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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

24
Jun19

O Barroso aqui tão perto - Paradela do Rio

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No “Barroso aqui tão perto” de hoje, vamos até Paradela, ou melhor, até Paradela do Rio,  embora o rio, Cávado, estacione lá para se transformar em barragem.

 

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Pois Paradela do Rio tem calhado inúmeras vezes nos nossos itinerários para outros destinos, no entanto, para se conhecer Paradela do Rio, não basta passar por lá, é necessário pararmos, entrar pela aldeia dentro, aquela que não se vê das estradas que atravessam, aí sim, está a alma desta aldeia, um pouco alheia até à barragem que lhe tira algum protagonismo ao absorver nela os olhares de quem passa.

 

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E quando digo parar, é parar mesmo, sem pressas, sem relógios a incomodar, os pormenores assim o exigem e as pessoas da aldeia também, pois nunca ficamos verdadeiramente a conhecer uma aldeia se não conhecermos as pessoas que as habitam, pois são elas que fazem os lugares.

 

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E embora já tivesse passado por lá muitas vezes e parado algumas, parar-parar verdadeiramente só o fizemos uma vez, em dia de Chuva, por sinal não muito boa companhia, isto porque molha e atrapalha os nossos movimentos, contudo, compensa no brilho e momentos que dá à fotografia.

 

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Paradela do Rio que fica numa das fases de transição entre os tais Barrosos que existem dentro do Barroso. Aliás se passarmos o paredão da Barragem para a margem direita do Cávado, onde o Rio deixa de ser barragem para de novo ser rio, parece que entramos num outro mundo, um mundo mais despido, mas nem por isso menos interessante e ainda o poderia ser mais, se as barragens não roubassem ou desviassem a água do seu leito natural.

 

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Coisas da modernidade, felizmente não tanto como Torga chegou a “profetizar”, mas que deixou marcas de um Barroso antes e depois das barragens, principalmente para as aldeias mais próximas, como é o caso de Paradela do Rio.

 

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Mas deixemos então aqui aquilo que Miguel Torga disse no seu diário, isto em 1956:

 

Paradela do Rio, 1 de Junho de 1956

 

Estes tempos de barragens são uma verdadeira era nova do mundo. Qualquer dia, na escola, o mestre aponta o mapa e diz:

- Antes do período albufeirozóico, aqui era o Barroso.

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

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Ainda antes de entramos na aldeia e nos seus pormenores, vamos saber onde fica Paradela do Rio e como chegar até lá. Já sabem que o nosso ponto de partida é sempre a partir da cidade de Chaves.

 

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Pois Paradela do Rio fica a 57Km de Chaves e tal como o apelido do topónimo indica, “do rio” é porque há um rio próximo e esse, é o Rio Cávado, rio que entra no topónimo da maior parte das povoações que estão próximas dele, e Paradela não é exceção.

 

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Esse mesmo Rio Cávado, pode-nos  servir de orientação para lá chegar, basta seguir pela estrada que vai seguindo nas suas margens, primeiro pela margem esquerda e depois pela margem direita e finalmente outra vez pela margem esquerda, mas como o rio nasce na Serra do Larouco, por aqui ainda o caudal é pequeno e a vegetação nem sempre o deixa ver, assim, o melhor é mesmo seguir as placas indicativas da estrada.

 

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Pois para o nosso itinerário, partimos de Chaves pela estrada municipal do São Caetano/Soutelinho da Raia até Montalegre. Ao chegar a Montalegre temos de optar em passar pelo centro da vila para tomar um café e dar uma vista de olhos, ou então seguimos pela variante à vila, esta sim sempre ao lado do Rio Cávado ali mesmo ao lado e bem visível, pelo menos inicialmente.

 

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Se seguiu pela variante é seguir sempre em frente até chegar a Sezelhe. Aí há um cruzamento que no nosso itinerário é para ignorar e seguir em frente, via Travassos do Rio, Covelães, Paredes do Rio e Outeiro, sempre pela Estrada Municipal 308. Em Outeiro começa a avistar a Barragem de Paradela, no final da qual será Paradela do Rio.

 

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Vai dar conta que está em Paradela do Rio quando chegar a uma rotunda com um cruzeiro no meio, aí, para conhecer a aldeia mais antiga, deverá tomar a segunda ou terceira saída da rotunda e o casario mais antigo começará a aparecer, depois é deixar-se caminhar pelas suas ruas à descoberta da Paradela do Rio.

 

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Claro que recomendamos ver tudo, mas nunca esquecer de ver o casario mais típico, as fontanários, a igreja com duas torres sineiras, uma na própria igreja (sem sino) e outra separada, entrando no átrio, todo em cubos e lajes de granito, reparará que está a caminhar sobre as campas do antigo cemitério, aliás as lajes de granito não são mais que as tampas das sepulturas, a maioria com inscrições fúnebres.

 

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Em vários pontos do seu itinerário pelo interior da aldeia, terá oportunidade de ver algumas vistas parciais da aldeia, todas elas interessantes e quer vá por lá de Inverno ou Verão , reparará que as cores dominantes são o verde dos campos e o vermelho alaranjado dos telhados.

 

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Quanto à aldeia, embora sempre com gente e com movimento nas estradas, também não é alheia ao despovoamento e ao envelhecimento da população.

 

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Passemos agora àquela parte daquilo que os documentos e a história diz sobre Paradela do Rio. Como sempre é obrigatório deitar uma vista de olhos à monografia de Montalegre onde por exemplo se refere:

 

Barroso constitui um mosaico de paisagens edénicas. Podemos dizer que em cada canto há um novo encanto. Basta percorrer as nossas estradas municipais ou vicinais através do planalto para redescobrirmos mil recantos admiráveis.

A título de exemplo referimos a estrada de Fafião a Cabril e daqui aos Padrões ou a Cela e Sirvoselo; o trajecto de Paradela do Rio a Outeiro e Parada; a travessia da Mourela com visita ao Mosteiro de Pitões e à extinta freguesia de São Vicente do Gerês ou ao São João da Fraga; a visita a Tourém que tanta importância teve durante a Idade Média no seu relacionamento com o castelo da Piconha e o Couto Misto através do caminho neutral; uma viagem a Cervos, Arcos e ao célebre e celebrado Pindo – mau passo do inevitável acesso à ribeira-tâmega que foi valhacouto de ladrões e malfeitores; uma passagem, ainda que breve, por capelinhas carregadas de história e lenda, do sagrado e do profano, de mistério  e dogma, de misticismo e magia:

 

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E continua:

“Alvas ermidinhas sob azuis magoados,

vejo-vos de longe numa adoração,

 como ninhos brancos de ideal pousados

Lá nesses fragosos montes escalvados,

onde não há água nem germina o pão.

 

“Lá nos altos montes sem trigais nem vinhas,

Sem o bafo impuro que dos homens vem,

É que a Mãe de Cristo com as andorinhas

e as estrelas d´oiro mesmo ali vizinhas,

Num casebre térreo se acomoda bem.”

 

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Ainda na Monografia de Montalegre:

 

Talvez nenhuma outra região europeia tenha tão perto e tão diferentes seis barragens à sua espera: Salamonde, Venda Nova, Paradela, Salas (Tourém), Seselhe e Pisões

 

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Ainda na monografia quanto aos ilustres do Barroso:

 

Justiniano da Silva Fidalgo (séc. XIX), filho de um almocreve, nasceu a 5 de Outubro de 1882, na típica aldeia de Ponteira, freguesia de Paradela do Rio. Entregaria bem longe a alma ao Criador: faleceu na cidade de Ludlow ( Massachussets, EUA) ,em 23 de Novembro de 1942. Homem possante, ganhou fama na aldeia e nas terras em redor, graças a proezas atléticas que o levariam até Lisboa, onde continuou a exibir-se em façanhas de grande exigência física. O atlético barrosão embarcaria, então, para os Estados Unidos da América, país em que a sua vocação ganhou asas, a ponto de se tornar campeão de luta livre (catch-as-catchcan), passeando a sua classe de lutador indomável pelas três Américas.

In “Montalegre terras de Barroso” de Manuel Dias.

 

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E continua quanto à riqueza paisagística:

Riqueza paisagística

É absolutamente única e lamenta – se que há milhares de pessoas que nos visitam e não tomam conhecimento destas riquezas ! Locais a visitar: - Margem esquerda do Alto Cávado ( entre S. Pedro e Paradela) – o carvalhal espontâneo; - O Ourigo (entre Castanheira, Montalegre e Cambezes ) – mancha de folhosas exóticas; - Serras do Larouco, Barroso e Mourela – matos de carqueja e urze! - As piscinas naturais da Abelheira – a oeste de Paradela, no Gerês! - As turfeiras – em áreas lagunares de montanha – Mourela e Gerês! - A rota dos lameiros de regadio: da Pedreira de Pisões, Vila da Ponte até ao Santuário de N.S. de Fátima e ribeiras de  Travaços – Covelães. - A rota das barragens.

 

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E claro, também a referência às barragens e ao PNPG:

As barragens do Parque Nacional da Peneda Gerês

Está-se assim na periferia do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), cuja entrada acontece um pouco mais à frente, junto à central hidroeléctrica de Vila Nova de onde  se pode contemplar o majestoso panorama da barragem de Salamonde. Curva após curva, ao longo da EN 308, surgem vistas de sonho. Cabril, Santo Ane e Fafião são nomes de aldeias a não esquecer. Em Fafião visite o Fojo do Lobo, os lagares de azeite, aprecie a gastronomia de montanha (o javali), contemple os penhascos da majestática Serra do Gerês, delicie-se com a panorâmica do Vale do Cávado e repouse à sombra dos pinheirais. De Cabril subimos pelo Miradouro da surreira do meio-dia, passamos na terra do navegador Cabrilho – Lapela. Se estiver calor dê um mergulho nas cascatas de Cela de cavalos e siga até Sirvozelo, aldeia integrada na “ rocha”. Em Paradela, sobressai o espantoso dique da barragem erguido entre dois morros graníticos com mais de 100 metros de altura. Ao longo da estrada vêem-se bem vivos os sinais da terra do Barroso, na capucha das mulheres, nos cornos do gado barrosão ( hastes em lira) e no ambiente intensamente verde e fresco que há - de acompanhar este circuito turístico até final.

 

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Quanto a Paradela (freguesia) temos:

Área: 12.7 Km²

Densidade Populacional: 17.3 hab/km²

População Presente: 222

Orago: São João

Pontos Turísticos: Barragem; Bolideira, Castro e Capela da Senhora de Fátima. Lugares da freguesia: (2) Paradela e Ponteira

 

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E ainda:

Antigamente era lugar da freguesia de São João da Poenteira, (é este o topónimo correcto) hoje invertem-se os termos, sendo sede da dita freguesia Paradela. Porém, como Outeiro, Venda Nova, Ferral, Paredes e Travaços do Rio mantém-se o anterior padroeiro que era e é São João. É uma freguesia de largos horizontes e panorâmicas paisagens, variadas e de grande profundidade para sul e ocidente. Na sede da freguesia demora uma barragem que assume uma grande novidade em termos de construção: o dique enorme foi erguido com pedregulho a granel, betonado a montante e com um sistema inovador de descarga num funil gigante associado ao túnel de profundidade. Tal como as da barragem da Venda Nova, as suas águas vão em tubarias gigantes fazer mover as turbinas da Central de Vila Nova produzindo energia hídrica. Merecem uma visita cultural as armas dos Carvalhos, na Casa do Ramada, e os exímios ceramistas locais José Pereira e esposa.

 

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Quanto à Toponímia de Barroso, temos o seguinte:

 

PARADELA DO RIO

Desde 2013 – União das freguesias de Paradela, Contim e Fiães

 

De “PARADA + ELLA”. Casos haverá em que o topónimo se origine no facto de algumas populações  serem oneradas em fazer refeições aos senhores da Igreja. Chamava-se a isso pagar a pensão:

- 1116 «parada vel jantar» (D.P.-4, nº20). Opino que as nossas Paradelas (como deduzo das muitas pensões e foros de que as INQUIRIÇÕES dão testemunho) são coisa muito outra pois não consta dos documentos que tivéssemos  mais esses encargos fiscais.

 

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E continua a toponímia:

Opto por “parada” do latino > parata, topónimo  topográfico, isto é, significa um “alto” ou paragem para descanso nas suas árduas viagens das gentes medievais, romanas, célticas, pré-históricas e até actuais. Estes topónimos relacionam-se obviamente  com o tempo de “paragem”. Na Paradela o tempo de paragem é curto, daí o diminutivo, e dá para seguir viagem. Na Parada já pode obrigar à pernoita; na Pousa, Pousada, Estalagem, Hospedaria, Albergaria ou Albergue havia lugar à permanência e até à aposentadoria por vários dias, paragem quase sempre prejudicial para as populações onde estavam activas tais pousadas. Tema de longas histórias…

 

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Ainda a toponímia:

Também a nossa Paradela recebeu carta de foro de D.Afonso III:

- 1258 « de uno meo casali in loco qui dicitur Paradela quod vocatur Regalwengum<« <ch. D.Afonso III f.30.

E, no século treze, o topónimo já estava estabelecido definitivamente.

 

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E agora a Toponímia alegre:

 

 Fui a Paradela

Davam-me caldo e não tinham tigela.

 

Eu casei-me na Ponteira

Recebi-me em Paradela

Deram-me a mulher já prenhe

Diz que era uso da terra

 

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Em allaboutportugal.pt encontrámos esta referência à igreja de Paradela:

 

É uma Igreja relativamente recente, data do século XVIII. Antes de ser Igreja era uma Capelania de São João da Ponteira, que era a Freguesia. No século XVII, devido ao crescimento populacional, a freguesia passou a ser Paradela do Rio. A aldeia da Ponteira é muito mais antiga do que a aldeia de Paradela do Rio, sendo que um dos mais antigos documentos que a ela faz referência é o testamento de São Rosendo, que data do século X. Tem o nome de Igreja de São João, embora o único São João que existisse na época fosse na Ponteira.

 

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Fomos espreitar ao Facebook o que existe sobre Paradela e encontrámos estes três sítios:

 

https://www.facebook.com/pages/category/Community/Paradela-Montalegre-134391786618232/

 

https://www.facebook.com/Paradela-700099733337523/

 

https://www.facebook.com/pages/Paradela-Montalegre/112599485421858

 

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A Barragem

 

Barragem de Paradela, localiza-se no concelho de Montalegre distrito de Vila Real tem 110m de altura acima do terreno e está localizada na bacia hidrográfica do rio Cávado, foi concluída no ano de 1956, sendo uma barragem do tipo aterro subtipo enroncamento.

Uma barragem de enrocamento é um maciço formado por fragmentos de rocha compactados em camadas cujo peso e imbricação colocaram entre si a estabilidade do corpo submetido ao impulso hidrostático.
A sua albufeira tem uma capacidade de 164,5 hm3, com uma área de 380 hectares e um desnível de 72 m.

Possui uma capacidade de descarga máxima de 720 m³/s. O comprimento do coroamento é cerca de 540 m, com um volume aterro é de 2.700.000 m³.[1]

A central hidroeléctrica é composta por um grupo Francis do tipo eixo vertical, com uma potência total instalada de 54 MW, capazes de produzir em ano médio cerca de 256,7 GWh.

 

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Fotografia da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

Num livro comemorativo dos 50 anos ao serviço da hidroelectricidade que a EDP lançou sobre a barragem de Paradela – Vila Nova, de onde tirámos algumas imagens do tempo da construção da barragem e alguns dados, onde tal como na barragem dos Pisões e outras barragens, foi construída uma autêntica “cidade” de apoio.

 

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Fotografia da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

Nessa “cidade” foram alojadas cerca de 5000 pessoas, com habitações unifamiliares e coletivas, cantinas, pousadas, cinema, escolas, postos médicos, hospital, arruamentos, redes de abastecimento de água e esgotos, etc.

aos trabalhadores da construção da barragens e respetivos técnicos, entre dormitórios, posto de socorro, escola, salas de convívio, etc.

 

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Fotografias da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

 

A construção da Barragem de Paradela iniciou-se em 1953 e foi concluída em abril de 1958, tendo sido inaugurada em 26 de junho de 1959 com a presença do Presidente da República Marechal Américo Tomás. Embora concluída em 1958 e inaugurada em 1959 a barragem entrou em serviço em 1956.

 

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Fotografia da publicação EDP -  50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país

 

Algumas características técnicas:

Área da bacia hidrográfica (Km²) - 168

Capacidade útil da albufeira (hm3) - 158.2

Potência total instalada (MW) - 54

Número de grupos - 1

Altura da barragem (m) - 110

Tipo – Enrocamento

Fundações – Granito

Comprimento do coroamento (m) – 540

Tipo de descarregador – Controlado

Capacidade de descarga max. (m3/s) – 748

Altura de queda bruta máxima (m) 463.5

Produtividade média anual (GWh) – 256.7

Tipo de turbina – Francis (vertical)

Caudal máximo turbinável (m3/s) – 16.4

Projeto – Hidro Elétrica do Cávado

Construção - SEOP

 

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E vamos ficar por aqui neste já longo post, mas tal como tem acontecido ultimamente, ainda com tempo para apresentar um pequeno vídeo com todas as imagens sobre Paradela do Rio publicadas neste blog.

 

Se preferir pode vê-lo diretamente no YouTube, seguindo este link:

Link direto para o YouTube: https://youtu.be/eQ9DN76VJ-I

 

 

Como habitualmente ficam as referência às nossas consultas:

 

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BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

EDP, Paradela – 50 anos ao serviço da hidroelectricidade e do país. Santa Maria da Feira: GCM – Gabinete de Comunicação – EDP Produção, 2006

 

 

WEBGRAFIA (Consultas em 22 e 23-06-2019)

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Barragem_da_Paradela

https://www.allaboutportugal.pt/pt/montalegre/monumentos/igreja-de-paradela-do-rio

 

 

 

13
Ago14

O Barroso aqui tão perto... Roteiro para um dia de visita - 3ª paragem

 

Depois de Montalegre temos vários destinos, mas para este roteiro vamos partir em direção a Paradela do Rio.

 

Para quem costuma ir a Montalegre e não passar de aí, observa que mal se entra no concelho  a paisagem começa a ficar agreste, com vegetação rasteira, sobretudo carqueja e urze (torga) alguns carvalhos e pouco mais. Características das terras altas e frias. Claro que há o caso de Vilar de Perdizes que contradiz um pouco estas características, mas é um caso à parte. Pois em direção a Paradela do Rio tudo se começa a modificar e conforme nos vamos afastando de Montalegre a paisagem começa a ter outros contornos, com muita mais vegetação, mais verde, pelo menos nas terras mais baixas, onde o Rio Cávado também marca a sua presença e, ao alimentar as albufeiras, também dá um toque de cor na paisagem. Depois, convém não esquecer que é nesta zona que Trás-os-Montes começa a fazer a transição para o Minho. Claro que nas terras mais altas, que por sinal são das mais altas de Portugal, é o penedio que domina a paisagem.

 

 

É precisamente no meio de todo este contraste que marcamos a terceira paragem no nosso roteiro, mais precisamente em Paradela do Rio, onde a albufeira faz a diferença, além de ficar no itinerário do nosso destino mais distante deste dia de passeio, mas esse fica para amanhã.

 

 

Claro que quando mencionamos Paradela do Rio, não nos estamos a cingir apenas à aldeia e à albufeira, mas a toda a sua envolvente, principalmente a dos pontos mais altos de onde o nosso horizonte fica mais alargado, e saímos do pormenor para ter o todo. Paradela do Rio neste nosso roteiro de um dia por terras do Barroso deverá acontecer a meio da manhã, isto para podermos fazer ainda mais uma paragem antes do almoço.

 

31
Ago13

O Barroso aqui tão perto...

 

Direitos, liberdades e garantias cada vez são mais palavras sem significado, pelo menos na prática da vida dos nossos dias atuais, embora teoricamente a democracia as exija. Dizem que somos todos culpados da situação atual, mas na realidade bem sabemos que assim não é, os de Lisboa é que nos querem impingir essa e, embora eu até nem aceite a minha quota parte de culpa, que remédio tenho senão aturar os seus efeitos, mas às vezes até há males que vêm por bem e um deles, foi os senhores de Lisboa, este ano, terem-me privado de ir à praia com a família ou ir para outro lado qualquer. E ainda bem porque já estava a começar a ficar farto de ir à praia, mas mesmo assim, os sacanas de Lisboa estão longe de ter o meu perdão, pois gostava de ser eu a decidir se ia à praia ou não. Mas deixemos as lamentações que essa gentalha nem sequer merece que a gente se lamente, pois merecer, mas merecer mesmo, era umas estadulhadas bem dadas naqueles lombos, mas infelizmente até com os estadulhos conseguiram acabar, ou pelo menos com quem os faça e depois, mesmo que houvesse quem o fizesse, o negócio dos incêndios parece querer acabar com toda a matéria prima para uns bons estadulhos.



Barragem de Paradela - Montalegre


Mas ia eu dizendo que há males que vêm por bem, e um dos bens que resulta desta nova situação é de finalmente ter oportunidade de conhecer melhor o nosso Reino Maravilho de Trás-os-Montes, pelos menos os das terras mais próximas em que se possa sair de manhã,  levar uma sande no bolso,  e regressar à casinha para dormir, que como todos sabem, não há como um soninho na nossa caminha.



Paradela do Rio - Montalegre


Pois nestas… ia dizer férias, mas corrijo ainda a tempo. Pois neste tempo livre sem trabalho a que ainda tive direito,  resolvi reservar um dia para o Barroso. Coisa pouca, pois um dia para se desfrutar do Barroso nem a aperitivo sabe, mas como já conhecia grande parte dele, reservei esse dia para algumas aldeias que ainda não conhecia e para outras que embora já conhecesse não tinha registos fotográficos e, digo-vos sinceramente, que vale mais um dia no Barroso que uma semana na praia, oh se vale, pena que nem toda a gente goste da nossa ruralidade, do nosso ser transmontano e prefiram ir pavonear-se para o glamour dos centros comerciais das cidades. Eles lá sabem, cada um come o que quer, ou melhor, aquilo que tiver para comer.  Mas repito, mesmo com o gosto de ter gostado não perdoo aos sacanas de Lisboa, e até estou a ser meigo, porque não era sacana o que devia chamar a esses caralhos[1].



Ao fundo, a aldeia de Cela - Montalegre


E com esta me vou. O Barroso hoje aqui retratado é um pouquinho daquele que anda à volta da Barragem da Paradela,  em Paradela do Rio.

 

 



[1] Caralho – interjeição [Vulg.] indicativa de espanto, admiração, impaciência ou indignação (DO latim * caraculo, «pequena estaca» - In Dicionário da Língua Portuguesa 2006 – Dicionários Editora – Porto Editora.

 

Este esclarecimento para um transmontano até era desnecessário, pois qualquer um de nós sabe como e quando se deve aplicar um caralho e qual o seu significado no contexto em que se aplica, e às vezes até nem existe outro termo para o substituir, no entanto há por aí muito boa gente que desconhece que o caralho faz parte do léxico transmontano e,  quem não quiser entender isto, que haja por aí um caralhinho que o guie… 

 

 

 

 

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