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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Nov19

Quem conta um ponto...

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470 - Pérolas e Diamantes: Os karaokeanos

 

 

Atualmente, a relação com os meios de comunicação baseia-se em desconfiança e hostilidade.

 

Vivemos política e socialmente entre uma espécie de clímax trágico e uma forma de clímax humorístico.

 

Quando se fala de política já ninguém tenta ser sincero.

 

Talvez a nossa juventude seja traumática, desejando chegar a velha diretamente, sem passar pela secção da maturidade. Os nossos jovens gostam de dizer que se acalmam nos grupos de terapia, que estabilizam emocionalmente nas sessões com o psicólogo, tentando evitar o trauma da paternidade.

 

Os mais velhos lamentam-se daquilo que deixaram escapar durante as suas vidas, percebendo que já não vão a tempo de compensar o que não viveram. A beleza da juventude magoa-os.

 

Aos mais novos, a velhice aflige-os e atrapalha-os.

 

A verdade é que dependemos uns dos outros para darmos sentido à vida.

 

Muitas pessoas julgam-se astutas, mas são apenas cínicas. As melhores revelam raiva. Mas, como todos sabemos, a raiva é uma forma diferente de simpatia.

 

O que agora se valoriza não é a autenticidade, mas sim a arte da ilusão.

 

Um velho ditado chinês diz que “os príncipes tornam-se ridículos quando fingem desconhecer a causa dos seus embaraços, ou quando confundem as suas incertezas com as suas ignorâncias”.

 

A nova filosofia assenta na velha máxima: o que se pode levar desta vida é o que se come, o que se bebe e o que se brinca.

 

Caminhamos para uma sociedade corrompida onde os horizontes morais e filosóficos são escassos e, mesmo esses, subvertidos todos os dias por banqueiros, juristas, empresários e políticos.

 

Todos eles tentam esconder a verdade, que é a mola do progresso. Um dia as contradições da nossa era popular vão explodir. O que nos deve preocupar é a debilidade das lideranças dos partidos democráticos.

 

O Estado de Direito baseia-se na ética e no realismo. Não na retórica e no socialismo (ou liberalismo).

 

O todo (os direitos) não existe sem as partes (os deveres).

 

Os políticos pós-modernos são como aqueles patuscos sem graça que memorizam piadas para serem considerados uns pândegos, tendo ido para as universidades privadas frequentar cursos pré-pagos que conferem garantia imediata a certificado timbrado, para aí aprenderem como abandonar as festas antes de esgotarem o material. Produzem o mesmo efeito da comida aparentemente saudável, mas que intoxica.

 

Apesar de se detestarem entre si e nos detestarem, parecem todos velhos amigos, considerando-nos impertinentes e mal agradecidos.

 

Os partidos lá vão fazendo a sua propagandazinha: uma resma de medidas ao acaso, que não os compromete a quase nada, apelidando-as de “programa” para conferir ao arrazoado mal atamancado um cheirinho a seriedade. Numa segunda leitura, se tanto, ninguém consegue respigar um naco de pensamento organizado.

 

O povo, por seu lado, com a sua independência cidadã, lamenta-se. Mas lá vai votar. E nos mesmos, para não se deixar surpreender. Ai o povo, o povo mais a sua santa sabedoria.

 

Os partidos vivem na indiferença, sendo o centro da inércia e da incapacidade. Não sabem o que é ter vergonha. Ou falta de caráter. Os animais não conseguem aperceber-se do seu próprio cheiro.

 

Mesmo o poder autárquico se transformou num exemplo de extravagância, megalomania e, muitas das vezes, em puro latrocínio.

 

Parece que não existe um único político em Portugal responsável pelo défice e pela dívida. A oligarquia partidária confunde-se com a oligarquia dos negócios.

 

O nepotismo e a corrupção derivam da fraqueza do poder democrático e da ausência de uma entidade verdadeiramente fiscalizadora. De facto, todos nos apercebemos da irrelevância do Presidente da República, do Parlamento e das suas comissões. Nem o Governo governa, nem a Assembleia controla. E as câmaras municipais funcionam como verdadeiros feudos.

 

Temos de nos perguntar quais foram os génios que deixaram o país pobre e endividado, acumulando milhares de milhões de dívida que jamais poderá pagar.

 

Lá bem no fundo, o FMI e todas as outras instituições financeiras internacionais, sabem que Portugal é uma folha de papel que vale tanto como o Novo Banco.

 

Apesar de usarem elegantes e vistosos fatos azuis Hugo Boss, os nossos políticos, mais as suas ideias feitas, cheiram sempre a naftalina.

 

E que lindos karaokes eles fazem.

 

João Madureira

 

11
Nov19

Quem conta um ponto...

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468 - Pérolas e Diamantes: A arte e a revolução

 

 

O cantor Ricardo Ribeiro (Respeitosa/Mente) acertou na mouche: “O entretenimento é para esquecer a vida. A Arte é para lembrar a vida.”

 

Eu sou intuitivamente flaubertiano, levando, para mal dos meus pecados, o cómico ao extremo, o cómico que não provoca o riso, o lirismo no gracejo. Aprecio desgastar as coisas, exprimir-me com uma espécie de cumplicidade com o desgaste da vida. Persegue-me o sentimento da futilidade e da desintegração.

 

Foi Flaubert quem associou a noção de arte a uma gloriosa futilidade.

 

O passado costuma retornar, mas não nos faz reviver. Apesar de belos, os pássaros são tolos.

 

A criação literária está cheia de amargas alegrias. Flaubert ensinou-nos que o artista é uma espécie de alquimista que fabrica beleza com a impureza da vida.

 

Nada na arte pode ser mesquinho. O estilo, por muito que custe a algumas almas sofridas, não é essencialmente uma proeza técnica, mas antes uma questão de visão. O estilo é a maneira “absoluta” de ver as coisas. É muito mais do que vocabulário e sintaxe. Mais do que substância verbal, é espírito. É ritmo e cadência. Também é precisão e vigor.

 

Flaubert desconfiou sempre das emoções pessoais: “Podemos ser senhores do que fazemos, mas nunca do que sentimos.” Até os eunucos se consomem no seu próprio desejo estéril.

 

A escrita de ficção é também uma forma de profanar os sonhos. Mas, por muito que nos custe, a solidão não confere beleza, apenas desenvolve as depressões.

 

Escrever é uma forma de sublimar a raiva que sentimos pelas coisas impossíveis. Todos somos vítimas fáceis da solidão e da incomunicabilidade. Mas só alguns a conseguem escrever e descrever.

 

São a paródia e a ironia que nos conduzem ao culto do artifício. É daí que nasce a boa literatura. Enriquecemos sempre com todas as ilusões que perdemos. O que é derrota para uns é vitória para outros.

 

Por vezes, ou quase sempre, a relação entre o positivo e o negativo, revela a dialética com que se alicerça a obra de arte. Cito d’ A Educação Sentimental: “Ele transportou para as artes o hábito... de parodiar o que mais lhe agradava, de depreciar aquilo de que mais gostava, rebaixando todas as grandezas e denegrindo todas as belezas, para ver se elas se erguem,  depois, em toda a sua grandeza e beleza primordial...”

 

Mas há gente tão enganada que teima em procurar “o odor das laranjeiras debaixo das macieiras”. Crítica e criação afirmam-se em simultâneo.

 

No ato da escrita, é bom evitar as emoções, pois todos sabemos que quanto menos sentimos uma coisa mais aptos estamos para a descrever.

 

Há coisas que as palavras não conseguem dizer e outras que elas devem encobrir. Até porque, como escreveu Flaubert: “A palavra humana é como um caldeirão rachado onde tocamos melodias de fazer dançar os ursos, quando desejaríamos enternecer as estrelas.”

 

 

Nos bons escritores existe sempre uma tensão entre o estilo e o que ele pretende descrever. Nós vemos sempre aquilo que queremos ou aquilo que podemos. Nenhuma obra de arte se salva apenas pela forma.

 

As palavras são diferentes entre si. Umas não conseguem comunicar, no entanto existem outras que transformam os textos de forma irredutível. São elas que fazem com que D. Quixote se revele ao mesmo tempo patético e grandioso.

 

São os falsos movimentos aqueles que contribuem para a impressão opressiva da imobilidade. De facto, é o que as guerras são.

 

Eu sou daqueles que acredita no herói que nunca se torna heroico. Até porque o heroísmo é pouco divertido. É como ter uma experiência espiritual num cenário de banalidade. Perde-se o efeito de paródia. Fica apenas a leve intenção da ironia.

 

Flaubert assumiu muito bem a dupla perspetiva do amor e da revolução. E por separado. Até porque agora sabemos que uma coisa e outra se excluem simultaneamente. Por isso os dois amantes vão para Fontainebleau (A Educação Sentimental).  E enquanto os dois amantes se entregam ao prazer, grassam em Paris a revolução e o sofrimento. Só que a evasão não é possível.

 

Flaubert chega até ao ponto de jogar com o conceito de revolução, uma vez que invoca os grandes cataclismos naturais responsáveis pelo caos das rochas. Não se esquecendo de salientar o aspeto irrisório das alterações políticas e das agitações quotidianas.

 

E depois do coito lá vem o arrependimento: “Ficou indignado com este egoísmo; e censurou-se por não estar lá com os outros”.

 

João Madureira

06
Nov19

Crónicas de assim dizer

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A travessia

 

 

Foi longa a travessia! Não grande, longa!

 

Ainda estava em terra quando me apercebi de que o mar estava encrespado e que não ia ser fácil. Podia esperar algumas horas ou dias ou meses, até que fosse mais seguro meter o barco ao mar, mas esperar não sou eu.

 

Fui, mesmo assim. Sabia, tanto quanto é possível saber sem ter feito, que tinha grandes hipóteses de sobreviver, por aquela convicção, na maioria das vezes estúpida ou inocente, de que havemos sempre de sobreviver a tudo. Pensava: que monstros marinhos me podem aparecer? E respondia logo depois, tenho este péssimo defeito de fazer perguntas com as respostas dentro, seja quem for ou o que for que me surpreenda por entre as ondas, ou eu ou o barco ou ambos, vamos saber contornar.

 

Ao princípio foi o vento a soprar desnorteado, vindo não se percebeu ao certo de onde, que me rompeu as velas e eu no mar alto já sem terra à vista a costurá-las! Claro que no estojo dos primeiros socorros havia agulha, linha e dedal. 

 

Depois foi o motor a falhar, uma válvula que descomprimiu, se soltou ou encravou, não percebo nada de motores, e que tive de desmontar e substituir. 

 

Depois o óleo que se consumiu em excesso pela força adicional que o motor teve de fazer contra a corrente. 

 

Depois os botes salva vidas a soltarem-se do convés sempre que o barco galgava uma onda não prevista e a tudo isso eu resisti e sobrevivi com aparente serenidade. Digo aparente porque houve alturas em que senti taquicardia e receei que o coração me saísse pela boca. No kit de socorro também havia pastilhas para isto. 

 

Depois os alimentos acabaram porque a viagem estava a durar mais do que o previsto e passei verdadeira fome, mas comecei com alguma antecedência a racionar os mantimentos como se uma voz do além me advertisse para não abusar da sorte.

 

A água doce também começou a escassear, mas um amigo tinha-me ensinado um processo de dessalinizar a água que na altura me pareceu complicadíssimo, mas que a necessidade tinha transformado em fazível!

 

Quando me convenci de que já não podia acontecer pior, começou a entrar água no casco. De facto, durante a noite tinha ouvido uns ruídos estranhos como se o fundo do barco estivesse a roçar em alguma coisa, mas naquele estado de embriaguez que é aquele em que dormimos, achei que tinha sido um sonho. 

 

Mas, se bem que tudo isto me tenha assustado a seu tempo, eu sabia que haveria sempre uma solução e que ela navegava comigo, por assim dizer, dentro do barco.

 

O pior foi quando começaram a entrar ratos! Aí eu atirei-me à água e submergi porque tenho verdadeiro pavor dessas criaturas e teria mesmo naufragado, mas os milagres acontecem: quando estava já sem ar nenhum, e tinha-o poupado bastante por causa daquele curso de mergulho que tinha feito em Ko Tao, na Tailândia, estiquei os pés e, macacos me mordam se não foi verdade, encontrei terra firma! E murmurei: Há coisas do… podia-me ter saído “arco-da-velha”, mas saiu-me um palavrão que nunca antes me tinha saído!

 

Cristina Pizarro

 

 

04
Nov19

Quem conta um ponto...

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467 - Pérolas e Diamantes: O Vermelho e o Branco

 

 

Um ano após os comunistas terem tomado o poder na Rússia, os operários de Moscovo e Petrogrado fizeram greves encarniçadas. A fome tornou-se um flagelo. Segundo Gorki “os trabalhadores cuspiam à menção do nome de qualquer bolchevique”. Tal cinismo estava resumido no lema que apareceu espalhado pelos muros das cidades: “Abaixo Lenine e a carne de cavalo! Queremos o Czar e a carne de porco.”

 

Os grevistas de Sormovo declararam: “O regime soviético, criado em nosso nome, tornou-se completamente alheio a nós.”

 

Lenine foi então alvo de um atentado por parte de uma revolucionária (Kaplan) ainda mais revolucionária do que ele. Escapou por milagre a uma bala que o atingiu com gravidade no pescoço. Kaplan foi torturada e fuzilada. Os apaniguados do querido líder bolchevique escreveram no Krasnaia gazeta, um órgão de circulação em massa, esta prova do espírito dos revolucionários da altura: “Sem piedade, mataremos os nossos adversários, às centenas. Para o sangue de Lenine e Uritsky deve haver torrentes de sangue burguês – muito sangue, tanto quanto possível.”

 

Seguiu-se o Terror Vermelho.

 

A aversão à democracia acabou por desaguar num governo mantido pela violência. Os bolcheviques, vendo a terra a fugir-lhe debaixo dos pés, viram-se obrigados a recorrer ao terror para silenciar os rivais políticos e subjugar uma sociedade que não conseguiam controlar por outros meios. A Cheka tornou-se o braço repressivo dos bolcheviques. Era um Estado dentro do Estado, abarcando praticamente todos os aspetos da vida soviética. De facto, a organização liderado por  Dzerzhinsky tanto tratava do licenciamento dos cães como lutava contra os reacionários.

 

Os seus elementos eram peritos em esmurrar portas a meio da noite, interrogar e deter pessoas sem acusações formais. E também a torturar e a proceder a execuções sumárias. Foram a principal fonte de inspiração para a criação da Gestapo e da PIDE.

 

A Cheka era, na definição de um dos seus fundadores, não uma comissão de investigações, uma corte ou um tribunal. Era um órgão de combate na frente interna da guerra civil. “Não julga, fuzila. Não perdoa, destrói todos aqueles que são apanhados do outro lado da barricada.”

 

Foi por essa altura que os esbirros da Cheka começaram a dar um arzinho da sua graça. Numa sessão do Circo Moscovo, os nada pândegos polícias políticos ofenderam-se com as anedotas antissoviéticas do palhaço Bim-Bom e invadiram o picadeiro, com a firme determinação de o prenderem. Apanhada de surpresa, a plateia pensou tratar-se de mais uma atração. Só que o artista fugiu e os perseguidores alvejaram-no pelas costas. Gerou-se uma algazarra dos diabos e o pânico tomou conta do lugar. Rapidamente a cidade se encheu de comentários a respeito do caso, com veementes censuras públicas à ignóbil atitude da polícia. Centenas de pessoas compareceram ao enterro de Bim-Bom, transformando a cerimónia numa manifestação de desagrado.

 

Parece que na Cheka não liam os clássicos. Engels escreveu que “o terror é composto de crueldades desnecessárias, perpetradas por homens assustados”.

 

Gippius, o poeta de Petrogrado, disse que durante o Terror Vermelho, “não havia, literalmente, uma única família em que alguém não tivesse sido preso, levado ou então desaparecido sem deixar rasto”.

 

Todos seguiram ao pé da letra a afirmação de Lenine de que era melhor prender uma centena de inocentes do que correr o risco de deixar um inimigo à solta.

 

Já do lado dos Brancos, a miséria humana não era melhor. A grande ajuda enviada pelos Aliados das potências ocidentais para auxiliar os exércitos que combatiam os bolcheviques, acabou por desaparecer, em virtude da corrupção. Armas, fardas, lençóis, cobertores e equipamento hospitalar, quase tudo isso foi parar ao mercado negro.

 

Vários generais incitavam os seus soldados com a promessa de pilhagens.

 

Um deles ficou conhecido como o Príncipe dos Ladrões. A grande maioria das tropas era, no dizer de um dos poucos generais honestos, “um colossal cortejo de larápios e especuladores”. Para estes homens, a guerra era uma forma de enriquecimento.

 

A cavalaria Branca transformou-se num corpo especialista em saques, roubando ao povo o pouco que lhe restava depois da coletivização dos Vermelhos.

 

Foi precisamente esta combinação de fatores que levou aos atrozes pogroms contra os judeus.

 

Bem diz o povo que uma desgraça nunca vem só.

 

João Madureira

 

 

 

25
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

 “PIROLITO e BOLAS-DE-UNTO!”

 

 

*A Democracia não pode ser

 a arte do mal menor,

só pode ser

a arte do melhor possível*.

- Claude Julien

 

 

O voto é o grande pirolito que dá ao «Zé Pagode» a ilusão de estar associado ao poder.

 

A trupe de governantes eleitos bem aldraba os governados, atirando-lhes com a «complexidade técnica» das suas opções ditas políticas.

 

Os deputados-membros da Assembleia da República, os membros (abusiva e pedantemente auto-intitulados «deputados») das Assembleias Municipais e os membros das Assembleias de Freguesia (de caminho também serão titulados «deputados freguesiais») apenas servem, e têm servido, para salvaguardar a fachada democrática: fazem que fazem que debatem competindo entre si a ver qual deles consegue a melhor piada, e, no final, deixam pra lá ou apoiam as politiquices dos governantes e governadores.

 

A frase que faz rir tem mais alcance do que aquela que compromete!

 

A preocupação dos candidatos está em exacerbar as paixões dominantes em vez de esclarecer a opinião.

 

Os padrões morais da «nossa» democracia são demasiados baixos.

 

Como lembra Freud, as multidões jamais têm sede da verdade: procuram ilusões às quais não são capazes de renunciar.

 

Os portugueses continuam a contentar-se serem cidadãos apenas nos dias de Eleições. Nesse entretempo, rendem-se à condição de trabalhadores, de consumidores e de pagadores de impostos.

 

“Os tugaleses” (Ai! E os «tugas» e «tugazinhos»! Ai, os flavienses!) contentam-se com o boletim de voto e o direito à greve! Contentam-se com pouco! Não dão conta que a sua liberdade é, e está, afinal, apertadíssima pela, cada vez maior, burocracia!

 

Uns, «Zé Pagode», e outros, governantes, enchem a boca de futuro, mas abarrotam o toutiço com desejos, preocupações e anseios imediatos!

 

É grande a incapacidade de uns e outros verem mais longe do que a oportunidade a que deitar a mão e meter p’rò saco!

 

“A Democracia entra em decadência no espírito dos cidadãos quando estes vêem na competição eleitoral não um meio de preparar o mundo que consideram melhor, mas o meio de evitar o que eles julgam pior”.

 

A democracia entra em decadência quando o único poder reconhecido é o de depositar, de quatro em quatro anos, um boletim numa urna”.

 

Que adianta votar?

 

Os «lobbies» decidem por nós!

 

Nós, eleitores, somos apenas um número, um código!

 

O Estado serve apenas para criar, aumentar e manter os privilégios de moinantes, cretinos e parasitas e fazerem estes passar por elites!

 

As eleições são divertimentos pré-fabricados para distrair o povoléu.

 

Por cá, pelo “Jardim das Berlengas”, as Eleições são um desgarrado leilão para cargos públicos, destinados a lucros privados e a despesas públicas!

 

São um ritual.

 

Deveriam ser uma escolha!

 

Os eleitores, na sua maioria, são apenas fiéis servidores de um poder de quem esperam favores, o tal «jeito», o cúmplice «mexer dos cordelinhos»! Mal se dão conta de que elegem desmancha-prazeres!

 

O rebanho tem medo da reflexão, pois esta determinaria um certo afastamento entre os seus membros e uma exposição da idiotice e da mediocridade de cada um.

 

O Povo português, a maioria dos portugueses, continua ensopada por preconceitos, superstições e irracionalidade da religião.

 

Quanto vale um Boletim de voto?

 

“Numa DEMOCRACIA, o único direito que o Povo reserva é o privilégio ridículo de eleger periodicamente um grupo de amos” – dizia V. Considerant.

 

Por cá, as campanhas eleitorais são realizadas com pinceladas à «Fest» (escrevo assim porque a modernice pimbeira proibiu e excomungou a palavra portuguesa «Festival»), à «Woodstock” ou à «Isle of Wight» (bem, com um cheiretezinho do «Fest» de «Vilar de Mouros!,…); os candidatos, em vez de convencerem os eleitores explicando os temas dos seus programas, preocupam-se em deslumbrá-los com pantomina, cantilenas e fantasias. E entremeiam todo esse espalhafato com promessas ridículas e falsas, e outras jaculatórias políticas!

 

Nos comícios, nas passeatas, nas mesas redondas, ovais ou poliédricas, não se discutem ideias nem projectos: - discutem-se bandeiras e propaganda!

 

A democracia terá o seu fato de cerimónia no corte e na fazenda como são feitas as campanhas eleitorais?!

 

Tendo por bem também entender-se a democracia em assíduo diálogo entre eleitores e candidatos e eleitores e eleitos, a que conversa se assiste, por cá, entre uns e outros?

 

Os candidatos, cobertos com o chapéu da virtude, visitam Aldeias e freguesias; creches, escolas e refúgios sociais, passeiam pelas feiras e entram em tabernas certificadas   -   mas só lhes toca o coração as vezes que emprenham pelos ouvidos!

 

Coitados! Fazem-me pena!

 

Imensa pena!

 

De «bimbos» e cretinos militantes está Portugal cheio!

 

Andasse, hoje, por aí Platão e mais firmemente ficaria convencido de que os discursos, as decisões e acções dos nossos políticos   -   e dos que fazem há-de conta sê-lo!...   -   são «movimentos de títeres accionados por mão invisível oculta nos bastidores» [Numa Democracia autêntica, a diferença entre o poder político e o poder económico (e financeiro) terá de ser nítida e evidente. A aldrabada «sempre jovem» democracia portuguesa está cheia, cheiinha, de rugas de promiscuidade e poucas-vergonhas que, mesmo até, descaradamente faz questão em alardear]!

 

Ambicionando por uma reputação falsamente importante   - «presidentes» da …  Junta, da Câmara, ou de comissões; vereadores, chefes de gabinete, vices-de-qualquer-coisa; deputados anónimos ou ignorados; delegados a Convenções ou a Congressos partidários (com o glorioso proveito de uma passeata e de manjedouras de «tit-bits»   - para ser mais fino!)   -   fora desse mundo de sórdida politiquice, viveriam «tristes e sós», pois não saberiam suportar-se mutuamente nem manter a auto-sobrevivência!

 

E por aí, por CHAVES, medra o culto da adulação!

 

Na realidade, esses aduladores, que têm levado na bebida e no paleio, engrampado, os flavienses, afinal de contas têm conseguido atingir o seu objectivo de ocupar o Executivo Camarário sem se importarem com os Flavienses!

 

Está mais que visto que esses pingentes pendurados nas seitas partidárias não têm mesmo nenhuma afeição à Cidade, a CHAVES, aos Flavienses!

 

Eles têm sido os arquiduques da destruição da NOSSA TERRA, da NOSSA Cidade!

 

Têm todos muita conversa, mas não têm palavra!

 

A seriedade das suas apregoadas intenções, dos seus propósitos, das suas promessas, dos seus compromissos, das suas juras, mal apanhados no poleiro, logo se desvanece: foi um ar que lhes deu!

 

Pudera! Os passos que diziam ir dar são bem maiores do que as pernas que têm!

 

Só têm gola!

 

É verdade, sim, senhor, eles ficam sempre a ganhar! Mas a Cidade, CHAVES, os Flavienses estão sempre a perder!

 

[Um dia destes ainda peço a uma beata e a dois beatos que, numa das missas cantadas da sua maior devoção, entre a elevação da hóstia e do cálice   -  a maldição fervorosamente implorada neste ocasião nunca deixa de se cumprir   -   roguem uma valente praga a esses aldrabões, impostores, gosmistas e embaucadores de gente simples, sincera!].

 

Aquilo que nos simples cidadãos é pecado, nos militantes da política partidária passa a ser um mérito moral.

 

Os Partidos políticos, raramente democráticos nas suas estruturas internas, constituem mais aparelhos de recolha de votos do que propriamente instrumentos de um diálogo permanente com o público.

 

Os Partidos políticos estão transformados em tribos de gente medíocre!

 

Lembrando um autor «gringo»   -    E. Fromm conclui que “ O homem ordinário com poder extraordinário é o principal perigo para a Humanidade, e não o malvado ou o sádico” -   direi que a Democracia «tuga» produz muitas coisas inúteis e, ao mesmo tempo, muita gente inútil!

 

Já em 1972, outro autor (C. Julien) escrevia: - “As sociedades modernas conseguiram o milagre de aperfeiçoar extraordinariamente os meios de comunicação, e ao mesmo tempo intensificar o anonimato que tornou a comunicação quase impossível”!

 

Na administração da nossa «Causa Pública» anda demasiada gente que, incompetente para conduzir e realizar a sua própria vida, se arvora competente para governar a vida dos outros; gente que assoma a poderes sobre causas e ministérios que não conhece e para os quais nem para corneteiro ou recoveiro presta!

 

Os governantes, de cima a baixo, entendem que a sua missão é preocuparem-se com o saldo do Deve e Haver na luta pelos compromissos e interesses partidários e nas suas vantagens pessoais!

 

Como cegos e supremos egoístas que são nada mais os preocupa senão tratar da sua vidinha!

 

Exercem o mandato com indecente mediocridade, mas com óptimos resultados para si próprios! Querem lá eles saber que o Futuro seja determinado, construído, com o Presente!...

 

Não se olham ao espelho: sabem que se o fizessem veriam a cara de um hipócrita e impostor.

 

A maioria dos «portugas» que tomam e têm tomado assento na política usa a mentira e a falsidade como método e o gamanço como propósito. Elevaram-se a aristocratas da mentira, da manha e da fraude.

 

A ruindade dessa gente é o seu meio de sobrevivência.

 

Para essa gentinha gentalha, o cargo público é a grande oportunidade para levar a vida sem canseiras!

 

As Escolas «Jotinhas» e as «Universidades de Verão» aquilo a que melhor se prestam e que melhor fazem é converter estudantes e «bacharelizados-à-pressa» em «cretinos militantes»    -    na entrega do diploma, os  padrinhos lembram-lhes: “O fanatismo é a única forma de vontade que pode ser incutida nos fracos e nos tímidos”!

 

A casa dos Partidos políticos «tugas» está transformada numa central de tráfego de favores.

 

Os Partidos políticos estão a esvaziar-se, já quase vazios, de ideologia; os seus régulos nacionais e regionais vivem para ocupar e manter a gamela que os resultados eleitorais lhes servem!

 

Mefistofelicamente, no reino da portugalândia, persiste o credo e a crença em que o sucesso, a fortuna, a fama e a riqueza resultam mais da capacidade de engrampar os outros do que pelos benefícios da cooperação e entreajuda.

 

Os tugaleses, hoje mais que nunca, precisam (olhe-se o panorama e espectáculo que os media diariamente exibem, com as «habilidades» as cumplicidades e a desfaçatez dos mais ilustres, ilustrados e (en)comendados da vida pública, partidária e política; de chefes, chefezinhos; presidentes, presidentezinhos; comandantes, comandantezinhos; deputados, deputadozinhos, deputadinhos; ministros, ministrozinhos, ministrinhos) de líderes verdadeiramente dignos de confiança e de respeito!

 

Por aí, por CHAVES, é pena que a desbotada cor política    -   desbotada, sim, porque a cor política da maior parte dos flavienses é mesmo muito pálida, têm-na como se sofressem de icterícia   -    separe tão levianamente quem reunido devia estar à volta de tantos objectivos e interesses comuns.

 

Sabemos que os seres humanos tendem para uma predisposição pelas alternativas que não implicam uma ruptura, isto é, estão mais inclinados a perpetuar o «in statu quo ante», a situação de um menor risco psicológico: é o conformismo!

 

Sair, deixar esta situação é assumir uma responsabilidade, ficar sujeito a críticas e arrependimentos. Então, aparecem as desculpas «esfarrapadas», como: - “Oh! Os políticos são todos iguais!”. E o «Zé Pagode» agarra-se (por preguiça mental, também) a informações e acontecimentos que o confirmam, desinteressando-se das informações e actos que o refutam.

 

“Marretas”, insistem em decisões anteriores mesmo que provadas como erradas!

 

Os «tugas» apreciam muito as (más) imitações. Cheios de papo «militarista» (veja-se a paixão assolapada que mostram por uma farda!), quais generais «cabeçudos», protagonistas das mais pesadas derrotas, optam por «estratégias» que lhe trazem sempre maus resultados.

 

É de assustar a invasão de tanta incompetência e de tanta mediocridade na Administração da Nação Portuguesa.

 

Não admira que, dentro em pouco, Portugal esteja conquistado e maioritariamente habitado por gosmistas, mendigos e incapazes!

 

“A primeira razão da servidão voluntária é o hábito” – já, em 1549, avisava Étienne de La Boétie.

 

Nem tudo se passa na cabina onde o eleitor escolhe uma lista.

 

A maioria dos portugueses parece estar a viver ainda no tempo, no clima e no contexto do velho Estado Novo, talvez porque à Democracia Portuguesa se diga dela, abusiva e exaustivamente, ser sempre jovem!

 

A igualdade política ainda nem vai a meio!....

 

Quem os ouve, aos nossos (ditos) políticos   -   lá no púlpito do Parlamento; sentados nas cadeiras dos (seus) Gabinetes ou … das mesas das Televisões e das Rádios; ou dos palanques das suas bazófias eleiçoeiras   -   é levado, cheio de espanto e admiração, a exclamar:

 

- Que gente de tão nobres ideais!

 

Cedo ou tarde, as notícias, a justiça, e, ou, ….. as rasteiras que nos são passadas ou as maldades que nos são feitas por essa trupe de melquetrefes, trazem-nos a surpresa de revelações de condutas imorais desses mesmos políticos que nos haviam deslumbrado!

 

O fundador do Liceuum tal Aristóteles de Estagira, não concebia a Política afastada da Ética: Na sua “Política”, exigia, aos que exercem as magistraturas superiores, afeição ao regime, grande competência no desempenho das suas funções, sentido de justiça e uma conduta virtuosa. Mal ele imaginava que, vinte e cinco séculos depois, aqui, num palmito de terra da Europa, uma caterva de cretinos resolve criar Universidades a torto e a direito, onde, contrariando-o e afrontando-o, só diplomam e honorificam os seus pupilos quando estes juram solenemente a separação daquelas.

 

E não é que andam por aí convencidos que vão poder olhar o mundo … a cidade, com os olhos de uma figura de bronze montada num cavalo lusitano ou Clydesdale?!

 

Só têm gola!

 

M., treze de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

10
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

“Intelectualóides”

 

 

-O maior obstáculo no caminho do autêntico saber

não é a ignorância consciente da sua fraqueza,

mas a auto-suficiência de um saber aparente-

  1. Heinemann

 

 

Orwell atribui a decadência de uma Língua a causas políticas e económicas, para além da má influência de alguns escritores. E afirmava ser a linguagem política uma forma de fazer com que as mentiras pareçam verdades.

 

Atropelados pela presença de todo e qualquer bicho careto que se meteu na política, com mais atrevimento e descompostura que o «emplastro» frente às câmaras da Televisão, os ingénuos, os pategos, os descuidados, os comodistas e os preguiçosos mentais «tugaleses» deixam-se levar pelo mau gosto e fácil imitação do ridículo da nudez do rei: a vacuidade e a incompetência dos seus políticos, exibida nos discursos, nas mesas redondas das TV’s, nas páginas dos jornais e revistas; os eufemismos e o fraseado obscuro dos falantes na Rádio e na Televisão, com o estatuto de «figuras públicas», e… os cartazes e panfletos publicitários, mal e porcamente escritos!

 

Os «eleitos pelo povo»; os jornalistas independentes, mas com tamanha fidelidade canina às ordens de patrões sectários e gananciosos; e os escritores engajados não falam nem escrevem com sinceridade, sempre e quando há uma enorme distância entre o que realmente pensam e professam e aquilo que declaram, na fala ou na escrita.

 

Não se trata somente do uso literário da linguagem. Trata-se de usar a linguagem como instrumento acertado para expressar, e não ocultar, o pensamento.

 

A trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide movimenta-se constantemente à procura de novas modas.

 

Nas «adverbialices», nas frases feitas e ditas sem nexo, só porque lhe soa bem aos ouvidos, já metem nojo!

 

Depois, a trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide resolve pegar numa palavra que caia no goto dos seus militantes, ou tenha lido repetidamente em livros traduzidos por alguém mais pedante do que eles, e toca a atribuir-lhe o significado, impressionante e bem-sonante, de outras palavras que se lhe assemelham.

 

Veja-se o exemplo: Daniel Goleman (em 1955) usou a expressão «windpw of opportunity -janela de oportunidade» na sua “INTELIGÊNCIA EMOCIONAL”.

 

O livro foi um sucesso de vendas.

 

Bastante gente aproveitou para aprender alguma coisa de préstimo.

 

Demasiada gente que o leu dele só soube aproveitar a «janela de oportunidade».

 

E, passados estes anos do aparecimento do livro, embora continue a ser procurado por quem se interessa por aprender, uma caterva da trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide usa e abusa da «janela de oportunidade», deitando-a pela boca fora, a torto e a direito, como se fosse uma fantástica criação sua, somo se fosse um fantástico rasgo de sublime linguagem diante dos microfones da Rádio e das câmaras da Televisão!

 

Quando assisto a um jogo de futebol, pela Televisão, desligo o som: os comentadores, tão ciosos da sua «classe», da sua importância como parte complementar do evento, da sua «incontornável» condição de «lançadores» de sapiência futebolística, tão comodamente instalados em «zonas de conforto», de onde desfrutam «janelas de oportunidade» para verem o possível segundo golo de uma «formação» “matar o jogo”, depois de um «pontapé NA frente» que permitiu a «assistência» para o «perigoso remate» de um jovem, com 1 metro e oitenta e dois de altura, setenta e sete kilos de peso, ainda com muito espaço de progressão, formado no clube de Futebol “F”, e que marcou quatro golos na época passada ao serviço do Clube “K” , em vez de comentarem as incidências do jogo e ajudarem os telespectadores a compreender as tácticas em curso; em vez de  salientarem as técnicas individuais; os acertos e desacertos dos jogadores; a justeza ou o erro da equipa de arbitragem, lançam enxurradas de fofoquices, informações rebuscadas em velhas crónicas, curiosidades com sabor a alcovitice, tudo sem propósito que o valha, assemelhando-se imenso o seu palrar a uma leitura de folhetins natalícios, de supermercados!

 

Antes ou depois dos Jogos, treinadores, políticos, jornalistas, «figuras públicas», amigos da onça, «amigos de Peniche», «convidados especiais», recoveiros de clubes, de empresários, de donos e senhores das Televisões metralham os telespectadores com acrobáticas «leituras de jogo» e violam as regras gramaticais e, especialmente, a Sintaxe, com ares pomposos e melífluos como estando a dar lições de bom Português a quem os ouve!

 

Agora começaram a dizer «fôco», e, por tudo e por nada, continua com maior abundância e insistência o «TAMBÉM», só porque se convenceram de que, com o disparate, brilham mais do que o sol ou estrelas de primeira grandeza!

 

O Benfica e o Sporting vão defrontar-se num jogo de futebol   -   e logo dizem «vão jogar o Benfica E TAMBÉM o Sporting», como se o Benfica fosse jogar contra outro Benfica e o Sporting contra outro Sporting!

 

O Porto vence o Marítimo, na Madeira, em 29-04-2018, e o «figurão público» da TV declara «o cumprimento de mão entre o Sérgio Conceição E TAMBÉM J.N. Pinto da Costa   - ora o Sérgio C. deu um aperto de mão A SI MESMO E TAMBÉM ao Pinto da Costa, “tá-se mesmo a ver”!

 

Outro proclama sonoramente: - “amanhã estão frente a frente o Benfica E TAMBÉM o V. de Setúbal”! – 16-08-2019., isto é, o Benfica joga contra si mesmo e o Vitória de Setúbal joga contra si mesmo!

 

Quanto ao «TAMBÉM», só não levo tão a mal o enjoativo do coitado do Marco Chagas a comentar o “TOUR” e dizer, num só fôlego:  - “O Yates vai isolado em fuga TAMBÉM»; cá atrás o Pinot queixa-se de dores TAMBÉM, o nosso Rui Costa segue no grupo TAMBÉM, e TAMBÉM o Berbal segue TAMBÉM junto do TÓmas TAMBÉM” (e a chaga continuou naVolta a Portugal”)!

 

E que tal se esses «pronósticos intelectuais» fossem TAMBÉM, “claramente“, … abaixo de Braga?!

 

Claramente!

 

“Claramente” é, «nesta altura», «de certa forma» o «mais recente» (como está na moda a ser usadas, a torto e a direito, por repórteres e comentadores desportivos) «design» da moderna «escrita criativa» e a mais brilhante pérola a fazer resplandecer a corrente de paleio inócuo de quase toda a gentinha que se vê com um microfone à frente do nariz: ««ali, o homem que Claramente está  a vestir a camisola de árbitro»»- (Jogo de Voleibol-sport TV).

 

Um sportingebo Pina da TV, em 2018-04-02, na hora dos papagaios futeboleiros, a bracejar e com cara de enjoado de xico-‘sperto e de super-sumo de sapiência e certezas absolutas, bracejando qual regateira a berrar com outra regateira, garante que ....«aqueles «encÓstos» nas áreas».....!

 

A saída de um jogador ....... está COBRiDA por uma cláusula....”, garante o comentador especialista Tvi 24 e Canal 11, Pedro Sousa, em 30-04-2018.

 

E já nem refiro a «filosofia de jogo» do Clube A, B ou C (os outros não entram no abecedário!...)!

 

Pobre Sócrates! Pobre Kant! Pobre Deleuze! Pobre Lao-Tsé! Quanto se sentiriam tão insignificantes diante destes filósofos portugaleses!

 

Nos EE. UU., durante um Concerto, um homem disparou sobre a multidão causando um elevado número de vítimas.

 

E, nas nossas televisões, os jornalistas de serviço, informam meio mundo que «Tiroteio nos Estados Unidos faz mais de 40 mortos». Dar uns tiros é «tiroteio». Dar e receber (uma troca de tiros) será «tirotório»!...

 

E cá continuam os nossos modernos jornalistas licenciados a inventar uma nova Língua Portuguesa: como lhes bastaram os «Serviços Mínimos» de ir de vez em quando dar graxa aos «prófes» do Curso de Ciências de Comunicação e Jornalismo ou vice-versa, conforme a “Escola”, e fazer uma «festança» no dia de receber o fabuloso diploma, ei-los «garbosos e contentes» a sentarem-se diante de umas câmaras de televisão ou, de pé ou sentados, diante de um microfone ou com ele agarrado com duas mãos a debitarem repetidamente catervas de disparates, convencidos que dar uma notícia, ou fazer um comentário, ou escrever uma coluna num jornaleco, numa revista ou num pasquim é usar um qualquer palavreado à trouxe-mouxe, imitando-se uns aos outros  no dizer e no escrever de asneiras e disparates, como se, com essa solidariedade, a sua estupidez aliada à sua incompetência e à sua reles mediocridade os vestisse com roupagem de grandeza e superioridade intelectuais e culturais mais divina e brilhante do que aquele com que se convenceu estar deslumbrantemente vestido o célebre rei da historieta!

 

Ele é tal a ânsia de se porem em bicos de pés e dar nas vistas, ele é tal a maluqueira de quererem ser «figuras públicas» que não passam de tristes «cromos» ou alegretes «bimbos»!

 

Um louco dispara uma arma de fogo  - é dizem logo «tiroteio».

 

Um «gaijo» é apanhado com uma pistola na mão   -  e dizem logo …«com uma arma pronta a disparar» (estavam a ver a pistola com a bala na câmara e destravada)!

 

Um automóvel esborracha-se contra um muro   -  e soltam … «uma colisão»! Se este automóvel se esborrachou contra outro, afirmam «os dois veículos chocaram violentamente».

 

ITEM, tal como a MEDIA (meios de comunicação), é uma palavra latina.

 

Que parvoíce tão ridícula e lamentável ver e ouvir figuras e figurinhas públicas, professores e doutores, «políticos» importantes e cheios, e todos cheios, cheiinhos, a rebentarem de vaidade e a teimarem em afirmar-se ainda «maiores» do que aquilo que realmente são, dizerem, como quem faz uma revelação sagradamente divina ou divinamente sagrada, «ÁITEMES», «MÍDIA» e …. «ACÓRDOS»!

Fico mais escandalizado e indignado quando ouço o «fracturado» professor universitário Louçã a encher a boca e a soltar perdigotos quando usa com tanto gosto os «ACÓRDOS» e mais ainda indignado e escandalizado quando apanho um tal  Lobo Xavier a torcer-se a beiça, em ridículo floreado,  para dizer «MÍDIA» do que ouvir a um padre, tio deste, um «CARALHO» tão sonoro que até fizesse cair a “Torre dos Clérigos”!

 

Nem só Adorno sentia saudades pelo seus «alemão».

 

A esta distância, e, provavelmente, a outras maiores, eu, e assim tantos outros, sinto a saudade do meu «visimontês», da Língua onde se ouve «côngaro», «agôra», «oubrejadinho de frio», «nenhures», «canté», «arraul», «bem m‘ou finto», «entre quem é!».

 

A poeticidade do nosso provincianismo ainda é um encanto!

 

Alguém me disse que os «paineleiros televisivos» estão ali para falar “futebolês”, “politiquês” e «lisVoês», e NÂO PORTUGUÊS!

 

M., quatro de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

03
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

“Encher a mula”

 

 

**Não há nada que possa crescer e perecer

 tão profundamente como o homem**.

- Hölderlin-

 

A nossa vida emocional está uma calamidade.

 

Como se não bastasse a réplica das Cruzadas e da Inquisição   -   a propaganda política, os «critérios jornalísticos», as «ajudas à produção» televisiva, o campeonato de vendas de tinta, papel e disparates   -  temos a abundante exploração de maldades e tragédias a encharcar o tempo e o pensamento das massas populares, criando, assim, um clima, um meio-ambiente para as tornar neuróticas, amarguradas, aflitas, emocionalmente perturbadas e desequilibradas.

 

Por este andar, não vejo como será possível os nossos filhos terem uma vida mais feliz (ou menos infeliz) que a nossa ou até a dos nossos avós!

 

Já em meados dos anos noventa do séc. XX, Daniel Goleman nos avisava de estarmos a viver «tempos em que o tecido da Sociedade parece romper-se a uma velocidade cada vez maior, em que o egoísmo, a violência e a mesquinhez de espírito parecem querer desalojar o Bem das nossas vidas em comunidade».

 

Hoje, não há Educação. E até o Ensino está despromovido!

 

“No nosso tempo”, assiste-se a um descuido de afastamento entre a educação escolar   -   que nem científica chega a ser (tão preocupada com o encaixar, ou encaixotar, mais informação, até, do que conhecimento)   -   e a educação social, humana!

 

“No nosso tempo”, pratica-se, ensina-se, uma cultura «científica» de retalho e descuida-se o ensino de uma cultura humanística; dá-se preferência aos «factos» e pratica-se o distanciamento das «virtudes».

 

As paixões são alimentadas a fogo!

 

A razão dá-se bem como perdida!

 

Há, escreveu-se, consagrou-se, uma “Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

 

Não há, não se escreveu, e menos se consagrou, uma “Declaração Universal dos Deveres do Homem (Humanos)!

 

A realidade ultrapassa-nos. O nosso tempo de vida não é suficiente para a consecução dos nossos desejos e aspirações subjacentes numa secreta e íntima ânsia de imortalidade.

 

Tudo se faz para tudo servir fazer-nos sentir «ter o rei na barriga»!

 

Até parece que já nem o “coração” nem a “razão” têm interesse, ou que para nada servem!

 

Encher a pança, «encher a mula»; matar desejos; «cagar postas de pescada»; «armar aos cágados»; «ser o maior», mesmo não passando de minorca insignificante, é, afinal de contas, a razão de ser dos «filhos de Deus»   -   aí se encontra o significado e o sentido das suas vidas!

 

Afinal, no entender dessa gente, o Homem não «nasceu para começar», para criar, para viver: o Homem nasceu para destruir, para matar   -   para morrer!

 

Erasmo bem dizia que a Razão fora relegada para um canto «acanhadinho» da cabeça: Júpiter dera-nos uma porção de paixões mais abundantes do que da porção da Razão!

 

Heidegger sinalizou o Homem como «um Ser para a morte»!

 

Ainda bem que a sua amada amante, Hannah Arendt, o corrigiu, e garantiu:

 

- “O Homem é um ser para a vida”!

 

M., dezassete de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

27
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“HOMENAGEM

aos

MORTOS do ULTRAMAR”

 

 

Todos os que tombaram em combate,

todos os que perderam uma parte da sua vida em nome do dever militar,

 têm o direito à nossa homenagem.

É isso que distingue os homens livres dos escravos.

Pouco importa se venceram ou perderam a guerra em que morreram.

Quem combate, quando combate, não conhece o fim da História.

-Rocha Vieira, general-

 

 

Em 10 de JUNHO, do ano de 2019, com coloridas, vistosas e sonoras cerimónias, homenagearam-se os “Mortos da Grande Guerra”.

 

Não sei, não li nem ouvi se foram homenageados os Mortos da dita I Grande Guerra se da dita II Grande Guerra.

 

É de toda a justiça que os “Mortos da Grande Guerra”, quer da I, quer da II, sejam homenageados.

 

Conheci, e tive como amigos, dois dos sobreviventes dessas Guerras: um, poveiro, foi meu professor de Geografia; outro, flaviense, companhia de tempos livres, depois das aulas no Liceu do “Jardim das Freiras”.

 

Recordo-os com amizade, veneração e respeito.

 

Hoje, vou «inventar» o Dia de Homenagem aos MORTOS de outra Guerra. De uma Guerra que covardes, impostores, traidores e canalhas ao serviço de espúrios interesses estrangeiros querem condenar ao esquecimento ou sentenciá-la como justo castigo da História de Portugal e dos Portugueses.

 

Agora, mandam-se umas patrulhas, bem «arreadas» e cheias de estilo, autênticos figurinos, para territórios que pouco ou mesmo nada nos dizem, e a fazer continência a bandeiras que não nos representam.

 

Hoje, o “JURAMENTO de BANDEIRA” é falso: a nossa bandeira esconde ou disfarça outras que, na hora certa, recebem as cortesias dos nossos soldados de agora.

 

Antes, o “JURAMENTO de BANDEIRA” era sinceramente cerimonioso, sentido, sagrado.

 

Era ao nosso País, aos nossos compatriotas a quem se jurava lealdade e lutar em sua defesa.

 

E assim foi jurado e cumprido por todos quantos partiram para a “GUERRA do ULTRAMAR”.

 

Todos?!

 

Não há bela sem senão!

 

Ainda se passeiam, desavergonhada e provocadoramente, por aí alguns covardes, impostores e traidores que renegaram ignobilmente aquele juramento!

 

Esses canalhas trocaram os Valores por bom preço   -   ficaram ricos!

 

Essa canalha não apaga a História, mas tudo faz para desvirtuá-la.

 

E, para disfarce, homenageia os “Mortos da Grande Guerra”!

 

Com o estrondo desta cerimónia, ambígua, equívoca e hipócrita, conseguem fazer esquecer à maioria dos portugueses uma Guerra que ainda mantem feridas «em carne viva»: “A GUERRA do ULTRAMAR”!

 

Em muitos cantos de Portugal ainda existem pais, filhos, parentes e amigos a chorar mortos dessa Guerra!

 

Merecem respeito! Merecem reconhecimento! Merecem consolo!

 

A “GUERRA do ULTRAMAR” foi mais longa que aqueles Duas Grandes Guerras.

 

Não foi uma Aljubarrota, nem um Alcácer-Kibir.

 

Não foi “La Lys” nem “La Couture”.

 

Porém, tal como numa e noutras, soldados portugueses perderam a vida   - foram para «», estiveram «», pelo cumprimento de um dever!

 

Não posso, não consinto, vê-los esquecidos no DIA de PORTUGAL!

 

Renegados, que ainda hoje se passeiam pelas Avenidas da Liberdade, até «filhos-da puta» lhes chamaram!

 

Custa-me ver mais um salta-pocinhas a viver à grande e à francesa à custa dos portugueses, um «desenfiado» do Serviço Militar Obrigatório, ser o Comandante Supremo das Forças Armadas e a fazer há-de conta que, depois de 1945, não há portugueses “MORTOS na GUERRA Do ULTRAMAR”!

 

E, porque hoje os «brandos costumes», a bondade, a caridade cristã dos portugueses se mantém, esses facínoras e traidores, e seus cúmplices, conseguem insultar a vida dos mortos e a memória dos vivos!

 

No “DIA dos MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR”, já que o presidente da República, os membros do Governo e os da Assembleia da República andam mais preocupados com outras festas e feiras, comemorações, passeatas e festinhas, que, ao menos, os Municípios coloquem a Bandeira Nacional (direitinha e não «à cavaco»!) a meia-haste!

 

E que, nas cerca de três centenas de modestos monumentos erguidos em honra desses

“MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR”, um só ex-combatente, um só familiar ou um só amigo ponha lá uma flor, nem que seja acabada de colher na beira do caminho!

 

“Os MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR” fazem parte da NOSSA HISTÓRIA, como o fazem Os da “Ala dos Namorados”, Os da Guerra Peninsular, Os da I e II Grande Guerra    -   merecem o nosso respeito!

 

O nosso e o das gerações futuras!

 

Não se viu nem se ouviu em qualquer órgão de informação a notícia do XXVI Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes.

 

- “A Comissão Executiva para a Homenagem Nacional aos Combatentes 2019 promove no próximo dia 10 de Junho, junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, o seu XXVI Encontro Nacional”.

 

O salta-pocinhas não teve tempo para ir lá fazer mais uma das suas «selfies» de estimação: naquele lugar e com aquela gente ninguém ligaria «píveda» à notícia de ter ido lá, nem às suas «selfiezinhas». Como «desenfiado» premiado leva a hipocrisia, e a desfaçatez, ao ponto de «mandar uma coroa de flores e uma mensagem aos Combatentes» (a linha aérea entre Portalegre e Belém estava avariada; boa, só a de Belém para Portalegre!).

 

Louvo o “ENCONTRO”.

 

Mas considero que os “MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR” merecem mais: merecem um DIA NACIONAL!

 

Hoje, eu «invento» o “DIA dos MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR”!

 

Quem me acompanha?!

 

Mozelos, onze de Junho de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

12
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“SORTEIO ELEITORAL”

 

 

“Para ser popular

é indispensável ser medíocre”

- E. Arthur Blair-

 

 

Por aqui, a pandilha de medíocres organizados em partidos políticos já está em alvoroço efervescente.

 

A essa pandilha, a ambição pelo poder ["A ambição de poder é uma erva ruim que só cresce no solar abandonado de uma mente vaziaAYN RAND - "] -,  a ambição pelo buraco que lhe permite meter a mão no mealheiro do país … e nos bolsos de quem se lhes aproxime [Quando um carteirista encontra um santo, só vê os seus bolsos»!-ditado indiano], à medida que se aproxima o sorteio eleitoral, tira-lhe o sono e o sossego!

 

E as suas falanges empurram-se e digladiam-se para ver quem mais se chega à frente, quem mais dá nas vistas!

 

Na falta de ideias próprias, na falta de atributos, de competência, de projectos para com os eleitores e os portugueses, apontam, quer nas fanfarronices comicieiras; quer nos «falatórios microfonados e, ou, televisionados»; quer nos painéis com que estragam as rotundas, as estradas e a paisagem, hipotéticos ou reais problemas e prejuízos nacionais, regionais ou locais que se têm prolongado ao longo dos anos democráticos, como se fosse maldade ou crime praticados pelo Governo em funções!

 

Apontam!

Apontar, apontam!

Mas não dizem qual a fórmula resolvente!

Mas não dizem qual o remédio que receitam!

 

Quem os ouve, aos nossos (ditos) políticos   -  de  lá no púlpito do Parlamento; sentados nas cadeiras dos (seus) Gabinetes ou … das mesas das Televisões e das Rádios; ou dos palanques das suas bazófias eleiçoeiras   -   é levado, cheio de espanto e admiração, a exclamar:

 

- Que gente de tão nobres ideais!

 

Cedo ou tarde, as notícias, a justiça, e …, ou, as rasteiras que nos são passadas ou as maldades que nos são feitas por essa gente gentinha e gentalha, trazem-nos a surpresa de revelações de condutas imorais desses mesmos políticos que nos haviam deslumbrado!

 

E a cretinice e a pouca-vergonha é tão mais escandalosa quanto, e quando, essa gentalha fala como se não tivesse culpas   -   e, oh! Que culpas!  -    no cartório!

 

Os eleitores, o povo, não se preocupam com a competência (os medíocres, os oportunistas, os cretinos sabem-no muito bem!).

 

As eleições, em Portugal, continuam a valer o mesmo que uma comandita de analfabetos conceder o diploma de “Doutor em Física Nuclear” ao mais reguila ou ao menos escrupuloso, de dentro ou de fora do seu rebanho.

 

Essa comandita, se confrontada, gritará que é «analfabeta, mas ficou bem impressionada» com o(s) candidato(s) a Doutor(es)!

 

Conta-nos Aristóteles que «nalguns povos, os artistas não eram admitidos a nenhuma magistratura (antes dos excessos da democracia), e que «só as democracias caídas na corrupção é que concediam aos artistas os direitos de cidadão».

 

E Platão foi mais longe (até anteviu a «jovem democracia à beira-atlântico espalhada»): “… e dificilmente se acreditaria sem que se visse, quão livres são (em Portugal) os próprios animais ao serviço dos homens. Cadelinhas (cachorrinhos e cãozarrões) estão em perfeito plano de igualdade com as donas, e os cavalos e os burros, habituados a marchar de cabeça erguida e sem se preocuparem com quem quer que seja, atropelam quem quer que seja que não lhes ceda a passagem”.

 

(Não admira que haja cada vez menos camas para deitar um doente, um casulo para acolher um velho, um lar para cuidar de uma criança, e, cada vez mais, hotéis para gatos e cães. Até o Serviço Nacional de Saúde para humanos pretendem substituir pelo serviço nacional de saúde para animais!

Alguém escreveu: - “A DEMOCRACIA COLOCOU DEFINITIVAMENTE VELHO (O IDOSO) NO MAIS BAIXO GRAU DE CONSIDERAÇÃO”, embora não fosse isso o que o democrata Montesquieu recomendava no “Espírito das Leia”.

 

Humanizem-se os bichos: Ah! George Orwell!

Animalizem-se as pessoas: Ah! Esquerdalha PANimalesca!).

 

Por cá, e agora, continuam os «tugaleses» contentes e «sisfeitos» por viverem numa democracia definida pelo «mais tolerável dos governos degenerados».

 

Portugal é um país de artistas!

 

E que artistas!!!

 

Os (estes) Partidos políticos   -   e as vias rápidas da Internet   -   são entradas e estradas francas para as manhas e patranhas; gosmices e vigarices; ganâncias e fortunas prósperas de moinantes sem-vergonha!

 

As multidões não pensam: sentem!

 

“A multidão confunde o valor moral dos candidatos com o fingimento que estes mostram em possuírem os mesmos sentimentos que ela sente”, lembrou Faguet.

 

Num dos painéis propagandísticos, situado numa das mais famosas rotundas do País, com a fronha do principal bimbo candidato, um Partido político proclama: - “Portugal não pode esperar mais”!

 

Ora aqui está um louvor divino à inteligência dos «tugaleses»: “D. Sebas chega!

 

Outro reclama: “ADSE para todos”! Este não engana! A profecia de Orwel será cumprida: os «bichos» (os «tugaleses) trabalharão todos na “Quinta” e os «porcos», em reunião permanente, andarão pelos salões da mansão a governar(-se)!

 

Oh! Igualdade das igualdades! Assim se cumprirá «a igualdade entre os iguais e os que o não são»!!!

 

Na democracia «tugalesa», as eleições são a cerimónia de baptismo a beatificar uma maioria de estupores, de diabos em figura de gente!

 

M., dois de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

 

 

05
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“Valores Selados”

 

*O Valor fundamental,

 condição de afirmação dos outros valores,

é o compromisso*

-E.Mounier

 

 

Uma carta, no século XXI das auto-estradas e das vias rápidas tecnológicas, onde o infinitamente pequeno do quark e do neutrino substituem imperialmente o infinitamente grande da palavra falada e do calor de uma mãozada, de uma palmada nas costas, de um abraço ou de um beijo, uma carta, dizia eu, é um  corpo estranho que pode perturbar tanto as teorias de campo, da Física, quanto a da Psicologia (de Kurt Lewin).

 

Na caligrafia, o significado da palavra vai muito mais para além do que nas letras formatadas: à grafologia ainda não sucedeu a tipologia dos caracteres modernos das «fontes» computacionais (ou seja, a interpretação psicológica de palavras ou textos escritos no ordenador, tais como em «Times New Roman»; Lucida Calligraphy; Tahoma, etc. etc.).

 

Em 16 de Julho de 2012, escrevi, no meu Livro “ELE e ELA”, o “pitigrama”:

 

*-*

 “CARTAS”

 

As Caixas de Correio, agora, só se encontram cheias com publicidade dos supermercados, mesmo que minis; dos grupelhos auto - proclamados políticos (partidos, movimentos, associações, sindicatos); clubes de (pouca, ou nenhuma) caridade;  videntes e astrólogos que dizem saber tudo da nossa vida   -   passada, presente e futura    -  mas que só sabem da vida deles e contar «a massa» que nos mamam); e facturas e avisos dos tribunais e das finanças para pagarmos contas disto, daquilo e daqueloutro.

 

O mal até já chegou ao telefone que antes nos dava direito a receber duas listas com os nomes e moradas das pessoas que o tinham, e onde se incluía o nosso.

 

O computador faz agora de papel de carta, envelope e carteiro.

 

Mas até mesmo este está a ser substituído muitas vezes pelo «telélé», o Telemóvel!

 

Já não há mais cartas, postais, telegramas …nem aerogramas!

 

Hoje, nem os «e-mails», nem os «sms’s», por «chics» e requintados que apareçam a brilhar nos ecrãs dos computadores e dos telemóveis, transportam  o aconchego de alma  que o carteiro nos entregava, batendo à porta, chamando ou procurando por nós   -   às vezes substituído pelo regedor ou pelo proprietário da Lo(i)ja  onde se comprava um quarto de quilo de açúcar, meio quilo de arroz, uma barra de sabão, um quarteirão  de azeite, meio litro de petróleo, um quartilho de vinho e uma caixa de palitos … pr’àcender o lume!

 

Pegar na carta, ou no postal (ou no aerograma!) já era, cá dentro, uma tremura dos diabos!

 

Olhar o remetente, abrir com todo o cuidado o envelope, com uma tesoura (parecia mais solene) ou com uma faca de cozinha, então já se sentia uns tremeliques … «que Deus nos livre»!

 

Desdobrado o papel, até nos parecia adivinharmos o que lá nos vinha escrito.

 

O começo era, quase, sempre igual em todas as cartas, de toda a gente: …. «….espero que estejam todos de boa saúde. Nós por cá vamos andando e indo na forma do costume».

 

Falava-se do tempo, de duas ou três noβidades da Aldeia, dos trabalhos que se faziam por casa, e dos que faziam os vizinhos, como se fossem nossos.

 

Depois choravam-se as saudades e rezava-se a esperança de o remetente e o Exmº(ª) Sr.(ª) se verem e abraçarem em breve   -   nem que fosse dali a anos!

 

Cartas de pais para filhos, de avós para netos (com uma notita de vinte mil réis, a dar para a ida ao cinema, por cinco croas; cear um prego com um ovo a cavalo, por sete e quinhentos; comprar um pacote de lâminas de barbear; meia dúzia de selos, a garantir as cartas para a namorada; e….); e cartas para o(s) «rico(s) coraç(ão)ões de torrão de açúcar», conforme a técnico-táctica amorosa de cada um.

 

Ou de cada uma?!...

 

Verdade verdadinha é que aquela emoção de receber, ou enviar, uma carta jamais poderá ser igualada pelos novos processos de comunicação.

 

No e-mail e no sms não pode cair, e deixar marca, a lágrima da saudade, do amor ou da gratidão.

 

Nas cartas, até a caligrafia conferia a identidade e certificava o estado de alma de quem as escrevia!

 

Os e-mail’s e os sms’s não se podem apertar contra o coração, nem pôr debaixo do travesseiro   … nem sequer dar-lhes um (mil!) beijinho(s).

 

E, em situações especiais, algumas cartas levavam a morada da “Posta Restante”, onde seriam levantadas sob o pagamento de uma franquia, tantas vezes perdoada pela generosa cumplicidade das «meninas dos Correios»!

 

Não é por acaso que estes, em CHAVES, fica(va)m mesmo no Jardim das Freiras!

 

M., 16 de Julho de 2012

Luís Fernandes

*-*

 

Aqui, nas páginas do Blogue “CHAVES” e de outros Blogues, e ali, nas páginas dos livros, as palavras que se vêem e se lêem tão ordenadamente não são vistas nem lembradas na folha de papel onde o seu autor as escreveu com uma mão e um olhar carregados de emoção.

 

Enfim, sou daqueles que ainda dão valor a antigos gestos que traduzem simpatia, estima, consideração, reconhecimento, amizade: a VALORES antigos!

 

As cartas eram valores selados!

 

Diz-se, por aí, à boca cheia, que «hoje não há valores».

 

Não creio.

 

Os VALORES permanecem, estão por aí escondidos, sequestrados: em degredo!

 

O seu descrédito e o seu desaparecimento começam pela alteração do significado das palavras: por exemplo, o de «amor» e «democracia».

 

O espírito de missão, de «serviço», evaporou-se: agora, «serviço» quer dizer «emprego», esfuma-se a relação humana para dar lugar à funcionalidade ou função.

 

Arendt, na “Condição Humana”, escreve: - “As coisas, as ideias ou os ideais morais «só se tornam VALORES na sua relação social».

 

Apesar de o século XX ser a época em que mais profusamente houve uma dedicação à Filosofia dos Valores, criando o conceito (ou disciplina) de Axiologia, e dos avanços civilizacionais, humanistas (abolição da pena de morte, em muitos Estados ou Países, Declaração Universal dos Direitos Humanos e correlativas Convenções das Nações Unidas, Directivas Comunitárias e leis nacionais),  a maioria das sociedades continua mais apegada ao poder do que ao dever: o vício continua a ganhar vantagem à virtude (valores morais e políticos).

 

Tenho para mim os VALORES como algo objectivo e real em simultâneo com algo subjectivo e ideal.

 

Num catorze de Março de 2007, Manuel Pina escrevia na sua coluna do JN: - ”Diz Stº Agostinho que sem VALORES morais, os reinos não se distinguem de bandos de ladrões”.

 

A subversão de VALORES que dignificavam o sentido de vida está espelhada no Desporto, que deixou de ser um jogo e uma festa para se «converter numa indústria, onde só a vitória é rentável».

 

Estranho se me afigura que, sendo tão manifesta quanto universal a preocupação de todos os metidos e metediços na politica, e os «fazedores de opinião», figuras, figurinhas e figurões  ditos «públicos», a palavra e o conceito de «cidadania» ainda não tenha provocado uma congestão em quem se empanturra tanto com o falar nela, e nunca, ou raramente, indicam ou lembram a importância dos VALORES morais sem os quais o cidadão não atinge a sua verdadeira identidade, a cidadania: os direitos políticos, quanto a mim, não são suficientes para definir, de corpo inteiro, um cidadão!

 

Toda a gente anda envergonhada para falar de civismo!

 

Não alinho pela escola da cidadania quando esta visa a substituição do civismo.

 

A cidadania apela aos direitos políticos. Consolida-se com as virtudes cívicas e com a cultura.

 

A civilidade lembra-nos o direito e o dever das boas maneiras   -   tratarmo-nos mutuamente com consideração.

 

Dou prioridade ao civismo -   aos Direitos Humanos   -    em relação à cidadania   -   direitos políticos, embora suspire por ambos.

 

Tecnologia, Informação e conhecimento chegam em catadupa aos balcões de recepção de quem quer que seja, de quem calha, de toda a gente: sem aviso prévio, por encomenda, por recomendação, pelo privilégio de se ser «selecionado»   -   isto é civilização, e   o «zé pagode» sente-se e diz-se «muito civilizado»!

 

A cultura que fique para aí ao deus dará: a Filosofia e a Arte são coisas de um passado que deixou de interessar!

 

Às vezes, até parece que a Liberdade chega e sobra para encontrar o significado da vida!

 

E como a Democracia tivesse na Liberdade a sua única e exclusiva identificação!

 

A Justiça está cada vez mais desacreditada.

 

A Honestidade … credo, cruzes, canhoto! É uma raridade!

 

A Integridade, feita em pó pela corrupção!

 

A Responsabilidade?! Já nem dos ouros é   -   não é de ninguém!

 

A Tolerância passou a deus desconhecido.

 

O Respeito …… anda sumido: perdeu-se!

 

Afinal, esta democracia portuguesa não é mais que a consagração do culto da incompetência, o aplauso da vilania, o elogio da falsidade!

 

M., vinte e sete de Agosto de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

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