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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

28
Abr19

O Barroso aqui tão perto - Um elogio à exuberância da Primavera

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Vamos mais uma vez até ao Barroso aqui tão perto, com imagens fresquinhas, de ontem, de um Barroso onde a Primavera já se manifesta com a exuberância das suas cores, para já, da carqueja, da giesta e da urze.

 

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Hoje apenas com as cores da Primavera, com algumas paisagens e pormenores, acontece que quando saímos para o terreno não podemos estar aqui deste lado a preparar mais uma aldeia. O tempo dos relógios é implacável, não para, mesmo quando o relógio para, o tempo continua. Assim, se ainda está à espera que a sua aldeia apareça por aqui, vai ter de esperar mais um bocadinho, mas chegará o seu dia.

 

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E dizíamos atrás, imagens de um Barroso onde a Primavera já se manifesta, isto porque ainda não acontece em todo o seu território. É, o Barroso é assim, enquanto as suas terras mais baixas já estão cobertas da exuberância dos verdes, amarelos, magentas e brancos, nas terras mais altas, o colorido ainda é mortiço, quando muito, um pouco de azul do céu e lá bem no alto das montanhas mais altas, um pouco de branco da neve que ainda não derreteu, ou mesmo fresca, como acontecia ontem na Serra do Gerês.

 

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Temos assim mais um elogio ao Barroso, hoje sem casario, apenas com a natureza e também um elogio à primavera mas também à flora autóctone que vamos vendo florir nas encostas das montanhas ou junto aos caminhos onde segundo retenho de uma leitura que fiz em tempos sobre estas coisas se dizia que “cerca de los caminos no hay mala hierba” e de facto lá está a carqueja, a urze e a giesta, pelo menos três espécies de cuja flor se faz chá para várias maleitas, daí serem muito apreciados pela tradição popular, pois nas aldeias, rara será a casa que não tem ervas para um chá das maleitas mais comuns.

 

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Mas nisto das plantas e ervas há que as conhecer, pois tal como acontece com os cogumelos, com as ervas é a mesma coisa, e se as há que podem curar, também as há que matam, mas penso que estas três de que vos falei (carqueja, urze e giesta) toda a gente (de cá) conhece e se não conhecerem, perguntem aos mais idosos, principalmente aos das aldeias que nestas coisas e muito mais, são um autêntico poço de sabedoria.

 

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E esta última imagem é só para fazer inveja mas também fazer-nos corar de vergonha pela falta de respeito com que tratamos a natureza, é uma imagem do Rio Beça com água tão transparente e cristalina. É assim em todo o seu percurso, mas não pensem que tem um final feliz, depois de manter toda a sua integridade ao longo do seu percurso,  acaba por desaguar num rio opaco, maltratado, poluído e que agora lhe ditaram a sentença final com a construção de barragens.  

 

 

18
Abr19

A criatura e um pouco de tudo!

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Com a imagem que vos deixo, queria iniciar hoje, aqui e agora, uma nova rubrica no blog que se intitularia “Estórias da Criatura”, em que a criatura, a personagem principal dessas estórias, seria a gata preta que aparece na imagem. No entanto, pensei melhor e para já, não o vou fazer. Acontece que a criatura não é lá muito certa das puxadas, aliás é uma das características da raça, e sei isto por experiência que tenho dos gatos que passaram por casa, que,  quando nós adotamos um e o trazemos para casa para viver connosco, ele pensa que é ao contrário e mal entre em casa, pensa que a casa é dele e nós é que vivemos com ele. A psiconlinews que estuda a psicologia dos gatos diz isso mesmo quando afirma: “Ele acha-se o dono da casa no momento em que pisa nela pela primeira vez: já toma conta da cozinha, do sofá e até arranja o seu próprio cantinho. Os objetos, em hipótese alguma, devem ser substituídos ou trocados de lugar:  a sua casa torna-se o centro do universo para ele. Se você mudar alguma coisa dele de lugar, fará com que ele suba pelas paredes com tanto stress. Gostam de dominar e se ele não gostar das condições que você lhe oferecer, ele vai tentar fugir.” . Ora esta criatura nem sequer é de casa, é meia vadia,  e daí não me dar garantias de que irei ter matéria para alimentar a rubrica pensada de “Estórias da Criatura”. Assim sendo, o projeto vai ficar em banho maria a aguardar pelo desenrolar das estórias, e se elas continuarem, aí sim, faremos a complicação de tudo e até talvez dê para um romance ou, quem sabe, um filme…  

 

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Sem criatura, lá teremos que continuar com o dia-a-dia daquilo que vai acontecendo à nossa volta. Felizmente não faltam acontecimentos, o problema está mesmo em decidirmo-nos por um. Geralmente vamos indo ao sabor dos dias e do tempo, ou seja, se está a nevar trazemos aqui a neve, se está calor falamos do seu exagero, da seca, dos incêndios, etc. Ora tem estado a chover, estamos na Primavera e vem aí a Páscoa, não faltam temas para abordar e até podemos jogar com eles, por exemplo com o brilho da chuva, as cores da primavera, o florir dos campos, onde está também a cor púrpura da Páscoa ou mesmo inspirarmo-nos na geometria da pinga, da gota, da água…eu sei lá!

 

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Pois são essas (estas) as imagens que hoje vos deixo, apenas para variar um pouco.  

 

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Até amanhã!

 

 

21
Jun18

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM – PRIMAVERA II

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Na frente da casa, a roseira-rubra abre o veludo de um botão numa rosa encarnada.


— A quem ofereces tu essa rosa, acabada de abrir? – pergunta-lhe uma borboleta-do-brejo, a bailar nas suas quatro asas.


— Ao teu olhar, que reteve a beleza de a descobrir! – responde a roseira-mãe, no perfume que lhe veste a folhagem.

 

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Aqui e além, repousam as casas na paisagem verde. Que verde é a paisagem e o aroma. Umas, meninas traquinas empoleiradas no cimo dos montes. Menos destemidas, outras, aconchegadas nas várzeas que as viram nascer. Velhas de pedras de muitos anos. Tantos, que se perdem na memória dos olhos. Na lembrança daqueles que as habitam e que por elas sentem um amor que vem da lonjura do tempo. Gratas por terem vivido tanto e por tantas coisas terem visto. É por isso que as casas sabem sempre muitas histórias – que guardam dentro de si, como os livros. Alegres umas, tristes outras. Histórias que fazem com que as casas possuam vida própria. E mágica! Construída de muitas vidas e de muitas histórias. Mas a vida das casas também é feita de esperança. Assente no desejo de se manterem intactas e amadas. Em troca, oferecem a dedicação de serem o abrigo, o tecto daqueles que, por si, são igualmente amados. Nada mais pedem. A não ser, ainda, que a saudade, um dia, venha morar no coração dos homens.

 

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Mas a Primavera também lembra aos homens e às mulheres que as tarefas esperam para serem cumpridas. Que a terra não cessa de pedir o seu amanho e os animais a atenção de que necessitam. Agora, que o sol começou a subir no horizonte e os dias têm o tamanho das noites, é preciso prosseguir o trabalho nos campos. Porque os homens e as mulheres amam e respeitam a terra que cultivam. Conhecem-lhe os segredos. Satisfazem-lhe os pedidos. Deslumbram-se a cada nova sementeira. Assim, lá os temos, a fazer a monda dos cereais de Inverno. A sachar e a recolher as favas, as ervilhas, as batatas e as cebolas. A semear nas hortas os rábanos, os pimentos, as cenouras e o feijão. E ainda a salsa, os coentros e o tomilho. A plantar nos canteiros os gladíolos, as begónias, os malmequeres, os goivos e os girassóis. E a enxertar o azevinho, os lilases e as roseiras. Num trabalho constante, homens e mulheres recolhem o mel das colmeias. Mudam os enxames e substituem as abelhas-rainhas. Retiram os abrigos às cerejeiras, já sem receio das geadas. Engarrafam os vinhos nas adegas. Fazem cavas junto ao tronco das árvores para lhes dar a frescura apetecida.

 

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Quanto aos animais, também estes aguardam os seus cuidados. Por isso, vigiam a postura das galinhas nas capoeiras. Dão alimento verde às vacas nos currais. Engordam os bois e os leitões. Tratam dos coelhos, dos perus, dos patos e dos pombos. Levam ao pasto as cabras e as ovelhas. Começam a tosquia do gado, porque o calor já se faz anunciar. Numa tarefa infinda, que começa com os alvores da madrugada e só termina à tardinha, quando o sol se põe e o céu anuncia que a noite não tarda a chegar.

 

Soledade Martinho Costa
Do livro «Histórias que a Primavera me Contou»
Ed. Publicações Europa-América

Fotografias de Fernando DC Ribeiro - Blog Chaves

 

 

26
Mai18

UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM - DIA DE PRIMAVERA I

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UM OLHAR SOBRE A PAISAGEM - DIA DE PRIMAVERA I

 

De mansinho, como só ele sabe, o dia acorda a Primavera no azul da manhã. Mira-se ao espelho, no cristal das gotas do orvalho que a madrugada lhe deixou, e estende os olhos pelos campos sem fim. Verdes, tão verdes, assim, reflectidos no seu olhar de luz!

 

O sol, seu companheiro de sempre, faz-lhe companhia. Na Primavera levanta-se mais cedo, liberto da preguiça de ficar escondido entre os lençóis do sono.


— Quero ver como vão as coisas lá em baixo, na Terra. Quero zelar por elas. Ajudar a terra a florir e a frutificar. Essa é a tarefa que me cabe cumprir – murmura ele. Portanto, deita mãos ao trabalho. Ou seja, afadiga-se a lançar sobre a terra a quentura dos seus raios para que a semente desponte, a flor tenha perfume e o fruto a doçura que o fará cobiçado.

 

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— O sol é um mágico! – segreda o canavial à brisa que passa.


— O sol é um trabalhador cheio de coragem! – afirma o rio, na sua viagem sobre as pedras.


— O sol é o irmão da Natureza! – acrescenta a macela a oscilar nos ramos.


— O sol é um amigo de todos nós! – congratula-se o homem, que cultiva a terra, a imaginar a seara que há-de ceifar nos meados do Verão.

 

Mas como o dia tem de aproveitar o tempo, ei-lo a bater à porta das casas da aldeia, atento aos passos e às vozes; a saltar os muros de pedras sobrepostas, onde espreitam os tufos de conchelos e erva-moleirinha; a subir ao topo das serras, entre veredas de murta, verbenas e boninas.


As borboletas, as libélulas, as joaninhas, os besouros e as abelhas andam também numa roda-viva a saborear a liberdade que a Natureza lhes oferece.

 

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— Bom dia! Bom dia! É Primavera! – repetem sem parar, deslumbrados com a beleza que os rodeia e curiosos de tanta novidade.


Aqui e além ouvem-se os grilos, as cigarras e os ralos, a desenferrujarem a sua música dos muitos dias de silêncio e merecido descanso. Nas hastes e nos tronos das plantas e das árvores rebentam os renovos, orgulhosos do vigor que fará a seiva correr com força redobrada nas suas raízes, adormecidas durante os meses frios do Inverno. É a vida que volta. Que começa ou recomeça. É o letargo interrompido. O sono que termina. O pousio que cessa. Daqui em diante, são os dias a encherem-se de sons, de aromas, de colorido. E também a certeza de que a Primavera não deixa nunca de nos maravilhar num repetido e sempre renovado canto!

 

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Mas engalanados ficam também os moitões de tojo, a esconderem a aridez dos picos debaixo de um manto de florinhas de oiro. Numa mistura de cores, de formas e perfumes, fazem-lhe companhia os almeirões, juntinhos, a formarem tufos de flores lilases; os resmonos azuis, a confundirem-se com a flor do rosmaninho; a flor das estevas, olhar castanho-escuro a espreitar nas cinco pétalas translúcidas; o lilás das flores da malva, pincelado em cada pétala com três filetes roxos, e o branco e o amarelo dos pampilhos a salpicarem o vermelho das papoilas.

 

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Tanta beleza, tanta, por esses campos a perder de vista! E um perfume sem par a respirar na aragem! Mas as casas… Ah!, as casas são as flores mais bonitas da paisagem!

 

Soledade Martinho Costa
Do livro «Histórias que a Primavera me contou»
Ed. Publicações Europa-América
Fotografias: Fernando DC Ribeiro

 

 

22
Mar16

Um elogio ao equinócio da primavera

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Aqui fica o meu elogio ao equinócio da primavera, que contrariamente ao seu significado maior da igualdade, do dia igual à noite, se celebra com o despertar das florzinhas. Contrates, sim, é tudo por causa dos contrates, do dia igual à noite, como se tal fosse possível… bom, mas isto já são devaneios meus, pois todos sabemos que os equinócios, de primavera e outono, definem os dois momentos do ano em que o dia tem 12 horas e a noite outras tantas, além de definirem também o início de duas estações do ano, com o mesmo nome. Mas porquê florzinhas!?, pois porque sim, e então cá estão elas, umas que encontrei no seu dia, dia 20 de março.

 

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E se por aqui, às vezes, me dá para os devaneios, também me dá, isso sempre (mesmo os devaneios) para a sinceridade. Bem vos poderia mentir e dizer que esta última foto é a minha composição pensada para o equinócio da primavera, com o verde e amarelo a dar significado ao despertar dos campos e o negro a significar a noite, a outra metade do equinócio. Mas não, a realidade é que esta foi uma foto do acaso em que disparei sem querer, saiu assim e simplesmente a achei interessante, pois se a quisesse compor, nunca a conseguiria.

 

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Por último deixo-vos o meu verdadeiro elogio ao equinócio, uma melodia silenciosa do anoitecer, sem músicos, nem música nem noite. Apenas um momento da magia da cor e os contrastes, em silêncio. Coisas de que gosto. Eu gosto.  

 

 

 

10
Mai15

Por terras do Seixo em diálogos com a primavera

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Depois dos nossos longos invernos vem sempre a primavera com a sua magia e, por mais igual que seja à primavera anterior, a nova surpreende-nos sempre com a sua exuberância, sobretudo aquela que nos oferece num festival de cor e de luz que nos convida a sair de casa para ser seu espetador.

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Eu sei que há quem não goste desta sucessão das estações do ano, deste ciclo de anacronismos de teimosia de dar a volta e voltar sempre ao mesmo, para nova corrida, para nova viagem, quando no seu seio o homem não para de e evoluir e surpreender, para o bem e para o mal, o mesmo que acima de tudo e de todas as espécies acaba sempre por ser cativo da força da natureza… mas há sempre que o seja por gosto.

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Pois por mim, que venha sempre o inverno que me faz gostar do lar, a primavera que me surpreende sempre, o verão que me faz saborear as sombras e as fontes frescas, e o outono para colher os frutos e desfrutar da magia das cores, e se tudo isto for vivido aqui atrás-dos-montes onde lá no fundo ficam sempre os vales e os rios e lá em cima os montes e as serras de onde se lançam os grandes olhares como se fosse-mos donos disto tudo, tanto melhor.

 

Hoje ficam três olhares do pequenos vales da Ribeira de Oura, mais propriamente das proximidades do Seixo onde os resistentes ainda vivem, se confundem e vivem as estações do ano, embarcando em todas as viagens da natureza.

 

 

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