Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Ago19

A mãe natureza num dia perdido...


1600-bessa (5)

 

Em geral, aos fins-de-semana, deixamos aqui uma das aldeias de Chaves e uma do Barroso, mas como devem entender, para estarem aqui, primeiro, temos que andar por elas a recolher imagens. Claro que antes de sairmos para o terreno fazemos um roteiro, escolhemos as aldeias a visitar, escolhemos o itinerário mais interessante, verificamos o equipamento, etc. Tudo como mandam as regras, e até deitamos um olho ao boletim meteorológico para ver se o tempo está de feição, embora a este último pormenor não lhe demos muita importância, ainda para mais sabendo que é habitual ou com muita frequência acontece que no entretanto as previsões alteram-se e em vez de chuva temos sol ou um céu limpo passa a nublado, etc. Em geral o tempo deixa-nos cumprir a nossa missão. Mas há exceções…

 

1600-- bessa (10)

 

Pois ontem propusemo-nos ir mais uma vez até ao Barroso, aquele que segundo alguns existe além do concelho de Boticas e Montalegre e embora as previsões do boletim meteorológico houvessem por lá uns chuviscos, acreditámos que iria ser coisa pouca, mas não foi, a chuva caiu a bom cair, principalmente quando entrávamos numa aldeia decididos a fotografar é que ela caía com mais força, parecia de propósito. Mesmo assim fizemos algumas imagens, bem molhadinhas. Como a coisa não estava para melhorar e as máquina fotográficas não gostam de chuva, decidimos acabar o nosso trabalho à hora de almoço.

 

1600-bessa (35)

 

Pela tarde, o nosso itinerário de regresso a casa coincidia, em sentido contrário, com a volta a Portugal em bicicleta. Já que a manhã não tinha dado para as aldeias, pela tarde, com o céu a prometer abrir e parar com a chuva, decidimos esperar pelas bicicletas da volta e não dar o dia todo como perdido. E assim foi, em plena Nacional 103, junto à ponte sobre o Rio Beça, estacionámos para umas fotos às bicicletas.

 

1600-bessa (34)

 

Como as bicicletas ainda andariam a rolar entre Chaves e Boticas, decidimos descer até ao rio Beça,  atravessando umas pequenas e verdejantes pastagens que se localizavam entre a ravina para a estrada, o Rio Beça e muros de pedra solta com alguns carvalhos e amieiros à mistura. Um lugar que respirava frescura com a agradável companhia do sussurro das águas do Beça em pequenas quedas entre pequenas rochas.

 

1600-bessa (8)

 

Como o tempo era de espera deu para reparar nos pormenores da natureza, naqueles que não se veem num olhar distraído em que o verde das pastagens e do arvoredo ocupa todo o espaço. Na realidade há muitas mais cores para além do verde e muita vida que os olhares distraídos não conseguem captar. Com a máquina fotográfica em punho, dediquei-me à descoberta de alguns desses pormenores, e teria continuado com agrado se as sirenes da GNR na estrada e helicóptero no ar, não estivessem a anunciar que as bicicletas estavam próximas.

 

1600-bessa (4)

 

Mesmo assim, só nuns minutos e dentro de numa pequena pastagem,  deu para registar cinco espécies deferentes de plantas com a sua respetiva flor, algumas mais volumosas como as dos cardos, outras assim-assim e outras minúsculas, com milímetros apenas que, para se fazerem ver se juntam às dezenas parecendo uma única flor. Tenho pena de não ser um especialista na matéria para vos poder dizer quais as espécies que por lá há, mas ficam as imagens.

 

1600-bessa (25)

 

E no meio de tanta natureza viva também há alguma morta, principalmente junto ao Rio Beça. Árvores que talvez não tivessem resistido ao peso da neve, à força dos ventos ou das águas mais embravecidas do Beça, e que ali jazidas nos convidam a apreciar arte onde ela realmente e naturalmente existe, como na casca de um choupo-branco (Populus alba).

 

1600-bessa (40)

 

Claro   que a delicadeza de uma borboleta atrai sempre uma objetiva, o que nem sempre é fácil captá-las. Em movimento nem pensar, paradas, nem sempre são visíveis, tal como esta que lá apanhei, imóvel, rente ao chão. Quase a trepá-la e não dava por ela de tão bem camuflada que estava, mas fez-me o favor de se manter de asas abertas e imóvel para a foto.

 

1600-bessa (39)

 

Por último uma preciosidade de beleza e engenharia, parecendo quase impossível como finíssimos fios de seda podem com as enormes gotas de água, formando uma espécie de colar de pérolas com o seu brilho e transparência, e lá em cima, imóvel e de cor a confundir-se com a erva seca, a mestre aranha à espera de uma presa. Na foto parece enorme, mas na realidade este conjunto não tinha mais que 6 ou 7 centímetros de diâmetro.

 

Às vezes vale a pena perdermos o dia para ganharmos outro.

 

 

28
Abr19

O Barroso aqui tão perto - Um elogio à exuberância da Primavera


1600-canedo (178)

 

Vamos mais uma vez até ao Barroso aqui tão perto, com imagens fresquinhas, de ontem, de um Barroso onde a Primavera já se manifesta com a exuberância das suas cores, para já, da carqueja, da giesta e da urze.

 

1600-canedo (127)

 

Hoje apenas com as cores da Primavera, com algumas paisagens e pormenores, acontece que quando saímos para o terreno não podemos estar aqui deste lado a preparar mais uma aldeia. O tempo dos relógios é implacável, não para, mesmo quando o relógio para, o tempo continua. Assim, se ainda está à espera que a sua aldeia apareça por aqui, vai ter de esperar mais um bocadinho, mas chegará o seu dia.

 

1600-canedo (168)

 

E dizíamos atrás, imagens de um Barroso onde a Primavera já se manifesta, isto porque ainda não acontece em todo o seu território. É, o Barroso é assim, enquanto as suas terras mais baixas já estão cobertas da exuberância dos verdes, amarelos, magentas e brancos, nas terras mais altas, o colorido ainda é mortiço, quando muito, um pouco de azul do céu e lá bem no alto das montanhas mais altas, um pouco de branco da neve que ainda não derreteu, ou mesmo fresca, como acontecia ontem na Serra do Gerês.

 

1600-entre-c-lebre-canedo (6)

 

Temos assim mais um elogio ao Barroso, hoje sem casario, apenas com a natureza e também um elogio à primavera mas também à flora autóctone que vamos vendo florir nas encostas das montanhas ou junto aos caminhos onde segundo retenho de uma leitura que fiz em tempos sobre estas coisas se dizia que “cerca de los caminos no hay mala hierba” e de facto lá está a carqueja, a urze e a giesta, pelo menos três espécies de cuja flor se faz chá para várias maleitas, daí serem muito apreciados pela tradição popular, pois nas aldeias, rara será a casa que não tem ervas para um chá das maleitas mais comuns.

 

1600-entre-c-lebre-canedo (10)

 

Mas nisto das plantas e ervas há que as conhecer, pois tal como acontece com os cogumelos, com as ervas é a mesma coisa, e se as há que podem curar, também as há que matam, mas penso que estas três de que vos falei (carqueja, urze e giesta) toda a gente (de cá) conhece e se não conhecerem, perguntem aos mais idosos, principalmente aos das aldeias que nestas coisas e muito mais, são um autêntico poço de sabedoria.

 

1600-rio-beca

 

E esta última imagem é só para fazer inveja mas também fazer-nos corar de vergonha pela falta de respeito com que tratamos a natureza, é uma imagem do Rio Beça com água tão transparente e cristalina. É assim em todo o seu percurso, mas não pensem que tem um final feliz, depois de manter toda a sua integridade ao longo do seu percurso,  acaba por desaguar num rio opaco, maltratado, poluído e que agora lhe ditaram a sentença final com a construção de barragens.  

 

 

Sobre mim

foto do autor

320-meokanal 895607.jpg

Pesquisar

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

 

 

20-anos(60378)

Links

As minhas páginas e blogs

  •  
  • FOTOGRAFIA

  •  
  • Flavienses Ilustres

  •  
  • Animação Sociocultural

  •  
  • Cidade de Chaves

  •  
  • De interesse

  •  
  • GALEGOS

  •  
  • Imprensa

  •  
  • Aldeias de Barroso

  •  
  • Páginas e Blogs

    A

    B

    C

    D

    E

    F

    G

    H

    I

    J

    L

    M

    N

    O

    P

    Q

    R

    S

    T

    U

    V

    X

    Z

    capa-livro-p-blog blog-logo

    Comentários recentes

    • Anónimo

      Retribuindo os Votos de BOAS FESTAS, «FACHABOR» de...

    • Anónimo

      *… ou baldios … urbanos**Há sempre flores para aqu...

    • Fer.Ribeiro

      Obrigado André eu também agradeço o comentário e a...

    • Anónimo

      Obrigado pela gentileza do teu comemtário. E pela ...

    • João Andre

      Adoro ler este blog. Há cerca de 45 anos que emigr...

    FB