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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

06
Out18

Rebordondo - Chaves - Portugal

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Seguindo a metodologia desta nova ronda pelas aldeias de Chaves, ou seja, a ordem alfabética, hoje toca a vez a Rebordondo, por sinal uma aldeia que tem sido nossa convidada com alguma frequência, e se isso acontece, alguma razão haverá para tal, pois não temos qualquer ligação em particular com ela. Vamos saber algumas dessas razões.

 

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Pois no geral será por ser uma aldeia que ainda mantém a integridade de uma aldeia tipicamente transmontana, sem grandes atentados no seu interior e onde o casario tipicamente tradicional convive com casario mais nobre e solarengo. É uma aldeia ainda com alguma vida, pois que recorde das vezes que fui por lá ou por lá passei sempre vi gente nas ruas e vida diária no trabalho dos campos. Só por isto já é uma aldeia convidativa para alguns registos fotográficos ou uma visita, mas há mais.

 

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Pormenores ou motivos que fazem a diferença temos a igreja, o conjunto da fonte de mergulho e tanque, o Solar dos Braganças, fontes e bebedouros públicos, alminhas, etc, mas o destaque, talvez possa ir além do que é património arquitetónico e centre no seu património associativo/cultural/social/artístico, com aquela que dá pelo nome de Bnada Musical de Rebordondo.

 

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Deixamos aqui um extrato daquilo que encontrámos na página desta coletividade:

 

Pois também desde sempre esta Banda musical existe. Não será bem desde sempre, mas pelo menos na aldeia, já não há memória do início da sua existência. Diziam-me na aldeia, que já quando nasceram os seus  avós, a Banda já existia, e que a estes, os pais, também lhe contavam que a Banda sempre existiu.

    Então e mesmo sem memória de uma data de início desta Banda Musical, sem uma data comemorativa, podemos afirmar que será a Banda Musical mais antiga do concelho e pelas contas feitas na aldeia, terá mais de 300 anos. Uma terra de músicos, portanto, com músicos em todas as gerações das famílias da aldeia.



Ler mais: https://banda-rebordondo.webnode.pt/nossa-historia/

 

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Para além daquilo que atrás já deixámos, temos os pormenores que eu deixo aqui em três imagens. Estes, quase aleatoriamente escolhidos, mas poderiam ser muitos mais, mas digamos que nestes temos um resumo de três “reinos” – o animal, o vegetal e o outro deveria ser o mineral, e de certa forma até o é, mas já transformado e aplicado, chamemos-lhe o “reino” arquitetónico. Apenas pormenores, claro está.

 

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Também em termos de apreciação e natureza, há a considerar o fértil planalto que ainda vai sendo cultivado que remata naquele que, atrevo-me a dizer, é a maior mancha atual de floresta do concelho de Chaves, toda de pinheiros, mas que felizmente tem escapado ao flagelo dos incêndios. Sem ter certeza no que vou afirmar, penso e parece-me que a limpeza, a exploração de resina e os postos de trabalho que aquela mancha de floresta vai garantido através da Comissão de Baldios, tem-na protegido.

 

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Mais uma vez não tenho a certeza do que vou afirmar, nem tempo para investigar sobre o assunto, mas recordo haver uma referência a um imponente carvalho centenário existente na quinta do Solar dos Braganças que pela sua imponência era assinalado como uma referência nas cartas militares. Penso que ainda existe e até onde se localiza, mas como são assuntos que remontam ao meu primeiro levantamento fotográfico e documental que fiz da aldeia em 2009, e a minha memória já não regista tudo, dou lugar à dúvida.

 

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Na realidade também as fotos que hoje vos deixo são de arquivo e parte delas tomadas em 2009 e outras em 2014, exceção para a foto da banda de música que recolhi na sede da banda, da qual desconheço a autoria e a data, mas suponho não ser muito antiga, talvez dos anos 60 ou 70, isto a julgar por algumas pessoas que estão nela retratadas.

 

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Muito mais haveria para dizer sobre Rebordondo e muita coisa já foi dita aqui no blog ao longo destes quase 14 anos da nossa existência, apontamentos que fui deixando em alguns posts que dediquei à aldeia e que pela certa o algoritmo utilizado pela SAPO irá selecionar alguns para rodapé deste post, mesmo assim deixo aqui um link para um post anterior:

https://chaves.blogs.sapo.pt/410825.html

 

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Também em termos de links deixo aqui outro para uma página nofacebook dedicada à Banda Musical de Rebordondo

https://www.facebook.com/pages/category/Musician-Band/Banda-Musical-de-Rebordondo-496372217133782/

Mas também recomendo uma visita Rebordondo que poderá complementar com uma visita a Casas Novas e a Redondelo, àquilo que eu costumar chamar a rota dos solares, dá para uma tarde bem passada onde se podem apreciar aquilo que de melhor o nosso concelho tem em casario solarengo. Uma proposta para a manhã ou tarde deste domingo, aqui mesmo ao lado da cidade de Chaves.

 

 

01
Mar15

Três olhares sobre Rebordondo e algumas palavras...

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Hoje toca ir por Rebordondo com mais uma breve passagem de três olhares, uma aldeia que com(vida) nos vai atraindo de vez em quando a passarmos por lá e de onde trazemos sempre novos registos.

 

Rebordondo é uma aldeia que nos meus roteiros integro nas aldeias das casas solarengas, em conjunto com as aldeias vizinhas de Casas Novas, Redondelo e Anelhe. Casas e solares que ainda se vão mantendo mais ou menos a sua integridade, embora agora fechadas ou convertidas casas e hotéis de turismo rural, pois o tempo das famílias habitarem a tempo inteiro estas casas já há muito que pertence ao passado.

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Tenho esperança que a crise financeira e económica que atravessamos sirva de alguma coisa e que num futuro que se deseja próximo se verifiquem algumas alterações ao nível da política e dos políticos. Alterações que não ponham em causa o sistema democrático que temos, mas alterações que vão de encontro à sua melhoria e à melhoria em qualidade e responsabilidade daqueles que manobram os poderes, acabando com a garotada e canalhada dos chico-espertos que agora os povoam. Tenho esperança de que um dia o nosso mundo rural seja de novo povoado com novos rurais, cultos, e que encontrem na terra-terra e na terra dos seus antepassados um novo meio de vida, digno, com as suas famílias e com a qualidade de vida que o mundo rural pode oferecer. Basta que alguns senhores deixem de pensar tanto neles e no seu dia-a-dia do bem imediato e pensem também eles de uma forma sustentada, em que o eu, que não passa além do umbigo, possa olhar para o futuro dos filhos, dos netos, bisnetos e gerações futuras. Há que abrir os olhos, exigir e esquecer de vez “o mal menor” que está provado que a levar-nos a algum lado, é a crises.

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As desculpas para Rebordondo por estes desabafos e por aproveitar-me de uma pequena passagem pela aldeia para deixar aqui o recado aos mesmos de sempre.

 

 

19
Jan14

Rebordondo - Chaves - Portugal

 

Hoje vamos mais uma vez até Rebordondo, uma aldeia à qual gosto de ir e trazer aqui de vez em quando e por várias razões, mas nem que fosse e só porque há sempre gente nas ruas, quer chova ou faça sol, frio ou calor. Sinal de vida e de afazeres da aldeia, pois estes últimos, no mundo rural, mesmo de inverno não permitem dias livres.

 

Claro que o casario tradicional rural também é um atrativo, o senhorial é outro, o conjunto da do tanque e fonte de mergulho também são convidativos, mas sobretudo o que mais me atrai na aldeia é ela manter a integridade do seu núcleo, mesmo com um ou outro pecado.

 

 

Por último há a tradição musical desta aldeia com a sua banda filarmónica, e tal como diria Miguel de Cervantes -  “Onde há música não pode haver coisa má”.

Nem que fossem só estas as razões já valia a pena ir por Rebordondo.

 

 

09
Dez12

Da primeira à terceira, mete-se uma no meio...

 

O que nos diz uma imagem?

O porquê destas imagens e não outras?

O que despertou o clique?

Pois é, até gostaria de vos responder, e até podia…

Pois podia… estar para aqui toda a noite a filosofar sobre isto e aquilo, estéticas,  composições e emoções,  estórias e poesia - sempre das imagens, das imagens e dos porquês, etc., coisa e tal, mas a verdade, verdadinha, e com toda a correção possível, iria estar para aqui a inventar toda a noite, pois há coisas para as quais não sei as respostas, embora, sejamos sinceros, elas me digam alguma coisa e até me apetece dar-lhe nomes, títulos, legendá-las .




Pois aqui ficam os títulos, como se isso vos servisse de alguma coisa, mas enfim, já que me nego a estar para aqui a inventar, e preciso de umas palavrinhas para intercalar as imagens, aqui ficam eles (os títulos)

 

Para a primeira imagem fica este: “Diálogos altaneiros”


Para a segunda, apetecia-me dizer "algo" do género como “ Os coisos do ferrolho”, mas fica este, politicamente mais correto: “ Sinais do tempo”


Por último, para a terceira imagem fica um título original, tipo filme do Oliveira para a música do Abrunhosa: “ A porta, a janela e o janeluco”.




Bem, acho que o melhor é mesmo ficar por aqui…

 

Falta dar o crédito à imagens e que ficam inteirinhos para a aldeia de Rebordondo.

 

Até ao próximo post.



23
Jun12

Mais uma volta por Rebordondo

 

Depois de um fim-de-semana em que as aldeias (as nossas) estiveram por aqui ausentes, vamos retomar uma ida até ao nosso mundo rural, como é habitual por aqui aos sábados e domingos. Hoje vamos fazer uma breve passagem por Rebordondo e teríamos muitos motivos para trazer aqui, mas vamos ficar por apenas dois. O primeiro, que já começa a ser raro nas nossas aldeias e até já provoca saudades do tempo em que animais domésticos e pessoas se faziam parte da vida das ruas, deixa um belo exemplar de um galo que nos mostrou o seu olhar autoritário de quem manda na capoeira e de que estávamos e entrar no seu território, mas nada que não se resolvesse com um troca de olhares, pois também eles, melhor que ninguém, sabem quem anda ali por bem.

 

 

O segundo motivo, é de um pormenor do casario, que embora mantendo a sua traça original não resistiu à modernidade das janelas do alumínio anodizado, que um pouco por todo o mundo rural, invadiu e descaracteriza os melhores exemplares da nossa arquitetura tradicional rural, mas sem culpas para quem comete o pecado, pois esses só procuram um pouco mais de conforto a baixo preço, pois os culpados são os do costume, aqueles que em vez de se preocuparem com a preservação da vida no mundo rural se deixam embebedar com as luzes da cidade, da obra de encher o olho aos papalvos do costume que na hora certa caem com a cruzinha no votinho como ratos na ratoeira.

 

Mais logo, estão aí os pecados e picardias de Isabel Seixas.

 

 

20
Fev10

Mosaico da Freguesia de Anelhe

 

Localização:

A 15 km da cidade de Chaves, a Sul desta, no limite do concelho confrontante com o concelho de Boticas, situa-se numa faixa de território confrontante com a margem direita Rio Tâmega.

 

Confrontações:

Confronta (ao longo do Rio Tâmega) com as freguesias de Redondelo, Vilela do Tâmega, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó. Confronta ainda com as freguesias de Pinho e Sapiãos, estas do concelho de Boticas.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja de Anelhe)

41º 40’ 38.49”N

7º 34’ 48.06”W

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Altitude:

Variável – acima dos 300m e Abaixo dos 560m

 

Orago da freguesia:

Santa Eulália

 

Área:

12,09 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional nº2 (até à entrada de Vidago – Ponte Seca) seguindo pela E.N. 311 até à Praia de Vidago, onde começa Souto Velho. Em alternativa o acesso pode ser feito pela Nacional 103 até Casas Novas para de seguida se apanhar a Est. Municipal 533, com passagem por Redondelo para entrar na freguesia de Anelhe via Rebordondo. Existe ainda a alternativa pela auto-estrada até ao nó de Vidago, a partir do qual se deve seguir o itinerário da Nacional 2.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Anelhe

            - Rebordondo

            - Souto Velho

 

População Residente:

            Em 1864 – 617 hab.

            Em 1900 – 695 hab.

Em 1920 – 585 hab.

Em 1940 – 816 hab.

Em 1950 – 954 hab.

            Em 1970 – 657 hab.

            Em 1981 – 531 hab.

            Em 2001 – 538 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura com terrenos férteis na bacia do Tâmega junto a Anelhe e Souto Velho ou de planalto em Rebordondo e ainda actividades ligadas a uma importante mancha florestal de resinosas com recolha de resina. A vinha, é uma das principais culturas, sendo conhecidos e afamados os seus vinhos de qualidade.

 

Mas a realidade actual pode ser profundamente alterada se for levada a efeito a barragem de Vidago, pois esta freguesia, nomeadamente as aldeias de Anelhe e Souto Velho, terão os seus terrenos agrícolas ribeirinhos ao Tâmega submersos pela barragem e as vinhas que não forem submersas, segundo dizem os especialistas na matéria, sofrerão danos indirectos que se irão reflectir na qualidade dos vinhos aí produzidos.

 

Para saber mais sobre esta problemática da barragem seguir o link para o post publicado há dias atrás, aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/470679.html

 

 

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Particularidades e Pontos de Interesse:

Toda a freguesia confronta com o Rio Tâmega e daí o seu território ocupar grande parte do vale natural composto bacia orográfica do rio.

 

Em termos paisagísticos oferece vários motivos de interesse a todos quantos visitam a freguesia, quer com as vistas que se alcançam para a freguesia desde a Estrada Nacional nº 2, ou desde os pontos mais elevados de Anelhe para todo o vale ribeirinho ao Tâmega. Interessante também é a ligação entre Anelhe- Rebordondo e vice-versa que hoje se faz pelo serpentear de uma estrada asfaltada sempre rodeada de pinhal.

 

Desde sempre que a freguesia está associada aos afamados vinhos maduros de qualidade. Dizem uns que os vinhos brancos são os melhores, no entanto, há outros tantos que dizem o mesmo dos vinhos maduros, mas a grande maioria diz tanto faz, é freguesia de vinhos excelentes, que bem poderiam seguir o exemplo da vizinha Quinta de Arcossó e assim colocarem a freguesia na rota dos bons vinhos nacionais.

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Quanto à arqueologia do local mas também através da sua toponímia, chega-se facilmente à conclusão que o povoamento da freguesia remonta, no mínimo, à época castreja da Idade do Ferro do Noroeste Peninsular.

Há notícias de em tempos por toda a freguesia, mas principalmente junto a Anelhe, terem aparecido vestígios e espólio conotado com a romanização, principalmente testemunhado em moedas e cerâmica variada de vasos finos e dólios, entre outros.

 

Uma lagareta e um conjunto de sepulturas escavadas na rocha, atestam por sua vez uma ocupação alti-medieval.

 

Administrativamente falando, a freguesia de Anelhe esteve quase sempre associada a Chaves, no entanto, durante quase 20 anos esteve anexada a Boticas, mais precisamente entre os anos de 1836 e 1855.

 

Quanto ao seu património edificado, destacam-se a igreja Paroquial e as Capelas de Rebordondo e Souto Velho caindo o realce sobre a casa solarenga dos Braganças, em Rebordondo.

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Famílias e nomes associados à freguesia, além dos Braganças há a destacar o Comendador Brenha da Fontoura e o Pintor João Vieira (1934-2009) recentemente falecido e que teve toda a sua vida ligada à arte da pintura, da escrita e também do teatro, como cenógrafo. Pintor João Vieira que há muito já faz parte da lista dos Flavienses Ilustres, de quem este blog em breve, trará por aqui um pouco da sua vida e obra num post a ele dedicado dentro da rubrica dos Ilustres flavienses. Pintor João Vieira que é pai de Manuel João Vieira, também muito ligado à freguesia de Anelhe e que está ligado a uma banda de Rock portuguesa, os Ena Pá 2000, mas também ligado ao teatro e ao cinema como também ficaram conhecidas as suas candidaturas à Presidência da República ou a publicidade ao Licor Beirão.

 

Também é desta freguesia, mais propriamente da Aldeia de Rebordondo a Banda Musical de Rebordondo, sobejamente conhecida por abrilhantar muitos dos arraiais populares da região e, talvez a banda musical mais antiga do concelho. No post dedicado a Rebordondo (com link no parágrafo seguinte) contamos lá um bocadinho da sua história.

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Anelhe

 

            - Souto Velho

 

            - Rebordondo

 

 

 

 

 

26
Jul09

Rebordondo - Chaves - Portugal

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Hoje, bem mais tarde do que é habitual, vamos até mais uma aldeia – Rebordondo.

 

Embora este blog já tivesse feito umas passagens breves por esta aldeia, faltava este post alargado, mas vai continuar a faltar o prometido post sobre a família “Bragança”, pois esse continuará em fila de espera, pois pelo seu passado e pela sua história, merece um estudo mais aprofundado. Entretanto, vamos lá até Rebordondo.

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Esta aldeia tem um nome sonante, embora até se esconda ali por terras que não se sabe bem se descaem para os lados de Vidago, se para os lados “das Boticas” ou se, mesmo, aproveitando as vertentes que descaem para o Tâmega, não são terras de um baixo planalto que espreita para o grande vale de Chaves.

 

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Na realidade Rebordondo fica a 15 quilómetros de Chaves e embora pertença à freguesia de Anelhe, o acesso à aldeia (para quem está em Chaves) é comum fazer-se pela Nacional 103, via Curalha e Casas Novas, embora hoje também se possa fazer via Anelhe, para a qual, comummente utilizamos a Nacional 2 ou agora a Auto-estrada.

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Tenho consciência de que este blog geralmente é crítico em relação às coisas que o poder autárquico não faz ou faz mal feito (no meu entender – claro) e que, embora aborde esses temas com consciência crítica, é a minha opinião, ou seja, uma opinião de quem gostava de ter e ver melhor, porque tal é possível. Também é certo que algumas vezes cometemos o pecado da omissão com a tendência de ignorar sem enaltecer aquilo que de bom se vai fazendo, talvez porque aquilo que essas coisas trazem de bem para todos, sejam assimiladas naturalmente como uma coisa que foi feita e está bem feita,  porque naturalmente, assim também era sugerido e,  quem manda, apenas fez aquilo que lhes competia e lhes é exigido. Ou seja, se votamos nos nossos autarcas, acreditamos neles, mas também exigimos deles o melhor que têm para dar e oferecer. Eles, voluntariamente, candidataram-se para representar e servir a população, toda, e,  é também por isso,  que a população olha com naturalidade para as coisas que vão fazendo de bem, pois afinal para isso foram eleitos e para isso lhes pagam, mas, não esquece nem perdoa quando lhes viram as costas e os ignoram. O prémio, têm-no nas urnas, quando a elas se sujeitam e o contrário, democraticamente, também deveria ser verdade.

 

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Devaneios à parte,  ia eu dizendo que esquecemos de enaltecer aquilo que os nossos autarcas fazem de bem. Pois também o vão fazendo e,  uma dessas coisas boas que foram acontecendo desde que nos tocou uma fatia dos fundos comunitários, foram a melhoria das acessibilidades entre povoações, pois há coisa de 20 a 25 anos atrás, apenas as principais ligações estavam pavimentadas, ou seja, apenas as Estradas Nacionais e as principais Estradas Municipais tinham direito a pavimentação, maioritariamente em paralelos e com traçados que deixavam muito a desejar.

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Neste capítulo temos que enaltecer o trabalho que foi feito pela autarquia, mas também pelas juntas de freguesia que fizeram com que, neste momento, quase todas as aldeias estejam interligadas por estradas e caminhos pavimentados, havendo apenas um ou outro caso, que ainda não dispensou a atenção da Autarquia.

 

Pois tudo isto para chegar à antiga ligação da nossa aldeia de hoje, Rebordondo e a sua sede de freguesia Anelhe, pois até há coisa de 15 anos atrás, essa ligação era feita por um estradão de montanha que, se de Verão lá ia permitindo aos mais ousados a sua circulação automóvel, de inverno e em tempo de chuva, essa  circulação tornava-se praticamente impossível , tendo a ligação de fazer-se via Chaves, ou seja, ter-se-ia que percorrer cerca de 30 quilómetros, quando as duas aldeias apenas distam 2 quilómetros uma da outra.

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Como dizia no início Rebordondo é um nome sonante, e essa sonoridade deve-a à música que a sua Banda Musical (de Rebordondo) tem debitado por tudo quanto é festa e arraial da região, pois desde sempre, na minha memória, a Banda Musical de Rebordondo faz parte de muito cartaz de festas.

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Pois também desde sempre esta Banda musical existe. Não será bem desde sempre, mas pelo menos na aldeia, já não há memória do início da sua existência. Diziam-me na aldeia, que já quando nasceram os seus  avós, a Banda já existia, e que a estes, os pais, também lhe contavam que a Banda sempre existiu.

 

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Então e mesmo sem memória de uma data de início desta Banda Musical, sem uma data comemorativa, podemos afirmar que será a Banda Musical mais antiga do concelho e pelas contas feitas na aldeia, terá mais de 300 anos. Uma terra de músicos, portanto, com músicos em todas as gerações das famílias da aldeia. Actualmente a Banda tem cerca de 50 elementos, dos dois sexos e maioritariamente da aldeia. Anualmente, em média, fazem 30 actuações, só possíveis, com muita carolice de todos e algumas, poucas , ajudas, de entre as quais do Conselho Directivo de Baldios e da junta de Freguesia. Quanto a subsídios do Município, não há, mas paga as actuações que faz ao seu serviço, ou seja, não faz mais que a sua obrigação. Mas embora o dinheiro ajude e seja necessário para manter com vida a Banda Musical, tocam por gosto à música e também por tradição, não fosse a sua banda a mais antiga do concelho e, pelo tempo que se crê ter de existência, é pela certa também uma das mais antigas do país.

 

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A Banda actualmente (desde há 10 anos a esta parte)  é dirigida musicalmente pelo maestro Manuel Melo, que também é músico da Banda da GNR do Porto, mas quando se fala da Banda de Rebordondo, temos que falar também de outro maestro que esteve durante longos anos ligado a ela, o Sr. Alfredo Duarte “cesteiro”.

 

E sobre a banda Musical de Rebordondo, é quase tudo e só resta mesmo agradecer ao Sr. Rui Rosa, tesoureiro da Banda mas também Primeiro Clarinete da mesma, a disponibilização dos dados e das fotos da Banda Musical. Rui Rosa que nos leva também para mais um assunto deste post – as resinas.

 

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Claro que ao se falar em Rebordondo temos que falar de uma das maiores (senão a maior) mancha de floresta de pinheiros no nosso concelho. Mancha essa que é quase na totalidade baldio que está entregue a um Conselho Directivo de Baldios, de gente da aldeia. Esta é uma das riquezas da aldeia, pois deste pinhal extraem cerca de 20 toneladas de resina por ano, cujos dinheiros que obtêm do seu rendimento, vai dando trabalho a alguma gente da aldeia que trabalha no pinhal, na sua limpeza e recolha de resinas, mas também é aplicado em benfeitorias da aldeia, tendo mesmo construído uma  Casa do Povo, também de apoio à aldeia.

 

Talvez por ainda haver trabalho na aldeia e as suas terras, para além da floresta, ser fértil, é que a aldeia ainda tem vida e gente nas ruas, com crianças que fazem com que a escola ainda se mantenha em funcionamento, mas não só, pois também tem um jardim-de-infância.

 

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Ainda se nasce em Rebordondo, ou melhor, ainda há casais em Rebordondo que têm filhos e, gente para a bola, há para duas equipas de futebol. Podemos assim considerar Rebordondo como uma aldeia que foge à regra das restantes aldeias de Chaves e também à regra do despovoamento, por isso, têm ideias e festa nas ruas. O arranjo do Largo do tanque, onde está também uma lindíssima fonte de mergulho, é uma das promessas da junta de Freguesia e, se o largo nada perde em ser arranjado, desde que seja feito com gosto, o que destoa mesmo no tanque é a sua cobertura em chapa zincada. Aquele recantozinho, de tão bonito e poético, com água tão pura, fresca e cristalina a correr por lá, com mulheres que ainda utilizam os lavadouros, merece uma cobertura digna com o que a tradição manda. Vá lá, quando arranjarem o largo do tanque, mudem também a cobertura e peçam ao vizinho da construção ao lado, que faça o mesmo. Não deixo a foto das coberturas porque em nada dignificam uma aldeia que é tão interessante.

 

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Interessante ficou também o arranjo da casa anexa à igreja, propriedade (suponho) da Câmara Municipal e entregue a uma nova Associação também do Município – A Chaves Social (penso que é assim que se chama, pois de entre tantas associações que a Câmara tem,  não lhes sei ainda os nomes). Mas, a julgar pelo que por lá se pretende fazer, a ideia não é má, desde que a actividade a desenvolver-se por lá seja também (preferencialmente) aberta à população de Rebordondo e desde que os custos/produção da Associação justifiquem a sua existência.

 

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 Quanto ao casario, recomenda-se, pesem algumas reconstruções menos felizes, mas ainda mantém um núcleo interessante de casario tradicional, e uma casa brasonada com capela e quinta anexa, que embora não seja habitação de permanência, a construção está bem conservada e as terras são cultivadas. Ouro sobre azul que só enobrece ainda mais a nobreza do solar. Junto a este solar, existem mais duas casas ligadas às respectivas quintas, também casas não habitadas em permanência, mas também bem conservadas e as respectivas quintas cultivadas. Duas destas casas (o solar e a construção vizinha) são propriedade dos familiares dos seus proprietários originais da família Bragança, a tal família que merece por aqui um post futuro.

 

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Rebordondo, uma aldeia com Banda de Música, gente nas ruas, crianças, escola aberta, cafés, terras férteis e cultivadas, a maior mancha de pinhal do concelho, casario tradicional interessante, casas solarengas, água fresca e cristalina nas fontes. Uma aldeia onde ainda se vive. Claro que também tem os seus filhos emigrados ou ausentes, mas pela vida da aldeia, deve-lhes ser sempre fácil e agradável voltar.

 

Só resta agradecer ao Tesoureiro da junta de Freguesia, Sr. Arlindo Costa, por nos ter acompanhado na visita a Rebordondo. Obrigado.

 

Até breve, com algumas Imagens, apenas imagens, da festa da pintura e do folclore de Vilas Boas.

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