Vamos mais uma vez para as imagens de ontem e de hoje de uma das principais praças de Chaves e também das mais interessantes – A Praça da República ou também popularmente conhecida pelo Largo do Pelourinho.
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Se há praças com história, esta é uma delas. História que desde logo lhe é dada pela sua localização central e junto à rua principal da cidade e que, desde sempre, fez com que fosse uma das praças mais nobres de Chaves.
Hoje Praça da República, adivinha-se que nem sempre teve este topónimo. De facto assim é, pois o actual topónimo só foi possível após a implantação de República em 1910, aliás adopta este topónimo por proposta do Dr. António Granjo, logo em 13 de Outubro de 1910, três dias após a implantação da República. E se a República depôs a monarquia, também depôs o topónimo existente na altura e por sinal bem monárquico, pois até essa data era a Praça D.Carlos I, ou seja a praça do Rei e, daí, também testemunhar a importância da Praça. Com certeza que ao longo dos tempos adoptou outros topónimos, mas faltam-nos as referências aos mesmos.
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Também já aqui demos conta que a praça nem sempre foi assim tal como se apresenta nas fotografias de hoje. Desde cemitério a praça do mercado, de largo do município a jardim, terminando num empedrado parque de estacionamento, já tudo foi um pouco.
E se esta praça desde sempre a conheço, também, como a praça das agências funerárias de Chaves, não deixou a ironia do destino de as ligar a um dos primeiros cemitérios de Chaves. O cemitério medieval, que de facto, foi nesta Praça durante longos anos, associado que estava (não às agências funerárias) mas à Igreja Matriz, que como sempre, tinham ligadas a si e implantados junto a elas e até dentro delas, os cemitérios.
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Desconheço quando deixou de ser cemitério. Sei, isso sim, que a partir de certa data não faltaram destinos e obras no largo. Iniciou-se pela construção da famosa casa dos arcos onde funcionou a Câmara Municipal e outros serviços públicos durante muitos anos até que a construção se tornou obsoleta para tantos serviços e a Câmara Municipal a abandonou para ocupar as actuais instalações do Palacete do Morgado de Vilar de Perdizes, em 1861. No entanto não seria ainda aqui o fim da casa dos arcos, pois ainda resistiu durante mais 60 anos até à sua demolição, a qual foi arrematada (por 50$00) em 1920.
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Será só a partir desta data que a Praça ganhou a actual configuração, primeiro sem pelourinho, depois com pelourinho sem jardim, depois com várias versões de jardins para finalmente dar lugar ao actual empedrado que logo deu lugar a um parque de estacionamento. Hoje, embora já não seja parque de estacionamento, continua a desempenhar essas funções e, embora proibido, não há dia nenhum em que a praça não esteja compostinha com os seus popós.
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Quanto às fotos de hoje, embora a primeira pareça bem antiga, são todas posteriores a 1920 e de entre elas a que se manteve mais tempo, é (a meu ver infelizmente) a praça actual, pois esta já existe desde 1970. No entanto, a minha imagem de eleição é a do postal sépia ou do postal a cores, aliás com o mesmo desenho da praça, e pela simples razão de a ter conhecido assim (inclusive com o carochinha vermelho lá estacionado) e de ter a oportunidade de na memória a poder comparar com a praça de hoje e com a foto de há uns dias atrás.
As fotos são apresentadas por ordem cronológica, sem certeza das datas certas, mas sabendo que todas elas são posteriores a 1920.
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