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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

29
Jul19

Soutelo - Chaves - Portugal


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Soutelo

 

E chegou a vez de irmos até Soutelo, uma das aldeias da periferia da cidade de Chaves, mas nem por isso perde a sua ruralidade, basta entrar nela para nos sentirmos numa aldeia genuinamente transmontana.

 

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Por sinal uma das aldeias mais afamadas do concelho de Chaves, pelo menos até há 40 ou 50 anos atrás, tudo pelos seus teares, as suas tecedeiras, as suas mantas, mas não só.

 

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Como Soutelo já passou por aqui algumas vezes e já dissemos tudo o que tínhamos a dizer sobre a aldeia e freguesia, passemos aos teares, às tecedeiras e às mantas, ou ausência delas, baseado num projeto académico que não passou disso, e quando muito poderá estar perdido numa estante qualquer.

 

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“Nós, portugueses, estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado. E (se) não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância.”

 

Jorge Dias

(A Etnografia como Ciência)

 

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Como naturais e residentes neste concelho de Chaves, fomos assistindo nestas últimas décadas ao despovoamento das aldeias e ao perder de tradições e saberes que eram parte da vida quotidiana da sociedade rural. A esta situação não foi estranho o novo sistema político democrático introduzido em Portugal a partir de Abril de 1974, onde socialmente passou a haver mais justiça e igualdade, mas também onde economicamente foram abertas as fronteiras a novas oportunidades e novos empreendimentos localizados no litoral e junto às grandes cidades, que ofereciam às pessoas um garante de vida mais eficaz e justo, rodeadas de todas as infraestruturas sociais básicas como as da educação, saúde, habitação, transportes e acesso à cultura, lazer para os tempos livres  e oportunidades. Em suma fez-se a revolução e saiu-se de um sistema ditatorial para entrar diretamente em democracia e liberdade plena sem que estruturalmente se estivesse preparado para viver um novo sistema político e mais tarde uma adesão à Comunidade Europeia, com todas alterações prévias que se exigiam e impunham de modo a combater uma real assimetria e desigualdade existente em Portugal entre o litoral e o interior e sem saber quais as consequências futuras ou a sua sustentabilidade. Pois todo este conjunto de fatores teve as suas consequências, tendo-se agravado as assimetrias já anteriormente existentes e que hoje, passados 38 anos, deixaram as suas mazelas nas zonas interiores rurais devido a um êxodo massivo da população mais jovem,  para os grandes centros e litoral ou para a emigração, indo agravar também aí a qualidade de vida e justiça social que inicialmente se mostrava promissora para um futuro melhor.

 

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É certo que no mundo rural quase não havia condições de vida dignos e toda a vida das pessoas andava na prática à volta da subsistência, com muito trabalho árduo em que um sistema político fechado ao exterior obrigava também as populações a serem autossuficientes, criando toda uma economia local de produção dos artigos e produtos quase e apenas para as suas necessidades. Existia toda uma economia do utilitário onde o acessório e o dispensável não tinham lugar nem razão de existir, onde as profissões existiam dependentes umas das outras e conforme as necessidades.

 

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Com o novo sistema político e a abertura económica à novos empreendimentos e comércio exterior, passaram a existir no mercado todos os produtos que satisfaziam as necessidades mais básicas da população,  com boa aparência, alguma qualidade e a um preço baixo ou muito acessível, provenientes quer do exterior quer de fabrico ou produção nacional  e que, aos poucos, foi matando toda uma série de atividades artesanais e respetivas profissões, sem ter havido a mínima preocupação de preservar, modernizar e reconverter/adaptar todas as atividades, profissões e produções artesanais que existiam, de modo a serem um garante de vida das populações envolvidas nessas atividades, permitindo também assim a sua fixação nas suas terras de origem.

 

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A consequência foi o abandono das aldeias, da agricultura e de uma série de atividades e profissões, algumas seculares. Abandono esse que se fez sentir essencialmente na população jovem e ativa, trazendo como consequência o envelhecimento da população rural do interior, a mesma que detém ainda os saberes de uma série de atividades artesanais e que, com o abandono da população jovem, perdem também os aprendizes a quem poderiam transmitir as tradições e saberes.

 

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Devem ser raras as famílias do concelho de Chaves ou de toda a região interior norte, onde, ainda hoje, não haja uma peça artesanal de barro preto de Vilar de Nantes ou de Bisalhães, uma toalha ou lençol de linho , uma colcha de algodão, uma manta de lã, uma passadeira ou tapete de tiras, uma cesta de vime … coisas que passaram dos avôs para os filhos ou netos, muitas vezes feitas pelos próprios avôs ou compradas na feira semanal da vila ou cidade mais próxima.

 

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A cidade de Chaves, graças à sua localização geográfica, sempre foi conhecida pelas suas feiras semanais, culminando na grande feira anual (Feira dos Santos) onde ao longos dos tempos esses produtos utilitários e artesanais fabricados na região eram comercializados ou trocados. Eram famosos os barros pretos de Vilar de Nantes, não só pela sua qualidade e resistência, mas também por apresentar uma gama variada de peças utilitárias de uso diário na vida das famílias, como as talhas de vários tamanhos, as travessas, assadeiras ou alguidares, também de vários tamanhos, os púcaros, os tachos, as cafeteiras, pratos, etc. Tudo que era de uso comum, no dia a dia das famílias,  que pudesse ser feito em barro, Vilar de Nantes fazia-o e tanto assim era, que em Vilar de Nantes, em todas as famílias, havia oleiros ou cesteiros, que era outra das atividades da aldeia.

 

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Também ao nível do utilitário e do utilitário-decorativo, as roupas, tapetes, cobertas, colchas e mantas, entre outros, ao longo dos tempos eram confecionadas um pouco por todas as aldeias, embora houvesse aldeias que tinha melhores condições naturais para desenvolver determinados tipos de trabalhos, como os das mantas, trepadeiras (passadeiras e tapetes), liteiros e cobertores.

 

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A aldeia de Soutelo foi uma das aldeias que sobressaiu na confeção de mantas, cobertores, liteiros, trepadeiras e atoalhados, mas principalmente pelas mantas e cobertores, Soutelo ficou famosa em todo o Norte de Portugal, de onde vinha gente de todas as localidades para comprar as “mantas de Soutelo” nas feiras semanais, mas principalmente na feira anual dos Santos, que até tinha o dia 30 de Outubro dedicado à venda exclusiva destes produtos e daí esse dia ficar conhecida como o da feira da lã.

 

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Toda a freguesia de Soutelo que é composta por duas aldeias (Soutelo e Noval) vivia à volta do tear, direta ou indiretamente, pois se as mulheres se dedicavam ao manuseamento da lã, linho, algodão e do tear, os homens tratavam da matéria-prima, com o cultivo do linho e toda a transformação até chegar a fio de tear, ou com os rebanhos de ovelhas para delas retirar a lã e fazer o seu tratamento. Reza a história ainda recente que rara era a casa da freguesia de Soutelo onde não se tecia ou houvesse um tear e,  segundo testemunham ainda hoje na freguesia, não tinham mãos a medir, pois além das peças para satisfazer as necessidades das próprias famílias, havia as vendas das feiras e as encomendas das populações de outras aldeias que não se dedicavam ao tear, havendo aqui um sistema de trocas em que a lã, o linho ou o algodão eram fornecidos por quem encomendava e as tecedeiras de Soutelo confecionavam as mantas, cobertores ou o que fosse solicitado, tendo ainda direito a uma compensação monetária e/ou de produtos agrícolas que não produziam, por exemplo azeite.

 

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Hoje ainda existem alguns teares e tecedeiras em Soutelo, mas os teares estão desmontados ou parados e as tecedeiras fazem parte da população mais idosa da aldeia, mas não é por essa razão que os teares já não tecem, mas antes,  porque ao longo dos anos foi perdendo os mais jovens e a mão de obra para tratar da matéria prima mas também porque terminou a procura dos seus produtos, tudo graças a tecelagem industrial que inundou o mercado com produtos aparentemente idênticos a preços baixos.

 

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Abordada a história da tecelagem na freguesia de Soutelo e detetada a origem do seu abandono, eis-nos então chegados ao nosso projeto,  que terá como objetivos gerais a recuperação da arte da tecelagem e da fama que Soutelo ostenta na sua história. Claro que com estes objetivos principais se pretende também alcançar outros objetivos mais específicos e de ordem cultural e social,  como o de travar o despovoamento da freguesia e se possível o repovoamento, ocupar o tempo livre de reformados e da terceira idade em geral, arranjar uma ocupação/trabalho para desempregados e jovens à procura do primeiro emprego. (…)

 

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Isto eram algumas das palavras de introdução ao “projeto”.  No projeto seguiram-se as técnicas, teorias e outros a ter em conta neste género de projetos de âmbito social, a parte técnica por assim dizer que não tem muito interesse para este post, daí passarmos diretamente às conclusões do mesmo.

 

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Nunca tanto como hoje em dia se tem falado em crescimento, desenvolvimento ou ambas, acrescentadas da palavra sustentável. A economia, os livros, as teorias, exploram até à exaustão os termos e os conceitos. Por lá encontra-se o que se deve e não deve fazer, existem até alternativas conforme os pensamentos liberais, conservadores ou mais radicais para, teoricamente, por caminhos diferentes, se alcançar o mesmo objetivo. Está tudo nos livros, nas cabeças dos teóricos, e de tão preocupados que andam com esses assuntos e as suas teorias, esquecem-se de descer à terra, à realidade, ou melhor – às realidades -  aos povos e povoados, ao ser humano. Depois as teorias falham por causa disto, por causa daquilo, pela alavanca que não alavancou, etc.

 

Sempre gostamos de complicar aquilo que é fácil e tal como na fábula da “Galinha dos Ovos de Ouro”, em vez de nos preocuparmos em manter a galinha para ter o precioso ovo de ouro diário, matamo-la para dela tirar todos os ovos de uma vez, e acabamos por ficar sem eles.

 

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No projeto que se deixa queremos manter a galinha viva, que embora já não ponha ovos, queremos que ensine os filhos e netos a pô-los, e já nem se querem de ouro, mas dos normais, daqueles que se podem partir e com eles fazer ovos estrelados ou  omeletes.

 

Infelizmente trata-se de um projeto académico (…) baseado num caso real. Soutelo existe, as tecedeiras e os teares também, mas nem as tecedeiras nem os teares tecem. (…)

 

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E para finalizar, fica aquele que já vem sendo habitual na abordagem às nossas aldeias, um vídeo com a maior parte das fotografias publicadas até hoje neste blog sobre a aldeia que aqui trazemos, no presente caso a aldeia de Soutelo.

 

Link direto para ver no youtube:

https://youtu.be/jwk2fZuc9dE

 

 

 

 

14
Mar15

Soutelo com memórias - Chaves - Portugal


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Estava práqui a magicar o que dizer sobre a nossa aldeia de hoje. Coisas que não tenha dito ainda. Pois cada vez que toca a trazer aqui Soutelo vem-me logo à lembrança as “mantas de Soutelo”, ou seja o passado. Aliás cada vez que abordo as aldeias é inevitável regressar ao passado e, de cada vez que há referências ao passado há sempre umas palavrinhas de Eugénio de Andrade que também me vêm logo à lembrança, umas que algures num poema a alturas tantas diz: “O Passado é inútil como um trapo. E já te disse: as palavras estão gastas. Adeus.” No seu contexto estas palavras têm a sua graça e razão de ser, mas fora dele são cruéis como punhais. Bem, parece que hoje só me surgem frases feitas, ainda por cima infelizes no seu contexto ou no contexto de hoje, pois também sempre me intrigou o porque do Chico Zé detestar tanto os olhos verdes. Às tantas … e com isto só me desvio do essencial – Soutelo. Regressemos lá, então!

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E lá terá de ser mais uma vez o regresso ao passado e se repetidamente o faço, é porque tenho memória, a mesma que me permite viver o presente e tomar decisões para o futuro. Essas memórias do passado levam-me sempre a aldeias com gente, com vida, com crianças, com escolas, com tradições, com saberes, com tudo isso que costumo por aqui trazer. Contudo, noutros gavetões da memória também tenho outros registos, que também convém não esquecer, pois para que não conheceu as aldeias antes do 25 de abril ainda poderá pensar que as aldeias eram um paraíso e, se nas memórias boas até o eram, nas memórias más está um registo que é um verdadeiro inferno, de misérias, de muito trabalho só para se subsistir quando não era mesmo escravatura, de muita santa ignorância, de muitas injustiças e poucas liberdades. Memórias más, algumas tão inacreditáveis que se não fossem tão infelizes poderiam ser uma autêntica anedota.

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Tudo isto para regressar a Soutelo e às suas famosas mantas e teares, pois sempre que me refiro às mantas e tecelagem é com alguma angústia de se ter perdido essa arte e esse meio de vida ao qual também estavam associadas muitas tradições, saberes e “festas” de serões, mas também não se podem esquecer as más memórias que transformavam as famílias em autênticas escravas dos teares, e por isso, ter sido um alívio o poder deixá-los esquecidos num canto lá da casa, mesmo que hoje ainda se recordem com saudades.

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Mas tudo poderia ser diferente se, em vez de se acabar com os teares e a tecelagem,  se tivesse apostado na modernização e rentabilidade dessa arte, mas essa aposta não competia a que foi obrigado a abandonar a arte, mas aos mesmos de sempre, aos de Lisboa e seus imitadores de província. Já agora, que às vezes entendem-me mal, fica aqui o esclarecimento em relação a Lisboa, cidade que sempre me encantou e que também tem boa gente, muita dela ida daqui de Atrás-dos Montes ou de outros interiores. Quando me refiro aos mesmos de sempre, aos de Lisboa, incluindo também alguns que daqui foram e continuam a ir, refiro-me àqueles que enviados por nós, mal atravessam o Douro esquecem logo o engaço e as carabunhas.

 

 

06
Set14

Soutelo - Chaves - Portugal


 

 

 

As fotografias congelam um momento que ao ser fotografado se transforma em passado, num documento que, com o passar do tempo, quanto mais antigo for mais precioso vai ser e mais completa, mais precisa será a história a fazer sobre esse momento.

 

 

Sem qualquer dúvida que aquilo que disse atrás é verdadeiro, teoricamente verdadeiro, pois acontece que muitas das vezes estamos a fotografar a própria história em que o momento fotografado já é ele mesmo pertença do passado.

 

 

Um tear que já não tece, uma porta que já não se abre, uma casa que nada abriga, são coisas do passado que o presente ainda deixa ver…

 

 

 

14
Jul13

Pormenores de Soutelo - Chaves - Portugal


 


Hoje vamos até aquela que foi a capital das mantas e da tecelagem – Soutelo.


 


Desde pedra cortada e aparelhada que ergue as paredes das casas que dão abrigo as pessoas que gastam o chão das calçadas, de pedra, que os levam pelos caminhos da aldeia, eis o império do secular granito que há muito deixou de ser o simples adorno das montanhas vizinhas.

 



E com esta me vou, com o descanso da cesta à espera de um braço que a abrace e a leve à colheita dos frutos maduros.



01
Ago12

As mantas de Soutelo


“Nós, portugueses, estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado. E (se) não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância.”

 

Jorge Dias

(A Etnografia como Ciência)

 

Vamos lá então ao assunto que ficou pendente, e é mesmo disso que se trata, de muitos assuntos que foram ficando pendentes ao longo do tempo e que de tão pendentes que ficaram, esqueceram e estão em vias de esquecer para todo o sempre.



 

A fotografia que vos deixei no último post é de uma das afamadas mantas de Soutelo, uma daquelas que em tempos se faziam em quase todas as casas de Soutelo e que, durante todo o ano mas principalmente na feira da lã do dia 30 de outubro da Feira dos Santos eram procuradas por gente de cá, mas muito mais por gente que vinha de fora, de longe, de todo o norte de Portugal e de Espanha. E assim foi sendo até aos inícios dos anos 80. Depois, bem depois vieram as “mantas” por atacado das fábricas, daquelas que se comprava uma e levam-se três para casa, mais um guarda-chuva, mais uma toalha, 10 pares de meias, um pincel e um plástico – tudo ao preço de uma manta. Eram os chineses da altura, também com material da mesma qualidade, que ao contrário das mantas de Soutelo que duravam décadas, os plásticos oferecidos partiam-se na primeira utilização e o guarda-chuva, com sorte, fazia um inverno.



D.Palmira Valtelhas - Antiga tecedeira de Soutelo - 70 anos, ainda com tear montado

Com a concorrência que levou à falta de procura das mantas de Soutelo, mas também das toalhas de linho, das trepadeiras (tapetes), dos liteiros, e de tudo que ia ao tear para utilidade da casa, morreu toda uma tradição mas também toda uma economia que vivia à volta do tear e o que era ocupação da aldeia(s) e de toda a sua gente, pois tudo era produzido na aldeia ou nas restantes aldeias do concelho, desde o cultivo do linho nos campos, passando pelo seu tratamento até chegar a fio de tear, aos abundantes e grandes rebanhos de ovelhas que davam a lã para os cobertores e mantas além de uma série de outros produtos, trabalhos e profissões que se repetiam um pouco por todas as aldeias do concelho e concelhos vizinhos, que com a tecelagem, mas também com outras artes como a olaria do barro preto de Vilar de Nantes, a cestaria, a latoaria, etc., etc., etc.. Toda uma gama de profissões das quais viviam as populações rurais mas também a cidade ao comercializá-las. Mas tudo acabou com a modernidade das últimas 2 a 3 décadas. Resta-nos a fama do presunto de chaves sem presunto ou as réplicas do barro preto de Vilar como quem vende gato por lebre, mas o que mais revolta é que toda a gente assistiu à morte lenta destas atividades artesanais e de vida das populações,toda a gente assistiu à partida dos aprendizes, ao despovoar das aldeias, à invasão dos terrenos de cultivo pelo mato e ninguém fez nada, mas atenção, entenda-se por “toda a gente” aquela que tinha responsabilidades e obrigações em não deixar que tal acontecesse e, essa  gente, é a mesma do costume, políticos e os outros, os que têm outros interesses, interesses simplesmente económicos, em suma,  os que na verdade mandam.



D.Isaura Teixeira da Cruz - Antiga tecedeira de Soutelo - 90 anos, montrando uma das mantas que teceu.


A modernidade era inevitável, mas em vez de se ter assistido à sua entrada e ir atrás dela que nem um maluquinho atrás da banda de música, devia-mos ter feito parte dela, ser parte da banda e da modernidade, tocar os nossos instrumentos, mas, claro, já se sabe que à frente da banda vai sempre o maestro que a rege e na casa da banda há aqueles que angariam e os concertos e que dão condições para que a banda exista, pois aos músicos está reservado fazer aquilo que melhor sabem fazer – tocar. A nós faltaram-nos os maestros e o trabalho de casa que, de tão ocupados que os responsáveis andavam a tratar das ar€ias, dos cim€ntos e do f€rro para o b€tão armado fazer crescer a(s) cidade(s), se esqueceram dos nossos músicos que esquecidos, deixaram enferrujar os instrumentos, mas que ainda sabem tocar… os mais novos foram tocam para outras bandas e os mais velhos, sonham com o ensinar alguém a tocar para ver se conseguem nova banda com maestro.



D.Isaura Teixeira da Cruz - Antiga tecedeira de Soutelo - 90 anos, montrando uma das toalhas em linho que teceu.


Mas voltemos às mantas e a Soutelo onde ainda há muitas tecedeiras mas nenhum tear a funcionar.

 

Num livro publicado por Luís de Carvalho (2008), intitulado  “Tecelagem Flaviense”. O autor fez o levantamento das tecedeiras do concelho onde, nas últimas décadas, havia 39 tecedeiras só na freguesia de Soutelo, das quais 16 ainda com vida. Em Abril deste ano tive oportunidade de entrevistar algumas tecedeiras de Soutelo e a listagem das 16 tecedeiras ainda vivas mantem-se atual. Nas entrevistas realizadas todas as tecedeiras gostariam de ver a tecelagem de volta à freguesia e também de ensinar quem quisesse aprender. No entanto, como em tudo, há a considerar o fator tempo, pois a entrevistada mais nova tem 70 anos e a mais idosa tem 90 anos. Dizem os livros do campo económico e social que para um projeto ser sustentável  e ter sucesso,  tem de envolver as populações locais. Talvez em vez de se inventarem projetos para desenvolver isto e aquilo sem ouvir as populações e que não vão de encontro às suas necessidades e anseios, acabando sempre em projetos fracassados (ou meras intenções de projeto), se devesse apostar antes nos saberes e valores que ainda existem na nossa população rural, envolvendo-os e fazendo-os parte dos projetos, recuperando-se tradições e um meio de vida, se não principal, complementar,  que os tempos de crise ou qualquer tempo recomendam e depois sim, na tal feira dos Saberes e Sabores que se insiste em fazer anualmente com os Sabores e Saberes de fora,  poderíamos ter os nossos sabores com muito mais sabor e os nossos saberes com a sabedoria e a fama que sempre soubemos conquistar, mas para que tal aconteça temos de ter os tais mestres da banda e quem faça o trabalho de casa, depois, é só seguir uma das regras mais antigas das trocas populares, comerciais ou efetivas de - “amor com amor se paga” ou “dar para receber” e todos seriam(os) ganhadores vencedores. Haja nessa gente quem pense nisso, mas o problema parece estar mesmo em pensar, no social!



29
Mai10

Mosaico da Freguesia de Soutelo



 

Como sempre aos fins-de-semana, vamos até ao nosso mundo rural, com mais um mosaico de uma freguesia, hoje com o mosaico de SOUTELO.

 

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Mosaico da Freguesia de Soutelo - Chaves

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Localização:


A Noroeste da cidade de Chaves da qual dista 7 km.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Seara Velha, Calvão, Sanjurge, Valdanta, Curalha e Redondelo, todas do concelho de Chaves.

 

Coordenadas: (Largo do Cruzeiro Coberto)


41º 45’ 30.37”N

7º 31’ 54.85”W


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Altitude:


Variável –  Entre os 450 e os 650m

 

Orago da freguesia:


Nossa Senhora da Conceição

 

Área:


8.99 km2

 

Acessos (a partir de Chaves):


– Estrada Municipal nº535, com passagem por Casas dos Montes e Valdanta.

 

 

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Aldeias da freguesia:


- Soutelo

- Novais

 

População Residente:


Em 1900 – 518 hab.

Em 1920 – 498 hab.

Em 1940 – 570 hab.

Em 1960 – 657 hab.

Em 1981 – 431 hab.

Em 2001 – 384 hab.

 

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Desde que existem dados da população (CENSOS) podemos verificar que a freguesia de Soutelo, entre os anos de 1864 e 1940 manteve a sua população residente sempre entre os 500 e 600 habitantes, nem sequer o abaixamento de população de 1920 sentido em todas as freguesias, por esta freguesia não foi significativo. De 1940 a 1960, a população subiu e desviou-se da linha de tendência que vinha a percorrer até aí, atingido o pico de população em 1960 com 657 habitantes. De 1960 a 1970 a freguesia em apenas 10 anos perde 30% da sua população, vindo esta perda a agravar-se se a compararmos com os últimos Censos de 2001 em que a percentagem de perda sobe para os 42% e que a manter-se a linha de tendência de perda de população, nos próximos Censos a percentagem ultrapassará os 50%. Números sérios demais que há muito mereciam um estudo aprofundado bem como medidas para os contrariar, mas enfim, são os números do despovoamento ao qual a actual crise também vai beber um pouco.

 

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São também números atípicos para uma freguesia de proximidade de Chaves, no seu perímetro urbano e que não tem a montanha como domínio. Se me apresentassem os números sem o rótulo da freguesia, não hesitaria em dizer que se tratava de uma das nossas freguesias mais distantes de montanha.

 

 

Principal actividade:


- Desde sempre foi a agricultura, com terrenos férteis para a batata, centeio, fruta e vinho. Em tempos (não muito distantes) existiu outra actividade importante na freguesia, sendo famosa pelo fabrico artesanal de cobertores e mantas de lã. Com o tempo foi-se perdendo esta produção artesanal chegando-se ao momento actual onde não me consta haver pela freguesia quem se dedique a esta actividade. Os tais sabores e saberes da terra já não são mais da terra…

 

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Particularidades e Pontos de Interesse:

 

Se por um lado (ou quase tudo) o despovoamento das nossas aldeias ´tem de ser olhado pela negativa, há no entanto alguns pontos positivos que se lhe podem associar. Com o abandono das populações também o casario vai sendo abandonado e se por um lado envelhece e se deteriora, por outro lado continua a existir e a dar algum significado ao velho núcleo habitacional das aldeias. Pois tal também acontece por esta freguesia, com Soutelo e Noval a manterem os seus antigos núcleos, embora envelhecidos. Felizmente as novas construções têm nascido maioritariamente fora do núcleo antigo destas duas aldeias, sendo ainda possível manter o seu interesse a nível do casario tradicional, assim haja vontade de o manter, mas também de o recuperar.

 

A proximidade de Chaves deveria ser um dos pontos de mais interesse desta freguesia nas suas duas vertentes, ou seja, do proveito que ambas poderiam tirar desta proximidade, para além do dormitório actual e agricultura de subsistência que por lá se pratica. Retomar a antiga tradição da produção artesanal dos cobertores e mantas de lã, adaptada aos novos tempos, seria ouro sobre azul…mas para tal acontecer e despertar antigos interesses tornando-os actuais e reais, alguém terá de fazer o trabalho de casa…mas anda praí muita gente distraída a olhar para os umbigos e a construir castelos na areia. Enquanto tal vai acontecendo, vão-se perdendo os verdadeiros sabores e saberes de toda uma cultura aldeã.

 

 

Historicamente falando e pelos importantes povoados antigos das imediações, pode-se acreditar que também esta freguesia tivesse conhecido povoamentos antigos desde a pré-história não ficando também alheia à romanização. Mais recente e ligada ainda à época medieval poder-se-á ligar a notável Casa do Paço, um edifício de notável e interessante arquitectura ostentando uma quase tão vetusta como tosca pedra de armas dos Cogomilhos onde se inscrevem as 5 chaves. Já em 1758. Nas «Memórias Paroquiais» a Casa do Paço recebe alguns comentários por parte do pároco redactor onde comentava “não haver tradição certa da sua origem”. Estudiosos da casa dizem que possivelmente deverá tratar-se de uma residência senhorial baixo-medieval não fortificada.

 

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De valor patrimonial da freguesia, além do conjunto do casario típico e tradicional que ainda existe e da referida Casa do Paço, poderei ainda salientar a Igreja Paroquial e a Capela do Espírito Santo. De cariz religioso também se assinala o Cruzeiro da Srª da Saúde, com cobertura assente em quatro colunelos. Aparentemente toda esta estrutura da cobertura parece merecer uma intervenção urgente, pelo menos a julgar pelo peso e desvio (abertura) a que os quatro colunelos estão sujeitos, mas outra gente mais entendida que eu e com responsabilidades, pela certa que passa por lá regularmente e já deve ter notado que aquela estrutura não estará nas melhores condições…mas nestas coisas já se sabe que os santos da casa não fazem milagres, mas nem há como ir deitando um ouvido ao que o povo vai dizendo, principalmente quando diz que mais vale prevenir do que remediar… e com esta já estou quase no ir!

 

Tempo ainda para referir a Quinta do Noval e a referência a um estudioso e ilustre flaviense, o Padre Adolfo Magalhães.

 

 

 

Link para os posts neste blog dedicados à  freguesia


Para mais pormenores e fotografias sobre esta freguesia, nem há como fazer uma passagem pelos posts que lhes foram dedicados neste blog, seguindo os links:

 

 

-  Soutelo

 

-  Noval

 

 

 

 

 


05
Jul08

Soutelo - Chaves - Portugal


 

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E como hoje é Sábado, vamos até mais uma das aldeias de Chaves, mais uma daquelas que pertence ao vale alto e que começa em terras de Ervededo, passa por Bustelo e termina em terras de Curalha e Pastoria. Vamos ficar pelo meio, precisamente em Soutelo.

 

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Embora entre Chaves e Soutelo ainda haja a freguesia de Valdanta, Soutelo não deixa de ser uma aldeia e freguesia periférica de Chaves, mais um dos seus dormitórios, mas que no entanto mantém toda a sua ruralidade e singularidade de aldeia.

 

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Fica a apenas 7 quilómetros de Chaves. À freguesia pertence ainda Noval, uma outra aldeia que dada a proximidade à sede de freguesia,  a apenas 1 quilómetro, mais parece um dos seus bairros. Parece mas não é, pois também Noval tem a sua identidade como aldeia e, bem mais rural que Valdanta.

 

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Soutelo (freguesia) tem 9 Km2 de área e localiza-se entre as freguesias de Calvão, Sanjurge, Valdanta, Curalha, Redondelo e Seara Velha e como a grande maioria, desenvolve-se na encosta da montanha, deixando os terrenos mais planos disponíveis para a agricultura.

 

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Em termos de população a freguesia em 1981 tinha 554 habitantes residentes. Em 2001 tinha 384, dos quais 170 residentes em Soutelo e os restantes em Noval. São dados curiosos para uma freguesia que está tão próxima de Chaves e que embora esteja longe de ser uma freguesia despovoada, também sentiu o abandono de alguma das suas gentes, principalmente para a emigração, para a cidade e para as grandes cidades.  Mas ós 34 habitantes (só para Soutelo) com menos de 20 anos (em 2001), são um dado importante e que demonstram que esta aldeia  está longe do despovoamento das aldeias de montanha.

 

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Curioso e aparentemente contraditório,  é o facto de Soutelo (como aliás em todas as aldeias), haver mais eleitores que habitantes, quando todos sabemos que só se pode ser eleitor com mais de 18 anos. Pois os dados a que tive acesso da freguesia com 384 habitantes, tinha 442 eleitores. Disse aparentemente contraditório e é-o, só aparente, pois de facto podemos partir de ambos os números como verdadeiros, ou pelo menos muito próximo da verdade e traduz o fenómeno de muitos dos eleitores não serem residentes na freguesia. “Fenómeno” que aliás é conhecido de todos os políticos mas que nada fazem para o contrariar, e se há freguesias que são beneficiadas com este “fenómeno”, outras há que poderão ser prejudicadas. Mas também isto é teórico, pois se acontecer o mesmo em todas as freguesias, fica tudo na mesma. Pelo menos fica aqui a explicação para o facto de todas as freguesias terem mais eleitores que habitantes.

 

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Em termos de casario, tem um importante núcleo de casario tradicional, com algumas casas em ruínas e outras abandonadas, mas na sua maioria estão em bom estado e notam-se algumas recuperações de construções, a maioria feita com gosto ou pelo menos, sem destoar muito do conjunto.

 

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Claro que em termos de casario, é mais fácil e infelizmente até compreensível, construir de novo nos terrenos da periferia do núcleo, principalmente junto à estrada municipal do que restaurar ou reconstruir as velhas construções, e digo compreensível, porque muitas das construções antigas, abandonadas e em ruínas, são geralmente propriedade de vários herdeiros e também construções pequenas que muitas delas não oferecem as condições suficientes para uma habitação com as exigências dos tempos de hoje. Curiosa também esta situação, pois hoje em dia os casais mais jovens ficam-se (na grande maioria)  por um ou dois filhos e, antigamente, a grande maioria dos casais começava a contar filhos a partir (pelo menos) do número três, indo por aí fora até aos 7, 8, 9 … e os mais exagerados, exageravam mesmo no número. A curiosidade está em que as casas, na generalidade, eram mais pequenas e com menos condições que as de hoje em dia, mas tinham muito mais gente. E ainda bem que assim é, pois é sinal que as condições habitacionais das casas de hoje, estão a léguas de distância das casas de há 50 anos atrás, quanto mais não seja por hoje já todas terem acesso a electricidade, água canalizada e a grande maioria a saneamento, para não falar do telefone e dados, Internet, com a qual ficamos todos à distância de um click.

 

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Podemos ser pobrezinhos, estarmos na cauda da Europa, toda a gente a protestar e com razão, mas uma coisa é certa, os tempos de hoje, não têm comparação com os de há 50 anos atrás.

 

Mas tudo isto são situações gerais e hoje o que temos por cá é mesmo Soutelo.

 

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Pois Soutelo é uma aldeia essencialmente agrícola, com a agricultura do costume em terras férteis, ou seja a batata, o centeio, o milho e toda a variedade hortícola, das hortas mais próximas das casas e para consumo próprio. Também é rica em árvores de fruto, as mais características da região, como as macieiras, cerejeiras, pereiras, pessegueiros, algumas oliveiras e também alguma vinha. Tudo isto em pequena escala e dispersas pelos terrenos circundantes da aldeia, pois também os terrenos de Soutelo, como é habitual na maioria do concelho, estão repartidos e vedados, não havendo grandes extensões de terreno para uma só cultura.

 

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Mas Soutelo, como disse no início, é também uma aldeia dormitório de Chaves, e embora agrícola, há muita da sua gente a trabalhar na cidade, embora a sua maioria continue a tratar dos campos, nos fins de tarde de verão ou nos fins de semana. Sempre é uma ajuda para os dias de hoje, que não estão para brincadeiras.

 

Em termos históricos podemos realçar algumas riquezas arqueológicas e de arte rupestre no Penedo da Cobra, possível memória do culto ofiolatra, culto ou adoração das serpentes. Perto da aldeia passava uma calçada romana. Entre o casario, muito pouco evidente, encontra se uma casa que denominam de Paço. Seria igual a muitas outras não fora o facto de, embutido numa das paredes, exibir o brasão das Cinco Chaves que, pelo menos na tradição e em alguns escritos, está ligado à história de Chaves e que poderia remontar à fundação da nacionalidade.

 

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Foi uma aldeia também famosa pelo artesanato de cobertores e mantas de lã que produzia. Artesanato que bem poderia ter sido acarinhado pelas entidades responsáveis pelo turismo e pelo concelho, que poderia ser uma mais valias para a aldeia e para um roteiro turístico, mas que como de costume, vamos perdendo, e perdemos aquilo que de melhor sempre tivemos. Agora o que está a dar é artesanato made in China, e todos assistem impávidos e serenos aos acontecimentos…são os tais interesses do dinheiro que mandam na política e se não é assim, parece.

 

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Com certeza que ficará muito por dizer de Soutelo e das suas gentes, mas só posso falar daquilo que sei ou da informação a que tive acesso. Quanto às gentes, poderei dizer alguma coisa, pelo menos daqueles que são também meus colegas de trabalho e posso-o dizer, porque a opinião é unânime, que é do melhor que há, pena que nas minhas visitas à aldeia nunca estejam em casa para lhes visitarmos a adega…mas já lhes conhecemos o vinho, pois está sempre presente nas festas da “companhia” e é do “bô”, como estou em crer que toda a aldeia também o é.

 

Até amanhã, por aí noutra aldeia do concelho.

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