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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

08
Mai22

O Barroso aqui tão perto - Vila Pequena

Aldeias do Concelho de Boticas - Freguesia de Dornelas

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Embora sem a regularidade que eu pretendia, mas chegamos à última aldeia de mais uma freguesia do concelho de Boticas que, se ainda se lembram, andávamos pela freguesia de Dornelas.

 

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Depois da última aldeia que aqui trouxemos desta freguesia de Dornelas foi a Vila Grande. Seguindo a metodologia com que iniciámos estes posts, o de seguir a ordem alfabética do nome das aldeias dentro da respetiva freguesia, em Dornelas a seguir à Vila Grande vem a Vila Pequena, e é para lá que vamos hoje.

 

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Já é sabido que o Barroso é terra de contrates, geralmente o seu primeiro contraste, mais ou menos conhecido por toda a gente, é a do Alto Barroso e Baixo Barroso, embora na realidade do terreno não haja bem essa perceção. Pessoalmente consigo distinguir no terreno outros pequenos Barrosos dentro do seu todo, mas no final, a realidade resume às terras altas e agrestes localizadas nas cotas mais altas das altas montanhas do Barroso, e a pequenos vales e depressões entre montanhas e ao longo dos rios e ribeiros do Barroso, onde, aí, a cor dominante é o verde.

 

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Em geral, e como é natural, as aldeias nasceram à beira das zonas onde o verde é dominante, maioritariamente na transição entre o verde e o agreste, ou seja, sem sacrificar as terras de cultivo onde se semeava o pão para todos os dias, mas também as pastagens para o gado bobino, pois as ovelhas e cabras sempre podem subir à montanha, de verão até às cotas mais altas e de inverno pelas suas faldas. Isto mais no passado, e não muito distante, pois hoje em dia, tem-se apostado mais nas pastagens e cultivo de forragens para o gado bovino.

 

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Mas como sempre não há regras sem exceções e esta freguesia de Dornelas, em parte, é uma exceção, isto quanto à sua localização, pois as aldeias 4 das suas 7 aldeias, estão implantadas e partilham terras verdes, mais ou menos planas, entre montanhas, avistando-se umas às outras, são elas a Espertina, o Antigo de Dornelas, a Vila Grande e a Vila Pequena.

 

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Esta condição da localização/implantação e proximidade destas 4 aldeias faz com que entre elas exista um certa cumplicidade natural, reforçada, também naturalmente, com  o pertencerem todas à mesma freguesia.

 

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Assim quase tudo que dissemos em relação às aldeias que já por aqui passaram deste conjunto de aldeias, aplica-se também a nossa aldeia de hoje, a Vila Pequena e ao conjunto anterior poderíamos acrescentar ainda a aldeia da Gestosa, ficando apenas de fora, pela sua condição de aldeias mais isoladas e de montanha, as aldeias de Casal e Lousas.

 

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Também a localização da Vila Pequena e itinerário para chegar até lá, é semelhante, ou o mesmo caminho que tivemos de percorrer para chegar às suas aldeias vizinhas, mas pelo sim pelo não e como o último post dedicado à freguesia já foi há umas semanas, aqui fica de novo.

 

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Iniciemos pela sua localização e itinerário para ir até lá, que, tal como para a grande maioria das aldeias do concelho de Boticas, sempre com partida desde a cidade de Chaves, devemos tomar a Estrada Nacional 103, estrada Chaves-Braga, mas só até Sapiãos. Aí, saímos da E103 e rumamos em direção a Boticas, que quer se passe pelo centro da vila ou pela variante, iremos acabar por ir ter ao Centro de Artes Nadir Afonso, onde, na rotunda, devermos tomar a saída em direção a Ribeira de Pena e Cabeceiras de Basto, ou seja a ER311 a “grande via” que atravessa quase pelo meio todo o concelho de Boticas.

 

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Ao todo, até chegar a Vila Pequena, deveremos percorrer 45,2km, e embora próxima da estrada ER311, temos de sair dela. Para sair, podemos tomar como referência a aldeia de Agrelos, a partir da qual devemos ir com atenção, pois vamos entrar pela Espertina, fica a 2,5km desta aldeia e após uma curva onde a meio, do lado esquerdo, está uma pequena capela e na estrada deverá existir uma placa a indicar Antigo para o lado esquerdo e Alturas para o lado direito. É aí, em direção a Antigo, que devemos sair da R311, e logo a seguir é a Espertina.

 

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Depois logo a seguir à Espertina, localizada na descida para uma pequena depressão de terreno entre montanhas, temos à esquerda a saída para o Antigo de Dornelas e à direita a saída para a Vila Pequena que, dada a proximidade, já estará visível aos nossos olhos.

 

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E por hoje é tudo, mas ainda vamos ter oportunidade de ter aqui outra vez a Vila Pequena, no próximo post dedicado à freguesia, com o resumo da freguesia de Dornelas.

Falta apenas o habitual vídeo com todas as imagens da Vila Pequena publicadas até hoje neste blog.

Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E concluímos a freguesia de Dornelas, concelho de Boticas, pelo que nos despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui o resumo da freguesia.

 

 

01
Abr22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Um olhar sobre um trecho da Portela

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Como já vendo sendo habitual, às sextas-feiras vamos ter por aqui num dos posts do blog, a Vila de Montalegre, com posts mais ou menos elaborados um simplesmente com um olhar, sobre uma rua, um largo, uma igreja, o castelo, etc.. Assim, hoje ficamos apenas com um olhar de um trecho da Portela, ou a Portela na intimidade das suas ruas, na margem da sua rua, historicamente, principal.

 

 

 

27
Mar22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Vila de Montalegre

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Desde já fica o aviso de que a nevada que se vê na foto não é de hoje, bem poderia ser, mas esta já se foi, há muito que caiu e derreteu, pois a foto é de fevereiro de 2014, mas como é um cenário que pode acontecer a qualquer momento e que eu saiba o largo é assim que existe, continua a ser uma imagem atual.

 

Um largo que é também uma imagem de marca de Montalegre e que bem poderia chamar-se o largo dos poderes, pois nele moram o poder político no edifício da Câmara Municipal de Montalegre, o poder judicial com o seu Palácio da Justiça e um outro poder, que embora não oficial é dos que mais manda, o poder económico, representado na praça pelo edifício da Caixa Geral de Depósitos, do qual se vê apenas uma nesga do seu edifício, à esquerda da imagem.

 

Imagem também de marca é o centenário carvalho, designado por Carvalho da Forca e que está considerada uma árvore de interesse público (D.L. 14/2006) que segundo consta na placa que repousa a seu pé, nele foi publicamente executado, em 18 de setembro de 1844, o último enforcado de Montalegre.

 

 

13
Mar22

O Barroso aqui tão perto - Vila Grande

Vila Grande - Dornelas - Boticas

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Sem qualquer desculpa, há algum tempo interrompemos a regularidade de trazer aqui as aldeias de Boticas. Para relembrar, antes da interrupção, andávamos por terras da freguesia de Dornelas.

 

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Temos abordado as freguesias por ordem alfabética, e dentro delas, seguimos a mesma metodologia. A última aldeia que tivemos aqui da freguesia foi Lousas, o que quer dizer que já tinham sido abordadas  as aldeias de Antigo, Casal, Espertina e Gestosa, daí, termos cá hoje a Vila Grande, ficando por abordar a Vila Pequena.

 

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Vila Grande – Dornelas - Boticas

 

Vila Grande que comummente por cá, em geral, é conhecida pelo Couto de Dornelas, tudo pelo antigo Couto que existiu na freguesia. Mas sobre o Couto de Dornelas, falaremos no post final da freguesia. Hoje abordamos a aldeia mas também a sua festa grande, que a torna famosa a nível nacional mas também lá fora, ou aqui mais perto na Galiza, também é conhecida, tudo por ser uma festa comunitária. Mais à frente também falaremos desta festa.

 

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Quanto à Vila Grande que também eu conhecia por Couto de Dornelas, foi uma das primeiras aldeias a conhecer no Concelho de Boticas, mas já foi há tanto tempo que na memória, quase só ficou o complicado que foi chegar até lá, então ainda por caminhos de montanha em terra batida e muito irregular.

 

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Decorria então o ano de 1975, quando tudo era possível acontecer e concretizar, quando um grupo de teenagers, penso que 12, todos rapazes, se juntaram e formaram um grupo de cantares de música de intervenção, à capela. Sei que a ideia surgiu num dia, no dia seguinte ensaiámos, e no seguinte já estávamos no palco dos “Canários”, com salão cheio a ouvir-nos cantar, onde fomos logo contratados para a uma atuação no Couto de Dornelas no fim-de- semana seguinte.

 

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O Grupo chamava-se GIEC, se bem recordo eram as siglas de Grupo de Intervenção Estudantil de Chaves, e só falo disto aqui porque a Vila Grande, além de nos ter recebido muito bem, teve a honra de assistir à uma das duas atuações que o grupo fez, depois de uma longa e dura viagem, principalmente a partir de Boticas, que fizemos distribuídos por três ou quatro carros.

Já lá vão quase 50 anos, e para além destas poucas memórias outras não há.

 

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Só anos depois é que soube da festa da Mezinha do São Sebastião que, confesso, me despertou logo o interesse de ir por lá ver como era. Festa que se realiza todos os anos no dia 20 de janeiro e que desde que me falaram dela queria lá ir, mas que por ser sempre dia 20, a maioria das vezes calha fora do fim de semana e que por essa razão, fui adiando, ou porque então ainda estudava e eram dias de aula ou porque depois já trabalhava e era dia de trabalho, e assim foi sendo adiada a ida ao São Sebastião da Vila Grande.

 

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Assim foi sendo adiada a verdadeira descoberta da Vila Grande até que fomos lá ao nosso primeiro São Sebastião, que aconteceu em 2010, mais para descobrir a festa comunitária, da qual ficámos fãs, com promessa de lá voltar nos anos seguintes, que só falhámos no ano de 2019 e 2021/22, nestes dois últimos anos por não se ter realizado por causa da pandemia.

 

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Fora do São Sebastião só fizemos por lá uma visita com um grupo de fotógrafos da Associação Lumbudus, em Maio de 2011 e algumas passagens mais recentes aquando do levantamento fotográfico das aldeias de freguesia de Dornelas. O que fica em imagem é uma seleção das fotografias da aldeia desde do ano de 2010 até 2020.

 

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E como chegamos até à Vila Grande? Pois para quem acompanha o blog e viu os posts de Espertina e Antigo, a Vila Grande fica logo a seguir a estas aldeias. Para quem viu os posts de das aldeias de Casal e Lousas, para lá chegarmos, tivemos que, obrigatoriamente, passar pela Vila Grande.

 

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Para que não viu nenhum dos posts atrás referidos, fica hoje a localização e o melhor itinerário para chegar à Vila Grande, que hoje, ao contrário da primeira vez que lá fomos, é muito fácil de lá chegar.

 

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Então, com partida da cidade de Chaves, como sempre, saímos da cidade pela N103 (estrada de Braga) até Sapiãos. Aí saímos da N103 em direção a Boticas que deveremos atravessar ou passar ao lado pela variante ao centro até encontrarmos o Centro de Artes Nadir Afonso, onde na rotunda, devemos seguir em direção a Ribeira de Pena, Cabeceiras e Salto pela R311 que, deveremos seguir passando por Quintas, e Carreira da Lebre, seguindo depois sempre pela R311 até nos aparecer o desvio à esquerda para Espertina e Antigo. Ficam os mapas e imagens aéreas para ajudar

 

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Um post normal terminaria mais ou menos por aqui, pois em imagens estaria, também, mais ou menos completo com imagens a representar a aldeia, mas falta-nos abordar a festa da Mezinha do São Sebastião, que é, sem qualquer dúvida, onde acontecem os momentos mais altos da aldeia, com milhares de visitantes a confirmar e validar esses momentos.

 

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Festa da Mezinha do São Sebastião  

 

Como já algumas versões diferentes, ou com algumas diferenças,  vamos deixar aqui aquela que consta na monografia de Boticas - PRESERVAÇÃO DOS HÁBITOS COMUNITÁRIOS NAS ALDEIAS DO CONCELHO DE BOTICAS. As imagens ficam pela ordem do decorrer dos acontecimentos, desde a chegada à aldeia manhã cedo, ao juntar do pessoal, à festa, a cerimónia religiosa e a distribuição dos alimentos ao longo da mesa colocada ao longo do arruamento principal da aldeia.

 

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Todos os anos, no dia 20 de Janeiro, realiza-se aquela que é uma das mais importantes festas de cariz comunitário: a Mezinha de S. Sebastião ou Festa das Papas, como era inicialmente conhecida. As origens desta festa perdem-se nos tempos. Diz a memória popular que, aquando da segunda invasão francesa, em 1809, comandada pelo general Soult, o povo de Vila Grande avistou os soldados a passar numa estrada, a estrada velha, perto das aldeias do Couto de Dornelas e sabendo que por onde passavam, saqueavam tudo, imploraram a protecção divina.

 

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Pegaram na imagem de S. Sebastião, saíram com ele à rua, levaram-no até à torre da igreja e prometeram ao Santo que todos os anos realizariam uma festa em sua honra se as tropas não descessem até às aldeias. Eis que o milagre se deu, caiu uma grande nevada e as tropas passaram ao largo das aldeias e o povo, agradecido, cumpriu a promessa.

 

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Existe também outra lenda de que esta festa se começou a fazer depois de uma grande peste que matou muitos animais na freguesia. Desesperadas, as pessoas pediram protecção ao Santo, prometeram-lhe que todos os anos fariam a festa em sua honra se os livrasse de tão terrível maleita. Feito o milagre, o povo cumpriu a sua promessa.

 

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Certo ano faltaram ao prometido e não celebraram a festa, contam que por causa disso deu uma moléstia nas patas dos animais e, nesse ano, não os puderam utilizar para os trabalhos agrícolas. Em desespero de causa, arrependidos pelo incumprimento da promessa, imploraram novamente a protecção ao Santo e desde então para cá a festa tem-se realizado no dia 20 de Janeiro de cada ano.

 

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A organização desta festa, refeição comunitária, está a cargo dos mordomos, inicialmente os 9 maiores lavradores da aldeia de Vila Grande, os que tinham mais posses, num sistema de rotatividade entre eles.

 

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São os mordomos, com a ajuda de familiares e amigos, que arranjam e preparam a comida servida na refeição comunitária (pão, carne e arroz). Dada a dimensão desta festa, tudo tem que ser preparado com muita antecedência. Por altura do Natal, andam pelas casas das aldeias da freguesia a recolher os cereais (centeio e milho) para fazer as broas. Em Janeiro, recolhem os restantes donativos: carne de porco (essencialmente peito e queixadas) e dinheiro para comprar o arroz.

 

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Além de procederem à recolha destes produtos, arranjam lenha para cozerem as broas e para cozerem os alimentos; e procedem à moagem dos cereais em dois moinhos locais.

 

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A comida é confeccionada na “Casa do Santo”. Esta casa, construída para o efeito com o apoio da Câmara Municipal, tem uma cozinha com uma lareira, um forno grande, uma amassadeira eléctrica e uma sala para armazenar as broas.

 

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Durante cerca de cinco dias e cinco noites cozem as centenas de broas que vão ser distribuídas ou vendidas no decorrer da festa. No dia 19, à meia[1]noite, acendem o lume na lareira da “Casa do Santo”, à volta do qual dispõem mais de 20 potes de ferro com a carne partida aos bocados, a cozer. No dia 20, assim que toca o sino para a missa, colocam-se os potes com o arroz a cozer.

 

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Finda a missa, seguem em procissão com o Santo até à “Casa do Santo”, onde o padre procede à bênção do pão, da carne e do arroz.

 

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Pode então iniciar-se a distribuição da comida. Na principal rua da aldeia, ao longo de centenas de metros, estão colocados os bancos de madeira, cobertos com alvas toalhas de linho – a mesa – onde, de vara em vara, será colocada a comida: broa e dois pratos de madeira, um com carne outro com arroz.

 

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Esta refeição é para todas as pessoas que a ela acorram. Pratos e talheres cada um leva os seus, assim como a bebida para acompanhar tão salutares alimentos. Entretanto, o mordomo percorre a mesa dando o S. Sebastião a beijar e recolhendo as dádivas que cada romeiro queira oferecer ao Santo.

 

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Dizem que, por ser benzida, esta comida tem propriedades curativas; de tal forma que as broas podem-se guardar muito tempo que não criam bolor. Tais são os benefícios que lhe são atribuídos, que muitos são os que levam pedaços, senão mesmo broas inteiras, para casa, para comer ou dar aos animais para que não padeçam de maleita nenhuma.

 

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Para finalizar o vídeo com todas as imagens da aldeia de VILA GRANDE que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Vila Pequena .

 

 

11
Mar22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Vila e Portela

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Nesta primeira imagem, a rua do Reigoso a subir para a vila da Vila de Montalegre, mas como todas as ruas que sobem, também descem em sentido contrário, e neste caso a descida é para a Portela, para onde queremos ir hoje e entrar.

 

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Esta rotunda que, como todas servem para organizar o trânsito automóvel, neste caso serve também de “fonteira” ou “separara” a vila da vila de Montalegre e a Portela. A vila na parte mais alta de Montalegre, mais antiga e que se desenvolve em plano inclinado em direção ao castelo. A Portela, na parte mais baixa de Montalegre e que outrora teria sido um núcleo bem consolidado, mas já fora da vila. Claro que Montalegre também teve o seu crescimento natural e saiu da sua moldura histórica, a mais antiga e, vila e Portela são hoje um todo consolidado, rodeado da novas construções e novos bairros que foram surgindo à volta desse todo consolidado histórico e mais antigo.

 

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Esta última imagem, da entrada na Portela para quem vem da vila, era e ainda é a rua principal da Portela, que assumiu esse mesmo topónimo, ou seja rua da Portela e que na prática passa pelo meio da Portela e era uma das saídas de Montalegre, a saída norte em direção à Serra do Larouco, e o contrário também é verdade, pois também era a entrada norte de Montalegre, todo ele Alto-Barroso que só termina na fronteira com a Galiza e com o concelho de Chaves.

 

 

25
Fev22

O Barroso aqui tão perto - Montalegre

Igreja do Castelo

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Iniciámos na semana passada estas visitas breves à Vila de Montalegre, que tal como então dissemos, iriamos trazer aqui em três momentos com: O Castelo, a Vila e a Portela. Sem que seja obrigatoriamente por esta ordem, embora hoje até fique aqui uma imagem do Castelo, mas vista desde o adro da Igreja Paroquial de Montalegre/Igreja do Castelo de Montalegre, que é essa a que hoje queremos realçar.

 

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E o realce fica, nem que seja e só, pela beleza desta igreja, não apenas pelo edifício em si, mas pelo conjunto do edifício e o seu enquadramento, com vistas privilegiadas para o castelo, para a Portela, para o rio Cávado e para a Serra do Larouco.

 

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É um dos locais que quase sempre visito quando vou por Montalegre, sendo também de visita obrigatória para quem descobre Montalegre, pois sem uma visita a esta igreja, a descoberta ficará incompleta, não só pela igreja, como atrás já realcei, mas também pelas vistas que desde o seu adro se alcançam.

 

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Para ficar a saber mais sobre esta igreja, fica um pequeno apontamento que retirámos da página Património Cultural da Direção-Geral do Património Cultural:

Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave e capela-mor, mais estreita, interiormente com tectos de madeira e iluminada axial e lateralmente. Fachadas em cantaria aparente, com cunhais apilastrados coroados por pináculos piramidais, e terminadas em cornija. A fachada principal termina em empena e é rasgada por portal de verga recta, moldurado, e óculo, e as laterais são rasgadas por vão no topo da nave, abrindo-se ainda na lateral direita porta travessa de verga recta e vão na capela-mor. Fachada posterior terminada em empena. No interior possui coro-alto de madeira, púlpito de bacia circular e guarda plena em madeira, pintada, retábulo lateral e dois colaterais maneiristas, em talha dourada de planta recta e um eixo ou três respectivamente. Arco triunfal de volta perfeita e na capela-mor retábulo-mor em barroco nacional, de talha policroma e dourada, de planta recta e três eixos. Possui separado, disposto lateralmente, campanário terminado em dupla sineira, seguindo o esquema comum das igrejas da região Barrosã.

(…)

séc. 16 / 17 - provável construção da igreja e do campanário;

 

 

 

22
Jan22

O Barroso aqui tão perto - Viveiro c/ Vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

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VIVEIRO - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de VIVEIRO, concelho de Montalegre.

 

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É mais uma aldeia das proximidades do Rio Cávado, mas também muito próxima do Rio Rabagão e ainda do ponto de encontro destes dois rios, tendo o Cávado a apenas 850m, o Rabagão a 1.3Km e o encontro dos dois rios a 2.3Km.

 

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Embora exista esta proximidade dos dois rios, os mesmo não se sentem na aldeia, nem sequer se avistam, assumindo assim a aldeia a identidade de uma aldeia de montanha em vez de aldeia ribeirinha e não é de estranhar, pois estes dois rios fazem a grande maioria do seu percurso em fundas gargantas no encontro de montanhas, onde nem sequer existem pequenos vales.

 

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Só para se ter uma ideia, a inclinação do terreno para o rio Cávado é de quase 40%, daí não ser muito convidativo a ser percorrido, nem é necessário, pois embora Viveiro seja uma aldeia de montanha os terrenos que a rodeiam estão todos vestidos de verde, quer com pastagens, quer com terras de cultivo, quer com arvoredo nas divisórias dos terrenos ou em pequenas florestas que se vão prolongando até às aldeias mais próximas, que no presente caso são as aldeias de Santa Marinha a nordeste e Ferral a soeste, e Vila Nova e Sidrós a Poente. Estamos em aldeias do Barroso Verde, com aldeias de baixa altitude, algumas na cota dos 200 e 300 metros como acontece com as aldeias vizinhas de Vila Nova e Sidrós, embora Viveiro esteja já na cota dos 500m. Contudo, convém não esquecer que a Serra do Gerês está ali mesmo ao lado, com o seu grande rochedo a erguer-se para o céu, com o que de mais agreste tem o Barroso. Contrates do Barroso que lhe conferem uma beleza ímpar, sendo mesmo uma pérola do Reino Maravilhoso, e uma paixão para quem o descobre, e está aqui tão perto…

 

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Pois para chegar a este Barroso é necessário percorrer apenas 70km, a menos de 1H30 de viagem, e  não é pelo caminho mais perto, pois nós recomendamos estradas secundárias, num percurso em que se atravessa quase o Barroso de lés a lés e quase todas as suas identidades e contrates, para isso, basta sairmos de Chaves em direção ao São Caetano, depois Soutelinho, Montalegre, Paradela do Rio, Santa Marinha e logo a seguir temos Viveiro, ainda antes de Ferral, embora esta última possa servir como referência, mas ficam os nossos mapas que até nem são necessários, pois felizmente o concelho de Montalegre está muito bem sinalizado, e basta seguir as placas indicativas, só temos de saber para onde queremos ir.

 

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Passeio para um dia completo, com partida de manhazinha e chegada à noitinha, se for de verão, de inverno, talvez já se chegue a casa já de noite. Quanto a refeições, se for adepto de piqueniques, leve o farnel, não faltam sítios onde parar, tal como não faltam restaurantes, esteja onde estiver, a meia dúzia de quilómetros há sempre um restaurante, às vezes, o mais complicado, é escolher qual, mas é garantido que em quase todos se come bem, principalmente naqueles em que ainda não aderiram às modernices. Se for um prato à barrosã, é garantido que se come bem e a um preço acessível, pelo que não vale a pena preocupar-se com o farnel.  

 

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Mas como hoje estamos aqui pelo vídeo que VIVEIRO não teve aquando do seu post completo, para o qual fica link no final deste, vamos passar de imediato ao seu vídeo, com todas as fotos da aldeia publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de VIVEIRO:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-viveiro-1658821

 

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui o vídeo da aldeia de XERTELO.

 

09
Jan22

O Barroso aqui tão perto - Vilarinho de Arcos C/Vídeo

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VILARINHO DE ARCOS - MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de VILARINHO DE ARCOS, concelho de Montalegre.

 

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Estamos no Barroso, estamos no Norte de Portugal, temos a Galiza aqui ao lado por isso é comum, vulgar até, estarmos em terras cujo topónimo contenha “Vilar de” Vilarinho de”, “Paradas” e “Paradelas” e “Sãos” e “Santas” de todos os nomes, topónimos conjuntos que lançam mão de um segundo topónimo de uma aldeia mais próxima onde têm a sua origem, de uma igreja ou capela, de uma região ou da sua condição geográfica. Pois hoje estamos numa dessas aldeias cujo topónimo, no caso, é Vilarinho.

 

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Vilarinho que também é diminutivo de Vilar, que teoricamente seria um “Vilar” mais pequeno, cujo significado de origem, seria também ser parte de uma “Villa” cedida para usos agrícolas, daí ter no seu segundo topónimo o nome dessa “Villa” que lhe fica sempre próxima, ao lado, por assim dizer, como acontece aqui no concelho de Montalegre com o Vilarinho de Arcos, com a aldeia de Arcos ao lado e Vilarinho de Negrões, com Negrões também próxima.

 

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Mas dizia atrás que esta do “Vilarinho” ser um diminutivo de “Vilar”, que por sua vez nasce de uma “Villa” ou sejam povoações mais pequenas que a sua “Villa”, o era teoricamente, e talvez o fossem na sua origem, mas que hoje em dia nem sempre corresponde à verdade, pois tanto os “Vilares” como os “Vilarinhos” cresceram e muitas das vezes são povoações maiores do que aquelas onde tiveram a sua origem, mas isto são apenas curiosidades que tem a ver com a história destas povoações.

 

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Pelo menos no caso destes “Vilarinhos” não temos dúvidas quanto à sua origem, que no caso deste Vilarinho de Arcos, teve origem na povoação de Arcos que lhe fica ao lado, a menos de 1Km de distância, e sim, ligadas por terras agrícolas na margem direita do Rio Bessa, quase junto à sua nascente. Outra curiosidade ainda, e que tem a ver com outro topónimo que atrás não mencionámos, que é o topónimo “Antigo de” que neste caso também existe, pois as tais terras agrícolas que unem Vilarinho de Arcos a Arcos, prolongam-se sempre junto ao Rio Bessa até Antigo de Arcos, mas este sem povoação, ou quando muito, em tempos remotos, poderia ter sido o Antigo de Serraquinhos.

 

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Mas como hoje estamos aqui pelo vídeo que Vilarinho de Arcos não teve aquando do seu post completo, para o qual finca link no final deste, vamos passar de imediato ao seu vídeo, com todas as fotos da aldeia publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de VILARINHO DE ARCOS:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489 

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui o vídeo da aldeia de VILARINHO DE NEGRÕES, curiosamente outro “Vilarinho” de Montalegre.

 

 

06
Dez21

O Barroso aqui tão perto - Gestosa

Aldeias do Concelho de Boticas

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GESTOSA - BOTICAS

 

Nestas andanças por terras do Barroso, nos últimos tempos, temos abordado as aldeias do concelho de Boticas, freguesia a freguesia, por ordem alfabética, e já vamos na freguesia de Dornelas onde depois da aldeia de Antigo, Casal e Espertina chega a vez de Gestosa, que às vezes também vemos grafada com Giestosa.

 

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Se observarmos com atenção a corografia envolvente desta aldeia, para além de a localizarmos em plena serra do Barroso, verificamos que ela se encontra na vertente exterior de um conjunto de altas montanhas que vistas à distância (de satélite por exemplo) parece ser um único bloco montanhoso com os seus pontos mais altos despidos de vegetação ou com uma vegetação escassa e muito rasteira.

 

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Nesse bloco montanhoso estão as serras do Gerês, do Larouco da Cabreira e do Barroso, quase poderíamos dizer, pelas suas características, serem uma única montanha, uma vez que não o são, são como irmãs ou primas canais muito chegadas. Tal como já atrás dissemos, os seus pontos mais altos são rochosos e sem vegetação, ou quase, onde o clima caracterizado por invernos frios e rigorosos não convidaram o homem ao seu povoamento,  apenas junto às linhas de água, que no Barroso até são abundantes, em pontos em que a sedimentação formou pequenas várzeas, que vistos à distância são pontos verdes, como se tratasse de um oásis no meio do deserto, é que o homem se atreveu a estabelecer-se, construindo pequenas aldeias, que pela certa, inicialmente, se deveria resumir a uma ou duas famílias, dedicando-se ao cultivo das pequenas várzeas e  à caça e criação de gado.

 

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Gestosa é uma das aldeias que se enquadra bem nas aldeias que atrás descrevemos, localizada numa pequena várzea que surge no encontro de várias linhas de água, onde uns “passos” mais acima, começa a serra do Barroso mais agreste, onde os rochedos abundam e a vegetação escasseia.

 

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Entremos então em Gestosa, cuja descoberta fizemos antes mesmo de a descobrir, ou seja, já a conhecíamos à distância, mesmo ante de lhe conhecer o topónimo e de verdadeiramente entrar na sua intimidade, tudo graças ao S. Sebastião que se celebra na Vila Grande e nas Alturas do Barroso, isto porque desde que fomos pela primeira vez ao S. Sebastião, no caminho (estrada) entre a Vila Grande e as Alturas do Barroso, ainda antes de Vilarinho Seco, há um largo à beira da estrada, com um miradouro natural, que nos convida à uma paragem e ao tomar de umas imagens fotográficas.  

 

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Pois desde esse miradouro natural com vistas viradas para poente, avista-se tudo que é montanha, mas logo aos pés do miradouro, uma pequena várzea abriga uma pequena aldeia, a Gestosa. Nos primeiros anos que passámos por lá, ainda antes de fazermos o levantamento de todas as aldeias do Barroso, aquela pequena aldeia, desde lá de baixo do seu aconchego que nos convidava a uma visita, e num dos anos em que fazíamos o trajeto entre A Vila Grande e as Alturas do Barroso, quase por impulso e como se o nosso popó tivesse vontade própria, vez um desvio e direção à Gestosa, numa visita apressada mas que deu para sentir a sua alma, mas só mais tarde, é que fomos lá a sério, ou com a intenção de lá ir, mesmo calhando em mais um trajeto entre A Vila Grande e as Alturas, mas com todo o tempo que fosse necessário, e assim aconteceu.

 

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Vida humana encontrámos pouca, aliás só vimos mesmo uma senhora, já de certa idade, que por sinal, tal como nós, também vinha da Vila Grande. Mais pessoas havia-as pela certa, mas talvez algumas ainda estivessem no São Sebastião da Vila Grande ou para as Alturas e outras andassem nas lides do campo ou da casa. Como sempre que podemos ou temos a oportunidade, damos dois dedos de conversa, não só para que as pessoas nos possam indicar algumas das coisas mais interessantes da aldeia, mas também para não ficarem com a pulga atrás da orelha, atitude que por segurança, em geral, as povoações tomam quando veem gente estranha a rondar e fotografar as aldeias. E pela nossa parte não custa nada dizer ao que vamos, quem somos ou de onde somos, para além de, nestas conversas, aprendermos sempre qualquer coisinha com os mais velhos.

 

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Claro que o nosso tempo nunca é suficiente para criar a empatia necessária para que as verdadeiras estórias da aldeia venham ao de cima, pois elas só saem, naturalmente, quando encontram na conversa uma oportunidade para saírem, assim, ficamos pelo possível e pela recolha de imagens daquilo que vai atraindo a objetiva.

 

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A Gestosa é uma pequena aldeia, mas onde existem duas ou três casas mais senhoriais, com uma capela num largo central da aldeia e outras pequenas construções e alguns armazéns mais recentes, nitidamente seriam casas de duas ou três famílias mais abastadas que viviam da riqueza das terras várzea e as pequenas construções da povoação que trabalhava os campos, talvez já desde o Couto de Dornelas, mas tudo isto o dizemos por pura observação, sem tempo ou documentos que corroborem o que afirmamos.

 

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Duas dessas construções mais senhoriais tem passadiços com um arco perfeito por cima dos arruamentos que ligam o piso superior das casas diretamente aos campos, o que arquitetonicamente falando, dá um interesse especial a estas construções. Este tipo de passadiços, embora não sejam frequentes, também não são raros e existem em algumas aldeias do Barroso, mas também noutros concelhos, às vezes mesmo no centro da aldeia para ligarem construções, alguns cobertos, tal como acontece na aldeia vizinha de Vilarinho Seco.

 

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E estamos a caminhar para o final deste post, faltando apenas fazer a referência àquilo que encontrámos na monografia “PRESERVAÇÃO DOS HÁBITOS COMUNITÁRIOS NAS ALDEIAS DO CONCELHO DE BOTICAS”, como o santo que se celebra na aldeia, embora apenas com celebração religiosa, o S. Bento na respetiva capela de S. Bento e o Castro da Gestosa:

Castro de Gestosa (Património Classificado - IIP)

Designação: Castro de Gestosa ou Souto da Lama

Localização: Gestosa (Dornelas)

Descrição: Existe na aldeia de Gestosa, freguesia de Dornelas, um velho Castelo de Mouros a que o povo chama Castro de Lamas ou Souto de Lamas. O monte em cujo topo assenta o castro fica ao lado da ER 311, a uma distância de 300 m, sendo defendido por três linhas de muralhas.

À muralha que defende o topo Sul segue-se uma rampa que termina em dois fossos justapostos, que rodam para cima e estendem-se ao longo da encosta Nascente do castro originando um grande fosso. O topo Norte do terreiro é marcado por um montão de fragas. A ladeira da face poente, abaixo da muralha do terreiro, é toda semeada de fragas até um pequeno patamar amparado pela segunda muralha.  Desta muralha existe o seu alinhamento de 80m ao longo da ladeira Poente, que desanda para Norte e vai terminar num conjunto de fragas de granito, natural linha defensiva. Entre 20 a 30 metros abaixo da segunda muralha corre a terceira muralha, que se estende num comprimento de pelo menos 100 m, com altura média de 2 m. Esta muralha, tal como a segunda, parece estar rota numa abertura de uns 2 m que se pode considerar o vão de uma possível porta. Foram encontrados vestígios de casas circulares e restos de cerâmica. Na base do monte do castro corre o Ribeiro da Gestosa.          

 

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Só nos resta localizar e deixar um itinerário para a partir da cidade de Chaves chegar até à Gestosa, freguesia de Dornelas, concelho de Boticas. Como quase sempre tomamos a EN103 (estrada de Chaves-Braga) até Sapiãos, onde abandonamos a EN103 em direção a Boticas, aqui, depois de atravessar a vila, pela variante ou pelo seu interior, tomamos a R311 em direção a Ribeira de Pena e Cabeceiras de Basto. Sempre pela R311 depois de passarmos por Quintas e Carreira da Lebre, até passarmos pela capela da Espertina, à beira da estrada do lado esquerdo, onde logo a seguir existe um cruzamento com saída à esquerda para a Espertina e Antigo e à direita para as Alturas e Vilarinho Seco, depois deste cruzamento, mais 1,5km e temos à direita, em plena curva, a saída para a Gestosa que fica a 400m.

 

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E agora o habitual vídeo com todas as imagens da aldeia de GESTOSA que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de LOUSAS.

 

24
Out21

O Barroso aqui tão perto - Espertina

Aldeias do Barroso - Concelho de Boticas

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ESPERTINA - DORNELAS - BOTICAS

 

Nestas voltas pelo Barroso, ultimamente, temos andado pelo Concelho de Boticas, freguesia de Dornelas. Desta freguesia já passaram por aqui a aldeia de Antigo e Casal. Seguindo a ordem alfabética, segue-se a aldeia de Espertina. É para lá que vamos hoje.

 

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Iniciemos pela sua localização e itinerário para ir até lá, que, tal como para a grande maioria das aldeias do concelho de Boticas, sempre com partida desde a cidade de Chaves, devemos tomar a Estrada Nacional 103, estrada Chaves-Braga, mas só até Sapiãos. Aí, saímos da E103 e rumamos em direção a Boticas, que quer se passe pelo centro da vila ou pela variante, iremos acabar por ir ter ao Centro de Artes Nadir Afonso, onde, na rotunda, devermos tomar a saída em direção a Ribeira de Pena e Cabeceiras de Basto, ou seja a ER311 a “grande via” que atravessa quase pelo meio todo o concelho de Boticas.

 

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Ao todo, até chegar a Espertina, deveremos percorrer 42,6 km, e embora próxima da estrada ER311, temos de sair dela. Para sair, podemos tomar como referência a aldeia de Agrelos, a partir da qual devemos ir com atenção, pois a saída para Espertina, fica a 2,5km desta aldeia e após uma curva onde a meio, do lado esquerdo, está uma pequena capela e na estrada deverá existir uma placa a indicar Antigo para o lado esquerdo e Alturas para o lado direito. É aí, em direção a Antigo, que devemos sair da R311, e logo a seguir, ainda antes de Antigo é Espertina. Vejam a imagem seguinte, pois é a seguir a esta capela que devemos sair, mas antes de sair, faça aqui a sua primeira paragem, considere este o primeiro motivo de interesse da aldeia de Espertina, pois é bem interessante, simples mas interessante. Atenção que desde a estrada apenas se vê a fachada posterior da capela.

 

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Então, depois de visitada a capela e o seu cruzeiro, podemos descer até Espertina, localizada na descida para uma pequena depressão de terreno entre montanhas, de terrenos férteis e água abundante, à volta do qual se localizam a maioria das aldeias da freguesia de Dornelas, incluindo a sede de freguesia, a Vila Grande. Pois à volta, para além de Espertina e a Vila Grande, temos ainda a Vila Pequena, o Antigo de Dornelas e ainda poderemos considerar a Gestosa, embora esta se localize do outro lado da ER311.

 

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Entremos então na intimidade de Espertina, uma pequena aldeia com vistas para as aldeias vizinhas, exceção para a Giestosa. Sem um núcleo verdadeiramente constituído, pois na realidade são dois ou três pequenos núcleos, um mais elevado e mais recente, um pouco mais abaixo, a cerca de 200m outro núcleo, este mais antigo, e ainda poderemos considerar um terceiro que serve de entroncamento, com saída para a Vila Pequena, por um lado e para a Vila Grande, por outro. Por sua vez a saída para o Antigo, faz-se a partir do núcleo central.

 

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Ao todo a aldeia tem cerca de 60 construções das quais só cerca de metade, ou menos,  são habitações, habitadas ou não, isto hoje em dia, pois num passado não muito distante, penso que Espertina se resumia apenas ao núcleo central, que em tempos mais distantes talvez fosse ainda menos, talvez apenas pequenas casas de abrigo a agricultores que cultivavam os campos mais próximos. Recordemos que Dornelas foi um Couto, mas sobre esse tema, tentaremos aprofundar mais no post final dedicado à freguesia de Dornelas.

 

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Espertina vista desde a Vila Grande em dia de S.Sebastião

 

Assim, pequena e dispersa, não há muito a dizer sobre a aldeia, tal com os motivos a fotografar. Referimo-nos a pormenores e construções antigas, pois no seu todo, a aldeia tem o seu interesse paisagístico, sobretudo quando se vê à distância, a partir de qualquer uma das outras três aldeias, e o contrário também ser verdade, ou seja, as vistas que desde a Espertina se podem lançar sobre as restantes aldeias e montanhas mais distantes, que conforme a época do ano adquirem interesses diferentes, sem esquecer o da neve de inverno que por estas terras é frequente.

 

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Quanto àquilo que se escreve e diz em documentos, na Monografia de Boticas apenas encontrámos 5 referências, uma a dizer que pertence à freguesia de Dornelas, outra que calha no acesso à sede de freguesia e outra dentro do capítulo das festas e romarias que nos diz que ser a festa de S. Brás, a 3 de Fevereiro, mas apenas celebração religiosa e outra no capítulo do património edificado onde se refere a Capela de Santo Antão, que não pudemos confirmar, mas pensamos que seja a que está junto à estrada e separada da aldeia, pois por perto outra não vimos. Mas há uma última referência e esta bem interessante.

 

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Pois a outra referência diz o seguinte (o sublinhado e bold é nosso):

Em algumas aldeias, como Granja, Vilar e Espertina, ainda é costume juntarem-se as raparigas solteiras no dia do casamento bem cedo, fazem um arco para acompanhar a noiva à igreja e uma passadeira de flores desde a sua casa até à igreja.

Adoptaram-se também novos hábitos, como por exemplo atirar arroz e flores aos noivos à saída da igreja, como votos de felicidades e abundância na nova vida que iniciam. Em algumas aldeias enquanto atiram arroz aos noivos, costumam dizer “Eu deito arroz para vos abençoar, deito e torno a deitar e que seja a mulher em casa sempre a governar”.

 

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Espertina vista desde a Vila Grande em dia de S.Sebastião

 

E sem mais literatura que nos fale de Espertina, estamos a chegar ao fim do nosso post. Falta apenas deixar aqui o vídeo com todas as imagens aqui publicadas, ao qual vamos passar de imediato. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos dedicados a aldeias do Barroso, entre outros, no MEO KANAL Nº 895 607

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Gestosa .

 

 

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