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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Fev19

Quem conta um ponto...

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430 - Pérolas e Diamantes: As ervas daninhas

 

Há gente sincera que para não ter de modificar as suas opiniões evita todos os encontros com pessoas que pensam de maneira diferente. Colhem os seus pensamentos em conversa com pessoas que pensam da mesma maneira e em livros escritos por pessoas como elas. É o que se chama em física de ressonância.

 

Tudo começa por convicções sem grande significado, mas que depois se combinam e apoiam umas nas outras até um ponto em que se tornam insuportáveis.

 

Por vezes custa-me respigar no caixote do lixo que é a nossa memória. Mas, como agora se diz, o lixo é para reciclar. Não só o lixo, como a desonestidade, a intriga, a maledicência, a mentira, a cobardia, etc.

 

Pode estar o dia mais bonito, mas na nossa memória chove, cai a noite e fica frio. Depois ficamos em apneia.

 

Já há muito que deixei de representar.

 

Lá está o jardinzinho cheio de ervas daninhas, campainhas, grama e uma macieira morta.

 

No televisor LCD lá está o Casablanca, um dos meus filmes preferidos. E lá dentro o Rick diz a Ilsa: “Please trust me!” E o meu coração enche-se de coragem quando ela, a Ilsa, com aqueles lindos luzeiros marejados de lágrimas, lhe responde: “I will!” Tudo a preto e branco como mandam as leis do bom gosto e da tradição. E também a música: “A Time Goes By”.

 

Está visto e ouvido. Posso voltar a ter esperança no ser humano. Aleluia.

 

Não há nada mais detestável do que aquelas pessoas convencidas que têm razão acerca de tudo.

 

A verdade não é como a comida, não se pode exprimir em calorias. Tal como só há uma vida, também há só uma consciência.

 

Em política, as decisões não podem ser apenas justas, têm de ser também eficazes.

 

A grande maioria dos “fazedores de opinião” que por aí escrevinham são apenas delegados de propaganda política, e quase todos maus, apesar de parecerem razoáveis e impolutos. Pretendem inflamar corações e esclarecer cabeças, mas apenas acirram as paixões, raramente as purificam. Dizem-se arautos da vontade coletiva, mas apenas defendem os seus interesses e os da sua família política, quando não da pessoal.

 

Convidam-nos à valentia, pretendendo a nossa valorosa inatividade.

 

Uma coisa podemos constatar: esta mistura política conjuntural, que nem sequer possui oposição válida, exprime mais emoções do que ideias elaboradas. Daí o seu sucesso. Daí o seu futuro fracasso.

 

Passou-se da sujeição à falta de autoridade. As nossas elites são essencialmente agiotas e roubam o povo tendo como aliado o Estado e os seus súbditos, que por cá se intitulam pomposamente de políticos. O que eles são é capatazes dos banqueiros. Mentem e roubam com a maior desfaçatez, encobrindo-se sobre o manto diáfano do serviço público. O dinheiro é público, disso não restam dúvidas, mas os interesses são apenas privados.

 

Escutem o que vos digo: hoje ninguém tem a coragem, ou a dignidade, de dizer a verdade. Ninguém. Nem o presidente da república, nem o primeiro-ministro, nem o ministro das finanças, nem os deputados, nem o presidente do banco de Portugal. Ninguém. Em política todos mentem. Só que uns mentem menos do que outros. As exceções, a existirem, ficam por vossa conta e risco. Acreditar nos políticos é como acreditar no pai natal.

 

O Estado atual limita-se a expandir a organização técnica e a burocracia.

 

Os novos democratas uma coisa conseguiram: eliminar o respeito pelos prestígios tradicionais. Hoje já não há honra, nem palavra dada. É tudo relativo. Dizem eles.

 

Não resisto a lembrar as palavras de Victor Basch, que se seguiram a uma intervenção de Raymond Aron, um pouco antes da Segunda Guerra Mundial, revestidas de uma tónica patética.

 

“Ouvi-o, Senhor, com um grande interesse; tanto maior quanto não estou de acordo consigo em ponto algum... diria que esse pessimismo não é heroico; diria que para mim, fatalmente, as democracias sempre triunfaram e triunfarão... Há uma regressão hoje em dia, estaremos num vale? Pois bem, subiremos outra vez ao cume. Todavia, para isso é preciso exatamente alimentar a fé democrática e não destruí-la com argumentos tão fortemente e tão eloquentemente desenvolvidos como o senhor fez.”

 

Nem um único dia duvidou da vitória das democracias, nem mesmo quando os milicianos o levaram e à companheira para os assassinarem.

 

Outra mentira deles: a desigualdade não diminuiu em Portugal. O famoso combate à fraude fiscal e ao desperdício é tudo treta, é argumento para enriquecer alguns e fazer pagar ainda mais impostos aos de sempre. Em Portugal continua-se a viver de baixa tecnologia e de baixos salários.

 

Há ainda a ignorância do cidadão comum, que não percebe o que se passa, e a incúria e a irresponsabilidade dos peritos, que, mesmo percebendo, acham melhor para os seus interesses e para os interesses de quem lhes paga, não dizer nada.

 

Enquanto os portugueses respirarem é só andar para a frente.

 

João Madureira

 

 

14
Fev19

Cidade de Chaves, uma imagem e algo mais...

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Já farto do Inverno, fui à procura de uma imagem com sol, cor e vida. Encontrei esta que vos deixo. Não sei como cada um de vós, que estais para além deste ecrã que tenho à frente, vê e lê estas imagens. Da minha parte, quando seleciono uma foto para trazer aqui, há um clique inicial que me incentiva à escolha, só depois passo aos retoques, e enquanto os faço, vou vendo a imagem, alguns pormenores que à primeira vista nos escapam, e só depois passo à sua leitura, ou seja, aparentemente entro em modo de pasmaceira a olhar para ela em silêncio, mas a cabecinha não para de reflexionar sobre o que os olhos vão vendo. Na imagem de hoje, por exemplo, a reflexão caiu sobre em como o edifício dos antigos Bombeiros se transformaram em Biblioteca Municipal e sobre o Forte de São Francisco, como de uma unidade militar passou ao ensino, depois ao abandono, depois à sua ocupação por desalojados e finalmente a sua recuperação para uma unidade hoteleira, e chego à conclusão que em ambos os casos, a reciclagem foi feliz, exemplar até. Mas a minha cabecinha e reflexão acabou por aproveitar o portão do Liceu aberto, para entrar nele e perder-se nas salas e corredores, tal como quando andei nele perdido quando o frequentei, com um sistema de ensino que valoriza o marranço e decoranço,  sem deles tirar grandes ensinamentos, mas que dão médias altas para poder ingressar no ensino superior, num curso em que, na maioria das vezes, os jovens desconhecem, não gostam e nem têm vocação para ele. Enquanto, no entretanto, na mesma escola, alunos menos dedicados ao marranço e decoranço, que também se dedicam a outras atividades extracurriculares, são desvalorizados e penalizados por essas ações e eventos em que participam e organizam, quer na escola quer na sociedade, onde aprendem informalmente a desenrascar-se, a ganhar outras competências e a levar a bom porto as suas tarefas e objetivos, acabando muitas das vezes marginalizados e mesmo rejeitados pelo ensino formal e professores formais, sendo, em casos extremos,  dados como “casos perdidos”. Claro que não há regra sem exceção, e também há bons professores, poucos, que além de ensinarem, partilham conhecimentos e despertam, valorizam e incentivam os alunos a explorar as suas aptidões, conciliando-as com o ensino formal, abrindo-lhes outos horizontes e caminhos e percorrer. Mas claro que nestas coisas da escola, atualmente, o sistema e a maioria dos paizinhos, cada vez mais incutem nos filhos o espirito da concorrência e do egoísmo,  para os filhos atingirem um futuro pensado por eles (pais), que dê dinheiro e posição, pouco interessando a vocação e a felicidade de uma vida, e já nem quero falar em profissionalismo ou falta dele que hão de ter. E fico-me por aqui. Até amanhã!

 

 

13
Fev19

Ocasionais

ocasionais

 

BACKMONTANOS!

 

O vício e a petulância no recurso a frases feitas, a fórmulas e frases pré-formatadas; a «adverbialices» rebidas, a modismos descartáveis e a estrangeirismos envernizados só não tornam os textos, as reportagens, os comentários, os noticiários monótonos porque cobrem de pinceladas de ridículo garrido quem deles se serve por estúpida imitação corporativista, como biombo para disfarçar a ignorância ou má preparação acerca do assunto sobre o qual abrem a boca, e… porque, afinal, mostram muito pouco respeito pela capacidade intelectual dos leitores, dos ouvintes e dos telespectadores.

 

E como se já não bastasse a colonização económica a que os Portugueses estão submetidos, medra por cá demasiada gentinha a colaborar na colonização linguística, especialmente por parte dos “filhos de Drake”!

 

Tenho para mim como comportamento grave a demissão dos Jornalistas em contribuírem, como lhes compete, dar esplendor à nossa Língua   -   o Português!

 

Nas Rádios, nos Jornais, nas TV’s, a praga de disparates linguísticos e gramaticais está a ser mais incomodativa e impertinente do que um ataque de sarna, de sarampo ou … de vespas asiáticas!

 

Os enfermeiros, liderados pelos especialistas em Cirurgia, fazem uma greve, e logo jornalistas, locutores, apresentadores, opinantes «tugueses» tratam o feito como «greve cirúrgica»!

 

 Ora lá temos nós que, nem que seja um «traque» dado por um enfermeiro, ou enfermeira, qualquer coisa ou coisinha feita por gente da enfermagem passa a ser uma coisa ou coisinha «cirúrgica»!

 

A ambição de serem originais, de conseguirem um discurso, ou mesmo até uma frase, que lhes faça ganhar (Ah! Como eles se derretem a dizer «vencer»!) um premiozito qualquer, nem que seja um “Razzies” do sindicato da sua estimação, nlouquece-os, e, vendo-se tão incapazes e incompetentes, deitam a mão … e a boca a quanto modismo descartável, chavão e bordão de linguagem exista; a toda e qualquer «adverbialice». E, qual rebanho de medíocres, procuram conforto e apoio na amacacada imitação uns dos outros!

 

O “Louçã”, num plenário da Assembleia da República, fala do acordo com este e do acordo com aquele, e declara que os “acôrdos” são «acÓrdos»: e imediatamente todo aquele bando de ilustres e iluminados começa a grasnar «acÓrdos», em tom épico e tenórico, como se acabassem de ter uma revelação na Cova da Iria, na da Piedade ou na da Moura …. ou na da onça!...

 

Depois, mortinhos para darem nas vistas da camareira - mor do hotel de Buckingham, e convencidos que marcam pontos para a nomeação de «lord», até franzem a «brancelha» sempre que têm oportunidade de dizer e, ou, escrever «mídia»!

 

Só lhes falta mesmo apertar as ligas ao «jarreta» grego que renegou ser príncipe danês para aceder a duque escocês!

 

Ai não é?!

 

O «papa-mosquitismo» pelo Inglês, cedo ou tarde, vai levar os «tugaleses» a passarem a vida a fazer salamaleques a «quingues» e a «cuínes»!

 

A moda pegou: toda a lagartixa quer, à viva força, ser jacaré!

 

E como não têm cabecinha para mais, e já que as lagartixas que conseguiram açambarcar o sol … e a sombra da politiquice ficaram com o sebo todo para dar graxa ao Zé pagode, «os «papa-moscas e mosquitos» «tugaleses» valem-se dos arrebiques que lhes proporcionam uns palavrõezitos repimpados de Inglês grão-bretão, californiano e … do Cais do Sodré para se fazerem ver, ouvir e falar inventando um novo idioma:

 

-   o  “PORTUGENGLISH”!

 

Numa actividade, ali para as bandas da “baía dos porcos”, fruto do neo-«empreendodorismo»  «tugalisca» do séc. XXI, onde se emborcam umas bejecas, e se realizam umas outras actividades sucedâneas, a pedra de toque da inovação do brilhante «empreendodor tugalês» está bem à vista de quem passa ali na rua:

 

- “ENTRADA pela BACKDOOR”!

 

O que lamento e me enfada é ver tanta gentinha deslumbrada pelo «oxfordês» de Yorkshire ou de Finsbury Park e conheça tão mal o seu idioma  - o Português!

 

Vão pró rai que os parta!

 

Não falta nada para que nas Antologias e Enciclopédias; conferências, entrevistas, discursos; «lançamentos» de livros, de pedras, de discos … voadores ou de música «pimba»; de campanhas políticas; tomadas de posse; libelos acusatórios, e de concursos para botar figura em Telenovelas da Malveira; para sublinhar as supremas qualidades e os doutos conhecimentos de oradores e candidatos, estes se refiram, por exemplo,  a Bento da Cruz, a Domingos Monteiro, a Araújo Correia, a Rogério Ribeiro Gomes, ao soldado Milhões, a Edgar Carneiro, a Adérito Freitas, a Alexandre Parafita, a Graça Morais, a António Pires Cabral, a Gil dos Santos,  a Fernando DC Ribeiro, a Miguel Torga,  e até ao Padre Fontes como ilustres «BACKmontanos!

 

A Inglaterra perdeu a «jóia da Coroa»! Mas encontrou aqui, no “Jardim das Berlengas” um novo rebanho de sipaios!

 

Porra!

 

Isto deixa-me mesmo pouco católico!

 

Para além do mau uso do léxico da nossa Língua, o Português, os cultos, os eruditos, os sábios, os líderes (de quê?!...), os iluminados, os «cheios de importância» «tugaleses» desviaram do Trent e do Tamisa, do Ohio, do Colorado, do S. Joaquim e do Mississípi enxurradas de termos que contaminam uma Língua que lhes merece mais respeito que qualquer outra   -   o PORTUGUÊS!

 

E, para facilitar o engano que aos políticos lhes permite a sobrevivência e aos jornalistas a aparência, a Rádio, a Televisão e os Jornais oferecem catadupas de trivialidades e de compensações emocionais.

 

Não me venham com a treta de ser este um processo de aumentar, ou afirmar, a auto-estima dos «tugaleses»!

 

Porque se confunde auto-estima e orgulho com fanfarronice, e a propaganda política e os políticos espalham profusamente o vírus da bazófia e da estupidez mascarada de arrogância, não admira que os vícios de linguagem, os erros gramaticais, os disparates de pretensas metáforas, os estrangeirismos despropositados sejam usados por tanto sapateiro que quer subir acima da chinela, por impostores politiconeiros, que não pretendem mais do que confundir a mente de uma população  transformada em massa ou em chusma.

 

O eufemismo, a metáfora, e os estrangeirismos cosméticos são conveniente e abusivamente utilizados por aqueles que mais preocupados estão em esconder a realidade, em mentir como se jurassem verdades sagradas, em confundir o espírito e a razão de quem pretendem dominar e controlar.

 

Os jornalistas e os jornalistas-escritores demitiram-se, uns por incompetência, outros por conveniência, da responsabilidade que lhes cabe na crítica à perversão da linguagem e da Língua.

 

A ânsia de manipular os cidadãos; os eleitores; os consumidores, os adeptos, enfim, as populações, leva a trupe de medíocres e impostores, que abunda na política e nos media, a empregar palavras e expressões que não se usam para traduzir o que realmente expressam.

 

Atrasos de vida” na Língua Portuguesa, julgam-se «modernos» ao usar e abusar de certos termos e feias asneiras!

O «também», o «claramente», o «aprofundamento», o «justamente», o «seguramente», o «transversal», o «fragilizar», o «agressivo»; e «democracia» pràqui e «liberdade» pràcola usadas a torto e a direito, de uma forma inflacionária, acabam por perder o seu significado.

 

E de tanto repetirem os disparates, essa trupe vulgar a querer fazer-se passar por erudita!

 

Salvaguardando o respeito que alguns (poucos e raros) jornalistas merecem, alguém dizia (António Guerreiro):

 

- “Jornalistas e políticos, ou melhor, políticos e pessoas que escrevem em Jornais (e falam na Rádio e na Televisão, acrescento) pertencem à mesma classe, funcionam segundo a mesma lógica e falam a mesma linguagem”.

 

Camões virá um dia na onda de nevoeiro do D. Sebastião, e reescreverá “OS LUSÍADAS” em “PORTUGENGLISH”!

 

M., sete de Fevereiro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

11
Fev19

Quem conta um ponto...

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429 - Pérolas e Diamantes: Os de cá e os de lá

 

Há pessoas que depois de passarem pela vida parecem carvalhos feridos. São aqueles que teimaram em resistir, que insistiram em se sacrificar na defesa do bem público como o faziam os homens de Atenas em nome do ideal de humanidade.

 

Passamos a vida a fazer truncagens discretas, a pôr efeitos especiais nas nossas existências, a montar novamente o filme das nossas vidas. Mas mudar os enquadramentos não altera a história do filme. Uns ficam-se pela realidade trivial. A outros basta-lhes o genérico.

 

Alguns dizem que há dores deliciosas. Esses são os adeptos das grandes peregrinações. Dizem que não lhes interessa o lugar de destino mas o prazer de caminhar. São os que nunca chegam a lado nenhum. Há gente para tudo.

 

Maomé disse que denunciar uma maledicência sobre um amigo a esse amigo é dizer mal dele. Os de cá pensam o contrário. Alá é grande, Deus é misericordioso. Todas as religiões são um jogo de espelhos. Refletem a nossa imagem, mas sempre ao contrário.

 

Está na moda integrar tudo e todos. Curiosamente, cada vez me sinto mais desintegrado. A maior integração é a da idiotice. Dizem que a integração muda tudo. É mentira, não muda nada. Muda é as pessoas de lugar, para se sentirem bem em todo o lado. Quem é de todo o lado, não é de lado nenhum. E esse é o pior sentimento do mundo.

 

Desgraçados dos desenraizados. Desgraçados dos transfronteiriços. Quem não tem chão que possa chamar seu não pode viver descansado, nem pode morrer em paz. Isso dizia a minha avó que sabia sempre o que dizia. E a quem o dizia.

 

A esquerda caviar e todos os burgueses enfatuados gostam de se refugiar no luxo absoluto do despojamento de Marraquexe. Aí é que reside a verdadeira integração. Uns dias de repouso em trabalho e tudo fica resolvido nas suas consciências. No parlamento europeu lá se aprovarão umas leis para os cidadãos cá do continente tomarem consciências dos hologramas que elegeram para os representarem.

 

Os beurs que matem, que se matem, ou que se deixem matar.

 

Os negros são bonitos é na televisão. A andarem de um lado para o outro, sempre no mesmo enredo filmados por brancos que se deliciam em mostrar ao mundo a sua desgraça. Eles ficam tão bem na televisão, sempre tão desamparados, tão desgraçados, tão carentes. Que linda pode ser a desgraça alheia. Que lindos filmes faz, que lindas fotografias dá, que belos telejornais abre. E origina romances inebriantes. E poemas vibratórios. E ensaios pungentes. Há investigações interessantíssimas sobre a desgraça alheia dos beurs.

 

Existe uma certa exasperação no mundo ocidental pelo singelo motivo de os seus líderes serem incapazes de provar que têm razão. Daí o procurarem em vão uma arbitragem. Na ONU é tudo boa gente. Todos bons rapazes. E raparigas. Mas atualmente, onde se encontram opiniões sinceras? Além disso, já ninguém leva a sério as organizações dos enfatuados bem pensantes. As Nações Unidas tornaram-se irrelevantes e inoperantes, por isso têm à sua frente um português que fugiu do pântano português para se ir enterrar nas areias movediças da ONU.

 

Mas os turistas europeus alternativos, os tais que acreditam na ONU, nas ONG’s e na “Alice no País das Maravilhas” desunham-se para irem até ao Magrebe (leia-se Marraquexe, praça de Jemna el-Fna) munidos de trouxa leve, óculos de sol ray-ban de lentes polarizadas anti-UV, calções tipo jogadores de golfe ou calças de algodão ventilado, polos da Lacoste, chinelas de meter no dedo, ou ténis sem atilhos, bolsa de toilette com produtos para o cuidado da pele, leite hidratante après-soleil, creme antirrugas, esfoliante e, sobretudo, o seu complemento intelectual: Rimbaud em formato de bolso. E ali ficam a deliciar-se com a pobreza dos berberes enquanto bebem deliciosos sumos e degustam iguarias próprias dos príncipes da Renascença. Vale-lhes serem União Europeia, espaço Schengen.

 

Como dizem os muçulmanos, esses furadores de fronteiras, sejam elas de que tipo forem, o mundo é um passador de couscous.

 

Como dizia a minha avó: pobre de quem é pobre.

 

Os do lado de lá esperam pacientemente pela recompensa do medo.

 

João Madureira

 

31
Jan19

A pertinácia da Informação

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Demagogia, (in) defesa e pamonhas!

 

Se algo me revolta, até me ferir as entranhas e fazer queimar o esófago, é a acusação de demagogia quando estamos a falar de direitos, princípios, em suma dignidade e respeito. Dizia alguém há pouco tempo “Muito bem, defendem ensino superior gratuito, mas isso é demagogia, pois não é possível, nem financeiramente sustentável!”

 

A questão é sempre a mesma: a abominável fiança!

 

Vivemos presos a um paradigma que nos asfixia. A humanidade criou uma espécie de inferno, onde labuta incessantemente para manter acesa e a boa temperatura a fornalha de onde saem as chamas desse inferno.

 

Basicamente destruímos o planeta onde habitamos, criamos desigualdades abismais na distribuição de bens, provocamos ou estimulamos o sofrimento, a fome e a indignidade no semelhante… mas, ao menos valha-nos o esforço para que as contas batam certo.

 

Eu vi, numa espécie de Hierofania, como se sentou o anjo cansado de nos aturar. Puxou de uma mortalha e pôs-se a fumar. Podia ter pensado, enquanto alinhava direitinho o tabaco, o filtro e toda a substância, sobre o papel de arroz, equilibram tudo habilmente levava até aos lábios num ritual minucioso, e aí ao de leve colava com uma nesga de saliva as duas pontas do papel formando um belo e elegante cilindro. “Esta espécie é desconcertante!” Diria de si para si de forma tão eloquente… ou se calhar não, e o que pensava deixo-o à vossa imaginação para que tenham mais qualquer coisa para fazer, além de falar mal da vida dos outros – é que sempre poderiam falar, também, de vez em quando!

 

Aparentemente o provir é caótico e o devir anedótico.

 

A entrada de Armando Vara na prisão foi anunciada ao minuto quase com a mesma emoção de um reality show e com um “ora vai”, “ora não vai”… e finalmente foi! A maior parte já quase nem se lembrava porque é que o homem ia dentro! Desde que começou o processo Face Oculta, uma prima, do primo de um amigo meu entretanto casou, tive um filho, divorciou e até já esteve para encetar novas núpcias… E, até tenho outro desconhecido distante que entretanto já esteve a trabalhar temporariamente, em diversos sítios, realizou alguns cursos de aprendizagem daqueles formam jovens para um emprego qualificado, posteriormente realizou 3 estágios, na sequência dos mesmos cursos de aprendizagem. Mas, enfim, vistas bem as coisas o que são 11 anos? Nada, ninharias, se não vejam-se as listas de espera para certas consultas de especialidade no SNS!

 

Fico a pensar como terá respondido o Vara o desafio do Facebook: Como era há 10? E agora?

 

Só tenho pena não ter sido brindada com a capacidade de desenhar, que bela caricatura… Falta-me o engenho porque de inspiração a realidade abunda. Pois se Vara entra ou não entra, já o Lima nunca vai! Eu admiro a persistência desta gente em não desistir de uma defesa da sua inocência. Isto na (in)justiça é tudo tão surreal que eu acharia normal alterar a semântica de algumas palavras. Assim para além de justiça, inocência, também incluiria defesa numa alargada gama de palavras que alterariam o seu significado.

 

Falando de defesa vem-me à memória o Conselho de Defesa Nacional, aquele em que dois deputados andaram à pancada nos corredores do parlamento. Diz que foi entre o Ascenso Simões e o Joaquim Raposo, também diz que o Ascenso é um jovem dado a acalentar ânimos…

 

Li algures no Voz de Trás-os-montes, que o homem do eleito pelo PS no circulo de Vila Real apresentou um conjunto de propostas para alterar o funcionamento do parlamento, de modo a simplificar o regime e incrementar a transparência… eu cá temo que ele passe a fazer daquilo uma espécie de wrestling… assim sendo eu até lhe podia sugerir que usasse um nome mais artístico, por exemplo Aceso Simões e aquilo como diz o povo: “já só lá vai à pancada”!

 

Agora o que me preocupa mesmo é sobre o que é que se falou nesse afamado Conselho de Defesa Nacional… é que os alertas automáticos da vária impressa só falam dos tabefes em que o João Soares aparece como apaziguador!

 

Entretanto vejo outra caricatura: o coronel Alves Pereira disse esta quarta-feira que o furto de Tancos é coisa feita por amadores "um bando de amadores". Querem ver que andamos a brincar? Então o roubo é coisa de amadores e a defesa? É coisa de pamonhas?


Lúcia Pereira da Cunha

 

Discurso ou acção que visa manipular as paixões e os sentimentos do eleitorado para conquista fácil de poder político.


"demagogia", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/demagogia [consultado em 11-01-2019].

12
Dez18

Crónicas de assim dizer

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Poeira cósmica



 

Custa a dizer, mas todas as pessoas, de alguma forma, se prostituem. Seja por dinheiro, por amor ou por outra coisa qualquer. A linha que as separa, ao contrário do que possa parecer, é muito ténue! É sempre um jogo de interesses o que está em causa. Podemos dar-lhe contornos especiais à medida do que queremos provar, a nós ou à sociedade, mas é uma característica do ser humano: vender-se! Vende-se diariamente por trabalho, achando que o acto é tanto mais digno quanto mais alto for o preço por que é remunerado ou compensado. Depende das leis do mercado, da oferta e da procura.

A dignidade do ser humano está muito longe de ser isto.

 

A estrutura mantém-se e sobrevive, porque serve o objectivo e o objectivo atinge-se: manter uma família nos limites da sobrevivência. Nas camadas sociais cujo critério de catálogo é um pouco mais elevado, existe o conceito de felicidade, definido como o bem-estar dos intervenientes, físico, psíquico e social.

 

A subjectividade subjacente a tudo isto entra em confronto directo com o que cada um pensa: o que é bom para ti pode ser mau para mim! Quem se importa? Agimos, reagimos e interagimos! Tudo no mesmo saco. Compatibilizamos coisas incompatíveis e chamamos-lhe criatividade, quando muitas vezes estamos a falar é de estupidez!

 

Atingimos então o limiar de conceitos como o respeito pelo outro e a dignidade por nós mesmos, onde damos sempre relevância ao último. Quem paga mais? A nossa vida não passa de um leilão em praça pública! Ninguém se compadece!

Há uma base de licitação, que é estabelecida discretamente pelo próprio e que é calculada tendo por base a questão: compensa mais do que estar sozinho?

E o ser humano não se apercebe de que a pergunta que acabou de fazer está viciada: qualquer coisa compensa mais do que isso, porque ninguém nos ensinou a ser sozinhos. Os mercados individuais entram em crash, devido à especulação que os precedeu. Era previsível se estivéssemos atentos, mas nesta corrida desenfreada por ser o melhor, perdemos a noção das etapas com índices individuais de avaliação que não se somam, mas que se multiplicam.

 

Começam então a aflorar na nossa cabeça as perguntas tolas, como se de repente começasse a Primavera: do que depende a minha vida? Quem é que eu quero ao meu lado, quando a morte vier, para me fechar os olhos? Podia ter feito mais? Foi digna a minha atitude quando rejeitei o que me era oferecido em dádiva? Fui honesto quando disse o que disse e não senti nenhuma das palavras? E porque o fiz? Quem está em mim que me domina? Porque digo não quando quero sim e sim quando não me importo? Que raio de consciência é a minha que me permite no dia-a-dia ignorar questões fundamentais, adiar sentimentos, sejam eles quais forem, e alimentar-me como um animal? Onde é que eu vou arranjar lucidez bastante para tomar por finito o que me parece eterno, quando o Universo que é imenso, poderá ser finito e eu comparado com ele sou um minúsculo crepúsculo feito de vento mais que sentimento, uma poeira cósmica que se dissipará sem que ninguém note?

Haverá alguém que pense nisto, capaz de me convencer que o nada existe para eu poder acreditar no resto?

 

E apesar de todas as minhas dúvidas e de todas as minhas certezas, a Terra move-se sempre na órbita que lhe foi prevista, mais coisa menos coisa, e não faz o mínimo desvio!

Percebo-a, mas não a compreendo! Se o fizesse por nossa causa resolvia o nosso problema e instalar-se-ia a desordem universal! Não lhe compensa! As leis do mercado também regem planetas, estrelas e galáxias! Mas experimentou fazer diferente, avaliou o impacto? O que temos é o resultado disso ou o produto de o não fazer?

 

Com esperança e sem amargura nenhuma: será que, como empresa em nome individual, não temos alternativa a essas grandes correntes, comerciais, financeiras, políticas, filosóficas, religiosas, éticas, morais, nem mesmo se começarmos hoje? E se quiséssemos? Dizem que...

 

 

 

Cristina Pizarro

07
Dez18

Discursos Sobre a Cidade

SOUZA

 

DA MISÉRIA DA FILOSOFIA À FILOSOFIA DA MISÉRIA

 

 

                         Se quiser voltar a ser reconhecida como uma

                                      força de transformação da sociedade,

a social democracia terá de se definir novamente.

   Terá de recuperar a sua capacidade subversiva, libertária.

E isso é precisamente o que ela não é quando se apresenta

       como obstinada defensora do domínio do estado sobre

                                                           a economia e a sociedade.

 

                  Daniel Innerarity – A transformação da política

 

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Só em circunstâncias pontuais – e verdadeiramente excecionais – é que, nesta rubrica que rabiscamos, entramos na contenda político-partidária.

 

Todos têm o seu tempo. E o nosso, há muito, já passou.

 

Mas jamais poderemos prescindir, por imperativo ético, da nossa intervenção cívica e cidadã em assuntos que reputamos da maior importância para o que consideramos ser o esclarecimento e um maior amadurecimento da (nossa) democracia.

 

Na verdade, e na essência, em toda a nossa vida, sempre nos consideramos como um formador/educador. E é nesta vertente que, fundamentalmente, nossas palavras devem ser lidas e entendidas.

 

Obviamente, sempre, sujeitas ao princípio do contraditório.

 

Há seis anos, num dos nossos blogues, refletíamos sobre este tema, objeto do título do nosso Discurso de hoje.

 

Seis anos volvidos, com ligeiras alterações, aqui o deixamos à reflexão atenta dos nossos(as) leitores(as).

 

Só quem é cego é que não vê que estamos a passar por tempos de profundas mudanças.

 

A crise, de que tanto falamos, é precisamente um dos seus prenúncios.

 

E confesso-vos, caros(as) leitores(as), que, à força de tanto nela se falar; de se dizer que andamos todos depressivos por causa dela, também começamos por ficar agastado, irritado.

 

Nisto, como em muitas outras coisas, quando surge um problema, tendemos sempre a direcionar a «culpa» para ombros terceiros. Nós, cada um de nós, somos, não passamos de meras vítimas. Vitimas inocentes…

 

O bode expiatório aqui são os políticos. Desde que se trate da economia, da sociedade e da política mesmo.

 

Naturalmente que não queremos aqui desculpabilizar a classe política, tão falada nestes últimos tempos, pelos mais maus motivos. Muito pelo contrário. A classe política tem de se (re)formar e de procurar manter uma outra postura perante a vida e a coisa pública.

 

Mas, como vimos dizendo noutras ocasiões, e particularmente no nosso último «discurso», nós, cidadãos, simples cidadãos, não nos podemos puramente alhear, ao ponto de, só muito esporadicamente, quando a coisa calha a doer, é que nos manifestamos, lamentamos o estado de coisas a que chegámos, vociferando contra tudo e contra todos, e, natural e particularmente, contra a classe política.

 

É que, na verdade, nós fazemos parte dessa classe política que tanto anatemizamos. Pela decisões – nossas decisões – que, ao longo do tempo, e de décadas, tomámos, ao escolhermos este e não outro modelo de sociedade; este e não aqueloutro político. Este e não outro partido. Escolhemo-los e entrámos no jogo. Ou seja, outra coisa não fazemos que «jogar» o jogo deles.

 

Temos, por isso, de ter uma atitude mais séria e responsável quando protestamos.

 

Porventura não fomos todos nós que optámos pela criação deste Estado de Bem Estar Social para prover todas as nossas necessidades?

 

Porventura não fomos todos nós – ou, pelo menos, a maioria de nós – que optou por um Estado todo ele providência e autoritário, interventor em todos os extratos da sociedade?

 

Porventura não fomos todos nós – ou, pelo menos, a maioria de nós – que, ao criarmos um Estado tão mastodôntico, «mascarámos» as relações sociais e criámos um irresponsabilidade difusa e cega do indivíduo quanto às consequências sociais dos seus atos?

 

Porventura não fomos nós – ou, pelos menos, a maioria de nós – que criámos um «biombo», onde «acoitamos» e escondemos, muitas vezes, os interesses de grupos particulares, concorrenciais, e desleais, numa concentração de poder de grupos financeiros e de opinião, sem qualquer escrutínio?

 

Porventura não fomos todos nós – ou, pelo menos, a maioria de todos nós – que construímos a miragem de que o Estado construiria uma autêntica economia de mercado quando, como muito bem sabemos, muitas das grandes empresas não teriam alcançado as suas atuais dimensões sem a própria proteção estatal?

 

E não sabemos nós, porventura, que estes grandes consórcios são os menos interessados na existência de um mercado verdadeiramente livre?

 

Por acaso não sabemos, como diz Innerarity, citando Walter Oswalt, que «estamos a assistir a uma espécie de feudalização do capitalismo, a uma economia legal de pilhagem?»

 

 E de que os despojados dessa enorme massa de capital são os cidadãos?

 

Quando falamos de Estado, cidadãos e classe política, é efetivamente do conceito de polis, que a antiguidade clássica nos legou, e que queremos construir em função, e tendo em conta, os tempos modernos?

 

 Ou não será outra coisa?

 

Hoje somos todos clientes nesta sociedade do hiperconsumo desenfreado.

 

Pelo marketing – e pelos portentosos mecanismos e instrumentos que a internet propicia - somos todos analisados até aos mais ínfimos pormenores da nossa mente e intimidade!

 

 Somos, pura e simplesmente, todos clientes. Pior ainda – simples mercadoria! Mesmo as mais inocentes crianças!...

 

Foi, assim, no seguimento desta lógica mercantilista, que também criámos um Estado com uma administração cuja hidra não sabemos quantas cabeças tem!

 

Todos comem; todos sugam.

 

Porque essa é a verdadeira lógica da administração que temos. Sem clientes, não há partido; sem partido, não há poder; sem poder, não há repartição de proventos e prebendas!

 

É esta, infelizmente, a atual lógica da política. Comecemos pelas próprias freguesias. Na luta pelo poder destas pequenas unidades territoriais do Estado, cada candidato a presidente luta pela conquista do seu «freguês», do seu cliente. A quem, no final da contenda, a muitos ou à maioria deles, tem de lhes pagar o favor do voto que nele depositaram.

 

E, daqui para cima desta escala da administração do Estado, os métodos, embora mais sofisticados, são cada vez mais. Piores e muito maiores.

 

Um autêntico fartar vilanagem, um ver se te avias.

 

7-12-18-foto-2.jpg

 

Assim, caros(as) leitores(as), com uma lógica destas, com o passar dos tempos e com uma sociedade assente neste modelo e com estes procedimentos, como podemos ter solução e não irmos à falência?

 

Nos anos sessenta do século passado, enquanto preparávamos a nossa formação académica, defrontámo-nos com dois livros que muito nos impressionaram: um, de Marx – Da miséria da filosofia; o outro, de Proudhon – A filosofia da miséria.

 

 

Em traços gerais, na obra de Proudhon, aquele autor pretendia combater a «preguiça das massas», que está na origem de qualquer autoritarismo. E apregoava que o cidadão em vez de ceder à obsessão do poder deveria ser ensinado a fazer frente à tendência invasora da autoridade, confiando na sua própria capacidade.

Como muito bem diz Innerarity, se esta conceção libertária tivesse alcançado maior êxito e não fosse desacreditada por Karl Marx como utópica e pequeno-burguesa, a história dos direitos sociais e do movimento operário teria sido muito diferente.

 

Contudo, a disputa que pôs, frente a frente, estes dois livros – o mesmo que dizer, estes dois homens e estas duas correntes de pensamento - , saldou-se pela derrota do liberal perante o estatal, e o movimento operário propiciou a criação de uma maquinaria de redistribuição tendencialmente autoritária.

 

 Assim, desta forma, a sua consequência mais imediata foi conseguir para os trabalhadores bem-estar material, integração na sociedade, reconhecimento e direitos de cidadania.

 

Mas impediu a realização de projetos de auto-organização.

 

E foi aquele sistema vencedor que, durante mais de um século, marginalizou a conceição liberal ou libertária da social-democracia. E que hoje nos obriga a falar dela e ter de repensar numa nova conceção de social-democracia.

 

Esta nova conceção de social-democracia coincide com o neoliberalismo na recusa de dominar estatalmente a economia, a disciplina orçamental ou a independência do banco central; contudo, distingue-se dele por considerar o Estado como o quadro inevitável e regulador da vida social, o gerador dos elementos não contratuais do pacto social e o protetor do tecido social.

 

Esta social-democracia liberal previne-nos, não obstante, contra a ilusão de ver na justiça social a simples igualdade e não uma igualdade complexa, que nos põe a tónica não no nivelamento mas na igualdade de oportunidades.

 

Não é o mercado que é o responsável pela crise em que hoje se vive no mundo e particularmente na Europa. O problema é que, na verdade, não há uma verdadeira economia de mercado.

 

Lutamos muito contra a globalização. Errado!

 

Uma verdadeira globalização, no sentido primordial do termo liberal, significa o fim dos consórcios dos meios de comunicação, da finança e da indústria. E o facto de assim não acontecer não resulta da «inamovível lógica do capital» mas do intervencionismo do Estado.

 

Porque estas verdades têm de ser ditas. Doam a quem doerem, caros(as) leitores(as)!

 

Porque a crise do Estado do Bem Estar Social corresponde a uma crise de solidariedade – como são disso exemplo o crescente corporativismo, a economia subterrânea, a resistência às quotizações sociais ou a generalização à queixa que não atende às consequências públicas das suas reivindicações.

 

Os indivíduos não dispõem de qualquer meio para conhecer as relações entre as contribuições individuais e a sua utilização coletiva.

 

O Estado é um intermediário que obscurece as relações sociais, recobrindo solidariedade real com mecanismos anónimos e impessoais de tal maneira que ela não deixa de ser percebida.

 

O resultado consubstancia-se em irresponsabilidade generalizada.

 

Há, desta feita, que pôr cobro a este estado de coisas. Que não está isento de risco, é certo. Que nos obriga a atender a todas as realidades que os usuais modelos macroeconómicos rejeitam ou ignoram: os pequenos privilégios, a extrema heterogeneidade da condição salarial, a falta de equidade no trato fiscal, entre tantos outros…

 

A transparência tem o seu custo. Pode gerar tensões e conflitos.

 

Mas a conflitualidade reconhecida está na origem da autogeração social.

 

O ideal democrático não consiste em negar ou ignorar os conflitos mas em torna-los produtivos.

 

Não mitigando ou negando a realidade. Com verdade. Sem subterfúgios e mentiras.

 

Porque refundar o Estado não é aniquilá-lo, tal como os novos arautos do atual neoliberalismo sub-repticiamente pretendem, não tendo coragem de o apregoar: a que cúmulo chegámos!

 

Refundar o Estado é construir um novo mundo onde Estado, Economia e Sociedade desempenhem, cada um especificadamente, o seu papel, nas suas respetivas áreas de atuação, precisamente bem definidas, e no respeito mútuo e solidário de cada um dos campos, em prol e benefício do homem, do cidadão. De todo o cidadão.

 

Há, pois, hoje, que voltar a ler Marx e Proudhon.

 

Criticamente. Sem militantismos cegos ou ferozes. Com serenidade…

 

Pela nossa parte, proudhoniano nos confessamos!

 

A História, que hoje vivemos, para aí nos aponta…

 

Porque acreditamos sinceramente que, mesmo, e principalmente, ao nível do poder autárquico, mutatis mutandis, a solução dos nossos problemas não está em nenhum líder ou doutrina providencial. Está em todos nós. Conscientes, organizados, cooperantes e solidários numa sociedade complexa e fortemente desequilibrada, no que toca às relações entre os indivíduos e destes com a Natureza ou meio ambiente, nosso nicho, em que vivemos.

 

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Fará, hoje em dia, algum sentido este diálogo de surdos que, há mais de um século, temos consentido?...

 

António de Souza e Silva

 

03
Dez18

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

420 - Pérolas e Diamantes: A indignação necessária

 

Por incrível que pareça, houve  judeus que sobreviveram à Segunda Guerra Mundial por causa do confirmado “paradoxo de Auschwitz”, segundo o qual os judeus que tivessem cometido um crime eram poupados às câmaras de gás. Fiquei a sabê-lo depois de ler o livro de Hanna Arendt, “Eichmann em Jerusalém – uma reportagem sobre a banalidade do mal”.

 

Lembro-me bem da minha avó me contar histórias verdadeiras sobre a guerra civil espanhola que contaminaram, de forma traumática, as populações da fronteira. Eram relatos difíceis de narrar. Ela tentava transmitir-me traços de um universo transfigurado. Acho que foi daí que surgiu o apelo de escrever poesia necessariamente pura, tentando recuperar a sua  alma, a sua candura e uma inocência de coração que só os justos possuem.

 

Ninguém, até hoje, conseguiu igualar a sua radiosa sinceridade.

 

Como disse o médico do exército alemão Peter Bamm, um dos raros memorialistas da Segunda Guerra Mundial, “um dos requintes dos governos totalitários do nosso século consiste em não permitir aos seus adversários que morram como mártires gloriosos em nome das suas convicções”.

 

Em todo o crime tem de haver castigo, pois, como dizia Grócio, ele é necessário “para defender a honra e a autoridade daquele que foi lesado pelo crime, a fim de que a ausência de castigo não cause a sua degradação”.

 

Uma coisa sabemos de ciência certa: a essência do totalitarismo, como a da burocracia, consiste em transformar os homens em funcionários, em singelas peças de máquina administrativa, ou seja, desumanizá-los.

 

Agora existe a tendência, supostamente baseada na psicologia e na biologia, de se atribuir um ato, não ao seu autor, mas aos mais diversos tipos de determinismo.

 

Também há literatos que defendem que a tentação e a coação são uma e a mesmo coisa, ou seja, de que não pode pedir-se a ninguém que resista à tentação. Ora esse argumento, além de falso e falacioso, dá muito jeito para defender comportamentos incorretos, quando não agressivos, em relação ao outro.

 

Parece existir uma espécie de tabu social que redobra quando se trata de criticar as palavras ou os atos de pessoas famosas ou que ocupam cargos de relevo. Costuma argumentar-se nestas ocasiões, com ar superior, que seria “superficial” insistir nos pormenores, ou mencionar nomes. E depois passam às generalizações, dando-se ares de gente sofisticada. Ou seja, que todos temos cor de burro quando foge e que todos, bem vistas as coisas, somos igualmente responsáveis, ou, no limite, que todos agiríamos da mesma maneira.

 

É normal negar os factos verificáveis e as responsabilidades individuais baseados em inumeráveis teorias fundadas em presunções genéricas, abstratas e hipotéticas. Por vezes até invocam o complexo de Édipo que, supostamente, todos transportamos. Tais teorias são tão abrangentes que explicam, e justificam, qualquer tipo de ato ou acontecimento. Quem assim argumenta parte do princípio de que não existem sequer outras alternativas e que, por isso, teria sido impossível agir de outra maneira.

 

Para o bem e para o mal, as responsabilidades morais individuais existem.

 

A ideia de que toda a culpa é coletiva e toda a inocência é individual está errada. Desta forma nenhum indivíduo pode ser considerado culpado ou inocente. É apenas vítima das circunstâncias.

 

Sob o ponto de vista moral, é quase tão mau sentirmo-nos culpados sem ter feito nada, como sentirmo-nos inocentes quando somos efetivamente culpados de alguma coisa.

 

É a velha luta entre ser e não ter e entre ter e não ser.

 

Existe sempre uma réstia de verdade nestas generalidades. De facto, é muito difícil resistir à ilusão das ideologias da moda. Existem os que querem compreender tudo com o intuito de perdoar tudo.

 

O esforço de objetividade deve dar lugar à indignação necessária.

 

De facto, a radicalidade do antissemitismo, que se exprimiu a partir de 1942 através da “solução final”, não foi objeto de desconfiança imediata. Ninguém conseguia acreditar no inacreditável. Dizem que foi a primeira vez que Deus morreu.

 

O comunismo, após 1945, que todos confundiam com a União Soviética e ainda mais com o Exército Vermelho, impôs aos países por onde passava um regime tão despótico quanto o dos nazis. Os mesmos campo de concentração recebiam outros “criminosos”, quando não os mesmos, pois os democratas e os liberais sofriam a mesma sina com Estaline e com Hitler.

 

Com estas atrocidades, Deus voltou a ressuscitar.

 

Como escreveu Raymond Aron a propósito das guerras: “A História nem sempre dá razão à inteligência de raciocínio. As fés coletivas, pelo menos no século XX, são, na sua maioria, grosseiras”.

 

João Madureira

 

29
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

“Jogadas!”

 

 

Acabei de ouvir que  «inBejosos» das façanhas de «outros», que deram cabo da nossa «cidade», «estes» se desdunham raivosamente para estourar uma “pipa de massa” ao «dar cabo» do “Jardim do Bacalhau”!

 

Como se CHAVES, o Concelho, não tivesse muitas mais prioridades a justificarem a parangona da «requalificação»: as estradas e caminhos municipais estão desgraçadamente  desconsiderados com a falta de manutenção e de adequada sinalização vertical e horizontal; o Ribelas, onde outrora  brincavam escalos e bogas,  continua a ser um nojento e fedorento canal de esgoto, a contribuir para as náuseas que a fonte pública das “CALDAS” provoca logo à mais pequena cheia do Tâmega; o Castro de Curalha a reclamar a dignidade a que tem direito, com acessos, cuidados, adornos e protecção que a História e o orgulho da ALDEIA, da FREGUESIA, da Região merecem; o acesso, cómodo e seguro, à SRª DO ENGARANHO; a celebração tradicional e prestigiada da Srª das BROTAS; a restauração, o asseio e a protecção de “OUTEIRO MACHADO; o respeito pelo Solar dos Montalvões; o fim das vergonhosas lixeiras e poluição de OUTEIRO SECO; e a «requalificação» (como me delicio quando valdevinos se saem com esta para encobrir certas «jogadas»!) desta RIBEIRA de SAMPAIO, e de todas as Ribeiras de CHAVES!

 

CHAVES só tem tido homens pequeninos e superficiais a administrá-la! Cuidaram e realizaram (e continuam a cuidar e a realizar) somente simples fantasias, e descuidaram (e continam a descuidar), e, ou, foram (e são) incapazes de realizar aquilo que era, e é, mais adequado e correspondente com as necessidades da época!

 

Tal como os anteriores, os administradores de hoje demitiram-se de lutar pela instalação, aumento e melhoramento de Instituições de ingente importância para os Flavienses.

 

OS de agora enchem a boca com as «requalificações».

 

E sublinham essa nova cruzada de obras pantomineiras, salientando a «Requalificação» do “Jardim do Bacalhau”!

 

Os marmanjolas da politiquice de CHAVES preparam-se para as Eleições autárquicas distribuindo uns panfletos com arrumadinhos itens, a que chamam Programa eleitoral.

 

Apanhados lá no lugarzito da sua suprema e besuntada vaidade, apressam-se, mesmo aos tropeções, a adaptar as suas «promessas eleiçoeiras» a poucos legítimos proveitos  e a demasiados e incontáveis interesses íntimos, secretos, inconfessados e, ou, inconfessáveis.

 

E, com essa jogada magistral, conseguem manter a lorpice dos sempiternamente distraídos e convencidos flavienses.

 

Esses políticos «da Veiga e da Montanha ….  e do rai’que os parta», que têm andado por aí a estragar a “cidade”, entendem o mundo flaviense como um mecanismo.

 

Contesto-os porque entendo esse mundo   -   e todo o mundo de homens   -   como um organismo.

 

Diferencia-me dessa gente a sensibilidade e a contemplação, e o esforço de compreensão.

 

Àbaris nos acuda, e, tal como o fez com Esparta, nos liberte da peste política que tomou conta de CHAVES!

 

A vitória numas eleições autárquicas está longe de se assemelhar a uma vitótia nas Batalhas de Cannas ou de Zama; de Alesia ou de Farsalia; de  Austerlitz ou de Waterloo; de Berlim; de Ðiện Biên Phủ;  de Ourique, de Aljubarrota, de Alcácer-Quibir, ou de Montes Claros.

 

Porém, a exclamação que ficaria bem, e realmente honraria esses cabotinos polichinelos políticos, de CHAVES, e se com ela significassem um juramento sagrado, bem poderia ser, inspirada em Goethe, na Batalha de Valmy:

- “Aqui e hoje, inicia-se uma nova época  da História de CHAVES, e vós, FLAVIENSES, podereis dizer que estivestes presentes”!!!

 

Os novos gurus da política flaviense tomaram assento no Paço do Duque por terem peregrinado por todos os lugares santos da NOSSA TERRA, proclamando decretos do novo destino Flaviense com mais santidade e muito mais certeza do que os proclamados» pelas pitonisas de Pito.

 

A sua eleição depressa a comemoraram bebendo àgua do Rio do Esquecimento!

 

Os «Heróis de CHAVES” estão, ora, a ser substituídos por «heróis de penacho»!

 

E se a essa gentinha, disposta a estourar com uma pipa de massa em caprichozinhos de quem faz de umas «merdices» o ponto «h» (ou ponto «g») dos seus orgasmos políticos ou bestiais, nada lhes fizer arrepiar caminho, o responso pode prolongar-se por tanto tempo quanto o necessário para lhes dar na tromba com um «gato morto até este miar»!

 

M., três de Novembro de 2018

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

24
Nov18

Ocasionais

ocasionais

 

*Telélés, popós e sol-e-dós*

 

Houve tempo em que os Telefones só eram usados para actividades profissionais e casos de urgência.

 

Agora, são pretexto para entretenimento, para intrusão, atrevida e, ou, abusiva, na vida alheia, e como pressuposto adereço de um estrato social com que se sonha e nunca se alcança!

 

O Telefone   -   que diabo! Hoje até já é raro  dizer, ou ouvir dizer, telefone: o telemóvel passou-lhe a perna ao primitivo significado!    -   o telefone, perdão, o telemóvel transformou-nos a todos num alvo fácil, demasiado fácil, de atingir, estejamos nós a dormir ou acordados; na rua, no Café; no automóvel, no comboio, no barco, no avião; no escritório, no armazém, na oficina; no consultório médico ou no do advogado; no Parlamento ou na Biblioteca Municipal; num funeral ou numa missa campal; no quarto de banho, no quarto de dormir  ou --- no quarto de sentinela, em prisão ou em liberdade, enfim!

 

O «telélé» veio aumentar a promiscuidade (então as auto-estradas digitais!...).

 

Apetrechado cada vez mais com inimagináveis funções, o «telélé» tem crescido tanto na sua aceitação e multiplicando-se tanto nas soluções e vantagens da sua aplicação que nele se pode ver, ouvir e apalpar (tocar) o cumprimento da ordem divina do «crescei e multiplicai-vos»! Já se lhe contam quantas gerações?!......

 

Depressa os gramáticos farão um congresso mundial para decretarem o nome «telemóvel» (claro, os «brasucas», e outros anglófobos, vão reivindicar «celular») como substantivo colectivo, eh! eh! eh!

 

O automóvel, o «pópó», por cá, pelo «Puto», ainda funciona como uma expressão cultural. Mas o «telélé»já o ultrapassou no peso e na importância desse desiderato!

 

O telemóvel; o «pópó», o direito à greve, à liberdade de expressão, à «Igualdade»; a “profissão e a gravidez de risco”; o «salário mínimo» com rendimento máximo; os «direitos», agarrados ao peito com ambas as mãos, e os «deveres» deitados ao calhas para trás das costas acabaram de vez com o viver modesto de um viver a sério uma vida séria e com pensamentos elevados!

 

Há dias, Luís dos Anjos, na simplicidade das suas “Vivências”, deu aqui um ligeiro retrato do impacto do telélé no modelo de convivência familiar.

 

Quando, há umas boas dezenas de anos atrás, víamos fotografias de cantores-pimba, rapazotes enfatuados, ou candidatos a intelectuais de qualquer burgo, ou «parvalheira», em que faziam há-de conta estar a falar com alguém ao telefone preto, como se isso mostrasse a elevado grau da sua importância (sem fundamento definido) e, ou, a transcendência das suas invisíveis, mas insinuadas, virtudes, mas apenas importância, toda a gente estava longe de imaginar o vício desse tique de estar constantemente agarrado ao telefone, agora móvel (e, por isso, se dizer «telemóvel») ficarà mão, às falanges, falanginhas e falangetas; ao olhar, com o pescoço curvado para baixo, de uma maioria que mal deixa vislumbrar a excepção que confirme a regra!

 

Perturba-me ver muitidões heterogéneas de turistas, no PORTO ou em CHAVES e noutras cidades e lugares de visita cheios de interesse histórico, arquitectónico, paisagístico, apreciarem essas belezas através da câmara fotográfica do seu «telélé» em vez de admirarem esses encantos com os próprios olhos!

 

Para a ansiedade provocada pela falta do telemóvel (esquecido algures), menos do que espear pelo ««triim» do sinal de chamada e mais pela oportunidade de usar as multi-aplicações, tão queridas aos paladares emocionais tão consoladores de um ego viciado, até já foi inventado um nome: “nomofobia”   -  medo irracional de estar (andar) sem telemóvel   -  termo resultante do  acrónimo do termo em inglês  «No Mobile Phone Phobia».

 

Hoje, até parece que a companhia física de um amigo é bem dispensável: o calor humano está a baixar de temperatura. Mas quando num momento deveras difícil acontecer, dar-se-á conta da desvantagem no investimento errado de não se ter um ombro amigo em que se apoiar, um peito amigo onde chorar, uma abraço amigo de conforto e protecção.

 

A voz metálica que chegará pelo microfone do telélé não conterá o estímulo e o consolo que a voz do amigo presente tanto vale; o sms do telélé não terá o efeito tonificante das palavras que são ditas olhos nos olhos e com o palpitar dos corações a corresponderem-se tão sublimemente.

 

Afinal, tão preocupados em ter muita companhia através da marcação das teclas do telélé, convencidos de estarmos a mostrar a quem está, a quem passa, ou a quem nos possa ver que temos o mundo a nossos pés a prestar-nos uma inevitável atenção, não damos conta de que, na realidade, estamos sozinhos, numa triste solidão!

 

Está-se a viver a vida mais por uma tela de cristal do que pelo ar que se respira, pela paisagem que nos rodeia, pela palavra que nos é dirigida e pelo gesto com que nos acenam!

 

A necessidade do reconhecimento não é inevitavelmente satisfeita com as ligações, as mensagens, as fotos e os comentários ocos e fúteis trocados com a vulgaridade, a sofreguidão e o empanturramento com que realizam com o «smartphone»!

 

Não será de admirar que de tanta depressão resultem tantas tempestades!...

 

M., dezasseis de Novembro de 201

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

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