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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

18
Nov18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Poema f-u-t-u-r-o

 

quando tiver a certeza biológica 
que de alguma forma cresci
quero que me olhes com
as tuas pálpebras pisadas mortas 
extremamente fatigadas 
completamente destruídas
mas ainda brilhantes
inteiramente penetrantes
como um hieróglifo egípcio
a circundar entre o nervo ótico
e a iris mais distante. 

quando tiver a certeza biológica
que de alguma forma cresci
quero olhar pela janela amarela da sala
uma floresta um campo
lá fora é tudo cinzento
inundada por felinos selvagens
Pantherinae e Felinae
empoleirados em troncos de eucaliptos e
rochas de papel antigo 
envelhecido 
manchado com café expresso
o tempo acabar-se-ia logo ali
num nevoeiro perdido a três
que só os pontos ligados
na rosa-dos-ventos
formar-se-iam um qualquer ser mitológico 
que nos ajudasse a fugir dali
daqui
de qualquer parte fora dali
daqui 

quando tiver a certeza biológica
que de alguma forma cresci
quero sentir o cheiro 
no travesseiro pequeno
que a mamã comprou
é dia de passear com mamã
estás pronto
chocolates coisas moles que na boca
só pode ter o papá e a mamã 
hoje foi dia de passear com a mamã
gostaste

quando tiver a certeza biológica
que de alguma forma cresci
quero sonhar que estou a sonhar
beijar-vos enquanto durmo na sensação 
que estou a sonhar
que estou realmente a sonhar
meio olho aberto meio olho fechado
sobre uma escrivaninha velha que o avô me deu
acabei o próximo romance amor
a ver-te beijar outro
embalando-o como se fosse eu
há anos
esse outro 
que dizem ter destruído a torre de babel
com um simples golpe de choro e chichi
que lindos estão vocês os dois

quando tiver a certeza biológica 
que de alguma forma cresci
espero que não seja tarde
para vos adormecer –
o papá gosta muito de vocês.

 

Herman JC

 

11
Nov18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

 

Um dia prometi-te um poema ao nosso amor: ei-lo.

 

 

Perdoem-me a insensatez a avulso, mas esta crónica tem a importância de um diamante em bruto encontrado por um sem-abrigo em Manhattan. São raras as vezes que me predisponho a falar de felicidade, porque tal como a doença, o sofrimento e a juventude são ocorrências efémeras, a felicidade é um termostato em declínio.

 

Perdoem-me também pela desfaçatez em abdicar de assuntos tão mais interessantes para vocês como a novela de Tancos, ou as unhas da Isabel Moreira ou até a minha pequena aposta no mercado negro como o Alexandre Frota vai ser o novo ministro da Cultura do Brasil. Permitam-me deixar isso para outra altura. Está na hora de homenagear a mulher que me salvou. Escrevo-lhe um dia depois do seu aniversário. Por falta de vocabulário para expressar exatamente o que sinto, conto com todos os colaboradores de quiosques, livrarias, etc., para que jamais se atrevam a vender o jornal desta semana à Ana Margarida Ferreira. Para quem não sabe quem é, deixo aqui alguns detalhes físicos: a mulher mais bonita do mundo.

 

Então foi assim: um dia depois de ter chegado a Chaves, observei-a de longe, sempre com o cuidado de nunca a perder de vista. Descia os degraus lá da escola. Demorei dois anos até me atrever a manifestar o meu interesse. Eu sabia que se me respondesse “eu também”, seria minha para sempre. Decidi esperar pacientemente. Vou avançar, porque há coisas mais importantes a serem ditas.

 

Estava tão bonita na noite em que a fui buscar a casa. Fomos a Verin, Espanha. O país que tem o privilégio de ter assistido ao amor entre Saramago e Pilar e agora o meu e da Margarida. Beijamo-nos na ponte enquanto chovia rios de água. Pedi-lhe em namoro como numa vénia a Deus, com os joelhos a esmagar o cordão umbilical de centenas de himenópteros e a insegurança a despoletar em foguetes amargos. Como consequência disso: salvou-me a vida. Ela viu as minhas lágrimas a cair desavergonhadamente sobre o casaco de couro desbotoado e o sorriso de cético de quem nunca acreditou em nada senão na possibilidade daquele momento se eternizar como um quadro do Da Vinci, e sorriu, como amparando um bebé de outra mãe. Foi o único momento em que tremi de verdade, porque estava frio, porque estava a chover, porque realmente nunca me tinha debruçado no ombro de alguém com a ilusão de querer ficar para sempre. E isso meteu-me medo. Uma vertigem infinita para qualquer lado que olhasse. Não tinha qualquer ambição de ir e não sabia que ela estaria disposta a continuar esse desassossego ainda desmembrado. Ainda hoje, passado quase três anos, ainda acordo contemplando o meu lado direito da cama para ter a certeza absoluta que ainda não se foi embora. O amor é querer muito ficar, seja os dois perdidos no glacial Ártico seja num salão das pessoas mais bonitas do mundo.

 

Desde então, foi sempre um jogo bonito. Eu oferecia-lhe cartas, ela deixava papeis usados com declarações de três palavras na mesinha de cabeceira, eu garantia-lhe segurança, ela continuava linda, eu segredava-lhe que queria muito um charuto Cohiba, ela comprava-mo, eu jurava ser-lhe fiel, ela ficava cada vez mais linda, eu entregava-lhe a minha vida, ela oferecia-me livros – desde de Saramago a Camus –  com pequenos escritos no seu interior: “O homem a quem ofereci este livro é o homem da minha vida”, variavas, “Que o nosso amor nunca se perca”. Coisas tão simples que dava para sentir o universo a corar de inveja. Ela sabia melhor que ninguém que tudo o que eu mais queria eram livros para poder sonhar e uma mulher para aprender a viver.

 

Isto a que as pessoas comuns chamam de amor é a coisa mais difícil do mundo, sempre foi, por isso é que só foi feita para alguns, só para aqueles que no meio da azáfama de futilidades acreditam que a existência de uma gripe alheia é o seu fim do mundo.

 

Enquanto escrevo, tu danças, tu brincas, tu cantas, tu gritas, tu, tu, tu e mais tu, eu continuo a escrever, ou a tentar, porque falar de nós é como se me atirassem para a boca de um poço.  

 

Um dia, meu amor, a corda de prata quebrar-se-á, mas antes disso não me quero despedir. Quero ir sossegado na companhia do silêncio mais próximo, e ficar lá à tua espera. Quero dizer que te amo. Quero agradecer-te por me teres salvado a vida. Mais dois segundos e eu morria. Obrigado, amor.

 

Parabéns.

Herman JC

 

 

 

04
Nov18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

 

O fascismo e um bispo da Iurd entram num bar. 

 

 

Estava aqui a pensar sobre o tema no qual me deva debruçar sabendo que posso cometer uma injusta desfaçatez em não nomear outros temas tão ou mais importantes. Cheguei à conclusão de que devo confessar-vos uma coisa: nos momentos antes de saber quem seria o presidente do Brasil, adormeci algures entre a televisão e o sofá, estando a ter um terrível pesadelo, que mais tarde viria a saber que não estava a sonhar. Acordei sobressaltado, todo expelido de urina, com a leve sensação de que Bolsonaro tivesse ganho as eleições. Fui rapidamente limpar-me com petróleo, e corri para o televisor: infelizmente tinha ganho a apologia do ódio e da discriminação, tinha ganho a violência, o fascismo, a homofobia, o racismo. Incrivelmente, desatei a chorar. Depois, fui ver um filme do Frota, que tem grandes chances de vir a ser o novo ministro da cultura, só para começar a familiarizar-me com o novo Brasil.

 

 Desculpem-me, mas isto foi uma piada grotesca do melhor amigo de Bolsonaro – Deus. Só ele para pregar assim umas partidas. Aliás, é um amigo para se desconfiar. Quem quer um amigo que, por brincadeira, faz um Hitler e mata uns milhões de Judeus ou só porque não tem mais nada para fazer mata crianças com cancro. Gosto mais daqueles amigos, tipo os do Sócrates.

 

Adiante, como é possível um candidato que fora expulso da escola de oficias por suposto planeamento terrorista, ou que permite, a cada brasileiro, fazer-se acompanhar de uma arma de fogo – mais tarde, admitirá a posse de um espadachim e de um punhal construído pelos próprios –, ou que autoriza o beneficio do “excludente de ilicitude” relativo aos agentes da autoridade. Isto está a tornar-se tão surreal que parece que estamos a assistir a um passo de dança de ballet de um fascista e de um bispo da Iurd.

 

Bolsonaro afirma, no seu discurso de posse, que o governo será um defensor da democracia e da liberdade. A democracia está para o Bolsonaro como um anão está para a bomba hidráulica. Quanto à liberdade, ele ainda não sabe exatamente o que é uma vez que ficou parado nos anos 70 do Brasil.

 

Estava a ver os festejos pelas ruas de São Paulo e parecia que estava a ver o 25 de Abril ao contrário, com os militares a fazer um festim ao regresso do fascismo. Parece que já cheira à ditadura e a penela ainda vai a meio.

 

O que mais me atraiu no seu discurso foi aquela senhora que traduzia tudo o que o Bolsanro dizia em língua gestual. Uma forma sintética de transmitir e fazer chegar às pessoas que ele ainda é a favor de algumas minorias. 

 

De acordo com A Folha, o jornal mais importante do Brasil, 98% dos eleitores do presidente eleito foram expostos a uma ou mais noticias falsas durante a eleição, e 90% acreditaram que os fatos eram verdade. Isto é o que dá quando andamos só em cuecas e a coçar os genitais pelo hall de casa só a consultar notícias via Facebook e WhatsApp.

 

A democracia brasileira está a afogar-se nas Fake News. As Fake News são um novo estilo trendy que, no seu apogeu, conseguem exercer um tipo de influência a quem tem uma participação ativa na sociedade, nos votos dos eleitorados e nos adereços de Catarina Martins. Desculpem-me, mas alguém acreditaria que o relógio da Catarina Martins tivesse um valor de 21 milhões? As pessoas que acreditaram nisso foram as mesmas que continuam a crer que o desaparecimento do avô no jantar de natal é apenas uma coincidência e que o Pai Natal existe mesmo.

 

Ainda bem que por cá ainda há aquela coisa que se chama liberdade. Caso contrário, a crónica de hoje debruçava-se sobre importância de Péricles no século V a.C .  

 

Herman JC

 

 

28
Out18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

 

ENTREVISTA COM UM VETERANO DA PRAXE

 

Joaquim Maria, o aluno mais antigo da Escola Superior de Tecnologia do Sabugal. Tem 46 anos. Está ligado às praxes desde os seus 18 anos.

 

P. -  Boa tarde, Joaquim Maria. Diga-me lá: sempre foi muito ativo nas praxes?

R. - Não. Apenas desde os dezoito anos.

P. – O que foi que o levou a seguir esta atividade? Humilhar os seus parentes mais próximos? Uma vocação irresistível para ser idiota? Talvez a ânsia de ser idolatrado por meninas dos 13 aos 18 anos? Queria ser uma celebridade para a caloirada, era isso.

R. – Não. Nada disso.

P. – Já sei. Ausência de autoestima?

R.– Errado.

P.– Frustração sexual?

R. – Tenho.

P. – Mas foi isso que o levou a ser bastante ativo na praxe?

R. – Não. Vi na praxe uma solução para deixar de ter azar com o sexo feminino.

P. – Então é mais ou menos frustração sexual, Joaquim Maria. É virgem?

R. – Peixes.

P. – Fale-me então do entusiamo exacerbado dos caloiros pela praxe. Porque é que faltam às aulas para serem praxados?

R. – A universidade é praxe, sabe? Eles sabem que em primeiro lugar está a praxe e depois o resto. Sabem que se faltarem enchem cinquenta e mais três linguadões aqui ao Joaquim Maria.

P. – Está a falar a sério?

R. – Não. Enchem vinte. Não queremos roturas musculares nem caloiros descontentes.

P. – Mas os pais pagam as propinas para os filhos frequentarem as aulas, percebe?

R. – Nunca entendi isso.

P. – Qual foi o momento mais infeliz que teve na praxe?

R. – Lembro-me de uma caloira pedir-me para ser padrinho dela.

P. – Isso não é bom?

R. – Eu queria era que me pedisse em namoro.

P. – E o mais feliz?

R. – Foi quando me pediu em namoro.

P. – Afinal, chegou a pedir?

R. – Não.

P. – Diga-me: que pensa dos miúdos que entraram este ano para o ensino superior?

R. – A essa resposta vou tentar responder com o maior entusiasmo.

P. – Muito bem. E em relação à falta de inteligência destes?

R. – Está a insultá-los? Dez de braços, já!

P. – Joaquim Maria, isto é uma entrevista. Vá, componha-se.

R. – Desculpe. É o hábito. Sabe que o monge faz o hábito.

P. – O hábito faz o monge, Joaquim Maria! Avançando: acha fundamental a praxe para a integração dos novos alunos?

R. – Tenho a certeza que faz bem a nós que praxamos. A praxe, aqui só para nós, tem o intuito de nos fazer sentir um Mussolini ou um Cristian Grey do mundo académico. Aquele poderzinho militarista e falta de confiança em nós mesmos são o orgasmo de quem praxa. Já que não conseguimos ter orgasmos de outra maneira. Quanto aos caloiros... já para o chão: quinze saltos a pé coxinho enquanto grita “O doutor Júlio tem um tarolo assimétrico”.

P. – Joaquim Maria, já lhe disse que isto é uma entrevista. Vista-se lá.

R. – Desculpe.

P. – Outra pergunta: em seu entender, o que é que acontece em terra de cego?

R. – Quem tem olho é rei.

P. – Bravo. Vejo que é dotado de rara perspicácia. Agora, uma pergunta de faculdade: onde tem o seu diploma?

R. – Na faculdade.

P. – Outra coisa: o que acha da entrada de alunos ainda menores no ensino superior?

R. – Acho bem, na medida do facilitismo que temos na atividade do engate.

P. – Acha que a praxe tem pernas para andar, depois deste tumulto de notícias que surgiram?

R. – Não estou a par da situação. Acho que a praxe nunca irá acabar. Da mesma maneira que existirá sempre a falta de autoestima de quem praxa.

P. – Para terminar: acha que a coercividade de beijos de crianças aos seus avós é violência?

R. – Isso vem a propósito do professor Daniel Cardoso, não é?

P. – É.

R. – Pensei que era para falar de assuntos sérios. Sobre esse assunto, só tenho a dizer o seguinte.

P. – Muito obrigado.

 

Herman JC

 

 

21
Out18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Mutatis mutandis

 

Certo dia de manhã, depois de ser olhado, como num cortejo fálico ateniense, por gente que nem sequer lembra ao diabo, deu por si, algures entre Andrães e Mondrões, transformado num pedaço de penedo monstruoso lembrando-me o quadro de Magritte: “The Castle of the Pyrenees”. Estava deitado como se estivesse a enganar o sono enquanto imaginava, de olhos semicerrados para baixo e o uniforme falo para cima, Madame Bovary despida até aos joelhos e com todas as suas potencialidades aparentes de mestria adúltera.  

 

Dizia-se algures que tinha sido um homem viajado. Visitando inúmeros lugares. Vários países na Europa, alguns de África e da América, dois ou três da Ásia e, conta-se, que tenha chegado a ir à Sertã.

 

Mas ele não era agora senão aquilo. Parecido ao vertiginoso Gulliver. Parecido a qualquer coisa e a coisa nenhuma. O rosto era poesia épica de Miguel Ângelo, escultura de Homero e musica de Péricles. Do pescoço para baixo vestia-se da nossa imaginação.

 

A gente que o olhava nutria varizes no lombo que, de tanto enrabar fichas de três pinos, inevitavelmente, a pouco e pouco, lhes concediam queimaduras de diferentes graus matemáticos.

 

Mas ele era apenas aquilo.

 

Nome era coisa que não tinha. Para quê? Se alguma vez o Homem se valesse pelo nome. Se alguma vez o Homem se valesse por coisa alguma.

 

Somos todos Ivan Ilitch – dizia ele, manifestando o seu desagrado às hemorroidas que contraia.

 

Mas ele era apenas aquilo.

 

Professor reformado, conta-se, do primeiro ciclo. Fazia sempre questão de, com a sua voz coloquial à Padre António Vieira, narrar aos seus alunos, por palavras próprias, um enxerto da Alegoria da Caverna, que mais tarde, por razões obvias de grande intelecto, imaginando sempre que pudesse vir a ser a Anne Frank do Ribatejo, resolveu escrevê-lo num diário. Passo a citar: “Há uma caverna onde, no seu interior, vários prisioneiros estão fechados desde que nasceram e por isso exercem compulsivamente uma masturbação impiedosa. Os pescoços e as pernas estão acorrentados de modo que os impossibilita de se espernearem no último esguicho. De fronte, uma parede de pedra. Por trás e por cima deles há um fogo, e entre o fogo e os prisioneiros há uma parede baixa onde as pessoas andam transportando objetos na boca. Mais tarde, descobriram que não eram objetos. A luz do fogo projeta sombras dos objetos na parede diante dos prisioneiros. Acontece tudo em dimensão tão reduzida que parece um filme pornográfico para anões. Essas sombras são tudo o que os prisioneiros conseguem ver. Os únicos sons que ouvem são os ecos do latejar dos seus falos aquando à masturbação: Chlap Chlap Chalp (...)”. No final, e em jeito de concluir a alegoria, dizia: “Os masturbadores somos nós. Masturbamos a nossa vida atingindo um repleto e continuo esguicho de futilidades e ignorância. Vivemos todos na caverna da masturbação. A luz está entre os seios da Serenella Andrade e o meu corpo de Adónis.”

 

Um senhor de uma existência dedicada à arte do chavascal. Aconselhando sempre a não seguir o caminho da rotice. Aconselhando sempre a sermos uma Joana Vasconcelos na construção de uma miríade de badalhoquismo. Porque para ele, a vida é uma continuação de bombadas inéditas.

 

Sentia-se Darwin ao assistir à evolução da espécie em direto, diante dos seus próprios olhos, quando comparava a frondosa púncia da Maria Indignada com a imberbe racha da Manuela Puritana.

 

Era um senhor ativo na liberdade dos tarolos. Indignar-se-ia com a gentinha puritana que se incomodou com as macro pilas Mapplethorpianas. Como se as pilas fossem um atentado à humanidade. “As pilas já fizeram mais pela humanidade do que a religião”, dizia ele. Seguido de: “Pelo menos nunca li nem ouvi em lado nenhum que a razão pela qual aconteceu a atrocidade da Guerra dos Trinta Anos era que os católicos possuíam falos de um tamanho repreensível e que os protestantes padeciam de terrível inveja”.

 

            Mas ele era apenas aquilo.

 

Tal como Platão considerava os Atenienses corruptos, ele considerava a nossa sociedade uma mistela de pessoas sensíveis ao cavalo de Turim e pessoas que têm o nabo em carne viva devido a fortes e acutilantes comichões.

 

Mas ele continuava ali estendido. Num desespero imundo de sair dali. Em volta, parecia o jardim de Éden enjaulado num bairro da lata. Frigoríficos causando grande impacto nas testosteronas de quem os olhava. Objetos abjetos de propriedade privada faziam-se coro perante o prólogo da sua existência.

 

Mas ele era apenas aquilo.

 

Por fim, escreveu um epitáfio grandíloquo, prevendo uma existência prévia, como se quisesse dizer-nos alguma coisa quando fossemos visitar outros mortos e passássemos por ele: “Como em tudo na vida – menos na masculinidade exuberante de quem aqui jaz – há um destino fatídico e irónico, deixo-vos aqui uma mensagem: a morte é uma mer

 

Ele rejeitou concluir o seu epitáfio.

 

Eu rejeito-me a concluir esta narrativa biográfica.

 

Ele será sempre apenas aqu

 

Herman JC

 

 

14
Out18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Os falos têm o poder de deflagrar puritanos.

 

Na vida existe muita coisa que me aborrece, mas pelo menos três têm uma particularidade de me chatear ao ponto de me espernear no chão enquanto grito: “Brasil, Bolsonaro não, por favor!”. Essas três coisas são: o jornal e canal Correio da Manhã, sopa de canja e pessoas que se levam demasiado a sério, de uma circunspeção tal que chegam ao ponto de criar um certo tipo de rigidez nas falangetas dos seus interlocutores.

 

A primeira é muito parecida a problemas intestinais. A segunda é de facto pérfida aos meus anseios culinários na medida em que me consegue oprimir de tal maneira que dou por mim, por vezes, a saciar-me com três bolachas Maria barradas a manteiga só para não desgostar aquelas pevides manhosas. Em relação à terceira tenho muita coisa a dizer. A pletora de sentimentos que provoca é insofismável e abarca toda a paleta de emoções. Estarão vocês a pensar: “não percebi patavina!”. Calma! Já estão a fervilhar. Parecem coelhinhos com vontade de regabofe.

 

É o seguinte: abomino gentinha com falta de sentido de humor, mas se elas manifestassem o seu desagrado enquanto estão em casa sozinhas a espremer borbulhas e a masturbarem-se de vergonha de serem como são, isso não me incomodava. Agora, querer calar o outro só porque o menino ou a menina não aprecia. Epá, besuntem-se de esperma de escaravelho até criarem uma camuflagem perfeita e depois atirem-se ao poço da seriedade, por favor.

 

Mudando de assunto, mas, se formos a ver, continuando no mesmo: não é que a Fundação de Serralves, na famosa exposição de Robert Mapplethorpe, decidiu retirar um conjunto de obras do artista norte-americano por esta apresentar, na sua maioria, muitos falos e coisas enfiadas, digamos, no rabo. Obviamente, e como devem prever, ninguém está preparado para ver isso. As pessoas estão tão habituadas a outros tipos de chavascal – telenovelas portuguesas e os programas nos canais generalistas de domingo à tarde – que dão por elas a indignar-se com pilas.

 

Num primeiro momento, a administração da Fundação proibiu certas fotos a menores de 18 anos, reservando um espaço para os mais sensíveis. Posteriormente, permitiu-se a entrada a menores de 18 anos quando acompanhados pelos “respetivos representantes legais”. Coisa, claro, que nenhum menor está habituado a assistir ao monte. No máximo, uma turma de vinte e quatro alunos numa aula de TIC. Que infâmia! Parece que estou a ouvir os titios puritanos: “Ó Amaral, cerre os olhos. Vamos entrar numa sala de nabos”. Coisa que, para o Amaral, sem os papás saberem, é só uma sexta-feira no Lux.

 

Não é tudo isto uma chafurdice de moralismo puritano? Duvido, sinceramente, que um jovem menor se surpreenda com as imagens em exposição, exprimindo: “Calma, isto não é tão diferente como o RedTube. É apenas mais requintado, mais bonito e despoleta em mim uma vontade exacerbada de prática de deboche”.

 

É chato para mim ter o conhecimento de censura neste admirável – acatem o sarcasmo – mundo moderno, democrático e livre. Não vivi sequer nenhum dia em ditadura pelo que agradeço isso ao povo que mais ordena. Mas também não é agora que, vá lá, me apeteça saborear os tempos louros em que o meu pai dizia “era à reguada, se te portasses mal” ou “até um irmão teu podia denunciar-te” ou “não digas isso que vais preso”. Prezo tanto a liberdade que para mim é intolerável sequer pensar em qualquer tipo de censura. Mesmo assim, vivemos tempos muito difíceis e perigosos, e é preciso o regozijo de todos para que as almas puritanas se vergam perante a sequência de tarolos disformes da obra de Robert Mappletorpe e de qualquer outro que a, com a sua arte, consiga quebrar preconceito. Porque a Arte é isso: romper com o cânone, romper com a idealização do que achamos mais correto. E o mais estranho de tudo, entrando em concordância com o Ricardo Araújo Pereira, é a igreja estar sossegadinha. Não estou habituado a isto, confesso. Os tempos modernos... a modernidade.

 

Herman JC

 

 

07
Out18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Os falos têm o poder de deflagrar puritanos.

 

Na vida existe muita coisa que me incomoda, mas pelo menos três têm uma particularidade de me chatear ao ponto de me espernear no chão enquanto grito: “Foda-se a Maria Leal”. Essas três coisas são: a CMTV, sopa de canja e pessoas que se levam demasiado a sério, de uma circunspeção tal que chegam ao ponto de criar um certo tipo de rigidez nas falangetas dos seus semelhantes.

 

A primeira é muito parecida a problemas intestinais. A segunda é de facto pérfida aos meus anseios culinários na medida em que me consegue oprimir de tal maneira que dou por mim, por vezes, a saciar-me com três bolachas Maria barradas a manteiga só para não desgostar aquelas pevides manhosas. Em relação à terceira tenho muita coisa a dizer. A pletora de sentimentos que provoca é insofismável e abarca toda a paleta de emoções. Estarão vocês a pensar “o que é que está para aqui a dizer este gajo”. Calma! Já estão a fervilhar. Parecem coelhos com vontade de regabofe.

 

É o seguinte: abomino gentinha com falta de sentido de humor, mas se elas manifestassem o seu desagrado enquanto estão em casa sozinhas a espremer borbulhas e a masturbarem-se de vergonha de serem como são, isso não me incomodava. Agora quererem calar o outro só porque o menino ou a menina não aprecia. Epá, besuntem-se de esperma de escaravelho até criarem uma camuflagem perfeita e depois atirem-se ao poço da seriedade, por favor.

 

Mudando de assunto, mas continuando no mesmo, não é que a Fundação de Serralves, na famosa exposição de Robert Mapplethorpe: Pictures, decidiu retirar um conjunto de obras do artista norte-americano por esta apresentar, na sua maioria, muitos falos e coisas enfiadas, digamos, no rabo. Obviamente, e como devem prever, ninguém está preparado para ver isso. As pessoas estão tão habituadas a outros tipos de chavascal – telenovelas portuguesas e os programas nos canais generalistas de domingo à tarde.

 

Num primeiro momento, a administração da Fundação proibiu certas fotos a menores de 18 anos, reservando um espaço para os mais sensíveis. Posteriormente, permitiu-se a entrada a menores de 18 anos quando acompanhados pelos “respetivos representantes legais”. Coisa, claro, que nenhum menor está habituado a assistir ao monte. No máximo, uma turma de vinte e quatro alunos numa aula de TIC.

 

Não é tudo isto uma chafurdice de moralismo puritano? Duvido, sinceramente, que um jovem menor se surpreenda com as imagens em exposição, exprimindo: “Calma, isto não é tão diferente como o RedTube. É apenas mais requintado, mais bonito e despoleta em mim uma vontade exacerbada de prática de deboche”.

 

É chato para mim ter o conhecimento de censura neste admirável – acatem o sarcasmo – mundo moderno e democrático. Não vivi sequer nenhum dia em ditadura, e agradeço isso ao povo que mais ordena. Mas também não é agora que, vá lá, me apeteça saborear os tempos louros em que o meu pai dizia “Era à reguada, se te portasses mal” ou “Até um irmão teu podia denunciar-te”. Prezo tanto a liberdade que é intolerável sequer pensar em censura. Mesmo assim, vivemos tempos muito difíceis e é preciso o regozijo de todos para que as almas puritanas se vergam perante a sequência de tarolos disformes da obra de Robert Mappletorpe.  

 

Herman JC

 

 

 

30
Set18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

 

Chaves, eu volto.

 

Já estava com saudades de me galantear perante vós, flavienses grandinhos do pai. Como já devem calcular a crónica que se segue não tem grande coisa a dizer embora diga alguma coisa. Fica ao vosso critério avaliar o que foi dito e podem, se entrarmos em desacordo, lançarem-me impropérios grotescos por telegrama. No entanto, a experiência de voltar a ser estudante está a ser agradável, obrigado.

 

Mudei-me definitivamente – e não quero dizer que não regresse – para Vila Real. Até é giro ser de todo o lado. É bom morrer e nascer várias vezes ao ano. Um bocadinho dali outro de acolá. Rejuvenesce a mente e alinha os chakras. Até vou mais longe, reparem no meu latim: “mens sana in corpore sano”. Mas vou continuar por aqui, até porque agora posso escrever verdadeiramente sobre Chaves, com outro olhar, quase todo de admiração, respeito e saudade.

 

Como é lindo sentir falta de um amor que me deu quase tudo. Deu-me o sol pela manhã – o sol é o mesmo para todos, mas venham vê-lo da minha antiga janela – a olhar-me de soslaio como se eu fosse o Zé Zé Camarinha de Argemil. Ou o silêncio que o rio Tâmega me propunha que parecia que estava perante um guru marítimo. As Caldas, aquela água quentinha que todos teimam em não querer chamar-lhe chá: tem aroma, por mais refinado que seja, e está quente. Água quente com sabor é chá, desculpem. E o amor, claro. Deu-me o amor, ou seja, deu-me o suficiente para ter uma existência agradável.

 

 Alinhem-se comigo: nunca conseguimos falar realmente de alguém que amamos até que ela ou nós desapareça, não é? Tem que haver uma distância entre nós e o outro. Na arte, algumas vezes, temos que nos distanciar para apreciarmos a beleza de uma, por exemplo, Mona Lisa do Da Vinci.

 

 A minha relação com Chaves é muito especial e pessoal. Ou seja, Chaves está para mim como Clarice Lispector está para a literatura brasileira. Lembrou-se-me agora de uma frase, da Clarice, que resume tudo aquilo que quero dizer. Clarice Lispector dizia, e bem, note-se, que a saudade é um pouco como a fome. Só passa quando se come a presença. E eu vou tentando comê-la, aos poucos, até porque o meu carro a gasolina não me permite essa extravagância de andar para lá e para cá. O meu carro é mais velho do que a filosofia –  é mais ou menos isso.

 

Eu preciso da saudade, porque a saudade traz-nos o silêncio e o silêncio é importante para mim. É com ele que trabalho. Preciso de pensar em silêncio no silêncio. Há muito ruído no mundo, o que dificulta. Mas depois desliga-se a internet e parece que estás no campo de meditação do Osho. Também preciso da saudade como experiência catártica, terapêutica e como motivo de inspiração. Como o Fernando Pessoa usava o ópio ou o Bukowski usava o vinho e a cigarrilha ou como o mundo da moda usa o pó. Talvez haja alguma droga na saudade que nos faz parecer que o passado foi realmente bom. Não foi. Não há saudade do que correu mal. Exceção aos sadomasoquistas. Uma pessoa sentindo saudade está de facto a recriar bons momentos passados na mente que nunca existiram de todo como os vivenciamos e a isso chama-se nostalgia. Percebo que posso destruir alguns sonhos, mas, na verdade, a Rita do 7ºC era apenas uma criança e não a porca como a costumamos apelidar. Tinha 13 anos e apaixonava-se facilmente por baixo das mesas. E isso é razão para que depois de trinta anos ainda a chamem de “porquinha” enquanto passeia os seus seis filhos na rua?

 

Nunca se esqueçam de uma frase de um grande pensador português do século XXI, Gustavo Santos: “A mente chama-se mente porque nos mente todos os dias”. Embora só ajude os portugueses, é sempre bom lançar cultura para o ar. Por exemplo: em Inglaterra é mind, na República Checa é mysli, na Albânia é mendje. São países que não se podem dar ao luxo desta bela e filosófica frase. Não sejam arrogantes e deem graças ao vosso deus por terem nascido portugueses e permitirem-se a este tipo de pensadores.

 

Isto, é tudo ilusão. E por falar em ilusão: está a ser giro ser estudante, obrigado.

 

Herman JC

 

 

23
Set18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

Fui muito feliz em Chaves, tal como fui no Porto ou em Lisboa. Mas está na hora de partir.

 

Depois de ter nascido no Porto e por lá ter vivido onze anos, depois de uma passagem por Lisboa de sete anos, seguido de quatro anos por Chaves, soma-se agora, com grande entusiasmo a quarta cidade – Vila Real. E eu acredito que muitas mais cidades se seguem e outras tantas novidades virão.

 

Estou em Vila Real já faz uma semana. Já queria mudar-me fazia algum tempo. A minha colocação na Universidade ajudou o processo a ser mais rápido. Eu sabia também que já estava na minha hora. Não tenho nada contra as cidades em que vivi, aliás, são todas minhas e eu sou louco por elas como Pessoa era louco por Lisboa, Hemingway por Paris ou Hitler pela Alemanha (Ó Herman, agora lixaste tudo com essa última comparação). É disso que falo. Cada pedaço de mim é de cada canto do mundo. Mas Chaves... Chaves vai ser sempre a minha terra pela simples razão que encontrei o amor da minha vida lá. Estarei sempre ligado às termas romanas, à ponte romana, ao café Abade e ao “Sala de estar”, às Caldas, ao rio Tâmega e por aí adiante. Para não falar das pessoas. Poucas, mas suficientes para ansiar descobrir outras como elas.

 

Há amores na vida que têm que chegar ao fim para fazerem parte de nós para sempre. A mudança, a vida mais ou menos nómada é para mim uma maneira de viver. Precisamos de dar oportunidades a nós mesmos de sermos livres, entregar o coração a paisagens diferentes, mergulhar em novos rios, conhecer os mais bonitos vales e admirá-los como se fosse a paisagem de Giotto.

 

O mundo é a minha casa e eu preciso de andar, de explorar, de conhecer, de viver para me sentir vivo, preciso de ter sempre uma resposta consciente à pergunta que me assombra: se eu não existisse que falta faria? Todas as minhas ações, valores assentam nessa pergunta simples. Preciso mesmo disto. Cervantes dizia que se andarmos por terras distantes e conversarmos com diversas pessoas torna-nos homens ponderados, e é disso que falo. É preciso ver para além do que foi visto. É uma busca incessante ao fundo do meu ser. Tudo muda, tudo é fluxo e nós devemos apanhar o barco e ir. Eu apanho sempre que posso e vou continuar assim. Agora, não posso explicar como é isto de morrer e nascer várias vezes. Aventurem-se.

 

Herman JC

 

 

 

16
Set18

Pergaminho dobrado em dois

pergaminho

 

 

Grande Festim.

 

Imagino sempre – mais quando estou de cuecas a escrever crónicas para mim e para o jornal –  da minha janela, Shakespeare a gritar, lá para as três da madrugada ajeitando de esguelha o seu colarinho felpudo tão másculo para que ninguém o reconheça e faça bullying:

 

- Puto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga um raminho de flores, aquelas que até fazem chorar os paralelepípedos da calçada.

 

Isto acontece-me sempre quando reflito na azeda e rápida vida que temos e o quanto somos tão vulneráveis e impotentes perante ela, ou todas as vezes que recebo notícias que sobreaquecem o coração, algo do género: “Resultado: Colocado”. Então aí, nesses pequenos momentos, não precisamos de mais nada do que ler Shakespeare às escuras ou de celebrar que nem um asno, nunca, claro, descorando a sábia frase da minha avó, “vamos todos morrer, não te estejas para aí a gabar”. É verdade vó, é preciso ter cautela.

 

Isto tudo só para vos dizer – a berrar, mas se me virem na rua lembrem-se que foi baixinho – que entrei na Universidade – Teatro e Artes Performativas –, primeiro, porque se não for pela Arte ainda fico como toda a gente. Segundo, como sou jovem ainda tenho muita energia para me masturbar de criatividade. Terceiro, para que um dia possa fazer pouco dos meus colegas bem-sucedidos – engenheiros aeroespaciais, engenheiros físicos, dealers e bloggers de Instagram – enquanto exponho com toda a criatividade e dedicação, que aliás, note-se, emprego em tudo o que faço, a minha apetência em fazer de Rei Lear enquanto tiro uns finos na festa do Avante. Vida de artista, é o que é. Tenho é um pesar grotesco relativamente à nossa cultura que consegue ser mais pequena do que um tarolozinho oriental.

 

            Os meus pais ficaram muito contentes, viram no filho uma vontade exacerbada de nunca mais desejarem outro. “Este chega”, diziam eles e agora percebo o porquê. Há que ter orgulho naquilo que o filho poderia ter sido. Agora estão na fase de adaptação, parece que têm um chacal em casa a recitar teatros de Bretch. Tenho que entrar no drama e nos recitais agora que isto está a ficar sério. Estou tão feliz que parece que vou fazer de Alladin num musical da Broadway.

 

Nunca me imaginei numa Universidade, e agora dispo-me perante vós, leitores: se tudo corresse como planeado estava agora num cabaret a domar umas cinco fêmeas como se tivesse no circo du soleil do chavascal.

 

             A minha mulher ainda se encontra hirta e cheia de dúvidas. Muito tensa, até. A pensar que me podem chamar para fazer de Pipo num possível regresso dos Morangos. Já lhe chegou aos ouvidos também que – dizem – me meti nisto do teatro e assim porque era a via mais segura de conhecer mulheres – qualquer coisa, sou palhaço – e obviamente tranquilizei-a. Disse-lhe que o que mais ambiciono neste curso é fazer teatro de títeres ou escalar berbequins Dexter ou bordar torradeiras num cantinho da rua Augusta.

 

            Por fim, isto é tudo muito bonito, mas agora é um gajo aplicar-se e ser o Filipe La Féria da caloirada.

 

            Calma. Giro giro são as filas intermináveis para se fazer a matrícula. Mas há males que vêm por bem. Por exemplo: tempo para vos escrever, meu prestigiado público que me lê.

 

            Bem, meus caros leitores. Tenho a senha 56 e está no 53. Está quase. 54. 55. 56, finalmente!

 

Até daqui a quinze dias.

 

Herman JC

 

 

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