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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

22
Dez20

Chaves de Ontem - Chaves de Hoje

A Praça do Duque

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ontem-hoje

 

Neste Chaves de ontem Chaves de hoje vamos até àquela que foi “impropriamente alterada para Praça de Camões”[i] e fazer uma bocadinho da sua história com as imagens possíveis, deixando-as aqui pela sua ordem cronológica, tendo-nos baseado para definir essa ordem nalgumas referências que essas imagens possuem e que foram aparecendo ou desaparecendo conforme o passar do tempo. Pois então temos nestas imagens de hoje várias referências, que são autênticos documentos temporais, a saber:

 

1ª – O desenho da praça

2ª – O edifício da atual Câmara Municipal de Chaves  

3ª – O edifício do atual Museu da Região Flaviense

4ª – O Casario da Praça

 

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Imagem 1

Imagem  1 - Para nós a mais antiga das que hoje aqui deixamos e que nos datamos como sendo anterior a 1909, em que nos aparece-nos com uma praça ampla, não pavimentada, com duas linhas de árvores e um único poste de iluminação, o edifício da Câmara Municipal com porta principal em madeira e sem relógio, e o edifício do lado esquerdo encostado à capela da Stª Cabeça ainda alinhado com a capela.

 

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Imagem 2

 

Imagem 2 – Estive tentado a dizer que esta segunda imagem era a mais antiga, que, sem qualquer dúvida é do ano de 1909, por se tratar de uma imagem das comemorações do 1º Centenário da Guerra Peninsular que se celebraram nesse ano. A imagem é em tudo idêntica à anterior, a não ser as duas linhas de árvores que já não existem, as mesma que me levaram a datar esta imagem como a 2ª na nossa cronologia.

 

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Imagem 3

 

Imagem 3 – Uma imagem que podemos localizar entre o ano de 1911 e 1914 por duas referências que a imagem nos dá, uma a do Pelourinho já aparecer nesta imagem, pelourinho esse que foi proposto aí ser colocado pelo vereador Padre Cerimónias, conforme consta em ata da CMC de 27-10-1910 – “O Vereador Padre Serimónias propõe e a Câmara aprova, “Que sejam restaurados os cruzeiro e pelourinho d’esta villa e posto nos locaes que dantes ocupavam – largo de Camões e do Anjo respectivamente””, que em princípio, logo nesse ano ter-se-ia iniciado a colocação do pelourinho, pois em ata da CMC de 16-2-1911 refere-se – “por promoção do Sr. Administrador do Concelho foi deliberado mandar concluir a reconstrução do Pelourinho no Largo de Camões, desta Vila”. E outra deliberação ou decisão da CMC teria havido, pois o Pelourinho foi erguido na Praça de Camões e não no Largo do Anjo, conforme proposta do Padre Cerimónias. Quando ao cruzeiro, nada se sabe, embora num documento da Direção-Geral dos Edifício e Monumentos Nacionais se diga que para a base do Pelourinho se foram buscar elementos de um antigo cruzeiro que existia à entrada do caminho da Dapela do Pópulo.. A outra referência que nos faz localizar esta imagem antes do ano de 1914 tem a ver com o relógio do edifício da Câmara Municipal, que ainda não aparece nesta imagem.

 

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Imagem 4

 

Imagem 4 – Imagem muito semelhante à anterior e que nós datamos do ano de 1915 e podendo argumentar para tal que o relógio só foi montado no primeiro semestre deste ano, isto porque em meados de dezembro de 1914, embora pronto o relógio ainda não estava em Chaves, pois o fabricante ´”Morez do Jura” em meados desse mês informa que o relógio já está pronto, porém que havia impossibilidade do seu envio, em virtude da supressão de transportes em caminho de ferro para o estrangeiro, por grandes rumores da guerra entre a Alemanha e França. Contudo em 3-6-1915 já havia relógio no telhado da Câmara, pois numa ata da CMC desse dia decide-se efetuar pagamento de 14$28 (que na moeda de hoje seriam 7 cêntimos)  a Vitorino Pereira Vidago, de Chaves, para reparação do telhado dos Paços do Concelho, causados pela montagem do relógio. Outra referência para esta imagem ser de 1915 é o facto da mesma ter sido publicada no Guia-Album de Chaves que foi também publicado nesse mesmo ano. A título de curiosidade, este relógio só durou até 1921, ano em que foi adquirido um novo relógio para substituição do existente, que foi vendido em hasta pública, tendo sido fixado em 600$00 a base para a sua licitação.

 

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Imagem 5

 

Imagem 5

Esta imagem diz-nos que já tem relógio na Câmara Municipal, que já não tem pelourinho que as árvores já estão entre lancis que definem arruamentos e passeios, ainda não pavimentados, que a porta da CMC ainda é em madeira, que o edifico do atual museu tem dois pisos, mas o 2º é recuado e que o velho olmo ainda existia, ora dá-nos duas indicações preciosas para a sua datação, a primeira o pelourinho e a segunda a porta de madeira da CMC, pois sabemos que o Pelourinho só morou 8 anos na Praça de Camões, tendo a Câmara mandado apeá-lo em 1919, quanto à porta de madeira, essa durou até 1938.

 

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Portão da entrada da CMC

 

Portão de Ferro da entrada principal da CMC

O portão começou a ser executado em 1938 por solicitação do então engenheiro da Câmara, o Engº Sá Fernandes. Demorou 2 anos a ser executado, e custou 5.000$00, importância que foi paga às prestações. As peças do portão foram cravadas, medronhadas e limadas, tudo trabalho manual que, simplificando, e após a obtenção das várias peças, consistia em fura-las com uma manivela, nos quais eram introduzidos cravos e posteriormente limados, peça a peça até se chegar ao portão final. Depois de pronto na oficina, foi contratada a diligência do correio do Porto para fazer o transporte até à Câmara Municipal, ao que parece era o único veículo com capacidade para o poder transportar.

 

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Imagem 6

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Imagem 6-1

 

Imagem 6  e 6-1

Ora pelo portão de ferro da Câmara Municipal esta imagem é posterior a 1938 mas pelo edifício dos Paços do Duque de Bragança (atual museu) podemos seguir até 1940, ano em que foi construído o 3 piso deste edifício e pouco mais dados temos, assim ficamo-nos poe esta imagem ser posterior a 1940.

 

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Imagem 7

 

Imagem 7

Sem muito a dizer em relação a esta imagem, pois é muito idêntica às anteriores, apenas que chegou até nós datada com o ano de 1952.

 

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Imagem 8

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Imagem 9

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Imagem 10

 

Imagem 8, 9 e 10

Imagens posteriores a 1962, não só pelos modelos dos carros mas também porque pelo edifício dos Paços do Duque de Bragança, já e só com dois pisos, estando as obras de apeamento do 3 piso datadas precisamente de 1962. Sabemos também que foi assim que a praça se manteve até 1970, anos em que se iniciaram as obras que deram origem à praça atual.

 

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Imagem 11

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Imagem 12

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Imagem 13

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Imagem 14

Imagem 11, 12 13 14

Imagens de 1970

 

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Imagem 15

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Imagem 16

 

Imagem 15 e 16

Imagens atuais, ou quase, pois ambas são de 2018. 

 

 

 E para voltemos ao início deste post, onde deixo a afirmação de Firmino Aires, ao qual desde já agradeço mesmo que a título póstumo pelas obras que deixou publicadas sobre a cidade de Chaves onde hoje fui beber alguma informação, nomeadamente à Toponímia Flaviense e às Incursões Autárquicas, mas ia dizendo, que no início deixei a afirmação de Firmino Aires que agora completo, pois dizia mais, aqui fica o resto: “è deveras interessante a penúltima designação que teve esta praça — O PRINCIPAL ou da GUARDA PRINCIPAL./Sendo nesta praça onde mais se condensam os valores históricos de Chaves, quer pelo seu tamanho quer pela sua dignidade, deveria continuar a chamar-se a Praça Principal ou da Guarda Principal./Tal como em Sevilha tem a magnífica Praça de Espanha ou Salamanca a Praça Maior, também esta cidade tem a sua praça, que sendo a Principal foi impropriamente alterada para Praça de Camões. Outra praça deveria ser dedicada ao nosso Príncipe dos Poetas.”.

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Composição - Vista geral de toda a praça, de 2019

 

Pois subscrevo quase tudo que Firmino Aires disse, mas não concordo com ele em retomar o nome de Praça Principal, que talvez ele tivesse defendido pelo seu passado como militar, pois eu, com os mesmo argumentos iria mais longe, não até ao primeiro nome conhecido desta praça que era o de “Toural das Ollas”, mas sim a tomar o nome daquele que mais foi mais nobre e em tudo tem a ver com ela, desde o Castelo aos Paços do Duque de Bragança, que tem, e muito bem, estátua nesta praça, que nela viveu, teve os seus filhos e nela foi sepultado (Igreja Matriz). Praça de D. Afonso I, Duque de Bragança, era esse o nome que esta praça deveria ter. É a minha opinião. Quanto ao Camões, bem poderia substituir o nome do Silveira, nas Freiras,  e assim ficava junto à Biblioteca e ao Liceu, casas ligadas aos livros e às letras.

 

[i] In Toponímia Flaviense de autoria de Firmino Aires, 1990

 

 

 

 

01
Out20

O Amolador de Tesouras

Cidade de Chaves

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Recordo em puto o som inconfundível do “chiflo” a avisar por onde andava o amolador de tesouras e facas, que de rua em rua,  percorria todas as artérias da cidade e os bairros limítrofes que , à sua passagem, aqui e ali, fazia sair as donas de casa com as suas tesouras e facas para afiar. Não apareciam todos os dias, mas apareciam com alguma frequência, e à sua volta, quando punham a sua geringonça que adaptava à bicicleta a roda e esmeril que punham a funcionar ao pedalar, os putos, à volta do amolador,  olhavam curiosos para a coisa. O engraçado nisto tudo é que ainda andam por aí, a tocar o “chiflo”, mas aparecem raramente, e tão depressa aparecem, como desaparecem, já não há donas de casa a sair à rua! Mas o aquele subir e descer do som o “chiflo” ainda encanta ao soar nos nossos ouvidos.  

 

 

 

12
Dez19

Cidade de Chaves

casario da praça do duque

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Os da minha geração pela certa que se lembram do tempo da fotografia analógica, da fotografia dos rolos com 12, 24 ou 36 fotografias, que se tinha de pagar para as ver, daí, a fotografia então, era só para momentos especiais (férias, aniversários, casamentos, etc), e com olhares seletivos que nem todos passavam a papel. Para os que não são da minha geração, só para terem uma ideia de como se lidava com a fotografia, em geral, quando se ia de férias (por exemplo),  levava-se um rolo de 36 fotografias e passadas as férias, regressava-se a casa, muitas das vezes ainda com uma dúzia de fotografias por bater que,  seriam guardadas para um próximo momento especial. Ou seja, havia vezes em que as fotografias das férias só eram vistas passados 2, 3 ou mais meses após terem sido batidas. Felizmente com o aparecimento da fotografia digital a fotografias ficou mais acessível, primeiro por ser de borla e hoje em dia mais ainda, porque além de ser de borla, vulgarizou-se ou banalizou-se até,  ao termos ao dispor câmaras fotográficas nos telemóveis, nos tablets ou ipads, etc. Ou seja, em geral andamos sempre com uma câmara fotográfica no bolso, ou sempre à mão… não havendo desculpas para não podermos registar e congelar todos os momentos que acharmos interessantes, úteis, para trabalho, para o que quisermos. O único senão destas novas câmaras fotográficas incorporadas, por exemplo em telemóveis, é o de nem sempre garantirem a qualidade pretendida, especialmente em condições de pouca luz. Registam o momento que eles querem e não o que nós queríamos ou desejaríamos, mas de vez em quando, surpreende-nos fazendo registos bem interessantes, que excedem mesmo as nossas expetativas, mesmo que o registo desvirtue um pouco a realidade em cor, luz e efeitos, que exacerbados com um pouco de tratamento dão excelentes momentos, como o que hoje partilho aqui. Pelo menos eu gosto do calor e colorido do que afinal era um dia chuva bem cinzentão... e com esta me bou!

 

15
Out19

Cidade de Chaves

A Semana do Turista - 2

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A semana do turista – 2

 

Ontem tínhamos ficado na visita à Torre de Menagem do antigo castelo de Chaves. Tinha deixado os nossos turistas no terraço da torre. Pois bem, há que descer, devagar, sem pressas. Chagados cá baixo, há que fazer a visita às nossas 4 praças monumentais e digo monumentais não pela sua monumentalidade sinónimo de grandeza, pois até são praças pequenas, mas monumentais, sim, porque é nelas que se encontram alguns dos nossos principais monumentos.

 

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Pois ao sair do jardim do castelo apanha logo de frente um pequeno conjunto colorido e florido de casario. Essa é a primeira praça a visitar. Trata-se da Praça do Município, sempre com bons motivos fotográficos e onde pode saborear o nosso afamado pastel de Chaves tal qual se deve comer, quentinho a sair ou acabado de sair do forno. Se for vegetariano, não há crise, ao lado existe uma frutaria. Estado aí, não deixe de apreciar a fachada posterior do edifício da Câmara Municipal de Chaves, antigo palacete de um fidalgo de Vilar de Perdizes.

 

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Contorne o edifício da Câmara Municipal e entrará na Praça de D.Afonso, I Duque de Bragança e 8º Conde de Barcelos, filho de D.João V que casou com a filha de D.Nuno Alvares Pereira, que viveram e tiveram os seus filhos nesta praça, daí eu chamar-lhe com toda a propriedade a praça do Duque, embora toponimicamente falando seja a praça do Camões. Pois o Sr. Duque é o homem que em estátua levanta a sua espada e lança olhares sobre a igreja Matriz e toda a praça (para saber mais sobre o duque, siga este link: https://chaves.blogs.sapo.pt/342269.html . Mas antes, ou depois de apreciar a estátua do duque, há que deitar um olho à pequena capela da Santa Cabeça, que é lindíssima. Demore-se nos pormenores do exterior e se estiver fechada, vá ao posto de turismo, que fica também nesta praça,  e exija que lha abram, pois o que é bonito é para se ver e eles têm lá a chave.

 

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Ainda aí, não deixe de entrar no edifício da Câmara Municipal de Chaves. Embora seja um edifício administrativo do executivo municipal, o átrio de entrada e escadaria central, merecem ser vistos, com um interessante painel de azulejos nas paredes do átrio. Pode visitar à vontade, pois é um edifício público e o que tem de interessante está à vista.

 

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Ao sair do edifício da Câmara Municipal, dirija-se ao edifício do lado, onde estão instalados o posto de turismo e o Museu da Região Flaviense de arqueologia e pré-história.

 

Até amanhã, ainda nas praças monumentais de Chaves.

 

 

20
Mai19

De regresso à cidade...

Para blog Chaves em https://chaves.blogs.sapo.pt

 

Pois é, cá estou de novo a regressar à cidade, hoje com uma passagem pela praça do Duque, que, faltou só um bocadinho e nem na foto ficava, mas ficou a “mariana” do Sr. Lameirão… é assim, o raio de sermos de uma cidade pequena faz com que se conheça toda a gente, saber quem morava nas casas, de quem era mãe e avó, há quantos anos morreu, tantos quantos a casa está fechada, claro  que me refiro à casa em frente da qual a  “mariana” do Sr. Lameirão está estacionada, e estacionou lá, porque ele, que também é desta cidade pequena,  também sabia que nela não morava gente. Sei, ou sabemos, porque uma das almofadas da porta da capela da Santa Cabeça é de formato e cor diferente, e há quantos anos aquela porta e janela por cima da cabeça do duque não abrem, mas tudo isso é porque somos de cá, estamos cá e convivemos dia a dia, com o dia a dia que cada dia passa por nós. Mas isso, hoje, pouco interessa, pois o tema de conversa vai ser outro, feito de outro regresso, o do Desportivo de Chaves, que também regressou à cidade com o penoso fardo de também regressar à segunda divisão, ou segunda liga ou lá o que é…sei que, tudo isto foi depois de Portugal nem sequer ter ido à final do festival da eurovisão,  do Benfica ser campeão, do Porto ficar de beiça e do Sporting ver mais uma vez o campeonato passar-lhe ao lado, e ainda, tudo isto, quando estamos em campanha eleitoral daquelas eleições que tanto faz, para nós e para eles, a não ser para ver como andam as intenções de voto para as outras eleições que vêm aí. Por cá não há campanha, talvez por isso ainda nenhum dos candidatos tenha aparecido por cá, aliás nem fazem cá falta nenhuma…

 

Boa semana!

 

03
Mai19

Cidade de Chaves e a praça do homem de bronze

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Gosto daquele homem de bronze, impávido e sereno, duvido que conformado, mas aceitou, sempre aceitou o destino a que foi destinado, sempre, sempre assim foi. Um flaviense, em tudo improvável,  alentejano de nascimento, teve Chaves como dote, nobre desta praça, foi duque e conde de outras, mas aqui foi pai e amante, aqui morreu e foi sepultado, em vão, até nisso, lhe foi destinado outro destino. Ficou apenas o homem de bronze para quem passa na sua praça pergunta que é, olha! está lá escrito, de Bragança e Barcelos, mas que raio faz nesta praça que é do Camões!?, mas contra mitos não vale a pena, nunca vale a pena fazer-lhes guerra, pois perdem-se sempre, e assim,  lá continua, ele,  impávido e sereno, sem desviar o olhar, de dia e de noite, à chuva, ao vento, ao sol, frio ou calor, tanto se lhe dá, destinado que está a ser assim, assim será enquanto quiserem. De entretém só tem a gente que passa, já há muito lá vai o tempo em que por lá pernoitavam, mesmo quando a sua praça que é de outro se enche de gente, embora pareça que todos o olham de frente, embora pareça que é ele que na primeira linha comanda todo um exército atrás dele, embora uma primeira vez se tivesse animado ao ver o seu povo, depressa caiu no seu destino da realidade de ser o homem de bronze, de ser apenas um incómodo a quem parece lançar-lhe os olhares, quando afinal de contas, todo o poder e todos os interesses ficam nas suas costas, nas costas de quem numa vida foi o dono disto tudo…

 

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Mas o que mais custa são as noites, principalmente as longas noites de inverno, sem vivalma que o console ou mesmo atormente, que já era alguma coisinha para companhia, até as pombas que tanta vez lhe poisaram na cabeça, agora andam por outros destinos e deixaram o homem de bronze, ali sozinho, impávido e sereno de olhar fixo sabe-se lá onde…

 

 

09
Abr19

Cidade de Chaves de(s)GOSTOS

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Às vezes chego a duvidar de mim, é uma questão de sentir que me deixa na dúvida de estar a ser muito retrógrado ou estar muito à frente, sem o meio termo do estar confortável no ser conformado, como quem diz – acomodado. De qualquer das formas incompreendido (coitadinho de mim!), o que vale, é que já estou habituado e depois há o am… (ia dizer amar, mas é um termo e/ou verbo difícil de conjugar em português, isto tendo em conta o seu pretenso significado. Prefiro o verbo GOSTAR, é muito mais abrangente e fiel no seu significado, vai muito para além do amar e do fazer amor. No gostar, gosta-se sempre e quando não se gosta, também tem o seu contrário no DESGOSTO.) Pois, interrompi  quando ia dizendo — o que vale, é que já estou habituado e depois há o gostar das coisas, das pessoas, dos lugares, do viver, da alegria. Tudo isto para dizer o como gosto desta Praça do Duque à qual também lhe chamam de Camões, aliás são estas duas, três ou mesmo quatro praças que se interligam para constituir um todo do melhor que Chaves tem, em beleza, monumentalidade e história. Praças que mereciam estar cheias de alegria, movimento, de pessoas, de vida e aqui sim, de amor. Refiro-me à Praça da República, à Praça do Duque, ao Largo Caetano Ferreira e Praça do Município/Rua/Largo de Infantaria 19. No entanto é um gostar cheio de desgostos, senão vejamos qual a vida e companhias destas praças, para além das igrejas, temos a casa do poder, onde se pagam taxas e licenças, se reclama e protesta e onde os políticos têm uma câmara onde decidem por nós com a legitimidade que o voto lhes deu, coisas aborrecidas para a alegria das praças, quando muito dá-lhes algum movimento, mas continua com um Museu de Arqueologia e aqui está tudo dito, com interesse histórico, sim senhor, mas para quem gosta, logo a seguir uma Igreja que comummente se transforma em casa mortuária, depois um armazém de idosos e de caridade, a seguir casario abandonado, mais uma igreja, a seguir a praça da república que nun lado de 4 comércios, 2 são agências funerárias, no outro lado um casarão belíssimo mas abandonado e do outro lado da praça um “club”, sociedade de velhotes a fazerem tempo para enganar o tempo, para além disso, um largo sempre a abarrotar de popós num local onde até é proibido estacionar. Vira-se a esquina e há todo um casario que se prolonga Rua do Sal adentro. Talvez, de memória, conto 16 a 17 prédios de habitação e uma capela, onde há dois cafés que abrem de sol a sol (desde que nasce até que se põe) e uma relojoaria e é tudo, pois viver, mesmo viver, penso que só dois dos prédios terão gente dentro, e pouca. A única praça que ainda vai tendo vida durante o dia (de sol a sol) é a Praça do Município e a Rua/largo de Infantaria 19, com a frutaria da Amélia, os Pastéis da Maria, o Café da Catarina e agora a casa das tapas do Pépe, e mais nada… então à noite, como agora está na moda dizer, o silêncio é ensurdecedor…

 

 

 

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