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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Jun18

Outeiro Seco - Chaves - Portugal

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Em Chaves há dois Outeiros, ou melhor, há muitos, mas com Outeiro como topónimo só há dois. Outeiro Jusão e Outeiro Seco. No último sábado estivemos em Outeiro Jusão, hoje vamos até Outeiro Seco. E a respeito dos Outeiros, recordemos o que disse no último sábado:

 

Se é “outeiro” está num alto, e tendo como apelido jusão, deveria estar para baixo. Aparentemente uma contradição, pois jusão significa “para baixo”, “para jusante”, ou seja num alto para jusante, encaixa na perfeição em Outeiro Jusão, isto se tivermos em conta o Rio Tâmega,  a veiga de Chaves e a própria cidade de Chaves, ou seja o outeiro que está ao lado do rio a jusante da veiga e de Chaves, e faz sentido, não só porque o localiza como o diferencia do outro outeiro a montante de Chaves e do rio, ou seja Outeiro Seco, ambas povoações muito antigas.

 

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Pois para Outeiro Seco não tenho qualquer teoria para a origem do topónimo, ainda por cima nem é muito outeiro nem muito seco, aliás até tem um riacho que passa pelo meio da aldeia. É certo que nos anos mais secos o riacho seca, mas qual é o riacho que resiste a um ano de seca? Poderá ser que a origem do topónimo tenha a ver com a localização do povoado antigo, mas isto são tudo suposições que não têm qualquer valor, por isso, passemos à frente, entremos em Outeiro Seco.

 

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Outeiro Seco que já tem passado aqui no blog algumas vezes, não só pela aldeia no seu todo mas também com alguns post´s dedicados em exclusivo ao Solar dos Montalvões. Hoje também não vai ser exceção. Assim, o post terá dois andamentos, o primeiro dedicado à aldeia e o segundo dedicado ao Solar dos Montalvões. Iniciemos pela aldeia e freguesia de Outeiro Seco, que hoje em dia vem a ser a mesma coisa, embora nem sempre tivesse assim sido.

 

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Aldeia e Freguesia de Outeiro Seco

 

Não vamos ser muito exaustivos nesta abordagem, tanto mais que a aldeia já foi abordada aqui várias vezes,  onde então deixámos muita coisa sobre a aldeia. Hoje faremos uma abordagem diferente, por exemplo supondo que alguém ia visitar Outeiro Seco e nos perguntasse o que lhe aconselhávamos a ver e visitar. Pois bem, é por aí que vamos e a quem me perguntasse, recomendar-lhe-ia entrar pela clássica entrada de Outeiro Seco, a mais antiga, junto à veiga e mais ou menos paralela ao Rio Tâmega e dir-lhe-ia para logo na entrada da aldeia parar e apreciar umas alminhas que lá existem do lado direito. Quem anda comigo na recolha de imagens já sabe que eu sou fã de alminhas, não só por ser um traço do nosso ser português, mas porque realmente as acho interessantes, e estas de Outeiro Seco merecem uma vista de olhos de apreciação.

 

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Pois a partir das alminhas recomendar-lhe-ia ir a pé para logo a seguir parar na Igreja Românica da Srª da Azinheira. Aqui para parar com tempo, apreciar os seus pormenores tipicamente românicos, como as imagens esculpidas nos beirais, mas também a porta principal, e no seu interior, deixar-se invadir pela frescura do espaço enquanto aprecia os frescos das paredes e toda a intimidade da igreja. Mesmo que não seja lá muito católico, aproveite o espaço para meditar em qualquer coisa e deixe-se lá ficar um tempinho. Valerá muito mais que uma sessão de psicólogo ou psiquiatra, suponho eu, pois nunca fui a nenhuma…

 

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Depois da Srª da Azinheira é só atravessar a estrada e subir o pequeno outeiro (se calha é daqui que vem o topónimo a aldeia) e aí encontrará uma pequena capelinha cheia de história, a Capela de Stª Ana, construída em cima de um altar rupestre. Para ver mais pormenores sobre a história destes locais recomendar-lhes-ia que dessem um vista de olhos ao post completo sobre a aldeia, publicado em 30.10.2010 (https://chaves.blogs.sapo.pt/552520.html).

 

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Pois de seguida recomendaria que seguisse a Via Sacra até ao seu final, a terminar num outro outeiro, já após a Escola de Enfermagem, que há pouco tempo atrás era também Polo da Universidade de Trás-os-Montes, que hoje é só Universidade de Vila Real. Mas dizia eu que recomendaria atravessar toda a aldeia seguindo a Via Sacra, com muitas paragens pelo caminho, quer para apreciar algum casario ainda tipicamente transmontano e rural que foi resistindo à modernidade, mas também para apreciar a Igreja Paroquial com torre sineira dupla e construída com pedra à vista, mas também a Capela da Senhora do Rosário e a Capela de Nossa Senhora da Portela e também recomendaria visitar a Capela de Santa Rita, se ainda existisse, pois foi vandalizada e de capela pouco restou, ou nada mesmo.

 

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Pelo caminho recomendaria ainda visitar as ruinas do Solar dos Montalvões, com um lamento, que foi igualmente vandalizado com a sua capela (Santa Rita) e o tempo, desprezo e falta de manutenção, encarregou-se de tornar ruinas aquilo que foi um solar- Mas mais à frente falaremos disso. Pelo caminho há ainda umas inscrições curiosas e bem interessantes em padieiras de portas e janelas, em casas particulares. Tanques e fontes também há, uma casa de Turismo Rural, e o largo da Mesa de Pedra onde há sempre alguém que poderá contar a história da mesa e do largo.

 

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Claro que pelo caminho há sempre gente para conversar, que felizmente Outeiro Seco ainda é uma aldeia com gente e vida. A proximidade da cidade e bom acesso à mesma, facilitou que a sua população não abandonasse, mas também que surgissem novas construções que também levou gente nova para Outeiro Seco. Já dos investimentos municipais que por lá se fizeram – Escola de Enfermagem e Parque Empresarial, com Plataforma Logística, Mercado Abastecedor e Parque Industrial, pouco ou nada mexeram com a aldeia, a não ser o terem ficado sem os terrenos onde tais empreendimentos foram construídos, e depois há que dizer a verdade, tal como muitos previam, a grande maioria dos lotes do Parque Industrial não foram ocupados, e quanto Ao Mercado Abastecedor e Plataforma Logística nunca entraram nem nunca irão entrar em funcionamento como tal, mas sabemos que tem outras funcionalidades, mesmo estando à margem de empreendimentos e economias…

 

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Para além  da modernidade, que não é sinónimo de progresso, Outeiro Seco vai mantendo e bem a sua ruralidade e algumas tradições, o cultivo dos campos mas também alguma pecuária vão alegrando os campos e vestindo de verde as terras, mas não só, pois na primavera vai sendo um regalo para a vista ver alguns prados floridos. De tradição, destaca-se a sua festa anual de 8 de setembro, ainda com toda a sua tradição e importância, sendo uma das maiores festas populares do concelho, que, todos concordarão comigo, mete as festas da cidade de Chaves num bolso.

 

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Solar dos Montalvões

 

O restante texto irá ser acompanhado de imagens do solar que eu fui tirando ao longo dos anos. Infelizmente só iniciei essa recolha em 2006, no entanto consegui algumas imagens da família Montalvão de datas anteriores.

 

Como todos os solares, este, também estava ligado a uma família, no caso, a família Montalvão, daí, ser o Solar dos Montalvões. Na sua descrição, conforme consta na página de património arquitetónico do governo (http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=35397)  e registada com a referência IPA.00035397 é a seguinte:

 

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Data desconhecida

 

Solar dos Montalvões

IPA.00035397

Portugal, Vila Real, Chaves, Outeiro Seco

 

Casa nobre de planta quadrangular irregular, com pátio central, composta por alas construídas em diferentes épocas do séc. 17 e 18, resultando numa planimetria e volumetria irregular, com nítidas diferenças de tratamento e má articulação espacial. O núcleo mais antigo corresponde, provavelmente, ao corpo da cozinha, a sul, a que se acrescentou, na primeira metade do séc. 18, a ala este e norte, dando origem a casa de planta em U. Este foi fechado pela ala oeste, com zona residencial, já construída em 1762, data em que o proprietário pede licença para construir a capela, no ângulo sudoeste, só concluída pela viúva, em 1784. A ala poente transforma-se assim na fachada principal, com ala residencial tardo-barroca, evoluindo em dois pisos e mezanino superior, com pilastras marcando três panos, rasgados por vãos abatidos, o central com portal, sobreposto por brasão, e janela de sacada e os laterais com janelas de peitoril, sendo o mezanino aberto por óculos. O portal brasonado acede ao pátio central, o piso térreo era destinado a lojas e o segundo aos salões nobres, não existindo, contudo, escada interior de interligação ou exterior de acesso a esse espaço mais público da casa, o que exigia ser acedido a partir da cozinha ou pela zona dos quartos, atravessando toda a parte privada. A capela tem já linguagem rococó e maior riqueza decorativa, com a fachada terminada em frontão de lances, e portal de verga reta entre duplas pilastras, suportando o entablamento e frontão curvo interrompido por vão. No interior, possuía retábulo em talha policroma e dourada, de planta côncava e três eixos, de estilo rococó, com influência da Escola de Braga. As restantes alas são mais irregulares e mais baixas, com vãos retilíneos ou abatidos, possuindo escadas de acesso no topo da ala norte e na ala sul, nesta por sul e pelo pátio, onde a guarda é decorada com aletas. No interior, o piso térreo era destinado a lojas e o andar nobre a habitação, com tetos de apainelados de madeira, e cozinha. O vão decorado e datado de 1782, aberto virado ao pátio na ala oeste, pertenceria a uma janela de varandim ou de sacada ou a um portal, à frente do qual não se construiu a escada.

 

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Fotografia da família Montalvão - 1990

 

Ficou atrás a descrição do que era o Solar dos Montalvões, pois hoje são apenas ruinas, na prática apenas se mantêm as paredes de pedra exteriores e algumas, as interiores mais espessas, também de pedra, tudo o resto ruiu, graças a uma série de razões que só nos podem deixar envergonhados, tais como atos de vandalismo de vândalos, falta de manutenção por parte dos proprietários e indiferença, também por parte dos proprietários, da Junta de Freguesia e da população.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2006

 

A história do seu declínio conta-se em meia dúzia de palavras.

 

Após a morte do seu último proprietário habitante, os herdeiros da família Montalvão, em 31 de julho de 1987,  venderam o solar à Câmara Municipal de Chaves por 20.000 contos (aproximadamente €100.000,00 na moeda atual). Um bom negócio para a Câmara Municipal ainda para mais tendo em conta os fins a que se destinava, pois o Solar e a quinta destinar-se-ia a receber as instalações de um Polo da UTAD-Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro, e penso que a intenção era real, pois em 27 de junho de 1997, solar e quinta foram doados UTAD. O facto é que desde a compra do solar, que à altura da compra estava em bom estado de conservação, o mesmo fechou as suas portas e nunca mais as abriu, fosse para o que fosse, nem sequer para a necessária manutenção que todas as construções exigem, sobretudo se estiverem desabitadas. E dia a dia, o edifício ia-se degradando, e dado que “aquilo” deixou de ter dono que cuidasse dele, as coisas agravaram-se com atos de vandalismo aos quais Câmara Municipal, Junta de Freguesia e população assistiam impávidos e serenos a situação.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2006

 

A Universidade viria aí e encarregar-se-ia de reconstruir aquilo tudo. Só que não veio, nunca veio e por parte dos políticos da terra também não houve força e se calha também interesse, em que a Universidade viesse. Vai daí, em 13 de setembro de 2007, o doado foi dado por não doado e o Solar regressa a propriedade da Câmara Municipal de Chaves. A partir de aí a pedra instalou-se definitivamente no sapato da CMC. O que fazer com o Solar? Vai para sede disto diziam uns, para isto diziam outros, para aquilo, diziam outros tantos. Fizeram-se levantamentos, estudos, planos, promessas e o Solar continuou na sua de caiar aos bocadinhos, primeiros as telhas, depois vandalizaram a capela, as silvas invadiram a escadaria e cobertura e acabaram por derrubá-la, a estrutura de madeira das coberturas ruiu sobre os soalhos, os soalhos ruíram sobre o chão e as silvas invadiram o interior do Solar. O que fazer do Solar?

 

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 Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2007

 

 A questão continuava, ideias muitas, projetos a avançar nenhum. Venda-se! Entretanto alienou-se parte da quinta para a Escola de Enfermagem, para um campo de futebol, para a construção de não sei que que ficou quase pelos alicerces e o resto da quinta para lixeira municipal, que em tempos, segunda informação dada neste mesmo blog pelo Presidente da Junta ou Ex-Presidente (já não sei bem), aquilo não era lixo, mas sim depósito de materiais para futura reutilização… Venda-se! E em 2012, “O Solar”, apenas o solar, pois a quinta já tinha ido à vida,  foi a hasta pública pelo valor de €260.500,00, para a qual apareceu uma proposta de €100.500,00 abaixo da base, e daí ter sido excluída. Nesta fase do campeonato, ao Solar, apenas lhe restam as paredes estruturais de pé, que a continuarem assim, nem estas resistirão. Na ausência de ideias para o imóvel, ponha-se de novo à venda! E em 14 de fevereiro de 2014, a Câmara Municipal  delibera de novo por o Solar à venda por €236.600,00, com a aprovação da proposta por maioria, com a abstenção do vereador do Partido Socialista, o qual apresentou uma declaração de voto, a saber:

Sobre o assunto em apreciação, usou da palavra o Vereador do Partido Socialista, Senhor Eng. João Adérito Moura Moutinho, tendo apresentado, por escrito, a seguinte declaração de voto: Somos de parecer que o lote A (Q.ta dos Montalvões) não deve ser vendido, pelos seguintes motivos:

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2010

 

  1. Valor histórico do edifício.
  2. Localização do mesmo e dimensão do prédio rústico.
  3. Património imobiliário presentemente com baixa valorização.
  4. Haver perspetivas de aí poder ser instalado o Pólo Universitário de Chaves, através da celebração de parcerias com outras instituições para além da UTAD. - Este último ponto para nós é de extrema importância, pois ainda continua no nosso horizonte, dotar esta cidade com um Pólo Universitário de excelência, nos diferentes domínios do saber, focado principalmente na área da engenharia. É de referir que a nossa cidade é das poucas que não têm um Pólo Universitário, digno desse nome, possuindo o concelho e região do AT um elevado número de estudantes na área da engenharia, que têm de sair da sua região. Esperamos que este executivo autárquico não desista da prossecução deste objetivo.

 

Palavras e sonhos bonitos que de nada adiantaram, pois a proposta já estava aprovada.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2011

 

Então venda-se o Solar  €236.600,00 em hasta pública, só que ninguém se chegou à frente, não houve interessados e a hasta pública ficou deserta. Segundo a Lei vigente, nos termos do disposto na alínea c), do nº2 do Artigo 81º do decreto-Lei nº 280/2007, de 7 de agosto – Regime do Património Imobiliário Público -, pode ser adotado o ajuste direto, para a realização da venda, quando a praça da hasta pública tenha ficado deserta. Pelo que, mediante a Proposta nº 60/GAP/2014, aprovada pelo executivo camarário na reunião de 09 de junho de 2014, o Presidente da Câmara ficou legitimado a entabular, institucionalmente, diligências em vista a serem encontrados potenciais interessados na aquisição dos imóveis objeto do procedimento público que ficou deserto.

 

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Altar da Capela já propriedade da CMC, ainda com o altar 

Data desconhecida - Foto da Família Montalvão

 

Tudo bem se não fosse a data dos acontecimentos, pois esta deliberação é tomada em pleno fim de mandato e na prática já em campanha eleitoral autárquica e aconselharia o bom senso e até talvez a ética que tais decisões não se tomassem em períodos de campanha eleitoral. Mas enfim, se a Lei o permite, esteja correta ou não, há que acatá-la e vai daí que o Sr. Presidente da Câmara António Cabeleira, para o efeito, ao abrigo do disposto no nº 2, do Artigo 105º do citado regime jurídico, com as necessárias adaptações, remeteu convite, no dia 06 de abril de 2016, para apresentação de proposta, nos precisos termos das normas disciplinadoras do procedimento de alienação, aprovadas pelo competente órgão municipal, à sociedade “Flavigrés, S.A.”, com sede em Chaves, e a Mário Manuel Garcia, residente em Vallorbe, Suíça, para apresentação de proposta tendente à aquisição dos imóveis. Azar do c, da coisa, “Durante o prazo concedido para o efeito, nenhum dos agentes económicos convidados apresentou proposta para a aquisição dos ditos imóveis”.

 

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Altar da Capela - 2016

 

 

Volta tudo à estaca zero, mais eis que o Sr. Presidente, num ato de magia, saca de um trunfo da manga, não sei como, mas descobre o Dott. Matteo Arthur Colombo me Bresso, na Itália e faz-lhe um convite para aquisição do Solar. Assim, no dia 04 de setembro de 2017, ao abrigo da credencial administrativa que lhe foi conferida, foi, mais uma vez, encetada diligência tendente à alienação dos aludidos imóveis, mediante a expedição de convite para apresentação de proposta de aquisição ao agente económico Dott. Matteo Arthur Colombo, com morada na Via del Molino, 29, 20091 Bresso (Milão), Itália, nos termos oportunamente definidos. No prazo definido para apresentação da proposta – 13 de outubro de 2017 -, veio o empresário convidado, sócio e gerente único da sociedade “SOLAR INVESTMENT – Imobiliária, Lda.” – NIPC 514567520, responder ao convite formulado, apresentando proposta global de aquisição, dos ditos imóveis, pelo valor de €221 220,00 (duzentos e vinte e um mil, duzentos e vinte euros), a qual veio a ser registada nos serviços municipais sob o nº 2017, DCG, E,G, 7507, de 22-09-2017. 8. Tal proposta, consubstanciando a intenção de adquirir os imóveis sitos em Outeiro Seco, e conhecidos por “Solar de Outeiro Seco e “Eira”, inscritos na respetiva matriz predial urbana sob o artigo 123º e na matriz predial rústica sob o artigo 4945º, descritos na Conservatória do Registo Predial sob os números 504/19870728 e 3519/20090311, iguala o valor base da “hasta pública”.

 

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Altar e teto da Capela - 2016

 

Embora no documento se diga que a proposta iguala o valor base da hasta pública, na verdade, nas condições de alienação dos bem imóveis definidos em fevereiro de 2014, tal valor era de €236 600,0, a diferença não é grande, apenas de €15.380, e talvez, dado o estado lastimável em que se encontravam os restos do Solar, tivesse sido considerado um pequeno desconto.

 

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Solar dos Montalvões - Alçado Sul - 2016

 

Facto: O Solar foi vendido ao  Dott. Matteo Arthur Colombo que a sociedade SOLAR INVESTMENT – Imobiliária comprou.

 

Diz-se p´raí: Que vão la fazer uma unidade hoteleira de luxo.

Pois Deus queira que sim, que se faça alguma coisa digna naquele espaço e daquele solar, no entanto, na venda do imóvel não havia nenhuma cláusula que obrigue o novo proprietário a fazer o que quer que seja, se quiser até o pode reconstruir e por uma luzinha vermelha na porta de entrada… ou pôr pratos prontos a comer do tipo “El Rancho a la transmontana”, com estacionamento privativo…

 

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Solar dos Montalvões - Interior - 2016

 

 

Alguns post’s blogs que ao longo dos tempos foram dando conta do que se passava em Outeiro Seco e com o Solar dos Montalvões:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/outeiro-seco-solar-dos-montalvoes-nos-1340988

http://ruinarte.blogspot.com/2014/08/solar-da-familia-montalvao-outeiro-seco.html

http://velhariasdoluis.blogspot.com/2009/10/outeiro-seco.html

https://andanhos.blogs.sapo.pt/reino-maravilhoso-patrimonio-em-46837

https://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ruinas-do-solar-dos-montalvoes-765443

https://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/arte-ou-vandalismo-ruinas-do-solar-742033

http://velhariasdoluis.blogspot.com/2010/05/como-era-interior-da-capela-do-solar.html

 

As fotos que não são de nossa autoria, são ou foram retiradas do blog “Velharias” de Luís Montalvão.

 

 

 

06
Fev16

Outeiro Seco - Solar dos Montalvões nos Monumentos.pt

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Em março de 2006, ou seja quase há 10 anos, publicava a fotografia que atrás vos deixo com o seguinte comentário:

 

“ (…) Quanto à foto, trata-se do Solar dos Montalvões, propriedade da Câmara Municipal e que foi adquirido para instalação da tal universidade que ainda nunca passou do projecto, prevendo-se que nesta bela mas também degradada construção, seja instalada a Reitoria da tal (universidade). (…)”

 

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Pois passados 10 anos deixo-vos a foto atual e atualizo o texto que então deixei: “Quanto à foto, trata-se dos restos do Solar dos Montalvões, hoje em ruinas onde só as paredes exteriores e paredes mestras de pedra teimam em manter-se de pé. O edifício é propriedade da Câmara Municipal tendo sido adquirido há mais de 20 anos com a intensão de lá instalar a Reitoria de uma universidade que seria construída no terreno anexo ao solar. Passados 20 anos, nem universidade nem solar…”, Fica então as fotos atuais do Solar e de seguida vamos ao que hoje interessa:

 

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Há poucos dias atrás fui alertado pelo autor do blog http://velhariasdoluis.blogspot.pt/ que o Solar dos Montalvões, em Outeiro Seco, passou a fazer parte do inventário nacional do património cultural, informação que se encontra on-line no site http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser, onde se faz toda a história e descrição do solar, num trabalho assinado por Paula Noé, 2015. Vale a pena passar pelo sítio dos monumentos.pt (link que vos deixo atrás) para ficar a conhecer (em palavras) o Solar.

 

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Pois só me podia congratular com a notícia e com a inclusão do Solar dos Montalvões no Inventário Nacional do Património Cultural, pois de facto é(ra) merecida esta inclusão, só lamento que o Solar já não esteja a altura de merecer tal honra, pois hoje já não nos podemos referir ao Solar dos Montalvões, mas antes às ruinas do Solar dos Montalvões. Contudo satisfaz-me saber que consta nos monumentos.pt nem que seja para fazer corar de vergonha os responsáveis de hoje termos ruinas em vez de um solar do qual todos nos poderíamos orgulhar de ter. E este parágrafo ficaria politicamente correto se o tivesse terminado no ponto final anterior, mas os culpados, embora sem nomes personalizados, têm nomes, e a ordem dos culpados não interessa, pois todos têm a sua quota parte de culpa:

 

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Então são eles a Junta de Freguesia de Outeiro Seco por nada fazer (NADA) ao ver o evoluir da sua degradação, das pilhagens e os atentados que contra ele se praticaram durante mais de 20 anos. À Junta de Freguesia temos de acrescentar a população de Outeiro Seco, por tal como a Junta de Freguesia nada (NADA) fazer quanto à proteção do seu solar, denunciando e exigindo pelo menos a sua manutenção, para além de saírem do seu seio os atentados e pilhagens ao solar, incluindo á capela. Igualmente culpada a Câmara Municipal porque além de ser a proprietária do Solar, nada (NADA) fez quanto à sua conservação e por último, uma vez que se trata de um edifício municipal, responsabiliza igualmente a população em geral, todos nós, porque o património municipal é de todos os munícipes, pelos menos responsabilizava todos aqueles que tinham conhecimento do evoluir da degradação do Solar.

 

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E o mal do Solar e de hoje ele estar em ruínas está mesmo em ser um edifício municipal, que é de todos, ou seja, que infelizmente não é de ninguém em particular, o que na mente da grande maioria, se é de todos e está abandonado, está perdido e daí se poder fazer dele o que cada um quer, abusar dele, pilhá-lo e destrui-lo ou deixar que se destrua sem nada fazer. Para além de ser um problema de formação penso mesmo que também é um problema cultural dos tempos de hoje em que o antigo comunitarismo e respeito pela coisa pública se transformou no exagero do individualismo com amor apenas por aquilo que é apenas nosso, pessoal.

 

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Claro que há exceções e seria injusto senão as referisse aqui, pois há pelo menos três pessoas que através dos seus blogues têm denunciado o evoluir da degradação do solar, além de contribuir para a história e memória do mesmo. São eles o Blog “Velharias” de Luís Montalvão, o Blogue “Outeiro Seco AQI” de Humberto Ferreira e eu próprio com este blog, pelo menos desde 2006, em:

 

18-3-2006 - http://chaves.blogs.sapo.pt/75874.html

1-5-2010 - http://chaves.blogs.sapo.pt/496213.html

30-10-2010 (1ª parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/552520.html

30-10-2010 (2ª Parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/552941.html

30-10-2010 (3ª parte) - http://chaves.blogs.sapo.pt/553035.html

23-10-2011 - http://chaves.blogs.sapo.pt/701105.html

29-8-2014 - http://chaves.blogs.sapo.pt/solar-da-familia-montalvao-outeiro-1110812

16.5.2015 - http://chaves.blogs.sapo.pt/outeiro-seco-rural-e-urbana-1227760

 

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Mas também, e por coincidência, ontem mesmo ficava aqui um “ Discurso sobre a cidade” de autoria de A.Souza e Silva em que na última parte do “discurso”, ilustrada com uma foto do Solar dos Montalvões, alertava para este mesmo mal (em geral) que vem castigando o nosso património e não será demais repetir as suas palavras, mesmo que ainda ontem aqui tivessem ficado:

“ (…) património construído, rural e urbano (do Alto Tâmega e Barroso e, especialmente, o do concelho de Chaves). Grande parte dele é hoje já, manifestamente, ruínas. Em pouco tempo, se nada fizermos, nada restará senão pó e cinza.”

 

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E continuava:

“Não está apenas na nossa mão inverter esta tendência global que crassa pelo país fora em termos da delapidação daquilo que nos verdadeiramente identifica - a nossa memória histórica e coletiva.”

 

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“Mas, certamente, está nas mãos de todos os flavienses refletirmos sobre o nosso meio urbano e, principalmente, o meio rural. Para decidirmos o que nele perspetivamos em termos de futuro. Cuidando do património que estamos a deixar cair em ruínas. Respeitando a memória do seu tempo. Inventando novas valências, pondo-as ao serviço do tempo presente e do futuro.”

 

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Para terminar assim: “Deixarmo-nos cair na apatia e na indiferença é desinteressarmo-nos pela nossa própria identidade. É apressarmos a nossa «morte» como flavienses orgulhosos que devemos ser da nossa terra e da grandeza da nossa história.”

 

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Subscrevo na íntegra estas palavras do discurso de ontem e, se valer de alguma coisa, nem que seja para refletir, ficam também as imagens que há dois dias atrás tomei nas, hoje, ruínas do Solar dos Montalvões.

16
Mai15

Outeiro Seco Rural e Urbana

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Hoje como é dia da nossa ruralidade vamos até Outeiro Seco. Não sei se ainda será muito correto dizer que ir até Outeiro Seco é ir até à nossa ruralidade, pois na prática é mais uma freguesia urbana ou da periferia urbana da cidade, não só pela sua proximidade mas também por algumas infraestruturas que por lá foram criadas e por alguns males que também sofre graças às mesmas.

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Mas crescimento nem sempre é sinónimo de desenvolvimento e Outeiro Seco foi uma das aldeias que ganhou urbanidade e cresceu mas que perdeu o melhor que tinha na essência do ser aldeia, principalmente no que respeita ao seu património edificado, mesmo sendo uma das aldeias protegidas pelo PDM.

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Mas o que mais dói foi ter perdido uma das suas joias, o Solar dos Montalvões, que a continuar a sua degradação será impossível um dia recuperá-lo, se é que ainda é possível.

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Também o crescimento levou consigo os males que lhe costumam estar associados, principalmente os dos crimes ambientais que constantemente têm sido denunciados na blogosfera, principalmente no blog http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ que tem dedicado a maioria dos seus posts à vida de Outeiro Seco.

 

29
Ago14

Solar da família Montalvão - Outeiro Seco - Chaves

Hoje vou reproduzir na íntegra, com a devida autorização do autor, um post de um blog que fala de nós, do nosso património. Desde que tive conhecimento desse post, congratulei-me mais uma vez pela existência da blogosfera, dos blogs e a sua contribuição para, com independência, trazer as verdades a lume, por muito cruéis que elas sejam. Gratuitamente prestam um autêntico serviço público de informação e fazer história que deveria caber aos media, se não estivessem tão dependentes do poder e o poder não fosse na maioria das vezes o responsável pelas desgraças denunciadas.

 

Pois hoje vem ao blog, mais uma vez, o Solar dos Montalvões de Outeiro Seco e logo por um blog de referência na matéria que se tem dedicado precisamente a mostrar o abandono daquilo que temos de melhor, o nosso património.

 

O post que vos deixo foi publicado há uns dias atrás (dia 27 de agosto) no blog RUIN’ARTE, de autoria do fotógrafo Gastão de Brito e Silva e tal como aparece no rodapé do título do seu blog se tem dedicado na blogosfera à:

 

HISTÓRIA MAL ACABADA. ARQUITECTURA DESLEIXADA, CULTURA MAL AMADA. PATRIMÓNIO INCOMPREENDIDO. PAISAGENS SEM SENTIDO.

 

 

Fica então na íntegra uma cópia dos post publicado no RUIN’ARTE no dia 27 de agosto onde para além da boa fotografia do estado atual do Solar dos Montalvões se faz muita da história do mesmo e dos seus antigos proprietários.

 

 

Solar da família Montalvão – Outeiro Seco - Chaves  

 

 

Pela longa e boa amizade que mantenho com alguns elementos da família Montalvão, há muito conhecia algumas histórias deste solar. Devia-lhe por isso uma visita e ruinosa intervenção, que pela distância entre este monumento e o meu Quartel General, foi adiada até uma oportuna viagem ao Norte, animada pela companhia do JJR e do bom amigo Dr. Mário Freitas, tornando possível este velho sonho que tive o privilégio de viver.

 

 

 

Uma vez que este monumento não está sequer cadastrado pela DGPC, toda a pesquisa histórica teria ficado comprometida sem a preciosa ajuda de um dos seus ilustres descendentes, o nosso amigo e seguidor, D. Luís de Montalvão, a quem devo este texto perfeitamente tecido, onde as memórias ainda vivas desta nobre casa contrastam com a sua triste realidade.

 

 

Certamente muitas perguntas ficarão por responder, e muitas lacunas não serão aqui preenchidas, é no entanto necessário não deixar de referir que o abandono a que foi votada deveria ser criminalizado por incúria autárquica e crime de lesa património...ah, se ao menos tivesse uma parede pintada pelo Miró... aqui vos deixo o contributo do amigo Luís, para que possam ter uma vaga ideia do tesouro que todos os dias definha sem que nada se faça ou alguém aja em nome de todos nós...

 

 

Situado no Concelho de Chaves, freguesia de Outeiro Seco, o Solar dos Montalvões foi um edifício erguido ao longo de pelo menos duas centenas de anos, provavelmente entre os séculos XVII e XVIII e com algumas adaptações feitas no XIX.

 

 

É um enorme bloco que se desenvolveu em torno de um pátio interior, segundo um modelo arquitectónico velhíssimo, vindo ainda de um tempo anterior a Roma e cujas várias fases construtivas são visíveis por diferenças estilísticas na fachada ou no interior, pelas diferenças de nível entre os vários corpos, separados entre si por pequenos degraus e ainda através de algumas fontes bibliográficas, arquivísticas e epigráficas, que atestam os vários períodos de construção da casa.

 


A casa que na região é conhecida por Solar dos Montalvões, família cuja história se liga ao edifício por um período de quase 250 anos, pertencia originalmente à família Álvares Ferreira, conforme nos indica José Timóteo Montalvão Machado, no livro os Montalvões, e terão sido eles os construtores iniciais do solar, isto é, dos lados Sul, Nascente e Poente. Aliás, o brasão que se encontra na fachada nobre apresenta as armas dos Álvares Ferreira e não dos Montalvões. 

 

 

Ainda segundo José Timóteo Montalvão Machado foi um membro desta família, o Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira (morto em 1738) o grande construtor do solar, como o atesta o facto de ter várias e extensas cavalariças nos baixos da casa (corpos Nascente e Norte). 

 

 

No entanto pelas diferenças de nível entre estes dois corpos e a cozinha, presumimos que algumas partes sejam anteriores à vida do Capitão de Cavalos José Alvares Ferreira, portanto em pleno século XVII. Talvez a parte mais antiga da casa seja o corpo Sul, que corresponde ao que foi a cozinha.

 


Os Montalvões só aparecem nesta casa em 1746, quando uma jovem de catorze anos, Antónia Maria de Montalvão Morais (1732-1809), casou com  Miguel Alvares Ferreira (1716-1779), filho do já referido capitão de cavalos, José Alvares Ferreira. Desde essa época, até aos dias de hoje, o nome Álvares Ferreira foi caindo aos poucos e vingando o apelido Montalvão, uma família com origem na vizinha Galiza e que se passou para Portugal, no tempo do domínio dos Filipes.

 

 

É do tempo de vida desse casal, Miguel Miguel Álvares Ferreira e Antónia Maria de Montalvão Morais, que devem ter tido uma existência economicamente desafogada, que  temos mais documentos e notícias acerca de grandes obras no Solar. 

 

 

Conforme documentação existente no Arquivo Distrital de Braga, sabemos que entre 1761 e 1762, Miguel Alvares Ferreira, requereu autorização para erigir a capela do solar, sob invocação de São Salvador do Mundo, em cumprimento de um voto de sua mãe, Maria Sobrinho. Este processo, cujos documentos tinham a missão de provar que o casal tinha bens para financiar a construção da capela e assegurar a realização de uma missa perpétua por alma de Maria Sobrinho, descreve parte das construções já existentes, demonstrando-nos que em 1762, o corpo poente do solar, a fachada nobre, já estava concluída.

 


"...as cazas do doante …confinão e correm com duas ruas publicas ambas com cunaes, solio e frizio e cornija Huma pello norte, e outra que corre pello poente com estrada mais publica para o sul adonde tem hum arco bem feito e bastantemente alto, e no meyo remate huma pedra de armas das asendesias do doante e por este arco se entra para o patteo das cazas, e nesta parte que pega acima das ao patteo e he munto capaz, e corre para o Sul pretende fazer a Cappella com porta para o poente"- No entanto, as obras da capela, que é o corpo arquitectónico do solar com um tratamento mais cuidado, foram só concluídas em 1784, já depois da morte de Miguel Álvares Ferreira (1779), pela sua viúva Antónia Maria de Montalvão Morais, que a 29 de Abril desse ano pediu provisão para benzer e consagrar a capela, a “qual se acha perfeitamente acabada”, conforme se pode ler no respectivo processo no Arquivo Distrital de Braga.  

 

 

Também é do tempo desta Senhora, Antónia Maria de Montalvão Morais, que se constrói a escada interior do pátio de honra, em 1782, conforme se pode ver pela data da verga da porta e se encomenda também o sino da capela, em 1790, e que hoje se encontra a salvo da destruição na Capela de Nossa Senhora do Rosário, na mesma povoação de Outeiro Seco.

 

 

Acerca da talha que ornamentava a capela, hoje pilhada e retalhada nada se sabe, mas era de excelente qualidade, a julgar por fotografia antigas. Creio mesmo que terá sido concebida por André Soares (1746-1769), o grande arquitecto ou entalhador bracarense, ou talvez por algum dos seus discípulos, embora essa hipótese careça de provas documentais.

 

 

 

Estes são os dados mais objectivos acerca da cronologia da construção do Solar, que não é uma peça arquitectónica de excepção, como o Solar de Mateus ou Palácio da Brejoeira, mas é um exemplar muito representativo do tipo de casas que a fidalguia rural mandava construir em Trás-os-Montes nos séculos XVII e XVIII. 

 

 

 

Embora não contasse com peças de mobiliário de excepção, o seu recheio era significativo. Possuía uma importante biblioteca, localizada num dos salões do corpo nobre do solar, que contava com cerca de 1900 títulos, o que era muito para a época, onde avultavam muitas edições dos séculos XVIII, XVII e ainda quinhentistas, sendo que algumas das obras eram raras. 

 

 

Foi vendida pela família ao desbarato no início dos anos 80 a um alfarrabista de Lisboa. Desta biblioteca, conservou-se apenas o catálogo. Também num dos salões nobres existia aquilo que a família chamava um museu, que na verdade era aquilo que tecnicamente se designa por um gabinete de curiosidades, formado por muitos objectos arqueológicos, etnológicos e colecções de filatelia e numismática. 

 

 

Foi sobretudo constituído por um dos habitantes da casa, o Padre José Rodrigues Liberal Sampaio (1846-1935), um homem extremamente culto, um jurista, um pregador, um arqueólogo, um numismata, um jornalista, enfim um polígrafo, como se diria no século XIX.

 

Foi sócio da Academia das Ciências e da Sociedade Portuguesa de Arqueólogos, correspondia-se com homens eminentes, como o Abade de Baçal ou o arqueólogo Mendes Correia e no seu tempo, a casa tornou-se um pequeno centro de saber, tendo recebido entre outros intelectuais a visita do arqueólogo José Leite de Vasconcelos. 

 

 

Todo esse espólio foi disperso pelos vários membros da família. Esta casa  transmontana foi também o palco dos amores ilícitos entre José Rodrigues Liberal Sampaio e a senhora da casa, Maria do Espírito Santo Ferreira Montalvão (1856-1902), uma fidalga que teve a coragem de assumir a relação com um clérigo e de viver maritalmente com ele e dele ter tido filhos. 

 

 

Não foi um escândalo tão grande como os amores de Ana Plácido e Camilo, mas sem dúvida viveram com coragem uma paixão camiliana. Maria do Espírito Santo está sepultada na casa, na capela, apesar de em 1902, já ser expressamente proibido sepultar os mortos dentro das igrejas.  

 

 

Em 1912, o Solar de Outeiro Seco viu também passar os militares da segunda incursão de Paiva Couceiro, que em fuga para Espanha, abandonaram muitas armas pela propriedade da casa, sendo algumas delas recolhidas e conservadas no museu da família. 

 

Nesse período, a casa foi revistada pelas tropas republicanas e José Rodrigues Liberal Sampaio, um monárquico convicto, esteve alguns dias escondido num quarto secreto do Solar, até conseguir fugir para Espanha. 

 

 

 

A família manteve-se orgulhosamente monárquica e a bandeira azul e branca esteve hasteada na casa durante toda a república. Só nos anos 30, já no Estado Novo, quando o presidente Carmona visitou o Solar, alguém se lembrou que os tempos já eram outros e a bandeira foi recolhida para o chamado museu.

 


A Casa continuou a ser ocupada por José Maria Ferreira Montalvão (19-05-1878/24-5-1965), filho dos amores ilegítimos do padre com a fidalga, um grande proprietário, o homem que pagava maior contribuição autárquica de todo o distrito de Vila Real, e que assegurou até à sua morte a vida de um grande domínio agrícola, quase feudal, de uma forma autoritária, mas ao mesmo tempo paternalista e generosa, a acreditar nos testemunhos de quem ainda se lembra dele na aldeia de Outeiro Seco.

 


Depois da sua morte, a casa ficou desocupada e entrou num lento processo de declínio. Os seus descendentes venderam em 1986 o Solar à Câmara Municipal de Chaves, sem acautelar o seu destino e a respectiva utilização. 

 

 

As imagens da capela deram entrada no Museu Municipal de Chaves, algumas delas estão hoje expostas no Museu de Arte Sacra de Chaves, mas o Solar foi pura e simplesmente abandonado à sua sorte pela edilidade flaviense.

 

 

Vagabundos instalaram-se na casa, acenderam fogueiras que queimaram os pilares e fizeram ruir a estrutura. A talha da capela foi  pura e simplesmente pilhada. Por ordem ou iniciativa de sabe-se-lá-quem, diversa cantaria foi retirada da casa e espalhada por vários pontos da aldeia. No pátio rural em frente à cozinha foi instalado um palco feito com pedra da casa e muito, muito cimento.

 


Enfim, é um processo longo, triste e inexplicável de incúria por parte da autarquia de Chaves, que deixou ruir um dos edifícios mais interessantes do Concelho.

 

 

 

Perante tanta tristeza, fica a memória do tempo em que a casa era uma espécie de senhorio feudal, uma honra, em que bastava que alguém segurasse a aldraba da porta principal do pátio, para ficar fora do alcance da justiça régia.

 

O meu Pai, que não é ainda tão velho como isso, recorda-se de na sua meninice ouvir falar ainda de um senhor muito velhinho, fugido da justiça, que se refugiou no Solar e terminou ali os seus dias. Hoje, o Solar dos Montalvões é apenas um dos muitos e banais exemplos, de que quase todos se estão nas tintas para o património cultural.

 

 

26
Ago13

Rescaldos dos últimos incêndios

Incêndio de Outeiro Seco

Tal como já referi, ontem não me foi possível sair de casa mas hoje fui fazer o ponto da situação e saber o porque da cidade de Chaves ter estado debaixo de fumo. Claro que os medievais romanos do Tabolado não tinham força para tanto fumo, mas a esses já lá vamos a seguir.


Ontem à tarde (domingo) - Abobeleira

Trago quatro imagens de dois incêndios: - o de sexta-feira de Outeiro Seco, já extinto e o de ontem e hoje (pois reacendeu) na zona da Abobeleira que ao que pude apurar teve início na freguesia de Calvão.

 

Pelo rastro que deixaram e que tão bem se pode ver numa das fotos, ambos os incêndios estiveram à beira de entrar pelas povoações dentro mas (penso) que felizmente não entraram, mas que deixaram cheiro a esturrado, lá isso deixaram.


Incêndio de Outeiro Seco

Esturrado em todos os aspetos, primeiro no cheiro e nas cinzas que não os desmente depois o do tal negócio da época dos incêndios, agora agravado por uma crise de mando ou de quem manda e nesta, estou inteiramente solidário com os bombeiros, ou quase inteiramente, pois nunca convém metermos as mãos no fogo, agora quanto à proteção civil, essa, sempre me cheirou a um grande, mas grande negócio, sem nada (na prática) que possa argumentar a favor da sua existência. Talvez a sua existência se justifique na teoria, mas de teóricos andamos nós fartos…

 

Ontem à tarde (domingo) - Abobeleira - visto das Traseiras do Casino


Estranho também ver nestes incêndios bombeiros de todo o país. Há dias, no Incêndio das Nogueirinhas vi bombeiros de Matosinhos e Leixões. No de ontem eu vi bombeiros de Coimbra mas disseram-me que também viram por aí os de Sesimbra, entre muitas outras corporações de outras localidades.  



26
Ago12

Outeiro Seco - Chaves - Portugal

 

Hoje vamos mais uma vez até Outeiro Seco, que por sinal é uma das aldeias que mais tenho fotografado, mas, nas publicações que aqui deixo acabo por cair quase sempre nos mesmos motivos, e a razão é simples, caio sempre naquilo que Outeiro Seco vai tendo de melhor.

 

As capelas, o Igreja Medieval, o cruzeiro e o Solar dos Montalvões, mesmo estando este último em ruínas, ainda vai deixando à vista o ar da sua graça, ou pelo menos da graça que teve, pois embora ainda fotogénico, mete dó o seu estado atual, tal como a quinta que o acolhe.



Quanto ao casario, que se desenvolveu fundamentalmente ao longo da estrada, embora até em PDM tenha núcleo protegido, algumas intervenções menos felizes deram cabo da uniformidade daquele que poderia ser considerado casario tradicional rural, e não são só as intervenções mais recentes, pois algumas suponho serem já dos anos 50 a 70. E tanto assim é, que pessoalmente não vejo razão para ter núcleo protegido, aliás não é caso único, pois penso que os dedos de uma mão devem chegar para as aldeias que hoje em dia mantêm ainda núcleos com interesse.




Assim não admira que embora o meu arquivo até esteja recheado de fotos de Outeiro Seco, as que passam por aqui acabem quase sempre por serem da Igreja Medieval e do Solar, isto dentro daquilo que são os meus gostos, claro, pois as modernidades nas aldeias não me seduzem muito.



23
Out11

Outeiro Seco e o que resta do Solar dos Montalvões

 

Tal como ontem, hoje continuo a recorrer ao meu arquivo fotográfico para vos trazer aqui algumas imagens e, se às vezes dá gosto percorrer e rever as imagens de arquivo (não muito antigo), outras vezes revolta ver aquilo que ficou registado. É o caso de hoje.

 

São imagens de uma das construções, um solar neste caso, que há coisa de 20 anos atrás, embora desabitado, era uma das construções mais nobres e bonitas do género (solares) que existia no concelho de Chaves. Pertença da família Montalvão (Montalvões de Outeiro Seco) que o cuidou e manteve na sua integridade e beleza até que foi vendido nos anos oitenta à Câmara Municipal de Chaves, para aí acolher uma universidade. Se a ideia era nobre depressa caiu por terra e as razões são conhecidas por todos. Na época o futebol era mais importante que as universidade e enquanto o povinho andava contente e enganado com os grandes feitos de um Desportivo na primeira divisão, à margem, negociava-se… mas não eram universidades.



Com a compra do Solar dos Montalvões de Outeiro Seco, começou também a sua decadência e como passou a ser coisa pública (ou da Câmara que é a mesma coisa), o Estado (ou a Câmara), que olhasse por ele. Mas não olhou. Acontece que embora coisa pública, também é património, e de interesse, e como tal, para além de ser coisa pública, é de todos nós e de quem lhe está próximo, ainda muito mais. Mas não. Não foi. A Junta de Freguesia que deveria ser a primeira a preservar o seu património, além de fechar os olhos à degradação do solar em nada entreviu para o salvar e nas poucas intervenções que fez ( e se não fez foi com o seu conhecimento) foi para destruir parte das construções anexas existentes no seu pátio exterior. Mas não só o Estado (Câmara e Junta de Freguesia) são culpados, pois o povo de Outeiro Seco também o é, directa ou indirectamente. Directamente nas pilhagens e vandalização do solar, com mais significado na sua capela da qual apenas sobraram as paredes e, indirectamente responsável ao não denunciar os culpados do vandalismo e pilhagens, bem como o estado moribundo do solar. Ninguém fez nada por salvá-lo da ruína e se gente houve que ousou, as suas vozes foram silenciadas e pela certa não lhe faltaram dedos apontados.

 

 

Custa-me sinceramente ter este tipo de discurso num blog que até se propunha mostrar aquilo que temos de bom, mas denunciar também é um dever de cidadão, principalmente quando é de património que se trata e, se esse património é público, então o nosso dever da denúncia aumenta. Talvez agora que todos nós somos culpabilizados e penalizados pelos erros que os políticos foram cometendo nestas últimas décadas nos comecemos a dar conta que denunciar é preciso e que a coisa pública, quando é para pagar, também é nossa.

 

Claro que no presente caso (Solar dos Montalvões) apenas indirectamente contribuiu para a crise financeira actual, pois nele não foi gasto um único tostão (agora cêntimo) para além do valor de aquisição, mas perdeu todo o seu valor ao adquirir o estatuto de ruína, mas já ao lado, na freguesia, foram gastos uns milhões largos de euros em instalações, infra-estruturas e acessos que não funcionam e todos estamos a pagar. Mais valia nada terem feito e terem dispensado meia dúzia de euros para, pelo menos, não deixar degradar o Solar de Outeiro Seco.

 

 

Já sei que estas palavras vão fazer alguma comichão a  alguma gente, mas têm bom remédio – que se cocem e enquanto o fazem podem aproveitar para contabilizar a sua quota de culpa na situação.

 

Ainda antes de terminar tenho que fazer aqui mais um apontamento, pois estava a ser injusto, pelo menos para uma pessoa, que nesta fita até faz o papel de bom e é outeirosecano. Trata-se da pessoa que em boa altura se deu conta que os santos da capela do solar não estavam seguros e intercedeu para que fossem retirados e guardados na Câmara Municipal, onde ainda penso estarem em bom estado de conservação, mas como sempre destes pequenos mas grandes feitos não vai rezar a história e nela, como a maior parte das vezes, ficam apenas registados os feitos e nomes dos que menos merecem, mas que têm ou tiveram influência para nela constarem.

 

Ao meia dia temos por aqui mais um conto do mundo que acabou, de autoria de Herculano Pombo.

 

 

05
Nov10

Crónicas Ocasionais - Ainda Outeiro Seco em Jeito de Comentário

 

 



“Mau homem é aquele que sabe receber um benefício e

não sabe devolvê-lo

 

 

 

 

O BLOGUE “CHAVES”, da autoria do Senhor FERNANDO RIBEIRO, tem dedicado com todo o empenho os Post(ai)s do fim-de-semana às ALDEIAS FLAVIENSES.


Claro que a vaidade de cada um faz com que se considere SEMPRE atrasada a reportagem acerca da sua.


Normalmente, os que menos contribuem para o engrandecimento da «sua terrinha», são os mais lépidos a exclamar:


- “Até que enfim!”.


E, quando aqui lhe chega a vez, empanturram o seu Ego de secreto orgulho e obesa vaidade ao confundir a ressonância do nome e dos atributos da sua ALDEIA, com ao eco que deseja para o seu nome    -   o seu EU.


É assim com muitos dos que visitam este BLOGUE   -   aqueles que de maneira alguma têm uma palavra de reconhecimento para quem, desinteressadamente, dá a conhecer o seu torrão natal     -   quer seja na Caixa de comentários, quer por e-mail, por telefone, pessoalmente, ao autor do Post(al); quer seja no local de reunião ou de encontro ocasional com qualquer amigo, «compadre, ou  companheiro circunstancial.


Alguns buscam e rebuscam uma falha, um  lapso,  um erro, para desfazer do trabalho apresentado, pois encontram mais satisfação glandular e espiritual na oportunidade do desdém  hipócrita do que numa palavra de felicitação para quem lhes deu algum consolo bairrista, lhes consolou a saudade com a lágrima caída, lhes deu motivo para começar o dia com um “Bom Dia!” mais jovial , logo ao primeiro amigo, colega ou conhecido que encontre.


Mas também há os que se comovem, se sentem felizes e que, mesmo sem letras ou palavras, elevam o seu agradecimento.


A satisfação de se ver AQUI uma menção a uma ALDEIA, seja ela qual for, não toca só o coração dos naturais e/ou moradores da mesma     -   todo o bom e genuíno FLAVIENSE, NORMANDO TAMEGANO e TRANSMONTANO fica contente por mais uma oportuna divulgação de um pedacinho da NOSSA TERRA.


Porém, os engajados em compromissos espúrios, os nombrilistas,  os invejosos, e os ingratos arranjam sempre um enviezado pretexto para denegar o mérito e a grandeza de quem os beneficiou.


O comentador de Outeiro Seco revelou ser uma pessoa de má fé.


Confunde a sua ALDEIA com o seu Eu.


O seu comentário revelou os altos níveis de escatol transportados no seu auto-convencimento e nos meios que utiliza para alcançar os seus fins.


Lamentamo-lo, pois, apesar de algumas divergências conceptuais (necessariamente superficiais que ambos entendemos), esperávamos (como visitante deste BLOGUE),  esperávamos mesmo, outro tipo de comentário do sr. RIO de OUTEIRO SECO.


Como sinal de despedida (do comentário) dedicamos ao sr. Altino Rio o pensamento:


 

-“ A gratidão, como o leite, azeda, caso o vaso que a contém não esteja escrupulosamente limpo”.

 

 

Tupamaro

 

 

 

03
Nov10

Mais Altino Rio...

Hoje era para haver feijoada, mas não vai haver, pois temos mais Outeiro Seco ou Altino Rio, com um pedido de publicação em defesa da sua honra.


Pois meu caro Altino vou publicar a tua resposta, à qual não vou responder, pois não entro nesse tipo de jogo de ping-pong que vós políticos tanto gostais. Não vou por aí, pois o que tinha a dizer sobre Outeiro Seco já foi dito. Poderás continuar a comentar o que quiseres que não me arrancas nem mais uma palavra de resposta, tanto mais que deturpas tudo aquilo que eu digo e usas do jogo que me acusas, o tal  das rasteiras sub-reptícias. Pois como sabes ler (isto a respeito do cicerone) recomendava-te uma leitura mais atenta e tranquila daquilo que eu escrevi sobre quem foi o meu cicerone, pois parece-me que o que lês, não é bem igual àquilo que eu escrevo.

Meu caro, da minha parte acaba aqui o jogo de ping-pong,  não vou por aí e nem quero converter este blog num “chat de compadres”.


Assim, e para que a tua honra se componha, dou-te toda a razão do mundo e mais alguma, se a houver. Podes ficar com a bicicleta, com os pedais, com as rodas, a caixa dos remendos, a câmara-de-ar suplente e com a campainha, principalmente esta, pois pode dar-te jeito para te anunciar antes de chegares aos locais… e depois, a nossa conversa não iria chegar a nenhuma conclusão além de estar a entrar num tom muito baixo que não é lá muito do meu agrado…


Pois aqui fica o teu texto na íntegra, porque eu publico-os, mas será a última vez que terás direito a tempo de antena numa resposta em post, pois este blog tem a sua vida própria e dispensa bem este tipo de coisas, no entanto, terás sempre a caixa de comentários ao teu dispor.


Lá diz o ditado popular que não há pior cego que aquele que não quer ver….  E com esta me vou, naquilo que a ti diz respeito, para sempre.

 

P.S.  - Mas continuo a aguardar um convite teu para fotografar os Santos nos respectivos altares.

 

 

 

Em defesa do honra agradeço a publicação deste texto, se possível nos mesmos moldes da tua resposta
Sempre ao dispor
Altino Rio

Caro Fernando Ribeiro
Agradeço a excepcionalidade da tua resposta, facto que muito me honra. Temos alguns interesses e gostos comuns, divergências saudáveis ou quem sabe pela luta das audiências…assim ganharás mais visitantes e poderás comemorar publicamente os milhões de visitantes.

Este meu escrito (pois tenho muito mais que fazer em prol da minha terra) poderá ser útil para repor a verdade, para não confundir e dividir as pessoas.
E assim algumas e breves informações e considerações:

- Quando me referia a um dos cicerones tratava-se do Humberto Ferreira (este é que tem um contencioso com a Autarquia) e nunca o Carlos Félix. Conheço-o há muito mais tempo que tu e dele tenho a maior consideração. Por isso nada de confusões nem rasteiras sub-reptícias.
Se me tivesses convidado para cicerone daria o meu melhor: levava-te a conhecer os lagares cavados na rocha, sepulturas (bem visíveis e identificadas), ao altar celta (um dos maiores achados arqueológicos - em fase de homologação – consultar Dr. Manuel Martins), abria-te as portas das igrejas e capelas, pois os habitantes suprem as carências estruturais sistémicas. Mas caso quisesses ver mais defeitos do que apontaste é lógico que te levaria a muitos outros sítios para serem denunciados (que não é a mesma coisa que contribuir para serem resolvidos)…não tenhas dúvidas que faria isso.
Quanto aos postes e fios pelo ar concordo contigo em boa parte. Sempre me meteu confusão. Fiz o que estava ao meu alcance para inverter na resolução desta situação, realizei candidaturas e diversas diligencias….conseguimos inverter algumas situações mas muito pouco. Mas mais importante que a beleza, o conforto destes meio para todos os utilizadores faz-me mais feliz. Fruto das modernidades.
Quanto ao Solar e Quinta o meu trabalho, enquanto cidadão, responsável associativo e autárquico fiz o que estava ao meu alcance para rentabilizar este património. A Casa de Cultura dinamizou durante anos o pátio dos Montalvões , (através de um protocolo com a UTAD ) com animação e cultura: 2 representações do “Ramo” – Auto de Natal, cafés concerto todas as sextas-feiras de Verão, festejos diversos, teatro…; o Solar foi apresentada uma proposta para museu etnográfico, como já referi e a Quinta tem um projecto global. Essa de meter os projectos na gaveta é mesmo muito cinismo: que o governo de Sócrates abra um dos programas de apoio e a construção do lar, em 3 anos, garanto-te que será concluida. E outros projectos para lá previstos seriam uma realidade se o interior não continuasse a ser desprezado por governantes que apenas privilegiam o litoral.
Continuo a pensar que o folhetim a que te referes é de má qualidade por só conter inverdades. Quando se emite uma opinião sobre factos tem de se ouvir ambas as partes. Pergunta então ao Padre da localidade, um homem culto, que ele te informa. Quanto à venda do folhetim pela AMA, por favor não violentes as pessoas. Diz mal das entidades que nos apoiam e somos obrigados a vende-lo? Valham-nos os Santos mesmo os que ainda não estão nos altares.
Com que então a Quinta dos Montalvões é publica….já ouvi essa teoria noutras ocasiões. Então se é entendes que é publica porque criticas quem deita lá os desperdícios? Se é de todos…A proprietária é da Autarquia e pode programar as obras como bem entender. Os desperdícios não degradáveis serão utilizados nas futuras obras...isto é que é pensar à distância. Olhemos para a lua e não para o dedo. Uma vedação opaca resolveria a questão…vou sugerir ao Presidente da Autarquia, Dr. João Batista, para não ferir tanto as susceptibilidades tão requintadas de gente fina. Oxalá tenha razão…mas à semelhança da Avenida da Enfermagem/Utad, do muro e da via sacra as outras obras serão realidade com gente que tem ideias, projectos e os concretiza.
Quanto à divulgação dos meus blogues agradeço a publicitação, tudo menos lugar das comadres, pois tem mais comentaristas residuais que o teu, e outras coisas melhores (coerência com o editorial) tomando as devidas proporções 1:40.
Quanto ao teu ultimo texto nada a comentar. Não me toca...sempre subi a pulso. Não tenho culpa da tua “fortuna”.


Altino Rio

 

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      Com o devido respeito, o nome destas localidades, ...

    • Anónimo

      Caro Fernando Ribeiro. Agradeço as suas diligência...

    • Anónimo

      (Esta (só?!...) placa não merece «Re-qua-li-fi-ca-...

    • Fer.Ribeiro

      Não sei mas vou tentar saber. Abraço.