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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Mai19

De regresso à cidade...

Para blog Chaves em https://chaves.blogs.sapo.pt

 

Pois é, cá estou de novo a regressar à cidade, hoje com uma passagem pela praça do Duque, que, faltou só um bocadinho e nem na foto ficava, mas ficou a “mariana” do Sr. Lameirão… é assim, o raio de sermos de uma cidade pequena faz com que se conheça toda a gente, saber quem morava nas casas, de quem era mãe e avó, há quantos anos morreu, tantos quantos a casa está fechada, claro  que me refiro à casa em frente da qual a  “mariana” do Sr. Lameirão está estacionada, e estacionou lá, porque ele, que também é desta cidade pequena,  também sabia que nela não morava gente. Sei, ou sabemos, porque uma das almofadas da porta da capela da Santa Cabeça é de formato e cor diferente, e há quantos anos aquela porta e janela por cima da cabeça do duque não abrem, mas tudo isso é porque somos de cá, estamos cá e convivemos dia a dia, com o dia a dia que cada dia passa por nós. Mas isso, hoje, pouco interessa, pois o tema de conversa vai ser outro, feito de outro regresso, o do Desportivo de Chaves, que também regressou à cidade com o penoso fardo de também regressar à segunda divisão, ou segunda liga ou lá o que é…sei que, tudo isto foi depois de Portugal nem sequer ter ido à final do festival da eurovisão,  do Benfica ser campeão, do Porto ficar de beiça e do Sporting ver mais uma vez o campeonato passar-lhe ao lado, e ainda, tudo isto, quando estamos em campanha eleitoral daquelas eleições que tanto faz, para nós e para eles, a não ser para ver como andam as intenções de voto para as outras eleições que vêm aí. Por cá não há campanha, talvez por isso ainda nenhum dos candidatos tenha aparecido por cá, aliás nem fazem cá falta nenhuma…

 

Boa semana!

 

18
Mai19

Seixo - Chaves - Portugal

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Estava prometido e cá estamos com a aldeia do Seixo, uma das aldeias do vale da Ribeira de Oura.

 

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Seixo para além de ficar no vale da Ribeira de Oura é também uma aldeia da estrada 311. Já há tempos nos referimos a esta estrada como uma das estradas mais bonitas de Portugal (das que eu conheço), tudo por ser uma estrada de montanha. Penso mesmo que em vale, esta estrada, só mesmo do Seixo a Vidago é que é mais ou menos plana e sem grandes curvas, de resto é tudo em montanha e passa por quatro concelhos – o de Chaves, Boticas, Montalegre e Cabeceiras de Basto, Ou seja, liga o Alto Minho a Trás-os-Montes passando pelo Barroso.

 

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Estrada 311 que em tempos foi classificada com Estrada Nacional mas que hoje em dia para além de Estrada Nacional é também Estrada Regional e Estrada Municipal, ou seja, desde Cabeceiras de Basto até Boticas é Regional - ER311, de Boticas a Vidago é Nacional – EN311 e desde Vidago ao Peto de Lagarelhos passou a ser Municipal – EM311.

 

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Mas deixemos esta curiosidade de parte e partamos até ao Seixo, que fica num dos itinerários alterativos para se ir até Vidago, principalmente se formos em maré de passeio e apreciação, nas calmas, mesmo porque a estrada nos recomenda que se faça sem pressas.

 

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Pois o Seixo fica mesmo onde começa o estreito vale de da Ribeira de Oura que se vai prolongando (vale e ribeira) até desaguar no Rio Tâmega. Aqui no Seixo o vale desenvolve-se em ambas mas margens da Ribeira mas não tem mais que 200m de largura.

 

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Também a aldeia do Seixo se desenvolve em ambas as margens da Ribeira, mas principalmente entre a EM311 e a Ribeira de Oura. Na margem esquerda da ribeira apenas um pequeno bairro, a capela e em tempos a escola primária. Escola esta que foi de pouca dura, pois ainda me lembro de ter sido construída nos anos oitenta, escola de uma sala apenas que só funcionou durante uns anos.

 

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Seixo para além de aldeia de passagem da EM311 funciona também como cruzamento, embora com caminhos municipais, por um lado florestal e pelo outro agrícola. Pois desde o Seixo temos ligação também a Ventuzelos (estradão) e a Vila Boas (estradão) por um lado e para o outro um caminho agrícola pavimentado que nos liga a Matosinhos. Caminhos interessantes para quem anda em descoberta/aventura, mas não muito recomendáveis para tomarmos como ligação a essas aldeias, mesmo o que está pavimentado , pois as suas funções é mesmo de caminho agrícola onde mal cabe um carro, não dando mesmo para dois carros se cruzarem, daí a aventura, pois a qualquer momento poderá ter de fazer uma marcha atrás prolongada até encontrar um ponto onde duas viaturas possam cruzar.

 

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Quanto ao Seixo, aldeia, é uma povoação pequena, com uma casa senhorial com capela a ocupar a parte central da fachada principal a confrontar diretamente com a rua principal da aldeia que desce até à Ribeira de Oura.

 

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Não conheço a história desta aldeia mas tudo indica que a aldeia poderia ter nascido a partir deste casal senhorial, mas isto sou apenas eu a supor, a verdade é que esta casa se destaca das restantes construções do Seixo.

 

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O restante casario é um misto de construções tipicamente transmontanas, de pedra de granito à vista e construções mais recentes, com o núcleo mais antigo entre a estrada e a tal casa senhorial.

 

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Claro que todo o casario, a sua grande maioria, está fora do pequeno vale, deixando as terras mais férteis para o cultivo, ocupando o casario os terrenos inclinados.

 

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Quanto à agricultura que aqui se pratica, é o habitual da nossa região, mas ultimamente no Seixo a vinha tem ganho terrenos, na propriamente na zona de vale, mas na mais inclinada, com vinhas novas, bem tratadas e pela certa pensada para fazer bons vinhos, acompanhada por técnicos dessa área. Mais uma vez sou eu a supor pois o aspeto das vinhas a isso nos leva a pensar.

 

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Quanto ao envelhecimento da população e despovoamento, notoriamente ambas as coisas acontecem, Seixo não é exceção à restante maioria das aldeias do concelho de Chaves e concelhos vizinhos.   

 

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Quanto às imagens, são as possíveis, não há muita escolha, pois a aldeia é pequena, mas mesmo assim tem motivos interessantes e variados para composições também interessantes e, claro, variadas, nem que seja recorrendo àquilo que a natureza nos oferece.

 

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Claro que também não falta a componente humana, que diga-se, em todas as deslocações que fiz ao Seixo, há sempre gente na rua. Mas também nos campo há vida, que dos seus habitantes na lide das suas hortas e outros cultivos, mas também alguns animais domésticos.

 

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Por último, e tal como ultimamente vem sendo habitual, fizemos um pequeno vídeo com algumas imagens que até hoje fomos publicando no blog. Espero que gostem. Termina também aqui o passatempo das 7 diferenças. A solução já está nos comentários, decifrada por um blog amigo.

 

Fica o vídeo e o link para poder ter acesso a ele, diretamente, no youtube:

  

Link para o Video: https://youtu.be/LqFo54s4O0w

16
Mai19

Cidade de Chaves - Um olhar e um poema

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AO ROSTO VULGAR DOS DIAS

 

Monstros e homens lado a lado,

Não à margem, mas na própria vida.

 

Absurdos monstros que circulam

Quase honestamente.

 

Homens atormentados, divididos, fracos.

Homens fortes, unidos, temperados.

 

Ao rosto vulgar dos dias,

À vida cada vez mais corrente,

As imagens regressam já experimentadas,

Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.

 

Imaginar é conhecer, portanto agir.

 

 

In "No Reino da Dinamarca", de Alexandre O'Neill

 

 

 

 

14
Mai19

Um regresso à cidade, de comboio!

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Como ontem não pude regressar à cidade, não regressei, por isso faço-o hoje, a fazer de conta que cheguei no comboio da noite… como muitas vezes cheguei! Outros tempos, infelizmente o comboio foi a primeira coisa que os de Lisboa nos roubaram, mas do mal, o menos, ficou o edifício da antiga estação e respetivas instalações de apoio que foram transformadas em centro cultural, em instalações municipais de apoio à cultura e educação e uma espécie de museu do comboio, pelo menos tem lá duas locomotivas, umas carruagens e uns metros de via, estreita, mas não tão estreita como a mente que acabou com ele. E com esta regresso à cidade!

 

Até amanhã!

 

 

 

13
Mai19

O Barroso aqui tão perto - Vila da Ponte

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No Barroso aqui tão perto de hoje vamos até à aldeia e freguesia de Vila da Ponte. Ao contrário do que temos feito até aqui, iniciando com as nossas impressões pessoais sobre aquilo que vimos e sentimos nas nossas visitas a Vila da Ponte, vamos já para aquilo que oficialmente se diz sobre a localidade ou aquilo que encontrámos nas nossas pesquisas em documentos e outra bibliografia, com as nossas anotações, quando necessário ou acharmos oportuno. Iniciamos então pelo seu brasão da freguesia e logo de seguida o que se diz na página oficial do Município de Montalegre.

 

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Escudo prata, três feixes de três espigas de trigo de verde, atadas de vermelho; em campanha, ponte de três arcos irregulares de negro, lavrada de prata, movente dos flancos e nascente de um pé ondado de azul e prata de três tiras. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro: «Vila da Ponte - Montalegre».

 

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Ná página oficial do Município de Montalegre temos o seguinte:

 

Vila da Ponte

Sendo uma das freguesias barrosãs com menos área distribuída é, porém a mais produtiva por metro quadrado de terreno.

Por outro lado, a povoação sede ainda é uma das mais populosas, pois aparece em oitavo lugar (ao lado de Solveira) no conjunto dos 135 povoados do concelho. Tal indicação (ao lado de outros indicadores bem significativos) deve servir como aviso aos poderes vigentes no sentido de providenciarem uma distribuição mais equitativa dos benefícios às populações. É a única freguesia que não tem acesso à outra povoação!

 

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Das glórias de que sempre gozou (sem que alguma vez tivesse pretendido obstruir as legítimas capitalidades – honras, coutos e sede concelhia) todas lhe vão sendo injustamente sonegadas com evidentes malefícios para uma população ordeira e esclarecida! Orgulha-se das suas villae, disseminadas ao longo do ubérrimo vale e várzeas e bem testemunhadas em documentos medievais e na toponímia vigorante; dos seus castros estrategicamente colocados sobre linhas de água que entram no Regavão; dos seus monumentos funerários (tipo/cistas, achados em dois outeiros, Donim e Gorgolão, sobre os quais corriam lendas cheias de encanto; do seu outeiro (altarium) onde os mais remotos indígenas ergueram altar para adorar os seus deuses e sobre o qual, ao lado do Paço (que hoje é o cemitério local) edificaram o seu oratório ou basílica, que é agora a igreja; da sua velhíssima ponte que unia os vales marginais e que, durante séculos, foi a única passagem invernal para as povoações de entre-os-rios. Por falarmos do rio lembramos que devemos continuar a dizer Regavão.

 

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Com v ou com b, não importa visto que não tratamos de modismos. Mas era assim sempre que o povo dizia! E dizia bem como sempre! Ora, o mais antigo documento conhecido até hoje chama-lhe Regavam (1258)! Que nós saibamos é o único rio transmontano que se pode gabar de ter uma monografia publicada em letra de forma, da autoria do Prof. da Universidade de Coimbra, Raul Miranda, em 1938.

 

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Área: 10.7 km2

Densidade Populacional: 16.4 hab/km2

População Presente: 176

Orago: Santa Maria Madalena

Pontos Turísticos: As Cistas; Moinhos; Igreja e Museu Paroquial; Canastros; Castros e Via Romana ( Vila da Ponte).

Lugares da Freguesia(2): Bustelo e Vila da Ponte.

Morada: Junta de Freguesia de Vila da Ponte, Rua do Outeiro da Costa n.º 2

5470-543 Vila da Ponte - Montalegre.

 

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Aqui talvez seja interessante referirmos o comportamento do número de população residente ao longo dos anos, desde que há registos de censos (a partir de 1864).

Pois então é assim, nesse mesmo primeiro ano de registos, a freguesia tinha 379 habitantes residentes. A população esteve sempre a crescer até ao CENSOS de 1930, em que atingiu os 466 habitantes, descendo nos CENSOS de 1940 para 421 habitantes e subindo novamente em 1950 para os 570 habitantes.  Este último acréscimo de 149 habitantes, pela certa que se deveu à construção da Barragem da Venda Nova em que a freguesia atingiu o máximo da sua população até aos dias de hoje, pois a partir de 1950 a população tem vindo sempre a descer, atingindo nos últimos CENSOS apenas 178 habitantes residentes. Se a matemática funcionar, segundo a linha de tendência do comportamento da população, em 2050 a freguesia da Vila da Ponte não terá habitantes.

 

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Os números do último parágrafo, à primeira vista, são preocupantes, isto se forem analisados isoladamente. Já não o são tanto porque o que se passa na Vila da Ponte passa-se em quase todo o interior de Portugal. São números do despovoamento rural em que os senhores de Lisboa já deveriam estar a trabalhar seriamente neles para os contrariar, isto antes que se atinja o ponto de não retorno, isto é, em que vai ser impossível contrariar o despovoamento total. Aí, lá teríamos que dar razão àquela velha máxima de “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem!”. Mas vamos acreditar que não, vamos ser otimistas e acreditar em soluções para contrariar este problema.

 

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Passemos à monografia de Montalegre, cujo autor, ao que sei, é um vila-pontense.

 

Castros “Celtizados e Romanizados”

Apesar de não existir uma Carta Arqueológica do Concelho, cumpre deixar dito que há inúmeros monumentos que merecem referência. O nosso território foi habitado desde o Megalítico como fazem prova os muitíssimos monumentos desse período e que a nossa toponímia preserva: antas, mamoas, motas, forninhos, dólmenes, etc. Estas construções estão disseminadas por todo o concelho. Da mesma época, mas muito mais raros (e denotando já um avanço importante nas técnicas de produção de cerâmica) são as Cistas de que temos exemplares conhecidos e únicos, em Trás-osMontes, na Vila da Ponte.

 

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Ao nível artístico e artesanal os Celtas não têm paralelo. Os seus objectos de adorno, em oiro, prata, cobre, ferro e bronze são fruto de uma perícia manual imbatível. Vejam-se, a título de mera referência, os torques de oiro do castro de Outeiro ou os objectos de bronze de Solveira e Vila da Ponte, aqueles expostos no Salão Nobre da Câmara Municipal e este no Museu Dr. Mendes Correia, na faculdade de Ciências do Porto, onde se encontram também os três vasos da 1ª Cista da Vila da Ponte, dita de Donim, achada em 1931.

 

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Achados - Moedas

Os achados de conjuntos monetários mais importantes são os de Penedones (doze denários de prata que se perderam), da Vila da Ponte (cinco excelentes denários de prata e alguns bronzes médios), Minas da Borralha com mais de 3 mil médios bronzes e Montalegre, com mais de novecentas peças, quase todas denários com magro banho de prata. As moedas destes achados não ultrapassam o século III. Da mesma altura são as aras votivas a várias divindades, que os romanos acolheram, como o Deus Larouco (Vilar de Perdizes); outras dedicadas ao deus Júpiter (Vilar de Perdizes e Chã); e outras mais, anepígrafas, em Pitões e Tourém. Ainda desses recuados tempos são as estelas funerárias cujo exemplar mais conhecido, segundo Hübner, relatava a morte de um tal “Camalo Mibois, falecido na idade de 46 anos” à descida para o rio Cambela, entre Vila da Ponte e Friães, junto da via romana.

 

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As Igrejas, Capelas, Alminhas e Cruzeiros

Vestígios de estilo românico nas Igrejas de S. Vicente da Chã, Viade e Tourém. É justo salientar que diversas outras igrejas datam dos primeiros tempos da monarquia e seriam incluídas nesse estilo. Acontece que foram sofrendo remodelações – muitas vezes a fundamentis – que as descaracterizaram. A última grande febre dos arranjos deu-se nos princípios do século XVIII e, por isso, os edifícios exibem datas dessa altura. Por exemplo: Pondras -17; Santo André- 1813; Vila da Ponte – 1710, etc. Contudo, a maior riqueza das nossas igrejas encontrase no interior: tanto em muitos dos seus santos que escaparam à usura de sacristães, padres e “homensbons”, como na talha que as orna, sendo que uma boa parte dela se deve a ignorados artistas autóctones. Merecem algum realce certos exemplares como Salto, Santa Marinha, Covelo, Vila da Ponte, Viade, S. Vicente, e sobretudo, pelo ruralíssimo e humílimo conjunto de talha de S. Miguel de Vilaça.

 

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Os cruzeiros são mais de 60 e se lhes juntarmos os calvários ainda existentes com as cruzes das estações da via sacra serão três vezes mais. Destacam-se o de Salto, Pondras, Mourilhe, Codessoso de Meixedo, de Montalegre, o da Interdependência da Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!

 

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Os Penedos

São célebres por conterem inscrições ou gravados e, portanto, históricos: O penedo de Rameseiros, o afloramento de Caparinhos, o Altar de Pena Escrita (Vilar de Perdizes), O Penedo dos Sinais (Viveiro-Ferral), o Penedo do Sinal, o Penedo da Ferradura e a Pedra Pinta (Vila da Ponte), o Penedo de Letra (Gralhas), o Penedo de Pegada (Ferral). São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos) A Casa dos Mouros ( Morgade), o Penedo Sagrado (Salto) A Mesa do Galo (Borralha-Salto), o Penedo da Caldeira (Vila da Ponte), o Castelo (Fervidelas), A Fraga, os Cornos da Fonte Fria, Altar de Cabrões (Pitões), o Altar da Moura (Frades-Cambezes) A Pedra Bolideira (Ponteira – Paradela), o Penedo do Touro (Chãos-Cabril) “ ao abrigo dele se podem defender das inclemências do tempo mais de duzentas cabras”, os Pedralhos (Vila da Ponte) onde escreviam o nome os emigrantes para o Brasil, alguns dos quais nunca regressaram à terra, a Pedra da Gola Furada e a Pedra que Tine (Seselhe), o Penedo Buraco da Serpe (São Ane - Cabril) e uma infinidade de outros mais ao longo do concelho de Montalegre.

 

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A Aldeia

Moram em casas de granito, algumas muito bonitas, mas a falta de educação estética e de outras educações, leva alguns a substituir os seus materiais por outros mais brilhantes e coloridos mas menos duradoiros e eficazes. Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído. Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.

 

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Embora a monografia de Montalegre apresente a imagem de um canastro de Vila da Ponte, não lhe são dedicadas nenhumas palavras em particular. Assim sendo, deixo eu aqui algumas palavras sobre o mesmo, pois é o maior canastro que eu vi até hoje, mesmo os maiores que vi, estão bem longe de atingir as dimensões deste, parece um comboio de 8 carruagens com os seus 8 módulos. Também os restantes canastros de Vila da Ponte, quer em número quer em tamanho são de considerar, demonstrando bem a riqueza das terras da freguesia.

 

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Por falar na riqueza das terras de Vila da Ponte fica mais um apontamento nosso. Numa das tardes em que fomos por Vila da Ponte, no café junto ao cruzeiro, em conversa com alguns habitantes, entre os quais estavam dois emigrantes em férias, um vindo do Brasil e outro da Inglaterra, este o Sr. Manuel Miranda, 74 anos,  com o qual conversámos mais, dizia-me ele a certa altura da conversa:

De Braga a Chaves não há outra aldeia como esta. Estou na Inglaterra há 44 anos, passo o verão aqui na Vila da Ponte, mas já fui à força, para Moçambique, 3 anos, para a tropa, com uma filha feita, depois vim e fui a salto para França, em 1968, estive lá  4 anos a trabalhar na construção civil… só quem conhece a vida antiga é que pode dizer alguma coisa. Havia aqui agricultores que quando chegava a arranca da batata, era o mês inteirinho e todos os dias havia aqui camiões a carregar batata para o Porto e Lisboa.

 

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Continuemos com a monografia de Montalegre:

 

Artesãos e Artesãs

Talvez seja preferível falar de artesãos do que de artesanato. Afinal, a par do Padre - Nosso e do Responso a Santo António, uma das primeiras coisas que a criança de Barroso aprendia, se rapariga, era bordar e fazer meia. Uma boa parte aprendia a tecer (há ainda grande quantidade de teares por essas aldeias) e a fazer tecidos, alguns dos quais lhes iriam servir de vestuário. Então as nossas igrejas e capelas mostravam à saciedade que afinal as mãos das mulheres de Barroso embelezavam como nenhumas outras os seus altares de devoção. Lindas toalhas de linho laboriosamente rendadas, com motivos locais e de simbologia caracterizadamente cristã. Desde sempre tivemos artesãos entre os melhores!

É ver a obra de Pedro Gonçalves “carpinteiro de Cambeses que depois casou em Salto” em cuja Igreja deixou “o taburno onde estão os Cristos na Capela do Senhor e o andor…”

É ver o que resta da obra do João Gonçalves Pintor, de Vila da Ponte (que fez a sua própria casa e cujas proporções deliciam ainda hoje os modernos arquitectos que a conhecem) pintor de nomeada que o distinguia dos mais e passou a apelido de família. Artista emérito que fazia as tintas de óleo com que pintava as suas obras sobre madeira de castanho. São conhecidos apenas dois quadros seus: um das Almas do Purgatório e outro de Santo António de Lisboa.

 

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Figuras

Há criaturas que pelas suas qualidades únicas servem de modelo aos comuns mortais e servem de título às diferentes páginas da História dos povos. Barroso também as tem. Dentre umas boas dezenas sobressaem os que aqui elencamos:

(…)

- Padre Gonçalo Barroso Pereira (séc. XVII) – Num manuscrito, pela maior parte de sua autoria, se apresenta desta forma: “Eu, o Padre Gonçalo Barroso Pereira, Reitor… de Salto, nasci no lugar de Seara desta freguesia, a meu pai chamavam André Pires e a minha mãe Inês Gonçalves, em Agosto de 1628.”… “Fui para a Vila da Ponte de 7 anos (1635) onde estudei com o Reverendo Giraldo Pereira aí vigário, primo direito de meu pai e não tive outro mestre.” Este manuscrito, em mau estado, as primeiras sete folhas quase ilegíveis e sem as últimas vinte, constituía-se, ao tempo, de noventa folhas e foi-me entregue para ser lido pelo seu possuidor, o meu grande e saudoso amigo José Jorge Álvares Pereira, de Pomar de Rainha. Foi-me penoso tomar apontamentos, dia e noite, em duas semanas, dos dados que então me pareceram mais curiosos, numa altura em que ainda não havia fotocopiadoras. Devolvi-o em tempo ao seu legítimo dono com quem passei muitas horas de alegria a interpretar os textos, alguns dos quais com imensa graça, arte e realismo. Julgo que o dito manuscrito já desapareceu, infelizmente. As notícias aí relatadas vão até 1703, já tinha o autor 75 anos de idade.

 

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Outra figura:

- Padre Manuel José Afonso Baptista (séc. XIX), natural de Vila da Ponte e o melhor aluno de um curso de teólogos que deu brado no seu tempo e dos quais se destacam: os Monsenhores Antas da Gama e Garcia de Oliveira, os Padres Domingos Barroso (Vilar de Perdizes), José Estrela (Esposende), Teixeira Martins (Faiões), João Afonso (Vila da Ponte) e o Cardeal Patriarca – Manuel Gonçalves Cerejeira. Foi um ilustre orador sagrado a quem os colegas chamavam o “Leão de Barroso” e deixou alguns sermões manuscritos. Em letra de forma existe o conhecido “Elogio fúnebre” do Monsenhor José Fernandes que os colegas do falecido decidiram publicar. O seu espírito solidário levou-o a acolher alguns galegos perseguidos pelas falanges de Franco, durante a guerra civil espanhola.

 

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Na rota das barragens também há uma referência à Vila da Ponte, uma referência natural pois Vila da Ponte fica mesmo ao lado do Rio Rabagão, entre as barragens dos Pisões e da Venda Nova:

Passando o dique da barragem de Pisões, continue pelo vale do Alto Rabagão até Vila da Ponte, assim chamada pela sua ponte medieval, de origem pós - romana, sobre o rio Rabagão, e a cista funerária, com 4.000 anos. Em S. Fins, começam os panoramas da albufeira da Venda Nova . A estrada acompanha a linha de água até à Venda Nova, ao longo das margens suaves, rodeadas de lameiros e pinhais.

 

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Sobre o que a monografia Montalegre diz sobre a freguesia de Vila da Ponte, não o vamos deixar aqui porque já ficou atrás transcrita, pois é precisamente o mesmo que a página oficial do município diz. Assim, passemos para a toponímia de Barroso, curiosamente do mesmo autor da monografia e portanto do mesmo vila-pontense José  Dias Batista.

 

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Entremos então na Toponímia de Barroso:

 

VILA DA PONTE

Esta “Vila” teve a sua parte urbana, no Outeiro da Vila, que terá sido um remotíssimo OPPIDUM onde o romano invasor fez erguer residência. Hoje, chama-se Outeiro, por antonomásia, mas há poucos anos atrás chamavam-lhe o Outeiro da Vila e até Outeiro de Fundevila (porque existem outros outeiros) e, ali bem próximo, corre o Regueiro da Vila! A nascente, o Paço < Paacio < Palatiuu – onde agora está a Igreja, o cemitério, a casa, eira e canastro do lavrador Barroso e outras casitas a nascente.

 

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Em 1753, foi por ali construída (de novo) a residência paroquial e na verga superior da porta inscreveram o letreiro: « Pontis Villae, Paroquialis sedes.1731» — o que, evidentemente, significa Vilas da Ponte E, se consultarmos as INQUIRIÇÕES de 1258, parece ser mesmo de diversas “vilas” que se trata conquanto os tabeliões do tempo lho não chamem: à roda das veigas e várzeas, junto das linhas de água, resistem os topónimos e vestígios arqueológicos que o atestam. Como podemos constatar, sem ultrapassar os próprios limites actuais da pequena freguesia, temos na margem direita do Rio Regavão:

 

1 -  O Castro Valongo;

2 -  Os Cortelhos;

3 – Guiães;

4 – Belela / Vilela;

5 – O Castelo;

 

Na margem direita do Rio Regavão temos:

6 -  Castro de Andelle

7 -  As Cistas do Gorgolão e de Donim

8 – Outros topónimos

9 – A Cidade de Sabaraz

10 – O Castro de Armada

 

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Por falta de espaço aqui no blog, somo obrigados a abortar aqui a descrição destes topónimos atrás enumerados bem como as restantes páginas da Topónimia de Barroso dedicadas à Vila da Ponte, num total de oito páginas, no entanto o essencial já ficou. Mas há ainda espaço para a Toponímia Alegre:

 

A Maria Madalena

Não quis ermida no monte

Quis morar entre os vizinhos

Lugar de Vila da Ponte

 

Vila da Ponte foi vila,

Chaves foi nobre cidade,

Montalegre, bandalheira

Como toda a gente sabe!

Canto no rio e no monte

Inda não sei o bastante;

Eu sou da Vila da Ponte

Arre burro! P’ra diante

 

Olhai que Vila da Ponte

Tem um cruzeiro de pedra:

Tira o chapéu da cabeça

Quem passa naquela terra.

 

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Já sei que as chamadas FAKE NEWS (notícias falsas) são populares pela internet, mas espera-se que de um organismo oficial, no mínimo, o que relatam seja verdadeiro. Sobre a Ponte de Vila da Ponte vejam o que se escreve no SITE oficial da Turismo do Porto e Norte de Portugal:

 

PONTE ROMANA DE VILA DA PONTE

Vila da Ponte tem uma longa história, retratada nos vestígios arqueológicos e património que vai encontrando no Percurso Pedestre da Via Romana. A ponte que dá nome à terra, em granito, terá sido a primeira ponte a ser construída sobre a ribeira de Cabril. Apresenta um tabuleiro em cavalete, com a rampa ao lado esquerdo maior que o do direito e o pavimento em lajeado, assente em três arcos de diferentes tamanhos, os quais crescem da esquerda para a direita. Os dois mais pequenos são de arcos perfeitos, enquanto o terceiro é levemente apontado. Na margem direita, à entrada da povoação, existe um cruzeiro com moldura e inscrição frontal.

Atravesse-a e demore-se pela via romana, um percurso pedestre que proporciona um passeio prolongado e tranquilo pela história e património da aldeia, como os diversos monumentos funerários, entre castros e cistas, que atestam a presença de população há muitos séculos.

Local: Montalegre

 

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Aparentemente tudo está bem, mas no mínimo é vergonhoso que uma instituição pública que pretende promover o turismo o faça assim, sem o mínimo de rigor,  pois comentem-se dois erros crassos, primeiro a ponte NÃO é romana, mas sim, MEDIEVAL e depois a ponte não é sobre a ribeira de Cabril, mas sim sobre o Rio Rabagão.

 

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Vamos acreditar antes no que diz a página oficial da Direção-Geral do Património Cultural, onde aí sim, parece estar correto:

 

Ponte Velha e Cruzeiro de Vila da Ponte

(IPA.00003649)

Portugal, Vila Real, Montalegre, Vila da Ponte

 

Ponte medieval, de arco e tabuleiro em cavalete sobre arcos desiguais, talha-mares agudos e guardas laterais de cantaria, com cruzeiro simples. O tabuleiro forma cavalete desigual devido assentar sobre dois arcos plenos, de tamanho crescente, e um terceiro quebrado, maior.

Descrição

Ponte de tabuleiro em cavalete, com a rampa da margem esquerda de maior comprimento, assente em três arcos de desigual tamanho, aumentando da margem esquerda para a direita. Entre os arcos, a montante, talha-mares agudos altos. Os dois arcos mais pequenos são de volta perfeita, sendo o maior levemente apontado. Parapeitos laterais constituídos por uma única fiada de cantaria. Pavimento lajeado. Cruzeiro: situado à entrada da ponte, na margem direita, integrado no parapeito lateral. Plinto cúbico com moldura e inscrição frontal. Cruz latina de secção rectangular com inscrição nos braços horizontais: "AGRADECIDO. AO. SENHOR. A. D. P.". No plinto, defronte da cruz, entalhe e encaixe para a caixa de esmolas.

Cronologia

Época medieval - provável construção da ponte; 1626 - reconstrução do arco quebrado; 1886 - construção dos dois arcos de volta perfeita.

 

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Na mesma página do património cultura, temos também a referência à:

 

Igreja Paroquial de Vila da Ponte / Igreja de Santa Maria Madalena

 

Cronologia

Séc. 17 - provável constituição da freguesia, pertencendo ao concelho de Ruivães; foi curato anexo à abadia de Santa Marinha do Ferral e da apresentação do abade, passando mais tarde a reitoria independente; 1853, 31 Dezembro - extinção do concelho de Ruivães; 1860 - data do primeiro registo de baptismos documentado.

 

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Ainda no SITE dos Monumentos Nacionais aparecem sobre a freguesia de Vila da Ponte registos de outro património de interesse, mas, infelizmente, ainda sem dados, apenas a referência, a saber:

Capela de Nossa Senhora das Necessidades

Capela de Nossa Senhora de Fátima

Casa da Retorna              

Cruzeiro de Bustelo

Igreja Paroquial de Vila da Ponte / Igreja de Santa Maria Madalena

Ponte Velha e Cruzeiro de Vila da Ponte

 

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No início avisei que este post iria ser feito ao contrário daquilo que é habitual, ou seja, que as nossas impressões pessoais sobre aquilo que vimos e sentimos nas nossas visitas ficariam para o fim do post, e estamos chegados a essa fase. Iniciemos com o itinerário para chegar a Vila da Ponte, como sempre a partir de Chaves.

 

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Pois destas vez vou optar pelo caminho mais direto, sempre pela mesma estrada desde Chaves até à entrada de Vila da Ponte, por aquela estrada que atravessa o Barroso de lés-a-lés, pela EN 103. Nada que enganar, é só tomar a EN103 em Chaves, nas calmas, passar toda a barragem dos Pisões, e cerca de 3.7km à frente verá o desvio para Vila da Ponte.

 

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Embora indique este itinerário, a minha primeira abordagem a Vila da Ponte foi mais rural, pois foi feita pelo interior a partir da aldeia de Bustelo, a outra aldeia da freguesia. E em boa hora o fiz, pois além desse pequeno trajeto ser bem interessante e cheio de verdura, faz-se a entrada pela ponte medieval, para mim o motivo de mais interesse na Vila da Ponte.

 

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Ponte essa que serviu de cenário ao filme “Je m'appelle Bernadette (Soubirous) - 2011” sobre a vida da vidente da virgem de Lourdes em frança. O filme é falado em francês mas está legendando em espanhol, com muitas cenas filmadas ao redor da ponte de Vila da Ponte mas também com algumas filmagens no concelho de Boticas e no de Chaves, nomeadamente em Vilarinho Seco e nos moinhos de Curalha em Chaves. Se quiser ver o filme, fica aqui o link:

 

https://gloria.tv/video/ZSj1w2TzxHxG3FZrYi1oQksGp

 

Desde já um agradecimento ao Humberto Ferreira, um companheiro de viagem na descoberta do Barroso,  por me alertar para este filme e me disponibilizar o link. Para já ficam duas imagens que roubei ao filme da Bernadette.

 

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Quanto ao resto de Vila da Ponte, perguntando-me a mim próprio do que mais gostei!? Pois gostei da ponte, muito interessante e com um enquadramento perfeito, não me estranha nada que tivesse sido escolhida para o tal filme. Depois gostei do espantoso canastro de oito módulos, das sombras das ramadas lançadas sobre as ruas, principalmente de uma que fica junta ao tal canastro de 8 módulos e a uma casa com capela onde descansámos e nos refrescamos um pouco com uma agradável conversa com duas senhores que por lá também se abrigavam do calor. Suponho que é junto a esta ramada que é a Casa da Retorna (mas não tenho a certeza do que afirmo), isto por causa da capela.

 

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Claro que também gostei da envolvência de Vila da Ponte, com os seus campos verdejantes, e também do casario no seu conjunto, sem esquecer o pormenor dos canastros e da Igreja Paroquial.

 

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Por último o fator humano, sempre bem recebidos por todos quantos abordámos das três vezes que por lá passámos, numa delas,  com um pouco de tarde bem passado na esplanada do café junto ao cruzeiro na companhia dos vila-pontenses que lá estavam.

 

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Também uma palavra de apreço para o Presidente da Junta Paulo Pinto pela forma como sempre nos recebeu, mas também por algumas dicas que nos deu para este post, para além de algumas dúvidas que ajudou a esclarecer.

 

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E ainda antes de terminarmos, inauguramos hoje aqui, tal como temos vindo a fazer ultimamente com as aldeias de Chaves, a feitura de um vídeo com todas as imagens do post. Assim quando quiserem matar saudades de Vila da Ponte, basta ver o vídeo sem as palavras pelo meio a atrapalhar. Espero que gostem e podem partilhar o filme, fica também link para ele.

 

 

 

Link para o vídeo: https://youtu.be/4F2q3S5ogr8

 

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E agora sim, terminamos mesmo (este longo post) com as habituais referências às nossas consultas

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre, 2006.

BAPTISTA, José Dias, Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso, 2014.

 

WEBGRAFIA (Consultas em 11 e 12-04-2019)

 

https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes

https://www.cm-montalegre.pt/pages/476

http://www.portoenorte.pt/pt/o-que-fazer/ponte-romana-de-vila-da-ponte/

http://www.monumentos.gov.pt/Site/APP_PagesUser/SIPASearch.aspx?id=0c69a68c-2a18-4788-9300-11ff2619a4d2

 

 

12
Mai19

Segirei - Chaves - Portugal

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Vamos até Segirei, mas por partes, com calma! A primeira:

 

DE CIDADELLA A SEGIREI – A ROTA DO CONTRABANDO

Ainda nas aldeias cujo topónimo começa por S , hoje toca a vez a Segirei. Pois para Segirei podemos propor dois tipos de visita, uma light, que consta em ir até Segirei, dar uma vista de olhos à aldeia e regressar a Chaves sem ver nada. A outra proposta é uma visita como deve ser, e para ela, terá de reservar todo um dia para ficar com uns ares do todo que é a aldeia de Segirei.

 

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Pois a proposta consta em ir de popó até à entrada de Segirei sem entrar na aldeia, há de haver por lá uma placa que nos manda para a Galiza, é para aí que devemos ir, pois a visita a Segirei começa em Cidadella, território galego, na Rota do Contrabando que será para fazer a pé até Segirei.

 

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O itinerário da Rota do Contrabando tem cerca de 2.500 m, quase sempre a descer, mas para chegar a Segirei, pela certa demorará toda a manhã, pois ninguém resistirá a fazer montes de paragens pelo caminho, para apreciar a natureza, as cascatas, os rápidos, os moinhos, as zonas de estar, os abrigos, os miradouros, etc., etc., etc.

 

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Dizia eu que é um percurso que se faz perfeitamente nas calmas, claro que isto é para quem não tiver mobilidade reduzida, infelizmente para essas pessoas o itinerário não é mesmo nada recomendável, pois embora o percurso se faça maioritariamente por um descida não muito acentuada, pelo caminho há dois ou três desníveis consideráveis para vencer por escadas, há passagens estreitas, entre outros. Isto na parte galega em que o itinerário foi preparado para passeio, com algumas proteções e pontes de madeira. Do lado português do itinerário, entre a linha de fronteira e Segirei aquilo é ao natural, maioritariamente por um carreiro pelo meio do monte e bota para Segirei. Do mal o menos,  é sempre a descer até à entrada na aldeia. Mas tal como eu disse, não havendo limitações, faz-se bem. Eu próprio que não sou de caminhas a pé, já fiz o percurso completo três vezes.

 

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Agora as recomendações, ou melhor, as opções para fazer o percurso, que são no mínimo três:

 

1ª Opção, com dois popós – Então é assim, o percurso tem cerca de 2,5Km,  os dois popós levam a gente toda até ao início do percurso em Cidadella, descarregam o pessoal e os condutores dos ditos, dão a volta e descem (os dois popós) até Segirei, aí deixam um popó e sobem com o outro até ao ponto de partida. Fazem o percurso todo e no final, com o popó que está em Segirei, vão buscar ou outro. Para já, não se preocupem em saber onde são estes locais, pois estão bem indicados em placas de informação.

 

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2ª opção, com um popó – Aqui as coisas complicam-se, pois para fazer o percurso terá que deixar o carro, fazer o percurso  e depois regressar a pé até ao ponto de partida (não conte com boleias, pois por lá não há muitos popós a circular) e com a agravante que o regresso são na mesma 2.5Km a subir.

 

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3ª opção, com um popó — O condutor deixa os passageiros em Cidadella e não faz o percurso, mas sempre pode fazer uma parte dele, pelo menos visita o que é mais interessante (Cascatas, rápidos e miradouros). Então é assim, o condutor deixa o pessoal todo no início do percurso e regressa até meio do mesmo (na zona dos miradouros). Deixa aí o carro e faz sozinho o percurso desde os miradouros até encontrar o seu pessoal que vem a descer. Como estes vão parando aqui e ali pasmados com o que veem, o condutor vai subindo e apreciando nas calmas as várias cascatas, os rápidos, etc. Quando encontrar o resto do pessoal, junta-se a eles e como já conhece o percurso que acabou de fazer, daí para baixo, até pode servir de guia. Tem de se aproveitar sempre o lado positivo da experiência. Quando chegar à zona dos miradouros, deixa continuar os outros a pé até Segirei, mete-se no popó e espera por eles na aldeia. Entretanto, lá, na aldeia, deve haver alguém, há sempre, com que pode dar uns dedos de conversa. São residentes nativos que gostam de conversar e contar estórias, de contrabando por exemplo, pois nestas aldeias da raia nos tempos em que existia a fronteira, das duas uma, ou eram contrabandistas ou guardas fiscais, e às vezes até ambas as duas…

 

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Quanto ao percurso da rota do contrabando, em palavras, é impossível descreve-lo, quer seja de inverno, primavera, outono ou verão, é sempre interessante. mas diferente. De verão e primavera pode gozar da frescura do percurso, do lado galego é sempre feito debaixo da frescura das sombras das árvores e a paisagem mais contrastada, o sol e sombras a isso obrigam. No outono e inverno é tudo mais igual, com menos colorido. Fica tudo mais acastanhado e verdes azulados esbatidos, mas o riacho corre com mais água e torna as cascatas mais imponentes, principalmente a cascata principal que tem a particularidade de ser descer por umas escadas metálicas acompanhando toda a queda da sua água.

 

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Durante o percurso vá recordando que está numa rota que foi utilizada para contrabando, vá imaginando o que era fazer por aí contrabando, a pé ou de burro, passando tudo que havia para passar, incluindo rebanhos, manadas de gado ou varas de porcos, tudo em silêncio, geralmente de noite. Ser contrabandista não era fácil, dava umas croas para sustentar a família, mas era vida complicada, tanto mais que de quando em vez lhes saía a guarda fiscal ao caminho e  tinha de dar às de vila Diogo e ficar sem o contrabando. Guarda fiscal que na aldeia era vizinho e amigo mas que no trelo, era obrigado a cumprir, cada um andava ao seu.

 

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Contaram-me por lá, que, por exemplo, para passarem varas de porcos em silêncio e direitinhos pelo carreirão fora, era pegar nos porcos esfomeados ir à frente deles deixando cair bolota ou castanhas, os coitados (porcos) com o cheiro na bolota nem viam por onde andavam e lá iam carreiro fora.

 

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 Chegados à zona dos miradouros, para um lado as cascatas e a paisagem galega, para o outro é Portugal, e lá ao fundo num pequeno aglomerado de casas, é Segirei. E para lá que vamos de seguida.

 

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ALDEIA DE SEGIREI

Se iniciou a visita onde deve iniciar, em Cidadella, estará a chegar a Segirei por volta das 11 da manhã, isto se iniciar a visita por volta da 9 horas. Por esta altura a barriguinha também já deve estar a começar a dar horas, mas ainda é cedo para almoçar. Um copinho de água fresca ou até uma mini, chegará para enganar o estômago, entretanto poderá fazer uma visita à aldeia.

     

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A aldeia é pequena, mas já foi muito concorrida, principalmente na era das fronteiras até aos anos oitenta, pois como Segirei tinha quartel da guarda fiscal, pelo menos estariam por lá 4 a 7 guardas, com as respetivas mulheres e filhos, já era quase meia aldeia, com os naturais, que eram mais, a aldeia compunha-se. Durante o dia o gado e as poulas davam e chegavam para trabalhar, à noite o contrabando, e assim,  havia vida na aldeia quase durante as 24 horas do dia.

 

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Esta zona, já em pleno Parque Natural de Montesinho, caracteriza-se pelas construções de xisto, ou caracterizava-se, pois como o contrabando dava algum dinheiro extra e o trabalhar a pedra não era tarefa fácil, o tijolo, blocos e cimento depressa começaram a substituir a pedra de xisto. Estes novos materiais mais leves e fáceis de trabalhar, acabavam também por ficar mais baratos e permitir novas soluções construtivas. Daí, pelas características das construções atuais, penso que a partir dos anos 50 do século passado começaram a surgir novas construções de tijolo ou acrescentos e remendos nas de xisto.

 

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Tenho pena de não ter conhecido a aldeia no seu pleno construída em xisto, deveria ter uma beleza singular, mesmo porque o xisto presta-se a isso, quer pela sua cor acastanhada/avermelhada/amarelada, quer pela suas dimensões e forma (em lascas), tornando as construções interessantes à vista, já não tanto à resistência e penso que no isolamento térmico e acústico também não.

 

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Hoje em dia ainda restam por lá algumas construções em xisto, não propriamente habitações, mas destinadas a arrumos, adegas e cortes do gado. Uma ou outra vai conciliando o xisto com novos materiais, o que torna a aldeia numa mistura de arquiteturas no que respeita ao uso de materiais.

 

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Já no que toca ao seu aglomerado, é uma daquelas aldeias que se mantém juntinha e que se desenvolve a partir de um pequeno largo central da aldeia pela encosta fora, não se desenvolve à volta da Capela ou Igreja como soe acontecer, mas à volta de uma antiga fonte de mergulho, hoje modernizada com a colocação de uma torneira, mas de pouco uso, pois falta gente para a utilizar, mas também porque, suponho, que a aldeia tem rede de abastecimento de água.

 

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Uma aldeia que sofre portanto da maleita que mais aflige as aldeias interiores de montanha, esta com a agravante de ser da raia e a aldeia mais distante da sede do concelho, tal como se costuma dizer, fica em cascos de rolha, hoje sem contrabando e com pouca terra cultivável para além de agora não render sequer para sobreviver, não admira que a sua gente, principalmente os mais novos, tenham procurado o seu destino noutras paragens . É um bom exemplo de uma aldeia de resistentes onde o despovoamento se faz sentir.

 

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Mas há sempre exceções, e para além dos resistentes idosos, tenho conhecimento de que pelo menos um ou dois casais, ainda novos com filhos crianças, vivem em Segirei, pois graças à proximidade da Galiza têm lá trabalho, com o sacrifício de viagens diárias de dezenas, às vezes centenas de  quilómetros, é certo, mas vai dando para ganharem algum e manterem-se por Segirei.

 

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De resto, as pessoas (resistentes) que compõem a população, vão-se apoiando, uns aos outros, com alguns contactos à cidade para as necessidades, uns regressos esporádicos aos fins de semana e alguma vida vinda de fora para a pesca ou para umas passagens de fins-de-semana de gente ligada à aldeia que vive noutras paragens. Em agosto é diferente. E isto é Segirei que, enquanto o casal está vivo e em condições de fazerem a sua vida diária de viver com a reforma, vão-se mantendo por lá, mas quando lhe faltar o parceiro ou o apoio familiar,  lá terão que rumar até um lar de 3ª idade…

 

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E de Segirei, aldeia, é tudo ou quase tudo, uma aldeia aconchegadinha no fundo de vertentes de montanhas, ela mesma numa vertente, sem grandes pormenores para assinalar ou realçar, com uma pequena e simples capela, um moinho e pouco mais. Talvez seja a sua simplicidade o que mais cativa, que a torna interessante e que faça com que o fator humano se realce mais.

 

RESISTENTES

E é precisamente para o fator humano que vamos de seguida, com imagens de alguns resistentes que ao longo destes 13 últimos anos fomos registando nas nossas idas a Segirei, sem palavras, apenas com imagem.

 

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Já fizemos a rota do contrabando, já andámos um pouco pela aldeia de Segirei, e deixámos aqui alguns dos seus resistentes, mas as aldeias também se fazem com a sua paisagem e envolvência, é para lá que vamos agora.

 

A ENVOLVÊNCIA PAISAGISTICA

 

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Já sabemos que as paisagens têm o dom de se irem transformando conforme a época do ano. Felizmente por estas terras já fomos umas dezenas de vezes em várias estações do ano onde fomos fazendo alguns registos, com sol, frio, chuva, etc. Penso que só mesmo com neve é que nunca arriscámos chegar até lá, aliás não penso, tenho a certeza, pois com neve nunca fui além de Argemil, e já foi uma aventura.

 

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Na primavera já sabemos que contamos sempre com a exuberância dos vários matizes de verdes, com os amarelos a sobressair e aqui e ali, pontualmente outro colorido das flores co campo, como o lilás da urze e por lá também o da alfazema.

 

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Os outonos e invernos também tem a sua graça na magia de cor, sobretudo no outono onde os vermelhos e amarelos torrados fazem combinações perfeitas, mas também e ainda com os verdes a marcarem presença. Por vezes à flora silvestre também se junta a fauna, mesmo que não seja selvagem, e também o homem, em harmonia, ajudam a compor o ambiente.

 

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Mas também há momentos que pela luz ou falta dela, pela complexidade dos céus nublados, combinados com montanhas despidas, chuvas e ventos, transformam a paisagem, dando-lhe um certo mistério, criando momentos sombrios, às vezes até aterradores e ameaçadores. Eh, a natureza também tem os seus dias, não diria maus, mas diferentes e mais bravios.  

 

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PRAIA FLUVIAL

Com o fator humano e as paisagens pelo meio, perdemo-nos nas horas, mas se bem se lembram, nesta nossa visita/proposta e imaginária,  chegámos a Segirei por volta das 11 da manhã, depois de termos descido a rota do contrabando. Pois para a visita à aldeia e para algumas conversas breves com os resistentes, chega cerca de 1 hora, e já estamos chegados ao meio dia, hora de pensar nas nossas barriguinhas. A nossa proposta é que o almoço se faça no parque de merendas da praia fluvial de Segirei, com o Rio Mente por companhia.

 

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Da aldeia até à praia fluvial pode ir a pé ou de carro, ou ainda de ambas as maneiras, pois uns podem ir a pé e outros de carro. Não é longe mas também não é perto, são cerca de 1.250m de caminho, bom caminho para ambas as hipóteses. Embora o itinerário a pé e de carro seja feito quase em paralelo e muito próximos, quase juntos, para a nossa visita ficar completa e como deve ser,  o trajeto até à praia deverá se feito também a pé. Pelo caminho encontrará as famosas águas de Segirei, ferrosas e levemente gaseificadas, muito idêntica às águas de Vidago. Tem torneira na captação onde poderá beber um copo, que nesta altura da jornada cai sempre bem.

 

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Chegados à praia fluvial, se for de verão, sempre pode dar uma banhoca no Rio Mente. Pouca profundidade, bom para crianças, mas dá para refrescar, pois por ali, mesmo estando boa,  a água é sempre fresca. Quanto à paparoca, de Verão (agosto) o bar da praia costuma estar aberto e prepara umas coisas rápidas, mas bom mesmo é que a paparoca do piquenique já venha meia feita de casa para aqui não ter surpresas de bar fechado e não perder muito tempo em preparativos, mas tem grelhadores de apoio onde, se chegar cedo, poderá confecionar por lá alguns dos alimentos.

 

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E temos a nossa visita concluída, pois na praia fluvial o resto do dia é para descansar e desfrutar. Convém ter umas bejecas frescas para ajudar a passar a tarde.

 

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Penso que se irá tornar hábito aqui no blog o de terminarmos os post’s às aldeias com um vídeo com todas as imagens que já publicámos até hoje. Fizemo-lo com Seara Velha e pela certa vamos continuar, pois aqui fica o de Segirei, com as imagens de hoje e mais algumas dos post’s anteriormente dedicados à aldeia. Espero que gostem e até amanhã, com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

Filme, link:

 

 

Link para o vídeo no youtub:

https://youtu.be/P_W0xVyYc2o

 

 

10
Mai19

Cidade de Chaves - Rua Direita

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Hoje ficamos com uma imagem da terrinha e um vídeo de imagens, todas quantas passaram pelo blog Chaves durante o mês de abril, com imagens de Chaves cidade, das aldeias de Santa Marinha, Santa Ovaia e Seara Velha e ainda do “Barroso aqui tão perto” com um dia de neve, a exuberância da primavera e a aldeia de Cabril. Espero que gostem!

 

Quanto à imagem da terrinha é do troço final da Rua Direita, ali onde a rua é atravessada pela Travessa do Município, sempre com vida, sem qualquer dúvida que é o troço de rua mais concorrido, onde a imagem fala por si, mas pode ser comentada, porque ela diz-nos coisas, por exemplo ficamos a saber que a ementa do dia do restaurante da esquina era vitela estufada, febra grelhada e filetes de pescada a €5.50, não diz lá, mas é só um dos pratos, claro. Depois há estes três jovens que estão em primeiro plano muito sintonizados em algo que se passa na travessa. Menos jovem, o Milo do talho enquanto apanha um bocadinho da vitamina D solar, aproveita para mandar umas bocas ao carteiro. Ao lado do Milo, sentadas também na recolha da vitamina D estão 2 pessoas, possivelmente uma dela é da Srª da frutaria em frente, que fica à sombra como convém à hortaliça, mas nem tanto aos ossos. O que me intriga é a intriga daquele lá ao fundo…para onde olha ele!? Para o sinal!? Para o beiral do telhado!? Para as nuvens!?, não sei, mas sei que ele sabe. Mas ainda na imagem e para terminar porque esta coisa já vai longa, pois ainda faltam alguns pormenores mesmo sem entrar no Largo do Anjo, há a realçar aquilo que merece ser realçado, os portões de ferro que tão típico eram na cidade e que hoje apenas existem meia-dúzia deles, espero que por muitos e longos anos e depois aquela varanda por cima da frutaria, uma varanda muito singular construída em xadrez com tirinhas de madeira e uma das mais antigas da cidade de Chaves, que aliás é mencionada em alguns documentos históricos da cidade.  E é tudo, ou quase, pois falta o apelo para verem o vídeo que a seguir vos deixo, são 15 minutos, feitos com amor e carinho com todas as imagens que passaram pelo blog durante o mês de abril. Acho que já me estou a repetir, o melhor é mesmo ficar por aqui com um  — Até amanhã! (vejam o vídeo, tá!?)

 

 

 

 

 

 

06
Mai19

De regresso à cidade... pela Madalena

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Cá estamos com um novo regresso à cidade, via Madalena, aliás é um dos meus regressos preferidos, o de ser pela Madalena, claro, pois é sempre com gosto que por lá debito os meus passos, com gosto mas também com alguns lamentos, de ser o que é e estar como está, pois tem todas as condições para ser um dos espaços mais nobres e interessantes da cidade, embora do outro lado do rio, é igualmente centro histórico desta antiga urbe que hoje dá pelo nome de Cidade de Chaves.

 

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Esperemos que outro Sotto Mayor descubra as potencialidades deste espaço, e nem precisa de ser banqueiro, mas também outros com poder podiam olhar para ele com outros olhos, basta ter ideias, e isto antes que uma (outra) grande superfície comercial descubra a Madalena e venha a estragar tudo…

 

Até amanhã e Boa semana!  

 

 

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