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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

14
Abr18

Nantes - Chaves - Portugal

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Embora aqui à mão de semear, a nossa recolha fotográfica de Nantes foi feita em 2006 e 2007, mas como sei que nestes últimos anos sofreu algumas transformações, ontem ao final do dia passei pelo centro da aldeia para recolher mais algumas imagens fresquinhas. Assim, hoje, vamos deixar por aqui imagens de há 12 e 11 anos e algumas com apenas umas horas.

 

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Na realidade a aldeia não se transformou muito nestes últimos anos, principalmente o núcleo histórico, no entanto o seu território, aliás o território de toda a freguesia, foi um dos que mais transformações sofreu nos finais do século passado e início deste, refiro-me aos últimos 40 anos em que a freguesia verificou um crescimento vertiginoso em construções, sobretudo moradias de primeira habitação, o que implicou um crescimento substancial da população.

 

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Claro que fatores como o da localização e proximidade da cidade não foram alheios ao seu crescimento, tanto que hoje entre a freguesia e a cidade de Chaves não há separação física no que respeita a casario construído. A sua localização entre a veiga de Chaves e a Serra do Brunheiro também criou condições ideais para o surgimento de grandes bairros dormitórios, entre os quais a TRASLAR, o Bairro de S. José e o Lombo.  

 

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Aliás os  CENSOS demonstram bem este crescimento, embora a linha de tendência de crescimento da população se tenha iniciado em 1920 com 732 habitantes (freguesia), atingindo 1423 habitantes em 1960. Aqui desceu vertiginosamente para 708 habitantes em 1970 mas a partir dessa data tem sido sempre a subir vertiginosamente, atingindo o seu máximo em 2001 com 2117 habitantes, o que a colocou como uma das freguesias mais populosas do concelho, então só ultrapassada pela freguesia da cidade (Stª Maria Maior) e Outeiro Seco ainda com Santa Cruz/Trindade.

 

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Mas hoje, aqui no blog, queremos mesmo é deixar a aldeia de Nantes, o seu núcleo histórico, que tinha e tem início na Rua que parte da estrada de Valpaços e continua por ali acima até entrar bem dentro da Serra do Brunheiro, dispondo-se a aldeia ao longo desta rua, alargando-se o casario na zona da capela da aldeia, onde existia o seu largo principal. Aliás a aldeia histórica era e continua a ser assim, pois esta pouco crescimento teve em termos de casario, pois em população penso que perdeu alguns habitantes.

 

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O largo da aldeia, entre a nossa primeira recolha fotográfica e a última, foi o que sofreu mais alterações. Nasceu uma nova construção, a casa solarenga que lã existia abandonada e altamente degradada foi reconstruída e o largo sofreu obras de restauro, onde a terra batida do deu lugar à sua pavimentação, onde nasceu uma nova rua, alguns estacionamentos e uma casa mortuária. Arranjo que há muito se exigia, mas que a meu ver não foi muito feliz. Nantes e o largo mereciam bem melhor, um largo bem mais interessante, mas Chaves parece que anda com azar no que diz respeito aos “arquitetos” de largos ou aos políticos que os “projetam”. No entanto, diga-se, que está muito melhor do que aquilo que estava e ganhou uma casa mortuária, essa sim, sem incomodar o largo. Mas o primeiro atentando no largo foi mesmo o do “Centro Social”, não pela sua utilidade que penso ter, mas por estar completamente desenquadrado no largo, é aquilo ao que vulgarmente se chama um mamarracho no meio do local mais nobre da aldeia.

 

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Bem, mas não trazemos aqui Nantes para falar das suas desgraças, antes pelo contrário, queremos é mostrar algumas das suas preciosidades, e uma delas tem a ver com a sua localização, sendo uma aldeia da veiga e simultaneamente da montanha, depende para onde nos virámos, mas também há outras preciosidades, algumas delas escondidas, como a quinta do hospício, mas que há anos tivemos oportunidade de espreitar para poder mostrar um pouco. Relíquias da arte da cantaria um pouco distribuídas pela quinta.

 

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O verde também sendo ainda uma constante ao redor da aldeia, escurecendo conforme o arvoredo vai surgindo na Serra do Brunheiro. Pena o pinheiro ser a espécie dominante por cima da aldeia, entre os quais ainda vão sobrevivendo algumas espécies autóctones com destaque para o medronheiro, o carvalho e a castanheiro bravo. Mas pelo menos existe ainda uma mancha verde que tem sido poupada pelos incêndios dos últimos anos, ao contrário da restante encosta que só agora começa a ser (parte dela) coberta por carvalhos.

 

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Mancha verde, amarelada, avermelhada ou acastanhada, vão sendo os tons e cores com que “vinha do rouquinho”, penso que é assim que ela é conhecida, se vai vestindo ao longo das quatro estações do ano, às vezes até de branco se veste, como foi o caso de há dias atrás quando a neve caiu sobre o vale. Tem sido um regalo para a vista, com o seu casario de apoio reconstruído e bem apresentado, tal como a vinha sempre bem tratada. Para ser ouro sobre azul só lhe faltam as vindimas, a festa do lagar e o fazer do vinho.

 

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A velha escola também ainda se mantém ativa, hoje como jardim de infância, de construção muito simples em perpianho de granito e uma única sala. Convive ao lado da nova escola, esta do primeiro ciclo, uma resistente no concelho pois ainda continua a funcionar com duas salas e os quatro anos do primeiro ciclo.

 

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Outra preciosidade que embora ao alcance de todos nem todos a alcançam é o cruzeiro coberto, localizado ao fundo da rua principal da aldeia, onde o casario termina e a serra começa.  Desconheço se será o seu lugar original, pois este tipo de cruzeiros costuma encontrar-se em cruzamentos de caminhos. No entanto pode ter alguma lógica a sua localização, isto a pensar noutros tempos em que o caminho da serra era utilizado pelos caminhantes que desciam e subiam a Serra do Brunheiro, vindo para a cidade ou indo para as suas aldeias no planalto do Brunheiro.

 

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Caminhantes do planalto que tinha paragem obrigatória na antiga taberna que fechou com a morte do seu último proprietário. Tabernas cuja existência se repetia em quase todas as aldeias e que hoje estão praticamente extintas. Tabernas que prestavam um verdadeiro serviço público às populações, pois para além dos comes e bebes que sempre tinha, era lá que muitas vezes existia o único telefone da aldeia como posto público, mas também uma espécie de minimercado onde havia de tudo para os lares e os campos, desde mercearias, fósforos, petróleo, venda de pão, lixivias, sabão, etc., quase tudo que fazia falta, as tabernas. Mas era também um centro de convívio e estar para crianças e adultos, cada um com os seus entreténs, onde os adultos se dedicavam mais ao simples conversar ou ao jogo de cartas, sueca principalmente, jogo do chino ou mesmo da malha, este na rua, mas também os matraquilhos para os mais jovens e crianças, esta a entreterem-se também na rua, nas imediações da taberna  com os seus jogos, do peão, do espeto ou até hóquei em patins, sem patins e onde o stick era substituído por um troncho de uma couve galega e a bola servia a dos matraquilhos. Foi também nas tabernas a maioria dos portugueses das aldeias viram pela primeira vez televisão.  Mas o melhor de tudo é que nas tabernas se podia comprar fiado, facilidade que muitos aproveitavam para poderem fazer a refeição de todos os dias… Por isto tudo fica decretado por este blog que as tabernas eram instituições de utilidade pública onde às vezes também se apanhavam umas pielas… Publique-se!

 

E com esta me bou!

 

 

 

 

11
Ago12

Aí vai Nantes para o outro lado do oceano e não só

 

Admito ser um pouco saudosista, não como comummente se costuma conotar o saudosismo, mas saudosista no sentido de ter saudades de algumas coisas do passado ou melhor ainda, de alguns sentimentos que coisas do passado produziam em nós. Uma delas eram as cartas do correio, as ansiadas cartas, as esperas ao carteiro…todas elas, fossem as da família, de amizade ou de amor, produziam em nós um sentimento que hoje é difícil de definir. Só quem o viveu e esperou ansioso pelo carteiro pode saber ao que me refiro e no entanto, com as novas tecnologias e gama de oferta em comunicação, as cartas não deveriam ter deixado saudades, mas deixaram, pelo menos em mim.




Claro que ninguém nos proíbe de hoje escrever cartas, mas já ninguém se martiriza em esperar duas ou três semanas por uma resposta que pode ser imediata, com som e imagem que atravessa oceanos se necessário for e, é assim que hoje vamos até Nantes, pois as imagens de hoje resultam de uma conversa com imagem que interrompi há pouco para a feitura deste post, uma conversa do tamanho do Atlântico e umas tantas montanhas pelo meio, uma conversa desde Nantes até à América, em tempo real mas que, embora todas as novas tecnologias, ainda não conseguem  transmitir cheiros e aromas, o calor, a luz natural do dia ou ténue luz da noite. Estava resolvida a escolha da aldeia de hoje, pois se na tal conversa, do lado de cá era a partir de Nantes que se conversava, do lado de lá, era alguém de Nantes que respondia.



Sei que tinha prometido também a alguém de Nantes deixar aqui imagens do Largo de Santa Ana, ou melhor, daquilo que resta dele, pois o largo já foi. Sinceramente que não consigo compreender os arquitetos paisagistas de hoje… mas esse assunto e imagens vão continuar prometidas, pois hoje tive de recorrer às de arquivo, pois embora Nantes me fique aqui à mão, as últimas imagens que por lá recolhi já são de há 6 anos atrás, onde o tal largo ainda era um largo, também ele a ansiar por obras, mas penso que não eram bem estas que por lá se fizeram…



Ficam então estas imagens onde a vista geral de Nantes a espraiar-se pelas faldas da Serra do Brunheiro contrastam com alguns pormenores daquilo que eu mais gosto de ver nas nossas aldeias e que me atraem sempre o olhar e o clique da câmara fotográfica. Imagens que ficam também para memória futura, pois tal como as cartas do correio, hoje também já caíram em desuso e mais cedo ou mais tarde, vão ceder à modernidade que é tão característica em descaracterizar aquilo que fazia a diferença e a singularidade das nossas aldeias. Enfim, vem a propósito, um pouco, do tema desta conversa, a das aldeias globais que são todas iguais. Como rima, só pode ser verdade.




No início da escolha de imagens, pensava eu, que as tinha esgotado nos posts anteriores que dediquei a Nantes, mas nem há como as imagens repousarem uns anos em arquivo para descobrirmos nelas aquilo que não vimos quando as fizemos. É assim a modos um pouco como a poesia, pois por muito espontânea que seja deve-se deixar a marinar uns tempos antes de conhecer os olhos da leitura.

 

Então as imagens de hoje vão para todos para os naturais de Nantes que por se encontrarem longe da terrinha, só de tempos a tempos é que podem vir por cá, e são muitos, eu sei que o são. Às vezes (alguns) ainda tentam matar saudades assando sardinhas, mas faltam-lhes os nossos pimentos, o nosso pão e o nosso vinho.


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