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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

20
Abr18

Cinco dias cinco postas

1600-postas

 

O Melhor Restaurante de Portugal

 

Não sei se é o melhor restaurante de Portugal, sei que o restaurante do Pedro de Vilarinho Seco, foi o primeiro em Portugal a receber o selo Ceres Ecotur. Foi há cerca de um ano, saiu em todas os jornais, mas eu gosto de relembrar. O Pedro recebeu o selo por servir comida biológica e local, o que faz diminuir a pegada ecológica dos alimentos e aumentar a qualidade dos comeres. Essa da biológica tem que se lhe diga, porque o que ele serve é biológica caseira, muito diferente da biológica industrial que se encontra à venda nas cidades. Na altura, achei piada ouvir o Pedro a dizer na tv que nem precisava de mais publicidade, que já tinha clientes que lhe chegassem! Lá está, deve ser uma seca atender centenas de telefonemas para ter que dizer que o cozido está esgotado para o resto do ano. Como é um gajo cinco estrelas e não é ganancioso, diz que o prémio é bom porque pode vir a trazer benefícios para os colegas vizinhos. A verdade é que nas redondezas há uns 4 ou 5 restaurantes, entre os quais alguns normalíssimos que não têm o aparato das paredes de pedra antiga, que servem derivados de porcos bem cevados em casa pelos donos. Há um que serve uma travessa de cozido de primeira que vai incluído na diária de 7 euros. É de malucos, não dão valor ao que têm em casa. Pode-se correr o Porto todo que nem por 50 euros se encontra algo parecido. Fico-me por aqui com esta série de 5 postas seguidas e tão cedo não volto a escrever para o blogue. Isto de vir para o blogue de Chaves com a cantiga de que o melhor restaurante de Portugal é de Barroso, o melhor músico é de Barroso, o melhor fumeiro do mundo é de Barroso, a ONU em Barroso, etc, já deve estar a enjoar os amigos de Chaves. O pior é que eu era gajo para fazer mais uma série de 5 postadas neste tom de Barroso é o melhor do mundo! Vou fazer um intervalo e para a próxima o tema vai ser só flaviense.

Luís de Boticas

 

 

19
Abr18

Cinco dias cinco postas

 

 

1600-postas

 

O Melhor Músico de Portugal

 

Há quem diga que o melhor músico de Portugal é o Amadeu Magalhães (link: http://www.amadeu.pt/wp/wp/), um barrosão nascido e criado no Couto de Dornelas, aldeia do concelho de Boticas. O Amadeu é um músico que toca, ao vivo e em discos, com gente como Dulce Pontes, Fausto, Roberto Leal, Né Ladeiras, Chico César, Paulo de Carvalho, Luis Represas, entre muitos outros. Tem corrido o mundo a tocar com esta gente nos mais famosos anfiteatros que há por aí fora, desde Nova Iorque a Atenas, de Buenos Aires a Paris, etc. Há alguns músicos famosos que dizem por aí que ele é o melhor. O ser o melhor é uma coisa que tem que se diga, o certo é que não há nenhum músico multi-instrumentista a tocar uns 20 instrumentos a nível profissional como ele faz. Com uma curiosidade extra. Parece que por vezes lhe pedem para ir gravar uma concertina ou uma gaita num disco, e ele, para atender ao pedido, vai pedir o instrumento emprestado a um amigo, até porque há certos instrumentos que ele nunca teve em casa. Isto é que é talento! O melhor gaiteiro de Portugal nunca teve uma gaita em casa! Pega na concertina, treina um bocado, grava o disco, já está! Brutal! Isto só mesmo de Barroso! Dizem que quando pode ainda vem por aí acima até ao Couto de Dornelas onde gosta de disfrutar da boa carne e do bom fumeiro e de botar umas concertinadas com a malta. No último verão fez um concerto a tocar cavaquinho com a banda filarmónica do Couto, a banda onde deu os primeiros passos na música.

 

 

 

 

18
Abr18

Cinco dias cinco postas

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Barroso Agrícola

 

Na outra semana, a ONU declarou a região do Barroso património agrícola mundial. É óptimo, ajuda a dar destaque a uma região que faz produtos de alta qualidade e que devia apostar ainda mais na agricultura. A carne barrosã, várias vezes medalhada com ouro em concursos nacionais, está sempre esgotada. O mel de Barroso, com várias medalhas de ouro, pode aumentar a produção. Fazem-se os fumeiros (não conheço melhor a nível mundial) que podem duplicar nos lareiros. Há das melhores batatas, agora poucas, que podem voltar a crescer para certos nichos de mercado. Há trutas, peixes e enguias do melhor, que merecem mais interesse e cuidado. Até há um mexilhão raríssimo que poderia vir a dar origem a alguma brincadeira lucrativa. Há a carne dos vitelos cruzados (para mim é tão boa como a barrosã, até porque nesta zona os animais comem só erva dado que a ração é cara) para desenvolver. Há por aí galinhas a comer couves e alfaces duma qualidade que não há nas lojas de produtos biológicos. Diz-se que o problema da agricultura nesta zona é o minifúndio. Tenho dúvidas, se calhar é exactamente o contrário. Por a terra estar repartida, muita gente ainda tem uma leira de terra, um porco e uma vaca. As pessoas sabem o que é bom, têm referências, e torcem o nariz aos produtos industriais e de menos qualidade. Os americanos que fiquem lá com as quintas de 10 mil porcos, com as genéticas modificadas, e com os arsenais químicos. Nós somos pobres mas andamos muito melhor cevados. É a ONU que o diz.

 

Luís de Boticas

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17
Abr18

Cinco dias cinco postas

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A Sande do Futuro: O Chamusco

 

Já disse aqui que alguns dos melhores pratos da culinária portuguesa nem sequer são conhecidos da maioria dos portugueses. Se perguntarem a um agricultor da região, qual é o petisco que preferem para a merenda, 80% dá-vos esta resposta: um chamusco em pão. Nas cidades, já ninguém diz merendar e sorriem cada vez que uso o verbo. Recuso usar lanchar, que vem do inglesado lunch, almoço, é errado. A palavra inglesa para merenda é tea. Talvez um dia iremos tiar, para já, merendamos. Na província é que se fala correctamente, ó sorridentes. Um chamusco é uma talhada da pá ou do presunto (preferencialmente da pá) que é chamuscada nas brasas duma lareira num trocho, num espeto ou numa grelha, e que vai para cima dum carolo de pão centeio, ainda a pingar. Para os sorridentes, a pá é a pata da frente. Onde é que há chamuscos à venda num café, numa tasca ou numa feira de fumados? Não há. Porquê? É coisa de parolos. Porém, se aparecer alguém a dizer que comeu delicioso um bacon roll em Londres, toda a gente fica maluca. Os ingleses, que não estão com merdas, comem milhões de sandes de bacon frito em óleo, com carradas dos molhos deles, com ou sem ovo ou manteiga, etc. Mesmo que o bacon deles nem se compare ao de Chaves, é uma sandocha que marcha muito bem, são finos. Parem com isso de andar com o bacon na boca, bacon significa apenas carne curada de qualquer parte do porco, nada mais, mais rico vocabulário suíno temos nós, deixem de ser sorridentes. Sei que a única maneira de vender bem o chamusco será chamar-lhe algo assim: cottage bacon sandwich, servido aparatosamente num estabelecimento com um letreiro a dizer Tapas & Wine Bar & Lounge & Gay Owners. Que seja. A verdade é que não há nada como um chamusco caseiro a pingar no pão, um gajo até rói os couratos e nem vem à lembrança que o ketchup existe.

 

Luís de Botícas

 

 

16
Abr18

Cinco dias cinco postas...

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A Tailândia e o Novo Aeroporto de Lisboa

 

Conheço umas 15 pessoas que estiveram de férias na Tailândia. Sei que 99% dessas pessoas foram lá por ver ir os outros, até porque não conheço ninguém que tenha ido ao Vietnam, Birmânia, Camboja, China ou Malásia, e a Tailândia não me parece 15 vezes mais interessante do que esses. Se pusessem os turistas que viajam para a Tailândia num qualquer dos outros, ninguém daria pela troca, visto que antes da partida nenhum saberia enumerar 3 cidades tailandesas. É estranho que se façam 25 horas de voo para cada lado e se gastem três mil euros, apenas para impressionar conhecidos, mas há quem consuma dinheiro em droga e há aqueles para quem o estatuto social é uma droga. Sou suspeito de falar da Tailândia porque desatino com asiáticos. Não me interesso por povos que ainda insistem em usar alfabetos de 20 mil letras e comer com pauzinhos. A comida, o sushi? A primeira vez que fui a um chinês, jantei primeiro e não me arrependi. Quem me tira um cibo de presunto com pão centeio... Nunca irei a Tóquio comer comida detestável e mirar gajas com a cara e as mamas chapadas ou arranha-céus banais, só pagando-me bem e sabendo que lá há, ao menos, algum McDonald’s. Se um dia, por azar, me der para ir à Ásia, sei onde vou, é evidente: Goa ou Timor Leste. Aí, ao menos, tenho esperança de encontrar algo como alheiras e grelos. Concluindo, o que queria dizer é que há excesso de turistas, daqueles que vão a qualquer lado por ir. Se Lisboa tem excesso de turistas, a solução é não construir outro aeroporto. Até porque temos um problema com o aquecimento global e com o dióxido de carbono. Reduzam-se as emissões. Para os amantes da Tailândia, há solução: faça-se uma Tailândia dos Pequeninos na Barragem dos Pisões, com um mini-resourt (Lago dos Pi Xioens), e ponha-se chineses a servir à mesa cobra frita e banana assada. Acreditem que ninguém vai sentir falta de escolher pratos de menus em tailandês usando o Um Dó Li Tá e de ter conversas desinteressantes em linguagem gestual com serventes tailandeses, porque este é o triste resumo duma semana na Tailândia.

 

Luís de Boticas

 

 

 

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