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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

10
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

“Intelectualóides”

 

 

-O maior obstáculo no caminho do autêntico saber

não é a ignorância consciente da sua fraqueza,

mas a auto-suficiência de um saber aparente-

  1. Heinemann

 

 

Orwell atribui a decadência de uma Língua a causas políticas e económicas, para além da má influência de alguns escritores. E afirmava ser a linguagem política uma forma de fazer com que as mentiras pareçam verdades.

 

Atropelados pela presença de todo e qualquer bicho careto que se meteu na política, com mais atrevimento e descompostura que o «emplastro» frente às câmaras da Televisão, os ingénuos, os pategos, os descuidados, os comodistas e os preguiçosos mentais «tugaleses» deixam-se levar pelo mau gosto e fácil imitação do ridículo da nudez do rei: a vacuidade e a incompetência dos seus políticos, exibida nos discursos, nas mesas redondas das TV’s, nas páginas dos jornais e revistas; os eufemismos e o fraseado obscuro dos falantes na Rádio e na Televisão, com o estatuto de «figuras públicas», e… os cartazes e panfletos publicitários, mal e porcamente escritos!

 

Os «eleitos pelo povo»; os jornalistas independentes, mas com tamanha fidelidade canina às ordens de patrões sectários e gananciosos; e os escritores engajados não falam nem escrevem com sinceridade, sempre e quando há uma enorme distância entre o que realmente pensam e professam e aquilo que declaram, na fala ou na escrita.

 

Não se trata somente do uso literário da linguagem. Trata-se de usar a linguagem como instrumento acertado para expressar, e não ocultar, o pensamento.

 

A trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide movimenta-se constantemente à procura de novas modas.

 

Nas «adverbialices», nas frases feitas e ditas sem nexo, só porque lhe soa bem aos ouvidos, já metem nojo!

 

Depois, a trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide resolve pegar numa palavra que caia no goto dos seus militantes, ou tenha lido repetidamente em livros traduzidos por alguém mais pedante do que eles, e toca a atribuir-lhe o significado, impressionante e bem-sonante, de outras palavras que se lhe assemelham.

 

Veja-se o exemplo: Daniel Goleman (em 1955) usou a expressão «windpw of opportunity -janela de oportunidade» na sua “INTELIGÊNCIA EMOCIONAL”.

 

O livro foi um sucesso de vendas.

 

Bastante gente aproveitou para aprender alguma coisa de préstimo.

 

Demasiada gente que o leu dele só soube aproveitar a «janela de oportunidade».

 

E, passados estes anos do aparecimento do livro, embora continue a ser procurado por quem se interessa por aprender, uma caterva da trupe do “chiquismo” intelectual e intelectualóide usa e abusa da «janela de oportunidade», deitando-a pela boca fora, a torto e a direito, como se fosse uma fantástica criação sua, somo se fosse um fantástico rasgo de sublime linguagem diante dos microfones da Rádio e das câmaras da Televisão!

 

Quando assisto a um jogo de futebol, pela Televisão, desligo o som: os comentadores, tão ciosos da sua «classe», da sua importância como parte complementar do evento, da sua «incontornável» condição de «lançadores» de sapiência futebolística, tão comodamente instalados em «zonas de conforto», de onde desfrutam «janelas de oportunidade» para verem o possível segundo golo de uma «formação» “matar o jogo”, depois de um «pontapé NA frente» que permitiu a «assistência» para o «perigoso remate» de um jovem, com 1 metro e oitenta e dois de altura, setenta e sete kilos de peso, ainda com muito espaço de progressão, formado no clube de Futebol “F”, e que marcou quatro golos na época passada ao serviço do Clube “K” , em vez de comentarem as incidências do jogo e ajudarem os telespectadores a compreender as tácticas em curso; em vez de  salientarem as técnicas individuais; os acertos e desacertos dos jogadores; a justeza ou o erro da equipa de arbitragem, lançam enxurradas de fofoquices, informações rebuscadas em velhas crónicas, curiosidades com sabor a alcovitice, tudo sem propósito que o valha, assemelhando-se imenso o seu palrar a uma leitura de folhetins natalícios, de supermercados!

 

Antes ou depois dos Jogos, treinadores, políticos, jornalistas, «figuras públicas», amigos da onça, «amigos de Peniche», «convidados especiais», recoveiros de clubes, de empresários, de donos e senhores das Televisões metralham os telespectadores com acrobáticas «leituras de jogo» e violam as regras gramaticais e, especialmente, a Sintaxe, com ares pomposos e melífluos como estando a dar lições de bom Português a quem os ouve!

 

Agora começaram a dizer «fôco», e, por tudo e por nada, continua com maior abundância e insistência o «TAMBÉM», só porque se convenceram de que, com o disparate, brilham mais do que o sol ou estrelas de primeira grandeza!

 

O Benfica e o Sporting vão defrontar-se num jogo de futebol   -   e logo dizem «vão jogar o Benfica E TAMBÉM o Sporting», como se o Benfica fosse jogar contra outro Benfica e o Sporting contra outro Sporting!

 

O Porto vence o Marítimo, na Madeira, em 29-04-2018, e o «figurão público» da TV declara «o cumprimento de mão entre o Sérgio Conceição E TAMBÉM J.N. Pinto da Costa   - ora o Sérgio C. deu um aperto de mão A SI MESMO E TAMBÉM ao Pinto da Costa, “tá-se mesmo a ver”!

 

Outro proclama sonoramente: - “amanhã estão frente a frente o Benfica E TAMBÉM o V. de Setúbal”! – 16-08-2019., isto é, o Benfica joga contra si mesmo e o Vitória de Setúbal joga contra si mesmo!

 

Quanto ao «TAMBÉM», só não levo tão a mal o enjoativo do coitado do Marco Chagas a comentar o “TOUR” e dizer, num só fôlego:  - “O Yates vai isolado em fuga TAMBÉM»; cá atrás o Pinot queixa-se de dores TAMBÉM, o nosso Rui Costa segue no grupo TAMBÉM, e TAMBÉM o Berbal segue TAMBÉM junto do TÓmas TAMBÉM” (e a chaga continuou naVolta a Portugal”)!

 

E que tal se esses «pronósticos intelectuais» fossem TAMBÉM, “claramente“, … abaixo de Braga?!

 

Claramente!

 

“Claramente” é, «nesta altura», «de certa forma» o «mais recente» (como está na moda a ser usadas, a torto e a direito, por repórteres e comentadores desportivos) «design» da moderna «escrita criativa» e a mais brilhante pérola a fazer resplandecer a corrente de paleio inócuo de quase toda a gentinha que se vê com um microfone à frente do nariz: ««ali, o homem que Claramente está  a vestir a camisola de árbitro»»- (Jogo de Voleibol-sport TV).

 

Um sportingebo Pina da TV, em 2018-04-02, na hora dos papagaios futeboleiros, a bracejar e com cara de enjoado de xico-‘sperto e de super-sumo de sapiência e certezas absolutas, bracejando qual regateira a berrar com outra regateira, garante que ....«aqueles «encÓstos» nas áreas».....!

 

A saída de um jogador ....... está COBRiDA por uma cláusula....”, garante o comentador especialista Tvi 24 e Canal 11, Pedro Sousa, em 30-04-2018.

 

E já nem refiro a «filosofia de jogo» do Clube A, B ou C (os outros não entram no abecedário!...)!

 

Pobre Sócrates! Pobre Kant! Pobre Deleuze! Pobre Lao-Tsé! Quanto se sentiriam tão insignificantes diante destes filósofos portugaleses!

 

Nos EE. UU., durante um Concerto, um homem disparou sobre a multidão causando um elevado número de vítimas.

 

E, nas nossas televisões, os jornalistas de serviço, informam meio mundo que «Tiroteio nos Estados Unidos faz mais de 40 mortos». Dar uns tiros é «tiroteio». Dar e receber (uma troca de tiros) será «tirotório»!...

 

E cá continuam os nossos modernos jornalistas licenciados a inventar uma nova Língua Portuguesa: como lhes bastaram os «Serviços Mínimos» de ir de vez em quando dar graxa aos «prófes» do Curso de Ciências de Comunicação e Jornalismo ou vice-versa, conforme a “Escola”, e fazer uma «festança» no dia de receber o fabuloso diploma, ei-los «garbosos e contentes» a sentarem-se diante de umas câmaras de televisão ou, de pé ou sentados, diante de um microfone ou com ele agarrado com duas mãos a debitarem repetidamente catervas de disparates, convencidos que dar uma notícia, ou fazer um comentário, ou escrever uma coluna num jornaleco, numa revista ou num pasquim é usar um qualquer palavreado à trouxe-mouxe, imitando-se uns aos outros  no dizer e no escrever de asneiras e disparates, como se, com essa solidariedade, a sua estupidez aliada à sua incompetência e à sua reles mediocridade os vestisse com roupagem de grandeza e superioridade intelectuais e culturais mais divina e brilhante do que aquele com que se convenceu estar deslumbrantemente vestido o célebre rei da historieta!

 

Ele é tal a ânsia de se porem em bicos de pés e dar nas vistas, ele é tal a maluqueira de quererem ser «figuras públicas» que não passam de tristes «cromos» ou alegretes «bimbos»!

 

Um louco dispara uma arma de fogo  - é dizem logo «tiroteio».

 

Um «gaijo» é apanhado com uma pistola na mão   -  e dizem logo …«com uma arma pronta a disparar» (estavam a ver a pistola com a bala na câmara e destravada)!

 

Um automóvel esborracha-se contra um muro   -  e soltam … «uma colisão»! Se este automóvel se esborrachou contra outro, afirmam «os dois veículos chocaram violentamente».

 

ITEM, tal como a MEDIA (meios de comunicação), é uma palavra latina.

 

Que parvoíce tão ridícula e lamentável ver e ouvir figuras e figurinhas públicas, professores e doutores, «políticos» importantes e cheios, e todos cheios, cheiinhos, a rebentarem de vaidade e a teimarem em afirmar-se ainda «maiores» do que aquilo que realmente são, dizerem, como quem faz uma revelação sagradamente divina ou divinamente sagrada, «ÁITEMES», «MÍDIA» e …. «ACÓRDOS»!

Fico mais escandalizado e indignado quando ouço o «fracturado» professor universitário Louçã a encher a boca e a soltar perdigotos quando usa com tanto gosto os «ACÓRDOS» e mais ainda indignado e escandalizado quando apanho um tal  Lobo Xavier a torcer-se a beiça, em ridículo floreado,  para dizer «MÍDIA» do que ouvir a um padre, tio deste, um «CARALHO» tão sonoro que até fizesse cair a “Torre dos Clérigos”!

 

Nem só Adorno sentia saudades pelo seus «alemão».

 

A esta distância, e, provavelmente, a outras maiores, eu, e assim tantos outros, sinto a saudade do meu «visimontês», da Língua onde se ouve «côngaro», «agôra», «oubrejadinho de frio», «nenhures», «canté», «arraul», «bem m‘ou finto», «entre quem é!».

 

A poeticidade do nosso provincianismo ainda é um encanto!

 

Alguém me disse que os «paineleiros televisivos» estão ali para falar “futebolês”, “politiquês” e «lisVoês», e NÂO PORTUGUÊS!

 

M., quatro de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

03
Out19

Ocasionais

ocasionais

 

 

“Encher a mula”

 

 

**Não há nada que possa crescer e perecer

 tão profundamente como o homem**.

- Hölderlin-

 

A nossa vida emocional está uma calamidade.

 

Como se não bastasse a réplica das Cruzadas e da Inquisição   -   a propaganda política, os «critérios jornalísticos», as «ajudas à produção» televisiva, o campeonato de vendas de tinta, papel e disparates   -  temos a abundante exploração de maldades e tragédias a encharcar o tempo e o pensamento das massas populares, criando, assim, um clima, um meio-ambiente para as tornar neuróticas, amarguradas, aflitas, emocionalmente perturbadas e desequilibradas.

 

Por este andar, não vejo como será possível os nossos filhos terem uma vida mais feliz (ou menos infeliz) que a nossa ou até a dos nossos avós!

 

Já em meados dos anos noventa do séc. XX, Daniel Goleman nos avisava de estarmos a viver «tempos em que o tecido da Sociedade parece romper-se a uma velocidade cada vez maior, em que o egoísmo, a violência e a mesquinhez de espírito parecem querer desalojar o Bem das nossas vidas em comunidade».

 

Hoje, não há Educação. E até o Ensino está despromovido!

 

“No nosso tempo”, assiste-se a um descuido de afastamento entre a educação escolar   -   que nem científica chega a ser (tão preocupada com o encaixar, ou encaixotar, mais informação, até, do que conhecimento)   -   e a educação social, humana!

 

“No nosso tempo”, pratica-se, ensina-se, uma cultura «científica» de retalho e descuida-se o ensino de uma cultura humanística; dá-se preferência aos «factos» e pratica-se o distanciamento das «virtudes».

 

As paixões são alimentadas a fogo!

 

A razão dá-se bem como perdida!

 

Há, escreveu-se, consagrou-se, uma “Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

 

Não há, não se escreveu, e menos se consagrou, uma “Declaração Universal dos Deveres do Homem (Humanos)!

 

A realidade ultrapassa-nos. O nosso tempo de vida não é suficiente para a consecução dos nossos desejos e aspirações subjacentes numa secreta e íntima ânsia de imortalidade.

 

Tudo se faz para tudo servir fazer-nos sentir «ter o rei na barriga»!

 

Até parece que já nem o “coração” nem a “razão” têm interesse, ou que para nada servem!

 

Encher a pança, «encher a mula»; matar desejos; «cagar postas de pescada»; «armar aos cágados»; «ser o maior», mesmo não passando de minorca insignificante, é, afinal de contas, a razão de ser dos «filhos de Deus»   -   aí se encontra o significado e o sentido das suas vidas!

 

Afinal, no entender dessa gente, o Homem não «nasceu para começar», para criar, para viver: o Homem nasceu para destruir, para matar   -   para morrer!

 

Erasmo bem dizia que a Razão fora relegada para um canto «acanhadinho» da cabeça: Júpiter dera-nos uma porção de paixões mais abundantes do que da porção da Razão!

 

Heidegger sinalizou o Homem como «um Ser para a morte»!

 

Ainda bem que a sua amada amante, Hannah Arendt, o corrigiu, e garantiu:

 

- “O Homem é um ser para a vida”!

 

M., dezassete de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

27
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“HOMENAGEM

aos

MORTOS do ULTRAMAR”

 

 

Todos os que tombaram em combate,

todos os que perderam uma parte da sua vida em nome do dever militar,

 têm o direito à nossa homenagem.

É isso que distingue os homens livres dos escravos.

Pouco importa se venceram ou perderam a guerra em que morreram.

Quem combate, quando combate, não conhece o fim da História.

-Rocha Vieira, general-

 

 

Em 10 de JUNHO, do ano de 2019, com coloridas, vistosas e sonoras cerimónias, homenagearam-se os “Mortos da Grande Guerra”.

 

Não sei, não li nem ouvi se foram homenageados os Mortos da dita I Grande Guerra se da dita II Grande Guerra.

 

É de toda a justiça que os “Mortos da Grande Guerra”, quer da I, quer da II, sejam homenageados.

 

Conheci, e tive como amigos, dois dos sobreviventes dessas Guerras: um, poveiro, foi meu professor de Geografia; outro, flaviense, companhia de tempos livres, depois das aulas no Liceu do “Jardim das Freiras”.

 

Recordo-os com amizade, veneração e respeito.

 

Hoje, vou «inventar» o Dia de Homenagem aos MORTOS de outra Guerra. De uma Guerra que covardes, impostores, traidores e canalhas ao serviço de espúrios interesses estrangeiros querem condenar ao esquecimento ou sentenciá-la como justo castigo da História de Portugal e dos Portugueses.

 

Agora, mandam-se umas patrulhas, bem «arreadas» e cheias de estilo, autênticos figurinos, para territórios que pouco ou mesmo nada nos dizem, e a fazer continência a bandeiras que não nos representam.

 

Hoje, o “JURAMENTO de BANDEIRA” é falso: a nossa bandeira esconde ou disfarça outras que, na hora certa, recebem as cortesias dos nossos soldados de agora.

 

Antes, o “JURAMENTO de BANDEIRA” era sinceramente cerimonioso, sentido, sagrado.

 

Era ao nosso País, aos nossos compatriotas a quem se jurava lealdade e lutar em sua defesa.

 

E assim foi jurado e cumprido por todos quantos partiram para a “GUERRA do ULTRAMAR”.

 

Todos?!

 

Não há bela sem senão!

 

Ainda se passeiam, desavergonhada e provocadoramente, por aí alguns covardes, impostores e traidores que renegaram ignobilmente aquele juramento!

 

Esses canalhas trocaram os Valores por bom preço   -   ficaram ricos!

 

Essa canalha não apaga a História, mas tudo faz para desvirtuá-la.

 

E, para disfarce, homenageia os “Mortos da Grande Guerra”!

 

Com o estrondo desta cerimónia, ambígua, equívoca e hipócrita, conseguem fazer esquecer à maioria dos portugueses uma Guerra que ainda mantem feridas «em carne viva»: “A GUERRA do ULTRAMAR”!

 

Em muitos cantos de Portugal ainda existem pais, filhos, parentes e amigos a chorar mortos dessa Guerra!

 

Merecem respeito! Merecem reconhecimento! Merecem consolo!

 

A “GUERRA do ULTRAMAR” foi mais longa que aqueles Duas Grandes Guerras.

 

Não foi uma Aljubarrota, nem um Alcácer-Kibir.

 

Não foi “La Lys” nem “La Couture”.

 

Porém, tal como numa e noutras, soldados portugueses perderam a vida   - foram para «», estiveram «», pelo cumprimento de um dever!

 

Não posso, não consinto, vê-los esquecidos no DIA de PORTUGAL!

 

Renegados, que ainda hoje se passeiam pelas Avenidas da Liberdade, até «filhos-da puta» lhes chamaram!

 

Custa-me ver mais um salta-pocinhas a viver à grande e à francesa à custa dos portugueses, um «desenfiado» do Serviço Militar Obrigatório, ser o Comandante Supremo das Forças Armadas e a fazer há-de conta que, depois de 1945, não há portugueses “MORTOS na GUERRA Do ULTRAMAR”!

 

E, porque hoje os «brandos costumes», a bondade, a caridade cristã dos portugueses se mantém, esses facínoras e traidores, e seus cúmplices, conseguem insultar a vida dos mortos e a memória dos vivos!

 

No “DIA dos MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR”, já que o presidente da República, os membros do Governo e os da Assembleia da República andam mais preocupados com outras festas e feiras, comemorações, passeatas e festinhas, que, ao menos, os Municípios coloquem a Bandeira Nacional (direitinha e não «à cavaco»!) a meia-haste!

 

E que, nas cerca de três centenas de modestos monumentos erguidos em honra desses

“MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR”, um só ex-combatente, um só familiar ou um só amigo ponha lá uma flor, nem que seja acabada de colher na beira do caminho!

 

“Os MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR” fazem parte da NOSSA HISTÓRIA, como o fazem Os da “Ala dos Namorados”, Os da Guerra Peninsular, Os da I e II Grande Guerra    -   merecem o nosso respeito!

 

O nosso e o das gerações futuras!

 

Não se viu nem se ouviu em qualquer órgão de informação a notícia do XXVI Encontro Nacional de Homenagem aos Combatentes.

 

- “A Comissão Executiva para a Homenagem Nacional aos Combatentes 2019 promove no próximo dia 10 de Junho, junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, em Belém, o seu XXVI Encontro Nacional”.

 

O salta-pocinhas não teve tempo para ir lá fazer mais uma das suas «selfies» de estimação: naquele lugar e com aquela gente ninguém ligaria «píveda» à notícia de ter ido lá, nem às suas «selfiezinhas». Como «desenfiado» premiado leva a hipocrisia, e a desfaçatez, ao ponto de «mandar uma coroa de flores e uma mensagem aos Combatentes» (a linha aérea entre Portalegre e Belém estava avariada; boa, só a de Belém para Portalegre!).

 

Louvo o “ENCONTRO”.

 

Mas considero que os “MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR” merecem mais: merecem um DIA NACIONAL!

 

Hoje, eu «invento» o “DIA dos MORTOS da GUERRA do ULTRAMAR”!

 

Quem me acompanha?!

 

Mozelos, onze de Junho de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

12
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“SORTEIO ELEITORAL”

 

 

“Para ser popular

é indispensável ser medíocre”

- E. Arthur Blair-

 

 

Por aqui, a pandilha de medíocres organizados em partidos políticos já está em alvoroço efervescente.

 

A essa pandilha, a ambição pelo poder ["A ambição de poder é uma erva ruim que só cresce no solar abandonado de uma mente vaziaAYN RAND - "] -,  a ambição pelo buraco que lhe permite meter a mão no mealheiro do país … e nos bolsos de quem se lhes aproxime [Quando um carteirista encontra um santo, só vê os seus bolsos»!-ditado indiano], à medida que se aproxima o sorteio eleitoral, tira-lhe o sono e o sossego!

 

E as suas falanges empurram-se e digladiam-se para ver quem mais se chega à frente, quem mais dá nas vistas!

 

Na falta de ideias próprias, na falta de atributos, de competência, de projectos para com os eleitores e os portugueses, apontam, quer nas fanfarronices comicieiras; quer nos «falatórios microfonados e, ou, televisionados»; quer nos painéis com que estragam as rotundas, as estradas e a paisagem, hipotéticos ou reais problemas e prejuízos nacionais, regionais ou locais que se têm prolongado ao longo dos anos democráticos, como se fosse maldade ou crime praticados pelo Governo em funções!

 

Apontam!

Apontar, apontam!

Mas não dizem qual a fórmula resolvente!

Mas não dizem qual o remédio que receitam!

 

Quem os ouve, aos nossos (ditos) políticos   -  de  lá no púlpito do Parlamento; sentados nas cadeiras dos (seus) Gabinetes ou … das mesas das Televisões e das Rádios; ou dos palanques das suas bazófias eleiçoeiras   -   é levado, cheio de espanto e admiração, a exclamar:

 

- Que gente de tão nobres ideais!

 

Cedo ou tarde, as notícias, a justiça, e …, ou, as rasteiras que nos são passadas ou as maldades que nos são feitas por essa gente gentinha e gentalha, trazem-nos a surpresa de revelações de condutas imorais desses mesmos políticos que nos haviam deslumbrado!

 

E a cretinice e a pouca-vergonha é tão mais escandalosa quanto, e quando, essa gentalha fala como se não tivesse culpas   -   e, oh! Que culpas!  -    no cartório!

 

Os eleitores, o povo, não se preocupam com a competência (os medíocres, os oportunistas, os cretinos sabem-no muito bem!).

 

As eleições, em Portugal, continuam a valer o mesmo que uma comandita de analfabetos conceder o diploma de “Doutor em Física Nuclear” ao mais reguila ou ao menos escrupuloso, de dentro ou de fora do seu rebanho.

 

Essa comandita, se confrontada, gritará que é «analfabeta, mas ficou bem impressionada» com o(s) candidato(s) a Doutor(es)!

 

Conta-nos Aristóteles que «nalguns povos, os artistas não eram admitidos a nenhuma magistratura (antes dos excessos da democracia), e que «só as democracias caídas na corrupção é que concediam aos artistas os direitos de cidadão».

 

E Platão foi mais longe (até anteviu a «jovem democracia à beira-atlântico espalhada»): “… e dificilmente se acreditaria sem que se visse, quão livres são (em Portugal) os próprios animais ao serviço dos homens. Cadelinhas (cachorrinhos e cãozarrões) estão em perfeito plano de igualdade com as donas, e os cavalos e os burros, habituados a marchar de cabeça erguida e sem se preocuparem com quem quer que seja, atropelam quem quer que seja que não lhes ceda a passagem”.

 

(Não admira que haja cada vez menos camas para deitar um doente, um casulo para acolher um velho, um lar para cuidar de uma criança, e, cada vez mais, hotéis para gatos e cães. Até o Serviço Nacional de Saúde para humanos pretendem substituir pelo serviço nacional de saúde para animais!

Alguém escreveu: - “A DEMOCRACIA COLOCOU DEFINITIVAMENTE VELHO (O IDOSO) NO MAIS BAIXO GRAU DE CONSIDERAÇÃO”, embora não fosse isso o que o democrata Montesquieu recomendava no “Espírito das Leia”.

 

Humanizem-se os bichos: Ah! George Orwell!

Animalizem-se as pessoas: Ah! Esquerdalha PANimalesca!).

 

Por cá, e agora, continuam os «tugaleses» contentes e «sisfeitos» por viverem numa democracia definida pelo «mais tolerável dos governos degenerados».

 

Portugal é um país de artistas!

 

E que artistas!!!

 

Os (estes) Partidos políticos   -   e as vias rápidas da Internet   -   são entradas e estradas francas para as manhas e patranhas; gosmices e vigarices; ganâncias e fortunas prósperas de moinantes sem-vergonha!

 

As multidões não pensam: sentem!

 

“A multidão confunde o valor moral dos candidatos com o fingimento que estes mostram em possuírem os mesmos sentimentos que ela sente”, lembrou Faguet.

 

Num dos painéis propagandísticos, situado numa das mais famosas rotundas do País, com a fronha do principal bimbo candidato, um Partido político proclama: - “Portugal não pode esperar mais”!

 

Ora aqui está um louvor divino à inteligência dos «tugaleses»: “D. Sebas chega!

 

Outro reclama: “ADSE para todos”! Este não engana! A profecia de Orwel será cumprida: os «bichos» (os «tugaleses) trabalharão todos na “Quinta” e os «porcos», em reunião permanente, andarão pelos salões da mansão a governar(-se)!

 

Oh! Igualdade das igualdades! Assim se cumprirá «a igualdade entre os iguais e os que o não são»!!!

 

Na democracia «tugalesa», as eleições são a cerimónia de baptismo a beatificar uma maioria de estupores, de diabos em figura de gente!

 

M., dois de Setembro de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

 

 

05
Set19

Ocasionais

ocasionais

 

“Valores Selados”

 

*O Valor fundamental,

 condição de afirmação dos outros valores,

é o compromisso*

-E.Mounier

 

 

Uma carta, no século XXI das auto-estradas e das vias rápidas tecnológicas, onde o infinitamente pequeno do quark e do neutrino substituem imperialmente o infinitamente grande da palavra falada e do calor de uma mãozada, de uma palmada nas costas, de um abraço ou de um beijo, uma carta, dizia eu, é um  corpo estranho que pode perturbar tanto as teorias de campo, da Física, quanto a da Psicologia (de Kurt Lewin).

 

Na caligrafia, o significado da palavra vai muito mais para além do que nas letras formatadas: à grafologia ainda não sucedeu a tipologia dos caracteres modernos das «fontes» computacionais (ou seja, a interpretação psicológica de palavras ou textos escritos no ordenador, tais como em «Times New Roman»; Lucida Calligraphy; Tahoma, etc. etc.).

 

Em 16 de Julho de 2012, escrevi, no meu Livro “ELE e ELA”, o “pitigrama”:

 

*-*

 “CARTAS”

 

As Caixas de Correio, agora, só se encontram cheias com publicidade dos supermercados, mesmo que minis; dos grupelhos auto - proclamados políticos (partidos, movimentos, associações, sindicatos); clubes de (pouca, ou nenhuma) caridade;  videntes e astrólogos que dizem saber tudo da nossa vida   -   passada, presente e futura    -  mas que só sabem da vida deles e contar «a massa» que nos mamam); e facturas e avisos dos tribunais e das finanças para pagarmos contas disto, daquilo e daqueloutro.

 

O mal até já chegou ao telefone que antes nos dava direito a receber duas listas com os nomes e moradas das pessoas que o tinham, e onde se incluía o nosso.

 

O computador faz agora de papel de carta, envelope e carteiro.

 

Mas até mesmo este está a ser substituído muitas vezes pelo «telélé», o Telemóvel!

 

Já não há mais cartas, postais, telegramas …nem aerogramas!

 

Hoje, nem os «e-mails», nem os «sms’s», por «chics» e requintados que apareçam a brilhar nos ecrãs dos computadores e dos telemóveis, transportam  o aconchego de alma  que o carteiro nos entregava, batendo à porta, chamando ou procurando por nós   -   às vezes substituído pelo regedor ou pelo proprietário da Lo(i)ja  onde se comprava um quarto de quilo de açúcar, meio quilo de arroz, uma barra de sabão, um quarteirão  de azeite, meio litro de petróleo, um quartilho de vinho e uma caixa de palitos … pr’àcender o lume!

 

Pegar na carta, ou no postal (ou no aerograma!) já era, cá dentro, uma tremura dos diabos!

 

Olhar o remetente, abrir com todo o cuidado o envelope, com uma tesoura (parecia mais solene) ou com uma faca de cozinha, então já se sentia uns tremeliques … «que Deus nos livre»!

 

Desdobrado o papel, até nos parecia adivinharmos o que lá nos vinha escrito.

 

O começo era, quase, sempre igual em todas as cartas, de toda a gente: …. «….espero que estejam todos de boa saúde. Nós por cá vamos andando e indo na forma do costume».

 

Falava-se do tempo, de duas ou três noβidades da Aldeia, dos trabalhos que se faziam por casa, e dos que faziam os vizinhos, como se fossem nossos.

 

Depois choravam-se as saudades e rezava-se a esperança de o remetente e o Exmº(ª) Sr.(ª) se verem e abraçarem em breve   -   nem que fosse dali a anos!

 

Cartas de pais para filhos, de avós para netos (com uma notita de vinte mil réis, a dar para a ida ao cinema, por cinco croas; cear um prego com um ovo a cavalo, por sete e quinhentos; comprar um pacote de lâminas de barbear; meia dúzia de selos, a garantir as cartas para a namorada; e….); e cartas para o(s) «rico(s) coraç(ão)ões de torrão de açúcar», conforme a técnico-táctica amorosa de cada um.

 

Ou de cada uma?!...

 

Verdade verdadinha é que aquela emoção de receber, ou enviar, uma carta jamais poderá ser igualada pelos novos processos de comunicação.

 

No e-mail e no sms não pode cair, e deixar marca, a lágrima da saudade, do amor ou da gratidão.

 

Nas cartas, até a caligrafia conferia a identidade e certificava o estado de alma de quem as escrevia!

 

Os e-mail’s e os sms’s não se podem apertar contra o coração, nem pôr debaixo do travesseiro   … nem sequer dar-lhes um (mil!) beijinho(s).

 

E, em situações especiais, algumas cartas levavam a morada da “Posta Restante”, onde seriam levantadas sob o pagamento de uma franquia, tantas vezes perdoada pela generosa cumplicidade das «meninas dos Correios»!

 

Não é por acaso que estes, em CHAVES, fica(va)m mesmo no Jardim das Freiras!

 

M., 16 de Julho de 2012

Luís Fernandes

*-*

 

Aqui, nas páginas do Blogue “CHAVES” e de outros Blogues, e ali, nas páginas dos livros, as palavras que se vêem e se lêem tão ordenadamente não são vistas nem lembradas na folha de papel onde o seu autor as escreveu com uma mão e um olhar carregados de emoção.

 

Enfim, sou daqueles que ainda dão valor a antigos gestos que traduzem simpatia, estima, consideração, reconhecimento, amizade: a VALORES antigos!

 

As cartas eram valores selados!

 

Diz-se, por aí, à boca cheia, que «hoje não há valores».

 

Não creio.

 

Os VALORES permanecem, estão por aí escondidos, sequestrados: em degredo!

 

O seu descrédito e o seu desaparecimento começam pela alteração do significado das palavras: por exemplo, o de «amor» e «democracia».

 

O espírito de missão, de «serviço», evaporou-se: agora, «serviço» quer dizer «emprego», esfuma-se a relação humana para dar lugar à funcionalidade ou função.

 

Arendt, na “Condição Humana”, escreve: - “As coisas, as ideias ou os ideais morais «só se tornam VALORES na sua relação social».

 

Apesar de o século XX ser a época em que mais profusamente houve uma dedicação à Filosofia dos Valores, criando o conceito (ou disciplina) de Axiologia, e dos avanços civilizacionais, humanistas (abolição da pena de morte, em muitos Estados ou Países, Declaração Universal dos Direitos Humanos e correlativas Convenções das Nações Unidas, Directivas Comunitárias e leis nacionais),  a maioria das sociedades continua mais apegada ao poder do que ao dever: o vício continua a ganhar vantagem à virtude (valores morais e políticos).

 

Tenho para mim os VALORES como algo objectivo e real em simultâneo com algo subjectivo e ideal.

 

Num catorze de Março de 2007, Manuel Pina escrevia na sua coluna do JN: - ”Diz Stº Agostinho que sem VALORES morais, os reinos não se distinguem de bandos de ladrões”.

 

A subversão de VALORES que dignificavam o sentido de vida está espelhada no Desporto, que deixou de ser um jogo e uma festa para se «converter numa indústria, onde só a vitória é rentável».

 

Estranho se me afigura que, sendo tão manifesta quanto universal a preocupação de todos os metidos e metediços na politica, e os «fazedores de opinião», figuras, figurinhas e figurões  ditos «públicos», a palavra e o conceito de «cidadania» ainda não tenha provocado uma congestão em quem se empanturra tanto com o falar nela, e nunca, ou raramente, indicam ou lembram a importância dos VALORES morais sem os quais o cidadão não atinge a sua verdadeira identidade, a cidadania: os direitos políticos, quanto a mim, não são suficientes para definir, de corpo inteiro, um cidadão!

 

Toda a gente anda envergonhada para falar de civismo!

 

Não alinho pela escola da cidadania quando esta visa a substituição do civismo.

 

A cidadania apela aos direitos políticos. Consolida-se com as virtudes cívicas e com a cultura.

 

A civilidade lembra-nos o direito e o dever das boas maneiras   -   tratarmo-nos mutuamente com consideração.

 

Dou prioridade ao civismo -   aos Direitos Humanos   -    em relação à cidadania   -   direitos políticos, embora suspire por ambos.

 

Tecnologia, Informação e conhecimento chegam em catadupa aos balcões de recepção de quem quer que seja, de quem calha, de toda a gente: sem aviso prévio, por encomenda, por recomendação, pelo privilégio de se ser «selecionado»   -   isto é civilização, e   o «zé pagode» sente-se e diz-se «muito civilizado»!

 

A cultura que fique para aí ao deus dará: a Filosofia e a Arte são coisas de um passado que deixou de interessar!

 

Às vezes, até parece que a Liberdade chega e sobra para encontrar o significado da vida!

 

E como a Democracia tivesse na Liberdade a sua única e exclusiva identificação!

 

A Justiça está cada vez mais desacreditada.

 

A Honestidade … credo, cruzes, canhoto! É uma raridade!

 

A Integridade, feita em pó pela corrupção!

 

A Responsabilidade?! Já nem dos ouros é   -   não é de ninguém!

 

A Tolerância passou a deus desconhecido.

 

O Respeito …… anda sumido: perdeu-se!

 

Afinal, esta democracia portuguesa não é mais que a consagração do culto da incompetência, o aplauso da vilania, o elogio da falsidade!

 

M., vinte e sete de Agosto de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

28
Ago19

Ocasionais

ocasionais

 

“HOMENAGEM aos COMBATENTES”

(CHAVES, 8 de Julho, 2019)

 

 

Os que passámos por esta guerra, ao lembrá-la e celebrá-la, não o fazemos animados por nostalgias imperiais e muito menos imperialistas. Respeitamos os que nos combateram de armas na mão em nome dos seus Estados nascentes; e, sabendo que os que então nos combateram nos respeitam, queremos ser também ser aqui respeitados e não tratados como marionetas de regimes ou serventuários de causas suspeitas.

-Jaime N.Pinto-

 

No Programa das Comemorações (2019) do DIA do MUNICÍPIO, de CHAVES, constava….  “SEGUNDA 08 JUL | DIA DA CIDADE E DO MUNICÍPIO   -    … 11h30 ROMAGEM AO CEMITÉRIO – “Homenagem aos Combatentes”.

 

Tenho de me penitenciar por há já muito tempo não visitar o Cemitério (velho) da Cidade, e de não saber se as Campas de flavienses «Mortos no Ultramar» ou falecidos ex-combatentes no Ultramar estão identificadas como tal.

 

Este item do Programa deixou-me um tanto intrigado: dizer “Homenagem aos Combatentes” até me leva a acreditar que flavienses vivos e ex-combatentes (ou poderei acrescentar os que andam por aqui, por ali, por além a combater seja lá o que e por que for, nem que seja só pela sobrevivência) iam ser «homenageados, esperando eu que com meia dúzia de discursos e alguns ramitos de flores!

 

Esta minha incerteza ou dúvida resulta de um comportamento diferenciado que «as forças vivas da nação» manifestam, com tanta pompa, por um lado e para um lado, e tamanha indiferença (até desdém) por outro e para outro lado [puxem pela memória, consultem registos e vejam a tal pompa na (sempre justa) homenagem aos “MORTOS na GRANDE GUERRA” (embora nunca digam se da I ou da II), e na tamanha indiferença (até desdém) pelos “MORTOS na GUERRA do ULTRAMAR”!].

 

Até parece que para «suas excrescências, porra, eiscelênsias», depois de 1945, só houve «COMBATENTES» Portugueses após 1990, e estes, sabe-se lá bem, em nome de que tão claros, confusos, escuros ou obscuros ideais ou interesses, alianças ou acôrdos!

 

Pois é! Os portugueses que, desde 1961 andaram de Mauser, Vigneron, FN, G3 (não sou do tempo da HK-21), Dreyse, Breda, bazuca; morteiros; a conduzir Unimogs, GMC’s e Berliet’s; a patrulhar as «picadas» e a fazer tiro ao alvo sobre mosquitos e a tsé-tsé; ou saltavam de pára-quedas, ou «passeavam de barco», ou …  etc., etc,, e por lá «deixaram o coiro» (dizer «a vida» será menos comovente para «suas excrescências, porra, eiscelênsias») não merecem ser lembrados pelas eminências deste Regime: vale-lhes, ao menos, uns monumentozecos (fora o da foz do Tejo) que umas «almas penadas» vão pondo, aqui e além, mais modestos, mas mais sentidos, que «alminhas»!

 

Não estou de luto por familiares «MORTOS na GUERRA do ULTRAMAR»: estou de luto pelos COMBATENTESMORTOS na GUERRA do ULTRAMAR”.

 

M., sete de Julho de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

 

 

16
Ago19

Ocasionais

ocasionais

 

*A REVOLTA dos PARDAIS*

 

 

"Todos os pardais são iguais,

só que alguns pardais

são mais iguais do que os outros."

 

 

Viajando por meio mundo, combatendo nas florestas da Indochina e nas serranias de Espanha, Eric Blair não deu conta de que ali ao lado, havia um «jardim à beira-mar plantado».

 

Nem teria de dar conta: o jardim não passava de uma minúscula franja dos horizontes por onde vagueara.

 

Assim, Eric Blair contou a história de uma revolução de porcos, sem lhe passar pela mona que alguma vez eclodisse uma revolta de pardais!

 

No «jardim à beira-mar plantado», deixou de haver porcos revolucionários   -    só passarada de vistosa plumagem democrática.

 

De quatro em quatro anos aumentava o número de poleiros. E todas as aves, mesmo as de rapina, voavam felizes e contentes pelos «diversos» ramos do jardim.

 

As águias, os abutres, os falcões e os milhafres estavam a ficar com o papo cada vez mais cheio.

 

Os galos, as galinhas, os frangos e os garnisés; os pombos, as pombas e os pombinhos; os melros, os cucos e as cotovias; os periquitos, os pavões e os gansos; os gaios, os papagaios, os mochos e as corujas a verem-se cada vez mais depenados.

 

Um «major» do bando dos pardais topou a marosca dos milhafres, dos falcões, dos abutres e das águias.

 

E, vendo as penas dos vizinhos a cair, convocou uma assembleia de pardais para os alertar da «oportuna» oportunidade de estarem marcadas eleições para feitores do «jardim à beira-mar plantado» e, assim, fazerem notar às aves de rapina que eles, pardais, também eram de bico fino e de papo cheio queriam ficar!

 

Vai daí, enviaram um ultimato aos rapaces, exigindo uma promoção a oficiais do corpo de tropas do “do Napoleão, do Bola de Neve e do Garganta», que é com quem diz, do «pai, filho e espírito santo pardais»!

 

E os pardais resolveram fechar a sete chaves os canastros cheios de milho: quiseram que faltasse o pão para a boca!

 

Organizaram pelotões de segurança para manter as portas dos canastros encerradas.

 

 De manhã, à tarde e à noite, mal os repórteres de Televisão lhe aprontavam o microfone, o «major» dos pardais lançava raios e faíscas de acusações contra os malvados dos milhafres, falcões, águias e abutres que teimavam em não lhe fazer as vontades.

 

Os repórteres de televisão gostavam muito de palrar com os pardais vigilantes.

 

Perguntaram a um qual o motivo da sua revolta.

 

Empertigado, o pardal vigilante aproveitou para tratar abaixo de cão os galos, as galinhas, os frangos e os garnisés; os pombos, as pombas e os pombinhos; os melros, os cucos e as cotovias; os periquitos, os pavões e os gansos; os gaios, os papagaios, os mochos e as corujas acusando-os de,  estando cada vez mais depenados, andarem com os olhos fechados, entretidos com futebol e Fátima (esquecendo, estranhamente, o Fado!), pois   não sentia a solidariedade destes!

 

Outro pardal vigilante, perante o microfone, com voz imponente, só soube dizer: «o meu ordenado não é compatível com o nível de vida»! Tal e qual! Ficou tão empanturrado com a importância de ter um microfone ao pé da boca que até se lhe sumiu a fala: um curto circuito de estupidez paralisou-lhe os neurónios!

 

E, mais certeiro do que escolhidos a dedo, os «senhores e senhoras jornalistas» junto dos «chiens de garde» da REVOLTA dos PARDAIS preparam a conveniente oportunidade de todo e qualquer pardal ou pardaleco abrir o bico e (… daninho aos campos, Não aprendeu a cantar; Como os ratos e as doninhas Apenas sabe) chiar … umas tretas mal decoradas. E alguns, de tão deslumbrados com a oportunidade de estar na berlinda, ter direito de antena e «ser visto  na televisão», deixavam que a boca lhes fugisse para a verdade e, assim, até deles próprios diziam mal!

 

"Retire-se da cena o Pardal «major» e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre."

 

Cá pra mim, esta pardalada - mimosa o que quer é chegar a 17 de Agosto e recordar e comemorar o 74 com o aniversário da obra de Orwell!

 

 “Bem m’ou finto!

 

M., treze de Agosto de 2019

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

08
Mai19

Ocasionais

ocasionais

 

 

*«TUGUESES», OS SUPERLATIVOS*

 

 

Portugal é um país formidável!

E os portugueses são formidáveis!

Os «tugas», «tugueses», «tugaleses», «portugaleses», «portugalenses» são formidáveis!

E Portugal é um país formidável!

E os portugueses são formidáveis!

E os «tugas», «tugueses», «tugaleses», «portugaleses», «portugalenses» são formidáveis na sua superlativa mediocridade!

E Portugal é um país onde abunda a mediocridade!

E os portugueses, na sua maioria, vivem refastelados com a mediocridade!

 

Essa maioria vive, pensa e morre numa superlativa inferioridade! Mas funga, clama, berra, proclama possuir uma superlativa superioridade: lagartixas em todas as dimensões humanas, falam, roncam, reclamam, apresentam-se, intitulam-se jacarés!

 

Qualquer pentelho encaracolado de novidade, de tique ou de toque convertido em moda, de exotismo  ridículo, de traço colorido, de asneira ou disparate, dito ou produzido na Televisão, na Rádio ou nos Jornais é imediatamente apropriado como sinal de brilhante distinção, de superlativa superioridade intelectual, de superlativa fortuna de atributos de encanto e beleza, de superlativo e fatal imperativo das suas incontáveis virtudes, das suas absolutas certezas, das suas puríssimas verdades   -  da sua divindade!

 

Realmente, aos «tugueses» ninguém os vence em soberba nem em tamanha arrogância de ignorante!

 

Os «tugueses» são o supra-sumo de tudo e mais alguma coisa!

 

E nenhum admite não ser o melhor e «o maior», seja lá no que for!

 

Chefe, comandante, presidente, líder, ai que não! Os «tugueses» são, e têm de ser, fatal, diabólica ou divinamente uma ou todas estas coisas!

 

Entrei numa loja de artigos de pesca para comprar «medalhas» (amostras) e fio para pesca à truta. Um dos sócios gritava com o outro (eram irmãos) proclamando que «a minha filha é a melhor aluna da Escola». O outro berrava que a filha dele é que era a melhor aluna da escola.

 

Um terceiro sócio veio atender-me. Conduziu-me para uma divisão da loja onde havia maior abundância de material de pesca. E disse-me, baixinho:

 

 - As filhas deles tiram «quatros» (4) e «cincos» (5), é verdade. São colegas da minha filha, no mesmo ano. A de um tirou «três» (3) em Educação Física; a de outro tirou «três» (3) a Educação Visual. A minha filha tirou «cinco» (5) em todas as disciplinas: as filhas deles é que são as melhores alunas, eh! eh! eh! Deixe-os p’ra lá! 

 

E ser o número «UM»   -   mesmo que seja a usar o «7» e o nome de outro, nas costas, pintado numa camisete, ah!, não há nada que mais «encha a barriga» ou emborrache o Ego dos «tugueses»!

 

 Alto! Agora, há que dizer «tugueses» … e «tuguesas», carago! O (e)terno feminino agora é mais do que trunfo: é “Joker”!

 

E, assim, sendo «UM», o «tuguês», alto! e a «tuguesa»   -  são líderes por excelência!

 

Mas esta igualdade exige uma diferença! Uma substancial e distinta diferença, não estivéssemos nós no momento, na época das «questões fracturantes»! Os «tugueses» e as «tuguesas» (ai de mim se não vier com este «sublinhanço», carago!) andam preocupadíssimos e preocupadíssimas com o «aprofundamento» do conceito de «género», e, para aprimoramento de tal «aprofundamento», o conceito de líder e de liderança é fundamental e prioritário para a consolidação do reconhecimento da superlativa e inquestionável superioridade feminina no exercício da Liderança!

 

A mim, para me convencer e aceitar como o mais sagrado dos dogmas, a absoluta, a inegável, a inquestionável, a indiscutível, a fatal superlativa superioridade do «género feminino» na liderança, basta-me a prova provada de uma só superlativa qualidade   -   a de persuasão-sedução   - da feminina “Helena, de Tróia” descendo a alça da túnica, que adornava os seus encantos e formusura, deixando à espreita o biquinho do seu seio   -   os homens, alto! o «género masculino» cai fulminado aos pés do (e)terno «género feminino»”!

 

Assim, dispenso o cardápio de todas as outras qualidades do «género feminino» que possam enquadrar toda e qualquer teoria   -   ressonante ou dissonante; transformacional e transacional; a Laissez-Faire, organizacional, ou Primal   -    cerca da sua superioridade inata como líder [ou como escrevo no meu “Pitigrama“ “O (e) terno feminino”) ou Lideresa]1, ou na liderança.

 

E, claro, «o género masculino tuguês» e «a génera feminina tuguesa»   -   distinção sublinhada para deixar mais contentes «os» e «as» “feminazi”   -   até arrebanham umas palavritas em Inglês, para adornar o seu «pensamento», o seu «conceito» e a sua «causa»!

 

Abrangência, empatia, liderança, conceito, género são palavras-chave da relação divina da superlativa superioridade do «género feminino»  -  carago galego!, da «génera feminina»    -    na liderança!

 

As “Lourderias” acabaram!

 

As “Fatimarias” que se cuidem: estão prestes a entrar em vias de extinção!

 

O altar do (e)terno «género feminino»” está a ser erguido …. na “Cova da Onça” … e no Palácio de S. Bento!

 

Mozelos, sete de Abril de 2019

Luís  Henrique Fernandes, da Granginha

 

 

  • Lideresas Era para chamar-lhes «liderinas». Mas soava-me a diminutivo, assim como… “tangerinas”. Em Lideresas, o «esas» dá mais gabarito à palavra: lembra «alteza», «nobreza», «realeza», «marquesa», «duquesa», «princesa». E como a esquerdalhada (e - Oh! Espanto! … a moderníssima direitalha) feminina tanto ambiciona, se-cre-ta-men-te, ter mordomias e vénias de «princesa», entendo que Lideresa lhes fica a matar!....

 

 

10
Abr19

Ocasionais

ocasionais

 

A banalidade da política

 

 “De tanto ver triunfar as nulidades;

de tanto ver prosperar a desonra,

de tanto ver crescer a injustiça,

de tanto ver agigantarem-se

os poderes nas mãos dos maus,

o homem chega a desanimar-se da virtude,

a rir-se da honra

e a ter vergonha de ser honesto.”
                                                           (Rui Barbosa)

 

 

A tragédia do fracasso do nosso desenvolvimento, do desenvolvimento civilizacional e cultural de CHAVES, da NOSSA TERRA, tem a sua causa mais na resignação dos flavienses do que na incompetência, na mediocridade, na cretinice e na maldade de quem a tem governado.

 

Os flavienses ainda não atingiram o ponto de indignação que os leve à revolta contra aqueles que os têm ludibriado com promessas não cumpridas, sejam eles administradores municipais, regionais ou nacionais: continuam a deixar-se amansar por sebentos elogios e falsas esperanças!

 

Encharcados pelos meios de comunicação com constantes caudais de notícias e imagens de catástrofes, de violência, de miséria, de morte, e distraídos com caleidoscópios de telenovelas alcoviteiras, festins de curiosidades sádicas, de «voyeurismo», e de circo futebolístico, os flavienses (Ai! E os «tugas», carago!) são bem levados a considerar o seu modo de vida um privilégio que os faz sentir envergonhados!

 

E, porque ciclicamente são chamados a pôr uma cruzinha num Boletim de voto, com a qual julgam afirmar e confirmar a sua soberania, continuam na ilusão de serem senhores do seu destino.

O povo “tuga” ainda não entendeu e aceita que as campanhas eleitorais são a dourada oportunidade de impostores, oportunistas, medíocres e macanjos a badalarem fantasias com que o que querem governar governando-se!

 

Depois, em nome da «democrática tolerância», alimentam fanatismos partidários!

 

 “Um homem não é menos escravo porque lhe é permitido eleger um novo amo” de quatro em quatro (ou cinco) anos!

 

Entre esses ciclos eleiçoeiros, gemem e lamentam o seu descontentamento com a pouca sorte que lhes calha, com tantas esperanças perdidas!

 

Mais de quarenta anos depois do seu alvor, a distância entre o sonho e a realidade da «jovem (?!) Democracia Portuguesa», em vez de diminuir, tem vindo a aumentar!

 

O princípio, para mim, mais fundamental da Democracia   -   a Justiça   -   que expressão de universalidade e de nobreza se lhe está a reconhecer?! Pouco falta para vê-la «pelas ruas da amargura»!

 

E até parece que a palavra «prosperidade» foi banida da nossa Língua … e do propósito de quem tem o dever de governar e a obrigação de saber governar   -   uma Freguesia, um Município, um País   -   Portugal!

 

Diverte-me contemplar o triste espectáculo de pretensos democratas, soberbos falsos arautos de bons ventos e bem-aventuranças políticas para a NOSSA TERRA a empenharem-se, cretinamente, em dissimular   -    com jactância de isenção, de honestidade, e de independência, e com uma pirotecnia de falsos propósitos, de aldrabices, de disparates, de palavreado oco   -      o compromisso da sua submissão aos mais altos, secretos, discretos e indiscretos interesses pessoais e partidários!

 

Mal entram no Paço do Duque, os «faroleiros» políticos de CHAVES ficam logo mais inspirados e apressados para destruir do que para criar. (Bem, nem políticos são, embora pretendam ser admitidos e admirados como tal: apenas conseguem tomar de outros uns «tiques» e uns «toques» pantomineiros!).

 

Esses pingentes aprenderam a falar sem que alguém os perceba e aperfeiçoaram-se no hábito de não servirem para nada!

 

Gosto da NOSSA TERRA!

 

Das parcelas que compõem e integram Portugal, ninguém se atreverá a pôr em dúvida como CHAVES, a NOSSA TERRA sempre foi das mais generosas e das mais sacrificadas.

 

E custa-me a ingratidão, o desleixo e a insolência, até, com que tem sido tratada, particularmente, na nossa época.

 

O grande obstáculo ao desenvolvimento de CHAVES, da NOSSA CIDADE, reside muito menos nos seus recursos naturais e muito mais nos vícios e caprichos ideológicos de quem a tem administrado! Por aí, anda espalhado demasiado dinheiro tão mal acompanhado e tão mal aplicado por tão poucas e tão pobres ideias!

 

Na verdade, nas décadas mais recentes tem sido aviltada, e mais ainda com as cínicas pantominas de uma Auto-estrada que a diminui para Vila Real e um Casino que nada diz à cidade e à Região. Este é um enclave da estratégia gananciosa dos «reis de qualquer coisa»; aquela assemelha-se ao atalho de Efialtes e que ajudou à «sangria» de importantes estruturas de apoio e desenvolvimento da Região.

 

E a UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro) é uma treta: é a Universidade de Vila Real (Parabéns aos da «Bila»! Que têm sabido muito bem aproveitar esse mimo, e desfrutar de uma Instituição de crescente prestígio que os deixa cada vez mais babadinhos!...)!

 

E para que se note ainda mais a usurpação que tem sido feita, e continua a fazer-se, aos legítimos merecimentos da NOSSA TERRA,  aponto-vos a desfaçatez, porque constante, de um autarca metropolitano a reclamar tudo e mais alguma coisa para a sua autarquia, como se só ela fosse o Norte de Portugal!

 

E o que mais me custa ainda, repetindo-o, é termos por aí, e daí, uma caterva de solertes traidores, uns merdosos que envergonham a honra e o brio das ancestrais qualidades dos Transmontanos.

 

Videirinhos, têm sorte em que os da capital, sendo da mesma cepa, lhe aparam    -   e dão cobertura   -    o jogo.

 

Obrigam a população em idade activa a procurar a sobrevivência noutras paragens, ficando por aí um punhado de «resistentes» e os mais indefesos e menos capazes de os enfrentar   - idosos, jovenzitos e crianças.

 

Claro, para apoio, arregimentam sempre um punhado de rendidos e uma mancheia dos da mesma laia.

 

Como se tem verificado ao longo dos anos, a gente gentalha que tem sido eleita tem governado mesmo de acordo com os interesses dos eleitores?

 

Aquilo que a maioria dos flavienses, e dos portugueses, tem feito com o seu voto é contribuir para a eleição de pronósticos impostores, que, na realidade, vão representar os que lhes financiaram as boémias eleiçoeiras e lhes facilitam e concedem as maiores mordomias.

 

E os governos   - nacional, regionais e autárquicos   -     com o que é que se mostram mais preocupados?

 

Está à vista, não está?!

 

Para onde caminha a nossa Democracia, quando nela se notam assustadores sintomas ora de oligarquia, ora de plutocracia, ora de cleptocracia, mentitocracia, e que outros, menos suaves nas palavras, classificam como «bandidocracia»?!

 

Por mim, encontro melhor propriedade em chamar-lhe “mediocrecracia”!

 

Veja-se a quantidade de dirigentes e dirigentezinhos políticos que, na realidade, nunca exerceram uma profissão (ou se a exerceram, nela nunca passaram da cepa-torta e ou se o fizeram foi por um período que mal deu para aquecer o lugar!) e que encontraram na politiquice o mais importante modo de vida! 

 

Infelizmente, cá nesta terra do “Jardim das Berlengas”, não é exigido «exame de aptidão» para se entrar na política!

 

A falta de competência, de estudo, de talento é disfarçada com o chavão de «progressistas»!

 

A subida na vida, para eles, não está no «pulso», mas, sim, no obedecer e aplaudir o «chefe» …de «gabinete», da «concelhia», da «distrital», da «nacional», e na colheita de vantagens e benefícios que a impunidade consente!

 

Os flavienses, os portugueses, têm de se tornar mais conscientes do ambiente político e histórico que os envolve, darem-se conta da carga e do bombardeio de manipulação a que estão submetidos, e fugir do delírio com que são infectados!

 

Aos flavienses, aos portugueses, urge acabar com a indiferença à verdade e com o aplauso aos pantomineiros vestidos, ou travestidos, de políticos!

 

Quantas vezes me vem à lembrança, por laivos de comparação, ditados pela decadência da nossa cidade, a fraqueza dos «Judenrats»!

 

E, tal como a minha amiga Johanna Arendt, também eu me espanto: “Os nossos inimigos sabemos de sobra quem são; surpreende-nos a reacção dos nossos conterrâneos (amigos)”!

 

Por que há tanta gente a quem lhe custa mudar o seu voto, e tente aceitar os erros do seu Partido político ainda que tenha estado e continue vítima das suas injustiças e asneiras?!

 

Também eu, suspirando e lutando “por um mundo melhor”, tenho por convicção não devermos «esperar por uma deusa da História ou por uma deusa da Revolução para introduzir melhores condições nos assuntos humanos»: devemos, sim, “produzir e experimentar, de modo crítico, as nossas ideias quanto ao que podemos e devemos fazer agora   -   e fazê-lo agora”!

 

Aos mais descuidados, esclareço não estar empenhado no restauro do Passado, mas, sim, comprometido com o respeito ao Passado e em contribuir para um Futuro diferente!

 

Este, o Futuro, nunca é a continuidade, tampouco uma versão alargada do Presente.

 

Não abdico, não renuncio, não denuncio o meu compromisso com a História.

 

Não sou Sócrates nem Aristipo, mas flaviense de todo o coração, para poder insurgir-me contra os desmandos e desleixos de quem administra, e tem administrado, a “cidade”!

 

Sou um português, um normando-tamegano e um flaviense que deseja conservar do Passado aquilo que me parece bem!

 

A minha agenda cultural e social não coincide com a agenda política de Partidos políticos decadentes, com cheiro a mofo, cartelizados.

 

Deixo-vos com Hanna Arendt: - “O mal pode destruir o mundo, porém, profundo e radical só pode ser o bem”!

 

M., quatro de Abril de 2019

Luís Henrique Fernandes, da Granginha

 

14
Mar19

A pertinácia da Informação

a pertinacia.png

 

Este sistema não presta!

 

Contava alguém, como quem diz: Era uma vez…

 

«O nosso avô gostava imenso de nós, como de resto a grande parte dos avós, fazia-nos sempre uma festa quando nos via – o que também era raro. Todos os avós, em geral, mimam os netos como se estes fossem umas criaturas fofas até qualquer idade. Mas, um dia, o meu falecido avô disse algo que me deixou, no mínimo, baralhada. Em conversa com o meu pai, acerca das tarefas agrícolas, mais concretamente sobre a falta de ajuda e como recorria a nós, as suas duas filhas, para colmatar essa falta, o meu avô disse: - As raparigas não prestam!

 

Naquele instante, julguei que o nosso amável avô estava apenas a tentar aliviar-nos da carga de tarefas que nos impediam de estudar e brincar como crianças. Enganava-me, pois na verdade o que o nosso amável e doce avô pretendia explanar era que do seu ponto de vista achava mesmo que “as raparigas não prestavam”, pois as raparigas tinham uma “utilidade limitada” a tarefas que não faziam a fortuna da casa, isto claro, se não dessem para o torto e “aparecessem em casa de barrigada[1]”! Pois, porque as raparigas eram isso mesmo, uma espécie de investimento de fundo perdido.

 

greve8M_3.jpg

Fotografia de Lúcia Pereira da Cunha

 

Obviamente, conservava a sua opinião em simultâneo com as “festas enormes” que nos fazia, como de resto qualquer avô que gosta das suas netas. Para que fique claro ao leitor: o avô gostava de nós, mesmo que fossemos raparigas.

 

- Até podem ser trabalhadoras, sim é verdade!- admitia ele. Mas nunca levariam para frente nem o nome nem a casa de família. Ele, ao menos tinha tido sorte, teve muitos rapazes, a não ser a minha mãe e minha tia.

 

Claro que o meu pai não concordou completamente com ele! Prova disso foi que continuou a levar-nos para fazer todas as inumeráveis tarefas no campo, na construção… contudo sempre a pedir-nos que escondêssemos a porcaria do cabelo dentro do boné e para assim termos um aspeto menos feminino.»

 

Ironia à mistura, este era um relato qualquer, em qualquer sítio.

 

greve8m_2.jpg

Fotografia de Lúcia Pereira da Cunha

 

Com estas e outras experiências aprende-se, mesmo que não se queira, aprende-se com a observação com a imitação, como explicam Brandura e posteriormente Miller & Dollard, todo o contexto e interação social determinam a aprendizagem.

 

“Uma vergonha!” - Dizia Bruno Vitorino acerca das sessões de esclarecimento para sensibilizar alunos de 11 anos sobre diferentes orientações sexuais. Dizia ele e diria o nosso avô! Claro que é uma vergonha e um perigo iminente, correndo-se o risco de se educar mesmo para a igualdade e para a não descriminação, ou ainda e muito pior: para uma vivência saudável da sexualidade!

 

Conseguimos construir a sociedade que queremos através da educação. Para educarmos precisamos saber que sociedade pretendemos construir. Nós sabemos que queremos uma sociedade em que se possa viver em liberdade, em paz, em solidariedade e unidos na diferença. Mas será que o regime patriarcal em que vivemos quer isso?

 

Quantas vezes ainda vamos ouvir: “As raparigas não prestam para isso.”, “Se fosses menina ias fazer ballet…”, “Aqui é melhor não contratarmos mulheres!”, “Para este posto de trabalho fica bem uma menina”… ? São estas coisas pequenas e sem importância e tantas outras que vamos repetindo todos os dias que vão construindo a sociedade.

 

Há cabeças que pensam de uma forma assustadora que sempre me faz duvidar se estão a falar a serio. Tenho sempre esta reação com racistas e o mesmo ar chocado com os e as machistas. Mas a sociedade continua a contribuir para essa reprodução de estereótipos através das escolas, através dos programas televisivos, através da própria justiça!

 

Este sistema não presta!

 

Lúcia Cunha Pereira

 

[1] Barrigada: Ficar gravida.

 

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