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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

25
Nov18

Roriz - Chaves - Portugal

1600-Roriz (51)

 

Hoje vamos até Roriz e começo com um pedido de desculpas, com as devidas explicações na esperança de ser perdoado. Poderia evitá-las se… mas também para isso há explicações.

 

1600-Roriz (132)

 

Ora então vamos lá, é quase uma estória. A minha vida laboral levou-me ao longo destes últimos trinta anos algumas vezes até Roriz. Desde a primeira vez fiquei de olho na aldeia, primeiro porque ainda antes de entrarmos nela se deixava ver no seu todo, onde se podia apreciar o seu conjunto mais ou menos bem concentrado, depois porque logo na entrada se avistava um edifício mais senhorial que nos chamava a atenção, logo a seguir um largo que dava a entender ser o seu largo principal, e depois todo o casario tipicamente rural e transmontano, para além de ser uma aldeia sempre com vida nas ruas, o que fazia sempre agradável uma visita. Acontece que nessas visitas de trabalho, ia em trabalho, e embora até já me dedicasse à fotografia, ainda estávamos no tempo da analógica, ou seja, no tempo em que, por exemplo, arrancávamos por aí fora numas férias de 15 dias com um rolo de 36 fotografias e regressávamos a casa ainda com 4 ou 5 fotografias por tirar, pois a revelação e ampliação das fotos tinha que ser paga e digamos que os custos não eram muito convidativos para quem não lhe abundava o dinheiro. Ou seja, não acontecia como hoje em que se tomam fotografias de tudo e alguma coisa, a torto e a direito. Concluindo, nessas minhas visitas de trabalho, nem sequer levava a máquina fotográfica comigo, e hoje, diga-se a verdade, arrependo-me bem, pois sem prejudicar o trabalho, poderia ter registado alguns momentos que hoje são impossíveis de registar.

 

1600-Roriz (151)

 

Mas avancemos. Quando iniciei este blog, nunca imaginei que ele se viria a transformar naquilo que é hoje. Primeiro era para ser dedicado só a coisas mais pessoais e à cidade de Chaves, mas logo me dei conta que as coisas pessoais são, como o próprio nome indica, pessoais, e a cidade de Chaves, embora para mim seja uma grande cidade, é coisa pouca para mostrar o ser flaviense, pois o nosso ser ficaria manco sem a componente rural das nossas aldeias do concelho, e assim, cedo me dei conta que o Blog seria de Chaves, sim senhor, mas não da cidade de Chaves, antes do município de Chaves, ou seja, da cidade de Chaves, da vila de Vidago e das aldeias do concelho. Iniciava então a minha primeira ronda por todas as aldeias do concelho, uma a uma, nuns fascinantes dias de descobertas. A primeira ronda demorou seis anos a ficar completa e a Roriz tocou-lhe a sorte no mês de outubro do ano de 2008.

 

1600-Roriz (311)

 

Acontece que nessa primeira abordagem a objetiva da minha máquina já apresentava algum cansaço, não pela idade, mais pelo uso, e começou a focar as imagens só quando lhe apetecia, ou seja, 2/3 das imagens saíram-me desfocadas. Sei isto porque mesmo desfocadas ainda guardo essas imagens, isto só para me lembrar que tinha de ir por Roriz novamente para repetir essas fotografias e aproveitar para tirar mais algumas, e fui, passados 4 anos (outubro de 2012). Nessa altura já com duas lentes, uma para todo o serviço e outra, uma teleobjetiva, só para grandes distâncias, daquelas que vê coisinhas mais pequenas a grande distância.

 

1600-Roriz (155)

 

Ora acontece que eu até sou organizadinho, mas também um pouco despistado. Coisas que não combinam muito bem. Antes de sair para o terreno tenho sempre o cuidado de carregar pilhas suplentes, limpar o cartão de memória, etc, mas, às vezes, chegado ao terreno, falha-me a pilha da máquina e só então me lembro que a suplente ficou em casa no carregador, ou o cartão de memória no computador. Para a minha segunda abordagem a Roriz levei pilha e cartão de memória, mas quando cheguei lá, ao retirar a máquina do saco é que me dei conta que levava a lente errada, a tal objetiva para grandes distâncias o que, convenhamos, não dá mesmo jeito nenhum para tirar fotografias no interior de uma aldeia,  onde tudo fica perto. Mas não dei parte de fraco, tirei algumas fotos, as possíveis de maior distância dentro da pouca distância e regressei a casa com espírito de missão NÃO cumprida, ou seja, com a necessidade de ter de lá voltar para finalmente poder fazer como deve de ser, com todo o equipamento que necessito e adequado,  para fazer o devido levantamento da aldeia, mas, infelizmente, cheguei ao dia de hoje sem lá ter voltado, ou seja, todas as imagens que hoje vos deixo são desses dois idos anos de 2008 e 2012, e, ainda por cima, não tenho a certeza se estou a repetir imagens.

 

1600-Roriz (164)

 

Claro que o palavreado que atrás fica, embora sincero, mais que desculpas são justificações para as imagens que hoje vos deixo, mas também para vos poder dizer que em nenhuma das abordagens que fiz aqui no blog ficou completa, pois há imagens que deveriam aqui estar e que nunca aqui apareceram, mas tudo isto serve também de pretexto para mais uma visita a Roriz, e desta vez vou certificar-me mesmo que levo tudo que necessito e se não levar, volto atrás, recolho o que falta, e volto pra lá no mesmo dia. Fica prometido e aqui quando se promete é para cumprir.

 

1600-Roriz (212)

 

Mesmo assim, deixo por aqui algumas imagens de alguns pormenores, da vista quase geral de Roriz, das vistas que desde Roriz se alcançam e que entram pela Galiza adentro (recorde-se que em linha reta a raia da Galiza fica a apenas 3.5km de Roriz) e a imagem possível da sua igreja.

 

1600-Roriz (221)

 

Mas há duas imagens que me merecem um destaque, a primeira, a daquela data do ano de 1960 que me chama sempre a atenção (por ter sido ano de boa colheita) e a segunda a da galinha em liberdade na rua. Suponho que seja galinha, parece-me, mas também como já não conheço muito bem o engaço, aquela crista deixa-me na dúvida se será realmente uma daquelas galinhas poedeiras que mais tarde dão uma bela canja ou carne para alheiras, ou um galo. Mas mesmo com a crista grande eu aposto na galinha, pois o galo tem sempre aquele ar de importante de pescoço bem levantado.

 

E com esta me bou e prometo que não me esquecer do que prometi. E cumprir!

 

 

04
Jun16

Roriz

1600-Roriz (222)

 

Hoje ficam três olhares sobre Roriz. Como de costume deixo também umas palavras sobre os locais e aldeias que vou visitando. Geralmente são as imagens que sugerem as palavras e hoje também não é exceção, mas, depois de repetidos olhares sobre os motivos, em todos eles me surge a sensação de faltar alguma coisa.

 

1600-Roriz (180)

 

Um caminho entre muros de granito de pedra solta com um trecho da aldeia ao fundo. As sempre curiosas soluções construtivas ou os pormenores mais nobres da arte da cantaria. O granito, quase sempre à vista,  como rei e senhor a impor a sua presença e imagem de marca das nossas aldeias tradicionais, com um ou outro pecado de modernices que nunca se conseguem evitar.

 

1600-Roriz (218)

 

Enfim, mas isto são palavras que apenas reproduzem aquilo que se vê nas imagens e que pouco ou nada acrescentam . Mantenho a mesma sensação de faltar alguma coisa ao  bucolismo vazio de alma  destes motivos, como se de uma paisagem natural se tratasse sem que nela  houvesse a mão do homem.

 

 

27
Jul13

Roriz - Chaves - Trás-os-Montes - Portugal

 

Não é que eu seja muito dado a ver televisão, mas vejo, e como já há muito tempo que não mando no comando, vou vendo aquilo que me deixam ver. Há três ou quatro anos atrás, num reality show qualquer desses que estão na moda, andava por lá um pastor que até tinha certa piada e que numa das conversas com um dos parceiros, este afirmava que deveria ser bom andar pelas montanhas e transpor o cume para ver o que havia do outro lado, ao que o pastor rematou - « depois de uma montanha há sempre outra montanha». Não sei se as palavras eram bem estas, mas andavam mais ou menos por aí. Aqui em Trás-os-Montes é mesmo assim: depois de uma montanha há sempre outra montanha, um mar delas com ondas mais ou menos grandes que se vão perdendo na lonjura do horizonte, tantas que a nossa província nem se deveria chamar Trás-os-Montes, mas antes Entre-os-Montes, mas claro que já se adivinha que quem nomeou a nossa província foram os senhores de Lisboa e nós somos aqueles que ficamos atrás dos montes.




Mas somos transmontanos com muito gosto, habituados aos rigores do tempo de e todo o ambiente que nos rodeia somos rudes, foi assim que fomos temperados e, é talvez por essa razão que o povo transmontano triunfa sempre quando vai para além dos montes e são sempre grandes em tudo, no trabalho, nas artes e nas letras, em tudo que fazem e sabem fazer de tudo, até grandes marinheiros ou vigaristas se lhes dá para irem por aí e, até políticos – só é pena que a maioria destes últimos esqueçam o berço quando vão para o poder lisboeta.




E é por se falar em atrás dos montes e por entre os montes e montanhas que hoje deixo aqui imagens de uma aldeia rodeada e com vistas para elas ou para aquele que eu chamo de mar de montanhas. São imagens de Roriz desde onde as suas vistas alcançam quase toda a freguesia de S.Vicente da Raia, terras de Vinhais e terras galegas, pois as montanhas não conhecem fronteiras. Ficam um pouco dessas montanhas e dois pormenores da aldeia de Roriz onde a construção em granito ainda é rainha e senhora, mas com as maleitas do costume – maioritariamente velhas e abandonadas.



07
Jul12

Roriz e mais uma vez...

 

E porque hoje é sábado, vamos até ao nosso mundo rural, com uma breve passagem por Roriz.

 

Da última vez que lá fui com intenção de fazer a devida recolha fotográfica, já faz um tempito, cheguei lá já com pouca luz e ainda por cima com a objetiva da câmara fotográfica meia avariada, principalmente em ambientes escuros. Fácil será adivinhar que a maioria das fotografias foram à vida. Prometi a mim próprio que tinha de lá voltar um dia para nova recolha.

 

 

Há dias, lembrando-me do sucedido, foi para lá que rumei à procura das fotos perdidas. Desta vez, e depois de tantos azares que me são habituais (por mea culpa), levei duas câmaras fotográficas e com objetivas a funcionar devidamente. Vai daí, chegado lá, saco da máquina e nicles, pilha descarregada. Procurei a de reserva, mas lembrei-me depois que estava em casa a carregar. Precavido de tantas assim, ri de mim próprio e fui pela câmara de reserva. Esta sim, com tudo a funcionar e duas pilhas carregadas de reserva, mas também esta câmara está reservada para momentos especiais e apenas tenho para ela uma teleobjetiva, coisa que para andar pelo miolo de uma aldeia, convenhamos que não é lá muito apropriada. Comentei com o amigo Lumbudu que me acompanhava, que aquilo eram coisas do meu subconsciente a trabalhar, pois arranja sempre uma desculpa ou pretexto para me obrigar a voltar às aldeias mais uma vez. E assim terá de ser, pois ainda não foi desta que recuperei as imagens perdidas.

 

 

Mas não estava desarmado, apenas condicionado aos pormenores e/ou às distâncias, que tinham de ser mais amplas. Mesmo assim deu para recolher algumas imagens que vos quero deixar aqui hoje. Imagens de marca ou de vida de uma aldeia, também ela, cada vez mais envelhecida e despovoada. O costume ao qual já nos vamos habituando, embora custe, pois ainda tive oportunidade de as conhecer, e a esta também,  com muita vida e crianças na rua, e hoje, como se costuma dizer por cá, não há comparança.

 

 

Mas deu para registos curiosos, como o desta última imagem que me trouxe também à lembrança qualquer coisa que li há tempos, já não recordo onde, de os homens que só podiam casar se tivessem pelo menos uma parelha de vacas, as necessárias para aparelhar num carro de bois. Coisas do passado com as quais o senhor da foto, se hoje ainda se mantivesse a moda, não teria problemas, aliás, à exceção do burro, com ele vai tudo às parelhas: duas vacas, duas cabras, duas ovelhas e dois cães. Curioso também este ajuntamento de espécies que seguiam ordeiramente o seu caminho em liberdade, mais uma vez à exceção do burro, todos sem tropelias ou conflitos entre eles, respeitava cada um o seu espaço, e prontos, os civilizados somos nós… né!?

 

 

 

17
Ago09

Aldeias de Chaves

 

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Não é habitual falhar na publicação do post diário, mas às vezes acontece, a isso somos forçados.
 
É mais uma das condicionantes de se viver no interior, em que além de termos péssimos serviços, não temos alternativas. Desta vez estou a falar-vos de comunicações telefónicas e INTERNET, mais precisamente da Portugal Telecom, pois há 3 dias que comuniquei a avaria do meu telefone e consequentemente a falha de INTERNET, e continuo sem comunicações.
 
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São Domingos
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Valem-me e valho-me do favor dos amigos e familiares para poder mandar esta “posta” que já estava preparada para ontem e também do próximo post. Quanto a comunicações, há que aguardar sereno, nem vale a pena o incómodo, e depois, já estou farto de falar com máquinas, o que não admira, pois a(o)s operadora(e)s estão todos ocupados a impingir promoções (leia-se aldrabices) e a incomodar pessoas.
 
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Mas ficam as fotos, apenas fotos, de mais duas das nossas aldeias. Roriz e São Domingos.
24
Jan09

Mosaico da Freguesia de Roriz

 

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Mosaico da Freguesia de Roriz

 

Localização:

A 23 km de Chaves, situa-se no interior nordeste do concelho mas a escassos quilómetros da Galiza e do concelho de Vinhais.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Travancas, São Vicente da Raia e Cimo de Vila da Castanheira.

 

Coordenadas: (Centro - Igreja de Roriz)

41º 49’ 21.44”N

7º 15’ 51.01”W

 

Altitude:

Variável – Na aldeia situa-se entre os 830 e os 890m

 

Orago da freguesia:

Nossa Senhora da Conceição

 

Área:

7.23 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103 até à Bolideira. Seguir via Dadim e Cimo de Vila da Castanheira.

 

Alternativa: Estrada Nacional 103-5 até Vila Verde da Raia, seguir em direcção a Curral de Vacas (Stº Ant. de Monforte), Mairos, S.Cornélio.

 

 

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Aldeias da freguesia:

            - Roriz (única aldeia)

 

População Residente:

            Em 1900 – 387 hab.

            Em 1920 – 299 hab.

Em 1940 – 373 hab.

            Em 1960 – 557 hab.

            Em 1981 – 448 hab.

            Em 2001 – 211 hab.

 

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Principal actividade:

- Agricultura.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

A aldeia e freguesia desenvolve-se em plena encosta e transição do grande planalto de Travancas para o mar de montanhas de terras de São Vicente da Raia e Vinhais.

 

A proximidade da Galiza em tempos de fronteira não era estranha à vida de Roriz, onde existia posto da Guarda-fiscal e facilmente se deduz, que terras de Roriz eram também terras de contrabando.

 

Conhecido é também o Castelo do Mau Vizinho, mas mais em literatura, pois o acesso só pedonal é pouco recomendável para passeios de visita, fazendo exclusivamente pelo flanco oriental, pois de resto, está cercado de altas e abruptas paredes rochosas inacessíveis para qualquer caminhante.

 

Interessante é também o seu casario típico das construções em granito, embora muito dele esteja em mau estado ou abandonado, o costume em aldeias que sofreram um acentuado despovoamento desde os anos de 60 e que se vai mantendo.

 

A Igreja Paroquial, com a Nossa Senhora da Conceição por devoção, talvez de origem seiscentista, embora interessante com um típico e duplo campanário a rematar a frontaria,  é de arquitectura modesta. Também interessante é a Capela do Senhor dos Milagres, mas sobretudo o antigo Albergue dos Peregrinos de Santiago, em cujo lintel se inscreve a data de 1760, sobressaindo mesmo ao lado, embutido na parede, um pequeno nicho de Alminhas, rematado por volutas.

 

Curiosos são alguns dos termos utilizados na toponímia das ruas, como a Rua do Navalho ou o Beco da Cânle, entre outros.

 

Por último é salientar as vistas e olhares que desde os pontos mais altos da aldeia se podem lançar sobre a Galiza, terras de São Vicente da Raia e concelho de Vinhais, no tal mar de montanhas que a todos encanta.

 

 

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Roriz vista do céu - Foto de Google Earth

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Roriz

 

18
Out08

Roriz - Chaves - Portugal

 

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Os dias já não são o que eram, estão mais pequenos e a luz é traiçoeira. Chegamos a uma aldeia no início da tarde e quando damos conta, já está a anoitecer, principalmente quando as aldeias são convidativas para uma visita mais demorada, para dois dedos de conversa aqui, outros ali, o apreciar dos pormenores, ouvir alguns lamentos, mas também descobrir novidades e, a da nossa aldeia de hoje, são os fios laranja.

 

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Ainda antes de entrarmos em Roriz, a nossa aldeia de hoje, deixem-me que lhes explique a minha nóia pelos fios, os azuis, os melhores. Nóia essa que tem feito com que nos últimos fins-de-semana nesta rubrica das aldeias, deixe sempre uma foto em jeito de elogio ao fio azul – o melhor.

 

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Ando nesta coisa de fotografar as aldeias já há muitos anos. Claro que antigamente na era do analógico, com as minhas saudosas Minoltas, tínhamos que pensar muito bem antes de apontar a objectiva ao que quer que fosse, não porque fosse complicado, mas pelo custo de cada click. Com a era digital tudo fica mais facilitado e até nos podemos dar ao luxo de fotografar tudo quanto nos aparece à frente, de várias formas e feitios, quase sem tirar o dedo do botão de clickar, ainda com a vantagem final de não termos de mandar revelar, ampliar, esperar, pagar, e quase sempre a casa de fotografia não ter papel ou afinação da maquinaria para o nosso gosto, além do P€SO (duplo), pois numa semana, eu e um amigo numa viagem breve por Espanha, França e Suíça, muito contidos nos clicks, conseguimos tirar 13 quilos de fotografias.

 

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Tudo isto a respeito do fio azul – o melhor, pois nestes últimos 4 anos mais intensos de fotografar as aldeias na era digital, comecei-me a aperceber que na maioria das fotografias apareciam num cantinho qualquer ou mesmo em primeiro plano os fios azuis – os melhores. E são mesmo bons, servem para tudo. Fecham portas, portões, cancelas, remendam vedações, fazem vedações, amarrações, pendurações e são de perdurações. Resistentes e não perdem a cor. Sem dúvida os melhores e que todos utilizam. Garanto-vos que não há uma única aldeia do concelho onde não haja fios azuis, aos montes.

 

Ultimamente tenho vindo a dar conta que os fios laranjas também já se começam a infiltrar aqui e ali, timidamente. Mas em Roriz o fio laranja surpreendeu-me pela quantidade, tanta, que faz verdadeira frente ao fio azul – ainda o melhor. Mas a julgar pelas aplicações do laranja, também parece não ser mau.

 

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Em bem vos dizia que tinha uma nóia pelos fios azuis – os melhores. Mas deixemos os fios de parte e amarremo-nos ao que interessa: Roriz.

 

Lembrei-me que há uns tempos atrás já tinha feito uma abordagem tímida a Roriz, com apenas uma foto e alguma da sua história. Para não ser repetitivo, como se a história não fosse repetitiva, pesquisei no blog e nada. Nada encontrei. Alarguei a pesquisa ao Google, e de entre a tinta roriz, Roriz freguesia do concelho de Barcelos, lá consegui encontrar o meu post, e espantem-se, pois não o encontrei no meu blog mas reproduzido num site francês, suponho que reproduzido por um filho da terrinha. Obrigado a ele, seja ele quem for, pois poupou-me algum trabalho.

 

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Dizia então assim:

 

Chaves Rural - Roriz

Il y a 380 jours

 

Claro que Roriz não é só isto e, até tem algum casario nobre de fazer inveja e também casario novo com todas as comodidades de hoje (parabólicas e micro-ondas incluídos), mas tem também muito deste casario tradicional de pedra, madeira e telha (quase só isto) e, é este o casario que me atrai nas aldeias. Farto de ver betão e antenas, estou eu a semana inteira.

 

Geralmente, os das aldeias, menosprezam e não dão qualquer tipo de valor e importância a este tipo de casario tradicional. São geralmente construções destinadas a cortes, palheiros,  arrumos, e adegas. Com interior de chão térreo ou,  no caso das cortes, com chão em palha e tojos para fazer ou curtir fertilizante (estrume) para as terras de cultivo. Claro que nos tempos de hoje com a mecanização das alfaias agrícolas a maioria deste casario está dotado ao abandono ou em ruínas, mas mesmo assim é ele que ainda vai fazendo a tipicidade das nossas aldeias rurais e que atrai o olhar interessado e diferente dos apreciadores daquilo que é genuíno nas nossas aldeias. Eu sou um deles.  

 

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Mas vamos até Roriz.  

 

Roriz é aldeia e freguesia (única aldeia da freguesia) com 7,23 Km2, dista 23 quilómetros da cidade de Chaves e fica em plena montanha (terras da castanheira) e faz fronteira com as freguesias de Travancas, S.Vicente da Raia e Cimo de Vila da Castanheira. Segundo o censos de 2001, possui como população residente 211 individuos, 85 famílias e 159 alojamentos. Lendo os números, temos 2,5 pessoas por família e metade dos alojamentos não são habitados, ou seja também sofre do envelhecimento da população, mas mesmo assim, é uma aldeia que ainda está longe da desertificação (1)  e muito graças à riqueza das terras de cultivo, (desde os legumes, à batata, cereais, castanha, e outra fruta, entre outros e em abundância) e claro que também com alguma pecuária.  

 

Quanto ao topónimo Roriz, dizem os entendidos que provirá de Rodericus, ou de uma Vila Roderici, existente em 968. Sabe-se que em 1258 já a designação da aldeia era Roriz.  

 

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A padroeira da freguesia é a Nossa Senhora da Conceição que, suponho por distracção, nada pode fazer nas lutas da restauração quando (segundo reza a história local) a aldeia foi arrasada pelos espanhóis, ficando de pé apenas duas casas. Em retaliação (ainda segundo a história ou lenda) os homens de Roriz juntaram-se a outros homens de outras localidades vizinhas e foram combater duramente, os espanhóis, na Cota de Mairos, onde os venceram. A partir desse momento o alto onde ocorreram os acontecimentos passou a designar-se por Alto da Escocha (suponho que de escochar ou seja: limpar, espatifar, matar, limpar o sebo, neste caso ao espanhóis).  

 

No lugar da aldeia denominado de Castelim, há vestígios da civilização castreja e diz o povo que aí viveram os mouros. A cerca de três quilómetros existe o denominado Castelo do Mau Vizinho (referenciado pelos monumentos nacionais), que também poderá ter sido um castro romanizado, situado já na freguesia da Castanheira, na margem do rio Mouce, afluente do rio Rabaçal.  

 

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E para quem não conhece mas quer conhecer e visitar a aldeia, recomendo este trajecto: Chaves, Lameirão, Faiões, Assureiras, Águas Frias, Bolideira (abandonar a E.N.103), seguir em direcção a Dadim, Cimo de Vila e no largo principal virar à esquerda, que logo a seguir é Roriz. De regresso, bota pela estrada nova em direcção a S.Cornélio, desce-se a Mairos (pela estrada do Padre Delmino), Curral de Vacas, Vila Verde da Raia e novamente Chaves (via Outeiro Seco ou Stº Estêvão – tanto faz). Um passeio interessante para o dia de hoje ou amanhã (para residentes) ou a ter em conta para quem pensa visitar-nos.   E por hoje é tudo, mas amanhã há mais uma aldeia do nosso concelho.  

 

Até amanhã!”

 

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Isto foi o post de “Il y a 380 jours”, ao qual não retiro nada, antes acrescento umas coisinhas e uma correcção notada com (1) no texto onde eu dizia : “mas mesmo assim, é uma aldeia que ainda está longe da desertificação” E de facto está longe da desertificação, mas não era propriamente a desertificações que eu me queria referir, mas a despovoamento, que não é bem a mesma coisa, embora a má influência das televisões e de se acreditar como sendo correcto aquilo que os jornalistas e outros por lá dizem, muitas vezes referimo-nos a desertificação das aldeias, quando, antes pelo contrário, as a aldeias estão a ser invadidas de vegetação e muito verde de mato e tudo graças ao seu despovoamento. Não sou purista nem me estou a armar em conhecedor da língua portuguesa, muito longe disso e, inclusive até dou erros, de composição e às vezes até ortográficos, talvez graças ao ambiente do nosso português falado por cá, como o “hadem cá bir queu conto-lhe uma istória” Por isso, deixo hoje por aqui, que se calha até sou a favor do novo acordo ortográfico e, digo se calha porque não o conheço, pois essas coisas são debatidas pelos intelectuais de Lisboa sem darem conhecimento ou justificações ao pobo (sem aspas), mas seja como for, pela certa que peca por defeito e pela certa que ainda não é desta que vão trocar os Vês pelos Bês. Tou mesmo a ber quinda num é desta. Quanto ao H no início das palavras, já há muito (excepção para este há) que não faz falta nenhuma, só atrapalha. E para os eruditos de Lisboa que defendem o não ao acordo ortográfico, só lhes lembro (cá debaixo da minha ignorância mas é assim que penso) que se não fosse o evoluir da língua para a simplificação, ainda hoje estávamos todos a falar em latim.

 

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Cá por mim, na escrita lá vou tendo algum cuidado, principalmente porque me irrita o Word estar sempre a sublinhar-me as palavras a vermelho, mas na fala, não prescindo do “adem cá bir” como não prescindo de uma boa bacalhoada assada, com pimentos e azeitonas, regado com bom binho tinto, daquele mesmo bô, onde o cuidado a ter é mesmo e só com a argana do bacalhau e não engolir as carabunhas das azeitonas”.

 

Mas regressemos a Roriz, que como já deram conta nada tem a ver com a tal tinta Roriz que até dá bom binho.

 

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Voltemos ao estar longe do despovoamento e do envelhecimento da sua população. Dados recentes a que tive acesso de dados antigos, como o censos de 1981, e outros dados do Censos 2001, como idades por escalões etários, levam-me agora a dizer, sem hesitar, que Roriz também está na rota do despovoamento, embora bem mais atenuado que nas aldeias mais sofredoras de despovoamento e ainda com gente e algumas crianças nas ruas. Pois desde 1981 para 2001 perdeu mais de metade da sua população, ou seja dos 508 habitante de 1981, passou para 211 em 2001. Estou curioso por ver os dados de 2011, para dar razão (que já dei) ao Medina Carreira (intervenção de ontem na TVI) e às más políticas praticadas pelos nossos governantes (partidários) e centralistas subjugados que estão aos senhores do grande capital. O mesmo se passa com os imitadores caseiros, também subjugados a que tem capital e que está bem à vista no nosso concelho, também com o crescimento desorganizado da cidade, vendido aos empreiteiros imobiliários, às grandes superfícies e por aí fora, onde nem sequer respeitam ou respeitaram a nossa história centenária e até milenar, enquanto as nossas aldeias, estão moribundas. Tal como dizia Medina Carreira, o mal em política é não se pensar a longo prazo porque não rende votos nem garante o poder, além do mal que mina logo todos os partidos e seus candidatos pela raiz – O financiamento das campanhas políticas, onde o grande capital (com imitações caseiras) também aposta (tal como na bolsa) com mais dinheiro onde há mais probabilidade de o ganhar. Está à vista de todos, todos sabem como as coisas funcionam, mas ninguém levanta o véu … pois quase todos têm um filho para empregar, umas coisas para vender, umas cunhas para meter, uns favores a pedir ou uma ou outra coisa a ganhar com a situação, ou seja, com essa grande mentira e deturpação da democracia em que todos pensam ganhar alguma coisa, mas todos perdemos. Está à vista!

 

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Nas aldeias, nos últimos 30 anos, construíram e pavimentaram-se estradas e caminhos, dotaram-se de água canalizada e saneamento básico, electricidade e telefones e até construção e recuperação de escolas, a maioria das obras em troca de garantir votos para mais quatro anos de poder e, que não me levem a mal o pessoal das aldeias, mas a maioria foi investimento inútil, pois esqueceram-se das políticas que prendem as pessoas as aldeias, políticas agrícolas, florestais e pecuárias rentáveis, que ocupassem os jovens mas que lhes desse também rendimento e a garantia de uma vida economicamente digna, em vez de serem obrigados a emigrar ou trocar as aldeias pelas cidades.

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E fico-me por aqui, porque Roriz, tal como as outras aldeias do despovoamento, não são culpadas pelas políticas dos políticos das cidades, antes pelo contrário, são vítimas deles. Um elogio para os presidentes de junta, autênticos resistentes que são obrigados a mendigar nos corredores do poder para manterem algumas dignidade aos seus e cujas prioridades dos últimos tempos, são os aumentos dos cemitérios e a construção de casas mortuárias. Isto diz tudo.

 

 

Até amanhã, com mais uma aldeia.

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    • Anónimo

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