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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

21
Dez15

De regresso à cidade e ao Natal


 

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 Imagem do presépio da enfermaria da Casa de Santa Marta em Chaves

 

Cá estamos em mais uma segunda-feira e mais um regresso à cidade que, por estarmos em contagem decrescente para a grande noite da família, o vamos fazer com motivos natalícios, desde já, com os meus votos de um Feliz Natal.

 

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Também com uma imagem das Freiras com as tão badaladas (este ano) luzes de Natal. Com os Correios ou de fundo. Quanto à iluminação de Natal, coitadinha, mas sempre marca presença sem contudo nos meter algum as bolsos para as prendas. Mas esta coisa da crise e o 13ª mês dado em duodécimos para disfarçar aquilo que nos roubaram, quanto às prendas, até deu jeito, pois com a desculpa dela passamos a ser mais comedidos e seletivos. A família mais próxima e é um pau, com preferência para as prendas utilitárias, pois quem as recebe agradece.

 

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Mas neste regresso à cidade também ainda há lugar para uma imagem daquilo que vamos tendo de melhor e que graças à sua importância histórica foram sendo preservadas, às vezes melhor que outras, mas o suficiente para não terem sido transformadas em b€tão.

 

Boa semana e Boas Festas!

 

 

16
Dez13

Presépio da Casa de Santa Marta - Chaves


 

 

Ficam mais duas imagens do presépio da Casa de Santa Marta, em Chaves, na Rua Alferes João Batista. O presépio está aberto ao público e podem crer que vale a pena visitá-lo. São cerca de seis metros quadrados de luz, movimento e áudio, num presépio completo atravessado por um rio onde até há peixes vivos. Um espetáculo feito com o empenho e arte da Irmã Laurentina, que é autora de outros presépios na vizinha Galiza.




09
Dez13

Os Presépios das Freiras


 

Tal como manda o calendário o mês de dezembro é o mês do Natal, já a tradição manda que neste mês se façam os presépios, logo no início do mês, para se desfazerem após os Reis.

 

Por hoje fica o presépio/iluminação do largo das freiras e uma amostra do presépio da Casa de Santa Marta. Deste último prometemos trazer cá mais imagens e pormenores pois a arte com que está feito merecem mais imagens. Presépio da Casa de Santa Marta que abriu ontem portas às visitas ao público – passe por lá, vai ver que não se arrepende.




Ainda hoje, às 9 da manhã temos por aqui mais um "Quem conta um ponto..." de João Madureira" e às 17h mais duas imagens de Chaves.


23
Dez12

O Presépio da Casa de Santa Marta - Chaves


 

Se gosta de presépios, aproveite e visite o presépio da Casa de Santa Marta, pois está aberto ao público e as Irmãzinhas terão todo o gosto que o visite, e vale pena, pois não é um presépio qualquer, aliás, com a qualidade que já lhe conhecemos dos anos anteriores.




Efeitos de luz, imagens em movimento com todas as cenas da vida quotidiana, chaminés a deitar fumo, água corrente, panelas a ferver ao lume, o nascer do sol e o anoitecer, o dia e a noite, tudo isto está disponível para ver no presépio, acompanhado por  uma explicação áudio.




Se está cá por Chaves, não deixe de o visitar, na Casa de Santa Marta, Rua Alferes João Batista.



28
Dez11

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves


 

 

Sempre gostei de presépios.


Antes das férias de Natal, na Escola Primária de Vila Verde da Raia, no final das aulas, os trabalhos escolares de uma tarde, consistiam em levarmos um cesto e percorrermos soutos e pinhais para colhermos musgo e líquenes das árvores, umas pedras, materiais que depois usávamos para fazermos o presépio da escola.


Iam rapazes e raparigas e quando empinavam os carreiros, começávamos a andar para trás ou estacávamos, impostores, simulando fadiga, aguardando que elas passassem para a frente, na esperança de apreciarmos outras paisagens…


Algumas mordiam o isco, outras, manhosas, conhecedoras da marosca, acompanhavam-nos no fingido cansaço ou então sorriam, cúmplices, e desviavam-se à procura de azevinho ou então apontando para o meio dos arbustos, diziam:


- Olha merogos!


E os mais larpeiros precipitavam-se para o lugar que elas assinalavam com o dedo esticado e quando lá chegavam, nem merogueiros, quanto mais merogos!


E elas a rirem-se, os dentes da cor da geada, os lábios do fruto frustrado, a face rosada e o peito a arfar da gargalhada.


- Ah! Ah! Ah! Querias merogos …!


Recolhido o musgo, os rapazes, esquadrinhavam na aldeia, próximo das tabernas, maços de cigarros vazios, retirando-lhes a prata, que servia para fazer de rigueiro, e no lugar dos Pegões, nas margens do rio Tâmega, onde as mulheres lavavam a roupa, apanhavam areia fina, para desenhar os caminhos.

 

Presépio da Casa de Santa Marta - Chaves


As imagens do presépio, compradas a algum barraqueiro dos Santos, vindo de Barcelos, estavam guardadas nas arrumações da escola em caixas de madeira, onde antes bem resguardada estivera marmelada que se vendia às porções, na taberna do senhor Zezinho ou do Simão. Num dos lados, ainda se podia ler: Confeitaria Estrela.


E extasiados debruçávamo-nos uns nos outros para as ver sair pelas mãos dos professores.


E nem faltavam: o moleiro, as lavadeiras, o pescador, o fogueteiro, o matador das cebas, o ferreiro, o soldado, os músicos, sabe-se lá …; algumas, apesar das toscas feições lembravam pessoas de verdade e de tal forma, que, admirado, havia quem não se continha e exclamasse:


- Olha o tio Zé Ribeiro!


E outro:


- Aquele parece mesmo chapadinho ao tio João Bexigas!


Depois de montado o presépio, era tempo de o mirarmos de alto a baixo, até chegar ao último dia de classe.

 

Encerrada a escola, o presépio, por assim dizer, hibernava. Havia o da igreja, mas o nosso era melhor!


Passadas as férias, regressávamos à escola, e apesar de lá continuar o presépio, se uns olhavam para ele com satisfação, um que outro passava por ele de cabeça baixa; por certo teriam recebido do Menino Jesus algum troço de carvão!


Vieram outros dias e tive a oportunidade de ver e admirar outros presépios com mais engenho e arte, mas não posso deixar de dizer, que sempre me ficou o encanto daqueles que acompanharam a minha infância.


Conheci muitos, de escultores afamados, como Machado de Castro ou António Ferreira, ou a eles atribuídos, espalhados um pouco por todo o país, com uma execução que raia os limites da perfeição, não só pela beleza das imagens, como o enquadramento barroco e a preocupação esmerada no detalhe, pelo que, muitas vezes dá a sensação de ser uma obstinação haver quem continue a fazer presépios.


Não obstante, e é bom não esquecer, que apesar de tudo, a matéria mais usada na sua construção é a cortiça e predominantemente, o barro.

 

Fotografia de Mário Esteves - Presépio de Arturo Baltar


Mais para o presente e desde já me confesso admirador do escultor, Arturo Baltar, tive o privilégio de estar presente há dois ou três anos, numa das suas exposições, patrocinada pela Caixanova, realizada em Orense, onde a par de obras que retratam aspectos da realidade rural galega do século dezanove, também existiam outras que apresentavam diversas passagens do Advento.


Mais tarde tomei conhecimento que na Igreja de San Cosme e San Damián, no bairro do mesmo nome de Ourense, estava exposto um presépio da sua criação (na Galiza e em Espanha, conhecidos por Belén), desde 1982, e recentemente remodelado.


Se antes admirava o notável barrista, mais entusiasmado fiquei, não só pela obra em si, mas pelos aspectos característicos e semelhantes que se podem observar, serem comuns à Galiza e Trás-os-Montes.


E em Chaves perguntarão vocês?


Não há nada?


Há, sim senhor, um presépio na Casa de Santa Marta, feita há alguns anos pela Irmã Laurentina, com alma e devoção, outro tanto de dedicação e trabalho, que, conhecido por alguns eleitos (entre os quais este Blogue), apenas agora goza de justa fama e atenção de todos que o visitam e até dos jornais e televisão.


Mas que me perdoem, o presépio que mais admiro e perdoem a debilidade, é o de meu pai, feito há bastante tempo, ainda era um adolescente.

 

Imagem de Mário Esteves - Direitos reservados sobre a imagem


A então Associação Comercial de Chaves promoveu um concurso de montras de Natal e o meu pai decidiu fazer um presépio. Usou barro das cerâmicas para modelar o estábulo e o casario de Belém, que passaram pelo forno da padaria do senhor Bento Ferreira, em Vila Verde da Raia.


As palmeiras eram feitas de galhos de pinheiro e na extremidade superior, onde surgem uma espécie de alvéolos, colou penas de galinha, previamente pintadas de verde.


Já não me recordo se ganhou o primeiro ou o segundo prémio, mas uma coisa sei, nesse ano, as pessoas reuniam-se aos magotes para ver a montra.


E se naquele tempo por estes lados, ninguém conhecia o cultivo de bonsai, muitos se interrogaram como o meu pai tinha reduzido palmeiras ao tamanho do presépio, tal era a verosimilhança!

 

 Mário Esteves

 


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