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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

04
Fev21

Cidade de Chaves - Um olhar

Desde a rua dos Gatos para a rua do Correio Velho

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Em geral, as imagens utilizam-se para ilustrar as palavras, o que nem sempre resulta, pois às vezes a melodia das palavras é tão conseguida que qualquer imagem, seja ela qual for, só servirá para destroçar a magia do nosso imaginário. Curiosamente, o contrário é ainda mais verdade, ou seja, quando queremos ilustrar imagens com palavras, todas elas desnecessárias e inoportunas, pois a beleza que ela possa ter ou não ter, ou diga o que tiver ou não a dizer, não há palavras para as descrever, apenas irão trair a originalidade do nosso olhar e sentir.

 

 

A espantosa realidade das coisas

É a minha descoberta de todos os dias.

Cada coisa é o que é.

E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,

E quanto isso me basta.

 

Alberto Caeiro, in Poemas Inconjuntos.

 

 

 

09
Set19

De regresso à cidade... pela Rua do Correio Velho

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Hoje faço o regresso à cidade pela Rua do Correio Velho, por sinal uma das ruas que me ligam a ela por recordações de 3 décadas, a primeira, a de sessenta com as visitas regulares a uma família que viveu na primeira casa que aparece na imagem do lado esquerdo, era a família Carunho  (com o Sr. Carunho, a a D.Carmen, e os filhos Chico, Mimi e Dalila) que ali abriu uma casa de pasto depois de terem sido nossos vizinhos no bairro da Casa Azul.  Estas visitas regulares a acompanhar a minha mãe, eram para mim uma aventura, primeiro pelos meus 5,6,7 anos de idade, segundo porque era das poucas vezes que abandonava a paz da veiga, atravessava a Ponte Romana e entrava na vida movimentada da cidade de então. Já na década de setenta, pós 25 de abril, os Canários levam-me até à rua com frequência. Era uma casa de cultura que tinha sempre as portas abertas para as iniciativas juvenis e culturais, primeiro, foi lá que um pequeno grupo que se intitulou GIEC – Grupo de Interverção Estudantil e Cultural,  composto por uma dúzia de estudantes de liceu, teve a sua casa. Num dia ensaiavam-se uma dúzia de canções de intervenção que estavam na berra (Zeca Afonso, a Gaivota que voava, voava, as quadras de António Aleixo) e no dia seguinte estávamos em cima de um palco qualquer a fazer um espetáculo. O grupo não durou muito, mas foi bom enquanto durou. Quanto à qualidade musical era duvidosa, mas na altura pouco interessava, o que interessava mesmo era intervir…  Mais tarde, ainda nos anos setenta, um grupo folclórico leva-nos de novo até aos Canários, para ensaios das nossas danças, e este, sim, com bastantes atuações, embora não para grandes públicos, mas para públicos necessitados ou carenciados de espetáculos (asilos, cadeias,  escolas, militares, etc.) e chegamos mesmo a internacionalização, pois recordo que um dia fomos dançar a uma escola de Verin. Já nos anos 80, lá mais para o fundo desta rua, a casa de um amigo, era sempre o último pouso da noite, aqui já com colegas de trabalho que depois de uma noitada de convívio lhe invadia-mos a casa (a seu convite) para mostrar os seus dotes culinários e não irmos para a cama com a barriga a dar horas. Como sabiam bem aqueles caldos de cebola…

 

 

 

22
Jul19

De regresso à cidade... pela Rua do Correio Velho

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Hoje fazemos o nosso regresso à cidade por uma rua do nosso centro histórico, pelas ruelas como agora lhe chamam, mas que eu ainda conheci como uma das principais ruas da cidade, cheias de vida, de história e estórias para contar. Rua do Correio Velho, o próprio topónimo diz-nos qual foi a sua origem, mas também poderia ser a rua dos Canários e os próprios Canários ainda poderiam hoje existir, como uma sala polivalente, intimista, virada para o teatro, para a música, para a arte. O seu encerramento era já um prenúncio do que viria acontecer até chegar ao estado atual. Uma rua sem vida em pleno coração da cidade. Esperemos que esta nova vaga de reconstruções chegue até ela também e que não aconteça o que aconteceu com um dos prédios que se vê na foto, que há uns bons anos iniciou obras, ou aliás, demolição do seu interior, deixando apenas as paredes exteriores que, para não caírem, lançaram escoras provisórias para os prédios do outro lado da rua, e por lá continuam num provisório cada vez mais definitivo, e que, dado que o prédio confronta com três ruas (Rua do Correio Velho, Travessa Gen. Sousa Machado e Rua de Stª Maria),  põe em perigo a circulação nessas três ruas. Não tenho a certeza, mas o abandono da obra e o perigo de derrocada as fachadas sem travamentos, penso que seriam motivos suficientes para, com caracter de urgência,  se poder tomar posse administrativa do prédio.

 

 

 

20
Jun19

Tia Maria versus Helena Almeida

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Este Tia Maria Versus Helena Almeida é um versus improvável e só acontece, aqui, porque eu o imaginei a acontecer. Lembro-me de um professor que tive, uma vez nos dizer que nas nossas leituras, deveríamos fazê-las como as galinhas fazem quando comem, isto é, quando bicam um grão de milho, por exemplo, bicam-no no chão e depois levantam a cabeça. Nas nossas leituras deveríamos fazer o mesmo, ler e levantar a cabeça para refletir sobre o que lemos. Há dias achei piada que um amigo me disse o mesmo mas por outras palavras, textualmente, transcrevo do e-mail que recebi desse amigo “Não tenho podido fazer uma (duas) das coisas que mais gosto: LER (estudar o que leio) e escrever.”

 

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Helena Almeida em exposição no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso - Chaves

Pois este Tia Maria Versus Helena Almeida não é mais que o resultado da observação, entenda-se como leitura e reflexão sobre aquilo que vejo, isto tendo em conta que nem só as palavras se leem, as imagem também se leem, os gestos também têm leitura, até o silêncio tem várias leituras… vai daí, que das leituras que fiz do andar da Helena Almeida e do andar da Tia Maria (nome também provável, pois não conheço a senhora) cheguei até este post, apenas pelo contraste do andar, de quem anda para, é que o andar da Tia Maria, lê-se nitidamente que é um andar de que vai à sua vida, já no andar de Helena Almeida, deixando a arte de parte, lê-se nitidamente que não pode ir a lado nenhum, o raio da uma parede insiste sempre em estar nos seus caminhos, inclusive agora, depois de nos abandonar é pendurada numa parede que está toda a sua arte.

 

E com esta me bou, está na hora de também eu me por a andar…

Até amanhã!

 

Para saber mais sobre Helena Almeida, clique aqui.

 

17
Ago17

Rua do Correio Velho - Chaves - Portugal

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Se há ruas com história e muitas estórias para contar, esta, a que para os flavienses será sempre a Rua do Correio Velho, é uma delas.  Infelizmente agora está na moda não ter memória e sobretudo é muito conveniente para alguns. Claro que concordo que não devemos ficar eternamente  agarrados à memória, mas o passado existe, e é no seu conhecimento e experiência que vamos traçando o nosso futuro. Pois esta rua está cheia de passado, de memórias e na experiência de uma das principais ruas da cidade antiga, e hoje, se está moribunda, é precisamente por existir por aí muita gentinha sem memória.

 

 

 

24
Ago16

Rua do Correio Velho

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Como já muitas vezes o disse por aqui, sou um flaviense da veiga e até aos meus dez anos de idade eram raras as vezes que atravessava a ponte romana para pôr os pés na cidade, só mesmo em circunstâncias excecionais é que pisava a margem direita do Tâmega, como ter de ir às vacinas da Rua Direita, a uma ou outra consulta do Dr. Alcino quando uma gripe se apresentava mais teimosa e pronunciada ou, com a minha mãe, de visita a ex-vizinhos que se mudaram para a cidade, sem esquecer o exame da 4ª classe na Escola da Estação e inúmeras vezes que ia até à estação para “apanhar” o comboio para a terra do meu pai, mas para o comboio era como se não fosse à cidade, pois a breve passagem fazia-se pela Rua das Longras finda a qual pouco mais havia para além da Quinta dos Machados e da Escola Industrial.

 

Pela certa que todas as ruas das cidades têm montes de estórias para contar, mas uma coisa são as estórias contadas e outras aquelas em que nós fazemos parte dessas estórias, Pois se há rua da cidade com estórias vividas por mim, desde a infância, esta da imagem, a Rua do Correio Velho,  é uma delas, desde o ramos de flores de grelos que levei à Mimi, às brincadeiras com barco “elétrico” do Manel que não parava de dar voltas ao tanque do Baluarte, aos bons tempos do FAOJ, às primeiras vezes que pisei um palco nos Canários, aos petiscos do “Minhoto” na companhia do meu tio minhoto, e às sopas de cebola em finais de noites de farras memoráveis… é por todos estes registos que eternamente ficarão na memória que nutro um carinho especial por esta rua.

 

       

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