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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

29
Jan19

Uma imagem com nevoeiro e uma homenagem

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“esticalirica e caixadóculos” é mais ou menos essa a imagem que retenho dele, da televisão, da “Visita da Cornélia”.  Notava-se que não era um homem qualquer, da cultura, com certeza. Vim a saber que era poeta, comprei uns livros dele que passaram a ter lugar na mesinha de cabeceira. Como as letras e arte só dão de comer a alguns, teve de se dedicar à publicidade, é o pai do  “há mar e mar, há ir e voltar”, mas esqueceu-se de lhe dar o nome, recordo ouvi-lo dizer o quanto lamentava, podia estar rico…

 

Hoje, depois de selecionar a imagem para vos deixar aqui, veio-me logo à cabeça um poema seu, que não resisto à sua partilha:

 

Homem

 

INSOFRIDO TEMÍVEL ADAMADO PURO SAGAZ INTELIGENTÍSSIMO MODESTO RARO CORDIAL EFICIENTE CRITERIOSO EQUILIBRADO RUDE VIRTUOSO MESQUINHO CORAJOSO VELHO RONCEIRO ALTIVO ROTUNDO VIL INCAPAZ TRABALHADOR IRRECUPERÁVEL CATITA POPULAR ELOQUENTE MASCARADO FARROUPILHA GORDO HILARIANTE PREGUIÇOSO HIEROMÂNTICO MALÉVOLO INFANTIL SINISTRO INOCENTE RIDÍCULO ATRASADO SOERGUIDO DELEITÁVEL ROMÂNTICO MARRÃO HOSTIL INCRÍVEL SERENO HIANTE ONANISTA ABOMINÁVEL RESSENTIDO PLANIFICADO AMARGURADO EGOCÊNTRICO CAPACÍSSIMO MORDAZ PALERMA MALCRIADO PONDEROSO VOLÚVEL INDECENTE ATARANTADO BILTRE EMBIRRENTO FUGITIVO SORRIDENTE COBARDE MINUCIOSO ATENTO JÚLIO PANCRÁCIO CLANDESTINO GUEDELHUDO ALBINO MARICAS OPORTUNISTA GENTIL OBSCURO FALACIOSO MÁRTIR MASOQUISTA DESTRAVADO AGITADOR ROÍDO PODEROSÍSSIMO CULTÍSSIMO ATRAPALHADO PONTO MIRABOLANTE BONITO LINDO IRRESISTÍVEL PESADO ARROGANTE DEMAGÓGICO ESBODEGADO ÁSPERO VIRIL PROLIXO AFÁVEL TREPIDANTE RECHONCHUDO GASPAR MAVIOSO MACACÃO ESFOMEADO ESPANCADO BRUTO RASCA PALAVROSO ZEZINHO IMPOLUTO MAGNÂNIMO INCERTO INSEGURÍSSIMO BONDOSO GOSMA IMPOTENTE COISA BANANA VIDRINHO CONFIDENTE PELUDO BESTA BARAFUNDOSO GAGO ATILADO ACINTOSO GAROTO ERRADÍSSIMO INSINUANTE MELÍFLUO ARRAPAZADO SOLERTE HIPOCONDRÍACO MALANDRECO DESOPILANTE MOLE MOTEJADOR ACANALHADO TROCA-TINTAS ESPINAFRADO CONTUNDENTE SANTINHO SOTURNO ABANDALHADO IMPECÁVEL MISERICORDIOSO VOLUPTUOSO AMANCEBADO TIGRINO HOSPITALEIRO IMPANTE PRESTÁVEL MOROSO LAMBAREIRO SURDO FAQUISTA AMORUDO BEIJOQUEIRO DELAMBIDO SOEZ PRESENTE PRAZENTEIRO BIGODUDO ESPARVOADO VALENTE SACRIPANTA RALHADOR FERIDO EXPULSO IDIOTA MORALISTA MAU NÃO-TE-RALES AMORDAÇADO MEDONHO COLABORANTE INSENSATO CRAVA VUKGAR CIUMENTO TACHISTA GASTO IMIRALÃO IDOSO IDEALISTA INFUNDIOSO ALDRABÃO RACISTA MENINO LADRADOR POBRE-DIABO ENJOADO BAJULADOR VORAZ ALARMISTA INCOMPREENDIDO VÍTIMA CONTENTE ADULADO BRUTALIZADO COITADINHO FARTO PROGRAMADO IMBECIL CHOCARREIRO INAMOVÍVEL..."

 

In  “Entre a Cortina e a Vidraça” de Alexandre O'Neill

 

 

 

14
Dez18

Uma imagem de Chaves, com frio e nevoeiro

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Hoje vamos a mais uma imagem com frio e o nosso habitual nevoeiro matinal, isto quando não lhe dá para entrar pela tarde dentro. Dizem os de fora que já estamos habituados e verdade se diga que a vida não para por causa de um mero nevoeiro ou frio, venham eles como vierem, mas não é bem estarmos habituados, é mais, isso sim, sabermos como nos defender deles, em suma, conviver com eles. Andamos mais direitinhos, sem grandes movimentos para o calor não sair do corpo, mãozinhas nos bolsos a não ser que outras prioridades as exijam de fora, quanto ao nariz, a ponta, essa desgraçada lá terá que ficar de fora a aparar as marradas, para o resto do corpo reforça-se com mais uma ou duas peças de roupa, os pés convém não pararem durante muito tempo e depois, para os mais sensíveis, há sempre uns acessórios tipo luvas, cachecóis, gorros, bonés, etc. Basta-lhes ficar os olhos de fora para verem por onde andam, e prontos, venha lá o nevoeiro e o frio que a nós tanto nos faz, estamos habituados…  

 

 

 

15
Jan18

De regresso à cidade com um dia que já vivi...

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Cai a noite, fria,  como sempre nestes dias de inverno. A lareira dá algum conforto enquanto o lume dura, mas é na cama, com o sono, que o corpo se conforta, sono que tal como a lareira, dura enquanto dura. Depois vem de novo o dia, é segunda-feira, dia de fazer o regresso à cidade, lá fora o frio é gelado e com o nevoeiro que invade todo o vale durante a noite, o frio ignora a roupa do corpo e entra-nos nos ossos. Como todas as segundas-feiras é tempo de regressar à cidade, hoje, porque é segunda-feira, não vai ser exceção, mergulhada no nevoeiro, a cidade vai lá estar, escondida, sem céu para ver, sem sol para receber, apenas a sua luz o consegue atravessar, mas chega à cidade muito atenuada, mais cinzenta que branca, mergulhada no nevoeiro a cidade é como se não existisse,  mas o regresso à cidade tem de ser feito, como sempre, todas as segundas-feiras, mas hoje, regresso à cidade com um dia que já vivi, atravesso o vale, subo a encosta da montanha e deixo a cidade para trás, mergulhada no nevoeiro, chegado lá cima, quase no alto da montanha, viro-me para trás, e lá está ele, um mar de nevoeiro, e sim senhor, confirmo, a cidade não existe, apenas um mar de nevoeiro que dá à costa nas montanhas mais altas, por cima o céu e o sol, mesmo que meio encoberto por uma nuvem passageira, está lá, nota-se, sente-se…

 

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Tomada a liberdade de transgredir na rotina dos dias, subo e desço as encostas das montanhas e tal como dizia o pastor, as montanhas nunca acabam, a seguir a uma montanha há sempre outra montanha. Sigo para a mais alta, lá na croa confirma-se, há montanhas e mais montanhas,  mas ao fundo, há uma que é mais alta, nota-se pela brancura da neve que a cobre. A criança que vive sempre dentro de nós,  leva-me até ela, subo e desço novas montanhas, mais baixas, sempre com a brancura da mais alta no horizonte, é ela que me guia até estar debaixo dos meus pés. Está frio, mas aqui não atravessa a roupa do corpo. Sente-se apenas no rosto e nas mãos o que faz com que o calor do corpo saiba bem. Queria subir lá cima, pois queria, mas não pude, e também de nada serviria, o dia já estava e entrar em final de tarde, a neve estava gelada e  com o aproximar da noite as nuvem desciam sobre a montanha passando ao estado de nevoeiro, e não tinha sido para isso que eu tinha ido até lá.

 

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A meio da montanha, desço de novo até aos pequenos vales que a rodeiam, alguns com alguma  neve, outros nem tanto, mas de neve já chegava e a nossa criança já estava satisfeita e o abrigo do popó agradecia-se e dava para recompor o conforto nas faces e nas mãos. Indiferentes,  a nós e ao frio,  pareciam estar os animais nas pastagem. Despidos como sempre, sem abrigos para os proteger, mas com a aproximação, deixámos de ser indiferentes, com o frio deve ser o mesmo, mas em dia de transgressão, não estava muito virado para filosofar sobre o assunto e tirar ou chegar a conclusões… além do mais a noite aproximava-se e era tempo de regressar.

 

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Tempo de regressar para de novo esperar pelo cair a noite, fria,  como sempre nestes dias de inverno. A lareira, em casa,  dar-nos-á algum conforto enquanto o lume durar, mas vai ser na cama, com o sono, que o corpo se vai confortar, sono que tal como a lareira, vai durar enquanto durar. Depois vem de novo o dia, já será terça-feira, dia de regressar de novo à cidade, lá fora o frio vai estar gelado e com o nevoeiro que invade todo o vale durante a noite, o frio irá ignorar a roupa do corpo e entrar-nos-á nos ossos. Como todas as terças-feiras é tempo de regressar mais uma vez à cidade, e amanhã, porque é terça-feira, não vai ser exceção, pela certa irá estar mergulhada em nevoeiro, a cidade vai lá estar, escondida, sem céu para se ver, sem sol para se receber, apenas a sua luz o conseguirá atravessar, mas chegará à cidade muito atenuada, mais cinzenta que branca, mergulhada no nevoeiro a cidade vai ser como se não existisse,  mas o regresso à cidade terá de ser feito, como sempre, em todas as terças-feiras, mas amanhã, vou ficar lá… a liberdade também tem limites.

 

E com esta me bou!

 

 

30
Out17

De regresso à cidade

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Hoje fazemos o regresso à cidade com nevoeiro sobre o Rio Tâmega, mas são apenas algumas saudades de um dia assim, pois o nevoeiro da foto já há muito que levantou. Por cá continua o verão, embora o calendário diga que não, pelo menos de dia, pois as noites já estão fresquinhas, mas ainda não são de frio. Já agora, que se aguente assim até depois da Feira dos Santos.

 

 

 

12
Jan17

Coisas do tempo, hoje com nevoeiro

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Quando não temos nada para dizer, ou calhamos num elevador ou numa sala vazia com um desconhecido, valemo-nos do tempo, do meteorológico, para iniciar uma conversa. Penso que é o quebra-gelo mais utilizado para iniciar e empatar uma conversa que muitas das vezes até nem queremos ter. Mas funciona. Na verdade, o tempo, condiciona e determina parte das nossas vidas do dia-a-dia. Vai chover, então não vou. Detesto a chuva, molha, é uma chatice. Eu sei que ela faz falta na dose q/b, mas bem podia chover de noite quanto estamos a dormir. Quanto ao resto do tempo, venha ele, seja ele qual for. Geadas, frio, calor, assim-assim, neve, nevoeiro, ventanias, eu sei lá. Chuva é que não, e prontos! Estão a ver como o tempo dá sempre jeito!? Nem que seja e só para meter um textinho entre fotografias, que fica sempre bem, mas mesmo assim o que disse é sincero.

 

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Tudo por causa destas duas fotos de nevoeiro. Há quem não goste, mas para mim, à exceção de ter de conduzir uma viatura quando há nevoeiro, até lhe acho piada e gosto de andar por aí a levar com ele na face, coisas de conviver com ele desde que nasci, não fosse eu flaviense e depois, se o frio se começar a entranhar no corpo e nos ossos, dá-se um pulinho ao miradouro de S. Lourenço, por exemplo, e aí o temos a nossos pés, ainda com mais piada. Em alternativa sempre podemos recolher ao interior das casas ou entrar para um bar, tomar um café ou beber um copo, aí, visto desde o quentinho, o nevoeiro ainda sabe melhor.

 

 

 

30
Dez16

Dias de névoa...

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Todos os flavienses sabem que de vez em quando a cidade fica mergulhada em nevoeiro, dia e noite. Nevoeiro que vai prolongando o seu manto pelas terras mais baixas, entrando na Galiza e prolongando-se até terras de Vidago e todo o vale da Ribeira de Oura, pelo menos. E se pessoalmente até gosto destes dias, também sabe bem subir à croa das serras e montes para apreciar o manto de nevoeiro aos nossos pés, tal como aconteceu ontem ao nascer do sol.

 

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E já que estávamos ao sol, aproveitámos o dia para ter o sol por inteiro e, ao longo do dia ter até temperaturas primaveris, Claro que também lá em cima ao nascer do sol o manto branco serve-se na forma de geada, mas com sol.

 

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Geada que nos quer fazer parecer estar a testar a resistência daqueles e daquelas sobre quem cai e se apega, e testa mesmo, pois os e as mais frágeis não lhe resistem, mas como é da natureza que se fala, falamos também da lei natural da vida onde nós, quase sempre meros apreciadores, vamos apreciando, mesmo que o frio às vezes chegue a doer.

 

E caso hoje e no fim de semana que se aproxima o nevoeiro teime em manter-se, fica a sugestão: Suba à croa das  serras e dos montes que a curta viagem vai compensá-los.   

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    • P. P.

      Maravilhosos olhares.

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      Obrigado Pedro. Um forte abraço desde este Reino M...

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