Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Out20

O Barroso aqui tão perto - Nogueiró c/vídeo

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

1600-nogeiro (1)-VIDEO

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Nogueiró, do Barroso de Montalegre.

 

1600-nogeiro (8)-video

1600-nogeiro (5)-video

1600-nogeiro (33)-video

 

Como vem sendo habitual aproveitamos também esta oportunidade para deixar aqui mais algumas imagens que escaparam à seleção que fizemos para o post que dedicámos à aldeia, para o qual fica link no final deste post.

 

1600-nogeiro (28)-video

1600-nogeiro (47)-video

1600-nogeiro (44)-video

 

Nogueiró fica na encosta da Serra do Facho, mesmo lá em cima onde a montanha deixa a vertente virada a nascente para descair para poente, ou seja deixa as vistas lançadas para a Serra do Barroso e vira-se para a serra do Gerês.

 

1600-nogeiro (37)-video

1600-nogeiro (18)-video

1600-nogeiro (13)-video

 

É graças a esta localização que desde a estrada e ponto mais alto de Nogueiró é um autêntico miradouro, quer para a Serra do Gerês, quer mais até terras do concelho de Vieira do Minho, cujas primeiras aldeias confrontantes com o concelho de Montalegre são ainda pertença do Barroso.

 

1600-nogeiro (10)-video

1600-desde-noguiro (17)-video

1600-desde-noguiro (16)-video

 

Já para Norte, as vistas são mais contidas, chegam até Xertelo e não vai mais além por causa da imponência da Serra do Gerês, que vista assim tão rochosa e escarpada chega a assustar, embora depois entrando nela, onde ela deixa, até se torna simpática e acolhedora, isto se por cima tiver o céu azul com o sol a brilhar… Mas hoje estamos aqui pelo vídeo, pois tudo que tínhamos a dizer sobre a aldeia, já o dissemos no post que em tempo lhe dedicámos.

 

1600-stamarinha-viveir-ferral-desde-noguiro (2)-video

1600-desde-noguiro (27)-video

1600-xertelo-desde-noguiro (15)-video

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia das Nogueiró que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e agora também o podem ver no MEO KANAL nº 895 607, este e outros vídeos do Barroso e não só.

 

Aqui fica:

 

 

 

Link para o post do blog Chaves dedicado à aldeia de Nogueiró:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

E quanto a aldeias de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Ormeche.

 

 

02
Out20

O Barroso aqui tão perto - Mourilhe

Aldeias do Barroso - Concelho de Montalegre

1600-mourilhe (57)-video

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Mourilhe, Montalegre.

 

1600-mourilhe (1)-video

1600-mourilhe (67)-video

1600-mourilhe (62)-video

 

Como vem sendo habitual, aproveitamos esta ocasião para deixar aqui mais algumas imagens da aldeia que escaparam à anterior seleção.

 

1600-mourilhe (61)-video

1600-mourilhe (29)-video

1600-mourilhe (9)-video

 

Mourilhe que é uma das aldeias da periferia da sede do concelho, Montalegre.

 

1600-mourilhe (7)-video

1600-p-fontes-mouri (171)-video

 

Mas hoje não estamos aqui para falarmos de Mourilhe, isso, já o fizemos no post que lhe dedicámos (com link no final). Hoje é mesmo pelo vídeo, onde poderá ver todas as imagens da aldeia publicadas até hoje neste blog.

 

Aqui fica, espero que gostem:

 

 

Agora tabém pode ver este e outros vídeos no MEO KANAl nº 895 607

Link para o post de Mourilhe:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Negrões.

 

 

27
Set20

O Barroso aqui tão perto - Ardãos

Aldeias de Barroso - Concelho de Boticas

1600-ardaos (19)

1600-cabecalho-boticas

 

O nosso destino de hoje no Barroso aqui tão perto é para a aldeia de Ardãos, uma das aldeias que fica no limite do concelho de Boticas, que confronta com o concelho de Chaves, e que a par da aldeia de Sapelos, são as aldeias de Boticas mais próximas da cidade de Chaves. E com Ardãos iniciamos também hoje um périplo pelas aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela.

 

1600-ardaos (17)

 

Ardãos que já foi pertença do concelho de Chaves. Acontece que o concelho de Boticas foi criado em 1836, recebendo as suas freguesias do concelho de Montalegre. Apenas as freguesias Anelhe e Ardãos transitaram do concelho de Chaves. (Ambas pertenceram anteriormente ao Julgado de Barroso conforme se verifica nas Inquirições afonsinas de 1258 referentes àquele Julgado). Em 1855, Anelhe regressa ao concelho de Chaves, mas Ardãos manteve-se em Boticas.

 

1600-ardaos (35)

 

Esta de Ardãos ter pertencido a Chaves é apenas uma curiosidade do tempo em que os concelhos e freguesias davam origem a novos concelhos e freguesias, ao contrário de hoje em que a tendência é a de unir freguesias, tal como aconteceu na última reorganização administrativa  de 2013 em que Ardãos é de novo protagonista ao ver-se unida à freguesia vizinha de Bobadela, sendo hoje a freguesia de Ardãos e Bobadela do concelho de Boticas, para já, pois cheira-me que mais cedo do que aquilo que se possa pensar, teremos aí uma nova reorganização administrativa envolvendo também concelhos e não apenas freguesias tal como aconteceu em 2013, reorganização feita apenas para “inglês ver”.

 

1600-sra-neves (63)

 

Então iniciemos pela localização e itinerário até Ardãos, que por ser tão perto e fácil, até dispensamos o nosso segundo mapa assinalando os pontos de passagem mais importantes. Ardãos fica a apenas 15,1km da cidade de Chaves e o melhor acesso, mais curto e mais rápido para lá chegar é via Seara Velha, saindo de Chaves por Casas dos Montes, Valdanta, Soutelo, Seara Velha e quase logo a seguir, teremos Ardãos. Fica o nosso mapa com a localização.

 

mapa ardaos.jpg

1600-ardaos (1)

 

O quase a seguir do parágrafo anterior tem a ver com uma paragem obrigatória que temos de fazer antes de entrar na aldeia de Ardãos, pois mais ou menos entre Seara Velha e Ardãos temos de visitar o Santuário de N.ª Sr.ª  das Neves, não só pela sua beleza mas também pela paz e harmonia que o local inspira, basta estar lá para se estar bem, pelo menos comigo foi assim. Mas também porque pelo caminho temos outros símbolos, não só religiosos, mas também culturais, por serem traços da cultura portuguesa – alminhas e cruzeiros. Digamos que para quem vai a Ardãos desde Chaves, pelo aperitivo, a aldeia promete.

 

1600-ardaos (22-28)

 

Depois de se demorar o tempo que tiver a demorar no Santuário de N.ª Sr.ª das Neves, sigamos então para Ardãos. Então logo após retomarmos a estrada entre Seara Velha e Ardãos, a menos de 1,5km teremos de atravessar a ponte sobre o rio Terva, um afluente do rio Tâmega. O rio Terva que nasce no concelho de Chaves, nas proximidades de Calvão, que atravessa o concelho de Boticas e desagua no Tâmega já no concelho de Vila Pouca de Aguiar. Embora passe em três concelhos, é um pequeno rio com uma extensão de apenas  23km, mas o suficiente para, segundo os pescadores especialistas, se pescarem por lá boas trutas, só têm é de ter sorte em encontrar os troços do rio onde as há, e este fenómeno já há muito que é conhecido, pelo menos já era referido nas Memórias Paroquias de 1758… mas sobre este assunto de haver trutas só em alguns troços do rio, nem há como ler um texto que José Carlos Barros deixou neste blog em setembro de 2014, um delicioso e divertido texto sobre as mesmas, fica aqui: As Trutas do rio Terva em 1758  

 

1600-sra-neves (42)

 

Atravessado o rio Terva entramos em Ardãos, pois logo a seguir ao rio começam a aparecer as construções mais recentes a anunciar o casco velho da aldeia, por sinal de povoamento bem concentrado, com um largo logo no início da aldeia aonde convergem vários arruamentos da mesma. Mais lá para dentro, quase no centro da aldeia, um outro largo, de menores dimensões, aliás muito mais pequeno, mas onde me parece ser, ou ter sido, o coração da aldeia, pois é nele que está o forno do povo, uma fonte de mergulho um grande tanque bebedouro e um dos dois cruzeiros que vi na aldeia. Um largo bem interessante por sinal.

 

1600-ardaos (129)

 

Foi precisamente neste largo que encontrámos fortuitamente o nosso cicerone para o resto da visita à aldeia, o Sr. Baia Valença, que nos mostrou o resto da aldeia enquanto nos dizia: “- Antes de ter tido duas tromboses, escrevia e lia muito, agora já estou a enrolar, mas eu tenho isto tudo estudado”.  A manhã estava fria, aliás estávamos a meados de janeiro do passado ano de 2018, no tempo daquele frio mesmo frio de cortar, o Sr. Baia, protegia a cabeça com um daqueles bonés com proteção para as orelhas, as mãos eram protegidas com um par de meias de lã, enquanto do seu discurso fluíam ensinamentos sobre o universo, a ecologia e a ciência em geral, contrariando mesmo a Lei de Conservação das Massas do francês Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794), que ficou mundialmente conhecida como a Lei de Lavoisier que vulgarmente aprendemos como “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. No entanto o Sr. Baia Valença deixou-me a pensar com a sua teoria, a sua Lei, muito mais breve que a de Lavoisier em que contraria a sua primeira parte, e eu hoje não sei a quem dar razão, se ao Lavoisier, se ao Sr. Baia ou a ambos, mesmo com uma contradição pelo meio. Pois segundo o Sr. Baia Valença: “ O Sol é como um pai a alimentar a família, é ele que alimenta a vida na terra. Cá em baixo tudo se cria e transforma”.

 

1600-ardaos (134)

 

Ardãos é uma das aldeias que calha muitas vezes nos nossos itinerários do Barroso, por onde passamos amiúde, quer para entrarmos ou sairmos no Barroso, quer venhamos ou vamos para Boticas ou Montalegre, num dos sentidos, fazemo-lo via Ardãos, mas uma coisa é parar e outra é entrar dentro da aldeia, na sua intimidade, pois na passagem apenas nos fica na memória o grande largo da entrada e a restante estrada que não é mais que uma variante à aldeia, que passa à beira dela.

 

1600-ardaos (217)

 

Se entramos na sua intimidade, no seu casco histórico e coração, começamos logo a surpreender-nos, nem o frio daquela manhã de inverno de janeiro, com a temperatura a rondar os zero graus nos fez interromper as conversas e o tomar de fotografias, que segundo o registo das mesmas, foi feito num período que ultrapassou as duas horas, mas valeu a pena, e só temos, também pena, de não podermos deixar aqui todas as imagens, mesmo assim, hoje excedemos um pouco aquilo que vem sendo habitual. E sobre a aldeia e os nossos registos pessoais, nada mais dizemos, passemos agora à documentação, que neste caso de Ardãos e as restantes aldeias localizadas no vale superior do rio Terva, até há, ia dizer em demasia, mas se a informação é de qualidade, nunca é em demasia, digamos antes que há muita, desde teses de mestrado e doutoramento a outros documentos mais antigos, não fosse este vale superior do Terva rico em ouro, onde os romanos exploraram várias minas.

 

1600-ardaos (147)

 

Passemos então à leitura e transcrição de algum do conteúdo de um dos cadernos que a C.M.de Boticas publicou a cada freguesia com a “Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas”, neste caso com o caderno da antiga freguesia de Ardãos.

 

1600-ardaos (32)

 

Saliente-se que a publicação atrás referida é do ano de 2006,  pelo que é natural que alguma da informação esteja desatualizada, nomeadamente no que diz respeito ao número de habitantes, estabelecimentos, associações existentes e outros existentes na altura, pelo que, nalguns casos, entre [ ] deixamos alguns apontamentos nossos.

 

1600-ardaos (82)

 

A freguesia de Ardãos fica na par­te mais a nordeste do concelho de Boticas. Confronta com várias freguesias: a Norte Sarraquinhos e Meixide, ambas do concelho de Monta­legre, a Este Seara Velha e Redondelo, ambas do concelho de Chaves, a Sul Bobadela e Sapiãos e a Oeste Cervos, do concelho de Montalegre. Dista da sede do concelho aproximadamente 10 km. O acesso viário [a partir de Boticas],  faz-se seguindo pela EN 312. Em Sapiãos segue-se pela EN 103 na direcção Chaves. Virando depois em direcção a Bobadela, percorre-se a EM 527 até Ardãos. A aldeia de Ardãos, (…), encontra­-se disposta num vale. Protegida a toda a volta por serras e montes, os seus pas­tos e campos de cultivo estendem-se por uma vasta zona plana e fértil, povoada de várias ribeiras. A [antiga] freguesia [de Ardãos] ocupa uma área total de 22,4 Km2.

 

1600-ardaos (204)

 

O desenvolvimento da população (…) [da antiga] freguesia de Ardãos acompanha o movimento demográfico que caracteriza toda a região de montanha no Norte de Portugal, tipifi­cada por uma diminuição progressiva da população, com uma pirâmide etária in­vertida, onde os grupos etários mais bai­xos são diminutos e a população enve­lhecida aumenta.

 

1600-ardaos (121)

 

Actualmente [em 2006], tem aproximadamente 311 habitantes. Se da década de 60 até á de 70 a população residente não registou grandes oscilações, a partir dos anos 70, esta freguesia, à semelhança do que se verifica na generalidade das freguesias do concelho, perdeu muita da sua população residente, aproximadamente 60%. Este gradual decréscimo da população deve-se essencialmente à intensificação do êxodo populacional que a partir de então se verificou. Muitos foram os que partiram para o estrangeiro, para países como Brasil, Estados Unidos da América, França, Luxemburgo e Suíça, e para outras regiões do país, em busca de melhores condições de vida.

 

1600-ardaos (107)

 

(E)migrar continua a ser uma opção para a popula­ção mais jovem dada a limitação local de ofertas de emprego. Note-se que em 1758 (…) a freguesia de Ardãos tinha 309 pessoas, e em 1796 tinha um aumento aproxima­do de 50%, perfazendo um total de 470 pessoas", mesmo assim muito distante dos valores populacionais de 1960, altura em que atingiu o máximo de população. Depois disso tem vindo a diminuir gradualmente, atingindo valores muito próximos daqueles que Ardãos tinha nos inícios do século XVI, em 1527, cujo nú­mero de moradores cabeça de casal era de 48, o que em habitantes dá um valor aproximado de 200 indivíduos[i].

 

Ardãos é hoje [2006] habitada por uma população marcadamente envelhecida, da qual apenas um quinto tem menos de 25 anos.

 

1600-ardaos (55)

 

Os níveis de alfabetização desta população residente são baixos, acompanhando o seu nível de envelhecimento, destacando-se o número elevado de pessoas sem nenhuma qualificação académica. Esta situação excepcional é suportada pelo elevado número de idosos, alguns deles regressados da emigração, em situação de aposentados.

 

No que se refere à área de actividade, a maior parte da população local continua a dedicar-se à agricultura, essencialmente de subsistência, e á pecuária. Alguns trabalham na construção civil e no pequeno comércio e outros na área dos serviços em instituições do concelho (Município de Boticas, Santa Casa da Misericórdia de Boticas, etc.) e nos concelhos vizinhos, especialmente em Chaves.

 

1600-ardaos (104)

 

Na aldeia há um café e mini mercado com um pequeno salão de jogos onde os mais jovens se distraem. A sede da Junta de Freguesia também tem um bar que está a ser explorado pela Associação Recreativa e Cultural de Ardãos e abre aos Sábados à tarde e Domingos para os sócios. Além do bar, o edifício possui também um salão que pode ser utilizado pela população para os mais diversos fins. Nas horas de ócio e sempre que o tempo permite vêem-se pessoas nos largos da aldeia a conversar.

 

Em termos associativos, em Ardãos existe a Associação Recreativa e Cultural de Ardãos e um Agrupamento de Escuteiros do Corpo Nacional de Escutas, Agrupamento 1196 — Ardãos.

 

No primeiro sábado de cada mês realiza-se uma feira na aldeia.

 

1600-ardaos (101)

 

MARCAS DO PASSADO

Não é fácil conhecer o dia primeiro da origem da maioria das paróquias e freguesias. Excluindo uma ou outra que vem identificada nos documentos antigos, a maioria das aldeias têm origem desconhecida no tempo. Umas mais antigas, outras de origem mais recente, sabe-se que a maioria destas aldeias são formadas a partir do agrupamento de famílias unidas por laços de parentesco ou afinidades económicas e profissionais que se organizaram em comunidade. Muitas das aldeias de Barroso têm a sua origem histórica no movimento de reconquista e povoamento do território iniciado com a formação do Reino de Portugal em 1143 e posterior fixação de uma ou mais famílias de povoadores.

 

1600-ardaos (86-89)

 

Teve particular desenvolvimento a partir do século XIII. Estes povoadores eram atraídos por contratos de aforamento de terras incultas que se comprometiam a trabalhar e a fazer produzir, assim como a povoar e defender. Em troca pagavam o foro em géneros produzidos na terra: cereal, galinhas, ovos, carneiros, peças de porco. Estes contratos são conhecidos como o processo de enfiteuse e eram promovidos indistintamente pela Coroa e/ou pelas Casas Nobres e Senhorios Eclesiásticos. Em Ardãos já a presença humana se fazia sentir no tempo da ocupação romana, muitos séculos antes da fundação de Portugal. Não podemos é afirmar a existência de uma povoação organizada. Pelo menos os vestígios arqueológicos indicam que foi couto mineiro dos romanos, que estes exploraram a céu aberto, como o testemunham as lagoas antigas que ai existiam e sempre se afirmou serem feitas para exploração de metal no tempo dos romanos[ii]. Entretanto, com as invasões dos povos germânicos grande parte destas terras estavam desertas, vindo a ser ocupadas pelos portugueses, então liderados pelos reis da primeira dinastia, através de movimentos de povoamento.

 

1600-ardaos (80)

 

São conhecidos alguns contratos de enfiteuse para as terras de Barroso, que nos permitem pensar que a grande maioria das suas aldeias e povoados tiveram origem neste modo de povoamento[iii]. Alguns contratos de aforamento são disso testemunho, como é o caso do aforamento da "Póvoa" de Lavradas, feito nos finais do século XIII (1288 da era cristã), no tempo do Rei D. Dinis e que, tudo o indica, está na origem da actual aldeia de Lavradas".

 

1600-ardaos (74)

 

De facto, por este documento fundador de Lavradas verifica-se que foi terra ocupada, a partir de uma carta de aforamento passada pelo Rei de Portugal, por um conjunto de povoadores que, com suas mulheres, receberam autorização de Sua Majestade para formarem 11 casais (propriedades agrícolas) que deveriam povoar, lavrar e frutificar a troco de um foro (renda) traduzido em dois maravedis e dois alqueires de pão (um de milho outro de centeio) por casal, que deveriam pagar pelo S. Martinho. A freguesia de Ardãos terá tido a sua origem neste movimento povoador. Em 1527 aparece já bem consolidada no "Numeramento" mandado fazer por D. João III, com uma população composta por 48 moradores ou cabeças de casal que daria um número aproximado de 200 habitantes.

 

1600-ardaos (69)

 

OS CASTROS DE ARDÃOS

No território da freguesia de Ardãos encontram-se identificados variados vestígios de povoados fortificados, localizados nos montes à volta da aldeia. Os principais vestígios castrejos identificados são: o Castro de Malhó, o Castro da Gorda e o Castro do Muro ou Cunhas. Existem também no termo desta freguesia os vestígios da cidade de Batocas e as respectivas minas, onde em tempos idos se fazia exploração mineira.

 

1600-ardaos (54)

 

UM DOCUMENTO DE 1758

No ano de 1758, o Rei D. José, através do seu ministro Marquês de Pombal, desenvolveu um inquérito a todas as paróquias do Reino de Portugal continental que hoje se encontram no IAN/TT.

 

Este inquérito, que foi respondido pelos párocos das freguesias, era composto de três partes: a primeira respeitante à paróquia onde se tratava de saber da sua história, produções agrícolas, população, instituições locais, igreja e capelas com suas devoções e romagens; a segunda tratava da serra e das suas características, se tinha lagoas e nascentes, monumentos, capelas, caça e árvores e a terceira perguntava sobre os rios e ribeiros que nela existissem, assim como das levadas, represas, moinhos, pisões e culturas nas suas margens.

 

1600-ardaos (67)

 

É graças a este inquérito que se pode obter uma visão mais ou menos completa de como era a freguesia de Ardãos nos meados do século XVIII como abaixo se pode ver. Estas memórias paroquiais são particularmente ricas em informação, o que nos permite até imaginar como seria a vida desta comunidade paroquial. É a resposta dada pelo pároco da freguesia de Ardãos, nesse ano o padre Miguel Álvares, que adiante apresentamos. Para melhor leitura foi actualizado o Português naquelas palavras que consideramos necessário, introduzindo-se-lhe pontuação e parágrafos.

 

1600-ardaos (63)

 

Miguel Álvares, pároco nesta igreja de Santo André de Ardãos, comarca de Chaves, Arcebispado de Braga Primaz, recebi uma ordem do muito Reverendo Senhor Doutor Vigário Geral desta comarca para informar o que se pede nos interrogatórios seguintes:

 

  1. Este lugar de Ardãos pertence à província de Guimarães, Arcebispado de Braga, termo e comarca de Chaves, freguesia de Santo André.
  2. É Comenda do Almotacé mor, o senhor dela no presente.
  3. Tem esta freguesia noventa e um vizinhos, pessoas que comungam trezentas e nove e menores que não comungam quarenta e nove.
  1. Está este lugar situado num baixo, num vale. Está rodeado de serra a norte, a nascente e a poente. Deste lugar somente se avistam os lugares de Nogueira, Bobadela e Sapelos, distantes deste lugar a meia légua.
  2. Tem termo seu e não tem mais lugares nem aldeias. Os noventa e um vizinhos [vivem] todos juntos num só lugar e aldeia.
  3. A igreja paroquial está junto à residência do pároco e dos vizinhos do lugar. Não tem mais lugares ou aldeias.
  4. É orago desta igreja Santo André, tem três altares: um da capela-mor da igreja com a imagem de Santo André e da Nossa Senhora do Amparo: outro do Santo Cristo com a imagem do Senhor Crucificado e outra imagem de São Sebastião; e o terceiro altar é do Menino Deus com a sua imagem e um painel das Almas. Não tem irmandades algumas nem naves.
  5. É o pároco desta freguesia vigário colado apresentação do Reitor de São Miguel de Bobadela. Rende de um ano para o outro noventa mil reis, e os frutos para o Comendador quatrocentos e cinquenta mil reis pouco mais ou menos.
  6. Não tem beneficiados nem renda para eles nem quem os apresente.

 

1600-ardaos (57)

 

  1. Não tem conventos de religiosos ou religiosas, nem quem os apresente.
  2. Não há hospital, nem quem o administre, nem renda para ele.
  3. Não tem casa de Misericórdia, nem quem a administre, nem renda para ela.
  4. Tem duas ermidas, uma de S. Roque junto a este lugar e a outra de Nossa Senhora das Neves, no sitio da Ribeira, distante deste lugar meia légua. Fabricam-nas os fregueses deste lugar.
  5. Não acodem a elas romarias, somente, alguns sábados, vão alguns devotos à Nossa Senhora das Neves, e não são sempre uns e também nos seus dias.
  6. Os frutos comuns são na maior parte centeio, vinho ordinário, milho mediano, pouco trigo, castanha, feijão, hortas de couves, cebolas e alfaces em proporção.
  7. Tem juiz espadano, que está sob a alçada do juiz de fora e da Câmara da vila de Chaves. Não tem Câmara.
  8. Não é couto, nem cabeça de conselho, nem honra ou behtria.
  9. Não há memória que houvesse neste lugar, ou daqui saíssem homens ilustres, em virtudes, letras ou armas.
  10. Não tem nenhum dia, nem tempo determinado para feiras francas ou cativas.
  11. Não tem correio, vale-se do da vila de Chaves, que dista deste lugar 2 léguas.
  12. Este lugar dista da cidade capital de Braga catorze léguas, e da capital do Reino, Lisboa, setenta e cinco léguas, mais ou menos.
  13. Este lugar não tem privilégios, nem antiguidades, nem outras coisas dignas de memória.
  14. Não há no termo desta freguesia nenhuma fonte especial. Somente algumas fontes de água comum que nascem no povo, servem para alimento dos racionais, e outras fontelas e regatos que servem para os irracionais e se juntam à Ribeira do Brão.
  15. Não há porto marítimo.
  16. Não é praça de armas, nem tem fortalezas, nem mesmo castelos nem torres.
  17. Não sofreu nenhuma destruição no terramoto de 1755.
  18. Há nos limites desta freguesia quatro muralhas em ruínas que dizem ter sido antigamente fortalezas dos romanos. Um chama-se o muro da Murada, outro o muro do Malho, outro o muro de Cunhas e outro o muro da Ribeira. Há também umas concavidades em dois sítios, uma chama-se das Batocas e a outra das Freitas, que terão sido, antigamente, minas dos Mouros, mas não me consta que nelas se tenha achado ouro, nem prata, nem que para isso se fizesse alguma diligência. Há nestas concavidades umas lagoas de água que nunca secam e têm pouca correnteza para fora em lançar água comum.

 

1600-ardaos (50)

 

Serra

  1. Há uma serra que no meio se chama o Pindo.
  2. Tem duas léguas de comprido e meia de largo. Principia no termo do lugar de Meixide e acaba no lugar das Quintas.
  3. Os nomes dela são: as Palhaças, Fosqueira, Chão de Lexandre, Chão de João Diz [Roca] de Covas, Piomeiras, Murada, Pindo, Penices e Leiranco.
  4. Nascem nela regatos, uns secam no Verão, outros não. Não são propriedade de ninguém, nascem para o Nascente, correm para Sul e terminam no Tâmega. Este no Douro e antes forma-se um rio que se chama Terva.

 

1600-ardaos (46)

 

  1. Não há nele vilas nem ao redor. Há da parte do Nascente este Ardãos, o lugar de Nogueira, Bobadela, Sapiãos, Eiró, Boticas e Quintas, e para o poente há Cervos, Arcos, Antigo, Pedrário e no norte Meixide.
  2. Não consta que haja fontes com propriedades medicinais na dita serra.
  3. Não tem minas de metais alguns, nem canteiras de pedra, nem de outras matérias.
  4. Não consta que tenha ervas medicinais. Só lenhas como torgos e urzes, carquejas, giestas, carvalhos, ervedeiros, estevas, estevais e queirogas.
  5. Não há nela mosteiros, nem capelas nem imagens milagrosas que se saiba.
  6. A sua temperatura é mediana, às vezes tem neve. Para a parte nascente é favorável e para a do poente é fria.
  7. Criam-se nela lobos, raposas, gatos a que chamam Algaria, coelhos, perdizes, gadunhas e umas aves a que chamam bufos.
  8. Não tem lagoa nem fojos.

Não sei mais nada desta serra que seja digno de memória.

 

1600-ardaos (38)

 

Rios

  1. Rio de Ribeira de Brão nasce de diversos regatos pela serra acima.
  2. Não nasce caudaloso, porém corre todo o ano.
  3. Juntam-se-lhe outros regatos de Nogueira e Bobadela logo abaixo desta freguesia.
  4. Não é navegável, nem apropriado para embarcações.
  5. Corre com curso mediano.
  6. Corre de norte para sul.
  7. Cria umas bogas e quando há enchentes encontram-se algumas trutas.
  8. Não há nele pescarias, não há peixes senão bogas.
  9. Como não há pescarias também, não há senhor delas.
  10. Cultivam-se as suas margens e não tem arvoredos.
  11. Não têm virtudes especiais as águas.

 

1600-ardaos (37)

 

  1. Não conserva [sempre] o nome de Ribeira de Brão, logo abaixo junta-se outro regato no sítio de Sapelos que vem de Calvão e ali principia a ter o nome de rio Terva. Não há memória que tivesse outro nome.
  2. Desagua no rio Tâmega, entra nele no sítio da Seixa.
  3. Como não é navegável não tem açudes nem cachoeiras que o contenham.
  4. Tem uma ponte de três arcos entre Sapelos e Sapiãos, na estrada de Braga para Chaves ou de Chaves para Braga, por se não poder passar a vão em enchentes.
  5. Tem alguns moinhos onde somente no Inverno se pode moer. Não tem pisões, nem noras nem outros engenhos.
  6. Não consta que em tempo algum se tirasse dele ouro, nem outro metal.
  7. Os povos usam as suas águas livremente para cultura dos seus campos.
  8. Desta freguesia até ao Tâmega, onde termina, serão duas léguas. Passa pelo termo de Bobadela, Sapelos, Sapiãos e Granja.
  9. Não sei mais coisas que possa declarar mais do que o referido nos interrogatórios. E por ser verdade passei esta que assino com os párocos mais vizinhos. Ardãos, 12 de Março de 1758. I juro in verbo sacerdotis.

O Pároco de Santo André de Ardãos Miguel Álvares.

O Reitor de Bobadela António Alves Monteiro

O Cura de S. Tiago de Seara Velha

O padre Francisco Alves

 

1600-ardaos (123)

 

Depois deste longo post, mas, ou bem que se fala da aldeia ou não, e muita coisa fica por dizer, passamos ao vídeo final com todas as imagens hoje aqui publicadas. Vídeo que também pode ser visto no MEO KANAL no nº 895607

 

Fica o vídeo, espero que gostem:

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de BoticasFreguesia de Ardãos - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

 

[i] MENDES, José Maria Amado, 1995, Trás-os-Montes nos fins do século XVili, 2' ed., FCG/JNICT, Lisboa.

[ii] LEAL, Augusto Pinho, 1874, Portugal Antigo e Moderno, Vol. I, Lisboa, Livraria Ed. de Mattos Moreira,

[iii] BORRALHEIRO, Rogério, 2005, Montalegre, Memánas e História, Ed. Câmara Municipal de Montalegre: pp. 80-87.

 

 

 

25
Set20

O Barroso aqui tão perto - Morgade

Aldeias do Barroso de Montalegre - C/Vídeo

1600-morgade (18)-VIDEO

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando do seu post neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Morgade, Montalegre.

 

1600-criande (37)-video

 

Como vem sendo habitual. Aproveitamos esta oportunidade para deixar mais algumas imagens da aldeia que escaparam à seleção anterior.

 

1600-morgade (61)-video

 

Morgade que é uma das aldeias vizinhas da barragem do alto Rabagão, ou dos Pisões, se preferirem, aliás, a par de Criande, uma aldeia dos colonos da Junta de Colonização Interna do Estado Novo, que de tão junta que está a Morgade é como se fosse um prolongamento desta aldeia, mas ia dizendo que Morgade e Criande são vizinhas da barragem na margem oposta ao paredão da barragem, que quase se poderia dizer que é onde o rio Rabagão desagua na barragem, mas isto, claro, não é de todo verdade, pois a barragem não é mais que um aprisionar de águas desse rio.

 

1600-criande (38)-video

 

Mas hoje não estamos aqui para falarmos das Morgade, isso, já o fomos fazendo no post que lhe dedicamos (com link no final). Hoje é mesmo pelo vídeo e mais algumas imagens. Assim passamos a esse vídeo todas as imagens da aldeia das Morgade que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Morgade:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-morgade-1642827

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Mourilhe.

 

 

 

13
Set20

O Barroso aqui tão perto - Freguesia de Alturas do Barroso e Cerdedo

1600-brasao-Vilarinho-seco (688).jpg

1600-cabecalho-boticas

 

 

Freguesia de Alturas do Barroso e Cerdedo

 

Nas últimas semanas trouxemos aqui todas as aldeias da freguesia de Alturas do Barroso e Cerdedo, uma freguesia recente que resulta da união da antiga freguesia de Alturas do Barroso e a freguesia de Cerdedo, ambas extintas com a última reorganização administrativa do território, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro. Assim os dados que possuímos, são os das antigas freguesias antes da sua união, pelo que, neste resumo, serão abordadas em separado. Mas para iniciar, fica o mapa da atual freguesia e o gráfico síntese com a população total da atual freguesia e das antigas fregiuesias.

 

mapa freg-alt-cerd-1.jpg

grafico alturas-e-cercedo.jpg

 

Antiga freguesia de Alturas de Barroso

 

boticas-antig-freg-2.jpg

 

Localização geográfica: Situa-se em pleno coração da Serra do Barroso, na parte Noroeste do concelho.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 18 km

Acesso viário: Pela ER 311, vira-se em direcção a Carvalhelhos e percorre-se a EM 520. Em alternativa, pode seguir-se pela ER 311, vira-se em direcção a Vilarinho Seco e percorre-se o CM 1035 até Alturas do Barroso.

Área total da freguesia: 32,8 km2

Localidades: Alturas do Barroso, sede de freguesia, Atilhó e Vilarinho Seco

População: 444 habitantes

Orago: Santa Maria Madalena

 

grafico alturas.jpg

 

Festas e Romarias

São Sebastião, 20 de Janeiro, Alturas do Barroso.

São Sebastião, Domingo a seguir ao dia 20 de Janeiro, Atilhó.

Santa Cruz, 03 de Maio, Vilarinho Seco

Sto António,* 13 de Junho, Alturas do Barroso e Atilhó

Santa Maria Madalena,* 26 de Junho, Alturas do Barroso

São Paio,* 26 de Junho, Vilarinho Seco

Santa Ana, 26 de Julho* / inicio de Agosto, Alturas do Barroso

Santa Margarida, último domingo de Agosto, Atilhó

Santa Bárbara,* 04 de Dezembro, Atilhó

Santa Luzia,* 13 de Dezembro, Atilhó

 

(*) Apenas celebração religiosa.

 

1600-s-sebastiao (808).jpg

Cruzeiro e tanque em Alturas do Barroso

 

Património Arqueológico

Castro de Vilarinho Seco / Couto dos Mouros

Castro do Côto dos Corvos

Mamoa da Pedra do Sono / Pedra do Sono

Mamoa de Chã do Seixal / Chã do Seixal

 

1600-alturas (311).jpg

Alturas do Barroso

 

Património Edificado

Capela de Nossa Sra. de Fátima (Alturas do Barroso)

Capela de Sampaio (Vilarinho Seco)

Capela de Santa Margarida (Atilhó) – Património Classificado (IIM)

Casas de Vilarinho Seco

Forno do Povo de Alturas do Barroso

Forno do Povo de Atilhó

Forno do Povo de Vilarinho Seco

Igreja Paroquial de Santa Maria Madalena (Alturas do Barroso)

Relógio de Sol (Vilarinho Seco).

 

1600-Vilarinho-seco (874).jpg

Vilarinho Seco

 

Outros locais de interesse turístico

Casas com cobertura de colmo

Miradouros Naturais da Serra do Barroso

Moinhos

Museu Rural de Alturas do Barroso

Parque de Lazer de Peade (Alturas do Barroso)

 

Aldeias da antiga freguesia de Alturas de Barroso

 

Alturas do Barroso

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Alturas do Barroso

 

1600-alturas-14 (12).jpg

1600-alturas (115).jpg

 

 

Atilhó

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Atilhó 

 

1600-atilho (182).jpg

1600-atilho (31).jpg

 

Vilarinho Seco

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Vilarinho Seco 

 

1600-Vilarinho-seco (736).jpg

1600-Vilarinho-seco (713).jpg

 

 

Antiga freguesia de Cerdedo

 

boticas-antig-cerdedo.jpg

 

Localização geográfica: A freguesia de Cerdedo situa-se no extremo Oeste do concelho de Boticas.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 25 km

Acesso viário: Pela ER 311 até aparecer a indicação Cerdedo.

Área total da freguesia: 23,9 km2

Localidades: Casas da Serra, Cerdedo, sede de freguesia, Coimbró, Covêlo do Monte e Virtelo.

População: 176 habitantes

Orago: S. Tiago

 

grafico cerdedo.jpg

 

Festas e Romarias:

Santo Amaro,* 15 de Janeiro, Coimbró

São Sebastião, 20 de Janeiro, Cerdedo

Santo António e S. Lourenço,* Terceiro Domingo de Agosto, Cerdedo

Nossa Senhora da Saúde, Agosto, Coimbró

Senhora do Monte, 08 de Setembro, Cerdedo

 

(*) Apenas celebração religiosa.

 

1600-cerdedo (236).jpg

Igreja Paroquial de São Tiago - Cerdedo

 

Património Edificado

Assento de Lavoura

Capela da Senhora do Monte (Cerdedo)

Capela de N. Sr.ª da Ajuda (Virtelo)

Capela de Santo Amaro (Coimbró)

Casa do Morgado de Coimbró

Casario Tradicional de Coimbró - Património em vias de Classificação

Forno do Povo de Cerdedo

Forno do Povo de Coimbró

Igreja Paroquial de S. Tiago (Cerdedo)

 

 

Aldeias da antiga freguesia de Cerdedo

 

Casas da Serra

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Casas da Serra

 

 

1600-casas-serra (118).jpg

1600-casas-serra (109).jpg

 

Cerdedo

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Cerdedo

 

1600-cerdedo (44)-1.jpg

1600-cerdedo (223).jpg

 

Coimbró

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Cerdedo

 

 

1600-coimbro (177).jpg

1600-coimbro (191).jpg

 

Covêlo do Monte

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Covelo do Monte

 

1600-covelo-Monte (67).jpg

1600-covelo-Monte (321).jpg

 

Virtelo

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Virtelo

 

1600-virtelo (78).jpg

1600-virtelo (59).jpg

 

E por hoje é tudo. No próximo domingo iremos até à aldeia de Ardãos, iniciando assim a nossa ronda pelas aldeias da freguesia de Ardãos e Bobadela.

11
Set20

O Barroso aqui tão perto - Meixedo

1600-meixedo (92)-video

montalegre (549)

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Meixedo, concelho de Montalegre.

 

1600-meixedo (99)-video

1600-meixedo (81)-video

 

Para quem, partindo da cidade de Chaves pela estrada do S,Caetano, costuma ir a Montalegre, Meixedo, não precisa de apresentações, é a última aldeia que se encontra no itinerário para Montalegre, aliás, entre Meixedo e Montalegre, na prática, há apenas uma reta de 2Km, isto até à entrada da vila, pois para o centro, são mais 2,3km.

 

1600-meixedo (134-136) video

1600-meixedo (45)-video

 

Neste itinerário para Montalegre via estrada do S.Caetano, sempre achei curioso os dois topónimos que fazem a entrada no concelho de Montalegre e o que faz a entrada na Vila, isto porque são muito parecidos e inicialmente costumava confundir, ou melhor, não conseguia distinguir qual era um ou outro, isto porque o de entrada no concelho é Meixide e o de entrada na vila é Meixedo. Quase o mesmo que me foi acontecendo com confundir Gralhas com Gralhós, que embora todas aldeias próximas, cada uma tem a sua identidade e singularidades.

 

1600-meixedo (26)-video

1600-meixedo (12)-video

 

Hoje, depois de percorrer e repetidamente calcorrear todas as estradas e muitos dos caminhos do concelho de Montalegre, bem como todas as suas aldeias, e alguns dos lugares que sem aldeia tem igreja, capela, cascata, miradouro ou outros de interesse, já ninguém me leva ao engano e sei onde estão todas as aldeias e lugares, mesmo aqueles, poucos, onde não fui, sei onde estão e um dia, se tiver tempo, saúde e coragem, hei de lá ir, a pé, pois não há outro caminho, a não ser que me saia o euromilhões, aí, peço para me pousarem lá…Não é um, mas dois nós que tenho na garganta – São João da Fraga e as Minas de Carris, bem próximos por sinal, mas ambos nos picos do Gerês.  

 

1600-meixedo (7)-video

1600-p-fontes-mouri (9)-video

 

E tudo isto é Barroso e a sua magia, mas já sou feliz por ter descoberto todas as suas aldeias e dizer que conheço todo o Barroso e humildemente reconhecer como andei enganado e errado durante mais de 40 anos ao dizer que conhecia o Barroso, quando afinal apenas conhecia o caminho para Montalegre, o que está longe, bem longe, de ser a mesma coisa. Mas regressemos a Meixedo que é a razão de estamos aqui hoje.

 

1600-meixedo (144)-video

1600-meixedo (114)-video

 

Pois Meixedo, tal como já atrás disse, fica ali à entrada de Montalegre, com vistas privilegiadas para a Serra do Larouco e tal como o mapa turístico colocado na “vitrine dos editais” indica, está cheia de pontos de interesse. Transcrevendo o que consta no mapa, pois na foto não dá para ler ou identificar, temos a  igreja matriz, o calvário, o forno do povo, a sineta que suponho seja a da “casa” do boi do povo, a capela de São Sebastião, uma zona balnear (piscina), área de lazer e o campo de futebol. Como património paisagístico natural, apresentam a ribeira, paisagens agrícolas, a serra do Larouco e os urzais.

 

1600-meixedo (109)-video

1600-meixedo (103)-video

 

À lista que atrás deixei também poderiam acrescentar alguns exemplares da arquitetura vernacular, ou seja, da arquitetura tradicional barrosã, prefiro assim. Não sei porque, pois nunca me fez mal nenhum, mas não gosto lá muito do termo vernacular ou vernáculo, embora até reconheça alguma nobreza e importância no seu significado. Apenas embirrei com o termo.  

 

1600-meixedo (80)-video

1600-meixedo (71)-video

 

E como hoje a intenção era mesmo trazer aqui o vídeo que estava em falta para Meixedo, permiti-me a trazer aqui alguns dos meus devaneios, mas também mais algumas imagens da aldeia que não foram selecionadas para o post que lhe foi dedicado. Já o disse em tempos e repito agora, penso que esta do vídeo foi apenas uma forma inconsciente de continuar a trazer por aqui as aldeias de Montalegre, ou dito de outra forma, um pretexto para…pois olhando bem para alguns posts desta rubrica, têm mais fotos da aldeia neste post do vídeo do que  tiveram no post da aldeia, tal como acontece com este post de Meixedo.

 

1600-meixedo (98)-video

 

E agora sim, fica o vídeo com todas as imagens de Meixedo publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Posts dedicados  à aldeia de Meixedo:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

 

E quanto a aldeias barrosãs de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira,  em que teremos aqui a aldeia de Meixide.

 

 

06
Set20

O Barroso aqui tão perto - Virtelo

Aldeias do Concelho de Boticas

1600-virtelo (78)

1600-cabecalho-boticas

 

O nosso destino de hoje é Virtelo, mais uma aldeia barrosã do concelho de Boticas e da união de freguesias de Alturas do Barroso e Cerdedo.

 

1600-virtelo (124)

1600-virtelo (4)

 

Virtelo é uma aldeia do limite do concelho de Boticas que fica mesmo na raia com o concelho de Montalegre, tendo como aldeias mais próximas Pomar da Rainha a 1700m e Salto a 2 300m, as duas de Montalegre, e quase à mesma distância de Salto, mas em direção contrária, a aldeia de Cerdedo, esta de Boticas que em conjunto com as Alturas do Barroso dão nome a atual freguesia.

 

1600-virtelo (2)

1600-virtelo (98)

 

Localizada a cerca dos 1 000 metros de altitude, nos sopés/encontro de montanhas, onde se forma uma pequena veiga fértil e verde a contrastar com o agreste das montanhas que a rodeiam.

 

google earth.JPG

1600-virtelo (130)

 

É também mais uma das aldeias servida pela E311, aliás a última aldeia do concelho de Boticas a ser servida por esta estrada, que logo a seguir entra no concelho de Montalegre e continua para o concelho de Cabeceiras de Basto…

 

1600-virtelo (123)

1600-virtelo (84)

 

Assim, o nosso itinerário para lá chegar a partir de Chaves, vem a ser aquele que é mais habitual para as restantes aldeias de Boticas, ou seja, tomamos a EN103 (estrada de Braga) até Sapiãos, aí desviamos para Boticas, passamos esta última e entramos na E311 em direção a Ribeira de Pena, Cabeceiras de Basto e Salto. Seguimos sempre pela E311 até passarmos a aldeia de Cerdedo, logo a seguir, meia dúzia de curvas à frente, como quem diz a cerca de 2,5Km, temos à esquerda o desvio para Virtelo.

 

mapa virtelo.jpg

mapa virtelo-1.jpg

 

Virtelo é uma aldeia pequena, penso ser mesmo a mais pequena do concelho de Boticas, onde se destaca uma grande casa agrícola, suponho que em tempos seria a única que existia, hoje convertida também em casa de Turismo Rural. Além deste conjunto da grande casa agrícola (casa mais respetivos anexos), existem mais duas moradias de construção mais recente, uma pequena capela (recente – 1989), dois ou três armazéns e pequenas construções já fora do núcleo e dispersas.

 

1600-virtelo (61)

1600-virtelo (33)

 

A maior parte dos terrenos da pequena veiga são ocupados com pastagens, os mais próximos da aldeia, com outras culturas, principalmente o milho, onde também há árvores de fruto e videiras, mas tudo isto é mesmo numa pequena faixa de terreno, pois logo a seguir a montanha começa a subir e aí, só mesmo rochas, penedos em quantidade e entre o rochedo a habitual vegetação rasteira das terras mais altas, pequenas urzes (ou torgas se preferir), carqueja, etc. Apenas uma das montanhas, a que se encontra entre Virtelo e Cerdedo, é que tem alguma floresta de pinheiros. Mais próximo da aldeia, aí aparecem algumas espécies autóctones variadas, sobretudo junto às linhas de água e divisórias dos terrenos.

 

1600-virtelo (76)

1600-virtelo (74)

 

Quanto a Virtelo, o topónimo, curiosamente é um nome que já ouvia em criança em Montalegre, mas penso que era o nome ou alcunha de uma pessoa, e não da aldeia de Boticas, quem sabe, se calha, às tantas, essa pessoa não seria desta aldeia. Mas não perdendo o fio à meada, a aldeia de Virtelo só a conheci em outubro de 2017, na única vez que fui lá para fazer o levantamento fotográfico para o post de hoje.

 

1600-virtelo (81)

1600-virtelo (79)

Seria agora altura de passar àquilo que encontrámos em documentos e na monografia de Boticas sobre Virtelo, mas para além de uma referência à Capela de N. Sr.ª da Ajuda e outra à “Casa de Paula” de turismo rural, nada mais encontrei. Quanto à capela, penso que será a que está à entrada da aldeia, pois outra não vi por lá.

 

1600-virtelo (48)

1600-virtelo (49)

 

Bem queria deixar aqui mais algumas palavras sobre a aldeia, mas não encontrei mais referencias sobre ela. Assim, e como (pelo menos) temos ainda mais algumas imagens para mostrar, vamos passar aos temas de Barroso, que são, ou melhor, eram, comuns e habituais em todas as aldeias do Barroso. Ficam alguns exemplos de comunitarismo agrário, que hoje em dia já caíram em desuso ou raramente se praticam ou mesmo já não existem, tal como o boi do povo. Vezeiras ainda conheço, pelo menos, a de Santo André, em Montalegre. Os fornos do povo ainda se vão usando ocasionalmente em algumas aldeias, longe das 24 horas por dia como antigamente acontecia na maioria das aldeias. Penso que, o que ainda se vai praticando entre os resistentes que ficaram, é o da entreajuda.

 

1600-virtelo (72)

1600-virtelo (70-71)

 

Exemplos de Comunitarismo Agrário

Os Baldios - Propriedade comunal, localizados na parte mais distante e montanhosa, desempenham um papel muito importante para a economia aldeã. “Embora ocupando de longe a maior parte das terras mais altas e pobres da aldeia, a importância primordial dos baldios reside nas suas enormes extensões de urzes, mato e outros arbustos selvagens fundamentais para a pastorícia e para as actividades agrícolas. Os direitos comuns dos baldios são permanentes e ilimitados.” (O’Neill, 1984:67)”. Considerando que estas populações dependem das actividades agro-pastoris e dada a limitação, quer em termos de área, quer em termos produtivos das propriedades particulares, os baldios sempre desempenharam um papel muito importante na sobrevivência dos agregados domésticos. Enquanto terrenos comunais – logradouros comuns - são passíveis de serem utilizados de diversas maneiras como: área de pastagem para o pastoreio do gado ovino e caprino ao longo do ano e do gado bovino no Inverno; área de recolha de lenha e de matos (carqueja, giesta, tojo, urze, etc.). Algumas parcelas destes terrenos, as cavadas, também eram exploradas individualmente pelos aldeãos mais pobres, muitas vezes sem qualquer outro recurso fundiário para cultivo, de forma a mitigar um pouco a sua pobreza e garantir recursos mínimos de Exemplos de Comunitarismo Agrário subsistência.

 

1600-virtelo (62)

1600-virtelo (59)

 

O Regadio Colectivo - A água de rega é um bem precioso e limitado. Há dois tipos de rega: a rega de Inverno e a rega de Verão, ou, como Orlando Ribeiro (1998) lhe chamou, a rega da abundância (destina-se a intensificar a produção, mas na realidade podia dispensar-se) e a rega da carência (que se destina a corrigir as condições do clima e sem a qual não era possível produzir).

 

A água para a rega é encaminhada das nascentes através de regos ou canais de rega até aos tanques (poças) sendo depois distribuída pelos terrenos segundo regras ancestrais bem definidas (aviação). De forma a evitar desperdícios da água de rega, o seu sistema de rotação era feito, geralmente, de acordo com a ordem dos terrenos. Os direitos de rega são transmitidos de geração em geração através da tradição oral. Por vezes acontece proceder-se ao seu registo escrito (rol).

 

1600-virtelo (56)

1600-virtelo (37)

 

Os caminhos – espaço comunal utilizado para deslocação. O seu arranjo e manutenção era responsabilidade dos habitantes da aldeia. Assim, era convocado o ajuntamento do povo para o arranjo dos caminhos.

 

As Lamas / Lameiras do Povo ou do Boi – em grande parte das aldeias o Boi do Povo tinha as suas  próprias lamas / lameiras que garantiam parte da sua alimentação (erva e feno). Para além destes bens, em alguns sítios o boi do povo tinha também cortes epalheiros próprios.

 

1600-virtelo (21)

1600-virtelo (50)

 

O Forno do Povo – propriedade colectiva da aldeia, edifício térreo, coberto de colmo, era o café dos pobres. A sua utilização estava sujeita a regras próprias, como a obrigatoriedade de quentar o forno. Para além disso era um espaço de convívio.

 

Os Moinhos – Em algumas aldeias havia o moinho do povo, propriedade comum dos habitantes da aldeia, onde quem precisasse ia moer os cereais (centeio e milho).

 

Associados a estes bens e equipamentos comunitários andam os trabalhos comunitários que também se denominam por hábitos comunitários. Muitos destes trabalhos extinguiram-se ou estão em vias de desaparecimento por força da alteração do modelo de produção agrícola e das mudanças do modelo demográfico. De facto, a redução da mão-de-obra e a mecanização da agricultura alteraram drasticamente os modos de vida agrícola nestas aldeias rurais de Barroso. Muitos dos trabalhos comunitários como a segada e a malhada do centeio, as sachas colectivas dos batatais, o arranjo dos caminhos e a condução de águas deixaram de ter sentido. A segada e a malhada passaram a fazer-se através de meios mecânicos, dispensando os ranchos de homens e mulheres e reduzindo o hábito da entreajuda e torna jeira. A produção agrícola da batata foi drasticamente reduzida, o boi do povo tende a ser substituído pela inseminação artificial num combate e redução das doenças transmissíveis e na tentativa do apuramento da raça, e os trabalhos de conservação dos caminhos e condução de águas, entre outros, têm vindo a ser assumidos pelas autoridades autárquicas (municipais e da freguesia) no âmbito das suas competências. Permanecem porém alguns, por interesse efectivo das populações ou recusa de perda de gestos, usos e costumes que se pretendem conservar e manter sobretudo como marca etnográfica e elemento de atracção de turistas e apaixonados pelos hábitos e tradições destas comunidades da terra barrosã. É o caso da vezeira, do Boi do Povo, da limpeza de levadas, regos e nascentes.

 

1600-virtelo (42)

1600-virtelo (39)

 

Os Trabalhos Comunitários - A expressão trabalhos comunitários, “…compreende todas as tarefas que beneficiam a comunidade ou que se referem aos bens de propriedade comum, e para os quais se torna indispensável a organização de grandes grupos de trabalho.”(O’Neill,1984:160). Os principais eram a limpeza dos caminhos, do regadio, manutenção dos moinhos e do forno do povo. Os trabalhos nos caminhos realizavam-se durante o Inverno, geralmente aos sábados, quando havia mais bagar, o regadio era limpo, uma vez antes do início da época de rega, procedendo-se à limpeza e ao arranjo dos regos e das poças. Estes trabalhos faziam-se através dos ajuntamentos do povo, geralmente no largo da igreja à saída da missa, o regedor ou o cabo de ordens dava as ordes relativas à comunidade ou às coisas comunais. Tocava-se o sino da igreja e um elemento de cada agregado familiar comparecia ao ajunto.

 

1600-virtelo (32)

1600-virtelo (28)

 

A Entreajuda - A entreajuda ocorria essencialmente na altura do pico dos trabalhos agrícolas: sementeiras, ceifa (segada) do feno e do centeio, malhadas, arranque das batatas, desfolhada do milho, vindimas, etc. As pessoas trocavam trabalho ou outros tipos de ajuda de forma a assegurar força de trabalho ou apoio perante uma situação semelhante. Além da troca de trabalho, há outras formas de troca como a cedência de animais, concessão de favores ou comida.

 

O Boi do Povo – Propriedade colectiva dos lavradores da aldeia que garantiam a sua alimentação e manutenção de acordo com o número de vacas que tinham. A sua função era essencialmente a reprodução. Acontecia por vezes fazerem chegas com os bois das aldeias vizinhas.

 

A Vezeira - rebanho comum de gado da mesma espécie, pertencente a várias pessoas da mesma povoação. Era pastoreada nas zonas de pasto comum – baldio – ou nas terras de restolho, à vez por cada uma das pessoas de acordo com o número de cabeças de gado que tivessem, ou entre todos pagavam a um pastor para ir com a vezeira.

 

1600-virtelo (24)

1600-virtelo (55)

 

 

E por último, tal como vem sendo habitual,  deixamos o vídeo com todas as imagens da aldeia das Virtelo que foram publicadas no post de hoje. Espero que gostem.

 

 

E quanto a aldeias de Boticas, despedimo-nos até ao próximo domingo. Uma vez que Virtelo foi a última aldeia que abordámos da União de Freguesias de Alturas do Barroso e Cerdedo, a próxima publicação não será sobre uma aldeia, mas sim sobre o conjunto da freguesia.

 

 

BIBLIOGRAFIA

CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS, Preservação dos Hábitos Comunitários nas Aldeias do Concelho de Boticas - Câmara Municipal de Boticas, Boticas, 2006

 

WEBGRAFIA

http://www.cm-boticas.pt/

 

28
Ago20

O Barroso aqui tão perto - Loivos

Aldeias de Barroso - Concelho de Montalegre

1600-LOIVOS-VIDEO

montalegre (549)

 

LOIVOS

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Loivos, Montalegre.

 

1600-loivos (48)-2-video

l1600-oivos (34)-video

 

Isto de vir aqui todos os dias com um ou mais posts e trazer as aldeias do Barroso duas vezes por semana, sendo uma de Boticas e outra de Montalegre leva-nos a criar alguns automatismos de edição, principalmente naquilo que repetimos mais vezes. Acresce a isto, que estes posts são feitos na hora, e à hora em que os fazemos, não temos ninguém que lhe possa dar uma vista de olhos para ver se cometemos algum lapso ou erro, e às vezes, aliás tenho consciência que regularmente os cometemos, mesmo que no final de cada  post leia o texto todo, se houver erro ou lapso, em geral, não dou por ele, acho que chamam a isso os erros de simpatia. Claro que passados dois ou três dias, se reler o texto, já dou conta dos erros, ou então, às vezes, os leitores e seguidores deste blog apercebem-se e dão o alerta.

 

1600-loivos (41)-video

1600-loivos (45)-video

 

Ora nestes erros e lapsos às vezes estou a tratar e escrever sobre ula aldeia de Boticas e depois no título ou numa passagem do texto digo que é de Montalegre, tudo isto pelos tais automatismos que nos leva muitas vezes a estarmos a tratar e escrever sobre uma aldeia e em simultâneo já estamos a pensar na seguinte. Vem todo este palavreado para vos dizer que hoje ao escrever Loivos, Montalegre, não há qualquer erro, pois é mesmo a aldeia de Loivos de Montalegre e digo isto porque, sendo este blog feito em Chaves e tendo Chaves uma aldeia com o mesmo topónimo, vai haver por aí muito boa gentinha que vai dizer, “olha, encanou-se mais uma vez”, aqueles que só veem as imagens e vão deitando um olho à escrita, ou só leem  os títulos. Assim, esta aldeia de Loivos é mesmo de Montalegre.

 

1600-loivos (30)-1-video

1600-loivos (23)-video

 

Esta aldeia de Loivos, localiza-se a 600m da barragem de Paradela (medida em linha reta e na horizontal), embora por estrada, seja mais um bocadinho e terá que passar primeiro pela aldeia de Paradela, que fica a pouco mais de 1 km. Seguindo a estrada em sentido contrário, temos a aldeia de Fiães do Rio, também a cerca de 1Km.

 

1600-loivos (50)-video

1600-loivos (48)-1-video

 

Mas hoje não estamos aqui para falarmos das Loivos de Montalegre, isso, já o fizemos fazendo no post que dedicámos à aldeia (com link no final deste post). Hoje é mesmo pelo vídeo, mas também, e aproveitando esta ocasião, deixarmos aqui mais algumas imagens que escaparam à seleção anterior.

 

Aqui fica o vídeo, espero que gostem.:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Loivos, Montalegre:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-loivos-1722998

 

E quanto a aldeias de Barroso, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Virtelo, do concelho de Boticas.

 

 

14
Ago20

O Barroso aqui tão perto - Linharelhos

Aldeias do Barroso de Montalegre

1600-linharelhos (40)-video

montalegre (549)

 

LINHARELHOS 

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia das Linharelhos.

 

1600-linharelhos (1)-video

 

Curioso que fomos a esta aldeia para fazer a recolha fotográfica em plena primavera, meados de maio, num dia que potencialmente seria de sol, mas em que a chuva não nos largou nem durante um segundo. Posteriormente, passámos por lá mais duas ou três vezes, sempre na primavera ou mesmo já no verão, e a chuva tinha sempre encontro marcado connosco em Linharelhos.

 

1600-linharelhos (48)video

 

Assim todas as imagens que conseguimos de Linharelhos, são imagens “molhadas”. Não é que a chuva nos incomode ou incomode a fotografia, aliás as imagens “molhadas” até têm outro brilho, mas gostávamos de partilhar aqui, também algumas imagens com sol, mas tal não foi possível, paciência, ficará para uma próxima ronda pelo Barroso, isto se o tempo não nos continuar a pregar destas partidas.

 

1600-linharelhos (19)-video

 

Linharelhos é uma das aldeias do limite do concelho de Montalegre que confronta com Vieira do Minho. Simultaneamente está também no limite do concelho de Vila Real e da província de Trás-os-Montes, mas ainda não está no limite de Barroso, pois o concelho de Vieira do Minho tem 10 aldeias que ainda pertencem ao Barroso, que em tempo oportuno também passarão por aqui.

 

1600-linharelhos (23)-video

 

Claro que este é um outro Barroso, aliás o único Barroso que poderemos dizer que, em termos de identidade, se poderá considerar como um todo, é o Alto-Barroso, todo o Barroso restante, em geral considerado Baixo-Barroso, é uma mescla de pequenos Barrosos com identidades bem diferentes, tudo isto, dentro da identidade Barrosã. Parece complicado, mas para quem conhece todo o território do Barroso compreenderá estas palavras. Basta dizer que o Barroso está implantado em duas províncias (Trás-os-Montes e Minho), dois distritos (Vila Real e Braga) e entra em território de cinco concelhos, Montalegre, Boticas, Vieira do Minho, Ribeira de Pena e Chaves, onde apenas os dois primeiros são totalmente barrosões.

 

1600-linharelhos (4)-video

 

É por estas e por outras que o Barroso encanta e não cansa, ou melhor, encanta sempre e não cansa na diversidade, mas fisicamente, andar por lá o dia inteiro, dá para parecermos peregrinos dos regressos a casa, o que também não é mau, faz-se exercício físico, tão recomendado para manter a saúde e temos uma noite de bom sono garantido. Olha! Pode ser um bom remédio para que sofre de insónias e sem ter de recorrer às ervas do Padre Fontes.

 

1600-linharelhos (11)-video

 

Embora Linharelhos já tivesse tido aqui o seu post completo (sem o vídeo), onde localizámos a  aldeia e dissemos o que sabíamos dela, cujo link para esse post fica no final, só para terem uma ideia onde esta aldeia fica apenas queria acrescentar que tem como aldeias mais próximas a aldeia de Lamalonga (já de Vieira do Minho) a apenas 300 metros, o final da Barragem da Venda Nova a apenas 700m, a aldeia da Borralha (Minas da Borralha) a 1.000m e a  aldeia de Padrões a 1.500m, tudo distâncias em projeção vertical e linha reta, pois por estrada a coisa é outra, à exceção de Lamalonga que está mesmo colada a Linharelhos e às Minas da Borralha que tem estrada direta entre as duas aldeias.

 

1600-linharelhos (7)-video

 

E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia das Linharelhos que foram publicadas até hoje neste blog, que no post da aldeia quer com as imagens do post de hoje que escaparam à anterior seleção. Aqui fica e espero que gostem:

 

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Linharelhos:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-linharelhos-1664709

 

 

E quanto a aldeias de Barroso, despedimo-nos até ao próximo domingo em que teremos aqui a aldeia de Vilarinho Seco, do concelho de Boticas.

 

 

 

21
Jun20

O Barroso aqui tão perto - Freguesias de Vilar e S. Salvador de Viveiro

Freguesias de Barroso - Concelho de Boticas

1600-c-out-lasanho (76).jpg

1600-cabecalho-boticas

 

Tal como tínhamos prometido no início desta ronda pelas aldeias de Barroso do concelho de Boticas, após a conclusão de todas as aldeias de uma freguesia, traríamos aqui um post resumo dedicado à freguesia. Pois temos concluídas todas as aldeias da freguesia de Vilar e São Salvador de Viveiro, daí, estarmos aqui hoje com o post resumo desta freguesia, com alguns dados dos seus dados gerais, e aproveitamos também a ocasião para trazer aqui alguns temas dos hábitos comunitários das aldeias de Barroso, hoje o tema será o da  “A Bênção do Gado”.

 

2 - mapa freguesia atual.jpg

Localização da freguesia de Vilar e S. Salvador de Viveiro

grafico vilar e viveiro.jpg

Evolução do número de habitantes das antigas e atual freguesia

 

 

Antigas freguesias de Vilar e São Salvador de Viveiro.

 

A freguesia de Vilar é uma das mais antigas freguesias de Barroso, aparecendo já nos censos de 1864 a 1930, com a sua antiga designação de freguesia de Vilar de Porro. Pelo decreto-lei nº 27,424, de 31/12/1936, foi-lhe dada a designação de Vilar.

 

Por sua vez, a freguesia de São Salvador de Viveiro é muito mais recente, pois apenas foi criada em 1967 - Pelo decreto lei nº 47.516, de 28/01/1967, com lugares desanexados da freguesia de Covas do Barroso.

 

1 - boticas-antig-freg.jpg

 

Com a reforma administrativa de 2013, a freguesia de São Salvador de Viveiro é extinta. Sendo anexada a outra freguesia. Pela lógica, pensamos nós que deveria ser anexada à freguesia de onde foi desanexada (Covas de Barroso), mas não, foi anexada à freguesias de Vilar, passando esta nova freguesia a designar-se por Vilar e São Salvador de Viveiro.

 

Assim sendo, a história da freguesia de Vilar e São Salvador de Viveiro anexadas é muito recente, pelo que faremos a abordagem desta atual freguesia a partir das antigas freguesias de Vilar e antiga freguesia de São Salvador de Viveiro.

 

1600-vilar (148)-a.jpg

 

Antiga freguesia de Vilar

 

Evolução da População na Freguesia.

 

Nos anos de existência deste blog tenho-me dedicado um bocadinho ao estudo da evolução da população das nossas freguesias,  e salvo raras exceções, pegando nos números dos Censos desde 1864 até 2011, podemos dizer que o comportamento das linhas do gráficos e respetivas linhas de tendência,  são idênticas para todas as freguesias, apenas alteram os valores, ou seja, existe uma linha de tendência de subida de população desde 1864 até 1960, com a única exceção dos valores de 1920, onde há uma notória descida, que está perfeitamente explicada por três fatores. O primeiro o da I Grande Guerra, segundo, um bocadinho dependente da primeira, um forte onde de emigração para o Brasil e o terceiro, o da pandemia de 1918/19, a pneumónica (ou gripe espanhola) que dizimou entre 60.000 a 100.000 portugueses, isto numa altura em que a população portuguesa era cerca de metade da atual (pouco mais de 6 milhões de habitantes).  A partir de 1960, a forte onda de emigração para a Europa e a migração interna para os grandes centros e cidades em geral, faz com que a linha de tendência desça abruptamente em direção ao zero, o que é preocupante, bem preocupante, pois a manter-se esta tendência, dentro de 20 anos as aldeias ficam sem população. Esperemos mais um ano, pelos Censos de 2021, para ver onde isto vai parar. Fica então o gráfico de Vilar:

 

grafico vilar.jpg

Evolução da população desde o Censos de 1864 a 2011

 

Alguns dados da freguesia

 

Localização geográfica: A freguesia de Vilar situa-se na parte Centro/Este do concelho de Botica.

Distância relativamente à sede do concelho: aproximadamente 8 km

Acesso viário: Pela ER 311, virando na indicação Vilar segue-se pela EM 528

Área total da freguesia: 12,1 km2

Localidades:  Carvalho e Vilar, sede de freguesia

População: 238 habitantes[i]

Orago: Nossa Senhora da Guia

 

vilar-antig-freg.jpg

 

Festas e Romarias:

- Nossa Senhora da Guia, 15 de Agosto, Vilar

- Senhor dos Milagres, 1º domingo de Setembro, Vilar

- SÃO Mateus,* 21 de Setembro, Carvalho

 

Património Arqueológico

Castro Alto do Crasto / Castelo dos Mouros Gravuras de Chainça Gravuras de Quilhoso Tumulus.

 

1600-vilar (203)4-5.jpg

Igreja Paroquial Senhora da Guia (Vilar)

Património Edificado

- Capela do Senhor dos Milagres (Vilar)

- Cruzeiros (Vilar)

- Fonte de Mergulho (Vilar)

- Fornos do Povo de Vilar (Arrabal de Baixo e Arrabal de Cima)

- Igreja Paroquial Senhora da Guia (Vilar)

 

Alojamento Turismo Rural - Casa da Eira Longa (Vilar)

 

1600-vilar (214).jpg

Casa da Eira Longa - Alojamento de turismo rural

Rede de Tabernas do Alto Tâmega

 

Marcas da História Antiga

 

VILAR

Alto do Crasto ou Castelo dos Mouros

Designação: Alto do Crasto / Castelo dos Mouros

Localização: Vilar

 

Descrição: o Castro de Vilar de Porro fica abaixo da aldeia de Vilar, mesmo ao lado do sítio de Fervença, e é designado pelo povo como Castelo dos Mouros. Embora tenha três patamares ascendentes e uma muralha na borda de cada um deles, as suas condições de defesa estão longe das dos outros castro da região, que com muralhas altas ofereciam muito boas condições de defesas. O patamar da base na linha Leste/Oeste tem cerca de 35 m de largura. A este patamar segue-se para Oeste uma rampa ascendente com 10 m de comprimento, e a seguir o segundo patamar que na linha Leste/Oeste tem 11 m de largura. Logo se empina nova rampa ascendente que na mesma linha tem 5 m de comprimento e conduz ao patamar cimeiro ou coroa do castro com 80 m de comprimento. Existem vestígios de várias construções circulares.

 

1600-vilar (369).jpg

Capela do Senhor dos Milagres (Vilar)

 

Aldeias da antiga  Freguesia de Vilar

 

A freguesia de Vilar era constituída apenas por duas aldeias, a aldeia de Vilar, sede de freguesia,  e a aldeia de Carvalho.

 

1600-vilar (56).jpg

Vilar

 

Aldeia de Vilar

 

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de vilar, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: VILAR 

 

1600-carvalho (10) - 1.jpg

 

Aldeia de Carvalho

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia de Carvalho, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: CARVALHO 

 

 

Antiga freguesia de São Salvador de Viveiro

 

viveiro-antig-freg.jpg

 

 

Evolução da população na freguesia de S. Salvador de Viveiro

 

Ao contrário de Vilar, uma freguesia já muito antiga,  a freguesia de de S. Salvador de Viveiro é muito mais recente, pois apenas foi criada em 1967 - Pelo decreto lei nº 47.516, de 28/01/1967, com lugares de Viveiro, Agrelos, Bostofrio e Campos, todos desanexados da freguesia de Covas do Barroso.

 

Assim os dados que temos sobre o evoluir da população são apenas os dos 5 Censos realizados entre o Censos de 1970 e o de 2011, iniciando em 1970 com uma população de 690 habitantes para em 2011 possuir apenas 293, com uma linha de tendência a descer abruptamente para o zero. Fica então o gráfico de Viveiro:

 

grafico viveiro.jpg

Evolução do número de habitantes da freguesia de S. Salvador de Viveiro

 

Outros dados da Freguesia

 

Localização geográfica: A freguesia de São Salvador de Viveiro situa-se na parte Centro/ Oeste do concelho de Boticas.

Distância relativa à sede do concelho: aproximadamente 11,5 km

Acesso viário: pela ER 311 até aparecer a indicação Viveiro. Percorre-se um pequeno troço da EM 519-B e segue-se pelo CM 1036. Em alternativa segue-se pela ER 311 e, virando na indicação Viveiro, segue-se pelo CM 1036.

 

Área total da freguesia: 18,8 Km2

 

Localidades: Agrelos, Bostofrio, Campos e Viveiro, sede da freguesia.

 

População: 345 habitantes[ii]

 

Orago: Divino Salvador do Mundo

 

1600-viveiros (5).jpg

São Salvador do Mundo - Viveiro

 

Festas e Romarias:

- Santo Amaro,* 15 de Janeiro, Campos

- SÃO Sebastião, Janeiro, Viveiro

- SÃO Marçal,* 30 de Junho, Bostofrio

- Divino Salvador do Mundo ou São Salvador do Mundo, segundo Domingo de Agosto, Viveiro

- SÃO Mamede, 17 de Agosto, Agrelos

 

Património Arqueológico

- Alto da Raposeira / Agrelos (Tumulus)

- Castro do Lesenho (Campos) - Património Classificado (IIP)

- Reigal / Chã de Lesenho (Tumulus)

- Sepultura

 

1600-c-out-lasanho (90).jpg

 

 

Património Edificado

- Capela de São Mamede (Agrelos)

- Capela de São Marçal (Bostofrio)

- Capela de Santo Amaro (Campos)

- Capela de Viveiro

- Casa do Morgado de Agrelos

- Cruzeiro – Agrelos

 

1600-viveiros (21).jpg

Viveiro

 

Marcas da História Antiga

 

SÃO SALVADOR DE VIVEIRO

 

Castro do Lesenho (Património Classificado - IIP)

Designação: Castro do Lesenho

Localização: Campos (São Salvador de Viveiro)

 

1600-c-out-lasanho (40).jpg

 

 

Descrição: o Castro do Lesenho encontra-se a cerca de 700 m da aldeia de Campos, freguesia de São Salvador de Viveiro.

 

Este castro é um monte cónico e pedregoso cuja altura se pode calcular em 50 a 60 metros. Tem três linhas de muralhas, sendo a cimeira a melhor definida pelos alinhamentos de pedras em montão caótico, a entestar os penedos. A segunda e terceira muralhas, na sua maior parte derruídas, são também assinaladas pelas fiadas de montões de pedras. A maior parte das muralhas têm dois metros de largura. Além da porta aberta na muralha fundeira, que pode considerar-se a entrada principal, há mais duas portas, uma no topo da terceira muralha, a outra no lado Poente da primeira muralha. O Castro do Lesenho notabiliza-se pelo facto de nele se terem encontrado, talvez no século XVIII, quatro estátuas de Guerreiros Galaicos ou Calaicos Na base Nordeste do castro foi encontrado um pequeno penedo com gravuras. O monte onde se localiza o castro, dada a sua altitude e localização, é um excelente miradouro natural. Daí avistam-se uma vastidão de paisagens: a Norte os Cornos das Alturas, as cristas da Serra do Gerês e a Serra do Larouco, pelo Nascente a Serra de Sanábria (Galiza); além Tâmega a Serra de Santa Bárbara, para Sul o Alvão e o Marão; mais perto a Serra da Cabreira, os cerros de Cabeceiras de Basto e a Serra da Eira.

 

Festas e Romarias

 

Festa de São Sebastião em Viveiro (São Salvador de Viveiro)

A celebração ao São Sebastião em Viveiro não tem uma data fixa pois a sua realização depende da disponibilidade do pároco. Esta festa conta com a presença das pessoas da aldeia a quem é distribuído pão e vinho. É cada uma das casas da aldeia que, num sistema de rotatividade, anualmente organiza a compra e Festa de São Sebastião em Viveiro (São Salvador de Viveiro) distribuição do pão e do vinho, ou seja, é o mordomo que compra o pão e o vinho com que enche o pipo da festa, um pipo que anda à roda pelos mordomos. Nesse dia celebram uma missa e sermão em honra de São Sebastião. Finda a missa juntam-se no largo e procedem à distribuição do pão e do vinho entre os fiéis

 

1600-viveiros (13).jpg

Divino Salvador do Mundo ou  São Salvador do Mundo - Viveiro

 

Festa do Divino Salvador do Mundo ou  São Salvador do Mundo

Realiza-se no início de Agosto junto ao santuário do Divino Salvador do Mundo em Viveiro. Manda a tradição que esta festa, que é a maior festa da freguesia e uma das maiores do concelho, se realize no dia 6 de Agosto se coincidir num domingo. Caso contrário celebra-se no domingo a seguir ao dia 6.

 

O Divino Salvador do Mundo é o protector dos animais, pelo que, no dia da festa (ou no dia antes), os lavradores levam o gado para a “bênção do gado” Festa do Divino Salvador do Mundo ou São Salvador do Mundo (ver pág. 123) e com ele andam à volta da igreja para que os proteja das maleitas ou em agradecimento a benesses recebidas. Manda a tradição que estas voltas constituam uma novena (9 voltas) ou então 3 ou 6 voltas.

 

Nesse dia celebram uma missa e fazem uma procissão com 7 andores acompanhada por uma banda musical. Procede-se também ao leilão das oferendas. À noite a festa continua, na aldeia, num animado arraial popular a que não falta também o tradicional

 

Aldeias da antiga freguesia de São Salvador de Viveiros

 

1600-agrelos (2).jpg

Agrelos

Agrelos

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Agrelos  

 

1600-bostofrio (447).jpg

Bostofrio

Bostofrio

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Bostofrio 

 

1600-c-out-lasanho (5).jpg

Campos

Campos

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Campos  

 

1600-viveiros (193).jpg

Viveiro

Viveiro

Para quem quiser rever mais alguns dados sobre a aldeia, basta seguir este link para o post que lhe dedicámos: Viveiro   

 

 

E agora, tal como fazemos com cada aldeia, vamos aqui deixar o vídeo dedicado à freguesia, com uma seleção de imagens de cada aldeia e as imagens de hoje.

 

Vídeo resumo com imagens da freguesia:

 

 

Tal como dissemos no início do post, vamos aproveitar estes posts dedicados às freguesias para deixar aqui um tema dos hábitos comunitários das aldeias do Barroso, embora alguns já tivessem caído em desuso.

 

Assim, iniciamos hoje com o tema “ A Bênção do Gado”, que por sinal uma dessas cerimónias ocorre no santuário de São Salvador do Mundo, da freguesia que hoje aqui deixamos.

 

1600-bostofrio (205).jpg

Pastagens - Bostofrio

 

A Bênção do Gado

 

Sendo um dos elementos fundamentais para estas economias de montanha, não é por isso de admirar que o gado seja alvo de constante atenção e inúmeros desvelos por parte dos donos. A doença ou morte de um animal causa inúmeros constrangimentos e prejuízo aos agregados familiares. Dada a fragilidade dos ecossistemas locais e o grau de incerteza que rodeia a vida do agricultor, este recorre muitas vezes à protecção divina para que proteja o seu gado.

 

Neste contexto, é vulgar o recurso à bênção do gado, às oferendas ao Santo António, protector dos animais, e às promessas com o gado. Em Atilhó, no dia de Santo António, 13 de Junho, os agricultores levam o gado para o monte Galhado, onde está localizada a Capela de Santo António, para assistirem à missa, no fim da qual há a bênção do gado para o proteger e os livrar dos males. São inúmeras as aldeias em que, no final das celebrações dedicadas ao Santo António, se costuma fazer o leilão das oferendas dos fiéis, revertendo o dinheiro para o Santo.

 

1600-pinho (6).jpg

Senhor do Monte em Pinho

 

Em Pinho, celebra-se anualmente uma grande festa, no último fim-de-semana de Julho, em honra do Senhor do Monte, considerado o protector dos animais. Manda a tradição que, no sábado, dia reservado à bênção dos animais, os lavradores levem o gado até A Bênção do Gado ao Santuário e com ele façam três voltas à igreja. Muitos são os que percorrem longas distâncias, não só do concelho, mas também de concelhos vizinhos, outrora a pé, agora em carrinhas, para levarem os seus animais até ao santuário, em busca da protecção do Santo. Nesse dia, dizem os fiéis, apesar da grande concentração de animais nesse espaço, não se vê uma mosca no pinhal. As esmolas das promessas ou agradecimentos pela protecção ou benesse recebida costumavam ser dadas em centeio, mas agora costumam dar dinheiro.

 

1600-viveiros (302).jpg

S. Salvador de Viveiro

 

Mais conhecida ainda, é a romaria do Divino Salvador do Mundo, ou São Salvador do Mundo, em Viveiro (São Salvador de Viveiro), a que acorrem inúmeros fiéis para a bênção do gado, como descreveu Oliveira (1984:256/8)

 

“(…) O gado começou a afluir pelas 9 horas da manhã, e essa afluência atingiu o auge pelas 11 horas, formando então um anel quase ininterrupto (embora não denso) em volta do muro do adro, pelo lado exterior. Apenas três bois carregavam cereal à cabeça, amarrado entre os chifres; mais frequentemente este vinha em burros, ou às costas, à cabeça ou debaixo dos braços das pessoas, seguindo os bois atrás. Como dissemos geralmente dão nove voltas (novena), no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio; mas podem dar mais ou menos, conforme as promessas que fizeram.

 

1600-viveiros (83).jpg

Viveiro

Todo o gado trazia coleiras ao pescoço. Por vezes, as juntas iam jungidas para não fugirem nem saltarem. Algumas pessoas, quando passam com o gado em frente à porta sul do muro do adro (as voltas do gado São pelo lado exterior do muro que circunda o adro; a pessoa que conduz os bois vai à frente, ao lado ou atrás dos animais, conforme calha), fazem o sinal da cruz e esboçam uma genuflexão. Cumpridas as voltas da promessa, algum gado fica por ali, para a bênção; outro vai para os lameiros próximos. Também aparecem ovelhas, misturadas com os bois, a andar nas voltas.

 

Fora da capela, as promessa das pessoas (sem gado) consistem sobretudo em voltas a pé dentro do adro em torno da capela, muitas vezes com cereal em sacos à cabeça ou às costas, que depois irão despejar nas arcas que estão dentro da capela. Uma ou outra pessoa traz cravos ou outras flores. Em frente à porta, aberta, da capela, esboçam a genuflexão. Vê-se também uma ou outra dando voltas de joelhos. Por vezes, de cada volta a pé, põem uma pedra no cachorro que há na fachada, sob o alpendre, à esquerda.

 

Mais para dentro da capela, estão pousados no chão os sete andores, aguardando a procissão: Santa Quitéria, Santo Isidoro, São Bento, São Salvador do Mundo (nascente), Nossa Senhora, Santo Adrião e Nuno Álvares (poente); o andor de Nun’Álvares fica um pouco atrás dos outros, encostado ao arco do transepto. Santo Isidoro é o protector dos lavradores, e a imagem tem aos pés um touro; Santo Antão é dado como “abade protector dos animais”; São Bento é protector das doenças, e Nun’Álvares protector dos Portugueses. As pessoas que trazem cereal como promessa, depois das voltas (ou directamente, se não prometeram voltas) entram na capela e despejam os sacos nas arcas respectivas. Às vezes, antes de despejarem os sacos, vão rezar em frente do altar do Salvador, e então com frequência fazem-no com o saco do cereal à cabeça ou nos braços.” A descrição continua, destacando o cumprimento de promessas e os diversos procedimentos dos fiéis ao logo do dia, assim como descreve, ao pormenor, a procissão onde se faz a bênção dos animais que se espalhavam pelo outeiro, e a alocução aos lavradores que foi do teor seguinte:

 

1600-viveiros (3)-FREG.jpg

São Salvador do Mundo - Viveiro

“Atenção! Pede-se uns minutos de silêncio, porque vai seguir-se a bênção do gado. Interrompam as voltas, porque vai benzer-se o gado. Atenção! Antes de se principiar a bênção do gado, eu quero dirigir umas breves palavras aos lavradores da nossa região, aos lavradores e à boa gente transmontana, à boa gente de Barroso! Lavradores do Barroso! Já há muitos anos que tendes vindo aqui a este santuário, cumprir as vossas promessas. É grande a vossa fé, o vosso entusiasmo, para com o Divino Salvador do Mundo. Há gente que vem da raia de Espanha, de muito longe aqui a este santuário, cumprir as promessas porque o Divino Salvador do Mundo, nos momentos de perigo, cura os seus animais. Por isso, é com fé que vós viestes a este santuário, cumprir as vossas promessas. O Divino Salvador do Mundo abençoe os vossos gados, que o Divino Salvador do Mundo afaste para longe das vossas casas as pestes, que o Divino Salvador do Mundo interceda por vós, abençoe os vossos trabalhos, as vossas canseiras, os vossos campos, os vossos animais. Com fé, com amor, dizei ao Divino Salvador do Mundo o ‘muito obrigado’! Ele é o Senhor de tudo. Ele dá-nos tudo, é o nosso Pai, por isso confiai nele. Que o Divino Salvador do Mundo nos salve a todos. E que hoje, neste dia, conceda muitas graças e muitas bênçãos para todos vós, abençoe as vossas famílias, abençoe os vossos gados. São os votos do pároco desta freguesia. Agora vai seguir-se a bênção do gado”.

 

********************

 

Para terminar fica um aviso à navegação, a respeito da metodologia de publicação dos posts que passaremos a utilizar a partir de hoje, que embora continuemos a utilizar a ordem alfabética, a partir de hoje, será a ordem alfabética do nome da freguesia e não das aldeias. Assim, as próximas aldeias a abordar serão as da freguesia de Alturas do Barroso e Cerdedo, a saber: Alturas do Barroso; Atilhó; Casas da Serra; Cerdedo; Coimbró; Covelo do Monte; Vilarinho Seco e Virtelo. No final da abordagem de todas as aldeias, continuaremos a ter o post da freguesia, idêntico ao de hoje.

 

 

[i] Valor dos Censos de 2001

[ii] Valor dos Censos de 2001

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

15-anos

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Obg António Roque. Os irmãos são isso mesmo!

    • Anónimo

      Ainda há pessoas que podem dizer e contar a sua fe...

    • Anónimo

      Que bela surpresa. Força Fernando a gente agradece...

    • Ana D.

    • Anónimo

      Caro Fernando Ribeiro,Com um abraço parabéns, com ...

    FB