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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Mar16

Os domingos de Vidago


1600-vidago (1624)

 

Quem entra em Vidago vindo de Vila Real, logo a seguir à antiga estação da CP, começa a avistar-se o anfiteatro do casario de Vidago a terminar lá na croa com a torre da capela. Sem dúvida alguma que esta é uma imagem muito singular e daí, ser uma imagem de marca de Vidago. De entre essas casas do anfiteatro há uma casa muito especial ligada, desde a sua origem, a acontecimentos também especiais.

 

Trata-se de uma casa do início do Séc. XX, mandada construir por um benemérito desta vila, Bonifácio da Silva Alves Teixeira, para funcionar como uma escola primária de meninas e na qual mais tarde, filho de dois professores primários nasceria o pintor João Vieira e hoje destinada a ser a sua casa museu onde recolherá parte da sua obra, depois de durante quase todo o século passado ter albergado um pequeno museu, ter sido sede da Junta de Freguesia de outras associações culturais.

 

1600-vidago (674)

 

João Rodrigues Vieira nasceu em Vidago, a 4 de outubro de 1934 e faleceu em Lisboa, em 5 de setembro de 2009. Em 1951 ingressa na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa que abandona passados dois anos, desiludido com o ensino aí praticado. Regressa à terra natal para voltar de novo a Lisboa dando início a “uma intensa e original atividade artística” começando a expor em 1956, ano em que se liga ao Grupo do Café Gelo. Um ano depois parte para Paris onde frequenta a Academia la Grande Chaumière e associa-se a José Escala, René Bertholo, Gonçalo Duarte, Lourdes de Castro, Christo e Jan Voss na fundação da revista e do grupo KWY.

 

1600-palavra

 

Em 1959 recebe uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian para de novo em Paris trabalhar com Arpad Szenes. Mantém a colaboração com o grupo KWY participando na revista e nas exposições de Lisboa (1960), Saarbrücken (1960), Paris (1961) e Bolonha (1962). Em 1964 leciona no Maidstone College of Art, Londres, contactando com o meio artístico britânico, regressando a Lisboa no início de 1967.

 

"A obra de João Vieira desenvolveu-se ao longo de mais de cinco décadas fundamentalmente sob o signo do experimentalismo interdisciplinar em torno de duas temáticas: o corpo e a letra. Do corpo, especialmente ligado aos primeiros trabalhos e aos actos performativos então realizados em Portugal como pioneira manifestação, João Vieira chega à letra, registando a partir da forma do corpo as possibilidades gráficas da sua transformação em letra"

Alexandre Melo, in Arte e Artistas de Portugal

 

1600-teatro-1

 

 

               Pinto quadros por lettras, por signaes,

               Tão luminosos como os do Levante,

               Nas horas em que a calma é mais queimante,

               Na quadra em que o verão aperta mais.

 

                                                                         Cesário Verde

 

 

Bem podíamos continuar por aqui com a obra e vida deste ilustre Vidaguense João Vieira, de tão rica que foi, mas a nossa missão é mesmo Vidago. No entanto quem quiser saber mais sobre a sua obra e arte, deixo aqui uma ligação para o seu curriculum: http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/pintura/joao_vieira/index.html

 

 

03
Jun10

João Vieira - Palavras


 

 

Exposição/Homenagem a


João Vieira

(Vidago 1934 – Lisboa 2009)

 


Centro Cultural de Chaves

de

1  de Junho a 4 de Julho

 

 

 

 

O Teatro 2009 - Acrílico s/tela - 250 x 450 cm

 

 

 

 

Pinto quadros por lettras, por signaes,

Tão luminosos como os do Levante,

Nas horas em que a calma é mais queimante,

Na quadra em que o verão aperta mais.

 

Cesário Verde

 

 

31
Mai10

Crónicas Segundárias


 

 

 

 

 

Ainda a Pintura


 

Na anterior segunda-feira, no meu primeiro post deste blogue, fiz críticas aos autarcas e jornais de Chaves pela falha completa que têm tido na divulgação de um grande pintor da região, o João Vieira. Mas imediatamente houve um comentador do post a informar que a próxima Bienal de Chaves vai ser dedicada ao João Vieira (que até aqui tinha sido ignorado por todos os autarcas que têm passado pelo poleiro, seja de um ou outro partido). Depois disso, na sexta-feira, confirmei a notícia sobre a Bienal ao ler o Semanário Transmontano.


Quem tiver lido o post anterior e soubesse que a Bienal vai ser uma homenagem ao Vieira, poderia ter ficado a pensar que eu também já sabia do acontecimento e estava apenas a armar-me em espertinho, em sonso. Mas não foi nada disso, o que se passou é que eu conheço a arte do João Vieira há bastantes anos, apeteceu-me divulga-la, e, como ando desligado do que vai acontecendo na cidade, também não sabia que a Bienal lhe vai ser dedicada, nem tão pouco sabia que iria haver Bienal! É que apesar do Vieira ser pouco divulgado em Chaves, ainda há pessoas que lhe conhecem a obra, especialmente as pessoas com um nível cultural ligeiramente diferente do dos nossos queridos autarcas.


No mesmo artigo do Semanário, lê-se que a câmara tem um projecto para a criação do Centro de Artes João Vieira, que vai ser feito em Anelhe, presumo. Parabéns, é uma boa iniciativa.


Vou fazer um aparte para uma crítica ao artigo do Semanário. Na frase "A exposição de João Vieira, pai do conhecido vocalista dos Ena Pá 2000, que, em 2005, se apresentou como candidato à Presidência da República, estará patente ao público até dia 4 de Julho.", há uma afirmação errada. O filho do João, o Manuel João Vieira, nunca foi candidato à presidência da república. O que fez foi uma brincadeira em que dizia que se iria canditatar, apresentou um programa cómico (fez o mesmo em 2001), mas nunca chegou a ser um candidato oficial porque as 7500 assinaturas necessárias não foram aceites por terem sido feitas pela mesma pessoa! É um erro pouco importante embora fosse conveniente apresentar factos correctos. Mas já que o artigo era sobre pintura, não percebo porque não se disse que o Manuel João Vieira é também um artista plástico com reputação, com variadíssimas exposições de pintura, ou que a sua arte é requisitada pela Vista Alegre, por exemplo. Parece-me que isto não é dito por ignorância do Semanário. Meus amigos, vocês publicam apenas quatro folhas (a que chamam jornal) uma vez por semana e por isso têm a semana inteirinha para fazer uma coisa decente, apliquem-se!

 

Por outro lado, também muitos não saberão que o João Vieira cantava e até gravou disco em Anelhe.

 

 

 

 

Por falar em Manuel João Vieira, costumo vê-lo em Chaves umas 2 ou 3 vezes por ano, o que parece revelar gosto pela região. Não se perdia nada em convida-lo para uma exposição ou para qualquer tipo de colaboração em actividades culturais, coisas que são escassas na nossa cidade.

Espero que a Bienal corra bem. Tem alguns dos nomes mais sonantes da pintura portuguesa e espanhola,artistas que vale mesmo a pena ver. Não me acredito que do Miró e do Picasso venham obras importantes, o mais provável é que sejam apresentados desenhos ou pinturas "rápidas", coisas que o Picasso fazia em 2 minutos e que se podem ver ocasionalmente em galerias de arte de Lisboa ou do Porto.

 

Convém não esquecer que há picassos e picassos. É que o Pablo ainda tem o nome no Guinness Book of World Records por ser o artista mais rápido do mundo: durante os 78 anos que durou a sua carreira, produziu cerca de 13.500 pinturas e desenhos, 100.000 gravuras, 34,000 ilustrações para livros, e 300 esculturas, perfazendo um total de 147.800 obras de arte.


Há uma história do Picasso relacionada com a sua rapidez em desenhar. Uma senhora pediu-lhe para ele lhe desenhar o seu retrato e o artista acabou-o num instante. A senhora disse-lhe obrigado e perguntou quanto lhe devia, ao que ele respondeu que eram 5000 dólares. Ela espantou-se e perguntou-lhe como é que podia pedir tanto dinheiro por um desenho que lhe demorou 1 segundo a fazer. Ao que o artista respondeu: Madame, levou-me a vida inteira.


Quem estiver interessado em ver a rapidez com que Picasso pintava pode ver algum dos vídeos que se encontram no youtube.


 

Até para a semana, não se esqueçam da Bienal!

 

 

 

 

 


 

 

 

24
Mai10

Crónicas Segundárias - Os Dois Pintores de Chaves


 

.

 

Os Dois Pintores de Chaves

 

Uma das coisas que não aprecio é a maneira como os emigrantes são recebidos quando regressam de férias à terra. Os locais tem por hábito menosprezar-los. Talvez não o fizessem se pensassem das dificuldades que muitos emigrantes passaram para sair do país, nas longas jornadas clandestinas (muitas vezes a pé), no atravessar de rios a nado (em que alguns morreram), e nas dificuldades tidas na chegada a um país desconhecido, como sejam o isolamento social e as saudades que se passam. Nunca percebi este menosprezo pelos emigrantes que bem contribuem para o desenvolvimento das terras natais com a entrada de capital. Não sei se será o comportamento exuberante de alguns deles que provoca alergia aos locais, se a inveja provocada pelos bons carros ou o desgosto com o sucesso dos outros. Se o Zé do Chico (que andava por aí a pedinchar jeiras para comer um caldo), emigra e aparece, passados 2 anos, com um carro maior que o do regedor, de certeza que vai ter que se arranjar algum defeito ao Zé, se não for no cu é nas calças à francesa.


Mas não são só os emigrantes que são sujeitos a tratamento diferenciado. Se alguém migra para uma grande cidade, como Lisboa ou Porto, imediatamente se desconfia que o migrante se acha mais fino que eles (Olha, até já fala à Lisvoa e diz vurro!), já não liga nada à terra, etc. Há até quem ache os migrantes uns traidores que abandonam a terra! O que é uma grande estupidez, porque quem tenha a ambição de exercer algumas profissões, como apresentador de televisão, cientista, ou maquinista de comboios, não o pode fazer em Chaves e por isso tem que sair. Isto não implica que quem sai perca o amor à terra e que não regresse para matar saudades, comer bom presunto, por exemplo, e, também, ser recebido como um finezas, ou simplesmente ignorado.


É o ignorar e menosprezar quem sai da terra que me leva ao assunto de hoje, que é o de Chaves ter dois grandes pintores internacionais mas apenas um deles ser conhecido (na terra, fora dela são os dois bem conhecidos). Um deste pintores é o Nadir Afonso, toda a gente o sabe, e que é uma pessoa simpática e com um grande sentido de humor. O outro, ninguém o conhece nem ninguém fala dele. Infelizmente faleceu em 2009. Mas nem esse acontecimento foi notícia nos jornalecos regionais. Nem sequer no Semanário Transmontano, que é um jornaleco com a mania que é o melhor, mas a mim me parece apenas o menos pior. Também essa má notícia não foi motivo de post aqui no blogue de Chaves.


Já agora, ó Fernando, tu não és obrigado a postar nada, mas há que estar atento, não podes falhar, é que com esta coisa do 1 milhão de visitas, estás com as costas carregadinhas de responsabilidade, o teu blogue tem mais visitas do que os jornais regionais, todos juntos, têm em 50 anos. Porta-te bem, abre a pestana.


Bem, se nenhum dos jornalecos regionais deu a notícia da morte deste grande pintor de Chaves, nem o Semanariozeco Transmontaneco, todos os outros grandes jornais, mais televisões e rádios, a deram.


Esse pintor chamava-se João Vieira e era natural de Anelhe, onde vinha de visita quando lhe apetecia. Podem-se encontrar as notícias sobre o seu falecimento no jornal Público, na TSF, etc.


Para quem não o conhecia, aqui vai um bocadinho da notícia do Público, do dia 5 de Setembro de 2009:

 

Nascido em Vidago, em 1934, João Vieira ingressou em 1951 na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde frequentou os dois primeiros anos do curso de pintura.


Começou a expor em 1956, ano em que se ligou ao grupo do café Gelo, em Lisboa, quando partilhava um atelier por cima deste café com José Escada, René Bertholo e Gonçalo Duarte.


Os quatro, juntamente com Lourdes Castro, Christo e Jan Voss, fundam mais tarde o grupo KWY, em Paris, que fica também conhecido pela revista com o mesmo nome.


Mas antes, em 1957, João Vieira parte para Paris onde é aluno de Henri Goetz na Académie de la Grande Chaumière. Na capital francesa, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, trabalha com o pintor Arpad Szenes, marido da pintora Maria Helena Vieira da Silva.


Depois de outras passagens por Paris e ainda por Londres, onde em finais de 1964 lecciona no Maidstone College of Art, regressa a Lisboa em princípios de 1967 e começa a trabalhar quase exclusivamente como cenógrafo teatral.


A ligação ao teatro terá expressão nas artes plásticas, como é manifesto na sua primeira performance em simultâneo com a sua exposição O Espírito da Letra, realizadas na Galeria Judite Dacruz em 1970.


A RTP2 vai passar hoje às 22h30 o documentário “Pinto Quadros Por Letras” sobre o pintor.

 

O João Vieira foi das grandes figuras da arte portuguesa do século XX, como se lê no Expresso.Teve exposições nas melhores galerias, como o CCB ou Serralves, e ainda produziu painéis de azulejos para estações do metro de Lisboa e Budapeste, ou capas para discos, como do Vitorino.


Agora, pergunto eu: e em Chaves, houve algum dia exposição do Vieira? Não me lembro, penso que não. Porque será? Será porque ele era de Anelhe, da aldeia, ou porque os 15 km de Anelhe a Chaves são distância intransponível? Ou será que foi o ele ter ido viver para Lisboa?


Não sei explicar. O que acho é completamente ridículo que certos pintores de Chaves, que são fracotes (são quase todos, há um ou outro mediano e há o Nadir, claro, e haveria o Vieira não fosse a ignorância), apesar de bons rapazes, sejam convidados, apaparicados, e apoiados para expor aqui e acolá, e um pintor deste calibre tenha sido estoicamente ignorado. É ridículo e obtuso porque Chaves só teria a ganhar com isso, como é evidente, assim como tem a ganhar em receber bem quem bem nos representa fora da cidade.


Mas ainda se vai a tempo. Nada impede que ainda se faça uma exposição com a obra. Talvez seja complicado porque ela deve andar ocupada em mostra-se em Serralves, ou noutras grandes galerias, mas se se consegue o Nadir também se conseguiria o Vieira.


É caso para perguntar ao senhor vereador da cultura "Ó pá, andas a dormir? Olha que a pintura não é só Nadir!". E quem diz perguntar ao actual vereador, diz também a todos os seus antecessores, que pelos vistos de cultos não têm nada, ou muito pouco.


A mim é que não me podem acusar de não defender tudo que é bom da terra, sou dos flavienses mais flavienses que há, até tenho Chaves no nome!


Até à próxima Segunda.

 

António Chaves

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