Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Jun19

Sobrado - Chaves - Portugal

1600-sobrado (69)

 

Há uns bons anos que é hábito neste blog, os sábados serem reservados para as nossas aldeias do concelho de Chaves. Nesta nova ronda decidimos fazê-lo por ordem alfabética com fotografias que escaparam à seleção dos anteriores post’s. Assim, hoje toca a vez à aldeia do Sobrado.

 

1600-sobrado (10)

 

Sobrado que se localiza no planalto da Serra do Brunheiro, pertence à freguesia de Nogueira da Montanha, a pouco mais de 1 Km do limite do Concelho de Chaves/Valpaços, tendo como aldeias mais próximas a sede de freguesia (Nogueira da Montanha) e Gondar a Nascente, Alanhosa a Norte, Capeludos e Sandomil a Poente e Amoinha Velha a Sul. A aldeias mais próximas estão entre os 400 e os 600 metros de distância (Nogueira e Gondar) e as restantes a cerca de 1Km. A título de curiosidade, Sobrado fica num cruzamento de estradas mais ou menos orientadas conforme os pontos cardeais que ligam às aldeias atrás mencionadas.

 

1600-sobrado (59)

 

É uma das nossas aldeias de montanha e também das mais altas do concelho (como quase toda a freguesia), localizada a uma altitude de 825m, onde é bem real aquele dito que se aplica por cá, o dos 9 meses de inverno e 3 de inferno, mas por lá, o inverno é mesmo rigoroso, mas se tem este dói, também alguma coisa se aproveita deste rigor, principalmente do frio, bom para curar as carnes de porco e, também, conjuntamente com a terra, um clima ideal para nele se produzir batata de qualidade, mas não só.

 

1600-sobrado (52)

 

Olhem só para estas cebolas, até parecem de oiro, e são-no, principalmente nas mãos de uma boa cozinheira ou bom cozinheiro. Aliás no Sobrado calhou numa visita feita a pedido a um dos seus habitantes, ter encontrado e fotografado os ingredientes necessários para um manjar dos deuses, e se não é de todos os deuses, é pelo menos dos deuses transmontanos e de todos os transmontanos fiéis.

 

1600-sobrado (79)

 

Só não fotografei o azeite e o vinho, mas esses já todos sabemos que são condimentos ou companhia obrigatória na nossa cozinha e de uma boa mesa, aliás se todos os cozinheiros forem como eu, sem azeite, cebola e alho, não faço nada.

 

1600-sobrado (54)

 

Então já temos as cebolas, o feijão seco, umas carnes na salgadeira e a seguir vai ficar a imagem de uma cabeça de porco com todos os seus pertences e uns pezinhos. Ora que é que isto sugere!? – Uma palhada à transmontana, claro!

 

1600-sobrado (64)

 

Invejosos por não terem desta coisas!? não há problema, por cá, pelo menos os que acreditam, enxotam a inveja, os maus olhados, as bruxas, espíritos e outros males com uma   Ruta graveolens à porta ou no jardim. Esta da Ruta graveolens foi só para o armanço, o nome científico, pois por cá o que põem mesmo à porta é uma planta de arruda (que é a mesma coisa), e também denominada como arruda-fedida, arruda-doméstica, arruda-dos-jardins, ruta-de-cheiro-forte. A arruda é uma planta da família das Rutáceas. E podem crer que o cheiro da arruda é mesmo fedido (podem trocar o “e” por um “o”, porque o é mesmo.

 

1600-sobrado (11)

 

Embora a arruda também seja por alguns considerada uma erva medicinal, não é das ervas mais recomendadas, pois é muito forte e tóxica em todas as suas formas, e pode matar. Se a vir, deixe-a em paz com a sua função de enxotar invejas, maus olhados e outros, pois a medicina, mesmo a das ervas, é só para quem sabe, especialistas, pois se não for na dose certa, pode ir mesmo desta para melhor, passar férias para a terra, mas definitivas, por baixo dela! A mim basta-me o cheiro fedido para não me aproximar dela.

 

1600-sobrado (27)

 

Quanto à aldeia de Sobrado e ao seu topónimo, pode ter origem muito antiga dos tempos da Gallaécia, e afirmo isto porque ainda hoje na Galiza este topónimo é muito comum e tendo em conta a sua origem, encaixa perfeitamente na nossa aldeia, pois em português comum, sobrado é um pavimento de madeira, e não me parece ter aí a sua origem. Os nossos irmãos galegos explicam assim os seus “Sobrados”:

 

O topónimo Sobrado, para o que cómpre reconstruir un antigo superatu ou superato, “altura”, “que está sobre ou enriba”

 

Penso que não será necessária a tradução, pois o galego e o português, são quase a mesma coisa.

 

1600-sobrado (23)

 

Quanto a este nosso Sobrado, tem o seu núcleo antigo bem identificado, com um aglomerado de construções antigas, maioritariamente construídas em granito de pedra solta. Trata-se de um pequeno núcleo com cerca de 10 casas. A restante aldeia é de construções novas, dispersas, que foram construídas ao longo das estradas que ligam às aldeias vizinhas.

 

1600-sobrado (1)

 

Quanto ao seu povoamento atual, sendo uma aldeia de montanha, tem todas as condições para ser uma aldeia despovoada e com população envelhecida. Já assim o era em 2006 quanto tomei a maioria das fotografias que hoje vos deixo e como a tendência do despovoamento se tem mantido e nada, nem ninguém a contraria, hoje deve estar bem pior.

 

1600-sobrado (9)

 

Mas esteja com estiver nada nos impede de a deixar aqui, nem que seja e só para memória futura, mas sabemos que ainda há pessoas com fortes ligações a esta aldeia, e daí estar aqui com todo o direito e também ter direito àquele que começa a ser o nosso habitual vídeo de encerramento, como de costume, com todas as fotografias (ou quase todas, pois confesso que perdemos algumas) que foram postadas neste blog. Fica também o link para o caso de quererem aceder ao vídeo diretamente a partir do youtube:

 

https://youtu.be/8jm7-twOeBY

 

 

 

 

06
Abr19

Santa Marinha - Chaves - Portugal

1600-sta marinha (9)

 

Depois de já termos passado pelas terras de todos os santos do concelho de Chaves, estamos agora a entrar na reta final das santas, hoje é a vez da Santa Marinha, sendo a santa que se segue,  a Santa Ovaia. Mas hoje ficamos por Santa Marinha, uma das aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, do planalto da Serra do Brunheiro, deste nosso concelho de Chaves.

 

1600-sta marinha (62)

 

Iniciemos por conhecer Santa Marinha, mesmo a santa que dá o seu nome a nossa aldeia de hoje e que por sinal até é um topónimo mais ou menos frequente em Portugal, sendo a mesma santa, por exemplo, que dá nome à freguesia de Vila Nova de Gaia onde se localizam as caves do Vinho de Porto.

 

1600-sta marinha (1)

 

Íamos e vamos então conhecer a Santa Marinha que tem uma história curiosa com muitos traços da nossa lenda flaviense da Maria Mantela, só que aqui a história faz-se com raparigas e não com rapazes, como acontece com a Maria Mantela (lenda) e também o fim delas, que acabaram todas martirizadas e santas foi diferente das dos nossos rapazes, que apenas se ficaram por padres, quando ao resto, vejam já a seguir.

 

1600-sta marinha (16)

 

Pois reza assim a história:

Santa Marinha, virgem e mártir. Diz a tradição que tinha oito irmãs gémeas: Basília; Eufémia; Genebra; Liberata (também conhecida como Vilgeforte); Marciana; Quitéria e Vitória.

 

1600-sta marinha (3)

 

A lenda atribui-lhes a naturalidade na cidade de Braga, no ano 120. Seriam filhas de um casal de pagãos, Calcia e de um oficial romano, Lúcio Caio Atílio Severo, régulo de Braga, o qual, quando elas nasceram, estaria ausente da cidade. Entretanto, na cidade, não se acreditava que as gémeas pudessem ser filhas do mesmo pai. O acontecimento causou enorme embaraço à mãe que, teria encarregado a parteira Cita, de as afogar. Em vez disso a mulher, que era cristã, levou-as ao Arcebispo Santo Ovídio, para que as batizasse e lhes desse destino. Foram então entregues a amas cristãs, crescendo e vivendo perto umas das outras, até aos 10 anos de idade.

 

1600-sta marinha (60)

 

E continua assim a história:

Por esse tempo, o César romano ordenou aos delegados imperiais para ativarem a perseguição aos cristãos na Península Ibérica. Nessa perseguição, os soldados viriam a descobrir as gémeas, que foram detidas mercê das suas crenças, sendo levadas à presença do régulo. Este, acabou por constatar que elas, afinal, eram suas filhas. Quis convencê-las a renunciar à sua fé e a abraçar o paganismo. Porém, em face da sua resistência, mandou detê-las e enclausurá-las no Palácio. Sucedeu que as prisioneiras durante a noite, por intervenção sobrenatural ou com a ajuda da própria mãe, lograram alcançar a liberdade. Correndo em várias direções chegaram a províncias espanholas, donde se dispersaram. Todavia, Santa Marinha, teria sido apanhada nas proximidades de Orense, em Águas Santas, e condenada à morte, sendo aí degolada em 18 de Julho do ano 130, vindo as suas irmãs a ser também martirizadas.

 

1600-sta marinha (2)

 

Seja como for, Santa Marinha acabou por ser o topónimo da nossa aldeia de hoje. Uma pequena aldeia do Planalto do Brunheiro, implantada junto a um cruzamento que com estradas/caminhos que a ligam às aldeias mais próximas de France, Sandomil, Amoinha Velha e Amoinha Nova, esta última já do concelho de Valpaços, terra da famosa Bruxa da Amoinha.

 

1600-sta marinha (52).jpg

 

A aldeia de Santa Marinha implanta-se ao longo da estrada em dois pequenos núcleos, um mais antigo à volta da capela e um de construções recentes, mas ao todo são apenas cerca de 30 construções, contando habitações, armazéns, anexos e a capela, a caber tudo num círculo de 150m. Mesmo assim, não é a aldeia mais pequena do concelho, aliás todas estas aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, são muitas (11 no total) mas todas pequenas aldeias, talvez a exceção vá mesmo para Carvela já com dimensões médias.

 

aerea de santa marinha.jpg

Imagem do Google Earth

Claro que não vou recomendar uma visita obrigatória e propositada a Santa Marinha, pois a aldeia vê-se em 5 minutos e pessoas também poucas há, pelo menos na rua, mas pode acontecer que haja e com quem até podemos conversar um bocadinho, mesmo assim, também não vamos ficar uma tarde ou uma manhã a conversar, mesmo porque as pessoas tem os seus afazeres e há que respeitar a vidinha deles. Sempre pode dar dois dedos de conversa com os gatos, pelo menos eu falo com eles e eles até parece que me ouvem, isto se acordarem...

 

1600-sta marinha (4)

1600-sta marinha (6)

 

E poderão perguntar: - Então esta aldeia não é para visitar!? Claro que é, mas para aproveitar o tempo, que é sempre precioso (pelo menos para mim é) programe logo uma manhã ou uma tarde, ou até ambas, para visitar a toda a freguesia, e ai já terá 11 aldeias para visitar, e esta (visita) sim, recomendo, pois a freguesia tem por lá algumas coisas interessantes, como a igreja de Nogueira da Montanha e o seu castanheiro milenar (dizem!) capelas, cruzeiros, alminhas e sobretudo paisagens e muito casario tipicamente transmontano. Claro que algum desse casario está abandonado, outro em ruínas mas também as há de pé. Quanto ao povoamento, a palavra evoluiu para despovoamento, sendo Nogueira da Montanha uma das freguesias onde mais se faz sentir.

 

1600-sta marinha (50).jpg

 

Despovoamento, sim, não pelas terras que até são cultiváveis e dão produtos de qualidade, tal como a batata, mas são terras difíceis de viver, principalmente os Invernos rigorosos não são muito convidativos para se permanecer por lá, pelo menos ao ar livre e o seu rigor tanto se faz nas noites frias de geadas, como debaixo de nevoeiros que para nós, cá de baixo desde o vale o vemos como nuvens que se abatem sobre a serra.

 

Consultas:

http://www.memoriaportuguesa.pt/santa-marinha em 06/04/2019

 

21
Abr18

Nogueira da Montanha - Chaves - Portugal

1600-nogueira (283)

 

Esta primeira imagem é feita de pura ilusão. Real, sim senhor, é real, mas ilude e leva-nos a crer numa realidade que não existe lá no alto planalto da Serra do Brunheiro, em terras da freguesia de Nogueira da Montanha, freguesia e aldeia para onde vamos hoje, mais uma vez com o mesmo discurso, o do despovoamento rural.

 

1600-nogueira (258)

 

Embora o planalto do Brunheiro até seja feito de terras maioritariamente cultiváveis,  onde até é conhecida a excelência da qualidade dos produtos que lá se produzem, como por exemplo a batata, sempre teve todas as condições para convidar as pessoas a partir para melhor vida. Terras altas de invernos rigorosos, a terra altamente repartida, falta de uma política agrícola, falta de infraestruturas básicas, sem perspetivas para o futuro, etc. Tudo convidava à partida e o seu povo partiu, e se aguentaram por lá alguns séculos, foi porque então, se partissem e fossem para onde fossem, a realidade era a mesma, exceto nas grandes cidades, que para nós se resumiam a duas e onde gente não qualificada era mais escrava que na terra mãe.

 

1600-nogueira (243)

 

Mas os tempos mudaram, felizmente, e desde que a educação passou a ser uma das nossas prioridades ou uma das nossas necessidades como a modernidade o exigia, os horizontes alargaram-se e passou a existir vida para além das leiras das aldeias, bem melhor,  e que ia além da subsistência. A emigração passou a ser um convite sério, num ano ou dois deixava-se de andar a conduzir carros de bois carregados com quase nada para passarem a conduzir um popó todo janota, bem melhor do que aquele que os bem remediados e alguns mais abastados tinham por cá. Em meia dúzia de anos construíram casas novas, com novos materiais, cozinhas todas xpto, etc. Certo que a vida de emigrante não era fácil, mas o suor que lhes corria nas faces era cambiado por dinheiro e não por batatas, centeio, nabos que em anos maus nem davam para as despesas e em anos bons, muitas das vezes apodreciam nos armazéns…

 

1600-nogueira (214)

 

Mas não foi só a emigração. De novo a educação teve um papel importante no abandono do mundo rural. Os mais remediados que não emigraram e não abandonaram as terra, mandaram os filhos descer ao vale para continuar os estudos além das primeiras letras e números aprendidos na escola da aldeia. Fizeram o secundário e mediante as possibilidades dos remediados, continuaram os estudos em cursos médios ou superiores, formaram-se, tudo com cursos virados para a cidade, para os grandes centros onde poderiam exercer as profissões para que estavam habilitados, e a aldeia passou a existir apenas no natal,  na páscoa, às vezes no carnaval, no dia da festa da aldeia, na morte de um familiar próximo, ou numa ou outra visita ocasional de fim de semana para visitar os seus, matar algumas saudades e meter uns sacos de batatas, umas chouriças e uns garrafões de vinho e azeite na mala do carro.

 

1600-nogueira (229)

 

Os mesmos iluminados de sempre, os de Lisboa, pensaram e bem numa educação para todos, se possível superior, mas esqueceram-se de vocacionar esses cursos e de pensar o mundo rural com políticas apropriadas para os novos formados poderem nele fazer o seu futuro se assim o desejassem, contribuindo assim para o nosso desenvolvimento e para um Portugal mais igual. Está tudo nos livros em que estudaram, senhores de Lisboa que muitos deles saíram destas aldeias,  mas que a sedução de outros interesses os levou à cegueira, para com facilmente esquecerem ou ignorarem uma realidade, que muito bem conhecem, onde deixarem nela os seus resistentes, que alguns até são avós, pais, irmãos, tios, primos…

 

1600-nogueira (201)

 

Quase todas as aldeias que em tempos foram das melhoras aldeias,  com gente maioritariamente remediada com o suficiente para estudarem os filhos, hoje estão à beira da falência e do total abandono. Nogueira da Montanha é uma delas. Há coisa de um ano, quando passei por lá para mais uma recolha de algumas imagens, vi de passagem apenas uma pessoa, que até poderia nem ser de lá. Na aldeia vizinha, também com apenas meia-dúzia de pessoas, disseram-me que em Nogueira apenas resistiam três pessoas... Vai sendo esta a triste realidade das nossas aldeias.

 

1600-nogueira (182)

 

Mas o que mais dói no meio de todo este abandono, não são as casas fechadas, degradadas ou em ruínas, nem as ruas sem gente, o tanque sem lavadeiras, os pátios sem animais. Tudo isso pode ser reposto num futuro próximo ou mais distante, o que mais dói é a cultura rural ainda com algum comunitarismo que se vivia nas aldeias, os saberes e sabores, folclore e tradições que ao longo de séculos existiram e que iam passando de geração em geração. Tudo isso se perdeu ou está em vias de se perder na maioria das nossas aldeias, e seja qual for o futuro das nossas aldeias, nunca mais voltarão a ser como eram.

 

 

 

 

08
Fev15

Era uma vez Nogueira da Montanha...

1600-nogueira (138)

Hoje fazemos uma breve passagem por Nogueira da Montanha, que tal como o topónimo indica fica na montanha, ou melhor no planalto, bem lá em cima por trás da Serra do Brunheiro que se avista desde a cidade (de Chaves, claro).

1600-nogueira (168)

Pois embora até seja a aldeia que dá nome à freguesia, a uma das que mais aldeias tem — onze no total, é, segundo me dizem pois não tenho confirmação, a estar completamente despovoada, pelo menos de Inverno e, se não está para lá caminha. Verdade, verdadinha, é que das últimas vezes que lá fui não vi vivalma.

1600-nogueira (174)

É, é assim a triste realidade à qual as nossas aldeias, principalmente as de montanha, estão condenadas, e NINGUÉM FAZ NADA por contrariá-la.

 

 

 

04
Jan14

Pelo Planalto do Brunheiro

 Carambelo no Planalto do Brunheiro - imagem de arquivo

 

Tarde de 30 de dezembro do ano que recentemente nos deixou. Desde o vale, olhei para a coroa da Serra do Brunheiro e estava num daqueles dias de coroa coberta com nevoeiro quando às vezes acontece um fenómeno meteorológico, quando ar húmido do vale sobe pela encosta fora e quando chega à coroa da serra, em contacto com as temperaturas negativas, congela contra tudo que é obstáculo, criando um espetáculo de verdadeiras esculturas de gelo que por cá também se conhece por carambelo e/ou carambina. Pois é, às vezes acontece esse fenómeno, mas só às vezes, pois na maioria das vezes o nevoeiro que se vê na coroa da serra, não passa mesmo de nevoeiro. Foi o que aconteceu na tarde de 30 de dezembro.

 

 Entrada do adro da igreja de Carvela

Já não é a primeira vez que recorro ao pretexto do carambelo para subir a serra e pela certa que não foi a última vez. O que eu queria mesmo era ir à coroa da serra, monitorizar que o despovoamento é também um fenómeno que aconteceu ao longo destes últimos anos 30 anos, mas contrariamente às causas naturais dos fenómenos meteorológicos, este do despovoamento, é por outras causas des(humanas), politicas e económicas, e bem longe de serem naturais, antes resultado de perversidades de quem nada se interessa pelas pessoas, pelo povo, pela nossa cultura, pela nossa história.

 

Rua da aldeia de Maços  

Nogueira da Montanha é uma freguesia composta por 11 aldeias e os números não enganam, pois segundo os últimos Censos a população da freguesia (das 11 aldeias) pouco mais é do que 500 pessoas o que se estivessem repartidas equitativamente pelas aldeias da freguesia, daria pouco mais de 45 pessoas por aldeia, só que, algumas destas aldeias já hoje estão praticamente despovoadas na sua totalidade, como é o caso da sede de freguesia – Nogueira da Montanha.

 

Largo principal da aldeia de Nogueira da Montanha

 

Parece que também a natureza se quer associar a este fenómeno do despovoamento, mandando para lá o nevoeiro para compor o quadro da melancolia que já por si faz as horas melancólicas dos dias de quem resiste na montanha e no planalto do Brunheiro, nevoeiro que parece também toldar a visão e as mentes dos que se sentem iluminados pelas luzes da ribalta das cidades e do poder.

 

Rua principal da aldeia de Nogueira da Montanha

Enfim, como eu costumo dizer -  com uns bons estadulhos resolvia-se depressa isto tudo – mas infelizmente já não há que os faça e,  com o tempo, vai acontecer o mesmo que aconteceu ao engaço de outros tempos, nem sequer vão saber o que é um estadulho. E com esta vos deixo e com ela me vou.

 

As fotos, com exceção da primeira que é de arquivo, as restantes são do dia 30 de dezembro passado.

 

 

13
Jan13

Nogueira da Montanha

 

Para quem está no vale de Chaves e olha para o maciço principal da Serra do Brunheiro, a partir da sua coroa são terras da freguesia de Nogueira da Montanha. 11 aldeias no total que comungam do planalto do Brunheiro e do rigor das suas terras e invernos. Mais perto do céu, mas apena em altura, pois de resto, e por muito que se amem aquelas terras, o convite tem sido de abandono. Hoje, são 529 (Censos 2011) os resistentes divididos pelas 11 aldeias, e a grande maioria são idosos.




Não admira assim que o casario esteja dotado ao abandono, as portas fechadas e as ruas desertas. É esta a realidade do nosso interior rural, esquecido, ostracizado. E com eles se vai perdendo a identidade de um povo.  


As imagens são da aldeia de Nogueira da Montanha, sede de freguesia.





28
Abr12

Santa Marinha - Nogueira da Montanha - Chaves - Portugal

Nos últimos fins-de-semana tenho dado preferência às aldeias que menos representadas estão aqui no blog em imagem, pelo menos em quantidade. Percorrendo o arquivo do blog dei-me conta que Santa Marinha era uma dessas aldeias pois até hoje apenas tinha tido direito a meia dúzia de imagens. Recorrendo ao meu arquivo fotográfico, dei também conta que de Santa Marinha tinha poucas imagens e motivos, muito menos. Havia que lá ir de novo à caça de imagens, e fui. No último fim-de-semana toca a ir pelo Brunheiro acima, pelo sítio do costume, ou seja Peto de Lagarelhos, Lagarelhos e depois a opção de ir por um lado e vir pelo outro. Optei por ir pelas bandas de Santiago.  

 

 

Lá em cima, já no planalto do brunheiro, gosto de andar às voltas e fazê-las ao contrário. Assim, em vez de ter ido direto a Santa Marinha, resolvi primeiro passar por Gondar e depois Nogueira da Montanha. Na montanha todas as aldeias são interessantes, mas é angustiante entrar nelas e não ver vivalma, não fosse aquilo a que parecia ser a hora do recreio na escola primária de Nogueira da Montanha, e pensaria ter entrado numa aldeia deserta, despovoada de vida, onde apenas o milenar (dizem que é) castanheiro do largo insiste em resistir e todos os anos dizer presente.

 

 

Como de Nogueira tenho fotos em arquivo de anteriores passagens e desde então nada mudou, rumei então a Santa Marinha. Lá chegado, compreendi a razão do meu arquivo estar tão despovoado de imagens na pasta de Santa Marinha, pois esta aldeia é uma das mais pequenas do concelho e por isso, por lá não abundam muitos motivos e, aqueles que despertavam para um clique, já as tinha registado em passagens anteriores.

 

 

Curiosamente há poucas casas mas há sempre vida na aldeia. Pouca porque gente também é pouca, mas há gente e à boa maneira antiga, também há sempre animais. Nos registos anteriores, eram mais gatos, desta vez a receção foi feita por um cão, daqueles que metem respeito e costumam guardar os rebanhos da montanha e que, têm cabedal suficiente para arrumar ou pelo menos afugentar um lobo. Olhou para nós, fez questão de se manifestar e dizer que estava presente, mas como entendeu que íamos por bem, resolveu deitar-se à beira da estrada a descansar o corpo, mas sempre de olho ou ouvido nos intrusos.

 

 

Voltando à aldeia, onde as casas novas ainda se erguem e onde também há novas recuperações de antigas construções. No entanto, como o casario novo não me atrai, pelo menos para trazer aqui em imagem, fui-me repetindo e ficado em olhares pelas construções mais antigas e nas recuperações da Rua do Rei que sempre vão mostrando o ar da graça do granito à vista nas paredes. Claro que a capela também é de registo obrigatório, nem que seja por estar lá aconchegadinha no meio das casas onde até a sua simplicidade lhe dá alguma graça.

 

E por terras de Santa Marinha é tudo, por hoje, pois dentro das imagens possíveis e olhares seletivos, pela certa que ainda passará por aqui mais vezes.

 

 

10
Jan10

Mosaico de Nogueira da Montanha



Localização:

A sede de Freguesia (Nogueira  da Montanha) fica a 15 km da cidade de Chaves. No entanto a aldeia mais próxima de Chaves é Santiago, a 11 Km e as mais distantes são Santa Marinha e Amoinha Velha, a cerca de 18 Km.

 

Em termos de localização geográfica, situa-se na orla sudeste do território flaviense. Como localização “facilitada”, para quem está em Chaves, a freguesia situa-se em terras do planalto alto da Serra do Brunheiro ou sejam aquelas que estão além do cume do Brunheiro (visto de Chaves).

 

.

.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Moreiras, São Pedro de Agostém, Samaiões, Vilar de Nantes, Cela e toca num ponto a freguesia de São Julião de Montenhegro. Confronta ainda com as freguesias de Friões e Serapicos, estas do concelho de Valpaços.

 

Coordenadas: (adro da Igreja de Nogueira)

41º 39’ 41.96”N

7º 25’ 53.70”W

 

Altitude:

Variável – Todas as aldeias da freguesia estão acima da cota dos 825m, atingindo-se a cota mais alta na aldeia de Carvela  onde ronda os 900m

 

.

Foto de Arquivo - Post de Nogueira

.

 

Orago da freguesia:

São Miguel

 

Área:

16.43 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 314, existindo a partir desta três acessos: Um imediatamente a seguir a Lagarelhos (Via Santiago do Monte) e os outros dois a partir da aldeia de France (um via Sandamil e Capeludos outro via Santa Marinha).

 

Por estradão em terra batida (só para todo-terreno) também se pode fazer o acesso através da Serra do Brunheiro (com início em Vilar de Nantes ou Izei) ou ainda via S.Lourenço, Cela, Tresmundes, Carvela). Sem dúvida que estes itinerários pela serra são os mais interessantes e a pavimentação entre Tresmundes e Carvela exige-se por ser uma ligação importante entre a Estrada de Valpaços e a EN 314.

 

Acessos (a partir de Vidago):

– Estrada Nacional 311-3 até à E.N. 314 (Peto)

 

.

 

.

 

 

Aldeias da freguesia:

 

A par da freguesia vizinha de São Pedro de Agostém, com o mesmo número de aldeias, Nogueira da montanha é a freguesia que possui mais aldeias, num total de 11, a saber:

 

            - Nogueira da Montanha

            - Alanhosa

            - Amoinha Velha

            - Capeludos

            - Carvela

            - Gondar

            - Maços

            - Sandamil

            - Santa Marinha

            - Santiago do Monte

            - Sobrado

           

 

População Residente:

 

Embora seja uma freguesia relativamente grande em área (comparativamente com as restantes) e grande em número de aldeias, nem por isso o é em termos de população.  Só a título de exemplo, as 11 aldeias da freguesia têm menos 187 habitantes que a aldeia de Faiões ou menos de 162 habitantes que a aldeia de Vila Verde da Raia. Pelos números, é uma boa freguesia tipo rural e de montanha, onde o êxodo das populações mais se fez sentir, ao contrário das aldeias do Vale de Chaves ou de proximidade da cidade, que mantiveram ou subiram em termos de população residente.

 

Também a título de curiosidade, dividindo a população residente (CENSOS 2001) na freguesia pelas 11 aldeias, toca a cada aldeia 63 habitantes. Sabe-se no entanto que algumas das aldeias hoje estão muito aquém deste número. Números que pela certa vão garantir a continuação de uma descida acentuada nos próximos CENSOS de 2011. Para o próximo ano cá estaremos para saber a realidade actual do concelho.

 

Ficam alguns números desde 1900 até 2001:

 

            Em 1900 – 915 hab.

            Em 1920 – 1055 hab.

Em 1940 – 1060 hab.

            Em 1960 – 1520 hab.

            Em 1981 – 1155 hab.

            Em 1991 – 854 hab.

            Em 2001 – 693 hab.

 

.

.

 

Principal actividade:

- A agricultura que se desenvolve ao longo da fértil planalto, onde a batata é rainha, não só em termos de produção mas também de qualidade. Também a castanha se dá bem por terras do planalto.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

A paisagem encanta. Paisagem típica de planalto com muitas terras de cultivo (agora menos) desenhadas e contornadas por pequenas florestas de carvalhos onde de quando em vez se erguem majestosos castanheiros, alguns (diz a lenda) com mais de 1000 anos, tal como acontece com os que estão no largo principal da sede de freguesia. Paisagem que ganha um especial interesse na Primavera e no Outono, contudo as de Inverno podem ser ainda mais interessantes quando coberta de neve ou gelo que pela espessura que este último chega a atingir e da maneira como ele se “agarra” à vegetação, parecem autênticos nevões. Já adivinharam que é terra de invernos rigorosos, com o tal frio que às vezes é de cortar à faca ou do outro bem pior, daquele que se sente debaixo de nevoeiros que às vezes duram semanas, daquele que entra dentro do corpo e “tolhe os ossos”. De Verão, por estar mais perto do céu, a freguesia torna-se mais luminosa, quente e seca, mas de vez e quando, não dispensa os seus ares de montanha.

.

Foto de Arquivo - Post de Santiago

.

 

Em termos de arqueologias, tem um riquíssimo património contando-se diversas estações que testemunham ocupações proto-históricas, da romanização e alti-medievais. Bem próxima da aldeia de Santiago do Monte, a uma cota já próxima dos 900 metros, encontram-se restos de um povoado fortificado castrejo conhecido por Castros de Santiago do Monte e considerado imóvel de interesse público desde  1990. Aliás é um dos pontos de interesse turístico da região incluído em todos os roteiros turísticos e visitado por milhares de pessoas ao longo do ano. O que está a sublinhado e itálico é uma mentira do tamanho deste mundo que bem poderia ser verdadeira, no entanto no local ou na proximidade, nem sequer à referências à sua existência…

 

Continuando. Digna de realce é também a Igreja Paroquial de invocação a S.Miguel. Trata-se de uma estrutura de raiz românica com algumas alterações posteriores. Mais tardia, mas de construção e tradição românica, realça-se também a Igreja de Carvela com um pórtico em arco redondo.

.

Foto de Arquivo - Post de Nogueira

.

 

A juntar ao Românico há a realçar (quase uma por aldeia) as capelas, as fontes de mergulho, nichos de alminhas e alguns cruzeiros cobertos, destes últimos, alguns não resistiram ao “encanto da modernidade” e foram fechados com caixilharias de alumínio e vidro que vai destoando de algum encanto que ainda conservam os núcleos das aldeias, com as suas construções típicas do granito, em quase todas as aldeia, deterioradas e abandonadas. Há também, poucos, mas interessantes exemplares arquitectónicos da casa solarenga, com destaque para as casas dos Barradas e dos Sargentos.

 

Sem dúvida uma freguesia que pode ser indicada (em tudo) como um exemplar típico de freguesia rural de montanha e, embora sinta bem fundo as maleitas do êxodo da sua população, tornando-se  numa freguesia de resistentes, não perdeu contudo o seu encanto que aconselha olhares de apreciação.

 

.

Foto de Arquivo - Post de Carvela

.

 

 

Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

Fica então link para o post alargado de cada uma das aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, embora quase todas tenham outros post’s dedicados, mas mais breves. Post’s sobre Nogueira da Montanha que pela certa continuarão aparecer por aqui, pois a freguesia tem muitos mais encantos para mostrar. Para já, tudo que de mais importantes por lá recolhi, está em cada um dos post’s alargados que a seguir deixo link:

 

            - Nogueira da Montanha: http://chaves.blogs.sapo.pt/332461.html

            - Alanhosa: http://chaves.blogs.sapo.pt/329404.html

            - Amoinha Velha: http://chaves.blogs.sapo.pt/315312.html

            - Capeludos: http://chaves.blogs.sapo.pt/356814.html

            - Carvela: http://chaves.blogs.sapo.pt/226682.html

            - Gondar: http://chaves.blogs.sapo.pt/324242.html

            - Maços: http://chaves.blogs.sapo.pt/237521.html

- Sandamil: http://chaves.blogs.sapo.pt/350080.html

- Santa Marinha: http://chaves.blogs.sapo.pt/432481.html

            - Santiago do Monte: http://chaves.blogs.sapo.pt/239658.html

            - Sobrado: http://chaves.blogs.sapo.pt/352357.html

 

 

 

 

 

 

           

 

23
Nov08

Nogueira da Montanha - Chaves - Portugal

 

.

 

Mais uma vez vamos até lá acima, bem no alto da montanha, mais propriamente para as terras altas da Serra do Brunheiro, onde esta termina em altura num grande planalto por onde se estende toda a freguesia de Nogueira da Montanha e a própria aldeia de Nogueira, também da Montanha.

 

.

 

.

 

E voltamos ao despovoamento, assim e já de entrada, pois se há aldeias que o conhecem bem, Nogueira da Montanha, é uma delas, mesmo sendo a sede de freguesia.

 

O que deixo por este blog é a minha opinião pessoal e tenho consciência que não sou detentor de toda a verdade e conhecimento, mas enquanto não me provarem o contrário, sou o teimoso bastante para continuar por aqui a defender as minhas ideias. Tudo isto a respeito do despovoamento das aldeias, pois sei que há quem defenda o seu abandono total e a concentração de todos em grandes centros, onde as pessoas possam ter acesso a “tudo” em qualidade e quantidade a um custo mínimo, pois todas as infra-estruturas necessárias estariam concentradas num único local, onde em princípio já existem.

 

.

 

.

 

Como costumo dizer, calhou nascer em Chaves e tenho muito orgulho em ser flaviense e trasmontano, por isso optei por viver na terra que me viu nascer. Precisamente (e embora todos sejamos iguais) ganhamos esse orgulho pela nossa terra, pela nossa identidade de flavienses, e pela nossa diferença em relação a minhotos, algarvios, alentejanos ou beirões. Somos iguais mas também naturalmente diferentes. Diferença que se vai fazendo desde o berço em todas as nossas vivências, quer em gastronomia, usos, costumes e por tudo que nos é comum e nos une. Até o frio dos Invernos rigorosos ou os verões de inferno se entranha em nós e faz de nós sermos diferentes do pessoal do sul.

 

.

 

.

 

Mas sou flaviense em toda a plenitude por opção, mas também porque tive oportunidade de aqui poder viver, trabalhar, constituir família e de poder viver com dignidade. Esta opção e direito que tenho de viver na minha terra dignamente deveria ser para todos e, se há gente das nossas aldeias que gostam da sua aldeia como eu gosto da minha (porque afinal Chaves não passa de uma aldeia grande), porquê não poderem também nela viverem dignamente, por opção.

 

.

 

.

 

Temos direito à nossa diferença, contrariamente àquilo que nos querem impingir e obrigar de há umas dezenas de anos para cá, em concentrar tudo em grandes centros, todos iguais, sem identidade, sem usos e costumes, sem o que é típico e de bom tem cada “raça”, tudo concentrado em ruas na vertical de caixotes de betão onde não existem vizinhos e a vida e alegrias das pessoas se desenvolve no trabalho alimentados por comida empacotada, em comunidades fechadas em que quase nem se tem direito à família. Em suma, onde não se tem direito à qualidade de vida e as poucas raças e vidas que teimam em resistir à concentração são remetidos para guetos e problemas.

 

.

 

.

 

A meu ver todas as políticas de concentração têm demonstrado que estão erradas e descambam em desemprego, crimes, droga, racismo, e cada vez mais na diferença entre ricos e pobres. Em suma a concentração e as suas políticas têm tudo de mau que uma sociedade pode ter e incrivelmente é para esses grandes centros e sociedade que os governos orientam as suas políticas e governam, orientados (claro está) pelo grande capital que às vezes por tão agressivo que é, esquecem que há gente, pessoas de carne e osso que vive e tem direito a viver dignamente…mas pouco se interessam com isso, pois a modernidade do grandioso é que conta. A história ditará o grande boom que foi o século XX e XXI se houver futuro para se fazer história, e isto tudo graças às grandes concentrações e aos grandes centros, metrópoles e modernismos e grandiosidades de um egoísmo que se alimenta num viver dia a dia sem qualquer preocupação de futuro para os nossos filhos e netos.

 

.

 

.

 

As aldeias estão mortas, apenas os resistentes lhe resistem e, até estes (maioritariamente) não o fazem por opção, mas porque idosos, são obrigados a isso e contudo, nas aldeias e pequenos centros existe de tudo para se viver com dignidade e com qualidade de vida, desde que as políticas também lhes dêem  iguais oportunidade de poderem trabalhar e sacar da terra o sustento para uma vida digna e com qualidade.

 

.

 

.

 

Já sabemos do que as aldeias vivem e podem viver, ou seja,  vivem da terra e do que a terra dá. Agricultura, pecuária e florestas, com tudo que lhe está associado e que lhe tem estado associado ao longo dos séculos, com as pequenas indústrias caseiras e familiares de produtos de qualidade indiscutível. Mas também aqui as políticas agrícolas têm sido de concentração e de interesses do grande capital, onde os pequenos e até médios agricultores não cabem nem têm direitos. Os nossos ministros da agricultura têm ao longo dos anos negociado com a Europa quotas e subsídios, principalmente estes últimos, pouco se interessando com a agricultura e com o país real do interior, onde a o que se produzia era de qualidade e quando muito precisava era de ser apoiado e orientado tecnicamente no terreno e arranjar-lhes mercado sem muitos intermediários de modo a todos beneficiarmos de que se produz de bom nas nossas terras.

 

.

 

.

 

Chaves é terra de batata e de qualidade. Todas as terras de planalto produzem batata de qualidade. As freguesias de Travancas e Nogueira da Montanha (por serem terras de planalto)  são duas  das freguesias flavienses que produzem da melhor batata que há e que faz a delícia de qualquer mesa. Pessoalmente costumo comprar batata directamente ao agricultor e/ou aos nossos armazenistas. Pois nestes últimos, quando por lá vou comprar batata para o dia-a-dia, a pergunta é sempre a mesma – Da nossa ou da francesa?. Nem sabem como esta pergunta me irrita, pois pertencemos à terra da melhor batata e abanam-me com as francesas! Mas pior ainda, é que, por todo o lado onde se vende batata em Chaves, principalmente nas grandes superfícies implantadas em Chaves, a batata não é de Chaves. E o que acontece com a batata, acontecem com todos os produtos da terra, e porquê!? Políticas agrícolas erradas, desde sempre erradas, que se discutem nos corredores de Lisboa ou num avião a caminho da Europa, enquanto que aqui pelo interior rural, o que a terra tem de melhor, não tem apoio sustentado nem escoamento, porque não há um mecanismo concertado para o escoamento daquilo que se produz.

 

.

 

.

 

O mal das políticas agrícolas para as nossas aldeias está precisamente nos subsídios para isto e aquilo, no dinheiro fácil e rápido que enriquece alguns e cala outros sem haver uma preocupação com a agricultura propriamente dita. Dinheiro que só é para alguns, principalmente para quem pouco ou nada tem a ver directamente com a agricultura, mas para os espertos de sempre que plantam e arrancam conforme o subsídio é para isto ou para aquilo, tal como o subsídio dos tractores, que na maioria são utilizados para outros fins, até para ir à missa ou descer à cidade, mas poucos para lavrar os campos. E toda a gente sabe isto, mas os nossos ministros em vez de se preocuparem com a agricultura propriamente dita, continuam entretidos em negociar subsídios e quotas enquanto os nossos campos cada vez mais estão entregues ao abandono, porque a realidade é, que cultivar os campos cada vez é mais caro e não conseguem concorrer com os produtos “plastificados” do exterior. Mas para os responsáveis pelas políticas agrícolas, isso pouco interessa, e as pessoas, o povo do interior que está envolvido com a agricultura como um modo de vida, ainda interessa menos,  pois a sua passagem dos políticos pelas pastas da agricultura é efémera e não faz carreira, pois apenas serve para enriquecer mais alguns amigos e marcar pontos para um tacho após a passagem política. Enquanto isto, as nossa aldeias ficam despovoadas porque lhe roubam o único modo de vida que têm: a agricultura.

 

.

 

.

 

Tudo que se tem feito nos últimos anos em relação às aldeias está errado (é a minha opinião) e tudo tem sido um convite para o seu abandono e para a tal concentração em grandes centros, onde também há a concentração das tais infra-estruturas, mas também muita concentração de interesses de quem tem dinheiro, principalmente os interesses do b€tão e daqueles que politicamente mandam em tudo e em todos porque têm muito dinheiro. Políticas nacionais e locais, pouco lhes interessam as aldeias, pois é opinião geral que o que é preciso é concentrar. Entretanto contradizem-se com outras políticas, principalmente as que estão ligadas a obras, pois não se compreende como tendo políticas que em tudo convidam ao abandono das aldeias, ao longo das últimas dezenas de anos se tenha investido tanto dinheiro em infra-estruturas para as mesmas. Parece-me haver aqui uma contradição qualquer e que só se justifica para garantir meia-dúzia de votos e trabalho para os amigos empreiteiros, aos quais, afinal, todos devem obediência. Dizem os entendidos que são ele(a)s que fazem mover a economia…

 

.

 

.

 

Mas vamos a até Nogueira da Montanha, onde aqui há dias o seu presidente da junta me dizia que conhecia toda a gente da freguesia e até os contava de cabeça, se fosse preciso. E estamos a falar de uma das freguesias que mais aldeias tem, 11 no total, mas sem gente.

 

Nogueira da Montanha, freguesia, tinha em 2001 (Censos) 693 habitantes residentes. Só para termos uma ordem do significado destes números, em 1960 tinha 1520 habitantes residentes. Isto são números da freguesia, pois a Nogueira da Montanha, aldeia, em 2001 apenas tinha 35 habitantes dos quais só apenas 2 tinham menos de 20 anos. Os números não enganam e tirem deles as conclusões que quiserem.

 

.

 

.

 

Nogueira da Montanha, é uma freguesia com a área de 16,43 km2, 693 habitantes e 944 eleitores, constituída pelas povoações de Nogueira da Montanha, Alanhosa, Amoínha Velha, Capeludos, Carvela, Gondar, Maços, Sandamil, Santa Marinha, Santiago e Sobrado. O Presidente da Junta de Freguesia é José Chaves, também ele um residente e resistente que se mostra cansado por lutar da freguesia.

 

A Aldeia está situada na serra do Brunheiro, a 800 metros de altitude, produzindo as culturas próprias da montanha: batata, centeio e castanha, como principais culturas, mas também um pouco de tudo e que é típico das hortas e da agricultura de proximidade das aldeias.

 

.

 

.

 

Logo à entrada situa-se a grandiosa igreja paroquial de devoção a S. Miguel Arcanjo. Em 1848 este belo templo foi ampliado o que lhe terá retirado as sua primitivas características românicas, mas ainda bem visíveis o que lhe confere também e ainda  a classificação como imóvel de interesse público. O interior é decorado extensamente com pinturas a fresco, representando sete estações da via sacra. O altar mor de matriz renascentista suporta também uma decoração barroca, na configuração da sua talha.

 

No centro, da aldeia concentram se estrategicamente o coreto, o chafariz, o tanque e o bebedouro, rodeados por um conjunto habitacional bastante degradado mas onde um castanheiro centenário (algumas centenas de anos) marca presença e continua a desempenhar a sua função e funciona quase como um ex-libris da aldeia .

 

Perto deste local situa se a capela de Santo António com uma decoração exterior em alto relevo, muito interessante.

 

É festejado, pelo menos na alma dos resistentes, o Santo no seu dia 13 de Junho. Festeja-se o arcanjo S. Miguel em 29 de Setembro e a Santa Bárbara em Agosto.

 

Além dos templos possui ainda um outro cruzeiro de fuste alongado e cilíndrico, encimado por uma pequena cruz, apoiada sobre uma esfera granítica.

 

 

 

Sobre mim

foto do autor

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

15-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      A minha terraÉ este chão antigoonde o fermento do ...

    • Anónimo

      não indique onde se encontra, rua etc..

    • Fer.Ribeiro

      Olá Soledade, quando li o comentário, assustei-me,...

    • Anónimo

      SÓ fui uma vez a Via Frade mas gostei muito da ald...

    • Anónimo

      Foi uma surpresa para mim encontrar este meu texto...

    FB