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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

13
Abr20

Quem conta um ponto...

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Céu muito nublado

 

– Não vás com tanta velocidade.
– Achas que sou oligofrénico?
– Não. Nem por isso. Mas o que é que tem isso a ver com a velocidade?
– Tudo tem a ver com tudo.
– Não sei se és oligofrénico ou não. Tenho a certeza é que aceleras muito dentro das cidades.
– Só dentro das cidades?
– E fora delas. Tu aceleras em qualquer lado.
– Mas achas mesmo que sou oligofrénico?
– O que tu és é maluco.

– Então achas que sou mesmo oligofrénico.
– O que tu és é um chato.
– Modera-te. Oligofrénico sim, chato nunca.
– Que nuvens tão escuras.
– Não disfarces.
– Vem aí uma trovoada das grandes.
– Não desvies a conversa.

– Deixei a roupa a secar na varanda e vai molhar-se toda.
– Eu preocupado com a minha oligofrenia e tu pensas só na tua roupa! És uma ingrata.
– A roupa também é tua e dos garotos. E a ingratidão tem as costas largas.
– Tens razão, as nuvens são mesmo ameaçadoras.
– Eu não te disse?
– Achas que sou mesmo oligofrénico?

– Não, não acho. O Mundo é que não te compreende.
– Assim está melhor. Mas não dizes isso só para me agradar, pois não?
– Não.

– Não?
– Não.
– Escusas de ser tão evasiva.
– Eu não sou evasiva, sou sincera e curta de palavras.
– Então achas que não sou oligofrénico? Não dizes nada?
– Vai mais devagar que isso passa. Temos muito tempo para chegar.
– Mas não disseste que querias chegar a casa rapidamente para apanhares a roupa que se pode molhar?
– Que se lixe a roupa. Eu quero é chegar a casa tranquila e inteira.
– Achas que sou oligofrénico? Achas ou não? Diz a verdade.

– …

– Está bem, eu vou reduzir a velocidade. Começou a chover. Eu gosto da chuva. E tu?
– Olha, liga o rádio.
– O teu basta.
– Achas que sou oligofrénico?
– I’m singing in the rain…

 

Ali e a semiótica

O meu amigo Mário revelou-me que anda triste porque agora já não consegue encontrar indivíduos. Confesso-vos que não percebi bem o queixume. Eu sou mais terra a terra. Ele é que gosta de pensar sobre o que os outros pensam ou não pensam, sobre o que significam determinadas palavras fora do contexto ou dentro dele, de refletir sobre a arbitrariedade das ideologias totalitárias ou sobre a indiferenciação ideológica e política que atravessamos. Fora isso, é até bom rapaz, um eficaz chefe de família, um atinado adepto do F. C. Porto e um rigoroso praticante de desporto, nomeadamente das corridas de karting. Na segunda-feira passada abandonou na mesa do café os seus amigos mais chegados. E isto porque, segundo o próprio, sendo todos de orientação política, futebolística e religiosa diferente, agora estão sempre de acordo. Parecem parvos, diz ele para quem o quer ouvir. Atualmente dizem e defendem todos o mesmo. E repete muitas vezes a frase: “Cada vez existem mais pessoas com as mesmas ideias.” E isso é assustador. Eu também acho que é. Mas penso que não é motivo suficiente para abandonar a mesa das suas amizades. Mesa que frequentou e animou durante 20 longos anos. Foi ali que debateu a questão da semiótica do marxismo, a tática e estratégia da guerra do Iraque na perspetiva de um chinês xintoísta, a liberdade aparente dos ricos, a penúria simbólica dos deputados europeus, a ontologia das operações matemáticas, a liberdade sexual em contexto cibernético, o direito internacional dos cães de caça, a influência da cor dos olhos na reprodução assistida, a importância da linguagem no crescimento dos antúrios e por aí fora, passando pela requalificação da Galinheira, o simbolismo da curva do Caneiro, a inteligência sofisticada dos embriões dos caracóis e o egocentrismo das estrelas-do-mar. A mãe do Mário disse-me que o filho falou na sua barriga, quando andava grávida de sete meses. Por isso ele é tão predestinado.

 

Epístola segunda

Escrevo-te ainda de C. Por aqui continuo a gastar os meus parcos rendimentos mas faço-o cada vez mais com redobrado prazer. O prazer de gastar, de nada deixar a ninguém, nem sequer à Misericórdia, nem a nenhuma outra instituição, seja ela de caridade, cultural, cívica, militar ou protetora dos animais e afins. Por cá a gente atrapalha-se nas ruas. São tantos os que por aqui andam de um lado para o outro que parece que o ar para respirar nos falta. Este formigueiro em constante movimento por vezes põe-me louco. Como louco fiquei quando soube que o canguru que deixei à tua guarda desapareceu na noite. É que eu tinha uma consideração peculiar pelo animal. Além de ser de estimação, era um ser estranho, mas profundo. Eu costumava falar muito com ele. E ele ouvia-me com muita atenção, interesse e bonomia. Interlocutor assim nem mesmo tu o consegues ser. Digo-te que ando um pouco desconfiado que foste tu quem o deixou fugir. Bem, fugir não, pois o animal não era de fugidas. Estava muito habituado à minha casa. Andava pelo jardim com muito estilo, cantava lindas canções de embalar que ouvia à governanta, assobiava com bastante intensidade e tocava muito bem o tambor. Por vezes até tratava da horta e tinha um carinho especial pelo talhão dos tomates e das cebolas. Desconfio que o expulsaste de casa ou o vendeste ao circo. Se tal fizeste juro que to farei pagar em duplicado, pois sou muito bem capaz de te esganar a catatua que te trouxeram do Brasil e depois assá-la e comê-la na companhia do meu cão de caça. Que te desfizesses do esquilo esquizofrénico ainda vá que não vá, agora expulsares-me o canguru da quinta ou vendê-lo ao circo, isso é uma afronta muito séria à minha pessoa e à nossa profunda amizade. E sabes bem que uma amizade pode resistir a tudo menos aos golpes baixos e aos ciúmes. Como me dói muito a cabeça, vou-me até ali à farmácia comprar umas aspirinas. Despeço-me até à próxima, enquanto aguardo que me restituas o canguru, senão vai ser o cabo dos trabalhos para nos tornarmos a dar como irmãos. Que é aquilo que somos na realidade. Envio-te este postal com um pedido de desculpas, é que no quiosque não havia outro e este é um pouco enigmático, mas nalguma coisa tinha de escrever. PS - Peço-te encarecidamente que continues a dar de comer e beber aos meus queridos animais. Especialmente à serpente coral do Texas (Micrurus tener).

 

João Madureira

 

27
Mar20

O Factor Humano

1600-cab-mcunha-pite

 

 

Resistir para transformar

 

Em tempos difíceis, todos temos de desempenhar múltiplas funções. O enquadramento humanista deve estruturá-las a todas. Ficam dois textos distintos, um em que, como médico, abordo directamente a situação que estamos a viver. Outro em que escrevo alguns poemas sobre as mãos. Aquelas que temos de lavar uma e outra vez, mas nunca como Pôncio Pilatos. Mãos que servem também para escrever e para tanto mais como procuro deixar nestes poemas.

 

 

As responsabilidades de cada um

 

Os dias actuais são de grande preocupação perante a actual pandemia de Coronavirus (Covid-19).

 

É altura de cada um assumir as suas responsabilidades, modificar comportamentos, informar-se e informar. Sem pânico, mas respeitando uma situação grave.

 

O quadro é muito sério no Mundo, na Europa e também em Portugal. mas é possível controlar a situação e ultrapassarmos esta "curva apertada".

 

A China é a prova disso. Há um mês atrás, a sua situação parecia descontrolada. Mas, com o empenho das autoridades, dos profissionais de saúde, e de cada um dos chineses, estão actualmente a ultrapassar a situação. Para isso foi preciso investir, construir e equipar hospitais em tempo recorde, mobilizar meios humanos e materiais. Foi indispensável disciplina e persistência em larga escala. Houve empenho e respeito pelo outro.

 

É importante que rapidamente reflictamos somos a estratégia implementada, porque ela funcionou. A taxa de mortalidade da infecção por Coronavirus é mais baixa do que aparentam os terríveis números de Itália. Muito provavelmente em Itália não foi feito um despiste em larga escala na população. Já na Coreia do Sul, onde esse despiste foi feito, a taxa de mortalidade parece ser 5 a 10 vezes menor do que a de Itália.

 

De qualquer forma, o cenário de atingirmos milhões de infectados na Europa é o mais provável. mas tal não é motivo para desistirmos de controlar a propagação do vírus. Assim a contenção nos contactos físicos, o respeitar a "etiqueta respiratória" em relação à tosse e aos espirros, evitar contactos próximos para além do estritamente necessários é importante.

 

E lavar as mãos frequentemente, com água e sabão, lavar as mãos, lavar as mãos... (ou desinfectá-las com solução alcoólica).

 

Em Portugal temos um população muito envelhecida e debilitada, parte importante dela em lares de terceira idade. Serão eles principalmente os mais frágeis perante a contaminação.

 

É necessário ouvir as recomendações da Direcção Geral de Saúde (DGS) e também é importante que estas recomendações sejam adequadas à situação e sejam feitas no momento certo.

 

É importante que a DGS ouça os profissionais de saúde que estão no terreno.

 

Os profissionais de saúde tem de ser protegidos, pois eles são indispensáveis neste processo e são também os mais expostos ao risco de contaminação.

 

Felizmente temos um Serviço Nacional de Saúde (SNS), que apesar da desnatação e do empobrecimento que sofreu nos últimos anos, é público, está ao serviço de todos e permite uma articulação directa com as estruturas de decisão política em saúde.

 

O nosso SNS tem profissionais tecnicamente competentes, de uma grande dedicação e com grandes qualidades humanas. É necessário dar-lhes meios materiais e financeiros, de forma a uma rápida decisão e uma rápida actuação. A situação vai ser crítica, provavelmente, na área dos cuidados intensivos, onde a resposta poderá estar limitada por falta de instalações, de equipamentos e de recursos humanos Tal era o alerta há muito tempo dos profissionais de saúde, dos sindicatos de médicos e de enfermeiros e da própria Ordem dos Médicos.

 

Mas o SNS tem de responder ao mesmo tempo a todas as outras necessidades de saúde da população, adaptando-se, como é evidente, a uma situação de excepção. Senão muitos serão os sofrimentos e muitas serão as mortes mesmo daqueles que não contactarem com o vírus.

 

As responsabilidades são também do lado do Governo não pode haver mais atrasos na definição de estratégias. Não pode haver mais erros. Tem de haver um ágil, rápido e eficaz apetrechamento a todos os níveis dos hospitais públicos. As cadeias de comando têm de incluir profissionais com experiência e com capacidade de liderança. Temos de saber ouvir de saber esvaziar conflitos desnecessários, porque esta vai ser uma maratona, não vai ser um sprint.

 

 Há muito que eu e outros temos alertado para os perigos do enfraquecimento do SNS.

 

Agora não há margem para adiamentos.

 

Mas o período que atravessamos não é para divergência, é para convergência. Na sociedade tem de predominar a solidariedade e o humanismo. E estou convicto que não vamos falhar.

 

 

 

As Mãos (1)

 

Há mãos que se dão

E mãos que nos dão

Toma a minha mão

Não digas que não

 

Há mãos que são mães

Outras que são pão

E estão quando vens

E nunca se vão

 

 

As Mãos(2)

 

Há mãos que ao fazer

Brotam dignidade

Orgulho de ter

Tal capacidade

 

Há mãos que nos dedos

Têm tal talento

Que rasgam sem medos

Caminhos pro vento

 

 

As Mãos(3)

 

Há mãos pra sonhar

E pra proteger

Mãos para encantar-me

Ao adormecer

 

Mas mesmo sem mãos

Teremos carinhos

Dedos da emoção

De estarmos juntinho

 

 

As Mãos(4)

 

Vidas miseráveis

De dedos que sofrem

Das mãos que são hábeis

Toquem no que toquem

 

Ao darmos as mãos

Nós somos mais fortes

Rompemos as rimas

Sem medo da morte

 

 

Manuel Cunha (pité)

 

28
Fev20

O Factor Humano

1600-cab-mcunha-pite

 

Os rios começam a anunciar a pesca...

Como quando chove , crescem os poemas que nascem dos rios

Alguns transbordaram para este blog, outros chegaram ao mar...

 

1600-Segirei (42).jpg

 

 

Ao meu pai

 

No palácio , em Segirei ,tudo é singelo

Abertas as portadas a nascente

Aceso o lume e morto o vitelo

A baixela já limpa e reluzente

 

Aprumam-se os amigos em abraços

Afina-se a orquestra novamente

Aguardam-se os heróis que em largos passos

Regressam de pescar no rio Mente

 

1600-(30655)-pite.jpg

 

 

Pesca

 

Para todo aquele que pesca

Toda a chuva é uma festa

Água que vem lá de cima

De um rio que não termina

 

Baptizado universal

Para quem nunca pe(s)cou

É a vida ao natural

Dum pe(s)cador como eu sou

 

1600-s-goncalo (107)-pite.jpg

 

 

Não há mar

 

Sou apenas daqueles

Que conhecemos rios

Que desaguam nas serras

Sem nunca se confundirem com o mar.

 

1600-furadouro (193)-pite.jpg

 

 

O meu Mar

 

O mar mais que uma promessa

Ele é túmulo ele é cama

Daquele que nele adormece

Ou doutro que nela ama

 

De quem lá vai trabalhar

Ou de quem brinca a pescar

Há mar no fim do amar

Podes amar-me sem mar?

 

E não há mar sem maré

Sem água que volte e vá

Ora perdemos o pé

Ora a água já não está.

 

 

Manuel Cunha (pité)

 

 

11
Jan20

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Onde?

 

Onde é tu andas?

Onde pára o teu sorriso?

Não te vi de noite,

Nem te vi de dia!...

 

Procurei-te no caudal do rio,

E nas flores que restam.

Nem o teu sorriso murchou com as flores

Nem se desfez com a força do caudal.

Depois da chuva, chegou o frio que penetra.

Ontem a muita música que ouvi,

Inundou-me a alma, com a emoção que se espalhou em mim.

 

O meu país, vai caminhando seguro e sereno.

Entretanto, eu queria que me aquecesses,

Com os teus olhos, com as tuas mãos, com a tua boca.

 

A minha entrada no novo ano,

Seria mais feliz!...

Mas é melhor viver sem felicidade,

Do que sem amor.

 

Amar-te-ei para sempre!

  

António Roque

 ( chaves,6/1/2020)

28
Nov19

A poesia de uma imagem de outono

Escrita ou por escrever no Tabolado de Chaves

1600-(46898)

 

Dizem que a fotografia é uma forma de congelar um momento para todo o sempre, o que sem qualquer dúvida, é verdade, mas quem verdadeiramente a vê, observa e contempla, vive nela mais que o momento congelado. Dependendo de quem a vê, se conhece ou não o local, pode despertar em cada um vários outros momentos. Para quem não conhece o momento congelado, pode apreciar a imagem, a composição, a cor e, ocasionalmente, despertar outros sentimentos. Para quem conhece o local, é inevitável não resistir ao convite de entrar na imagem como quem entra na memória, povoando-a de outros momentos vividos, recordações que ficaram, também elas congeladas na memória tal como esta imagem o ficou nesta fotografia, como se fossem momentos de poesia, onde as folhas caídas não são mais que versos de poemas que nunca foram escritos.

 

 

02
Nov19

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

 

A LUA

 

                        O teu perfume inebriava

                        Na tua elegância tão frágil,

                        Que apetecia tanto.

 

                        Todo o teu corpo

                        Tinha oriente na pele.

 

                        A tua boca

                        Falava sorrisos

                        Para mim.

 

                        E os teus olhos

                        Projetavam claridade

                        Nas minhas sombras.

 

                        Quero descobrir os teus lugares recônditos.

 

                        Entretanto,

                        Dá-me a tua lua para eu adormecer.

 

António Roque

 

28
Set19

Pedra de Toque

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UM SORRISO.

 

                        Chamava-se Conceição, a minha mãe.

                        Era no entanto conhecida e tratada por quase toda a gente, simplesmente por São.

                        Pessoa de muitas amizades, espalhava simpatia e simplicidade, qualidades que os filhos muito lhe apreciavam.

                        Era uma mulher bonita.

                        Ainda quando solteira ganhou o terceiro prémio num concurso onde se elegeu a mulher mais linda da nossa cidade.

                        Até ao fim da vida, foi uma mulher de luta, de trabalho e de uma dedicação sem limite aos seus três filhos.

 

                        Lembrei-me há dias dela num sorriso fugaz, mas intenso e luminoso, que me ofereceram numa sessão pública onde estive presente, e que se colou aos meus olhos.

                        De tal sorte que ainda o trago comigo.

 

                        Que saudades mãe.

                        Obrigado São.

 

António Roque

18
Ago19

Pedra de Toque - O Olhar

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O OLHAR

 

 

Se não eras tu, era alguém com os teus olhos.

 

Verdes, fundos, mas mais baços, mais tristes...

 

Outrora eram brilhantes e sorriam a cada esgar.

 

Ruborizavam quando no jardim atapetado de Outono te murmurava que contigo encantaria todas as noites e que sem ti o futuro seria breu.

 

Passaram cinquenta longos anos.

 

No bulício da rua na grande cidade, revi o teu olhar sedutor, envolvo em pequenas rugas que vincavam tua pele sedosa.

 

O teu semblante e o teu corpo não exalavam a frescura que ainda consegui respirar na momentânea  viagem pela memória que me levou ao passado.

 

O tempo é inexorável. Cruel, muitas vezes.

 

Porque impiedosamente degrada, enruga, definha.

 

Para nos salvarmos é importante resguardar a memória, perscrutar a beleza que permanece por dentro.

 

Nem que seja através dos silêncios.

 

Nem que seja através do olhar.

 

 

António Roque

 

06
Jun19

Um pensamento poético sobre Chaves...

1600-(46407)

 

Um pensamento poético sobre Chaves!?

 

Às vezes, há palavras que sugerem imagens, outras vezes, é ao contrário, isto é, as imagens sugerem palavras, como no caso de hoje em que uma imagem atual me fez recuar 100 anos atrás para a rever nas palavras de Mário de Sá Carneiro:

 

Eu não sou eu nem sou o outro,

Sou qualquer coisa de intermédio:

Pilar da ponte de tédio

Que vai de mim para o outro.

 

 

Mas o que eles não sabem, é que as imagens também se constroem…

 

 

 

01
Jun19

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

Cristina

 

O Brunheiro chorou por ti,
Quando tu morreste.

 

As lágrimas desceram tristes,
As encostas verdejantes
E desaguaram nas levadas
Que as conduziram ate aos nossos olhos.

 

As flores da tua casa
Perderam viçosidade
Com tristeza
E com a saudade.

 

Eras miúda,
eras menina,
foi assim que te conheci,
querida Cristina.

 

Sempre lúcida,
Sempre doce,
Sempre ao lado do progresso,
Com “ Abril dentro do peito”.

 

A literatura fascinava-te.
Os teus alunos e as palavras dos poetas empenhados,
Permaneceram até ao fim.

 

Foste a primeira “Ponta Solta” que definitivamente me deixou

 

Permite-nos que sejamos teus herdeiros
Da muita poesia que te corria no sangue.
Para nós amiga, não morreste!
Permaneces …
Eras miúda
Eras menina,
Quando te conheci,
Querida Cristina !

 

António Roque

 

 

 

 

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