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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

10
Set18

O Barroso aqui tão perto - Viade de Baixo

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Vamos lá a mais uma voltinha pelo Barroso, que fica aqui tão perto e que é sempre um encanto andar por ele em constante descoberta. Hoje vamos até uma das 3 aldeias que têm como topónimo Viade, neste caso, Viade de Baixo.

 

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Isto de o topónimo principal se repetir em aldeias vizinhas é muito comum em Portugal, aliás no concelho de Montalegre não é caso único, pois nas Penedas (de Baixo, do Meio e de Cima) repete-se o mesmo, também no concelho de Chaves acontece nas Assureiras (de Baixo, do Meio e de Cima).

 

Mas neste caso de Viade, embora exista o Viade de Baixo e o Viade de Cima, a outra aldeia dá pelo topónimo de Antigo de Viade. Quanto ao significado do topónimo, mais à frente abordaremos o tema.

 

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Para já vamos às nossas impressões primeiras tomadas na nossa primeira visita a Viade de Baixo. E digo primeira, porque há aldeias em que ir por lá uma única vez não é suficiente. Aconteceu em Viade de Baixo onde fomos uma segunda vez, mas também uma terceira vez, e agora que comecei a entrar na sua intimidade e história, ou seja, a bisbilhotar nos documentos e publicações, penso que com tempo, uma quarta vez irá ser uma realidade, pois já me dei conta que me escaparam algumas coisas por lá. E confesso a minha culpa, pois poderia não ter acontecido assim.

 

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Pois a primeira vez em que fomos por Viade de Baixo, foi há dois anos, mais precisamente no dia 21 de maio de 2016 a partir das 16H30. Agora que já vou tendo um bocadinho de experiência nesta coisa de recolher imagens mas também conteúdos das aldeias, sei que a partir da hora do almoço é má hora para a fotografia, não só pela luz que é traiçoeira, mas também pelo calor que aperta mais (em tempo quente como foi o caso) e ainda pelos almoços do Barroso que são sempre bons e fartos, o que castra a inspiração, recomendado mais as assossegas.

 

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No trabalho de casa de organização e arquivo das imagens de Viade de Baixo do dia 21.05.16, logo me dei conta que a inspiração não tinha sido muita e que a recolha tinha ficado muito curta, principalmente depois de ter descoberto um lugar no facebook dedicado à aldeia e nele ter visto as imagens que Artur Pastor (https://pt.wikipedia.org/wiki/Artur_Pastor) por lá tinha recolhido nos anos 50/60. Nesse dia ficou decidida uma nova visita a Viade para uma recolha mais aprofundada.

 

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No dia 14 de junho de 2017, às 15 horas. De novo numa hora não muito própria, mas desta já íamos mais informados pelo que nos resguardámos um pouco no almoço e aproveitámos aquela hora em que eles (almoços) ainda não começaram a fazer efeito. Quanto ao calor e à luz daquela hora, lá teria que ser, nesta nova ida a Viade de Baixo. Desta vez sim, saímos de lá com espírito de missão cumprida, embora como já disse atrás, ainda com algumas falhas.

 

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Mas no entretanto e na recolha de informações para novos roteiros e itinerários, dei-me conta da existência de uma capela no meio do monte. Pela proximidade só poderia pertencer a Viade e como no passado dia 1 deste mês de setembro andávamos por ali nas proximidades, resolvemos partir à sua descoberta, e diga-se, que foi uma descoberta interessante e agradável, não só pelo conjunto da capela, fonte, cruzeiro e cruz, mas também pelas vistas que desde lá se alcançam. Ah! E desta vez chegámos lá ainda antes de almoçar, aliás até estivemos por lá a fazer horas (ou minutos) para chegarmos à mesa à hora certa. Não sei se já deram conta da importância que a mesa barrosã tem nesta coisa das recolhas fotográficas e documentais… aliás há por aqui quem diga que nós vamos para o Barroso mais pela mesa barrosã do que pelas fotografias, o que não é verdade, mas também não é mentira. Digamos antes que é ouro sobre azul…  

 

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Mas entremos na intimidade de Viade de Baixo, mas antes, como de costume, vamos saber onde se localiza e como chegamos lá, sempre a partir da cidade de Chaves. Para melhor localizarmos Viade nem há como dizer que confronta com a Barragem dos Pisões, na sua margem direita, ali por onde a EN 103 vai contornando as curvas da barragem, um pouco antes de se chegar ao paredão da barragem e da aldeia dos Pisões.  Onde atrás se diz que confronta com a barragem, quer dizer-se o território de Viade, pois a aldeia propriamente dita, fica a 800 metros da barragem e entre ambas, mais ou menos a meio, passa a EN103.

 

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Já entenderam que a EN103 pode ser um caminho para lá chegar, no entanto vou recomendar outro itinerário mais interessante, pois parto do princípio que quando vamos para uma destas aldeias, não vamos lá passar o dia todo e pelo caminho podemos ir deitando um olho a outras aldeias, outras paisagens e até fazer umas paragens em locais agradáveis para se estar um bocadinho em maré de apreciação.

 

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Pois desta vez para o nosso itinerário de ida, vou recomendar-vos a estrada do S. Caetano ou de Soutelinho da Raia, se preferirem. Quando deixarem Soutelinho para trás e imediatamente ante de aparecer a placa a anunciar o concelho de Montalegre, há um enorme rochedo junto à estrada, que é de paragem obrigatória, pois é desde aí que se vê todo o planalto do Larouco a rematar na serra. É desde este ponto que a Serra do Larouco mostra todo o seu endeusamento. Eu não fiz promessa de lá parar, mas a grande maioria das vezes paro por lá para tomar a minha dose de contemplação.  

 

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Logo a seguir temos Meixide onde no final da aldeia a estrada se bifurca, com ambos os destinos dirigidos a Montalegre. Devemos optar pelo da esquerda em direção a Pedrário e Sarraquinhos, nesta, logo na entrada devemos entrar dentro da aldeia, atravessá-la e sair em direção a Zebral. Todas esta aldeias são interessantes, assim, se algum motivo o convidar a parar, pare, pois temos tempo para chegar a Viade de Baixo.

 

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Depois de deixarmos Zebral de lado sem entrar nela, seguimos em direção a Vidoeiro, uma das aldeias dos colonos de Salazar, deve ignorar as placas para o Cortiço, mas se passar por lá também fica a caminho, e a pouco mais de 1 km está na “estação de serviço” do Barracão, já na EN103 (estrada Chaves-Braga).    

 

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Aqui começa a segunda parte do nosso itinerário que servirá para ir e mais tarde regressar. Estando no Barracão é só seguir pela EN103 em direção a Braga. Vai passar pela Aldeia Nova do Barroso (outra das aldeias dos colonos de Salazar), por S. Vicente da Chã, por Travassos da Chã (a lado), por Penedones e Parafita e logo a seguir aparecem as placas a indicar a entrada para Antigo de Viade, mas não é este o Viade do nosso destino de hoje, assim, continue pela EN103 e oitocentos metros mais à frente, aí sim, terá a indicação da entrada em Viade de Baixo e de Cima, à direita. Estamos no nosso destino. Fica o mapa por via das dúvidas.

 

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Estamos finalmente em Viade de Baixo. Não se esqueça, que para regressar a Chaves, depois da visita, deve retomar EN103 mas em direção contrária àquela que tomou para chegar a Viade . Não saia da estrada e estará de regresso a casa. Mas entremos então em Viade e nas nossas recomendações.

 

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Iremos já aos pontos de interesse que vêm nos documentos e livros, mas só um apontamento, não deixe de apreciar com olhos de ver a igreja, as capelas, alminhas e cruzeiros que vai encontrar ao longo da aldeia. O seu casario tipicamente barrosão que ainda vai resistindo, os canastros e tudo o mais que lhe despertar interesse. Na Igreja vi lá um pormenor que me encheu as medidas e que fica na foto seguinte. Trata-se das escadas de acesso à torre sineira, são de uma mestria suprema, nem que fosse só por este pormenor, já valia a pena uma visita a Viade. Mas há muito mais…

 

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Vamos aos documentos, iniciando pelo livro Montalegre, onde se diz:

 

Área: 43 Km²

Densidade Populacional: 18.1 hab/km²

 População Presente: 750

Orago: Santa Maria

Pontos Turísticos: Albufeira de Pisões; Solar dos Queridos; Marco Miliário e Igreja (Viade de Baixo);

Lugares da freguesia: (10) Antigo, Brandim, Friães, Parafita, Pisões, Telhado, Viade de Baixo e Viade de Cima, Lama da Missa e Castelo.

 

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Os dados do parágrafo anterior referem-se à antiga freguesia de Viade de Baixo, ou seja, Viade foi também uma das freguesias rifadas para se unir a outra freguesia vizinha, a de Fervidelas, ou seja, atualmente chama-se União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas, pelo que, às aldeias da freguesia atrás mencionadas, acrescem agora a aldeia de Fervidelas e Lamas.

 

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E continua o livro Montalegre:

 

A freguesia de Santa Maria de Viade orgulha-se do seu passado glorioso, de que restam vestígios notórios, às vezes, de muito difícil estudo por ausência total de documentos. Referimo-nos ao bonito solar dos Queridos no qual sobressai uma impressionante pedra de armas, dos Barrosos e Mouras, e a extinta capela de Santa Rita. A dificuldade de retirar da obscura poeira dos tempos a verdadeira história destes e doutros monumentos conduz à propagação do rosário de lendas que a tal respeito se contam.

 

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E continua:

 

O vale do Regavão, que bordeja a freguesia pelo sul e nascente, dá passagem à via prima, aqui assinalada por um miliário gigante que depois se transformou na cruz de Leiranque. Não longe desse local houve um pisão – que passou a topónimo da barragem e mais acima a antiquíssima Vila de Mel, provavelmente a primeira “statio” (São Vicente da Chã seria a segunda ) entre as cidades de “Praesidium” e “Caladunum” – “mansiones” da dita via imperial. Aí, ainda se pode ver a necrópole cujas sepulturas abertas num granitoide muito mole e areento se vão esboroando com a erosão eólica e aquática. Urge acudir-lhes. Doutras eras mais recentes temos imensas notícias que dariam para grossos volumes.

 

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E ainda:

Apesar de tudo ainda temos mais de mil fontes por esses recantos e algumas, que abasteceram as povoações, merecem uma visita! São as fontes de mergulho ou de chafurdo: em Mourilhe, Arcos, Vila da Ponte, Meixedo, Telhado, Viade de Baixo… Quase todas as povoações tinham a sua.

 

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E ainda a Lenda de Montalegre com uma referência a Viade:

 

Lenda de Montalegre

 

Diz-se que andavam por aí uns fidalgotes, com avantajadas comitivas de escudeiros, pagens e criadagem os quais entravam nas aldeias, comiam, bebiam do bom e do melhor, acomodavam e alimentavam cavalos e mulas, dormiam nas melhores casas e não prestavam  contas. Traziam os barrosões de nervos alterados e incapazes de lhes dar resposta condigna visto que partiam como chegavam, fora de horas e sem avisarem.

 

Mas num belo dia uma grande comitiva subia do Minho  por Salto, Vila da Ponte, Viade, comendo os melhores leitões, vitelas e cabrito, bebendo á tripa fora, despejando dispensas e fumeiros e sem abrirem os cordões à bolsa.

 

Juntou-se o povinho com grande alarido e ameaças ao alcaide cerca dos cubelos do Castelo. Ameaçado e vaiado o alcaide ordenou ao Capitão-mor que organizasse as forças necessárias para emboscar os agressores e obrigá-los a pagarem os prejuízos causados. 

 

Foi acorrentado para o cárcere do Castelo o Fidalgo que superintendia e comandava os assaltantes sendo dada ordem aos seus criados de regressarem às suas terras. Que voltassem com as quantias que o Povo exigia pelos gastos e roubos e então seria dada liberdade ao fidalgo encarcerado.

 

Uns tempos depois chegaram os familiares do preso e pagaram as suas dívidas. De seguida foi entregue o cavalo ao prisioneiro. Que partisse e não voltasse… 

 

O homem ao montar o seu cavalo a caminho da liberdade, despediu-se com duas palavras que são muito queridas a todos os Barrosões.

 

- Monto  alegre!!!

 

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E mais:

 

As Igrejas, Capelas, Alminhas e Cruzeiros - Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém.

 

E ainda:

 

Contudo, a maior riqueza das nossas igrejas encontra-se no interior: tanto em muitos dos seus santos que escaparam à usura de sacristães, padres e “homens-bons”, como na talha que as orna, sendo que uma boa parte dela se deve a ignorados artistas autóctones. Merecem algum realce certos exemplares como Salto, Santa Marinha, Covelo, Vila da Ponte, Viade, S. Vicente, e sobretudo, pelo ruralíssimo e humílimo conjunto de talha de S. Miguel de Vilaça.

 

E também:

 

Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído.

 

Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.

 

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Continuando no livro “Montalegre”

 

No castelo de São Romão gravaram uma cabeça de boi, há milhares de anos, em sinal do culto que lhe devotavam; no século passado, os de Travaços do Rio, terra de memórias firmes e longas, gravaram a cabeça do boi campeão numa torre que lhe dedicaram. Não há muitas décadas, dezenas e dezenas de bovinos faziam novenas à roda da Capelinha do Santo António de Viade que os protegera de doenças e desastres.

 

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Capela de Stº António

 

Quanto a festas:

 

As Festas

 

Por falarmos em festas, algumas ocorrem cada ano por toda a região. As de mais nomeada e tradição são as festas concelhias ao Senhor da Piedade, que se realizam na capital, durante a primeira quinzena de Agosto; a de Salto, à Senhora do Pranto, em 15 de Agosto; a de Vilar de Perdizes, à Senhora da Saúde, a meados de Junho; as das sete Senhoras, todas elas Nossa Senhora dos Remédios, em sete localidades diferentes de Barroso, no dia 8 de Setembro, etc.

 

Muitas delas apresentam um programa de carácter etnográfico e recreativo e realizam-se em locais de impressionante envolvência paisagística. Entre estas destacam-se: a Senhora da Vila de Abril, na freguesia de Contim; a Senhora das Neves, na freguesia de Cabril; São João da Fraga, em Pitões; a Senhora de Galegos, na freguesia de Cervos (Cortiço); o São Domingos, em Morgade e o Santo António, em Viade.

 

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E arte sacra:

 

É ver e conhecer a tríade dos Pintos de Donões que tantas obras nos legaram e pedem meças a qualquer artista; são verdadeiras obras-primas que ornam ainda os altares de dezenas de igrejas, desde Montalegre a Chaves, Boticas e Valpaços. Foram exímios escultores, com algumas peças perfeitamente inéditas no nosso meio; foram pintores, douradores de altares e imagens, ensambladores e entalhadores. De todos estes exercícios guardamos espécimes de altíssima qualidade no nosso Concelho. O primeiro, Bento Pinto Júnior (1837-1922) tem obras em Donões, Fírvidas, Peirezes, Sapelos, Pedrário, Montalegre, Travaços, Cambeses e Viade; Domingos José Pinto (1874-1950) deixou obras na Vila da Ponte – a primeira imagem da Senhora de Fátima em Barroso- em Montalegre, Donões, Padroso, Nogueira (Boticas) e Bustelo, Vilarelho e Chaves (todas do concelho de Chaves); António Teixeira Pinto está bem representado nos quatro concelhos acima referidos, sobretudo na pintura e douramento de altares conquanto tenha executado diversas imagens.

 

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E agora é a vez da “Toponímia de Barroso” fazer a sua entrada:

 

VIADE

Desde 2013 – União de Freguesias de Viade de Baixo e Fervidelas

 

É o genitivo do nome pessoal Beatus; “villa” BEATI>BIADE>VIADE.

Podia ser escrito Biade pois o topónimo já em:

-1258 «Sancte Marie Biadi» INQ 1514 estava sedimentado. De igual modo a forma encontrada em

-1288 « de Sancta Maria de Biady» (Com o y dos ditos amigos sdo pedantesco arcaísmo) INQ N.A. – 492. Nas inquirições de

- 1282 «…isto he en termyo de Biadi». Aqui voltamos à forma final/inicial – onde apenas faltava o e mudo terminal cujo i já assim devia soar.

 

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 Os cornos da Serra de Barroso, vista desde Viade

 

No Portal do Arqueólogo encontrámos o seguinte:

 

Via Romana XVII

 

Troço de caminho, parte integrante da via XVII do Itinerário de Antonino. Nesta freguesia tem início alguns metros para Sul da ponte da Cambela, nas imediações da qual foi encontrada uma estela funerária, de época romana. Efetivamente na descida para a ponte conserva-se um belo troço lajeado, cujos marca dos rodados é notória. A via entrava no concelho de Montalegre junto à ponte do Arco (ponte romana), milha 35 desde Bracara Augusta ou 43 desde Aquae Flaviae, continuava pela aldeia de Vilarinho dos Padrões, Venda Nova e Castro de Codeçoso. Neste troço que contempla a freguesia da Venda Nova encontra-se submersa pela albufeira da Venda Nova. Nos Pisões, segundo Lereno Barradas atravessaria a antiga EN ao Km. 116, onde conservava um agradável troço de calçada. Desde os Pisões encontra-se submersa pela albufeira do Alto Rabagão até Villa de Mel, a Sul do Alto do Pedrouço. Na Cruz de Leiranque, local inundado pela albufeira foi encontrado um miliário, posteriormente transferido para Viade de Baixo - CNS 19818. Segundo informação anterior ao levantamento efetuado pela CM Montalegre, os restantes miliários provenientes deste troço encontram-se no Museu da Região Flaviense. É um dos troços mais conhecido da Via XVII do Itinerário de Antonino, onde foram registados miliários in situ e principalmente onde se encontraram miliários com marcação desde Chaves e desde Braga, na mesma milha, facto que não se volta a constatar no decurso desta via. Há ainda referencia de que neste percurso de três milhas romanas (cerca de 4,5 km) existiam 10 miliários, de entre os quais dois são anepígafos, um apenas se conservam as milhas, dois são da dinastia Júlio-Claudiana (Cláudio e Tibério) e quatro da dinastia dos Antoninos (Trajano e Adriano). Para obtermos uma descrição deste troço tivemos que nos limitar aos registos mais antigos (anteriores à construção da albufeira), uma vez que só é possível reconhecer este caminho quando o nível da albufeira desce consideravelmente. Na ponte do Arco, segundo Argote a via cruzava a antiga estrada nacional, continuava por Padrões, Venda Nova, correspondente ao lugar antigamente conhecido por Venda dos Padrões, Codeçoso do Arco, encosta do castro de Codeçoso, milha 38, deste ponto a via descia pela encosta Ocidental até ao rio Rabagão, que cruzava no lugar de Porto de Carros, onde existia a ponte dos Três Olhais, sobre o Rabagão, referida por Argote, e destruída pelas cheias.

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Fotografia de Artur Pastor

 

 

Agradecimentos:

 

Em tempo, umas fotografias antigas do Barroso chamaram-me a atenção. Segui a pista de uma delas e fui parar a um grupo do facebook que tinha como título “Viade de Baixo”. Por lá encontrei outras fotos antigas, igualmente interessantes, tal como a que me fez chegar a este grupo. A curiosidade da autoria levou-me entrar em contacto com uma administradora do grupo (Ana Paço), que prontamente me informou serem fotos dos anos 50/60 de autoria de Artur Pastor. A partir de aí recorri mais algumas vezes às ajudas da Ana a pedir informações sobre Viade, a última vez, há poucos dias, a respeito de uma  Capela nas proximidades de Viade e que graças à Ana ficámos a saber ser “ a capela de São António e de São Salvador do Mundo” com festa a realizar-se “no terceiro fim de semana de agosto” e que no passado “ os andores saiam da igreja de Viade e a procissão seguia pelo caminho de terra” até à capela de Stº António, com missa “ e a seguir faziam-se grandes merendeiros nos campos em volta. Da parte da tarde os lavradores que tinham gado, levavam o gado a dar umas voltinhas a capela, para que ficassem protegidos. Hoje em dia, já não se faz a procissão a partir da aldeia, já não há merendeiros e a festa e o arraial são feitos no largo da seara”.

 

Pois só nos resta agradecer à Ana Paços e ao seu grupo no facebook “Viade de Baixo” pela sua disponibilidade e informações que nos facultou, que em muito contribuíram para a feitura deste post. Já agora fica o endereço do grupo ao qual recomendamos uma visita: https://www.facebook.com/groups/viadebaixo/

 

Ficam algumas imagens de Artur Pastor e uma nossa, atual, quase do mesmo ângulo em que A.Pastor tomou uma das suas. Apenas uma coincidência, pois a minha foto foi tomada antes de conhecer a  de A.Pastor, mas deixo ambas pela curiosidade de se poder comparar o atual com a imagem de há quase 70 anos atrás.

 

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E pela certa que haveria muito mais que dizer sobre Viade de Baixo, mas para já fica isto mas pela certa que teremos por aqui esta aldeia outra vez.  Para terminar e ainda antes de passarmos ao habitual  encerramento do post. Fica uma imagem da cruz colocada no recinto da Capela de Stº. António, que também deve visitar. Sem tempo para a poder localizar, se perguntarem na aldeia onde fica, pela certa que chegarão até ela.

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA

 

https://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1067634

https://www.facebook.com/groups/viadebaixo/

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/?sid=sitios.resultados&subsid=2349128

https://pt.wikipedia.org/wiki/Artur_Pastor

https://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

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02
Set18

O Barroso aqui tão perto - Montes, Montanhas e Serras

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Mais um sábado que passei pelo Barroso de Montalegre para amarrar umas pontas soltas do nosso levantamento fotográfico sobre as aldeias e outros lugares, com muitas paragens para registos que iam surgindo pelo caminho, como um arranque de batatas em Medeiros, um ângulo diferente sobre a ponte de Vila da Ponte, as inevitáveis e agradáveis conversas que vamos provocando com os residentes resistentes.

 

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Um sábado em cheio onde não faltaram as subidas às croas dos montes, montanhas e serras do Barroso, com muito calor, mesmo lá em cima onde a temperatura apenas descia uns míseros 2 ou 3º. Um almoço como os que costumam ser os almoços do Barroso, todos os ingredientes para chegarmos a casa de rastos com o corpinho a pedir, pelo menos, um pouco de sofá e a frescura das casas.

 

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Quero com isto dizer que com estas andanças pelo Barroso, depois ficamos sem tempo para preparámos mais uma aldeia para deixar aqui no “Barroso aqui tão perto”, mas o espaço existe e alguma coisa tínhamos que deixar por aqui, e nestes casos temos de facilitar a tarefa e preparar algo mais genérico. Porquê não os montes, montanhas e serras de onde todo o Barroso se avista e todas as montanhas e serras se dão a conhecer. Pois são essas as imagens de hoje, imagens do nosso reino maravilhoso.  

 

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E quando se fala em Reino Maravilho temos que evocar Torga. Fui, dentro do blog, à procura de Torga e do Reino Maravilhoso e encontrei por lá isto que não resisto a transcrever:

 

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“Chegado a casa, abriu-me o apetite para reler o “Reino Maravilhoso” de Torga, o mesmo de que tantas vezes se fala e se faz a citação das primeiras palavras do texto… “Vou falar-vos de um reino maravilhoso (…) fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores (…)  Vê-se primeiro um mar de pedras (…)— Para cá do Marão, mandam os que cá estão!... “ e nunca aparece o texto por inteiro, e é pena, pois todo ele é um poema que nos deixa nus perante a nossa identidade transmontana, o nosso ser, um retrato fiel daquilo que somos e que todo o transmontano tem obrigação de conhecer.”

                                         In https://chaves.blogs.sapo.pt/564005.html onde está transcrito o texto integral de “O Reino Maravilhoso” de Miguel Torga – Se é transmontano é de leitura obrigatória, se não o é,  também o deve ler para ficar a saber quem somos

 

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Quanto às imagens de hoje são de uma das pérolas desse “Reino Maravilhoso”, esta dá pelo nome de Barroso, com as suas serras e montanhas, com vistas que são vistas desde os seus pontos mais altos e desde onde as três principais serras do Barroso se avistam umas às outras, sendo que duas fazem um dos limites do Barroso (Serra do Larouco e Serra do Gerês) e a outra, está bem no coração do Barroso e dá pelo nome, como não poderia deixar de ser, de Serra do Barroso, todas acima dos mil metros de altitude.

 

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Pois são estas as nossas imagens de hoje, um pouco misturadas, mas todas elas tomadas desde a Serra do Larouco, desde a Serra do Barroso ou desde a Serra do Gerês, onde algumas são tomadas dentro delas para elas próprias, como acontece no caso da Serra do Gerês em alguns locais onde nada mais se vê para além do céu e da própria serra.

 

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E para a semana, próximo domingo, cá estaremos de regresso a mais uma aldeia do Barroso de Montalegre, nesta rubrica de “O Barroso aqui tão perto” quando levamos já mais 100 postagens dedicadas ao Barroso, aos seus lugares e aldeias ou temas do Barroso, e se pensam que isto terminará um dia, desenganem-se, pois o Barroso tem, de interesse, lugares, temas e motivos para toda uma vida.

 

 

26
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Pondras

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O nosso destino de hoje no “Barroso aqui tão perto” é a aldeia de Pondras, que até terem inventado aquela da reorganização administrativa em 2013, era também freguesia, hoje agregada à freguesia da Venda Nova, ou seja, hoje pertence à União de Freguesias de Venda Nova e Pondras. Assim, é natural que ao longo deste post, quando me referir a Pondras, tanto o esteja a fazer em relação à aldeia como à antiga freguesia.

 

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Iniciemos pela sua localização, uma das aldeias cujo território tinha um dos seus limites no rio Rabagão, margem esquerda, mais precisamente onde a barragem da Venda Nova tem o seu início, mesmo junta à EN103 que atravessava toda a freguesia e que servia as restantes aldeias da freguesia (São Fins, Ormeche e Pai(o) Afonso).

 

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Se recuarmos no tempo, Pondras esteve sujeita a outras alterações administrativas. Segundo o Arquivo Distrital de Vila Real, Pondras foi abadia da apresentação da mitra no termo de Montalegre. Pertenceu ao concelho de Ruivães até à extinção deste, em 31 de Dezembro de 1853, altura em que transitou para o de Montalegre. Em 1839, surge na comarca de Chaves e, em 1862, na comarca e concelho de Montalegre. A paróquia de Pondras pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é São Pedro Fins.

 

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Em termos de população a antiga freguesia atingiu o seu auge em 1960, com 513 habitantes, população essa que vinha crescendo desde 1864 com 287 habitantes. A partir de 1960 a linha de tendência é decrescente e tem-se mantido ao longo dos CENSOS, tendo atingido em 2011 os 131 habitantes, e se a linha de tendência se mantiver nos próximos CENSOS, dentro de 20 anos não terá qualquer habitante. O problema é que qualquer que seja a medida a tomar para travar o despovoamento rural, já vai ser tardia, pois tenho a impressão que já se ultrapassou o ponto crítico de não retorno.

 

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Só um aparte a respeito do Brasão da antiga freguesia de Pondras, pois achei curiosas as figuras do escudo, principalmente a das chaves, uma a ouro e outra a prata. Curiosas por serem comuns às da cidade de Chaves (rio, ponte e chaves). Sei que deve ser apenas coincidência. Tentei ver o significado das figuras mas não consegui. Se alguém souber, por favor, digam-nos, num comentário aqui no blog, no facebook,  ou por e’mail, tanto faz.

 

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Dizem que a história ao longo dos tempos se vai repetindo, pois cá pra mim não tardará muito e teremos no Barroso e um pouco por todo Trás-os-Montes uma nova medida tipo as “aldeias jardim” de Salazar, tal como foram apelidadas as aldeias novas dos colonos e que o concelho de Montalegre até tem algumas, que a Junta de Colonização Interna levou a efeito em meados do século passado. Só temo é que os novos colonos não sejam trabalhadores da terra, mas antes exploradores da terra,  e que em vez de pequenos baldios dados à exploração de famílias, sejam dadas regiões à exploração de grandes empresas e indústrias, supostamente portuguesas ou chinesas, tanto faz. O futuro o dirá, e não irá tardar muito…

 

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E já que abordámos a localização de Pondras e um pouco da sua História, é tempo de fazermos o(s) nosso(s) itinerário(s) para lá chegar. No último fim de semana deixámos aqui uma nova forma de abordar este assunto, ou seja, deixámos um caminho para ir e outro para vir. Hoje vamos fazer o mesmo, e podem considerar fazer os percursos ao contrário, pois tanto faz.

 

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Pois como podem ver no mapa que atrás deixámos, a nossa partida, como sempre da cidade de Chaves é feita pela estrada de Braga, a EN103, será esta que nos levará direitinhos até Pondras, pois basta não sair dela que ao quilómetro 63,7, mais metro menos metro, estaremos em Pondras. Se é dos que cumpre as regras de velocidade, demorará pouco mais de 1 hora a chegar lá. Claro que se vai em passeio, e gosta de ir parando pelo caminho, o que recomendo sempre que a coisa seja interessante, demorará mais, mas às vezes compensa. A proposta do regresso é via Boticas, pelo que deverá continuar mais umas centenas de metros pela EN103 até à Venda Nova, aí deverá virar à esquerda em direção a Salto, a entrada desta apanhar a EN311 até Boticas, a seguir Sapiãos e estamos de novo na EN103, agora em direção a Chaves.

 

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Mas regressemos a Pondras e aos seus traços culturais de aldeia, com sabores e saberes, tradições, crenças e tudo que fazem o ser de uma aldeia, traços que cada vez mais apenas têm significado na resistência do seu povo e no testemunho, ia dizer vestígios, mas ainda podemos ficar pelos testemunhos, físicos, que vão ficando para memória futura, tal como sejam algumas construções dedicadas à comunidade (capelas, igrejas, tanques e fornos do povo, chafarizes, alminhas, etc.), e que Pondras também tem, e até com alguma abundância e singularidade, como é o caso dos canastros e das alminhas, uma delas lindíssima e muito bem enquadrada. Fica a imagem:

 

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Mas nem todas são ou estão assim, pois há as que são obrigadas e desprezadas pela agressividade da modernidade. Não bastam os fios e postes elétricos ou de comunicações que são colocados sem o mínimo de respeito pelas populações e por algumas coisas que as aldeias têm de melhor (igrejas, capelas, cruzeiros, etc.), como na colocação de outros equipamentos, do lixo no caso, tiram toda a dignidade àquilo que até é património de Portugal, as alminhas, como estas que deixo a seguir. Poder-se-á dizer que é mais uma para aquelas do “Portugal no seu melhor”. Ficam as imagens:

 

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É, gostamos de mostrar aquilo que as aldeias ainda têm de interessante, mas muitas das vezes somos privados de o fazer, pois acontecem coisas destas que são verdadeiros atentados à dignidade das aldeias. Pela certa que não faltariam locais mais apropriados para a colocação destes pequenos mamarrachos cuja companhia não agrada a ninguém, eu sei, mas as alminhas, por não se queixarem, não têm culpa. Desta vez não resisti e tive de trazer aqui as imagens que ficaram atrás.

 

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Que não sejam estas imagens as que manchem a imagem de Pondras. São de lamentar, mas têm solução e Pondras são muito mais, é uma aldeia interessante, quer na sua intimidade quer na sua beleza vista a alguma distância. Também as vistas que desde a aldeia se alcançam, recomenda-se a quem gosta de paisagens que vai mudando conforme a distância, mas onde predominam o verde e o azul, quer o do céu, quer o da terra que as montanhas mais distantes oferecem ou o reflexo das águas das albufeiras.

 

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E agora é aquela parte dedicada às nossas pesquisas, em que vasculhamos nos livros, nos documentos e na internet aquilo que se diz sobre as aldeias que vistamos. Claro que vamos sempre ao livro Montalegre, penso que lhe posso chamar monografia de Montalegre, onde encontrámos:

Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram. A última grande febre dos arranjos deu-se nos princípios do século XVIII e, por isso, os edifícios exibem datas dessa altura. Por exemplo: Pondras -17; Santo André- 1813; Vila da Ponte – 1710, etc.

 

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E continua:

Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!

Pois esta imagem do cruzeiro escapou-nos, não sei porque razão, mas não a temos, talvez não o tivéssemos visto, o que é estranho ou então algum coisa, obstáculo ou outro nos impediu de tomar a imagem. Lamento mas não a tenho.

 

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E na página dedicada à freguesia de Pondras diz o seguinte:

Ocorre evidente discrepância sobre o hagiotopónimo desta freguesia. As inquirições de 18 tratam-na, e bem, por Santo Fins; o Catálogo de todas as Igrejas, 130, (reinado de D. Dinis) chamam-lhe, e mal, São Félix. Mais recentemente, voltámos, e bem, ao chamadouro correcto que é São Pedro Fins de Pondras. É provável que a confusão derive do tratamento dado na arquidiocese ao problema de São Pedro de Rates, dito primeiro bispo-fundador da Igreja de Braga, ou a D. Pedro, primeiro bispo-refundador da Igreja de Braga. De todo o modo, em Pondras, fazem festa ao príncipe dos Apóstolos, em 9 de Junho. É um caso significativo o modo de povoamento verificado visto que as principais povoações da freguesia, Pondras e Ormeche estão algo distantes do local da Igreja, por acaso (ou talvez não) junto do outeiro que foi um castro e onde demora a povoação de São Fins. (é esta a verdadeira grafia do hagiotopónimo que dá nome ao lugar onde se situa a igreja).

No cabeçalho do artigo, nos pontos de interesse, também se fala num relógio de sol em Pondras, a nossa objetiva também não o viu. Mais um lamento.

 

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Quanto à Toponímia de Montalegre, ao respeito da aldeia, diz o seguinte:

 

Pondras

Desde 2013 – União das Freguesias de Venda Nova e Pondras

Vem de “PONDERA” < PONDRA ou POLDRA. Este L de Poldra aparece por acção da reversa R: é o que se chama uma assimilação imperfeita.

Alguns toponimistas (eventuais imitadores de poldros e semelhantes raças cavalares) propõem para Poldras o radical de Poldra com o significado de égua jovem. Evidente ridiculez. Acontece que o nosso topónimo:

- 1258 Ponderas INQ 1513 explica claramente o latino neutro do plural (aqui tido por singular) pondera > pondra, com significado de peso (pondus). O facto de ser plural singularizado ajuda a ver que se trata de pedras separadas e pesadas para atravessar correntes de água. Os árabes arabizaram, como se esperava, o vocábulo e meteram-lhe o artigo al que também aceitamos. O caso das poldras é muito encontrável na evolução fonética (sem qualquer intervenção arábica) por influência das consoantes r e l como acima se disse.

Este nome justifica-se perfeitamente porque toda a freguesia se encontra situada na margem esquerda do Regavão e que só podiam atravessar em pedras passadeiras visto que não possuíam ponte. Talvez por isso a freguesia que é tão pequena se institui tão cedo.

 

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Ainda antes de entrámos na Toponímia Alegre que é parte integrante da Toponímia de Barroso, queria aqui fazer um aparte a este respeito. Como devem reparar, limito-me a citar aquilo que vem escrito na “Toponímia de Barroso”, por curiosidade, porque sempre gostei de saber a origem dos topónimos, ou nomes dos nossos lugares, no entanto não quer dizer que concorde, aceite ou valide tudo o que se lá diz, mas como é uma citação, limito-me a citar. Longe de mim de ser ou pretender ser um “toponimista”, mas parece-me que muitas das vezes o topónimo nada tem a ver com o significado que se vai buscar à origem da palavra que faz o topónimo. Parece-me e conheço muitos casos em que assim não é, mas, claro, temos que dar sempre o benefício da dúvida, ou então dizer como Firmino Aires, na Toponímia Flaviense a respeito dos argumentos utilizados por  J.L. de Vasconcelos, no Archeologo Português, sobre o topónimo da Rua da Trancada em Chaves, quando termina a sua citação dizendo: “… Os investigadores que o confirmem ou o refutem”.   Subscrevo esta!

 

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E na Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Pondras (Memórias Paroquiais de 1758):

(Sobre os habitantes)

“…lavradores de baixo bordo e limitada esfera mas soberbos, quase todos lagareiros de azeite em terras dos Alentejos e todos homens de alforge.”

Abade Miguel Vieira

 

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E continua:

Entre Pondras e Ormeche

Andam melros no namoro:

Eu levo por todo o lado

Saudades, amor e choro.

 

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E quase para finalizar. Sobre a aldeia de Pondras, encontrei uma página no facebook pertencente à “Associação Pondras em Movimento” e ao que parece é mesmo para por em movimento a população de Pondras, pelo menos a crer naquilo que a associação diz ter por missão: “Promover eventos de confraternização entre a povoação local”  e pela foto do cabeçalho, parece-me ter muita gente jovem. Esperemos que estes jovens ao partirem, deixem outros no seu lugar, porque sou dos que ainda acreditam neste tipo de associações sem fins lucrativos, embora, infelizmente, não costumem ter apoios ou ser acarinhadas por quem deveria ter esse dever. Não sei se é o caso, mas há algumas que conheço que assim é.  Fica o link para a página da associação no facebook: https://www.facebook.com/Associa%C3%A7%C3%A3o-Pondras-em-Movimento-148801851850059/

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

WEBGRAFIA

 

https://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1067634

 

 

 

 

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19
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Lamachã

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Vamos lá, mais uma vez, até ao Barroso aqui tão perto, hoje para a aldeia de Lamachã, no limite do concelho de Montalegre a apenas 400 metros do concelho de Boticas.

 

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Lamachã é uma daquelas aldeias que não calha nos habituais itinerários do Barroso, e embora não seja uma aldeia de fim de estrada, pois é servida por uma estrada secundária que liga ao concelho de Boticas via aldeia de Lavradas, aldeia essa, que está nas mesmas condições de Lamachã. Daí ser uma estrada mais utilizada para atalhos, principalmente pelas aldeias vizinhas ou para quem conhece a região.

 

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Nós passámos lá há uns anos pela primeira vez por, precisamente utilizando-a como um atalho mas também por curiosidade. Na segunda vezque lá fomos, já foi de propósito para fazer a nossa recolha fotográfica, decorria então o mês de outubro de 2016, ao fim da tarde, em hora não muito própria para fotografar, quer pela luz que já não estava no seu melhor, quer pelo nosso cansaço de todo um dia à caça de fotografias, o que faz com que a inspiração também  se distraia.

 

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Pois ao rever as fotografias desse dia de outubro de 2016, para além do que atrás dissemos, sentimos que eram poucas para mostrar o todo da aldeia, daí, há coisa de um mês atrás fomos por lá outra vez, desta vez a horas decentes, ainda pela manhã, fresquinhos e com boa luz. Desta vez sim, sem qualquer desculpa para não termos feito o trabalho como deveria ser, e se não fizemos melhor, é porque não o sabemos fazer, para além de estarmos, isso sim, sempre condicionados àquilo que a aldeia tem para oferecer. Mas tudo correu bem.

 

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Lamachã é uma aldeia típica do Alto Barroso, mesmo porque está implantada a uma cota superior aos 1000 m de altura e no grande planalto que se vai desenvolvendo entre a Serra de Barroso e a Serra do Larouco, embora a aldeia esteja em plena Serra do Barroso.

 

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Já fomos deixando por aqui a sua localização, pois já sabemos que está a 400 metros do concelho de Boticas e na Serra do Barroso, talvez falte acrescentar que é uma das aldeias das proximidades da barragem dos Pisões (margem esquerda) a apenas cerca de 3Km, igual distância à aldeia de Negrões, onde aliás se toma a estrada que dá acesso a Lamachã. Mas também pelo final do seu topónimo “chã” podemos localizar a aldeia. Mas vamos ao itinerário a partir da cidade de Chaves, no final do qual deixaremos o nosso habitual mapa onde localizamos a aldeia no contexto do Barroso.

 

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O itinerário que recomendamos para chegar até Lamachã a partir de Chaves é via EN103 (Estrada de Braga), mas temos uma variante, embora até Sapiãos seja caminho comum. Pois a minha proposta é ir por um lado e regressar por outro, ou seja, para lá vamos sempre pela EN103 até ao Barracão, aí saímos à esquerda e tomamos a estrada municipal EM525 que liga a Criande/Morgade, ou seja, aí teremos a barragem dos Pisões à nossa frente. Deveremos seguir pela EM525 em direção a Negrões sempre junto à barragem. Em Negrões abandonamos a EM525 e tomamos a EM519 em direção a Lamachã. De Negrões a Lamachã são 2.7Km. Por este itinerário, ao todo serão 45.4km.

 

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No regresso, podemos vir via Boticas, ou seja, depois de Lamachã continuamos pela EM519 até Lavradas e logo a seguir apanhamos a EM520 em direção a Carvalhelhos, logo a seguir apanhamos a EN311 em direção a Boticas, passando pela Carreira da Lebre. Em Boticas seguimos em direção a Sapiãos onde entramos na EN 103 (Estrada de Braga), mas em direção a Chaves. Este regresso é de 38Km, mais curto que a ida. Claro que pode fazer tudo ao contrário, ir via Boticas e regressar via Barracão.

 

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Já a seguir vamos àquilo que encontrámos nas nossas pesquisas, começando pela monografia de Montalegre e logo na nossa citação inicial compreenderão porque recomendei o itinerário mais longo para chegar a Lamachã. Já agora, também eu recomendo a rota que ficará a seguir.

 

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Então diz assim o livro Montalegre:

 

A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

 

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E continua:

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”. Lamachã e Vilarinho Seco são aldeias pequenas de rosto antigo, sorridentes nas expressões populares e rodeadas de pastos, campos de milho e centeio. Na descida para Lama da Missa pare e admire o vasto panorama da albufeira da barragem do Alto Rabagão. A truta, o escalo, a boga e a carpa são as principais espécies piscícolas existentes nesta albufeira, considerada como a maior do Norte de Portugal. Em Penedones, o Clube Náutico e de Aventura do Alto Rabagão organiza passeios de barco na albufeira para grupos até 16 pessoas, bem como regatas, passeios a pé, ou de bicicleta de montanha. Neste local está instalado o Parque de Campismo Municipal e passa também o GR 117 – Via Romana XVII.

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E continuamos no livro Montalegre:

Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).

 

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Ainda no livro Montalegre:

 

Negrões

Também esta freguesia integrou a Comenda da Chã às Clarissas de Vila do Conde, pelo rei de D. Dinis. Em 1862, nasceu em Vilarinho de Negrões, Domingos Pereira. Ordenado padre e já abade de Refojos (Cabeceiras) contra vontade de seu tio, o também padre João Albino Carreira, filiado no Partido Regenerador, filiou-se no Partido Progressista. Fiel ao seu credo partidário, tornou-se amigo íntimo de Paiva Couceiro e recusou aderir à República em 1910. Perseguido, como os outros chefes monárquicos, após a estrondosa derrota, no espaldão da carreira de tiro, em Chaves, foi condenado a 20 anos de penitenciária. Conseguiu colocar no Brasil os seus “soldados, na ordem de alguns milhares” e regressou a Espanha e à sua actividade conspiratória. Conspirou a vida inteira. Depois da amnistia de Sidónio Pais, teve acções preponderantes na proclamação da “Monarquia do Norte”, em 1919, participando nos combates de Cabeceiras, Mirandela e Vila Real. Restaurada a República exilou-se em Espanha e foi condenado à revelia a 20 anos de prisão maior. Excluído, como Paiva Couceiro, da amnistia concedida aos monárquicos, regressou em segredo, em 1926, a Cabeceiras, onde viveu até 1942. Por falar em condenações, é de lembrar a condenação de José Pereira, de Lamachã, em 1947, a 29 anos e meio de cadeia “acusado de ser o autor moral” dum crime que de certeza não cometeu. Eram assim os tribunais e juízes fascistas.

 

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E o que nos diz a Toponímia de Barroso!? – Não sei. Mas já vamos ver.

Então diz assim:

 

Lamachã

 

São dois vocábulos acoplados: Lama e Chã, isto é, o nome comum LAMA do latino LAMA, que significa lodo, água  e terra; com o adjectivo PLANA>PLAA>CHAA>. Está documentada ainda com os dois vocábulos separados (ao que não me oponho) e referida a um povoado desaparecido, na freguesia de Salto.

-1258 «et de villa de Lama Chaa etc,».

No Arqui. Hist. Port. Já não existe a Lama Chã de 1258 de Salto mas existe a Lama Chaa, com cinco fogos, na sua freguesia de Negrões. É muitas vezes conhecida pelo dialectal oxítono Lamachão (quadra).

 

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E a Toponímia Alegre, o que nos diz:

 

Negrões, trinta vizinhos

Quarenta ladrões

E o padre quarenta e sete!

 

Quereis saber onde moro?

Eu dou-vos a direção:

Moro na rua do forno,

Correio de Lamachão!

 

De Lamachão

Nem bom homem

Nem bom cão!

 

Os de Lamachão

O que dizem à noite

Esquecem pela manhão.

 

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Várias referências a existência de um Castro em Lamachã, desde a listagem de castros em Montalegre de autoria do Padre Lourenço Fontes e confirmada na listagem de castros no “ O Archeologo Português”: Povoado da Idade do Ferro a apresentar uma estrutura defensiva constituída por duas linhas de muralhas circundantes e, do lado Este, por um fosso, atualmente usado como caminho. Na plataforma superior são evidentes os entalhes na rocha, onde entroncaria a muralha. A linha de muralha mais exterior foi recentemente reaproveitada para suportar um caminho.


Na zona intramuros são evidentes os restos de construções, tendo sido encontrados por todo o povoado fragmentos cerâmicos indígenas.

 

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Bem queríamos deixar por aqui outras informações sobre Lamachã, mas nada mais encontrámos nas nossas pesquisas. Por nós gostámos do que vimos e pela certa que o atalho por Lamachã nos irá servir mais vezes, pelo que estaremos atentos a novos motivos que por lá nos possam surgir.

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

12
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Pelas serras com Torga

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Mais uma ida até ao Barroso aqui tão perto, mas mais uma vez sem termos por cá qualquer aldeia e até temos uma preparada em imagem, mas ainda lhe faltam as palavras para as quais não tivemos tempo de lhe alinhavar as letras. Assim, hoje vamos mais uma vez para o Barroso, sim, mas aquele que é feito de serras e montanhas e água que corre, que cai, que estaciona entre o penedio. Vamos fazer nossas as palavras de Miguel Torga, não só por também nós comungarmos da sua paixão telúrica, mas por serem também palavras inspiradas por imagens como as que deixamos hoje, aliás algumas delas foram tomadas enquanto se falava de Torga e de como tão bem entendíamos e sentíamos as suas palavras quando estamos no seu ambiente natural.

 

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É possível que esta paixão telúrica que me faz divinizar as fragas, os rios e os carvalhos signifique, afinal de contas, que não consegui desembaraçar-me da placenta de ovelha que o destino me atirou à figura, como certo inimigo fez a Maomé. Mas não me desagrada a hipótese.

 

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Estou sinceramente convencido de que a realidade campestre nem é inferior à outra, nem se lhe  opõe. Por detrás das pedras roladas e das ravinas, pulsa o mesmo coração inquieto a vida. A solução, portanto, consiste apenas em auscultá-lo com a finura de ouvido que é obrigatória nas consultas citadinas. E a mágoa que me punge não é ser montanhês por devoção: é de não ser capaz de revelar todos os mistérios que se escondem nas dobras da estamenha.

 

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Bem rústicas parecem as urzes, e a abelha tira das suas flores mel perfumado. Nada mais agressivo do que um silvedo, e o melro faz o ninho no meio dele.

 

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O mal é nosso e, neste caso, meu particularmente. Confundimos a casca com o sabugo. Talvez porque só temos casca e não merecemos a graça de comungar à mesa onde Collete recebia o corpo eucarístico da natureza. Ela, sim, podia exprimir o cataclismo de cada fecundação e decompor o arco-íris  de cada primavera. Através do sacramento do amor e da entrega, real e substancialmente, os seres e as coisas passavam a fazer parte da sua humanidade profunda e falavam depois pela sua boca.

 

Miguel Torga, In Diário VII

 

 

 

06
Ago18

O Barroso aqui tão perto - Uma volta pelas Albufeiras e Cascatas

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Costumo dizer que aqui no blog as promessas são para cumprir, e vão-se cumprindo, às vezes, acontece, que por uma ou outra razão, não as cumpro de imediato. Pois no último fim de semana fiz uma promessa para cumprir hoje, nesta rubrica de “O Barroso aqui tão perto”,  e não é que ia ficando por cumprir. Pois é, a rotina manda que prepare uma aldeia e a minha memória já não é aquilo que era. Fui pela rotina, preparei uma aldeia e quando estava prontinha para publicação, dispara um flache na memória a relembrar o que estava prometido.

 

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Recordando, transcrevo a promessa feita no último fim de semana:

 

Ainda antes de irmos ao itinerário recomendado e continuando nesta onda de descoberta/promoção do Barroso, uma vez que estamos em tempo de férias de verão, porque não passar por lá uns dias de sol com banhos incluídos, numa das suas cascatas ou albufeiras. Se for como eu, ao qual já passou o gosto de ser lagarto ao sol para além do médico me recomendar sombras, estas também não faltam por lá. Uma proposta para um dia, pois sendo aqui da terrinha (Chaves) poderá ir e vir no mesmo dia, com dormida na nossa caminha. Fica prometido que no próximo domingo deixo aqui um mini roteiro com propostas para algumas albufeiras e cascatas.

 

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As fotos que ficaram até aqui foram tomadas pelo caminho para chegar aos nossos destinos. A partir de agora sim, é que vamos para algumas albufeiras e cascatas, só até às mais próximas. Vamos abordar duas albufeiras (Pisões e Sezelhe) e três cascatas (Fírvidas, Olas de Santa Marinha e Cela Cavalos). Iniciemos pelas três cascatas mais próximas.

 

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Olas de Santa Marinha/Vilar de Perdizes

 

As Olas de Santa Marinha ficam nas proximidades de Vilar de Perdizes, mesmo em cima da raia com a Galiza, de uma beleza natural ímpar, com grandes formações rochosas por onde o rio Assureira vai correndo e caindo para o seu destino. Curioso este rio, afluente do rio Tâmega que corre de Portugal para a Galiza onde vai desaguar no rio Tâmega, ainda na Galiza.

 

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Junto às Olas existe uma pequena capela onde existe um amplo parque para poder estacionar o popó. É a partir de aí que se desce para as Olas que ficam a 200 metros, caminho ingreme, apenas pedonal, mas não é preciso comer nenhum bife para travar na descida ou dar forças para a subida. Se eu fui lá já várias vezes, vai lá qualquer pessoa, infelizmente exceção para quem tenha mobilidade reduzida, que aí já é muito complicado. Mas nas propostas de hoje, as Olas de Santa Marinha são as únicas onde esta exceção se coloca.

 

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Já nas Olas, há vários passadiços que se podem percorrer para melhor desfrutar dos rápidos e pequenas cascatas que se vão formando. Local muito arborizado onde as sombras abundam. Não são muito apropriadas para banhos, mas podem-se apanhar umas molhas. Há um senão e um risco a correr, pois como o rio Assureira é de pequeno caudal, quanto mais avançamos no verão menos água tem, chegando praticamente a secar em anos mais secos. Para ver as cascatas em pleno, a primavera é a melhor altura para ir por lá, mas mesmo sem água é interessante. Recomendação importante — Não vá por lá sozinho, principalmente se é curioso e gosta de ver tudo, tal como eu, é que quando o rio vai quase sem água, tem locais para onde se desce bem, mas para subir já é complicado. Desci uma vez a um desses sítios e pensei que tinha de ficar por lá a viver…

 

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O itinerário para se chegar às Olas está marcado no nosso mapa, mas não tem nada que enganar. O nosso destino deverá ser Vilar de Perdizes, a partir de aí existem placas indicativas. Mesmo no meio do monte, elas estão lá nos sítios decisivos. O popó vai lá bem, mas a partir de Vilar de Perdizes o caminho é em terra batida.

 

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Cascatas de Fírvidas

 

Pequeninas, mas bonitas com a vantagem de que o popó quase entra na água. Não entra, mas pode ficar a uns escassos 20 metros. Embora o itinerário esteja assinalado no nosso mapa e o acesso até à aldeia de Fírvidas seja fácil, o problema pode surgir entre a aldeia de Fírvidas e as cascatas. Na aldeia existe uma placa indicativa indicando o caminho, mas a partir de aí, nicles, mas a dúvida só surge numa bifurcação de caminhos. O melhor é perguntar na aldeia, pois dar-lhe-ão as indicações necessárias.

 

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Eu disse atrás que o popó vai até às cascatas e já lá fui várias vezes no meu, mas se é daqueles que gosta do carro, do género de ter um amor assolapado por ele, é melhor ir a pé, e faz bem à saúde, são apenas 1.200 metros em terreno plano. Fácil.

 

 

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Próximo da cascata, antes de lá chegar, há um moinho e algum arvoredo, pouco. As cascatas são mais para apreciar do que para banhos, embora dê para uma banhoca, mas não tem sítio para depois lagartar ao sol. Se o que quer é mesmo banhos, fica para a próxima cascata, mas estando nas Fírvidas está ao lado da barragem dos Pisões. Veja e aprecie a cascata, se levar uma merenda, aproveite para matar lá o bicho e depois vá a banhos para os Pisões. Estando nas cascatas, não deixe de visitar a aldeia, pois seria imperdoável. Pode espreitar no post que dediquei à aldeia: Fírvidas 

 

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Cascatas de Cela Cavalos

 

Das três cascatas que hoje aqui deixo, esta é a que tem os acessos mais complicados e de todas as propostas, é a mais distante. Por sinal passa-se por uma barragem (Paradela) que hoje não abordaremos aqui. Então a partir da capela (cuja foto fica atrás) o melhor é ir lá num todo-o- terreno. Este sim vai lá bem. De popó, já tentei, mas desisti a meio. A pé, também se vai bem, 1.600 metros, para lá sempre a descer, de regresso, sempre a subir, mas o esforço vale a pena, e esta sim, dá para umas banhocas e ao lado não falta onde estender a toalha e ficar lá estendido como um lagarto ao sol.

 

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A título de curiosidade, há quem lhe chame as cascatas de Dulce Pontes por ter ido a banhos nelas, e dizem ter saído de lá encantada. Eu fui por lá uma única vez, também saí encantado mesmo sem ir a banhos, mas apenas porque ainda não estava calor para tal. Se fosse no dia de hoje, podem crer que era a primeira coisa que fazia quando lá chegasse. Era despir e romper por aquelas águas cristalinas adentro, depois saía, ia para uma sombra e bebia uma mini, ou duas, é que não posso apanhar sol, o médico não recomenda…

 

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Nestas cascatas de Cela Cavalos dá para passar lá o dia, de onde sairá formatadinho de todo e pela certa que sairá com vontade de voltar, não só pelos banhos, pela merenda (que terá de levar, pois à volta só há mesmo paisagem natural) e pelas minis, mas pelo local que é mesmo de encantar.

 

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Barragem do Alto Rabagão ou Pisões

 

A proposta aqui é um em dois, ou até três – banhos e muito sol, visitar as aldeias à volta da barragem e gastronomia.

 

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Quanto a banhos, há calor e muita água, é só entrar nela e desfrutar. Claro que estamos numa albufeira na qual é preciso tomar cuidados com os banhos, pois as mesmas foram feitas para armazenar água e não para praias fluviais, e daí serem traiçoeiras, quer com lodos quer com mudanças bruscas de profundidade. Primeiro saber nadar é essencial, depois escolha um sítio onde não esteja só. Não precisa de estar com as outras pessoas, embora conhecer outras pessoas também seja agradável, basta que esteja(m) por perto, pois nunca se sabe quando iremos precisar delas, ou elas de nós. Junto às aldeias, há sempre sítios para banhos e o pessoal das aldeias gosta de receber pessoas de fora.

 

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Já em tempos fui por lá algumas vezes a banhos, mas já foi há muito tempo. Hoje não conheço por lá nenhum local em particular para recomendar, mas não faltam, pois a barragem tem quase 50 Km de costa. Para banhos e um pouco ou muito sol, bastam apenas uns metros. 

 

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Mas no início eu dizia que a barragem dos Pisões era para três propostas e a segunda dizia respeito a uma visita às aldeias da margem da barragem. Já não digo visitar todas as aldeias, mas pelo menos algumas. Deixo a lista de aldeias, todas a menos de 1km da barragem, começando por aquela que também dá nome à Barragem, e seguindo à sua volta no sentido do ponteiro dos relógios: Pisões, Viade de Baixo, Viade de Cima, Antigo de Viade, Parafita, Penedones, Travassos da Chã, S. Vicente da Chã, Chã, Aldeia Nova do Barroso, Criande, Morgade, Negrões, Vilarinho de Negrões e Lama da Missa. Uma delas, Vilarinho de Negrões, foi candidata às Maravilhas de Portugal, e é-o, principalmente com a cota das águas da barragem no seu máximo, em que a água rodeia toda a aldeia.

 

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A terceira proposta da Barragem dos Pisões é a gastronomia. Ora se tem intenções de passar por lá o dia todo, convém pensar na paparoca. Se gosta de piqueniques, já sabe que convém levar o comer de casa. Aí levará o que mais gosta tendo em atenção que por lá o sol aperta. Convém não se esquecer da água, sumos e do garrafão. Não faça como nós, em tempos, quando lá fomos passar uma noite para sermos os primeiros na abertura de pesca da barragem, em que o do vinho, se esqueceu do garrafão em casa. Foi um tormento toda a noite, nem a comida ficou digerida como devia ser, aliás acho que ainda ando aqui com um pedaço no estômago desse dia.

 

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Pois bem, se não gosta de piqueniques nem de correr o risco de se esquecer do garrafão em casa, à volta da Barragem não faltam restaurantes onde se come bem e em conta. Até poderia recomendar um deles, pois costumámos pousar mais nesse, mas não o vou fazer, estaria a ser injusto com os outros. Vá por lá e escolha o que mais lhe agradar, mas escolha um prato made in Barroso ou com iguarias do Barroso. Isso posso recomendar.

 

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Barragem de Sezelhe

 

Trata-se de uma pequena albufeira junto à aldeia com o mesmo nome. É a primeira albufeira do rio Cávado, pequena, mas simpática, com uma lameira na margem, junto ao paredão, com grelhadores de apoio. Também a conheço por em tempos ter ido para lá à pesca (mas que conste que não sou pescador, só lá ia pela delícia de passar uma noite diferente num sítio agradável) e também a banhos. Costuma ser sossegada e é muito agradável. A água costuma ser fresquinha, aliás em todo o Barroso é assim, mas também é mais refrescante.

 

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Com o grelhador por perto, sempre pode dar-se ao lavor dos grelhados, sabe sempre bem, não esquecer o garrafão. Já agora, uma pequena arca térmica com umas minis também dá jeito. Mas tal como nos Pisões, bem perto da Barragem, também há restaurantes. Pergunte na aldeia que pela certa lhes recomendarão um próximo, não há tantos como junto à barragem dos Pisões, mas sabemos que há alguns, também já comemos por lá, fomos bem servidos e também com preços em conta.   

 

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E ficámos por aqui, deixando o nosso mapa onde assinalamos devidamente cada uma das cascatas e albufeiras. Qualquer um dos destinos fica a menos de 1 hora de viagem.  São todos destinos com água doce, cristalina e calmos. Digamos que são destinos zen. Se é dos que gosta de confusão, então o melhor é mesmo ir para a praia.

 

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E está tudo, não como habitualmente aos domingos, mas segunda-feira de madrugada. Afinal de contas, segunda-feira só começa mesmo quando acordamos pela manhã. Enquanto estamos despertos, mesmo já sendo segunda-feira, ainda é domingo. Não é mas faz de conta, e assim cumpro a outra promessa de estar aqui sempre aos domingos com uma aldeia do Barroso, no caso de hoje, albufeiras e cascatas.

 

 

 

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29
Jul18

O Barroso aqui tão perto - Santa Marinha

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E como hoje é domingo, vamos mais uma vez dar uma voltinha pelo “Barroso aqui tão perto”, pela freguesia de Ferral, mais precisamente, vamos até à aldeia de Santa Marinha, no Barroso que eu apelido de verde e disperso com vistas lançadas para o Gerês.

 

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Antigamente defendia que as primeiras impressões, ligadas à aparência, é que valiam. Com o tempo aprendi que não é bem assim, que afinal os pormenores é que têm valor, e a aparência é apenas uma fachada que esconde toda a intimidade. Quero com isto dizer que quando avistei Santa Marinha desde a aldeia vizinha de Pardieiros, gostei do que vi, pequenina e arrumadinha na encosta da serra. Quando cheguei à aldeia, junto ao cemitério, acrescentei mais um ponto ao gosto, não pelo cemitério, que embora até poderá ter certa beleza, não é local que eu aprecie em particular, mas pelo conjunto da pequena capela e cruzeiro.

 

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Mas com o aproximar da aldeia, onde ela está mais concentrada, nem por isso estava a gostar do que ia vendo. Fui entrando com ar de quem não iria sair de lá satisfeito, e é aqui que entram os pormenores, o conjunto dos pormenores que fez com que saísse da aldeia a dizer: - Afinal até valeu a pena!. Há por lá pormenores que fazem a diferença,   algumas preciosidades até, e já nem quero falar dos matizes do verde ou das vistas que desde lá se podem lançar. O problema da aldeia, que até nem é problema, está no ela ser dispersa, dificultando uma interpretação no seu todo, principalmente em imagem. Aliás este tipo de povoamento disperso é transversal a toda a freguesia e penso que se deve à forma/modo de aproveitamento agrícola das encostas.

 

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Mais uma vez refiro aqui as singularidades do Barroso, este, da freguesia de Ferral mas também o de Cabril a mostrar uma outra cara do Barroso, de povoamento disperso, verde, de montanha, onde praticamente não há terra plana, e a que há, é em socalcos,  onde houve a intervenção humana para aproveitamento da riqueza da terra, que aqui se apresenta fértil, graças à humidade, exposição ao sol e temperatura, em terras que já se encontram a uma cota bem mais baixa que no restante Barroso, entre os 200 e 600 metros de altitude. Isto pelo que pude observar no local, sem qualquer documentação que o valide, mas penso que não andarei longe da verdade.

 

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A descrição que faço da entrada da aldeia nada tem a ver com a entrada que irão encontrar se seguirem o itinerário que à frente irei recomendar. Acontece que o itinerário recomendado é para irmos especificamente até Santa Marinha, no entanto, nas minhas idas ao Barroso para fotografar as suas aldeias, nunca ia apenas a uma aldeia, mas a várias, daí ter entrado na aldeia vindo de Ferral, pelo qual o itinerário recomendado até nem passa.  

 

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Quem acompanha o blog sabe que esta rubrica sobre o Barroso surgiu para dar a conhecer as suas aldeias,  mas,  simultaneamente, servem como uma proposta, ou um convite para as visitar, principalmente agora em que o dinheiro não abunda para podermos ir à descoberta de outros destinos mais longínquos e caros. Juntar o útil ao agradável, sim, porque o Barroso tem uma série de destinos tão interessantes ou mais ainda que muitos dos que encontramos lá fora. Temos é que entrar nele à sua descoberta, pois continua a ser um tesouro desconhecido da maioria que vive a menos de uma hora de viagem. Mas queria eu dizer, isto se aceitarem esta minha sugestão de visitar a aldeia, que uma vez que vão à aldeia, aproveitem o dia para ver outras aldeias e outros pontos de interesse que ficam no itinerário ou na proximidade desta aldeia, pois seria um desperdício não aproveitar a ocasião.

 

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Ainda antes de irmos ao itinerário recomendado e continuando nesta onda de descoberta/promoção do Barroso, uma vez que estamos em tempo de férias de verão, porque não passar por lá uns dias de sol com banhos incluídos, numa das suas cascatas ou albufeiras. Se for como eu, ao qual já passou o gosto de ser lagarto ao sol para além do médico me recomendar sombras, estas também não faltam por lá. Uma proposta para um dia, pois sendo aqui da terrinha (Chaves) poderá ir e vir no mesmo dia, com dormida na nossa caminha. Fica prometido que no próximo domingo deixo aqui um mini roteiro com propostas para algumas albufeiras e cascatas.

 

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Vamos então ao itinerário recomendado para chegarmos a Santa Marinha, da freguesia de Ferral, concelho de Montalegre.

 

Pois desta vez apenas recomendamos um itinerário, por sinal um dos nossos preferidos, talvez porque é um dos que nos mostra também os vários matizes do Barroso, para além de passar pela vila de Montalegre, que é sempre interessante.

 

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Pois para este itinerário devemos seguir pela estrada do S. Caetano/Soutelinho da Raia. Logo na primeira aldeia de Montalegre, Meixide, devemos tomar a primeira opção de seguir via Vilar de Perdizes ou via Pedrário/Sarraquinhos. Tanto faz, a distância é sensivelmente igual e o destino será sempre o mesmo — Meixedo, mesmo antes de Montalegre. Isto já não é novidade para quem acompanha o blog, mas pode-se dar o caso de alguém vir por aqui a primeira vez ou não ser visita habitual e há sempre que repetir estes pormenores. Pois chegado a Montalegre, que é de paragem obrigatória nem que seja apenas para um café,  seguimos pela M308, em direção ao Campo de Futebol.

 

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Tínhamos ficado em Montalegre, já na M308 em direção a Sezelhe que devemos passar e seguir em direção a Paradela do Rio, com passagem por Travassos do Rio, Covelães, Paredes do Rio e Outeiro. Os topónimos têm apelido do Rio por ficarem perto do rio Cávado. Aliás este itinerário entre Montalegre e Santa Marinha é sempre feito na proximidade do Cávado e mais ou menos paralelo ao mesmo, primeiro pela margem esquerda até um pouco antes de Frades, depois pela direita até Outeiro e em Paradela já estamos outra vez na margem esquerda.

 

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Já estamos em Paradela, fácil de identificar pela Barragem que tem ao lado. Aliás entre Outeiro e Paradela vamos ter sempre a Barragem ao lado por companhia. Em Paradela não há nada que enganar. Chegado ao largo do cruzeiro, fácil de ver, pois o mesmo serve de rotunda no cruzamento, seguimos em frente, ou seja, na terceira saída da rotunda. Para não ter mesmo dúvidas, atenção às placas indicativas, pois o cruzamento está bem sinalizado. Devemos sair pela estrada cujas placas indiquem Ponteira, Sexta Freita, Covelo do Gerês e Ferral.  Até ao nosso destino, já próximo, não vamos passar por dentro de nenhuma aldeia, ficam todas ao lado, mas devemos passar ao lado de Ponteira e de Sexta Freita, logo a seguir ao desvio para Sexta Freita (mais 2km) vamos encontrar um pequeno conjunto de casas junto à estrada, com uma saída à esquerda para Sacoselo e 200 metros à frente uma saída para a direita, a nossa saída, onde devem estar as placas de Stª Marinha e Covelo do Monte, cinco curvas à frente e estamos em Santa Marinha.

 

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Curioso que ainda atrás falava em albufeiras e cascatas, pois embora Santa Marinha não tenha nenhuma delas, tem na sua proximidade algumas, mas fiquemos apenas pelas barragens, a da Venda Nova a cerca de 2.5 km, a de Salamonde à mesma distância (2.5Km) e a de Paradela um pouco mais distante, mas mesmo assim próxima, a 7.5km. Tudo distância em linha reta, pois por estrada é um pouco mais.

 

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E o que dizem os livros e documentos de Santa Marinha. Vamos lá ver se temos sorte.

 

No livro “Montalegre” encontrámos algumas referências:

 

As Igrejas, Capelas, Alminhas e Cruzeiros

Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram.

 

A última grande febre dos arranjos deu-se nos princípios do século XVIII e, por isso, os edifícios exibem datas dessa altura. Por exemplo: Pondras -1725; Santo André- 1813; Vila da Ponte – 1710, etc.

 

Contudo, a maior riqueza das nossas igrejas encontra-se no interior: tanto em muitos dos seus santos que escaparam à usura de sacristães, padres e “homens-bons”, como na talha que as orna, sendo que uma boa parte dela se deve a ignorados artistas autóctones. Merecem algum realce certos exemplares como Salto, Santa Marinha, Covelo, Vila da Ponte, Viade, S. Vicente, e sobretudo, pelo ruralíssimo e humílimo conjunto de talha de S. Miguel de Vilaça.

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E continua:

 

Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais.

 

Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!

 

Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves  (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).

 

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Ainda no livro “Montalegre” a respeito da freguesia de Ferral, mais algumas referências a Stª Marinha.

 

Ferral

Esta freguesia mudou várias vezes de nome: foi primeiro Santa Marinha de Covêlo do Gerês por oposição a São Pedro de Covêlo do Gerês; depois dava apenas pelo hagiotopónimo Santa Marinha; mais tarde foi Santa Marinha de Ferral e hoje é somente Ferral. Contudo, é da tradição local que existiu neste mesmo termo a freguesia de São João da Misarela, de que não possuímos qualquer documento escrito! Na realidade, nunca se encontraram vestígios de tal construção nem qualquer referência à sua localização. Apesar das oito povoações que integram a freguesia, o seu isolamento até ao século XVIII era tão acentuado que se tornava extremamente propício à criação e sedimentação de lendas de que é paradigma a da Misarela. Tal como na vizinha Cabril, antes das barragens, os rios eram barreiras difíceis de transpor, mesmo de verão… Por isso a freguesia foi-se alargando e anexando povoações na área de entre Cávado e Regavão: Vila da Ponte e Bustelo (freguesia anexa até ao século XIX) e Contim e São Pedro, igualmente freguesia anexa. Restos evidentes desse antigo fausto é a riquíssima talha da vetusta Igreja de Santa Marinha.

 

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E a o que nos diz a “Toponímia de Barroso”. Não sei, mas vamos ver:

 

Santa Marinha (Ferral)

Correm por aí diversas lendas sobre Marinha, Santa e Mártir. É de espantar a ingenuidade de algumas que referem a naturalidade da Santa e da sua vida bem longe dos locais onde terá nascido, vivido e sofrido o seu martírio.

Teve culto já documentado no século VIII, após a invasão árabe, e de tal forma arreigado, lendário e popular que a deram como natural de várias localidades. Na realidade Santa Marinha foi martirizada em Antioquia.

1258 - « in collatione de Sancte Marine» INQ. 1523.

 

Na Toponímia Alegre temos o seguinte:

 

Requerimento do Abade de Santa Marinha ao Senhor Arcebispo de Braga.

 

O abaixo –assinado,

Abade Albino Mendes,

De setenta anos de idade,

Sentindo-se velho e cansado

E estando-se a esgotar

O prazo da sua colocação

Que exerceu com lealdade, a Vossa Eminência vem rogar

Licença para continuar

Que para tanto autoridade tendes;

Beija-lhe o anel sagrado

O abade Albino Mendes!

 

E ainda:

 

Nomes do “Rio” intermédio:

Carabunhas de Vila Nova,

Conspiradores de Covelo,

Rabinos de Loivos,

Peixeiros de Sidrós,

Papa-ventos de Ferral,

De Viveiro não sai graeiro,

Carrapatos dos Pardieiros,

Borra-ladeiras de Santa Marinha,

Carvoeiros de Nogueiró.

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso à vossa identidade e mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

 

22
Jul18

O Barroso aqui tão perto - São Fins

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O nosso destino de hoje de “O Barroso aqui tão perto” é para São Fins, uma das aldeias da margem da Barragem da Venda Nova e também ao lado da EN103.

 

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Iniciemos pela sua localização e os itinerários para lá chegar, como sempre a partir de Chaves.

 

Quanto à localização já fomos adiantando estar junta à barragem da Venda Nova, mesmo no início da barragem e também junta à EN103 que liga Chaves a Braga. Tem como aldeias vizinhas e mais próximas a aldeia de Currais (a Norte) do outro lado da barragem e a aldeia de Pondras (a Sul) do outro lado da EN103, ambas a cerca de 700m. Pertence à freguesia de Pondras, ou melhor, à união de freguesias de Venda Nova e Pondras (desde 2013), concelho de Montalegre. Trata-se de uma pequena aldeia com cerca de 30 construções, metades das quais habitações. A rondar os 700m de altitude é rodeada pela barragem e por terrenos agrícolas, todos tratados.

 

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Quanto ao itinerário recomendado, sendo uma das aldeias à beira da EN103, adivinha-se que seja esta estrada o melhor itinerário, a partir de Chaves,  para chegar até São Fins. De facto é esse o itinerário que recomendamos para uma ida direta até esta aldeia, num total de 60.7Km. Mas como alternativa deixamos também o itinerário via S. Caetano/Soutelinho da Raia, com passagem por Montalegre, Sezelhe, S. Pedro, Contim e logo a seguir apanha-se a EN103, junto à barragem dos Pisões, seguindo depois pelo primeiro itinerário até São Fins.

 

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Deixo o segundo itinerário porque, pessoalmente, se tivesse de ir a São Fins iria via Montalegre e não pela EN103. Não é por uma razão em especial, pois para quem não conhecer a região ou o Barroso, tão interessante é um itinerário como o outro, no entanto, para mim que já conheço a EN103 desde que nasci, têm mais interesse as estradas secundárias que passam por um Barroso menos conhecido.

 

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De facto, embora flaviense, para além de ter nascido à beirinha da EN103, durante oito anos, mais precisamente entre os meus sete e catorze anos, fiz uma vez por ano (ida e volta) a EN103 entre Chaves e Braga. Era uma estrada que tanto ia apreciando como ia penando. Apreciando pelas vistas lançadas para as barragens, primeiro a dos Pisões, depois a da Venda Nova e por último a de Salamonde.

 

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Mas não só pelas barragens, aliás as únicas que durante muitos anos conheci, mas também pela imponência e singularidade da Serra do Gerês que ao longo da estrada íamos acompanhando. Igualmente a imponência, imagine-se, dos cornos das vacas e touros da raça barrosã, que curiosamente só começavam a aparecer após a barragem da Venda Nova. Recordo a primeira vez que vi e ouvi falar desta raça, teria os meus oito ou nove anos, deveria eu estar entretido com o meu quilo de bananas, alimento que levava para tão longa viagem, quando o Almor, colega de viagem, chamou a atenção ao irmão mais novo mostrando-lhe as vacas barrosãs, e que eram barrosãs porque tinham os cornos grandes…

 

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Aprendi a lição com o Almor, que as conhecia bem, suponho que pela sua ligação a Tourém, a sua triste ligação a Tourém, onde em bebé ainda de colo perdeu a mãe, quando estava no seu colo, numa história de loucura, de arrepiar e que Bento da Cruz conta no romance “O Lobo Guerrilheiro”.

 

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Mas voltemos à EN103 e à interessante, mas penosa viagem entre Chaves e Braga nas carreiras cinzentas do “tio Magalhães”, que paravam em todas as aldeias e demoravam cerca de oito horas, se bem recordo, a vencer o caminho. Paragens interessantes, apenas a do Barracão onde se fazia um descanso de 5 a 10 minutos e depois a paragem da Venda Nova, onde se fazia também uma paragem, mais curta que a do Barracão, mas que dava para sair a terra.

 

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Como se estas penosas viagens não bastassem, durante anos a fio as minhas habituais deslocações para Montalegre eram sempre feitas pela EN103, pelos menos até inícios dos anos oitenta assim foi, mantinha-se apenas, com o mesmo agrado, a paragem no Barracão. De resto enjoei-a, não com os meus enjoos, mas com os enjoos de quem enjoava. Em suma, hoje em dia poder-se-ia dizer que eram viagens terceiro-mundistas, que então até o eram… mas era o único que tínhamos.

 

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Mas regressemos a São Fins, onde nessas viagens passei algumas vezes, mas sem dar pela aldeia, pois o meu sentido já estava na paragem da Venda Nova. Pois trata-se de uma pequena aldeia, mas tem tudo que as grandes aldeias têm e com um toque especial, principalmente vista à distância. Rodeada de bons terrenos agrícolas onde o verde domina, rodeada pela barragem onde o azul do céu se vai refletindo.  Tem igreja, cemitério, meia dúzia de canastros e alguma vida. Para a nossa recolha fotográfica, estivemos lá duas vezes, há dois anos e há um ano, de ambas as vezes encontrámos gente na sua lide diária. Gostámos do que vimos, de estar lá e de conversar um pouco, não muito, pois não queríamos incomodar quem trabalhava, num dia de verão, por sinal bem quente. Mas já a pensar no inverno.

 

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Nas nossas pesquisas, sobre São Fins encontrámos no livro Montalegre:

 

Ocorre evidente discrepância sobre o hagiotopónimo desta freguesia. As inquirições de 1258 tratam-na, e bem, por Santo Fins; o Catálogo de todas as Igrejas, 1320, (reinado de D. Dinis) chamam-lhe, e mal, São Félix. Mais recentemente, voltámos, e bem, ao chamadouro correcto que é São Pedro Fins de Pondras. É provável que a confusão derive do tratamento dado na arquidiocese ao problema de São Pedro de Rates, dito primeiro bispo-fundador da Igreja de Braga, ou a D. Pedro, primeiro bispo-refundador da Igreja de Braga. De todo o modo, em Pondras, fazem festa ao príncipe dos Apóstolos, em 29 de Junho. É um caso significativo o modo de povoamento verificado visto que as principais povoações da freguesia, Pondras e Ormeche estão algo distantes do local da Igreja, por acaso (ou talvez não) junto do outeiro que foi um castro e onde demora a povoação de São Fins. (é esta a verdadeira grafia do hagiotopónimo que dá nome ao lugar onde se situa a igreja).   

 

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Na Toponímia de Barroso encontrámos o seguinte:

 

É outro São Pedro, ou antes, São Félix e, ao contrário do que por aí se diz, já era orago da freguesia de Pondras no reinado de D. Dinis.

 

Acontece que o culto ao mártir de Gerona São Félix, do latino Felice > Feiz > Fiiz > Fins  levou o povo a festeja-lo justamente no dia em que se festeja na igreja de São Pedro in Vinculis, em Roma, as cadeiras de ferro que agrilhoavam São Pedro após a perseguição de Herodes Agripa. A ignorância redundou na convicção de que se tratava de um só Santo. E daí o São Pedro Fins, orago da freguesia de Pondras. O hagiotopónimo deve, portanto, escrever-se São Fins! E não Sanfins.

 

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Na Toponímia Alegre, uma quadra:

 

Os de Reigoso não prestam,

Os de Currais para lá vão:

E vivam os de São Fins,

Que ainda vão tendo mão.

 

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Aproveitando a deixa, também Lourenço Fontes, na Etnografia Transmontana I, nas alcunhas das aldeias faz uma referência a São Fins, igualmente numa quadra:

 

Chinos de Currais

Chuços de Reigoso,

Laregos de S. Fins,

Bichos de Ormeche.

 

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E bem queria deixar por aqui mais um bocadinho sobre São Fins, mas como aldeia pequena, também a informação disponível é pequena, ou pouca. Bem tentámos e procurámos em toda a documentação que temos, o mesmo na internet, mas nada. Ficamos então por aqui, também com as imagens possíveis.

 

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E ficamos por aqui. Ficam ainda as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso ao vosso mail.

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana I – Crenças e Tradições de Barroso, edição do autor, Montalegre, 1974.

 

 

 

18
Jun18

O Barroso aqui tão perto - Covelo do Gerês

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Hoje no “Barroso aqui tão perto” vamos até ao Barroso um pouco mais distante, vamos até Covelo do Gerês, mas não se deixem levar pelo apelido, pois embora bem próxima da Serra do Gerês e do Parque Nacional da Peneda-Gerês, não faz parte deles, mas lança para lá as suas vistas.

 

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Não sei se me engano, pois sou apenas eu a supor, que adotará o apelido de Gerês para a distinguir de uma outra aldeia, também do Barroso, com o mesmo topónimo – Covelo do Monte. Mas pode ser que ao longo desta “conversa” cheguemos a alguma conclusão. Aliás nas minhas pesquisas, logo no início, encontrei algumas achas para essa (esta) fogueira.

 

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 A páginas tantas, no sítio oficial do Município de Montalegre na Internet, diz o seguinte:

“Covelo do Gerês

Este lugar é o herdeiro único do determinativo “do Gerês” que pertenceu também às freguesias de Ferral (Santa Marinha do Gerês) e Parada do Gerês (actual freguesia de Outeiro) e São Vicente do Gerês (Pitões).

A situação, numa altitude inferior aos setecentos metros, e encaixada entre o Gerês e a serra do inter-flúvio, torna a freguesia apta para produções agrícolas semelhantes à de Cabril.

Por isso o ditado antigo, sobre os principais povos de Barroso, no que dizia respeito à produção vinícola: Covasl e Pinho, Vila da Ponte sem vinho; Atrás vem Covêlo do Gerês Que dá na tola aos outros três. E não só na produção do verdasco porque o nosso Povo também se diz: Vaca de São Pedro, mulher de Covelo!”

 

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Mas tal como disse, pode ser que encontremos mais alguma coisa sobre o assunto. Mas entremos em Covelo do Gerês, recordando o dia 14 de abril de 2017, já próximo do meio-dia, quando fomos por lá fazer a nossa recolha fotográfica. Pois no Covelo do Gerês, mal entrámos na aldeia e chegámos aquilo que penso ser o largo principal da aldeia, próximo da igreja e onde está o cruzeiro, o tanque público e uma espécie de miradouro de onde se podem lançar olhares para a Serra do Gerês e mais além, fomos recebidos, bem recebidos por sinal, pelo Sr. Guilherme da Silva que desde logo fez questão de nos servir de cicerone e mostrar algumas das coisas mais bonitas e importantes da aldeia, algumas delas no próprio largo onde estávamos, e uma outra mais demorada à igreja e ao seu adro. Não vimos o interior, mas adivinha-se que seja tão ou mais interessante que no seu exterior. Pois já no local tivemos oportunidade de agradecer a gentileza do Sr. Guilherme, mas reforçamos aqui o agradecimento e deixamos, tal como prometemos, aqui a sua foto.

 

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Referimo-nos atrás à igreja que quando por lá fomos estava como o documentam as fotografias, no entanto nas nossas pesquisas encontrámos a notícia de que em 29 de novembro de 2017, ocorreu um incêndio que destruiu o altar e a cobertura da igreja. Lamentamos o sucedido pois tal como atrás dissemos a igreja era bem interessante. Esperamos que já tivesse sido ou esteja a ser reconstruída, pois sem a igreja, Covelo do Gerês não será a mesma aldeia que nós visitámos.

 

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Pois quanto ao resto da aldeia a descoberta foi por nossa conta e, diga-se que não foi tarefa fácil, pois Covelo do Gerês é uma daquelas aldeias que se apresenta difícil, ou complicada, para deixar aqui o seu todo, tudo porque a aldeia apresenta-se dispersa por vários pequenos núcleos de construções, dispersando-se num círculo cuja circunferência terá entre o 1,5 e os 2Km. Aliás, mesmo o núcleo mais compostinho de construções, é o que se desenvolve à volta do Largo do Cruzeiro e mesmo este é composto por três pequenos núcleos.  Este é um verdadeiro exemplo do povoamento disperso, onde vivem parte dos 187 habitantes da freguesia.

 

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E já que referimos a freguesia, deixamos também por aqui alguns dados que encontrámos na página oficial da net do município:

Área: 10.8 km2

Densidade Populacional: 17.3 hab/km2

População Presente: 187

Orago: São Pedro

Pontos Turísticos: Miradouro da Fonte Alta e Igreja (Covelo); São Bento.

Lugares da Freguesia (4): Covêlo do Gerês, Peneda, São Bento de Sexta-Freita e Cruz da Estrada.

 

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Ficam os dados tal como estão na página da NET, no entanto fica um nosso apontamento, pois estamos em crer que um dos lugares da freguesia, mais propriamente a Peneda, se deve referir àquilo que no terreno nos detetámos como as três Penedas, com placa à entrada dos respetivos lugares onde se inscrevia Peneda de Cima, Peneda do Meio e Peneda de Baixo, no entanto, e tendo em conta o quão disperso está a aldeia de Covelo do Gerês, pode dar-se o caso de ser mesmo só uma Peneda, dispersa em três Penedas, um bocadinho como acontece com as nossas Assureiras, no concelho de Chaves. Ainda mais um apontamento que no terreno não conseguimos identificar e que se refere ao lugar da Cruz da Estrada(l).

 

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Ainda antes de avançarmos para mais pormenores sobre a aldeia e freguesia de Covelo do Gerês, vamos a sua localização mais exata, com as coordenadas e a altitude para logo de seguida passarmos aos itinerários para lá chegar, como sempre a partir da cidade de Chaves.

 

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As coordenadas são do centro da aldeia, do Largo do Cruzeiro.

     41º 43’ 06.77” N

     07º 58’ 52.17” O

     Altitude: 593m

 

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Itinerário 1

Quanto aos itinerários, hoje vamos alterar aquilo que vínhamos fazendo até aqui, pois queiramos ou não, para o Barroso temos de passar sempre por um de três itinerários principais possíveis, e a partir destes são apenas pequenas ligações aos locais onde queremos chegar. Assim, o itinerário que atravessa, mais ou menos, o centro do Barroso é a estrada Chaves-Braga, EN103. A partir desta estrada temos a maioria do Barroso à mão de semear quer seja o Barroso de Montalegre, quer seja o de Boticas. Assim, vamos considerar este o itinerário principal, com melhor estrada e por onde possivelmente demoraremos menos tempo até chegar ao nosso destino. Contudo, este itinerário pode servir para a maioria dos nossos destinos, mas há casos mais extremos que aconselham outro, além de,  o ter melhor estrada e ser mais rápido, não é sinónimo de ser o mais interessante. Assim, recomendamos mais dois itinerários alternativos, sendo um para o Barroso de Montalegre,  e outro para o Barroso de Boticas que em alguns casos também pode servir para freguesias Montalegre.

 

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Itinerário 2

O segundo itinerário passa obrigatoriamente pela Vila de Montalegre e é feito a partir de Chaves, pela estrada do S.Caetano/Vilarelho da Raia. Este itinerário liga-nos a todo o Norte e poente do Barroso. Norte que faz fronteira com a Galiza e poente todo ele em pleno PNPG - Parque Nacional da Peneda-Gerês, mas também pode ser utilizado para entrar nos barrosos mais emblemáticos, mais contrastantes e mais singulares, basta dizer que começa no Alto Barroso, abrange a Serra do Larouco, passa ao lado de terras da Chã, acompanha as terras do Rio (Cávado), atravessa o PNPG e desagua em pleno Minho. Pessoalmente considero este o itinerário mais interessante do Barroso, sem qualquer dúvida e também é por ele que podemos atingir a maioria das aldeias do Barroso de Montalegre. Aliás este itinerário  faz-se todo pelo concelho de Montalegre, exceção, claro, para o pequeno troço de ligação feito no concelho de Chaves. Este segundo itinerário a partir de Paradela (Barragem de Paradela) dependendo do nosso destino, subdivide-se. Mas já lá chegaremos.

 

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Itinerário 3

Este é o itinerário principal para o Barroso de Boticas, mas também para a freguesia de Salto do Concelho de Montalegre e ainda pode ser utilizado para chegar às terras (para nós flavienses) mais distantes do Barroso, como Venda Nova, Ferral, Cabril e Fafião, entre outras. Mas para todo o concelho de Boticas e freguesia de Salto, este é o nosso itinerário preferido.

 

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Vamos agora traçar resumidamente os locais de passagem e pontos de referência para cada um dos itinerários, onde as 5 barragens do Barroso são pontos de referência obrigatórios e onde se têm de tomar decisões para chegar aos nossos destinos.

 

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Locais e pontos de referência do Itinerário 1

 

Pois este itinerário completo, com destinos em Fafião ou Ferral e Venda Nova, terá de passar por:

 

Chaves, Sanjurge, Campinas, S. Caetano, Soutelinho da Raia, Meixide, Vilar de Perdizes, Solveira, Meixedo, Montalegre, Frades do Rio, Sezelhe (Barragem), Travassos do Rio, Covelães, Paredes, Outeiro e Paradela (Barragem), Ponteira, Sexta Freita, Nogueiró, Ferral ou Venda Nova. Mas atenção, se o nosso destino for Cabril ou Fafião, a partir de Paradela (Barragem) subdivide-se, e em vez de seguirmos para Ponteira, devemos seguir por Sirvozelo, Cela, Azevedo, Xertelo, Chelo, Cabril, Pincães e finalmente Fafião. De Cabril a Fafião, sempre em paralelo à Barragem de Salamonde.

 

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Locais e pontos de referência do Itinerário 2

Este itinerário é o de orientação mais fácil, pois todo ele é feito pela EN103. Basta seguir por ela. Mas ficam os locais por onde passa: Chaves, Curalha, Casas Novas, S.Domingos, Sapelos, Sapiãos, Alto Fontão, Barracão, Aldeia Nova (início da barragem dos Pisões), S.Vicente, Penedones, Parafita, Pisões (fim da barragem),  Vila da Ponte, S.Fins, Codeçoso do Arco, Venda Nova e Padrões. Este itinerário passa por três concelhos — Chaves, Boticas e Montalegre.

 

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Locais e pontos de referência do Itinerário 3

Até Sapiãos é comum ao itinerário 2, a partir de aqui, vira-se para Boticas, passa-se antes pela Granja, depois Boticas, Quintas, Carreira da Lebre, Agrelos, ao lado de Espertina, ao lado de Vila Pequena, Cerdedo, Pomar da Rainha e Venda Nova ou Salto. Este itinerário passa por três concelhos — Chaves, Boticas e Montalegre.

 

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Vamos então, finalmente, ao itinerário para Covelo do Gerês, que a partir de hoje passamos novamente a recomendar apenas um itinerário, deixando em alternativa um segundo. Pois para Covelo do Gerês recomendamos o itinerário 2, que completo seria de Chaves a Ferral com passagem por Montalegre, mas que a seguir de Sexta Freita e antes de Nogueiró, devemos abandonar, virando à direita em direção a Santa Marinha e logo a seguir Covelo do Gerês. Como alternativa o itinerário 1 até à Venda Nova (Padrões), atravessa-se o paredão da Barragem da Venda Nova e depois segue-se em direção a Paradela até Nogueiró e logo a seguir vira-se à esquerda para Covelo do Gerês, conforme mapas que ficam a seguir:

 

mapa covelo.jpg

 

Continuemos com o que encontrámos nas nossas pesquisas, por exemplo no Arquivo Distrital de Vila Real:

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR

Covelo do Gerês foi abadia da apresentação da Casa de Bragança, sua donatária. 

Pertenceu ao concelho de Ruivães, extinto pelo decreto de 31 de Dezembro de 1853, data em que transitou para o concelho de Montalegre. 

A freguesia é composta pelos lugares de Covelo do Gerês, Peneda e Sexta Freita. 

A paróquia de Covelo do Gerês pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é São Pedro.

 

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E só hoje descobrimos o que aconteceu em Covelo do Gerês em 1966, mais precisamente entre 10 e 22 de fevereiro, que embora conste que tal acontecimento deixou marcas ainda bem visíveis no local que, não as detetámos porque não sabíamos da sua existência nem nunca tínhamos ouvido falar delas. Então é assim, ao que sabe, do ponto de vista estrutural, a aldeia de Covelo do Gerês situa-se na Zona Centro Ibérica do Maciço Hespérico, mais precisamente na subzona da Galiza Média-Trás-os-Montes, constituindo uma das áreas de mais intensa deformação no contexto da orologia hercínica, o que levou em 1966 a que houvesse derrocadas de terras na encosta onde a aldeia está implantada. As primeiras movimentações foram de pequena dimensão, o que permitiu colocar de sobreaviso os habitantes que começaram a abandonar as suas casas. Tal evitou uma catástrofe, pois é sabido que no dia 16 desse mês um movimento de terras de maiores dimensões, uma “onda” de lama e detritos alastrou sobre a aldeia, submergindo 8 casas e invadindo os terrenos de cultivo mais próximos. A violência foi tal que arrastou blocos de granito com um diâmetro superior a 3m, ficando ainda destruída a estrada que liga Covelo a Paradela.

 

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No livro “Montalegre” encontrámos algumas referências, uma delas diz respeito às portas de entrada no concelho de Montalegre, que também passam pelo Covelo do Gerês:

Acessos

Na vila actual podemos entrar por várias portas. Quem circula pela Nacional 103, entre Braga (a 90 km) e Chaves (a 3 km), chega às Terras de Barroso desde Salamonde- Fafião, atravessando a zona ribeirinha de Cabril, do Gerês e do Rio; desde Vilarinho dos Padrões pela Barragem da Venda Nova e terras de Covêlo do Gerês e Paradela do Rio;

 

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Encontrámos também uma outra referência, mas já a deixámos atrás, pois a mesma está reproduzida na página oficial do Município na NET. Voltámos a encontrar também a referência ao Lugar da Cruz da Estrada que iremos tirar a limpo de que lugar se trata, mesmo que ela não conste da lista de localidades dos CENSOS/INE. Mas se a Câmara de Montalegre e a Junta de Freguesia diz que existe, é porque existe. Teremos que ir por lá para ver do que se trata e pela certa aproveitamos para deitar um olho e falar ao que aconteceu em fevereiro de 1966.

 

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Passemos à “Toponímia de Barroso”

 

COVELO DO GERÊS

Diminutivo medieval que é a derivação imprópria de COVELA – COVA + ELA. “Cova”, do latino COVA, como é topograficamente bem visível. Em todo este enorme covão geresino havia, na Idade Média, quatro freguesias, todas com referência à Serra do Gerês: a lamentavelmente extinta São Vicente do Gerês (nos fundões do rio Beredo, perto de Pitões); São Tomé de Parada do Gerês, depois São Tomé de Outeiro e, agora, apenas Outeiro; e mais duas, São Pedro de Covelo do Gerês e Santa Marinha de Covelo do Gerês. Esta chama-se agora Ferral e aquela denominada Covelo do Gerês — foi a herdeira universal do nome — corónimo!

- 1258 “Sancti Petri de Covelo”, já com topónimo estabelecido.

Os lugars da freguesia podem ter mudado de nome dados os muitos casais existentes no aro: Várzea, Quintas, Covelinho, Barreiro, Pomar, Cortinhas Chã de Baixo, Casal de Baixo, Veidão, Vertoi, Ferreiros, Vinhal e Lama — tudo locais referidos nas citadas INQUIRIÇÕES de D. Afonso III.

 

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E o que diz “Toponímia Alegre”:

 

Ó Covelo, ó Covelo

Que fazes às raparigas?

Por muito que te passeie

Vejo porcos e galinhas!

 

Se fores a Covelo leva pão

Que bagaço lá to darão.

 

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Na Etnografia Transmontana de Lourenço Fontes também se faz uma referência à aldeia de Covelo do Gers a respeito do comunitarismo, que não sei se ainda existirá nos tempos atuais, mas aqui fica:

 

“Em Covêlo do  Geres e na Peneda o carreto da lenha tem particularidade de cariz comunitário que me apraz registar.

A lenha é carrada da serra do Gerês, tendo de atravessar o rio Cávado. Por isso, apenas podem fazê-lo  enquanto o rio leva pouca água, ou seja, até Setembro. Chamam-lhe além do rio ao local da lenha. Carra-se às costas, em molhos, conforme as posses da pessoa, até ao rio, todos os dias. Daqui para a aldeia vai de burro, carro de vacas, ou mesmo ao lombo. Ao fim de jantar, aí pela 3 ou 4 horas da tarde, a mocidade junta-se em Campelino, onde esperam uns pelos outros. Partem para a serra, além do rio e depois da carga feita vêm todos juntos e param em vários locais a que chamam poisadouros. São os principais: Azenha, Alavanca e Porto Senhorinha.  Na Alavanca, a meio do caminho, no fim da subida, à vinda no caminho para a Peneda pousa e fazem uma borga, com rialeijo, cantam e dançam.

 

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E como a prosa já vai longa, ficamos por aqui, mas aquela do Lugar da Cruz da Estrada e os acontecimentos de 1966 convidam-nos a ir por lá outra vez, não sabemos quando, mas pela certa que vamos, nem tanto pela Cruz da Estrada, mas para tentar perceber in loco estes “fenómenos” geológicos que infelizmente às vezes dão origem a verdadeiras catástrofes.

 

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Ficam então as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog, mas também nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso ao vosso mail.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1977.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.cm-montalegre.pt/

http://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1063880

 

 

 

 

 

 

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04
Jun18

O Barroso aqui tão perto - Pincães

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Pincães em três andamentos

 

Ora cá estamos com mais uma aldeia do Barroso, que deveria ter ficado por cá ontem, domingo, mas não tivemos tempo. Assim, fica hoje.

 

Tal como se costuma dizer, não há duas sem três, pois foram essas as vezes (três) as que fomos até Pincães para a ter aqui hoje como a nossa aldeia de “O Barroso aqui tão perto”.

 

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De cada vez que abordamos o Barroso, previamente fazemos o estudo do nosso itinerário que, diga-se a verdade, raramente é cumprido. Penso que só uma vez, por sinal a última, é que conseguimos cumprir. Há sempre imprevistos que nos levam a demorar mais numa ou outra aldeia, ou porque ela apresenta motivos que merecem mais atenção, por uma boa conversa com as pessoas da aldeia, ou porque o tempo é escasso, hora de satisfazer as barriguinhas ou mesmo abandono por cansaço.

 

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A Pincães fizemos três abordagens, espaçadas de um ano cada. A primeira vez que formos por lá foi há 2 anos, no mês de julho. Recordo ter sido um dia muito quente e chegámos lá já para o fim da tarde, depois de um longo dia e ainda com Fafião na mente. Eram as últimas aldeias do itinerário, e pela distância, mas também pela localização, queríamos fazê-las no mesmo dia, embora o cansaço já estivesse a pedir o regresso a casa. Neste estado é sempre má decisão continuar, principalmente porque sabemos que começa a faltar a atenção para alguns pormenores, mas também a inspiração.

 

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Mas já que estávamos lá, fizemos o nosso registo. Na partida para Fafião sentimos logo que não estaria completo, no entanto tínhamos deixado para trás uma coisa que nos ia fazer voltar e que então não estávamos em condições de fazer – a visita às cascatas. Assim partimos mais descansados em direção a Fafião, onde veio a acontecer o mesmo.

 

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Na segunda abordagem a Pincães para completar a recolha, novamente calhou em má hora. Aconteceu no ano passado em agosto, de novo muito calor, já com muito dia andado embora ainda só fossem as 13 horas quando lá chegámos. Era mais hora de ir para a mesa, que aconteceria em Fafião, do que tratar de recolhas fotográficas. Mas mais uma vez, já que lá estávamos, aproveitámos para fazer mais uns registos, mas também sabíamos que iríamos lá de novo, com destino às cascatas para as quais já tínhamos decidido que haveria um dia exclusivo para elas, não só as de Pincães mas também as restantes, que dados os acessos à maioria delas, estávamos a reservá-las para um dia de todo o terreno, que não era o caso daquele dia de agosto.

E de novo partimos sem o espírito de missão cumprida.

 

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E tal como se costuma dizer, não há duas sem três, e à terceira foi de vez. Fomos às cascatas e ainda tivemos tempo de completar a nossa recolha fotográfica, pensava eu então, mas as coisas não correram bem como eu pensava. Quanto à aldeia, tudo bem, a coisa ficou resolvida, quanto às cascatas, não fiquei satisfeito, um problema técnico com o equipamento e só detetado em casa, pede-me para lá voltar, pois as cascatas são preciosas em demasia para ficar satisfeito com os tristes registos que lá fiz, mesmo assim ainda dão para deixar aqui uma amostra. Lá para o fim do post.

 

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Já começa a ser um lugar comum dizer que a aldeia do Barroso que trazemos aqui nos agradou e surpreendeu. Pincães não foi exceção, mas à partida já tinha todos os predicados para assim ser. Faz parte do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e só por isso já sabíamos que não estávamos numa aldeia qualquer, depois o costume daquilo que gostamos. O casario agradou, as vistas também, os matizes dos verdes já começa a ser uma constante além do Alto-Barroso, e quanto a pormenores também houve alguns que gostámos de registar, mas o destaque vai mesmo para a beleza das cascatas, pena o acesso ser para quem gosta de caminhar, o que não é propriamente o nosso caso, mas o esforço compensa e assim a descoberta até sabe melhor.

 

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Mas ainda antes de irmos novamente até Pincães e às suas cascatas, vamos aos habituais preliminares dos caminhos a percorrer para lá chegar e à localização da aldeia e cascatas.

 

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Pois já sabem que os nossos itinerários são feitos sempre com partida da cidade de Chaves. Desde o último fim de semana passámos a ter aqui três itinerários possíveis que ficarão à vossa escolha, daí, não liguem à nossa ordem de apresentação dos mesmos, pois é aleatória.

 

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Assim o itinerário 1 de 79,2Km, é feito via estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia (EM 507), Meixide, Montalegre, aqui opta-se pela estrada M308 que passa pelo Campo de Futebol/Sr. da Piedade até Sezelhe onde se deverá estar com atenção às placas indicativas onde se deve seguir pela entrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês em direção a Paradela. Aqui de novo atenção às placas, o nosso destino é Pincães com passagem obrigatória por Cabril e termos de passar por Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo, Xetelo, etc, antes de chegar a Cabril. Mas estando em Paradela o melhor é ter a referência que temos de atravessar pelo paredão da Barragem, e a partir de aí é sempre em frente até Cabril. Em Cabril de novo atenção às placas, mas a referência é termos de atravessar a ponte sobre o rio que ali até já é início da barragem de Salamonde. Atravessada a ponte, é só seguir pela estrada que Pincães aparece um pouco mais à frente.

 

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O itinerário 2 de 78Km é via estrada de Braga (EN103) até Sapiãos. Aí deixa-se a EN103 em direção a Boticas. Aqui segue-se pela N311 em direção a Salto, sem estrar nesta, pois mesmo antes de Salto há que virar em direção à Venda Nova e tomar de novo a EN103 em direção a Braga. Um pouco mais à frente no final da Barragem, atravessa-se pelo paredão desta em direção a Ferral e depois Cabril. Aqui chegados seguimos pelo itinerário 1 até Pincães.

 

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O itinerário 3 de 89.3Km, o mais longo, é um misto de itinerários 1 e 2, ou seja, até Sapiãos segue-se pelo itinerário 2, mas aí continua-se pela EN103 até S.Vicente da Chã, ou seja, quando começarmos a avistar a Barragem dos Pisões, já depois de passarmos pelo Barracão, vira-se em direção a Montalegre. A partir daqui entramos no itinerário 1. Agora é só escolher quais dos três itinerários querem seguir, entretanto deixamos o nosso habitual mapa, a partir de hoje também com um pormenor dos três itinerários.

 

mapa-pincaes.jpg

 

Penso que com os três itinerários já ficou esclarecida a questão da localização, mesmo assim, para o pessoal que gosta mais de coordenadas, aqui ficam elas, e também a altitude, para ficarmos localizados em altura, ou quão tão no alto fica Pincães:

41º 42’ 27.52” N

08º 03’ 07.76” O

Altitude: Entre os 470 e os 531 metros

 

1600-pincaes (5)

 

E o que nos diz a “Toponímia de Barroso” sobre Pincães? Vamos ver:

 

Pincães

 

A origem deste topónimo há-de ser o pingo ou pinga que também está na origem de Pinguel, Pinguelo e Pingais. Pois se a água faz tanta falta aqueles terrenos abertiços do Vale das Traves e da Veiga Grande! Se os de Pincães até preservam a sua Fecha e a Pedra de Água, verdadeiros monumentos para esta gente!

De pinga, derivado regular de pingar, chegamos a Pingais e, com o reforço para a oclusiva gutural surda g/c e a vulgar nasalação ais > ães, temos Pingães-Pincães, o topónimo e hidrónimo ou hidrotoponómico. É uma hipótese de estudo muito atida às circinstâncias hidrológicas e orográficas do sítio.

Porém, existindo a forma seguinte:

- 1258 «Picanes» INQ 1527, talvez devamos atribuir-lhe a raíz pic que, como pit é de sentido topográfico  (significando pico, elevação) e se pode associar a expressivos sufixos: ouro, ão, eira, ura, alho, anço, onha, aça, oto, ouço, etc. Ficaria assim Picouro, Piconha, Picanço, etc. Na mesma localidade há o Picoto, onde sobressai a capelinha do Paulino Costa. A nasalação parece-me óbvia.

 

1600-pincaes (22)

 

Então vamos também à “Toponímia Alegre” com os:

 

“Apelidos” de Cabril

 

Moeda falsa de Lapela,

Vinho-azedo de Azevedo,

Cava-touças de Sertelo,

Escorricha-picheis de S. Lourenço,

Rabões de Chelo,

Bufos de Vila Boa,

Lagartos de Fontaínho,

Cinzentos de Chãos,

Carrapatos de Cavalos,

Paparoteiros da Vila

Dente-Grande da Ponte,

Pousa-fois na Chã de Moinho,

Raposos de Busto-Chão."

Esfola-vacas de São Ane,

Ferra-bestas de Pincães,

Putaria em Fafião.

 

1600-pincaes (3)

 

No livro “Montalegre “ também encontrámos algumas referências a Pincães:

 

Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.

 

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A respeito da listagem de aldeias que aparecem no parágrafo anterior, Já tive oportunidade de o dizer aqui no blog e repito-o outra vez, penso que a lista de aldeias aí mencionadas ficou muito curta, pois há muitas mais aldeias com núcleos de construções tradicionais e até toda a aldeia que são muito interessantes e mantêm toda a sua integridade sem atentados modernistas pelo meio. Contudo a feitura do livro “Montalegre” é anterior a 2006, pois só nesta data foi editado. Quero com isto dizer que entretanto,  em algumas das aldeias que atrás são mencionadas, principalmente nas mais conhecidas pelos turistas ou indicadas aos mesmos, surgiram construções novas e reconstruções que nem por isso respeitaram os tais núcleos de construções tradicionais, enquanto que outras, autênticas pérolas, vivem no anonimato turístico, e em parte, ainda bem. Pessoalmente, dentro desses núcleos e aldeias de construções tradicionais,  prefiro ver uma dessas construções tradicionais abandonada e em mau estado de conservação do que um mamarracho moderno ou uma má reconstrução, pois as primeiras ainda poderão vir a ser reconstruídas por alguém com bom senso e gosto pela tradição, mantendo assim a integridade arquitetónica tradicional da aldeia, as segundas, são um verdadeiro atentado a toda a aldeia e ao seu património, não só arquitetónico, mas também cultural. Desculpem o desabafo, mas tinha de dizer isto.

 

1600-pincaes (216)

 

Continuemos nas referências a Pincães do livro “Montalegre”

 

O Pastoreio

A actividade pastoril e ganadeira, obrigatoriamente subsidiária da agricultura, é a base da economia local e deve-se a conceitos próprios de antiquíssimos regimes comunitários. A existência de ‘‘vezeiras’’ – gados apascentados sob regras democráticas próprias – indica como foi excelente a nossa coesão social, fruto duma organização jurídica específica e da qual, entre nós, restam documentos manuscritos, ainda que rudimentares, do Padre Diogo Martins Pereira, nascido em Pincães, em 1681. Esclarece-nos o reverendo sobre as fórmulas comunitárias adoptadas pelas populações cabrilenses no sentido de enriquecerem as suas casas e de melhorarem os seus termos territoriais, nomeadamente, os baldios. Entre outras coisas, descreve detidamente os diferentes lugares da freguesia de Cabril e o funcionamento das assembleias: o modo como resistiam a inimigos de fora parte, como apascentavam as suas vezeiras, como perseguiam os animais selvagens que consideravam prejudiciais, como faziam queimadas controladas para melhorar os pastos e como decidiram inçar alguns montes e corgas de outras árvores nobres e também de medronheiros com que evitavam os malefícios da erosão e de cujos frutos alimentavam os bichos e faziam aguardente.

 

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Figuras

Há criaturas que pelas suas qualidades únicas servem de modelo aos comuns mortais e servem de título às diferentes páginas da História dos povos. Barroso também as tem. Dentre umas boas dezenas sobressaem os que aqui elencamos:

(…)

  1. Padre Diogo Martins Pereira (séc. XVII) nasceu em 25 de Julho de 1681 no lugar de Pincães, freguesia de São Lourenço de Cabril. Deixou um manuscrito, datado de 1744, sobre a sua freguesia a que deu o nome de “Epítome Familiar e Árvore de Gerações de algumas casas da freguesia de São Lourenço de Cabril” que é um excelente relatório de muitas famílias do Baixo Barroso, seus costumes, suas vidas e seus feitos – a história e a lenda locais, no século dezassete, escritas com muito saber e gosto.

 

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Riqueza fitológica Com efeito as variações de altitude determinam a existência de biodiversidade ecológica no que respeita ao coberto vegetal de que são exemplos admiráveis , o Carvalhal de Avelar e a Lomba de Pincães – Fafião, de sobreiro, arbustos variados e medronheiros.

 

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Pincães foi a primeira aldeia do concelho que teve honra de monografia publicada, da autoria de Jacinto de Magalhães. É a segunda mais extensa freguesia do concelho (76,6 km) e, provavelmente, a mais bucólica, a mais rica no plano das espécies arbóreas e avícolas e também a mais admirável no aspecto multifacetado das suas paisagens edénicas, sem dúvida, devido às condições orográficas e climatéricas que a cordilheira do Gerês apresenta.

 

1600-pincaes (133)

 

Na Etnografia Transmontana II – O Comunitarismo de Barroso, de António Lourenço Fontes,  encontrámos o seguinte:

 

7 – CÓDICE DOS CASAIS D PINCÃES DE 8-7-1793

 

Tratado segundo o lugar de S.Lourenço e o mais… da freguesia de Cabril.

2 — Formam-se duas vezeiras de bois e outras de vacas daqueles lugares próximos, na guarda e criação de seus gados grossos com muito justa execução pelas leis municipais a que ali chamam acordos; a principal pessoa que nisto governa é um homem que os mais elegem a votos e sempre escolhem o que melhor lhe parece, com um acusador e escrivão e lhes fazem de quinze em quinze dias e condenam e executam os culpados sem apelação nem agravo, mas mais que são doze homens a que chamam do acordo, elegidos por aquele que é juiz a quem eles chamam (Vigr.º) e como parecer dos votos dos doze se conta ou alevia da condenação se os culpados que acham contra os acórdãos que têm escritos em seu livro rubricado e numerado e se ali ordenam inviolável.

 

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E continua a Etnografia Transmontana II

3 — Tem o dito (Vigr.º) obrigação avisar ao povo do seu distrito a que se juntem com enxadas e fouces para irem fazer o caminho da serra do Gerês para serventia dos pastores e gados que ali pastam e é mais obrigado a mandar concertar as cabanas para pastores dormirem abrigados da inclemência dos tempos e esta obrigação de concertá-las compete aos homens das malhadas como lá chamam… Condena mais os pastores que não cheguem ao melhor pasto, ou chegam tarde ou recolhem cedo…

 

1600-pincaes (207)

 

Ainda na Etnografia Transmontana II

4 — Também têm condenações sobre os gastos de louça, ferramentas que os pastores devem entregar ao que se segue de guarda… bem como o número de gado da vezeira… A função de acusador é acusar os erros das leis…

 

5 — Têm mais obrigação de procurar um touro colhudo da cor que o povo quere para castriar na vezeira das vacas, querem que seja tal que possa defender as vacas de noite do lobo…

 

 1600-pincaes (178)

 

As Cascatas

 

Como já vimos há motivos de sobra para Pincães merecer um visita de apreciação atenta, mas nem que fosse e só apenas pelas cascatas, já valia a pena ir por lá. Nós adivinhávamos isso mesmo, tanto assim foi, que reservámos um único dia para visitar as cascatas da freguesia de Cabril, e não fomos a todas, ficámo-nos apenas por três, todas elas lindíssimas a merecer cada uma delas que se passasse por lá todo o dia.

 

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Cada uma delas com o seu encanto, todas de acesso não muito fácil, como até convém, pelo menos faz com que a descoberta seja merecida. Mas a cascata de Pincães, pelas suas caraterísticas e localização, têm um toque especial, e não há fotografia ou imagem que lhes faça justiça, muito menos as nossas, que tal como já tivemos oportunidade de dizer, tivemos um problema técnico com a câmara fotográfica que só detetámos em casa na “revelação” as fotos. Mesmo assim, com a ajuda de muito Photoshop, conseguimos salvar algumas, pelo menos para podermos dar uma ideia do que são as cascatas de Pincães.

 

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Mas tal como disse, uma coisas são as imagens das fotografias e outra é viver as cascatas in loco, principalmente a sua grandeza que em imagens se apresenta diminuída, tal como a beleza e encanto. A fotografia tem o dom de congelar um momento para a eternidade, mas uma cascata é feita de muitos momentos, emoções, sons, aromas, sensações, magia e até um certo mistério que a fotografia nunca conseguira reproduzir e transmitir, é por isso, que o melhor que a fotografia tem, é o momento em que estamos por trás da máquina a espreitar pela objetiva a preparar a composição para fazer o registo que vamos guardar para memória futura. Mas estar mesmo lá, isso é que é.  Se não entenderam nada disto que estou para aqui a dizer, vão lá, e compreenderão!  

 

E com esta me bou! Ou melhor, me fico por aqui.

 

1600-pincaes (171)

 

Só restam as habituais referências às nossas consultas e dizer-vos que as abordagens que já fizemos às aldeias e temas de Barroso estão agora no menu do topo do blog e nos links da barra lateral. Se a sua aldeia não está lá, em breve passará por aqui num domingo próximo, e se não tem muito tempo para verificar se o blog tem alguma coisa de interesse, basta deixar o seu mail na caixa lateral do blog onde diz “Subscrever por e-mail”, que a SAPO encarregar-se-á de lhe mandar um mail por dia com o resumo das publicações, com toda a confidencialidade possível, pois nem nós teremos acesso ao vosso mail.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

 

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

FONTES, Lourenço, Etnografia Transmontana II - Comunitarismo do Barroso, edição do autor, Montalegre, 1977.

 

 

 

 

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