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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

03
Abr20

O Barroso aqui tão perto - Corva

Aldeias de Barroso - C/Vìdeo

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Corva

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog,  não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Corva, freguesia de Salto, Concelho de Montalegre.

 

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Mas também mais algumas imagens que escaparam à seleção do seu primeiro post, imagens das suas terras verdes mais baixas e um pouco mais acima, já no monte, em terras de pastores, no caso, pastoras.

 

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E agora sim, o resumo em vídeo:

 

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Carvalho:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

 

 

27
Mar20

O Barroso aqui tão perto - Cortiço

Aldeias de Barroso

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Cortiço - Montalegre

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog,  não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo, mais propriamente o da aldeia de Cortiço, Montalegre.

 

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E aproveitamos para deixar mais algumas imagens inéditas, imagens que pela certa trarão muitas recordações a quem é da aldeia, como por exemplo a da escola primária onde muitos aprenderam as primeiras letras, os primeiros números, a ler, escrever e fazer contas.

 

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Recordações também, pela certa, de quem lá foi à festa, em romaria, terão da Senhora de Galegos, das merendas barrosãs, dos namoricos e bailaricos e porque não, os mais idosos recordarem a pancadaria entre o a rapaziada de aldeias vizinhas, isto a jugar por aquilo que Bento da Cruz deixa no prefácio das “Histórias da Vermelhinha”, que a seguir transcrevo:

 

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Conta-se por aí a história dum morgado, já velho e trôpego, que não podia ir às romarias, mas aguardava, impaciente, o regresso dos romeiros.

— Então? Que tal esteve a festa?

— Boa!

— Quantos morreram?

— Nenhum…

— E para o hospital?

— Também não…

— Oh! Então não prestou para nada…

Para acabar com a praga das cabeças rachadas, a autoridade proibiu os paus nas feiras e romarias. Foi pena. Barrosão sem um varapau é cavaleiro andante sem durindana.

 

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E com esta me bou!” – penso que esta também é das histórias de Bento da Cruz, e que eu aqui adapto para - e com esta passamos ao vídeo do Cortiço:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Cortiço:

 

 http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

 

 

 

20
Mar20

Contim - Montalegre - Barroso

O Barroso aqui tão perto c/vídeo

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Contim

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog,  não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Contim, Concelho de Montalegre, Barroso.

 

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Contim que muitas vezes calha nos nossos itinerários, principalmente quando andamos no Parque Nacional da Peneda-Gerês de Montalegre e queremos atalhar prós lados da Serra do Barroso ou barragem do Alto Rabagão (Pisões)

 

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Mas uma coisa é passar por, e outra é entrar em. De facto, se passarmos por Contim pouco ou nada ficamos a conhecer da aldeia, pois para conhecer a sua intimidade temos de entrar nela e para entrar, temos de abandonar a estrada e descer até à aldeia.

 

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Apenas uma vez descemos lá, para a recolha de imagens para a feitura do seu post. Aldeia pequena que não dá muitas imagens, mesmo assim, tivemos aqui as imagens no seu post e ainda escaparam algumas à nossa seleção, ou pormenores. São essas imagens que ficam aqui hoje para além do vídeo, que vira já a seguir e onde estarão todas as imagens de hoje, as do seu post que já deixámos aqui no blog em 12 de junho de 2017, mas também um vídeo que fizemos numa das passagens por Contim.

 

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E agora sim o vídeo e no final fica também o link para o já mencionado post de 12-Jun-2017. Espero que gostem e domingo cá teremos de novo o Barroso, não sei se um post alargado (se tivermos tempo de o terminar) ou um post mais abreviado, mas cá estaremos de novo com o Barroso de Montalegre.

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Contim:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

 

 

16
Mar20

Vilar de Perdizes - Montalegre -Barroso

O Barroso aqui tão perto

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O nosso destino de hoje para o Barroso aqui tão perto, é mesmo perto, a apena 25km e 30 minutos de distância, isto se não pararmos pelos pontos, lugares, de interesse que temos pelo caminho. Mas deixemos as paragens e vamos diretos até Vilar de Perdizes, o nosso destino.

 

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Mas aqui, vamos diretos até Vilar de Perdizes, sem paragens, isto  porque há muito a dizer sobre esta aldeia, tanto,  que se calha,  até vamos ter de fazer esta abordagem em mais que um post. Mas ainda estamos no início do post e logo se verá como vai decorrer esta abordagem e o que fazer com a informação e dados que temos.

 

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Como já dissemos no início, Vilar de Perdizes fica mesmo aqui ao lado. O itinerário a partir da cidade de Chaves é via estrada do S.Caetano (Soutelinho da Raia). Logo ao passar ao lado de Soutelinho entramos no concelho de Montalegre, e logo a Seguir a primeira aldeia de Montalegre, Meixide, no final da qual a estrada bifurca, com ambos os destinos a indicar-nos Montalegre, mas é pelo da direita que devemos optar. Depois, uns quilómetros a seguir temos Vilar de Perdizes. Mas para não haver dúvidas, fica o nosso mapa.

 

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Também como dizia atrás, motivos para abordar Vilar de Perdizes não faltam. Começando pela aldeia em si e pelas suas características singulares, pela sua história, pelas Olas de Santa Marinha, os penedos, os Congressos de Medicina Popular, os Autos da Paixão, o Padre Fontes e até o pão, mas também o fator humano, afinal de contas quem faz as terras é a sua gente, e tirando os agentes naturais que criaram alguns destes motivos de interesse, como as Olas de Santa Marinha, já quanto ao resto são precisas pessoas para que tal aconteça, quer para construir e habitar o casario, atores para os Autos da Paixão, organizadores de eventos como o Congresso de Medicina Popular, e aí, impõe-se o nome de um Barrosão – O Padre Fontes.

 

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Pela nossa parte fomos descobrindo Vilar de Perdizes ao longo dos anos e ainda continuamos nessa descoberta, pois de cada vez que lá vamos descobrimos pormenores preciosos, alguns deles  com a ajuda do Padre Fontes, pois sem o conhecimento e saber dele, nunca lá chegaríamos, mas outros formos descobrindo de livre iniciativa, como a descoberta das Olas de Santa Marinha, onde lá fomos pela primeira sozinhos, num dia em que saí de casa à caça de imagens sozinho e sem destino, o que acabou por ser uma autêntica aventura, que vou partilhar, pois embora tivesse terminado bem, a mim serviu-me de exemplo.

 

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As Olas de Santa Marinha

 

Então foi assim: Saí de casa sem destino, pelo caminho lembrei-me de que estava a decorrer o Congresso de Medicina Popular em Vilar de Perdizes e para lá rumei. Chegado lá, num dia que recordo ter sido bem quente, a aldeia estava à pinha de gente e sem lugar onde poisar o carro próximo do local do congresso. Dia bem quente, muita gente, não se mostrou muito agradável andar por alí à torreira do sol. Vai daí, estava na dúvida de se havia de ficar ou continuar para outro destino, até que no decorrer deste impasse, vi a Placa a Indicar as Olas de Santa Marinha. Foi assim como uma luz que de repente se fez à minha frente, e bota a seguir a placa. Mas à frente outra placa, depois mais uma ou duas e passados uns quilómetros em terra batida lá estava eu em Santa Marinha, lá no meio do monte, ao fundo num pequeno largo plano, com um cruzeiro e uma pequena capela. Desci até lá.

 

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Chegado ao largo, depois de apreciar a pequena capela, o cruzeiro e a paisagem que desde ali se alcançava vi uma placa a indicar Olas de Santa Marinha. Segui o trilho, uma descida bem acentuada até que lá cheguei. Sem dúvida coisa bonita de se ver, um curso de água que depois vim a saber ser o Rio Assureira, um rio “estouvado” como eu costumo dizer, tudo porque corre ao contrário, ou seja, nasce em Portugal e corre para a Galiza, servindo mesmo de fronteira ao longo de 5km, para depois dar umas voltas na Galiza e desaguar no nosso Rio Tâmega (mas ainda na Galiza).

 

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Mas ia dizendo que finalmente estava nas Olas, em pleno verão quente e seco que estava bem refletido no curso de água do Rio Assureira, ou seja, apenas um fio de água. Mas mesmo assim, a beleza das Olas estava lá, mas sem água. Era notório que com água aquilo devia ser um espetáculo, de correntes, rápidos de água e cascacatas, mas naquele dia, nada, ou quase nada, apena um fio de água que no meio dos rochedo nem sequer se via, mas sabíamos que existia porque entre duas rochas mais altas a ouvíamos cair, mas não a víamos. Para a ver, só descendo para uma poça seca que havia por baixo dessas rochas, talvez dois metros abaixo. A hipótese de conseguir um arrasto do fio de água a cair, levou-me ao disparate de descer até essa poça, tipo cova, com a única saída pelo local de descida, mas na altura só pensei em descer, pois assim não teria ido em vão até às olas, mas fui mesmo, pois o fio de água existia, mas lá para o fundo, no meio da escuridão, impossível de captar em fotografia, e aí começam os problemas, pois descer até foi fácil, mas agora, lá em baixo, a curvatura e lisura das rochas não me permitiam sítios onde me agarrar e depois havia o problema das máquinas fotográficas, duas, que sem elas, talvez conseguisse arranjar forma de subir, mas com elas era mais complicado.

 

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Estudadas as hipóteses de sair, havia três: Uma, esperar que aparecesse alguém para me ajudar a sair; a segunda deixar as máquinas e tentar sair; a terceira e última, tentar sair com as máquinas. Analisados os prós e contra de cada, na primeira hipótese, nesse dia seria pouco provável que alguém aparecesse por lá, é que, entretanto, o dia avançou e estava já próximo do por do sol, depois estava sem telemóvel e se o tivesse o mais provável era não ter rede e por último ninguém sabia que eu estava ali. Pus esta hipótese de parte, pelo menos enquanto não tentasse as outras duas. Quanto às máquinas, eram as únicas que tinha, subir sem elas seria o mesmo que ficar sem elas e sem fotografias, assim, só restava mesmo tentar subir com tudo. Certo que as máquinas iriam sofrer as consequências das pancadas, mas talvez se aproveitasse alguma coisa. Pois não sei como, mas depois de muito tentar, de uma e outra forma, lá houve uma que me tirou de lá, e sem qualquer consequência para as máquinas fotográficas. Tive sorte, mas serviu-me de exemplo. A partir de aí, continuo a fazer alguns desses disparates, mas nunca sozinho e tenho o cuidado de dizer sempre a alguém para onde vamos.  

 

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Desculpem lá esta estória da minha primeira vez nas Olas de Santa Marinha, mas pode servir de exemplo para outros, com uns conselhos: Antes de entrarem num sítio complicado ou esquisito, vejam sempre por onde e como sair; Nunca irem sozinhos para sítios complicados; Dizerem sempre a alguém para onde vão ou pensam ir.

 

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Bem, claro que a minha primeira vez nas Olas de Santa Marinha ficou registada para todo o sempre, mas também com vontade de lá voltar, não no verão ou mesmo outono sem chuvas, mas durante o inverno ou primavera depois de ano chuvoso, isto para garantir que as olas estão com todo o seu esplendor, das suas cascatas e rápidos de água. Depois dessa primeira vez, já lá fui mais uma meia dúzia de vezes, e continuarei a ir… mas sempre acompanhado.

 

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Num post que já previa longo, já vou com uma dúzia de parágrafos e ainda não entramos em Vilar de Perdizes, ou melhor, já entrámos, mas saímos logo. Agora vamos ficar, com esta aldeia singular, com um micro clima que lhe permite ser como um oásis no meio do deserto, no caso, um oásis no meios do agreste Alto Barroso, pese a presença nem próxima da Serra do Larouco.

 

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Um pequeno oásis onde se dão as culturas todas, inclusive a vinha. Ainda há dias perguntava ao Padre Fontes se ainda se fazia vinho em Vilar de Perdizes e a resposta do padre, a sua maneira, foi pronta: “Todas as casas têm lagar”. Claro que se todos os lagares seguirem o exemplo do lagar do Padre Fontes, em vez de la se fazer vinho, armazena-se cultura, pois é na “casa” do lagar que ele tem a sua biblioteca, incluindo dentro do lagar. Assim, condições para se fazer vinho em Vilar de Perdizes, ainda há, faltará é gente para o fazer, ou talvez não, pois as terras mais planas continuam a ser tratadas e cultivadas com as mais variadas culturas, mesmo dentro de Vilar de Perdizes, a parte mais baixa é quase na sua totalidade coberta por hortas.

 

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Quanto à implantação de Vilar de Perdizes, subindo à cruz desde onde tomámos a nossa fotografia panorâmica (a primeira do post”) são notórios dois núcleos mais antigos, que outrora estariam separados (tipo Vila e Portela de Montalegre) mas que hoje estão unidos por casario mais recente, que também se expandiu em todas as direções a partir dos antigos núcleos consolidados.

 

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Quanto a pontos de interesse na aldeia, são vários, começando pelo  Paço de Vilar de Perdizes, cuja descrição tomei emprestada dos “monumentos.pt” (os negritos e sublinhados são nossos):

 

Compõem-se de solar, um hospital, as ruínas da antiga capela de Santa Cruz, a capela actual, uma botica e uma casa em ruínas, dispondo-se desalinhados, oblíquos entre si e conflituosamente próximos. (…) Arquitectura residencial e de saúde, seiscentista, barroca e neoclássica. Solar barroco, de planta rectangular, fachadas de dois pisos rebocadas, com pilastras nos cunhais e terminadas em cornija, rasgadas por vãos de molduras simples. Fachada principal aberta no primeiro piso por três portas largas e no segundo por janelas de peitoril, tendo acesso ao andar nobre por escada descentrada, com guarda plena e alpendre no topo assente em colunas toscanas.

 

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(…) Antigo hospital maneirista, de planta rectangular, com cunhais apilastrados e remate em cornija, com fachada principal de dois panos, um deles rasgado por portal de verga recta inscrita e encimada por frontão de volutas interrompido por nicho. Capela de planta longitudinal, com fachada principal terminada em empena, rasgada lateralmente por janelas, espaço único no interior com retábulo neoclássico, de talha policroma, de planta recta e três eixos. Complexo de grande valor histórico constituído por solar e hospital, botica, capela e cruzeiro junto ao caminho de Santiago e de apoio aos peregrinos, referindo-se o facto de dois mapas galegos, um de 1598, de F. Fer Ojea, editado em Amberes, e outro de 1608 apócrifo, incluírem Vilar de Perdizes nos Caminhos de Santiago e não a maior parte das cidades portuguesas junto à fronteira, nomeadamente Bragança. Constitui um dos poucos, senão único, Morgadio em Portugal que se sabe ter sido instituído por comenda pontifícia. (…)

 

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Mais pontos de interesse repartem-se pelas fontes de mergulhos e os fornos comunitários, mas também pelo casario a Igreja de S.Miguel, o Deus Larouco,  e a Capela da Nossa Senhora das Neves.

 

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Deus Larouco

 

Igreja de São Miguel e o Deus Larouco

 

O deus Larouco, um deus pagão e a Igreja de São Miguel, igreja cristã, aparentemente não combinam muito bem, mas é assim mesmo, estão intimamente ligados, pois a imagem esculpida em pedra do deus Larouco está incrustado na igreja de São Miguel, ou seja, a pedra com a imagem do deus Larouco é uma das pedras de uma das paredes da Igreja. Atualmente não está visível, pois o pavimentos e estrutura do coro tapa-a e protege-a da vista dos cristãos e qualquer outro. Para a ver é necessário subir ao coro e graças a um alçapão lá colocado consegue-se ver. Embora na nossa foto apareça direita, na realidade a imagem está colocada na horizontal, quiçá propositadamente.

 

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Imagem do deus Larouco, que dá o nome à Serra do Larouco e pensa-se ter sido o deus patrono do Altar de Pena Escrita, que se encontra também nas imediações de Vilar de Perdizes. A figura foi encontrada pelo Padre Fontes, dando-a a conhecer a investigadores do lado de cá e da Galiza. A figura em relevo esculpido na pedra apresenta uma figura antropomorfa de masculinidade indiscutível, visível por ter um enorme falo e um tronco desproporcional relativamente às pernas, indicando o seu carácter como deus da fertilidade. Numa das suas mãos tem um martelo, possivelmente um indicador que Larouco também seria um deus do trovão ou da metalurgia, um Deo Máximo como indica uma das aras votivas encontradas nas imediações do Altar de Pena Escrita.

 

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A Igreja Matriz  de Vilar de Perdizes, também conhecida como Igreja de São Miguel, com uma arquitetura interior e exterior interessante. A sua história poder remontar a uma altura prévia ao séc. XI. Em Vilar de Perdizes acredita-se que Igreja Matriz remonta ao ano de 1200 e foi fundado por um padre, filho da célebre Maria Mantela, de Chaves.” É a lenda da Maria Mantela  a torna-se realidade.”, mas quem somos nós para duvidar de tal.

 

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Capela de Nossa Senhora das Neves

 

A capela é um pequeno volume de planta longitudinal, com telhado de duas águas e um único espaço interno. Enquadra-se num tipo de arquitectura religiosa vulgar, intemporal, sem características formais ou decorativas notáveis. Implanta-se numa das entradas da povoação, que por sua vez integrava um dos itinerários de peregrinação para Santiago de Compostela, como aliás comprova a existência de um "hospital" no Paço de Vilar de Perdizes , com obrigação de albergar e apoiar os peregrinos. Embora a capela não atinja qualquer distinção no plano arquitectónico, o programa iconográfico descoberto merece toda a distinção e relevo. As pinturas organizam-se numa estrutura retabular tripartida, perspectivada, a imitar talha dourada maneirista. A imagem do "Padre Eterno" coroa a secção central e os restantes painéis relatam o "Milagre de Nossa Senhora das Neves" com a fundação da igreja de "Santa Maria Magiore" em Roma. Segundo o parecer do Prof. Luís Afonso as pinturas «destacam-se claramente no panorama fresquista português pela elevada qualidade técnica que possuem e pela sua erudição plástica (...) são pinturas que desenvolvem um discurso narrativo bastante complexo e apresentam uma virtuosa linguagem maneirista ... ». Ainda segundo o mesmo investigador, «estamos em presença de um dos melhores testemunhos de pintura mural da segunda metade do século XVI que o país possui.»

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Congressos de Medicina Popular, sextas-feiras 13 e padre Lourenço Fontes

 

António Lourenço Fontes, mais conhecido por Padre Fontes, nasceu Cambezes do Rio, Montalegre, em 22 de fevereiro de 1940. De uma família tradicional barrosã, com 12 filhos, todas ansiavam que um deles fosse padre, e foi assim que o António Lourenço Fontes Ingressou no seminário em Vila Real, em 1950, saiu em 1962,  padre católico para regressar ao Barroso para junto dos seus, tendo sido pároco de Tourém, Pitões das Júnias e Covelães (1963-71), passando depois a pároco de Vilar de Perdizes, Meixide e Soutelinho da Raia, desde 1971 até à sua reforma recente, tendo ainda sido pároco de Mourilhe (2002-2005), fixando residência em Vilar de Perdizes. Em 1980 concluiu a licenciatura em História na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1980.

 

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Segundo as suas palavras, em “Porque amo Barroso e o sirvo” António Lourenço Fonte afirma:

“Sou apaixonado pela terra barrosã, minha pátria materna, quanto mais a conheço, mais a amo e me identifico com ela. A sua cultura é a sua e minha identidade que mantenho e não queria perder apesar das pressões de outras e diferentes.”

  E no mesmo espaço afirma ainda:

“Sendo Padre procurei sempre beber a religião do povo, aculturando-me a ela, imbuindo a vida profana de religião popular. Corpo e espírito juntam-se em harmonia, religião e cultura indissociáveis, progresso material sempre acompanhando o espiritual ancestral…

 

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De facto o Padre Fontes não se limitou a ser Padre, teve desde início uma ampla ação cívica, social, cultural e literária sendo o principal impulsionador do Congresso de Medicina Popular, em Vilar de Perdizes, que se realiza-se desde 1983, que atrai desde cientistas e investigadores, a curandeiros, bruxos, videntes, médiuns, astrólogos, tarólogos, massagistas, muitos curiosos e turistas. Foi também o impulsionador das  "Sextas-Feiras 13" em Montalegre, que se realizam desde 2002, em que a Câmara de Montalegre organiza a "Noites das Bruxas", que decorrem em todas as "Sextas-feiras 13", e já fazem parte integrante do calendário cultural da região e são consideradas uma das maiores festas de rua em Portugal.

 

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O Padre Lourenço Fontes editou e colaborou em várias obras: Etnografia Transmontana (2 volumes), Usos e Costumes de Barroso, Milenário de S. Rosendo, Antropologia da Medicina Popular Barrosã, Chegas de bois, Raça Barrosã, Las fronteiras invisibles, Contos da raia, Crenzas e mitos da raia seca ourensana, Ponte da Mizarela, ponte do diabo, Roteiro dos castros de Montalegre, Roteiro dolménico de Montalegre. Tem ampla colaboração em vários jornais e revistas regionais. Fundou e dirigiu o mensário Notícias de Barroso de 1971 a 2006. Exerceu as funções de empregado, chefe de pessoal nos Serviços Médico Sociais de Vila Real (Montalegre), de 1973 até 1990. Exerceu as funções de Secretário do gabinete da Presidência na Câmara Municipal de Montalegre desde 1990 a 2000 e reformou-se. Dirige no Centro Social Paroquial de Vilar de Perdizes, de que é fundador e presidente, jardim de infância, agora centro de dia, cursos de formação: artesanato da lã e do linho (1986); Plantas aromáticas em 1998, apicultura (1985), de serigrafia, artes decorativas. Fez centenas de conferências por todo o país e no estrangeiro, em universidades, grupos culturais, escolas, autarquias, congressos, etc.. sendo um dos habituais conferencistas dos Congressos Internacionais de Animação Sociocultural.  Organizou vários congressos internacionais: Milenário de São Rosendo (77), Centenário de S. Bento (81); caminhos de Santiago (82); Medicina Popular, (desde 83), 2 de religiosidade popular (84-85) um de arquitetura popular (84 ). 17 encontros de cantadores ao desafio e concertinas, pelo Natal.

 

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Varias vezes entrevistado pelos media nacionais e estrangeira, incluindo as televisões RTP, TVE, TVG. Participou em filmes rodados na região: “Terra de Abril”, “Terra Fria”,”5 dias e 5 noites”, “Não cortes o cabelo que meu pai me penteou”, “Os demónios”, e em documentários da BBC, TV da Holanda e França, UNESCO, Odisseia, etc.

O Padre Fontes foi nomeado com o título de "O Maior Arraiano 2010" pela Associação Os Arraianos.

Em 2012, por iniciativa dos deputados eleitos pelo distrito de Vila Real foi solicitado ao Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva,  que o Padre Fontes fosse distinguido com a Ordem do Mérito. Nunca lhe foi atribuída.

 

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Sobre o Padre Fontes, sempre pronto para divulgar e enaltecer o Barroso, conhecedor como ninguém desse torrão, é um autêntico embaixador do Barroso e um dos seus ícones. Embora com busto em Vilar de Perdizes e dar nome ao Ecomuseu de Barroso como Espaço Padre Fontes, é muito pouco para a sua grandeza, merece um reconhecimento maior, e seria bom que ainda o tivesse em vida. Da nossa parte ficou hoje aqui um bocadinho do seu ser, muito pouco, quase nada, mas oportunidades não faltarão para um destes dias voltar por aqui.

 

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Vejamos também o que se diz sobre Vilar de Perdizes na Monografia de Montalegre:

 

Achados - Moedas

Os achados de conjuntos monetários mais importantes são os de Penedones (doze denários de prata que se perderam), da Vila da Ponte (cinco excelentes denários de prata e alguns bronzes médios), Minas da Borralha com mais de 3 mil médios bronzes e Montalegre, com mais de novecentas peças, quase todas denários com magro banho de prata. As moedas destes achados não ultrapassam o século III. Da mesma altura são as aras votivas a várias divindades, que os romanos acolheram, como o Deus Larouco (Vilar de Perdizes); outras dedicadas ao deus Júpiter (Vilar de Perdizes e Chã);

 

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Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes;

 

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Os Penedos

São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes),

 

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“Sinais dos tempos” Vários outros monumentos da romanização se descobriram e permanecem cá testemunhando a sua origem e finalidade: marcos miliários em (Padrões, Currais, Travaços e Arcos) aras romanas em (Vilar de Perdizes, Pitões e São Vicente da Chã) estelas funerárias (Vila da Ponte/ Friães), o célebre Penedo de Rameseiros (Vilar de Perdizes) e outros.

 

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Em prol do turismo

Congresso de Medicina Popular Há umas décadas um cura de Barroso decidiu organizar um congresso de Medicina Popular. Foi o padre Fontes. Inicialmente acorria ao evento gente de todas as condições ávidas de cultura e tradições. Eram presentes médicos, cirurgiões, especialistas de nomeada e, obviamente, também apareciam os “vendedores de banha de cobra”. A breve trecho eram muitos mais os “endireitas” do que os cientistas. Às centenas, apareciam endireitas, mulheres “de bertude”, rezadeira, cortadores de coxo e de todos os males humanos. Não faltam ainda os figurões das “garrafadas” que curam o cancro, todos os cancros, expulsam os demónios, etc.  Vendem licores de todo o género, chás, infusões, e até os “bruxos” estão presentes. Passam três dias em Vilar de Perdizes e, por isso, a terra é mais conhecida que as Caldas de Chaves. Apareçam e verão milhares de pessoas atarefadas à procura do mito! A par deste fenómeno, são evidentes os sinais de crescimento do concelho de Montalegre a vários níveis mas nota-se que o motor desse crescimento é o turismo. Tudo devido á sub-região ecológica.

 

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As Festas

Por falarmos em festas, algumas ocorrem cada ano por toda a região. As de mais nomeada e tradição são as festas concelhias ao Senhor da Piedade, que se realizam na capital, durante a primeira quinzena de Agosto; a de Salto, à Senhora do Pranto, em 1 de Agosto; a de Vilar de Perdizes, à Senhora da Saúde, a meados de Junho; as das sete Senhoras, todas elas Nossa Senhora dos Remédios, em sete localidades diferentes de Barroso, no dia 8 de Setembro, etc.

 

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Santo André, como Solveira, foram desmembradas da sub-zona denominada Vilar de Perdizes a que pertenciam. Ao conseguirem as suas autonomias escolheram os patronos que já antes admiravam e invocavam. Até há poucos anos ainda se identificavam deste modo: Vilar de Perdizes (Santo André) e Vilar de Perdizes (São Miguel). É terra bastante fértil, com alguma fruta.

 

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Vilar de Perdizes

A par de Salto e Tourém é das mais cosmopolitas freguesias do concelho, afora Montalegre. Outra zona barrosã testificadamente habitada desde remotas eras, como se prova numa inventariação sumária dos seus monumentos: as inscrições pré-históricas de Caparinhos (gravuras rupestres de controvérsia leitura); o altar sacrificial da Pena Escrita; as duas aras romanas achadas na abertura da estrada para Meixide e Chaves, uma dedicada ao Deus dos Deuses, Júpiter, e outra dedicada ao Deus local Larouco; e a grande inscrição do Penedo de Rameseiros cuja interpretação não consegue recolher consensos. Tal riqueza arqueológica e tão diversificada não é usual em meios pequenos. Mas a riqueza continua no que sabemos da sua igreja de São Miguel e no Solar, que foi berço de filhos de algo, e junto do qual floresceram o Hospital e a Capela de Santa Cruz, destinados a prestar apoio físico e espiritual aos peregrinos de Santiago de Compostela e do Cristo de Ourense que por ali passavam, vindos dos lados de Chaves Alto Douro, Beiras e Castela.

 

Desta freguesia desligaram-se as duas vizinhas de Solveira (Santa Eufémia) e Santo André e todas pertenceram, por poucos anos, até á sua extinção, ao concelho de Couto de Ervededo.

 

 Modernamente Vilar de Perdizes entra na moda das notícias televisivas por apadrinhar um evento sociocultural que é o Congresso de Medicina Popular. Admira que alguns, ditos intelectuais, lancem farpas ao dito como se estivéssemos ainda no século VI, do São Martinho de Dume, a combater pagãos e as heresias dos maniqueístas e arianos… Recusamo-nos a que nos lancem o anátema de pagãos e hereges pelo facto de querermos alcançar, enquanto é tempo, os saberes (no campo da farmacologia, da medicina e das tradições) dos nossos avós!

Esperemos que a gente de Vilar continue a acarinhar as ervas com que se fazem mezinhas, defumatórios, infusões e chás que nos debelam as dores do corpo e nos dulcificam as dores do espírito! Estão em fase de conclusão os roteiros arqueológico e do contrabando, que a pé e a cavalo de burros irão permitir a visita aos locais que melhor defendem a identidade de Vilar de Perdizes.

 

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E agora vamos até à toponímia de Barroso e ao que lá se diz sobre Vilar de Perdizes:

 

Vilar de Perdizes

É o derivado por AR da VILA RUSTICA, portanto, diminutivo de Vila, como Vilarinho, Vilela e outros.

Vilares, em Barroso, há dois – o de Porro e o de Perdizes.

Quanto ao primeiro já disse tudo.

 

De Perdizes – É importante recordar que esta “expressão” , como outras, designavam não um povoado mas umam área topográfica onde vigoravam diversas povoações ou vilares. Assim, em Vilar de Perdizes (além dos seus três bairros que têm como patrono São Miguel havia também, Santo André e Solveira, que agora são freguesias independentes. O mesmo sucedeu com Vilar de Vacas  (que foi concelho desde bem cedo e freguesia sob o orago de São Martinho) onde se inseriram várias aldeias incluídas Campos e Lamalonga que fizeram agora nova freguesia.

 

Vilar de Perdizes era metade do Rei de Portugal e metade do de Leão e a igreja pertencia ao Rei. Nas inquirições  são arrolados vários casais de que sobressaem, pela especial medida de fiscalidade:

Fonte Loba, Reboreda, Sameiro e, sobretudo, Extremadoiro (este, talvez, por estar muito perto da parte leonesa ou da fronteira de então).

Está, por isso, duas vezes documentado em 1258:

-«Sancti Michaelis de Vilar de Perdizes» INQ 1258

-«In Vilar de Perdizes casal de Cemeiro» INQ 1527

O topónimo já perfeitamente estabelecido

 

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E agora o vídeo com todas as fotografias publicadas até hoje neste blog.

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

WEBGRAFIA:

http://www.cm-montalegre.pt/

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=5766

http://www.patrimoniocultural.gov.pt/en/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/7846193

https://www.portugalnummapa.com/igreja-de-vilar-de-perdizes/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Padre_Fontes

 

 

 

 

13
Mar20

Codeçoso - Venda Nova - Montalegre

BARROSO

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Codeçoso da Venda Nova

 

Na última sexta-feira deixámos aqui a aldeia de Codeçoso de Meixedo, hoje, vamos até a outra aldeia de Montalegre e Barroso com o mesmo topónimo Codeçoso, mas este da freguesia da Venda Nova e bem diferente da outra aldeia.

 

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Desde início desta andanças pelo Barroso que o tenho afirmado que está cheio de contrates. Para quem conhece só o Alto Barroso, verá que esta aldeia nada tem a ver com essas aldeias do planalto do Larouco. Esta parece ser uma aldeia muito mais recente, mais clara sem os tons do granito à vista e que, pela certa, sofreu influências recentes da Barragem da Venda Nova.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falar de Codeçoso, pois já o fizemos no seu devido post cujo link fica no final. Hoje estamos aqui para continuar a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, daí, trazê-lo  hoje.

 

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Mas embora hoje o “ator principal” do post seja mesmo o vídeo, que vem já a seguir, houve ainda espaço mais umas imagens que escaparam à anterior seleção. Agora sim, o vídeo:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Codeçoso da Venda Nova:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-codecoso-da-1826462

 

 

 

 

 

28
Fev20

O Barroso aqui tão perto - Chelo

Aldeias o Barroso (com vídeo)

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CHELO 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog,  não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje aqui esse resumo da aldeia de Chelo, freguesia de Cabril, Concelho de Montalegre.

 

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Ainda antes do vídeo, ficam também algumas imagens que escaparam à seleção anterior.

 

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E agora sim, o vídeo que faltava para completar o post anterior dedicado à aldeia de Chelo.

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Chelo:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-chelo-1627025

 

 

 

23
Fev20

O Barroso aqui tão perto

origem, história e território

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INTRODUÇÃO

 

Como em todas as histórias, comecemos esta pelo seu início.

 

Este blog existe há 15 anos, começou pela descoberta de uma nova palavra que tinha aparecido na intenet – “blog”. Numa tarde sem nada que fazer, a curiosidade levou-me à sua descoberta. Afinal o que era um blog!?.  Li umas coisas sobre eles e descobri ser uma ferramenta posta à nossa disposição, um espaço pessoal na internet onde poderíamos escrever, partilhar ideias e publicar imagens, vídeos, etc. Os formatos, “templates” já existia, a nós só nos exigiam, escrever e publicar, com imagens incluídas, se tal fosse o nosso desejo. Lembrei-me então do meu tempo de tropa, em que num ano passado em Angra do Heroísmo, devorava tudo que eram notícias da terrinha, num tempo em que ainda nada disto existis, nem sequer os telemóveis, quando muito o telefone para notícias muito breves, pois era caro, para conversas mais longas, recorríamos às cartas enviadas por correio. Lembro-me de na altura ir à Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo para ler o “Notícias de Chaves” que chegava lá 15 dias após ser publicado, mas eram para mim as notícias mais recentes da terrinha, onde lia tudo, incluindo os anúncios e a necrologia… Lembrei-me então, nessa tarde sem nada para fazer, experimentar criar um blog em que o destinatário seria eu próprio, ou seja, aquilo que gostaria de ler e ver se estivesse fora da terrinha. E assim foi, assim se iniciou o Blog Chaves, primeiro com pequenos textos soltos e imagens de Chaves. Pensava eu que era o único a ver aquilo que fazia, daí, nem sequer ter muitos cuidados, qualquer critério na construção do blog, do que ia dizendo e mostrando, até que apareceu o primeiro comentário, e aí, assustei-me…afinal não era só eu a ver aquilo. O restante da vida do blog, vai sendo conhecida por todos os que me acompanham e hoje todos sabemos como os blogs funcionam.

 

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De Chaves ao Barroso, apenas um passo

 

Durante os primeiros anos de blog foi inteiramente dedicado à cidade de Chaves e mais tarde também às suas aldeias e lugares, perto de 150 no total. Muita coisa, mas nada que o tempo não possa vencer. E assim foi, passaram por aqui todas as aldeias do concelho de Chaves, algumas mais que uma vez. Era tempo de o blog se expandir para lá Chaves e as suas aldeias, daí surgir a ideia de ir também até às origens, as minhas, mas que pela certa seriam também de mais gente, pois embora eu seja flaviense de nascença, a minha família materna é de Montalegre e a paterna de Vila Pouca de Aguiar. E porque não a região de Chaves, alto Tâmega e Barroso sem deixar de foram a Galiza da fronteira com Chaves e também Vinhais, pela mesma razão de também fazer fronteira com o concelho de Chaves. Uma aventura que logo à partida se propunha como demorada, pois seria necessário todo o trabalho de campo na recolha de imagens e pesquisas para falar sobre essas novas aldeias, para além das nossas impressões pessoais.

 

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Decidi assim iniciar esse alargamento pelo Barroso de Montalegre, aquele que melhor conhecia por ser terra da minha mãe, dos meus irmãos, tios primos e avós e natais de juventude. Inicialmente seria o território do concelho de Montalegre a explorar e de seguida passaria ao de Boticas, só que no entretanto, com o conhecimento da “Toponímia de Barroso”, apercebi-me que havia freguesias de Vieira do Minho e de Ribeira de Pena que também estavam incluídas no território de Barroso.

 

No levantamento das aldeias do concelho de Chaves, da margem esquerda do rio Tâmega, por várias vezes que as pessoas mais idosas, em conversa, quando se referiam ao Barroso, que para lá do rio, é tudo Barroso. Por outro lado, com a minha descoberta do Barroso além Montalegre, aquele que menos ou nada conhecia, fui-me dando conta que geográfica e fisicamente falando, o Barroso não tem uma identidade única, ou seja, características idênticas em todo o seu território, daí haver também, em versão mais ou menos oficial, a distinção entre o Alto-Barroso e o Baixo-Barroso, que eu nas minhas descobertas ia acrescentando ainda outros, que em tom de brincadeira cheguei a chamar “Barrosinhos”.

 

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De facto é impossível comparar em termos de identidade as aldeias do planalto da Serra do Larouco (Padornelos, Sendim, Santo André, Solveira, Gralhas, etc., etc., etc..) com as aldeias da freguesia de Salto, ou com as aldeias da freguesia de Cabril, entre outras. Em suma, fui-me dando conta que neste território do Barroso (e ainda só estamos no do Concelho de Montalegre), a vida das aldeias sofriam grande influência da terra onde estavam implantadas, e estas, das montanhas,  serras e rios que que lhe eram próximas, a saber, da Serra do Larouco, a Serra do Gerês, a Serra do Barros e a Serra da Cabreira, e do Rio Cávado, Rio Rabagão, Rio Cabril.

 

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Chegado a este ponto é que comecei a debruçar-me mais a fundo sobre o Barroso e o seu território, o que não foi/é fácil, partindo logo do princípio que em termos administrativos, ou melhor, em termos de divisões administrativas do território de Portugal, ao longo da história, o Barroso nunca foi província, distrito, concelho ou outro, mesmo noutras divisões do território, como as divisões para termos estatísticos, as NUTS - Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos, o território hoje conhecido do Barroso, sem ser mencionado, está incluído nas NUTS II na Região Norte e nas NUTS III na região do Alto Tâmega (Barroso de Montalegre, Boticas e Ribeira de Pena) e na Região do Ave(Barroso de Vieira do Minho).

 

Aliás se considerarmos o atual território do Barroso tal como é defendido por Montalegre, o Barroso pertence a (pelo menos) 4 concelhos (Montalegre, Boticas, Ribeira de Pena e Vieira do Minho), dois distritos (Vila Real e Braga) e a duas províncias (Trás-os-Montes e Minho).

 

Chegados aqui poderíamos, quase, dizer que o Barroso não existe, o que seria um disparate de todo o tamanho, pois todos sabemos que o Barroso existe, mas alguém poderá afirmar, com exatidão, quais sãos os limites do Barroso!? Pois, para podermos responder a isto teremos que esquecer as divisões administrativas oficiais e lançar mão da História e daquilo que ao longo dos tempos se foi dizendo sobre o Barroso.

 

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O Barroso, origem, história e território

 

Entre e segundo os escritos de entendidos que se debruçaram sobre o assunto, as fronteiras do Barroso foram variando ao longo dos tempos, embora quase todos coloquem Montalegre como a terra de origem, a terra mãe e a capital do Barroso. Excluindo o Padre António Fontes que nos seus escritos faz uma abordagem do Barroso através do fator humano com o Barrosão e o seu feitio, os restantes abordam e entendem o Barroso a partir do território de Montalegre através dos tempos, pelo fator administrativo, contrariando em parte a sua origem, pois se assim não fosse, o território de origem seria igual ao atual território, e como veremos não aconteceu assim.

 

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Por outro lado, pensava eu, que mais importante que o fator administrativo, que aos longos dos tempos foi variando e continuará a mexer nas fronteiras dos territórios, lembremo-nos que a última reorganização administrativa  ocorreu em 2013. Mas ia dizendo, que pensava eu que mais importante que o fator administrativo seria o fator geográfico, ou seja, que uma região que fica de fora das divisões administrativas oficiais se ia regulando pela geografia, ou melhor, pelas características geográficas dessas mesmas regiões, como por exemplo a terra quente, por ser quente, a terra fria por ser fria, a região do douro, pelo rio Douro, ou as terras do vale do Ave por serem do vale do Ave ou até o Alentejo por ser além Tejo, ou seja, há caracteristicas geográficas idênticas ou perfeitamente delimitadoras pelas características físicas, comos os rios, os vales, as montanhas.

 

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Sinceramente que quando iniciei esta pesquisa e estudo da região do Barroso, pensava que ela se enquadrasse em limites geográficos, que até os tem, e aí, mesmo que administrativamente o território fosse mudando práqui ou práli, o território do Barroso manter-se-ia, mas vamos ver o que dizem alguns dos documentos estudados.

 

De entre todos os documentos que encontrei, o que está mais próximo daquilo que quero abordar, é um do investigador João Soares Tavares que,  sobre o assunto,  afirma:

 

Sobre a origem da Terra de Barroso não se conhece um documento fidedigno. Teorias existem. É por certo uma região muito antiga. Dois documentos da terceira década do século XVI[i] confirmam a Terra de Barroso com diferenciadas unidades concelhias em dimensão e importância. A documentação referida certifica também a vila de Montalegre cabeça administrativa da Terra de Barroso.

 

Segundo a mesma fonte o Barroso era um vasto território que incluía o concelho de Montalegre, o concelho de Vilar de Vacas, o concelho do castelo de Piconha, o concelho do castelo de Portelo e o Couto de Dornelas.

O concelho de Montalegre possuía o maior número de freguesias[ii], o concelho de Vilar de Vacas duas freguesias apenas – Campos e Ruivães[iii], o concelho do castelo de Piconha incluía a vila de Tourém e três aldeias: Rubiás, Santiago e Meaos. Estas aldeias formaram o Couto Misto e eram habitadas indistintamente por portugueses e galegos, por último o concelho de Portelo reunia “oyto aldeas de termo as quaes se chamã omrras: Vilar de Perdizes, Santo André, Solveira (Sobreyra), Gralhas, Meixedo, Padornelos, Padroso e Sendim.” Assim assegura o “Numeramento de D. João III” do século XVI.Facto a assinalar, com base no documento citado, estas oito honras eram pequenas unidades territoriais com governo próprio, mas estavam dependentes da autoridade do alcaide do castelo de Portelo.

 

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João SoaresTavares afirma ainda:

O documento “Demarcaçam da Villa de Montalegre…” de 1538, atesta a existência dos “lugares de honras” que são os seguintes: “Aldea de Villar de Perdizes, Aldea de Gralhas, Aldea de Padronelos, Aldea de Padroso, (…) e que estas quatro Aldeas sam subditas ao Castello de Portelo. Portanto confirma a dependência da autoridade do Alcaide do Castelo de Portelo. De salientar, neste documento do século XVI datado cerca de 10 anos após o referido atrás, as aldeias de Solveira, Santo André, Sendim e Meixedo não aparecem referenciadas.

Segundo o mesmo documento, todas as unidades concelhias citadas estavam integradas na Terra de Barroso, e também coloca a vila de Montalegre cabeça daquele território. De onde se conclui a importância que apresentava.

A Reforma Administrativa de Silva Passos decretada em 6 de Novembro de 1836 promoveu a extinção de uns concelhos e a criação de outros. Houve concelhos cujos territórios diminuíram, enquanto noutros aumentaram. Esta Reforma não foi definitiva sofrendo diferentes alterações até 1853 e, no que diz respeito à Terra de Barroso prolongaram-se até 1898.

Em 1836 iniciou-se a divisão do vasto território. Nesse ano as honras citadas – Vilar de Perdizes, Santo André, Solveira, Gralhas, Meixedo, Padornelos, Padroso e Sendim – foram extintas, sendo integradas no concelho de Montalegre. Algumas destas freguesias sofreram um desvio temporário para Ervededo que anteriormente fora um couto, conforme será analisado abaixo.

 

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O concelho de Boticas criado em 1836 recebeu as suas freguesias do concelho de Montalegre. Apenas as freguesias Anelhe e Ardãos transitaram do concelho de Chaves. (Ambas pertenceram anteriormente ao Julgado de Barroso conforme se verifica nas Inquirições afonsinas de 1258 referentes àquele Julgado). Em 1855, Anelhe regressou ao concelho de Chaves.

O concelho de Boticas fundado em 1836 conforme se disse, foi extinto em 1895 para ser novamente restaurado em 1898.

Até à estabilização dos concelhos houve freguesias que saltitaram de um para outro. A freguesia de Cervos esteve apenas dois anos no concelho de Boticas. (1936-38) Em 1838 voltou ao concelho de Montalegre. Fiães do Tâmega aldeia da freguesia de Curros do concelho de Montalegre, em 1834 foi elevada a paróquia. Esteve no concelho de Ribeira de Pena entre 1895 e 1898, ano em que passou definitivamente para o concelho de Boticas. É freguesia deste concelho tendo anexado a aldeia de Veral.

Do concelho de Montalegre transitou em 1839 para o concelho de Boticas a freguesia S. Salvador de Canedo. Permaneceu em Boticas até 1895, para nesse ano incorporar o concelho de Ribeira de Pena que fora criado em 1853. Parte das aldeias dessa freguesia: Canedo, Pena Longa, Seirós e Alijó formaram uma nova freguesia com o topónimo Canedo, enquanto as aldeias Viela e Melhe integraram a freguesia de Santa Marinha do referido concelho.

 

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O pequeno concelho de Vilar de Vacas constituído pelas freguesias Campos e Ruivães, em 1706 incluía mais as “aldeias Fafião e Pincães da paróquia de S. Lourenço de Cabril, termo de Montalegre” e as aldeias “Linharelhos e Caniçó paróquia de Santa Maria de Salto, termo da vila de Montalegre”. (4) Pelo citado Decreto foi aumentado em 1836, recebendo as seguintes freguesias do concelho de Montalegre: Ferral, Cabril, Covelo do Gerês, Reigoso, Pondras, Salto, Venda Nova e Vila da Ponte. Um aumento com pouca durabilidade. Extinguiram o concelho em 1853 passando as freguesias Campos e Ruivães para o concelho de Vieira do Minho regressando as restantes freguesias referidas ao concelho de Montalegre.

O couto de Dornelas que inicialmente pertenceu ao arcebispado de Braga, em 1836 foi integrado como freguesia no concelho de Boticas. Aquele território é constituído por sete povoações.

Tourém, sede do concelho do castelo da Piconha extinto em 1836, passou a freguesia do concelho de Montalegre.

Em 1864 com a assinatura do Tratado dos Limites entre Portugal e Espanha, os três lugares Rubiás, Santiago, e Meaos, que formavam o Couto Misto, passaram a constituir território espanhol.

Algumas povoações da Terra de Barroso extinguiram-se, nomeadamente: S. Vicente do Gerês, Soutelo, Madalenas, S. Frutuoso de Barrosinho, Carrili, Padroselos. Esta aldeia que outrora pertenceu ao Julgado de Barroso é hoje uma imagem nostálgica do concelho de Ribeira de Pena.

Até se verificar a estabilização dos concelhos houve um saltitar de freguesias. Para finalizar apresento mais o seguinte exemplo: O couto de Ervededo que estava fora da Terra de Barroso, em 1836 foi também sujeito à Reforma Administrativa de Silva Passos. Nesse ano aumentou o pequeno território. Do concelho de Montalegre transitaram: Meixedo, Vilar de Perdizes (Santo André), Vilar de Perdizes (S. Miguel) e Solveira, portanto pertencentes outrora à Terra de Barroso. Com a nova constituição teve vida efémera. Foi extinto em 1853. As aldeias referidas regressaram ao concelho de Montalegre. As restantes ao concelho de Chaves.

(...)

Resumindo: Conforme se constata, a antiga Terra de Barroso incluía diferentes unidades concelhias atrás referenciadas. A Reforma Administrativa de Silva Passos de 1836 provocou transformações significativas. Actualmente, o seu território encontra-se repartido por quatro concelhos localizados em dois distritos (Vila Real e Braga) e, uma pequena parcela foi deslocada para a Galiza. Do seguinte modo: em todo o concelho de Montalegre, na quase totalidade do concelho de Boticas, (excepto a freguesia de Ardãos, que pertencia ao concelho de Chaves), no concelho de Vieira do Minho, (freguesias de Ruivães e Campos), no concelho de Ribeira de Pena (toda a freguesia de Canedo e as aldeias Viela e Melhe da freguesia de Santa Marinha). Na Galiza permanecem as aldeias Rubiás, Santiago e Meaos localizadas a norte do concelho de Montalegre.

 

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Depois de todas a história que aqui ficou sobre o Barroso, baseada nas palavras do investigador João Soares Tavares, fiquei um pouco confuso com as suas conclusões (resumo) a respeito do Barroso atual, seja como for, aquele que é mais ou menos oficial e aceite,  é o do mapa 4 que atrás ficou, no entanto, eu tenho outras fronteiras para o Barroso, que no meu entender seria o mais lógico, isto deixando de parte as fronteiras administrativas e as perdas e ganhos de território e até mesmo o fator humano defendido pelo Padre Lourenço Fontes.

 

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Claro que é, talvez, a minha visão romântica sobre o assunto, mas é baseada nas características geográficas com semelhanças e território bem definido e delimitado por agentes naturais como as montanhas e os rios. Sei que vale o que vale e não pretende absolutamente nada, nem sequer pretende ser polémico, pois aceito as fronteiras do atual Barroso. Apenas quero mostrar a minha visão sobre este assunto ou de como eu gostaria que fosse, não para me incluir nela, ser barrosão como flaviense, pois a minha costela barrosã já me chega para ser também barrosão, aliás, se fossemos por aí, eu até ficaria de fora, pois embora nascido em Chaves, nasci na margem esquerda do Rio Tâmega, que fica fora dos limites deste meu Barroso “romântico”, chamemos-lhe assim. Fica então o mapa do meu Barroso, a seguir virá a sua defesa.

 

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Pois para defesa recorro às montanhas e rios e também clima, limites naturais de territórios. Assim, se considerarmos as montanhas, poderíamos ter dois Barrosos possíveis, um mais pequeno e que ficaria circunscrito ao território entre as serras do Gerês, serra do Larouco,  serra do Leiranco, serra do Barroso e serra da Cabreira, ou seja, quase e só o concelho de Montalegre. Para o alargarmos à inclusão de Boticas, já temos que ir até um Barroso mais alargado em que um rio já entra como fronteira, o Rio Tâmega, aliás fronteira do Barroso “oficial” e “aceite” de hoje em dia, e é aí que começa a entrar o meu Barroso romântico, pois naturalmente o rio Tâmega seria uma fronteira bem definida e definitiva do território de Barroso, que por sua vez é secundado por uma outra fronteira de montanhas – a serra de Mairos e a serra do Brunheiro com remate da serra de Santa Bárbara.

 

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Por outro lado, recorrendo à história do Barroso, grande parte desse território flaviense que eu defendo como pertencer ao Barroso, já lhe pertenceu, apenas depende como se veja o movimento das fronteiras administrativas, senão vejamos, a freguesia de Anelhe já foi pertença do Barroso e se considerarmos que o Couto de Ervededo, tal como o Couto de Dornelas, foram parte integrante do Barroso, então também teríamos pelo menos 7 freguesias de Chaves a pertencer ao Barroso, a saber: Anelhe, Seara Velha (com Soutelo). Calvão e Soutelinho, Ervededo, Vilela Seca, Bustelo e Vilarelho, ou seja, da margem direita do Rio Tâmega, apenas 5 freguesias é que nunca pertenceram ao Barroso, são elas a freguesia de Stª Maria Maior, Valdanta, Santa Cruz/Trindade e Sanjurge,  Curalha e Redondelo.

 

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E fico-me por aqui. Mas antes queria acrescentar que a feitura deste post coincidiu com um outro post que tinha pensado para esta rubrica de “ O Barroso aqui tão perto”, um post dedicado ao Padre Lourenço Fontes, por altura dos seus 80 anos, que fez ontem, e ficam os meus parabéns atrasados, quando ao post, ficará para outra altura, pois tal como me disse um amigo “Nesse dia não faltarão manifestações de aplauso ao António, hoje Padre Fontes ou Padre Lourenço Fontes.”

 

E com esta me bou!

 

 

 

[i] “Numeramento mandado fazer por D. João III (1527-1530) “, in Archivo Histórico Português, vol. VII, publicado em Lisboa, 1909;  “Demarcaçam da Villa de Montalegre Concelho de Barroso Diocisis de Braga e asy dos Castellos de Portelo e Castello de Piconha e daldeas das honras anexas a elles por ser tudo termo de Barroso e Tourem”, 1538, Arquivo da Casa de Bragança, Vila Viçosa.

[ii] Foi fundado em 9 de Junho de 1273 pelo foral outorgado por D. Afonso III, Chancelaria de D. Afonso III, Livro I, f.110, I.A.N./T.T.

[iii] Vilar de Vacas teve carta de foro outorgada por D. Pedro l em 27 de Junho de 1363. (Chancelaria de D. Pedro I, livro de Doações, fls.85vº e 86, I.A.N./T.

 

 

 

21
Fev20

O Barroso aqui tão perto - Cervos

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CERVOS - MONTALEGRE

 

O prometido, aqui, é de vídeo, isto para continuar a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog,  não tiveram o resumo fotográfico em vídeo. Assim, hoje trazemos aqui esse resumo da aldeia de Cervos, mais uma aldeia do concelho de Montalegre, Barroso.

 

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Para quem entra no Barroso a partir de Chaves via estrada nacional 103, logo ali onde começa o concelho de Montalegre, algures, há por lá uma saída de estrada com a placa a indicar Cervos, pois se tomarmos essa estrada municipal, logo a seguir temos por lá a nossa aldeia de hoje.

 

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Localizando-a a partir da cidade de Chaves, bastará olhar para a Serra do Leiranco, pois do outro lado da serra, nas suas faldas, estará a aldeia de Cervos. Esta, é mesmo do Barroso aqui tão perto.

 

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E hoje, também como vem sendo costume, ficam algumas imagens inéditas que escaparam à seleção que foi feita para o post da aldeia.

 

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Pois espero que desfrutem do vídeo e das imagens que atrás ficaram. Quanto ao post  desta aldeia, já aconteceu aqui em dezembro de 2016, mas poderá passar por lá a qualquer momento, o link está no final deste post.

 

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Agora sim, o vídeo:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Cervos:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

 

 

 

 

 

17
Fev20

O Barrosão e o seu feitio

BARROSO

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No último domingo não deixei aqui nada sobre o Barroso e justifiquei essa falta com estas palavras: “(…) desculpas a quem ontem veio ao blog à procura de um post sobre o Barroso, que era minha intenção publicar, mas como o assunto a tratar é importante demais para ser tratado de forma leviana, acabei por gastar todo o meu tempo em pesquisas e a documentar-me (…)”. Pois hoje ia correndo o mesmo risco. Desvendando um bocadinho do mistério, se é que há mistério, acontece que para terminar a minha abordagem ao Barroso de Montalegre, apenas me falta trazer aqui as aldeias dos colonos, Vilar de Perdizes e a Vila de Montalegre, os restantes lugares e aldeias do concelho de Montalegre já foram abordadas. As aldeias dos colonos irão ter um post especial, em preparação. Quanto a Vilar de Perdizes, nunca cheguei a completar o levantamento fotográfico da aldeia e a Vila de Montalegre irá ter uma abordagem diferente daquilo que vem sendo habitual.

 

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Assim, está na hora de avançar para o restante Barroso, o de Boticas. Inicialmente pensava que o Barroso se completava aí, com os concelhos de Montalegre e Boticas, mas com o tempo vim a saber, pela “Toponímia de Barroso”, que havia também algumas aldeias do Concelho de Vieira do Minho e de Ribeira de Pena que pertenciam ao Barroso. Como sempre gostei de saber o porquê das coisas, fui à procura dos limites históricos do Barroso, e aí, tudo começou tcomplicar-se, aliás a única coisa que até agora dou como garantida sobre a origem de Barroso, são as palavras de João Soares Tavares que debruçando-se sobre o mesmo tema, diz logo no início da sua abordagem: “Sobre a origem da Terra de Barroso não se conhece um documento fidedigno. Teorias existem. É por certo uma região muito antiga.” E o resto são cantigas… a única coisa que se vai apontando como fidedigno é a vila de Montalegre ser apresentada sempre como cabeça do território de Barroso. Quanto ao Barroso da “Toponímia de Barroso”, não é mais que o antigo território do concelho de Montalegre, existente até 1836, e que na sua divisão dá origem ao concelho de Boticas, perdendo uma freguesia para Vieira do Minho, e “perdendo-se” também o Couto Misto. Posteriormente a freguesia de Canedo é também desanexada do concelho de Boticas. Portanto o território de Barroso, para a “Toponímia de Barroso” é o território do concelho de Montalegre tal como ele era até 1836, no entanto, aprofundando mais a investigação sobre o assunto, as coisas não são bem assim, e é por essa razão que o tal post sobre o “Barroso” demora tanto a ser parido. Mas no entretanto, deparei-me com as características do BARROSÃO, ou seja, do povo que povoa o Barroso, e esse sim, dou como validado aquilo que o Padre Lourenço Fontes nos deixa na Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso.   

 

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Desenho do Território de Barroso constante na capa (interior) da Etnografia Transmontana I do Padre Lourenço Fontes

 

Tal como disse no parágrafo anterior, ficam as características do povo Barrosão, a transcrição do que consta na Etnografia Transmontana I do Padre Lourenço Fontes, mas acrescento desde já uma nota, o que aqui vai ficar foi escrito (publicado) em 1974, já lá vão quase 50 anos, e nestes 50 anos muita coisa mudou, saímos de uma ditadura, entrámos numa democracia, a globalização ganhou terreno e a educação obrigatória começou a ser uma realidade, mas, pelo menos, essa caracterização do Barrosão que nos é dada pelo Padre Loureço Fonte dá para ficar a conhecer o que era o Barroso e o Barrosão até essa altura.

 

Ao longo desta transcrição vão ficando algumas fotografias nossas sobre o Barroso.

 

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Padre lourenço Fontes no alto da Serra do Larouco

O BARROSÃO E O SEU FEITIO

 

Acolhido nos refegos da serra, ganha robustez, e é de espírito fatalista, a pactuar com o meio em que vive. Sofre grande influência da mulher. «A mulher é terra, o homem o hóspede dela». O Barrosão é de uma passividade procriadora, enorme. Inconformado com a sedentariedade, luta pela sobrevivência.

 

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Nota-se a imposição do mais forte, embora todo o Barrosão tenha grande potencial energético e forte capacidade de vencer, pela força. É agressivo, mas acalmado pela mulher ou amigos. É dotado de muito orgulho, e forte amor à terra e aos antepassados. O torrão Natal, a sua casinha, o seu campo santo, onde repousam os seus, trazem a morrinha e saudade, quando longe da pátria, procura o pão para os filhos.

 

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Deixou o Barrosão de fugir, de caçar, de guerrear, e refugiou-se nas montanhas dedicando-se à pastorícia, sua riqueza de sempre. Por isso o Barrosão é mais pastor, que agricultor.

 

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Houve sempre nesta terra a diferença de classes dos grandes senhores feudais, religiosos, políticos e administradores. Desconfia deles, dos poderes públicos, dos estranhos, fruto deste condicionalismo telúrico. Por ter sido explorado há muito, pelos grandes da terra, o barrosão apresenta o cenho carregado, semblante triste, ar de desconfiado, por recalcamento de desejos de vingança. Aceitou a servidão, como base da sobrevivência. Excepto alguns descendentes de grandes casais, todos iniciaram a sua vida económica servindo um, ou muitos patrões. Veste sobriamente. Pouco muda o trajo. No Inverno, mais roupa, menos no Verão. Come pouco. Deficiente alimentação está a justificar muitas doenças. A mortalidade infantil é das mais altas nesta região, não só por falta de assistência médica, mas por falta de higiene, má alimentação e pouco cuidado com os primeiros meses de vida da criança. Há muito filhos zorros, filhos da curiosidade, sem pai, dizem. No entanto as mães e filhos aceites na sociedade comum, sem diferença.

 

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Falta-lhe maturidade, senso crítico, que cria por vezes injustiças sociais, que traz ídolos e vítimas. Sente-se por vezes ludibriado; é repentista, espontâneo, violento, raramente de acções premeditadas. Sofre pressões de vário género. Encara o crime a cada passo, como uma evasão a que já está habituado, à prisão. Numas aldeias mais que noutras, é vulgaríssimo o crime, em que o Barrosão está sempre pronto a assinar a sua própria destruição. Vive numa sociedade fechada, em pequenos grupos, sem influência doutras terras. Há monotonia na vida, no comer, no amor, no trabalho, em tudo até no espírito politeísta que os domina. Tem preferências afectivas. É frequente ver louvado o erro, o crime, o mal. Os casamentos com consanguíneos e o alcoolismo provocam taras frequentes. A mulher envelhece no espírito e até no corpo, muito precocemente e trabalha no duro campo com os homens.

 

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O Barrosão solidariza-se com os da terra ou família ou clan, em face de qualquer necessidade ou conveniência. Numa festa, num barulho, num incêndio, na tropa, na guerra, na emigração, o Barrosão une-se aos Barrosões. Não se deixa dominar pela força.

 

São características as feições do Barrosão. Sua fácies típica nota-se e distingue-se. São diferentes do minhoto, do homem da ribeira.

 

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Cada terra tem até um tipo de pessoa diferente de todas. Dizemos: parece de Pitões, é de Parada, é de Ponteira, é de Salto, é de Solveira, é de Gralhas, etc. Até o dialecto é diferente. Vila da Ponte, Viade, Fervidelas, Reigoso, têm uma maneira de falar, diferente do resto do concelho de Montalegre e Boticas. Omitem vogais. Dizem alquere, era, fera, em vez de alqueire, eira, feira. Dizem médo, por medo, etc.. Vilar, Meixide, Soutelinho falam doutra forma.

 

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O nosso homem é bom pagador. Não vai para a cadeia por roubar. Antes por matar, que por ladrão. É honrado, afável no trato, tem espírito de sacrifício, muito grato ao mais leve favor, inteligente e capaz de ir longe se for promovido. Não se alheia da terra-mãe, adapta-se a qualquer arte ou ofício.

 

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Não podemos esquecer a maior das nossas virtudes: a hospitalidade. A comprovar podemos ver o paço de Vilar de Perdizes, hospital de peregrinos de Santiago de Compostela. As nossas portas estão sempre abertas, nem têm chaves, nem de dia, nem de noite. Se alguém bate à porta ouve logo: entre quem é. E franqueia-se tudo: a casa, a caneca do vinho, o presunto delicioso, o melhor que tenhamos é para quem nos visita. Tem razão o poeta Alexandre de Matos ao dizer:

 

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As terras de Trá-los-Montes

Inda que a vida vá torta,

Todos encontram poisada!

Passante que bate à porta

E brade rijo: — ó da casa! —

Ouve de dentro: — lá vai…

Sente gente por-se a pé,

Saltar do catre num ai,

Ir acender a candeia,

Ao fogo vivo da brasa…

Alçar a barra da tranca,

Abrir a porta com fé,

E convidar, em voz cheia,

Estremunhada, mas franca:

Faz favor… entre quem é…

 

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O homem transforma o ambiente, mas deixa-se impressionar por ele. Por isso há factores que determinam a maneira de ser do homem. Cada cultura dá o seu cunho próprio a cada ser humano. Um desses factores mais vincantes é a situação geográfica, cujos efeitos se estendem desde o carácter e temperamento frio ou quente, à maneira de viver. Estamos no cabo do mundo, entre montanhas, ásperas, íngremes, frias, altaneiras, verdejantes, ora fustigadas por maus ventos, ora cobertas do manto branco da noiva transmontana, a neve. Não é terra de trânsito. Quem aqui vem parar, deixa sinais de costumes e cultura. Estamos isolados, sem influências contrárias ao nosso modo de viver. Vivemos, séculos sós, esquecidos do mundo, sem luz, estradas, telefone. O analfabetismo aqui atingiu o maior grau, não há leitura. Não há avanço na técnica. O arado é o mesmo dos primeiros séculos.

 

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A influência geopsíquica é de ter em conta. O nosso Inverno, longo, enevoado, chuvoso, provoca em nós a morrinha, a saudade. As curvas dos nossos montes, ora altos, ora baixos, amoleceram o nosso temperamento, a nossa falta de decisão e melancolia. Dizemos quando alguém daqui vai para terras de fora: deu-lhe o estranho, a saudade, a melancolia, da ausência do nosso meio.

 

Vemos assim uma estreita intimidade do homem, com a terra em que vive.

 

O factor étnico, ou seja da origem das raças de que descendemos é também dos maiores.

 

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Não podemos esquecer as raças que nos formaram: semítica, céltica, romana, germânica, mourisca e judaica. Não há povos mistos. Os caracteres físicos e psíquicos misturam-se nos indivíduos, segundo os cruzamentos.

 

As nossas manifestações psíquicas são de temperamento ciclotérmico, a impressão funda, reacção lenta, afectação forte, naturalmente reservados. Nisto parecemo-nos aos celtas. A nossa reserva é de carácter introvertido, desconfiado, pela sua hipercrítica. Tende à concentração no interior, no seu lar, na sua aldeia, no seu país. O nosso emigrante barrosão, não se desliga da sua terra, das suas crenças, do seu feitio. Prende-o o culto dos seus entes queridos e oragos, e dum modo peculiar o sentimento da sua propriedade. É uma saudade, que faz gemer a feição dos poetas, é lírica.

 

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Vejamos a estrutura económica-social multicentenária, inalterável, em que se trabalha para viver, prós gastos e prá mortalha. Nada se vende; é tudo para a família e gado. A unidade e comunitarismo da paróquia, em que todos fazemos falta, em que todos somos parentes, da família de sangue e religião, torna-nos mais presos, uns aos outros.

 

O influxo histórico. O povo dos antepassados, é portador inconsciente dum passado não cristão.

 

Os mouros que povoaram a Península são causadores de tudo o resto de lendas e histórias que todos os povos nos legaram. Para o povo só há a história dos mouros e mouras.

 

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A cultura e estrutura eclesiástica, mais que milenária, com seu tipo medieval, monacal, gravou profundos sulcos na formação da nossa cultura popular. Por certo que lutou contra o paganismo das religiões anteriores, mas deixou entre nós o modo de viver e ser que hoje sentimos com feições cristãs. A igreja e o lar eram e foram, muitos séculos, as nossas escolas donde emanaram todos os conhecimentos adquiridos. O sermão da missa fazia competência, com supremacia, sobre o jornal, a escola, ou outra fonte. A igreja, como não podia deixar de ser, foi portadora para nós, de uma cultura centro-europeia.

 

O Renascimento veio divorciar a cultura popular, dos não estudados, da gente da aldeia, da cultura erudita. Acrescentemos a tudo isto a influência do séc. XIX, contrário a todos as tradições.

(…)

 

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E por hoje ficamos por aqui e a ver vamos se o tal post sobre o Barroso fica pronto para o próximo domingo, onde além de todos os Barrosos que descobri, há também o meu Barroso, nem que seja apenas uma versão romântica.

03
Fev20

O Barroso aqui tão perto - Pisões

Aldeia e Barragem

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O nosso destino de hoje é a aldeia de Pisões. Claro que quando falamos em Pisões, logo a primeira imagem que temos é a da barragem do Alto Rabagão, mais comummente conhecida por barragem dos Pisões. Daí, este post vai ser dedicado à aldeia, mas também um pouco à barragem. Não um post completo como inicialmente tinha pensado, mas um post como habitualmente temos vindo a fazer com as restantes aldeias de Barroso. O post completo sobre a barragem, ficará para mais tarde.

Falar sobre a aldeia dos Pisões não é coisa fácil, bem procurei documentos antigos sobre o local, mas sinceramente, os mais antigos que encontrei, referem-se todos aos finais dos anos 50 do século passado, ou seja, apenas referência aos Pisões já na era da construção da Barragem.

 

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Na ausência de documentos disponíveis e falta de tempo e meios para ter acesso a outros que me poderiam esclarecer, arrisco, e pode ser pura ignorância minha, mas tudo me leva a crer que a aldeia dos Pisões não existia antes da construção da Barragem. A verdade é que as barragens acabam por ocupar as terras mais baixas em ambas as margens dos rios, terras que geralmente são agricolamente ricas e a esses fins destinadas, erguendo-se os aldeamentos em terras mais altas. Encontrei no entanto, na monografia de “Barroso” e na “Toponímia de Barroso” dados que parecem corroborar esta minha afirmação, quando lá se refere “ (…)as gigantescas albufeiras ocuparam alguns dos nossos melhores vales de cultivo e de forragens (…)”  E “(…) Agora chama-se Pisões por influência dos muitos trabalhadores de fora parte que ao local se dirigiram e aqui residiram por vários anos na construção da barragem. Para os barrosões sempre foi apenas Pisão.”

 

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Ora de Pisões para Pisão a diferença é enorme, quando muito, o Pisão teria uma ou duas construções destinadas, tal como o nome indica, a ter um pisão, que esses sim, tal como os moinhos de água, também se localizavam junto a rios e ribeiros para o funcionamento do pisão. Mas também se pode dar o caso de ser uma pequena aldeia, pelo menos, nas minhas pesquisas tropecei com uma pequena aldeia cujo topónimo é Pisão, mais propriamente a aldeia de Pisão, do concelho de São Pedro do Sul, distrito de Viseu. Mas não me parece que tal acontecesse neste pisão do rio Rabagão.

 

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Partindo então desse princípio de que a aldeia dos Pisões nasce com a construção da barragem, podemos dizer que é uma aldeia sem história antiga, pois a sua história é bem recente, começando em 1958, data em que é projetada a Barragem do Alto Rabagão. Aliás mesmo que tivesse existido uma aldeia antiga, a mesma deixou de existir. De facto,  aldeia dos Pisões de hoje, é a que resultou da construção da barragem, parte do seu casario ainda hoje existente, foi aquele que foi construído para albergar alguns dos 15.000 trabalhadores que durante 8 anos andaram na construção da barragem, altura em que na prática existiu uma pequena cidade de apoio, com residências dos trabalhadores mas também muitos outros edifícios de apoio a essa mesma população laboral mas também para os seus familiares, como escola, hospital, igreja, lojas de venda, laboratórios, armazéns, etc., o típico num estaleiro de uma construção da envergadura destas, como o foi a Barragem dos Pisões (a maior barragem portuguesa até aparecer a de Alqueva), mas  também equipamentos para diversão, como  bares e um cinema.

 

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Pois dessas construções apenas as residências dos trabalhadores das duas classes que por lá se estabeleceram resistiram até hoje, por um lado todo o pessoal operário que ocupou construções mais humildes, construídas do lado inferior da EN 103, por outro lado, os engenheiros, doutores e chefias, em moradias construídas no lado superior da EN103, onde foi também construída uma estalagem ainda hoje existente.

 

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Antes de avançar acho que devo deixar aqui uma pequena nota explicativa, aliás é uma nota que há muito, talvez desde o início da feitura destes posts dedicados às aldeias de Barroso, que deveria ter deixado aqui. Como bem poderão reparar durante o decorrer deste post, desta parte de cima da aldeia que atrás mencionava, a das vivendas para pessoal que trabalhou na barragem, não deixo aqui qualquer imagem, tal como nas restantes aldeias de Barroso não deixo imagens das construções e bairros recentes, e porquê!? Ora a resposta é simples, é que esse tipo de construções são iguais ou muito semelhantes às construções que há por todo o lado, tanto faz serem do Barroso, como do Douro, como do litoral, como do Alentejo ou em cascos de rolha, ou seja, não são características de uma região, neste caso do Barroso e daí desinteressantes para este tipo de publicações. Vou mais pelas construções típicas da região, que mesmo remodeladas ou reconstruídas, mantêm algumas das suas características originais, ou são mesmo originais e únicas, que só nessa região existem, no caso do Barroso, acontece por exemplo com os fornos do povo ou a casa do boi do povo no Alto Barroso, tal como acontece com a capa de burel no vestuário.  

 

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Deixo, no entanto, em imagem, as habitações mais humildes que eram destinadas ao pessoal operário, embora da mesma época das vivendas e não seguindo, ou não tendo as características das construções tradicionais do Barroso, não deixam de ser interessantes do ponto de vista arquitetónico, pelo menos no seu conjunto, nestas soluções que se encontravam de em pouco espaço conseguirem fazer habitações, garantindo condições mínimas de habitabilidade, apenas as necessárias ou nem isso. Basta dizer que uma vivenda da parte superior da estrada, está implantada num lote de terreno com mais ou menos 1000m², área que na parte inferior da estrada é ocupada por 6 habitações.

 

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Hoje em dia, para além dessas construções atrás referidas e algumas instalações ligadas ao funcionamento da barragem, apenas existem algumas ruinas, poucas, dispersas pelo espaço da “pequena cidade” que por lá existiu, tal como testemunham as fotografias seguintes que consegui extrair de um filme da época:

 

 

Assim pouco ou mais nada há a dizer sobre a aldeia dos Pisões, apenas referir que existe uma nova aldeia, com ambas as partes (a de cima e a de baixo da EN103) ainda habitadas, não sei se por pessoas que trabalham na barragem e se, e mesmo, por antigos trabalhadores do tempo da construção da barragem, ou seus descendentes, não sei.

 

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 Quanto à barragem do Alto Rabagão ou se preferirem, dos Pisões, foi projetada em 1958 e concluída/inaugurada em 1964, foi o primeiro aproveitamento construído em Portugal com o objetivo principal de regularização interanulai, represando água em anos húmidos, para aproveitá-la na produção de energia em anos secos.

Esta barragem foi também a primeira a ser dotada com equipamento de bombagem (grupos ternários, turbina-alternador-bomba), destinado a elevar, para a sua albufeira, água da albufeira de Venda Nova, localizada imediatamente a jusante e que já estava em funcionamento desde 1951.

 

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A barragem do Alto Rabagão localiza-se na bacia hidrográfica do rio Cávado sendo uma das oito barragens que constituem o sistema hidroelétrico Cávado-Rabagão-Homem. Este sistema é constituído pelas seguintes barragens: Alto Rabagão, Alto Cávado, Paradela, Venda Nova, Salamonde, Caniçada, Vilarinho das Furnas e Penide – situadas nos rios Cávado, Rabagão e Homem. As albufeiras que alimentam as centrais do sistema têm uma capacidade de armazenamento total de 1 121 hm3 , dos quais 65% correspondem à albufeira do Alto Rabagão.

 

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A albufeira do Alto Rabagão, tem 94m de altura, apresenta um comprimento de cerca de 10 km, e uma largura que varia entre os 2 e os 4km, mais de 50km de perímetro e inunda uma área de 2 224 ha, ao Nível de Pleno Armazenamento (NPA), que é de 870.8 m, e tem uma capacidade total de armazenamento de 568.7 hm3 .

 

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Na página do município da Internet, podemos ler o seguinte (as notas de rodapé são nossas)

 

(…) Uma obra classificada como uma das mais notáveis da engenharia nacional. O presidente da Câmara Municipal de Montalegre lembra que estamos perante um investimento que foi «planeado e pensado por técnicos nacionais». Orlando Alves afirma: «foi durante muitos anos a maior barragem do país. Só recentemente fomos superados pela barragem do Alqueva e não temos complexo nenhum em ser a segunda porque durante muitos anos fomos a primeira».

 

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E continua:

A história relata que 15.000 pessoas trabalharam em torno da construção da barragem dos Pisões. Um número gigantesco[i] que impressiona e que serve para avaliar o impacto que este investimento representou para Portugal[ii]. O autarca lembra que estamos perante um «potencial hidráulico e energético que a região tem e que foi sabiamente explorado pela EDP».

Sem se deter, o presidente do município puxa pela memória para partilhar: «lembro-me da construção da barragem dos Pisões e do impacto social que teve. Era uma pequena cidade, tinha tudo: cinema, igreja, hospital, médicos, diversão e muita animação». Foi, reforça, «um dos momentos mais ricos da vida recreativa e social em todo o território barrosão».

 

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E continua:

PEDIDOS DO PRESIDENTE

Orlando Alves aproveitou a efeméride para lançar alguns pedidos à EDP: «o reposicionamento da brigada de intervenção que sempre aqui existiu... não faz sentido nenhum retirá-la porque isso atrasa as intervenções, deixando as nossas populações por vezes dias e dias sem eletricidade. Um outro pedido foi refazer-se um ou dois pisões em Montalegre. Trata-se de um equipamento pré-industrial que existia, de trabalhar o burel, esse elemento toponímico que deu o nome à terra. Faria todo o sentido a EDP ver a sua dinâmica interventiva ligada á recuperação deste património tão identitário da nossa terra».[iii]

 

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No que respeita à obra, continua assim: 

O aproveitamento hidroelétrico do Alto Rabagão é formado pela pequena barragem do Alto Cávado[iv], localizada na parte alta do rio Cávado, e pela barragem do Alto Rabagão, localizada no seu afluente da margem esquerda, o rio Rabagão. Com nascente entre as serras do Barroso e do Larouco, atravessa todo o concelho de Montalegre ao longo de 37 quilómetros. O corpo da barragem do Alto Rabagão, também conhecida por Pisões, possui secções distintas, uma no centro, com uma cúpula parabólica assimétrica, e duas laterais, em perfil gravidade, desenvolvendo-se ainda com um coroamento de 1.970 metros e uma altura máxima de 94 metros.

 

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E continua:

A pequena barragem do Alto Cávado, do tipo gravidade, com 26 metros de altura e um coroamento de 220 metros, origina uma albufeira de derivação, que encaminha os caudais do rio, através de um túnel de 5km, para a grande albufeira do Alto Rabagão. Em situação de afluências de maior intensidade, o seu descarregador, em lâmina livre, permite uma passagem do caudal diretamente para o rio Cávado. Junto à barragem principal encontra-se a central subterrânea, que comporta os dois grupos turbina-alternador-bomba, verticais, de 45 MVA cada. [v]

 

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E ainda:

As bombas são acopláveis aos veios dos grupos, por meio de um dispositivo tipo embraiagem, e possibilitam a bombagem da água da albufeira de Venda Nova para a do Alto Rabagão. O edifício de comando estabelece a comunicação com a central através de um poço com 130 metros de profundidade. Adjacente a este edifício localiza-se a subestação exterior, com dois transformadores principais de 45 MVA cada e uma linha de 150 KV sobre o barramento simples, a qual permite a entrega à rede da energia produzida.

 

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Ainda a respeito da Barragem do Alto Rabagão ou Pisões, para ficarmos com uma pequena noção ou referência da sua dimensão, há a referir que confronta com 5 freguesias (Chã, Cervos, Morgade, Negrões e Viade de Baixo/Fervidelas) e com  13 aldeias: Chã/S.Vicente, Aldeia Nova, Criande, Morgade, Negrões, Vilarinho de Negrões, Lama da Missa, Pisões, Friães, Viade de Baixo, Parafita, Penedones e Travassos da Chã. Destas as que entram quase pela barragem adento quando a barragem está no seu limite de capacidade são Criande e Morgade, Negrões e Vilarinho de Negrões, nesta última aldeia, a água da barragem chega mesmo a tocar em algumas casas.

 

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Vamos agora àquilo que se diz sobre os Pisões na monografia  “Montalegre”. As notas de rodapé continuam a ser nossas.

 

Ainda antes de passarmos às transcrições, ficámos também a saber pela monografia da existência de um castro numa das elevações que emerge logo após a barragem sem as águas o atingirem, onde existem ainda vestígios de construções, trata-se do castro de S.Vicente.

 

Agora sim, as citações da monografia “Montalegre” a respeito da aldeia e da barragem:

Para além do Parque Nacional a natureza continua presente em Barroso. Nos grandes planaltos nascem os rios, como é o caso: na segunda maior serra nacional – o Larouco, nasce o segundo maior rio nacional – o Cávado; ali bem perto nasce o Regavão[vi] e logo ao lado o Beça – três rios extremamente ricos que a administração pública alienou prejudicando os montalegrenses: neles se fizeram enormes barragens para fornecer energia aos grandes centros e às zonas industrializadas mas o fornecimento de energia que nos reservaram é deplorável; depois, via Serviços Florestais e Aquícolas, lançaram nas nossas águas espécies assassinas de peixes que levaram à extinção os maravilhosos e incomparáveis escalos e trutas indígenas; as gigantescas albufeiras ocuparam alguns dos nossos melhores vales de cultivo e de forragens. Enquanto isso, o barrosão emigra…e “come o pão que o diabo amassou pelo mundo além”! Agora vem aí outra “agressão” se os homens bons desta terra (a começar pelo Presidente da Câmara) se não acautelarem!...A mãe de todas as barragens barrosãs – a Barragem de Pisões – vai dar água a metade do distrito de Vila Real! Primeiro ficámos sem os campos, agora pagamos a energia (fraca e incerta) tão cara como os mais e, mais tarde, nem campos, nem peixes, nem água!!! A ver vamos!

 

1600-pisoes (24)

 

E continua:

O granito de cada zona (a carta geológica refere como principais tipos o de Montalegre - Pondras-Borralha, o de Vila da Ponte, o de Parada, o de Pisões, o de Telhado, e o granitoide de Seselhe) era o material de construção por excelência. Os telhados tanto podiam e podem ser de duas como de quatro águas. Mais de duas, geralmente com guarda-ventos. Hoje a cobertura é de telha; aliás, o colmo, no acto das debulhas que hoje se praticam, não sai em tão boas condições de ser utilizado como era antigamente.

 

1600-pisoes (157)

 

E continua:

Talvez nenhuma outra região europeia tenha tão perto e tão diferentes seis barragens à sua espera: Salamonde, Venda Nova, Paradela, Salas (Tourém), Seselhe e Pisões.Se é adepto das aventuras aéreas, procure a Papa-Ventos, associação que o acompanhará numas manobras de parapente ou asa-delta; se prefere as adrenalinas do pedal, coma bem para tentar fazer subidas iguais às da Torre ou da Senhora da Graça; se gosta do pedal das viaturas apareça nas manifestações de velocidade no nosso Autódromo; se quer paz no espírito e deliciar os olhos e o corpo todo, dê um mergulho nas piscinas naturais da Abelheira, no Parque Nacional.

 

1600-barroso XXI (154)

 

E ainda:

Há ainda pequenas associações culturais em vários pontos que são dignas de referência: a Borda de Água, em Salto, os Amigos das Barragens, em Pisões, e os centros paroquiais de Viade e Vila da Ponte com pequenos museus locais. Neste último há ou havia uma colecção de peças de trajo de finíssimo recorte e que merecia a atenção da administração pública pelo valor histórico, etnográfico e folclórico que carrega.

 

1600-pisoes (351)

 

Vamos agora à Toponímia de Barroso:

 

Pisão / Pisões

Do latino Pisone. Claro que não recuamos até esta forma que também foi antropónimo. No nosso caso é o maquinismo de pisar a lã na tecelagem artesanal e,  por sinal, arte antiquíssima. Pela forma intermédia pison, chegámos ao frequentativo pisoar, quando não apisoar, como o povo dizia. Agora chama-se Pisões por influência dos muitos trabalhadores de fora parte que ao local se dirigiram e aqui residiram por vários anos na construção da barragem. Para os barrosões sempre foi apenas Pisão.

 

1600-criande-pisoes (27)

 

E estamos a caminhar para o final deste post, mas ainda há tempo para deixarmos aqui o nosso itinerário para chegar à Barragem e aldeia dos Pisões, quase desnecessário, pois bastaria indicar-vos a estrada nacional 103 ou, se preferirem, a estrada de Braga até encontrarem a barragem. Ninguém, na passagem por ela lhe fica indiferente, graças à sua dimensão e companhia durante mais de 10 km. Pois bastava dizer – sigam pela EN103 até encontrarem a barragem, depois basta seguir sempre junto a ela até terminar e aí estarão na aldeia dos Pisões. Bastaria isso e é mesmo apenas isso que aqui vai ficar, bem como o nosso mapa.

 

1600-mapa-pisoes.jpg

 

Claro que quem quiser tornar mais interessante esta pequena viagem, poderá tomar outros itinerários, um deles via São Caetano, Soutelinho da Raia, Serraquinhos, Zebral, Barracão e outro via Boticas, Alturas do Barroso. Mais ainda, e tomando o primeiro itinerário por nós recomendado, poderá no Barracão, optar por abandonar a EN103 e ir até à aldeia dos Pisões via Criande, Morgade, Negrões, Vilarinho de Negrões, Lama da Missa. Aliás recomendo mesmo que se forem sempre pela EN103 até à aldeia dos Pisões, ou seja pela margem direita da barragem, no regresso, o façam pela margem esquerda, atravessando na ordem inversa as últimas aldeias atrás mencionadas. Vale a pena conhecer esse troço e passarão por uma das aldeias que foi candidata às maravilhas de Portugal - Vilarinho de Negrões.  

 

1600-pisoes (241)

 

E por último o vídeo do costume, com todas as fotografias da aldeia dos Pisões publicadas neste blog até à presente data, mas hoje, além das fotografias da aldeia, temos também fotografias da barragem e das aldeias implantadas à volta da barragem. Espero que gostem.

 

 

BIBLIOGRAFIA

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

WEBGRAFIA

http://www.cm-montalegre.pt/

 

_______________________________________________________________________________________________________________________

[i] Um número gigantesco que ultrapassa a população atual do concelho de Montalegre que segundo os CENSOS de 2011 apenas tem 10 537 habitantes.

[ii] Impacto muito mais notório no concelho de Montalegre, principalmente ao nível de aumento da população durante os anos de construção da barragem.

[iii] Um pedido que faz todo o sentido e que bem poderia ser alargado ao tratamento e manutenção de todo o espaço ocupado por anteriores construções de apoio e estaleiro, onde inclusive há lixeiras a céu aberto e na demolição e remoção de escombros de alguns edifícios que por lá ainda existem em ruínas, ou então a sua reconstrução e aproveitamento para fazer, por exemplo, um museu da barragem. Com o preço a que nos vendem a eletricidade, bem poderiam largar algum, para além de “ficarem bem na fotografia”.

[iv] Suponho que seja aquela a que chamamos barragem ou albufeira de Sezelhe, localizada à aldeia com o mesmo nome, outra não poderá ser.

[v] Diz que conhece que por baixo destas barragens existe todo um mundo subterrâneo, incluindo estrada de ligação.

[vi] Para constar e salientar que não há erro nosso quando no post referimos rio Rabagão e barragem do Alto Rabagão, é assim que oficialmente se deve escrever. O autor da monografia “Montalegre” que por sinal também é o autor da “Toponímia de Barroso” é que insiste, em ambas as publicações, grafar nos seus escritos Regavão  em vez de Rabagão.

 

 

 

 

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