordar a aldeia. Sabíamos que o levantamento estava incompleto e que teríamos de ir por lá com mais tempo e mais cedo, mas acabamos por nunca lá ir.    

 

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Costumamos dizer que estes pecados nossos são cometidos propositadamente para podermos voltar a estes lugares, para nos redimirmos do nossos pecados, e se isto é verdade, às vezes não o fazemos de propósito, acontece ou fomos obrigados a, mas para o perdão, temos de seguir a mesma receita, daí, que temos de voltar novamente a Paio Afonso, aí, mais preocupados com a aldeia do que com aquilo que desde lá se vê. Fica prometido e por aqui costumamos cumprir as nossas promessas.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Paio Afonso que foram publicadas até hoje neste blog, o possível, mas haverá um mais completo, mesmo assim, espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre as Paio Afonso no post anterior, aí, em palavras o post está mais completo do que em imagem,  fica o link para esse post logo a seguir ao vídeo.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Paio Afonso:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Paradela do Rio.

 

 

05
Dez20

O Barroso aqui tão perto - Parada

Aldeias do Barroso do Concelho de Montalegre

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PARADA - MONTALEGRE

 

 

Há pecado leves, sem importância nenhuma, que se cometermos um, ninguém leva a mal,  quanto aos graves, esses, são imperdoáveis, de levar mesmo a mal, e quem sentir isso, têm toda a razão, mesmo que o pecado seja cometido sem premeditação, é na mesma pecado. Pois eu ia cometendo um, felizmente que dei conta ainda a tempo, ainda dentro de prazo, mesmo que um pouco deslocado, mas o que interessa, é não ter cometido esse pecado, e este, seria mesmo imperdoável, pois quem seria lesado, não o merece, antes pelo contrário.

 

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Aquando da publicação do post das aldeias dos colonos do Barroso, dei como encerrada a abordagem das aldeias do Barroso de Montalegre, ficaria apenas a vila sem post, para em tempo oportuno vir por aqui. No entanto há dias, á procura de uma foto no meu arquivo das aldeias de Montalegre, entrei na aldeia de Parada, e para espanto meu, dei-me conta que tinha passado por cima desta aldeia sem a abordar.

 

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Não sei como aconteceu, tanto mais que levava a abordagem das aldeias por ordem alfabética, mas a verdade é que aconteceu, e seria pena não termos aqui Parada, pois lá paradinha no seu sítio, é uma das aldeias mais bonitas de Montalegre, não só que em vê na sua intimidade, mas também que a vê à distância, mas também e ainda há a acrescentar a beleza dos olhares que desde lá se podem lançar, quer para a barragem de Paradela, quer para a Serra do Gerês, e até as aldeias vizinhas ganham em beleza quando vistas de Parada, tal como acontece com a aldeia de  Outeiro.

 

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Agora sim, o concelho de Montalegre, quanto ás suas aldeias, fica completo, com todas as aldeias com espaço neste blog. Claro que vamos continuar pelo concelho, não só com a vila de Montalegre, mas também com alguns lugares e pormenores que ainda queremos visitar e registar, além dos dias de neve que sempre nos atraem até lá, algumas sextas-feiras 13, etc. Motivos nas nos faltam, muitas vezes, ou quase sempre, falta é o tempo.

 

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Mas hoje o tempo do blog é para a aldeia de Parada, ainda para mais que tem o mesmo topónimo da aldeia de toda a minha família paterna, o que agravava ainda mais o pecado de não a trazer aqui.

 

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Vamos então até Parada de Montalegre, com partida, como sempre, da cidade de Chaves e pelas estradas que mais gostamos de percorrer, ou seja a nossa estrada do S. Caetano, com passagem por Soutelinho da Raia para logo de seguida fazermos a entrada no concelho de Montalegre, com Meixide a surgir-nos no horizonte mais próximo, embora a nossa atenção vá sempre para o horizonte um pouco mais distantes, para a serra do Larouco, desde onde se vê com toda a sua imponência e que desde que passaram por aqui as crónicas de António Granjo, passei a ver também a imagem que ele via no Larouco, a de um grande lagarto com a cabeça virada para Montalegre e a longa cauda a entrar pela Galiza adentro. Quando forem de Chaves por este trajeto, mesmo na entrada do concelho de Montalegre, deitem um olhar para o Larouco e vejam se realmente está lá o lagarto ou não, sem ser necessária muita imaginação, desde que não seja e dia de neve, que aí, camuflado de branco, ninguém dá por ele…

 

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Atrás ficámos em Meixide onde, para chegar a Montalegre, pode optar ir por Pedrário, Sarraquinos… oui então por Vilar de Perdizes, Solveira, etc. Este último trajeto tem melhor estrada, no entanto o outro troço, como se tem de fazer com menor velocidade, aprecia-se melhor a paisagem, e as suas aldeias.

 

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Chegado a Montalegre, continua-se para o Baixo Barroso, em direção ao campo de futebol/Sr. da Piedade, sempre sem enganar até Sezelhe, onde o cruzamento poderá suscitar algumas dúvidas, mas basta seguir em frente, as placas ajudam,  e lá aparece uma a indicar Parada, conjuntamente com Tourém, Pitões, Outeiro, Paredes, Covelães e Travassos, apenas alguns dos muitos destinos do Barroso que ainda há pela frente.

 

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Logo a seguir a Sezelhe, temos que atravessar o ribeiro de Lamachã, muito discreto e perdido entre lameiros, mas a marcar a entrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, estamos a entrar noutro mundo, embora ainda Barroso, mas com uma forte presença da Serra do Gerês, por um lado a impor-se como uma barreira natural que por sua vez impõe outros modos de vida e até algumas regras a cumprir, regras de conservação e preservação da natureza, algumas delas de interdição a determinadas áreas ou limitadas a número de pessoas, sendo nalguns casos necessária autorização prévia para aceder a elas, mas não é o caso do acesso às aldeias do Parque Nacional, na qual também está incluída a aldeia de Parada, as regras mais restritas, vão aumentando conforme se sobe em altura na Serra do Gerês.

 

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Isto das regras de circulação e acessos à Serra do Gerês, é uma coisa a ter em conta, pois corre o risco de ver frustrado um passeio pela serra, ou se transgredir, a ser multado por andar onde não deve, assim, se o seu destino for para ir pela serra acima, convém informar-se previamente num posto de informação do parque, em Montalegre, há um no Ecomuseu de Barroso, ou então na internet na página oficial do parque. Digo isto porque estando em Parada, ou noutra aldeia das faldas da Serra do Gerês, há caminhos para subir a serra, e às vezes podem ser uma tentação para entrar neles e subir à descoberta, tanto mais que a paisagem convida.

 

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Regressemos ao nosso itinerário, depois de Sezelhe e de fazermos a entrada no Parque Nacional, temos pela frente as aldeias de Travassos do Rio, Covelães, Paredes do Rio e Outeiro, logo a seguir, a menos de 1Km, temos a nossa aldeia de hoje – Parada. Atenção em Outeiro, no cruzamento de entrada desta aldeia, devemos seguir em frente e passar-lhe ao lado. Parada é fim de linha, a estrada termina na aldeia, a partir de aí só o caminho para a Serra do Gerês, ou seja, depois de visitar a aldeia, terá que voltar para trás. Mas para ter uma ideia e melhor localização, ficam os nossos mapas:

 

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Quem acompanha o blog e estes nossos destinos do Barroso, sabe que em geral nunca voltamos a casa pelo mesmo caminho, assim, depois de visitar Parada, regresse a Outeiro e aqui, agora sim, abandone a estrada e entre na entrada da aldeia, numa descida um pouco acentuada e em curva contra curva e em frente à igreja, siga com destino a Paradela do Rio, numa estrada sempre sobranceira à barragem. Em Paradela, no cruzamento de entrada da aldeia, siga em direção a Loivos, Fiães do Rio, Vilaça e São Pedro. Já estamos no regresso a casa pela M514. Em São Pedro vamos entrar no CM1011, nesta devemos seguir à direita, para a esquerda regressaríamos a Sezelhe e Montalegre, mas nós voltamos à direita, em direção Contim e Brandim, logo a seguir entramos na N103 (estrada de Braga-Chaves), mesmo em frente à Barragem dos Pisões, a partir de aí, todos os caminhos vão dar a Roma, mas se quiser regressar a Chaves mais direto, basta seguir à esquerda pela N103 até Chaves.

 

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Sobre a aldeia, daquilo que vimos, gostámos. Logo na entrada e num dos pontos mais altos da aldeia, existe um largo/miradouro desde onde se podem lançar olhares para a aldeia, mas também para a barragem de Paradela e para a Serra do Gerês. O casario da aldeia é de povoamento concentrado num antigo núcleo, com casas tipicamente barrosãs, de granito à vista assente com junta seca e os telhados ainda com o murete de pedra que servia amparo às antigas coberturas de colmo. Também existem alguns canastros (espigueiros se preferirem) e latadas de videiras sobre algumas ruas, o que, para além de nos indicar um dos modos de vida da aldeia, a agricultura, dá um mais castiço a estas aldeias Barrosãs, que as diferencia das aldeias do Alto-Barroso.

 

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Estamos no Baixo-Barroso, mas que ao contrário do Alto-Barroso com características bem definidas, quer no tipo de aldeamento quer na paisagem, o Baixo-Barroso vai-se alterando conforme as serras que tem na proximidade. Esta aldeia de Parada já está naquele Barroso bem singular da Serra do Gerês que se vai estendendo desde Pitões das Júnias até Fafião, aldeias implantadas mesmo ao lado do grande rochedo despido e bruto do Gerês, mas aproveitando o aconchego entre montanhas, nas vertentes das terras mais baixas onde as manchas pintadas com o verde dos campos cultivados e das pastagens se torna mais intenso, dando uma beleza única a todo este Barroso. É por isso que o Barroso apaixona todos os que gostam da natureza, não só da selvagem e natural, mas também da natureza humana que o povoa.

 

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E fico-me por aqui na descrição daquilo que vi na aldeia e nas redondezas, pois por mais que insista em procurar palavras para descrever todo este pequeno mundo, ficarei sempre aquém da realidade, e depois aquilo que os meus olhos veem, são indiscritíveis em palavras e pela certa, diferentes dos olhares de cada um.

 

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Para além daquilo que os nossos olhos veem, há também aquilo que eles não veem, não por estarem distraídos com outros olhares, mas porque só se vê aquilo que é visível, e para ser visível temos que ir aos locais de onde se veem, e às vezes não vamos, acontece-nos frequentemente, isto porque gostamos de entrar nestas terras com o olhar virgem para deixar que a descoberta nos surpreenda, nos impressione. Nunca vamos à procura de nada, mas apenas daquilo que encontramos, deixando que a curiosidade do olhar conduza os nossos passos para a descoberta deste lugares e aldeias.

 

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Claro que ser, estar e agir, tem as suas vantagens, mas também os seus inconvenientes e quando chegamos à hora da feitura destes posts e procuramos alguma informação sobre estes lugares e aldeias, às vezes apercebemo-nos de que algo de importante ou interessante nos escapou, que por não sabermos da sua existência não fomos a esses lugares, não lançamos o nosso olhar, não fizemos o registo. Aqui em Parada, pelo menos, sei-o agora, não estivemos num lugar que deveríamos ter visitado – O fojo do lobo.

 

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Não fomos lá, mas fica aqui a descrição dele, tal qual a encontrámos na página oficial da Câmara Municipal de Montalegre, online na internet (consulta de hoje):

 

Monumento localizado a uma altitude média de 890 metros, no interior do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A vegetação é densa, tendo o fojo ardido recentemente. Trata-se de um muro em granito, fechado em redor de um grande penedo, que forma um recinto apenas acessível pelo lado exterior. Tem uma porta, antigamente utilizada pelos populares para colocar o isco, proceder a operações de manutenção e limpeza, e para entrar no interior da área murada quando um lobo aí era encurralado. Com cerca de 60 metros de diâmetro médio, é o maior fojo deste tipo na península ibérica. Uma das suas particularidades estruturais é o reservatório de forma quadrangular escavado no afloramento rochoso no qual assenta o penedo central, que assumia a função de bebedouro para o animal, utilizado como isco. O chamariz utilizado podia também ser uma cabra viva, oferecida pelos moradores da freguesia de Outeiro interessados na captura.

 

Coordenadas GPS: 41.815289 e -7.953511

Altura: 886 m

 

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Mas esta de não ir a estes lugares por os desconhecer é também uma tática nossa, embora não propositada, mas que nos serve de desculpa ou pretexto, para fazer uma nova visita a aldeia e registarmos aquilo que nos escapou.

 

E estamos quase a concluir este post, com um pedido de desculpas à aldeia de Parada por só agora a trazermos aqui, mas mais vale tarde que nunca, mas para compensar este atraso e o ter saído da “caixa” das restantes aldeias do concelho de Montalegre, prometemos que em breve e/ou logo que esta coisa da pandemia desapareça, voltamos a Parada para novos registos, para irmos ao fojo do lobo e se possível, pois não sei se é transitável e permitido, subir um bocadinho na Serra do Gerês para mais uma foto mais de perto, embora à distância, da capela do São João da Fraga. Fica prometido.

 

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E agora para terminar, o nosso habitual vídeo com todas as imagens da aldeia de Parada que foram publicadas hoje neste blog.  Vídeo que podem ver aqui, no meu canal do YouTube e agora também, este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

Quanto às aldeias do Barroso de Montalegre, voltaremos aqui na próxima sexta-feira com mais um vídeo e algumas imagens da aldeia de Paradela do Rio.

 

 

22
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Vila de Montalegre

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Como é habitual por aqui, aos domingos vamos até ao Barroso aqui tão perto. Hoje deveríamos ir até mais uma aldeia de Boticas, mas… o povo, quando as coisas não lhe correm favoravelmente, costuma dizer que  o vento não lhes corre de feição, pois pra mim, não é o vento, mas antes, é o tempo dos relógios que não me corre de feição, corre rápido demais, não me dá tempo de fazer tudo que tenho para fazer… e mais uma vez o tempo não chegou para abordar mais uma aldeia do Barroso do concelho de Boticas, no entanto, como gosto de cumprir, principalmente as promessas, como esta que tenho de vir aqui aos domingos com o Barroso, vamos hoje começar a abordar a Vila de Montalegre, que deveria ter sido abordada logo após ter terminado a abordagem de todas as aldeias do concelho, mas, para ser sincero, não sabia como fazer essa abordagem. Nem há como dar tempo ao tempo para esclarecer ou as nossas dúvidas e tomar as decisões mais acertadas, pois desde logo senti que Montalegre não poderia ter uma única abordagem, num único post, por muito longo que fosse.

 

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Lá diz o povo que “há males que vêm por bem” e se o tempo foi pouco para preparar um post sobre uma aldeia de Boticas, sobrou para esclarecer algumas ideias quanto à abordagem da Vila de Montalegre, que por várias razões, passará a ser aqui abordada, não num post, mas nos posts que forem necessários para deixar aqui alguma da sua história, dos seus pormenores e particularidades, do seu todo, algumas estórias, mas sobretudo porque Montalegre, não é uma vila qualquer, pois ligam-me a ela fortes laços familiares e sentimentais. Talvez seja por isso que o nosso coração tem quatro compartimentos, em três deles, sei quem são os inquilinos, e num desses três está o Barroso e as minhas origens familiares maternas.

 

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Pois hoje daremos aqui início às abordagens de Montalegre, às vezes, um pouco como acontece hoje, com as suas imagens de marca (no caso de hoje o castelo), com os seus pormenores (no caso de hoje da chave na porta e do entre que é… ) e por último a forte presença e sentir das grandes serras dos Barroso, dos contrates das cores, desde o acastanhado esverdeado do agreste, à exuberância do verde, à vibratilidade do azul do céu e às vezes apenas o branco no céu e na terra, ou então, a magia da harmonia das cores (no caso de hoje num por do sol com a Serra do Gerês de fundo).

 

 

21
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Padroso C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Montalegre

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PADROSO -  MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Padroso.

 

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Padroso que é uma das aldeias que já está implantada em plena Serra do Larouco e que faz parte de um conjunto de aldeias que rodeiam a serra, que do lado português da mesma, em plena serra ou nas suas faldas tem Sendim, Padroso, Padornelos, Gralhas e Santo André.

 

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As três primeiras aldeias, Sendim, Padroso e Padornelos estão todas localizadas acima dos mil metros de altitude, no entanto a mais alta é Sendim, que não só e a mais alta do concelho de Montalegre, como também é a mais alta do Barroso e de Portugal ao atingir os 1170 metros de altitude junto ao que me parece ser uma antiga casa florestal. Isto a considerar as construções hoje existentes, pois se recuarmos no tempo até ao tempo em que Sendim tinha o seu castelo, então aí atingia os 1268m de altitude. Mas hoje estamos aqui por Padroso, que fica mesmo ao lado de Sendim, a apenas uma reta de distância (na estrada principal) e numa cota ligeiramente mais baixa, pois Padroso, no ponto mais alto da aldeia, atinge os 1045m de altitude.   

 

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Terras altas, terras frias, estas sim, sem qualquer dúvida são aldeias do Alto-Barroso, onde nasce o Rio Cávado que irá atravessar todo o Barroso para depois seguir a sua vida por terras minhotas e atravessar 9 concelhos, muitas aldeias, algumas vilas e cidades até desaguar no oceano atlântico junto a Esposende, mas a primeira aldeia que o Cávado conhece é aldeia de Padroso, implantada na sua margem direita.

 

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Rio Cávado que é um dos principais rios portugueses nascidos em Portugal e que corre livre e feliz pelo menos até Sezelhe, onde é aprisionado pela primeira vez, depois a cantiga é outra e em menos de 100km, alimenta meia-dúzia de barragens, 3 ou 4, se considerarmos a de Sezelhe, são no concelho de Montalegre (Paradela, Venda Nova e Salamonde).

 

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Voltando outra vez à aldeia de Padroso, gostámos do que vimos, e pelos visto não vimos tudo. Tem o seu núcleo antigo perfeitamente definido e a manter a sua integridade como aldeia típica barrosã, com os seus elementos mais típicos, como o forno do povo. A aldeia “nova”, desenvolveu-se ao longo da estrada de acesso à aldeia antiga, tal como deveria acontecer na maioria das aldeias. Claro que a aldeia antiga também tem alguns pecados cometidos no seu seio, mas quem não os comete, também nós cometemos um, e ainda bem, pois assim temos um pretexto para voltar a Padroso, pois é imperdoável não termos imagens da igreja e mais uns pormenores que entretanto soube que tem por lá, como umas alminhas que faltam na minha coleção. Assim, quem sabe se na próxima nevada não vamos por lá, isso se entretanto a porcaria do bicho que anda por cá nos deixar sair do concelho…  

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Padroso que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre a aldeia no post que lhe dedicámos, fica um link para o post logo após o vídeo, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Padroso:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Pai(o) Afonso.

 

 

15
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Minas de Beça

Aldeias e lugares do Barroso

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O levantamento fotográfico para a abordagem das aldeias do concelho de Boticas que tenho deixado aqui nos domingos dos últimos meses, foi iniciado em 2011, mas com mais intensidade, de levar tudo a eito, em 2017 até 2019, sendo este último o ano em que dei como encerrado o levantamento, ficando apenas a Vila de Boticas com o levantamento incompleto, mas a completar em qualquer altura. Pensava eu, tendo como base um mapa que até me foi fornecido pela Câmara Municipal de Boticas, que tinha fotografado todas as localidades do concelho, no entanto, não foi bem assim.

 

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Para a abordagem no terreno, fui-me valendo dos mapas disponíveis, no entanto e no entretanto, fui reunindo outra documentação e informações para posterior abordagem, aqui no blog, de cada uma das aldeias do concelho de Boticas. Logo cedo fui-me dando conta que havia coisas que não batiam certo, e algumas ainda não consegui esclarecer. A primeira aldeia que não constava do mapa e que a descobri quando ainda estava a tratar das aldeias de Montalegre, mais precisamente as aldeias dos colonos, foi Pinhal Novo. Por sua vez, há uma que me aparece no mapa, mas que no terreno não consegui encontrar, trata-se de Caldas Santas, localizada bem próxima de Carvalhelhos e que acabei por dar como sendo pertença de desta aldeia.

 

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O aprofundar do estudo da documentação que tenho em meu poder e de outra à qual recorro, só acontece mesmo quando vou abordar essa aldeia, ou no caso do concelho de Boticas, quando abordo as aldeias de toda a freguesia, como atualmente está a acontecer com a freguesia de Beça, onde curiosamente, encontrei todas estas discrepâncias entre o que há documentado e o que consta nos meus mapas, em outros mapas a que tive acesso. Pois ao chegar a esta freguesia, nas primeiras pesquisas que fiz, nomeadamente na página oficial da C.M. de Boticas, na listagem dos lugares da freguesia aparecem:

 

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Freguesia de Beça

Povoações:

  • Beça
  • Carreira da Lebre
  • Carvalhelhos
  • Lavradas
  • Pinhal Novo
  • Quintas
  • Seirrãos
  • Vilarinho da Mó
  • Torneiros
  • Minas de Beça

 

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Ora, com esta listagem, fiquei esclarecido quanto às Caldas Santas não serem uma povoação, e confirma-se o Pinhal Novo, que é certo que é uma aldeia recente mas existe e está lá bem visível aos olhos de todos. Outra povoação que me aparece nesta lista mas que está ausente em muitas outras, é a Carreira da Lebre, também bem visível que é um povoado recente e que eu, por essa ausência em quase todas as listagens a que tive acesso das aldeias de Boticas, e dado a proximidade à aldeia de Quintas, dei como a Carreira da Lebre ser pertença desta aldeia, mas afinal na página oficial da CMB aparece como sendo uma povoação da freguesia de Beça. Ora como esta me apanhou desprevenido e embora tenha algumas fotografias da Carreira da Lebre, a verdade é que não são suficientes para a elaboração de um post, e daí não ter aparecido aqui o seu post a seguir à aldeia de Beça, isto seguindo a metodologia que tenho seguido até aqui em fazer estas abordagens por ordem alfabética.

 

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Mas a povoação que aparece nesta listagem das povoações da freguesia de Beça que me apanhou mesmo desprevenido, foi a povoação de Minas de Beça, pois só há 1 mês é que a vi mencionada pela primeira vez na listagem que tenho vindo a referir e que até consta no mapa da freguesia nos cadernos da “Prevenção dos Hábitos Comunitários nas aldeias do concelho de Boticas” . Pois esta descoberta tardia pôs mesmo em risco o poder trazê-la hoje aqui, pois sem fotografias não há post e eu não tinha nenhuma fotografia da povoação, mas era fácil de resolver, pois a distância não é muita e bastava destinar uma manhã de sábado ou domingo para chegar lá e fazer a recolha fotográfica, isto se os nosso dias corressem com a normalidade do decorrer dos dias normais, mas neste tempo de pandemia, não podemos fazer planos, mesmo que a curto prazo, pois podem-nos sair gorados, tal como aconteceu comigo.

 

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Pois acontece que antes do sábado que tinha previsto ir por lá à caça de fotografias, graças ao bicho da pandemia, por ter estado em contacto com pessoas contaminadas,  fui obrigado a fazer uma quarentena e a ficar confinado em casa, que felizmente tudo correu bem, daí como terminava a quarentena numa sexta-feira, programei o sábado logo a seguir para ir às Minas de Beça, mas por azar meu, e dado o grade número de casos que o concelho de Chaves teve, o Gorveno confinou-nos ao nosso concelho durante o fim-de-semana, proibindo-nos a saída dele, como o tempo apertava e já não havia mais sábados disponíveis, fui obrigado a gozar um dia de férias para finalmente ir a Minas de Beça, e fui, na esperança de ficar tudo resolvido mas…

 

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Pois, mas…, fui,  depois de ter feito o trabalho de casa, ou seja, o ter estudado os mapas do local, ver quais os caminhos para lá chegar e de lá sair, localizar a povoação que logo entendi não existir, mas antes, isso sim, existiam uma série de construções dispersas, algumas isoladas, outras em banda, e a aparência era a de que muitas delas estariam em ruínas, etc. Já no terreno confirmei isso mesmo, uma construção aqui, outra acolá, um conjunto de construções em banda e já quase quando estava a terminar avistei uma pessoa, no meio da estrada,  junto a uma das casas, que, ao aproximar-me verifiquei serem duas pessoas, o Sr. Marcelino e a esposa, a D. Aurora, que num plano mais baixo, ao lado da estrada,  tratava da horta, à boa maneira barrosã, onde ainda havia um bocadinho de tudo, mas sobretudo uns talhões de couve penca e troncha, a lembrar-nos de que o Natal está à porta, enquanto o Sr. Marcelino, soubemos depois, se preparava para ir botar o gado à pastagem. Mas voltemos ao mas que ficou para trás esquecido…

 

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Pois em conversa com o Sr. Marcelino, ao dizer-lhe ao que andávamos e que as Minas de Beça era a única “povoação” que nos tinha escapado no concelho de Boticas, ele nos surpreende ao dizer que nós já estávamos no concelho de Montalegre e que as antigas minas estavam todas no concelho de Montalegre, isto enquanto nos ia apontando onde ficava a linha imaginária do limite dos concelhos de Montalegre e Boticas. E de facto assim é, ao chegar a casa pude comprovar isso mesmo, as minas e algumas habitações e antigos bairros das casas dos mineiros se encontram no concelho de Montalegre, mas também há algumas no concelho de Boticas, nomeadamente um armazém em ruinas que tudo indica ter sido um armazém de apoio à minas.

 

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Quanto ao casal Sr. Marcelino e D. Aurora, hoje os únicos habitantes do lugar, mais um primo do Sr. Marcelino, portanto três no total, resta-nos agradecer a simpatia e hospitalidade com que nos recebeu e as preciosas informações que nos forneceu, senão iria hoje cometer aqui um erro crasso ao dedicar este post apenas às Minas de Beça de Boticas. Sr. Marcelino que é um descendente de um avô e pai mineiro, de quando aquilo estava cheio de gente, mas que tal como ele disse, o local não tardará outra vez a estar repleto de gente, com esta história do Lítio. E de facto, basta deitar um olho ao Google Earth para ver que no local e a contar por alto as marcas que deixaram no terreno, já se fizeram por ali cerca de uma centena de sondagens. Minas que, como veremos mais à frente, sempre existiram ao longo dos tempos, e o couto mineiro de Bessa já o era pelo menos nos tempos em que os romanos também andaram por lá.  

 

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Assim e resumindo, o complexo das antigas minas, ou couto mineiro de Bessa, as últimas a serem explodas até depois de meados do século passado,  distribuíam-se dentro dum círculo com um diâmetro de 2,5km em que mais ou menos metade dessa área pertence ao concelho de Montalegre, bem próximas da aldeia de Carvalhais, Morgade e Rebordelo,  e a outra metade ao concelho de Boticas, sendo a aldeia mais próxima, Vilarinho da Mó, daí, os créditos deste post serem também divididos pelos dois concelhos e fica assim também explicado do porquê de hoje o título ser Minas de Beça – Boticas e Montalegre – e o “mas…” que atrás deixámos. O seu a seu dono.

 

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Mas abordemos então aquilo que resta das Minas de Beça e os caminhos para lá chegar. Pois como sempre, no trabalho de casa traçamos o nosso itinerário para lá chegar. Desta vez optámos por ir sempre pela EN103 até ao Alto Fontão, ali mesmo onde se pode virar para Beça, por um lado e para a Serra do Leiranco, do lado oposto.

 

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No estudo da zona vimos um local que seria interessante para fotografar o conjunto de um pequeno aglomerado de casas, havendo um caminho de terra até lá, para tal teríamos de atravessa a aldeia dos colonos de Pinhal Novo. O local que tínhamos em mente era mesmo junto ao rio Beça, onde existem umas poldras, mas na ausência de uma ponte, para visitarmos de perto esse pequeno conjunto de casas, teríamos de voltar para trás, regressar ao Alto Fontão e a partir de aí tomar uns caminhos de montanha de terra batida, e esse tal conjunto, no nosso itinerário, seria um dos últimos a visitar, mas nem tudo sai como planeamos, pois uma coisa é o estudo dos mapas e cartas e outra a realidade.

 

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Acontece que enquanto estávamos a fotografar esse conjunto, uma carrinha todo terreno passou junto desse conjunto de casas do outro lado do rio, espanto nosso, quando fomos a dar conta a carrinha já estava junto a nós no lado de cá do rio Beça, rio que ainda estava a uma ou duas centenas de metros de nós e que o arvoredo não deixava ver as tais poldras, mas que pelos vistos também existiria um pontão, e antes de voltar para trás, resolvemos perguntar ao proprietário da carrinha se existia pontão, ao que nos respondeu que não, que não era preciso, pois atravessava-se diretamente pelo rio.

 

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Ora também lá fomos e também o atravessámos. Baralhou-nos um bocado o nosso itinerário pré-programado, pois passamos a fazer as visitas ao contrário, mas poupámos tempo e meia dúzia de quilómetros, mas não vai ser esse o itinerário que vos vou deixar, pois parto do princípio que os itinerários que aqui recomendo são para poderem ser feitos por automóveis ligeiros, embora os que fiz seja mais recomendados para viaturas todo o terreno, a verdade é que também vimos por lá um ligeiro, só não sei é se conseguirá atravessar o rio Bessa. Mais vale não arriscar e ir por estrada pavimentada.

 

1600-minas beca (148)

 

Ora então o nosso itinerário para chegar à zona das Minas de Bessa, com início como sempre na cidade de Chaves, é via N103 até ao Alto Fontão, não há nada que enganar, a seguir a Sapiãos quando aparecerem as primeiras casas, mesmo no final de toda a subida, está no Alto Fontão. Se a N103 começar a descer, já vai enganado, mas não se preocupe, pois estão lá as placas na estrada a indicar a saída para Beça. Logo a seguir vai passar ao lado da aldeia dos colonos, Pinhal Novo, e quando chegar a Beça, terá que entrar na aldeia e seguir as indicações das placas, onde estão assinaladas as Minas de Beça e também Vilarinho da Mó. Em caso de dúvidas, vá perguntado na aldeia, pois há sempre gente nas ruas. Se chegar até ao rio Beça, está no bom caminho.

 

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Depois de atravessar a ponte sobre o Beça, terá que percorrer apenas cerca de 1,2Km e abandonar a estrada por onde vai, que é quase seguir a direito, pois a estrada nesse local faz uma curva de 360º. A partir de aí, está a entrar no território das Minas de Beça. Tal como já atrás disse, não existe nenhuma povoação, existem sim, num raio de 2,5km algumas construções isoladas, pequenos conjuntos de 3 a 4 construções, e dois conjuntos de 5 ou 6 casas em banda. Quanto às minas propriamente ditas, esqueça, o melhor é não as procurar, pois já não há nada para ver, ou praticamente nada, apenas algumas ruinas pouco visíveis e encobertas pelo mato. A visita vale pelas paisagens e pelas margens do Rio Beça, pelo contacto com a natureza onde até as grandes aves de rapina nos sobrevoam nas calmas, quase como que nos ignorando…  Para ajudar a chegar até as Minas de Beça, ficam também os nossos mapas.

 

mapa minas beca.jpg

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Como não há aldeia, isto no conceito típico de aldeia, quando muito há, ou houve, um povoamento disperso à volta das Minas de Beça, isto atualmente e nos últimos tempos, então sem aldeia, vamos abordar as minas, que essas sim, existiram como minas, não só nos últimos tempos até há coisa de 50 a 60 anos, embora hoje inativas, mas desde sempre, conforme as necessidades do tipo de mineral a explorar, existem indícios de que terão existido outras, do tempo da ocupação romana, por exemplo, pois ao que parece a riqueza geológica do local tem dado para várias explorações de minério diferente, o mais recente, parece ter sido o estanho, quando o estanho fazia falta, tal como as de volfrâmio no tempo da segunda guerra mundial. Agora chegou a vez do lítio e que não haja dúvidas, pois a força da necessidade atual, e num futuro próximo, de lítio, será suficiente para se seguir em frente com a sua extração. S€mpr€ foi assim € s€mpr€  assim s€rá. Então. Lançando mão de alguns trabalhos académicos e outros estudos, quer no campo da geologia ou do ambiente, nomeadamente o florestal, vamos ver o que se diz e tem dito sobre este couto das minas de Beça.

 

1600-minas beca (59)

 

In MINERAÇÃO E POVOAMENTO NA ANTIGUIDADE NO ALTO TRÁS-OS-MONTES OCIDENTAL - CARLA MARIA BRAZ MARTINS (COORD.), encontrámos o seguinte:

 

N.º 050: Beça, Lavra de Beça, Cervos Descrição: Os trabalhos mineiros desenvolvem-se numa encosta sobre o rio Beça, num substrato xistoso, com grandes cortas (3 paralelas) e trincheiras (2). Admitem-se ser trabalhos antigos, romanos, apesar da existência de exploração contemporânea.

 

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Na mesma publicação, de autoria de João Manuel Farinha Ramos*

* LNEG (S. Mamede de Infesta)

Encontrámos o seguinte:

 

Das ocorrências deste tipo salientam-se as antigas minas de Sn e W de Carvalho em Vilar (Boticas), e as de Lavradas, Monte da Agrova N.º 3 e Monte das Vargelas todas em Beça, (Boticas). Nestas minas ocorrem filões e filonetes quartzosos e micáceos com cassiterite e volframite, encaixados numa formação metassedimentar de idade silúrica, nas proximidades do contacto com um granito de grão médio, tendência porfiróide, biotítico, sintectónico e depósitos aluvionares também mineralizados. A antiga mina Carvalho entre 1937 e 1971 produziu 30,6 t de mistos de cassiterite e volframite, e a de Monte das Vargelas 10,3 t de volframite e cassiterite em 1952.

 

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De autoria de Pedro Miguel Azevedo Paredes em “Prospecção de ocorrências filonianas do tipo LCT nas formações metassedimentares entre Boticas e Montalegre (N de Portugal) - Dissertação de Mestrado - Mestrado em Geologia – Ramo Valorização de Recursos Geológicos - Universidade do Minho, Escola de Ciências, encontrámos o seguinte:

 

Mais recentemente, em 2014, a Comissão Europeia publica novo relatório sobre as matérias-primas consideradas essenciais (numa actualização do primeiro relatório elaborado em 2010), em que introduz o estanho nessa lista (mantendo o tungsténio na lista das matérias-primas consideradas críticas),(...)

Também por essa razão (aliada à componente histórica), além do tungsténio o presente trabalho abarca a extracção do estanho (a partir da cassiterite), que foi uma das principais actividades do Couto Mineiro do Bessa.

 

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Apesar da importância do couto mineiro anteriormente referido, o conhecimento geológico da área é limitado, destacando-se apenas:

- A publicação “Jazigos portugueses de cassiterite e volframite”, de Cotelo Neiva (1944), onde o autor refere a natureza filoniana do jazigo, com numerosos filões de pegmatito granítico, registando possanças de alguns centímetros a 35 centímetros, com direcção geral NW-SE (concordantes com os planos de xistosidade do xisto encaixante) e inclinação geral NE, sendo por vezes de 40º relativamente à vertical. Realça também a existência de filões perpendiculares a estes últimos, ricos em cassiterite, sendo que a região metalífera mais rica é a que se encontra próxima da mancha granítica. No livro encontram-se ainda estudos sobre: as rochas eruptivas vizinhas, as rochas encaixantes e o greisen do Bessa; a mineralogia do pegmatito granítico e respectiva paragénese, destacando-se a presença, essencialmente, de quartzo e feldspato potássico, tendo como minerais acessórios, entre outros, a volframite e a cassiterite.

 

1600-minas beca (217)

 

A exploração mineira nesta zona remonta ao tempo dos romanos. No Boletim de Minas de 1938, referente às minas de Monte Agrove nº1 e Carvalho, aparece a seguinte citação: “Foram explorados aluviões ricos em cassiterite e volframite e resíduos de antiquíssimas fundições de estanho, provavelmente romanas, pois que nelas foram encontradas duas moedas de prata dessa época. Estes resíduos contêm, como é natural, a volframite, que então não era aproveitável. O povo dá o nome de agrovas às escavações antigas.” (Nunes, J. P. Avelãs; 2010). Inicialmente, o foco principal da exploração incidia nos filões pegmatíticos do tipo LCT, com mineralizações de cassiterite, para extracção do estanho. Acessoriamente, eram explorados concentrados de columbite-tantalite e ilmenite.

 

1600-minas beca (155)

 

As referências mais antigas da exploração no Couto Mineiro do Bessa, referidas em relatórios da Circunscrição Mineira do Norte, remontam a 1918 (minas da Corga das Domingas e da Cova da Mêda). De acordo com o mesmo organismo, de 1956 a 1965, foram produzidos 108t de cassiterite, com 60% a 75% de teor. Nesse mesmo período, produziu também 6t de concentrados de tantalite-columbite, com 30% de Ta2O5. Nas concessões de Carvalho, Estanheira e Palheiros, pertencentes ao mesmo Couto, foram produzidos, respectivamente: 11t de volframite e 26t de cassiterite; 2t de cassiterite; e 3t de cassiterite. Além do Sn e do W, também foram explorados recursos minerais não metálicos, como o quartzo e o feldspato (Ramos, Rui; 2003).

 

1600-minas beca (144)

 

Não propriamente sobre as minas mas sobre o povoamento florestal desde que a última exploração encerrou, encontrámos um trabalho de autoria de Raquel López, Engenheira florestal, visto em http://www.sinergeo.pt/evolucao-da-paisagem-no-couto-mineiro-de-beca-por-raquel-lopez/ , e consultado em 14-11-2020, que diz o seguinte:

 

Apesar da escassa presença humana, existiam algumas culturas agrícolas com grandes áreas de pasto, localizadas principalmente à esquerda da exploração mineira.

 

Em redor das cortas a classe mais representativa era o estrato arbustivo.

 

Ao longo dos anos, ou seja, após 53 anos o quadro é bastante diferente e a intervenção humana tem muito a ver com a transformação da paisagem.

 

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Em 2011 as espécies florestais de coníferas são as que verificaram um maior crescimento em área. Desta vez, o estrato arbóreo (o pinheiro, o carvalho vermelho, o carvalho negral, o castanheiro, o amieiro, o choupo, o vidoeiro, o eucalipto, etc.) é a classe mais representativa, muito diferente do que se verificava em 1958, onde a classe arbustiva era a vegetação dominante e a arbórea a de menor ocupação. Nos arredores da exploração, onde antes crescia vegetação de tipo arbustiva em  competição com o mato, agora crescem povoações recentes de pinheiros e em menor superfície povoações de eucaliptos.

 

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As povoações humanas são maiores e é observado um pequeno aumento na presença de culturas agrícolas, de localização semelhante como em 1958. Em 2011não foram observadas alterações significativas na distribuição dos pastos. Estes estão distribuídos mais ou menos pela mesma área e ocupando superfícies semelhantes em ambos anos.

 

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Ao comparar ambos anos com o 2006 a paisagem  volta a trocar. Em 2006 era praticamente dominada por uma mancha densa composta principalmente de plantações de pinheiro de duas classes de idade diferentes, porém mais velhas do que as plantações de pinheiros que estavam a crescer em 2011. Por outro lado, a paisagem de 2006 também está longe do que ela era em 1958 (lembre-se que o mesmo espaço estava ocupado principalmente por arbustos).

 

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Atualmente, e apesar de ter passado apenas quatro anos, a paisagem nas imediações da mina amostra-se de novo diferente com respeito a como ela se apresentava em 2011. Durante este período houve uma série de incêndios que causaram o desaparecimento de uma grande parte da floresta, interrompendo novamente o crescimento natural da vegetação e, consequentemente, alterando a paisagem.

Resulta, portanto, que esta região tem sido sujeita fortemente a fatores (quer sejam de origem humana ou natural) que repetidamente alteraram a evolução natural da vegetação, transformando a paisagem significativamente, em períodos curtos.

 

1600-minas beca (209)

 

 

E estamos a chegar ao fim deste post, hoje idêntico a todos os anteriores desta série, mas também, em tudo diferente, não tivemos uma aldeia mas sim umas minas, só que, para já desativadas, mas vimos o que delas restou, ou melhor, o que a elas sobreviveram, o casario disperso, também ele moribundo, mas não todo, pois existem sempre resistentes que por uma ou outra razão insistem em ficar e vão ficando.

 

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Só nos resta o vídeo final com todas as fotografias hoje aqui publicadas, e no próximo domingo cá estaremos novamente, com mais uma aldeia da freguesia de Beça, do concelho de Boticas, e aí, será uma aldeia a sério, mas que também tem os seu mas. Chama-se Pinhal Novo e é uma das 7 aldeias de colonos que Salazar mandou construir no Barroso, esta, a única a ser construída no concelho de Boticas, as restantes 6 foram construídas no concelho de Montalegre.

 

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Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

07
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Padornelos

Aldeias do Barroso de Montalegre - Com Vídeo

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montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Padornelos, Montalegre.

 

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Aldeia de Padornelos que é também a porta de entrada (e saída) da Serra do Larouco e uma das aldeias mais típicas do Alto-Barroso, incluindo nos nevões que são tão familiares à aldeia, daí, ser uma aldeia de visita obrigatória, que também já serviu de mote a um romance de Ferreira de Castro – “Terra Fria”, que por sua vez deu origem a um filme. Mas hoje não estamos aqui para falar da aldeia, pois isso já o fizemos no post que lhe dedicámos para o qual fica link no final, hoje estamos aqui pelo vídeo que não teve nesse post.

 

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Montalegre vista desde Padornelos

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Padornelos que foram publicadas até hoje neste blog, incluindo as que escaparam à seleção anterior e ficam de hoje aqui. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Padornelos:           

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

 

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira,  em que teremos aqui a aldeia de Padroso.

 

 

30
Out20

O Barroso aqui tão perto - Outeiro C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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montalegre (549)

 

OUTEIRO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Outeiro, do Concelho de Montalegre.

 

outeiro (95)-video

 

Mais uma das pérolas do Barroso, esta mesmo à beirinha da barragem de Paradela, com vistas privilegiadas sobre a Serra do Gerês e sobre a Barragem, mas também ela, a aldeia de Outeiro,  vista ao longe, encanta qualquer olhar, quer desde Paradela, quer desde o lado oposto, que não fica aqui hoje neste post, mas que estão no vídeo.

 

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Para o post de hoje apenas 4 imagens, pois no seu post já tinha mais imagens que o habitual, é o que acontece quando a aldeia é fotogénica e as vistas são de encantar.

 

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Mas hoje estamos aqui mesmo por causa do vídeo que não teve no seu post, este com link no final. Agora sim  vamos ao vídeo, espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Outeiro:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-outeiro-1709896

 

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até a próxima sexta-feira, para trazermos aqui a aldeia de Padornelos.

 

 

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