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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Jun20

O Barroso aqui tão perto - Freguesias de Vilar e S. Salvador de Viveiro

Freguesias de Barroso - Concelho de Boticas

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Tal como tínhamos prometido no início desta ronda pelas aldeias de Barroso do concelho de Boticas, após a conclusão de todas as aldeias de uma freguesia, traríamos aqui um post resumo dedicado à freguesia. Pois temos concluídas todas as aldeias da freguesia de Vilar e São Salvador de Viveiro, daí, estarmos aqui hoje com o post resumo desta freguesia, com alguns dados dos seus dados gerais, e aproveitamos também a ocasião para trazer aqui alguns temas dos hábitos comunitários das aldeias de Barroso, hoje o tema será o da  “A Bênção do Gado”.

 

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Localização da freguesia de Vilar e S. Salvador de Viveiro

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Evolução do número de habitantes das antigas e atual freguesia

 

 

Antigas freguesias de Vilar e São Salvador de Viveiro.

 

A freguesia de Vilar é uma das mais antigas freguesias de Barroso, aparecendo já nos censos de 1864 a 1930, com a sua antiga designação de freguesia de Vilar de Porro. Pelo decreto-lei nº 27,424, de 31/12/1936, foi-lhe dada a designação de Vilar.

 

Por sua vez, a freguesia de São Salvador de Viveiro é muito mais recente, pois apenas foi criada em 1967 - Pelo decreto lei nº 47.516, de 28/01/1967, com lugares desanexados da freguesia de Covas do Barroso.

 

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Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de São Salvador de Viveiro é extinta. Sendo anexada a outra freguesia. Pela lógica, pensamos nós que deveria ser anexada à freguesia de onde foi desanexada (Covas de Barroso), mas não, foi anexada à freguesias de Vilar, passando esta nova freguesia a designar-se por Vilar e São Salvador de Viveiro.

 

Assim sendo, a história da freguesia de Vilar e São Salvador de Viveiro anexadas é muito recente, pelo que faremos a abordagem desta atual freguesia a partir das antigas freguesias de Vilar e antiga freguesia de São Salvador de Viveiro.

 

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Antiga freguesia de Vilar

 

Evolução da População na Freguesia.

 

Nos anos de existência deste blog tenho-me dedicado um bocadinho ao estudo da evolução da população das nossas freguesias,  e salvo raras exceções, pegando nos números dos Censos desde 1864 até 2011, podemos dizer que o comportamento das linhas do gráficos e respetivas linhas de tendência,  são idênticas para todas as freguesias, apenas alteram os valores, ou seja, existe uma linha de tendência de subida de população desde 1864 até 1960, com a única exceção dos valores de 1920, onde há uma notória descida, que está perfeitamente explicada por três fatores. O primeiro o da I Grande Guerra, segundo, um bocadinho dependente da primeira, um forte onde de emigração para o Brasil e o terceiro, o da pandemia de 1918/19, a pneumónica (ou gripe espanhola) que dizimou entre 60.000 a 100.000 portugueses, isto numa altura em que a população portuguesa era cerca de metade da atual (pouco mais de 6 milhões de habitantes).  A partir de 1960, a forte onda de emigração para a Europa e a migração interna para os grandes centros e cidades em geral, faz com que a linha de tendência desça abruptamente em direção ao zero, o que é preocupante, bem preocupante, pois a manter-se esta tendência, dentro de 20 anos as aldeias ficam sem população. Esperemos mais um ano, pelos Censos de 2021, para ver onde isto vai parar. Fica então o gráfico de Vilar:

 

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Evolução da população desde o Censos de 1864 a 2011

 

Alguns dados da freguesia

 

Localização geográfica: A freguesia de Vilar situa-se na parte Centro/Este do concelho de Botica.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 8 km

Acesso viário: Pela ER 311, virando na indicação Vilar segue-se pela EM 528

Área total da freguesia: 12,1 km2

Localidades:  Carvalho e Vilar, sede de freguesia

População: 238 habitantes[i]

Orago: Nossa Senhora da Guia

 

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Festas e Romarias:

- Nossa Senhora da Guia, 15 de Agosto, Vilar

- Senhor dos Milagres, 1º domingo de Setembro, Vilar

- SÃO Mateus,* 21 de Setembro, Carvalho

 

Património Arqueológico

Castro Alto do Crasto / Castelo dos Mouros Gravuras de Chainça Gravuras de Quilhoso Tumulus.

 

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Igreja Paroquial Senhora da Guia (Vilar)

Património Edificado

- Capela do Senhor dos Milagres (Vilar)

- Cruzeiros (Vilar)

- Fonte de Mergulho (Vilar)

- Fornos do Povo de Vilar (Arrabal de Baixo e Arrabal de Cima)

- Igreja Paroquial Senhora da Guia (Vilar)

 

Alojamento Turismo Rural - Casa da Eira Longa (Vilar)

 

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Casa da Eira Longa - Alojamento de turismo rural

Rede de Tabernas do Alto Tâmega

 

Marcas da História Antiga

 

VILAR

Alto do Crasto ou Castelo dos Mouros

Designação: Alto do Crasto / Castelo dos Mouros

Localização: Vilar

 

Descrição: o Castro de Vilar de Porro fica abaixo da aldeia de Vilar, mesmo ao lado do sítio de Fervença, e é designado pelo povo como Castelo dos Mouros. Embora tenha três patamares ascendentes e uma muralha na borda de cada um deles, as suas condições de defesa estão longe das dos outros castro da região, que com muralhas altas ofereciam muito boas condições de defesas. O patamar da base na linha Leste/Oeste tem cerca de 35 m de largura. A este patamar segue-se para Oeste uma rampa ascendente com 10 m de comprimento, e a seguir o segundo patamar que na linha Leste/Oeste tem 11 m de largura. Logo se empina nova rampa ascendente que na mesma linha tem 5 m de comprimento e conduz ao patamar cimeiro ou coroa do castro com 80 m de comprimento. Existem vestígios de várias construções circulares.

 

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Capela do Senhor dos Milagres (Vilar)

 

Aldeias da antiga  Freguesia de Vilar

 

A freguesia de Vilar era constituída apenas por duas aldeias, a aldeia de Vilar, sede de freguesia,  e a aldeia de Carvalho.

 

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Vilar

 

Aldeia de Vilar

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de vilar, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: VILAR 

 

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Aldeia de Carvalho

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: CARVALHO 

 

 

Antiga freguesia de São Salvador de Viveiro

 

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Evolução da população na freguesia de S. Salvador de Viveiro

 

Ao contrário de Vilar, uma freguesia já muito antiga,  a freguesia de de S. Salvador de Viveiro é muito mais recente, pois apenas foi criada em 1967 - Pelo decreto lei nº 47.516, de 28/01/1967, com lugares de Viveiro, Agrelos, Bostofrio e Campos, todos desanexados da freguesia de Covas do Barroso.

 

Assim os dados que temos sobre o evoluir da população são apenas os dos 5 Censos realizados entre o Censos de 1970 e o de 2011, iniciando em 1970 com uma população de 690 habitantes para em 2011 possuir apenas 293, com uma linha de tendência a descer abruptamente para o zero. Fica então o gráfico de Viveiro:

 

grafico viveiro.jpg

Evolução do número de habitantes da freguesia de S. Salvador de Viveiro

 

Outros dados da Freguesia

 

Localização geográfica: A freguesia de São Salvador de Viveiro situa-se na parte Centro/ Oeste do concelho de Boticas.

Distância relativa à sede do concelho: aproximadamente 11,5 km

Acesso viário: pela ER 311 até aparecer a indicação Viveiro. Percorre-se um pequeno troço da EM 519-B e segue-se pelo CM 1036. Em alternativa segue-se pela ER 311 e, virando na indicação Viveiro, segue-se pelo CM 1036.

 

Área total da freguesia: 18,8 Km2

 

Localidades: Agrelos, Bostofrio, Campos e Viveiro, sede da freguesia.

 

População: 345 habitantes[ii]

 

Orago: Divino Salvador do Mundo

 

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São Salvador do Mundo - Viveiro

 

Festas e Romarias:

- Santo Amaro,* 15 de Janeiro, Campos

- SÃO Sebastião, Janeiro, Viveiro

- SÃO Marçal,* 30 de Junho, Bostofrio

- Divino Salvador do Mundo ou São Salvador do Mundo, segundo Domingo de Agosto, Viveiro

- SÃO Mamede, 17 de Agosto, Agrelos

 

Património Arqueológico

- Alto da Raposeira / Agrelos (Tumulus)

- Castro do Lesenho (Campos) - Património Classificado (IIP)

- Reigal / Chã de Lesenho (Tumulus)

- Sepultura

 

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Património Edificado

- Capela de São Mamede (Agrelos)

- Capela de São Marçal (Bostofrio)

- Capela de Santo Amaro (Campos)

- Capela de Viveiro

- Casa do Morgado de Agrelos

- Cruzeiro – Agrelos

 

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Viveiro

 

Marcas da História Antiga

 

SÃO SALVADOR DE VIVEIRO

 

Castro do Lesenho (Património Classificado - IIP)

Designação: Castro do Lesenho

Localização: Campos (São Salvador de Viveiro)

 

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Descrição: o Castro do Lesenho encontra-se a cerca de 700 m da aldeia de Campos, freguesia de São Salvador de Viveiro.

 

Este castro é um monte cónico e pedregoso cuja altura se pode calcular em 50 a 60 metros. Tem três linhas de muralhas, sendo a cimeira a melhor definida pelos alinhamentos de pedras em montão caótico, a entestar os penedos. A segunda e terceira muralhas, na sua maior parte derruídas, são também assinaladas pelas fiadas de montões de pedras. A maior parte das muralhas têm dois metros de largura. Além da porta aberta na muralha fundeira, que pode considerar-se a entrada principal, há mais duas portas, uma no topo da terceira muralha, a outra no lado Poente da primeira muralha. O Castro do Lesenho notabiliza-se pelo facto de nele se terem encontrado, talvez no século XVIII, quatro estátuas de Guerreiros Galaicos ou Calaicos Na base Nordeste do castro foi encontrado um pequeno penedo com gravuras. O monte onde se localiza o castro, dada a sua altitude e localização, é um excelente miradouro natural. Daí avistam-se uma vastidão de paisagens: a Norte os Cornos das Alturas, as cristas da Serra do Gerês e a Serra do Larouco, pelo Nascente a Serra de Sanábria (Galiza); além Tâmega a Serra de Santa Bárbara, para Sul o Alvão e o Marão; mais perto a Serra da Cabreira, os cerros de Cabeceiras de Basto e a Serra da Eira.

 

Festas e Romarias

 

Festa de São Sebastião em Viveiro (São Salvador de Viveiro)

A celebração ao São Sebastião em Viveiro não tem uma data fixa pois a sua realização depende da disponibilidade do pároco. Esta festa conta com a presença das pessoas da aldeia a quem é distribuído pão e vinho. É cada uma das casas da aldeia que, num sistema de rotatividade, anualmente organiza a compra e Festa de São Sebastião em Viveiro (São Salvador de Viveiro) distribuição do pão e do vinho, ou seja, é o mordomo que compra o pão e o vinho com que enche o pipo da festa, um pipo que anda à roda pelos mordomos. Nesse dia celebram uma missa e sermão em honra de São Sebastião. Finda a missa juntam-se no largo e procedem à distribuição do pão e do vinho entre os fiéis

 

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Divino Salvador do Mundo ou  São Salvador do Mundo - Viveiro

 

Festa do Divino Salvador do Mundo ou  São Salvador do Mundo

Realiza-se no início de Agosto junto ao santuário do Divino Salvador do Mundo em Viveiro. Manda a tradição que esta festa, que é a maior festa da freguesia e uma das maiores do concelho, se realize no dia 6 de Agosto se coincidir num domingo. Caso contrário celebra-se no domingo a seguir ao dia 6.

 

O Divino Salvador do Mundo é o protector dos animais, pelo que, no dia da festa (ou no dia antes), os lavradores levam o gado para a “bênção do gado” Festa do Divino Salvador do Mundo ou São Salvador do Mundo (ver pág. 123) e com ele andam à volta da igreja para que os proteja das maleitas ou em agradecimento a benesses recebidas. Manda a tradição que estas voltas constituam uma novena (9 voltas) ou então 3 ou 6 voltas.

 

Nesse dia celebram uma missa e fazem uma procissão com 7 andores acompanhada por uma banda musical. Procede-se também ao leilão das oferendas. À noite a festa continua, na aldeia, num animado arraial popular a que não falta também o tradicional

 

Aldeias da antiga freguesia de São Salvador de Viveiros

 

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Agrelos

Agrelos

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Agrelos  

 

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Bostofrio

Bostofrio

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Bostofrio 

 

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Campos

Campos

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Campos  

 

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Viveiro

Viveiro

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Viveiro   

 

 

E agora, tal como fazemos com cada aldeia, vamos aqui deixar o vídeo dedicado à freguesia, com uma seleção de imagens de cada aldeia e as imagens de hoje.

 

Vídeo resumo com imagens da freguesia:

 

 

Tal como dissemos no início do post, vamos aproveitar estes posts dedicados às freguesias para deixar aqui um tema dos hábitos comunitários das aldeias do Barroso, embora alguns já tivessem caído em desuso.

 

Assim, iniciamos hoje com o tema “ A Bênção do Gado”, que por sinal uma dessas cerimónias ocorre no santuário de São Salvador do Mundo, da freguesia que hoje aqui deixamos.

 

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Pastagens - Bostofrio

 

A Bênção do Gado

 

Sendo um dos elementos fundamentais para estas economias de montanha, não é por isso de admirar que o gado seja alvo de constante atenção e inúmeros desvelos por parte dos donos. A doença ou morte de um animal causa inúmeros constrangimentos e prejuízo aos agregados familiares. Dada a fragilidade dos ecossistemas locais e o grau de incerteza que rodeia a vida do agricultor, este recorre muitas vezes à protecção divina para que proteja o seu gado.

 

Neste contexto, é vulgar o recurso à bênção do gado, às oferendas ao Santo António, protector dos animais, e às promessas com o gado. Em Atilhó, no dia de Santo António, 13 de Junho, os agricultores levam o gado para o monte Galhado, onde está localizada a Capela de Santo António, para assistirem à missa, no fim da qual há a bênção do gado para o proteger e os livrar dos males. São inúmeras as aldeias em que, no final das celebrações dedicadas ao Santo António, se costuma fazer o leilão das oferendas dos fiéis, revertendo o dinheiro para o Santo.

 

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Senhor do Monte em Pinho

 

Em Pinho, celebra-se anualmente uma grande festa, no último fim-de-semana de Julho, em honra do Senhor do Monte, considerado o protector dos animais. Manda a tradição que, no sábado, dia reservado à bênção dos animais, os lavradores levem o gado até A Bênção do Gado ao Santuário e com ele façam três voltas à igreja. Muitos são os que percorrem longas distâncias, não só do concelho, mas também de concelhos vizinhos, outrora a pé, agora em carrinhas, para levarem os seus animais até ao santuário, em busca da protecção do Santo. Nesse dia, dizem os fiéis, apesar da grande concentração de animais nesse espaço, não se vê uma mosca no pinhal. As esmolas das promessas ou agradecimentos pela protecção ou benesse recebida costumavam ser dadas em centeio, mas agora costumam dar dinheiro.

 

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S. Salvador de Viveiro

 

Mais conhecida ainda, é a romaria do Divino Salvador do Mundo, ou São Salvador do Mundo, em Viveiro (São Salvador de Viveiro), a que acorrem inúmeros fiéis para a bênção do gado, como descreveu Oliveira (1984:256/8)

 

“(…) O gado começou a afluir pelas 9 horas da manhã, e essa afluência atingiu o auge pelas 11 horas, formando então um anel quase ininterrupto (embora não denso) em volta do muro do adro, pelo lado exterior. Apenas três bois carregavam cereal à cabeça, amarrado entre os chifres; mais frequentemente este vinha em burros, ou às costas, à cabeça ou debaixo dos braços das pessoas, seguindo os bois atrás. Como dissemos geralmente dão nove voltas (novena), no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio; mas podem dar mais ou menos, conforme as promessas que fizeram.

 

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Viveiro

Todo o gado trazia coleiras ao pescoço. Por vezes, as juntas iam jungidas para não fugirem nem saltarem. Algumas pessoas, quando passam com o gado em frente à porta sul do muro do adro (as voltas do gado São pelo lado exterior do muro que circunda o adro; a pessoa que conduz os bois vai à frente, ao lado ou atrás dos animais, conforme calha), fazem o sinal da cruz e esboçam uma genuflexão. Cumpridas as voltas da promessa, algum gado fica por ali, para a bênção; outro vai para os lameiros próximos. Também aparecem ovelhas, misturadas com os bois, a andar nas voltas.

 

Fora da capela, as promessa das pessoas (sem gado) consistem sobretudo em voltas a pé dentro do adro em torno da capela, muitas vezes com cereal em sacos à cabeça ou às costas, que depois irão despejar nas arcas que estão dentro da capela. Uma ou outra pessoa traz cravos ou outras flores. Em frente à porta, aberta, da capela, esboçam a genuflexão. Vê-se também uma ou outra dando voltas de joelhos. Por vezes, de cada volta a pé, põem uma pedra no cachorro que há na fachada, sob o alpendre, à esquerda.

 

Mais para dentro da capela, estão pousados no chão os sete andores, aguardando a procissão: Santa Quitéria, Santo Isidoro, São Bento, São Salvador do Mundo (nascente), Nossa Senhora, Santo Adrião e Nuno Álvares (poente); o andor de Nun’Álvares fica um pouco atrás dos outros, encostado ao arco do transepto. Santo Isidoro é o protector dos lavradores, e a imagem tem aos pés um touro; Santo Antão é dado como “abade protector dos animais”; São Bento é protector das doenças, e Nun’Álvares protector dos Portugueses. As pessoas que trazem cereal como promessa, depois das voltas (ou directamente, se não prometeram voltas) entram na capela e despejam os sacos nas arcas respectivas. Às vezes, antes de despejarem os sacos, vão rezar em frente do altar do Salvador, e então com frequência fazem-no com o saco do cereal à cabeça ou nos braços.” A descrição continua, destacando o cumprimento de promessas e os diversos procedimentos dos fiéis ao logo do dia, assim como descreve, ao pormenor, a procissão onde se faz a bênção dos animais que se espalhavam pelo outeiro, e a alocução aos lavradores que foi do teor seguinte:

 

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São Salvador do Mundo - Viveiro

“Atenção! Pede-se uns minutos de silêncio, porque vai seguir-se a bênção do gado. Interrompam as voltas, porque vai benzer-se o gado. Atenção! Antes de se principiar a bênção do gado, eu quero dirigir umas breves palavras aos lavradores da nossa região, aos lavradores e à boa gente transmontana, à boa gente de Barroso! Lavradores do Barroso! Já há muitos anos que tendes vindo aqui a este santuário, cumprir as vossas promessas. É grande a vossa fé, o vosso entusiasmo, para com o Divino Salvador do Mundo. Há gente que vem da raia de Espanha, de muito longe aqui a este santuário, cumprir as promessas porque o Divino Salvador do Mundo, nos momentos de perigo, cura os seus animais. Por isso, é com fé que vós viestes a este santuário, cumprir as vossas promessas. O Divino Salvador do Mundo abençoe os vossos gados, que o Divino Salvador do Mundo afaste para longe das vossas casas as pestes, que o Divino Salvador do Mundo interceda por vós, abençoe os vossos trabalhos, as vossas canseiras, os vossos campos, os vossos animais. Com fé, com amor, dizei ao Divino Salvador do Mundo o ‘muito obrigado’! Ele é o Senhor de tudo. Ele dá-nos tudo, é o nosso Pai, por isso confiai nele. Que o Divino Salvador do Mundo nos salve a todos. E que hoje, neste dia, conceda muitas graças e muitas bênçãos para todos vós, abençoe as vossas famílias, abençoe os vossos gados. São os votos do pároco desta freguesia. Agora vai seguir-se a bênção do gado”.

 

********************

 

Para terminar fica um aviso à navegação, a respeito da metodologia de publicação dos posts que passaremos a utilizar a partir de hoje, que embora continuemos a utilizar a ordem alfabética, a partir de hoje, será a ordem alfabética do nome da freguesia e não das aldeias. Assim, as próximas aldeias a abordar serão as da freguesia de Alturas do Barroso e Cerdedo, a saber: Alturas do Barroso; Atilhó; Casas da Serra; Cerdedo; Coimbró; Covelo do Monte; Vilarinho Seco e Virtelo. No final da abordagem de todas as aldeias, continuaremos a ter o post da freguesia, idêntico ao de hoje.

 

 

[i] Valor dos Censos de 2001

[ii] Valor dos Censos de 2001

 

19
Jun20

O Barroso aqui tão perto - Frades do Rio

Aldeias de Barroso - Montalegre

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Frades do Rio - Montalegre

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos aqui hoje esse resumo para a aldeia das Frades do Rio, do concelho de Montalegre.

 

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Começo a desconfiar que a razão de não ter feito o vídeo resumo no post das aldeias de Montalegre, foram coisas do meu inconsciente, para me trazer aqui com mais um post dedicado a estas aldeias de Barroso. Só pode, tanto mais que às vezes, como no caso de hoje, são tantas as imagens novas que trago aqui como foram as do post. O nosso inconsciente, às vezes, tem a consciência de que o nosso trabalho não ficou completo, aliás nunca fica…

 

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Mas nesta ronda de trazer o vídeo para as aldeias que não o tiveram, não abordamos a aldeia no que respeita à sua história e estórias e outros… pois tal já o fizemos no seu primeiro post, nesta ronda o que interessa mais é mesmo o vídeo e novas imagens que não foram selecionadas da primeira vez, mas, podemos fazer um ou outro apontamento, mesmo que à margem da aldeia.

 

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Nestas nossas andanças pelas aldeias de Barroso, quase sempre nos encontramos com gente que anda a fazer um verdadeiro serviço público, mesmo sendo privados, tal como é o caso dos padeiros e vendedores ambulantes. Certo que andam a tratar da sua vidinha e do seu negócio, mas em simultâneo prestam um serviço a estas aldeias, cada vez mais envelhecidas e despovoadas, levando-lhes o pão que hoje já não se faz no forno do povo ou no forno lá de casa, ou porque falta a lenha, ou as forças ou mesmo bocas para o comerem, pois não se vai fazer uma fornada de pão para uma família que hoje tem apenas uma ou duas pessoas em casa.

 

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Os CTT, ou Correios de Portugal, ou Banco CTT ou lá que raio são agora, também fazem esse serviço público. Continuando o raciocínio estive tentado a dizer que os CTT fazem este serviço público de distribuição da palavra ao país, mas isso foram outros tempos, no tempo em que as pessoas se comunicavam por carta, em que as palavras das cartas transportavam notícias, sentimentos, emoções, amor e também desamores, palavras que anunciavam casamentos, contavam a zanga da Maria com a vizinha,

 

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comunicavam-se as mortes de que morria ou estava para morrer, anunciava-se que a Isaura pariu uma menina que tem mesmo os olhinhos da avó, marcava-se uma visita com a antecedência de meses, para tal dia, por volta das tantas horas. Cartas onde se matavam saudades, e se eram de amor apaixonado tinham escrita perfumada e toda a gente no início da escrita esperava…” espero que esta te vá encontrar de boa saúde… nós por cá, vamos andando…”. Hoje não! Hoje já não é assim, já não se distribui a palavra ao país. Hoje, aquela ânsia de antigamente se esperar pelo carteiro à espera de

 

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uma resposta, transformou-se mais em receio, ou até mesmo medo e saber o que temos na caixa do correio, qual a fatura que lé temos para pagar, talvez uma notificação das finanças ou uma multa de trânsito para pagar, eu sei lá, a maior parte das vezes não é coisa boa o que lá fica, mas sobretudo fica publicidade, que parece vir sempre de encontro às nossas necessidades. ELES sabem o que mandam, têm gente a estudar-nos para depois nos mandarem tentações, como a de um empréstimo sempre que andamos tesos, destinos paradisíacos em tempo de férias, saldos, oportunidades, etc., então por

 

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altura do Natal, entulham a caixa do correio etc... As cartas são coisa da história, perdemos aquele gostinho de lamber o selo e dar-lhe uma palmada em cima, como que diz, vá, vai lá, tipo joaninha voa, voa, leva esta carta pra Lisboa…Hoje já ninguém as escreve, é muito mais fácil e imediato chegar ao facebook e dizer “ O Manuel António morreu” e por baixo toda a gente carrega na mãozinha do gosto, “Gosto”, “Gosto”, “Gosto”, “Gosto”, “Gosto”, que mal lhes teria feito o Manuel António…

 

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Outros tempos. E com estas estórias, ou apartes, ou coisas que andam praqui a mexer connosco vamos chegando ao fim do nosso post, que tal como já dissemos, não é propriamente para falar da aldeia, mas antes para trazer aqui o seu vídeo e mais algumas imagens. Mas se quiser ter alguns dados sobre a aldeia, no final deixamos um link para o post que em tempos lhe dedicámos e aí sim, deixámos tudo que sabíamos e que apurámos sobre a aldeia.

 

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E agora, finalmente o vídeo, com todas as imagens de hoje, mas também as imagens que publicámos no outro post, ou seja, com todas as imagens da aldeia que publicámos até hoje aqui no blog. Espero que gostem

 

Aqui fica:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Frades do Rio:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Friães. Entretanto, no domingo, teremos aqui o Barroso de Boticas.

 

 

12
Jun20

O Barroso aqui tão perto - Fontaínho

Aldeias de Barroso - Fontaínho, Montalegre, C/Vìdeo

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Fontaínho

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje, aqui,  esse resumo para a aldeia das Fontaínho, freguesia de Cabril, concelho de Montalegre.

 

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Aldeia que se localiza onde o Barroso começa a entrar no Minho e tem por companhia a imponência da Serra do Gerês.

 

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Uma aldeia pequena, aliás como todas as aldeias desta zona do Barroso, com um tipo de povoamento mais verde mas também mais acidentado, apenas com pequeníssimos vales junto às linhas de água que correm apressadas para a barragem de Salamonde.

 

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Mas hoje estamos aqui pelo seu devido vídeo, que não teve aquando do seu post neste blog. O que tínhamos a dizer sobre a aldeia já o dissemos quando ela passou por aqui, publicação para a qual fica um link logo após o vídeo, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Fontaínho:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fontainho-1676525

 

E quanto a aldeias de Barroso, despedimo-nos até ao próximo domingo com a freguesia de Vilar e São Salvador de Viveiro, do concelho de Boticas e na próxima sexta-feira com a aldeia de Frades do Rio, do concelho de Montalegre.

 

 

 

29
Mai20

O Barroso aqui tão perto - Fiães do Rio

Aldeias de Barroso - Com Vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos aqui hoje esse resumo, para a aldeia de Fiães do Rio

 

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Às vezes, ainda bem que cometemos falhas para podermos corrigir outras, quero com isto dizer, que revendo o post dedicado a Fiães do Rio, ficaram de fora algumas imagens que mereciam ter sido selecionadas. Pois aqui estão, hoje, algumas delas.

 

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Fica assim mais completo o post anterior, pelo menos quanto a imagens, pois quanto ao que tínhamos a dizer sobre a aldeia, já foi dito nesse mesmo post, com link no final.

 

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Hoje deixamos assim mais estas imagens e o vídeo que Fiães do Rio não teve, mas a sorte fez com que recentemente tivéssemos de passar pela aldeia e aproveitámos também para uma entrada rápida e recolha de imagens em vídeo, já a pensar no vídeo de hoje, imagens que também vão ficar misturadas com as fotografias (do vídeo final).

 

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Vídeo final que fica já de seguida, espero que gostem.

 

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Fiães do Rio:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

 

 

22
Mai20

O Barroso aqui tão perto - Fervidelas

aldeias de barroso c/vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos aqui hoje esse resumo, para a aldeia de Fervidelas.

 

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Fervidelas que é mais uma das aldeias do Barroso de Montalegre, localizada nas redondezas da Barragem dos Pisões, mas embora não pareça, também próxima da barragem de Paradela, isto fisicamente e por caminhos da serra, pois por estrada, a música já é outra.

 

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Próxima da barragem dos Pisões e da EN103, que liga Chaves a Braga, e neste sentido, fica logo a seguir a Parafita e Antigo de Viade. Mas os pormenores da localização e de como ir até lá, estão no post que lhe didicámos, com link no final deste post.

 

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Hoje é mesmo para cumprir com a promessa de que todas as aldeias de Barroso terão aqui o seu vídeo resumo com todas as fotografias aqui publicas.

 

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Mas não só, pois aproveitamos a oportunidade e trazemos aqui mais algumas imagens que escaparam à seleção anterior, fazendo com com o vídeo também fiquem mais completo.

 

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E como é mais um post de imagens e vídeo não vos vou maçar com mais palavras. Ficam as imagens e o vídeo. Claro que se quiserem saber mais um bocadinho sobre a aldeia, têm o seu post completo, com link no final. Espero que gostem do vídeo.

 

Aqui fica:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Fervidelas:

 http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

 

 

24
Abr20

O Barroso aqui tão perto - Covelo do Gerês

aldeias do barroso - C/vídeo

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos aqui hoje esse resumo, para a aldeia de Covelães.

 

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Aproveitamos também a oportunidade e deixamos mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção.

 

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Covelo do Gerês é uma das aldeias típicas do Baixo Barroso com o a Serra do Gerês de fundo. Terra verde interrompida pelo azul da serra e do céu.

 

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E é tudo, hoje estamos aqui mesmo pelo vídeo que, aquando do post dedicado a Covelo do Gerês, ainda não tínhamos por costume a sua realização. Daí ficar aqui agora. Espero que gostem. Fica no final também o link para o post que dedicámos à aldeia.

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Covelo do Gerês:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelo-do-1702440

 

 

 

 

17
Abr20

O Barroso aqui tão perto - As Aldeias dos Colonos - Vídeo resumo

JCI - A colónia de Barroso

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Claro que para o post sobre as aldeias dos colonos do Barroso ficar completo, tal como aconteceu com todas as aldeias de Montalegre, também estas aldeias vão ter aqui o seu vídeo, que ficará já de seguida, com o resumo dos 4 posts que lhes dedicámos e que poderão rever aqui:

 

Aldeias dos Colonos 1

Aldeias dos Colonos 2

Aldeias dos Colonos 3  

Aldeias dos Colonos 4

 

Onde estão as suas 7 aldeias e o Centro Social, a saber: Casais da Veiga, Aldeia Nova de São Mateus, Vidoeiro, Aldeia Nova do Barroso, Criande, Fontão e Pinhal Novo, esta última do concelho de Boticas.

 

Fica então o vídeo:

 

 

 

 

 

15
Abr20

O Barroso aqui tão perto - As Aldeias dos Colonos

JCI - As aldeias de salazar - aldeias jardim

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Barroso 1950-53 - Fotografia de Artur Pastor

 

Colónia do Barroso da Junta de Colonização Interna

As aldeias de Salazar – Aldeias Jardim

4ª Parte  (última)

1ª Parte -

2ª Parte -

3ª Parte -

 

8 – Centro Social

 

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Fig. 42 – Implantação inicial do Centro Social

 

O Centro Social passou por várias fases e foi sendo adaptado conforme as necessidades. Não se trata portanto de mais uma aldeia de colonos, mas antes de um aldeamento para, por um lado dar apoio técnico aos colonos, e por outro para os vigiar (controlar), gerir as aldeias dos colonos. Acabou por ser um aldeamento, sim, mas um aldeamento do Estado, com edifícios administrativos, moradias para funcionários, técnicos e professores e uma pousada.

 

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Fig. 43 – Fotografia aérea do Centro Social

47 - entre c e an (13)

Foto 47 – Centro Social – uma moradia

 

A história do Centro Social fica assim resumida:

 

"Abril 1948: Projecto de Edifício para Assistência Técnica. Em Abril de 1948, foi desenhado o edifício para assistência técnica, o primeiro equipamento de suporte de toda a colonização na região. Viria a ficar concluído no ano de 1952, data em que se entregavam os primeiros casais na Aldeia Nova do Barroso . Apesar de parecer ter sido concebido para a Aldeia Nova do Barroso, o projeto não tinha localização definida e foi construído no lugar do Centro Social, entre a Aldeia Nova do Barroso e o Núcleo de Criande. Apesar do nome, o edifício de assistência técnica é uma habitação unifamiliar para o técnico e a sua família com dois filhos de ambos os sexos, com criada e escritório para atendimentos aos colonos: «O alpendre da entrada principal dá acesso directo ao escritório. Este pormenor mereceu especial atenção, pois permite ao colono aguardar abrigado o momento de ser atendido.» (J.C.I. 1948: 1)."

COSTA (2017).

 

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Fig. 44 – Projeto tipo das moradias dos Técnicos da JCI

 

No projeto inicial previa-se:

 

"Na implantação organizam-se, numa alameda de composição simétrica, quatro edifícios. O edifício do Centro Social, um armazém para cereais , e dois edifícios para técnicos da Junta. (…)

Março 1953: Projecto de Construção de Duas Habitações Gêmeas no Centro Social do Barroso. Este projeto, da autoria do arquiteto Maurício Trindade Chagas, integrou o Centro Social, e como refere a memória descritiva foi desenhado: «Devido à não existência, na região edifícios que satisfaçam às condições normais de habitação, tornou-se necessário construí-los de forma a que o pessoal técnico permanente na Colónia do Barroso possa atingir o objetivo de prestação de assistência, ficando instalado no local mais conveniente.»"

(J.C.I., 1953: 1) mencionado por COSTA (2017).

 

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Foto 48 e 49 - Centro Social

 

Mais tarde o armazém para cereais inicialmente construído no Centro Social, foi adaptado para escritórios e pousada. Um novo armazém de cereais viria a ser construído na Aldeia Nova.

 

"Abril 1953: Projecto de Adaptação para Edifício de Escritórios e Pousada do Barroso. As adaptações de projetos para albergar novos equipamentos sucedem-se, num curto espaço de tempo, quase todas no ano de 1953. Estas marcaram em definitivo a posição do Estado, alterando os valores rurais em prol de uma maior modernização rural. Para tal, a representação na região foi aumentada pelo número e diversificação de profissionais técnicos a instalar no Centro Social do Barroso, de modo a formar as «empresas agrícolas familiares». O projeto é da autoria do arquiteto Maurício Trindade Chagas. A memória descritiva apresenta um programa funcional e os respetivos elementos construtivos. Embora, seja uma adaptação, não foi feita referência a qualquer restrição do projeto, parecendo um projeto de raiz. Refere: «Trata-se de um edifício de dois pavimentos, destinando-se a 1º. andar a pousada do pessoal da J.C.I. e o rés do chão a escritórios e residência do guarda.»"

(J.C.I. 1953: 1) mencionado por COSTA (2017).

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Foto 50 e 51 - Centro Social, interior dos edifícios

 

Abril 1953: Projecto de Habitações destinadas a Professoras no Centro Social do Barroso. O projeto é da autoria de Maurício Trindade Chagas e refere-se a duas habitações unifamiliares geminadas, para professoras primárias no Centro Social. «A localização, do Centro Social, a cerca de 800m. do Edifício da Escola do Aldeamento de Criande e de 1.200m. da Aldeia Nova do Barroso, foi considerada a melhor, tanto mais que os trajectos a percorrer estão facilitados pela Estrada de Ligação da E.N. nº. 103 à Aldeia Nova do Barroso.»

(J.C.I., 1953: 1).

 

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Foto 52 - Centro Social - Interior de um edifício

 

Enfim, todo um aldeamento para técnicos do estado, com vistas privilegiadas para a barragem onde parece ter sido agradável viver, e que teoricamente lá teria as suas funções, mas que deu no que hoje mete dó, abandonado, vandalizado, com as moradias e restantes edifícios em ruinas e vandalizados, que revolta ver.

 

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Foto 53 - Aldeia típica de Barroso em 1950-53

 

IV - Roteiro para uma visita

 

É certo que estas aldeias dos colonos nada têm a ver com as aldeias tipicamente barrosãs, mas, aqui e ali, hoje, também fazem parte da paisagem do Alto Barroso e da história da Junta de Colonização Interna e do Estado Novo. Bem ou mal-amadas, que para uns significou o roubo dos baldios de onde tiravam algum sustento e para outros o sonho de uma nova vida que na maior parte das vezes acabou por ser de trabalho escravo, são aldeias que do ponto de vista arquitetónico até são interessantes e que para a época, ofereciam condições de habitabilidade e infraestruturas que a maioria das habitações rurais barrosãs então não tinham. Do ponto de vista arquitetónico, é notório que foram aldeias pensadas, planeadas e que houve até uma preocupação estética e de integração na paisagem, sem esquecer espaços verdes comuns, onde geralmente era colocado um chafariz e tanque, ou até um miradouro. Claro que lhe faltava tudo o resto no que respeita ao viver comunitário barrosão, do boi, do forno do povo, das vezeiras, etc. Também é certo que hoje, na grande maioria destas aldeias de colonos, apareceram novas construções, algumas estão abandonadas ou em ruínas, bem longe da imagem de “Aldeia Jardim” que lhe queriam dar e que do ponto de vista arquitetónico até a tinham, mesmo assim, e tendo em conta que para vermos estas aldeias temos de passar por muitas outras tipicamente barrosãs, vale sempre a pena fazer uma visita, e depois, estamos ainda em tempo de crise, sem dinheiro para férias, e mesmo aqui ao lado temos estes contrastes, mas sobretudo um território bem mais interessante que muitos dos destinos turísticos a centenas ou milhares de quilómetros, um território onde as pessoas cultivam a arte de bem receber e ser hospitaleiro, um território das melhores gastronomias do mundo, sem estrelas Michelin, é certo, mas que tem a estrela da couve da horta, a estrela do fumeiro que retira nos lareiros que a seba do reco deu, da estrela da vitela que lhe comeu a erva dos lameiros e que agora se pode comer e cortar à mesa com uma colher se não houver uma faca à mão, a estrela do gosto da batata que só aquelas terras lhe dá, da estrela do pão cozido e rezado no forno a lenha e por fim, da estela deste povo rude e simples, puro e belo que encontra nestas terras madrastas de invernos rigorosos.

 

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Foto 54 – Vista geral sobre o Barroso, desde a Serra do Larouco

 

Por tudo que aqui se disse e ainda pelo que resta dizer nas conclusões, e embora estas aldeias dos colonos nada tenham a ver com as aldeias tradicionais barrosãs, vale a pena fazer um roteiro de uma visita a todas elas, nem que seja também para ver in loco tudo que aqui foi abordado e no que dão as decisões serem tomadas em Lisboa sem conhecer e ter em conta a autoctonia de uma terra e um povo.

 

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Fig. 45 - Roteiro

 

Pois como sempre, os nossos roteiro começam na cidade de Chaves, desde onde este blog é feito, e como muitas vezes, embora até nem seja a nossa preferida, tomamos a estrada de Braga, a nacional 103, como ponto de partida mas também estrada de referência, precisamente em direção a Braga, depois é só seguir por ela, passar por Curalha, Casas Novas e São Domingos, onde termina o concelho de Chaves e se inicia o de Boticas, para de seguida passarmos por Sapelos e Sapiãos, aqui, que é também cruzamento para Boticas, continuamos em frente e iniciamos uma longa subida, mas de apenas 5,5km, ou seja, até encontrar um cruzamento com meia dúzia de casas. Aí deve sair da EN103, para a esquerda. De certeza que está lá uma placa a indicar: Ribeira de Pena, Carvalhelhos, Beça e Pinhal Novo. Siga por essa estrada e a cerca de 1,5Km temos a nossa primeira aldeia de colonos a visitar – Pinhal Novo. Demore-se por lá o que tiver a demorar-se e regresse à EN103, para continuar por ela, mas pouco, pois 300 metros à frente, temos a segunda aldeia de Colonos – Fontão, que fica mesmo junto à estrada, mas num plano inferior. É a aldeia mais pequena, e o melhor sítio para a ver, é mesmo da estrada, mas já que está aí, desça até ela. Depois novo regresso à estrada, para andar nela mais cerca de 6Km. Irá passara por três pontes muito parecidas, pois as três são estreitas, com curvas de entrada e saída muito apertadas. Logo a seguir à passagem da última dessas 3 pontes, há um desvio à direita que indica: Meixide, Pedrário, Serraquinhos, Zebral, Vidoeiro e Cortiço. Aí já está indicada a nossa terceira aldeia, que será Vidoeiro. Siga então sempre por essa estrada, sempre em frente, irá passar por dois cruzamentos, mas continue em frente que logo a seguir é Vidoeiro, a nossa terceira aldeia de colonos. Da EN103 a Vidoeiro são apenas 1,8Km. Depois de a visitar, continue pela mesma estrada até Zebral, aí terá de entrar na aldeia e atravessá-la na totalidade, basta seguir sempre pela rua que atravessa a aldeia, sem virar, e no final terá a estrada para nos ligar a São Mateus, a nossa quarta aldeia de Colonos. De Vidoeiro a São Mateus, são 4,8Km, Zebral fica mais ou menos a meio do caminho.

 

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Foto 55 – Proximidades de São Mateus

 

Depois de visitar a aldeia São Mateus, tome a saída em direção a Montalegre. Atenção que a aldeia tem duas saídas, uma para Fírvidas e outra para Montalegre. Desta vez esqueça as Fírvidas e siga para Montalegre ou Meixide, que é a mesma coisa. Ao chegar a Meixide apanha a estrada que vem de Chaves para Montalegre, e de imediato começa a ver Montalegre do lado esquerdo, lá ao fundo. De Meixide à primeira rotunda de Montalegre são 2 km, tudo em reta. Nessa rotunda vire tudo à direita e logo a seguir são os Casais da Veiga, a nossa quinta aldeia de colonos. Da reta entre Meixide e a rotunda já se vê essa aldeia. Depois terá de se dirigir para Montalegre e no largo da Câmara Municipal/Palácio da justiça, tome a saída para São Vicente/Braga. Quando chegar a S.Vicente, entra de novo na EN103, mas agora deve tomar a direção de Chaves, esqueça Braga. Estando na EN103, em direção a Chaves, passados 3km, encontrará à esquerda a Aldeia Nova de Barrosoa, a sexta aldeia de colonos, a maior de todas. Demore-se o tempo necessário, mas vá até ao final da aldeia, onde se encontra o miradouro e um pouco mais acima a capela. Depois de visitar a Aldeia Nova, ao sair da aldeia, atravesse a EN103 e siga em frente, que logo a seguir, a apenas 900m, está o Centro Social das aldeias dos colonos, ou o que resta dele, pois está tudo abandonado e vandalizado, mas dá para ficar com uma ideia do que aquilo era. Terminada a visita ao Centro Social, , continue pela mesma estrada, terá à direita a barragem, e ao fundo, começará a ver umas casas junto à barragem, sãs as casas da nossa última aldeia de colonos, Criande. Ainda na estrada, à entrada da aldeia, tem uma placa a anunciá-la, mas o mais provável é estar toda pintada de branco, e não conseguir ler nada.

 

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Foto 56 – Placa de entrada em Criande – Ao lado da Placa, ao fundo, três casas de Criande

 

Só resta o regresso a casa, que poderá fazê-lo voltando para trás e apanhar a EN103, ou então, mesmo na entrada de Criande havia uma estrada à esquerda, que agora ficará à direita, se seguirem essa estrada, irão apanhar a EN103, no Barracão.

 

Conclusões

Poderia resumir as conclusões numa palavra, que embora com o seu significado e tendo em conta os objetivos da Junta de Colonização Interna, até acabava por ser simpática. Essa palavra seria FRACASSO, e se fosse só económico, poderíamos ficar por aí, até já estamos habituados a investimentos do Estado (nacionais e municipais) que não dão em nada, a construções e desconstruções e outros abandonos. Mas nestas colonizações internas houve muitas vidas envolvidas, sonhos que se tornaram pesadelos e muitos futuros hipotecados, para além da maldade feita ao povo barrosão, privando-o de um rendimento que para muitos era de subsistência, de pastagens e de lenha que alimentava os fornos do povo e as lareiras nos dias frios de inverno. Em vez da JCI, leia-se Estado Novo, colonizar o Barroso, povoar e fixar as pessoas à terra, acabou por convidar, ou forçar mesmo, alguns barrosões a abandonar as suas aldeias, a emigrarem. Mas não foram só as colónias, um fracasso agricolamente falando, como também não foram fixadores de nova população, que para além de terem roubado os baldios às populações, como se não bastasse, com a construção das barragens, roubaram-lhes também as terras de cultivo e as águas dos rios, barragens talvez lucrativas para quem as explora e para o Estado, mas das quais o povo barrosão não tira nenhum proveito. Mas o que dói mesmo, é que com este abandono do Barroso se perdeu grande parte da sua identidade, de usos, costumes e tradições tão ligados que estavam ao comunitarismo singular em terras de Barroso. O boi do povo faz parte da história, os fornos idem aspas, o reco de Santo António já nem anda na rua nem nas cortes, as vezeiras já se têm de explicar às crianças o que eram, os vizinhos não existem, as crianças rareiam nas aldeias ou nem as há, os velhos, uns vivem o ano à espera do mês de agosto para passarem uns dias com os filhos emigrados, outros, por não terem mais ninguém, quando casais, sobrevivem um para o outro, quando enviúvam, ficam à espera de uma vaga no lar mais próximo…

 

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Foto 57 – Numa eira do Barroso – 1950/53

 

O engraçado, que até nem tem nenhuma graça, é que há 50-60 anos atrás, as aldeias e as suas casas cobertas com colmo, estavam superpovoadas de gente, sem água canalizada, sem saneamento, sem eletricidade, sem televisão, sem frigoríficos, os largos e ruas eram das crianças, dos cães, gatos, galinhas, burros, vacas e pessoas, com o reco de Santo António de porta em porta e o boi do povo tratado como um lorde… depois, anos 50-60, a população mais nova começa a abandonar as aldeias, anos 70 dá-se o 25 de Abril, anos 80 começam a pavimentar caminhos, a canalizar a água, fazer saneamentos, a eletricidade fica ao alcance de todos, arranjaram-se as casas, os colmos passaram à história, a educação é para todos que a quisessem… enfim, tudo que não havia até aos anos 70, passou a haver, e quando as aldeias já tinham de tudo que podia fazer a diferença no seu viver, já não tinham pessoas para as viver. Alguma coisa correu mal… e continua a correr, pois nada é feito para contrariar o fim do mundo rural, o fim de uma cultura, dos seus valores, tradições, comunitarismo, o fim de um povo. Faltaram de políticas, faltou interesse e as poucas que houve, como a colonização interna, foi um fracasso. Não quero com isto dizer que as aldeias dos colonos e as barragens foram a razão do despovoamento do Barroso, mas também contribuíram com a sua quota parte.

 

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Foto 58 – Numa aldeia de Barroso – 1950-53

 

Com esta rúbrica “Do Barroso aqui tão perto” já corremos todas as aldeias do Barroso, todas, sem exceção, e se sempre que partíamos para a sua descoberta, partíamos cheios de alento e a alegria por partirmos à descoberta de paraísos esquecidos deste reino maravilhoso, já o regresso a casa, foi sempre de corpos exaustos e castigados, não pelo “trabalho” das descobertas, mas antes pelas interrogações, pela revolta, pelas ausências, por ver todo um mundo que se acaba. Que diria hoje Torga se fosse vivo e entrasse nas aldeias do Barroso, que conheceu então cheias de vida, e que quando entrava, entrava “…nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.” e não respeitaram mesmo, só assim se explica que tivéssemos passado por aldeias que já não têm habitantes, por outras que apenas tinham 1 ou 2 habitantes, sem crianças na rua, nem animais, nem pessoas.

 

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Foto 59 – Serra do Larouco

 

Com estas aldeias dos colonos termino a abordagem a todas as aldeias do Barroso pertencentes ao concelho de Montalegre e que desce início as fui deixando para o fim, porque sempre pensei para elas um tratamento diferente, inconscientemente sem saber bem qual seria a razão para tal, mas hoje sei a razão, e é mais que evidente. Estas aldeias dos colonos não são, nem nunca foram aldeias do Barroso, nunca tiveram um forno comunitário, nunca tiveram um boi do povo, nunca foram com a vezeiras ao monte, e os seus habitantes não tem a tez dos Barrosões. São aldeias que desde a civilização de Lisboa foram mandadas construir no Barroso… e prontos!

 

Terminamos assim a abordagem a todas as aldeias do Barroso de Montalegre. Apenas nos falta abordar a Vila de Montalegre, mas essa, não vai entrar nesta ronda, ficará para outras abordagens, num outro espaço, a acontecer aqui num futuro próximo.

 

Terminamos o Barroso de Montalegre, mas ainda há muito Barroso para trazer aqui. Para a semana, domingo como habitualmente, cá estaremos de novo com o resto das barrosãs, mas agora serão as de Boticas, as de Ribeira de Pena e as Vieira do Minho, e deixo de fora o Barroso de Chaves, mas essa esse pertence a outra história. No entanto, continuaremos a vir aqui às sextas-feiras, ainda com aldeias de Montalegre, mas apenas com aquelas que, no seu post, não tiveram o vídeo resumo com as fotografias publicadas neste blog.

 

Até sexta-feira ou domingo, no Barroso.

 

 

Fontes, consultas e créditos de fotografias e imagens:

 

BIBLIOGRAFIA

- BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

- BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

- COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

- CRUZ, Bento – “História da Vermelhinha”, Editora Domingos Barreira, Porto, 1991.

- DOMINGUES, Álvaro. Vida no Campo. Edição Dafne Editora, Porto, 2011.

- FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

- FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1977.

- GUERREIRO, Filipa de Castro – “Colónias agrícolas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960 Do desenho do território ao desenho da casa — Diversidade, circunstância e experimentação” - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana – Habitação, Cem anos de políticas públicas em Portugal, 1918-2018, Lisboa, 2018

- MAGALHÃES, Sandra Manuela Gonçalves - “A Cooperativa Agrícola como Instrumento de Dinamização do Meio Rural A Cooperativa Agrícola de Montalegre” - Dissertação para Obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto - 2011/2012

- OLIVEIRA, Ana das Mercês. Colónias Agrícolas da Junta de Colonização Interna no concelho de Montalegre - Modos de habitar a ruralidade, Mestrado Integrado, Faculdade de Arquitetura, Universidade do Porto, 2018.

- RAPAZOTE, J. (2012). “Aldeias-Jardim” no concelho de Montalegre – O projeto da Junta de Colonização Interna para os baldios do Barroso. Revista de Geografia e Ordenamento do Território, n.º 1 (Junho). Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território. Pág. 207 a 236.

- SILVA, Elisa Lopes. A propriedade e os seus sujeitos: colonização interna e colónias agrícolas durante o Estado Novo. Dissertação de Mestrado em História Contemporânea, Universidade Nova de Lisboa, 2011

 

WEBGRAFIA

https://capeiaarraiana.pt/tag/colonia-agricola-martim-rei/

http://www.cm-montalegre.pt/

https://observador.pt/2019/05/04/a-aldeia-modelo-de-salazar-em-paredes-de-coura-pode-virar-museu-vivo/

https://restosdecoleccao.blogspot.com/2014/09/colonia-agricola-de-pegoes.html

http://mapas.sapo.pt/?ll=41.194788%2C-7.488700&z=12&t=m&theme=Map

https://www.infopedia.pt/$combate-ao-analfabetismo-na-primeira

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=184846

 

 

FOTOGRAFIAS

Foto 1 – Uma aldeia do Alto Barroso – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 2 - Uma aldeia do Alto Barroso – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 3 - Arruamento central da Aldeia Nova do Barroso, Colónia Agrícola do Barroso, Montalegre [c. 1955] [arquiteto Eugénio Corrêa (?) para a JCI, 1944] [Orlando Ribeiro]. CEG/IGOT/UL - Imagem retirada de: Fotografia retirada de : GUERREIRO, Filipa de Castro - Colónias agrícolas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960: Do desenho do território ao desenho da casa — Diversidade, circunstância e experimentação - - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana - HABITAÇÃO CEM ANOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PORTUGAL 1918‑2018, Lisboa, dezembro de 2018.

Foto 4 – Imagem atribuída a Joshua Benoliel - Scan de imagem do Livro "Portugal um século de imagens" Editado pelo "Diário de Notícias, S.A." em 1999), Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=184846

Foto 5 – Bairro da Minhocas, em 1938 Fotografia de Eduardo Portugal

Foto 6 e 7 – Fotografia de Domínio público, retirada de Google imagens

Foto 8– Fotografia retirada de https://capeiaarraiana.pt/tag/colonia-agricola-martim-rei/

Foto 9 - Fotografia retirada de “ A Colónia Agrícola de Santo Isidro de Pegões – Montijo – Câmara Municipal de Montijo - 2013

Foto 10 –Paredes de Coura - Fotografia retirada de https://observador.pt/2019/05/04/a-aldeia-modelo-de-salazar-em-paredes-de-coura-pode-virar-museu-vivo/

Foto 11 – Colónia Agrícola de Pegões, foto retirada de https://restosdecoleccao.blogspot.com/2014/09/colonia-agricola-de-pegoes.html

Foto 12 - Casal nos Baldios do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar – Foto Google.

Foto 13 – Colonos a trabalhar a terra - Pegões - Fotografia de Domínio público, retirada de Google imagens

Foto 14 - Colonos a trabalhar a terra - Pegões - Fotografia de Domínio público, retirada de Google imagens

Foto 15 - Aldeia do Barroso – Mulher e crianças com a rês – 1950/53 – Fotografia de Artur Pastor

Foto 16 – Centro Social da JCI no Barroso - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 17 – Casais da Veiga – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 18 – São Mateus – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 19 – Aldeia Nova do Barroso – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 20 – Vidoeiro – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 21 – Criande – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 22 – Fontão - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 23– Barragem do Alto Rabagão - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 24 - Pastores barrosões com a rês nos montes com neve, 1950/53 – Fotografia de Artur Pastor

Foto 25 – Pinhal Novo – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 26 – Casais da Veiga - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 27 – São Mateus – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 28 – Aldeia Nova do Barroso – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 29 – Vidoeiro – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 30 – Criande – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 31 – Fontão - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 32– Pinhal Novo – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 33 - Barroso – Recolha de lenha nos montes com neve – 1950-53 - Fotografia d Artur Pastor.

Foto 34 – Centro Social da JCI no Barroso – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 35 – Casais da Veiga - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 36 – São Mateus – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 37 – São Mateus, um casal em ruinas – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 38 – Aldeia Nova do Barroso – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 39 – Aldeia Nova do Barroso – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 40 – Vidoeiro – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 41 – Criande – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 42 – Fontão - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 43 – Chafariz e tanque da aldeia de Fontão - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 44– Pinhal Novo – Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 45 – Entrada da aldeia de Pinhal Novo - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 46 – Uma casa da aldeia de Pinhal Novo - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 47 – Centro Social - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 48 – Centro Social – Ruinas - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 49 – Centro Social - - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 50 – Centro Social- Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 51 – Centro Social - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 52 – Centro Social - – interior de uma das construções - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 53 – Aldeia típica de Barroso em 1950-53 – Fotografia de Artur Pastor

Foto 54 – Vista sobre o Barroso, desde a serra do Larouco -- Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 55 – Proximidades de São Mateus - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 56 – Placa de entrada em Criande – Ao lado da Placa, ao fundo, três casas de Criande - Fotografia de Fernando DC Ribeiro

Foto 57 – Numa eira do Barroso – 1950/53 – Fotografia de Artur Pastor

Foto 58 – Serra do Larouco -- Fotografia de Fernando DC Ribeiro

 

 

FIGURAS

Fig. 1 - Fotografia retirada de : GUERREIRO, Filipa de Castro - Colónias agrícolas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960: Do desenho do território ao desenho da casa — Diversidade, circunstância e experimentação - - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana - HABITAÇÃO CEM ANOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PORTUGAL 1918‑2018, Lisboa, dezembro de 2018.

Fig. 2 - Por Cândido da Silva (uncertain) - Fotografia própria, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1479276

Fig. 3 – O Flaviense António Granjo, Presidente do Ministério (atual 1º Ministro) cruelmente assassinado na noite de 19 para 20 de Outubro de 1921, conhecida por "Noite Sangrenta" – Autor desconhecido.

Fig. 4 – Fotografia retirada de : GUERREIRO, Filipa de Castro - Colónias agrícolas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960: Do desenho do território ao desenho da casa — Diversidade, circunstância e experimentação - - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana - HABITAÇÃO CEM ANOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PORTUGAL 1918‑2018, Lisboa, dezembro de 2018.

Fig. 5 – Figura de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig. 6 – Figura de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig. 7 – Figura de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig. 8 – Figura de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig. 9 – Composição com imagens de João Abel Manta e autor desconhecido, retirada de Google imagens

Fig. 10 – Cartaz de autoria de Martins Barata, retirada de Google imagens

Fig. 11 – Figura de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig. 12 – Cartaz de propaganda autoria de Abílio de Mattos e Silva e autor desconhecido, retirada de Google imagens

Fig.13 – Cartaz da Junta de Colonização Interna - Figuras de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig.14 – Cartaz de propaganda autoria de Abílio de Mattos e Silva – 1941, retirada de Google imagens

Fig.15 - Cartaz de propaganda autoria de Abílio de Mattos e Silva – 1942 - retirada de Google imagens

Fig.16 – Publicação sobre o Reconhecimento dos Baldios em Portugal - Figuras de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig. 17 – Cartaz de Propaganda de autoria de Martins Barata, 1940 - Figuras de Domínio público, retirada de Google imagens

Fig. 18 - As sete colónias internas portuguesas – Conceção de Fernando DC Ribeiro /Blog Chaves.

Fig.19 - Cartaz de propaganda autoria de Abílio de Mattos e Silva e autor desconhecido, retirada de Google imagens

Fig.20 – Localização das aldeias de colonos do Barroso - Conceção Fernando DC Ribeiro/Blog Chaves sobre SAPOMAPAS

Fig.21 - Casa tipo para a Região de Barroso - Retirada da tese COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

Fig.22 – Fotografia aérea dos Casais da Veiga – Foto original de Google Earth

Fig.23 – Planta de implantação dos Casais da Veiga retirada de OLIVEIRA, Ana das Mercês. Colónias Agrícolas da Junta de Colonização Interna no concelho de Montalegre - Modos de habitar a ruralidade, Mestrado Integrado, Faculdade de Arquitetura, Universidade do Porto, 2018.

Fig.24 – Projeto Tipo dos Casais de Barroso – retirada de : GUERREIRO, Filipa de Castro - Colónias agrícolas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960: Do desenho do território ao desenho da casa — Diversidade, circunstância e experimentação - - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana - HABITAÇÃO CEM ANOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PORTUGAL 1918‑2018, Lisboa, dezembro de 2018.

Fig. 25 – Planta de implantação da aldeia de Mateus - retirada de : GUERREIRO, Filipa de Castro - Colónias agrícolas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960: Do desenho do território ao desenho da casa — Diversidade, circunstância e experimentação - - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana - HABITAÇÃO CEM ANOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PORTUGAL 1918‑2018, Lisboa, dezembro de 2018.

Fig. 26 – Fotografia aérea de Mateus – Foto original de Google Earth

Fig. 27 – Capela da Aldeia Nova de Barroso - Retirada da tese COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. 2017

Fig. 28 – Planta de Implantação da Aldeia Nova de Barroso - retirada de : GUERREIRO, Filipa de Castro - Colónias agrícolas construídas pela Junta de Colonização Interna entre 1936 e 1960: Do desenho do território ao desenho da casa — Diversidade, circunstância e experimentação - - Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana - HABITAÇÃO CEM ANOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS EM PORTUGAL 1918‑2018, Lisboa, dezembro de 2018.

Fig. 29 – Fotografia aérea da Aldeia Nova de Barroso - Foto original de Google Earth

Fig. 30 – Fotografia aérea de Vidoeiro - Foto original de Google Earth

Fig. 31 – Planta de implantação da aldeia de Vidoeiro, Conceção de Fernando DC Robeiro/Blog Chaves sobre imagem retirada de RAPAZOTE, J. (2012). “Aldeias-Jardim” no concelho de Montalegre – O projeto da Junta de Colonização Interna para os baldios do Barroso. Revista de Geografia e Ordenamento do Território, n.º 1 (Junho). Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território. Pág. 207 a 236.

Fig. 32 – Planta de implantação inicialmente prevista – Retirada de RAPAZOTE, J. (2012). “Aldeias-Jardim” no concelho de Montalegre – O projeto da Junta de Colonização Interna para os baldios do Barroso. Revista de Geografia e Ordenamento do Território, n.º 1 (Junho). Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território. Pág. 207 a 236.

Fig. 33 – Planta de implantação final (a vermelho lotes eliminados, a verde escola não prevista) com base em figuira retirada de OLIVEIRA, Ana das Mercês. Colónias Agrícolas da Junta de Colonização Interna no concelho de Montalegre - Modos de habitar a ruralidade, Mestrado Integrado, Faculdade de Arquitetura, Universidade do Porto, 2018.

Fig. 34 – Fotografia aérea de Criande - Foto original de Google Earth

Fig. 35 – Projeto tipo adotado para a aldeia de Fontão retirada de COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

Fig. 36 – Fotografia aérea da aldeia de Fontão - Foto original de Google Earth

Fig. 37 – Planta de implantação do Fontão – Conceção Fernando DC Ribeiro/Blog Chaves

Fig. 38 – Projeto do Chafariz do Fontão retirada de COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

Fig. 39 – Projeto Tipo da moradia para a aldeia de Fontão e Pinhal Novo retirada de COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

Fig. 40 – Fotografia aérea da aldeia de Pinhal Novo - Foto original de Google Earth

Fig. 41 – Planta de implantação da aldeia de Pinhal Novo – Conceção Fernando DC Ribeiro/Blog Chaves

Fig. 42 – Implantação inicial do Centro Social JCI - COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

Fig. 43 – Fotografia aérea do Centro Social - Foto original de Google Earth

Fig. 44 – Projeto tipo das moradias dos Técnicos da JCI - COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

Fig. 45 - Mapa do roteiro, conceção própria sobre SapoMapas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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O Barroso aqui tão perto - As Aldeias dos Colonos

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Foto 15 – Aldeia do Barroso – Mulher e crianças com a rês – 1950/53

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Colónia do Barroso da Junta de Colonização Interna

As aldeias de Salazar – Aldeias Jardim

(Segunda Parte)

(I Parte está aqui

 

II - A COLÓNIA DE BARROSO

 

1 – Os Casais Agrícolas de Barroso

 

Na I parte abordámos a Junta de Colonização Interna, a Colonização Interna Nacional, às fases de colonização interna, a Lei que as regulava, os colonos em geral, a propagando do estado, o que delas se pretendia, em suma, um pouco da história que nos levou até à criação destas novas aldeias, constituídas em 7 colónias ao longo de Portugal, das quais uma, foi desenvolvida no Barroso, que agora abordaremos em exclusivo nesta II Parte.

 

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Foto 16 - Centro Social da JCI no Barroso

 

Tal como já atrás tínhamos referido, na colónia de Barroso foram construídos 126 casais, distribuídos por 7 casais agrícolas que também designaremos por aldeias de colonos, dos quais 6 foram construídos Montalegre e 1 em Boticas, todos em terrenos baldios do Barroso. Para dar apoio a estas aldeias de colonos, foi ainda construído um Centro Social, que não era mais que um Centro Administrativo onde também viviam os técnicos do Estado.

 

Fora estes os casais construídos no Barroso:

 

1 – Casais da Veiga

2 – (Aldeia nova de) São Mateus

3 – Aldeia Nova (do Barroso)

4 – Vidoeiro

5 – Criande

6 – Fontão

7 – Pinhal Novo (Boticas)

8 – Centro Social (Administrativo)

 

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Fig.20 – Os oito assentamentos de Barroso

 

Primeiro vamos fazer uma abordagem geral sobre todas as aldeias e centro social, nomeadamente quanto ao modelo de casal adotado para cada aldeia, o impacto que teve nas populações residentes, etc. Ao longo desta abordagem, vamos deixando imagens de todas estas aldeias (casais) de Barroso.

 

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Foto 17 – Casais da Veiga, com a Serra do Larouco de fundo

 

Depois de um incêndio em 1943 ter destruído a aldeia da Castanheira (freguesia de Vila Chã), a JCI foi incumbida de elaborar um projecto de colonização dos baldios daquela freguesia. De origem circunstancial, a necessidade da colonização daquela região ficou contudo amplamente demonstrada nas palavras do Estudo Económico-Social do Barroso que precedeu o projecto de colonização. Situado no distrito de Vila Real, concelho de Montalegre e Boticas, a região do Barroso, lê-se no estudo, é uma terra de pastagens, onde cerca de 65 % das terras eram maninhos não apropriados e em que quase toda a população vivia da exploração do gado e permanecia intocada pelo mundo moderno: “a dureza do clima e a falta de comunicações agrupam os habitantes em pequenos povoados, de vida quase autónoma, onde costumes patriarcais, através dos séculos, vêem resistindo à evolução civilizadora. Exploram em comum o baldio, utilizam em comum o moinho e forno, em comum apascentam os gados e mantêm o boi do povo.

SILVA (2012)

 

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Foto 18 – Duas casas da aldeia se São Mateus 2

 

Embora no levantamento dos baldios do Barroso ficasse mais que provado que a maioria das terras eram impróprias para a agricultura, que a subsistência das aldeias barrosãs dependia do pastoreio e apanha de lenha nesses baldios, para além do clima agreste do Alto-Barroso, os relatórios da Junta Interna de Colonização ignoraram todas as ameaças ao sucesso dos casais, para além de denegrirem o povo barrosão.

 

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Foto 19 -  Aldeia Nova do Barroso

 Vejamos, a respeito do povo barrosão, algumas considerações e citações dos relatórios da JCI, que Elisa Lopes Silva faz na sua tese de mestrado sobre “A propriedade e os seus sujeitos:  colonização interna e colónias agrícolas durante o Estado Novo”. O sublinhado e negrito sobre as citações  são nossos:

 

O “facies tão característico do Barroso” é atribuído, mais do que às condicionantes geográficas e ecológicas, à combinação entre o isolamento da população, consequência da falta de vias de comunicação, e à “actuação interesseira e retrógrada de autoridades civis e eclesiásticas.” Não é portanto um retrato naturalizador da vivência e cultura barrosã, mas um retrato negativo ancorado em factores de natureza histórico-social, e que por isso, é possível (e urge) transformar, neste caso pela acção dos agentes do poder central: “É impressionante semelhante estacionamento da população num meio em que a terra abandonada ainda abunda. E tudo leva a prever que, em virtude da índole e educação defeituosa da população, o estado de incultura de muitas das melhores terras do Barroso se manterá por largos anos se a intervenção do Estado, por uma actuação enérgica e bem orientada, não puser cobro a desmandos, estabelecendo condições que permitam a realização de certas obras fundamentais à evolução duma sociedade que não é, não sabe ser, nem deseja senão ser pastora.”

SILVA (2012)

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Foto 20 - Aldeia de Vidoeiro

 

A mesma autora, refere na sua tese, alguns alertas que deputados da nação então levaram à Assembleia da República, alertando para as consequências negativas para o Barroso e as populações que iria ter a ocupação dos baldios:

 

A racionalidade extra-económica (no sentido de maximização dos recursos) do projecto colonizador do Barroso é mesmo trazido à Assembleia da República pela voz do deputado Manuel Vaz em 1951. Numa crítica aberta às consequências negativas para as populações locais das formas de colonização estabelecidas no Barroso afirma que “persistir em aldear será tudo o que quiserem, mas não é lógico, não é economicamente aconselhável. E tem algo de desumano.”

SILVA (2012)

 

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Foto 21 - Criande e Morgade vistos desde o Centro Social

 

E acrescenta:

Na verdade, uma grande parte dos baldios tem influência preponderante – como se diz num dos Relatórios da Junta de Colonização Interna – na economia dos povos, constituindo complemento da actividade agrícola e pecuária; outros estão por tal modo ligados à vida das populações que toda a actividade consiste no seu aproveitamento, pela apascentação dos gados, como sucede no Barroso;

SILVA (2012)

 

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Foto 22 – Aldeia de Fontão vista desde a EN103

 

Este “roubo” dos baldios à população. viria a deixar sérias mossas nas vidas e tradições da população das aldeias barrosãs que vivia essencialmente da pastorícia nesses terrenos baldios, além de encontrar nestes, outras formas de sustento. Como se não bastasse, a situação agrava-se mais ainda com a construção das barragens, principalmente a do Alto Rabagão que viria a inundar os melhores terrenos de cultivo. Para justificar a “invasão colonial” os relatórios de trabalhos executados nas Colónias Agrícolas da JCI,  passavam sempre uma imagem negativa do povo barrosão, como   esta  de “a falta dos hábitos de trabalho dos pastores do Barroso”. Bento da Cruz vai mais longe com as consequências, principalmente sociais, mas também ambientais, que este roubo de baldios às populações barrosãs significou, quando na introdução às “Histórias da Vermelhinha” afirma o seguinte:

 

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Foto 23 –  Barragem do Alto Rabagão inundou grande parte dos terrenos destinados a Criande e Aldeia Nova

 

“Na minha infância, andavam no monte pelo menos duas pessoas de cada casa: uma com a rês, outra com as vacas. (…) A promessa de uma história era o melhor engodo para interessar a arraia-miúda no pastoreio. «Anda comigo com a rês que te conto uma história…» dizia a avozinha à neta. E a menina lá ia, toda vaidosa, fiada no conto./Desgraçadamente, os baldios desapareceram, roubados às populações pelos Serviços Florestais, pela Junta de Colonização Interna. As quebradas dos montes, outrora cheias de alegria, de cantares, de assobios, de gorjeios, de balidos, de histórias, são hoje locais desertos, assombrados de pinheiros inúteis. Até os pássaros se calaram. Ou morreram.”

CRUZ (1991)

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Foto 24 – Pastores barrosões com a rês nos montes com neve - 1950-53

 

Com ou sem a aprovação do povo barrosão e dos seus autarcas da altura e outros atores locais, as aldeias dos colonos avançaram mesmo, mas não de forma muito pacífica, ou sem protetos…

 

«Concretizaram-se em dezenas de petições enviadas pelos moradores e pelas entidades locais (juntas de freguesia e câmara municipal) aos órgãos do poder central; invasões de terrenos entregues aos colonos […] quotidiana desobediência às regras impostas pelos guardas-florestais e pelos demais agentes do Estado, plantar árvores ao contrário, deixar lavrar os incêndios, etc»

(Freire, 1998: 38). Citado por COSTA (2017).

 

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Foto 25 -  Aldeia de Pinhal Novo - Boticas

 

E diz ainda:

 

A necessidade de instalação de forças policiais nas colónias como forma de mediação dos contitos surgidos, foi sentida, após os trabalhos iniciados na região do Barroso pela Junta de Colonização Interna e pela Junta de Florestação. No inquérito à região, a Junta referia que o habitante barrosão «[…] recebe com maior desconfiança e grave prevenção toda a tentativa de lhe melhorar a existência». A perda das regalias dos extensos baldios explorados em comunidade para a sua divisão em glebas privadas e criação das colónias agrícolas, não foi compreendida pela população do Barroso como “tentativa de lhe melhorar a existência”. E a resistência e oposição a estas medidas sucederam-se . Na região onde quase 60% da propriedade tinha menos de 1 hectare, a Junta fazia dos colonos, grandes proprietários — sendo a dimensão média da propriedade entre 14,5 a 25 hectares. Mesmo com a medida de recrutar famílias nas aldeias vizinhas para ocupação de parte dos casais agrícolas afastava a população do Barroso das colónias: «Os “colónios” eram vistos como intrusos e dilapidadores do património comum. Aceitar esse estatuto era uma forma de auto-exclusão da comunidade de origem, na qual se mantinham fortes laços familiares e sociais.» (Freire, 1998: 38). Poucos casais foram ocupados no núcleo de colónias por vizinhos locais.

COSTA (2017)

 

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Foto 26 – Casais da Veiga

 

Feita talvez nesta série de protestos, pessoalmente, desde miúdo, que tinha uma imagem que então me deram dos colonos. Fruto de algumas conversas que ia ouvindo sobre os colonos dos Casais da Veiga (a única aldeia de colonos que então conhecia), e talvez mesmo por respostas dadas a perguntas minhas sobre aquele aglomerado de casas que dava nas vistas, quer pela sua construção diferente do habitual, quer por serem casas novas, todas iguais e alinhadinhas, que ouvia dizer que os colonos não eram gente boa, vinham para ali castigados por Salazar. Que eram ex-presidiários, vadios, bêbados, ladrões, de toda a espécie de piorio de gente… Hoje sei que não era assim, e os próprios colonos, na maioria, acabaram também por ser vítimas da JCI e de um modelo de colonização que a propaganda apresentava como aldeias jardim, de terra fértil, com grandes planícies aráveis, habitadas por gente feliz, e que tal como aconteceu à família de colonos com quem falei na aldeia de Fontão, que meteram os papéis para irem para as Angola e foram enviados para o Barroso, como se fosse a mesma coisa… outros colonos vieram para realizar o sonho das suas vidas!…

 

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Foto 27 – São Mateus

 

 Hoje todos sabemos o fracasso que foi esta colonização interna. Esta última imagem do centro administrativo onde viviam os engenheiros que davam apoio, controlavam e fiscalizavam os colonos e as colheitas, onde também viviam professoras das escolas dos colonos (segundo me informou um colono, as professoras eram as mulheres dos engenheiros), mas ia dizendo, que esta última imagem demonstra bem o sucesso que foram os casais. Mas lá iremos a esse "sucesso".

 

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Foto 28 – Capela da Aldeia Nova do Barroso

 

2 - Os Colonos dos Casais de Barroso

 

Como já vimos atrás, para ser colono, era exigido um certo perfil e uma das preferências para atribuírem um casal agrícola era “aos que tiverem residência na freguesia da situação do casal ou nas freguesias vizinhas”  No entanto, pelo que pude apurar, uma coisa era o que estava estipulado na Lei, outra coisa foi a seleção dos colonos, principalmente na preferência dada ao que tivessem residência na freguesia. Segundo apurei na Aldeia Nova junto de um colono, o pessoal veio todo de fora do concelho de Montalegre e Boticas. Também junto da viúva de um casal de colonos, natural de Mirandela, disse-me que meteram os papéis para irem para as colónias ultramarinas, para Angola, mas depois mandaram-nos para aqui (Fontão), “diziam que nos davam terreno de cultivo, mas só nos deram monte… ainda o temos, mas agora estou aqui sozinha e não tenho que o trabalhe”

 

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Foto 29 – Chafariz e bebedouro da aldeia de Vidoeiro 

 

Segundo o testemunho do Sr. António,  filho do único colono original ainda vivo, vindos de Amarante, que herdou um dos casais agrícolas do pai, é um dos poucos herdeiros que ainda se mantém na aldeia nova como agricultor, foi-nos contando a verdadeira história da Aldeia Nova e de Criande:

chegamos aqui em 1952, eu os meus pais e uma irmã, para ocuparmos um casal agrícola”.  Pensava eu que a arte de projetar e fazer obras do estado ou municipais para meia dúzia de anos depois desfazer tudo que foi feito para projetar e fazer nova obra por cima, era noia da atualidade, mas pelos vistos nas colónias do Barroso passou-se o mesmo, ou quase, e isto já lá vão 70 anos, em pleno Estado Novo.

 

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Foto 30 – Criande em primeiro plano, em segundo, a aldeia de Morgade

 

Pois segundo o testemunho do Sr. António: “Os casais agrícolas até são grandes, mas mais de metade do terreno serve para nada. No início deram-nos 18 hectares de terreno, depois deram-nos mais, ao todo 40 hectares” e apontando-me a barragem dos Pisões disse “os melhores estavam além, eram os nossos e os de Criande, mas depois vieram com a construção da barragem e ficamos sem eles, os melhores ficaram todos alagados. A maioria dos de Criande foram-se embora e os que ficaram, ficaram sem terrenos. Aqui só ficaram 18 colonos, mas entregaram duas casas e dois casais agrícolas a cada um, para compensar o que foi inundado, por isso é que ficámos com 40 hectares, mas a maior parte do terreno não vale nada, não se dá lá nada. A nós, então, deram-nos dois casais agrícolas. Hoje um é meu,  outro da minha irmã

 

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Foto 31 – Fontão

 

Deram-lhe os casais!? interpelei eu…”Não, não deram, isto foi como um empréstimo do banco. Primeiro os engenheiros da Junta de Colonização é que decidiam o que se cultivava e davam apoio, davam as sementes e o que precisávamos para tratar de tudo. Depois nas colheitas, tínhamos de dar 6 partes para o estado e uma parte ficava para nós. Aquilo não dava para nada. Nós quando apanhávamos os engenheiros distraídos, íamos desviando um saco ou outro sem eles darem conta, mas aquilo, chegávamos ao fim com mais meia dúzia de sacos, mas mesmo assim não era nada

 

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Foto 32– Pinhal Novo - A casa de um casal

 

Mas então não pagavam nada!? “- Pagávamos sim, eram 6 partes da colheita para o estado e uma para nós, isto até nos entregarem os casais a título definitivo em 1967. Depois de 67 foi ao contrário, acabou, mas tínhamos de pagar 180 contos por cada casa, e na altura ainda era muito dinheiro, ficámos a pagar x por ano,  durante 30 anos, tal como um empréstimo no banco. Depois em 1983, a Lei mudou e quem quisesse pagar o que devia podia pagar tudo de uma vez.”

 

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Foto 33 - Barroso – Recolha de lenha nos montes com neve – 1950-53

 

E em conversa, fui-lhe dizendo: - Vocês ainda tiveram sorte, como eram dois irmãos, ficou cada um com cada casa, mas os outros colonos que tinham mais filhos, já não tiveram a mesma sorte, pois não podiam fazer partilhas por todos… Mas o Sr. António interrompeu e esclareceu. “Não, isso era antes, mas depois em 1983 a Lei foi alterada e todos podiam herdar, se quisessem, só que a propriedade nunca se pode partir, tem de ficar inteira, mas isso é como a Lei dos outros terrenos, é na mesma”. Sim, é a Lei geral, a da propriedade ter de se manter indivisa, só que a partir de 1983, os colonos passaram a poder vender o casal a quem quisessem, ou a quem comprasse, deixou de ser obrigatório ficar na família e continuarem como colonos toda a vida, ou seja, acabaram as colónias agrícolas,  e os terrenos e casas passaram a ser como outro terreno ou casa (prédio) quaisquer.

 

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Foto 34 – Centro Social da JCI no Barroso

 

3 – O Casal Tipo do Barroso

 

Dezembro 1943: Projecto de Casal - Tipo do Barroso. A Memória Descritiva e Justificativa do «Projecto de Casal-Tipo do Barroso» foi, inicialmente, comum a 134 casais agrícolas. Nela, define-se a parte construída da uma pequena exploração agrícola do tipo familiar, constituída por: «casa de habitação, estábulo, nitreira, dois silos e compartimento para pocilgas, além de um alpendre para carros, utensílios de lavoura e ovil.» (J.C.I., 1943b: 1) A memória descritiva sintetiza a matriz espacial e os elementos construtivos do casal agrícola. Apesar de longa, a sua clareza justifica a transcrição integral: «A Casa: uma cozinha térrea, tendo ao lado um quarto e uma despensa, é a peça principal da casa; é também durante os invernos rigorosos o ponto de reunião da família. Uma grande lareira e uma boa chaminé tendo numa das paredes a bôca de um forno exterior à casa, completam-na. Duas janelas dão-lhe uma boa iluminação, além de uma terceira, espécie de clara-bóia. Junto à cozinha e próximo da porta de entrada, à esquerda, construir-se-à uma sentina. Um outro pavimento constituído por dois quartos de dormir, para onde dá acesso uma escada terminada por uma varanda, a toda a largura da cozinha e dando para ela completa a casa de habitação. Todos os vãos exteriores têm portas ou janelas e estas com portas interiores ao contrário dos vãos interiores que serão vedados por cortinas nele colocados pelos colonos. (…) Junta de Colonização Interna Dezembro 1943»

(…)

A Memória foi acompanhada pela Medição de Trabalhos onde, na última atualização datada de Janeiro de 1947 e designada «Casal-tipo da Aldeia Nova do Barroso» , o custo final do casal foi definido em 110.100$00 mais «10% para lucro do empreiteiro, imprevisto e arredondamento 10.057$00.», «Acrescido de 10% importa em 121.110$00». O orçamento final do casal foi de 121,110$00 com instalação de água canalizada e 120.780$00 sem instalação de água canalizada. O projeto não tem identificação do técnico. Este projeto foi concebido em função de uma família padrão.

COSTA (2017)

21-Fig.21-oliveira.jpg

Fig.21  - Casa tipo para a região de Barroso

 

(Continua, amanhã, às 14H00)

 

 

 

10
Abr20

O Barroso aqui tão perto - Covelães

aldeias de barroso- C/VÍDEO

1600-covelaes (59)-VIDEO

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos aqui hoje esse resumo, para a aldeia de Covelães.

 

1600-covelaes (46)-VIDEO

 

Aproveitamos também a oportunidade e deixamos mais algumas imagens que escaparam à anterior seleção.

 

1600-covelaes (133)-VIDEO

 

Aldeia que calha muitas vezes nos itinerários que vamos fazendo pelo Barroso e que nos abre as portas ao Barroso do Gerês. Dai, continuar também debaixo da atenção da nossa objetiva. Mas hoje é para o vídeo que Covelães não teve aqui no anterior post.

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Covelães:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

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