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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

27
Jun19

O Factor Humano

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Muitos conhecem a minha ligação a Segirei.

O rio, a cabana, os amigos.

De Segirei era o Ramiro, um homem importante. Carteiro, pescador, caçador, pai, marido e amigo. Fica aqui um poema escrito aquando da sua morte. E um outro também sobre Segirei.

 

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Ramiro

 

Cansado já de tanto andar

Para chegar ao mesmo sítio

Voltou-se para trás a olhar

Recordou-se do início:

" Andei de saco nas costas

Com palavras emprestadas

Subi e desci encostas

Com neve, chuva e geadas

Foi tão grande a caminhada

Tanto destino tracei

Fiz do rio a minha estrada

Fiz o mundo em Segirei"

 

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Sempre Segirei

 

De Segirei que nos falta dizer

Das brasas, do escano, dos amigos

Do rio que não deixa de correr

Na mente sussurrando "estamos vivos"

 

Que mais lhe poderemos contar

Dos abraços, dos " champôos", do pão centeio

Da magia no alpendre a conversar

Da tristeza por aquele que já não veio

 

Se ao menos eu pudesse desenhar

A luz do lume na cara do Luís

O silencio do Sbou a ressonar

As tais palavras que só o Tora diz

 

Mas só dentro da memória é que nos fica

A pureza de uma noite bem passada

Ainda não nasceu artista que o consiga

A essência de Segirei é sagrada

 

 

Manuel Cunha (pité)

 

 

12
Mai19

Segirei - Chaves - Portugal

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Vamos até Segirei, mas por partes, com calma! A primeira:

 

DE CIDADELLA A SEGIREI – A ROTA DO CONTRABANDO

Ainda nas aldeias cujo topónimo começa por S , hoje toca a vez a Segirei. Pois para Segirei podemos propor dois tipos de visita, uma light, que consta em ir até Segirei, dar uma vista de olhos à aldeia e regressar a Chaves sem ver nada. A outra proposta é uma visita como deve ser, e para ela, terá de reservar todo um dia para ficar com uns ares do todo que é a aldeia de Segirei.

 

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Pois a proposta consta em ir de popó até à entrada de Segirei sem entrar na aldeia, há de haver por lá uma placa que nos manda para a Galiza, é para aí que devemos ir, pois a visita a Segirei começa em Cidadella, território galego, na Rota do Contrabando que será para fazer a pé até Segirei.

 

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O itinerário da Rota do Contrabando tem cerca de 2.500 m, quase sempre a descer, mas para chegar a Segirei, pela certa demorará toda a manhã, pois ninguém resistirá a fazer montes de paragens pelo caminho, para apreciar a natureza, as cascatas, os rápidos, os moinhos, as zonas de estar, os abrigos, os miradouros, etc., etc., etc.

 

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Dizia eu que é um percurso que se faz perfeitamente nas calmas, claro que isto é para quem não tiver mobilidade reduzida, infelizmente para essas pessoas o itinerário não é mesmo nada recomendável, pois embora o percurso se faça maioritariamente por um descida não muito acentuada, pelo caminho há dois ou três desníveis consideráveis para vencer por escadas, há passagens estreitas, entre outros. Isto na parte galega em que o itinerário foi preparado para passeio, com algumas proteções e pontes de madeira. Do lado português do itinerário, entre a linha de fronteira e Segirei aquilo é ao natural, maioritariamente por um carreiro pelo meio do monte e bota para Segirei. Do mal o menos,  é sempre a descer até à entrada na aldeia. Mas tal como eu disse, não havendo limitações, faz-se bem. Eu próprio que não sou de caminhas a pé, já fiz o percurso completo três vezes.

 

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Agora as recomendações, ou melhor, as opções para fazer o percurso, que são no mínimo três:

 

1ª Opção, com dois popós – Então é assim, o percurso tem cerca de 2,5Km,  os dois popós levam a gente toda até ao início do percurso em Cidadella, descarregam o pessoal e os condutores dos ditos, dão a volta e descem (os dois popós) até Segirei, aí deixam um popó e sobem com o outro até ao ponto de partida. Fazem o percurso todo e no final, com o popó que está em Segirei, vão buscar ou outro. Para já, não se preocupem em saber onde são estes locais, pois estão bem indicados em placas de informação.

 

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2ª opção, com um popó – Aqui as coisas complicam-se, pois para fazer o percurso terá que deixar o carro, fazer o percurso  e depois regressar a pé até ao ponto de partida (não conte com boleias, pois por lá não há muitos popós a circular) e com a agravante que o regresso são na mesma 2.5Km a subir.

 

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3ª opção, com um popó — O condutor deixa os passageiros em Cidadella e não faz o percurso, mas sempre pode fazer uma parte dele, pelo menos visita o que é mais interessante (Cascatas, rápidos e miradouros). Então é assim, o condutor deixa o pessoal todo no início do percurso e regressa até meio do mesmo (na zona dos miradouros). Deixa aí o carro e faz sozinho o percurso desde os miradouros até encontrar o seu pessoal que vem a descer. Como estes vão parando aqui e ali pasmados com o que veem, o condutor vai subindo e apreciando nas calmas as várias cascatas, os rápidos, etc. Quando encontrar o resto do pessoal, junta-se a eles e como já conhece o percurso que acabou de fazer, daí para baixo, até pode servir de guia. Tem de se aproveitar sempre o lado positivo da experiência. Quando chegar à zona dos miradouros, deixa continuar os outros a pé até Segirei, mete-se no popó e espera por eles na aldeia. Entretanto, lá, na aldeia, deve haver alguém, há sempre, com que pode dar uns dedos de conversa. São residentes nativos que gostam de conversar e contar estórias, de contrabando por exemplo, pois nestas aldeias da raia nos tempos em que existia a fronteira, das duas uma, ou eram contrabandistas ou guardas fiscais, e às vezes até ambas as duas…

 

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Quanto ao percurso da rota do contrabando, em palavras, é impossível descreve-lo, quer seja de inverno, primavera, outono ou verão, é sempre interessante. mas diferente. De verão e primavera pode gozar da frescura do percurso, do lado galego é sempre feito debaixo da frescura das sombras das árvores e a paisagem mais contrastada, o sol e sombras a isso obrigam. No outono e inverno é tudo mais igual, com menos colorido. Fica tudo mais acastanhado e verdes azulados esbatidos, mas o riacho corre com mais água e torna as cascatas mais imponentes, principalmente a cascata principal que tem a particularidade de ser descer por umas escadas metálicas acompanhando toda a queda da sua água.

 

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Durante o percurso vá recordando que está numa rota que foi utilizada para contrabando, vá imaginando o que era fazer por aí contrabando, a pé ou de burro, passando tudo que havia para passar, incluindo rebanhos, manadas de gado ou varas de porcos, tudo em silêncio, geralmente de noite. Ser contrabandista não era fácil, dava umas croas para sustentar a família, mas era vida complicada, tanto mais que de quando em vez lhes saía a guarda fiscal ao caminho e  tinha de dar às de vila Diogo e ficar sem o contrabando. Guarda fiscal que na aldeia era vizinho e amigo mas que no trelo, era obrigado a cumprir, cada um andava ao seu.

 

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Contaram-me por lá, que, por exemplo, para passarem varas de porcos em silêncio e direitinhos pelo carreirão fora, era pegar nos porcos esfomeados ir à frente deles deixando cair bolota ou castanhas, os coitados (porcos) com o cheiro na bolota nem viam por onde andavam e lá iam carreiro fora.

 

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 Chegados à zona dos miradouros, para um lado as cascatas e a paisagem galega, para o outro é Portugal, e lá ao fundo num pequeno aglomerado de casas, é Segirei. E para lá que vamos de seguida.

 

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ALDEIA DE SEGIREI

Se iniciou a visita onde deve iniciar, em Cidadella, estará a chegar a Segirei por volta das 11 da manhã, isto se iniciar a visita por volta da 9 horas. Por esta altura a barriguinha também já deve estar a começar a dar horas, mas ainda é cedo para almoçar. Um copinho de água fresca ou até uma mini, chegará para enganar o estômago, entretanto poderá fazer uma visita à aldeia.

     

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A aldeia é pequena, mas já foi muito concorrida, principalmente na era das fronteiras até aos anos oitenta, pois como Segirei tinha quartel da guarda fiscal, pelo menos estariam por lá 4 a 7 guardas, com as respetivas mulheres e filhos, já era quase meia aldeia, com os naturais, que eram mais, a aldeia compunha-se. Durante o dia o gado e as poulas davam e chegavam para trabalhar, à noite o contrabando, e assim,  havia vida na aldeia quase durante as 24 horas do dia.

 

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Esta zona, já em pleno Parque Natural de Montesinho, caracteriza-se pelas construções de xisto, ou caracterizava-se, pois como o contrabando dava algum dinheiro extra e o trabalhar a pedra não era tarefa fácil, o tijolo, blocos e cimento depressa começaram a substituir a pedra de xisto. Estes novos materiais mais leves e fáceis de trabalhar, acabavam também por ficar mais baratos e permitir novas soluções construtivas. Daí, pelas características das construções atuais, penso que a partir dos anos 50 do século passado começaram a surgir novas construções de tijolo ou acrescentos e remendos nas de xisto.

 

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Tenho pena de não ter conhecido a aldeia no seu pleno construída em xisto, deveria ter uma beleza singular, mesmo porque o xisto presta-se a isso, quer pela sua cor acastanhada/avermelhada/amarelada, quer pela suas dimensões e forma (em lascas), tornando as construções interessantes à vista, já não tanto à resistência e penso que no isolamento térmico e acústico também não.

 

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Hoje em dia ainda restam por lá algumas construções em xisto, não propriamente habitações, mas destinadas a arrumos, adegas e cortes do gado. Uma ou outra vai conciliando o xisto com novos materiais, o que torna a aldeia numa mistura de arquiteturas no que respeita ao uso de materiais.

 

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Já no que toca ao seu aglomerado, é uma daquelas aldeias que se mantém juntinha e que se desenvolve a partir de um pequeno largo central da aldeia pela encosta fora, não se desenvolve à volta da Capela ou Igreja como soe acontecer, mas à volta de uma antiga fonte de mergulho, hoje modernizada com a colocação de uma torneira, mas de pouco uso, pois falta gente para a utilizar, mas também porque, suponho, que a aldeia tem rede de abastecimento de água.

 

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Uma aldeia que sofre portanto da maleita que mais aflige as aldeias interiores de montanha, esta com a agravante de ser da raia e a aldeia mais distante da sede do concelho, tal como se costuma dizer, fica em cascos de rolha, hoje sem contrabando e com pouca terra cultivável para além de agora não render sequer para sobreviver, não admira que a sua gente, principalmente os mais novos, tenham procurado o seu destino noutras paragens . É um bom exemplo de uma aldeia de resistentes onde o despovoamento se faz sentir.

 

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Mas há sempre exceções, e para além dos resistentes idosos, tenho conhecimento de que pelo menos um ou dois casais, ainda novos com filhos crianças, vivem em Segirei, pois graças à proximidade da Galiza têm lá trabalho, com o sacrifício de viagens diárias de dezenas, às vezes centenas de  quilómetros, é certo, mas vai dando para ganharem algum e manterem-se por Segirei.

 

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De resto, as pessoas (resistentes) que compõem a população, vão-se apoiando, uns aos outros, com alguns contactos à cidade para as necessidades, uns regressos esporádicos aos fins de semana e alguma vida vinda de fora para a pesca ou para umas passagens de fins-de-semana de gente ligada à aldeia que vive noutras paragens. Em agosto é diferente. E isto é Segirei que, enquanto o casal está vivo e em condições de fazerem a sua vida diária de viver com a reforma, vão-se mantendo por lá, mas quando lhe faltar o parceiro ou o apoio familiar,  lá terão que rumar até um lar de 3ª idade…

 

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E de Segirei, aldeia, é tudo ou quase tudo, uma aldeia aconchegadinha no fundo de vertentes de montanhas, ela mesma numa vertente, sem grandes pormenores para assinalar ou realçar, com uma pequena e simples capela, um moinho e pouco mais. Talvez seja a sua simplicidade o que mais cativa, que a torna interessante e que faça com que o fator humano se realce mais.

 

RESISTENTES

E é precisamente para o fator humano que vamos de seguida, com imagens de alguns resistentes que ao longo destes 13 últimos anos fomos registando nas nossas idas a Segirei, sem palavras, apenas com imagem.

 

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Já fizemos a rota do contrabando, já andámos um pouco pela aldeia de Segirei, e deixámos aqui alguns dos seus resistentes, mas as aldeias também se fazem com a sua paisagem e envolvência, é para lá que vamos agora.

 

A ENVOLVÊNCIA PAISAGISTICA

 

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Já sabemos que as paisagens têm o dom de se irem transformando conforme a época do ano. Felizmente por estas terras já fomos umas dezenas de vezes em várias estações do ano onde fomos fazendo alguns registos, com sol, frio, chuva, etc. Penso que só mesmo com neve é que nunca arriscámos chegar até lá, aliás não penso, tenho a certeza, pois com neve nunca fui além de Argemil, e já foi uma aventura.

 

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Na primavera já sabemos que contamos sempre com a exuberância dos vários matizes de verdes, com os amarelos a sobressair e aqui e ali, pontualmente outro colorido das flores co campo, como o lilás da urze e por lá também o da alfazema.

 

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Os outonos e invernos também tem a sua graça na magia de cor, sobretudo no outono onde os vermelhos e amarelos torrados fazem combinações perfeitas, mas também e ainda com os verdes a marcarem presença. Por vezes à flora silvestre também se junta a fauna, mesmo que não seja selvagem, e também o homem, em harmonia, ajudam a compor o ambiente.

 

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Mas também há momentos que pela luz ou falta dela, pela complexidade dos céus nublados, combinados com montanhas despidas, chuvas e ventos, transformam a paisagem, dando-lhe um certo mistério, criando momentos sombrios, às vezes até aterradores e ameaçadores. Eh, a natureza também tem os seus dias, não diria maus, mas diferentes e mais bravios.  

 

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PRAIA FLUVIAL

Com o fator humano e as paisagens pelo meio, perdemo-nos nas horas, mas se bem se lembram, nesta nossa visita/proposta e imaginária,  chegámos a Segirei por volta das 11 da manhã, depois de termos descido a rota do contrabando. Pois para a visita à aldeia e para algumas conversas breves com os resistentes, chega cerca de 1 hora, e já estamos chegados ao meio dia, hora de pensar nas nossas barriguinhas. A nossa proposta é que o almoço se faça no parque de merendas da praia fluvial de Segirei, com o Rio Mente por companhia.

 

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Da aldeia até à praia fluvial pode ir a pé ou de carro, ou ainda de ambas as maneiras, pois uns podem ir a pé e outros de carro. Não é longe mas também não é perto, são cerca de 1.250m de caminho, bom caminho para ambas as hipóteses. Embora o itinerário a pé e de carro seja feito quase em paralelo e muito próximos, quase juntos, para a nossa visita ficar completa e como deve ser,  o trajeto até à praia deverá se feito também a pé. Pelo caminho encontrará as famosas águas de Segirei, ferrosas e levemente gaseificadas, muito idêntica às águas de Vidago. Tem torneira na captação onde poderá beber um copo, que nesta altura da jornada cai sempre bem.

 

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Chegados à praia fluvial, se for de verão, sempre pode dar uma banhoca no Rio Mente. Pouca profundidade, bom para crianças, mas dá para refrescar, pois por ali, mesmo estando boa,  a água é sempre fresca. Quanto à paparoca, de Verão (agosto) o bar da praia costuma estar aberto e prepara umas coisas rápidas, mas bom mesmo é que a paparoca do piquenique já venha meia feita de casa para aqui não ter surpresas de bar fechado e não perder muito tempo em preparativos, mas tem grelhadores de apoio onde, se chegar cedo, poderá confecionar por lá alguns dos alimentos.

 

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E temos a nossa visita concluída, pois na praia fluvial o resto do dia é para descansar e desfrutar. Convém ter umas bejecas frescas para ajudar a passar a tarde.

 

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Penso que se irá tornar hábito aqui no blog o de terminarmos os post’s às aldeias com um vídeo com todas as imagens que já publicámos até hoje. Fizemo-lo com Seara Velha e pela certa vamos continuar, pois aqui fica o de Segirei, com as imagens de hoje e mais algumas dos post’s anteriormente dedicados à aldeia. Espero que gostem e até amanhã, com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

Aqui fica o vídeo:

 

 

Filme, link:

 

 

Link para o vídeo no youtub:

https://youtu.be/P_W0xVyYc2o

 

 

16
Jun16

O Factor Humano - O nosso acampamento

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O nosso acampamento

 

Há uns anos escrevi um curto texto com este título, que dizia o seguinte:

“ O acampamento é uma vida que construímos.

Vamos chegando em momentos diferentes.

Não há tempos de partida,

Apenas retornos a níveis mais profundos,

Aonde vamos habitando sem pressas

E com a tranquilidade de sabermos partilhar.

O acampamento continua quando nos afastamos

E o reconstruimos na memória,

Com a alegria da liberdade.”

 

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Desta vez faltou o Manuel João. No núcleo de quatro, que iniciámos o acampamento em 1987, não é costume haver ausências. Há uma promessa de que não se repetirá a falta.

 

Os outros três, e alguns mais, voltámos às margens do rio Mente. Na nossa mítica Pejas, onde iremos comemorar em 2017, o 30º aniversário.

 

É bom manter os amigos e ir incorporando outros, num grupo heterógeno, na idade e nas ocupações, na residência e no estado civil, na ideologia e na cultura.

 

Há sempre discussões interessantes (este ano sobre a situação da saúde em Portugal, por exemplo), cartas renhidas, cozinhados e “bebinhados”, pesca e ressonares. Há principalmente muitas histórias, muitas memórias, muitos risos. Fala se delas, sem elas…

 

Como é verão, ainda que não pareça, o Sbou reconstrói as cabanas de galhos e fetos. Gasta-se menos lenha, apenas a indispensável para fazer cantar os potes.

 

De tudo o resto, não vale a pena contar, mas ficam vontades de escrever sobre os amigos e sobre as águas.

Dessa vontade, ficam apenas algumas perguntas.

 

Perdeu-se alguém dentro de si mesmo.

Será que ninguém o encontra?

 

E se todo um mar fosse dormir na nascente de um rio?

 

O que se pode pescar numa gota de orvalho?

 

Se alguém encontrasse um rio a correr no mar alto, como seriam as suas margens?

 

Até ao próximo acampamento!

 

Manuel Cunha (Pité)

 

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19
Nov15

O Factor Humano - Equilíbrios entre rio e mente

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Equilíbrios entre rio e mente

 

Quando acaba a pesca, gosto de imaginar o rio Mente a correr, ignorando normas e datas. Estabiliza-me saber ele está lá, constante na sua corrente. Revejo-me na sua persistência de não desistir. Poucas coisas me perturbariam tanto como se um dia o visse seco, ou destruído por uma barragem assassina.

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Rio Mente, em Segirei

Por isso me custam tanto as últimas idas à pesca, na estiagem do Julho, quando o caudal está triste e sumido. Disfarçam-se os cenários pescando ao nascer do sol, quando o orvalho e a temperatura nos iludem da tristeza que se está a anunciar. Outras vezes muda-se a técnica de pescar, procurando nos recantos das sombras, nas águas paradas, ensinar um saltão a dançar e chamar a truta para o baile.

 

É verdade que o mês de Julho funciona como um desmame que nos prepara para um interregno extenso, sem pesca, sem trutas e sem rio.

 

Para mim as primeiras chuvas do outono marcam o fim da etapa mais difícil. Mais do que a pesca, é o rio que me faz falta. As suas águas movem-nos a ambos, estabilizando-nos nos nossos ciclos.

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Rio Mente, em S.Gonçalo

Ao longo dos anos, fui semeando músicas nas margens do rio Mente. Cantor a cantor, canção a canção, fui substituindo as culturas abandonadas, da beira do rio, por poemas que saberia voltar a encontrar no ano seguinte, diferentes como as árvores, diferentes como a água do rio.

 

Com respeito por todos os outros, acho que o rio Mente é meu. Mas estão sempre convidados, por ele, para me visitarem.

 

Manuel Cunha (Pité)

 

 

 

20
Set15

Por terras de S.Vicente da Raia

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 Segirei

Raramente falho aqui no blog. Ontem não apareci e hoje apareço tarde e mal, mas para tudo há uma justificação e eu tenho-a. Pensando como haveria de me justificar, porque isto das justificações é mais complexo do que aquilo que parece, pois parto logo do princípio que o, eu, não aparecer por aqui não tem importância nenhuma, aliás a grande maioria do pessoal que aqui vem nem sabe quem eu sou, nem onde penduro o pote, e isso até pouco importa, pois o que importa mesmo é que neste espaço esteja aqui qualquer coisa das nossas, diferente, todos os dias, senão, lá se vão os clientes… mas, para haver aqui qualquer coisa é preciso cá pô-la e aí, quer queiram ou não, lá terei de entrar eu, pois sou eu que ponho aqui as coisas. E já que assim é, vão ter que me aturar um bocadinho, pois não gosto de ser aldrabão como os políticos. Talvez aldrabão seja muito forte, digamos antes, então, não gosto de faltar à palavra dada (que é a mesma coisa que ser aldrabão, mas é muito mais soft, que traduzido para português (suave), significa mais macio, mas não deixa de ser aldrabão).

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Aveleda

Continuando o pensamento da minha justificação onde eu até nem interesso, vou ter de regressar uns trinta e tal anos no tempo, ao tempo em que estudava filosofia (por obrigação) e com a qual nunca me dei muito bem, tudo por intelectualizar, ou seja complicar, as coisas simples que toda a gente sabe. Mas às vezes, admito hoje, até dão jeito. Pois então, para a minha justificação de ausência regressei às Leis do Pensamento, até Aristóteles e à lógica clássica, até ao Princípio da não contradição em que defende que, duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, ou seja, que uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Pois foi o que aconteceu com a minha ausência, ou seja, uma vez que não estive por aqui, não pude estar aqui – e prontos, estou justificado. E até pode parecer brincadeira, mas é bem mais sério do que aquilo que parece…

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S.Vicente da Raia

Mas vamos ao que interessa, pois sou ciente que, o que querem é mesmo ter por aqui qualquer coisa de novo e, como ainda estamos em fim de semana, os habitués, querem por aqui o nosso mundo rural, aquele que hoje vos deixo um pouco em imagem – terras de S.Vicente da Raia, que sem mais explicações, corroboram a tentativa de hoje haver uma justificação de ausências. Não, fiquem descansados que não vou começar a filosofar outra vez, mas diz-me a experiência que entre as imagens ficam sempre bem umas palavrinhas explicativas, mesmo que pouco expliquem.

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Orjais

Ir até terras de S.Vicente da Raia é embrenharmo-nos ou adentrarmo-nos num mar de montanhas onde, de vez em quando, acontece vida organizada em forma de povoação. Ou era assim, pois embora as povoações ainda existam, a vida organizada nelas apenas resiste aos novos tempos, mas por pouco tempo, pois quando os resistentes partirem para a sua morada definitiva, apenas vai restar o que restar das povoações físicas. Mas pelos vistos isto pouco interessa a quem pode modificar as coisas, senão estejam com atenção ao atual campanha eleitoral que atravessamos (se tiverem paciência para), a dos senhores que são candidatos ao poder e ao destino de modificar as coisas e atentem quantas vezes se vão referir ao despovoamento e envelhecimento rural deste mundo interior…

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Cidadella (Galiza)

Voltemos ao rego e às terras de S.Vicente da Raia que para quem não sabe é constituída por quatro aldeias, a de S.Vicente da Raia, sede de freguesia, e Aveleda, Orjais e Segirei, a mítica Segirei que não podemos separar da sua estreita relação com Cidadella galega que esta sim, nos leva até às entranhas do mar de montanhas da raia.

23
Fev15

Segirei e o trilho do contrabando

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O prometido é devido e cá estamos com a ruralidade do nosso concelho, desta vez com Segirei e arredores.

 

Há lugares e aldeias às quais nunca me canso de ir, embora, confesso, saia delas com algum cansaço, não pelo que os olhos veem mas pelo que as pernas têm de percorrer com a ânsia de nada perder e depois, aquela máxima de que “quem corre por gosto não cansa”, é bonita de dizer mas não é bem verdade, e até pode ser que a nossa alma não saia destas andanças fatigada, mas o corpo sente-as. Não quero com isto lamentar-me, pois não o lamento, aliás deixo sempre qualquer coisa esquecida para ter o pretexto de lá voltar e cansar-me de novo .

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Mas desta vez até tinha a missão de ir mostrar um dos nossos cantinhos mais preciosos a pessoas que se dedicam a caminhadas e querem acrescentar este percurso dos trilhos do contrabando aos seus roteiros de caminhadas organizadas , e este percurso é um daqueles que por mais que a fotografia ou as palavras o elogiem, ficam sempre aquém da realidade de o viver e percorrer in loco. Refiro-me ao trilho do contrabando (também caminho de Santiago) que por cá nós conhecemos como as cascatas de Segirei, embora o percurso das cascatas (de Cidadella) até seja em terras galegas, próximas de Tomonte e Soutochao, mas o percurso completo passa obrigatoriamente por Segirei e só termina na sua praia fluvial onde o riacho (das cascatas) desagua no Rio Mente.

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Percurso que é feito com duas realidades bem distintas — a realidade galega e a portuguesa, pois na realidade galega é um percurso tratado, sempre junto ao riacho, com proteções, pontos de descanso e pequenos parques de estar e merendas, incluindo algumas construções refúgio e grelhadores, enquanto que o traçado português é feito praticamente a corta mato num traçado que mal se reconhece pelo meio do monte, cheio de pedras, sem proteções e distante do riacho que mais parece que ao entrar em terras portuguesas desaparece para só aparecer de novo quando desagua no Rio Mente. Como se não bastasse, quando nos aproximamos de Segirei os despejos de lixo e entulhos junto ao caminho serve de postal de receção à aldeia.

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A sorte para as boas impressões, azar nosso, é que chegados à raia o percurso português parece não existir e como tal quase ninguém o faz, com exceção para aqueles que se dedicam ao caminhar, como era o caso de alguns daqueles que neste sábado me acompanhavam e mesmo assim, os de trás protestavam com os da frente para não bulirem muito com as pedras da “calçada” que depois de ganharem movimento nunca mais paravam. Pena que os nossos autarcas não dediquem um bocadinho do seu tempo a conhecer estas realidades, percorrendo estes percursos que cada vez mais são procurados por grupos de caminhantes que também gostam de apreciar aquilo que se lhes oferece.

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Mas do mal o menos pois sempre temos a aldeia de Segirei pelo caminho e o remate com a praia fluvial junto ao Rio Mente, embora Segirei também esteja longe de ser o que era, mas aqui não tem nada a ver com o tal percurso mas antes por ser mais uma vítima dessa doença contagiosa chamada despovoamento e envelhecimento das populações das aldeias de montanha. Vimos ao todo três pessoas e um cão na aldeia e, mais à frente já a caminho da praia fluvial, um guardador de gado, quatro ou cinco vacas e dois cães.

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Entre a aldeia de Segirei e a praia fluvial, junto ao caminho, existem as afamadas águas de Segirei, ferrosas e gasocarbónicas com características e sabor idêntico às águas de Vidago e das Pedras Salgadas, mas quem não souber que existem e onde se localizam, ninguém dá por elas, mesmo estando junto ao caminho. Antigamente ainda existia por lá uma placa a anunciá-las, agora nem isso. É também um dos locais que estando neste percurso pedonal merecia ter um tratamento com um pouco de dignidade, mesmo porque estando no final do percurso um copinho de água cai e sabe sempre bem e nem sequer seria preciso muito, penso mesmo que com um pouco de boa vontade e uns trocados poder-se-ia dar-lhe a dignidade que merece, mas lá está aquilo que dizia atrás, é preciso ir aos locais para se conhecer estas realidades.

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Quando à praia fluvial é um bom remate de caminhada, a infraestrutura existe com algumas mesas, grelhadores, um bar e instalações sanitárias. No entanto bar e I.S. só abrem de verão e não admira, pois suponho que nos nossos 9 meses de inverno nem as moscas lá param, a não ser alguns como nós que querem conhecer tudo, pois já se sabe que a maioria termina o percurso no miradouro das cascatas, curiosamente onde termina a Galiza e começa Portugal.

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Tirando uma ou outra pedra que entra no sapato, no percurso português, o pessoal que tenho acompanhado às cascatas de Segirei e à aldeia propriamente dita sai de lá satisfeito, e mais satisfeito fica se após a caminha tem passaporte para entrar na casa do Agostinho e da Catarina em S.Vicente da Raia, uns novos rurais que abandonaram o grande Porto para em S.Vicente se dedicarem à criação do porco bísaro e aos enchidos tradicionais “Lugar da Eira”. Como se costuma dizer — é a cereja em cima do bolo.

 

Para terminar fica só uma recomendação para aqueles que, como eu, se dedicam mais à recolha de imagens e não estão habituados às caminhadas – façam este percurso num sábado, pois sempre ficam com o domingo para recuperar forças.

 

 

 

12
Mai14

De regresso à cidade

 

Sim, de regresso à cidade mas, já, com saudades do campo, da natureza, das cores, da primavera, das coisas simples feita com toda a sua complexidade de formas e estruturas selvagens.

 

 

Assim, e já que não posso ter toda estas coisas na cidade, nos dias da semana em que o relógio se sobrepõe a todas as coisas naturais, deixo uma imagem por cada dia de trabalho.

 

 

Cinco imagens com cinco momentos, com o verde de fundo e a provocação das outras cores.

 

 

E flores, muitas, de todas as cores, selvagens, sempre selvagens

 

 

Enfim, ficaria por aqui todo o sempre, mas, temos de regressar à cidade!

 

 

06
Jan14

As cascatas de Segirei

 

 

Há poucos dias atrás fui a Segirei em missão de agradecimento e cumprimento de uma promessa que tinha feito meses atrás e, ir a Segirei e não dar uma espreitadela as cascatas é mesmo como ir a Roma e não ver o Papa e, a comparação não poderia ser mais precisa, pois nem o Papa está em Roma, nem as cascatas estão em Segirei, mas eu já explico.

 

Pois a primeira vez que ouvi falar das cascatas de Segirei foi há coisa de vinte e tal anos atrás, quando andando eu a servir de guia a uns técnicos da comunidade europeia, em Mairos encontrei o Padre Delmino e ele me disse - «leve-os às cascatas de Segirei, aquilo sim é que vale a pena ver». Ora bem, o tempo não era muito e ir Segirei na altura não era pera doce, pois o trajeto mais complicado ainda se fazia em terra batida e de inverno, era uma autêntica aventura ir para terras de S.Vicente da Raia,  e depois, eu desconhecia onde ficavam as tais cascatas, mas ficaram-me no ouvido.

 

 

Vai daí que quando comecei esta aventura do blog, as cascatas de Segirei entraram logo no meu roteiro de descobertas, mas mesmo assim não foi à primeira que me calharam em caminho, mas um dia calharam, e não é que o Padre Delmino tinha razão… aquilo vale mesmo a pena ver, apreciar e desfrutar com toda a calma do mundo, e sempre que vou por lá, todo o tempo é pouco.

 

Só falta mesmo a explicação de as cascatas de Segirei não serem de Segirei, porque de facto não o são, embora entrem quase pela aldeia adentro, as cascatas já estão do outro lado da raia, na Galiza, perto de Soutochão, mas não tanto como de Segirei.

 

 

Ficam três imagens do riacho a correr já apressado paras as tais cascatas, pois essas ficam para uma próxima oportunidade (embora já haja imagens delas neste blog). Já imagens que se podem ver ao longo de umas centenas de metros percorrendo um percurso pedonal que outrora também foi trilho de contrabando, um percurso que também apetece sempre percorrer mesmo não sendo amante de caminhadas. 

 

 

06
Dez13

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

 

O REGRESSO

 

José Carlos Barros


[letra em alexandrinos para uma música do zé alberto. poema dedicado ao luís filipe, ao manel joão, ao miguel e ao pité]

 

 

Tão cedo ainda e já a noite se espalhou

por esta encosta na umbria edificada

que o povo aos campos foi a outra que deixou

para que a luz às vinhas fosse destinada

 

E eis que regresso e sei que é tarde e não importa

ninguém pergunta ao regressar «mas que horas são?»

desço uma rua até ficar parado à porta

onde oiço apenas o bater do coração

 

Entro no pátio no telheiro e vejo a lenha

e sei que o fogo já não tem por onde arder

e olho a luz que vem das vinhas e de espanha

contra uma ausência que não pára de crescer

 

Procuro o amigo e uma mesa e a lareira

procuro o vinho a que a amizade se aquecia

aí ficámos uma vez a noite inteira

e o mundo todo só a nós nos pertencia

 

Alguém pergunta ouvindo os passos «quem regressa?

há muito tempo não regressa aqui ninguém»

e desce a escada e vem à rua e não tem pressa

e espreita a ver «pode lá ser que seja alguém»

 

Não é ninguém porque sou eu e eu estou ausente

e quem espreitou só vê a treva devolvida

ninguém regressa se regressa e já pressente

que no regresso há sobretudo despedida

 

E é o silêncio o que mais pesa nestas casas

a humidade das paredes e dos tectos

o abandono desenhado nas palavras

da reiterada ignomínia dos decretos

 

A própria moura em cidadelhe é o que se diz

esse tesouro que guardava não existe

e que ao invés de ser bonita e ser feliz

no seu olhar já nenhum brilho subsiste

 

Regresso pois por entre a ausência e a vertigem

e ao que regresso ou não regresso já nem sei

eu sei apenas que há lugares que nos exigem

eu sei apenas que regresso a segirei

 

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