Domingo, 15 de Abril de 2018

O Barroso aqui tão perto - Lamas

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Vamos lá então mais uma vez até ao Barroso aqui tão perto, hoje até à aldeia de Lamas que pertencia à freguesia de Fervidelas, mas que hoje pertence a União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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Iniciemos pela sua localização e itinerário para lá chegarmos, sempre com partida da cidade de Chaves.  Quanto ao itinerário temos sempre várias opções, dependendo a nossa escolha de vários fatores, como a distância mais favorável, a melhor estrada, o tempo disponível, o percurso mais interessante ou outros locais a visitar. Mas como nestas abordagens apenas nos interessa a aldeia convidada, vamos dar prioridade à melhor estrada e distância.

 

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Pois então vamos mais uma vez pela estrada de Braga, a EN103, 57 quilómetros. Não há nada que enganar, é seguir pela EN103 até à barragem dos Pisões, continuar ao lado da barragem até aparecer o desvio à direita para Fervidelas, mas primeiro tem de se passar por Penedones, Parafita, ao lado de Viade de Baixo e pelo desvio para Brandim e Contim, tudo isto ao lado da barragem. Depois de tomar o desvio para Fervidelas, passa-se ao lado desta aldeia e continua-se para Bustelo, imediatamente ante de ser entrar nesta aldeia temos o desvio para Lamas. Atenção que desde a saída da EN103 até Lamas são só 5 quilómetros. Fica o nosso mapa com o itinerário.

 

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Em alternativa a este itinerário temos o da estrada de S. Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, Sarraquinhos, Zebral e mais à frente, no Barracão apanha-se a EN103 e continua-se pelo itinerário por nós recomendado. Por aqui são mais 200 metros, mas demora-se mais tempo, pois são sempre estradas secundárias. Há ainda uma terceira alternativa, também com partida pela EN103 até Sapiãos, aí desvia-se para Boticas, Carvalhelhos, Atilhó, Alturas do Barroso, sobe-se até aos Cornos do Barroso, desce-se até à barragem dos Pisões, atravessa-se o paredão e estamos de novo na EN103, apanha-se a direção de Chaves e logo a seguir é o desvio para Fervidelas. Por aqui são 55 quilómetros, menos 2 que pelo nosso itinerário, mas com estradas mais complicadas, no entanto com paisagens interessantes. Fica à vossa escolha, pois todos os caminhos vão dar a Lamas.

 

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Quanto à localização, podemos dizer que fica entre o Rio Cávado e o Rio Rabagão, mas como ambos os rios são o alimento de barragens, Lamas fica entre a barragem de Paradela (a 3 km em linha reta) e a barragem dos Pisões (a 3.9km em linha reta). Podemos dizer também que se localiza entre as Serra do Gerês e a Serra do Barroso, pois logo a seguir às duas barragens encontra-se estas duas serras.

 

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Como já deu para perceber estamos em terras altas do Barroso, já numa cota acima dos 1000 metros de altitude, mais precisamente entre os 1020 e os 1060 metros. Ficam as coordenadas de Lamas para sermos mais exatos:

41º 42’ 08.44” N

07º 55’ 00.62” O

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Mas entremos na intimidade de Lamas. Fomos por lá nos finais do mês de julho de 2016, recordo ser um daqueles dias quentes, já a caminho do meio-dia e também da hora de almoço. Era a última aldeia programada para o período da manhã, para trás já tínhamos deixado a aldeia de Fervidelas e Bustelo. Tudo corria como previsto, nas duas aldeias anteriores fotografámos o que tínhamos a fotografar, demos dois dedos de conversa com as pessoas que encontrámos e propúnhamo-nos fazer o mesmo em Lamas, mas nesta aldeia tudo foi diferente…

 

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Nestas andanças do blog a caminho dos 14 anos, já percorri todas as 150 aldeias do concelho de Chaves e as 136 localidades do concelho de Montalegre. Sou transmontano flaviense de nascença, mas com toda a família materna natural de Montalegre e a paterna de Vila Pouca de Aguiar. Profissionalmente há mais de trinta anos que vou lidando também com o nosso mundo rural. Tudo isto para vos dizer que conheço muito bem todas as nossas aldeias e a gente deste “Reino Maravilhoso” que Torga descrevia assim:

 

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“Vou falar-lhes dum Reino Maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois, não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não só existe como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecidos. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança. (…)”

 

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E quando Torga chega às pessoas desse reino maravilhoso, descreve-o assim:

“ (…) Homens de uma só peça, inteiriços, altos e espadaúdos, que olham de frente e têm no rosto as mesmas rugas do chão. Castiços nos usos e costumes, cobrem-se com varinos, croças, capuchas e mais roupas de serrobeco ou de colmo, e nas grandes ocasiões ostentam uma capa de honras, que nenhum rei! Usam todos bigode e alguns suíças. E põem naqueles pêlos da cara uma dignidade tal, um sentido tão profundo da pessoa humana, que é de a gente se maravilhar. Às vezes agridem-se uns aos outros com tamanha violência que parecem feras. Mas olhados de perto esses nefandos crimes, vê- se que os motiva apenas uma exacerbação de puras e cristalinas virtudes, que só não são teologais porque Deus não quer. Fiéis à palavra dada, amigos do seu amigo, valentes e leais, é movidos por altos sentimentos que matam ou morrem. Ufanos da alma que herdaram, querem-na sempre lavada, nem que seja com sangue. A lendária franqueza que vem nos livros é deles, realmente. Mas radica na mesma força interior que, levada à cegueira da exaltação, pode chegar ao assassínio. Bata-se a uma porta, rica ou pobre, e sempre a mesma voz confiada nos responde:

— Entre quem é!

Sem ninguém perguntar mais nada, sem ninguém vir à janela espreitar, escancara-se a intimidade duma família inteira. O que é preciso agora é merecer a magnificência da dádiva.

Nos códigos e no catecismo o pecado de orgulho é dos piores. Talvez que os códigos e o catecismo tenham razão. Resta saber se haverá coisa mais bela nesta vida do que o puro dom de se olhar um estranho como se ele fosse um irmão bem-vindo, embora o preço da desilusão seja às vezes uma facada.(…)”

 

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Era por conhecer tão bem este povo do “Reino Maravilhoso” que Torga dizia:

 

“Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.”

 

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E por eu conhecer tão bem este nosso povo, também entro na sua intimidade sagrada a tremer de vergonha e com todo o respeito e diga-se a verdade, em geral têm-nos recebido bem. Claro que dizemos sempre quem somos, de onde somos e ao que vamos, quase sempre o suficiente para as pessoas nos dizerem “entre quem é” e nos mostrarem o que aldeia tem de melhor, conversar um bocadinho e às vezes até descobrimos que não somos assim tão desconhecidos. Mas também já houve duas ou três vezes em que a empatia não se verificou, justificada nalguns casos, pois entrámos na aldeia após burlas recentes com desconhecidos ou em período quente de eleições, confundindo-nos com jornalistas sensacionalistas à procura de “sangue” ou achas para a fogueira. Em Lamas qualquer coisa do género se deveria ter passado por lá, pois tivemos a sensação que as máquinas fotográficas incomodavam, aliás chegámos a ser avisados para não tirar fotografias. Mas tudo bem, como gente de bem acatámos as recomendações, tanto mais que quando os avisos surgiram já nós tínhamos feito a maioria dos registos, mais que suficientes para a feitura deste post, e depois temos a promessa de trazer aqui todas as aldeias de Barroso, que sem Lamas não cumpriríamos a nossa missão.

 

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E seria imperdoável deixar Lamas de fora, pois gostámos do que vimos e até vimos por lá preciosidades que já julgávamos completamente extintas no Barroso, refiro-me às coberturas de colmo, genuínas, autênticas resistentes.

 

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Também gostámos daquilo que envolve a aldeia, principalmente pelos matizes dos verdes das pastagens a contrastar com os verdes menos vivos das manchas de floresta autóctone dos carvalhos a conviver a par com os castanheiros. É sempre bom vermos aquilo que é nosso a crescer majestosamente nas nossas florestas.

 

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Quanto ao casario, também nos agradou, com o granito à vista na sua forma mais tradicional de ser aplicado nas nossas construções rurais, numa aldeia de casario concentrado e disposto à volta da capela localizada no largo do centro da aldeia, que ainda mantém a sua integridade sem grandes atentados pelo meio.

 

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Quanto ao topónimo “Lamas”, na toponímia lusitana José Cunha-Oliveira refere que o topónimo está

“presentíssimo na toponímia galego-portuguesa, lama é um vocábulo pré-romano, provavelmente pré-céltico, cujo significado é "pradaria em terreno húmido", "lameiro". o topónimo "Lama" e derivados surge em terrenos onde a pluviosidade abundante favorece a manutenção da humidade do terreno. Nas Astúrias e em León surge sob a forma palatalizada Llamas, o que cria um curioso triplo sentido entre "Lamas", "chamas" (do verbo chamar) e "chamas" (labaredas de fogo).
É um topónimo frequente em Itália, onde tem a mesma etimologia e o mesmo significado. e também aparece na Córsega (Co). Na Baviera, Alemanha (De), há uma Lam. esta distribuição geográfica parece querer apontar para uma origem lígure do topónimo. há quem ligue o topónimo às construções megalíticas (ver Comentº de Manuel Anastácio). e, mais curioso ainda, também se costuma associar o povo lígure ao megalitismo.”

 

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Mas vamos ver o que diz a Toponímia de Barroso:

Lamas

“A partir da raíz pré-romana  LAM de significação ligada a lodo e água. É sinónimo (em Barroso) de lameiro, portanto, associamo-lo à ideia de propriedade: as lamas do boi do povo, por exemplo. Com o topónimo já formado e escorreito existe documento de:

- 1099 D.C. 540 «hereditate mea própria que abeo in villa lamas subtus mons fuste». É uma refrência sobre terra minhota.

- 960,t.c.i, pp. 239: “facio ego Ygo de lama nostra própria” doação de São Rosendo”

 

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Na Toponímia Alegre temos:

 

A rua de Fervidelas

É calcetada ai invés;

Quando os mancos já namoram

Que fará quem tem dois pés!

 

De Lamas nem bom vento

Nem bom casamento;

Mas quando Deus queria

Até do norte chovia!

 

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O Padre Lourenço Fontes, na sua obra “Etnografia Transmontana – I”, também fez recolha de algumas alcunhas ou nomeadas com que umas aldeias apodavam outras suas vizinhas. Ao respeito Lourenço Fontes diz o seguinte:

“ O nosso povo sabe caracterizar muito bem os seus vizinhos. Um defeito comum, um erro conhecido, um hábito generalizado, um facto histórico ou lendário é capaz de ser motivo suficiente para apodar todos os do mesmo povo, com o mesmo nome.

Seria valioso e importante descrever e raciocinar sobre as alcunhas de cada terra. Ajudavam-nos a conhecer o feitio, o valor, os podres e as qualidades de cada aldeia de Barroso. O povo sabe muito bem a razão de tais nomeadas, pois foi ele, com veia de poeta, que baptizou assim os seus vizinhos. Muitas aldeias já esqueceram a sua alcunha e se aqui se registam, não é para espezinhar alguém, mas apenas para dar um subsídio para a história de Barroso, suas terras e gentes.”

 

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E continua Lourenço Fontes:

"Algumas aldeias têm mais que um nome, ou alcunha. Conforme o gosto de quem os nomeia e a tradição de cada um. Os de uma terra são capazes de chamar aos de Solveira escorna cruzes e outros já lhes chamam tarouqueiros. O da Vila da Ponte gostam de se chamar fidalguinhos mas os vizinhos já lhes chamam Chavelheiros. Não está esgotado este capítulo. Muitos mais nomes se poderiam recolher do povo, fiel depositário destas velhas tradições. Servem estas de amostra. Estas nomeadas , ou lengalenga como outros lhe chamam, usam-se quando se quer espezinhar uma pessoa. Então aplica-se-lhe o nome que lhe compete. Raramente se leva a mal.”

 

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Pois Lamas também tem mais que uma alcunha. Uma já a deixámos atrás na Toponímia Alegre, a outra segue agora e está na “Etnografia Transmontana”, e para os das aldeias vizinhas não se ficarem a rir, levam também com a alcunha deles:

 

Leirões de Lamas,

Largarteiros de Fervidelas,

Chavelheiros de Brandim,

Boloteiros de Friães,

Alamões do Telhado,

Machos de Pisão,

Esfola cabres de Viade,

Arrebita o gacho  de Viade de Cima,

Corta Matos do Antigo,

Ladrões de Parafita.

                                    (Informa João Afonso do Antigo)

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA


BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso. Edição do autor, Montalegre, 1974.

TORGA, Miguel, Miguel Torga – Obra Completa - Ensaios e Discursos. Rio de Mouro: Circulo de Leitores, 2002.

TORGA, Miguel, Miguel Torga – Obra Completa – Diário (Volumes V a VIII). Rio de Mouro: Circulo de Leitores, 2001.

 

 

WEBGRAFIA

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt

 

 

 

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Domingo, 8 de Abril de 2018

O Barroso aqui tão perto - Linharelhos

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Hoje abrimos a porta a Linharelhos, o nosso destino de hoje para o Barroso aqui tão perto, onde fomos encontrar um velho amigo nosso, que em tempos tinha honras aqui no blog, por ser sempre fiel, resistente, popular, o melhor. Refiro-me ao fio azul que em Linharelhos encontrámos numa das suas funções mais conhecidas — o de fechar portas — que neste caso até nem estava em destaque, pois este ia mesmo para a porta da entrada nº22 com o seu amarelo forte, uma delícia para o olhar.

 

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Embora já tivéssemos deixado duas imagens para trás, a verdade é que não foram os primeiros olhares que lançámos. O primeiro olhar que registamos sempre é o da placa da estrada a anunciar a entrada da aldeia. é um velho truque nosso que nos serve de separador na hora de arquivar as fotografias, pois já sabemos que a partir desse olhar as imagens são todas dessa aldeia até que nos apareça a próxima placa com outra aldeia. Funciona sempre.

 

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Mas a imagem que vale mesmo como a nossa primeira recolha é mesma a segunda imagem de arquivo, que hoje aqui deixamos (foto anterior) e que nos leva ao engano, pois na placa toponímica está inscrito “Rua dos Penedos” e na realidade a construção está mesmo construída em cima de penedos, aliás um deles faz mesmo parte da parede da construção. Pensávamos nós então que lá iríamos ter mais uma aldeia tipo Ponteira, tanto mais que estávamos em território de minas, mas não, afinal os penedos ficavam-se por ali, e entrávamos  no verde característico da freguesia de Salto, à qual pertence a nossa aldeia de hoje.

 

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Antes ainda de entrármos na intimidade da aldeia, vamos à sua localização e ao nosso itinerário para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Hoje começamos pelas coordenadas da aldeia e pela altitude:

41º 49’ 43.37” N

7º 59’ 33.60” O

Altitude: entre os 850 e 860 metros.

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Quanto ao itinerário optámos pela estrada de Braga (EN103) até Sapiãos, aí virámos para Boticas, a partir da qual tomámos a N311 até Salto, ou quase, pois mal se deixa a N311 tem de se apanhar o CM1025 em direção às minas da Borralha, passando-se ao lado destas, continuando pela estrada que entretanto passa a M623 para logo a seguir termos Linharelhos, a aproximadamente 1,5km.  Mas fica o nosso mapa com o traçado do itinerário.

 

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Chegados a Linharelhos, chegamos também ao limite do concelho de Montalegre, pois Linharelhos queima mesmo o limite do concelho, penso que inclusive algumas das suas terras e construções estão mesmo já em concelho de Vieira do Minho, tendo como aldeia vizinha e bem próxima (a apenas 500m) a aldeia de Lamalonga, de Vieira do Minho.

 

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Como alternativa ao nosso itinerário, pode apanhar na mesma a EN103 e continuar por ela até passar a Venda Nova, onde antes de chegar a Padrões terá uma saída da EN103, à esquerda, em direção à Borralha, onde a partir desta deverá seguir pelo nosso itinerário inicial.

 

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Linharelhos é constituída por dois núcleos de aglomerados de construções perfeitamente bem definidos, ambos rodeados por pastos e terras de cultivo que se prolongam por terras de Vieira do Minho. Em sentido contrário a realidade é bem diferente, ou era, pois a apenas 500 metros já se entrava em território das minas da Borralha onde a paisagem, sem deixar de ser interessante, ganha outros contrastes.

 

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Quanto à intimidade dos núcleos de Linharelhos, um deles parece-nos ser mais antigo que o outro, sendo o mais antigo o que tem a capela, onde as construções assumem a tipicidade da zona, maioritariamente com granito amarelo à vista, que no dia em que visitámos a aldeia estava exacerbado pela água das chuvas, pois o granito molhado ganha sempre um brilho e cores mais vivas, que na minha opinião resulta na perfeição em fotografia.

 

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O segundo núcleo, além de me parecer mais recente, tem construções mais nobres, também com granito à vista, mas em perpianho onde se destacam algumas obras de arte de cantaria, como um relógio de sol onde está inscrito o ano de 1871, parece-me, pois o último número não garanto que seja o 1. Também chamou a nossa atenção uma construção com pátio interior rodeado por uma varanda coberta apoiada em colunas de granito, embora esta nos tivesse parecido abandonada.

 

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Também é terra de canastros, alguns deles com dimensões maiores que os canastros habituais ou mais comuns. Quase todos em bom estado ou estado aceitável de conservação o que pela certa significa que ainda são utilizados paras as funções que foram construídos.

 

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Resumindo, gostámos daquilo que vimos, embora seja notório que a aldeia já conheceu melhores dias.  Pena mesmo ver abandonadas e/ou deterioradas algumas daquelas que foram as suas melhores construções, o que daria uma outra vida à aldeia.

 

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Quanto às nossas pesquisas, encontrámos umas coisinhas na wikipédia, que vamos considerar como válidas:

“ Fica situada no sopé da Serra da Cabreira, com vista para a Serra do Gerês e para a Barragem da Venda Nova.

Linharelos foi em tempos, uma aldeia muito movimentada e procurada pela riqueza da região em volfrâmio (nas minas da Borralha, especialmente).

Tem como padroeira Santa Comba, festejada a 31 de Dezembro.”

 

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Também ficámos a saber da existência de uma associação a ARECAMLIN - ASSOCIAÇÃO RECREATIVA E CULTURAL AMIGOS DE LINHARELHOS, que pensamos ainda existir, isto a julgar por uma proposta da C.M.de Montalegre para ceder o edifício onde funcionou a escola da aldeia. Mas mais nada sabemos a respeito desta associação.

 

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Encontrámos também um blog — http://linharelhoscity.blogspot.pt/ — que teve início em setembro de 2004, mas que conta com a sua última publicação em setembro de 2013. Mas há por lá alguns vídeos da vida da aldeia que vale a pena ver para se ficar a conhecer mais um pouco da aldeia.

 

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Num outro blog — http://norteportugues.blogspot.pt/ — encontrámos também alguma informação (o sublinhado e negrito é nosso):

 “O censo da população de 1530, ordenado por D. João III, indica moradores ou fogos nas seguintes povoações: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14. (…) Em 1768(?) Salto e Cerdeira (…) constam ambos de trinta vizinhos; Linharelhos consta de doze fogos; Caniçó, treze; Paredes, quatro; Corva, dezoito; Ameal, cinco; Bagulham, dez; Ludeirodarque, seis; Póvoa, nove; Carvalho, onze; Beçós, dez; Reboreda, vinte; Taboadella, seis; Seara, cinco; Pereira, nove; Amear, vinte e Pomar da Rainha, seis.(…) Um ensaio estatístico de 1836 fornece indicações dos seguintes lugares e habitantes: Ameal, 36; Armiar, 73; Bagulhão, 67; Caniçó, 93; Corva, 73; Linharelhos, 48; Paredes, 27; Pereira, 53; Pomar de Rainha, 48; Póvoa, 34; Reboreda, 91; Salto, 113; Cerdeira, 34; Tabuadela, 59.”

 

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No livro Montalegre, apenas a referência de que Linharelhos pertence à freguesia de Salto. Já no Toponímia de Barroso temos:

Linharelhos

“Deriva do arcaico LINHAR+ELHOS. É a toponímia do linho, pelo latino < LINU.

Em 1258 «dixit quod Canisoo et Linarelios et Soutelo viderunt eas tenere Domno Egídio Vadasci».

Parecendo estar ainda numa forma tão primitiva, a verdade é que no século XVII já estava completamente estabelecido o topónimo como documenta o Arq. Hist. De Portugal, em 1531.

O povo pronuncia muitas vezes Ninarelhos na troca corrente do n e do l, o que sucede com diferentes vocábulos: por exemplo o nome latino glovellu < novelo, em vez de Lovelo.”

 

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Na Toponímia Alegre temos:

 

Apelidos de Salto

Pomar da Rainha nem pão nem farinha,

Pereira fome lazeira,

Amiar fome de rachar,

Borralha saco de palha,

Linharelhos tripas de coelhos,

Caniçó arca de pó

Paredes armadores de redes.

(…)”

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA


BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Linharelhos

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:20
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Domingo, 25 de Março de 2018

O Barroso aqui tão perto - Viveiro

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Apetecia-me divagar outra vez sobre os vários Barrosos que há dentro do Barroso, mas para não estar a bater outra vez na mesma tecla, não o vou fazer, mesmo porque afinal de contas o Barroso é mesmo assim, cheio de singularidades e contrates, onde os múltiplos matizes fazem do Barroso uma autêntica obra de arte.

 

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E foi aqui neste Barroso que encontrámos em terra um Viveiro verdejante com os azuis do céu e das montanhas a servir de fundo a esta tela … e eu!? Interrompe-nos a marela — não entro!? — Claro que sim.

 

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Ainda antes de entrarmos na intimidade da aldeia de Viveiro, já estávamos em estado de satisfação, embriagados com o verde, mesmo sem ser de absinto, e perdidos no ondular do mar de montanhas, mas ir tão longe não era possível e Viveiros estava ali aos nossos pés. Entrámos.

 

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Mas para chegar à entrada e à intimidade de Viveiro tivemos de percorrer 74 quilómetros, desde Chaves, o nosso ponto de partida.

 

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A escolha do itinerário caiu mais uma vez pela estrada do S.Caetano, Soutelinho da Raia, Montalegre e Barragem de Sezelhe, aqui como a estrada bifurca, seguimos em frente em direção a Covelães/Parque Nacional da Peneda Gerês, depois vem a Barragem de Paradela e aí, no cruzamento/largo, devemos continuar por onde indica Ferral,  passamos ao lado da capital dos penedos (Ponteira), logo a seguir São Bento de Sexta Freita e 2 quilómetros à frente começa a aparecer algum casario, é aí, que devemos abandonar a estrada principal (M308-4) e virar à direita para Stª Marinha, depois desta aldeia uma nova estrada onde devemos virar à esquerda e pouco mais de 1 quilómetro à frente aparece a placa a indicar Viveiro e Pardieiros. Et voilà, estamos lá.  

 

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Claro que há um outro itinerário, mais longo mas em apenas 1,5 quilómetros, é o itinerário da estrada de Braga (EN103). Nada que enganar, é entrar em Chaves na EN103 e deixarmo-nos ir sempre por ela até passarmos a totalidade da Barragem da Venda Nova, no seu final ( no Cambedo) deixamos a EN103, passamos o paredão da Barragem e bota para Ferral, logo a seguir (500m) é Viveiro. Mas em Ferral é melhor perguntar a alguém o melhor caminho. Mas mesmo com estas duas indicações, deixamos o nosso mapa seguido das coordenadas da aldeia e altitude.

 

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Ficam então as coordenadas de Viveiro:

41º 41’ 56.93” N

7º 59’ 43.68” O

Altitude: 600 metros

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Voltando ainda à localização e itinerários, podemos ter ainda outra orientação que nos pode dar muito jeito quando andarmos meios perdidos. Pois essas orientações são os rios e por sua vez as Barragens que esses rios alimentam que, tanto a EN103 ou o itinerário interior das estradas municipais de Montalegre vão acompanhando. Os rios são o Rabagão que alimenta a barragem dos Pisões e logo a seguir a da Venda Nova. O Rio Cávado alimenta a Barragem de Sezelhe e logo a seguir a de Paradela. A seguir a estas aparece a Barragem de Salamonde que é alimentada por ambos os rios. Ou seja, se estivermos próximos destes rios ou barragens, estamos próximos da freguesia de Ferral e por sua vez de Viveiro, pois a aldeia fica a 800 metros do Rio Cávado, a 2 quilómetros da Barragem da Venda Nova, a outros 2 Km da barragem de Salamonde e a 8 Km da Barragem de Paradela.

 

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Ainda antes de entrarmos nas nossas pesquisas sobre a aldeia de Viveiro, vamos às nossas impressões pessoais. Quase todas as aldeias da freguesia de Ferral, incluindo esta, são constituídas por um povoamento disperso, com o casario a surgir mais como pontos de apoio aos campos de cultivo. Pois Viveiro sai fora destas características com um povoamento concentrado ao longo da Rua principal e uma segunda rua que corta a primeira transversalmente dispondo-se a aldeia numa espécie de cruz, sendo esse cruzamento o centro da aldeia.

 

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Trata-se de uma aldeia pequena  que se dedica à agricultura e pecuária com os terrenos a desenvolverem em patamares que vão descendo numa espécie de anfiteatro até ao Rio Cávado, principalmente nos terrenos mais próximos da aldeia, notoriamente  muito repartidos, conforme o testemunham os inúmero muros, sebes ou mesmo arvoredo, que separam sobretudo pastagens, embora também seja notório que outras culturas seriam possíveis, onde até a vinha já é possível, bem à moda minhota, e as glicínias perfumam algumas das ruas em pequenas latadas de entrada nos quintais.

 

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Alguns canastros tradicionais contrastam com o casario de pedra solta à vista onde se usa um misto de paredes em xisto com parades em granito. Igualmente de granito à vista com juntas tomadas a argamassa erguem-se as paredes da pequena capela encimada nos topos da cumieira do telhado de duas águas por duas cruzes em granito. Lateralmente na continuação do cunhal direito do alçado principal, uma pequena e simples torre sineira terminando em arco perfeito, tudo numa só peça, de fabrico recente aparentemente em granito serrado.

 

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Vamos então àquilo que dizem os livros e documentos. No livro Montalegre encontrámos o seguinte:

“São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes), O Penedo dos Sinais (Viveiro-Ferral), o Penedo do Sinal, o Penedo da Ferradura e a Pedra Pinta (Vila da Ponte), o Penedo de Letra (Gralhas), o Penedo de Pegada (Ferral).”

 

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Não vimos o penedo atrás mencionado, isto pela nossa noia de partirmos à descoberta das aldeias sem nos documentarmos previamente, gostamos de ser surpreendidos  e deixarmos ao seus habitantes as indicações daquilo que eles acham importante. Às vezes ficamos a perder, como talvez seja o caso, mas fica a referência e desculpa para uma próxima visita.

 

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E como no livro Montalegre há apenas mais uma referência a Viveiro, a de que faz parte da freguesia de Ferral, passamos à Toponímia de Barroso.

 

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(a nota de rodapé é nossa)

“Viveiro de Ferral

O quarto topónimo desta freguesia[i] com referência escrita é Viveiro — IPSIS VERVIS — Não mudou uma letra desde 1258 INQ 1523! Como tal o mínimo que podemos dizer deste topónimo é que, além de viveiro, é muitíssimo vivedeiro! E não admirará tanto que assim seja visto que o seu campo semântico é enorme: vai da avicultura (aviário) à piscicultura (aquário) da agricultura à arboricultura, horticultura (com etapas em seminários e plantórios — primeiro as sementes e, depois, a replantação) etc. Os viveiros vão desde o cebolinho aos soutos, desde o arroz ais pinhais e dos deuses aos santos. Restaria saber de que era o nosso: do nome comum latino VIVARIU > VIVEIRO como tudo indica, de plantas ou animais ou tudo junto.”

 

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E continua a Toponímia de Barroso:

“ Temo-lo contudo, documentado pelo casal de Pigarzos  (sic):

- 1258 « in villa de Viveiro casale de Pigarzos» — o que não deixa de ser um achado. Bem assim a referência das INQUIRIÇÕES de 1282 «Item Viveiro e ende per barreira a verea e ende pela carreira»."

 

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Quanto à Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Nomes do “Rio” intermédio:

 

Carabunhas de Vila Nova,

Conspiradores de Covelo

Rabinos de Loivos,

Peixeiros de Sidrós,

Papa-ventos de Ferral,

De Viveiro não sai graeiro,

Carrapatos de Pardieiros,

Borra-ladeiras de Santa Marinha,

Carvoeiros de Nogueiró.

Dizem os da Ponteira:

Fomos a Paradela

Davam-nos caldo

E não tinham tigela!

 

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E na ausência de mais documentação para referir, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos, como sempre, as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

  

 

  

 

[i] Freguesia de Ferral

 

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Domingo, 11 de Março de 2018

O Barroso aqui tão perto - Sabuzedo

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montalegre (549)

 

As nossas partidas para o Barroso, em geral, fazem-se sempre ao nascer do dia. Depois de recolher os parceiros de viagem e dependendo do roteiro previamente elaborado, viramos para a estrada de Braga (EN103) ou para a estrada do S. Caetano (EM507). Vá-se por onde se for, há sempre paragens obrigatórias. Para a nossa aldeia de hoje, Sabuzedo, recordo que tomámos a estrada de S. Caetano, com duas paragens obrigatórias, uma à entrada do concelho de Montalegre para lançar olhares e fazer mais uns registos da Serra do Larouco e outro na Vila de Montalegre para tomar café e finalmente despertar para o dia.

 

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Em Montalegre a paragem/pausa para o café de despertar é sempre na esplanada da padaria do Largo do Pelourinho. É aí que se vai fazendo o ponto da situação, ou seja, como os parceiros de viagem confiam nas minhas escolhas, arrancam sempre às cegas, vão para onde eu os levar e é aí, que lhes participo o roteiro e aquilo que nos espera, combinamos o local para almoço, etc.

 

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Pois para esse dia o roteiro era longo. Começava em Donões e terminaria em Outeiro, com passagem por Sabuzedo, Mourilhe, Cambezes do Rio, Frades do Rio, Sezelhe, Travassos e Covelães para a parte da manhã. Para a tarde ficaria Pitões das Júnias, Tourém, Paredes, Parada de Outeiro e Outeiro. Geralmente as manhãs cumprem-se sempre, depois de almoço é mais complicado, mesmo assim ainda fomos até Pitões e Tourém.

 

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É certo que regressamos destas descobertas do Barroso sempre com espírito e alma renovadas, mas também sempre com o corpinho a pedir umas boas horas de repouso, mas sempre com o espírito de missão cumprida, principalmente quando pensamos que no Barroso já não temos mais descobertas a fazer e ele acaba sempre por nos surpreender, e nesse dia 2 de setembro de 2016, surpreendeu-nos mais uma vez, com as aldeias de Donões e Sabuzedo, que até aí não conhecíamos, pois as restantes já eram nossas conhecidas.

 

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Entremos então em Sabuzedo que começa logo a surpreender antes de se entrar na sua intimidade, pois nem todas as aldeias gozam de uma localização tão privilegiada que enche logo o olhar ainda antes de se entrar nela, dispondo-se em anfiteatro na encosta da montanha a receber o sol da manhã, a pedir logo uma fotografia mal se começa a avistar ao longe.

 

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E aquilo que se vê ao longe promete, uma aldeia de aglomerado concentrado, com a escola lá no alto, a encosta da montanha a terminar num biquinho, muito verde envolvente e arvoredo, daquele que gostamos de ver por condizer com a região, os carvalhais. Apenas um pouco reticentes quanto à brancura das casas que sobressai no conjunto, pois geralmente é sinónimo de novas construções que ferem a integridade das aldeias tradicionais. Mas só entrando na aldeia é que poderíamos tirar conclusões.

 

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 E tal como se costuma dizer, as aparências iludem. Ao entramos na aldeia, quase parece que por magia, o tal branco das casas desapareceu, e a cada passo que dávamos no adentramento da aldeia, mais surpreendidos íamos ficando. Como era possível existir assim uma aldeia a apenas 4.8km Montalegre e nunca termos dado por ela. Pois estávamos perante uma das aldeias tipicamente barrosãs do Alto Barroso onde o granito a vista é rei e senhor com uma aldeia que vai mantendo a sua integridade. Os tais pontos brancos do casario que ao longe se avistam, dentro da aldeia não são assim tão percetíveis e depois de uma leitura mais atenta sobre a localização das mesmas, acabam por estar na periferia do núcleo histórico da aldeia, ou seja, onde devem estar.

 

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Quanto aos traços da arquitetura típica das aldeias barrosãs, estão lá todos, os tanques, bebedouros e fontes públicas, o casario de pedra à vista com meios lances de escaleiras sem proteções encimado por patamares de entrada cobertos com estrutura de madeira, testemunhos no telhado das antigas coberturas de colmo, alminhas, a capela, gado nas ruas, um cruzeiro, etc.

 

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Quanto ao meu destaque, vai mesmo para o conjunto do casario tradicional, e para as alminhas, não só pela sua singularidade com a particularidade do relógio de sol, mas também pelo seu enquadramento onde até o fontanário com bancos de repouso, embora mais recente, acaba por ficar bem, ou como se costuma dizer na moda, acaba por fazer pandã. Na inscrição das alminhas está bem visível a data de 1858, no entanto não me parece que todos os elementos existentes sejam da mesma data.

 

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Já fomos adiantando a localização de Sabuzedo e o itinerário para chegar lá, mas vamos ser mais precisos. Pois quanto ao itinerário já dissemos que é o da estrada de S. Caetano, EM507, que até Montalegre não há que enganar. No entanto a estrada no concelho de Montalegre entre Vilar de Perdizes e Meixide tem estado em obras e por vezes cortada ao trânsito. Assim sendo, a melhor opção é após passar Meixide virar à esquerda em direção a Pedrário/Sarraquinhos, que por aí também se chega até Montalegre e a paisagem até é interessante.

 

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Chegado a Montalegre, Sabuzedo fica a Noroeste da Vila, a apenas 4,8km. Há que atravessar a vila e apanhar a M305, ou seja a estrada que nos leva até ao campo de futebol de Montalegre, passa-se este e quase logo a seguir vira-se à direita em direção a Donões, passa-se ao lado desta e a seguir é Sabuzedo. Mas ficam as coordenadas e o nosso habitual mapa.

41º 50’ 34.79” N

7º 49’ 57.04” O

Altitude: entre os 950 e 1000 metros

Saliente-se que Sabuzedo esta implantada na encosta de uma das serras mais altas do concelho, logo a seguir à Serra do Larouco, do Gerês e do Pisco de Tourém, ou seja no Cabeço do Alto  com 1.322 m.

 

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Administrativamente Sabuzedo pertencia à freguesia de Mourilhe. Com aquela coisa da reorganização administrativa de 2013,  a aldeia passou a pertencer à União de Freguesias de Cambezes do Rio, Donões e Mourilhe.

 

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E o que dizem os livros e documentos sobre Sabuzedo. Pois não dizem muito, mas fica aqui aquilo que encontrámos nas nossas pesquisas, iniciando pelo  Livro “Montalegre” (os realces e sublinhados são nossos):

 

"Só o concelho de Montalegre tem mais de cento e cinquenta capelas com quase outros tantos oragos. Não há praticamente povoação que não tenha ao menos uma, mesmo tendo a sede de freguesia.

As alminhas são o dobro, mais ou menos, das capelas e algumas de singular aspecto. Destacam-se as alminhas de Sabuzedo. Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!"

 

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Na página da freguesia de Mourilhe (suponho que seja anterior à união de freguesias), encontrámos mais alguns dados sobre a aldeia:      

Alminhas e Capelas

 Capela de Na. Sra. do Carmo, a sua construção foi dedicada a S. Miguel Arcanjo. Alminha em homenagem a Na. Sra. do Carmo e Alminha com relógio de Sol.

Forno Comunitário 

 

FESTA DE NOSSA SENHORA DO CARMO

Tem lugar no último Domingo de Julho. Festa religiosa com missa e procissão em volta da aldeia.
A parte profana consta de arraial e fogo de artificio.

 

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Vamos à “Toponímia de Barroso”

 

Sabuzedo

“ É um nome comum “sabugo” cujo étimo latino é SA(M)BUCU. Dá origem a numerosos topónimos dos quais, os mais raros, são o nosso e Sabugueses. Claro que uma planta (que antigamente se chamava sabugo e hoje é sabugueiro – trata-se de situação muito parecida com o pinho e pinheiro) não tinha poder para toponomizar! Acontece que com a aglomeração dessas plantas já tal pode acontecer como, aliás, especifica o seu sufixo ETU — EDO, que sugere quantidade.”

 

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E continua a Toponímia:

“ O nosso topónimo ter-se-á erguido a partir de Sabucu + edo — sabucedo e, por abrandamento do c intervocálico, Sabuzedo, lugar de sabugueiros. A forma intermédia  Sabucedo (facto claríssimo da lógica evolutiva dos vocábulos) aparece na localidade próxima, do outro lado da fronteira."

 

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E ainda na Toponímia:

"— 1258 “Item, de Savozedo cum toto suo termino, quod est divisum et demarcatum faciunt de pane quinque quiniones  et de duobus quinionibus dant Domino Regi octavam partem panis et eiradigam”. Isto é: De Sabuzedo com todo o seu termo que está dividido e demarcado fazem cinco quinhões de pão e de dois quinhões dão ao rei a oitava parte do pão e a eirádiga."

 

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Ainda na “Toponímia de Barroso”, na  Toponímia alegre temos:

 

Carvoeiros de Cambeses,

Calça-marela de Contim,

Ferros-velhos de São Pedro,

Formigotos de Vilaça,

Salta-Sebes de Paredes,

Chibinhas de Parada,

Paus mandados de Seselhe,

Carraceiros de Travaços do Rio,

Verguinhas de Fiães,

Aluados de Loivos,

Arreguicha Covelães!

Anjolas de Frades,

Nabiços de Mourilhe,

Trombalazanas de Sabuzedo,

(ou Tarouqueiros de Sabuzedo)

Couveiros de Paradela.

 

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Bem queria deixar aqui mais um pouco sobre Sabuzedo, mas mais nada encontrei. Assim sendo e como ainda me restam umas fotos para meter no post, deixo-vos com uma “História da Vermelhinha” de um Ilustre Barrosão, que infelizmente há pouco nos deixou — Bento da Cruz.

 

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A Colheita do Sal

 

Num passado ainda recente, os barrosões viam-se em palpos de aranha para arranjarem sal para o governo da casa. A estrada só chegava a Ruivães. Daqui para cima, o sal, vindo do mar, tinha de ser transportado em burros e por caminhos de cabras. Trabalho duro!

Por isso não admira que um dia o ti Pedro, de Cima, se saísse com esta para o ti João, de Baixo:

— Ó compadre! Tenho andado cá a matutar numa coisa.

— Diga, compadre.

— E se nós, em vez de andarmos todos os anos a correr para Ruivães atrás do sal, semeássemos umas rasas dele para nosso governo?

— Tem razão, compadre. Mãos à obra. Sempre ouvi dizer que o sal se dá bem onde houver muita água. Ora a minha Lameira, como o compadre sabe, é um atoleiro. Se estiver de acordo, semeamo-la de sal, a ameias.

— Por mim, é para já.

Espalharam o sal, embeberam o terreno de água e aguardaram o tempo quente para a colheita.

 

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Chegada a Primavera, o terreno enxugou e os dois compadres foram ver o resultado.

Encontraram a Lameira viçosa, mas, de sal, nem pitada.

— Homessa! Aqui há mistério! — disse o ti Pedro.

— Já sei o que é, compadre! — atalha o ti João.

— O quê?

— Os saltões que devoram o sal à nascença. Temos de correr com eles…

— É capaz de ter razão, compadre. Vamos a isso.

Muniram-se cada um com seu estadulho e foram, descalços, guardar o sal. Era cada saltão uma estadulhada.

Nisto, ti Pedro dá no rasto dum gafanhoto do tamanho dum gaio. Manda-lhe uma cacetada. O bicho furta-se. Ti Pedro, segunda. Saltão salta. Ti Pedro, tau! Saltão, traz! Ti Pedro enfia o pé num atoleiro, desequilibra-se, rodopia sobre si mesmo e tomba desamparado de costas num silvedo.

 

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— Ó compadre! Ó compadre, acuda! — grita ti Pedro de pernas para o ar e cu a arder nas silvas, — Compadre! Ó compadre!

Como o compadre não acudisse nem respondesse, ti Pedro tanto estrebuchou que lá conseguiu desenvencilhar-se das silvas. Limpa o sangue dos olhos e que vê ele? Ti João de costas, especado a meio da Lameira.

— Compadre! — grita de novo ti Pedro.

E ti João mudo e quedo.

Vem de volta e planta-se-lhe de frente.

— Compadre!

Compadre, nada.

 

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Atónito, ti Pedro olha pelo compadre abaixo. E foi então que reparou no dedo grande do pé direito do compadre a apontar para o céu. Olha compadre acima, e vê a sobrancelha direita a apontar para a cabeça. Segue na direção indicada, dá com o gafanhoto comodamente refastelado na careca do ti João. Manda-lhe uma cachaporrada, bum! Ti João, baque!

— Lá o matei, com seiscentos diabos! — exclama ti Pedro. — Ou será apenas desmaiado?

Após breves momentos de hesitação, deita unhas a um caldeiro velho de carrar cinza, que para ali estava abandonado, corre à mina, enche-o de água, volta a toda a pressa, espeta uma grande zapada nas ventas do compadre. Ti João sacode as orelhas, abre os olhos e pergunta:

— Matou, compadre?

— Matei! — responde ti Pedro, todo contente.

— Então valeu a pena, catano! — diz ti João, acariciando um galarispo do tamanho dum ovo a meio da careca…

Bento da Cruz, In Histórias da Vermelhinha

 

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Agora sim, ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

http://www.terralusa.net/?site=116& sec=part1  

 

 

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Domingo, 4 de Março de 2018

O Barroso aqui tão perto - Currais

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Mais um domingo, mais uma aldeia do Barroso, para já ainda no concelho de Montalegre por onde vamos andar mais uma temporada. Hoje calha a vez a Currais.

 

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A aldeia de Currais pertence à freguesia de Reigoso, sendo uma das três aldeias da freguesia (Reigoso, Currais e Ladrugães), pelo que fica assim completa a abordagem à freguesia, uma vez que já trouxemos aqui as três aldeias. Bem, isto é meia verdade, pois pela certa que passarão outra vez pelo blog, pelo menos a aldeia de Currais, pois hoje fica muito por mostrar que merece ser visto.

 

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LOCALIZAÇÃO e ITINERÁRIOS

Iniciemos pela localização de Currais bem como os itinerários possíveis para irmos até lá, onde recomendamos sempre um e deixamos uma ou duas alternativas, tendo sempre como ponto de partida a cidade de Chaves.

 

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Currais é uma aldeia localizada nas proximidades da barragem da Venda Nova, que o mesmo é dizer que fica nas proximidades do Rio Rabagão que vai alimentando estas barragens ao longo do seu percurso. Localizada na margem direita do Rio, que aqui junto a Currais já é barragem, o seu casario fica apenas a 200 metros desta, já os terrenos de cultivo ou pastagens da aldeia, entram pela barragem adentro, ou melhor, são interrompidos pela barragem.

 

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E se o Rio Rabagão/Barragem da Venda Nova lhe fica a 200 metros de distância, a EN103 fica a 800 metros, tendo ainda pelo meio a aldeia de São Fins.  Aliás o traçado da  EN103 vai-se desenvolvendo sempre na proximidade do Rio Rabagão, quase em paralelo e acompanhado mesmo as curvas naturais do Rio ou das suas barragens (Pisões, Venda Nova e Salamonde, embora nesta última o Rio Rabagão já corra no seio do Rio Cávado).

 

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Vamos então ao nosso itinerário, como sempre traçado com partida da cidade de Chaves. Pois para Currais optámos mais uma vez por ir pela EN103 (Estrada da Braga), 62 km entre Chaves e Currais. Não há nada que enganar, é seguir sempre a EN103, passa-se a Barragem dos Pisões, logo a seguir passa-se ao lado de Vila da Ponte e depois, a coisa de 2 Km, à direita, aparece a estrada para Ladrugães, Reigoso e Currais. Pois embora esta seja uma opção que pode tomar, como o nosso destino é mesmo Currais, recomendámos outra opção mais direta, ou seja, não vá por aí e continue mais 2 km pela EN103 até ao próximo desvio à direita, para São Fins, atravessa esta aldeia e logo a seguir tem uma ponte sobre a barragem, que depois de atravessada já está em Currais.

 

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A opção pelo itinerário que deixámos atrás foi tomada apenas por ser o mais rápido e de melhor estrada, mas é também o mais curto em distância, embora apenas em 1 km.

 

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O itinerário alternativo, em termos de distância é de 63km, quase idêntico ao itinerário recomendado, mas demora mais tempo a percorrer e é maioritariamente feito em estradas secundárias, no entanto, pessoalmente, acho-o mais interessante. Trata-se do itinerário via estrada do S. Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, aqui no final da aldeia, na bifurcação da estrada devemos optar pelo lado esquerdo em direção a Pedrário e Sarraquinhos, aí nova viragem à esquerda em direção a Zebral, com passagem pelo Cortiço e logo a seguir é o Barracão, ou seja, entramos no itinerário por nós recomendado. A partir do Barracão até Currais o itinerário é comum ao recomendado.

 

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Para concluir este capítulo do itinerário e localização, ficam as coordenadas da aldeia e a altitude da mesma, e como sempre, para não haver dúvidas, o nosso mapa:

 

41º  42´ 24.36” N

7º  56’  15.86” O

Altitude: entre os 726 e 760 m

 

mapa-currais.jpg

 

 A NOSSA ABORDAGEM A CURRAIS

Para iniciarmos a nossa abordagem e para demonstrar que não somos tendenciosos, mesmo porque não temos qualquer ligação à aldeia, deixo-vos uma passagem do livro “Montalegre” (o sublinhado e realce é nosso):

 

“Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.”

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Pois quanto a Currais estou plenamente de acordo, aliás a lista de aldeias que o autor deixa em livro é curta, eu acrescentar-lhe-ia mais meia dúzia de aldeias bem mais interessantes que algumas das mencionadas cuja fama lhe deu algum estatuto, mas que não resistiram em cair na tentação da modernidade em detrimento da conservação do seu núcleo tradicional. Mas hoje o que interessa é Currais.

 

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Penso que não seria de todo injusto se dissesse que Currais é uma das aldeias mais bonitas e interessantes do Barroso. Talvez o fosse em relação a meia dúzia de aldeias que considero estarem no mesmo patamar de beleza e interesse, com diferenças ou singularidades que as enriquecem, mas, se um tolinho qualquer chegasse ao pé de mim e me pedisse para lhe recomendar 5 aldeias do Barroso para visitar, uma delas seria sem qualquer dúvida a aldeia de Currais.

 

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Atenção que a recomendação anterior diz apenas respeito ao Barroso do Concelho de Montalegre, pois no Barroso de Boticas também há por lá umas pérolas escondidas, que a seu tempo também estarão aqui no blog. Ainda a título de informação, e isto só a respeito do Barroso de Montalegre, diga-se que aquilo que afirmei foi afirmado já com alguma propriedade, depois de ter percorrido as 135 aldeias do concelho de Montalegre, contudo, é uma recomendação tendo como base uma avaliação pessoal para a qual contam um conjunto de parâmetros, entre os quais o da fotografia, o fator humano, o núcleo tradicional da aldeia e paisagem envolvente e a integração da aldeia nesta mesma paisagem.

 

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Contudo temos noção que seremos sempre injustos quando nos botamos a classificar seja lá aquilo que for, mesmo assim não hesito em nada em afirmar aqui que Currais é uma das aldeias mais bonitas e interessantes do Barroso, pois nos tais parâmetros da minha avaliação, tem nota destacada em todos eles.

 

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Palavras, palavras e mais palavras, muitas das vezes traiçoeiras que quase nunca conseguem exprimir o nosso sentir e razão na totalidade, daí a fotografia para poder dar razão ou mostrar o nosso sentir, e até para nos mostrar pormenores que in loco nos escaparam, de tão embriagados que estávamos com o conjunto, a envolvência e a composição. Mas há coisas que nem as palavras nem as fotografias conseguem transmitir na totalidade, coisas simples e tão essenciais como os aromas e as melodias que tanta influência têm no nosso sentir, tal como o perfume da latada de glicínias que fica na foto anterior.

 

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SERVIÇO PÚBLICO

O som do apito distante diz-nos quem lá vem. Ainda à moda antiga, e este “antiga” resume-se apenas à antiguidade da minha existência, os sons nas aldeias são de vital importância. O dos sinos das igrejas transmitem sinais, mensagens, apelos, dão-nos as horas e convocam o povo se tiver de ser. Os apitos dos automóveis, conforme a hora do dia, também têm o seu significado e também convoca os interessados a irem ao seu encontro ou esperarem pela sua aproximação. Quando entrámos em Currais um apito começou o seu aviso ao aproximar-se da aldeia. Seria o apito do pão, da fruta, do peixe, do correio!? Logo se veria, bastava esperar por ele para ver quem era, isso para nós que éramos estranhos aos usos e costumes da aldeia, para os de Currais, seria a hora do pão, a hora do peixe ou da fruta… eles lá sabiam.

 

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No dobrar da esquina alguém de saco na mão esperava pelo aproximar do apito que se veio a revelar ser de “Os de Pitões”, ou seja, do padeiro, não por serem de Pitões mas por ser assim o nome da padaria que tanto quanto sabemos tem sede em Montalegre e que por várias vezes encontramos no seu serviço público às populações. Sim, disse serviço público e é esse o termo certo para o serviço que estes vendedores ambulantes prestam às populações, que vai muito para além do seu negócio. Pode até nem ser essa a intenção dos vendedores, mas acaba sempre por ser, às vezes até chegam a salvar vidas… uma estória que quando chegar ao concelho de Boticas vos contarei. Pois é serviço público sim senhor, mesmo não sendo eles agentes do estado e de até terem de pagar para o poder prestar...

 

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OS CANASTROS

Há uns anos atrás a Associação de Fotografia à qual tenho a honra de pertencer – “Os Lumbudus”, organizou uma excursão para ir ver os canastros do Soajo e do Lindoso, e lá fomos todos apreciar aquilo que, sim senhor, deve ser apreciado. Pois, a sua escala, Currais também tem o seu parque de canastros, que, nem que fosse só por eles, Currais já merecia uma visita, não só pelo pequeno conjunto que tem concentrados com belas vistas lançadas sobre a albufeira, mas também um pouco pelos que estão espalhados um pouco por toda a aldeia.

 

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CONTRASTES

O Largo do Cruzeiro e o Marco Miliário, Almas e Alminhas

 

A distância temporal entre o cruzeiro e o marco miliário é de quase XXI séculos, mas hoje convivem no mesmo largo, por sinal o Largo do Cruzeiro, numa corrente demonstração de que aquilo que tem mais importância histórica nem sempre é o mais importante para a população, principalmente para a nossa população do nosso povo, em que a religião e as coisas da igreja estão sempre acima de qualquer outro interesse ou até poder.

 

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Pois o cruzeiro, segundo reza a inscrição, é de 2003 e está devidamente estacionado no estacionamento do seu largo (Largo do Cruzeiro). O marco miliário está no mesmo largo e encontra-se do lado oposto ao largo e estacionamento, este encostado à construção que delimita o largo. Este marco miliário tem cerca de 2000 anos e tudo indica que estaria colocado na Via Augusta XVII, uma das principais vias romanas, que ligava Bracara Augusta (hoje cidade de Braga) a Asturica Augusta (hoje Astorga) passando por Aquae Flaviae (hoje cidade de Chaves).

 

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Via Augusta XVII que passava a Oeste de Currais, conforme consta no Portal do Arqueólogo da DGPC:

 

“Troço de caminho que correspondia à antiga via romana XVII, que ligava Braga a Chaves e continuava para Astorga. Fica localizado numa plataforma, sensivelmente a meia encosta. Para Oeste de Currais, actualmente liga a aldeia a campos agrícolas, passa pela Lama do Carvalhal, Borrageiro e desemboca na albufeira. Para Este conduz também a campos agrícolas e a Ladrugães. Para Oeste da aldeia conserva-se um excelente troço de calçada, cujo desgaste da passagem dos rodados é evidente. Para Este é um caminho de ligação a campos agrícolas, ladeado de muros, de construção atípica. Construída durante a dinastia Julio Claudiana, sobre um possível caminho mais antigo, de origem proto-histórica. Em meados do séc. I d. C. deveria ter sido usada para o escoamento de metais preciosos explorados em várias zonas de Trás-os-Montes, e levados para Roma.

Neste espaço foram encontrados dois miliários, um do imperador Tibério, outro anepígrafo, situado na aldeia de Currais."

 

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Os marcos miliários (do latim: miliarium, a partir de milia passuum, "mil passos") eram os marcos colocados ao longo das estradas do Império Romano, em intervalos de cerca de 1480 metros. Estas colunas de base rectangular eram de altura variável, com as maiores a atingir cerca de 20 polegadas de diâmetro, pesando cerca de 2 toneladas. Na base estava inscrito o número da milha relativo à estrada em questão. Num painel ao nível do olhar constava a distância até ao Fórum Romano, bem como outras informações, como os responsáveis pela construção e manutenção da estrada.

  

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E o que dizem os livros sobre Currais? Vejamos o que diz o livro “Montalegre” – (Os sublinhados e realces são nossos).

 

"Com efeito daqui saíam enormes carroções de cereais (cevada, painço e centeio) e de minérios (sobretudo, estanho e oiro) que ajudaram os homens do Lácio a fazer de Roma o que ela é e a manter o império ao longo de meio milénio. Memórias dessas eras são o Pindo, o Vinhouro, as Calçadas de Currais e de Espindo, as reformadas pontes de Campos, de Peireses e do Cortiço, os achados de inúmeras moedas – algumas colecções catalogadas e outras na posse de diversos particulares e ainda umas dezenas de marcos miliários que se encontram em diferentes locais da região e nos museus de Chaves e de Braga. Um desses marcos, dito Pedra do Caixão por ter sido reutilizado como sepultura, é dos mais antigos da Península e data do tempo do Imperador Augusto, alguns anos ainda antes de Jesus Cristo. Daí que a nossa via se tenha chamado Prima ou primeira."

 

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E ainda os marcos miliários no livro “Montalegre”:

“ “Sinais dos tempos” Vários outros monumentos da romanização se descobriram e permanecem cá testemunhando a sua origem e finalidade: marcos miliários em (Padrões, Currais, Travaços e Arcos) aras romanas em (Vilar de Perdizes, Pitões e São Vicente da Chã) estelas funerárias (Vila da Ponte/ Friães), o célebre Penedo de Rameseiros (Vilar de Perdizes) e outros.”

 

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E mais esta referência:

“Com a freguesia de Reigoso sucedeu o mesmo que sucedeu a Contim: antes de independente esteve anexa à de São Pedro de Covelo. Ao ganhar carta de alforria levou consigo Currais e Ladrugães. Mas Currais (exemplo único no Barroso) nasceu de quatro casais de Dona Maior Gomes e que D. Afonso II honrou. Com o decorrer dos tempos esses “lavradores” organizaram-se em catorze casais, sob a forma de beetria, isto é, os habitantes escolhiam o senhor que mais garantias lhe desse: “um de seu linhagem qual quiserem!” Democracia quando ainda se não pensava nela! Talvez por isso o melhor troço de via romana existente no concelho foi tão bem preservado, em Currais.”.

 

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Na Etnografia Transmontana I de Lourenço Fontes encontrámos a seguinte referência a respeito das alcunhas das aldeias:

 

Fidalgos de Vila da Ponte

Conhadeiros de Bustelo

Mastigas de Currais

Manta moura de Reigoso

Ladrugães —esfola gatos mata cães

                               (informa P. Feliz José Alves)

 

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Vamos agora ao que consta na “Toponímia de Barroso”

 

Currais (A Beetria De Barroso)

"Este privilégio foi-se diluindo ao longo dos tempos, ou antes, a força popular que o conquistara esmoreceu. A verdadeira riqueza deste facto é que uma pequeníssima povoação barrosã gozou de tal privilégio: podiam escolher pessoa fidalga que os defende em qualquer circunstância de aperto, mesmo perante o rei!

O topónimo vem de cursumcurrum, supino de currere e que dá curro e, daí o curral, ambos sinónimos.

A beetria era um contrato em que uma parte promete um tributo (a encensoria) a troco de uma benfeitoria (geralmente prevenir os abusos e as violências). Os tributários exigiam a liberdade de escolha dos protectores com o beneplácito do rei, garantias do direito de escolha e do dever da confirmação real!

Os de Currais, escolhiam de livre vontade o fidalgo que os protegia, com a anuência do monarca”

 

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E como a prosa já vai longa, ficamos por aqui, mas pela certa que Currais terá aqui lugar mais vezes. Mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, estão na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/?sid=sitios.resultados&subsid=2964010

 

 

 

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Domingo, 25 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Brandim

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Vamos lá até mais uma aldeia do Barroso do Concelho de Montalegre, desse Barroso aqui tão perto de nós e que muita da nossa gentinha lhe passa ao lado sem dar por ele, sem conhecer e descobrir as suas maravilhas, onde há do melhor no que respeita à nossa gastronomia, acompanhada de bons vinhos que não produzem mas sabem escolher, com rios e ribeiros de águas cristalinas, cascatas e paisagens de encantar, fauna e flora para explorar, parques naturais, etc, tudo aqui ao lado a partir dos vinte e poucos quilómetros, a meia hora de caminho ou pouco mais.

 

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Hoje vamos até Brandim, a 52 quilómetros de Chaves a menos de uma hora de viagem, seja qual for o itinerário que escolhermos até lá chegar, mas como sempre recomendamos um deles e deixamos alternativa para um segundo itinerário.

 

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O itinerário recomendado cai mais uma vez pela opção da estrada de Braga, EN103 até à Barragem dos Pisões, passando por S.Vicente da Chã, Travassos da Chã. Penedones, Parafita e Viade, pois logo a seguir, ainda antes de chegar à aldeia dos Pisões, viramos à direita (CM1011) e dois quilómetros e pico à frente temos Brandim. Esta estrada CM1011 é uma das secundárias mais interessantes do Barroso, mas mais à frente falaremos dela. Fica o nosso habitual mapa e de seguida o itinerário alternativo.

 

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A opção pelo itinerário que deixámos atrás foi tomada apenas por ser o mais rápido e de melhor estrada.

 

O itinerário alternativo, em termos de distância, é quase idêntico ao itinerário recomendado, é mais curto em apenas 100m (51.9Km), mas demora mais tempo a percorrer e é maioritariamente feito em estradas secundárias, no entanto, pessoalmente, acho-o mais interessante. Trata-se o itinerário via estrada do S.Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, aqui no final da aldeia, na bifurcação da estrada optamos pelo lado esquerdo em direção a Pedrário e Sarraquinhos, nova viragem à esquerda em direção a Zebral, com passagem pelo Cortiço e logo a seguir o Barracão, ou seja, entramos no itinerário por nós recomendado, pois a partir do Barracão até Brandim o itinerário é comum.

 

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Para sermos mais precisos, e também como vai sendo habitual, ficam as coordenadas e altitude da aldeia:

41º 45’ 39.01” N

7º 53’ 18.91” O

Altitude média: 950 m (sempre acima dos 900 e abaixo do 1000m)

 

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Pois entremos em Brandim, coisa que na realidade nós fizemos pela primeira vez há coisa de um ano, mais propriamente no dia 21 de abril, já a meio da tarde, num dia nublado e com alguma chuva e para sermos sinceros, não tomámos nenhum dos itinerários que aqui recomendámos, pois foi num outro itinerário em que Brandim calhava no regresso a casa, já vindos de outras aldeias barrosãs. Penso que tínhamos deixado para trás já meia dúzia de aldeias, fazendo a nossa abordagem a Brandim a partir da aldeia vizinha de Fervidelas. Ou seja, entrámos na aldeia pela seu “parque industrial” de grandes armazéns e construções mais novas e só depois é que entramos no seu centro histórico.

 

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É, as aldeias também são um pouco como as cidades, com o seu zonamento à sua escala. Coisas novas, a nós, passam-nos ao lado, pois também a arquitetura se globalizou e aparecem cópias de tudo por todo o lado. Nós gostamos mais daquilo que se fez no passado, com as mãos dos filhos das aldeias em que a arquitetura que mandava era a da necessidade daquilo que precisavam, com aquilo que tinham à mão, ou seja, a pedra que a terra dava, a madeira que tinham nas poulas e a arte dos artistas locais (pedreiros, carpinteiros) além da gente da casa. E podem crer que dessa arquitetura caseira, local e simples, nasceram muitas relíquias dignas de serem apreciadas, não só pelos pormenores, mas também pelas soluções encontradas, mas o mais impressionante é que nunca havia duas construções iguais. Todas seguiam mais ou menos a mesma identidade mas sempre diferentes.

 

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Claro que esta riqueza arquitetónica sente-se mais nas aldeias de maiores dimensões do que nas de menores dimensões. Brandim é uma aldeia pequena, daí a variedade também não ser grande, mesmo assim tem pormenores interessantes e pelo meio algumas intervenções mais recentes, mas continua a manter-se a integridade da aldeia.

 

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Construções típicas barrosãs também as há, ainda com o testemunho do murete de amparo do colmo em alguns telhados, alguns canastros, a capela pequena, de pedra à vista com uma característica que muitas capelas e igrejas hoje não “cumprem” ou seja a da preocupação da sua orientação em que os fieis ficam virados para Oriente “ad orientem”. Alminhas também vimos e o restante, à volta da aldeia, o verde das pastagens, algumas com gado dentro. Gado que a nossa teleobjetiva também conseguiu captar já em pleno monte, um pouco entregue a si próprio como vai ainda acontecendo um pouco pelo Barroso fora.

 

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E neste andar por meios rurais vamos tendo a sorte de às vezes “tropeçarmos” com a fauna local. Em Brandim tivemos a sorte de uma Poupa posar para nós. Não é que por cá não as veja com alguma regularidade, pois já são um pouco urbanas, mas muito esquivas à fotografia. Esta não, esperou pelo clique e só depois partiu. Poupa que eu conheço como Boubela mas cujo nome científico é Upupa Epops . Bonitas são, mas quem já as teve por perto, dizem que cheiram mal. Como nunca estive perto de uma, não sei se é mito ou verdade.

 

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Se forem pelo itinerário que recomendámos no inicio, vão ter as vistas gerais da aldeia à vossa disposição para fotografarem. Se como nós entraram vindo de Fervidelas, só dão conta da aldeia quando entrarem dentro dela. Seja como for, se regressarmos a estrada CM1011, recomendo que façam o regresso a Chaves via Montalegre, isto para poderem apreciar as vistas e aldeias que esta estrada atravessa, pois é raro elas calharem nos itinerários principais dentro do Barroso.

 

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Esta estrada CM1011 liga a EN103 à M514 e M308. Saindo da simbologia das estradas, na prática liga a Barragem dos Pisões à Barragem de Sezelhe, ou seja, faz a ligação entre o Rio Rabagão e o Rio Cávado e pelo caminho além de Brandim, passa ainda por Contim,  São Pedro, ao lado da Srª de Vila Abril, passa por cima do paredão da albufeira de Sezelhe  e termina no cruzamento da aldeia com o mesmo nome.

 

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Administrativamente falando, Brandim pertencia à freguesia de Viade de Baixo mas com aquela coisa da união de freguesias, passou a pertencer à União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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Nas nossas pesquisas encontrámos algumas referências a um “Povoado romano localizado num monte sobranceiro à aldeia de Brandim, do lado Noroeste, denominado Vale do Antigo ou Monte do Grito. São ainda visíveis fragmentos de cerâmica de construções de tipologia romana. 

Segundo a população local, aquando de trabalhos agrícolas encontraram-se aqui vários fragmentos cerâmicos e restos de mós. Junto a um muro de propriedade destacam-se umas escadas bem talhadas na rocha.”

 

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Esta informação do povoado romano encontrámo-la em dois sites da internet, no entanto não encontrámos nenhuma referência ao mesmo nas páginas oficiais do município ou livro “Montalegre”, nem tão pouco noutros livros e documentos que costumamos consultar, daí esta pequena justificação. Contudo no “Archeologo Português”  há uma referência a Brandim: “No aro de Brandim, segundo nos informaram, têm aparecido algumas mós manuárias.” O texto é de Fernando Braga Barreiros, Montalegre, Junho de 1914.

 

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Só nos falta abordar a “Toponímia de Barroso”, pois no restante, sobre Brandim, nada, nem no livro “Montalegre” onde há apenas uma referência, a de que a aldeia faz parte da freguesia de Viade de Baixo e Fervidelas.

 

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Vamos então à “Toponímia de Barroso”:

 

Brandim

“A raiz deste vocábulo é o nome pessoal germânico Branda pelo genitivo (indicativo da posse de terras e outros bens) de forma alótropa  Branda+inus, portanto, (villa) Brandini, > Brandim.

Foram possessões de um tal Brandino.

Não aparece nas Inquirições mas sim no Arq.Hist.Port. e já com 11 fogos o que deixa supor que já existia sob outro nome, bem como Telhado.”

 

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Na “Toponímia Alegre” não há nada para Brandim, o que não é mau de todo, pois mais vale nada do que ser apelidado com um impropério, que faz rir os vizinhos mas  não deve agradar muito aos apelidados, suponho!.

 

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Bem queria deixar por aqui mais qualquer coisinha sobre Brandim, mas nada mais encontrei e inventar não está muito nos nossos hábitos. Mas numa última tentativa encontrei dois lugares no facebook que vão parar direitinhos a Brandim:

 

https://www.facebook.com/brandim.aldeia

https://www.facebook.com/groups/110814602938121/about/

 

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E ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, desde o último fim de semana, passaram a estar na barra lateral deste blog,. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

https://www.allaboutportugal.pt/pt/montalegre/monumentos/povoado-de-brandim-vale-do-antigo

https://www.igogo.pt/povoado-de-brandim-vale-do-antigo/

 

 

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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Morgade

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A nossa aldeia de hoje no “Barroso aqui tão perto” é Morgade, aldeia e sede de freguesia no limite de terras da chã, do Barroso da Chã, e entenda-se esta chã por aquilo que o termo significa, ou seja, o de chão plano ou extensão plana de terra, porque de facto, as terras de Morgade assim eram até à chegada da Barragem do Alto Rabagão ou dos Pisões, que lhes invadiu com água os seus chãos mais baixos e planos, ainda hoje bem visíveis quando a cota de água desce na Barragem.

 

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Para quem não sabe onde fica Morgade, já ficou a dica de ficar em terras da Chã, mesmo à beirinha da barragem dos Pisões, mas vamos ser mais precisos e traçar o nosso habitual itinerário a partir da cidade de Chaves.

 

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Pois para ir até Morgade, como quase sempre, temos várias opções. Vamos ficar por duas, com a mesma distância, 37Km,  e aconselhar uma. A opção que aconselhamos, por ser mais rápida e melhor estrada é a da estrada de Braga, a EN103, com partida de Chaves e depois é só seguir por ela até ao Barracão. Aqui podemos abandonar a EN103 e tomar a EM525 que nos levará até Morgade, no entanto recomendo continuar pela EN103 até à Aldeia Nova do Barroso, e aí sim, abandona-se a EN103, ficamos com a Barragem dos Pisões à vista e logo a seguir é Morgade. Fica o mapa com o itinerário.

 

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Em opção ao anterior trajeto, temos a estrada do S. Caetano (EM507), via Soutelinho da Raia, depois Meixide e aqui, no final da aldeia a estrada bifurca, uma via Vilar de Perdizes e outra via Pedrário e Sarraquinhos. Opta-se por esta segunda via, mesmo porque a outra, atualmente está cortada por motivo de obras. Seguimos então para Pedrário e Sarraquinhos. Aqui vira-se em direção a Zebral, passa-se ao lado de Cortiço e logo a seguir temos o Barracão. A partir de aqui entramos na parte final do itinerário que aconselhamos, traçado no mapa. A distância em ambos os itinerários é de 37Km, como atrás referido, mas o primeiro, embora menos interessante, é mais rápido e com melhor estrada.

 

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Morgade é assim uma das aldeias ribeirinhas da Barragem dos Pisões, ou quase, pois entre a aldeia de Morgade mais antiga e a Barragem, existe a Aldeia Nova de Morgade que adotou o topónimo de Criande. A placa à entrada da aldeia está pintada de branco, escondendo-lhe o nome lá inscrito, mas nota-se que é Criande o que por lá está gravado. É notório que há ali uma questão mal resolvida entre Morgade e Criande, polémica na qual não quero entrar e nem sequer tenho esse direito. Aliás Criande, além desta referência, não será hoje aqui abordada. Está reservada para um futuro post mais alargado onde irão entrar todas as aldeias novas do Barroso, fazendo-se um pouco da sua história.

 

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Mas seja qual for o conflito existente entre Morgade e Criande, se é que existe, a verdade é que oficialmente Morgade é a sede de freguesia de 4 localidades, onde se conta a própria aldeia de Morgade, a de Carvalhais, Criande e Rebordelo.

 

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Embora Morgade calhe com frequência no nosso itinerário de visitas ao Barroso, a verdade é que para fazemos a recolha fotográfica da aldeia, só lá parámos 2 vezes, ou vez e meia, pois na primeira abordagem (em 2014), estávamos nós no largo da igreja e alguém da aldeia nos falou da capela de S. Domingos e das vistas que desde lá se alcançavam. Não resistimos à provocação/tentação e depois de termos feito duas ou três fotos da igreja, encartámos as máquinas e bota para o alto de S. Domingos, onde confirmámos as tais vistas anunciadas.

 

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CAPELA E ALTO DE S. DOMINGOS – IMPERDÍVEL E IMPERDOÁVEL

Desde já o Alto de S. Domingos é mesmo imperdível, ou melhor, é de visita obrigatória pois as vistas desde lá se podem lançar são mesmo imperdíveis. Vistas sobre toda a barragem, mas também sobre os mares de montanhas de onde se avistam as serras mais importantes do Barroso, como as Serras do Larouco, do Gerês, do Barroso da Mourela e outras das quais não sei o nome. No livro “Montalegre” no capítulo “Festas”, a de São Domingos é uma das que destaca, precisamente pela sua envolvência paisagística.

 

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Nas Memórias Paroquiais de 1758 também Morgade já era referida pela Capela de S. Domingos e o 4 de agosto, onde o povo ia em romagem e no seu dia se celebra a festa com romeiros de várias partes. É aqui que entra o IMPERDOÁVEL, por dois motivos. O primeiro é por mea-culpa por ter lá estado e não ter registado em fotografia a capela. O segundo motivo do IMPERDOÁVEL tem a ver com a razão porque não fiz a tal fotografia. Geralmente nunca fotografo aquilo que não gosto, foi o que lá aconteceu, não pela capela, que embora simples e pequena, tem toda a dignidade de uma capela e a beleza da sua simplicidade, mas pelo seu enquadramento em que é impossível não vermos o mamarracho que construíram junto a ela. Sei com quase toda a certeza que aquele mamarracho foi construído com todo o amor e carinho, possivelmente a expensas do povo de Morgade e dos romeiros, provavelmente até com o suor do povo de Morgade, e que terá uma finalidade nobre ou necessária, mas tudo isso não desculpa nem perdoa o mamarracho que lá está, inestético e a roubar o brilho que capela e o alto mereciam ter.

 

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MORGADE - POPULAÇÃO

Olhando para a evolução da população da freguesia de Morgade ao longo dos tempos, pelo menos desde que existem dados dos CENSOS, verifica-se um comportamento dentro do normal mas um pouco atípico, ou seja, demonstra o mesmo comportamento que as restantes freguesias do interior Norte de Portugal, com a população a aumentar até ao ano de 1960, e a diminuir a partir de aí. No entanto quase todas as freguesias verificam uma descida mais ou menos considerável nos CENSOS de 1920, explicada e justificada por um conjunto de fatores, como o foi a mortandade provocada pela gripe espanhola (a pneumónica) de 1918/1919 (60 mil mortos em Portugal), a I Grande Guerra com 10 mil mortos e um pequeno boom de emigração para o Brasil e Estados Unidos. Pois acontece que na freguesia de Morgade, no CENSOS de 1920 apenas perde 30 pessoas em relação ao CENSOS anterior de 1911.

 

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Desde 1864 a 1930 a população da freguesia de Morgade variou entre os 279 e os 386 habitantes, verificando-se uma linha de tendência de subida uniforme.  A diferença em relação às restantes freguesias dá-se a partir de 1930 e vai até 1960 em que a população subiu vertiginosamente, passando de 386 habitantes em 1930, para 811 em 1960. Inicialmente fui levado a pensar que este acréscimo de população se deveria à construção da Barragem dos Pisões, onde chegou a concentrar 15.000 pessoas na sua construção, no entanto descartei essa hipótese porque a barragem só começou a ser construída em 1958. Ao que se deve este fenómeno de uma subida tão vertiginosa da população? – Pois não o sei, mas mais difícil de explicar é ainda a descida de população, quase a pique, entre os anos de 1960 e 1970 em que a população desce dos 811 habitantes de 1960 para os 451 habitantes de 1970. Embora a descida de população entre 1960 e 1970 também tenha uma explicação em geral, com o primeiro boom de emigração para a europa e a guerra nas colónias, não justifica no entanto uma descida tão acentuada. Alguma coisa me escapa, pois, deve haver uma justificação. Já nos CENSOS seguintes, entre 1970 e 2011, nada a assinalar, pois verifica-se a tendência do decréscimo da população como nas restantes freguesias, com Morgade a atingir o seu mínimo de sempre (desde que há CENSOS), no ano de 2011 com apenas 228 habitantes. Saliente-se que são números da freguesia, ou seja, é toda a população de 4 localidades - Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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Quanto às nossas impressões pessoais sobre Morgade, verificámos ser uma aldeia que se desenvolve ao longo de um arruamento principal, tendo neste, dois largos de alguma importância e ambos ligados a um “serviço” comunitário da aldeia, o primeiro largo, logo à entrada da aldeia é onde se localiza a igreja, bem interessante por sinal, seguindo a arquitetura de outras da época com torre sineira dupla separada da igreja (em frente à entrada principal.

 

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O segundo largo da aldeia, é onde estão localizados um fontanário, tanque e bebedouro públicos, onde é notória a intervenção nova do tanque e bebedouro. Ainda neste largo existem umas alminhas que com a colocação (mais recente) de uma cruz no seu topo passou a alminhas/cruzeiro. Quanto ao casario é o típico nesta parte mais a Norte do Barroso, maioritariamente construções simples, com alguns abandonos e ruinas pelo meio.

 

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Quanto às nossas pesquisas encontrámos na página oficial do Município de Montalegre na internet algumas informações sobre a freguesia de Morgade:

  

"Andou muitos anos anexada, bem como Negrões, à; freguesia da Chã; as três constituíam uma Comenda do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. O fortalecimento das regras primitivas e da reforma contra a lassidão em que haviam caído os frades, levados a peito, ao longo do século XVI, originou um grande movimento de apoio das populações, no plano espiritual e no plano material, que as levaram a construir mosteiros e capelas. Vem daí a devoção dos morgadenses a São Domingos de Gusmão, revelada na edificação da sua capela e dos vilapontenses que lhe dão lugar de honra no altar-mor da sua Igreja. Era o comungar desta gente barrosã com os princípios da pobreza voluntária dos monges pregadores, também chamados mendicantes, os frades dominicanos (e os franciscanos) cuja glória mais significativa foi São Tomás de Aquino. E já que falamos de Santos não ficava nada mal – era até um acto de justiça – que os de Carvalhais devolvessem à sua Capela o orago primeiro que foi São Tiago, conforme muito bem expressa a nossa variante barrosã da belíssima lenda dos Sete Varões Apostólicos."

 

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 Onde tem também outras informações sobre a freguesia:

  • Área: 21.2 km2
  • Densidade Populacional: 10.8 hab/km2
  • População Presente: 230
  • Orago: São Pedro
  • Pontos Turísticos: Capela de São Domingos(Morgade) e Casas (Carvalhais).
  • Lugares da Freguesia(4): Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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No livro Montalegre também há algumas referências à aldeia de Morgade e freguesia:

 

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).”

 

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E continua:

“São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos) A Casa dos Mouros (Morgade), o Penedo Sagrado (Salto) A Mesa do Galo (Borralha-Salto),(…)”

 

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E ainda com:

 

"A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”.”

 

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E com:

 

“As Festas

Por falarmos em festas, algumas ocorrem cada ano por toda a região. As de mais nomeada e tradição são as festas concelhias ao Senhor da Piedade, que se realizam na capital, durante a primeira quinzena de Agosto; a de Salto, à Senhora do Pranto, em 1de Agosto; a de Vilar de Perdizes, à Senhora da Saúde, a meados de Junho; as das sete Senhoras, todas elas Nossa Senhora dos Remédios, em sete localidades diferentes de Barroso, no dia 8 de Setembro, etc. Muitas delas apresentam um programa de carácter etnográfico e recreativo e realizam-se em locais de impressionante envolvência paisagística. Entre estas destacam-se: a Senhora da Vila de Abril, na freguesia de Contim; a Senhora das Neves, na freguesia de Cabril; São João da Fraga, em Pitões; a Senhora de Galegos, na freguesia de Cervos (Cortiço); o São Domingos, em Morgade e o Santo António, em Viade.”

 

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“Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).”

 

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Na Etnografia Transmontana (II – O Comunitarismo de Barroso) de António Lourenço Fonte encontrámos as seguintes referências:

 

“Hoje na freguesia de Cervos e os de Gralhós e Morgade juntam muito o gado vacum. A partir do mês dos Santos a fins de Fevereiro, antes de entrarem nos Outonos (lameiros) cada pastor junta o seu gado com o de todos os vizinhos e todos guardam o rebanho, recolhendo à noite ao curral, na aldeia. Por todo o Barroso as ruas da aldeia ficam assim estercadas com a passagem diária de tanta fazenda (gado). Alguns estrumam as suas testadas, são as estrumeiras, para estercar as terras.(…)”

 

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Saliente-se que o “hoje” do início da citação anterior se refere a 1977, ano de publicação do livro, que, e ainda no mesmo, noutra referência que transcrevemos a seguir, o “este século” é o século XX:

“Verdadeiramente só no princípio deste século, mais concretamente na 1ª grande guerra, aí por 1914 é que as riquezas mineiras de Barroso começaram a ter interesse mundial.

 

Assim na Borralha freguesia de Salto foram os belgas, mais tarde os franceses, que vieram explorar o volfrâmio, estanho, pirite, ouro, etc. No Bessa, na zona de Morgade, Rebordelo e Carvalho tem sido explorado em maior quantidade o estanho e menos o volfrâmio. (…)

 

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Ainda do mesmo autor (Padre Fontes) na Etnografia Transmontana, I – Crenças e Tradições do Barroso, encontrámos as seguintes referências:

 

NOMEADAS DAS TERRAS E GENTES

(…)

Pernas tortas de Vilar,

Tarouqueiros de Solveira,

Escorna cruzes de Solveira,

Da amarela de S. André,

Arreda que sou de Gralhas,

Largateiros de Pedrário,

Leites quentes do Antigo,

Ovelhas de Zebral,

Formigueiros de Serraquinhos,

Carvoeiros de Cepeda,

Financeiros de Fírvidas,

Fidalgos de Cervos,

Lobos de Negrões,

Largateiros de Morgade,

Troquistas de Torgueda

(Informou P. Domingos Barroso).

 

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E continua com as alcunhas das aldeias:

 

Travassos, terra dos abraços

Castanheira, terra da madeira

Penedones, terra dos homes

São Vicente, terra da gente

Torgueda, terra da merda

Peireses, terra dos reses

Gralhós, terra dos avós

Medeiros, terra dos peidos,

Negrões, terra dos Ladrões,

Frades, terra dos padres,

Cambezes, terra dos homens portugueses,

Montalegre, povo cigano, que muito pede,

Morgade, roubam muito e ninguém o sabe,

Meixedo, inda que vejam a morte, não têm medo.

(Informou Bento Joaquim, A. Alves de Travassos, 68 anos)

 

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E vamos agora espreitar o que se diz na “Toponímia de Barroso” a respeito da nossa aldeia de hoje:

 

"MORGADE

É o genitivo do nome pessoal germânico Mauregatus. Assim, uma “VILLA” Mauregati > Mourgade > Moorgade > Morgade, em:

- 1258 « de villa de Morgadi est» INQ 1518 donde se vê que no século XIII já só faltava “abrandar” o i em e — o que acontecia já na pronúncia."

 

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Na “Toponímia Alegre” mais duas achegas:

 

“Quem andou sempre topou:

Um cão de caça na Vila da Ponte,

Um ladrão em Morgade,

Uma lebre em Covelo do Monte

E uma puta em Viade.

Toda a vida se ouviu dizer

Quem sempre terá de haver:

Um cão de caça nas Alturas,

Uma lebre em Morgade,

Um puta em Parafita

E um ladrão em Viade."

 

1600-morgade (13).jpg

 

E ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, passaram a estar na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, António Lourenço, (1974), Etnografia Transmontana, I — Crenças e Tradições de Barroso. Coimbra: Edição do Autor.

FONTES, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II — O Comunitarismo de Barroso. Minerva Transmontana – Vila Real: Edição de Autor.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Sacoselo

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Sacoselo é a nossa aldeia barrosã de hoje, bem próxima da aldeia que deixámos aqui há 15 dias, a aldeia de Reigoso, embora Sacoselo já pertença à freguesia de Ferral. Assim, o nosso  itinerário para chegar a esta aldeia, como sempre a partir da cidade de Chaves, será uma cópia do itinerário até Reigoso.

 

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Tal como a aldeia de Reigoso, Sacoselo fica na transição entre o Barroso da Chã, o Barroso do Gerês, o Barroso do Rio e o Barroso de Salto e das Alturas. Fica mais ou menos ao centro das três Barragens (dos Pisões, Venda Nova e Padrela) a mais distante a dos Pisões a 9 km e a mais próxima a da Venda Nova a apenas 600 metros. E fica também entre dois dos rios mais importantes do concelho, o Cávado e o Rabagão, rios que alimentam as barragens atrás citadas.

 

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Vamos ao nosso itinerário com partida da cidade de Chaves que tal como aconteceu com a aldeia de Reigoso optámos por ir pela EN103 (Estrada da Braga), com a aldeia de Sacoselo a 63 km. Não há nada que enganar, é seguir sempre a EN103, passa-se a Barragem dos Pisões, logo a seguir passa-se ao lado de Vila da Ponte e logo a seguir, coisa de 2 Km, vira-se à direita para Ladrugães, passa-se ao lado desta e a seguir vem a aldeia de Reigoso que temos de atravessar, já na saída a estrada bifurca à esquerda para a aldeia de Currais e à direita para Sacoselo, que fica 3 quilómetros mais à frente.

 

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Para sermos mais exatos e para quem se guia pelas coordenadas, aqui ficam elas, mas também fica a seguir o nosso habitual mapa com o itinerário:

41º 42’ 22.36” N

7º 57’ 36.56” O

A aldeia fica implantada na vertente da montanha que descai para a barragem da Venda Nova e implanta-se entre os 797 e os 846 metros de altitude.

 

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Embora este seja o nosso itinerário para o post de hoje, quando abordámos pela primeira vez Sacoselo,  levávamos na agenda a visita às aldeias de Ladrugães, de Reigoso, de Currais e mais algumas após Sacoselo. Isto para vos dizer que já não ficámos surpreendidos com o que vimos em Sacoselo, pois as três aldeias que tínhamos visto antes já não deixavam margem para mais surpresas, em Sacoselo repetia-se a exuberância do verde das pastagens, as vistas lançadas mais além para o mar de montanhas, etc. Só não sentimos a presença da barragem  da Venda Nova, como aconteceu em Currais, que embora a 600 metros de distância, as encostas das pequenas montanhas não a deixam ver .

 

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Assim é natural que aldeias tão próximas partilhem das mesmas paisagens e do mesmo verde, no entanto têm sempre as suas singularidades que acabam por caracterizá-las, dando-lhes uma identidade própria, tal como acontece com os irmãos de uma família.

 

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Já atrás salientámos o verde que rodeia a aldeia, hoje pintado maioritariamente pelas pastagens e algum arvoredo, carvalhos, na maioria, mas a quantidade de canastros que existem na aldeia são um testemunho que outrora o verde era resultante do cultivo da terra, do milho, talvez do linho e mais recentemente também da batata. Não sei quais seriam as culturas, mas milho havia de certeza, e ainda deve haver, isto a julgar pelo estado de conservação de alguns canastros e do novo canastro que por aqui começa a aparecer já com recurso ao tijolo furado à vista e estrutura de betão armado, embora ainda apoiados nas antigas estruturas e fundações de granito.  Não são tão interessantes como os mais antigos, mas serão pela certa mais duradoiros.

 

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No restante chamou-nos a atenção algumas soluções construtivas interessantes, sobretudo as mais antigas, que embora hoje degradadas e abandonados, o costume, não deixam de ter ainda autênticos exemplares da nossa arquitetura rural. Casario simples, maioritariamente. Ficou-nos o olhares numas escaleiras redondas em semicírculos quase perfeitos, uma outra já muito degradada mas deixou à vista às várias camadas “arqueológicas” da sua arquitetura e construção, com o granito na base, a estrutura ripada de madeira de suporte do estuque ou aglomerados de argila, a chapa zincada, o tapamento posterior de uma porta com pedra miúda, etc. 

 

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Ao nível das construções é também notória a utilização daquilo que o solo tem, neste caso o xisto vai aparecendo com alguma frequência, ou melhor, uma mistura de xisto com granito, este último sempre de maiores dimensões e em componentes estruturantes da construção. Nota-se também a ausência de muretes de suporte nas coberturas que era utilizado para remate e acomodar do colmo, tão habitual nas aldeias do planalto do Larouco e um pouco por todo o restante Barroso.

 

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Intervenções novas com traços de modernidade também se fazem sentir e são bem visíveis, um no acrescento da capela em que o perpianho serrado de fabrico e perfeito, contrasta com o granito mais antigo da capela, de pedra mais irregular a pico de pedreiro, mas pelo menos a cor do granito é idêntica.

 

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No mesmo largo da Igreja, ao lado também é notória uma intervenção recente na construção de uma fonte/bebedouro de animais e um tanque coberto/lavadouro público e muro de suporte, tudo em granito azul, serrado e amaciado, à exceção do muro de suporte. Dá-lhe um ar limpinho e até higiénico, mas perde a rusticidade do mais antigo. No entanto, nada a dizer sobre esta intervenção, sempre é mais interessante que os antigos lavadouros público “tipo” de tijolo rebocado. Dá-me é a impressão que este lavadouro já chegou tarde, pois é também notório que tem pouca utilização, ao contrário de outros tempos, em que era mesmo uma necessidade. Mas se calha até estou errado, pois não sei se este novo lavadouro veio substituir um aí existente ou se existia outro lavadouro antigo. Para rematar, tem traços de modernidade mas até embeleza o largo.

 

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Ainda no mesmo largo há também uma nova construção/habitação seguindo os mesmos traços de modernidade, que se repetem numa ou outra reconstrução ou intervenção nova, mas na grande maioria a aldeia mantém a sua integridade de aldeia típica transmontana, embora já não tanto quanto a aldeia típica barrosã. Mas claro, que tudo isto vale o que vale, pois é apenas a minha opinião.

 

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Quanto às dimensões da aldeia, não é grande mas também não é das mais pequenas. A entrada na aldeia (para quem vai de Reigoso ou Currais) faz-se pelo largo principal da aldeia, onde se encontra a capela e a fonte/bebedouro/lavadouro, desenvolvendo-se a aldeia à volta de um aglomerado concentrado.

 

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Deixando as nossas observações pessoais, passemos àquilo que os livros e documentos dizem sobre a aldeia, pois na WEB nada encontrámos quanto à sua história ou outros que aqui possam interessar.

 

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Pois no livro Montalegre, para além da referência à aldeia pertencer à freguesia de Ferral, nada mais consta. Reparei, no entanto, que no livro é grafada com Z, ou seja, Sacozelo, e não Sacoselo, como aparece nas placas, e mapa turístico de Montalegre e em alguns documentos de Montalegre, incluindo na página oficial do município e da Junta de Freguesia na WEB, embora na primeira apareça a aldeia grafada das duas formas, com S e com Z, quase parece que é conforme lhes dá na gana. Não é que esta questão, à primeira vista, seja importante, mas agora em plena era digital até já faz alguma diferença, principalmente em catalogações e pesquisas, tal como me aconteceu hoje, pois na WEB tive de pesquisar nas duas formas do topónimo, o dobro do trabalho. E também não fica bem na página oficial estar grafada de ambas as formas. Decidam-se por uma, “e prontos”!

 

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Seja como for aqui no post é Sacoselo, pois foi assim que a vi nos mapas, embora se não a tivesse visto escrita e a tivesse de escrever pela primeira vez, escreveria Sacozelo, mas vamos à Toponímia de Barroso, que sendo do mesmo autor que o livro Montalegre, aposto que a aldeia está grafada com Z, ora vejamos:

 

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Pois é, perdia a aposta… Sacoselo, na Toponímia de Barroso está grafada com S:

 

Sacoselo

É também (só pode ser) o adjetivo secoso (de seco+oso) por sua vez do latino SICCU, “seco”. Portanto, terreno seco. Tão secoso era o terreno que ainda mais seco ficou no diminutivo ELO = SECOSELO. E como já vimos , o E surdo e mudo deu lugar ao A um pouco mais fácil de pronunciar. Não temos o topónimo documentado, infelizmente.

  

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Ora cá está, na toponímia foi-se à origem da palavra Sacoselo a partir da palavra secoso, que nos leva a terra seca. Pois eu estive por lá e não achei a terra assim tão seca, aliás a água até corria livremente por algumas valetas nas ruas da aldeia e os campos estão bem verdinhos. Pois se “selo” final de Sacoselo fosse “zelo” de Sacozelo, aí outro galo cantaria, pois, o zelo de zelar já tem outro significado que até seria bem mais nobre para a aldeia, atendendo ao que significa (empenho, cuidado, interesse, dedicação, desvelo…) Mas mais uma vez esta é a minha opinião e vale o que vale.

 

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Ainda na Toponímia de Barroso, mas agora na “Alegre” há ainda duas referências a Sacoselo:

 

Muito vagar teve Deus

Quando fez Cela e Sirvozelo

São Pedro e Contim

Nogueiró e Sacoselo.

 

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E ainda mais esta:

 

De Cabril são carvoeiros

Pata mansa de Sertelo;

Pica-burros em Pardieiros

E saca-bolsas de Sacoselo!

 

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E como nas nossas pesquisas nada mais encontrámos e já deixámos por aqui as nossas impressões e observações, se calha até em demasia, pois há coisas que seria politicamente mais correto aceitá-las tal qual nos as servem, mas, como não me está no feitio comer tudo que me dão e já tenho uma idade em que já escolho aquilo que como, também já me são permitidos alguns devaneios, e depois, quando não há documentos e escritos sobre as aldeias e tenho que meter alguma coisa entre cada fotografia para elas não ficarem aqui a monte, estes devaneios até dão jeito. Sinceridade acima de tudo!

 

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Pois finalizamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, desde o último fim-de-semana, passaram a estar na barra lateral deste blog, tudo porque no último fim-de-semana não consegui publicar o post com os links. Só depois de os retirar é que consegui. Mas há males que vêm por bem ou para bem, e assim passamos a ter os links para o Barroso sempre visíveis no blog e não apenas uma vez por semana. Tal como já disse, se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.jf-ferral.pt/

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:41
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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Chelo

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O nosso passeio de hoje pelo Barroso aqui tão perto vai ser até a aldeia de Chelo, na freguesia de Cabril, concelho de Montalegre. Aldeia com vistas lançadas para a imponência da Serra do Gerês, a sua vizinha da frente, aldeia que está estrategicamente colocada entre os rios Cabril e Cávado, sensivelmente a meio de ambos e a uma distância de aproximadamente 1 km de cada um deles. Rios que se encontram a cerca de 2 Km de distância da nossa aldeia de hoje, mas que nem por isso se dá por eles desde a aldeia.

 

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Estamos no Barroso verde do Parque Nacional da Peneda Gerês, não tão verde como o verde da freguesia de Salto, mas igualmente verde, que se desfaz em penedio mal toca nas encostas mais elevadas da Serra do Gerês.

 

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O povoamento desta zona não deixa de ser curioso. Junto a terras férteis e de altitude menos elevada, na ordem dos 500 m, é formado por pequenas aldeias. Para termos uma ideia, se no centro delas traçamos uma circunferência com 700 m de raio, podemos meter nesse círculo 9 aldeias, a saber: Chelo, Fontainho, Vila Boa, Chãos, Cavalos, São Lourenço, Bostochão,  São Ane e Cabril. Quase parece uma só aldeia com 9 bairros, tendo cada um uma grande quinta de cultivo. Exceção para São Lourenço e Cabril que sem serem grandes aldeias, são maiores que as restantes.

 

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Mas este tipo de povoamento, com o verde ao seu redor e a imponência da Serra do Gerês ali ao lado, da um ar pitoresco a estas aldeias, tanto mais que a grande maioria estão todas na mesma encosta da montanha, colocadas tipo anfiteatro, a várias altitudes, todas com vistas lançadas para a Serra do Gerês. A exceção continua a ser para Cabril, que já está junto ao Rio Cabril e São Lourenço que está na croa da montanha.

 

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E para terminar esta do povoamento conjunto destas pequenas aldeias, só queria referir que quando digo pequenas, são aldeias que têm até 20 construções cada uma. Estou a dizer construções e não habitações, pois estas são bem menos, para a contagem também entraram os armazéns e anexos. A exceção continua a ir para Cabril e São Lourenço onde atingem entre as 50 e 60 construções.

 

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Pelo que aqui deixei já se aperceberam onde fica esta aldeia. Para irmos até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves, desta vez optámos pela Estrada do S.Caetano até Montalegre, daí rumamos até Sezelhe e depois Paradela. Entre Sezelhe e Paradela temos duas opções, uma via Covelães  (M308-5) a outra via S.Pedro (M514). Atenção que nesta segunda opção em S.Pedro temos que mudar de estrada, ou seja, se a seguir a S.Pedro encontrar Contim, vai enganado. Chegados a Paradela (ao lado da barragem com o mesmo nome) temos de atravessar o paredão da barragem e seguir essa estrada (M308) até ao nosso destino. Antes de lá chegar ainda passa (ao lado) por Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo, e Xertelo. Ao todo, entre Chaves e Chelo são perto de 80 Km.

 

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Mas como sempre deixamos por aqui as coordenadas da aldeia:

41º 43’ 19,322 N 

08º  01’  09,88” O

Altitude: entre os 540 e os 580m

 

Fica também o nosso mapa com o itinerário assinalado.

 

mapa-chelo.jpg

 

Ainda antes de entramos na toponímia só mais duas palavrinhas, uma para dizer que as vistas para a Serra do Gerês impressionam, são de uma beleza impar. Quanto à aldeia, como é pequena, não tem muito que ver e o que tem, está disperso em pequenos núcleos de meia dúzia de casas ou então estão mesmo isoladas. Contudo não deixa de ser interessante, com muito verde pelo meio, quer dos campos cultivados quer do arvoredo. Ao ver as fotos da recolha reparei que da capela apenas tenho imagens com ela lá no alto. Ainda estou para saber o porquê de não ter subido até lá, pois não recordo ou então pensei que cá de baixo seria mais visível, mas dada a hora em que as fotos foram tomadas, por volta das 12H30, o mais provável é que a barriguinha já mandasse mais que a cabeça. Não é por nada, mas por estas terras, com as iguarias que por lá há,  o comer é sagrado e quentinho é que ele é bom.  Mas peço desculpas pela capela não aparecer completa, pois penso que merecia uma foto.

 

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Vamos então à toponímia, como sempre recorremos à “Toponímia de Barroso”:

 

CHELO

É apenas um simples diminutivo de chão. Vem de PLANU+ELLLU = PLANELU > CHÃELLO > CHELO. Ainda na muito velha forma Chaelo documenta-se:

- 1258 « et in Chaelo ij leyras» INQ 1513,

Integra uma família toponímica muito representativa: Chã, Chão, Chelinho, Chada, Achada, Cheda, Chelas, Chainça, Chaíça, Cheira, Chaira, Plaina, Choso, Chainho e, talvez, o muitíssimo arcaico Char.

 

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Sem querer duvidar daquilo que se diz na Toponímia de Barroso, deixo a outra fonte onde vamos espreitar o significado dos topónimos (ver endereço do blog na webgrafia deste post), que acaba por chegar à mesma conclusão:

 

Chelas – tem sido dito que vem do lat. “cella”: armazéns de grão. porém, ver “Chelo” e “Chenlo”. sgnific. mais provável: diminutivo de “Chãs”

Cheleiros – gente vinda de “Chelas” ou de “Chelo”?
Chelinho - pronunc. “chèlinho” : diminutivo de “Chelo”

Chelo – pronunc. “chèlo”. diz-se que é do lat.“cella”, com influência moç.: armazém de grão (?), santuário pagão (?), recinto religioso. porém, a existência de “Chenlo” na Galiza aponta para “plannelum” – pequeno plano ou chão. seria, pois, diminut. de “Chão”. a topografia dos lugares parece confirmar esta hipótese

Chenlo (Gz.) – o mesmo que “Chelo”. o “n” dá indicações preciosas sobre a etimologia de “Chelo” e de “Chelas”. ver “Chelo” e “Chelas”

 

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No portal do Arqueólogo, encontram-se algumas referências a um sítio arqueológico com o nome de Chelo, na freguesia de Cabril, Montalegre. Teria sido um povoado fortificado da Idade Média e Moderno com a seguinte descrição: Observam-se restos de várias construções rectangulares de pedra irregular bem como muros definindo recintos dispondo-se segundo um padrão de distribuição disperso.

Em Vias de Classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público).

 

Penso que será nas proximidades da aldeia de Chelo, mas não sabemos, pois a única informação sobre este sítio arqueológico é mesmo apenas esta do Portal do Arqueólogo.

 

1600-chelo-art

 

Quanto ao livro Montalegre, Chelo apenas aparece no contexto da freguesia de Cabril, onde consta:

 

“É um mosaico de pequeninas povoações ao longo das encostas abrigadas que descem sobre os rios. Sertelo (trata-se do diminutivo de deserto – Deserto+elo > Desertelo, como ermo deu Ermelo, (após a aférese do de inicial resulta Sertelo) que fica acima dos 700 metros, Lapela e Pincães, acima dos 600 metros, São Lourenço, Chelo, Fafião e Azevedo, acima dos 500 metros, Bustochão e Vila Boa, acima dos 400 metros, e todas as restantes, Cabril (que já se chamou a Vila ou a Baixa), Cavalos, Chãos, Fontaínho, São Ane e Chã do Moinho não sobem para lá dos 300 metros de altitude. Não admira por isso que, nestas funduras quentes e húmidas, Barroso se orgulhe de colher boa fruta, vinho e azeite na freguesia de Cabril."

 

1600-chelo (6)

 

E vai sendo tudo, pois mais nada encontrei sobre esta aldeia de Chelo, aldeia pequenina e dispersa em pequenos núcleos, mas com motivos interessantes para merecerem uma visita e até estar por lá um pouco em apreciação das vistas que desde lá se alcançam.

 

1600-chelo (27)

 

No próximo domingo cá estaremos outra vez com mais uma aldeia do Barroso, que está aqui tão perto, com a proposta de mais uma aldeia para visitar, que sempre poderá juntar a outras no itinerário que traçamos entre Chaves e a nossa aldeia de destino. Fica perto, quase sempre a menos de uma hora de distância e sempre com paisagens de encantar, sem preocupações com a barriguinha, pois se não for dos que leva o farnel atrás de si, terá sempre um restaurante perto do local onde estiver. Um bom programa para um sábado ou domingo.

 

1600-chelo (19)

 

Só faltam mesmo as referências às nossas consultas e os links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

1600-chelo (17)

 

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt/2007/02/o-carvalho-um-samelo.html

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios.resultados&subsid=49527

 

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Carvalho - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalho-1623928

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:41
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Domingo, 7 de Janeiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Carvalho

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montalegre (549)

 

Como sempre por aqui, aos domingos, vamos até ao Barroso que está aqui tão perto. Claro que esta ida ao Barroso, aqui no blog, fica-se pelas imagens e algumas palavras que podemos dizer sobre os sítios e localidades que visitámos, não é uma ida real, mas, se como eu conseguirem entrar dentro da imagem, esta pequena viagem virtual pode-se tornar bem real e reviver de novo momentos lá passados. Claro que lhe podem faltar os aromas dos sítios, o sol a bater-nos na pinha, os sons e a aragem a passar-nos nas faces, mas, ao entrarmos na imagem acabamos por descobrir pormenores que in loco, de tão preocupados que estávamos com a composição nos passaram despercebidos, e podem crer que são pormenores preciosos.

 

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Também aqui perante as imagens, a vivência de sensações é bem diferente. Recordo que quando entrei na nossa aldeia de hoje, que dá pelo nome de Carvalho, vínhamos de visitar aldeias que nos impressionaram pela sua beleza, mas também pela receção que tivemos nelas. Refiro-me às aldeias de Reboreda, Tabuadela e Seara. As duas primeiras já passaram por aqui, Seara estará num domingo próximo.

 

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Mas ia eu dizendo que vínhamos de aldeias que nos tinham impressionaram pela positiva, quando entrámos em Carvalho o relógio marcava as 12H30, a barriguinha já pedia qualquer coisinha, mas como queríamos cumprir o itinerário previamente traçado, o almoço ficaria para depois, e para além desta aldeia, antes de almoço ainda estava prevista a aldeia seguinte, Beçós, á qual também fomos. Talvez pela hora, pelo apetite e por ainda termos mais uma aldeia na agenda, a visita a Carvalho previa ser breve, tanto mais que a entrada da aldeia não impressionou com as primeiras vistas, onde não tínhamos uma visão da totalidade da aldeia (a primeira foto com uma vista geral da aldeia só se tornou visível à vinda de Beçós).

 

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E estávamos então nós na entrada da aldeia, sem alma viva por perto, a apreciar com algum espanto a pequena, mas bonita capela. O espanto, porém, não muito, tinha a ver com a localização da capela, implantada no meio da rua, que neste caso até é estrada de acesso a mais uma aldeia. Uma curiosidade engraçada que faz a diferença e torna estas aldeias singulares. Pela certa a sua implantação terá uma história qualquer que tornará a sua localização mais compreensível, mas isso até nem interessa, pois até passa a ser uma referência para a aldeia. E estávamos nesta de apreciação quando de uma pequena e estreita rua ao nosso lado, saía de lá a primeira das duas pessoas que vimos na aldeia. Claro que aproveitamos sempre estes momentos para uma troca de palavras, a querer saber coisas da aldeia, ainda por cima era toda uma personagem, de bigode farfalhudo, chapéu de rede na cabeça que o intenso sol recomendava, casaco e colete, camisa aberta e barba de três dias, parecia uma personagem vestida para um filme de época.

 

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Conversámos um bocadinho, e embora simpático, foi-nos dizendo que estava com alguma pressa, tinha consulta marcada no médico em Salto, sede de freguesia, e ainda tinha uma caminhada para fazer. Mas mesmo assim ainda nos deu uns minutos, deu para saber que na aldeia ainda havia 19 pessoas, segundo as suas contas de cabeça feitas ali na hora, e houve tempo ainda para posar para a fotografia. Pena a pressa, pois pela certa tinha estórias interessantes para contar. Mas lá foi, estrada acima em direção a Salto.

 

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Ontem, que já tinha as imagens selecionadas e tratadas, ao ver as notícias na televisão com os protestos em Lisboa por causa do fecho de uma estação ou posto dos CTT lá numa rua qualquer, as pessoas protestavam e lamentavam-se por esse encerramento. Uma das pessoas entrevistadas, lamentava porque com esse fecho, o posto mais próximo ficava a 3 quilómetros de distância… Tal como esta, outras notícias se foram sucedendo, como a do frio extremo que nos está a invadir e a abertura dos Centros de Saúde para os engripados. Medos e lamentos dos de Lisboa que vivem numa realidade que não é a nossa e que me levou a pensar naquilo que disse na última aldeia do Barroso que passou aqui, Azevedo, e na ida deste homem ao médico de Salto, ou aliás, a tudo que lhe é necessário, só em Salto, pois estas aldeias para além dos vizinhos nada mais têm. Exceção para o pão, pois o Padaria de Pitões faz um verdadeiro serviço público a estas populações, e dizemos isto porque nos vamos cruzando com ele nas nossas andanças pelo Barroso.

 

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Só faltou dizer que Salto fica a 4,5 km da aldeia de Carvalho, bem perto por sinal para pequenas coisas, pois em caso de uma urgência médica, por exemplo, aí as coisas complicam-se. Penso que o Centro de Saúde com urgências mais próximo é Montalegre a 42 km para coisas mais ligeiras, mas o mais provável é que a coisa não seja ligeira e aí lá vai urgência para o Hospital de Chaves a 80 km, mas se a coisa é mesmo complicada, aí só em Vila Real a 150 km, e há que rezar para que não seja um ataque cardíaco… E estamos a falar da aldeia de Carvalho, pois há aldeias com acessos bem mais complicados e mais distantes. Mas estas coisas não interessam aos de Lisboa, nem às televisões, mesmo em casos de morte por andarem às voltas daqui para ali até chegarem a Vila Real passadas umas horas, isso não interessa, agora se for um aloucado que puxa da caçadeira e mata um familiar, um amigo ou vizinho, aí as televisões vêm logo como vampiros à procura de sangue.

 

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E já não quero falar dos alertas das vagas de frio e de calor, pois esses, a nós que convivemos naturalmente com temperaturas mínimas negativas durante quase todo o outono e inverno e que no verão temos semanas consecutivas com temperaturas máximas a 40º, esses alertas, fazem-nos rir. Claro que em Lisboa, a temperatura desce abaixo dos 10º e já é uma desgraça. Pois é, mas nós já estamos habituados aos 9 meses de inverno e aos 3 de inferno, e pelos vistos não temos frio nem calor, por aqui é tudo normal, qual alertas ou preocupações, qual … como diria o outro: -  siga para a aldeia de Carvalho, Sr. Ramboia!

 

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E voltamos ao Carvalho precisamente com uma imagem daquilo que o povo vai fazendo, e tendo sempre em conta o ditado popular de “mais vale prevenir do que remediar” e é assim, um pouco como a formiga, que aos poucos, durante o verão se vai prevenindo para os invernos que já sabemos serem sempre rigorosos, onde quase toda a vida diária se faz à volta da lareira.

 

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Pois a aldeia de Carvalho, tal como já dissemos, fica no Barroso verde da freguesia de Salto. Para o nosso itinerário para Salto/Carvalho, como sempre a partir de Chaves, optamos pela estrada de Braga (N103) até Sapiãos e depois viramos para Boticas e apanhamos a N311 a partir de Boticas e após 60 Km estamos em Carvalho. Este é um dos itinerários possíveis, o outro, é continuar sempre pela N103 até à Venda Nova e aí viramos para Salto. Mas recomendar, recomendo mesmo o primeiro, tem menos trânsito e vistas mais interessantes, além de serem menos quase 20 Km. Mas fica o nosso mapa para uma vista de olhos.

 

carvalho-mapa.jpg

 

Mas para termos uma localização mais exata, ficam as coordenadas da aldeia e outros dados.

41º 36’ 41.43” N

7º 55’ 24.36” O

Altitude, a aldeia implanta-se entre os 950 e os 1000m. Terras altas mas mesmo assim com pequenos vales entre elevações mais altas. Pequenos vales que como se pode ver em algumas fotografias estão vestidas de verde, maioritariamente das pastagens.

 

1600-carvalho (39)

 

Para sermos ainda mais precisos, basta atravessar Salto e continuar pela N311, seguindo as placas que digam Reboreda e Póvoa, nesta última aldeia (a 3 km de Salto) deixa a N331 e toma uma estrada secundária à esquerda, onde esteja indicado: Carvalho e Beçós.  Do desvio da N331 até Carvalho são menos de 3,5 km. Depois de estar em Carvalho, desfrute da aldeia e no final dê um pulinho à aldeia seguinte, Beçós, que também vale a pena passar por lá.

 

1600-carvalho (38)

 

E vamos agora àquilo que se diz desta aldeia, como por exemplo quanto ao seu topónimo, que com sempre recorremos à “Toponímia de Barroso” onde por acaso pouco ou nada consta para além da evolução da palavra do latim até aos nossos dias:

 

CARVALHO

Do latino CARBACULO > CARBAGULO > CARBAGLO > CARVALHO

 

Merecia mais qualquer coisinha, mas como na “Toponímia de Barroso” nada mais acrescenta, fomos nós à procura de mais achas para a fogueira, e encontrámos umas coisas, curiosamente num blog.

 

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Aqui fica mais qualquer coisa sobre o topónimo Carvalho:

“ Em Toponomástica, "Carvalho" provém da raiz kar-, que para Rostaing (1965) é de origem pré-indo-europeia e significa "rochedo". há topónimos em "Car-" por esta Europa fora que, de facto, se referem a "pedras". é o caso de Carrara (It.), a terra do mármore. este "Car-", ou "Car-b-", está também na origem de topónimos em "Cabr...".
Mas Amaral e Amaral (2000) acham que cara- deriva do antigo europeu e significa "alto", dizendo, por outro lado, que karregg- é celta e significa "pedra".

 

1600-carvalho (32)-1

 

E continua:

"A verdade é que o topónimo "Carvalho" ou "Carbalho" já se escreveu Carbalio, Karualio, Karuallo ou Carualio.
E também é verdade que os "Carvalhos" que eu conheço se colocam, em geral, em ponto alto e dão nome a um ou outro pino pedregoso de importância menor. são parentes do "Caramulo" e da "Carapinha".
Quanto ao celta karregg- , aparece em Carregal, Carregosa, Carregosela e afins, designando locais mais pedregosos do que altos."

 

1600-carvalho (29)

 

E diz mais:


"Machado (2003) aceita que "Carvalho" seja a árvore "carvalho", no que eu não creio, porque, tratando-se de uma estirpe vulgar no tempo em se dava o nome às terras, não tinha relevância que chegasse para tantos topónimos. seria como chamar "Coqueiro" a tantas outras terras no Brasil.
Mas é como a história de "Pinheiro", "Figueira", "Aboboreira", etc, de que já tratei: não dão nome às coisas, absorbem o nome de outras coisas. nem fitónimos são.
A coisa muda de figura se se tratar de mais que um carvalho. um grupo de carvalhos de bom porte já pode ser suficientemente distintivo para dar nome a uma terra. talvez "Carvalheda", que tem conotação colectiva, signifique um "bosque de carvalhos"."


1600-carvalho (41)

 

E remata assim:

"A verdadeira, velha e digna árvore carvalho é outra coisa: era a morada de Bellenos, a manifestação da divindade celta que reunia as características do Apollon dos gregos. que, para Chevalier e Gheerbrant (1969), "sintetiza em si inúmeros opostos que sabe dominar, perfazendo um ideal de sabedoria. realiza o equilíbrio e a harmonia dos desejos sem suprimir as pulsões humanas, orientando-as, antes, para uma espiritualização progressiva, graças ao desenvolvimento da consciência". esse Bellenos pode estar na origem de topónimos como "Beleño" (Esp.) , "Belém" de Lisboa e talvez "Bèlinho" ou Beliño"."

 

1600-carvalho (7)

 

No livro “Montalegre”, para além da referência de Carvalho pertencer à freguesia de Salto, há mais uma que diz (o sublinhado é nosso):

“A freguesia de Salto é, quer em área, quer em população, a maior freguesia do concelho. Como espaço habitado e evangelizado, Salto é já referido no Paroquial Suévico como uma das trinta paróquias já existentes, no último terço do século VI e pertencentes à catedral de Braga. Ao longo da sua vida teve muitos momentos de glória, daí a riquíssima história desta freguesia. Enquanto os cruzados do norte da Europa atravessavam o Atlântico e o Mediterrâneo, para combater nos lugares santos, o povo portugalense trepava descalço os caminhos das suas peregrinações que atravessavam a freguesia. De tal modo que D. Afonso Henriques autorizou e apoiou a construção da Albergaria de São Bento das Gavieiras, ao monge Benedito, em 1136.

Alguns nobres olharam com cobiça para esse território onde adquiriram casais ou mesmo povoações como Carvalho, Póvoa e Revoreda que eram do fidalgo-trovador D. João Soares Coelho e de suas irmãs.”

 

livro-montal.JPG

 

Não resistimos e além das palavras do livro “Montalegre” roubámos também uma fotografia com o cruzeiro de Carvalho, que por acaso não o vimos na nossa visita à aldeia, mas a preciosidade desta foto até nem é o cruzeiro, pois esses vão abundando por aí, a preciosidade está em segundo plano na construção de granito ainda com a cobertura em colmo. Isto sim é uma raridade que era tão comum há umas dezenas de anos. Pena que para memória futura não se tivessem preservado algumas destas coberturas, principalmente nas aldeias mais típicas, tal como acontece (um bom exemplo) na aldeia de Paredes do Rio.

 

1600-carvalho (3)

 

E é tudo, ficamos por aqui. Pela certa mais coisas haveria para dizer sobre esta aldeia, mais não encontrámos mais nada nas nossas pesquisas e sobre a nossa breve passagem por lá, dissemos o possível.

 

Ficam as referências às nossas consultas e os links para anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt/2007/02/o-carvalho-um-samelo.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:42
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Domingo, 31 de Dezembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Azevedo

1600-azevedo (8)

montalegre (549)

 

No último dia deste ano de 2017 vamos até mais uma aldeia do Barroso, mais propriamente até Azevedo. E os que não são de lá ou de perto, pela certa perguntarão onde fica Azevedo. Pois já sabemos que é no Barroso de Montalegre e fica junto à estrada municipal M308, entre Xertelo e Lapela, com Chelo também por perto e com vistas lançadas paras as três Penedas, perto do Rio Cávado e já em pleno Parque Nacional da Peneda/Gerês.

 

1600-azevedo (4)

 

Os dados atrás deixados já eram suficientes para chegarmos até Azevedo, mas como sempre, vamos ser mais precisos, traçando o habitual itinerário com partida da cidade de Chaves. Embora tenhamos várias alternativas de itinerários para irmos até ao Barroso, há duas que são as mais utilizadas. Uma é a Estrada Nacional 103 (estrada de Braga) e outra é a Estrada Municipal 507, para nós comummente conhecida por estrada do S.Caetano ou de Soutelinho Da Raia. A que nós mais apreciamos é esta última, assim, vamos optar por esta para ir até Azevedo.

 

1600-azevedo (1)

 

O itinerário é de aproximadamente 75 km. Com partida de Chaves, Soutelinho da Raia, Montalegre. A partir de Montalegre basta seguir a corrente do Rio Cávado, mas como ele nem sempre é visível desde a estrada, saímos de Montalegre em direção ao Sr. da Piedade ou campo de futebol, seguindo sempre pela estrada principal até Sezelhe. Em Sezelhe, no cruzamento atenção à placas indicativas. Devemos tomar as que nos mandam para Travassos, Covelães e Parque Nacional da Peneda Gerês, ou seja a N308 pela qual devemos seguir até à Barragem de Paradela e aldeia do mesmo nome. No cruzamento da aldeia de Paradela, viramos à direita e descemos até ao paredão da barragem, o qual devemos atravessar.

 

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A Partir do paredão da barragem de Paradela até Azevedo, só temos mais três aldeias (Sirvozelo, Cela e Lapela). Atenção que nenhuma destas aldeias fica junto à estrada, tal como Azevedo, Assim é preciso ir com atenção para ver a placa de desvio.  Mas como sempre deixamos também o nosso mapa e as coordenadas do local, que são:

41º 44’ 22.00” N

7º 59’ 58.11” O

 

azevedo-mapa.jpg

 

Tal como já tivemos oportunidade de dizer a aldeia de Azevedo não é atravessada pela estrada principal e tão pouco é visível a partir dela. A entrada na aldeia faz-se por uma rua bem  ingreme, tal como a montanha onde está implantada. Afinal já estamos na Serra do Gerês, não é de estranhar. Inclinação que se prolonga ao longo da rua principal que acaba por ter continuação até ao Rio Cávado com passagem para a Peneda de Baixo, embora todas próximas e implantadas na outra margem do Rio Cávado, numa encosta igualmente ingreme, a mais próxima é mesmo a Peneda do Meio, de onde se tem uma vista privilegiada para a aldeia de Azevedo. Fica a foto de Azevedo vista desde a Peneda do Meio:

 

1600-peneda-meio (2)

 

A entrada da aldeia surpreende-nos com um cruzeiro de fabrico recente colocado num largo à beira da rua. Depois um conjunto de casas de construção mais recente acabando num pequeno núcleo mais antigo. A partir de aqui e depois de uma curva com quase 360º, igualmente ingreme, entra-se na parte mais interessante da aldeia com passagem pela antiga escola primária e a terminar na pequenina capela cujo átrio é um autêntico miradouro.

 

1600-azevedo (27)

 

Mas o mais interessante é mesmo toda a rua e o casario mais disperso. Rua que se faz quase toda por debaixo de latadas de videiras, que no dia em que lá fomos, dia 15 de julho deste ano que termina, por volta do meio-dia, bem agradecemos a sombra onde dava mesmo vontade de ficar. Latadas que ainda se vão vendo em algumas aldeias da região, algumas poucas no Barroso mas também nos concelhos vizinhos, mas que com o tempo e com falta de quem as mantenha, vão morrendo ou são desmontadas. Pena, pois davam um ar interessante às aldeias além de alguma frescura às ruas e casas próximas, que nos nossos verões de inferno, bem se agradecem.

 

1600-azevedo (32)

 

Claro que se das Penedas se têm vista privilegiadas para Azevedo, também o contrário é verdade. No post das 3 Penedas já tivemos oportunidade de deixar essas vistas. Hoje deixamos aqui algumas vistas tomadas desde Azevedo paara as encostas de Covelo do Gerês e de Ferral, onde ao longe apenas se veem duas cores, o verde das encostas das montanha e o azul do céu.

 

1600-azevedo (36)

 

Quanto ao verde entre o qual se implanta a aldeia de Azevedo bem como o que a partir da aldeia se avista, não é de admirar, ou melhor, admiramos-lhe a beleza, mas não nos surpreende a sua existência, pois embora se tenha a Serra do Gerês por companhia, estamos nas terras mais baixas do Barroso, e embora Azevedo esteja implantada entre os 657 e os 579 metros, o Cávado nesta zona já está a uma cota de 400m. No entanto, Cabril (sede de freguesia) que fica a apenas 4 quilómetros de Azevedo já tem cotas de 270 metros de altura. Claro que as fotografias não mostram o que está nas nossas costas, pois mesmo ali atrás delas iniciam-se as inclinações da Serra do Gerês despida de qualquer vegetação, ou quase, pois só mesmo aquela rasteirinha é que lhe resistem.

 

1600-azevedo (37)

 

Por estas inclinações e a proximidade dos rios adivinham-se por perto muitas cascatas, e de facto existem, mas são quase todas de acessos difíceis, onde não se pode ir de popó, que tem sido o nosso meio de transporte. As cascatas da proximidade ficarão para um post futuro, mas primeiro ainda temos a agradável tarefa que no entanto se adivinha árdua, de ir fotografá-las, e claro, também vai ser preciso alguma chuva para que as cascatas se deixem ver. Não sei para quando, mas ficam prometidas.

 

1600-azevedo (12)

 

Vamos agora ao topónimo de Azevedo, que comummente é apelido de gente. Vamos ver o que nos diz a “Toponímia de Barroso”:

 

Azevedo

Topónimo  referido a “azevo”, com o sufixo ETU EDO. É possível explicar-se a viagem até azevo desde o longínquo AQUIFOLIU. Trata-se de nome de lugar referido a plantas com parentesco ao azevinho. Enquanto tal o topónimo aparece já em:

-1258 « et in Azevedo dixit quod habentur ibi» INQ 519 – mas não referido à villa barrosã, que não aparece nas INQUIRIÇÕES. De qualquer modo ficamos a saber que o topónimo já vigorava nessa data e na forma que ainda se mantém.

1600-azevedo (28)

 

Na “Toponímia Alegre” parte integrante da “Toponímia de Barroso” podemos ainda ficar a saber os “apelidos de Cabril, onde consta também o de Azevedo:

 

“Apelidos” de Cabril

 

Moeda falsa de Lapela,

Vinho-azedo de Azevedo,

Cava-touças de Sertelo,

Escorricha-picheis de S.Lourenço,

Rabões de Chelo,

Bufos de Vila Boa,

Lagartos de Fontaínho,

Cinzentos de Chãos,

Carrapatas de Cavalos,

Paparoteiros da Vila,

Dente-Grande da Ponte,

Pousa-fois na Chã de Moinho,

Raposas de Busto.Chão,

Esfola-vacas de São Ane,

Ferra-bestas de Pincães,

Putaria de Fafião.

 

1600-azevedo (34)

 

E na “Toponímia Alegre” ainda temos mais estas:

 

Se fores a Cabril leva pão

Que vinho lá to darão.

 

Vou-me casar a Cabril,

O Sítio do meu degredo:

É terras de muito padre

Canta lá o cuco cedo!

 

1600-azevedo (14)

 

Para além destas referências da “Tponímia de Barroso” encontrámos na NET um perfil no facebook que dá pelo nome de Lugar de Azevedo – Cabril – Montalegre: Fica o link para uma visita:

https://www.facebook.com/lugardeazevedo.cabrilmontalegre

 

1600-azevedo

 

Bem queria deixar por aqui mais qualquer coisa sobre a aldeia de Azevedo, mas nas minhas pesquisas mais nada encontrei sobre a aldeia, aliás apenas encontrei duas referências ao topónimo da aldeia no livro “Montalegre”, mas apenas a dizer que fazia parte da freguesia de Cabril.

 

1600-azevedo (7)

 

Dizer que é uma aldeia que também sofre de despovoamento e do envelhecimento da população, também já não é novidade, pois vai sendo uma constante em todas as aldeias, principalmente as mais pequenas, como é o caso, e as mais distantes dos grandes centros, vilas ou cidades sede de concelho. Mas uma coisa posso acrescentar e que quase nunca o referi aqui. Estas aldeias, além de despovoamento e envelhecimento têm também outros sofreres – o isolamento, não só o de já por si estarem isoladas, mas o isolamento que é provocado e agravado pela dificuldade de meios e acessos/ligações a apoios sociais, acesso à saúde, à educação e muito mais. Por muito agradável que seja uma aldeia e que por aí se diga que nelas existe qualidade de vida, as coisas não são bem assim, e às vezes, não sei se é o caso, até o acesso a coisas que hoje são tão comuns nas nossas vidas lhes são negadas, como a televisão ou o telemóvel, pois muitas destas aldeias não são servidas por falta de rede, e que qualidade de vida poderá nestas aldeias existir se nada têm para além da sua gente, de contarem uns com os outros e do trabalho das terras. Tudo que nós precisamos, necessidades primárias, também nas aldeias precisam, mas nós aqui na cidade ou nas vilas podemos encontrar o que queremos no dobrar de uma ou outra esquina, na maioria das aldeias,  nada existe para além da gente e das suas casas. O que necessitam só na Vila mais próxima ou cidade, e estamos a falar de gente que na grande maioria não tem viatura própria nem transportes públicos a passarem-lhe à porta ou na aldeia. São resistentes que, por amor ao berço, à terra onde nasceram, onde sempre viveram e criaram os seus filhos, querem por lá ficar até morrer, com todo o direito. Certo que não são exigentes, cada vez são menos e cada vez menos contam em termos estatísticos e políticos processados em folhas de Excel, mas, não me canso de mencionar Torga quando dizia:  “ Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhes dá a simples proteção de as respeitar”.

 

E com esta me vou… com votos de um bom ano de 2018 para todos.

 

1600-azevedo (5)

 

Só faltam mesmo as referências às consultas e os links para os post anteriores dedicados ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:07
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Domingo, 17 de Dezembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Torgueda

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Durante o meu tempo de criança/adolescência, a ligação “oficial “  à Vila de Montalegre fazia-se via EN103 nas carreiras de cor cinza de Braga do “Tio Magalhães”, com paragem obrigatória em todas as aldeias do percurso. Obrigatória porque havia sempre gente para deixar ou recolher em todas as paragens, o que, aliada à ansiedade de chegar a Montalegre, fazia que esta pequena viagem de quatro dezenas de quilómetros demorasse uma eternidade.

 

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Num itinerário em que a seguir a uma curva havia sempre outra curva, com o ram-ram lento da carreira, os inevitáveis enjoos e o para-arranca das paragens, aumentavam sempre a ansiedade e o desejo de chegar ao destino. Ia somando e deixando para trás as minhas referências. Primeiro Curalha, depois a passagem (ponte) sobre o Rio Terva, a seguir a paragem de ligação a Boticas em Sapiãos, mesmo antes da longa subida até ao Alto Fontão e depois as três pontes, uma delas sobre Rio Beça para logo a seguir, aí sim, um pequeno respiro de alívio com dez minutos de paragem numa espécie de estação de serviço que se chamava (e chama) Barracão.

 

1600-torgueda (46)

 

No Barracão o pessoal que ia para Montalegre tinha de apanhar outra carreira, pois a nossa até então seguia para Braga. Daí a Montalegre era um tiro, só mais duas aldeias (Gralhós e a Gorda) e duas paragens. Isto no início, pois com o tempo a mudança de carreira passou a fazer-se em S.Vicente, com uma viagem um pouco mais longa mas com a vantagem de se poder apreciar a imponência da Barragem dos Pisões. Entre S.Vicente e Montalegre, apenas uma aldeia – Medeiros, pois a Chã (S.Vicente da Chã) vem a ser o mesmo que S.Vicente.

 

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Todo este introito para chegarmos à nossa aldeia de hoje – Torgueda. Isto porque Torgueda fica a uns escassos 800m de S.Vicente, no entanto, as viagens de carreira não passavam por lá nem nos permitiam a liberdade de fazer alguns desvios, como hoje o fazemos quando a viatura em que nos deslocamos é nossa e nos apetece fazer esses desvios. Pois por essa razão, da carreira não fazer desvios, só mesmo em maio do ano passado é que conheci Torgueda, indo pela estrada interior entre a Chã e Torgueda.

 

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Na receção, surpreendeu-nos um caminho transformado em rio. Coisa que já não nos espanta nestas terras com esta riqueza de água, principalmente por correr ainda assim livremente pelos caminhos e valetas, sempre limpinha, transparente, cristalina, sempre a convidar ser bebida, prazer que guardámos sempre até a fonte mais próxima que nunca tarda a aparecer.

 

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Vamos então até Torgueda, com partida a partir da cidade de Chaves. Para Torgueda a opção é a EN103, a recordar as tais antigas viagens nas carreiras de Braga, ainda hoje com as antigas referências atrás mencionadas e quase sempre com uma paragem no Barracão. Pois de Chaves até Torgueda não há nada que enganar, é seguir mesmo a EN103 até S.Vicente da Chã, aí deixa-se a estrada de Braga e vira-se em direção a Montalegre, aqui tem duas opções, uma no próprio cruzamento com a estrada de Braga tem a estrada que liga a Montalegre e uma outra que vai para Torgueda, no entanto penso ser mais interessante entrar mesmo na estrada que liga a Montalegre e 200m à frente entrar na aldeia da Chã, nem que seja e só para visitar a Igreja, pois não se vai arrepender, e a partir de aí tomar o caminho interior para Torgueda. A distância para as duas opções é igual, mas pela segunda opção tem, como bónus, a aldeia da Chã.

 

1600-torgueda (69)

 

A distância entre Chaves e Torgueda é de aproximadamente 41 km, trajeto para demorar menos de uma hora, mesmo com a paragem no Barracão.

As coordenadas de Torgueda são:

41º  47’ 15.93” N

7º  47’ 38.10” O

 

mapa-torgueda.jpg

 

Vamos agora as nossas pesquisas e a primeira ligação que encontrámos a Torgueda é o de uma jovem de 17 anos, chamada Carina Luís, numa notícia que encontrei no site Desportivo Transmontano, que passo a transcrever:

 

“ É mais um emblema de orgulho barrosão. Carina Luís, natural de Torgueda, concelho de Montalegre, atleta de futsal, atingiu o pico da modalidade: representar a Seleção Nacional (Sub-17). A jogar atualmente no Grupo Desportivo de Chaves, a jogadora não esquece o início do percurso (ADC Colmeia) ao mesmo tempo que vaticina fé para o seu futuro. Por estes dias realizou um estágio de preparação com a equipa das “quinas”, em Rio Maior, Santarém.”

 

1600-torgueda (47)

 

Ainda na mesma notícia pode-se ler:

 

“Depois de ter sido convocada para representar Portugal, pela primeira vez, em 2016, para o Torneio de Desenvolvimento da UEFA, a jovem atleta Carina Luís, voltou a ser lembrada pelo selecionador nacional, Luís Conceição, para vestir a camisola da Seleção Nacional de Futsal Sub-17 Feminina. A UEFA está a organizar estes torneios de desenvolvimento na sequência da decisão da FIFA de integrar esta modalidade em vez do futebol nos Jogos Olímpicos da Juventude que terão lugar em 2018, em Buenos Aires (Argentina).” E continua… a notícia completa está aqui.”

 

1600-torgueda (61)

 

Outra das referências que encontrámos é a de Torgueda a fazer parte do trilho de percurso perdeste do Ourigo, com partida de Montalegre e chegada a Montalegre, com passagem por Torgueda, Castanheira da Chã, Cambezes do Rio, entre outros locais e sítios singulares, como o fojo do lobo no Avelar. Sem dúvida que para quem gosta dos trilhos e percursos perdestres, o Trilho do Ourigo é para não perder.

 

1600-torgueda (68)

 

No Livro Montalegre encontrámos duas referências a Torgueda, a primeira onde é mencionado um natural da aldeia, num acontecimento ocorrido no ano de 1846 em Montalegre, durante a revolução de Maria da Fonte, que passamos a citar:

“Aclamação de D. Miguel I, rei absoluto de Portugal” - ano 1846

Fez há dias 160 anos (18 de Junho de 1846) que a Ponte Medieval da vila assistiu ao espectáculo mais triste, ocorrido em Barroso, durante a Guerra Civil da Maria da Fonte que passou à história com o nome de ‘’Guerra da Patuleia’’.

Desde vários anos antes que se sucediam os pronunciamentos militares, as insurreições e os motins de agitadores e criminosos. Em Barroso também germinavam bigorrilhas e morgados lorpas, amanuenses corruptos e curas estúpidos.

 

1600-torgueda (50)

 

E continua o livro “Montalegre”:

Apareceram em Montalegre 150 homens (1/3 com armas de fogo e os restantes com gadanhas e fouces roçadouras) comandados pelo Padre António Teixeira das Quintas, o  ex alferes ‘’picador de cavalaria’’, natural das Lavradas, Manuel Joaquim Teixeira e Bento Gonçalves dos Santos Moura, natural de Medeiros. Sobem aos Paços do concelho, proclamam Rei de Portugal D. Miguel I e lavram Auto de Aclamação nomeando Nova Câmara:

João Manuel, de Medeiros – Presidente

José Martins, do Cortiço – Vogal

António Alves, de Firvidas – Vogal

José Martins, de Medeiros – Procurador do Concelho.

 

1600-torgueda (22)

 

E ainda no livro “Montalegre”:

Assinam o Auto Bento dos Santos Moura, de Medeiros, o abade João Batista Rosa, de Codessoso da Chã, o Padre António Teixeira, das Quintas, Manuel Joaquim Teixeira, das Lavradas, o Padre António Alves, de Cepeda, João Alves Dias, de Torgueda e António Monteiro, de Pinho.

Logo no dia 18 uma força de cavalaria comandada pelo Major António Teixeira Sarmento marcha sobre Montalegre. Aliciados pelos acima nomeados conspiradores uns ‘’trinta ou quarenta paisanos que ali se achavam dispararam alguns tiros contra a guarda avançada e dispersaram precipitadamente’’ quando o pelotão de cavalaria entrava na Portela. Perseguidos os agressores que fugiam pelos juncais junto à ponte ‘’lograram alcançar 6’’ que pagaram com a vida o seu louco atrevimento.

Pobres tolos de quem nem se sabem os nomes!”

 

1600-torgueda (72)

 

A segunda referência do livro Montalegre é apenas à aldeia Torgueda fazer parte da freguesia da Chã. E com esta, passamos já para a Toponímia de Barroso para sabermos o que por lá se diz a respeito do topónimo da aldeia. Começa assim:

 

Torgueda

Nome da família toponímia radicada no latino TORICA > TORGA ou –mesmo TORICANA > TORGA(N)A + EDA (sem a preocupação de apresentar todos os passos evolutivos. Tal hipótese de trabalho justifica-se porque em:

- 1258 INQ 1518, este mesmo topónimo aparece grafado “Torgaeda” pelo que nos aforma ter nas suas metamorfoses. Torcaneta > Torganeda > Torgaeda > e, por fim Torgueda.

Muitas pessoas pronunciam Trogueda – apenas uma anormal metátese.

 

1600-torgueda (12)

 

E como sempre, a “Toponímia Alegre” também incluída na “Toponímia de Barroso”, onde consta:

 

Chã –São Vicente

Ruim sítio, ruim gente,

Coelheiros de Medeiros,

Ciganos de Peireses,

Pretinhos de Travaços de Chã,

Cruza-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhos e

Arranca-torgos de Codessoso da Chã.

 

(…)

 

Montalegre está no alto,

Sarraquinhos na portela;

Quem quer ver as moças lindas

Vai ao lugar de Torgueda.

 

1600-torgueda (81)

 

 E por hoje vai sendo tudo. Resto-nos dizer que ficámos agradados com Torgueda, o conjunto da aldeia com os seus traços de aldeia transmontana e barrosã, com vida nas ruas e gente nos campos, hospitaleiros e gosto de conversar. Claro que também é notório o despovoamento e envelhecimento da população, mas também da modernidade, bem visível no abandono das infraestruturas e tarefas mais comunitárias e que tanta vida e alegria davam às aldeias, como os lavadouros públicos.

 

1600-torgueda (51)

 

E por fim só faltam mesmo as referências às nossas consultas e os links para as anteriores abordagens a aldeias e temas do Barroso.

 

Sítios da Internet

 

http://www.desportivotransmontano.com/barrosa-na-selecao-nacional-de-futsal/

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

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Domingo, 10 de Dezembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - São Bento de Sexta Freita

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montalegre (549)

 

Antes ainda de entramos em mais uma aldeia do Barroso, deixo um pedido de desculpas a quem veio aqui nas últimas semanas a procura de mais uma aldeia barrosã. Embora não tivesse sido por falta de conteúdos, mesmo porque já recolhemos imagens de todas as aldeias do Concelho de Montalegre, nem tão pouco por falta de vontade ou de tempo, pois tempo sem fazer nada não tem faltado. A verdade é que por motivos de saúde estivemos impedidos de nos sentarmos ao computador e mesmo a feitura deste post, foi feito aos pouquinhos durante toda a semana. Mas como tudo começa a regressar à normalidade das habituais rotinas dos dias, também esta rúbrica de “ O Barroso aqui tão perto” voltará a sua normalidade de estar por aqui todos os domingos ou com algum atraso, às segundas-feiras. Assim o espero.

 

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Vamos então até à nossa aldeia barrosã de hoje e à primeira vez que a avistei,  embora sem tempo para entrar nela, mas quis ir até lá, avistá-la desde a estrada, tudo pelo seu curioso topónimo que então tinha visto num mapa qualquer (já não recordo qual) onde aparecia como Sexta-Feira. Mas isto foi há cinco anos, que deu para satisfazer a curiosidade e ficar a saber que afinal o seu topónimo não era Sexta-Feira, mas sim Sexta-Freita antecedida ainda pelo nome de um santo – São Bento, ou seja – São Bento de Sexta Freita.

 

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Iniciemos então pelo seu topónimo que não sendo Sexta-Feira também não deixa de ser curioso ser Sexta Freita, com uma abordagem àquilo que se diz na “Toponímia de Barroso”

 

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Sexta Freita ou São Bento de Sexta Freita

Topónimo de grande beleza e raridade. Trata-se do adjectivo latino FRACTA > FRAITA > FREITA que significa partida “quebrada”. Uma quebrada aqui relacionada com a orografia ou com a terra e teria o sentido de lavrada, arroteada. Julgo que no caso vertente é evidente o sentido orográfico, ou seja, é a sexta “quebrada” ou corga da lomba onde a povoação demora; Sexta Quebrada (nesse sentido,  existia e até está documentada em:

- 1258 « in leyras et quebradas (sis) divisas» INQ 1442) provavelmente a partir da Igreja de S. Pedro de Covelo.

 

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E a “Toponímia de Barroso” continua com:

Tendo-se perdido o sentido de fracta, sentido de terreno adequado à cultura, houve que juntar-lhe o numeral Sexta > sexta para especificar o local — é a sexta quebrada, a sexta lomba arroteada daquela encosta fronteira ao Gerês começando a contar desde o Rio, por alturas da Misarela. A localidade não foi arrolada (salvo se tiver havido mudança de topónimo – o que não creio) nas inquirições seguintes à de 1258. Ao invés do que geralmente se pensa o culto a São Bento é bastante tardio. Deve-se sobretudo aos muitos sermões dos monges beneditinos dos quais o Santinho foi Patriarca e cuja apologia, milagres e sabedoria propalaram.

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Ainda na “Toponímia de Barroso”:

Em 1530 tinha apenas um casal. Nesse documento o hagiotopónimo foi substituído pelo ridículo nome de Cestafrita, em vez de Sexta Freita!

 

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E como sempre a “Toponímia Alegre” também parte integrante da “Toponímia de Barroso”:

 

Se fores ao São Bentinho

Não vades ao de Gerês;

Ide ao de Sexta Freita

Que tantos milagres fez!

 

Ó passantes de Covêlo

Não me comais as cerejas

Que o meu patrão vai à feira

Pode-me botar as queixas.

 

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Quanto à nossa recolha fotográfica foi feita há quase um ano, após o Natal e ainda antes do ano novo, num itinerário que tínhamos marcado para algumas aldeias na proximidade da Barragem de Paradela, como passagem por Ponteira, Sexta Freita e as três Penedas.

 

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Para sair do itinerário já nosso conhecido da M308-4, que liga Paradela a Ferral, optámos pela estrada secundária entre Paradela e Ponteira, e a partir desta última, pelo estradão em terra batida que liga à Sexta Freita. As vistas para a Serra do Gerês compensam alguma aspereza do piso do estradão.

 

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Chegados a São Bento de Sexta Freita o que mais surpreende e atrai, em primeiro lugar, são mesmo as vistas que se podem lançar sobre Ponteira e sobre a Serra do Gerês, logo de seguida é o conjunto da Igreja, largo e Cruzeiro, instalados num dos pintos mais altos da aldeia e desde onde se podem lançar os tais olhares paras as redondezas não muito distantes, como para a imponência, recortes e penedio da Serra do Gerês.

 

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Quanto à orografia do terreno, S.Bento de Sexta Freita encontra-se no topo de uma elevação entre muitas elevações, algumas com declives bem acentuados com vertentes para pequenos vales ou linhas de água.  Quando por aqui digo que não existe um Barroso, nem apenas o Alto e Baixo Barroso, podemos dizer que esta aldeia está no limite de dois Barrosos bem distintos. Um que deixa os planaltos das terras do “Rio” e da “Chã” para se entrar num outro, mais cultivado, mais verde com aldeias com aglomerados mais dispersos, em terras inclinadas com um misto de influência de terras e cores do Minho, a usufruir das vertentes dos montes para os Rios Cávado e Cabril onde a Barragem de Salamonde se começa a formar e desenvolver, mas sempre com as aspereza dos azuis refletidos no penedio da Serra do Gerês.

 

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Durante trinta e muitos anos andei a apreciar o Barroso que ia desde Chaves até Montalegre, onde o Larouco, ainda antes de ser “deus” era rei e senhor daquela região. Para além do planalto, ia conhecendo e apreciando também as terras do Rio e as Terras da Chã, sem esquecer a grande Barragem dos Pisões. Para além disso, algumas incursões pela Mourela, Pitões e Tourém, ainda no tempo em que o verdadeiro comunitarismo se comungava nesta região, com as vezeiras e os fornos do povo a funcionar na sua labuta diária de fazer pão e outras iguarias em dias de festa. Para mim, esse, era todo o Barroso que eu conhecia, e bem interessante por sinal.  

 

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Espanto meu foi conhecer os outros Barrosos, e para já não vamos falar do Barroso do Concelho de Boticas. Os Barrosos ao longo da Serra do Gerês, desde Paradela, Sirvozelo e por aí fora, passando por Cabril e terminando em Fafião, um outro Barroso entre as três barragens (Pisões, Paradela e Venda Nova, um outro que tem como centro a freguesia de Salto e envolvência e por último o de influência da Serra do Barroso, este repartido pelo concelho de Montalegre e Boticas. Em tom de jocoso poderia dizer que são os Barrosinhos que fazem o todo do Barroso, esse todo que no conjunto com os seus contrastes, fazem dele uma pérola do Reino Maravilhoso que Torga tão bem cantou e deixou registado nos seus escritos, diários e poemas.

 

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Mas vamos à localização de S.Bento de Sexta Freita e o itinerário que nós recomendamos para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Já sabem que o meu itinerário preferido é mesmo o da Estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia, até Montalegre. A partir de Montalegre nem há como seguir o Rio Cávado, não pelo Rio, mas pela Estrada N308, primeiro a acompanhar a margem esquerda do Cávado, depois, antes de Frades passa-se para a margem direita e em Sezelhe passa-se outra vez para a margem esquerda, passando para a EM514, mas só até S.Pedro, pois aí há que abandonar esta estrada, passar por S.Pedro e tomar a Rua da Estrada que passa por Vilaça, Fiães do Rio, Loivos e Paradela (aldeia e barragem). Aqui toma-se a N308-4 em direção a Ponteira (passando-se ao lado mas com lindíssimas vistas sobre Ponteira onde os penedos são mais e maiores que as casas), logo a seguir é S.Bento de Sexta Freita. No total são perto de 70 km e 1H30 a 2 H de viagem, isto contando com as paragens de apreciação e a obrigatória toma de café em Montalegre.

 

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Claro que o itinerário que deixei é o meu preferido e aquele que acho mais interessante. Em alternativa tem sempre a EN103, por onde até são menos 5km de distância, mas para mim menos interessante.

Quanto às coordenadas da aldeia são:

41º 43’ 55.45”N

7º 58’ 37.17”E

Altitude de Sexta Freita entre os 820 e 853m

 

sexta freita.jpg

 

E pouco mais a a dizer sobre S.Bento de Sexta Freita, mesmo porque nas nossas pesquisas não encontrámos mais nada, nem no livro “Montalegre” onde apenas se refere que a aldeia pertence à freguesia de Covêlo do Gerês.

 

E por hoje é tudo e “O Barroso aqui tão perto” estará por aqui no próximo domingo, pelo menos assim esperamos que aconteça.

 

1600-sexta-freita (45)

 

Como sempre ficam as habituais referências às nossas consultas e links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Covelães

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Ontem ao fim da noite deixei aqui no blog uma imagem da nossa aldeia de hoje, dizia eu que tinha tudo pronto para mais um post sobre o Barroso, mas faltavam-me as palavras, e era verdade, pois abordarmos uma aldeia barrosã só com imagens, estaríamos a atraiçoá-la, e o contrário também é verdade, pois só com palavras, poderíamos deixar aqui a alma do seu ser, mas por muito bonitas e descritivas que as palavras fossem, a essa alma, continuaria a faltar um corpo para habitar.

 

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Pois aqui ficam algumas palavras e algumas imagens para vos dar a conhecer ou reviver, conforme os casos, a nossa aldeia de hoje – Covelães, que a bem dizer (e isto sou eu que o digo) deveria ser Covelães do Rio, e assim já ficaríamos com a tarefa da sua localização simplificada, por exemplo poderíamos dizer que Covelães, fica entre Travassos do Rio e Paredes do Rio, como vai acontecendo um pouco ao longo da proximidade do Rio Cávado.

 

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Iniciemos então pela localização e como chegar até Covelães. Como sempre o nosso ponto de partida é na cidade de Chaves. Então para Covelães aconselho o itinerário mais curto, com apenas 54 quilómetros, via EM507, ou seja a estrada do S.Caetano/Soutelinho da Raia, como passagem por Vilar de Perdizes, Montalegre e depois a M308 que se vai desenvolvendo quase sempre a par do Rio Cávado, primeiro pela sua margem esquerda e depois pela direita. Em termos de tempo, poderemos dizer que Covelães fica a uma hora e pico de distância, podendo o pico ser mais comprido ou curto dependendo das paragens que fizermos pelo caminho, pois afinal de contas vamos em passeio.

 

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Para sermos mais precisos, deixamos de seguida o nosso habitual mapa e as coordenadas da aldeia, que tal como já dissemos fica próxima do Rio Cávado, na sua margem esquerda, a apenas 150 m deste (na distância mais próxima), mas com uma passagem muito discreta ao lado da aldeia, aliás para quem não souber, nem dá pela sua conta. Quanto à altitude, a aldeia implanta-se entre os 925 e os 1000 metros de altitude. Ficam então as coordenadas e o mapa:

 

 41º 48’ 08.78” N  e  7º 53’ 54.58” O

 

mapa-covelaes.jpg

 

Já sabemos onde fica Covelães, aliás para nós é uma velha conhecida, nem que fosse apenas de passagem, pois a aldeia fica num dos pontos obrigatórios de passagem para ir até duas aldeias famosas do Barroso, mais propriamente Pitões das Júnias e Tourém. Assim para quem já foi a estas aldeias, teve de passar obrigatoriamente por Covelães, isto se a abordagem a elas for feita a partir de Portugal, pois há quem as aborde a partir da Galiza.

 

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Embora também de passagem, Covelães pode ser ponto de paragem sem propriamente abordarmos a aldeia. Acontece que junto à estrada existe um bar/restaurante onde um café sabe sempre bem, uma cervejinha em dia quente cai ainda melhor e o comer também agrada e conforta barriguinhas vazias, também já por lá parámos para as três coisas.

 

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E com tanta passagem e há tanto tempo que andamos a passar por esta aldeia, e eu que me lembro já o faço há pelo menos desde 40 anos, dirão que desta aldeia não faltarão fotografias, quer antigas, quer atuais. Pois não, nem por isso, pois como é uma aldeia de passagem frequente, a recolha de fotografias foi ficando sempre para trás, além de ter sido mesmo sempre aldeia de passagem, em que para lá vai-se com pressa de chegar ao destino e para cá, já se vem tarde e mal. O Barroso é assim, o tempo nunca sobra.

 

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Pois fotografias só da era digital. Penso que em tempos, ainda no tempo da analógica ainda fiz algumas, mas se existem, não sei onde param. Da era digital, sim, mas mesmo assim a recolha foi complicada. Costuma-se dizer que à terceira é de vez. Acontece que com Covelães teve de ser à quarta vez. Segundo os meus registos de arquivo tenho uma breve recolha em agosto e outra em setembro de 2013. Coisa pouca para um post, pois ambas foram tomadas em vinda de Pitões e Tourem, já pelo anoitecer e cansadinhos.

 

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A terceira abordagem foi em maio deste ano, num dia que já tive oportunidade de contar passagens neste blog, naquele dia em que depois de passarmos Montalegre o nevoeiro/chuva resolveu cair a terra. Fotos possíveis, só mesmo desde dentro do carro, pois nem sequer prevenidos estávamos para um dia de chuva. Mesmo assim ainda deu para umas tantinhas delas.

 

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À quarta vez sim, bom tempo, até em demasia, pelo menos para a fotografia, sobretudo em certas direções de contraluz, mas sem queixas, pois nesse dia todas as fotografias eram possíveis, decorria então o início do dia de 14 de junho deste ano.

 

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Quanto à aldeia já sabíamos que nos ia agradar. Ao longe, embora agradável de ver, engana. Aliás ao longe todas enganam, mas felizmente a intimidade desta aldeia é bem mais interessante do que aquilo que aparente parece ser ao longe ou a certa distância.

 

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Geralmente abordamos a intimidade das aldeias sem saber o que nos espera. Gostamos mais de fazer a abordagem assim, em verdadeira descoberta com a inocência de uns olhos virgens. Gostamos mais assim do que ser conduzidos por outras descobertas. É certo que por causa desta nossa atitude, às vezes, perdemos alguns motivos de interesse, mas ganhamos outros e depois, para aquilo que nos escapa, uma nova visita é sempre possível.

 

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Pois de interesse, além de alguns motivos que já fomos deixando para trás em imagem e palavras, temos a envolvência da aldeia, por um lado, e o conjunto do seu casario com um aglomerado bem definido e à margem das duas principais vias que a servem.

 

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Pormenores, muitos. Canastros há alguns, maioritariamente os de estrutura em madeira que infelizmente não lhes dá tanta resistência como os que têm estrutura em granito, mas que lhe dá formas interessantes, principalmente com o vergar do tempo. Casario tradicional rural mais antigo também não falta e algum com maior nobreza também há.

 

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Depois o habitual e tipicamente transmontano e barrosão como tanques, fontes, alminhas, cruzes, etc., típico e também traços da nossa cultura. Deixei propositadamente para o fim a Igreja digna de realce pela sua beleza, com torre sineira frontal separada da igreja, mas unida por um alpendre, como muitas com cemitério em anexo, depois do abandono dos cemitérios/campas dentro da própria igreja ou adro.

 

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Quanto à igreja só temos mesmo um lamento – não haver ângulo possível para captar uma imagem com toda a sua beleza e grandeza. Conseguimos uma, com todos os defeitos de uma montagem (embora automática-photomerge) feita a partir de 5 fotos, foi o possível, mas dá para ficar com uma pequena ideia do seu conjunto. Mas há sempre motivos para pormenores.

 

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Passemos ao que dizem os livros e outros documentos, com início na “Toponímia de Barroso” onde consta:

 

COVELÃES

Desde 2013 – União de freguesias de Sezelhe e Covelães.

 

É um topónimo de significação orográfica: Vem por covelas e não de covas, que, nesse caso, daria Covões. De covella, pelo plural covellaes (ais), aes – ães, após a nasalação que é muito comum. A forma mais antiga que se conhece aparece três vezes.

 

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E continua a “Toponímia de Barroso”:

- 1258 “Covelaes” INQ 1512, 1513 e 1519, por sinal ao lado de Feaes (Fiães do Rio, que sofre fenómeno fonológico semelhante) sem que nem um nen outro topónimo, como se prova, se tenha alatinado em anes – seguindo assim a regra geral que o Povo rejeita.

 

O “Arquivo Histórico Português , sob título Povoação de Trás-os-Montes no XVI século, cadastro feito em 1530, que a A. Braancamp Freire publicou em 1909, vol. 7, p. 271 e seg. refere Covelas, por Covelães e atribui-lhe 23 moradores” fogos.

 

1600-covelaes (54)

 

Como sempre e ainda na “Toponímia de Barroso” há a toponímia alegre, onde consta:

 

Pelo rio Mau acima

Quarenta ferreiros vão:

Cada um leva forquilha

Para matar uma rão

 

Boticário de Paredes,

Diga-me se sabe e pode:

Duma pontinha dum corno

Pode sair um charope?

 

O padre de Covelães

Fazia muitas misturas

Molhava o pão em azeite

Deixava o Cristo às escuras.

 

1600-covelaes (60)

 

Do livro Montalegre:

Serve-lhe parcialmente de fronteira o rio Cávado que recebe águas de vários ribeiros do Parque e fazem, em cada recanto, a sedução dos visitantes: o Rio Mau que une as freguesias de Seselhe e Covelães;

 

1600-covelaes (51)

 

É a primeira das freguesias que circuitam a serra da Mourela. Esta serra, verdadeiro planalto de altitude média a caminho dos 1100 metros, é e foi, desde os tempos megalíticos, um local muito apto para a transumância ascendente. Com efeito, as povoações próximas aí conduzem numerosas vezeiras de gado que por lá demoram todo o verão. Tal costume há-de ter origem nos ancestrais pré - históricos que encheram aquele espaço de mamoas, sinal de que aí viveram e morreram. O que também já morreu ou quase (nos dias que correm!) foi a raríssima perdiz cinzenta, também conhecida por charrela! Devíamos envergonharmo-nos de tal notícia! A actual freguesia compõe-se de dois lugares: Covelães e Paredes do Rio. Ambos foram sede de freguesia, aquele sob o orago de Santa Maria e este de Santo António. Nesta localidade existe um pisão, com outras curiosidades dignas de visita, entre as quais uma sala que servirá de polo na rede informática do Ecomuseu.

 

1600-covelaes (53)

 

E penso que vai sendo tudo, pelo menos por hoje, pois como em todas as aldeias, fica sempre em aberto uma nova passagem por esta aldeia onde pela certa continuaremos a passar com alguma frequência e a parar para fazer uns registos, um cafezinho, uma mini ou satisfazer a barriguinha.

 

1600-covelaes (11)

 

E por fim as habituais referências às nossas consultas e links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:43
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Domingo, 5 de Novembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Cela

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montalegre (549)

 

Hoje iniciamos com um pedido de desculpas para quem nos dois últimos domingos esperava aqui no blog uma aldeia do Barroso. Não foi por falta de material, pois esse já o temos, incluindo o levantamento fotográfico de todas as aldeias, a verdade,  é que não tivemos tempo para trabalhar o material que temos. Mas regressamos ao “Barroso aqui tão perto” e isso é o que interessa, ficando a promessa já antiga de que todas as aldeias e vilas do Barroso passarão por aqui.

 

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 Cela, ao fundo do lado esquerdo

Vamos então até à nossa aldeia de hoje – a Cela.  Aldeia que foi das primeiras a fotografar ainda sem sabermos que aldeia era. Eu explico melhor, acontece que nos nossos itinerários para o Baixo Barroso, com passagem pela Barragem de Paradela, tomávamos sempre a estrada da margem esquerda do Rio Cávado, e logo a seguir a Paradela há um alto convidativo a lançar uns olhares sobre a barragem, onde geralmente parávamos para tomar umas fotos. Desde esse alto avistavam-se duas pequenas aldeias na margem direita do Cávado, logo após o paredão da barragem. Aldeias que fomos fotografando, à distância, sem sabermos de que aldeias de tratava e sem termos a curiosidade de as identificar no mapa, pois já sabíamos que quando os nossos itinerários passassem para a margem direita do rio, aí iriamos passar por elas. E assim foi, só quando passámos para o outro lado do rio é que soubemos que essas duas aldeias eram Sirvozelo e a Cela.

 

1600-cela (5)

 

Vamos então até à Cela e como chegar até lá, sempre a partir da cidade de Chaves. Pois para a Cela o nosso itinerário favorito é via Montalegre, ou seja, apanhando a estrada do S.Caetano/Soutelinho da Raia (EM507). A seguir a Montalegre basta seguir a estrada que ora de um lado ou do outro, vai acompanhando o Rio Cávado, isto até a aldeia de Paradela que dá nome à Barragem de Paradela. Aí temos que atravessar o paredão da barragem que o mesmo é dizer que temos de atravessar o Rio Cávado para a margem direita e seguindo a estrada encontramos primeiro Sirvozelo e logo a seguir a Cela, que não fica junto à estrada, mas muito perto. De Chaves até à Cela, por este nosso itinerário, são 65 quilómetros, coisa para se demorar de 1H30 a 2H00, dependendo das paragens que fizermos pelo caminho.

 

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A titulo de informação, estas nossas descobertas do Barroso eram programadas para um dia, com saída de Chaves logo de manhazinha, bem cedo, e regresso ao fim da tarde. No início tínhamos a preocupação de os nossos itinerários coincidirem à hora de almoço com uma localidade que soubéssemos ter restaurante para tratar das nossas barriguinhas. Com o tempo fomos dando conta que, estivéssemos onde estivéssemos, havia sempre próximo um restaurante. Dizemos isto para quem queira ir pelo Barroso de Montalegre, pois onde comer, não é problema, às vezes, com a oferta que há, o  problema está  em escolher qual deles irá tratar das nossas barriguinhas.

 

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Ainda quanto à localização de Cela, deixamos de seguida o nosso habitual mapa e as coordenadas da aldeia, contudo deixamos também uma informação para quem queira abordar o Barroso a partir de outras origens que não seja a da cidade de Chaves e não conheça muito bem a região. Pois aí o melhor é mesmo ter a Estrada Nacional 103 como referência, uma vez que é a principal via que atravessa o Barroso e a partir da qual há ligações para todas as aldeias. Ficam então as coordenadas da Cela, que está implantada já em plena Serra do Gerês a uma altitude que varia entre os 700 e os 750m de altitude:

41º 46’ 04.53” N  e  7º 58’ 27.66” O     

 

mapa-cela.jpg

 

Passemos a abordar o topónimo Cela. A verdade é que esta aldeia aparece grafada tanto com Cela como com Sela. Para nós não tivemos qualquer dúvidas ao optarmos pelo topónimo Cela, isto, talvez, por influência da nossa aldeia da Cela, aqui do concelho de Chaves, alí ao lado de S. Loureço. Mas vamos ver o que diz a “Toponímia de Barroso”:

 

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Sela ou Cela?

“Diminutivo de Sá < Sala < Saella ou < Salella, pequena sala ou casa  - se escrita com S inicial.

Tenho muitas dúvidas na análise deste topónimo geresiano. De tal modo que me atrevo a aconselhar a sua grafia: Cela ou Sela? É que não há documentação que nos dê luz apesar das INQUIRIÇÕES falarem de vários casais na freguesia de Outeiro, antigamente São Tomé de Parada (1258) e, depois, São Tomé de Parada do Gerês.

Se for Cela, como  geralmente se escreve , poder-se-á filiar no latino cella < cela, significando armazém, celeiro, o que implica a existência de uma villa próxima.

Se for Sela decorrerá do também latino “Sallela” < Saella < Sela, no sentido de local abrigado, exposto ao calor solar, próprio para velhinhos ao soalheiro. Nada de pensar em cavalos, burros ou zebros como asnaticamente alguns fazem! A falta de formas escritas do vocábulo coarcta-nos  a decisão mas aceitamos as duas hipóteses: por um lado, dada a apetência e até necessidade que as povoações da zona têm de proceder à transumância de gados para a serra do Gerês e de aí edificarem os seus apriscos, currais e armazéns: por outro lado, a identificação do local com os abrigos naturais da serra e a sua exposição excelente aos raios solares.

 

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Ainda antes de irmos à “Toponímia Alegre”, façamos um regresso ao que se diz atrás, numa passagem a respeito do topónimo, onde se diz: “ (…) Nada de pensar em cavalos, burros ou zebros como asnaticamente alguns fazem! (…)” – Esta é forte!, mas os barrosões são assim, quanto têm uma coisa a dizer, dizem-na, quer doa ou não. No entanto, e embora estas coisas da evolução da palavras a partir do latim não sejam da minha praia,  nem sempre o significado original que se vai buscar ao latim tem a ver com o(s) significado(s) da palavra atual.  Por exemplo “cela” também tem o significado de um pequeno compartimento, como a cela da cadeia ou os aposentos das freiras e dos frades. Quanto a “sela” o significado mais comum é mesmo o da sela dos cavalos, burros e afins… mas também pode ser do verbo selar (um cavalo ou colocar um selo de correio, por exemplo),  Contudo os que “asnaticamente” pensam em cavalos… talvez o seu pensamento não seja descabido de todo, pois é sabido que bem próximo da aldeia de Cela ou Sela, existe a cascata de Cela Cavalos,  e um pouco mais à frente, bem próxima, existe também uma aldeia que tem o topónimo de Cavalos. 

 

1600-cela (27)

 

De qualquer forma o autor da “Toponímia de Barroso” começa logo por afirmar no início da descrição do topónimo que:  “ … Tenho muitas dúvidas na análise deste topónimo …). Assim, e até que não tenha dúvidas, deveria deixar abertura para outras opiniões, e que desculpe esta minha “ousadia”, mas deve ser a minha costela barrosã que me faz dizer aquilo que penso, sem com isto querer retirar credibilidade ou qualidade ao trabalho que fez na “Toponímia de Barroso”. Posto isto, voltemos então à toponímia, agora a alegre:

 

1600-cela (37)

 

Ó Santinho Santo Ouvido

Onde tens a tua morada:

Entre Sela e Outeiro

Sirvoselo e Parada!

 

Adeus lugar de Parada

Ai Jesus, quem me la dera!

A culpa tive-a eu

Se lá estava não viera.

 

Menina, se tem tanto fastio

Apegue-se a Santo Ouvido;

Se não apegue-se a mim

Que ao pé do Santo resida!

 

1600-cela (18)

 

Ficam mais algumas referências à aldeia de Cela que encontrámos no livro "Montalegre":

 

“ Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis. A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo; o trajecto de Paradela do Rio a Outeiro e Parada; (…)”

 

1600-cela (22)

 

Ainda do livro "Montalegre":

"São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes), O Penedo dos Sinais (Viveiro-Ferral), o Penedo do Sinal, o Penedo da Ferradura e a Pedra Pinta (Vila da Ponte), o Penedo de Letra (Gralhas), o Penedo de Pegada (Ferral). São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos)"

 

1600-cela (39)

 

Ainda do livro "Montalegre":

De Cabril subimos pelo Miradouro da surreira do meio-dia, passamos na terra do navegador Cabrilho – Lapela. Se estiver calor dê um mergulho nas cascatas de Cela de cavalos e siga até Sirvozelo, aldeia integrada na “ rocha”.

 

1600-cela (41)

 

Atrás, numa das referências do livro Montalegre, fala-se de alguns penedos. Pois penedos é coisa que não falta nesta região, e Cela não é exceção. Mas há penedos e penedos e com alguma frequência conseguem-se ver reproduzidas figuras nos penedos. Nem sempre, pois às vezes dependem das sombras que a determinada hora do dia transforma o penedo numa figura. Em Penedones, por exemplo, vimos por lá a cabeça de um gorila reproduzido numa rocha, em Ponteira conseguimos ver o chapéu de Fernando Pessoa. Na subida da serra do Larouco é conhecida a cabeça do cão perdigueiro, pois em Cela, a ilusão de ótica,  ou  “Viés cognitivo”, ou “Apofenia” ou ainda “Oareidolia”, levou-nos a ver outras duas figuras, uma reproduzida na foto anterior onde nos parece ver um rosto humano ou máscara, com uma pedra na cabeça e esta coberta por um lenço, e na fotografia seguinte vemos por lá a cabeça de um sapo tipo Cocas dos Marretas ou então uma tartaruga com carapaça.

 

1600-cela (13)

 

Lamentamos não poder reproduzir aqui imagens da cascata de Cela cavalos, não por falta de tentativa de chegar até lá, pois tentar, tentámos, mas não tínhamos viatura apropriada para chegar até ela e para ir a pé, não tínhamos tempo.  Não foi só esta cascata que fomos deixando para trás, outras ficaram, mas ficou decidido que quando terminarmos a ronda por todas as aldeias do Barroso (agora já andamos nas de Boticas), iremos visitar as cascatas e outros locais menos acessíveis, nem que tenhamos que demorar todo o santo dia para cumprir a nossa missão, mas ir lá, haveremos de ir.

 

1600-cela (16)

 

Já atrás, numa referência do livro “Montalegre”,  foi referido que “Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto.” . Nós confirmamos que é verdade, e neste itinerário que nos leva até à Cela, mais propriamente no trajeto da M308 entre Paradela e Cabril, em plena Serra do Gerês e entre o Rio Cávado o Rio Cabril, podemos desfrutar daquilo que mais belo há em termos de paisagens de montanha, aqui e ali enfeitadas com pequenas pérolas,  como Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo, Xertelo, entre outras. Pequenas pérolas para quem passa por lá com olhos de apreciação, já não o são tanto para quem lá vive, daí que o despovoamento rural seja uma realidade.

 

1600-cela (29)

 

E por hoje vai sendo tudo, só nos faltam as referências às nossas consultas e os habituais links para anteriores abordagens a terras do Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

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R

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Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

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