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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

02
Dez20

Sandamil - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves

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Sandamil

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Sandamil.

 

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Sandamil é uma das aldeias do planalto do Brunheiro, da freguesia de Nogueira da Montanha, uma das maiores freguesias do concelho de Chaves, com 11 aldeias, mas também das que sofre mais com o despovoamento.

 

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Sandamil é assim uma das aldeias de terras altas, a rondar os 830m de altitude, com invernos rigorosos, frios e húmidos, que por cá, principalmente àquela altitude, são de 9 meses, mas pelo menos vai escapando aos 3 meses de inferno que se sentem na veiga, com verões mais suaves.

 

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Para ir até lá, não há nada que enganar, basta apanhar a E314 em direção a Carrazedo de Montenegro, subir toda a Serra do Brunheiro e logo a seguir às bombas de gasolina de France, há um cruzamento, onde deve tomar o desvio da esquerda, logo de seguida apanha uma longa reta no final da qual há outro cruzamento, neste deve desviar à direita. Está tudo bem sinalizado.

 

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Sobre Sandamil já fomos dizendo aquilo que havia a dizer nos posts que lhe dedicámos anteriormente, para os quais fica link no final deste post, hoje estamos aqui pelo seu vídeo que ainda não teve, mas como sempre aproveitámos para deixar mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções. Vamos então ao vídeo, que fica já de seguida. Espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Sandamil:

https://chaves.blogs.sapo.pt/sandamil-chaves-portugal-1801042

https://chaves.blogs.sapo.pt/350080.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/18883.html

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Sanfins da Castanheira.

 

 

 

 

29
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Pinhal Novo

Al deias do Barroso do Concelho de Boticas

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PINHAL NOVO

 

Nesta rubrica de O Barroso aqui tão perto, vamos continuar até concluir, as aldeias da freguesia de Beça, ficando aqui hoje a aldeia de Pinhal Novo.

 

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Estivemos quase para não trazer aqui esta aldeia, e o porquê ou razão é muito simples, já a tínhamos abordado anteriormente neste blog, mas foi num post especial, um post conjunto dedicado a várias aldeias, mais precisamente às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso da Junta de Colonização Interna, da qual Pinhal Novo faz parte. No entanto seria injusto não ter uma abordagem particular, mesmo porque no referido post conjunto foi integrada nos posts dedicados às aldeias do concelho de Montalegre, e embora o Pinhal Novo faça parte desse conjunto da colónia do Barroso, é a única que pertence ao concelho de Boticas, e como tal, terá aqui o seu post, incluindo o seu vídeo. Vai ser pouca coisa e tudo muito parecido, mas a aldeia também é pequena e as casas originais da aldeia eram e ainda são, mais ou menos,  todas iguais.

 

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Embora tenha aqui o seu post, não vamos repetir aquilo que já dissemos sobre ela, principalmente sobre a sua origem e história, ou melhor, vamos repetir sim, mas recorrendo ao que sobre ela dissemos no tal post especial dedicado às aldeias de Salazar da Colónia do Barroso, mas antes, vamos deixar aqui, muito resumidamente, a história da origem desta e das restantes aldeias e colónias internas de Salazar.

 

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O designado Estado Novo de Salazar cria em 1936 a Junta de Colonização Interna (JCI), que, em síntese, visava povoar as zonas mais despovoadas de Portugal, construindo nelas aldeias novas destinadas a colonos, aos quais seriam entregues grandes áreas de terrenos, sobretudo constituídos por baldios existentes, Ideia que na época, não foi bem aceite pelas populações locais, sobretudo porque eram elas que administravam esses baldios e que deles tiravam, o que para muitos era o seu único rendimento e áreas de pastagem, embora, teoricamente, para a ocupação dessas novas aldeias fosse dada a preferência à população local, coisa que não aconteceu, pois foram maioritariamente ocupadas por casais (condição necessária) de vários pontos de Portugal. No entanto, a pobreza e necessidade da época fez com que alguma população trabalhasse para a JCI na construção desses novos aldeamentos, com alguns boicotes pelo meio, como o de plantarem árvores ao contrário (com as raízes para cima), segundo rezam alguns documentos da altura.

 

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Ao todo a JCI projetou para Portugal 7 colónias internas, sendo as mais próximas a Colónia do Barroso e a do Alvão, em Vila Pouca de Aguiar. Na Colónia do Barroso foram construídas 7 aldeias de colonos (ou colónios como dizia a população local) e ainda um Centro Administrativo para alojar técnicos e funcionários da JCI, centro este onde se localizava também o apoio administrativo às aldeias dos colonos, a fiscalização, sobretudo do cultivo e colheitas que os colonos tinham de entregar ao Estado, ou seja, em 7 partes da colheita, 6 eram para o Estado, e uma para seu sustento, destinando-se as 6 partes do Estado a amortizar empréstimos concedidos aos colonos, bem como a amortização do custo de cada casal (terrenos e habitação dos colonos), que a não ter sido o 25 de abril, hoje,  a segunda geração desses colonos, ainda estariam a amortizar.

 

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Colonização Interna que foi um fracasso, principalmente a do Barroso, começando logo pelas aldeias de colonos de Criande e Aldeia Nova que viu a maioria dos terrenos destinados aos casais dos colonos a serem inundados pela barragem do Alto Rabagão, para além de os terrenos que os colonos ocuparam serem maioritariamente impróprios para a agricultura, com a agravante de os terrenos cultiváveis estarem sujeitos a um clima hostil e pouco produtivos.

 

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A barragem invadiu parte da aldeia dos colonos de Criande e todos os seus terrenos de cultivo

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Com o 25 de abril as coisas alteraram-se e foi permitido aos colonos resolverem as obrigações que tinham com o Estado, podendo adquirir os casais que cultivavam ou abandoná-los, passando-lhes também a ser permitido vender o casal após a sua aquisição, coisa que não era permitida anteriormente, pois as obrigações do casal obrigatoriamente tinham de passar na totalidade para um e só um dos herdeiros dos colonos, de modo a que a propriedade não fosse dividida.

 

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De realçar que toda esta colonização interna era enaltecida pelo Secretariado da Propaganda Nacional, com constantes campanhas para a produção nacional e mostrando estas colónias como locais paradisíacos, produtivos e ocupados por famílias felizes, que na realidade não eram mais que escravos do estado e do sistema, além de mal queridos e até difamados pelas populações locais, porque afinal de contas, sem culpa, tinha tirado parte do rendimento e muitas vezes todo o rendimento ou sustento das populações locais. Hoje em dia, estas aldeias dos colonos encontram-se com alguns casais abandonados, outros foram vendidos e recuperados por não colonos tal como aconteceu nos Casais da Veiga de Montalegre, e nalguns, poucos,  ainda se mantêm os “colónios”, hoje, parece-me, já perfeitamente integrados e aceites nas populações locais.

 

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Pois Pinhal Novo é uma dessas aldeias de colonos, onde inicialmente foram construídas 10 habitações e constituídos os respetivos casais (casa+logradouro+terreno) e posteriormente uma escola. Estas aldeias que pela sua arquitetura e organização, nada têm a ver com as aldeias típicas do Barroso, eram constituídas por moradias isoladas com logradouro e tinham para a época já algumas condições de habitabilidade, além de todas elas serem servidas com as infraestruturas mínimas, ainda com um tanque e chafariz público, e áreas verdes envolventes, algumas com escola, e no caso da Aldeia Nova de Montalegre, tinha igreja, miradouro e posto da GNR, além da escola e espaços verdes.

 

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Hoje em dia ainda existem no Pinhal Novo as 10 construções iniciais, dessas, pelo menos 7 foram reconstruídas e/ou ampliadas, 3 mantêm a traça inicial e penso que estão abandonadas e dentro do espaço do aldeamento já nasceram pelo menos 3 novas construções/habitações e na proximidade outros tantos armazéns agrícolas.  

 

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Agora passamos àquilo que dissemos sobre o Pinhal Novo no tal post conjunto dedicado a todas as aldeias da colónia do Barroso:

 

As aldeias de Salazar – Aldeias Jardim

 

(…)

Esta aldeia, conjuntamente com a de Criande, Vidoeiro e Pinhal Novo, fazem parte de uma segunda fase de aldeias de colonos, decidida pela LCI em 1945.

(…)

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7 - Pinhal Novo

Esta aldeia foi implantada a apenas 1,5km da aldeia do Fontão, foi-lhe atribuído o topónimo de Pinhal Novo, talvez pela mesma razão das anteriores adotarem o nome do lugar. É a única aldeia da colónia de Barroso que foi construída no concelho de Boticas.

 

O Lugar de Pinhal Novo: «[…] com 10 casais, ficará situado já na freguesia de Beça, limite da aldeia do mesmo nome, na encosta Oeste do Alto das Pias. Para lhe dar acesso projectou-se a construção duma estrada principiando na E.N. - 4 - 1ª. no local denominado Alto do Fontão e terminando na povoação de Beça, do concelho de Boticas; prevê-se a continuação desta estrada para as termas de Carvalhelhos e para Boticas, sede do concelho do mesmo nome.» (J.C.I., 1945: 98). (…) A Escola e Capela: «Pinhal Novo, com 10 casais, ficará situado a cerca de 1.500m. de Beça, sede de freguesia, de que dependerá quanto à capela e escola.» (J.C.I., 1945: 99).

COSTA (2017)

 

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O terreno para implantação das moradias é retangular, com um arruamento de entrada, ao centro, que depois bifurca para dois arruamentos que acabam por se unir em curva no lado oposto à entrada. As moradias foram implantadas 5 de cada lado ao longo dos lados mais compridos do retângulo a confrontar com os arruamentos, entre os quais ficou uma zona verde, onde mais tarde se decidiu construir a escola, mesmo ao centro desta zona verde.

 

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Nos documentos acedidos, não se encontrou qualquer referência à área agrícola e florestal pertencente a cada casal nestas duas colónias. Supõe-se que no caso do Lugar do Pinhal Novo dado o número de casais ter permanecido inalterável, a área agrícola e florestal também terá permanecido. Já no caso do Lugar do Fontão, a redução do número de casais pode estar na origem da divisão da área agrícola estando, contudo, a área atribuída inicialmente a esta colónia dentro da média (14,5 a 25 ha) da área agrícola da colonização do Barroso.

COSTA (2017)

 

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Quantos aos projetos tipo adotados para a colónia de Barroso, a autoria é atribuída a mais que um arquiteto. Nalguns documentos que consultei, o arquiteto autor do projeto tipo das aldeias de colonos de Montalegre, à exceção da do Fontão é atribuída ao arquiteto Eugénio Corrêa (?), mas sempre com o ponto de interrogação à frente. Já quanto aos autores dos projetos da aldeia de Fontão e Pinhal Novos, temos o seguinte (no final também fica uma interrogação, mas por outros motivos:

 

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Fevereiro 1961: Projecto de Adaptação das Instalações Agrícolas do Casal a Posto Escolar. O projeto foi desenhado, pelo arquiteto António Trigo, para o Lugar do Pinhal Novo. O plano desta colónia também foi alterado, e a escola acabou por integrar a nova disposição no assentamento. O casal agrícola adotado, para o Lugar do Pinhal Novo, foi o mesmo desenhado pelo arquiteto Maurício Trindade Chagas para o Lugar do Fontão em Janeiro de 1951, e não o casal inicialmente pensado para esta colónia, o casal tipo desenhado para o Barroso, de 1943. Neste projeto, também se faz a adaptação do casal agrícola a posto escolar mas o edifício ao contrário do esperado foi construído de raiz no centro do largo que organiza os restantes casais agrícolas. Ainda mais intrigante é que o mesmo projeto foi replicado com a mesma disposição dentro da colónia de Lugar de S.Mateus — Seriam estes projetos destinados a casais desocupados e por não existir nenhum nessa condição tenham optado por construir uma cópia do projeto de adaptação?.

 COSTA (2017)

 

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Ainda antes de terminar este post e passarmos ao vídeo, vamos até ao itinerário para chegar ao Pinhal Novo, este, feito quase até ao destino pela N103 (estrada de Braga), com partida de Chaves e passagem por Curalha, Casas Novas, São Domingos, Sapelos e Sapiãos, a seguir a esta última aldeia, mesmo onde termina a longa subida, num cruzamento onde aparecem algumas construções, vira à esquerda em direção a Beça, e logo a seguir, a 1470m, num total de meia hora de viagem, num percurso de 26,3Km, temos Pinhal Novo. Ficam os nossos mapas

 

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Para quem quiser saber mais sobre as aldeias de Salazar também conhecidas popularmente como as aldeias dos “colónios”, fica aqui, na integra, em PDF, o que escrevemos e imagens sobre o assunto, basta clicar na imagem. Podem guardar e utilizar, desde que não seja para fins comerciais ou publicação na íntegra, e claro, como mandam as regras e eticamente o mais correto, caso utilizem em publicações ou trabalhos, por favor deem créditos à autoria.

Clicar na ligação:

aldeias jardim-Colonia do Barroso.pdf

 

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E agora sim, chegamos ao fim deste post, apenas nos falta o vídeo, aquele que nos foi possível

Fazer com as imagens disponíveis.  Mesmo assim, espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Este e outros vídeos, agora, também podem ser vistos no Meo Kanal nº  895 607

 

 

 

BIBLIOGRAFIA

- COSTA, Ana Mafalda Almeida Guimarães. ARQUITETURA AGRÍCOLA As Colónias do Estado Novo para o Barroso. Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em Arquitetura, Universidade Lusíada do Porto, Porto 2017

 

 

 

 

28
Nov20

Samaiões - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves C/Vídeo

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SAMAIÕES

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Samaiões.

 

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Samaiões que foi sede de freguesia até à ultima reorganização administrativa das freguesias e que hoje faz parte da União de freguesias de Madalena e Samaiões, ou seja, deixou de ser uma freguesia de periferia da cidade para hoje entrar nas freguesias urbanas da cidade e mesmo no centro da cidade, ao longo de toda a margem esquerda do rio Tâmega. Samaiões urbana, mas com toda a ruralidade de uma aldeia de montanha, que aliás já é, pois localiza-se em plenas faldas da serra do Brunheiro.

 

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Embora a proximidade da cidade, a aldeia com um tipo de povoamento concentrado à volta da igreja e de um arruamento principal, nos anos do boom de construção, não saiu da sua moldura, isto, penso que se deve ao estar rodeada de terrenos férteis numa espécie de “península” da veiga de Chaves, que termina mesmo onde o casario da aldeia começa.

 

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Embora o que se diz no parágrafo anterior, Samaiões é uma das aldeias que tem todas as condições para continuar como aldeia, com toda a sua integridade de aldeia típica e crescer , ganhando população, pois tem todas as condições para que tal aconteça, com bons acessos à cidade e próxima, a apenas 4km do centro da cidade e com vários acessos à cidade e vice-versa, o que às vezes pode fazer a diferença, com ótimas condições de aldeia dormitório, ou seja, um viver na cidade com a qualidade do campo, que em alturas ou situações como a da pandemia que atualmente atravessamos, aqui sim, faz toda a diferença, não por ter mais defesas quanto a contaminação, mas por, em caso de confinamento, terem em geral um pedaço de terra e ar livre onde podem passar parte dos dias ou usufruir dele quando quiserem, e isto, vale o que vale, mas para quem não o tem, vale muito. Mas íamos dizendo que Samaiões tem condições para crescer, não em direção à veiga, mas em direção oposta, nos caminhos que ligam à N314 e serra do Brunheiro. O tempo nos dirá se assim será ou não.

 

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Mas hoje não estamos aqui para falarmos de Samaiões, isso, já o fomos fazendo ao longos dos vários posts que lhe dedicamos (com link no final). Hoje é mesmo pelo vídeo, mas também, aproveitando esta ocasião, para deixarmos aqui mais algumas imagens que escaparam às anteriores seleções. Ora vamos então ao vídeo, que espero que gostem.

 

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº  895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Samaiões:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/samaioes-chaves-portugal-1798268

https://chaves.blogs.sapo.pt/samaioes-a-ruralidade-versus-1028029

https://chaves.blogs.sapo.pt/814803.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/694253.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/545928.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/245343.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/177166.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que subiremos ao planalto do Brunheiro para trazermos  aqui a aldeia de Sandamil.

 

 

 

25
Nov20

Roriz - Chaves - Portugal

Aldeias do Concelho de Chaves

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RORIZ

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Eiras.

 

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Roriz é mais uma das nossas aldeias de montanha…Não sei porque mas insisto em dizer que a aldeia x é uma aldeia de montanha, quando na realidade, à exceção de meia-dúzia de aldeias do concelho de Chaves, todas as restantes são aldeias de montanha, não estivéssemos nós em Trás-os-Montes e entre os montes, onde os vales são escassos e em geral são pequenos vales e reservados para a agricultura, salvo raras exceções, como o nosso vale de Chaves, e a exceção não é só por não ser pequeno, vai também para a agricultura, que embora seja um vale fértil, com regadio, onde dá gosto ver o verde a crescer, seja ele do que for (milho, batatas, trigo, centeio, etc.) também houve tempos em que as casas nasciam e cresciam no vale, diziam que clandestinamente, daí, talvez,  serem invisíveis…não me lembro muito bem que na altura eu ainda era pequeno…

 

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Embora o post de hoje seja para trazermos aqui o vídeo em falta, trazemos também algumas imagens que escaparam às seleções anteriores, aquando dos vários posts que já dedicámos à aldeia. É, Roriz teve mais sorte neste blog do que eu tive com Roriz, não por culpa da aldeia, mas por minha culpa, pois da primeira vez que lá fui em recolha de fotografias, uma avaria na lente da máquina fez com que quase todas as fotografias ficassem desfocadas, numa segunda tentativa, só quando lá cheguei é que dei conta que levava uma teleobjetiva na máquina, em vez da lente normal, não estava avariada, mas dentro duma aldeia pouco podemos fazer com ela. Depois disso, apenas umas passagens ocasionais para outros destinos ou para ver como era o novo acesso à aldeia. Pode ser que na próxima ronda pelas nossas aldeias, tenha mais sorte com Roriz.

 

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Mesmo com os meus azares com Roriz, a aldeia não se pode queixar do blog, pois com este já é o nono post que lhe dedicamos, o que quer dizer que gostámos daquilo que lá vimos e no meio da desgraça das recolhas, ainda houve muita coisa que se aproveitou.

Quanto aos posts que lhe dedicámos, no final deste, têm um link para todos eles.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Roriz que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de  Roriz:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/roriz-chaves-portugal-1795378

https://chaves.blogs.sapo.pt/roriz-1395560

https://chaves.blogs.sapo.pt/940003.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/900674.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/811287.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/354522.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/318305.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/210188.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a aldeia de Samaiões.

 

22
Nov20

Ribeira do Pinheiro - Chaves - Portugal

ribeira do pinheiro

 

RIBEIRA DO PINHEIRO

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Ribeira do Pinheiro.

 

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Ribeira do Pinheiro é uma das três aldeias de Chaves que utiliza o topónimo de Ribeira, e estas são vizinhas, e vão sendo implantadas ao longo de uma ribeira, que já aqui explicámos, vai mudando de nome ao longo do seu percurso, conforme a localidade por onde passa. Quando passa em S. Lourenço é ribeira de S. Lourenço, desce um bocado e passa a Ribeira de Sampaio, junto à aldeia com o mesmo nome, depois Ribeira do Pinheiro, a nossa aldeia de hoje, mais abaixo passa a Ribeira das Avelelas e quando entra na veiga até desaguar no Rio Tâmega, junto às poldras, passa a chamar-se Ribeira do Caneiro, passando pelo bairro com o mesmo nome.

 

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Esta tríade de aldeias próximas com o mesmo topónimo não é caso único entre nós e na vizinhança, mas em geral estas tríades costuma ter o mesmo topónimo ao qual é acrescido “de baixo”, “do meio” e “de cima”, como no caso de Montalegre com as três Penedas, ou cá em Chaves com o caso das Assureiras ou Três Vilas, mas também se pode dar o caso de juntar outro topónimo como Póvoa ou Pereiro, come acontece com Agrações, Póvoa de Agrações e Pereiro de Agrações, igualmente as três aldeias são seguidas.

 

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Continuando com os topónimos, e só a título de curiosidade, os mais populares cá pelo concelho são os topónimos com nomes de santos ou santas, pois temos 15 aldeias no total, sem contar os lugares, santuários, bairros ou ruas, logo seguido dos topónimos iniciados por Vila, que neste caso temos 13.  Quanto as duos, temos vários, como por exemplo duas  casas (Casas Novas e Casas de Monforte), dois outeiros (Outeiro Seco e Outeiro Jusão), duas paradelas (Paradela de Monforte e Paradela de Veiga),  duas searas (Seara e Seara Velha),  duas torres (Torre de Moreiras e Torre de Ervededo), dois vilares (Vilar de Nantes e Vilar de Izeu), duas vilelas (Vilela Seca e Vilela do Tâmega).

 

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Regressemos à nossa aldeia de hoje que tal como as outras duas ribeiras, são aldeias que embora caibam na definição de aldeia (localidade pequena, de categoria inferior à vila e sem jurisdição própria), não cabe no conceito tradicional que temos delas, como um aglomerado de casas, com capela ou igreja, quase todas com escola (no passado), cemitério, tanques, chafarizes, fornos e outras infraestruturas comunitárias ou públicas, para além, claro, de terem vários apelidos de famílias ligados ou com origem nessa localidade.

 

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Pois estas três ribeiras saem fora da definição e conceito de aldeia, talvez a mais próxima disso seja a Ribeira das Avelãs, quanto à Ribeira de Sampaio era uma aldeia de moinhos e moleiros, acontecendo o mesmo com a Ribeira do Pinheiro, embora esta, não tenha as habitações junto aos moinhos, como acontecia na Ribeira de Sampaio.

 

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Ao que sei e oiço dizer, mas não conheço pessoalmente porque ultimamente não tenho ido por lá, existem agora, ao longo da Ribeira do Pinheiro, uns passadiços que tem atraído alguma gente. Também queremos lá ir, um dia, a aí talvez façamos mais algumas fotos do casario e dos seus pormenores, pois para compormos os posts que dedicámos a Ribeira do Pinheiro, tivemos que nos entreter nos rápidos e ruinas dos moinhos da ribeira, nas paisagens dos entardeceres, e até no miradouro, que embora ou mesmo não pertencendo à Ribeira, é lá que ela começa, e o contrário também é verdade. Acontece que a Ribeira do Pinheiro não é de acessos fáceis, para além do casario estar um pouco disperso pela encosta acima (ou abaixo, se preferirem), não é um local por onde se possa passar ou passear de popó, embora tenha alguma visibilidade à distância, da estrada de Valpaços, por exemplo, mas só de inverno, pois nas restantes estações do ano, o arvoredo tapa-lhe as vistas.

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da Ribeira do Pinheiro que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre esta Ribeira ao longo do tempo de existência deste blog, a seguir ao vídeo, ficam links para esses posts.

Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Eiras:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/ribeira-do-pinheiro-chaves-portugal-1788723

https://chaves.blogs.sapo.pt/ribeira-do-pinheiro-chaves-1448616

https://chaves.blogs.sapo.pt/361168.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até à próxima quarta-feira em que teremos aqui a aldeia de Roriz.

 

21
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Padroso C/Vídeo

Aldeias do Barroso - Montalegre

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PADROSO -  MONTALEGRE

 

Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Padroso.

 

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Padroso que é uma das aldeias que já está implantada em plena Serra do Larouco e que faz parte de um conjunto de aldeias que rodeiam a serra, que do lado português da mesma, em plena serra ou nas suas faldas tem Sendim, Padroso, Padornelos, Gralhas e Santo André.

 

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As três primeiras aldeias, Sendim, Padroso e Padornelos estão todas localizadas acima dos mil metros de altitude, no entanto a mais alta é Sendim, que não só e a mais alta do concelho de Montalegre, como também é a mais alta do Barroso e de Portugal ao atingir os 1170 metros de altitude junto ao que me parece ser uma antiga casa florestal. Isto a considerar as construções hoje existentes, pois se recuarmos no tempo até ao tempo em que Sendim tinha o seu castelo, então aí atingia os 1268m de altitude. Mas hoje estamos aqui por Padroso, que fica mesmo ao lado de Sendim, a apenas uma reta de distância (na estrada principal) e numa cota ligeiramente mais baixa, pois Padroso, no ponto mais alto da aldeia, atinge os 1045m de altitude.   

 

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Terras altas, terras frias, estas sim, sem qualquer dúvida são aldeias do Alto-Barroso, onde nasce o Rio Cávado que irá atravessar todo o Barroso para depois seguir a sua vida por terras minhotas e atravessar 9 concelhos, muitas aldeias, algumas vilas e cidades até desaguar no oceano atlântico junto a Esposende, mas a primeira aldeia que o Cávado conhece é aldeia de Padroso, implantada na sua margem direita.

 

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Rio Cávado que é um dos principais rios portugueses nascidos em Portugal e que corre livre e feliz pelo menos até Sezelhe, onde é aprisionado pela primeira vez, depois a cantiga é outra e em menos de 100km, alimenta meia-dúzia de barragens, 3 ou 4, se considerarmos a de Sezelhe, são no concelho de Montalegre (Paradela, Venda Nova e Salamonde).

 

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Voltando outra vez à aldeia de Padroso, gostámos do que vimos, e pelos visto não vimos tudo. Tem o seu núcleo antigo perfeitamente definido e a manter a sua integridade como aldeia típica barrosã, com os seus elementos mais típicos, como o forno do povo. A aldeia “nova”, desenvolveu-se ao longo da estrada de acesso à aldeia antiga, tal como deveria acontecer na maioria das aldeias. Claro que a aldeia antiga também tem alguns pecados cometidos no seu seio, mas quem não os comete, também nós cometemos um, e ainda bem, pois assim temos um pretexto para voltar a Padroso, pois é imperdoável não termos imagens da igreja e mais uns pormenores que entretanto soube que tem por lá, como umas alminhas que faltam na minha coleção. Assim, quem sabe se na próxima nevada não vamos por lá, isso se entretanto a porcaria do bicho que anda por cá nos deixar sair do concelho…  

 

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E agora sim, o vídeo com todas as imagens da aldeia de Padroso que foram publicadas até hoje neste blog. Espero que gostem e para rever aquilo que foi dito sobre a aldeia no post que lhe dedicámos, fica um link para o post logo após o vídeo, ao qual passamos de imediato. Espero que gostem.

Aqui fica:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicado à aldeia de Padroso:

https://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

 

 

E quanto a aldeias do Barroso de Montalegre, despedimo-nos até à próxima sexta-feira em que teremos aqui a aldeia de Pai(o) Afonso.

 

 

19
Nov20

REINO MARAVILHOSO - FREIXO DE ESPADA À CINTA

Douro e Entre os Montes

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FREIXO DE ESPADA À CINTA

 

Neste Reino Maravilhoso do Douro e entre os montes, hoje vamos até Freixo de Espada à Cinta, dando a conhecer mais um pouco do nosso território aquém Douro

 

A autoridade emana da força interior que cada qual traz do berço. Dum berço que, oficialmente, vai de Vila Real a Montalegre, de Montalegre a Chaves, de Chaves a Vinhais, de Vinhais a Bragança, de Bragança a Miranda, de Miranda a Freixo, de Freixo a Barca de Alba, de Barca de Alba à Régua e da Régua novamente a Vila Real, mas a que pertence Foz Côa, Meda, Moimenta e Lamego – toda a vertente esquerda do Doiro até aos contrafortes de Montemuro (e sublinho agora esta frase) carne administrativamente enxertada em corpo alheio que através do Côa, do Távora, do Varosa e do Balsemão desagua na grande veia-cava materna as lágrimas do exílio”.

Miguel Torga in “Portugal”

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Claro que estas abordagens ao Reino Maravilhoso surgem também com a intenção de deixar aqui um convite à sua descoberta, que em suma é a descoberta da nossa região, afinal aqui tão perto e que para nós flavienses são destinos a uma ou duas horas de viagem, para fazer nas calmas de um dia. Para esta viagem até Freixo de Espada à Cinta, com partida da cidade de Chaves, ida e volta, são 374Km, e 6 horas de viagem, isto segundo os cálculos dos mapas Google, a velocidades moderadas e dentro da lei. Como quase sempre, nunca fazemos os regressos pelo mesmo sítio e assim a descoberta também é mais abrangente. Embora o nosso destino Seja Freixo de Espada à Cinta, para lá chegarmos e regressarmos a casa, iremos passar por outras localidades, como Valpaços, Mirandela e Alfândega da Fé, na ida, e por Mogadouro, Macedo de Cavaleiros e Torre de Dona Chama no regresso a casa.

 

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Como o nosso destino de hoje é Freixo de Espada à Cinta, deixemos aqui um pouco da sua história, tal qual nos é oferecida na página oficial do Município da vila:

 

A origem da Vila de Freixo de Espada à Cinta perde-se nas brumas dos tempos estando a sua fundação e toponímia encobertas pela nebelina que sempre envolvem as lendas. Todavia vários historiadores afirmam que os Narbassos, povo ibérico pré-romano mencionado por Ptolomeu, habitavam toda esta zona da Península, pressupondo-se assim a existência desta povoação anterior à fundação do Reino de Portugal.

 

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Ao longo dos séculos muitos acontecimentos históricos ocorreram neste concelho como por exemplo, a guerra que D. Afonso II sustentou com suas irmãs protegidas de Afonso IX de Leão e como consequência foi esta terra tomada e saqueada em 1211 pelas forças leonesas. Mais tarde, em 1236 no reinado de D. Sancho II, veio pôr-lhe cerco o Infante D. Afonso filho de Fernando III de Castela, mas desta vez os habitantes de Freixo defenderam-se com grande valentia conseguindo romper o cerco vendo-se os castelhanos obrigados a levantar o cerco e bater em retirada. Como recompensa de tal feito o monarca português concedeu-lhe a categoria de Vila em 1240.

 

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Pouco depois, a 27 de Março de 1248 D. Afonso III confirmou o foral outorgado pelo nosso primeiro monarca e todos os privilégios da vila, concedendo-lhe ele próprio um novo diploma foralengo em 20 de Janeiro de 1273.

 

O concelho de Freixo entendendo que a realização de uma feira ajudaria a um maior povoamento e como consequência a ter mais homens para a sua defesa, pediu a D. Dinis que lhe outorgasse carta de feira, o que foi concedido a 9 de Março de 1307, autorizando a sua realização “oito dias andados de cada mês” com a duração de um dia. Salientemos que esta Vila tinha voto em Cortes, com assento no banco nº 10.

 

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Continuando o seu desenvolvimento como burgo, em 1342 os seus habitantes pedem a D. Afonso IV que lhes fosse concedido o uso da Terça da Igreja a fim de concluírem as muralhas da vila, ao que o rei respondeu afirmativamente. Ainda com estes meios se começou a construir a actual Igreja Matriz, cuja edificação só ficou concluída em pleno reinado de D. João IV.

 

D. Afonso V manteve a Terça no concelho, mas doou todos os outros direitos reais a Vasco Fernandes Sampaio, primeiro donatário desta vila, permanecendo em poder desta família durante séculos, até que a lei de 19 de Julho de 1790 acabou com as donatarias

 

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D. Manuel outorga foral novo a Freixo em 1 de Outubro de 1512.

 

Esta vila ainda viria a sofrer durante muito tempo a “Guerra de Fronteira”, nomeadamente entre 1580 e 1640. As pilhagens e destruição de Lagoaça e Fornos em 1644, são disso exemplo.

 

Em 1896 o concelho de Freixo de Espada à Cinta é suprimido e anexado a Torre de Moncorvo, mas a sua população denotando mais uma vez uma resistência e capacidade de luta fora do comum, conseguiu a 13 de Janeiro de 1898 restaurar o foro municipal.

 

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Do exposto neste resumo verifica-se que Freixo é uma vila cheia de História podendo ser usufruída pelo visitante com enorme satisfação, que ao percorrer as suas ruas cheias de portadas e janelas manuelinas, as antigas muralhas e torre ainda medievais, ao visitar a Igreja, ao passear pela Encruzilhada, pela Rua das Flores, pelo Vale, pelo Castanheiro ou pelo Outeiro, desfrutará com certeza de um prazer sem comparação.

 

Consultas: http://www.cm-freixoespadacinta.pt/ver.php?cod=0B0E em18/11/2020

 

 

 

18
Nov20

Ribeira de Sampaio - Chaves - Portugal

Aldeias de Chaves

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Continuando a cumprir a nossa falta para com as aldeias que, aquando dos seus posts neste blog, não tiveram o resumo fotográfico em vídeo, trazemos hoje esse resumo para a aldeia de Ribeira de Sampaio.

 

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A última aldeia que aqui deixámos foi a Ribeira das Avelãs, a primeira das três ribeiras. Subindo a ribeira, a seguir encontramos a Ribeira do Pinheiro e só depois e mais distante é que encontramos a Ribeira de Sampaio. Tal como referimos na Ribeira das Avelãs, a ribeira é sempre a mesma, vai é mudando de nome conforme a aldeia ou bairro que tem junto a si, assim, é ribeira de São Lourenço junto a São Lourenço, ribeira de Sampaio, do Pinheiro ou das Avelãs junto às aldeias com o esse nome e vai desaguar ao rio Tâmega, junto às poldras, com o nome de Ribeira do Caneiro, depois, claro, de passar pelo Bairro do Caneiro.

 

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Mas hoje temos aqui a Ribeira de Sampaio e vou repetir aqui os textos que também vão servir de separador no vídeo de hoje, onde se diz:

 

Ribeira de Sampaio, uma aldeia de moinhos e moleiros que ao longo dos tempos

se foi transformando.  Os moinhos deixaram de moer, os moleiros morreram. ficaram as casas, ficou a ribeira, uma velha ponte e os moinhos parados, mas a fazerem a delícia a quem os descobria. Foi assim que a descobri em 1994 , uma pérola esquecida no encontro de duas encostas da serra, ao lado de uma ribeira e uma ponte. Ficou o registo,  ainda na era da fotografia analógica, e este, foi mesmo para memória futura…

 

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Em  2007, já na era da fotografia digital, regressámos à Ribeira de Sampaio. Mais maduros, com outro olhar. Se não fosse a memória diria que estava noutra ribeira…

Nova passagem em 2015, confirma-se o confirmado.

Era uma vez…

Uma aldeia de moinhos e moleiros…

 

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Aqui no post deixo apenas as imagens de 2007 e 2015, pois as de 1994 já foram todas anteriormente publicadas nos posts que dediquei à Ribeira de Sampaio e para os quais fica link no final, mas também vão estar todas no vídeo.

 

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Mas hoje até nem estamos aqui para falar da aldeia, pois tudo que tínhamos para dizer sobre ela, já o dissemos nos posts que lhe dedicámos, hoje estamos aqui pelo vídeo que não teve nos posts anteriores e ao qual vamos passar de imediato:

Aqui fica, espero que gostem.

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

Post do blog Chaves dedicados à aldeia de Ribeira de Sampaio:

 

https://chaves.blogs.sapo.pt/ribeira-de-sampaio-chaves-portugal-1785579

https://chaves.blogs.sapo.pt/581530.html

https://chaves.blogs.sapo.pt/230549.html

 

 

E quanto a aldeias de Chaves, despedimo-nos até ao próximo sábado em que teremos aqui a terceira e última ribeira, a Ribeira do Pinheiro, aqui a última, mas no terreno fica no meio das outras duas.

 

 

 

15
Nov20

O Barroso aqui tão perto - Minas de Beça

Aldeias e lugares do Barroso

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O levantamento fotográfico para a abordagem das aldeias do concelho de Boticas que tenho deixado aqui nos domingos dos últimos meses, foi iniciado em 2011, mas com mais intensidade, de levar tudo a eito, em 2017 até 2019, sendo este último o ano em que dei como encerrado o levantamento, ficando apenas a Vila de Boticas com o levantamento incompleto, mas a completar em qualquer altura. Pensava eu, tendo como base um mapa que até me foi fornecido pela Câmara Municipal de Boticas, que tinha fotografado todas as localidades do concelho, no entanto, não foi bem assim.

 

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Para a abordagem no terreno, fui-me valendo dos mapas disponíveis, no entanto e no entretanto, fui reunindo outra documentação e informações para posterior abordagem, aqui no blog, de cada uma das aldeias do concelho de Boticas. Logo cedo fui-me dando conta que havia coisas que não batiam certo, e algumas ainda não consegui esclarecer. A primeira aldeia que não constava do mapa e que a descobri quando ainda estava a tratar das aldeias de Montalegre, mais precisamente as aldeias dos colonos, foi Pinhal Novo. Por sua vez, há uma que me aparece no mapa, mas que no terreno não consegui encontrar, trata-se de Caldas Santas, localizada bem próxima de Carvalhelhos e que acabei por dar como sendo pertença de desta aldeia.

 

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O aprofundar do estudo da documentação que tenho em meu poder e de outra à qual recorro, só acontece mesmo quando vou abordar essa aldeia, ou no caso do concelho de Boticas, quando abordo as aldeias de toda a freguesia, como atualmente está a acontecer com a freguesia de Beça, onde curiosamente, encontrei todas estas discrepâncias entre o que há documentado e o que consta nos meus mapas, em outros mapas a que tive acesso. Pois ao chegar a esta freguesia, nas primeiras pesquisas que fiz, nomeadamente na página oficial da C.M. de Boticas, na listagem dos lugares da freguesia aparecem:

 

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Freguesia de Beça

Povoações:

  • Beça
  • Carreira da Lebre
  • Carvalhelhos
  • Lavradas
  • Pinhal Novo
  • Quintas
  • Seirrãos
  • Vilarinho da Mó
  • Torneiros
  • Minas de Beça

 

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Ora, com esta listagem, fiquei esclarecido quanto às Caldas Santas não serem uma povoação, e confirma-se o Pinhal Novo, que é certo que é uma aldeia recente mas existe e está lá bem visível aos olhos de todos. Outra povoação que me aparece nesta lista mas que está ausente em muitas outras, é a Carreira da Lebre, também bem visível que é um povoado recente e que eu, por essa ausência em quase todas as listagens a que tive acesso das aldeias de Boticas, e dado a proximidade à aldeia de Quintas, dei como a Carreira da Lebre ser pertença desta aldeia, mas afinal na página oficial da CMB aparece como sendo uma povoação da freguesia de Beça. Ora como esta me apanhou desprevenido e embora tenha algumas fotografias da Carreira da Lebre, a verdade é que não são suficientes para a elaboração de um post, e daí não ter aparecido aqui o seu post a seguir à aldeia de Beça, isto seguindo a metodologia que tenho seguido até aqui em fazer estas abordagens por ordem alfabética.

 

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Mas a povoação que aparece nesta listagem das povoações da freguesia de Beça que me apanhou mesmo desprevenido, foi a povoação de Minas de Beça, pois só há 1 mês é que a vi mencionada pela primeira vez na listagem que tenho vindo a referir e que até consta no mapa da freguesia nos cadernos da “Prevenção dos Hábitos Comunitários nas aldeias do concelho de Boticas” . Pois esta descoberta tardia pôs mesmo em risco o poder trazê-la hoje aqui, pois sem fotografias não há post e eu não tinha nenhuma fotografia da povoação, mas era fácil de resolver, pois a distância não é muita e bastava destinar uma manhã de sábado ou domingo para chegar lá e fazer a recolha fotográfica, isto se os nosso dias corressem com a normalidade do decorrer dos dias normais, mas neste tempo de pandemia, não podemos fazer planos, mesmo que a curto prazo, pois podem-nos sair gorados, tal como aconteceu comigo.

 

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Pois acontece que antes do sábado que tinha previsto ir por lá à caça de fotografias, graças ao bicho da pandemia, por ter estado em contacto com pessoas contaminadas,  fui obrigado a fazer uma quarentena e a ficar confinado em casa, que felizmente tudo correu bem, daí como terminava a quarentena numa sexta-feira, programei o sábado logo a seguir para ir às Minas de Beça, mas por azar meu, e dado o grade número de casos que o concelho de Chaves teve, o Gorveno confinou-nos ao nosso concelho durante o fim-de-semana, proibindo-nos a saída dele, como o tempo apertava e já não havia mais sábados disponíveis, fui obrigado a gozar um dia de férias para finalmente ir a Minas de Beça, e fui, na esperança de ficar tudo resolvido mas…

 

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Pois, mas…, fui,  depois de ter feito o trabalho de casa, ou seja, o ter estudado os mapas do local, ver quais os caminhos para lá chegar e de lá sair, localizar a povoação que logo entendi não existir, mas antes, isso sim, existiam uma série de construções dispersas, algumas isoladas, outras em banda, e a aparência era a de que muitas delas estariam em ruínas, etc. Já no terreno confirmei isso mesmo, uma construção aqui, outra acolá, um conjunto de construções em banda e já quase quando estava a terminar avistei uma pessoa, no meio da estrada,  junto a uma das casas, que, ao aproximar-me verifiquei serem duas pessoas, o Sr. Marcelino e a esposa, a D. Aurora, que num plano mais baixo, ao lado da estrada,  tratava da horta, à boa maneira barrosã, onde ainda havia um bocadinho de tudo, mas sobretudo uns talhões de couve penca e troncha, a lembrar-nos de que o Natal está à porta, enquanto o Sr. Marcelino, soubemos depois, se preparava para ir botar o gado à pastagem. Mas voltemos ao mas que ficou para trás esquecido…

 

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Pois em conversa com o Sr. Marcelino, ao dizer-lhe ao que andávamos e que as Minas de Beça era a única “povoação” que nos tinha escapado no concelho de Boticas, ele nos surpreende ao dizer que nós já estávamos no concelho de Montalegre e que as antigas minas estavam todas no concelho de Montalegre, isto enquanto nos ia apontando onde ficava a linha imaginária do limite dos concelhos de Montalegre e Boticas. E de facto assim é, ao chegar a casa pude comprovar isso mesmo, as minas e algumas habitações e antigos bairros das casas dos mineiros se encontram no concelho de Montalegre, mas também há algumas no concelho de Boticas, nomeadamente um armazém em ruinas que tudo indica ter sido um armazém de apoio à minas.

 

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Quanto ao casal Sr. Marcelino e D. Aurora, hoje os únicos habitantes do lugar, mais um primo do Sr. Marcelino, portanto três no total, resta-nos agradecer a simpatia e hospitalidade com que nos recebeu e as preciosas informações que nos forneceu, senão iria hoje cometer aqui um erro crasso ao dedicar este post apenas às Minas de Beça de Boticas. Sr. Marcelino que é um descendente de um avô e pai mineiro, de quando aquilo estava cheio de gente, mas que tal como ele disse, o local não tardará outra vez a estar repleto de gente, com esta história do Lítio. E de facto, basta deitar um olho ao Google Earth para ver que no local e a contar por alto as marcas que deixaram no terreno, já se fizeram por ali cerca de uma centena de sondagens. Minas que, como veremos mais à frente, sempre existiram ao longo dos tempos, e o couto mineiro de Bessa já o era pelo menos nos tempos em que os romanos também andaram por lá.  

 

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Assim e resumindo, o complexo das antigas minas, ou couto mineiro de Bessa, as últimas a serem explodas até depois de meados do século passado,  distribuíam-se dentro dum círculo com um diâmetro de 2,5km em que mais ou menos metade dessa área pertence ao concelho de Montalegre, bem próximas da aldeia de Carvalhais, Morgade e Rebordelo,  e a outra metade ao concelho de Boticas, sendo a aldeia mais próxima, Vilarinho da Mó, daí, os créditos deste post serem também divididos pelos dois concelhos e fica assim também explicado do porquê de hoje o título ser Minas de Beça – Boticas e Montalegre – e o “mas…” que atrás deixámos. O seu a seu dono.

 

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Mas abordemos então aquilo que resta das Minas de Beça e os caminhos para lá chegar. Pois como sempre, no trabalho de casa traçamos o nosso itinerário para lá chegar. Desta vez optámos por ir sempre pela EN103 até ao Alto Fontão, ali mesmo onde se pode virar para Beça, por um lado e para a Serra do Leiranco, do lado oposto.

 

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No estudo da zona vimos um local que seria interessante para fotografar o conjunto de um pequeno aglomerado de casas, havendo um caminho de terra até lá, para tal teríamos de atravessa a aldeia dos colonos de Pinhal Novo. O local que tínhamos em mente era mesmo junto ao rio Beça, onde existem umas poldras, mas na ausência de uma ponte, para visitarmos de perto esse pequeno conjunto de casas, teríamos de voltar para trás, regressar ao Alto Fontão e a partir de aí tomar uns caminhos de montanha de terra batida, e esse tal conjunto, no nosso itinerário, seria um dos últimos a visitar, mas nem tudo sai como planeamos, pois uma coisa é o estudo dos mapas e cartas e outra a realidade.

 

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Acontece que enquanto estávamos a fotografar esse conjunto, uma carrinha todo terreno passou junto desse conjunto de casas do outro lado do rio, espanto nosso, quando fomos a dar conta a carrinha já estava junto a nós no lado de cá do rio Beça, rio que ainda estava a uma ou duas centenas de metros de nós e que o arvoredo não deixava ver as tais poldras, mas que pelos vistos também existiria um pontão, e antes de voltar para trás, resolvemos perguntar ao proprietário da carrinha se existia pontão, ao que nos respondeu que não, que não era preciso, pois atravessava-se diretamente pelo rio.

 

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Ora também lá fomos e também o atravessámos. Baralhou-nos um bocado o nosso itinerário pré-programado, pois passamos a fazer as visitas ao contrário, mas poupámos tempo e meia dúzia de quilómetros, mas não vai ser esse o itinerário que vos vou deixar, pois parto do princípio que os itinerários que aqui recomendo são para poderem ser feitos por automóveis ligeiros, embora os que fiz seja mais recomendados para viaturas todo o terreno, a verdade é que também vimos por lá um ligeiro, só não sei é se conseguirá atravessar o rio Bessa. Mais vale não arriscar e ir por estrada pavimentada.

 

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Ora então o nosso itinerário para chegar à zona das Minas de Bessa, com início como sempre na cidade de Chaves, é via N103 até ao Alto Fontão, não há nada que enganar, a seguir a Sapiãos quando aparecerem as primeiras casas, mesmo no final de toda a subida, está no Alto Fontão. Se a N103 começar a descer, já vai enganado, mas não se preocupe, pois estão lá as placas na estrada a indicar a saída para Beça. Logo a seguir vai passar ao lado da aldeia dos colonos, Pinhal Novo, e quando chegar a Beça, terá que entrar na aldeia e seguir as indicações das placas, onde estão assinaladas as Minas de Beça e também Vilarinho da Mó. Em caso de dúvidas, vá perguntado na aldeia, pois há sempre gente nas ruas. Se chegar até ao rio Beça, está no bom caminho.

 

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Depois de atravessar a ponte sobre o Beça, terá que percorrer apenas cerca de 1,2Km e abandonar a estrada por onde vai, que é quase seguir a direito, pois a estrada nesse local faz uma curva de 360º. A partir de aí, está a entrar no território das Minas de Beça. Tal como já atrás disse, não existe nenhuma povoação, existem sim, num raio de 2,5km algumas construções isoladas, pequenos conjuntos de 3 a 4 construções, e dois conjuntos de 5 ou 6 casas em banda. Quanto às minas propriamente ditas, esqueça, o melhor é não as procurar, pois já não há nada para ver, ou praticamente nada, apenas algumas ruinas pouco visíveis e encobertas pelo mato. A visita vale pelas paisagens e pelas margens do Rio Beça, pelo contacto com a natureza onde até as grandes aves de rapina nos sobrevoam nas calmas, quase como que nos ignorando…  Para ajudar a chegar até as Minas de Beça, ficam também os nossos mapas.

 

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Como não há aldeia, isto no conceito típico de aldeia, quando muito há, ou houve, um povoamento disperso à volta das Minas de Beça, isto atualmente e nos últimos tempos, então sem aldeia, vamos abordar as minas, que essas sim, existiram como minas, não só nos últimos tempos até há coisa de 50 a 60 anos, embora hoje inativas, mas desde sempre, conforme as necessidades do tipo de mineral a explorar, existem indícios de que terão existido outras, do tempo da ocupação romana, por exemplo, pois ao que parece a riqueza geológica do local tem dado para várias explorações de minério diferente, o mais recente, parece ter sido o estanho, quando o estanho fazia falta, tal como as de volfrâmio no tempo da segunda guerra mundial. Agora chegou a vez do lítio e que não haja dúvidas, pois a força da necessidade atual, e num futuro próximo, de lítio, será suficiente para se seguir em frente com a sua extração. S€mpr€ foi assim € s€mpr€  assim s€rá. Então. Lançando mão de alguns trabalhos académicos e outros estudos, quer no campo da geologia ou do ambiente, nomeadamente o florestal, vamos ver o que se diz e tem dito sobre este couto das minas de Beça.

 

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In MINERAÇÃO E POVOAMENTO NA ANTIGUIDADE NO ALTO TRÁS-OS-MONTES OCIDENTAL - CARLA MARIA BRAZ MARTINS (COORD.), encontrámos o seguinte:

 

N.º 050: Beça, Lavra de Beça, Cervos Descrição: Os trabalhos mineiros desenvolvem-se numa encosta sobre o rio Beça, num substrato xistoso, com grandes cortas (3 paralelas) e trincheiras (2). Admitem-se ser trabalhos antigos, romanos, apesar da existência de exploração contemporânea.

 

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Na mesma publicação, de autoria de João Manuel Farinha Ramos*

* LNEG (S. Mamede de Infesta)

Encontrámos o seguinte:

 

Das ocorrências deste tipo salientam-se as antigas minas de Sn e W de Carvalho em Vilar (Boticas), e as de Lavradas, Monte da Agrova N.º 3 e Monte das Vargelas todas em Beça, (Boticas). Nestas minas ocorrem filões e filonetes quartzosos e micáceos com cassiterite e volframite, encaixados numa formação metassedimentar de idade silúrica, nas proximidades do contacto com um granito de grão médio, tendência porfiróide, biotítico, sintectónico e depósitos aluvionares também mineralizados. A antiga mina Carvalho entre 1937 e 1971 produziu 30,6 t de mistos de cassiterite e volframite, e a de Monte das Vargelas 10,3 t de volframite e cassiterite em 1952.

 

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De autoria de Pedro Miguel Azevedo Paredes em “Prospecção de ocorrências filonianas do tipo LCT nas formações metassedimentares entre Boticas e Montalegre (N de Portugal) - Dissertação de Mestrado - Mestrado em Geologia – Ramo Valorização de Recursos Geológicos - Universidade do Minho, Escola de Ciências, encontrámos o seguinte:

 

Mais recentemente, em 2014, a Comissão Europeia publica novo relatório sobre as matérias-primas consideradas essenciais (numa actualização do primeiro relatório elaborado em 2010), em que introduz o estanho nessa lista (mantendo o tungsténio na lista das matérias-primas consideradas críticas),(...)

Também por essa razão (aliada à componente histórica), além do tungsténio o presente trabalho abarca a extracção do estanho (a partir da cassiterite), que foi uma das principais actividades do Couto Mineiro do Bessa.

 

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Apesar da importância do couto mineiro anteriormente referido, o conhecimento geológico da área é limitado, destacando-se apenas:

- A publicação “Jazigos portugueses de cassiterite e volframite”, de Cotelo Neiva (1944), onde o autor refere a natureza filoniana do jazigo, com numerosos filões de pegmatito granítico, registando possanças de alguns centímetros a 35 centímetros, com direcção geral NW-SE (concordantes com os planos de xistosidade do xisto encaixante) e inclinação geral NE, sendo por vezes de 40º relativamente à vertical. Realça também a existência de filões perpendiculares a estes últimos, ricos em cassiterite, sendo que a região metalífera mais rica é a que se encontra próxima da mancha granítica. No livro encontram-se ainda estudos sobre: as rochas eruptivas vizinhas, as rochas encaixantes e o greisen do Bessa; a mineralogia do pegmatito granítico e respectiva paragénese, destacando-se a presença, essencialmente, de quartzo e feldspato potássico, tendo como minerais acessórios, entre outros, a volframite e a cassiterite.

 

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A exploração mineira nesta zona remonta ao tempo dos romanos. No Boletim de Minas de 1938, referente às minas de Monte Agrove nº1 e Carvalho, aparece a seguinte citação: “Foram explorados aluviões ricos em cassiterite e volframite e resíduos de antiquíssimas fundições de estanho, provavelmente romanas, pois que nelas foram encontradas duas moedas de prata dessa época. Estes resíduos contêm, como é natural, a volframite, que então não era aproveitável. O povo dá o nome de agrovas às escavações antigas.” (Nunes, J. P. Avelãs; 2010). Inicialmente, o foco principal da exploração incidia nos filões pegmatíticos do tipo LCT, com mineralizações de cassiterite, para extracção do estanho. Acessoriamente, eram explorados concentrados de columbite-tantalite e ilmenite.

 

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As referências mais antigas da exploração no Couto Mineiro do Bessa, referidas em relatórios da Circunscrição Mineira do Norte, remontam a 1918 (minas da Corga das Domingas e da Cova da Mêda). De acordo com o mesmo organismo, de 1956 a 1965, foram produzidos 108t de cassiterite, com 60% a 75% de teor. Nesse mesmo período, produziu também 6t de concentrados de tantalite-columbite, com 30% de Ta2O5. Nas concessões de Carvalho, Estanheira e Palheiros, pertencentes ao mesmo Couto, foram produzidos, respectivamente: 11t de volframite e 26t de cassiterite; 2t de cassiterite; e 3t de cassiterite. Além do Sn e do W, também foram explorados recursos minerais não metálicos, como o quartzo e o feldspato (Ramos, Rui; 2003).

 

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Não propriamente sobre as minas mas sobre o povoamento florestal desde que a última exploração encerrou, encontrámos um trabalho de autoria de Raquel López, Engenheira florestal, visto em http://www.sinergeo.pt/evolucao-da-paisagem-no-couto-mineiro-de-beca-por-raquel-lopez/ , e consultado em 14-11-2020, que diz o seguinte:

 

Apesar da escassa presença humana, existiam algumas culturas agrícolas com grandes áreas de pasto, localizadas principalmente à esquerda da exploração mineira.

 

Em redor das cortas a classe mais representativa era o estrato arbustivo.

 

Ao longo dos anos, ou seja, após 53 anos o quadro é bastante diferente e a intervenção humana tem muito a ver com a transformação da paisagem.

 

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Em 2011 as espécies florestais de coníferas são as que verificaram um maior crescimento em área. Desta vez, o estrato arbóreo (o pinheiro, o carvalho vermelho, o carvalho negral, o castanheiro, o amieiro, o choupo, o vidoeiro, o eucalipto, etc.) é a classe mais representativa, muito diferente do que se verificava em 1958, onde a classe arbustiva era a vegetação dominante e a arbórea a de menor ocupação. Nos arredores da exploração, onde antes crescia vegetação de tipo arbustiva em  competição com o mato, agora crescem povoações recentes de pinheiros e em menor superfície povoações de eucaliptos.

 

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As povoações humanas são maiores e é observado um pequeno aumento na presença de culturas agrícolas, de localização semelhante como em 1958. Em 2011não foram observadas alterações significativas na distribuição dos pastos. Estes estão distribuídos mais ou menos pela mesma área e ocupando superfícies semelhantes em ambos anos.

 

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Ao comparar ambos anos com o 2006 a paisagem  volta a trocar. Em 2006 era praticamente dominada por uma mancha densa composta principalmente de plantações de pinheiro de duas classes de idade diferentes, porém mais velhas do que as plantações de pinheiros que estavam a crescer em 2011. Por outro lado, a paisagem de 2006 também está longe do que ela era em 1958 (lembre-se que o mesmo espaço estava ocupado principalmente por arbustos).

 

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Atualmente, e apesar de ter passado apenas quatro anos, a paisagem nas imediações da mina amostra-se de novo diferente com respeito a como ela se apresentava em 2011. Durante este período houve uma série de incêndios que causaram o desaparecimento de uma grande parte da floresta, interrompendo novamente o crescimento natural da vegetação e, consequentemente, alterando a paisagem.

Resulta, portanto, que esta região tem sido sujeita fortemente a fatores (quer sejam de origem humana ou natural) que repetidamente alteraram a evolução natural da vegetação, transformando a paisagem significativamente, em períodos curtos.

 

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E estamos a chegar ao fim deste post, hoje idêntico a todos os anteriores desta série, mas também, em tudo diferente, não tivemos uma aldeia mas sim umas minas, só que, para já desativadas, mas vimos o que delas restou, ou melhor, o que a elas sobreviveram, o casario disperso, também ele moribundo, mas não todo, pois existem sempre resistentes que por uma ou outra razão insistem em ficar e vão ficando.

 

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Só nos resta o vídeo final com todas as fotografias hoje aqui publicadas, e no próximo domingo cá estaremos novamente, com mais uma aldeia da freguesia de Beça, do concelho de Boticas, e aí, será uma aldeia a sério, mas que também tem os seu mas. Chama-se Pinhal Novo e é uma das 7 aldeias de colonos que Salazar mandou construir no Barroso, esta, a única a ser construída no concelho de Boticas, as restantes 6 foram construídas no concelho de Montalegre.

 

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Aqui fica o vídeo, espero que gostem:

 

 

 

Agora também pode ver este e outros vídeos no MEO KANAL Nº 895 607

 

 

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