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Mais uma vez vamos até lá acima, bem no alto da montanha, mais propriamente para as terras altas da Serra do Brunheiro, onde esta termina em altura num grande planalto por onde se estende toda a freguesia de Nogueira da Montanha e a própria aldeia de Nogueira, também da Montanha.
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E voltamos ao despovoamento, assim e já de entrada, pois se há aldeias que o conhecem bem, Nogueira da Montanha, é uma delas, mesmo sendo a sede de freguesia.
O que deixo por este blog é a minha opinião pessoal e tenho consciência que não sou detentor de toda a verdade e conhecimento, mas enquanto não me provarem o contrário, sou o teimoso bastante para continuar por aqui a defender as minhas ideias. Tudo isto a respeito do despovoamento das aldeias, pois sei que há quem defenda o seu abandono total e a concentração de todos em grandes centros, onde as pessoas possam ter acesso a “tudo” em qualidade e quantidade a um custo mínimo, pois todas as infra-estruturas necessárias estariam concentradas num único local, onde em princípio já existem.
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Como costumo dizer, calhou nascer em Chaves e tenho muito orgulho em ser flaviense e trasmontano, por isso optei por viver na terra que me viu nascer. Precisamente (e embora todos sejamos iguais) ganhamos esse orgulho pela nossa terra, pela nossa identidade de flavienses, e pela nossa diferença em relação a minhotos, algarvios, alentejanos ou beirões. Somos iguais mas também naturalmente diferentes. Diferença que se vai fazendo desde o berço em todas as nossas vivências, quer em gastronomia, usos, costumes e por tudo que nos é comum e nos une. Até o frio dos Invernos rigorosos ou os verões de inferno se entranha em nós e faz de nós sermos diferentes do pessoal do sul.
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Mas sou flaviense em toda a plenitude por opção, mas também porque tive oportunidade de aqui poder viver, trabalhar, constituir família e de poder viver com dignidade. Esta opção e direito que tenho de viver na minha terra dignamente deveria ser para todos e, se há gente das nossas aldeias que gostam da sua aldeia como eu gosto da minha (porque afinal Chaves não passa de uma aldeia grande), porquê não poderem também nela viverem dignamente, por opção.
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Temos direito à nossa diferença, contrariamente àquilo que nos querem impingir e obrigar de há umas dezenas de anos para cá, em concentrar tudo em grandes centros, todos iguais, sem identidade, sem usos e costumes, sem o que é típico e de bom tem cada “raça”, tudo concentrado em ruas na vertical de caixotes de betão onde não existem vizinhos e a vida e alegrias das pessoas se desenvolve no trabalho alimentados por comida empacotada, em comunidades fechadas em que quase nem se tem direito à família. Em suma, onde não se tem direito à qualidade de vida e as poucas raças e vidas que teimam em resistir à concentração são remetidos para guetos e problemas.
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A meu ver todas as políticas de concentração têm demonstrado que estão erradas e descambam em desemprego, crimes, droga, racismo, e cada vez mais na diferença entre ricos e pobres. Em suma a concentração e as suas políticas têm tudo de mau que uma sociedade pode ter e incrivelmente é para esses grandes centros e sociedade que os governos orientam as suas políticas e governam, orientados (claro está) pelo grande capital que às vezes por tão agressivo que é, esquecem que há gente, pessoas de carne e osso que vive e tem direito a viver dignamente…mas pouco se interessam com isso, pois a modernidade do grandioso é que conta. A história ditará o grande boom que foi o século XX e XXI se houver futuro para se fazer história, e isto tudo graças às grandes concentrações e aos grandes centros, metrópoles e modernismos e grandiosidades de um egoísmo que se alimenta num viver dia a dia sem qualquer preocupação de futuro para os nossos filhos e netos.
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As aldeias estão mortas, apenas os resistentes lhe resistem e, até estes (maioritariamente) não o fazem por opção, mas porque idosos, são obrigados a isso e contudo, nas aldeias e pequenos centros existe de tudo para se viver com dignidade e com qualidade de vida, desde que as políticas também lhes dêem iguais oportunidade de poderem trabalhar e sacar da terra o sustento para uma vida digna e com qualidade.
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Já sabemos do que as aldeias vivem e podem viver, ou seja, vivem da terra e do que a terra dá. Agricultura, pecuária e florestas, com tudo que lhe está associado e que lhe tem estado associado ao longo dos séculos, com as pequenas indústrias caseiras e familiares de produtos de qualidade indiscutível. Mas também aqui as políticas agrícolas têm sido de concentração e de interesses do grande capital, onde os pequenos e até médios agricultores não cabem nem têm direitos. Os nossos ministros da agricultura têm ao longo dos anos negociado com a Europa quotas e subsídios, principalmente estes últimos, pouco se interessando com a agricultura e com o país real do interior, onde a o que se produzia era de qualidade e quando muito precisava era de ser apoiado e orientado tecnicamente no terreno e arranjar-lhes mercado sem muitos intermediários de modo a todos beneficiarmos de que se produz de bom nas nossas terras.
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Chaves é terra de batata e de qualidade. Todas as terras de planalto produzem batata de qualidade. As freguesias de Travancas e Nogueira da Montanha (por serem terras de planalto) são duas das freguesias flavienses que produzem da melhor batata que há e que faz a delícia de qualquer mesa. Pessoalmente costumo comprar batata directamente ao agricultor e/ou aos nossos armazenistas. Pois nestes últimos, quando por lá vou comprar batata para o dia-a-dia, a pergunta é sempre a mesma – Da nossa ou da francesa?. Nem sabem como esta pergunta me irrita, pois pertencemos à terra da melhor batata e abanam-me com as francesas! Mas pior ainda, é que, por todo o lado onde se vende batata em Chaves, principalmente nas grandes superfícies implantadas em Chaves, a batata não é de Chaves. E o que acontece com a batata, acontecem com todos os produtos da terra, e porquê!? Políticas agrícolas erradas, desde sempre erradas, que se discutem nos corredores de Lisboa ou num avião a caminho da Europa, enquanto que aqui pelo interior rural, o que a terra tem de melhor, não tem apoio sustentado nem escoamento, porque não há um mecanismo concertado para o escoamento daquilo que se produz.
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O mal das políticas agrícolas para as nossas aldeias está precisamente nos subsídios para isto e aquilo, no dinheiro fácil e rápido que enriquece alguns e cala outros sem haver uma preocupação com a agricultura propriamente dita. Dinheiro que só é para alguns, principalmente para quem pouco ou nada tem a ver directamente com a agricultura, mas para os espertos de sempre que plantam e arrancam conforme o subsídio é para isto ou para aquilo, tal como o subsídio dos tractores, que na maioria são utilizados para outros fins, até para ir à missa ou descer à cidade, mas poucos para lavrar os campos. E toda a gente sabe isto, mas os nossos ministros em vez de se preocuparem com a agricultura propriamente dita, continuam entretidos em negociar subsídios e quotas enquanto os nossos campos cada vez mais estão entregues ao abandono, porque a realidade é, que cultivar os campos cada vez é mais caro e não conseguem concorrer com os produtos “plastificados” do exterior. Mas para os responsáveis pelas políticas agrícolas, isso pouco interessa, e as pessoas, o povo do interior que está envolvido com a agricultura como um modo de vida, ainda interessa menos, pois a sua passagem dos políticos pelas pastas da agricultura é efémera e não faz carreira, pois apenas serve para enriquecer mais alguns amigos e marcar pontos para um tacho após a passagem política. Enquanto isto, as nossa aldeias ficam despovoadas porque lhe roubam o único modo de vida que têm: a agricultura.
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Tudo que se tem feito nos últimos anos em relação às aldeias está errado (é a minha opinião) e tudo tem sido um convite para o seu abandono e para a tal concentração em grandes centros, onde também há a concentração das tais infra-estruturas, mas também muita concentração de interesses de quem tem dinheiro, principalmente os interesses do b€tão e daqueles que politicamente mandam em tudo e em todos porque têm muito dinheiro. Políticas nacionais e locais, pouco lhes interessam as aldeias, pois é opinião geral que o que é preciso é concentrar. Entretanto contradizem-se com outras políticas, principalmente as que estão ligadas a obras, pois não se compreende como tendo políticas que em tudo convidam ao abandono das aldeias, ao longo das últimas dezenas de anos se tenha investido tanto dinheiro em infra-estruturas para as mesmas. Parece-me haver aqui uma contradição qualquer e que só se justifica para garantir meia-dúzia de votos e trabalho para os amigos empreiteiros, aos quais, afinal, todos devem obediência. Dizem os entendidos que são ele(a)s que fazem mover a economia…
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Mas vamos a até Nogueira da Montanha, onde aqui há dias o seu presidente da junta me dizia que conhecia toda a gente da freguesia e até os contava de cabeça, se fosse preciso. E estamos a falar de uma das freguesias que mais aldeias tem, 11 no total, mas sem gente.
Nogueira da Montanha, freguesia, tinha em 2001 (Censos) 693 habitantes residentes. Só para termos uma ordem do significado destes números, em 1960 tinha 1520 habitantes residentes. Isto são números da freguesia, pois a Nogueira da Montanha, aldeia, em 2001 apenas tinha 35 habitantes dos quais só apenas 2 tinham menos de 20 anos. Os números não enganam e tirem deles as conclusões que quiserem.
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Nogueira da Montanha, é uma freguesia com a área de 16,43 km2, 693 habitantes e 944 eleitores, constituída pelas povoações de Nogueira da Montanha, Alanhosa, Amoínha Velha, Capeludos, Carvela, Gondar, Maços, Sandamil, Santa Marinha, Santiago e Sobrado. O Presidente da Junta de Freguesia é José Chaves, também ele um residente e resistente que se mostra cansado por lutar da freguesia.
A Aldeia está situada na serra do Brunheiro, a 800 metros de altitude, produzindo as culturas próprias da montanha: batata, centeio e castanha, como principais culturas, mas também um pouco de tudo e que é típico das hortas e da agricultura de proximidade das aldeias.
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Logo à entrada situa-se a grandiosa igreja paroquial de devoção a S. Miguel Arcanjo. Em 1848 este belo templo foi ampliado o que lhe terá retirado as sua primitivas características românicas, mas ainda bem visíveis o que lhe confere também e ainda a classificação como imóvel de interesse público. O interior é decorado extensamente com pinturas a fresco, representando sete estações da via sacra. O altar mor de matriz renascentista suporta também uma decoração barroca, na configuração da sua talha.
No centro, da aldeia concentram se estrategicamente o coreto, o chafariz, o tanque e o bebedouro, rodeados por um conjunto habitacional bastante degradado mas onde um castanheiro centenário (algumas centenas de anos) marca presença e continua a desempenhar a sua função e funciona quase como um ex-libris da aldeia .
Perto deste local situa se a capela de Santo António com uma decoração exterior em alto relevo, muito interessante.
É festejado, pelo menos na alma dos resistentes, o Santo no seu dia 13 de Junho. Festeja-se o arcanjo S. Miguel em 29 de Setembro e a Santa Bárbara em Agosto.
Além dos templos possui ainda um outro cruzeiro de fuste alongado e cilíndrico, encimado por uma pequena cruz, apoiada sobre uma esfera granítica.