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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

16
Mai19

Cidade de Chaves - Um olhar e um poema

1600-(45512)

 

AO ROSTO VULGAR DOS DIAS

 

Monstros e homens lado a lado,

Não à margem, mas na própria vida.

 

Absurdos monstros que circulam

Quase honestamente.

 

Homens atormentados, divididos, fracos.

Homens fortes, unidos, temperados.

 

Ao rosto vulgar dos dias,

À vida cada vez mais corrente,

As imagens regressam já experimentadas,

Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.

 

Imaginar é conhecer, portanto agir.

 

 

In "No Reino da Dinamarca", de Alexandre O'Neill

 

 

 

 

09
Mai19

Cidade de Chaves, um olhar sobre o rio

1600-(37302)

 

Muitas vezes tento descobrir na cidade de hoje a vila que outrora Chaves foi. Da cidade temos muitos documentos, incluindo fotográficos, pois temos a sorte de em Chaves ter havido fotógrafos para registar todo o século passado e editores que passaram muitas dessas fotografias à prensa, quer em livros, anuários, revistas, etc,  quer em postais, pois se assim não fosse, muitas delas ter-se-iam perdido. Já da vila antiga de Chaves, apenas existem alguns documentos escritos e alguns desenhos, sobretudo militares, dos quais se realçam os de Duarte d’Armas. Mas às vezes também sou surpreendido com documentos bem mais recentes que me trazem à memória coisas que ainda são da minha geração e que hoje e que facilmente, sem dar por isso, esqueci.

 

Ao andar hoje numas leituras do “Chaves, Cidade Heróica” – (1978),  de Francisco Gonçalves Carneiro, às tantas na leitura encontrei isto, ao respeito da nossa Ponte Romana:

 

A escritora D. Emília de Sousa Costa, nas « Lendas de Portugal», assevera que ela também encantou  uma pobre mourinha que para sempre se deixou ficar escondida sob um dos arcos.

Já uma vez — conta a escritora — a moura pediu a um cavaleiro que a beijasse, para desonera-la do encanto. Ele, timidamente, recusou, com escrúpulos de cristão: fugiu-lhe, «insensível aos lamentos da infeliz que em noites de luar, presa pelas tranças aos ramos desgrenhados dos chorões, soluça e geme, de modo a apiedar o coração mais esquivo».

Eu nunca ouvi os gemidos da mourinha. Ouvi, sim, o orquestrado coaxar das rãs, agora afugentadas pelos trabalhos de desassoreamento. Teria partido, também, com elas, a moura encantada?

 

 Pois o que me fez trazer aqui estas palavras, não foi a ponte romana, nem a lenda, nem os gemidos da mourinha que também nunca ouvi,  mas sim “o orquestrado coaxar das rãs”, que ultimamente também não oiço no nosso rio… pode ser que ainda coaxem e de tão habituado que esteja ao seu coaxar já não dê por isso, mas penso que não... A noite já entrou na sua fase de silêncio, fui lá fora, afinei o ouvido e só a melodia de um rouxinol quebra o seu silêncio.   

 

11
Abr19

Momentos de poesia, ou talvez não!

1600-(29980)

 

A ponte é apenas uma passagem

      Para a outra margem

                      Não interessa quem são

De onde vêm

                         Para onde vão

Indiferentes

                   Passam

                                               E

                                                             Passarão…

 

 

- Pois, bom passarão tu me saíste, ó poeta! Mas eu prefiro ter os pés bem assentes em terra, levantar voo e ir com as aves…

 

- Pra quê? Pra onde? Vais ter sempre que poisar…

 

- Se me apetecer poiso, se não, não!

 

- Se não, não, o quê!?

 

- Se não me apetecer!

 

- Ah!

 

 

 

10
Abr19

Cidade de Chaves, com um olhar além do rio e da ponte...

1600-(29771)

 

As imagens falam por si mas também podem despertar estórias que temos guardadas num cantinho qualquer da memória. Ao ver esta imagem, claro que os meus olhos passeiam pelo rio, pela nossa top model Ponte Romana, pelas cores do entardecer, etc., mas lá ao fundo, um pequeno monte na subida para a croa da Cota de Mairos, traz-me à lembrança o Manolo. E perguntarão — Quem é o Manolo!? — e eu respondo-vos, o Manolo é um amigo galego que conheci há uns bons anos atrás, que foi criado com o avô numa aldeia galega que dá pelo nome de Vilarello, precisamente localizada a umas centenas de metros atrás daquele pequeno monte na subida para a croa da Cota de Mairos, e fixei esse pormenor, porque, dizia-me o Manolo, que quando era puto, nas redondezas, o único local que tinha eletricidade era a cidade de Chaves, então à noite escapulia-se de casa do avô e subia a esse pequeno monte para ver o brilho das luzes da cidade de Chaves. Diz que ficava por lá horas em maré de espanto e apreciação, imaginando toda uma vida de cidade que teria de haver por baixo daquelas luzes. Chaves era o mundo! Já mais rapazote, contava o Manolo, vinha às feiras de Chaves com o avô que,  depois de uma volta pela feira, recolhiam aos tascos da Rua das Longras até se fazerem horas de regressar a Vilarello. Já homem feito e professor em Orense, o Manolo sempre que podia vinha a Chaves num dia de feira e ia recordando os passos que dava com o avô, agora sozinho de tasco em tasco na Rua das Longras. Uma vez disse-me: Já viajei muito, já corri muito mundo, todos os continentes, conheço muitas cidades, mas de todas, as mais bonitas que conheci, foram o Porto e XAVES. Sim, tudo em galego, com letras maiúsculas e realçado,  que ele quando dizia CHAVES, também era em maiúsculas que as dizia e com realce na voz e em galego, claro!…

Os tascos das Longras, ao longo dos anos foram fechando, penso que o último resistente (O Sequeira) também já fechou, quanto ao Manolo, sem sítios para poisar, também deixei de o ver, mas ficou o registo das suas estórias que recordo sempre que vejo aquele montinho lá ao fundo, onde a terra toca o céu.

 

Um bom dia de feira!

 

 

28
Mar19

De poldra em poldra...

1600-(48236)

 

Não quero acreditar no sobrenatural e quando às vezes, as circunstâncias da vida, me podem levar a pôr a hipótese de poder acreditar, depressa desmonto a teia de pensamentos que me levam a tal. Hoje, por exemplo, passei parte da noite a pular de pensamento em pensamento como se estivesse a pular de poldra em poldra as poldras do rio, num vai em vem de quem chega à outra margem e regressa de poldra em poldra à margem de origem, assim continuamente… Entre mãos tinha a publicação dos posts de hoje, o responder ao mail de um amigo, aparentemente coisas de rotina, em que só custa começar, depois é só navegar por aí fora até chegar a bom porto. O problema é quando o nosso barco encalha num banco de areia e por mais que se insista em sair de lá, mais se enterra… mas num de repente, zás, abrimos o arquivo de fotografias e logo a primeira que vemos, dizemos, é mesmo esta. Instintivamente e sem qualquer razão,  levantamo-nos, vamos à estante dos nossos livros de companhia, mandamos mão a um livro qualquer, abrimos ao acaso numa qualquer página, começamos a ler a partir de um ponto qualquer e quando chegamos ao fim, vemos que eram mesmo aquelas as palavras que nos faltavam, que queríamos, que procurávamos para desencalhar e para parar de vez com o vai e vem da travessia das poldras. Foi assim que encontrei a imagem de hoje e as palavras para a ilustrar,  que agora vos deixo:

 

Coisa limitadora, a amizade!! Sobretudo negativa, no ponto de vista intelectual. Ou é uma contínua transigência, ou uma fonte de arrelias. Só a oposição anónima — inimiga, no fundo — estimula e faz criar. Diante dela, o espírito voa como entende. Nem há direcções proibidas, nem poços de ar pessoais, onde se cai com o coração na boca.

 

Parece à primeira vista  que seria justamente de um convívio pacífico, diário, fraterno, que sairia o tónico ideal de que todo o artista necessita. Mas não. Sem falar no cansaço a que somos atreitos, e que ao cabo de certo tempo deseroíza tudo — poemas e virtudes —, criando à volta de cada obra ou de cada atitude um vácuo de aceitação amorfa, neutra, habitual, por temperamento e por motivos de vária ordem a nossa vida individual e social, passados os breves dias da mocidade, entra num túnel crepuscular de anedotas e digestões. E, naturalmente, uma presença ou consciência de que possa perturbar esse nirvana é olhada com enfado. Daí que instintivamente cada qual vá limando, até sem dar por isso, as arestas do seu espírito, para não levantar atritos. A guerra perpétua é impossível, tanto nas relações dos povos, como nas das criaturas. E surge insensivelmente o compromisso: nem se medem as irregularidades do caudal criador, para não ofender, nem se agitam as águas estagnadas do afecto, para não perturbar. Ora um artista não pode limar as arestas de maneira nenhuma. Pelo contrário. Se os outros envelhecem, desistem, e por cansaço ou piedade o poupam a críticas e a desilusões, ele é que precisa de estar sempre vivo e alerta. E eis a mortificação. Sedento de calor humano e agrilhoado ao seu destino de inquietador, o desgraçado vê-se entre a espada e a parede. Para ser fiel aos sentimentos, tem de parar; para não trair a sua estrela, tem de prosseguir. E nessa incómoda carroça de duas rodas, que caminham em direcções opostas, lá vai ele, umas vezes a esconder o que faz, outras a ler uma página como quem espeta um punhal ou arrisca a própria vida.

Miguel Torga, In Diário VI

 

25
Fev19

De regresso à cidade...

1600-(48738)

 

De regresso à cidade, mas antes de atrevassarmos a ponte, fizemosuma passagem à beira Rio Tãmega, com a sempre nossa Top Model Ponte Romana por companhia.

 

1600-(48739)

 

Hoje fazemos o regresso à cidade com dois olhares, tomados precisamente do mesmo local mas em direções diferentes, mas ambos tendo de fundo obras de arte, uma bem Histórica e antiga, a outra bem contemporânea e bem recente - O Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, cujo projeto é do mais que consagrado Arquiteto Siza Vieira e no seu interior a arte contemporânea, com três exposições e cinco artistas: Ema Berta (pintura), Cristina Valadas (pintura), João Ribeiro (pintura), Carlos Barreira (escultura) e Nadir Afonso (pintura), sendo os últimos dois flavienses.

 

 

04
Fev19

De regresso à cidade...

1600-(45848)

 

Hoje, para variar um pouco, fazemos o regresso pela ponte nova. Eu sei que o nome dela é Barbosa Carmona, mas nós por cá sempre lhe chamámos e vamos continuando a chamar ponte nova, embora agora cause alguma confusão, sobretudo aos mais novos, e com alguma razão, pois depois desta, Chaves já viu construir mais três pontes. Seja como for, é ponte e é por ela que hoje fazemos o regresso à cidade, ainda de noite. Deu-nos para madrugar…

 

Uma boa semana para todos.  

 

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