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CHAVES

Olhares sobre o "Reino Maravilhoso"

09
Fev19

Stº Estêvão - Chaves - Portugal

1600-sto-estevao (247)

 

Nestes sábados do blog dedicados ao mundo rural flaviense, em geral às nossas aldeias, temos de abrir duas exceções, pois para além da cidade, no concelho de Chaves existem duas vilas, a de Vidago e a que vos trago hoje, a Vila de Stº Estêvão.

 

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Stº Estêvão já é aqui repetente várias vezes, e para não estar a repetir aquilo que fui dizendo ao longo dos posts que lhe dediquei, hoje fazemos uma abordagem um pouco diferente e talvez chamar a atenção para alguns pormenores que alguns desconhecerão e que muitos se vão esquecendo do que por lá existe, como por exemplo o seu castelo, um dos três castelos medievais que o concelho de Chaves tem. Curiosamente na última imagem aparecem dois desses castelos, o de Stº Estêvão no meio do casario da vila e lá mais em cima, na croa da montanha, do lado esquerdo, o Castelo de Monforte de Rio Livre.

 

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Na última imagem o tal castelo com mais evidência. Infelizmente para mim, apenas conheço este castelo por fora, nunca tive a oportunidade de o ver por dentro. Verdade se diga talvez por algum desleixo meu, mas também porque nas minhas muitas passagens por Stº Estêvão nunca ter visto as suas portas abertas. Sinceramente nem sequer sei se está aberto ou não ao público, mas um dia hei de lá entrar e se o que vir tiver interesse, Stº Estêvão terá aqui outro post.

 

1600-sto-estevao (279)

 

Quanto à vila, é um misto de tradição e modernidade, mais modernidade que tradição, desta, apenas a antiga rua principal vai mantendo o seu casario mais antigo, e um pequeno núcleo à volta da igreja, de resto, nem o castelo escapou ao ser rodeado pela tal modernidade das novas construções, principalmente das que surgiram no pós 25 de abril e fizeram sair das costuras o antigo povoado.

 

1600-sto-estevao (261)

 

Há no entanto algumas construções do Estado Novo que se destacam na aldeia, tal como a escola primária, com o projeto tipo das escolas cinquentenárias, esta idêntica às das cidades com dois pisos e quatro salas, apoiada por uma cantina escolar também da época e no mesmo largo onde a escola foi implantada.

 

1600-sto-estevao (306)

 

Que mais há a acrescentar àquilo que já anteriormente foi dito!? – Talvez que Stº Estêvão é uma das povoações da Veiga de Chaves, que partilha com as vizinhas povoações de Vila Verde da Raia e Faiões, a que ainda se vai mantendo verde e cultivada, pois a restante, também ela foi vítima da modernidade, não resistindo à invasão do casario.

 

1600-sto-estevao (111)

 

E finalmente dizer que Stº Estevão é de visita obrigatória, embora a evidência da modernidade que lhe retira o estatuto de povoação rural tradicional onde o granito é uma constante do casario,  mas tem o castelo, a belíssima igreja e casario adjacente e o largo da Escola primária/cantina, mas não só, pois o seu território chega até ao Rio Tâmega, onde se localiza a maior lagoa que resultou da exploração de areias e que hoje serve de poiso a muitas espécies de aves, onde existem dois abrigos/observatórios.  

 

Mais sobre Stº Estevão, após este post deverão aparecer links para as anteriores abordagens deste blog.

 

 

11
Ago13

Incêndios

O cheiro a queimado anunciava incêndio nas proximidades e ao sair à rua, não era um incêndio, eram pelo menos três, dois bem próximos a sul da veiga de Chaves e outro que pela coluna de fumo parecia ser em plena fronteira da Vila Verde, mas afinal era  mais próximo e ao fim da tarde (20H00) já tinha queimado o que havia para queimar entre S Estêvão e as Nogueirinhas, estando uma frente à entrada desta última aldeia (sem bombeiros e sem ataque aéreo) tudo porque as forças se concentravam na direção das Assureiras e Águas Frias, que aí sim, pela coluna de fumo, parecia ser bem mais sério.


Entretanto as notícias online dizem que desde as 00H00 deste sábado já deflagraram 227 incêndios florestais e na página da Internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) indica que o incêndio que mobiliza o maior número de meios está a arder na localidade de Água Frias, concelho de Chaves (Vila Real) desde as 11h40, estando no local 112 bombeiros e 34 viaturas.


A ANPC adianta que este fogo em florestas tem três frentes ativas. A notícia foi vista em rr.sapo.pt e está datada de 10-08-2013 23:40


Sem mais comentários ficam algumas imagens tomadas entre as Nogueirinhas e Stº Estêvão.  A primeira foi tomada às 16:40 e o fogo estava a menos de 100m da aldeia das Nogueirinhas.



          






23
Out10

Mosaico da Freguesia de Stº Estêvão

 

Depois de passar pela Vila de Stº Estêvão, hoje vamos ao mosaico da freguesia de Stº Estêvão, que é quase à mesma coisa, pois à freguesia, hoje, resume-se à vila, mas vamos saber mais um pouco de Stº Estêvão freguesia.

 

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Localização:


Localiza-se em plena veiga de Chaves, na margem esquerda do Rio Tâmega, a Nordeste da cidade sede do concelho.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Vila Verde da Raia, Stº António de Monforte, Águas Frias, Faiões e Outeiro Seco. Para esta última freguesia é o Rio Tâmega que serve de limite.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja Paroquial)


41º 45’ 32.51”N

7º 25’ 10.98”W

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Altitude:


Variável –  Entre os 350 e os 500m

 

Orago da freguesia:


Santo Estêvão

 

Área:


10.61 km2

 

Acessos (a partir de Chaves):


– Estrada Nacional nº103-5 (de acesso à antiga fronteira de Vila Verde da Raia).

 

 

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Povoações da freguesia:


- Santo Estêvão

 

 

População Residente:


Em 1900 – 1744 hab.

Em 1920 – 1625 hab.

Em 1940 – 1417 hab.

Em 1960 – 1864 hab.

Em 1970 - 703

Em 1981 – 671 hab.

Em 2001 – 632 hab.

 

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Mais um gráfico atípico, dos poucos do concelho e, se aparentemente parece não haver explicação para o comportamento da população residente em algumas décadas, esse comportamento está bem justificado. Comecemos pelos Censos de 1930 em que se regista uma descida acentuada da população em relação aos Censos de 1920. Pois tudo se deve ao facto de em 20 de Julho de 1925, Stº Estêvão perder uma aldeia que era pertença da freguesia, ou seja a aldeia de Faiões que passou a constituir-se como freguesia autónoma. O mesmo viria a repetir-se com uma segunda aldeia também pertença da freguesia até ao dia 28 de Outubro de 1969, a aldeia de Vila Verde da Raia que também daria lugar a uma freguesia autónoma e daí, mais uma vez a queda vertiginosa de população residente nos Censos de 1970. Em resumo um gráfico e comportamento da população que sai fora das normas das restantes aldeias do concelho mas que a não verificar a perda das duas aldeias teria o mesmo comportamento da maioria das freguesias.

 

Curiosa esta “perda de importância” da freguesia de Stº Estêvão que até 1925 era “dona e senhora” de quase a totalidade da veiga de Chaves e que em menos de 40 anos, perdeu duas aldeias e o “domínio” da veiga.

 

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Também curiosa é a sua recente passagem a Vila em 2005, pois as razões de ascensão não são de desenvolvimento actual, amento de população ou outra razão do género, mas com base na sua rica história de Vila Medieval com Castelo, e mais não comento, pois se por um lado o concelho ganhou uma segunda vila (para além da de Vidago), esta ascensão só pode mesmo ser considerada honorária, pois nada mudou em relação ao antes 2005, mas por outro lado, também mostra bem as políticas administrativas deste nosso Portugal, pois numa altura em que se exige uma reforma administrativa séria e responsável de Portugal, tem-se andado a brincar às promoções e, se no caso em nada implica em termos económicos, já noutros casos a coisa pia mais fino. Mas como disse atrás, não comento ou não aprofundo mais, pois isso será tema futuro de uma feijoada das quartas-feiras.

 

 

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Principal actividade:


Desenvolvendo-se o seu território pelas terras férteis da veiga de Chaves, é mais que natural que a sua principal actividade seja a agricultura, mas, embora nem tanto como seria natural pela proximidade à cidade e os bons acessos, é também Vila dormitório da cidade de Chaves.

 

 

Particularidades e Pontos de Interesse:


 

Quase tudo que havia a dizer sobre Stº Estêvão já foi dito no devido post que lhe foi dedicado como Vila do Concelho, no entanto e como de costume, fica aqui também o resumo das suas particularidades e o que mais de interessante há na freguesia.

 

Vila agrícola por excelência, pois melhores terras no concelho não há, ainda para mais com regadio. Tão rica como as suas terras, é a sua história, antiga e medieval, mas quase apenas essas, pois a partir de aí Stº Estêvão entrou em perda de valores, primeiro do seu valor como Vila Medieval com Castelo e depois até em território, tal como já foi referido atrás. Mas é rica em história e é sobre essa que agora vamos falar.

 

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Um aparte antes de entramos na sua história e para que as coisas fiquem claras. Nas referências que tenho feito a Stº Estêvão, quer hoje quer no post que lhe dediquei anteriormente, dou, por assim dizer, uma no cravo e outra na ferradura. É um facto, mas tal não se deve a nenhum arrufo ou antipatia que tenha pela Vila, antes pelo contrário, mas existe uma certa mágoa da minha parte como flaviense, pois Stº Estêvão deveria ser e teve condições para ser uma Vila a sério, mantendo a sua traça medieval, no seu núcleo, à volta da Igreja e do Castelo. Poderia ser, e teve condições para isso, uma autêntica Vila Medieval com o interesse histórico (que ninguém lhe pode retirar) mas também com interesse actual, que para além da história, poderia explorar a componente turística e ser a menina dos olhos do concelho e da cidade de Chaves. Poderia mas não o é e sobretudo pelo desrespeito que houve para com aquilo que tinha de melhor – o castelo, a igreja e o seu núcleo histórico, praticando-se no seu seio as maiores barbaridades e atentados à sua história, principalmente na envolvente do Castelo e igreja em que não houve o mínimo dos mínimos cuidados com um monumento nacional, com o seu valor e com a sua história. Orgulhar-se hoje de ser uma Vila com base (ainda por cima) ou à custa da sua antiga Vila Medieval é um puro engano e uma ofensa à sua história.

 

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Claro que este meu amargo de boca tem culpados e embora não aponte o dedo a nenhum, são sempre os mesmos, os do costume, iguais ou idênticos (ou mesmo os mesmos) que permitiram e abençoaram a mamarachada no Centro Histórico de Chaves, também com desrespeito pela história e pelos seus monumentos que, em Chaves, hipotecaram para todo o sempre a ambição da tal cidade (romana, medieval e histórica) ser património da humanidade, tal como também aqui em Stº Estêvão se hipotecou o seu interesse patrimonial de vila Medieval e que embora hoje ostente administrativamente o termo de Vila, não passa, em tudo, de uma simples aldeia do concelho. Que me desculpem os naturais de Stº Estêvão que pela certa muito gosta e ama a sua terra, mas tal como à mulher de César não basta parecê-lo também esta vila precisava de sê-lo…

 

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Mas deixando para trás o amargo de boca que não escondo vamos então à sua história.

 

Foi Vila acastelada com foral outorgado por D. Afonso III, nos meados do Século XIII. Do Castelo de Stº Estêvão resta ainda a sua Torre de Menagem e um torreão junto à Igreja Paroquial, servindo actualmente de torre sineira.

 

O seu povoamento, tudo indica, será muito mais remoto, pelo menos a julgar pelos achados arqueológicos encontrados nas freguesias vizinhas que pelo menos remontarão à época pré-nacional da reconquista cristã.

 

De realçar também a igreja Paroquial de Santo Estêvão com uma estrutura de sabor medievo com um estilo românico tardio quatrocentista ou posterior que, em conjunto com a torre de menagem fazem com que Stº Estêvão ainda mereçam uma visita.

 

 

 

Publicações no blog dedicados à freguesia:


- Stº Estevão - http://chaves.blogs.sapo.pt/439822.html

 

 


15
Nov09

Santo Estêvão - Chaves - Portugal

Para quem não sabe, e penso que há muita gente que não o sabe, o concelho de Chaves, além da cidade, tem duas vilas. Uma que quase nasceu como vila, Vidago, pois quase após o seu nascimento passou logo a Vila, mais precisamente em 1925 e uma segunda Vila, mais antiga de origem, em tempos Vila Medieval, mas que na distribuição administrativa actual, só há 4 anos , com a Lei nº 28/2005,  ganhou de novo o estatuto de Vila – Stº Estêvão.  

 

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Mas vamos a um pouco da história de Stº Estêvão, precisamente com o texto que serviu de base para a proposta da sua recente elevação a vila.

 

A aldeia de Santo Estêvão foi outrora vila medieval e as suas casas serviram de alcáçovas do castelo. Na área geográfica de Santo Estêvão há testemunhos vários que atestam a existência da povoação já na pré-história. No entanto, a primeira prova documental que a refere tem data de 12 de Maio 1074, anterior, portanto, à independência do Condado Portucalense. A região de Chaves (Flaviae) e Santo Estêvão fizeram parte do dote de D. Teresa, filha ilegítima de Afonso VI de Leão e Castela, quando em 1095 se casou com o Conde D.Henrique de Borgonha. Em 1129 a região de Chaves foi tomada pelos Mouros e retomada 31 anos depois, por Rui e Garcia Lopes, dois cavaleiros de aventura que a ofereceram em 1105 a D. Afonso Henriques quando foi reconhecido como Rei de Portugal. D. Afonso Henriques começou, desde logo, a alargar os limites do território que lhe fora legado.

 

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Chaves era então uma terra portuguesa, assim com a fortaleza de Santo Estêvão, que o nosso primeiro Rei e D. Sancho I foram construindo e reforçando. Há, no entanto, um período da nossa história coeva em que as terras de Chaves voltaram ao poder de Leão após a desastrosa jornada de Badajoz em 1169, em que D. Afonso Henriques foi ferido e aprisionado por seu genro D. Fernando II de Leão. Para o seu resgate, D. Afonso Henriques teve de largar todos os lugares e castelos que penosamente havia conquistado, menos o Castelo de Santo Estêvão que continuou na posse do Rei de Portugal. Em 15 de Maio de 1258 D. Afonso III concede foral a Santo Estêvão. A antiga vila de Santo Estêvão e dois antigos coutos vizinhos, Faiões e São Pedro de Agostém, eram posições estratégicas da fértil Veiga, que os vizinhos leoneses se empenhavam em arrebatar-nos a cada instante. Principalmente o castelo de Santo Estêvão constituía uma vigilante sentinela à fértil planície, exigindo, por isso, uma constante atalaia da orla fronteiriça nortenha contra as surtidas astuciosas dos leoneses.

 

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No Castelo de Santo Estêvão fez D. Sancho I celebrar o casamento de sua filha D. Teresa com D. Afonso IX, Rei de Leão. No mesmo castelo viveram durante muitos anos as outras duas filhas de D. Sancho I, D. Mafalda e D. Sancha e seu filho Afonso que veio suceder a seu pai no reino de Portugal, D. Afonso II. A separação de Afonso IX e D. Teresa, por imposição pontifica, veio agravar o equilíbrio estabelecido. Afonso IX tomou, porém, o partido da ex-mulher no litígio que a opunha ao rei seu irmão, que a lesara na herança paterna em Portugal. O Castelo de Santo Estêvão foi tomado como penhor ou fiança nesse litígio, o que, mais uma vez, veio reforçar a importância dessa fortaleza fronteiriça, que esteve então durante 19 anos em poder dos leoneses. Só foi restituído a Portugal em 1231, pela convenção estabelecida por Fernando III de Leão e D. Sancho II no Sabugal.

 

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D. Afonso, irmão de D. Sancho II que viria a tornar-se D. Afonso III de Portugal, após a sua separação de D. Matilde de Bolonha, casou em segundas núpcias com uma filha ilegítima de Afonso X, Rei de Castela e Leão, D. Beatriz com quem se encontrou em Bragança em 10 de Maio de 1253, seguindo depois para Santo Estêvão.


O consórcio de ambos realizou-se no Castelo de Santo Estêvão, em cujas alcáçovas foram preparadas acomodações condignas para receberem os régios esposos. D. Afonso III passava já dos 40 anos, enquanto a princesa era ainda uma criança. Só seis anos depois nasce deste enlace a infanta D. Branca e em 1261 o herdeiro do Reino, o príncipe D. Dinis. D. Afonso III fica a viver com a rainha D. Beatriz, em Santo Estêvão. É daqui que são outorgados e confirmados forais, a partir de fins de Maio de 1258 e assinado por D. Beatriz e outras testemunhas importantes, entre as quais Fernando Fernandes Cogominho, rico homem, pai de Nuno Fernandes Cogominho que foi almirante do Reino no tempo do rei D. Dinis. A reputação de que o povoado de Santo Estêvão disputou nos séculos XII e XIII adveio de que ao seu redor e do seu Castelo se travaram importantes recontros militares entre adversários fronteiriços.

 

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A partir de 1268 começaram a aparecer diplomas régios, assinados em Santo Estêvão, com referência a Chaves, embora o primeiro foral da actual cidade só tenha sido promulgado em 1514, em pleno reinado de D. Manuel. É, porém, notório que nesse documento aparecem referências a um foral antigo, do tempo de D. Dinis, confirmado por D. Afonso IV seu filho e sucessor. No reinado de rei-poeta, a torre de menagem do Castelo de Chaves devia estar concluída, mas, ainda assim, a fortaleza e povoação de Santo Estêvão nada perdera da sua antiga importância militar, segundo referências colhidas das frequentes inquirições mandadas efectuar pelos reis, para denunciarem e reprimirem os abusos da nobreza em relação às propriedades pertencentes à corte.

 

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D. Dinis, filho e sucessor de Afonso III, veio a Santo Estêvão esperar a noiva, D. Isabel, filha do Rei de Aragão D. Pedro III e em 1385 vemos D. João I acampado na antiga vila de Santo Estêvão preparando-se para o ousado assalto a Chaves, cujo alcaide tinha jurado fidelidade a Castela. Conta ainda a tradição que o mesmo rei, acompanhado do seu fiel exército, veio, muitos anos depois, em 1423, passar a noite de Natal à sombra protectora do castelo de Santo Estêvão, ouvindo à lareira os contos e ditos dos seus chocarreiros. Já na segunda metade do século XVII, em 1666, durante as longas lutas da Restauração, Santo Estêvão foi teatro de violências e crueldades, por parte da soldadesca do general galego Pantoja, que invadiu a povoação e a seguir saqueou, tomou o Castelo e massacrou a sua pequena guarnição, e depois incendiou o casario. Pantoja seguiu depois para o Castelo de Monforte de Rio Livre, na intenção de aí cometer as mesmas atrocidades. Foi, porém, batido pelo português Francisco de Távora, general de cavalaria e Conde de Alvor, que saiu ao seu encontro.

 

Pois é, história não falta a Stº Estêvão, mas só história não basta e, embora tivesse chegado para a ascender a vila, parece que pouco importância tem dado ao seu estatuto de Vila Medieval.

 

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Quem ler a sua história e tome conhecimento do seu estatuto de Vila, ainda por cima, antiga Vila Medieval, com castelo, ou torre ainda existentes, pensará encontrar nela uma vila antiga e cuidada onde a história também é feita no debitar dos passos pelas suas ruas, mas não, não é assim, pois tal não acontece.

 

Pecados já antigos, descaracterizaram de todo aquilo que poderia ser uma vila medieval exemplar, principalmente no seu núcleo e na área envolvente do castelo, pois quanto ao seu crescimento, esse, seria inevitável, principalmente tendo em conta as suas férteis terras da veiga e a sua proximidade da cidade.

 

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Certo que é ainda na envolvente do castelo que tem o seu casario mais precioso, principalmente na igreja e sua torre, tal como no casario anexo ao adro da igreja, transformado e bem, em turismo rural. Mas também é certo que os maiores atentados ao castelo e por sua vez à Vila Medieval, nasceram mesmo junto a ele, principalmente com as construções permitidas no pós 25 de Abril e que pouco faltou para entrarem pelo castelo adento.

 

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Também as recuperações do núcleo não têm sido muito felizes, acrescentando ainda, o casario abandonado na rua principal do seu núcleo histórico. Ou seja, muitos pecados se têm cometido em Stº Estêvão, permitido e consentido por todos, em nome da modernidade (claro), deixando de lado aquilo que Stº Estêvão de melhor tinha: a sua história e a sua herança medieval, pois ter só a história e o estatuto, não é suficiente, pois lá vai dizendo a voz da razão, que uma coisa é parecê-lo, outra bem diferente é -lo.

 

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Eu sei que estas minhas palavras não agradarão às gentes da Vila de Stº Estêvão, mas é uma realidade e, embora com as minhas palavras não queira retirar o interesse e importância histórica de Stº Estevão, que essa ninguém lhas pode tirar, seriam bem mais interessante ter uma autêntica Vila Medieval, e não apenas o seu nome. Só o castelo, por sinal um pequeno mas belíssimo castelo. Monumento Nacional desde 1939, não lhe chega para sustentar o estatuto. Pois que não se iluda quem em Stº Estêvão queira visitar uma Vila Medieval, pois tal já não existe e quem a visita, não leva boas impressões do que vê:

 

"

Santo Estêvão, Chaves, 7 de Setembro de 1985

Também aqui chegou a lepra que desfigura confrangedoramente o rosto urbano do país. Nem a sólida torre medieval, que resistiu heroicamente a todas as investidas bélicas do passado, conseguiu defender-se da agressão arquitectónica do presente. Tem agora ao lado, como tantos outros monumentos nacionais afrontados, uma caricatura da sua dignidade.

Miguel Torga, in Diário XIV

 

Mas adiante, vamos lá saber mais um pouco da Vila de Stº Estêvão.

 

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A meia dúzia de quilómetros de Chaves, Santo Estêvão situa-se no sopé da zona montanhosa que se estende a Norte desde a cota de Mairos, já na fronteira com a Galiza, até à Ribeira das Avelãs a sul, mesmo ali a ao lado da veiga de Chaves, por onde as suas terras de cultivo se estendem até ao rio Tâmega e, entre as freguesias, também da veiga, de Vila Verde da Raia e de Faiões. Stº Estêvão, freguesia autónoma, possui 10,61 Km2 de área e pouco mais de 600 habitantes.

 

Junto ao castelo, situa-se a Igreja Matriz, templo espaçoso com alguma elegância, de uma só nave. Outros pequenos templos existem ainda por terras de Stº Estêvão, como os invocados a S.Mateus, à Srª do Rosário e a Capela do Paço, topónimo que recorda a antiga moradia senhorial, talvez alti-medieva, onde ainda se pode observar a pedra de armas da nobre Casa do Paço. Recorde-se que a designação de Paço, era demonstração da nobreza da família e que só era atribuído a solares de grandes fidalgos.

 

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A quinta de Santa Isabel é uma das poucas pérolas que demonstram bem a aristocracia que habitou a antiga Vila de Stº Estevão.

 

Também Stº Estêvão tem servido de inspiração a alguns escritores e poetas, para além de Torga, como Camilo Castelo Branco, onde no seu livro "O Esqueleto" encena parte do enredo nesta aldeia, fazendo do último morgado de Faiões o seu Rafael Cogominho. Mais recentemente, e neste blog, o poeta e escritor José Carlos Barros também trazia em jeito de poesia o Castelo e um pouco da história de Stº Estêvão, que mais uma vez aqui reproduzo, porque fica bem neste post.

 

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O CASTELO DE SANTO ESTÊVÃO

 

O grupo de teatro universitário ia pois levar à cena

no centro cultural de Évora a sua primeira peça

que posso já adiantar que não chegou

à estreia. Pela razão simples de que ao encenador

 

não lhe escapou a pronúncia cerrada do moço

vindo do Barroso e do liceu de Chaves

a estudar arquitectura paisagista no Alentejo

fazia eu de Afonso III. Luís Varela insistia comigo

 

para que acariciasse Beatriz entre a ternura do velho

bárbaro a fazer festinhas na criança que a princesa ainda

era e a luxúria intervalada de quem sente

 

já nos seus braços uma mulher que começava

na realidade a sê-lo. Ora eu na parte da luxúria

continha-me ali em público nos ensaios

 

 

 

um cibo. E o Luís então gritava em desespero que

nem parecia ter eu nascido no sítio onde

no século XIII a coisa verdadeiramente se passara

por não serem de hábito assim tão encolhidos

 

os conterrâneos meus que se soubesse em

se tratando de mandar a uma moça deslumbrante

a ceitoira. E eis como foi necessário o orgulho

ferido e a subsequente lição para ficar a saber

 

que o Bolonhês em segundas núpcias e em primeiras

a filha do rei Afonso X se casaram nem mais

nem menos que em Santo Estêvão. E assim

 

se compreenderá também que durante tantos anos

visitasse sempre que podia e hoje

ainda a aldeia que de entre todas do concelho de Chaves

 

 

me pertencia e me pertence mais. E quando

regresso é como se regressasse a 1253 e visse

Beatriz de Castilla y Guzman a entrar na capela de

st

05
Set08

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

 

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O Castelo de Santo Estêvão

 

poema de José Carlos Barros

http://casa-de-cacela.blogspot.com

 

 

 

O grupo de teatro universitário ia pois levar à cena

no centro cultural de Évora a sua primeira peça

que posso já adiantar que não chegou

à estreia. Pela razão simples de que ao encenador

 

não lhe escapou a pronúncia cerrada do moço

vindo do Barroso e do liceu de Chaves

a estudar arquitectura paisagista no Alentejo

fazia eu de Afonso III. Luís Varela insistia comigo

 

para que acariciasse Beatriz entre a ternura do velho

bárbaro a fazer festinhas na criança que a princesa ainda

era e a luxúria intervalada de quem sente

 

já nos seus braços uma mulher que começava

na realidade a sê-lo. Ora eu na parte da luxúria

continha-me ali em público nos ensaios

 

 

 

um cibo. E o Luís então gritava em desespero que

nem parecia ter eu nascido no sítio onde

no século XIII a coisa verdadeiramente se passara

por não serem de hábito assim tão encolhidos

 

os conterrâneos meus que se soubesse em

se tratando de mandar a uma moça deslumbrante

a ceitoira. E eis como foi necessário o orgulho

ferido e a subsequente lição para ficar a saber

 

que o Bolonhês em segundas núpcias e em primeiras

a filha do rei Afonso X se casaram nem mais

nem menos que em Santo Estêvão. E assim

 

se compreenderá também que durante tantos anos

visitasse sempre que podia e hoje

ainda a aldeia que de entre todas do concelho de Chaves

 

 

 

me pertencia e me pertence mais. E quando

regresso é como se regressasse a 1253 e visse

Beatriz de Castilla y Guzman a entrar na capela de

mão dada com este d. Afonso III que quase representei

 

no Garcia de Resende não fora por mor dos copos uns

e outros pelo honesto estudo terem deixado a mais

de meio mas antes da estreia a peça

do Ernesto Leal. Aí fui portanto tantas vezes e vou agora

 

e sempre a imaginar nas nove ameias do alçado

e na planta rectangular do que resta do castelo

a Beatriz que em Évora demorei a acariciar com luxúria

 

enquanto o encenador não me puxou pelos brios e eu

não soube que Beatriz e d. Afonso III se casaram afinal

no castelo que é também meu de Santo Estêvão.

 

 

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