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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

19
Ago12

Cruzes

 

E porque hoje é domingo vamos até mais uma aldeia, pois embora apenas vos deixe duas cruzes, que afinal até é a mesma e poderia ser de uma capela ou igreja qualquer, esta é da igreja de Selhariz.

 

 

Fica o contraste de um contraluz e uma sobra. Devaneios de domingo!

 

16
Jan10

Mosaico da Freguesia de Selhariz

 

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Localização:

A 16 km da cidade de Chaves, a Sul desta, no miolo daquele grande triângulo cujos vértices se encontram em Vidago, Peto de Lagarelhos e Chaves, terras do grande Vidago como eu costumo dizer por aqui, numa área interior do concelho e sem visibilidade a partir das 4 grandes ligações rodoviárias a Chaves (EN2, EN103, EN 213 e EN 314), ou seja, é uma daquelas freguesias que não fica na passagem destes itinerários e que para ser conhecida, temos que propositadamente ir lá. Hoje, felizmente, com uma rede estradas e caminhos municipais, que com novos rompimentos e a pavimentação das vias existentes já permitem uma visita à freguesia quando alguma dignidade, coisa que há 20 ou 30 anos atrás não acontecia.

 

Confrontações:

Confronta com as freguesias de Oura, Vidago, Vilarinho das Paranheiras, Vilas Boas e Loivos, todas do concelho de Chaves.

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Coordenadas: (Adro da Igreja de Selhariz)

41º 38’ 07.70”N

7º 32’ 05.50”W

 

Altitude:

Variável – acima dos 400m e abaixo dos 550m

 

Orago da freguesia:

Nossa Senhora da Expectação

 

Área:

8,55 km2.

 

 

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Acessos (a partir de Chaves):

– Com partida do Raio X, tanto podemos tomar a EN 2 como a EN 314. A partir dessas duas estradas, são várias as alternativas que se podem tomar para chegar até à freguesia de Selhariz, no entanto, para quem não conhece a nossa malha viária de estradas e caminhos municipais, o melhor será mesmo seguir os itinerários principais que obrigatoriamente nos levam até Vila Verde de Oura, e só a partir de aqui, é que entramos na freguesia de Selhariz. Ou seja, se tomarmos a Nacional 2, teremos que ir até Vidago e ali apanha-se a E.N.311-3 em direcção a Loivos, até Vila Verde de Oura. Se a opção for a Estrada Nacional 314 , no Peto de Lagarelhos tomamos a mesma E.N. 311-3, mas agora em direcção contrária, até Vila Verde de Oura.

 

Acessos (a partir de Vidago):

– A Estrada Nacional 311-3, até Vila Verde de Oura. Existe uma outra ligação interior pela E.M. 549, com início junto à Escola Secundária de Vidago, que faz ligação também à freguesia de Selhariz, via Valverde, aldeia já pertencente à freguesia.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Selhariz

            - Fornos

            - Valverde

            - Vila Rel

 

Vila Rel (Rei ?) embora conste oficialmente como uma aldeia da freguesia, nunca passou de um lugar com um pequeno conjunto de 3 ou 4 casas com igual número de famílias. Será fácil compreender assim, ter sido a primeira vítima do despovoamento total do lugar. Hoje em Vila Rel só existem ruínas quase que cobertas pelas silvas e mato, que deixam uma ténue memória de ali em tempos ter existido vida.

 

Fornos, é outra pequena aldeia, com meia dúzia de casas e outras tantas famílias. Não disponho dados actualizados, mas em 1991, a sua população residente já se limitava só a cerca de 30 pessoas.

 

Valverde e Selhariz, são as duas “grandes” aldeias da freguesia

 

População Residente da Freguesia:

            Em 1900 – 415 hab.

            Em 1920 – 388 hab.

Em 1940 – 515 hab.

            Em 1950 – 593 hab.

            Em 1960 – 585 hab.

            Em 1981 – 407 hab.

Em 1991 – 315 hab.

            Em 2001 – 311 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura, floresta, pastorícia, tudo em pequena escala e explorações familiares e, bem longe, da actividade dos meados do século passado…

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

Se a interioridade da freguesia a torna um convite constante à partida dos seus filhos, também é a mesma que lhe dá algum interesse natural e paisagístico.

 

É um freguesia em que o abandono é bem notório. Excepção para a sede de freguesia, a aldeia de Selhariz,  que ainda mantém muita vida, com gente nas ruas, uma Associação Cultural e Recreativa em actividade e existente desde 1960 que conta com um Rancho Folclórico que tem abrilhantado diversas festas da região, marcando também presença habitual em diversos eventos levados a efeito em Chaves.

 

Mas vamos a um pouco da história possível da freguesia, que ao contrário da grande maioria das freguesias do concelho, esta, não é nada rica em vestígios e achados arqueológicos, pelo menos em toda a literatura possível que encontrei sobre a freguesia, não há menção de vestígios ou achados arqueológico na freguesia. No entanto, a toponímia garante de certa forma um povoamento anti-medieval, a crer mesmo pelo topónimo Selhariz, que segundo dizem os livros, será provavelmente genitivo antroponímico de origem germânica, que talvez remonte ao tempo da reconquista afonsina, de D. Afonso III de Leão. Já são no entanto relevantes as notícias documentais e arqueológicas respeitantes à época baixo-medieval. Valderde, por exemplo, terá recebido “carta de foro” datada de 1259, por acção do arcebispo de Braga, D. Martins Geraldes.

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Foto de arquivo incluinda no post de Selhariz

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Na altura da minha última visita a Selhariz, referiam-me a existência de vestígios de um castelo junto à igreja paroquial, e ainda visível em alguns componentes de uma casa de habitação. De facto, segundo defendem alguns autores, tratar-se-á dos restos de uma torre senhorial já noticiada  nas “Memórias Paroquias de 1758” e cuja edificação se atribuía popularmente (já nessa altura) “aos mouros”. Hoje restam ténues vestígios dessa torre em algumas paredes espessas (cerca de 1 metro de largura) das quais também o betão se foi apoderando do local, adossando-lhe construções. Hoje só uma fértil imaginação conseguirá ali ver uma torre senhorial e mais fértil ainda, para ali imaginar um castelo.

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Foto de arquivo incluida no post de Fornos

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Seja como for, bem junto a esse local, está a Igreja Matriz, com uma traça setecentista, bem simpática por sinal, pena a fachada principal esbarrar quase contra a fachada de outra construção fronteira, formando entre elas um estreito corredor que tira parte da “simpatia” à Igreja, que invoca a Nossa Senhora da Expectação, tornando o seu alçado lateral direito, como o mais simpático e único inteiramente visível, em frente ao qual se desenvolve o adro da igreja. Mas se por um lado as construções vizinhas “abafam” a igreja, por outro dá-lhe um certo romantismo, principalmente no acesso secundário ao recinto que se faz por um pequeno portão que para atingi-lo, praticamente quase se passa pelo pátio de uma das mais belas construções típicas e tradicionais do granito, embora velhinha.

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Foto de arquico incluida no post de Valverde

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Também se realçam na freguesia algumas casas de cariz senhorial, uma em Valverde, com uma belíssima chaminé, e duas contíguas em Selhariz, esta transformadas em turismo de habitação. Mas destas casas e no que diz respeito a cada aldeia jé em tempos prestamos aqui constas, no seu respectivo post alargado que cada uma das aldeias teve, incluindo a de Vila Rel (ou Rei – a eterna dúvida), que fica na história do concelho como a primeira aldeia vítima do despovoamento total no Século XX, vitima das políticas centralistas da capital ou capitais e sedes do poder. Tudo a junto e ao molho, como um rebanho, é mais fácil de governar… quem fica para trás, é tratado com ronha como se de uma ovelha negra se tratasse.

 

 

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Foto de arquivo incluida no post de Vila Rei(l)

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Link para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Selhariz

 

- Fornos

 

- Valverde

 

- Vila Rel ou Rei

 

 

 

 

E por hoje é tudo. Amanhã prometemos tradição. Entretanto hoje no Devaneios também há ruralidades.

 

 

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05
Jul09

Selhariz - Chaves - Portugal

 

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Costuma-se dizer que à terceira é de vez, e assim aconteceu com Selhariz, pois nas anteriores tentativas de fotografar Selhariz, não o consegui, da primeira vez porque o temporal de chuva não mo permitiu e da segunda, problemas com a máquina fotográfica, fizeram com que voltasse sem fotos, mas não foram idas em vão, pois, é sempre agradável passar por esta aldeia e sempre fui anotando pormenores a fotografar para a derradeira visita fotográfica.

 

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Embora Selhariz não fique nos itinerários de passagem para os principais pontos do concelho ou por ela passe uma das estradas principais, amiúde, faço ou forço com que calhe nos meus itinerários, pois através de Selhariz consegue-se fazer uma das viagens mais interessantes dentro do nosso concelho.

 

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Ir de Chaves até Vidago, ou vice-versa,  pela Auto-Estrada, pela Nacional 2 ou via 314 com desvio para Loivos, é coisa corriqueira, já muito batida em que quase ou nada de interessante se vê, talvez com uma excepção para o trajecto 314/Loivos, mas fazer Vidago-Chaves ou vice-versa, via Selhariz, com viagem forçosamente mais demorada, já não é para todos, primeiro porque tem de se conhecer o trajecto, depois, porque nem todos apreciam velocidades lentas de apreciação da paisagem, que muitas vezes nos obriga a parar, principalmente se forçarmos também o nosso itinerário a uma passagem por Santa Bárbara e Ventuzelos, sem deixar de deitar olho a Vilas Boas ou parar, para entre sobreiros, espreitar para Loivos ou mais além, até terras de Agrações quase que camufladas ou diluídas por completo na Serra da Padrela. São daqueles lugares onde dezenas de vezes já parei, são os meus miradouros de mirar em êxtase a beleza com que a natureza nos quis brindar, e desses lugares de mirar belezas, há umas boas dezenas deles no nosso concelho, basta descobri-los.

 

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É assim que Selhariz tem calhado no meu caminho e vai continuar a calhar enquanto a vida me calhar também.

 

Em tempos neste blog fiz uma divisão territorial (a minha maneira) onde uma dessas regiões, ligada por características semelhantes, era o grande triângulo de Vidago, triângulo esse com vértices em Vidago, Chaves e Peto de Lagarelhos. Selhariz fica dentro desse triângulo, mais perto de Vidago que de Chaves e com Vila Verde de Oura ou Fornos, como vizinhos mais próximos.

 

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A SW de Chaves, Selhariz dista desta 16 quilómetros, distância oficial, pois poderá ficar mais distante ou mais próxima, conforme o caminho, já de Vidago, em linha recta, são apenas 3 quilómetros, por estrada, cresce mais 1,5 quilómetros.

 

Selhariz é rodeada por importantes manchas verdes de pinheiros, que têm resistido aos fogos, pese embora recentemente nas proximidades tivesse ocorrido um incêndio (entre Fornos e Valverde), mesmo assim, vão-se mantendo, mas a principal actividade da aldeia ainda é a agricultura.

 

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Selhariz é sede freguesia, à qual pertencem as povoações de Fornos, Valverde e Vila Rei(l) e embora em Selhariz, aldeia, ainda haja muita vida e gente nas ruas, tem na sua freguesia a primeira aldeia desabitada do concelho – Vila Rei ou Rel. Certo que era um pequeno aglomerado ou nem isso, de casas, mas onde viveram algumas famílias e ainda continua a constar oficialmente como uma aldeia do concelho. Hoje aldeia fantasma, pois não tem gente e as suas casas estão em ruínas.

 

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Vila Rei ou Rel sem gente que contrasta com a vida que Selhariz tem, vida de fazer inveja a muitas aldeias e a muitas freguesias embora os números (da freguesia) até digam o contrário, pois os 311 habitantes residentes actuais (Censos 2001) andam bem longe dos 593 habitantes de 1950, quase metade, mas temos que contabilizar esta perda contando com as restantes três aldeias da freguesia, incluindo a que desapareceu.

 

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Um sinónimo de vida nas aldeias, são os cafés que têm portas abertas e se há aldeias ou quilómetros de estrada onde não se encontra um único café, em Selhariz vi pelo menos três, com portas abertas em com gente, um deles, suponho ser de uma Associação que penso será a mesma que tem um grupo de Danças Tradicionais ou Rancho Folclórico, se preferirem. Associações e grupos de danças que são também sinónimo de vida e salutar, das aldeias, grupo que aliás é comum vir à cidade mostrar como se dança.

 

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Quanto ao casario, há uma mistura de casario típico e tradicional em granito, novas intervenções, algumas intervenções de meados do século passado mas também casario com alguma nobreza, senhoriais e centenárias, com pátios interiores e convertidas em casas de Turismo Rural e conhecidas pela Casa de Selhariz e pela Casa da Lai, mas não é da nossa Lai blogueira de Valdanta, esta é da Lai de Selhariz. Casas turísticas, bem no centro da aldeia mas também dentro do sossego e interesse que os nossos centros das aldeias têm. Não tive oportunidade de conhecer estas casas no seu interior, mas pela certa que serão interessantes, pelo menos pelo que deixam transparecer desde o exterior, mas também pela sua história.

 

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De facto a História de Selhariz parece ter sido rica, havendo ainda por lá restos de uma torre medieval e uma casa cujos beirais (parte deles) são compostos por cachorrada idêntica à que se encontra nas nossa Igrejas Românicas e no meio de uma quinta, uma curiosa adega adornada com um brasão.

 

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De facto, fazem menção os historiadores locais, que em toda freguesia é envolvida por castros com povoamentos pré históricos ou proto históricos, mas indica-se como data mais provável do actual povoamento de Selhariz o Século IX e associado às famílias do Bispo Oduário como associado está à história da aldeia o nome de um homem rico que dava pelo nome de Sallaricirs, que casou com D.Oura. Seria deste Sallaricirs que Selhariz teria retirado o topónimo. Existem contudo também referências a que estas terras teriam sido de um herói visigodo que dava pelo nome de Salarico e a ele lhe é atribuído o castelo que por Selhariz teria existido. Não sei se este Salarico será o mesmo Sallaricirs de D.Oura, qual a relação deles com o Bispo Oduário onde a páginas tantas também aparece Afonso III das Astúrias que dizem ter povoado algumas vilas nos limites de Chaves…admito que toda a pouca literatura dispersa que existe sobre a história de Selhariz é confusa e suportada por hipóteses, não havendo (que eu saiba) documentos que possam confirmar a veracidade das hipóteses levantadas, mas tudo indica que coisas importantes estão ligadas à aldeia e que por lá, há vestígios de alguma coisas importantes, lá isso há… mas como eu não sou historiador e só me dedico a coisas sem importância e nomes esquecidos pela história, fico-me por aqui.

 

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Os ilustres historiadores locais, pela certa terão uma palavra a dizer sobre o assunto, eu, só fiquei mesmo curioso foi em saber o que faz o raio de um Brasão na parede de uma adega. Já sei que Selhariz é terra de bom vinho, mas não seria caso para tanto. Existem também referências a um brasão de armas, que segundo a literatura que existe parece estar associadas às casas senhoriais da aldeia, e talvez esteja e delas tivesse sido retirado quando essas casas (hipoteticamente) mudaram de dono, pois era usual retirarem-lhe ou destruir o brasão de família, contudo consultado o mestre dos brasões, J.G.Calvão Borges, o mesmo brasão, que actualmente se encontra na tal adega, é referenciado pelo autor como pertencente à família Sousa Machado, podendo os Sousas ser do Prado ou de Chichorros no entanto o especialista diz que o filete usado no brasão é dos Sousas de Arronches, mas rodeado que está de silvas, mais parece dos Sousas e Silvas... Claro que a culpa foi do pedreiro que pelos vistos confundiu o filete dos Chichorros com o dos Arronches. Resumindo, o brasão é da família Sousa Machado, mas não está colocado numa casa senhorial, mas numa adega, que pela certa já teve bom vinho, pois hoje, já não há por lá vinho, pois a quinta, está praticamente abandonada.

 

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E resta-nos a religião e a padroeira, que é a Senhora da Expectação, no entanto, na minha última deslocação à aldeia (no dia do Corpo de Deus) estava anunciada a festa de Santo António para o fim de Semana, ou seja mais uma aldeia, com santa padroeira diferente do santo da festa.

 

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E por terras de Selhariz hoje é tudo, mas em breve fará por aqui outra passagem, com o mosaico da freguesia e as 4 aldeias da freguesia: Selhariz, Fornos, Valverde e Vila Rei, Rel ou também Real ou como alguém de Vila Boas uma vez me disse, é Vila Reles, que já nem sequer existe.

 

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